Direção Espiritual - Padre Fábio de Melo entrevista Izabella Camargo 18/09

Padre Fábio de Melo interviews journalist Izabella Camargo about burnout, mental health, and suicide prevention during Yellow September. They discuss physical and emotional signs of exhaustion, personal experiences, and research on at-risk professionals.
Chapters
Tudo da Canção Nova em um só lugar.
Canção Nova Play.
Estou aqui para ser amado e te amar, olhar nos olhos e deixar-me apaixonar diante de ti, para me render ao teu amor e confessar confessar minhas fraquezas. Sou pecador. Também estou aqui para pedir perdão pelas almas que ainda não buscam o teu coração. Te amar por quem não te ama, te adorar orar por quem não te adora, esperar por quem não espera em ti. Pelos que não buscam, eu estou aqui, estou aqui para ser amado e te Te amar, olhar nos olhos e deixar-me apaixonar diante de ti, para me render ao teu amor e confessar minhas fraquezas. Sou pecador, também estou aqui para pedir perdão. Pelas almas que ainda não buscam o teu coração. Te amar por quem não te ama. Te adorar por quem não te adora. Esperar por quem não espera em ti. Pelos que não creem. Eu estou aqui te amar por quem não te ama, te adorar por quem não te adora, esperar por quem não espera em ti, pelos que não Crem que eu estou aqui, estou aqui.
Muito boa noite, é com muita alegria que nós começamos mais um programa Direção Espiritual. Eu pessoalmente gosto muito da expressão "estou aqui". Além de nos reportar à disponibilidade que nos faz humanos, o conceito de pessoa dentro do contexto judaico é extremamente sugestivo, só é pessoa aquele que se possui e no ato de se possuir se dispõe. Eu não posso ser pessoa apenas me possuindo, como também não posso ser pessoa apenas me dispondo ao outro. Não, é o movimento que me faz pessoa. Eu sou, estou na posse do que sou e, à medida que sou, me ofereço. É por isso que a expressão "estou aqui", ela nos reporta aquilo que há de mais qualificado no cristianismo, que é a nossa possibilidade de sermos em comunhão, de ser com os outros, de ser para os outros. Mas a gente sabe que a primeira instância do ser pessoa, se for negligenciada, nós vamos oferecer o que não temos. E quando a gente oferece o que a gente não tem, a gente entra na reserva que geralmente onde mora tudo aquilo que nós temos de mais mesquinho e precário. Por isso que nós precisamos estar inteiros, para que a gente esteja de fato aqui, para que a vida nos encontre no nosso lugar. Exercendo o nosso protagonismo, o nosso papel. Por isso, não é possível negligenciar o cuidado que você precisa ter com você. É diário, é uma labuta diária. Eu preciso tomar posse de quem eu sou para que, sabendo e tendo a posse de quem eu sou, eu possa me oferecer aos outros. Ela já esteve no nosso programa uma vez, fez um sucesso danado pela eloquência, mas sobretudo pelo conteúdo. Nós estamos em setembro, o mês do mês amarelo, é o mês amarelo que nós tratamos a prevenção do suicídio. O suicídio, a tendência ao suicídio não acontece na nossa vida da noite para o dia, às vezes ela é o resultado de uma vida mal vivida. E foi sobre isso que nós falamos na primeira participação dela no programa Direção Espiritual. Ela enfrentou um problema muito semelhante ao meu e transformou a sua doença, o seu estado psíquico, que foi extremamente difícil para ela, todas as consequências disso, num grande aprendizado que ela tem partilhado com o Brasil todo através de palestras, através de um livro que ela está preparando, e sobretudo no convencimento através das redes sociais, trazendo um conteúdo super interessante para que as pessoas que hoje também estão enfrentando o problema da tristeza, que transforma-se em depressão, a síndrome do pânico e a tal da síndrome de burnout que nós falamos tanto aqui na primeira vez que ela veio. Isabela Camargo, muito obrigado, querida amiga, pela disposição em vir mais uma vez, né?
Gratidão, a pedidos. Gratidão absoluta. Olá, boa noite a todos. É um privilégio estar aqui, especialmente nesse mês, né, no Setembro Amarelo. Aliás, gente, eu vim de camisa amarela, não foi pensado, tá? Aqui é que nós tínhamos que você ter conta. É, eu trouxe o azul, que é minha cor preferida, e o amarelo.
Na verdade, ela veio com muita disposição, com muita generosidade, porque eu avisei para ela hoje de manhã que existia possibilidade de gravar o programa Direção Espiritual. E ela prontamente atendeu o nosso pedido. Você sabe que você causou um bem enorme, a sua presença, o conteúdo que você trouxe. Nós temos, graças a Deus, uma quantidade enorme de pessoas que prestigiam o nosso programa, que nos acompanham. Já estamos quase fazendo 15 anos de programa e a sua presença, o tema que você trouxe, foi absolutamente novo para nós. Convergente porque há muitos assuntos que nós já tratamos aqui que de alguma forma esbarram nas questões que você nos apresentou, mas teve um ineditismo que encantou a muitos e que gerou essa necessidade de você voltar, porque um programa só foi muito pouco.
