Do burnout à ajuda e inspiração com Lucas Possetti - EP 31 Ïnterioriza

Isabela talks with Lucas Possetti, a hairstylist and L'Oréal ambassador, about his burnout and anxiety. He shares how beauty professionals face intense pressure, why setting boundaries matters, and how L'Oréal's Head Up program and Calm partnership offer free mental health support for the industry.
Chapters
Eu tenho que ser muito corajosa para entrevistar o profissional que é especialista em loiras sendo morena. Senhoras e senhores, eu estou aqui com o Lucas Possetti. Não tenho nem cabelo para falar dele, mas farei o meu melhor. Lucas, obrigada por ter vindo.
Eu que agradeço. Conseguiu finalmente, né, marcar essa entrevista, né?
Na hora certa dá certo. É engraçado porque o Lucas, não nos conhecíamos pessoalmente, mas nessa entrevista vocês vão entender o quanto nós temos em comum. Antes da gente falar da nossa história, preciso fazer uma pergunta: qual shampoo você usa?
Meu banheiro é quase um salão, tenho todos da L'Oréal que você imaginar.
Ah, como eu adoraria falar: tenho todos da L'Oréal. Mas isso é sério, então L'Oréal.
Eu sou embaixador de L'Oréal no Brasil, então, apenas a melhor marca que existe globalmente falando.
Ô Lucas, o seu vídeo chegou até mim tratando de um tema que eu já trato já há 6 anos. E não tenho dúvida que as coisas acontecem conosco pra gente aprender com elas e de alguma maneira salvar as que estão do nosso lado do mesmo que nos adoeceu. Então a gente vai assistir aqui no nosso telão um vídeo seu. Se eu estivesse mais pertinho, eu ia falar assim: "Lucas, deixa eu encostar no seu cabelo." Alguém pede isso pra você?
Pode passar todo dia, o dia inteiro.
Sério? É de verdade? É de verdade, sério?
Tudo meu. Eu não sei o que é ter cabelo curto, nunca tive. Então eu tenho cabelo comprido desde criança.
Sério?
Se a minha memória é minha, é de cabelo curto, não tenho.
Aí as loiras, você é especialista em loiras, né? As loiras chegam pra você e falam assim: "Eu quero ficar com o cabelo igual ao seu." Quantas vezes você ouve isso por dia?
Todo dia, muitas vezes, minhas clientes.
Mas tem cabelo que não dá, tá, gente? Eu vou falar.
Tem cabelo que não dá.
Tem cabelo que não dá. Primeira coisa que eu perguntei foi isso.
E não é porque a gente não quer fazer, gente. É pelo bem de vocês. Não é porque a gente reprova uma pessoa. É realmente pelo seu bem. Eu queria atender todo mundo, mas tem químicas que são incompatíveis e não tem como.
Que maravilhoso.
Melhor um cabelo do que uma fumaça, do que uma lace depois, no final, né? Uau!
E o mais engraçado é que antes desse programa começar eu falei assim: Lucas, "Será que eu poderia ser loira?" Ele fez uma pergunta, e isso é coisa de profissional: "Você se vê com o cabelo de tal cor para passar pelo processo ou não?" Uma transição. Então não, pronto. Ou seja, não alimenta expectativa, não alimenta ilusão.
Ou te dá aquela que eu te disse sobre uma extensão. Você coloca uma extensão e resolve o seu problema, até você ir trocando a química do seu fio e você tirar todo o escuro.
Pronto. Se você que está acompanhando este programa Quer me ver loira? Deixa seu comentário. Quer me ver morena? Deixa seu comentário. Depois a gente pensa nisso, né?
Vai ter gente artificial, ver como é que seus seguidores vão achar.
Boa, boa. Então pronto, então vamos lá. O que você disse que chegou até mim?
E eu acho que as pessoas têm um pouco de relutância quando você fala sobre psicologia com elas, como se fosse: ai, eu estou maluco, sabe? Preciso procurar uma psicóloga, um psiquiatra. Eu acho que você entende que é muito além disso. Que é uma pessoa que vai te ajudar, eu acabei destravando várias outras coisas em relação a mim mesmo, me entender como ser humano e entender que com essa minha atitude eu influenciei várias outras pessoas da minha própria equipe. Por exemplo, eu trabalhava 12 horas, 14 horas por dia, isso quer dizer que a minha equipe também. Então era meio que a minha vida, tô trabalhando ali full time, fazer com que essas pessoas também estivessem full time para mim. 7x7. E eu acho que essa conscientização que o Herói trouxe para mim, eu entendi fazer os exercícios de respiração quando tivesse algum tipo de crise de ansiedade, que acho que é o pior, na verdade. E entender que nós, eu no caso, era basicamente uma esponja que absorvia tudo aquilo que a cliente depositava em mim. Então às vezes ela queria falar alguma coisa que era mais Difícil assim de trabalhar, alguma doença, ou até um conteúdo que pra mim ele é muito sensível. Então eu entendi que aquele problema não é meu e é daquela pessoa, e eu vou ouvir ali como um bom ouvinte, tudo bem, mas que eu não tenho que absorver aquele conteúdo, sabe?
