Diversidade e inclusão nas empresas: como isso pode transformar um negócio - Maite schneider EP 18

Maite Schneider discusses diversity and inclusion in companies, sharing her work co-founding Transempregos, a program connecting trans candidates to employers in Brazil. She addresses unconscious bias, leadership culture change, and practical advice for organizations seeking real inclusion beyond surface-level commitments.
Chapters
Oi, bem-vindo, bem-vinda ao Interioriza. Que bom saber que agora você vai dedicar alguns minutos do seu dia para se aprofundar em um assunto que já passou do tempo, né, da gente compreender. Hoje você vai conhecer uma das mulheres mais lindas que eu já vi, e ela sabe disso desde a primeira vez que nós nos encontramos antes da pandemia. Com vocês, Maite Schneider. Maite, Muito obrigada por estar aqui.
Obrigada. Não, a gente tem isso, né, desses nossos encontros em momentos que a gente não sabe. A gente quando se encontra fica: "O que será que vem pela frente? Porque vai acontecer uma grande revolução nesses momentos." Prazer estar aqui, obrigada de novo pelo convite, né? Tanta coisa passou.
A Maitê é amor à primeira vista, sabe? É uma sintonia finíssima de almas e propósito. E o mais interessante é que a Maitê Nasceu Alexandre. E a história do Alexandre até Maitê, ela é cheia de altos e baixos, ela é cheia de lágrimas, ela é cheia de dores, ela é cheia de inseguranças. Mas hoje Maitê está aqui, linda, plena. Posso falar a idade?
Pode.
Hoje, 51 anos, senhoras e senhores.
Para uma mulher trans é troféu a idade, né? Porque não é dado para todas as pessoas trans isso que seria um grande presente na maioria das pessoas, que é poder envelhecer, né? Para as pessoas trans é realmente algo ainda muito fora da curva, né? A taxa de de vida de pessoas trans é 35 anos, se for branca. Se for negra, 29. Então, comemorar por causa de morte, de assassinato. O Brasil continua, pelo 14º ano, sendo o país que mais mata pessoas trans do mundo. Então, ser uma mulher trans de 51 anos, eu digo que não só por ser um presente, mas por ser uma questão de sobrevivência neste mundo que a gente ainda vive, que a gente está tentando melhorar um pouquinho, né, amiga? Então, pode falar assim. 51, até porque 51 é uma boa ideia, dizem aí, né? Excelente ideia. Eu falava: "Gente, se juntar com 120, eu nem vou dizer quanto que dá, mas daí soma em casa." 51, o que dá 120? Que também soma e fica um número que eu gosto bastante.
Faz a conta aí para a gente, por favor. 120 mais 51?
Não, 120 menos 51, que é outro número que eu gosto também. Então hoje eu estou na idade certa de 51 mais esse número que eu adoro.
Maite Schneider, ela é, eu tenho que ler aqui, eu tenho que ler porque são muitas nomeações, né? LinkedIn Top Voice, embaixadora da Rede Mulher Empreendedora, ex-speaker e cofundadora da Transempregos. Somos Diversidade, integra a diversidade. A Transempregos, Maite, inclui as pessoas trans no mercado de trabalho, é isso?
Isso, é uma ponte que inclui pessoas trans, que existe há 10 anos, completa 10 anos agora em outubro deste ano, de 2023, e que inclui pessoas trans, que faz a ponte entre currículos de pessoas trans junto com empresas que estão se abrindo e verdadeiramente querem os melhores talentos perto. A gente está com quase aí chegando a 26 mil currículos no Brasil inteiro. É um trabalho totalmente gratuito que a gente faz. E desses quase 26 mil currículos, quase 40% têm graduação, mestrado ou doutorado. E é por isso que a Transemprego acho que é uma das maiores frentes que a gente tem para lutar contra a maior fake news de todos os tempos, que se chama meritocracia. Porque se as empresas verdadeiramente acreditassem e praticassem a meritocracia, pelo menos esses 40% de pessoas trans que têm graduação, mestrado e doutorado não precisariam da Transemprego para estar fazendo essa ponte. Elas estariam contratadas porque elas são cheias de soft skills, hard skills, cheias de habilidades qualidades, tanto subjetivas quanto acadêmicas, mas não conseguem emprego só porque são trans. A gente tem pessoas com 3 pós-docs e que não conseguem emprego. Então eu falo: "Gente, está acontecendo alguma coisa errada nessa tal meritocracia." Então a Transemprego faz essa ponte, porque muitas empresas não sabem que existem pessoas trans competentes, com várias competências várias. Elas acham que por ser trans você já não tem competência nenhuma, por uma condição sine qua non. Então a gente tira esses mitos, esses tais vieses inconscientes que as empresas chamam, para a gente fazer esse link também. E a gente também faz essas pessoas pessoas trans que são muito desacreditadas do sistema corporativo, muitas vezes por conta de traumas, de recusas, de telefone que vai ligar e não liga, mesmo às vezes sendo a melhor para determinada vaga devido às competências que essa pessoa tem. A gente também tira esses medos das pessoas trans para dizer: "Olha, tem empresas hoje em dia que estão tentando ser um pouco..." É estranho, mas a gente fala de empresas mais humanizadas, de empresas e de um capitalismo também um pouco mais humanizado. Então a Transemprego está nessa construção. Mas o sonho da Transemprego, que somos em 3, Foi idealizado pela Doutora Márcia Rocha. Eu sou cofundadora junto com a Laerte Coutinho, que é a nossa super cartunista. O nosso grande sonho é falir esse nosso projeto social. Falir no sentido de não ser mais necessário. De ser uma página que passou e a gente agora entendeu que competência não tem nada a ver com identidade, com orientação, com credo, raça, gênero, sem ou com deficiência. Que as pessoas podem ser competentes sendo quem são, independente das condições que tenham.