Padre, fico tão feliz porque já faz uns 3 meses que nós gravamos e até hoje eu recebo mensagens de pessoas que despertaram com a nossa conversa. E o que é o despertar? É sair daquele piloto automático, daquele estado em que a gente acha que não há nenhuma saída E a pessoa, como você muito bem disse, ela se dá conta que ela precisa ser primeiro antes de servir. E eu posso dizer por experiência própria e por mais de 3 mil pessoas que me procuraram, além do que eu tenho pesquisado, muita troca, que o sentimento de desvalorização é você quem deixa ele tomar conta do seu estado mental, do seu corpo físico. Isso parece confuso no primeiro momento, mas quando você desperta e olha para si, eu volto a repetir uma frase sempre nos últimos meses, que é o seguinte: a síndrome de burnout, falando especialmente dela, vamos recordar ao público, vamos, que pode ser que alguém esteja nos assistindo hoje que não viu o primeiro programa, o que é a síndrome de burnout? A síndrome de burnout é o esgotamento profissional. A síndrome de burnout, ela não exclui ninguém, nenhuma idade, nenhuma profissão, embora nós tenhamos profissões com mais risco de burnout. Quem são essas pessoas? Quem são esses profissionais? Aqueles que não podem errar: médicos, enfermeiros, policiais, juízes, engenheiros e sacerdotes, padres e pastores também, né? Padre Fábio, quando nós conversamos há um tempo atrás, você me disse, depois de uma sensação muito ruim que você teve pré-show que aquele médico tinha interpretado como uma síndrome do pânico. Depois de tudo que você ouviu e estudou, você acha que você teve burnout?
Pois é, você me trouxe um questionamento muito interessante, porque até então eu sempre falava do meu estado emocional naquele momento como síndrome do pânico. Inclusive, no momento que a gente vinha no carro, eu comentava, eu falei: "Em que primeiro momento eu tive algum sintoma que me indicou?" que alguma coisa estava errada. E eu achava que foi num dia que eu tinha um acampamento aqui na Canção Nova, que eu não consegui comparecer. Foi o acampamento sertanejo que o Padre Cristiano foi, de Divinópolis, veio me substituir, celebrou uma missa no meu lugar ou deu uma palestra. Eu achava que tinha sido naquela madrugada, mas depois eu tava me recordando que eu tive um episódio num navio em que eu fui fazer um show nesse navio e foi muito desgastante para mim. E eu me lembro que eu saí de lá, fui imediatamente para o hospital. Então, quando você trouxe a informação, que eu confesso que eu nunca tinha escutado falar da síndrome de burnout, eu trabalhei com a possibilidade que o que eu tenha tido tenha sido mesmo, pelo fato de que os meus desconfortos estavam muito ligados ao meu trabalho. Às situações de trabalho.
Isso inclusive, Padre, está nesse livro que eu trouxe, "O Desgaste na Vida Sacerdotal". Eu mostro para qual câmera? Para essa aqui do meio? Esse livro não é meu, tá, gente, é de uma pesquisadora espanhola. E ela, Padre, ela entrevistou 900 sacerdotes latino-americanos. Destes 900, ela chegou à conclusão de que 3 em cada 5 estavam com burnout.
É um número muito alto, né?
E ela diz o seguinte, Padre, que os sacerdotes que vivem nas suas dioceses são mais suscetíveis a ter o burnout do que os que vivem em monastérios. E eu entendo exatamente, se você me permitir, com uma frase aqui.
Claro, claro.
Porque ela explica que o sacerdote, ou seja, aquele ser humano que se doa tanto pelo outro, se ele não tiver válvulas de escape, se ele não tiver tempo para si, se ele não tiver tempo com a própria família, olha o que acontece: as pessoas às quais servem aparecem como uma ameaça ao seu próprio bem-estar, motivo pelo qual se sentem incomodados e até agredidos pelas pessoas que procuram seu serviço pastoral. Diante disso, reagem com atitudes de escapismo, defensivas, hostis, em alguns casos até cruéis no tratamento com seus paroquianos. Traduzindo, ela depois de entrevistar 900 sacerdotes latino-americanos, ou seja, tem uma realidade muito parecida aqui com o Brasil, porque ela fala de médicos do México, Porto Rico, que eu me lembre, ela diz o seguinte: se o padre só serve e não se cuida e não tem tempo para a família, ele vai ter a despersonalização, que é o quê? É encarar todos como uma tarefa. Isso não tem certo e não tem errado, é que aquela pessoa já fez tudo o que ela pôde para se adaptar àquela situação. Eu entrevistei recentemente um cardiologista de Maceió, um médico, e ele me disse que no pré-burnout, quando ele ouvia as pessoas Chegando perto dele dizendo "doutor", ele já sentia raiva. Ele tinha raiva das pessoas falando "doutor". E ele me disse: "Eu não tenho problema de dar uma palestra, mas quando alguém me chega para fazer algum pedido, eu não tenho para dar e as pessoas me pedem demais." Então, como nós estávamos falando, padres, médicos, enfermeiros, policiais e todos que são Solicitados para estarem sempre bem. E isso, Padre, pelas minhas pesquisas, não é novo. Síndrome de burnout é um nome novo para um problema antigo. As nossas mães provavelmente tiveram estafa. As nossas avós, aí eu posso dizer com certeza, tiveram neurastenia. Neurastenia foi um termo criado em 1869. 10 anos antes de Thomas Edison inventar o filamento da luz elétrica como a gente conhece. O que isso significa? Que mesmo sem a luz elétrica como a gente conhece hoje, e que está permitindo a gente ampliar o nosso dia, avançando depois que o sol se pôs, gravando aqui, mesmo antes dessa possibilidade, o ser humano já estava sobrecarregado com as tarefas, com a modernidade. Então hoje a tecnologia e essas possibilidades mil de deslocamento, O que nos faz cansar muito, por exemplo, nas viagens, em palestras e shows e tudo mais, é esse deslocamento rápido. Ou seja, o seu corpo chega rápido, mas a sua mente ainda vai demorar um pouquinho para chegar. Mas nem sempre dá tempo da gente se recuperar, não é? Então o burnout nada mais é do que um esgotamento físico. O seu corpo te deu vários sinais como enjoo, dor de estômago, problema no intestino, problema cardiovascular, uma série de coisas além da enxaqueca, e você não ouviu. E todas as vezes em que a gente negligencia o que o nosso corpo diz, uma hora o cérebro vai parar. E por que que agora a gente está falando tanto sobre cérebro, Padre? Porque nos últimos séculos a gente negligenciou demais. Se você for em qualquer pronto-socorro agora, você vai encontrar um clínico geral e um ortopedista. Por quê? Porque nos últimos séculos foi a força física mais exigida. E agora, se nós estamos usando mais a força intelectual, é evidente que nós temos então um número maior de ansiosos, depressivos, esquizofrênicos e pessoas com síndrome de burnout. A diferença entre a depressão e o burnout é que a depressão ela pode acontecer por N fatores. Fatores externos ou internos. E a síndrome de burnout, ela acontece dentro do ambiente de trabalho.