Como você, cabeleireiro, se transforma no embaixador da L'Oréal de saúde mental?
Mara, é só um ano já que eu já tô com isso, né? São 20 anos aí como cabeleireiro. L'Oréal, estamos juntos há 5 anos. Mas é uma história muito legal assim, porque eu venho de uma outra marca. Então eu me senti muito chique, porque a L'Oréal foi igual jogador de futebol, ela me comprou, sabe assim? Total! Muito chiqueira era essa, nunca tinha visto isso em outro lugar.
Gente, olha, se quiserem me comprar, eu tô à venda, tá? Depende.
Eu trabalhava com uma outra marca durante muito tempo, uma marca alemã, era embaixador. Aí a L'Oréal foi e me fez uma proposta pra eu ir. Acho que todo sonho é trabalhar na L'Oréal, né? Porque é o maior grupo de beleza. E aí eu entrei com uma categoria abaixo da que eu estava, dentro da própria marca, a virar embaixador da marca hoje, ter um programa global e até lançar uma linha com a L'Oréal, que foi o que eu fiz ano passado, com uma linha de cor.
Uau!
Mas é um fruto de muito tempo, assim. Eu vim de uma família que não tinha ajuda de nada, ninguém falava: "Faz ou vai ali". Eu achava que... Ser cabeleireiro é um subemprego. Sabe assim?
Você pensava isso lá atrás?
A minha família fazia com que eu pensasse isso. Ser um cabeleireiro é um subemprego. E quem trouxe muito isso pra gente, até como uma coisa mais digna de cabeleireiro, foi o Marco Antônio. Que é quem eu trabalho hoje, tem 8 anos. O trabalho dele. Ele trouxe muito isso pra gente. Da nossa profissão ser uma coisa digna de tão conhecimento e importância quanto um médico, um advogado, uma profissão valiosa que a gente estuda muito, que a gente faz com as pessoas em nível de transformá-las. Você mexe por fora, mas você mexe por dentro dela também. Tipo, diariamente eu passo por isso, ainda mais no meu caso que eu faço correção de cor. Vou contextualizar para vocês, são pessoas que passaram com outros profissionais, que estão com o cabelo já no limite de não fazer nada, às vezes até a água quebra, e passaram por um vários perrengues, elas chegam até mim. Então eu fiquei muito conhecido nos últimos 5 anos através disso, de ser realmente aquela pessoa que conserta a caca dos outros. Então essa pessoa já chega comigo muito fragilizada por que aconteceu com ela, então ela espera demais de mim que eu consiga entregar pra ela um resultado muito satisfatório, como se eu fosse Jesus Cristo da colorimetria. E depende muito mais da matéria-prima que eu tenho do que de mim. Depende do cabelo, como o cabelo está, o que é. Então é todo o meu trabalho de conscientização dessa pessoa para conseguir entregar o melhor resultado para ela de acordo com as possibilidades que eu tenho.
Tá. E aí?
São 20 anos já.
20 anos.
20 anos, 5 meses e alguns dias.
Aí Loreal vai lá, pega o Lucas, que é o salvador dos cabelos. E isso é muito bacana porque isso é repertório, isso é dedicação. Mas o que aconteceu para o seu vídeo chegar até mim com uma história que você viveu, que foi também muito parecida com a que eu vivi? Então você estava lá trabalhando no salão 12 horas por dia. O que aconteceu que mudou a vida do Lucas?
Sempre trabalhei muito, achava que o trabalhar demais é sempre normal. Todo mundo acha que o trabalhar demais—
Especialmente quando a gente vem do interior.