Vou pedir para ela repetir, porque essa sua fala, ela resume tudo, ela resume boa parte das razões de discussão e brigas hoje na nossa sociedade. Então, eu ainda julgo o outro ou a outra, ou eu julgo quem quer que seja pelo que ela é.
Pelo que ela se mostra, na verdade. A gente julga pelo que a gente acredita que ela seja, mais do que ela é, porque a gente não deixa nem a pessoa ou a mostrar quem ela é de fato, né? Então a gente já pré-julga através da maneira que a pessoa se comporta, da roupa que ela usa, do decote. Se ela chegou na entrevista de cabelo molhado, ah, será que ela veio de um motel? Então não deve ser uma pessoa... Ah, ela usa batom vermelho? Olha o decote dessa pessoa, ela não condiz com a cultura organizacional que nós temos aqui na empresa. Então este pré-julgamento, que é anterior, que são esses vieses inconscientes, que são muitos, né? São múltiplos, né? A gente detectou aí mais de 120, né? A gente já tem mapeado caracteres de vieses inconscientes. Que são esses pontos que a gente tem, que a gente usa. O nosso cérebro é dividido em duas partes, né, Isa? Um e dois. Um é esse rápido, que nos defende de muita coisa, é esse que não usa, que tá atrás, o primitivo. E que é ótimo, porque tipo fogo, corra, assalto, reaja desse. A gente tem essas coisas que é ótimo. Mas o dois, sabe, que é onde a gente tem realmente um pouco maior, que esse frontal, a gente começa a ter mais trabalho, mas a gente pouco acessa ele justamente pela conta de recursos que vai. Então a gente fica vivendo muito nesse um. E quando a gente vai fazer seleção e recrutamento nas empresas, as pessoas por conta de... É muita gente, tem empresas com índice altíssimo de turnover, é muita vaga aberta. Então a pessoa: "Ah, não tenho tempo". E nesse "não tem tempo", delega a primeira parte hoje em dia para inteligências artificiais. Então a primeira parte não é nem feita para humano. E as inteligências artificiais, a gente sabe que já estão cheias de algoritmos, porque quem fez as inteligências artificiais? Nós, que estamos longe deste lugar de perfeição, não é isso? Então acho que o primeiro lugar é antes mesmo da pessoa mostrar quem é. É desse monte de viés que a gente tem que já barra essa entrada. Inadequada, tipo: "Pessoas trans são pessoas sem competências, todas vivem da prostituição, todas essas pessoas trans não têm qualificações, são pessoas agressivas". Então essas mitologias, esses estereótipos que existem relacionados às pessoas trans é o primeiro lugar que a Transemprego tem que quebrar, dizendo: "Espera". Quando você generaliza, você tira o poder da pessoa trazer sua identidade, da pessoa mostrar a sua peculiaridade, que é o grande chamariz que a gente deseja quando você contrata alguém. Você quer uma pessoa que agregue na tua equipe, para nesse somatório de micros trazer o resultado no macro que você deseja. E é isso que você tira, porque você quer homogeneizar, você quer da mesma faculdade, que tenha jogado golfe, que pratique os mesmos gostos que você tem. Eu falava: "Gente..." Como é que vai inovar? Como é que você inova? O próprio... A gente tem lá um super conhecido, o nosso super bam-bam-bam lá, é de Steve Jobs, algumas pessoas devem conhecer o titio Steve. Ele tem algumas frases que eu gosto. Ele tinha uma frase que ele fala mais ou menos isso, ele falava assim: "Olha, eu contrato pessoas..." Ele falava da inteligência, mas eu já vou usar para diversidade. Puxando um pouquinho para o nosso lado, ele falava assim: "Olha, eu contrato pessoas inteligentes para que pessoas inteligentes me digam o que eu tenho que fazer, não o contrário. Porque se eu dissesse para essas pessoas o que elas têm que fazer, eu nem gastava dinheiro contratando." Diversidade é a mesma coisa. Contrata diversidade, mas não ingeste a diversidade. O que essa diversidade que já existe na tua empresa, no local onde você está, tem a dizer para você, sabe, Isa? Então, eu acho que o mais bonito da diversidade é ela ser diversa, não é ser homogênea, não é você colocar essa diversidade naquele lugar de: "Ah, tá todo mundo igual." Se somos diferentes, a diversidade é a nossa maior igualdade enquanto diversidade, por que homogeneizar? Por que tanto medo da diversidade se somos todos nós? Então, acho que o trabalho da Transemprego vem um pouco nisso, sabe, Isa?
Ai, Maite Schneider, você fala aqui, né? Esse livro, aliás, gente, é leitura obrigatória, tá? O conteúdo aqui é de utilidade pública. Diversidade, Equidade e Inclusão: Tornar Simples o que Parece Complexo. Você é coautora desse livro? Sou coautora.