E aí, voltando ao início da nossa conversa, ela tem início no ambiente de trabalho e depois se desdobra a vida fora.
Sim, evidentemente. Agora, depois que eu cruzei várias informações, Padre, eu descobri uma coisa linda: só tem burnout quem ama o que faz. E por amar muito o que faz, se ausenta de si mesmo. Agora, depois de se doar muito, depois de se dar muito, vai acontecer alguma coisa que vai deixar essa pessoa triste. E aí vem a infelicidade, que provoca desvalorização, e aí o corpo vai dizer: "Pera lá, que assim não vai dar." Tem as suas regras, né?
E a partir do momento que são desrespeitadas, Você tem uma manifestação física então.
Exatamente. O que isso significa? Todas as vezes em que nós excedemos o nosso limite para dar conta de um trabalho extra, geralmente a gente vai primeiro abrir mão das horas de sono. Você vai dormir menos do que você precisa.
É o primeiro passo, né?
Não é? Depois você vai comer pior. Ou você vai comer mais rápido, ou você vai comer mais rápido e pior, um lanche, uma coisa ou outra. Depois você vai abrir mão do seu lazer, depois você vai abrir mão ou do lazer ou da família primeiro. São esses 4 passos, sabe? Então hoje, quando as pessoas me perguntam: "Será que o que eu estou tendo é burnout?" Aí eu digo: "O que que o seu corpo está te dizendo? Não sou eu que vou dizer." O seu corpo deve estar te dizendo. Tá sentindo alguma dor crônica por muito tempo? Uma enxaqueca que não passa? Uma dor de estômago? Queda de cabelo? Mancha na pele?
Nossa, como tem hoje, né, a queda de cabelo, né? Homens e mulheres.
E todo mundo acha que é normal, Padre.
É.
Eu costumo dizer que normal é você sair da sua casa com esperança de realizar um bom trabalho e voltar pra casa com a mesma alegria. E não voltar cheio de dor, cheio de medo, cheio de tristeza. Então, quando você está trabalhando com uma dor constante, isso significa que você precisa parar um pouquinho, fazer uma pausa e perceber realmente se aquilo que você está fazendo está fazendo sentido hoje. Tem uma coisa, Padre, que eu gosto muito de falar, que é atualização de identidade. Porque quando nós fazemos nossos sonhos, quando nós temos planos, nós fazemos isso em um determinado tempo. E conforme os anos passam, a nossa vida vai mudando, o contexto social muda, as nossas células mudam. E às vezes aquela ideia que você tinha tão certa, ela muda. E tá tudo certo mudar. A gente vive num mundo de constante mudança.
A mutação é inerente, né, a todo processo humano.
Não é?
Ainda que algumas decisões sejam para sempre, mas eu vou mudar até na lida com essa decisão que é para sempre.
Exatamente. E aí, a atualização de identidade nada mais é do que você perceber se o que você está fazendo faz sentido hoje. Se você está mais se maltratando ou se você está mais a caminho de atingir o seu objetivo. Porque se você estiver se maltratando, se você estiver acumulando dores, se você estiver acumulando patologias, Aquele sonho, aquele plano não tá mais fazendo sentido. Então muitas pessoas quando me perguntam quem eu procuro primeiro, se você tiver um plano de saúde, procure um psicólogo. Se não tiver plano de saúde, procure no SUS que tem atendimentos incríveis. Procure alguém da sua comunidade, mas fale com alguém da sua dor. Neste mês, inclusive, de Setembro Amarelo, quando nós falamos sobre As tentativas de suicídio, infelizmente, o número é muito chocante aqui no Brasil. Uma pessoa comete suicídio a cada 45 minutos. Infelizmente, até o horário do programa acabar, uma pessoa vai ter perdido as suas esperanças. E se nós não falarmos sobre isso, é pior. Veja que eu estou falando várias coisas que podem levar a uma desesperança tremenda. E eu, como tive pensamentos suicidas, evidente, por achar que tudo aquilo que eu fazia não tinha mais sentido, eu posso dizer que se você tem o apoio de alguém, seja da família, seja de uma pessoa de fora que te tira daquele contexto que você só vê problema, você vai encontrar um novo caminho. E nós, Padre, fazemos parte de um universo infinito de possibilidades. Então o que significa? Se aquele caminho que você escolheu não está do jeito que você pensou, faz uma pausa e veja se não há, de repente, um outro caminho que vai te deixar mais feliz.
Esse voltar os olhos para aquilo que se vive, muito embora deveria ser natural em nós, ele tem deixado de ser, né? Outro dia tem um amigo meu de Belo Horizonte que é preparador físico, ele tava dizendo que hoje as pessoas se lesionam com muita facilidade porque nós estamos perdendo a habilidade de alguns movimentos simples que antes eram tranquilos para o ser humano. Como a gente tá ficando muito sentado e a nossa vida tá ficando sempre muito numa mesma física, é isso. Nós estamos perdendo as habilidades, então da mesma forma como nós perdemos as habilidades físicas, a gente também vai se desacostumando desse olhar com um pouco mais de minúcia para aquilo que identifica se estamos realizados ou não, né? Eu sempre digo aqui, Isabela, que a vida bem vivida ela é fruto de uma reflexão, sempre. Eu não tenho como fugir de passar no crivo da minha reflexão Aquele que eu estou vivendo. É aquilo que minha mãe chamava de exame de consciência, né? Ninguém ia dormir sem antes fazer o exame de consciência. É claro que isso tinha uma conexão, a minha mãe nos inspirava, nos pedia que fizéssemos isso a partir de uma motivação religiosa. E não que não seja também, toda vez que eu volto os olhos para dentro de mim, eu estou vivendo uma experiência religiosa. Mas até quem não acredita em nada, Quem não tem religião alguma carece desse exercício diário de olhar-se, de perceber-se, de ouvir a própria voz e de saber o que tanto nos incomoda que às vezes a gente deixou de aprender, de dar nome a isso.