É, a gente que é do interior, você é do interior também, então sabe como é que é. A gente trabalha porque eu cresci assim, eu cresci numa fazenda, então eu trabalhava desde os meus 6 anos de idade, acordava de manhã com meu avô, tirava leite da vaca na mão, pegava trator, dirijo desde os meus 5, 6 anos. Então trabalhava no sol quente, então pra mim é sempre normal trabalhar. Tem gente que reclama trabalhar de sábado, pra mim tá tudo bem, normal, cresci assim. Domingo trabalhava normal, então a gente que vem do interior tem essa mentalidade. Então pra mim trabalhar 12, 14 horas por dia tá tudo bem. Só que aí você vai sentindo alguns gatilhos que vão te— você não vai entendendo o que tá acontecendo, né? Tipo, fregamento de mão, dor na nuca. Você acha que é da musculação, você acha que é do estresse do dia a dia, de muita cliente, ou da posição que você fica. Aí você vai para fisioterapia, você vai para ortopedista, você vai tentando correr para coisas que você acha que são mais óbvias, né? Mas você não para para pensar que você tá num Ciclo de estresse, no ambiente de estresse, porque você trabalha com beleza. Então beleza, não tem estresse na beleza, né? Sendo que você tá ali com pessoas com problemas todo dia, não só meus pessoais, mas da minha equipe, da minha família, das clientes em si. E você acaba tendo que lidar com tudo isso e eu fui quase que uma esponja disso tudo. Recebia todas essas pessoas, esses problemas. E aí alguns gatilhos que me deixavam piores assim, que por exemplo eu perdi minha mãe, tem quase 10 anos com câncer, então alguém chega e começa gatilho para mim, meu dia acaba ali na hora. Então eu tive que trabalhar com isso para entender melhor sobre isso, como que eu ia aceitar falar sobre isso com pessoas e clientes muito próximas minhas também que passaram por uma coisa parecida, a ponto de eu falar assim, então vamos conversar sobre isso, vamos trabalhar isso aí também em mim, porque é um gatilho para mim, né, foi um gatilho um dia, De boa. Eu cheguei a jogar uma lixeira. Tá achando normal isso?
Em uma pessoa?
Não, não foi uma pessoa. A minha vontade era, mas não foi uma pessoa. Catei uma lixeira assim e... Aí voltei, meu telefone aqui, e tirei a foto que eu precisava. Não é normal a pessoa fazer isso, né?
Como é que você tava antes disso?
Era um dia de sábado, eu acho, muita cliente. Era uma última cliente que eu tava atendendo já, que é uma cliente bem próxima minha. Luciana, inclusive. E aí eu fiz um cabelo muito incrível assim. Aí eu ia tirar uma foto dela, tirar foto assim no espelho, tava atrás dela, e atrás aqui tinha uma lixeira.
Você se incomodou com a lixeira?
Gente, tira aqui a lixeira para mim, que eu segurei o cabelo numa posição que eu não podia soltar nunca mais na minha vida. A foto era muito incrível. Gente, tira aqui, todo mundo. Ninguém prestando atenção da equipe inteira. Tem 8 assistentes da minha equipe e ninguém. Eu falei, tá bom, cara, tem a lixeira aí. Vrrr, taquei no parapeito assim, fez um monte de barulho. Aí pegou o ring light, pegou o carrinho, pegou tudo. Daqui a pouco subiu a gerente: "O que foi?" Eu falei: "Não, foi só um grampo que caiu aqui, tá tranquilo." Aí cheguei em casa, contei pro Renato, meu marido, e ele falou: "Não é normal isso não, menino." Falei: "Não é normal não." Renato é ele?
Renato. Bora buscar ajuda. Você sabe que antes do meu apagão ao vivo, Antes de eu chutar a lata de lixo, tacar uma lixeira, eu vivi uma situação também que meu marido me disse: "Isabela, você tá muito agressiva." Aí que você fica mais agressiva ainda.
Tá maluco?
E aí foi quando ele disse, ele falou assim: "Você não é assim, né? Você não é esta pessoa que eu estou vivendo agora." E Claro que eu não levei aquilo em conta, continuei fazendo porque eu também sou do interior, eu também nasci no sítio, eu também sou neta de agricultores e trabalhar de segunda a segunda era a coisa mais normal do mundo.
Tranquilo.
Mas isso nos ensinaram. O que não nos ensinaram, Lucas, é que determinados tipos de situações com características de assédio são a gota que transborda o copo. E eu queria chegar nessa situação agora. Se você tem consciência disso, por quê? A Christina Maslach é a principal pesquisadora de burnout no mundo hoje. Ela lançou um livro na década de 80 chamado The Cost of Caring, O Custo de Cuidar, e ela fala que os profissionais que mais vivem sob pressão e não podem errar são os mais sensíveis a ter burnout. Quando eu cheguei nesse conhecimento, eu já tinha tido o meu burnout, tá? E depois, ouvindo agora você e outros profissionais, como da área da saúde, policiais militares, jornalistas. Ou seja, o nosso erro, ele tem um peso muito diferente do que outros erros, né? Então agora, eu nunca tinha me dado conta do quanto vocês, profissionais da beleza, vivem sob pressão tremenda e não podem errar. Poder, pode, mas você tá transformando a vida de pessoas que às vezes não depende só de você, como você falou, depende da textura do cabelo, da qualidade do produto, mas é você o responsável.
Eu sou responsável. Isso, eu pego um cabelo como esse de correção e eu acabo ou não atingindo aquela expectativa, o problema passa a ser todo meu.
Total.
Ela vai esquecer o que aconteceu com ela. Então tem que deixar isso tudo muito claro.