O livro é do Ricardo Motta, sou coautora junto da Caroline Ignazio. Maravilhosa, da Sandra Gioffi, da Georgette Lemos, e é um beabá básico para saber que tipo, comece a fazer, falar de diversidade é falar de gente, eu falo que o meu trabalho hoje em dia nas empresas é ensinar a gente a não ter medo de gente.
Deixa eu te falar uma coisa, hoje em dia, por exemplo, a segurança psicológica ajuda adulto a ser adulto.
É isso.
Ok, então seguimos. Olha só o que que, eu abro aqui o livro e eu pego aqui uma frase sobre os vieses inconscientes e eu queria falar um pouquinho disso. Vieses inconscientes são uma preferência subjetiva de ser a favor ou contra alguma coisa, mesmo sem ter dados suficientes para análise.
É isso.
Julgo, aliás, aí depois tem um desenho aqui, né? Reajo, simplifico, julgo e opino. Isso é bom, isso é ruim, isso não serve, isso serve.
Isso se encaixa, não se encaixa.
Isso é um viés.
Isso é um viés. É um viés que já molda você pelo que você vê sem você se aprofundar realmente, né? E tem coisas que você vai muito além. Quando você vai ver, por exemplo, dentro da tua empresa, a pessoa diz, olha, dentro de determinada vaga, você, suponhamos, vamos dar um exemplo bem simples, precisa saber Excel. Como é que você sabe se a pessoa sabe? Você faz um teste pra saber se ela sabe, você aplica 1, 2, 3 testes pra saber se realmente a pessoa sabe de planilhas, se ela entende realmente do Excel que você tá contratando. Quando tem uma série de outras questões, principalmente soft skills, eu quero saber se essa pessoa tem uma inteligência emocional, se essa pessoa sabe como é que ela lida em crise, por exemplo, numa crise, como é que ela é mais reativa, como é que ela lida em trabalho em equipe, se é uma pessoa que flui melhor "Vou falar dessa maneira." Você não faz teste. Seriam as perguntas que a gente faz quando a gente vai fazer entrevista. Mas a gente ainda está perguntando nas entrevistas: "O que você quer ser daqui a 5 anos? Onde você quer estar?" A gente ainda está com perguntas tão clichês de uma época que não tinha passado pandemia, de que o mundo era... A gente falava ainda no mundo VUCA, que hoje em dia a gente já fala de BANI. Falei: "Gente, já está explode o mundo e a gente fazendo as mesmas perguntas." Então, o ser humano evoluiu, mas as perguntas dentro desse universo continuam a mesma e categorizando as pessoas. Então, esses vieses acabam criando determinismos E acabam nos afastando desses talentos que a gente deseja. É por isso que as empresas hoje em dia, e a nova geração tem muito a ver com isso, né? Porque hoje em dia não adianta você falar para nova geração hoje em dia, tipo, olha, a gente tem planos de carreira, daqui a 10 anos você vai estar aí numa média gestão, alcançando uma alta gestão. Ele não quer saber. Se hoje em dia uma pessoa jovem não encontra o propósito dele vinculado no propósito da empresa, ele não fica mais de 2 anos dentro dessa empresa. Então elas estão fazendo essas empresas hoje em dia ter que rebolar mesmo, mudando as formas que atrai, Mudando a maneira que encaram realmente, inclusive o propósito da empresa, né? Esses dias eu li uma— você já escutou uma escritora chamada Djanira Silva? Maravilhosa! Ela tem uma frase que não é de empresa, mas eu já— sabe que eu pego tudo aqui, né? Já me aproprio. Escorpiana, né, amiga? Escorpiana, a gente já se apropria de tudo. Tem uma frase dela que ela fala assim, né? Nessa vida, a gente, né, pessoas, a gente acha que a gente é o que a gente junta, né? O dinheiro que a gente junta, os amores que a gente junta, as roupas, as viagens, os trabalhos que a gente junta. Mas a Djanira nos diz que a gente é justamente o contrário. A gente é o a gente espalha nessa vida. Empresas inteligentes não são bons produtos e serviços. Aliás, eu acho que uma empresa só deveria existir se tivesse bom produto ou serviço. Se não tivesse, tá fazendo o quê? Porque tá existindo, se não tem bom produto ou serviço. Para mim, empresa é o que ela deixa. O que que ela tá deixando na construção deste mundo melhor enquanto sociedade, enquanto humanidade, enquanto grupo mesmo que ela tem de atuação? Então, dentro disso aqui, sabe, do que as empresas estão deixando, acho que essa nova geração tá trazendo este peso de tipo, olha, ou vocês realmente fazem Walk the Talk que a gente fala tanto, de você, você está dizendo que você é uma empresa diversa, mas e a prática disso? Só vejo em algumas ações, em datas comemorativas e fora isso. O que você está fazendo em sustentabilidade? No tal ESG ou ISD, governamental, social e governança, o que você está fazendo dentro disso tudo?
Maite Schneider, quando você fala das empresas entre a teoria e a prática, Outro dia eu fui chamada para encerrar um comitê de diversidade. E eu achei, claro que eu fiquei muito triste, uma empresa multinacional fechar uma área que tinha sido aberta há 2, 3 anos e eles fecharam. E aí eles me chamaram, que agora eu sou especialista de assuntos sensíveis, eles me chamaram assim: "Isa, nós precisamos fechar, encerrar esse ciclo. Vamos fazer isso então com respeito e dignidade". "Ok, então uma coisa é: está certo a empresa fechar esta área? Na minha opinião, não. Mas se a decisão foi tomada, como é que nós podemos aceitar isso?" Então eu entendi, mesmo diante desta notícia ruim, uma baita atitude madura. Então isso que nós estamos falando não é para todos, ainda.