Muito tem a ver, Padre, com o que você está dizendo, com essa vida que nós estamos vivendo muito no piloto automático, em que eu só olho para fora e não olho para dentro. Em que eu perco muito meu tempo, eu uso muito meu dia me atualizando de tudo, de todos, e menos de como eu estou. A atualização de identidade, volto a falar sobre isso, é quando você atualiza quem você é hoje e não quem você foi ontem ou quem você quer ser amanhã. Hoje nós dormimos, padre, diferente de como acordamos. As nossas células mudam, as nossas ideias mudam, os planos mudam. Então olhar com mais acolhimento para essas mudanças vai evitar muito sofrimento. Eu percebo muitas pessoas infelizes porque pensam que não podem mudar de ideia ou que não podem voltar atrás a partir de uma decisão que foi tomada. Claro que tudo com muita responsabilidade, tá, Isabela? Não tá aqui para dizer: olha, larga tudo e vamos todos para uma casinha de sapê. Não, O que eu quero dizer, Padre, e o que eu tenho feito muito todos os meus dias, é a promoção da vida. A gente só previne o suicídio, a gente só previne dores e outras doenças invisíveis promovendo a vida, se adaptando a este estresse que nós estamos vivendo e que sempre existiu em diversas evoluções da nossa raça nós vivemos situações de estresse. Primeiro foi o estresse por busca de comida, depois por sobrevivência, as cidades medievais, entende? Todos os períodos nós vivemos momentos de estresse muito críticos. Só que agora a gente vive um outro tipo de estresse. É um estresse que não está só na porta da caverna, na beira da caverna, quando aparece um mamífero maior que nós. Esse estresse também está no telefone, nas notícias que eu vejo, nas coisas que eu ouço, nos medos que eu passo numa cidade que não dá segurança. Então tudo isso vai acumulando estresse. Soma esse estresse externo com as situações que você vive dentro de um ambiente opressor, no ambiente de trabalho, por exemplo. E aí, pelo medo que a gente tem de sair desse ambiente por não ter outro, Aí vai ter este colapso. Eu vou repetir para quem perdeu a nossa primeira conversa: síndrome de burnout é um nome novo para um problema antigo. Comparo muito com o bullying, Padre. O bullying é novo ou é um nome novo para um problema antigo?
Nome novo, né? Desde que o mundo é mundo.
Nome novo para um problema antigo, mas é igualzinho o bullying. O que seria pior que a síndrome de burnout? AVC, infarto ou caroce, que é a morte súbita por excesso de trabalho. Então, quando você me diz que mesmo aquelas pessoas que não creem em nada— eu tenho falado muito sobre dores e doenças invisíveis porque se você acredita num pensamento, você está acreditando em algo que você não vê.
Claro.
E por que eu não posso acreditar em Jesus? Eu não posso acreditar em Deus? Por que que eu Ainda insisto em não acreditar em algo que eu não estou vendo, como uma depressão ou uma ansiedade. Então, se você confia no seu pensamento, se você tá aí tão fiel à sua ideia, por que não acreditar em outras coisas invisíveis? E a fé, Padre, é o que me faz acordar todos os dias. Meu marido tá aqui, inclusive o Tiago, ele fica surpreso que desde que eu tive o diagnóstico da síndrome eu tive de burnout, eu nunca fiquei um dia em casa. Eu fiquei triste? Claro que eu fiquei. Mas todos os dias que eu pude sair de casa para contribuir para que alguém não tenha o que eu tive, eu fiz. Cansada, agora estou até com a voz anasalada, peço desculpa, né, faringite com essa mudança de clima, de tempo, aliás. Mas eu entendo que todos nós temos o papel de deixar o ambiente ali, ele aparecendo. Minheiro, né, padre? Mineiro. Então eu tenho certeza que nós temos, não eu, Isabela, você, Padre Fábio, todos que estão nos assistindo, todos nós temos uma responsabilidade muito grande para ter empatia pelo outro que está do nosso lado, acolher esta pessoa que pode estar sofrendo, sentindo algo que ninguém está vendo. Aliás, Nós temos muito mais empatia pelas dores e doenças visíveis. É muito mais fácil você ter compaixão, ter empatia por alguém que está com a perna quebrada, alguém que está sangrando, do que alguém que vai dizer para você que está com depressão profunda. Por quê? Porque nós tendemos a acreditar apenas naquilo que nós vemos e não naquilo que nós não estamos vendo. Isso sem contar com fibromialgia, viu, Padre? Que é uma dor que acomete milhares de trabalhadores, e dor na coluna, as mulheres que sofrem de TPM, o preconceito que está em volta da gente, sabe? A pessoa que está lá com cólica doendo, a pessoa fala: "Ah, mas será que está doendo mesmo?" Então, gente, eu estou aqui para dizer para você o seguinte: tenha empatia com quem está do seu lado, porque você também pode ter essa dor amanhã. É claro, né? E tudo muda. Então tá na hora da gente atualizar também as nossas ideias em relação como nós chegamos até aqui, qual é essa demanda que nós temos profissional, qual é a demanda que um padre tem hoje, padre, que não é só dentro da igreja, não é? Pelas redes sociais, quanto mais você se expõe, mais as pessoas te pedem coisas. E você é único, você é muito especial, você transmite através dos seus canais muita esperança. Então não adianta também só o padre falar ou só a Isabela falar. A solução ela não vem de fora para dentro, nós todos somos instrumentos para que a pessoa desperte e aí sim de dentro para fora ela renasça. Faz sentido, padre?
