Divórcio: como entrar em acordo - Afonso Paciléo e Caroline Oehlerick Serbaro - Ïnterior iza - EP 15

Caroline Oehlerick Serbaro and Afonso Paciléo, family lawyers behind the Instagram project Divorciandos, discuss how to navigate divorce through dialogue and respect instead of conflict. They argue lawyers should act as counselors, not adversaries, and that emotional intelligence and therapy help both parties reach amicable agreements.
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Oi, seja muito bem-vindo, bem-vinda ao Interioriza. A partir de agora, você sabe, nós vamos nos aprofundar em assuntos que já passaram da hora de compreendermos. Agora você percebeu que eu estou em um cenário novo, de casa nova. O que aconteceu com o outro, Isabela? Nada. "Eu só decidi mudar para um lugar com sofá em que eu possa receber os meus convidados." E então, o que isso significa? Que deu ruim antes? Não, simplesmente eu mudei de opinião em relação ao cenário e quis vir para um lugar diferente. Por que eu estou falando sobre isso? Porque quando nós encerramos um ciclo, este fim pode ser amigável, ele pode ser feito com diálogo, elegância e maturidade, ou não. Ele pode ser com brigas. É sobre isso então que nós vamos falar hoje. Eu tenho o privilégio de receber dois convidados incríveis e que estão fazendo um trabalho para transmitir uma informação de coerência para quem está se divorciando. Seja muito bem-vinda, Carol Lerick. Que bom que você tá aqui.
Muito obrigada, é um prazer estar aqui, principalmente para falar sobre esse assunto. Tão importante, tão necessário. Então, muito obrigada.
E junto com a Carol tem o Afonso Passileu. Acertei, né?
[GHION.AI ]: Acertou, certinho.
Afonso, bem-vindo, meu querido. Que bom que vocês estão investindo o tempo da advocacia de vocês nesse tema.
[GHION.AI ]: Que bacana, obrigado pelo convite. A gente está super feliz de estar aqui e felizes por falar desse tema, por ter unido os nossos propósitos para ajudar as pessoas. Eu acho que a gente vem fazendo um trabalho muito bacana e que tem trazido clareza nesse tema que é obscuro, que as pessoas têm medo de falar, têm receio de falar. E a gente está falando isso de uma forma aberta, muito gostosa, leve, o que é necessário.
Sim, o Afonso e a Carol, gente, fazem um trabalho no Instagram. Vocês podem acessar a página Divorciandos. Não são casados.
[GHION.AI ]: Não.
Quando você fala unimos nossos propósitos, É no sentido de terem vivido uma experiência com divórcio e viram que tem muita dor envolvida, muita desinformação e que não precisa ser assim.
Isso, nós percebemos que além de ter muita dor envolvida, é possível fazer diferente, é possível passar por esse processo de uma forma mais leve. E nós sempre falamos que se nós soubéssemos o que nós sabemos hoje, O nosso processo de divórcio teria sido muito mais leve, muito mais tranquilo, muito menos conturbado. Então nosso objetivo, nosso propósito com esse trabalho é informar as pessoas, mostrar que há uma outra forma de fazer, mostrar alternativas de passar por isso, passar por isso de uma forma melhor, mais leve, mais feliz.
[GHION.AI ]: E não só para o casal, né, como também para a família que sofre, né, os filhos que sofrem, todos envolvidos sofrem nesse processo. Então a gente pode passar sem sofrer, a gente pode voltar a ser feliz, porque é um recomeço. Então vamos recomeçar já feliz, né? Por que não?
