Daiana Garbin no Unha Talks de hoje!

ISA talks with Daiana Garbin about her book on body image and eating disorders, mental health, and the societal pressures that shape how we see ourselves.
Chapters
Olá, no iAtalks de hoje nós vamos conversar com a jornalista Daiana Garbim, linda, que eu considero muito, muito, muito minha amiga. Tenho o privilégio de dizer que sim, Daiana Garbim é minha amiga e me deu o privilégio, inclusive, de gravar o livro que ela lançou fazendo as pazes com o corpo, uma jornada em busca da paz. Resumindo, né, Dayana?
Em busca da paz. Gente, essa voz maravilhosa, quando eu pensei, quem vai gravar meu livro? Eu falei, precisa ser a Isa, porque essa voz, a voz mais linda que eu já conheci, desde a primeira vez que eu vi a Isa na televisão, quando ela começou a trabalhar na Globo, eu já trabalhava lá, eu falei, gente, que voz que tem essa mulher. Então, é uma alegria ser sua amiga, é uma alegria estar aqui. Obrigada pelo convite.
Este programa só está acontecendo a partir da leitura que eu fiz do livro da Dai, em que ela menciona, entre muitas coisas muito importantes para todas nós mulheres, é a fase em que você percebe que aquela energia que você está investindo em alguma coisa poderia ser investida para os seus projetos.
Eu acho que quando a gente percebe que a nossa vida tá sendo tomada por um tipo de sofrimento que tira a gente do nosso rumo profissional ou do rumo de paz da nossa vida, a gente precisa fazer alguma coisa. Porque é o caminho do adoecimento e eu percebi que eu tava ficando muito doente e que eu precisava cuidar da minha saúde mental.
Você já vai falar mais sobre isso, tá? Antes, eu preciso só explicar por que nós estamos fazendo aqui com esmalte na mão. Gente, toda mulher sabe que no ambiente de salão, quando a mulher está fazendo a unha, rolam altos papos.
Sai tudo.
Elas sabem tudo da nossa vida. Não é? Altas confidências. Então, trouxe a Diana aqui para o estúdio Amy Personale para a gente fazer a unha e também conversar. Eu escolhi o rosinha hoje. Você escolheu qual?
Eu gosto de nude com brilhos.
Pronto. Então eu vou sair do vermelhão hoje, vou para o clarinho. Dayne então vai para um nude com brilho. O Dayne, me diga uma coisa. Como é o feedback das leitoras com o conteúdo que elas acessam no seu livro? Porque você escreveu ali coisas bem profundas. É.
Eu... o meu livro fala sobre transtorno alimentar e sobre uma relação de ódio e rejeição com o corpo e com a alimentação. É uma dor, Isa, que normalmente as mulheres sentem com muito mais frequência do que a gente imagina, mas não contam para as pessoas, porque nós temos vergonha de ter esse tipo de sofrimento. A gente se sente fútil por sofrer com a relação com a comida e com o corpo, a gente sente vergonha porque a gente acha que não é um problema digno ou genuíno de você buscar uma ajuda médica. E eu quis começar a fazer esse trabalho há três anos, quando eu criei o Eu Vejo, que é o nome do meu canal e do meu site, porque eu fui diagnosticada com transtorno alimentar, eu descobri que aquele sofrimento que tomava conta de tanto tempo da minha vida e que começou a me impedir de muitas coisas, como por exemplo, chegou uma hora que eu já não queria mais sair de casa, que eu já não ia mais a festas, que eu só usava roupa preta de manga comprida e eu vi que eu tava indo por um caminho muito perigoso. Quando eu decidi procurar ajuda médica e fui a um psiquiatra, que eu tive o diagnóstico de que o que eu tinha era uma doença emocional, uma doença mental, era um transtorno alimentar e que eu precisaria fazer tratamento, tomar medicamento. Eu falei, peraí. Então, isso que eu tô vivendo é sério e se eu preciso de ajuda, eu tenho certeza que muito mais mulheres também precisam de ajuda e estão vivendo isso. E aí que eu decidi criar o canal e começar a falar sobre essa dor. Como você tá fazendo brilhantemente agora falando do burnout e como a gente tem ainda bem cada vez mais pessoas falando de depressão, de ansiedade, de transtorno bipolar. Eu acho, Isa, que por muitos anos a gente renegou a saúde mental. Eu sempre falo isso, eu sou super repetitiva e eu insisto. Se a gente quebra uma perna, se a pessoa descobre que está com câncer, ela não hesita em ir ao médico. Ela não questiona a dor dela. Ela não fica se perguntando se é frescura, se ela merece, se é digno. Ela vai ao médico e cuida e pronto. E com a doença mental não é assim.
