Entrevista no Instagram para Revista Claudia 23/04/2021

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . Entrevista em formato de live (publicada como vídeo no YouTube) intitulada "Entrevista no Instagram para Revista Claudia 23/04/2021" realizada em 23 de abril de 2021. Conversa em português entre a apresentadora Isabela Dercoli (host) e a convidada Isabela Camargo (jornalista, produtora de conteúdo, grávida aos 39/40 anos). Tema central: gravidez na pandemia, gravidez em idade avançada (engravidei aos 39), impactos do estresse e burnout na fertilidade, saúde mental na gestação (tristeza vs. depressão), uso responsável de antidepressivos na gravidez, estratégias práticas para reduzir ansiedade (foco no presente, planejamento, autocuidado), papel do parceiro e acolhimento da mãe, e referências a especialistas e livros. A entrevistada menciona o nome do bebê (Angelina) e a previsão de nascimento (final de junho/início de julho).
Chapters
Olá, boa noite, boa noite. Meu nome é Isabela Dercoli, a gente tá se encontrando aqui mais uma vez nas redes de Cláudia. Vou dar um tempinho para todo mundo entrar. Boa noite para todo mundo que tá entrando. Hoje o nosso papo é com Isabela Camargo, jornalista, produtora de conteúdo e agora grávida. Isabela tem 39 anos, engravidou com 39 anos, fez 40. E hoje ela vai bater um papo com a gente sobre como é estar grávida na pandemia. Acho que a Isabela tem muito a contribuir porque ela tem uma visão muito diferente da gravidez, do que é esperar um bebê agora. Então vou deixar ela entrar aqui. Vamos ver. Eu queria falar que vocês são bem-vindos para mandar perguntas. Então quem tiver perguntas para Isabela— Oi, boa noite, tudo bem?
Tudo bem, Xará? Boa noite para você, boa noite para todas que estão aqui conosco.
Boa noite de muitas Isabelas.
Exato, uma noite que seja, seja uma noite de muita leveza, por mais que a gente vá falar aí de assuntos que podem ser pesados em determinados contextos, mas que seja uma noite muito leve para todas nós.
Com certeza. Eu tava aqui então falando, apresentando todo mundo, essa Isabela Camargo, e se você quiser se apresentar as nossas espectadoras.
Isa, aliás, te chamam de Isa ou de Bela?
Pode, tanto faz, me chamam de tantas coisas que pode escolher.
Oi Isa, bom, eu trabalho com comunicação há 24 anos e passei pelo rádio, pelas principais emissoras de rádio, as principais emissoras de TV. Hoje eu continuo na Rádio Bandeirantes e também compartilhando aquilo que eu acho que é relevante para a vida de quem quer que seja, para viver melhor, um tempo de qualidade. Então estou aqui nas redes sociais todos os dias e com meu livro Dá um Tempo, Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites, para trazer informações que foram muito úteis para mim no momento, um grande momento de esgotamento profissional, e que podem, informações que podem prevenir esse problema hoje tão comum para grande maioria das pessoas.
Nossa, nesse momento mais do que nunca, né? Acho que a gente tá falando do momento de esgotamento aí, né, para todo mundo. Quem tá trabalhando, quem não tá, quem tá em casa muito tempo, quem tem que sair. De alguma forma tá todo mundo muito esgotado. E a Isa participa da nossa revista desse mês, da nossa edição, falando da gravidez dela. Ela tá aí sentada, vocês não conseguem ver o barrigão, mas ela está com um barrigão.
Que lindo!
Você amou? Eu amei!
Eu sou muito feliz. Ah, eu fico muito feliz em ter participado dessa Eu sou fã de Cláudia mesmo antes assim de qualquer ideia remota da minha cabeça em ser jornalista e morar em São Paulo. Eu já achava o máximo, eu já achava assim tipo a revista de mais alto nível que nós tínhamos, sabe? De verdade, eu morava no interior do Paraná, então o acesso era só pelas revistas. Então a hora que eu me vejo assim na capa, no conteúdo de Cláudia, eu fico muito feliz.
Eu também fico muito feliz, muito animada. E eu acho que a sua história contribuiu muito, primeiro pela bagagem, né? Eu fiquei muito impactada pelo que você me falou da questão do seu aprendizado e de como isso mexeu com a sua gravidez. E depois porque você engravidou aos 39 anos, tomou essa decisão de engravidar aos 39, que é uma coisa que muitas mulheres passam hoje em dia e que ao mesmo tempo muitas têm medo, né? Eu tenho amigas que estão com 35 e ouvem dos médicos: "Ai, agora ou nunca." complica, vai criando um temor em volta da gravidez, da maternidade. Então acho que a sua história pode ajudar e acalmar muitas mulheres. Se você quiser falar um pouco sobre isso.