Não, não é para todos e não é para todos, por isso que é muito interessante o livro, porque ele não te dá uma cartilha, ele te dá pensamentos de possibilidades. Excelente. Porque a gente começou, né, a nossa visão no Brasil em termos de assunto é de que dá de diversidade, que dá de inclusão, a gente importou muito de modelos que eram de fora, né? Então eram empresas que já praticavam diversidade e inclusão fora do país, né? Fora do Brasil, que dentro daqui trouxeram para suas filiais aqui, tipo, olha, funciona pro negócio e a gente tem que expandir. Só que a gente já tem um Brasil gigantesco, né? Um Brasil de tamanho abissal, de diferenças culturais, de diversidade populacional e cultural gigante dentro do nosso país. E a gente simplesmente importou aquele modelo e colocou esse modelo para executar para todo o Brasil. E às vezes é uma empresa no Brasil, a gente trabalhou, por exemplo, A gente trabalha com multinacionais de mais de 100 mil pessoas e que têm polos em todo lugar do Brasil. Como você coloca uma única política de diversidade e inclusão que, na maioria das vezes, já veio importada, que já não é nossa aqui, e você espalha tentando capilarizar para o Brasil inteiro? Então, não funciona. Então, quando eu vejo algumas pessoas falando: "A gente vai começar aqui e a primeira coisa que a gente vai fazer são grupos de afinidade, a gente quer já criar 4 grupos de afinidade." A primeira pergunta que eu faço é: por quê? Por quê? Não, porque o quê? Por que que você quer grupo de afinidade? Não, porque todas as empresas fazem. Falei: e você é todas as empresas? Quem é você? Vamos entender a tua cultura organizacional primeiro. Você precisa ter. Então vamos entender. Não tô dizendo que você não vai fazer, não precisa fazer, mas por que você quer fazer? Não é porque todo mundo faz, né?
Agora, nesse movimento, o papel da liderança é muito importante.
É importante, é importante. Eu diria que tipo é ele que ajuda muito, logicamente, esse projeto de engajamento. Não só pelo exemplo, porque quando você tem um CEO, quando você tem uma que realmente veste essa camisa, que não acha que é mimimi, nem frescura, e nem tá fazendo pro tal de "diversity washing", né? Que é essa lavagem que ele faz só pra mostrar, aquela coisa que a gente faz pra inglês ver, que nem a gente diz no ditado, é muito mais fácil. Porque aí você vai ter budget, porque são ações que requerem um budget, requerem orçamento, vai ter o engajamento, tipo, se o líder está fazendo, tem a questão do exemplo. E aí é um exemplo positivo de viés inconsciente, que é aquele efeito meio tipo: "Olha, o líder tá fazendo, é que o líder sabe". Então, se o líder faz, quando ele vai numa reunião, um líder, por exemplo, a gente quer engajar "Vamos montar uma equipe, a gente bota o CEO lá, o vice-presidente." É muito engraçado, porque tipo, a pessoa está sem anotar nada, chega o vice-presidente, o CEO e começa a fazer anotação, todo mundo fala: "Ele está anotando, deve ser importante o que ela está dizendo." Eles começam a pegar canetinha e anotar, porque o líder está anotando. É um modelo, é o template disso tudo, né? Então, é muito mais fácil. Mas não é desanimador, porque eu já conheço, já trabalhei com empresas, e empresas grandes mesmo, com mais de 80 mil colaboradores, que começou numa portinha com 3 pessoas de responsabilidade social. Então, uma portinha lá no canto, que só tinha 3 pessoas que tinha sido e começou primeiro mapeando quem são as pessoas aliadas, quem são as pessoas que estão do nosso lado. A alta gestão não tá achando importante, né? Média gestão, vamos mapear quem tá perto, vamos começar a aumentar isso. E começou aquele efeitozinho, aquela bola de neve que vai crescendo. Então é mais difícil começar assim, é, mas também é possível.
Perfeito.
Então a gente também, porque senão você, ah, eu não tenho alta liderança, também não vou começar. Dá para começar, é mais difícil, é. Eu, escorpiana, gosto de coisa difícil. Então a gente dá um jeitinho, sabe? Você entra numa fresta, já começa a fazer um rombo. Onde passava um, já começa a passar dois. Então E a gente vai indo, sabe?
Maite, você sabe qual é a minha opinião e eu vou dizer aqui mais uma vez. É impressionante nós termos assuntos vinculando viagens à Lua ou a outros planetas e ainda estarmos discutindo a necessidade do respeito pela pessoa ser o que ela é. Então, para mim, soa muito estranho, a gente perde muita energia e muito tempo ainda, mas eu preciso. O que que muda na minha vida se a pessoa é trans ou não?
Nada.
O que que muda na sua vida esse julgamento que você tem diante das pessoas serem como são? Eu me lembro quando a gente se conheceu, nós fomos participar de uma mesma palestra numa faculdade e eu lembro de ter perguntado para você: como você quer que eu te chame? E eu não sabia, né? Então você é uma mulher "Meu Deus, você é uma mulher!" Eu não sei o que...
