“Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência”

Isabela Camargo hosts a panel with Fernanda Bianchini and Marinalva Cruz discussing Brazil's National Day for People with Disabilities. They cover accessibility barriers, the blind ballet association's work, and how COVID-19 affected disabled communities. The conversation includes concrete resources like Libras interpretation services and ways to support inclusion.
Chapters
Por que existe um Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência? Criado em 2005 pela Lei 11.133, o dia 21 de setembro é uma data para lembrar a sociedade que todo brasileiro com deficiência tem o direito de exercer sua cidadania. Mas isso, na prática, significa lutar diariamente contra a falta de acessibilidade, de oportunidades e, principalmente, contra o preconceito. Por isso, essa data existe e precisa ser lembrada. Mas o que isso tem a ver com o Dia Público?
Tudo!
Tendo ou não deficiência, você pode fazer parte dessa luta e ajudar a promover a inclusão. Mas como? Com atitudes inclusivas. Nunca julgue alguém incapaz por ter uma deficiência. Cobre acessibilidade dos lugares que você frequenta. Dê oportunidades e protagonismo para pessoas com deficiência. Divulgue esse vídeo e essa mensagem para outras pessoas. Vamos juntos fazer parte dessa luta.
Olá, muito boa tarde, sejam bem-vindos. Meu nome é Isabela Camargo, eu estarei aqui com vocês para nós falarmos deste dia 21 de setembro, Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. Quem estará conosco nessa tarde, nesta conversa que será muito importante com a sua participação, Fernanda Bianchini, idealizadora e fundadora da Associação Fernanda Bianchini Companhia de Balé de Cegas, e também Marinalva Cruz, secretária adjunta da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Quem estará conosco? Fazendo audiodescrição, tanto a Fernanda quanto a Marinalva vão me ajudar aqui nesta tarefa da audiodescrição. E a Cláudia Giro, intérprete de Libras, está brilhantemente acompanhando a minha fala para que todos possam compreender essa mensagem tão importante do Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. Neste momento eu vou passar a palavra para Fernanda Bianchini, que hoje então representa o Setembro Verde. Fernanda, boa tarde.
Boa tarde, pessoal, tudo bem? Que bom ter vocês com a gente hoje para falar de um assunto tão importante, da causa tão nobre, que merece todo o nosso respeito. É, eu hoje estou com uma blusa regata verde musgo, com um colar com pedrinhas cor-de-rosa e verde bem clarinho. Eu tenho a pele morena clara com os olhos azuis. Hoje eu estou com o cabelo preso no rabo de cavalo e um topetinho. Brincos cor-de-rosa, e ao meu lado eu tenho duas orquídeas lindas, uma na cor roxa e a outra na cor branca, e elas estão aqui porque elas representam um processo de formação, né? Se você vê uma orquídea apenas com cabinho, sem a flor, ela não é tão bonita, mas ela é forte. E aí quando abrem as flores, depois de um processo Ela se torna linda. Então eu acho que tudo que vem acontecendo em relação à conscientização do ser humano faz parte deste processo, e nós estamos aqui para trazer as melhores orientações para que você mude o seu olhar, para que seu olhar possa ir além do que estes olhos físicos são capazes de enxergar.
Obrigada, Fernanda. Marina Alva.
Olá, Isabela, boa tarde. Boa tarde, Fernanda. Boa tarde, Cláudia. Boa tarde a todos e a todas que estão nos assistindo. Eu sou uma mulher de pele clara, uso óculos, tenho cabelo castanho claro cortado bem curtinho, acima dos ombros. Estou usando fones de ouvidos branco e estou com um casaco azul royal e por baixo uma regatinha na cor preta. Atrás de mim tem, estou na sala da minha casa, tem um sofá e uma poltrona na cor marrom com algumas almofadas que aparece só a pontinha, mas são com umas, essas almofadas tem umas estampas amarelas e atrás de mim tem uma cortina bege na janela que aparece ao fundo. Bom, primeiro dizer que é uma honra estar aqui com vocês, quero agradecer muito pelo convite, pelo espaço, falando de um tema tão importante. Eu digo que setembro é um mês quase que arco-íris, né, porque tem o setembro verde, o setembro azul e o setembro amarelo, e cada uma dessas datas elas não são Elas não surgiram por acaso, né? Existe uma razão muito significativa para que a gente, por mais que isso seja uma ação de todo dia, mas é importante ainda ter um mês para intensificar essas campanhas, para falar um pouco mais e entender a importância de cada uma delas. E o Setembro Azul é dedicado ao Dia Nacional do Surdo, que é no dia 26 de setembro, e o objetivo é conscientizar a população de modo geral sobre as questões relacionadas à comunidade surda, a importância da acessibilidade e nesse caso especialmente da acessibilidade comunicacional. E aí por isso que eu quero te agradecer, Cláudia, por estar aqui com a gente mais uma vez fazendo com que a nossa voz, a nossa fala chegue à comunidade surda e que eles possam também interagir, participar junto conosco e ter acesso a todas essas informações. Então essa é a razão da existência do Setembro Azul, é promover essa conscientização, entendendo que cada pessoa tem uma forma diferente de se comunicar, e essa forma diferente de se comunicar não pode ser mais ou menos importante, tem que ser igualmente importante para que todos tenham espaço, para que todos possam participar em igualdade de condições e com equidade. Então, muito obrigada pelo espaço e E parabéns aí a todos pela iniciativa de falar desses temas em um dia tão importante que é o dia 21 de setembro.
É isso mesmo, Marina Alva, muito obrigada. Gosto muito quando você diz formas diferentes de se comunicar, afinal temos formas absolutamente diferentes de compreender também as mensagens. Antes de continuar Eu preciso dizer que sou uma mulher de cabelos pretos na altura dos ombros, pele clara. Estou usando uma camisa amarela representando o setembro amarelo. Estou usando um colar de bolas azuis e atrás de mim tem várias prateleiras com muitos livros e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Eu, Isabela, estou aqui para falar do setembro amarelo, assim como a Marina Alva do setembro azul e a Fernanda do setembro verde. Mas todas, aliás, Cláudia Giro é uma mulher de pele clara, cabelos pretos, na altura do queixo e está usando uma camiseta branca. Tá bom assim, Cláudia? Sim? Muito bem. Todas nós fazemos parte do Comitê da Inclusão da Pessoa com Deficiência do Grupo Mulheres do Brasil. Portanto, eu quero agradecer em nome de todas nós ao comitê criado pela Luiza Helena que conheceu a Associação Fernanda Bianchini Companhia de Balé de Cegas junto com a Ângela Rezé, nossa fotógrafa, amiga e voluntária querida, em um evento há mais ou menos 4 anos, não é, Fernanda? E depois disso é que Luiza Helena criou esse comitê. Você pode contar um pouco para nós sobre essa história?