Agora, como é que você tava vivendo a sua vida antes? Você teve um burnout clinicamente diagnosticado. Que ano que foi?
Quase na pandemia, 2019.
Tá. Você consegue ter clareza do momento em que a gota transbordou o copo? Qual foi a situação?
Eu acho que era o fluxo de clientes, porque como eu atendo muita gente em horários diferentes, então eu fazia lá, começava às 10, então tinha gente que chegava comigo pra fazer descoloração 6 da tarde, ou seja, eu vou sair do salão meia-noite. Um processo de descoloração, ele, pelo menos 5, 6 horas. Só que com isso vem uma equipe junto, né, porque eu trabalho com várias pessoas ao mesmo tempo, de clientes e equipes. Então você acaba segurando as pessoas ali, elas acabam vivendo a vida pra mim, em minha função. E aí, braço formigando, eu falei: "Gente, tá errado isso aqui. Não tá legal isso aqui. Parece que eu tô trabalhando, eu acordo no salão, durmo no salão, faço refeição tudo no salão." Porque não tinha mais vida, né? Então eu chegava em casa esgotado, não queria fazer mais nada, porque no dia seguinte tinha que acordar cedo pra academia de novo, porque eu tinha que ir pra cliente às 10. Então era uma vida que você não fazia nada. Você ganha dinheiro pra quê? Pra gastar no médico depois? Que vida é essa?
E você tinha ideia do que era o burnout antes disso? Ou tinha, suspeitava de que alguma outra coisa estivesse acontecendo?
Não, eu achava que era tipo muita gente ao mesmo tempo trabalhando, vamos tirar umas férias que vai passar.
O Renato já estava na sua vida nesse momento?
Já, a gente estava junto há 12 anos.
Ai, gente, adoraria trazer aqui o Renato pra prosa, tá? Mas eu vou só ficar fazendo perguntas, então ele vai me respondendo ali, tá? Porque mesmo tendo uma pessoa do seu lado, quando a gente É muito apaixonado pelo que faz?
Eu achava que não era trabalho, eu achava que era só um hobby para mim.
Ou seja, você gosta tanto do que você faz que você não vê problema em fazer demais.
Exato. Então tinha clientes que marcavam comigo tarde da noite, eu falava assim: "Tudo bem, vou estar aqui no salão, eu estou aqui, né? O que custa mais uma pessoa?" Só que aí custava para mais 8 da equipe, né, que ficavam lá junto comigo esperando. Só que aí eu falei assim, uma hora eu falei: "Quer saber?" Aí veio meio que pandemia junto. Que pra mim foi ótimo, essa questão de eu ter ficado em casa e ter olhado mais pra mim, porque quando eu quero ir pra um médico, eu vou na disponibilidade que aquela pessoa tem. Quando eu quero ir pro dentista, que nem a gente tinha dentista hoje de manhã, eu vou no horário que ela tem. E se eu não consigo me encaixar, ou eu vou escolher uma outra pessoa, ou eu não vou. E comigo hoje é a mesma coisa. Você quer fazer o cabelo comigo? Eu tô lá de quarta a sábado, das 10h às 18h. "Se você quiser fazer com outro dia, com outra pessoa, tá tudo bem." Sabe o que chama isso?
Respeito.
É o que eu falo.
Limite.
Algumas pessoas dessas que eu atendi umas tardes, elas demoraram pra entender esse limite. Eu tive que ser até meio às vezes incisivo e falar assim: "Não, não faço mais esse horário, não tem como mais isso." Perfeito. E ensinei minha equipe também a fazer isso. Então eu acho que hoje em dia todo mundo vive num ambiente muito mais agradável. Consegue ter um lazer fora do salão, consegue ter uma vida fora. Se quiser andar de bicicleta, vai. Se quiser namorar, vai. Se quiser fazer qualquer coisa, porque eu saio do salão às 6, 6:30, 7 quando tenho noiva.
É mesmo? Então você precisou perder sua saúde para aprender a ter limites?
Entender que a minha profissão não é um hobby, é meu trabalho. Meu hobby é tocar guitarra em casa.
Salva de palmas!
Isso é meu hobby, que é realmente o que me trouxe um eixo na vida, assim, de ter, sabe, algo para fazer. Então eu chego em casa todos os dias, meu gatilho de escape é eu chegar, pego minha guitarra e toco 2, 3 horas por dia, todo dia.
Essa é sua terapia?
Minha terapia. Tá. Pego as minhas cachorras para brincar, saio com elas de manhãzinha, acordo super cedo só para ter um momento com elas, saio com elas, na hora que eu chego em casa Diariamente, 2 horas, pelo menos, eu vou estudar.