Faz, e como faz sentido! Todo movimento o poder de transformação vem de dentro. Nós vamos para um rápido intervalo e a gente volta já já com o programa Direção Espiritual. Estamos de volta com o programa Direção Espiritual, hoje recebendo a nossa querida Isabela Camargo, falando sobre síndrome de burnout, o excesso, melhor, o excesso de trabalho e as consequências disso. Uma reflexão muito interessante, também lembrando que setembro é o mês amarelo, mês de combate, que nos faz recordar o quanto é necessário nos dias de hoje a gente combater o suicídio. Como? Observando os que estão do nosso lado, prestando atenção nas pessoas em que a tristeza está sendo mais do que deveria. E também nós, é importante demais a gente ter essa honestidade diante dos nossos os nossos sentimentos, diante dos desconfortos que nos ocorrem. Minha gente, além da nossa peregrinação que nós teremos em janeiro, se você quiser se programar, no dia 24 de janeiro nós vamos iniciar uma viagem maravilhosa pela Espanha e Portugal. Eu como diretor espiritual acompanhando todo o grupo, sairemos no dia 24 e voltaremos no dia 4 de fevereiro. Uma viagem um pouquinho mais longa, passando por lugares muito especiais na Espanha e Portugal. E como nós tivemos agora uma repercussão incrível da matéria que foi no programa do Luciano Huck, no Caldeirão, que mostrou a nossa viagem, a nossa peregrinação, então nós tivemos uma alta demanda de pessoas querendo se inscreverem para a peregrinação da Terra Santa o ano que vem. E o Gilberto, da Obra de Maria, fundador, já me pediu que nós pudéssemos então lançar já, para que você se programe, caso você queira ir para a Terra Santa conosco no ano que vem. A viagem está marcada, sairemos no dia 26 de maio, que nós pretendemos viver Pentecostes em Jerusalém. Então nós sairemos na direção de Tel Aviv. De Tel Aviv, no dia 27, já iremos para a Galileia, onde nós teremos a experiência lindíssima nos lugares mais importantes da vida de Jesus ali na Galileia. Depois, no dia 29, nós já sairemos da Galileia na direção da Judeia. Jerusalém fica na Judeia e nós ficaremos hospedados em Jerusalém, fazendo os lugares santos da região mais próximos ali. E no sábado e no domingo nós teremos, além das visitas aos lugares santos, a participação neste encontro maravilhoso que eu já participo há muitos anos, que é Pentecostes em Jerusalém, com palestras, oração, momentos muito especiais. No sábado à noite, com uma procissão luminosa linda pelas ruas Jerusalém. No domingo é o dia mais dedicado a este encontro e terminaremos a nossa viagem ali. Após o encontro de Pentecostes, nós ainda ficaremos mais 3 dias para terminar as nossas visitas, para fazer todo o roteiro religioso que é importante ser feito quando estamos na Terra Santa. Então, uma viagem de 10 dias boa para você se programar. Tem gente que não pode ficar muito mais que isso fora de casa. Sairemos então no dia 26 de maio e retornaremos no dia 3 de junho. Programe-se para estar conosco. Gilberto, compreendendo que esse dólar nessas alturas tá difícil, né, programar qualquer coisa fora do Brasil, mas o Gilberto está fazendo uma promoção muito especial. Quem fechar Um pacote hoje vai ter um câmbio de R$3,90, bem abaixo do que está. Você pode ter um desconto ainda de 10% à vista ou um desconto de 5% no cartão de crédito em 10 vezes. Quem fechar 2 pacotes no mesmo dia, no mesmo momento, na mesma compra, vai ter 15% de desconto à vista e 10% no cartão de crédito. Gilberto também em 10 vezes. E quem quiser parcelado não vai ter os descontos, mas o Gilberto vai parcelar em 15 vezes a viagem. Ou você também pode fazer em 15 boletos ou também cheque. É isso, programe-se para estar conosco. Uma viagem sempre faz bem, não faz demais, Padre? Ilumina, né, a gente. Ilumina e faz a gente se ver com outros olhos. E faz você ter essa coisa de às vezes precisar estar fora do seu meio para você se perceber melhor.
Padre, Saramago não disse que você só vê a ilha quando você sai dela? Eu adoro poder dar umas fugidas de São Paulo para poder me perceber, porque às vezes naquele fuzuê todo você nem percebe Percebi o que que está acontecendo esses dias mesmo, em que eu tive que ficar um pouco mais reclusa por causa, né, de faringite e tudo mais. Eu fiquei em casa, eu falei: poxa vida, quanta coisa boa tem dentro da minha casa para ficar, sabe, mais quietinha. Como a gente está dizendo, é tanta oferta, é tanto excesso de acessos que aí você esquece de coisas simples. E eu adoro fazer uma viagem Se for assim por perto, recentemente eu vim aqui para Aparecida, sabe, para agradecer tantas coisas boas que têm acontecido. E todo dia acontecem coisas boas, então eu adoro essas fugidas, eu adoro, adoro demais.
É bom que a gente sente saudade de casa também, né? Você volta valorizando mais.
Sempre. Uma coisa que eu sempre dizia quando eu tava trabalhando na TV, toda vez que eu voltava de férias, eu dizia "Como é bom voltar!" Olha só, como é bom voltar! E eu sempre senti isso mesmo, porque eu sei que o cenário de 13 milhões de desempregados é muito triste. E essa também, Padre, é uma das razões para as pessoas se sobrecarregarem muito, sabe? Excessão de trabalho.
Às vezes tem medo de perder o trabalho, né? E quer ficar mostrando muito serviço para o chefe, para isso, para aquilo.