Com certeza, as bailarinas da Associação Fernanda Bianchini, elas estão sempre em eventos motivacionais e nesta ocasião elas estavam num evento no Rotary Club, no qual eu não estava presente porque eu confesso que eu não consigo mais estar presente em todos os eventos Associação, ela cresceu muito. E aí a Dona Luiza Helena, ela assistiu um vídeo que contava a história da associação e viu as bailarinas dançando. E ela conta que aquele olhar do vídeo mexeu profundamente com ela de uma forma humana, de uma forma na qual ela falava: nossa, ela se colocou no lugar do outro e olha tudo que ela transformou. E aí, a partir daí, ela me convidou para fazer algumas palestras juntamente com ela, de formação de equipe, palestras motivacionais, e ela me convidou também para o grupo Mulheres do Brasil, do qual ela preside junto com a Ângela. Eu estava junto com a Ângela neste momento, e aí nós chegamos à conclusão, junto com a Dona Luísa, de que tinham vários comitês, mas que não tinha o Comitê de Inclusão da Pessoa com Deficiência, da qual todas nós fazemos parte com muito orgulho. As líderes são a Ângela Rezé, a Adriana Noia e a Marina Guimarães, que é uma das bailarinas profissionais da Associação Fernanda Bianchini, porque a gente queria realmente que a Marina representasse o comitê com a deficiência visual. E esse comitê a gente está trabalhando muito, né, Nauva? A gente tem feito um trabalho muito, muito bonito de inclusão junto com várias instituições. A Associação Fernanda Bianchini é uma das instituições apoiadas pelo grupo, mas são várias instituições. Simbora Gente, são vários projetos sociais e sempre em parceria com a Secretaria da Pessoa com Deficiência, né, no nome da Marina Alva também O Cid Torcato é um grande parceiro do grupo, inclusive tivemos lives juntos, e é isso, né, o nosso papel até como Setembro Verde, no qual eu também estou representando aqui nessa live, é essa conscientização sobre a inclusão da pessoa com deficiência e as oportunidades que elas estão recebendo na vida. Será que todas as oportunidades são as mesmas para todos? Porque a única coisa que a gente sabe é que todos os seres humanos merecem o respeito e oportunidades iguais para se desenvolverem. Então, a gente está muito feliz com este grupo e juntamente com essas outras ONGs trazendo essa conscientização de uma forma amorosa. Eu costumo dizer sempre Que ao longo destes 25 anos da história da associação, nós recebemos muitos nãos, muitos nãos, inscrições de festivais canceladas, e eu nunca fui com agressividade tentar o sim que nós recebemos nas nossas histórias. Sempre foi fortalecendo as bailarinas a buscar o sim e as oportunidades. E hoje nós somos muito felizes representando a única companhia profissional de balé de cegos no mundo, vendo tantas vidas sendo transformadas através da arte, mas porque nós aceitamos os nãos, mas com força, com garra, nós fomos buscar todos os sims que nós merecíamos. Então é com esse olhar que eu quero buscar aquela inclusão, você acreditar no ser humano, acreditar no ser humano e dar oportunidades iguais para que todos se desenvolvam.
Perfeito. Marina Alva, já passo a palavra para você. Antes eu só preciso fazer uma observação: nós estamos com o chat aberto, então se vocês tiverem dúvidas, quiserem fazer perguntas para Marina Alva, para Fernanda, ou até para mim, se eu tiver oportunidade eu vou incluir as perguntas de vocês, tá certo? Por que que eu estou aqui de amarelo, né? E por que vou falar sobre rapidamente o Setembro Amarelo? O Setembro Amarelo, ele tem um foco: prevenção ao suicídio. E nós só podemos prevenir o suicídio se nós promovermos a vida. E de acordo com o Major Diógenes, aqui do Corpo de Bombeiros de São Paulo, Nós precisamos comunicar que uma pessoa que tenta o suicídio, ela não quer eliminar a vida, ela quer eliminar uma dor. Portanto, a inclusão é tão importante, porque quando nós precisamos de mais acolhimento para um tratamento relacionado à saúde mental, A exclusão começa até dentro de casa. Então, que bom, Fernanda e Marinalva, e todos do Comitê da Inclusão de Pessoas com Deficiência, que bom estarmos juntos, porque quanto mais nos unirmos, mais todas essas mensagens que hoje estamos representando, mais essas mensagens vão reverberar. Então já encerro a minha fala sobre o Setembro Amarelo. E eu entendo, Nauva, vou te chamar de Nauva, tá? Tô íntima. O setembro pode acabar, mas esse nosso diálogo nunca. Então que nós tenhamos 12 meses de arco-íris, 12 meses falando de todas as cores que representam tantas necessidades, tantas inclusões, Não é, Marina Alva? Quero já perguntar para você: nesses cerca de 13 anos que você defende a causa da pessoa com deficiência, o que mudou de lá para cá e como estamos?