O que você sentiu quando você teve o burnout? Não sei se você sabe, mas no meu caso eu tive um apagão enquanto eu estava ao vivo falando da previsão do tempo, eu esqueci o nome da capital do meu estado, mas por dentro eu tive um grande colapso e teria sido muito melhor se eu tivesse desmaiado, porque aí eu teria sido socorrida, né? Mas eu sou mulher e a mulher ela já está acostumada a ficar muito no limite das dores invisíveis, porque elas são muito questionáveis. 'Como que tá doendo assim? Não consegue trabalhar?' Mas você é um homem, homem loiro, alto, bonito, inteligente. Quando você teve o diagnóstico, você se sentiu julgado? Você teve medo?
Como é que lidaram? Imagina, eu tô aqui no meu salão, tô com as clientes. Eu tinha alguns espasmos no lavatório. Então eu tenho um lavatório que são 6 assim, 3 para cada lado. Então todos os processos, mesmo com uma equipe grande, eu faço todos os processos com todas as clientes. Eu tenho uma mentalidade assim: a pessoa marcou comigo e eu vou atender ela. Eu não demando para assistente. Eu participo de tudo e de todas em todo tempo. Então para ver cura, eu tô lá no lavatório, eu tô checando tudo. Então eu senti essas formigações que eu achava que fosse, sei lá, musculação ali, mas nem tinha ido na academia aquele dia. Fazia um mês que eu não ia, eu tava jurando que ia fazer academia.
Entendi, entendi.
E aí eu tava ali no lavatório, olhando um negócio assim, de repente apagava. Opa! A perna bambeava, sabe?
Sim.
Eu via um peso aqui, como se fizesse assim comigo. Eu ficava: "Gente, não é normal isso aqui. O que tá acontecendo?" E aí você vai entendendo, na verdade, o ambiente que você tá. E eu vi coisas assim que me deixaram muito pensativo na pandemia. O salão que eu trabalho é um salão super conhecido. Pessoas que têm muito dinheiro frequentam. E aí tiveram coisas muito pontuais pra mim que me fizeram pensar demais. Pandemia, quando começou. Tiveram cabeleireiros que estavam passando o final do ano no Copacabana Palace. Quando veio a pandemia, não tinha o que comer. Tiveram que fazer vaquinha de cesta básica pra essas pessoas no salão. Poxa, gente, essas pessoas não têm um mínimo de consciência financeira. A longo prazo, nada, zero. Então eu tenho também um trabalho assim com a minha equipe, que fala: "Gente, ó, é educação financeira, vamos fazer isso aqui, faz isso aqui desse jeito." Porque as pessoas não têm isso, não têm zero. Então me ajudou a várias outras coisas assim, de trabalhar junto com eles, entender as dores deles também, sabe? E eu como ser humano melhorei muito. E eu achava que fosse coisa de academia, estresse, de tomar testosterona, sabe assim?
Depois dessa decisão de colocar horários, então o que eu entendi até agora? Antes do burnout você não tinha limite de horário porque você sempre gostou muito do que você fez, então não tinha problema.
Ela mora perto da minha casa, então tudo bem.
Ah, tá, então mora perto, olha que facilidade, gosta do que faz, é um bate-boca pertinho.
10 minutos tá em casa, 10 minutos não tinha, então tudo bem.
O Renato não dava umas broncas assim do tipo assim: "Cara, você está passando do limite"?
Ah, o Renato sempre tentava me colocar no eixo ali, né? Mas eu falava: "Renato, se você não trabalhar, vou fazer o quê? Tem um cliente, chegou sem marcar." Sempre chega sem marcar.
E eu adoro o que você falou: "Eu me encaixo no horário de todo mundo." E por que eu não tenho o direito também de estabelecer os meus limites? Tá, queria entender contigo uma outra questão sobre a expectativa das clientes, dos clientes que chegam até você Porque às vezes nós não estamos lidando com pessoas que só querem mudar o cabelo, elas querem mudar a vida, mas atribuem ao cabeleireiro essa mudança. Como é que você lida com toda essa expectativa, essa ansiedade?
Ah, são 20 anos já, né, fazendo isso. Então eu consigo entender realmente a pessoa, pelo que ela tá passando, necessidade de mudança dela. Às vezes é um término de relacionamento, quer dar um upgrade na carreira. Então eu acho que eu tenho esse filtro pra ter essa sensibilidade de entender o caminho que essa mulher quer passar, que essa pessoa quer passar. Então eu acho que é uma coisa super gratificante pra mim de pegar, finalizar um cabelo, a mulher chorar na minha cadeira. Isso acontece com muita frequência comigo.
Chorar de emoção.
Até eu, canceriano que sou, né, já vou toda cagada, chora junto.
Porque eu não sei se você concorda, mas eu, todas as vezes em que eu cortei o meu cabelo, é porque eu queria fazer uma mudança na minha vida, mas eu não tinha coragem de mudar o cabelo.