Sim, existe, Isa, é incontestável que a partir dos 35 anos, vamos dizer assim, não é que só o tempo está correndo contra o corpo da mulher que quer engravidar, todas as nossas células vão envelhecendo, isso é um fato. Quando a gente já olha por esse prisma, a gente tira também um pouco o peso de que, nossa, então agora se eu não fui mãe até os 35, depois eu não vou conseguir ser. Não, eu preciso considerar uma informação que ela é científica, biológica. Todas nós, nossas células, elas mudam do bom dia ao boa noite. A partir dos 35 anos, para nós mulheres, as nossas células reprodutivas, os nossos óvulos, eles vão perdendo mais qualidade, eles não vão se renovando como os espermatozoides dos homens. Isso inclusive eu trago no meu livro, né, no capítulo sobre tempo para filhos. Então, dependendo da informação que você tiver, você pode eliminar um sonho que não— pera, mas como assim eu não vou conseguir engravidar? Eu posso ter mais dificuldades, eu esperar mais. Aí a gente entraria até num outro aspecto de fertilização, congelamento de óvulos, que é o custo da sua paz, o custo do seu tempo, né, para você depois ter tempo de pensar nisso. Mas falando especificamente sobre a idade, eu sei que é difícil, Isa, porque a gente vai se dedicando mais e se entregando mais à nossa carreira, e aí você fala: depois eu penso, depois eu vejo isso, depois eu decido. E este depois, ele pode trazer consequências negativas se você então não considerar o que é real e o que é imaginário. O que é real? Nossa, as células vai envelhecendo. O que é imaginário? Ah, eu não vou conseguir engravidar. Não, pera, cada corpo é um corpo, né? Então eu engravidei aos 39, a partir do momento em que eu parei de querer controlar a minha vida profissional. Simples assim, sabe? Com 39 anos, cheguei com meu marido Tiago Godoy e falei assim: olha, eu tomo anticoncepcional há muito tempo, eu acho que esse é o momento, com 39 anos, de deixar Deus agir. E aí eu parei de tomar anticoncepcional. A gente vinha inclusive com aquela ideia equivocada de que, nossa, depois de muito tempo tomando anticoncepcional você vai demorar para engravidar. E não, e foi muito mais rápido. Por quê? Porque eu não tava mais estressada, eu não estava mais tensionando, eu não tava mais, nossa, então agora 39, eu parei de tomar remédio, eu tenho que engravidar. Não, eu tomei uma decisão consciente que eu ia deixar Deus agir. De verdade, sabe? Eu poderia agora não estar grávida, poderia, e tudo bem. Acho que quando você coloca essa ideia na cabeça, aí as coisas ficam mais leves. E o estresse, daqui a pouco a gente fala sobre isso, é o grande inimigo, não importa a idade, tá, da mulher para engravidar.
Não, eu concordo. Eu adoro inclusive essa linha que você seguiu agora, porque eu acho que tem isso. Primeiro, de uma calma interna sua, de compreender que as coisas poderiam ter um tempo que é diferente do tempo que você escolheria se você tivesse opção, né? E você me falou que, inclusive é uma das coisas que você conta no seu livro, que toda a sua experiência com esgotamento no trabalho, com o burnout, isso te fez entender melhor como lidar com outras coisas na sua vida, inclusive com essa obrigatoriedade, esse medo da gravidez assim. "Vou conseguir?" "Se eu conseguir?" Então eu acho que isso é uma coisa que muitas mulheres passam porque a gente tá trabalhando mais, a gente tá engatando carreiras e aí você fala: "Mas eu vou parar agora? Mas se eu não parar agora e eu parar depois, será que não vai dar?" Então você tem que se dividir, tem a impressão que você tem que se dividir entre seus sonhos e você fala justamente o contrário.