Perfeito. Bom, pode me chamar de Nalva, não tem problema nenhum, muito pelo contrário, né? Acho que fica até um diálogo mais mais íntimo, que é isso que a gente quer, né, que o assunto chegue realmente, esteja dentro de todas as residências e que as pessoas falem sobre, porque não é à toa que nós estamos aqui ainda discutindo esses assuntos, né. Se a gente ainda fala sobre, é porque ainda precisa ter aí um processo de mudança de olhar, de mudança de cultura e de entender da necessidade de cada uma dessas pautas, né, seja falar da prevenção, seja falar de deficiência, seja falar de suicídio, de tantas outras pautas, como você disse, Isabela, que são tão importantes no nosso país e no mundo de forma mais ampla. E eu acho que assim, nós avançamos muito, obviamente, né, quando a gente fala de inclusão das pessoas com deficiência no trabalho, na saúde, na cultura, na educação, mas ainda há um caminho muito longo pela frente. Então eu acho que setembro, dia 26 de setembro, quando a gente comemora aí o Dia Nacional do Surdo, né, o Setembro Amarelo, falando da questão do suicídio, ou setembro verde da garantia dos direitos da pessoa com deficiência, tudo isso já é um avanço, né? Mas se a gente ainda tem essas datas, se a gente ainda tem que falar sobre, significa que ainda tem um caminho muito longo para ser percorrido. Eu acho que uma das coisas que avançou muito é a discussão mesmo. Então, há 13 anos atrás não se falava tanto em acessibilidade e de forma ampla como a gente fala hoje. Não significa que a gente tem 100% de acessibilidade em tudo, não temos, infelizmente não. Mas o fato de se discutir, de se perceber a importância da acessibilidade, principalmente no momento como esse que o Brasil, o mundo vive de pandemia, né, onde a gente tem muitas informações circulando em diferentes canais, todos os dias, a todo momento, seja sobre a COVID, seja sobre qualquer outra informação, se a gente não tiver sites acessíveis, se a gente não souber alimentar sites com conteúdos acessíveis, se a gente não conseguir se comunicar de forma acessível, a gente está deixando muitos, milhões de brasileiros sem acesso a essa informação. Então, isso vem mudando, a gente percebe hoje com mais frequência a presença, por exemplo, de um intérprete de Libras facilitando aí a comunicação da comunidade surda, que é usuária da Língua Brasileira de Sinais. Aqui na prefeitura a gente tem, por exemplo, um serviço que eu sou apaixonada por ele, que é a Central de Intermediação em Libras, a CIL, e esse serviço ele não foi criado à toa, e eu acho que isso é um avanço, né, ele foi criado exatamente para facilitar essa comunicação entre surdos e ouvintes em qualquer serviço público instalado na cidade de São Paulo, né, você falou de suicídio, eu tava aqui me recordando quantas pessoas surdas não, né, não cometeram suicídio porque sequer conseguia acessar um serviço, um profissional ali para ajudá-lo, porque faltava essa essa interlocução, faltava aí alguém que conheça da língua brasileira de sinais como a gente tem aqui hoje, a Cláudia. Eu sei que o aplicativo, né, a Central de Libras, ela é um aplicativo que a comunidade surda pode baixar no seu celular, funciona 24 horas por dia, 7 dias da semana, e é totalmente gratuito, não consome os dados móveis de quem tá fazendo essa videochamada. Então, a pessoa que usa a língua brasileira de sinais Ela faz uma videochamada e a gente tem do outro lado uma equipe de intérpretes de Libras para fazer essa intermediação entre surdos e o profissional que está ali fazendo atendimento, seja ele de qual área for. Isso é um avanço, mas ainda não é o ideal, né? Imagine se eu sou uma pessoa surda que eu preciso, sei lá, tô passando por uma situação delicada e preciso de um serviço, né, seja ajuda de um psicólogo, seja conversar com alguém. Muitas vezes é uma questão muito íntima que você não quer compartilhar com um inteiro, quer compartilhar só com aquele profissional que tá ali para te atender. Então nós já avançamos, mas a gente precisa continuar avançando mais, a gente precisa incluir essa pauta nos cursos de graduação, na universidade, para que os profissionais que se formam todo ano saia com o máximo possível de informação e que consiga trazer isso para suas profissões também, entendendo que o ser humano é diverso, que tem muitas características, E a deficiência é uma entre tantas outras.
Nauva, a Crica Connection pergunta, aliás, pede para você repetir o aplicativo, como acessa e qual horário que funciona.
Oi, gente, desculpa, desliguei o microfone e tô eu aqui falando com microfone ligado. A Central de Intermediação em Libras, né, a CIL, é um aplicativo, colocando lá na loja de aplicativos, basta colocar CIL-SMPED e aí já vai aparecer o aplicativo para fazer o download. Então, a pessoa com deficiência auditiva faz o download, faz o seu cadastro e a partir disso ela pode usar esse aplicativo em qualquer serviço público instalado na cidade de São Paulo. Então, se ela estiver numa delegacia, numa unidade básica saúde, no poupatempo, sei lá, em qualquer serviço público instalado na cidade de São Paulo, ela chegou, não tem o intérprete de Libras, ela pode fazer uma videochamada. O serviço funciona 7 dias da semana, 24 horas por dia, ou seja, funciona todos os dias, o dia todo, e é gratuito. A partir do momento que a pessoa faz a videochamada, ela não vai consumir o seu pacote de dados móveis. Uau!
Aplausos digitais agora para essa iniciativa. É assim que faz, gente, aplauso digital, chacoalhando a mãozinha. Excelente, excelente iniciativa, Marina Alva. Antes de passar a palavra para Fernanda, quero também comentar aqui o que a Cida colocou aqui para nós no chat. Tem alguma outra atividade, Alva, que já esteja assim para ser aprovada? Tem alguma coisa que vocês estão na expectativa de aprovação? Porque assim a sociedade também ajuda, né, dando empurrãozinho. As redes sociais servem também para isso, não é?
Olha, tem várias, viu, mas eu vou destacar duas aqui, né. Uma eu até já mencionei, que é a importância de se falar mais sobre pessoa com deficiência, acessibilidade, as diferentes formas de acessibilidade no processo de formação em diversas áreas, né, não só na saúde, não só na educação, mas em todas as áreas. As pessoas precisam sair da faculdade com um pouco mais de bagagem em relação a esse universo que é gigantesco, então isso eu acho que é algo muito importante. E uma outra questão que é uma demanda já de muito tempo é para que se possa incluir, por exemplo, a língua brasileira de sinais na grade curricular, desde a formação básica até o ensino médio, enfim, na rede regular de ensino. Porque a gente tem inglês, muitas escolas ensinam espanhol, E a língua brasileira de sinais, que é o segundo idioma do nosso país, ele não é ensinado na sala de aula. Então, hoje muita gente não se comunica com a comunidade surda, não é por muitas vezes porque não gosta, porque não se identifica, é porque a gente não aprendeu lá atrás. E se a gente tivesse isso na grade, aprendesse esse segundo idioma do nosso país, nós saberíamos interagir minimamente que fosse mais falar um oi, um bom dia. Então, acho que essas duas coisas A população, a sociedade junta, unidos nós somos muito fortes e a gente precisa continuar fortalecido, juntando esforços para que as coisas aconteçam e tragam benefícios para a vida de todas as pessoas, não somente da população com deficiência.