A pessoa acha que tem uma atitude diferente, né? Vou cortar o cabelo para esse que vem com uma atitude, faz sentido isso, um gatilho que faz: não, agora quero fazer isso, tive mais coragem.
Então, alô você que tá querendo pintar o cabelo, cortar o cabelo, às vezes não é o cabelo que tem que mudar, às vezes é uma outra parte da sua vida que está te chamando Mas o cabelo vai te ajudar a ter essa coragem.
Às vezes a pessoa precisa de um impulso, aquele empurrãozinho que a aparência vai. A gente tratou como saúde parte de cabelo no meio da pandemia, porque as pessoas ficavam tristes em casa, se sentiam menos bonitas. Então foi tratado isso de uma maneira diferente em relação a gente também.
Mas não adianta também cortar o cabelo ou pintar o cabelo se você não agir em outras áreas da vida.
Não, cabelo é só a cereja, no caso.
Que fique claro, né, porque a gente tem sempre que repetir o óbvio. O Lucas, eu acredito muito que quando a gente vive algo na nossa vida, na nossa carreira, quando você tem a possibilidade de aprender, ressignificar, você vai ajudar outras pessoas. Comigo foi assim. Recentemente eu assisti um documentário de um especialista em trauma Chamado Gabor Maté. O Gabor Maté, ele fala sobre trauma há muito tempo e nesse ano, em 2024, ele foi contestado por um paciente dizendo assim: "Mas você trata do trauma de todo mundo, ninguém conhece da sua vida." Aí ele foi e contou os traumas que ele viveu. E no fundo desse documentário, chama "Médico, cura-te a ti mesmo", recomendo totalmente, o quanto você precisa se curar para curar outras pessoas. O quanto Deus te dá essa oportunidade pelas experiências que você vive para que você transforme a vida de outras pessoas. Hoje, em 2024, você está à frente de um movimento da L'Oréal que trata de coisas com os cabeleireiros, com os profissionais da beleza, que até então, ah, não precisa.
Exatamente, ninguém tem essa consciência, não aceitam.
Você tem essa clareza hoje do quanto foi importante você viver tudo que você viveu? Ótimo.
Não, pra mim foi, eu acho que quando a L'Oréal me fez o convite, eu falei: "Gente, logo eu, que sou a pessoa mais doida da L'Oréal, né? Que sou sempre o mais palafetoso, exponho tudo, assim, gosto de falar, mas tinha que ser eu a pessoa, porque eu passei por aquilo, eu..." Depois eu complemento. Eu, assim, vi a dor que eu tinha, qual que era o motivo, vamos tratar isso aqui e me curei. E aí entender, na verdade, isso, na verdade, porque às vezes você não entende, não aceita. As pessoas acham que quem procura ajuda psiquiátrica ou psicóloga é porque é pessoa doida. Muitos acham isso. E até você ter essa consciência que não, tipo, é uma profissão, é uma coisa normal.
Quando você tem dor de dente, você procura quem?
O dentista, óbvio.
Quando você quer cortar o cabelo, você procura quem?
Eu.
E aí, quando você precisa organizar as ideias, você tem vergonha de procurar um psicólogo?
Eu já fui essa pessoa também, de falar assim: "Não, gente, não vou fazer isso. Fazer terapia? Tá doido." Aliás, não tô doido, né, fazer terapia. Mas aí que veio o Head Up pra mim, que é um programa do L'Oréal, e eu comecei a identificar aquilo ali, eu passei por aquilo. E é engraçado, que é cuidar de quem cuida da gente. Que é o que você acabou de dizer. E falando em números, 65% dos cabeleireiros passam ou estão em estresse dentro do salão. Esses mesmos gatilhos que a gente passa, que é muita demanda grande, a expectativa é alta, e a gente acaba sendo, entre aspas, um psicólogo também, que acaba ouvindo muito das clientes. E tem gente que não tem a consciência de que aquele problema não é seu, é dela. Eu vou ouvir, tá tudo bem, mas a gente acaba absorvendo. E não é que você é insensível, é que não é seu problema.
Você não é psicólogo, você sabe que eu tenho que falar sobre isso com as lideranças. Porque muitos líderes hoje se sentem sobrecarregados, mesmo com programas de saúde mental nas empresas, porque o liderado chega, o líder vai ouvir, quer ajudar, claro, mas ele não tem as habilidades, ele não é psicólogo. Então uma das primeiras coisas que eu preciso habilitar a liderança é delegar. Delega para o programa que existe na empresa, o plano de saúde, porque plano de saúde não é plano de doença, e essa educação em saúde mental é fundamental. Eu não sei se você concorda, mas saúde mental não tem uma definição oficial, mas o consenso dos especialistas de saúde mental é a capacidade para lidar com altos e baixos imprevistos todos os dias. E por que eu, uma especialista em comunicação, falo sobre saúde mental? Porque eu adoeci e vejo muitas pessoas adoecendo por falta de comunicação. Consigo. Como você falou, você sentia os formigamentos, as coisas, mas achava que ele era normal. Então, se você não se comunica consigo, você pode estar no melhor lugar do mundo, recebendo o melhor salário do mundo, cuidando das clientes mais sofisticadas do mundo, que você pode adoecer. Faz sentido isso para você?