Eu uso ainda, quando eu vou palestrar em determinados lugares, eu uso. Às vezes eu uso no começo, às vezes para dizer tipo: "Olha, eu vim deste lugar, eu acho importante vocês saberem as referências que eu trago." Às vezes não uso e eu acho que é importante, porque eu não acho importante, mas conforme as perguntas vão indo, eu uso no final e a pessoa: "Nossa, mas eu fiquei a palestra..." Porque se eu uso no começo, às vezes a pessoa já fica com aquele pé atrás. Às vezes eu uso no final e a pessoa falou: "Nossa, agora que eu já estou aqui na mão, ela me entrega essa coisa." "Mas agora o que eu faço com isso?" Então depende do momento que eu uso, entende? E às vezes eu não uso em momento nenhum. Eu acho que depende do momento que é usado, entende isso? Mas eu acho, eu não tenho nada contra, eu falo que, por exemplo, que nem você falou, eu fui construída, eu nasci, fui parida como Alexandra, eu me construí Maitê. E hoje em dia eu penso que não sou mais nem Maitê, porque até a Maitê que eu construí, que foi com 16 anos de idade, eu estou com 51, como você falou, até a Maitê que foi de uma época que não tinha internet, de um outro tempo, foi uma Maitê baseada no que eu entendia das mulheres das entidades que me cercavam naquele momento, da minha mãe, da minha avó, das mulheres daquele tempo. Que hoje em dia é um outro lugar que eu penso da mulher, da posição da mulher, porque conheci outras mulheres, eu conheci outras potências, eu vivi com outras possibilidades, eu li muito mais coisa, eu me permeei, sabe, Isa, de várias outras coisas. Então hoje em dia eu falo que não é mais nem a Maitê, porque até a Maitê era construída sobre um monte de coisinhas que eram fechadas dentro daquele universo que ela vivia. Hoje eu falo: eu nasci Alexandre, me construí Maitê, e hoje eu Eu não sei o que está vindo aí, entende? Porque é um ser humano que toda hora eu descubro coisas dentro de mim que eu explodo para fora, tem outras coisas que eu incorporo. Eu sou esse eterno ser, sabe? Aquela coisa bem Raul Seixas, da metamorfose ambulante.
É maravilhoso você dizer isso. Quantas pessoas estão nos acompanhando e que estão presas em versões que não existem mais, que é o que eu chamo de atualização de identidade. Será que você está vivendo uma agenda de hoje com as características que você tinha ontem?
Então, com os sonhos, expectativas que você tinha naquele tempo, né, Iza? Daí você começa a ficar frustrado e muitas vezes gastando uma energia para realizar algo que não é mais teu. E quando você realiza— e quanta gente realiza isso, né, que chega lá e fala: gente, eu batalhei tanto, mais do que qualquer outra pessoa, para conseguir isso que eu desejava tanto. E quando você chega lá, você deve ter passado por isso, você chega lá e você fala: não é nada disso. E não é porque— não é porque aquilo não tem importância, porque você não é mais aquela, mas você insistiu tanto numa coisa e a vida durante muito tempo foi te te dando vários sinais: para, não é por aí, segue outro caminho, acrescenta outra coisa. Ela vai te dando esses sinais, entende? Ela vai dizendo. A gente também é tinhosa, né? A gente enquanto ser humano, a gente vai dizendo não, porque o seu insistiu, vou, eu vou, vou. E às vezes não, às vezes largar. Meu pai falava isso: às vezes você tem que tirar certos pesos. E a gente é tipo um balão, que você tira peso se você quiser ganhar altura. Pessoas mais leves vão mais longe, meu pai dizia. Ela falou: libera esses pesos. Eu ficava A avó, quando faleceu, eu queria ficar com várias coisas da casa dela. Então eu queria ficar com: "Ah, esse sofá eu quero levar, porque esse sofá era onde eu deitava com a avó. Quero levar esse quadro." Mas não tinha espaço. Quando eu vim para São Paulo, minha casa era muito pequena. Meu pai falou isso: "Fotografa. Tira uma foto. E tudo que você viveu, onde você dormiu, está aqui." E meu pai me disse: "Maite, você é o tipo de pessoa que no pé você não tem raiz, no pé você tem asas. As suas raízes estão no teu coração, não esqueça disso." disso. Você nunca vai deixar de chegar onde você quiser. Então não deixa as raízes te prenderem, mantém elas no lugar que não te impeça de voar, se esse é teu desejo. E foi tão incrível isso, sabe? Porque você se apega durante o tempo em coisas, em sonhos que já não são mais, ou que já se transmutaram, mas você não se transmutou. Nossos sonhos mudam a toda hora e a gente tem que se permitir mudar junto com eles, porque senão esses sonhos podem se transformar em pesadelos, entende? E o legal do sonho é quando ele tem essa vida, essa vivacidade, ele te mantém dentro dentro daquele propósito que faz o olho brilhar, sabe? O que te move? O que faz você acordar? O que faz esse desejo? Então, eu acho que dentro disso tudo, sabe? Acho que as pessoas têm muito medo, né? A gente vive... Porque a gente vive um lugar de insegurança. De insegurança não só física, de insegurança social. De insegurança do dia seguinte, sabe? De não saber como é que vai ser, de relacionamentos instáveis. A gente vive essa turbulência e viveu um pouco isso, né? Mas a gente que tá no Brasil parece que é um pouco mais isso tudo por conta de uma uma série de sistemas políticos, econômicos, enfim, que dificulta uma série de caminhares. Então, lógico que é difícil sair dessa tal zona de conforto, né? Então, o que eu mais vejo é a gente vivendo na mornice, gente que não tá nem quente nem fria, gente que fala: "Tá ruim?" "Não, ruim não tá." "E tá bom?" "Bom também não tá." É isso, sabe?