Fantástico, Nauva. Eu já vou falar com você, Fer, só mais um minutinho. Nauva, é possível, eu sei que os números eles são muito dinâmicos, né? Nós temos quase um quarto de pessoas cegas ou com algum tipo de baixa visão. Esse número foi o último que eu tive no ano passado, né? É possível a gente ter o número de pessoas com algum tipo de limitação auditiva?
Não, o seu microfone tá desligado.
Eu de novo, eu sou a pessoa do microfone desligado, né? Bom, mas eu tava dizendo, Isabela, que tem sim, né? Nós temos os dados que a gente trabalha, não só aqui em São Paulo, mas no Brasil todo, são os dados do IBGE. E os dados do censo do IBGE, ele em 2010, né, ele traz aí um total da população com quase 45 milhões milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. E em 2018 foi feito um recorte, o IBGE publicou um outro dado com base nesses dados de 2010, fazendo um recorte pegando somente as pessoas que têm um comprometimento mais significativo. E no caso da deficiência auditiva, somente aquelas pessoas que disseram: olha, eu não escuto de modo algum, ou eu tenho grande dificuldade para ouvir. Então, pegando essa parcela da população que respondeu o censo dessa forma, aqui Cidade de São Paulo, eu tô falando de mais de 120 mil pessoas com um comprometimento de moderado a severo, um comprometimento auditivo. Quando eu falo Brasil como um todo, eu tô falando de mais de 2 milhões de pessoas com deficiência auditiva e que disseram que não consegue ouvir de modo algum ou tem grande dificuldade. Então é um número bastante significativo, é uma população que também consome, né? Então não é só uma pessoa com deficiência, é um ser humano antes de qualquer coisa. Pessoa é um cliente, é um consumidor, e a gente precisa pensar nessa parcela significativa da população, né? Sem contar que antes não é só o cliente, não é só a pessoa com deficiência auditiva, né? Tem um familiar, tem um amigo próximo. Então, quando a gente promove mais acessibilidade, a gente está melhorando a vida de todo mundo, não apenas da pessoa com deficiência auditiva, da pessoa com deficiência visual, física, intelectual, ou qualquer resistência.
Muito obrigada, Nauva. E você, nesses 25 anos, o que você já viu, o que você já ouviu, o que você já lutou, o que você já venceu, que hoje você percebe que faz diferença na vida de centenas de milhares de pessoas? Algo que lá no passado parecia impossível e hoje Já é mais possível.
Bom, antes eu vou falar sobre um projeto de inclusão nas escolas, que foi um projeto que eu assim bem simples escrevi e ofereci há 10 anos atrás para escola onde meus filhos estudam até hoje. E esse processo começou e foi lindo porque a gente viu essas crianças desde os 3 anos de idade crescendo com este novo olhar, né? Então é o que eu falo do processo, né? Tudo passa por um processo. A gente sabe que as crianças não nascem não nasce com preconceito. Preconceito é embutido pelo adulto, né? Então, o que a gente precisa fazer é transformar esse novo olhar dessas crianças que podem não serem transformadas para o lado negativo da coisa, né? E sim que permaneçam com aquele coração, porque a gente precisa. E aí, esta semana passada, nós tivemos 7 encontros com os alunos dessa escola, que já não é mais essa escola, claro que um bom projeto bem desenvolvido ele se espalha, então a gente está com 12 escolas entre públicas, privadas, chamando a Associação Fernanda Bianchini que faz esse trabalho voluntariamente para levar este novo olhar. E semana passada eu fiquei muito emocionada, muito emocionada. Espero tentar falar para vocês, mas assim, as crianças, elas sabem braile. Claro que é o que a Marina Alva falou, não é que elas sabem, não são alfabetizadas em braile, mas elas sabem se comunicar em Libras, elas sabem escrever o nome completo em braile, elas sabem o que é um alfabeto em braile. E tudo isso fomos nós que começamos há alguns anos atrás. Então agora as dúvidas são outras, porque quando a gente chegava na escola era: como que vocês escolhem a roupa que vocês vão usar? São coisas que parecem simples, mas que faz parte do processo. Eu nunca vou esquecer quando eu fui dar uma palestra motivacional numa empresa, e um dos principais empresários dessa empresa, um dos principais diretores, é hora que a gente terminou a nossa palestra Ele subiu no palco e falou: quando eu era criança, eu entrei no elevador e tinha uma criança cadeirante. E quando eu falei: pô, cara, como que você faz xixi desse jeito? Eu levei um tapa na boca da minha mãe. Então eu nunca consegui ser amigo de uma pessoa com deficiência. Por quê? Porque se eu perguntei somente como aquele menino fazia xixi e levou um tapa na cara, imagina se eu fosse ser amigo dele. Então olha como essas coisas ficam marcadas, né? E aí a gente foi levar um outro olhar, né, que ele fala: gente, se fosse hoje era só explicar, era só deixar aquela criança falar como ela fazia xixi, e aí aquela empatia ia acontecer. Então como as palavras têm poder, né, para o positivo quanto para o negativo. Então eu fiquei tão feliz de, com uma sementinha pequenininha, a gente plantou nessas crianças um novo olhar. E são essas crianças que estão ensinando os pais sobre a inclusão que deve existir. Então, por exemplo, eles foram no Centro Paralímpico de São Paulo, que inclusive é um lugar sensacional, e lá eles se colocaram no lugar: ah, você só enxerga periférico? Então eles colocavam o óculos todo pintado de preto, apenas com o periférico. A escola fez várias cadeiras com rodinhas para eles jogarem na quadra, não podia andar. Eles conheceram a escola inteira vendados. Então assim, eu fico muito feliz que com exemplos positivos de amor a gente consegue construir esse futuro, que é bem aquilo que a Nauva falou, né? Então hoje eu vejo meus filhos escrevendo em braile e eu fico muito orgulhosa que a gente a gente conseguiu, né, associação ela ensina balé, artes, música e teatro para as pessoas com deficiência, talvez não seria o papel da associação esse lado educacional, mas a gente conseguiu também chegar lá, né, então eu vi muitas transformações, Isa, inclusive, né, chegando agora na sua primeira pergunta, eu vi muitas transformações, desta forma. E eu acho que o importante é a gente fazer além, né? Que nem eu percebi nesta pandemia, que as pessoas que trabalhavam com deficiência, algumas ONGs, por