Isa, eu entendo o seu ponto, eu gostei do que você falou, dividir entre os seus sonhos. Mas eu também preciso me preparar para essa divisão. E as mulheres que já vão, né, já fazem os exames periódicos, já vão à ginecologista e tudo mais, considerem se informar e investir mais tempo e de repente até dinheiro na sua saúde, da saúde dos seus óvulos, como que está o seu sistema. Aí você tendo essa informação, aí você pode falar assim: bom, então daqui 5 anos eu penso no assunto. Onde eu quero chegar? Não adianta agir com irresponsabilidade, sabe, e achar que as suas atitudes não terão consequências. Então eu sei que temos cada vez mais cobranças e queremos realmente cada vez trabalhar mais e mostrar o nosso talento, nosso valor. Mas para aquelas que sonham em ser mãe Pensem no que está ao alcance de vocês para que o tempo passe a seu favor, para que depois você não chegue então aos 40 anos sem conseguir engravidar e vai dizer: nossa, eu devia ter pensado isso antes. Então, se dividir entre os sonhos, sim, é fundamental. Se você já tem o sonho de ser mãe, faça a sua parte. Então, estudar sua saúde, congelar os óvulos, né, que é o investimento para sua paz. Se você ainda não sabe, tem condições, faça isso também. Agora, para aquelas que já, ah não, a maternidade não faz parte do meu sonho de vida, tudo bem. Eu entrevistei a Astrid, né, no livro, e ela disse a vida inteira ela nunca considerou a hipótese de ter filho. Aos 50 e pouco ela quis adotar e é uma baita mãe. Então, em relação à divisão de sonhos, sim, é importante você considerar. É ter consciência, Isa, das consequências das nossas ações, para depois não ficar culpando o tempo, culpando— não, gente, você já sabe, nossas células vão envelhecendo a partir dos 35, né? Então isso é um fato. O que que eu vou fazer com esse fato? Eu vou fazer o melhor que eu puder. Em relação à carreira, Isa, em relação ao estresse, o que que eu entendi aqui? Quanto mais a gente quer controlar as coisas, pior. Quanto mais eu quero controlar as coisas que estão fora deste perímetro aqui, desse corpinho aqui, ó. Então, quando eu percebi que o estresse que eu estava colocando, a ansiedade que eu estava colocando para me recolocar profissionalmente não estava me fazendo bem e não estava adiantando nada, eu falei: bom, então o que eu tenho que fazer? Uai, parar de me estressar, de novo deixar Deus agir, e aí que as coisas acontecem. Então, quando a gente tensiona e segura demais uma situação que tá fora do seu controle, o seu corpo ele vai ficando cada vez mais inflamado. Olha só que interessante, o estresse em excesso inflama as células. Aí a mulher tá lá toda sonhadora fazendo milhares de tratamentos e aplica injeção, fazendo tratamento de fertilização, tá no estresse danado. Esse estresse, essa expectativa por dar certo, porque tem que dar certo e tal, vai inflamar as células. Olha só, olha só que loucura! Então o estresse, gente, essa pressão por dar certo, essa pressão por fazer no seu tempo, só vai ser prejudicial às suas próprias células e a esse processo lindo que você quer de gestação.
Perfeito. O Frederico tá perguntando como você se sente sendo mãe, né? Ele fala aos 39, mas agora você já fez 40, agora que você já é uma mãe aos 40. Como você se sente nesse momento?
Acho o máximo, acho o máximo, sabe? E começo a perceber que a gravidez na maturidade, ela é muito interessante. É claro que devem ter aspectos físicos diferentes, eu vejo pelas minhas amigas que já tiveram filhos mais novas, né? Eu sinto cansaço? Sinto cansaço. Sinto ansiedade? Sinto. Sinto momentos de tristeza? Sinto. De forma diferente. Então assim, como é ser mãe aos 39? É o que eu posso sentir, tá tudo bem, né? Mas considerando uma mãe mais nova, de repente que tá em outro processo da carreira, não posso dizer. Mas eu tô muito bem, assim, a minha gestação aos 39 tá super bom. E acho que independentemente da idade, Isa, de novo, é o nível de estresse que você vive que vai determinar a gestação que você vai ter.
E isso é um fator muito relevante agora, porque eu acho que a gente está passando por esse momento de estresse mundial, né? Realmente assim, é um estresse mundial. E além dos fatores de estresse que a gente tinha antes na nossa vida, então era o estresse com a nossa família, com casamento, com contas, casa, etc., a gente tem agora o nervoso da pandemia. Então você, ainda mais sendo grávida, grupo de risco, ah, eu posso sair, eu não posso, eu não posso ver as pessoas. Algumas grávidas me contaram, né, pra nossa entrevista lá na revista, que elas não puderam ter o marido presente no pré-natal. Então assim, tem esse fator a mais, né? Como foi pra você essa questão?