Total sentido. Eu transformei totalmente meu ambiente de trabalho. Então, até pessoas que não me faziam bem— sabe como você demite a cliente?
Adoro, adoro!
Demitir clientes também fascina, fascina, porque tem gente acaba não te respeitando como ser humano, como se o dinheiro que ela me pagasse fosse comprar minha saúde. Fala: não, amor, eu sou muito mais maior que isso. Então demite, demitir cliente também, ou ela vai me respeitar, entender o que não é momento, mas entendeu minha nova vida, que não é um momento, que momento vai passar, né? Mas o novo eu que eu sou Ou tá tudo bem, ela pode procurar outra pessoa e tá tudo bem, tudo certo.
Tá. E aí, com o Redap, você fala sobre isso com outros profissionais da beleza?
Na verdade, o Redap é um programa de L'Oréal onde eles são feitos, tem 4 aulas gravadas no YouTube. Nessas 4 aulas, eles ajudam você a entender quais são os gatilhos, o que acontece com você, com o seu corpo, e te ajuda a controlar parte de respiração, o que você pode fazer pra ajudar na sua ansiedade, como você lidar melhor com isso, ou ouvir sobre isso e identificar o que você tá passando naquele momento. Então são várias aulas que foram gravadas. Eu participei do projeto inicial em Paris, lá feito com eles. E foi muito no momento de vida que eu tava vivendo também. Então as entrevistas são bem intensas, assim, as coisas que a gente tá falando ali. Então achei bem legal pra quem Tá, não tá entendendo o que tá acontecendo e quer realmente entender. E aí esse ano a gente fez também consigo. E aí, para quem tem, a L'Oréal oferece até uma ajuda gratuita dentro do próprio site de LP. Você consegue colocar o seu CEP e identificar qual que seria o seu psicólogo ou alguém que vai te ajudar gratuitamente pelo seu raio de alcance.
Ah!
E tem várias ONGs que participam junto, que falam sobre saúde mental dentro do grupo de Doral Profissional.
Gente!
É muito legal, é muito legal. E é um tema muito, super importante pra gente, não só como cabeleireiro, mas pra gente como um todo.
Aham. Tô lembrando de uma campanha em que a pessoa fala: "Voz porque você vale muito". E eu só aprendi que eu valia muito quando eu perdi minha saúde, perdi meu emprego, perdi tudo que eu tinha sonhado, justamente por não saber o meu valor. Então você me falando isso, que bom que isso está sendo oferecido por alguma marca.
É gratuitamente. A L'Oréal é a única empresa que fez isso, se preocupa com isso e fez sem fins lucrativos algum. Não tem nem nada envolvido marca, tanto é que todas as coisas que a gente fala de L'Oréal É tudo sobre saúde mental, não tem um produtinho ali no truque, não tem nada, é zero. E esse ano também a gente tem uma campanha de parceria com aquele aplicativo Calm, a pessoa se cadastra lá, tem 3 meses gratuitos ali pra pessoa utilizar como ela quer e depois 50% de desconto.
Excelente.
Tudo nas plataformas de L'Oréal Profissional.
Uau! Então tome muito cuidado com o que você está consumindo, e eu estou falando consumo de todas as esferas, porque tudo que você vê, tudo que você ouve está nutrindo ou inflamando as suas células. Você tá se inspirando ou se comparando o tempo inteiro? Então é muito bom quando a gente pode estar ao lado de pessoas que estão nos inspirando. E só para fechar a questão que você disse sobre os profissionais, sabe o que que a gente tá adoecendo, Lucas? A gente tá esquecendo as regras do jogo que a gente escolheu jogar. Então, por exemplo, você trabalha com várias clientes que têm demandas similares, horários muito apertados, e aí você vai reclamar, por exemplo, de um horário muito apertado um do outro. Mas então, por que marcou? Porque, sabe, é igual São Paulo. Você reclamar do trânsito em São Paulo, você tá perdendo tempo, energia, porque você escolheu morar aqui. Senão você estaria em Biri e eu estaria em Cambira, no interior do Paraná. 6 mil habitantes. A sua maior ou menor?
Minha tem 110, eu acho.
Mas olha, 10 tamanhos, né? 10 cidades, você entendeu? Então a gente tá esquecendo as regras do jogo que a gente escolheu jogar.