Sabe que quando eu iniciei aqui o programa, né, falando: ah, eu não estou mais no outro lugar, estou nesse, não significa que foi ruim. Significa que eu mudei e quis algo diferente do que aquele lugar me proporcionava. E levo este exemplo para as relações. Como eu também já me divorciei, então eu posso falar sobre o assunto. O meu divórcio com o meu primeiro meu marido foi muito tranquilo porque houve muito diálogo. Me lembro até de quando nós chegamos no cartório, a pessoa que estava lá fazendo a ata, porque nós não tínhamos filhos, não tínhamos bens para dividir, nada, então foi bem simples. "Mas vocês vão se separar mesmo?" "Sim." "Estão se dando tão bem." Então, o que eu quero dizer com isso? Você não precisa se divorciar de uma situação, de uma pessoa, Só quando a coisa está indo de mal a pior. Aí a gente entra aqui num termo que eu trago para vocês e gostaria de ouvir qual é o desafio nesse sentido da aceitação. Um quer separar, o outro não quer.
[GHION.AI ]: E aí, Isa, ficar com uma pessoa que não quer ficar com você deve ser uma das piores coisas do mundo. Então acho que às vezes você precisa enxergar para aquele lado e falar: A pessoa não tá mais feliz, então certamente eu também não ficarei feliz, né? Eu acho que esse é um dos momentos que você precisa parar, pensar, colocar a cabeça no lugar e dizer: esse lugar não é mais meu. Como eu disse, como você falou, né? Eu fui casado por quase 19 anos e fui muito feliz. Eu acho que foram 19 anos maravilhosos na minha vida. Eu tenho lembranças maravilhosas desse momento. Hoje eu vivo uma outra fase da minha vida, também muito bacana. Também muito legal, né? Agora, uma coisa que eu não consigo compreender é como é que aquela pessoa que foi sua melhor amiga por 19 anos, por 20 anos, de repente se torna seu inimigo número 1, né? Que é o que a gente vê por aí. Isso não tá certo, tem alguma coisa muito errada. Essa pessoa, ela é tua família pra sempre, né? Principalmente quando você tem filhos envolvidos, quando tem outros familiares, enfim. Porque sogro, sogra é uma relação que você não deixa de ter. Não existe a ex-sogra ou ex-sogro, né? Vai ser pro resto da vida. Então a gente precisa de fato pensar e olhar por esse lado de que um caminho respeitoso, né, que é o que a gente fala muito, respeitar, né, o outro, isso é muito bacana, é muito gostoso, mas precisa de uma evolução, né? A gente precisa se autoconhecer e a gente precisa falar disso também.
Sim, quando você fala evolução, eu entendo maturidade, maturidade, maturidade, bom senso, e também saber a hora de parar.
De parar o quê? De brigar ou de pedir acabar um casamento? Porque como que eu sei que horas que é?
Porque quando perde o respeito, quando fica uma coisa muito bélica, desrespeitosa, quando perde totalmente admiração, é neste lugar que os conflitos começam e que daí o divórcio vai para um caminho de muita briga, de guerra. Agora, quando as pessoas param no momento ainda que ainda tem algo, diálogo, ainda tem diálogo, É possível preservar alguma coisa. Então eu acho que isso também contribui, saber a hora de parar. Quando é possível, quando a pessoa consegue perceber, isso vem com a evolução, quando a pessoa tem discernimento, compreensão. E acho que também o problema do divórcio não é a separação em si, é a não decisão. Porque nós temos que decidir, como você falou, mudei de espaço, é uma decisão. Mudar, deixar para trás o que não está nos levando para frente. Decidir ser feliz, como Afonso falou, porque esse é o propósito maior de todos nós. Então é sobre isso. Todo mundo casa para ser feliz, e quando se divorcia também é para ser feliz.
Sabe que minha filha fez um ano e nós fizemos uma gravação com mensagens para ela assistir daqui 15 anos. Quando chegou a minha vez, eu falei: o que que eu vou falar para essa "Esta menina..." E aí me veio na hora um pensamento que eu gosto muito de trazer nessas conversas. Eu disse para ela: "Filha, você pode mudar de ideia." É a melhor coisa que eu posso te falar. Você pode hoje ter certeza de quem você gosta, o que você quer fazer de profissão, mas você pode mudar de ideia. E no divórcio eu entendo que é isso. Nós estamos mudando de ideia. E se a outra pessoa que está com você não está acompanhando essa mudança, O que que ela pode fazer? De repente vocês já pegaram casos de casais que estavam querendo se divorciar e retomaram, ou não?