Ela e nem as pessoas ao redor dela.
E nem a sociedade, nem a família. Existe muito preconceito, muito estigma é a palavra que todos os psiquiatras sempre me falam. Precisamos falar sobre estigma. Porque as pessoas se sentem envergonhadas de ter uma dor emocional e por isso não procuram ajuda, não conversam com ninguém da família. E por isso a gente está tendo cada vez mais casos, tanto de depressão, de ansiedade e infelizmente de suicídio. Isso é gravíssimo. Os psiquiatras que eu entrevisto no meu canal estão muito preocupados com o rumo que as coisas estão tomando. Porque veja, a gente vive cada vez mais nessa sociedade do espetáculo, da imagem, do show. Então todo mundo tem que parecer muito feliz e muito bem sucedido nas redes sociais. E quem não se sente assim é considerado um fracassado devastado. todo mundo adoecendo. Então assim, precisamos falar sobre isso e mais assim, precisamos entender que a gente tem que acolher a nossa dor, tá tudo bem você pedir ajuda.
Tudo bem procurar ajuda, exatamente. Agora Dai, quando você começou a levantar as suas pesquisas, a partir da sua história, o que você ouvia das pessoas?
No início, quando eu comecei no canal e as pessoas não Há três anos não se falava muito no Brasil de transtorno alimentar. Agora está se falando muito sobre isso. No começo foi bastante difícil para mim. porque eu recebi bastante ódio e xingamentos pelas redes sociais.
Por exemplo?
Por exemplo, vai lavar louça, isso daí é falta de rola, falaram muito, é falta de uma pia cheia de louça, é falta de um tanque, é problema...
Falou isso pro burnout também, sabia?
Falam de todas as doenças emocionais, até passar por isso ou até ter alguém muito próximo que tire a vida ou que sofram uma crise muito grande. E aí eu tive que trabalhar muito isso dentro de mim, de saber que essas pessoas que estavam me xingando e me ofendendo dessa forma, elas só estavam tentando tirar de dentro delas o próprio preconceito delas. Daqui a pouco elas passam por uma dor parecida e tentam falar isso pra não precisar olhar pra própria dor. Mas também recebi muita coisa boa. As pessoas dizendo obrigada por me mostrar que eu não tô sozinha, É por causa do seu livro, eu decidi procurar um psiquiatra pela primeira vez. As mensagens que mais me emocionam assim é por causa do seu livro, eu pude conversar com a minha família sobre isso. Eu pude dizer, olha aqui, isso existe e eu preciso de ajuda, que vocês me ajudem, eu preciso de tratamento. Então acho que de alguma forma, Iza, se eu pude tocar o coração de algumas pessoas assim, eu já tô muito feliz, sabe?
Perfeito. Dai, você fala no livro sobre transtorno alimentar. E eu tenho certeza que muitas pessoas que estão nos assistindo acabam pensando que transtorno alimentar é uma coisa muito distante delas. Mas todos nós, em algum momento da nossa vida, a gente já excedeu na alimentação ou comeu as emoções. Acabou descontando na comida alguma insatisfação, alguma angústia, alguma ansiedade. Como é que você explicaria para quem está nos assistindo o quão normal é o transtorno alimentar e quais são as possíveis origens dessa doença?