Não está sendo gostoso não poder encontrar amigos, familiares. Imagina, minha mãe me viu no início da gravidez Eu adoraria estar com ela mais perto, adoraria poder fazer um chá de bebê, adoraria encontrar realmente as pessoas, mas ou a gente resiste e sofre ou a gente aceita e se adapta, né? Isso para tudo. Então é ruim, é ruim, mas pode ser pior se eu souber que nesse último trimestre, se por acaso for contaminada com o COVID, a chance de ter um bebê prematuro é muito grande. Então você vai ter que fazer escolhas. Ou eu vou sofrer por não estar encontrando as pessoas que eu quero, ou eu vou valorizar a vida, valorizar esse momento de esperança, de gestação, mesmo no momento difícil. Sim, né? Já tiveram, já existiram outros momentos difíceis, muitos, e as mulheres engravidaram e os filhos nasceram e nós continuamos. Então, para aquelas mães que estão, né, naquela vibe do tipo: nossa, eu queria que fosse assim. Sim, a gente sempre Gostaria de viver uma gestação como você já sonhou, se sonhou, idealizou. Mas nesse momento, Isa, a gente tem que fazer escolhas muito mais conscientes para onde vai colocar energia, senão além de estresse você fica muito triste. Isso é muito ruim. Eu vivi esse momento de tristeza, é muito estranha, muito confusa no início da minha gestação. Mas não tinha a ver com o momento da pandemia, já era uma questão realmente hormonal e que depois eu descobri que faz parte. A mulher naturalmente ela vai passar por um momento de mais introspecção, porque é o corpo dela perdendo as características que ela sempre teve para gerar um novo corpo. Então existe uma fase de transição, né? E se você não lidar bem com isso Você pode entrar em um processo de tristeza e melancolia que não é o que você precisa nesse momento.
Com certeza, que inclusive pode, né, toda a questão da ansiedade, da tristeza vai impactar também a gravidez do bebê, tudo isso, né. Então acho que a saúde mental da mãe é uma questão que a gente precisa muito falar agora porque A saúde mental dela tem muitos impactos que não só na vida dela nesse momento, né?
Uai, se o bebê sente tudo que a mãe sente, pronto. Então se ela está angustiada, ela está transmitindo. Se ela está triste, ela está transmitindo. Preocupada, ela está transmitindo. Isso é um fato, sabe, Isa? É muito interessante a gente olhar por esse aspecto, porque quando a mulher fica grávida parece que aí só existe o bebê. E não, e para o bebê tá bem, a mãe também tem que estar bem. Então você imagina que para uma gestante de primeira viagem como eu, ter uma gestação já é uma coisa incrível em qualquer idade, primeiro. Segundo, uma gestação dentro das condições que nós estamos tendo é confortável, é legal?
Não.
Mas eu preciso escolher para onde eu vou gastar minha energia, reclamando ou me adaptando, aceitando, né? Então assim, ou eu vou ficar ansiosa e triste, ou eu vou aceitar. Faz as compras pela internet, conversa com as pessoas pela internet. Não é o ideal que você gostaria, mas é o possível. E você sabe que outro dia, Isa, eu entrevistei um médico, o Dr. Pablo, e Ansiedade, ela é a distância entre o real e o ideal. Então aquilo tudo que você quer idealizar e fica projetando, mas que não acontece porque o real tá muito distante, você se frustra. E aquilo vai gerando ansiedade, sempre querer mudar o que está acontecendo de fato. Olha que curioso isso.
Perfeita essa definição. Quando a gente conversou, inclusive, você me falou que uma das suas estratégias para enganar essa ansiedade, para driblar, era pensar muito no momento presente, né? Então você nunca pensava assim: "Ai, como vai ser um parto? Como vai ser o primeiro dia do bebê em casa?" Era sempre o de hoje, né? Como que é essa estratégia para você?
O que que eu tenho feito é todos os dias eu vou levantando pontos positivos do dia. Então, por mais que, por exemplo, vai chegando esse horário, nossa, barriga tá pesando mais, a costela vai doendo mais, tudo vai doendo mais, tá, gente? Vou fazer uma carinha de dor assim, mas tá tudo bem. Hoje eu tô completando inclusive 30 semanas. Mas o que eu costumo fazer, Isa, é valorizar tudo aquilo que foi bom. E às vezes o que foi bom é tão simples, é tão normal, mas se você não valorizar Dá a impressão que tá faltando acontecer uma coisa extraordinária e não. Valorizar o simples é muito importante. E o que é simples? E o que é pequeno? Se eu comparar uma mulher que passou muito mal durante a gestação, teve vômitos, teve tontura, teve mal-estar, eu não tive nada disso, então bom, eu já tenho que agradecer o fato de estar com uma gestação sem ter esse tipo de Consequência. Então hoje o meu foco é: o que que eu preciso saber com 30 semanas? Ah, eu preciso então preparar o quarto, eu preciso deixar tal coisa preparada. Vai adiantar eu querer saber como é quando o bebê nascer, eu vou ter que fazer isso e aquilo?