[GHION.AI ]: Já acontece, acontece. A gente vibra, né, de felicidade, porque se o amor— mas a questão é essa, é a admiração. Então a gente percebe que quando há admiração, há o resgate, é possível resgatar. Agora, se não há admiração, esses 3 casos, nós temos 3 casos que eles voltaram, né? E nesses 3 casos foi muito bacana, mas esses esses 3 casos, coincidentemente, tinham admiração ainda. Então eles falavam do outro com admiração. Olha, mas no trabalho ele é ótimo, não sei o quê lá. Então no trabalho ele é ótimo, então você vê que ela ainda acha ele legal, ela ainda admira o que ele faz. Então isso foi muito bacana, voltaram. Agora, quando assim, ele é um grosso, ele não sei o quê, então aí a coisa não tem como voltar.
Vocês percebem a necessidade de terapia neste processo do divórcio? Porque um divórcio afeta muito a saúde como um todo, né? Ainda vou fazer aqui o recorte da saúde mental, tá, gente? Mas vocês sabem que é saúde, afeta a saúde, né? Você vai dormir mal, você está com a sua atenção direcionada a uma situação que você tá querendo resolver. Então a terapia é fundamental também, não é?
Além de um bom advogado. Isa, o divórcio É um processo que começa dentro, ele começa dentro da pessoa, quando ela começa a questionar: essa relação tá me fazendo bem? Essa pessoa tem os mesmos propósitos que eu, os mesmos valores? A gente tá caminhando, a gente tá crescendo junto? Essa autoanálise, esse autoconhecimento para se conhecer, mas também para perceber o contexto que você está e se isso faz sentido continuar ou não. Porque o divórcio Vem depois, é um processo interior. No meu caso foi assim, eu comecei a questionar um tempo antes, tá? Fui para terapia porque, apesar de questionar, eu falava: não, mas acho que eu não devo mudar. Eu tava ainda indecisa até que eu percebi que era necessário naquele momento.
Agora, essa leitura que vocês estão fazendo do direito, ela é muito nova. Porque eu percebo advogados sempre querendo ir para briga. E a briga não é o caminho para nada. Então como é que vocês vão levar essa mensagem para outros advogados?
[GHION.AI ]: Quer dizer, na verdade, o mundo mudou, a advocacia mudou e o perfil dos advogados tem mudado. Hoje, eu que tenho uma grande experiência aí no nosso escritório, são mais de 49 mil clientes que a gente já atendeu. O que a gente percebe? O perfil que as pessoas buscam hoje é um advogado conselheiro. Um advogado amigo. As pessoas sabem a resposta muitas vezes, mas eles ligam para o advogado para só um reforço. Doutor, eu vou fazer isso, o que que você acha? Vai lá, segue isso. Então as pessoas precisam desse advogado conselheiro, esse advogado amigo. Então acho que isso tem mudado na advocacia, eu percebo isso muito forte. Agora, no divórcio, eu acho que essa experiência minha e da Carol de termos passado pelo processo de divórcio, ela nos ajuda a entender a dor das pessoas. Então quando você entende o que a pessoa está passando, você ajuda ela a resolver aquilo de uma forma muito mais fácil, né? Então eu acho que essa nossa experiência de vida traz isso. Infelizmente não são todos que já passaram por isso e que vão ter essa visão que nós temos, né? Mas eu acredito que a gente está trazendo essa mensagem e a gente está sendo muito bem aceito. Porque o que a gente via hoje em dia na internet, a gente vê muitos advogados aí colocando fogo no parquinho.
Lenha na fogueira.