Já que você tocou nesse assunto, pra gente mudar de pauta, outro dia eu tive o privilégio de celebrar um casamento de um casal formado por dois homens. E o momento em que eles choraram e todos os convidados, né, que eu conseguia ver ali choravam, foi quando eu mencionei um trecho em que um deles me disse que quando apresentou o namorado para o pai e os pais aceitaram, né, a decisão deles de casar, ele disse que chorou Chorou muito, só isso. Chorou muito e que foi embora chorando. E aí eu fiz uma análise para fazer ali no evento e é isso que eu quero passar para você. Por que todo mundo chorou quando eu disse isso? Porque o choro deste noivo, quando foi apresentar o namorado para o pai, era de poder ser quem ele era. Claro que deve ter havido medo, insegurança em comunicar essa decisão, mas a hora que "Ele pode então?" Ele entrou na casa dos pais com medo e saiu da casa dos pais seguro da decisão dele. E aí eu falei assim: "Sabe por que você chorou muito, Fábio? Porque você pôde ser naquele momento quem você sempre foi." Então, quem está nos acompanhando, Maitê, e quer tomar uma atitude para ser de fato quem é, sem medo de retaliações, sem medo do preconceito, porque isso vai existir, infelizmente. O que você sugere? Porque na sua época, eu me lembro quando nós falamos outra vez, você falou muito da Roberta Close, era uma referência que você tinha, mas a partir de revista e poucas informações, pouquíssimas informações, senhoras e senhores, numa época que nem celular tinha, muito menos internet, Google e tal. Então hoje, para quem está nos acompanhando, tem um monte de informação, mas eu sei que tem palavras aí no seu coração que podem transformar quem está nos tá assistindo.
Putz, é um momento tão difícil esse da pessoa realmente vir. Eu acho que independente de hoje a gente tem informação, a gente também tem informação. Uma coisa é ter o conhecimento, outra coisa é o que a gente faz com esse conhecimento que a gente tem. Então às vezes é tanta gente, é mapeado de tanta coisa, bombardeado de tanta coisa, que às vezes a gente fica: mas e dá? E pode? Mas não é para mim também, entende? Então acho que a primeira coisa que eu tinha para falar para essas pessoas é tipo: é me inspira, entende? Não existe um caminho para a gente ser feliz, não existe um único caminho, entende? Pessoal pergunta porque eu já fiz muita coisa da minha vida, né? E você sabe, então eu vim de uma época que nem você falou, sem informação, sabe? Que eu mesma fui lá e eu mesma fiz minha cirurgia, sabe? Sozinha, porque não tinha médico, não tinha nada, entende? Isso era querer me encontrar e não poder, querer virar do avesso e não me encontrar. Diferente de hoje, que por mais que seja demorado, tem um aporte. Então eu falo para as pessoas que não existe um caminho para ser feliz. Existem vários caminhos, atalhos para a gente chegar nisso que é felicidade, que varia de pessoa para pessoa. Não existe também o que é ser feliz, o que é ser uma pessoa feliz. Isso é muito pessoal e varia de momentos da nossa vida. Mas eu tenho certeza, por tudo que eu passei, tudo que eu vejo, entendi que tem um começo que é o único caminho certo. Se você for quem você é, qualquer caminho, qualquer atalho que você pegue, você vai dar certo. Agora, se você já começa não sendo quem você é, até caminhos que podem ser certos vão se transformar em caminhos errados. Vai dar errado, porque você não é quem você é. Então, não vai ser fácil. Por mais que a gente fale que é tranquilo, não é tranquilo. Por mais que, às vezes, na tua casa seja tranquilo, você vai encontrar, às vezes, um chefe, uma empresa que não é tão aberta, que isso vai ser uma questão, sabe? Então, quer dizer, é um caminho que a gente sabe que sempre vai ter algo a ser passado que uma pessoa, por exemplo, que seja hétero, não tem. Uma pessoa hétero nunca tem que chegar para o pai, para a mãe, dizendo: "Pai, eu sou hétero". Nunca vai ter que chamar um um chefe, alguém superior, um gestor, e dizer: "Olha, mas não importa eu ser gay?" Um hétero nunca vai ter que fazer isso. E talvez a gente chegue um dia, espero que a gente chegue um dia, que isso não seja uma questão que tem que ser colocada, que a gente não tenha que falar, que as pessoas nos amem pela nossa condição plena de ser quem a gente é. Mas eu digo que não adianta fugir de quem a gente é. E se tem uma coisa que a gente sabe quando a gente fecha a porta do banheiro e a gente olha a gente com a gente mesmo, é quem a gente é. A gente pode se enganar através da religião, a gente pode se enganar através de uma idealização do que é da sociedade, do que nossa família gostaríamos que fosse, do que nos empregos nos cobram, do que a profissão nos exige. Mas o que a gente é de fato, a gente sabe quando a gente se encara no espelho. É aquele momento que nem a câmera do Big Brother entra, que é o momento que tá você com você mesmo, entende isso? Então é este momento que é verdadeiro. E não tenha medo do que você vai encontrar. Eu tenho um dos meus TEDs, né, que eu já