O transtorno alimentar, ele passa a ser, ele é uma doença de fato. Porque veja, Isa, a mulher quer emagrecer dois quilos porque quer ir num casamento, porque quer entrar num vestido, Não tem problema, você querer se cuidar, você ser vaidosa não é uma doença, obviamente não. Até saudável, você querer se alimentar de forma saudável, sem dúvida nenhuma, você cuidar da sua aparência não é um problema. O adoecimento de fato acontece, o transtorno alimentar acontece quando isso toma uma proporção na sua vida que começa a te impedir, por exemplo, de sair para trabalhar, de fazer sexo.
De fazer qualquer outra coisa.
De escor o seu corpo.
Sim.
De se alimentar na frente de outras pessoas. Tamanha é a sua obsessão com o que você vai comer, com quantas calorias você vai ingerir ou a vergonha que você tem do seu corpo?
Uma paranoia em relação à comida.
É uma obsessão com relação à comida e ao corpo. É as duas coisas. Então assim, muitas pessoas acabam tendo uma imagem distorcida do jeito que vê o próprio corpo, outras não. Outras têm a imagem normal mas não suportam aquele corpo, passam a rejeitar aquele corpo. Então a sua vida passa a girar em torno da sua relação com a comida e com o corpo. E isso tem impacto quando é um adoecimento de fato. Veja, não sou médica, não sou psicóloga, tudo isso é o que eu estudo e entrevisto os profissionais. Então, obviamente que só um psiquiatra pode fazer o diagnóstico correto. Mas esses sinais que eu tô contando são coisas pra a gente começar a ficar atenta. Sabe? Se você já tá deixando de ir a lugares porque você tem vergonha do seu corpo. Se você não vai a festas porque você sabe que vai ter buffet e você não vai conseguir se controlar na comida e você tem medo. Se você usa o que a gente chama de métodos compensatórios para se livrar do que você comeu.
Por exemplo?
Por exemplo, o uso de diuréticos, laxantes, remédios para emagrecer em excesso.
Se eu excedir num almoço, por exemplo, depois eu vou lá e uso um laxante.
Uso laxante para me livrar. Isso é gravíssimo. Só que muitas mulheres acham que tá tudo bem fazer isso, que é normal. Gente, não é normal. Laxante é um medicamento, é perigoso, tem consequências. Assim como a gente precisa repensar na nossa sociedade a questão do abuso de remédios pra emagrecer. As mulheres tomam remédio pra emagrecer como uma aspirina, achando que tá tudo bem. E você mexe com a química do seu cérebro, você mexe com o metabolismo do seu corpo. Remédio pra emagrecer é uma coisa que precisa ser muito bem pensada, orientada por um médico. E as meninas com 13, 14 anos já começam a se entupir de remédio. E fórmulas milagrosas, e fórmulas de farmácia de manipulação. Ah, mas é tudo natural. Cuidado! Às vezes tem hormônios ali que a gente não sabe. Infelizmente, nós temos profissionais antiéticos em todas as categorias, inclusive na medicina. Você tem médicos que fazem fórmulas milagrosas para o cliente emagrecer rapidamente. Você está tomando e nem sabe o.
Que tem ali dentro. O curioso é que nós estamos falando sobre o transtorno alimentar e todos esses cuidados excessivos que as pessoas acabam tendo em torno do excesso da comida ou não. Uma coisa é quem gosta de comer e não se preocupa ou não fica tenso, não fica neurótico, não fica obsessivo.
Em relação à comida.
A outra é quando a pessoa tem esses comportamentos que vão levar a outras doenças invisíveis, né? Depressão ou ansiedade.
É o que é muito comum, né?
Agora, cuidar da alimentação ou cuidar do corpo, eu sempre coloco na categoria do autocuidado.
Concordo com você.