[GHION.AI ]: Lenha na fogueira, fogo no parquinho. O que, sinceramente, eu acho que não é o caminho. Eu digo que não só no divórcio, mas em qualquer problema do mundo, se as pessoas tivessem empatia, resolveria qualquer problema. No emprego, de guerra no mundo, qualquer coisa. A empatia, se coloca no lugar do outro, se coloca no lugar do outro e resolve o problema. Porque não existe uma versão, existem três: a minha, a sua e a verdadeira. E é isso que as pessoas precisam enxergar. Então eu sempre, tudo que eu vou fazer, eu olho porque o que o outro está pensando, o que ele está enxergando, é diferente do que eu penso, do que eu vejo, do que eu sinto, né?
É só um ponto de vista.
[GHION.AI ]: Exato.
Eu acho que a função social do advogado é contribuir para os conflitos familiares. E como que a gente contribui? Com essa mensagem de maturidade, de respeito. Temos que ser responsáveis, porque se o advogado que não está envolvido naquilo coloca fogo o tempo todo, não é ele que vai viver aquilo. Que vai ter depois, a consequência daquilo. Porque um ficar com raiva do outro, as crianças acabam que sofrem no meio da briga. E aí a mãe, o pai que tá ali. Então advogado tem que ser responsável. Eu tomo muito cuidado quando eu vou conduzir assim uma reunião com os clientes, para não, justamente para que eles não saiam pior. E normalmente eles saem melhor, eles saem.
[GHION.AI ]: Eu vi a Carol numa reunião essa semana com uma cliente. Nossa, e ela tava falando: ele é um, ele fez isso, ele não sei o quê. A Carol falou: não, ele é desinteressante. Ela afina, sabe? Não, ele simplesmente é um rapaz desinteressante. E aí a coisa tornou um outro rumo, né, com a palavra desinteressante que ela usou.
Eu falei: o desinteressante foi estratégico, porque daí ao invés de ir para aquele lado pejorativo, ela falou: é mesmo, ele é desinteressante, né? Por que que eu tô tão chateada com o que ele tá fazendo? Caramba, você tem razão. Sem xingar mais, trazendo a pessoa para um lugar um pouco melhor, mais elevado. Acho que foi essa ideia, né?
[GHION.AI ]: Foi muito bacana.
Quais então são as ferramentas ou quais são os caminhos, 3 só, para que um divórcio seja amigável, não seja conflituoso nem indigesto?
[GHION.AI ]: Uma frase que a Carol fala e que eu acho que ela pode guiar esse processo. Qual que é a frase, Carol?
Que a maior prova de amor que você pode dar para os seus filhos é respeitar o pai e a mãe deles. Respeito é a primeira palavra. Adoro. Diálogo e maturidade. Maturidade para aceitar o que não dá para mudar, maturidade para conduzir o que há de vir, os caminhos novos, as novas possibilidades. E eu acho que é isso.
Além disso, procurar um advogado que esteja alinhado à sua essência, ou seja, você não quer briga, então não adianta você se envolver com uma pessoa que vai querer brigar, certo?
Sim, e a nova ética do direito diz isso, a nova ética do direito de família especialmente, porque o cliente do direito de família é um cliente diferente das outras áreas, que requer um olhar mais sensível. Então, advogado com uma postura mais mediadora, mais conciliadora, que vai solucionar o conflito deste lugar, não com briga, mas de um lugar de mediação, de conciliação, e isso faz toda a diferença. Na vida daquela pessoa, daquele cliente. E depois eles falam: nossa, você fez parte daquilo. Eles agradecem. E aí vem esse reconhecimento e isso nos realiza muito, porque a gente está contribuindo, tá? Estamos colocando aí a nossa experiência pessoal e profissional a serviço da vida, a serviço das pessoas. E acho que enquanto seres humanos nós temos que tentar, na medida em que pudermos, em que temos condição, de contribuir mesmo.
Por isso que quando saem aqueles números, né, eu nem preciso falar aqui exatamente quais são, mas o número de casamentos aumenta, mas o divórcio também.
[GHION.AI ]: Que bom!
Exato!