fiz 3, um dos meus TEDs é isso, são dicas para parir o ser humano que a gente nasceu nasci para ser. É um teatro bem legal que acho que tem tudo a ver com isso, sabe, Isa? Porque durante muito tempo eu fiquei nesse vórtice deste parimento e de não descobrir quem eu era. E durante muito tempo ser uma pessoa trans era uma das piores coisas da minha vida, porque eu venho de uma religião lá em Curitiba, que é onde eu nasci, eu moro agora 8 anos aqui em São Paulo, franciscana. Então o peso da religião era muito forte na minha vida, eu me culpava muito. Então me sentia suja, maldita, pecadora por ser uma pessoa ser uma pessoa trans. E hoje eu vejo que é uma das maiores libertações da minha vida ser uma pessoa trans, porque justamente me proporcionou fazer este parimento de quem eu sou na essência. E parir o ser humano que a gente é não devia ser uma qualificação ou um presente dado só a pessoas trans. Todo mundo deveria parir quem a gente é. Porque quando a gente nasce, a gente já nasce com um nome que não é você que escolheu. Todo mundo. Ninguém escolheu. Você não escolheu o teu nome. Você pode gostar do teu nome, Isabela, mas você não escolheu. Talvez você queria ser Maria, Mariana, outra coisa. Você já escolheu, você já nasceu, já tinham escolhido para você uma religião e nem perguntavam: você vai seguir essa religião? Você já tinha uma religião dos teus pais, você já tinha um time de futebol, possivelmente do teu pai, da tua mãe, de alguém que deliberava essa parte. Em algumas famílias você já tinha que profissão você ia ter, e algumas até com quem você ia casar. A gente sabe de alguns lugares desse, tem certos condicionamentos que são impostos. Parir o ser humano é olhar isso que foi imposto, e algumas coisas que são impostas você até gosta, convive e curte. E tudo bem gostar dessas coisas, você não precisa ir contra tudo que foi imposto, mas é descobrir dentro do que foi imposto quem é você de fato e buscar outras coisas que não foram impostas nessa construção de quem você é. Só que quando a gente vai parir esse ser humano que a gente é, a gente acha que vai parir só questões boas. A gente descobre dentro da gente que a gente pode ser egoísta, que a gente pode ser uma pessoa invejosa, que a gente tem raiva. A gente não encontra— todo mundo acha que vai parir um alecrim dourado, e não, né, Isa? A gente descobre que a gente tem uma série de coisas ditas não positivas que a gente tem que trabalhar dentro não é para a gente, mas esse exercício de parimento que parte por esse amadurecimento é um dos maiores presentes e o único que nos aproxima dessa tal felicidade.
Mulher, eu não tinha me dado conta que eu me pari. Eu me pari, na verdade, faz uns 6 meses, de verdade, que eu pude reconhecer. Inclusive foi quando eu passei a usar o Isa "Não, porque eu não gosto de Isabela, mas agora, Luiza faz muito mais sentido para esta pessoa que eu sou." É isso.
E o parimento é isso. E não é fácil, é por isso que o parto é rasgado, é sofrido, é por isso que a mãe chora, o filho grita, porque não é tão tranquilo este parimento, porque este lugar da mornice que eu falei anteriormente é um lugar que te deixa meio... Parece que você está dentro dos líquidos amnióticos da barriga da nossa mãe. Você está ali dentro, está no quentinho, você está ali, a comida está sendo levada até você, Você então tem um lugar dessa zona de conforto. Parir é fazer esse revertério, é fazer esse vórtice, é fazer realmente a roda girar, é ver que uma hora você está em cima, mas saber que outra hora você vai estar embaixo. E o que você faz com isso? Não é se preocupar com o que a vida faz da gente, porque a vida vai fazer com a gente tudo. Independente da nossa vontade, é o que você faz com o que a vida faz de você. Aí que está a sabedoria da vida, entende, minha amiga? É isso.
Gente, eu sou apaixonada por essa mulher. Tem que me segurar, senão eu vou beijar ela. Maite, e aí o Thiago vai morrer de ciúme, né? Na primeira vez que nós gravamos, a gente deu um selinho. Nossa! E nessa... Não, eu adorei esse conceito do se parir.
Mas os relacionamentos hoje estão tão abertos, né? Não estão mais nem abertos, estão arregaçados, Thiago. Vamos lá, vamos modernizar. Aí você já está propondo.
Pronto, pronto. Não vou poder voltar pra casa hoje.
Eu estou solteira, né, gente? A gente vai soltando assim. 51, a gente tem pressa.
Deixa eu te contar uma coisa. Vem cá, gostei muito disso que você falou sobre o se parir. Você que está nos acompanhando, já tinha ouvido, né? Como que é o nome do TEDx?
O TEDx é Dicas para Parir o Ser Humano que Nascemos para Ser.
Pronto. Então depois procure no Google: Dicas para Parir o Ser Humano que Nascemos para Ser. E neste momento, Maite, ainda tem algum sonho a se realizar? Porque você fez grandes transformações, não só na sua vida, na vida de mais de 10 mil pessoas pela Transempregos, numa conta assim bem por baixo.
10 mil já deu, é.
Ou seja, olha o que você já espalhou, Maite Schneider.
Eu, Márcia Laerte, as empresas, todo mundo, né, gente.