E aí eu digo o seguinte para essas pessoas: Muitas me perguntam: "Mas então como é que eu vou encontrar limite num mundo sem limites?" Saber dizer não. O não foi colocado pra nós de uma maneira muito negativa, mas também tem o não positivo, sabia, padre? O não positivo é aquele não que educa, é um não que você diz não para o outro, mas sim pra você. Então se o seu chefe vai te valorizar te dando mais trabalho, E você não pode assumir mais trabalho, porque você vai ter que dormir menos, consequentemente você vai ter mais problemas. A questão está em como dizer o não. Porque se o seu chefe está te dando mais trabalho, ele está te dando mais demanda porque ele confia em você. Então é muito mais fácil você dizer: "Chefe, obrigada, estou fazendo um bom trabalho, mas agora eu não vou conseguir." "Alguém pode me ajudar?" "Para quando?" "Qual é o prazo?" Então, por ter medo de perguntar, a gente diz sim e aí está criando um baita de um problema. Então, o não também pode ser positivo. A gente tem o não, Padre, muito da infância, né? Que os pais falam: "Isso não, isso não, isso não." É, até o formato dele, né?
Eu sempre digo que a moldura que nós colocamos nas palavras determina muito o entendimento que a gente tem delas. Se a minha mãe me diz não gritando, eu vou compreender aquilo como algo muito negativo. Mas se o não vem revestido de afeto, de amor, de entendimento, de explicações, eu compreendo aquilo como algo positivo para mim.
Perfeito. E aí é fácil dizer não para aquilo que eu não quero. Eu quero ver dizer não para aquilo que eu quero.
E aí é uma questão de forma, né?
Sim, mas aí o de cá, Padre, vai depender muito de uma série de fatores. Por exemplo, quando uma amiga me convida para fazer algo que eu quero muito, mas eu preciso dormir, eu não vou dizer para ela: não, eu não vou. Eu vou dizer: olha, obrigada pelo convite, adoraria estar com você, só que dessa vez eu não vou poder, dessa vez eu não estarei com você, na próxima me chama. Pronto, você não fecha a porta, eu não fecho a porta, eu não crio um problema para "Porque se eu disser um sim em um momento em que eu não tenho condições, apenas para agradar..." Isabela, e como isso acontece, né?
Como é comum as pessoas fazerem concessões em momentos que elas não poderiam conceder? Se prejudicam.
Essa é a vigilância constante, Padre, que eu tenho. Inclusive, quando me perguntam: "Isabela, você está bem?" Eu falo: "Na média, eu estou ótima." Tenho dias ruins, tenho dias bons e tenho dias ótimos. Então, na média, eu tô muito bem, mas tem dias de mais fraqueza. Claro, todos nós temos vulnerabilidades, todos nós, todos nós temos fraquezas, vulnerabilidades e temos limites, Padre. Então é o que eu disse, dizer não para aquilo que eu não quero é fácil. O difícil, mas não é impossível, é dizer não para aquilo que você não tem condições. Então vamos promover a vida? Vamos dizer sim para novas possibilidades. É dizer sim para uma atualização de uma situação que até então era de um jeito e agora é de outro, sabe? É dizer sim para uma dor, para um pedido de alguém que está do seu lado, porque você pode passar também por aquilo, sabe? Não vamos alimentar mais aquelas falas de Depressão é fraqueza, depressão é mimimi, é falta de tanque para lavar roupa, hein? Ouço cada coisa.
Tem muito, né?
Não é nada disso, porque o Brasil é o país número 1 no mundo em número de ansiosos, o número 2 em depressivos e estressados. O que que isso significa, Padre? Que nós estamos buscando a felicidade de uma maneira muito equivocada, e se não chegar alguém como você, como outras pessoas, para nós mudarmos a linguagem de certas coisas, a gente vai continuar alimentando ideias equivocadas. Eu não preciso falar mais sobre saúde mental, eu falo sobre bem-estar da mente. Bem-estar da mente é a mesma coisa que eu falar sobre saúde mental, só que quando eu falo sobre bem-estar da mente, eu estou promovendo a vida, estou promovendo o bem-estar. É como a gente previne o suicídio neste mês do Setembro Amarelo. Cada mês tem uma cor, vocês já perceberam que o calendário, né, tem o outubro rosa, que é para chamar a atenção da nossa saúde. E o setembro amarelo nada mais é do que a promoção da vida. Por que amarelo? Porque é a entrada da primavera, é a entrada do sol, entrada da luz, é a entrada das novas flores, ou seja, é a primavera que renasce de uma estação que quem passou por um período de reclusão e pode desabrochar. Isso é lindo, é a natureza nos ensinando sempre que existem momentos tristes, sim, mas eles passam. E eu tô aqui para te provar isso. Depois de um ano do burnout, eu tô aqui para provar às pessoas, Padre, que há recomeço. Sempre vai ter uma saída. Pode não ser a saída naqueles caminhos que você sempre encarou. De repente vai ser numa saída que você nunca imaginou que poderia.
Isso aqui é bom, né? Você ter condições de buscar dentro de você aquilo que você não imaginava possuir.
Dentro de você, padre, não fora. É claro. Somos instrumentos a todo tempo. E não é só o padre, não é só eu, não são só outras pessoas que falamos com o que usamos microfone, todos nós estamos influenciando as pessoas ao nosso redor. Todos nós podemos transformar a vida de alguém. Isso é muita responsabilidade.