Você é uma mulher linda, aliás, gente, uma das mulheres mais lindas que eu conheço. Ai, que exagero! É mentira, né? Só uma pessoa muito bonita pode não estar com maquiagem. Olha a diferença entre a minha e a maquiagem da Vela.
Amor, eu tô com bastante maquiagem, tá? Abafo caso.
E aí, Dai, quem te vê...
Corta essa parte, editor. Não, tô brincando.
Essa é a que a gente coloca, né? E aí, Dai, quem te vê toda linda, bem vestida, com scobe e tudo mais, pensa que a sua vida é um eterno mar de rosas.
É, a gente pensa isso das outras pessoas. É interessante, né? Eu acho que esse é um dos motivos também que eu quis começar a fazer esse trabalho, sabe Isa? Porque quanto mais eu conheço a vida das pessoas, mais eu vejo, mais eu aprendo que não existe vida perfeita, que não existe mar de rosas, que todas as pessoas têm sofrimentos que a gente não imagina e problemas familiares, financeiros, de saúde, coisas que a gente nunca imagina. Você sabe que desde que eu comecei o Eu Vejo, eu comecei a ter contato com um lado humano que eu não conhecia, que é o lado da dor. Por meio da minha dor, as pessoas se sentiram seguras pra contar o que se passa com elas. E eu recebo coisas muito emocionantes, que eu nunca imaginei, inclusive de pessoas famosas, que me contam anonimamente, que falam, eu não tenho com quem conversar sobre isso. Muitas pessoas me falam, eu nunca falei do ódio que eu sinto do meu corpo, nem pra minha família, nem pra minha psicóloga. Eu faço tratamento e nunca tratei desse tema.
Quando você fala sobre autocuidado, você então, Por ter um canal no YouTube, fazer palestras, contribuir para a vida de tantas pessoas. Como é que você dá conta da sua agenda, ou seja, do seu autocuidado com todas essas demandas? Dá tempo de fazer a unha toda semana? Não dá? O que acontece que você fala, não, agora eu preciso fazer?
Eu sou uma pessoa limitada, eu não consigo fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Eu preciso me dedicar, eu estou escrevendo livro, eu tenho que diminuir a produção de vídeos do canal para me dedicar a isso. Quanto ao autocuidado que você perguntou, é fundamental para mim meditar. Mais do que exercício físico, mais do que fazer a unha, Meditação é o maior ato de autocuidado que eu tenho feito. Eu comecei há três anos a praticar e aí eu vi que eu precisava estudar e fazer cursos pra conseguir, porque é muito difícil, pelo menos pra mim foi muito difícil começar a meditar. Eu era, veja, eu fazia tratamento, eu tomava antidepressivo pra controlar a ansiedade, era muito difícil. Mas eu sentia uma paz quando eu conseguia que eu disse, eu preciso insistir. Então hoje eu medito 20 minutos por dia.
Dai, quando você fala sobre transtorno alimentar, ansiedade, depressão, eu chamo isso tudo de dor invisível. A gente tem muito mais empatia, como você falou, para aquilo que está sangrando ou para aquilo que está quebrado, não é? A gente tem muito pouca empatia para dores invisíveis. Qual a sua opinião em relação ainda a essa crença que especialmente o brasileiro tem para aquilo que ele não vê?
Eu acho que a gente precisa compreender, porque é difícil mesmo. A gente tem essa coisa de, você não questiona alguém que tá com uma ferida sangrando, que aquilo dói, mas eu conto pra vocês, olha, durante 20 anos eu tive um sofrimento horroroso, que ninguém vê. É difícil a pessoa acreditar nisso. Eu acho que a pessoa só passa a acreditar quando ela passa por algo parecido ou ela tem contato com alguém muito próximo, alguém que ela ama, que ela consegue sentir sentindo o coração dela aquela dor. Empatia. Então eu compreendo que seja muito difícil. Eu julgava antes de entender o que era. Quando eu ouvia, eu pensava, imagina como é que uma pessoa fica com depressão na cama, não levanta. Eu pensava, não é possível. Até que eu tive depressão e eu entendi que você não consegue, é mais forte do que você.