Isso não é um problema, isso é um fato. As pessoas estão buscando o melhor para elas, né? E a gente também tem que entender que algumas relações têm uma base religiosa muito grande. Aí nós vamos entrar agora numa outra seara. Algumas religiões fazem de uma decisão A última, você não pode mudar de ideia, por isso que eu falei para minha filha, você pode mudar de ideia, tá? Pode, né? Porque a felicidade não tem religião, felicidade tem fé, como o amor. Amor não tem religião, amor tem fé. E nós estamos nos atualizando diante de tantas mudanças. E você falou sobre novo direito?
É, a nova ética.
Nova ética do direito? Conta um pouco mais.
É, a nova forma de conduzir, né? As pessoas começaram a entender que de fato De fato, essas brigas não contribuem em nada. Então, nesse sentido, a postura mais mediadora, mais conciliadora, mais amiga. Lógico, nós não somos amigos dos clientes, mas nós nos colocamos num lugar ali de contribuir como se fôssemos amigos, dando bons conselhos, não só jurídicos, do que fazer, mas também pessoal, assim: olha, não faça assim, tenta pensar dessa outra forma, reflita sobre isso.
Como que vocês arrumam tempo para isso, Afonso?
[GHION.AI ]: Quando a gente faz aquilo que a gente ama, né? A gente não trabalha, a gente se diverte. Então eu acho que eu e a Carol, quando a gente está nesse mistério, a gente faz com muito carinho. Então acho que o tempo a gente consegue arrumar. Nosso telefone toca até 10, 11 da noite, nosso telefone está tocando, né? Porque é aquele momento que a pessoa está ali desesperada e quer saber o que faz. E eu acho que é isso, eles precisam desse afago. E a gente faz com amor, com carinho.
Sim, e apesar de toda essa amorosidade, a gente também tem os limites. Então, as reuniões, eu costumo, converso tal, mas a gente tem ali o tempo. Se de repente uma reunião não é possível, a gente marca uma outra.
É porque, pelo que vocês estão me falando, vocês fazem também trabalhos de terapeuta. Só que o terapeuta é o terapeuta, vocês são os advogados. Então, ter uma visão equilibrada da conversa é uma coisa, mas fazer sessão de terapia é outra.
[GHION.AI ]: É outra, mas a gente usa talvez a nossa inteligência emocional, né? Porque eu acho que a gente tem isso, eu e a Carol, a gente tem isso muito bem trabalhado. Eu sou coach, faço, trabalho cursos de inteligência emocional há muitos anos, né? Então isso me fez evoluir, me fez crescer e enxergar a vida, enxergar os problemas de uma forma totalmente diferenciada. Eu percebo isso em mim, então eu levo essa minha experiência, essa minha visão para as pessoas. E eu vejo que isso ajuda demais as pessoas. As pessoas precisam disso. Eu recomendo, as pessoas precisam fazer cursos, precisam se autoconhecer, porque isso faz toda a diferença, não só na questão do relacionamento, mas em todas as áreas da sua vida. Aquela questão de um princípio, por exemplo, você sai de casa, alguém bate no seu carro. Eu tenho um exemplo na minha vida assim, às vezes as pessoas batem no meu carro. Bateu no meu carro, eu respiro, falo: "Olha, é um ônibus." prefeitura, sabe quando ele vai pagar o que ele fez? Nunca. Eu vou embora, eu não me estresso com aquilo, porque aquilo poderia estragar o meu dia, o meu dia poderia ficar totalmente estragado. E eu chego no escritório, eu olho e falo: vou ter que pagar mesmo, sabe? Eu não deixo aquele momento estragar a minha vida. É isso que eu levo para as pessoas: calma, não precisa ser assim, olha para um lado positivo.
Por que que as pessoas, o que que elas mais brigam num divórcio? É por dinheiro? É por guarda de filhos? É por cachorro? É por gato?
A primeira coisa eu acho que é o ego, começa com o ego, que é quem foi que pediu o divórcio? Não, fui eu que pedi. Não, fui eu. Um fica jogando a culpa no outro. Na verdade, todo mundo quer ser o protagonista do divórcio. As pessoas têm uma questão, percebo muito isso no escritório, as pessoas têm muito isso, que é assim: não, fui eu que pedi o divórcio, viu, doutora? Aí: não, fui eu que pedi. Começa assim. Então, questão de ego. Depois tem a questão dos bens.