exemplo, pararam. Algumas ONGs fecharam. Ah, não, o dinheiro parou. Tá bom, o dinheiro parou, mas gente, eles estão lá, eles estão precisando fazer uma movimentação consciente, eles estão precisando da gente, independente de algumas paralisações. A gente pode fazer o nosso mínimo, né? Então, todo este desenvolvimento das coisas que a gente vê acontecendo ao longo desta pandemia foram sensacionais. A Marina Alva sabe que algumas pessoas da Secretaria da Pessoa com Deficiência precisaram da equipe Físio Bianchini. Nós, como voluntárias, cuidamos dos casos que nos procuraram, assim como a gente incluiu outras pessoas que precisavam de ajuda dentro daquilo que a associação conseguiu desenvolver como ações, né, como foi o caso do cartão alimentação. Chegamos em muitos lugares, né, em outros países, em outros estados e capitais brasileiras através dessa arte linda. Então a gente sabe que aqueles alunos que no começo da pandemia estavam acordando 2 horas da tarde, hoje eles estão com uma rotina mais saudável. E todo este momento desafiador, ele trouxe o quão desigual é o nosso país, né? Então assim, a gente tem sim alunos que começaram a receber algumas coisas das escolas agora, ficaram muito tempo recebendo material da associação, que é uma associação de dança, mas eles chegaram a receber alguns materiais. Para que eles pudessem continuar trabalhando. Então, é por isso que o dia de hoje é tão importante, né? E eu representando aqui o Setembro Verde, a garantia dos direitos da pessoa com deficiência não está como deveria estar, né? E essa pandemia veio nos mostrar o quanto está aquém ainda. Os nossos alunos, eles passaram por mais uma pandemia, porque as pessoas com deficiência já passaram por inúmeras pandemias, e a gente vê o quanto essas desigualdades são grandes. E o que que a gente precisa fazer? Tentar aproximar um pouco mais para que esses direitos sejam verdadeiramente vividos por cada um deles, né? Porque às vezes as pessoas falavam assim: Ah, mas por exemplo, uma ONG de dança poderia ficar fechada durante a pandemia? E a gente levou além da dança. E por que aquelas que estão responsáveis pela educação fecharam? Pararam, né? Então eu acho que essa consciência que a gente tem que ter, o que a Nauva falou, juntos somos muito mais fortes, e é plantar sementes, né? O Ballet de Cegos não teria sido referência mundial se a gente não tivesse plantado uma semente lá atrás. E vontade de desistir eu já passei por várias, mas quando a gente assume essa causa, que é uma causa nobre, a gente tem que lutar por essa causa, né? Porque todos precisam ter essa garantia destes direitos.
Perfeito, Fernanda. Ok, ok. São nossas diferenças que nos tornam iguais. Não é, Fer? Antes de continuar, eu quero só— bom, tem tantas pessoas aqui, mas para não cometer nem uma deselegância, eu vou mencionar 4 agora, tá? Que eu já consegui ver: o César Albuquerque, nosso querido professor lá da associação, a Bianca, que está aqui nos dando esse suporte lindo sempre, né? Sem ela a gente não conseguiria fazer esse encontro. A Ângela Rezé também, nossa amiga voluntária e fotógrafa. O Flávio, que também está aqui nos ajudando na parte técnica. E todos vocês que estão aqui nos prestigiando com o tempo de vocês. Fer, a Cida de Rira, imagino que seja assim o sobrenome dela, ela diz que é extremamente grata à associação porque ela aprende a dançar, ela tem as atividades físicas como Pilates e yoga, e mesmo à distância isso continua acontecendo. Como você falou, as atividades da associação não só continuaram, mas até aumentaram. Durante a pandemia, não é isso? Olha, aplausos digitais agora para receber aplausos digitais. O Nauva, o que que você tem para nos falar sobre agora é o que aconteceu na Secretaria da Pessoa com Deficiência nestes últimos 6 meses? As atividades no início tiveram uma paralisação, continuaram? Como vocês estão agora imaginando toda a retomada?
Bom, Isa, assim como a Fernanda mencionou, né, eu acho que foi, foi todos nós fomos pegos de surpresas pela pandemia, ninguém estava preparado para algo, né, dessa natureza, nem o Brasil e nem países de primeiro mundo também não estavam, e os países como o nosso acaba sofrendo muito mais e não foi diferente aqui na Secretaria Municipal principal da pessoa com deficiência. Então, no mês de março, né, a gente se viu aí da noite para o dia tendo que trabalhar home office, então isso já foi uma realidade assim bem diferente, né, para nossa realidade enquanto poder público. E não foi só isso, né, as coisas foram acontecendo e a gente ia ali recebendo todas as demandas, as angústias e as denúncias e tudo mais por parte da própria população com deficiência, né. No início Quando foi decretado ali o estado de calamidade, o reconhecimento da pandemia, muitas informações começaram a circular e as pessoas com deficiência, população com deficiência, não tinha acesso à informação. Então saía muito na mídia: olha, você precisa lavar as mãos dessa forma, mas não dizia como. E aí, como é que uma pessoa cega sabe daquelas imagens, daquelas informações que estavam sendo passadas? Então eram informações sem acessibilidade nenhuma. Muita informação mudando constantemente. E aí a gente, né, começou a trabalhar em cima disso. Então, os últimos meses foi muito dedicado a acessibilizar o que tava sendo produzido de conteúdo e fazer com que essas informações chegassem a todas as pessoas com deficiência. Junto com o programa Cidade Solidária e muitos parceiros, como a própria Associação Fernanda Bianchini, né, a gente conseguiu ajudar aí muitas famílias de pessoas com deficiências, muitas ONGs que atendiam, foram mais de 80, né, agora a gente já tá para mais de 100, né, Fernanda, né, juntando aí todos os esforços, é muitas famílias e a gente não conseguiu atender todo mundo, né, eu tenho essa clareza, a gente atendeu muita gente, mas nem todo mundo tem acesso a uma ONG, a um serviço, então a gente sabe que muitos ainda ficaram sem esse suporte. A gente criou também na página da Secretaria um espaço exclusivo para reunir todas essas informações sobre o coronavírus em formato acessível para que as pessoas tivessem mais informação. Dentro do próprio aplicativo da Central de Intermediação em Libras, a gente colocou um ícone sobre a COVID para que a população surda, tendo alguma dúvida sobre o