Você teve julgamento por ser uma pessoa, uma mulher linda? Por exemplo, nossa, mas você é linda.
Como é que você tem depressão? Sim, o pior julgamento foi o meu.
É mesmo?
É mesmo, porque eu dizia, meu Deus, você tem comida, você anda, você é saudável, deixa de ser louca. Então, eu não aceitava o meu sofrimento e talvez por isso eu demorei 20 anos pra procurar ajuda. Iza, eu fiquei doente. dos 12 aos 34 anos, 22 anos sem ter o diagnóstico, porque eu tinha tanta vergonha do meu sofrimento, porque eu dizia, não é possível, Daiana, sofrimento é as pessoas que passam necessidade, você não pode sofrer para comer. Então, eu me julgava e quando as pessoas me julgavam, eu ficava triste, mas eu sabia que ela só estava pensando como eu pensava, por isso que assim, Eu entendo quando alguém me julga, porque eu olho as outras mulheres e penso, mas ela tem a vida perfeita, ela tá falando o quê? Só que agora que eu sei que ninguém tem vida perfeita, eu consigo compreender isso, sabe? Quando você olha, até quem tá assistindo a gente, você entra na rede social e você vê lá uma mulher maravilhosa, na praia azul, com a barriga de tanquinho. Você imediatamente pensa, ela tem a vida perfeita, eu quero a vida dela. Se eu contar pra vocês que muitas mulheres de barrigas negativas, em praias azuis, me mandam mensagem contando que vomitam a cada refeição, aí você vai saber que por trás daquela foto perfeita, tem um ser humano em profundo sofrimento. E acontece. Não estou dizendo que todas as mulheres maravilhosas fazem isso, por favor. Mas acontece. Somos todos seres humanos em sofrimento. É que a gente não sabe do sofrimento dos outros.
E também nem todos têm coragem de se expor como nós estamos nos expondo. para contribuir com a vida de outras pessoas.
Mas também, Iza, eu acho que a gente tem que... Eu me arrependi no começo de ter exposto.
É mesmo?
Porque eu fiquei muito vulnerável. Eu não estava preparada para tanta repercussão e para certas mensagens. Então, eu acho que a pessoa que está passando por isso tem que pensar bem antes de tornar público.
Sim.
Porque não é fácil. Tem algumas pessoas que me procuram que querem revelar, que não são pessoas públicas. e falar, ah, eu quero botar um canal no YouTube pra falar que eu tenho transtorno alimentar. Eu digo, calma, se fortaleça um pouco, faça o tratamento, porque daqui a pouco pra você cair um tombaço e voltar pra estaca zero, quando é público, porque assim, é engraçado, né? A gente dá um tamanho muito maior pras críticas do que pros elogios. 10 pessoas podem dizer que o seu trabalho é bom. Se uma disser que você é uma porcaria, você acredita na que disse que você é uma porcaria. A gente tem... a nossa mente é grudada nesse viés negativo. Então eu falo que a gente tem que ter... A gente, quando você recebe uma mensagem ruim, você não fica triste? Eu acho que a gente fica triste.
Eu costumo dizer uma frase assim, ignore os ignorantes. Porque as pessoas também estão dizendo aquilo que está nelas e não necessariamente o que está em nós. Daí, pra gente encerrar, eu tenho mais três perguntas muito rápidas. Você falou sobre autocuidado, meditação, mas quando você não consegue fazer a unha, significa que você não teve uma hora pra si na semana? Ou não, você passa a semana numa boa?
Às vezes não tem. Ah, mas eu não sou escrava da unha, assim, sabe? Às vezes eu passo um descascô, eu compro os smiles que eu mais gosto até em casa. Aí, quando descasca, eu passo por cima, eu passo um extra brilho e vai mais uma semana, assim.