E isso vai acontecer. As pessoas, elas têm uma obesidade intelectual de internet, achando que pode tudo a hora que quer e pode dar opinião em tudo que quer. E essas pessoas que acabam julgando outras, elas estão adoecendo, porque elas acabam se preocupando mais com a vida da pessoa do que a própria vida dela.
Mas isso sempre teve, Lucas.
Mas hoje em dia acho que é muito mais evidente, porque essa proximidade que até o Instagram traz para as pessoas, todo mundo tem muita opinião com o telefone na mão. Não pessoalmente, ela não vai ter, mas com o telefone na mão ela encara assim, mulher maravilha, dá coragem e ter opinião mesmo você não solicitando. Então lembra que hoje em dia eu coloco pra mim no Instagram? É que a sua opinião pra mim é igual uma pizza. A pizza eu peço, a sua opinião não.
Então a sua opinião não é como a pizza?
É igual uma pizza, só que a diferença é que a pizza eu pedi, a sua opinião não.
Entendi. Entendeu?
Entendi.
Como é que você lida hoje com... Vou usar a palavra haters, mas são pessoas muito adoecidas. Como é que você lida? Como é que você usa isso como oportunidade de educação?
Que eu acabei de dizer assim, as pessoas elas têm essa vertente de poder falar o que quiser, elas acham que elas podem falar o que elas querem, a hora que elas querem, mesmo inflamando outras pessoas. Então, sei lá, faço um post falando sobre uma cliente, tô ensinando muita coisa gratuitamente no meu Instagram. Então tem gente que vai lá e critica, eu vou lá e bloqueio a pessoa. Ela não tem que consumir conteúdo gratuito.
Isso é saúde mental, tá, Brasil? Isso é saúde mental. Mas agora, o que que é saúde mental? Lembra? Capacidade para lidar com altos e baixos, imprevistos, todos os dias. Tem muita gente jogando lixo no quintal dos outros, né?
Então ela tem que entender. Na verdade, eu entendo que esse problema não é meu, é dela. Então, se ela é frustrada com a carreira dela, procura alguém para ajudar, tá? Eu faço minha parte.
Hoje você aprendeu então a colocar limites, você aprendeu a ter um hobby.
É super importante, acho que foi o que mais me ajudou.
Que tipo de música você toca?
Toco heavy metal. Eu toco de tudo, estudo de tudo. Eu faço aula online com um professor de Belo Horizonte, duas vezes por semana, mas toco todos os dias. Mas eu cresci ouvindo música sertaneja com os meus pais.
Sim.
Mas o que eu curto mesmo é Metallica, Guns N' Roses, Iron Maiden. Eu toco isso todos os dias e música instrumental.
Que lindo!
E aí virei assim compulsivo por música. É uma coisa que me acalma realmente.
Você já cola o cabelo?
Tenho 14 guitarras.
Você já cola o cabelo? Não, imagina agora, só imagina, né? Este homem loiro, alto, lindo, cabelo só...
Se quiser me encontrar num show de rock and roll, tudo que tem em São Paulo, eu tô lá. Então você vai me encontrar em todos eles.
Ou em qual salão?
MG Hair. De quarta a sábado eu tô na MG. De sábado à noite tiver um showzinho, eu tô no show.
Sensacional. Pra gente encerrar, qual é o recado que você quer deixar para os profissionais de beleza que estão se identificando com o que a gente está falando, mas ainda nós não convencemos que essa pessoa precisa procurar ajuda?
Gente, acho que toda ajuda é bem-vinda. Então, se você tem algum desses gatilhos que eu acabei de dizer, entra no site de L'Oréal Profissional, procura sobre o Head Up, entenda o que é o Head Up e vê se você se identifica com esse tema, que às vezes ele pode te ajudar muito mais do que você imagina. E é totalmente gratuito, sem fins lucrativos nenhum para L'Oréal. Porque você vale muito.
Outro dia eu vi um vídeo, como é que chama essa atriz? Que faz um vídeo como esse, ela vai tirando assim a maquiagem, sabe? Como a gente demora para perceber o nosso valor?
É que a gente não é ensinado a isso, na verdade.
Pronto, então agora tá na hora da gente aprender. Obrigada, tá? Muito obrigada pelo seu tempo, foi maravilhoso. Só fico imaginando agora ele assim, ó. Se você gostou desse conteúdo, compartilha primeiro com o seu profissional de beleza, que eu sei que você tem. Uma, alguns, compartilhe esse conteúdo porque nós precisamos compartilhar, expandir essa mensagem que pode salvar vidas. E aí você vai compartilhar aqui da nossa missão e ajudar sempre alguém, né?
Acho que é o mais importante.
Pronto, obrigada, meu querido. Saúde!
Beijo, gente.
Tchim, tchim!
É água, tá, gente? É água.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