assunto, clicando naquele ícone, o intérprete que vai atender do outro lado já sabe do que se trata e já pode direcionar melhor A gente criou um outro serviço que nós chamamos de CAC, Central de Acessibilidade Comunicacional, para garantir que todas as comunicações da prefeitura saíssem em formato acessível para que as pessoas com deficiência tivessem acesso a isso, né? A gente tem um ponto positivo porque hoje todos os sites da prefeitura são acessíveis, mas não adianta só ter o selo, né, de acessibilidade digital, ser certificado, precisa que as informações também produzidas pelos parceiros cheguem em formato acessível. Então, isso tem acontecido bastante e agora a gente está no momento de trabalhar junto com diferentes órgãos e áreas da saúde sobre a construção de protocolos que atendam aí as particularidades da pessoa com deficiência. A partir do momento que a retomada da economia começou, né, o comércio começou a abrir, o shopping voltou a funcionar, a gente percebeu que saíam muitos protocolos, mas que não mencionavam ali, como é que uma pessoa com deficiência vai, como é que vai ser o cuidado dela ali para higienização naquele espaço, né? Não adianta colocar o, por exemplo, vou dar aqui um exemplo básico, mas acontece muito, a gente vai nos espaços, restaurantes, lojas e tudo mais, tem o dispenser de álcool, mas de álcool em gel, mas para você usar você precisa acioná-lo com o pé. Como é que uma pessoa paraplégica, tetraplégica vai usar aquilo? Não tem como, todo mundo usa máscaras, mas não tem máscara transparente. Como é que um surdo que faz leitura labial, como é que ele tem acesso a essa informação? Uma criança autista que não aceita máscara, como é que eu vou fazer com ela? Tem que ter esse olhar diferenciado. Então, agora os nossos esforços continuam com todas as outras ações que a gente já tinha, mas a gente agora está trabalhando nesse esses protocolos. Criamos também um centro de acolhimento para pessoas com deficiência em situação de rua. Foram muitas ações, a gente não parou, muito pelo contrário, trabalhamos muito, mas a gente ainda tem consciência que tem um caminho muito longo pela frente.
Sim, sim, já avançamos, mas temos muito ainda para avançar. Bem, nós temos ainda alguns minutos aqui, e aí eu quero perguntar para as duas o seguinte: na prática, mas na prática mesmo, né? Como nós cidadãos, indivíduos, todos que estão aqui nessa live, que ainda assistirão, porque essa live vai ficar salva no YouTube da Associação Fernanda Bianchini, também será publicado um link no Workplace do Grupo Mulheres do Brasil. Se vocês deixarem, eu também divulgo na minha rede, porque quanto mais informação correta melhor para todos nós. Então eu queria saber, Fernando e Marinalva, na prática, o que cada um pode fazer? Seja a inscrição no site, falamos isso outro dia, né, Fê? Ah, eu quero ajudar, não sei como, eu não tenho dinheiro. Então tudo bem, então se inscreva num site, né, Marinalva, também, que você sabe que está fazendo um trabalho genuíno e verdadeiro, porque a sua inscrição já ajuda a chegar a um número que as empresas vão se interessar para patrocinar. Enfim, Aí a criatividade, não é? Quem quer ajudar, arruma um jeito. Fer, vou começar por você. Cada um aqui assistindo, ou que vai assistir em breve, o que fazer? Como fazer?
Eu acredito que o importante é se envolver com pessoas que estejam fazendo algo, né? Então, que nem, por exemplo, Quem que tá aqui assistindo que não conhece o site super acessível da Secretaria da Pessoa com Deficiência? Eu já fui lá várias vezes e já aprendi muito com as informações. Então é assim, aprender com informações de pessoas que realmente estejam fazendo, né, porque tem muitas informações, é difícil a gente escolher qual caminho seguir e a gente sabe disso. Então eu acho que o importante é a gente assim se alimentar mesmo de informações positivas. Eu gostaria até que a Marina Alva contasse sobre o projeto do Comitê de Inclusão da Pessoa com Deficiência, tudo que foi feito para que chegasse as informações, que agora a gente vai estar espalhando para as pessoas com deficiência, né, responderem tipo um questionário Por quê? Porque eles precisam ser cada vez mais ouvidos, né? Que nem, por exemplo, garanto que as pessoas não pensavam que a máscara tinha que ser transparente. Por quê? Porque quando você não está vivendo aquele problema, você não enxerga o problema desta forma, né? Então, o que o ser humano, que a sociedade precisa fazer é enxergar além. Que nem a Associação Fernanda Bianchini tem 6 alunos com deficiência auditiva. Ah, mas são poucos perto de 420, mas todas as aulas que estão no YouTube, a Cláudia, que é a nossa super parceira, fez Libras em todos, em todas as aulas, né, para que seja acessível para todos. Então tem muito conteúdo acessível para todos, né, então eu acredito, as lives que o Cid Torcado está fazendo, se eu não me engano, todas as segundas-feiras, tem um dia da semana que ele faz, são com conteúdos muito ricos e conteúdos que realmente faz a gente pensar, né? Então é realmente buscar o Grupo Mulheres do Brasil, também tem várias frentes, né, de formas que vocês podem participar ativamente Porque de uma coisa a gente sabe, né? Essa pandemia vai passar, vamos nos fortalecer, vamos nos unir cada vez mais, mas a pessoa com deficiência vai demorar mais tempo para sair desta pandemia. Isso é um fato, né? Então, por exemplo, a minha filha, meus filhos já voltaram para as atividades esportivas deles, judô, balé, os alunos da associação vão demorar mais tempo para voltar, justamente por conta do que a Nauva falou também, as crianças com síndrome de Down, elas querem abraçar as amigas, elas não querem usar máscara, a máscara incomoda, né? Então tem toda esta comunicação que precisa ser feita, então a gente só vai voltar quando realmente tiver segurança. E o que que a gente quer fazer à distância? É com que os prejuízos sejam os menores possíveis em relação ao físico, em relação ao emocional, principalmente dessas crianças, adolescentes e idosos. Que nem o que a Cida de Rira falou aqui na live, porque ela tá com bastante atividade, a gente tá conseguindo propor bastante atividade, então a cabeça dela vai estar mais ocupada, ela vai ter uma rotina melhor. Então, mesmo à distância, a gente quer propor a melhor rotina que que vocês puderem ter.