Eu tenho cantado muito a música do Dominguinhos "Quem me levará sou eu" nos meus shows, porque eu me lembro que no momento em que eu mais precisava entender o que acontecia comigo, essa música me ajudou muito. Primeiro porque eu fiz uma trilha sonora para ouvir sempre, tem isso, né? Eu sou muito ritual, eu gosto do rito e sou ritualístico, digamos. E eu me lembro que eu coloquei essa música na minha playlist e às vezes eu voltava sempre naquela música e fiquei um tempo assim digerindo o que ela estava dizendo. E eu achei interessante porque o refrão dela me fala justamente de um momento de que Por mais que eu esteja acompanhado, quem me levará sou eu. Por mais que eu tenha pessoas segurando a minha mão, querendo que eu melhore, querendo que eu esteja bem, se eu não tenho esse movimento interior de querer, de ir, de fazer o movimento— E aí eu acho que fica interessante compreender o encontro de Jesus com a Samaritana, que para mim é uma referência de tudo que eu hoje compreendo como religioso. Naquele momento, Jesus faz uma relativização muito responsável da geografia. Aquela mulher estava privada de entrar no Templo, ela não podia entrar por dois motivos: era mulher e era samaritana. E eu acredito que naquela conversa que ela teve com Ele, ela demonstrou essa insatisfação de não poder participar dos ritos que o Templo proporcionava. E ele faz a relativização responsável da geografia: "Mulher, não preocupa não, vai chegar um momento" (entre parênteses), "vocês vão evoluir para entender que não é aqui nem ali, é em você". O templo pode até me ajudar a chegar dentro de mim, mas se ele não chega, se eu não chego dentro de mim, o templo não cumpriu o seu papel. Então às vezes eu viajo uma distância, como eu te perguntei, Perguntei se você costumava fazer isso, viajar uma certa distância para poder entrar em você, porque em última instância o lugar a ser encontrado somos nós. Por mais que a gente ande por aí, o que a gente vai encontrar naqueles lugares é um pouco de nós. E aí a música do Dominguinhos me ajuda muito a entender isso: "Quem me levará sou eu, quem regressará sou eu, não diga..." E por aí vai.
Quer cantar um pedacinho?
Sai aí, Cristian.
Quem me levará sou eu, quem regressará sou eu. Não diga que eu não levo a guia de quem souber me amar. Quem me levará sou eu, quem regressará sou eu. Não diga que eu não leva aqui.
Que tom que tá isso? De quem souber me amar. Já foi, já deu.
De quem souber me amar, quem me leva Quem regressará sou eu, não diga que eu não levo a guia de quem souber me amar.
Que a gente sempre tem a tentação de pensar que o outro é que vai trazer a solução, né?
Não vai, padre.
Você sabe que até quando eu fui ao psiquiatra e fui medicado por ele, em nenhum momento eu compreendi aquele homem como meu Salvador. Eu sabia que aquela medicação entraria no meu organismo, me provocaria um equilíbrio, mas aí eu tinha um dever de casa a ser feito, que não era o psiquiatra, não era o psicólogo, era eu.
Perfeito, Padre. Até porque muitas pessoas terceirizam a cura pelo remédio ou pelo médico, né? Muitas pessoas procuram o psiquiatra, o psicólogo, e devem mesmo procurar ajuda, mas aí por estarem tomando um remédio não vão fazer mais nada. "e não, gente, o meu exemplo, o exemplo do padre e outros tantos que nós temos revelam justamente isso, não importa o remédio que você tome, o remédio só trata, não cura, a cura é de dentro e isso, padre, é o autocuidado, autocuidado, é o que está escrito também aqui no livro, tá?
O livro que a gente está falando." Aliás, eu li esse livro, você me presenteou, ele é muito bom, eu recomendo. "O desgaste na vida sacerdotal." Eu sei que muitos padres nos assistem, se vocês tiverem a oportunidade, foi publicado pela Paulus e acredito que nas Paulinas tenham também.
Helena López de Mézerville é uma espanhola, uma doutora, entrevistou 900 sacerdotes e 3 em cada 5 têm burnout. Ela fala aqui, Padre, sobre o significado do autocuidado. Quando a gente fala muito sobre autocuidado, autovalorização, meditação, muitas pessoas têm dúvida, porque realmente ninguém nos ensinou, né? O que que nos ensinam? A cuidar do próximo, a fazer tudo pelo próximo, pelo outro também, mas depois que você faz para si. O autocuidado aqui no livro, de uma maneira bem simples, diz assim: o autocuidado corresponde também à interioridade da pessoa, que compreende suas dimensões física, psicológica e espiritual. Então, autocuidado nada mais é do que você assumir as suas fragilidades, buscar ajuda e reconhecer que nada é mais importante do que a sua saúde física, emocional e mental. Lembrando que o mental é tudo aquilo que a gente não está vendo, porque o emocional você tá vendo um sorriso, Você vê uma lágrima, você fica com raiva, você já sente o seu corpo. Agora, tudo que está relacionado ao mental, você não percebe até que aconteçam sintomas físicos. A depressão, por exemplo, sai de um estado, como é que eu posso dizer, um estado um pouco mais abstrato até para a gente poder dizer, até que ele comece a se materializar realizar, somatizar no corpo, mas ele já se instalou há muito tempo. E a cura também não é de um dia para o outro, assim como o acúmulo disso tudo não é de um dia para o outro. Então a gente tem que observar, Padre, os pequenos sinais, sabe? São pequenos avisos que o nosso Papai do Céu nos dá todos os dias, seja por uma insônia, seja por uma enxaqueca. Isso não é normal. Normal é como eu disse, é você acordar com esperança, e voltar para casa muito feliz. Autocuidado é você fazer uma autoavaliação, entender se o que você está fazendo está fazendo sentido, se dá para melhorar. E depende de quem? Só de você. Ah, mas eu tenho que cuidar da vizinha, do pai, da mãe, do cachorro, do marido, namorado. Não, não sobrecarregue, não carregue mala além do que você pode, sabe? Eu tenho uma história muito É muito interessante quando as pessoas me falam: "Ah, mas eu não quero tomar remédio." Eu falo: "Tudo bem, para alguns casos é necessário, eu precisei, você precisou." Também precisei. Eu tomo ainda.
Tomo ainda.
Tomo ainda, evidente. É como se você estivesse na rodoviária ou no aeroporto, né, para quem vai lá fazer a peregrinação com o padre, vai estar lá cheio de mala. E aí vem alguém com um carrinho do seu lado e fala: "Tó." Quer que ajude? Aí você fala: não, não quero. O remédio é a mesma coisa. O remédio é só um carrinho para te ajudar a atravessar um período que você não está suportando, porque a questão, gente, é química, tá? Então você vai precisar, em alguns casos, de um auxílio externo, mas ainda olhando para dentro, tá, Padre? Então o remédio, ele pode ser necessário alguns casos, mas mais Antes do que tudo é o autocuidado.