[GHION.AI ]: "Ah, a cafeteira, né? A cafeteira, eu quero a cafeteira." Aí o outro fala: "Eu quero aquele vasinho branco que é da minha avó." E o outro fala: "Não, mas ela deu pra mim." Então assim, são coisas tão pequenas que não fazem sentido, né?
Então a gente... Primeiro é quem tem razão.
[GHION.AI ]: Quem tem razão.
Depois... Aí bens. Dinheiro. Dinheiro. Bens.
[GHION.AI ]: Cachorro.
Herança.
Herança. Vingança. Vingança.
[GHION.AI ]: A herança também, viu? Muitas vezes a herança, eles querem a herança do outro. "Não, a herança é minha também." "Não, não é, a herança não se comunica." Aí a gente entra numa discussão que existe correntes que dizem que não, correntes que dizem que sim. Mas poxa, a herança é da família do outro, o que você tem a ver com a herança dele, né? Então tem gente que quer a herança. E filhos e cachorro também, tá? Filhos e cachorro. E hoje o que a gente percebe também, Isa? Houve uma mudança. A mulher hoje ela ganhou espaço no mercado de trabalho, a mulher ganhou independência financeira. Então a mulher hoje ela não é mais aquela que que fica em casa cuidando dos filhos e cuidando do marido, cozinhando e lavando, né? Então existe um outro perfil, que é o homem que hoje está mais participativo, o homem que quer ficar com os filhos. Por exemplo, no meu caso, meus filhos moram uma semana comigo, uma semana com a mãe, e eu fiz questão disso. Isso foi um pedido meu, eu queria, eu insisti até que eu consegui, e foi uma das coisas mais maravilhosas que eu fiz, porque meus filhos hoje compartilham a vida comigo, né? Então é, a gente tem o maior contato do mundo. É diferente se eu visse eles somente a cada 15 dias. Então, mas por quê? Porque eu posso, eu posso me dedicar a eles, eu me dedico de verdade, eu cozinho, eu preparo lancheira, eu levo pra escola. Participa, né?
Eu participo, né?
[GHION.AI ]: Lógico que não são todos os pais que podem fazer isso, não são todas as mães que podem, mas existe hoje esse perfil do pai que é mais participativo. Então eu conheço vários casais, vários ex-casais que o pai participa também. Então existe essa mudança também, que é um tabu. Porque é muito difícil para a mulher aceitar que o pai vai ficar com a criança. As mulheres reclamam muitas vezes: "Ai, fica tudo comigo, sobra tudo para mim." Mas quando o pai fala: "Não, deixa vir para mim aqui." "Não, o filho é meu." Então também é um outro tabu que a gente tem.
Aí a gente entra na questão do reduzir a régua da perfeição, delegar e confiar, né? E confia, confia.
[GHION.AI ]: E também uma outra questão que eu falo sempre, né? Seja feliz. Não se importa muito com a opinião dos outros. As pessoas ficam muito ligadas com a opinião dos outros. "Ah, mas se eu dividir a guarda dos meus filhos com o pai, o que a minha família vai dizer?" Não vai dizer nada. Eles também se disserem, o problema é deles. Seja feliz, faça aquilo que faz sentido pra você. Não ligue pra opinião dos outros. As pessoas ligam demais. "Vou me vestir desse jeito, o que os outros vão achar? Vou fazer tal coisa, o que os outros vão achar?" A opinião do outro é do outro. Faça o bem, seja uma pessoa ética e seja feliz. É isso.
Se você está vivendo um divórcio ou conhece alguém que está passando por um divórcio, deu para entender que pode ser amigável, que pode ser adulto, que pode ser com maturidade? Ficou muito claro aqui na nossa conversa?
[GHION.AI ]: É isso?
Faltou alguma coisa, Carol?