Ou seja, você não abre mão da meditação pra fazer a unha?
Não.
Pronto, perfeito.
Não dá, não dá porque eu sei que eu preciso. A gente tem que se conhecer, né? E saber as nossas limitações.
Na sua carreira como jornalista, como locutora, o que aconteceu como um problema e que você transformou em oportunidade?
Ah, quando eu comecei a trabalhar em televisão, eu já tinha transtorno alimentar, mas eu não sabia. E eu já tinha muito problema com o meu corpo. Então eu cheguei a cogitar não trabalhar. Eu vou ser repórter de jornal e de rádio pra não ter que ver a minha imagem na televisão. E aí eu falei, ah, você não vai fazer isso não. Tipo, aquele diálogo interno. Falei, você não vai sabotar uma possibilidade de carreira por causa disso. Então fica a Diana brigando com a Diana. E aí eu falei, não, então eu vou entrar segura no ar, eu vou fingir que eu não tenho vergonha de nada. E aí eu ia tentando.
Você conversou com a Dor?
Eu acho que foi isso também, Isa, que me fez não afundar e, graças a Deus, nunca ter tido nada mais sério. Eu nunca deixei a doença tomar conta da minha carreira. Em alguns momentos, sim. Por exemplo, quando eu trabalhava na Globo, em algumas oportunidades eu menti pros meus chefes que eu tava de cama, de gripe. E era mentira. Eu não fui trabalhar porque eu tinha engordado e eu estava com vergonha de ter engordado. Até porque todo mundo sabe que há uma cobrança muito grande lá dentro pela forma. Eles mandam a gente emagrecer e isso era uma questão que me causava muito sofrimento. Então, mas aí eu falei, não, chega, eu preciso procurar ajuda, porque se eu deixar isso evoluir, eu vou por um caminho muito perigoso.
Perfeito. Pra gente encerrar, o que que você diria no Megafone para os meninos e as meninas? Se você tivesse a chance de uma mensagem, sua universal.
Não tenha vergonha de cuidar das suas dores emocionais. Não é errado ter uma dor Não é errado entrar em contato com o seu sofrimento. A gente precisa aprender a lidar com os nossos fracassos, com os nossos erros, com os nossos defeitos. E perceber quando isso está saindo do seu controle, que está te levando para um caminho perigoso de adoecer. E buscar ajuda. Porque a gente não cuida da nossa saúde mental. Ninguém conversa sobre isso. Nem com os jovens, nem com os adolescentes. E as pessoas estão ficando muito doentes porque não se acham dignas. de cuidar da saúde mental. Então, eu diria isso. Não tenha vergonha de buscar a ajuda de um psicólogo. Não é motivo de vergonha ter que ir ao psiquiatra. Psiquiatra não é pra louco. Psiquiatra é pra seres humanos. Se você é humano, eu sei que você sofre. Então, se tá, assim, angustiando demais a sua vida, não tenha vergonha de procurar ajuda.
Gente, a Dayane então, repetindo, é autora do livro Fazendo as Pazes com o Corpo, uma jornada para vencer a relação doentia com a comida e a obsessão pela forma perfeita. É o livro do assistente. Agora, muito curioso que eu vi que o livro já é best-seller no Brasil, já esteve duas vezes na lista dos 20 mais vendidos do país e ficou semanas em primeiro lugar na categoria autoestima na Amazon Brasil.
Legal, né?
Parabéns, Dai. Tudo isso é reflexo da sua personalidade, dos seus valores, da sua beleza. Que acreditem, gente. Além dela ser uma mulher linda por fora, o melhor tá dentro.
Ah, que amoríssimo!
Aprendi muito com você.
Eu adorei, imagina.
Eu que aprendo. Obrigada, meninas. Obrigada. Olha, que lindo! Ficou lindo, amor.
Obrigada.
Eu de Rosinha.
Muito obrigada.
E a Dai de? De nude. Nude.
Adorei!
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