E todos que lutam para um mundo com respeito. Só isso, né? E qual é o sonho ainda da Maite?
O primeiro sonho, eu acho que em termos profissionais, é falir a Transemprego, que a Transemprego não seja mais necessária, que ela seja assim uma chavezinha assim Também, eu falo que é o único projeto, um dos poucos projetos que eu falo assim: "A gente quer falir, a gente não quer..." Primeiro que ele é gratuito, a gente já não ganha no sentido financeiro, mas a gente dedica 50% do nosso tempo. Mas eu quero falir esse projeto e dizer tipo: "Olha, que vergonha que a gente teve isso, como a gente teve que lidar com a nossa parte de escravidão que a gente teve no Brasil." Então tem algumas páginas que a gente tem que virar no nosso país. Eu quero que a Transemprego seja uma página virada de um livro que a gente não tem mais, não se orgulha mais de ter escrito este livro nessa vida. Então acho que essa é a primeira coisa. Primeira coisa. Pessoalmente, eu quero conhecer coisas, né, Isa? Eu tô numa fase que eu quero nesse parimento, eu quero descobrir coisas, né? Então eu tô nessa fase que eu já tô buscando qual que é o próximo lugar, pra onde que eu vou, o que que eu vou fazer, entende? O que que eu vou parir. Quero voltar a fazer mais artes na minha vida, tô sentindo falta de fazer artes na minha vida, assim. Eu tenho feito pequenas participações, acabei de gravar aí um longa-metragem que eu não posso falar, mas com um super diretor que vai estrear em breve aí. Depois eu venho contar de novo. Mas eu tô fazendo Algumas pequenas participações, algumas coisas sérias, etc. Mas o meu sonho é fazer, vai que, né? Almodóvar, quero fazer, ser uma diva numa película de Almodóvar, né? Então esse é um grande sonho. Então agora eu tô indo passar um tempinho lá em Barcelona, eu sei que ele mora em Madrid. Então se alguém tiver algum contato de Almodóvar, né, Isa? Você é tão pequena pra algumas coisas, vai que. Mas eu tenho esse sonho também.
Agora imagina que o Interioriza vai chegar no Almodóvar. Por que que ele te colocaria num filme? Conta pra ele agora.
Mudovra, a gente tem tanto pra trocar, minha amiga. Eu tenho certeza que a nossa energia... Meu santo já nem bate com o teu, ele soca, né? Então eu tenho certeza que a gente vai se dar super bem. Eu preciso de 3 horas que você esteja junto comigo pra gente fazer aí dos teus Mulheres Enlouquecidas, da gente fazer... Olha, eu tenho uma ideia de um filme que a gente pode fazer. Imagina uma ensandecida brasileira saindo em busca de fazer um filme com a Mudovra. Acho que tem muito a ver com você. Pode até ter Penélope Cruz, Antônio Bandeiras, né? Pode ter esse pessoal junto. E o Javier Bardem. Ah, o Javier Bardem pode estar junto também. Vai fazer uma participação mega especial num romance tórrido entre nós quatro, né? Então, porque vamos falar de poliamor, de poliafé, tomodoba, né? Das questões identitárias. Mas eu acho que a gente vai acrescentar muito. Eu acho que eu tenho muito a acrescentar, não só na maneira que você pensa, na maneira que você acredita a arte. Eu acho que a gente tem muito a trocar, potencializar e fazer essa mexida no mundo, que eu sei que você gosta e eu também.
Ai, gente, a gente tem muito para somar e compartilhar. Maite, que papo gostoso! Veja, né? Nós começamos falando sobre inclusão, sobre diversidade, passamos por respeito e aí viemos no nascimento de quem somos. E você aqui me abriu um sonho seu, eu desejo muito sucesso no seu caminho. Eu tenho certeza que a sua viagem para Barcelona vai trazer muitos frutos, né? Almodóvar...
Frutos, árvores, vai trazer muita coisa.
Não perca a oportunidade de conhecer a Maite Schneider.
Recomendado, olha só, tá aí, minha querida.
Este livro, para quem quer aprender um pouco mais sobre diversidade, equidade e inclusão, está à venda aonde?
Tá na Amazon, para quem quer a parte digital, e também pode entrar no meu site, que é casadamaitê.com, que lá comprando pelo meu site eu mando autografado para quem quer ter impresso, eu mando autografado daí. Mas se quiser comprar também, pode comprar na Amazon também, recebe em qualquer lugar do Brasil também.
Sim, perfeito. Eu agradeço demais o seu tempo, a sua confiança em sempre compartilhar comigo coisas tão extraordinárias e que Eu sei que vão transformar vidas.
Eva, que bom, sempre um prazer, minha amiga, trabalhar junto com você nessa revolução por um mundo mais humano só, que é o que a gente quer, né?
Com respeito.
Um mundo com mais respeito, um mundo pra gente. Somos 8 bilhões de pessoas, 8 bilhões de diversidades, e o grande ensinamento da vida é a gente poder, como é que a gente lida pra que esteja bom pra todo mundo e não somente pra alguns, né? Como é que a gente faz pra que todo mundo possa curtir um pouco este mundão, né, minha amiga? É isso.
Muito obrigada, Maitê. Muito obrigada a você pelo seu tempo e confiança. Deixa aqui o seu comentário. Siga a Maite Schneider nas redes sociais, porque você tem muito para aprender com essa moça. Beijo, até o próximo Interioriza.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