Não, acho que é isso. É, nós estamos inovando aí com essa Advocacia de família com ênfase interdisciplinar em psicanálise, solução de conflitos.
Maravilhoso!
Nós temos também formação nisso, né, o Afonso, como falou, eu também já fiz vários cursos, estudo psicanálise. Então isso contribui para que a gente ofereça um serviço melhor para o cliente, que vai solucionar de fato o conflito, e não ali, porque muitas decisões judiciais e muitos acordos não são cumpridos porque são feitos de qualquer jeito, no calor da emoção, assina qualquer coisa, faz qualquer coisa, o advogado fala: "Ai, faz aí." Acontece às vezes, ou a própria parte tá querendo, a própria parte quer encerrar aquilo logo e acaba colocando qualquer termo ali, não pensa, não vai refletir sobre aquilo. E nós, a nossa proposta é que as pessoas reflitam sobre as coisas e façam o melhor aí para si, para o outro, e sejam felizes.
Busquem a origem.
Do divórcio, a origem do problema, porque o divórcio começa também aí, não no que está sendo revelado ali, ah, é isso, é aquilo, não, normalmente tem uma questão por trás e às vezes o que a parte precisa é um pedido de desculpa, é um reconhecimento, total, então isso tudo são questões que quando é possível que a gente perceba, indique, a gente faz para contribuir e tem dado certo, graças a Deus, estamos muito felizes, é isso que importa, a gente está falando para os outros serem felizes, mas nós também estamos com esse processo, com esse projeto, está bem legal.
Sem dúvida.
Isso está nos realizando muito.
Dá para ver pelo entusiasmo de vocês falando do assunto. Eu estou muito feliz em poder compartilhar a experiência de vocês com a audiência do Interiorize, porque todos nós precisamos das informações corretas, como as coisas podem ser. Precisamos interiorizar essa mensagem de que você pode mudar de ideia, ou se não foi você que mudou de ideia, O que será então que a vida está te revelando? E por fim, só mais um ponto que agora eu lembrei, me incomoda muito quando eu vejo pessoas falando mal das outras que viveram juntas. Então, por exemplo, eu tenho muita gratidão pelo meu primeiro marido, só casei duas vezes, tá, gente? Primeiro dá a impressão que eu casei mais vezes, meu primeiro marido, porque ele me deu autonomia, ele me deu liberdade para chegar profissionalmente onde eu cheguei. Então eu gosto de levar essa mensagem de positividade. Não é porque eu não estou mais convivendo, como você falou, né, agora é inimigo. Não, não é. Então considerem também ver as características positivas daquela pessoa que decidiu ficar com você pelo tempo que ficou.
Honrar a história e honrar a pessoa, porque isso contribuiu para que estivéssemos aqui agora.
[GHION.AI ]: É, a pessoa que você é hoje foi construída ao longo das suas experiências, de tudo que você viveu, né? Então essa pessoa que você viveu por tantos anos, as pessoas falam: não deu certo. Deu muito certo, foi muito bacana. O meu casamento deu muito certo, foi muito bacana, eu fui muito feliz, e agora eu tô muito feliz também.
É isso. Então se você quer continuar agora com o Afonso Passilel e a Carol Olerick, @divorciandos. Tem muito conteúdo bacana ali. Gosto muito dos teatrinhos que vocês fazem, né, das historinhas que vocês contam. E também tem podcast.
[GHION.AI ]: Tem, a gente tem um podcast que é o Pode Legal e o especial Divorciandos, que a gente leva aí um dia inteiro falando só de divórcio. É bem bacana. A gente traz temas de famosos, né? Então a gente tá trazendo do que tem na mídia, né, o que acontece na Na vida dos famosos a gente traz pro dia a dia pra mostrar pras pessoas que acontece na nossa casa também, né?
De todos nós. Você gostou desse episódio? Quer saber mais sobre o assunto? Pode deixar o seu comentário aqui. Você já sabe, né? Se você seguir o nosso canal, uma estrela no céu pra você, melhor ainda. E a gente se encontra então no próximo Interioriza. Até mais.
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