E aqui, Fernanda, então, antes de ouvir a Marina Alva, também nos explique o seguinte: como cada um pode contribuir financeiramente? Porque a gente sabe que um trabalho como o que é feito na associação ele só é possível com recursos financeiros, certo? Todas as associações que conseguem realmente ter um impacto, né, de grande porte, precisa de recursos financeiros. Então não podemos fechar os olhos, tá? Tô usando aqui um termo figurado, mas a gente não pode, né, ignorar este fato. Como é que nós podemos contribuir?
Não, vai, eu vou até lançar aqui nesta nossa live uma proposta para que a gente possa ajudar aqueles que ficaram de fora do nosso cartão alimentação, não seria bem bacana? A gente sabe que da Secretaria da Pessoa com Deficiência ficaram de fora dos nossos cartões alimentações alguns alunos, né, algumas pessoas que estão, que são em torno de uns 100, né.
É mais ou menos isso, esses que a gente tem acesso, né? Mas infelizmente tem alguns que nem dado, nem endereço, enfim, a gente sabe ao certo. E enfim, mas realmente tem algumas pessoas, né, várias na verdade, que acabaram não tendo aí nenhum, recebendo nenhum tipo de suporte até o momento, por várias razões, mas Vamos ao desafio, porque eu gosto dessa palavra, e com você ficou muito mais fácil.
Você sabe, né, eu, para mim, é só me trazer o problema que eu encontro a solução muito rapidamente. Foram várias pessoas que pediram, várias campanhas que começaram semana passada mesmo entre as amigas do Bem, que tem várias aqui com a gente. Nós conseguimos verba para 4 cirurgias de pessoas que estavam perdendo a visão através da clínica do Dr. Marcelo Cunha. Então assim, a gente tá realmente em várias campanhas, e as pessoas que estão aqui com a gente, que assistirem essa live, que quiserem ajudar, entre em contato com Associação Fernanda Bianchini, que todo valor que entrar de pessoas querendo ajudar o Vale Alimentação vai ser destinado para essas pessoas que ainda não receberam nenhuma ajuda, pessoas com com deficiência, que é a nossa causa, que ainda não receberam nenhuma ajuda, nós vamos fazer questão de mandar estes vales alimentação, que foi uma parceria com Aquiles do Bem, que fizeram um trabalho incrível, que beneficiaram alguns alunos da Secretaria da Pessoa com Deficiência, alguns, todos os alunos da Associação Fernanda Bianchini, alguns alunos do Ritmos do Coração, que também é uma ONG apoiada pelo Grupo Mulheres do Brasil e também pela Fundação Dorina Novil, que também é uma instituição apoiada pelo Grupo Mulheres do Brasil. Então a gente vai fazer quantas campanhas forem necessárias até que a gente consiga diminuir tantas diferenças.
Marina Alva, você quer complementar? E aí eu já aproveito olhando aqui o avançar da hora, sendo responsável, né, com o nosso tempo. Gostaria de saber se você quer complementar algo que a Fernanda falou e já pedir suas considerações finais para que este mês, né, tão especial continue, né. Eu faço até um convite: as palavras são sementes. Então, se cada um que está aqui compartilhar o link dessa live para 5 pessoas, 5 amigos, 5 pessoas que convivem. Olha só como nós vamos multiplicar essa mensagem. E você pode provocar também: olha, houve aqui esta conversa, se informe melhor sobre esse assunto. Por que, Marina Alva? Porque nós temos que considerar que nós vamos tendo limitações ao longo da vida. Fernanda sabe disso desde que ela me deu o privilégio de acompanhar a Companhia de Balé de Cegas Associação como madrinha. Eu falo isso todas as apresentações, né, gente? Nós vamos tendo limitações ao longo da vida, então não adianta fazer cara feia, né? Porque esse é um assunto que diz respeito a todos nós. Então somos mais de 200 milhões de brasileiros que precisamos falar sobre esses assuntos. Então passo a palavra para você agora e pedindo também sobre suas considerações finais.
Perfeito. Bom, primeiro já te agradecer, né, agradecer você, Isa, e você, Fernanda, por essa disponibilidade, né. E conta com a gente aqui na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, que a gente puder aí unir de força, né, unir esforços para atender o maior número de pessoas. A gente segue aí na mesma luta porque o nosso objetivo é único, né, e o nosso bem maior É o ser humano. Então vamos caminhar juntos aí nessa jornada. E eu acho que assim, é como você disse, Isa, tem muita coisa que ainda precisa mudar. Mas se eu acredito muito no poder da multiplicação, e cada um pode multiplicar o conhecimento que adquiriu ao longo da vida, o que vai aprendendo, né, todos os dias. A partir do momento que a gente começa a compartilhar "Não deixa a informação na gaveta", a gente já tá ajudando muita gente. Então eu acho que para mudar esse processo de exclusão social, para mudar a realidade das pessoas com deficiência que ainda não têm acesso a um montão de coisas, a gente precisa cada um fazer a sua parte. Não adianta ficar esperando o vizinho fazer, esperando o governo fazer, porque a mudança somos nós, né? Nós precisamos ser a mudança que nós desejamos vamos ter. Então, se cada um fizer a sua parte, primeiro parar de olhar a pessoa com deficiência como coitadinho ou super-herói. Nós não somos coitadinhos, e eu digo isso porque eu também sou uma pessoa com deficiência, e eu não sou um super-herói, eu faço coisas como todo mundo faz, né? E quando a pessoa com deficiência faz, ela não pode ser vista como super-herói, porque isso faz parte da natureza humana. Então, primeira coisa que a gente precisa fazer é compartilhar as informações, fazer isso chegar a todo mundo, parar de olhar enxergar a pessoa com deficiência como coitadinho, enxergá-lo como ser humano, com caráter, cultura, personalidade, direitos e deveres, né? E a gente precisa entender que acessibilidade é bom para todo mundo, é bom para pessoa com deficiência, é bom para pessoa idosa, é bom para mãe que tá empurrando o carrinho do bebê, seja numa calçada, seja na hora de pegar o transporte público, né? Que quando a gente se comunica de forma acessível, a gente tá fazendo com que a nossa informação que o nosso produto, com que o nosso serviço chegue a todas as pessoas. Então é isso, que a gente invista mais em acessibilidade para garantir inclusão de verdade, que a gente pare de olhar a deficiência, enxergue o ser humano e que a gente compartilhe tudo aquilo que a gente aprende ao longo da nossa vida. Fazendo isso, a gente vai tendo de forma gradativa uma cidade, um país, um mundo melhor, não só para uma parcela da população, mas para todas as pessoas. Então, de novo, muitíssimo obrigada por estar aqui com vocês nessa tarde. Adorei o nosso bate-papo, a hora passa que a gente nem percebe, foi uma honra, adorei, e eu fico à disposição não só como secretária adjunta da Secretaria da Pessoa com Deficiência, mas como pessoa, né, como ser humano, para que a gente continue de mãos dadas, seguindo junto e fazendo com que esse direito seja de todas as pessoas e não só de um número específico.