É isso mesmo, é a experiência que a gente tem de identificar em nós. Você disse uma coisa muito importante, nós não podemos nos acostumar com não dormir. Eu preciso identificar na minha rotina o que que dificulta isso. A gente tem falado muito aqui, Isabela, desse prejuízo que nós estamos vivendo, que é a perda da ritualidade. Nós já não temos mais os ritos de de dormir, os ritos de comer, os ritos do acordar. Estamos todos muito automatizados, né? Muito, muito reativos. Nós já fazemos tudo muito mecanicamente e a gente vai perdendo às vezes a essência da ação.
Vai perdendo, Padre, a referência do que é necessário para o nosso corpo e para o nosso bem-estar. Quantas horas você Quantas horas você tem dormido em média?
Agora no mínimo 7, depois da mudança, no mínimo.
Que mudança?
Quase morrer, quase morrer provoca uma mudança, né?
É isso mesmo.
Foi o que aconteceu comigo.
Padre, eu quando cheguei aí no psiquiatra, eu estava sob risco de convulsão e foi no dia 14 de agosto de 2018, ou seja, faz um ano que eu passei por isso. No caminho da empresa em que eu trabalhava até o médico, eu quase bati o carro 3 vezes. Eu tive muito perto de não voltar para casa, sabe? Mas graças a Deus eu consegui chegar, consegui ser medicada e consegui ser afastada daquele ambiente em que eu não tinha mais condições de voltar, certo? Depois disso, pesquisando muito sobre a história do sono, eu descobri que quem dorme menos de 6 horas por noite Tem 4 vezes mais chance de morte. Isso quem disse? A Associação Brasileira do Sono. E uma outra instituição muito respeitada, que é o Instituto do Sono, uma médica que eu entrevistei para o livro, que eu também entrevistei você, que sai no ano que vem, me disse o seguinte: mulheres que trabalham à noite saem na frente com 84 doenças do que mulheres que trabalham durante o dia. Dessas 84 doenças, 5 são gravíssimas, e eu já tinha desenvolvido 3.
Das 5 você já tinha desenvolvido 3.
Ou seja, o que mais o seu corpo precisa dizer? O que mais o seu corpo precisa pedir para mostrar que aquela rotina que você estava vivendo, ou que você está vivendo ainda, não está te fazendo bem? Então, dormir. Se hoje você tivesse me dito assim: Isabela, eu vou te dar um minuto só no meu programa, que eu não vou ter mais tempo. Me fala uma coisa para as pessoas que estão em casa querendo uma direção. O que que elas vão fazer? Durmam, porque a gente só vai despertar quando a gente dormir. Se você conseguiu fazer uma pausa e revalidou as suas horas de sono, você acabou de se dar o maior presente, sabe? O nosso sono, gente, é a nossa bateria. Como a gente está utilizando muito telefone, a gente está usando muito máquina, né, a gente acha que foi lá, carregou na tomada, deu uma carguinha rápida e funcionou. Não! Vocês vão para a Espanha, na Espanha ainda existe a famosa siesta. Por que será que em algumas culturas o dormir depois do almoço é tão importante? Para recuperar, para recuperar o cérebro e isso também forma memória. Olha como que nós estamos falando, Padre, é lindo! Lindo, tudo está conectado. Se você deixa de dormir, você deixa de formar memória, você fica no piloto automático, você come pior, você vai acumulando doenças. Olha só, então para despertar a gente tem que dormir, tá? Não existe um horário ideal para todos, mas existe uma média, tá? E só você sabe quanto você precisa dormir. Quanto é aquele sono que você não precisa colocar despertador para acordar. Eu acordo 8 horas cravada, sabe? Não precisa nem colocar despertador. Hoje eu sou dona do meu horário do sono, sabe? Então quando dá 10 horas eu durmo, 6 horas eu acordo. Então isso é um presente.
Quando você é muito saudável, esse horário, né? Mas você aproveita amanhã.
Então você vai aos poucos revalidando. É claro que um jovem pode dormir dorme menos, uma pessoa com mais primaveras dorme menos, né? Cada pessoa vai reagir de uma maneira. A gente nunca pode se comparar a outra pessoa, que cada uma pessoa tem uma biologia.
É isso mesmo, minha querida. Muito obrigado pela sua presença. Já passamos uma hora falando. Não, falou essencial.
Falou muito, gente.
Muito obrigado pela sua presença.
Eu que agradeço, Padre. Conte sempre comigo. Quem quiser falar comigo, eu tô sempre à disposição. Isabela Camargo Real no Instagram, no Facebook, no LinkedIn, no YouTube. É uma maneira que as pessoas—
vai aparecer aqui no nosso GC.
Gratidão. É uma maneira que as pessoas têm para se conectar com alguém que não só pesquisa, mas alguém que vive. E eu sou de verdade. Então, se você quiser a verdade, venha comigo que nós vamos Boas noites.
Muito obrigado. Obrigado a você que nos acompanhou, que esteve conosco. Desejamos que você, a partir de tudo aquilo que foi conversado, tenha coragem, tenha condições de identificar o que que na sua rotina pode ser mais saudável. Viver o Evangelho é isso, minha gente, é a gente descobrir o que que pode ser melhor sempre. Derrame sobre nós a bênção do Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.
Porque só a consciência iluminada nos dá condições de dizer: "Eu estou aqui." Estou aqui pra ser amado e te amar, olhar nos olhos e deixar me apaixonar diante de ti, para me render ao seu amor e confessar minhas fraquezas. Sou pecador, também estou aqui para pedir Pedir perdão pelas almas que ainda não buscam o teu coração. Te amar por quem não te ama. Te adorar.
Tudo da Canção Nova em um só lugar. Canção Nova Play.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