Perfeito, Fernanda. Antes de passar a palavra para você, quero agradecer tremendamente o seu tempo, Marina Alva, a sua doçura, a sua gentileza por compartilhar aqui informações tão importantes. E quero fazer mais um pedido para quem está nos acompanhando: as redes sociais podem servir para coisas boas ou coisas Ela pode ser o remédio ou pode ser o veneno. Tenho reparado muito, Marina Alva, quando eu ando numa calçada e vejo um piso tátil, por exemplo, que dá num muro, ou quando eu vejo um poste com o sinal sonoro que não está funcionando. Ao invés, gente, de olhar para essas situações e falar que absurdo, tira foto, publica na rede social, marca a maior parte de amigos e peça para essas pessoas compartilharem. Porque assim, Marina Alva, eu, Isabela, como cidadã Ana, vejo que essas mensagens podem chegar nas mídias que conseguem atrair mais atenção, nos órgãos que podem fazer essas mudanças. Você concorda? Isso é possível?
Sim, sim, super concordo. Faz toda a diferença, né? A minha avó sempre dizia que quem não é visto não é lembrado. Eu acho que tem um pouco isso do que você falou. As pessoas precisam saber o que tá errado e agir para corrigir. Então todos nós temos que ter esse olhar de certa forma fiscalizador, né? Isso faz parte desse processo de construção, sem dúvida alguma.
Perfeito. Não adianta só dizer que absurdo, viu, gente? Tem que— pode dizer que absurdo, mas nos ajude, né, a compartilhar o absurdo, que ele aí sim pode ser resolvido na velocidade que merece e precisa. Fernanda Bianchini, suas palavras, suas considerações finais, sempre tão amorosas.
Então, às vezes eu escuto muito isso: ai, é tão bonito tudo que vocês fazem, tudo que a equipe da associação faz, os amigos, todas as pessoas fazendo em prol de alguém, ajudando o próximo. Ai, eu queria fazer alguma coisa. Às vezes as pessoas pensam em fazer algo voluntário, mas tem que ser algo grandioso.
Não!
Às vezes, essa semana eu fiquei muito emocionada e eu queria terminar com isso. O Luiz, ele tá aqui, que ele é nosso aluno, e ele teve muitas dificuldades de receber o material da escola e tal. Se eu não me engano, ele tá no 5º ano e ele teve 3 amigos do 6º ano que se voluntariaram para ensinar para ele português, matemática e inglês. Gente, olha que belíssimo trabalho voluntário! É uma vida sendo transformada, mas olha que trabalho gigantesco. Então é isso, seja aquilo que a Marina Alva acabou de falar, que a gente escuta tanto, seja a transformação que você espera, né? E eu acho que essa comunicação ela é muito importante, eu acho que a gente tem que se unir abrir a boas mensagens, para que a gente espalhe boas mensagens, porque da nossa boca vai sair aquilo que o nosso coração tá cheio. Então que o nosso coração esteja cheio de coisas boas que possam transformar. Eu sei o que é transformar a vida do próximo, e eu posso garantir para vocês que a minha vida foi muito mais transformada do que a de qualquer sementinha que eu plantei ao longo 25 anos de doação. Então, é, eu muito mais aprendo do que eu ensino. Então vale a pena você se colocar no lugar do outro, você transformar a vida de alguém. Então este exemplo destes 3 alunos do 6º ano, que, e o Luiz que passou por tantos preconceitos na escola, eu garanto que ele deixou a semente no coração dessas 3 crianças.
Fantástico, Fernanda! Vou pedir então agora uma salva de palmas digitais mais uma vez, todo mundo mandando beijo assim, ó, sabe, mandando beijo, porque essa energia sempre chega no nosso coração. Quero agradecer tremendamente a Cláudia Giro por ter feito essa tradução de Libras fantástica. Fernanda está fazendo sinal de coraçãozinho com a mão no coração. Marinalva, muito obrigada pelo seu tempo. Marinalva está fazendo o sinal de I love you, eu te amo, né? Pronto, já aprendi, ó, gente, mais um sinal. E Isabela está fazendo coraçãozinho também agora com as mãos em cima do olhinho esquerdo. Bem, muito obrigada pelo tempo de todos que estiveram aqui conosco, ao Comitê da Inclusão da Pessoa com Deficiência do Grupo Mulheres do Brasil, Ângela, Bianca e César, que nos ajudaram aqui no backstage, né, nos bastidores de todo esse encontro. E encerro então a minha participação pedindo para que vocês pensem no cérebro de vocês como o coração. Cuidar do cérebro, cuidar da mente, é cuidar da vida. Então todos nós podemos cuidar da nossa mente, todos nós podemos pensar em cuidar da nossa mente. Se você puder ajudar quem está ao seu redor, melhor ainda. Palavras são sementes, nos ajuda então a semear essas palavras. Lembra do nosso combinado, ó, 5 pessoas, tá bom? Mas então agora, um monte de beijo para todos, boa semana, e que esse setembro amarelo se estenda por todos os outros meses do ano. Tchau, tchau!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