Ainda não.
Então, de novo, o planejamento, Isa, é muito importante para você não colocar o carro na frente dos bois. Tempos atrás me perguntavam: ah, mas e a maternidade? Você vai ter que escolher. Nossa, mas aí não vai poder. Quando você vai eliminando também certas conversas, você sabe, você fica mais leve. E de verdade, gente, as pessoas não vão falar ou perguntar ou questionar por mal. É normal todo mundo perguntar um monte de coisa, mas vai de você dar as respostas mais econômicas, sabe? Tudo bem. Aí a maternidade, já já eu vou ver. Aí não sei o que, amamentação, já já eu vou ver. Porque senão, Isa, a mulher pira, porque é muita mudança para administrar fisicamente, mentalmente, emocionalmente, estruturalmente, desde as roupas, sutiã, tudo. Tudo, tudo muda. O cheiro muda, tudo muda, sabe? Só acho que o seu nome que não muda, mas o restante muda demais. Então acho que essa aceitação é a palavra que eu posso deixar assim, sabe, para as mulheres que estão aflitas, ansiosas. E de novo, quanto mais a gente quer controlar o que tá fora do nosso controle, mais a gente sofre. Aí vem o estresse, inflama a célula e impede qualquer processo natural.
A Lívia tá aqui perguntando o nome do bebê.
Angelina.
Angelina, belíssimo. E Angelina então tem aí mais 6 semanas. Angelina vem em julho?
Vem no final de junho, entre o final de junho e início de julho.
É uma canceriana.
Angelina significa mensageira. E eu acho que gestação nesse momento, assim como vacina, São palavras que trazem muita esperança.
A Lívia achou lindo, eu também achei lindo, Lívia. Tá todo mundo adorando o nome.
Angelina Mensageira. E gestação, vacina, te liga à vida, é esperança. E independentemente das mulheres que estão aqui grávidas ou não, as que vão assistir depois, eu tenho feito esse exercício, Isa, assim, o que que nos liga à vida? O que que eu posso agradecer antes de reclamar? Porque a gente teria muita coisa para reclamar, tem um monte, né? Tem um monte de coisa para reclamar. Só que a energia da reclamação, da preocupação, não muda nada. Já a energia do agradecimento, do reconhecimento, da aceitação e da ação muda bastante coisa. Isso é verdade, sabe? Eu tenho muitas mulheres já que tiveram problemas sérios por conta do excesso de estresse. Então os filhos do estresse, eles já nascem já com condições de serem pessoas estressadas. De novo, sabendo disso, então o que que eu vou fazer? Fazer de conta que isso é bobagem? Não. O que que eu vou fazer? Dá para a gente mudar do país? "Não." "Agora não." "Dá pra gente fazer alguma coisa que tá fora do nosso controle?" "Não." "Então o que que eu posso fazer?" "Tentar melhorar as minhas condições internas." Aí entra o autocuidado, entra a questão do estar muito consciente do que você tem para agradecer e não reclamar.
Você mencionou muitas perguntas que as pessoas te fazem. Ontem a gente tava falando com a Ingrid, que é a capa, E ela falou que ouvido de mãe vira pinico, né? Que assim, você escuta de um tudo, que as pessoas acham que elas podem te dar todo e qualquer conselho, mas que ela ignorou todos esses conselhos e que o que ajudou muito ela, que ela levou muito a sério, foram, por exemplo, aulas de maternidade, aulas para lidar com o bebê, que ela falou: "Eu nunca tinha lidado com bebê, não tinha a menor ideia", né? Mas a Ingrid mora nos Estados Unidos, onde a situação foi muito diferente e tal. Você conseguiu fazer alguma dessas coisas? Você conseguiu estar se preparando lendo? Você é muito tranquila, vai dar conta disso.
Não, leio bastante. Li um livro fantástico chamado Maternize. A Fernanda teve o cuidado de fazer um livro assim muito, muito prático, justamente porque, como a Ingrid falou, né, o ouvido da mãe é um ouvido muito estressado, todo mundo fala tudo, dá palpite. Então eu li o Maternize E depois eu comecei a ler um livro muito antigo, que é "O Que Esperar Quando Você Está Esperando", bem interessante, porque a cada semana a gente vai mudando e quando você lê no livro aquilo que você tá sentindo, dá um pouco de alívio, sabe, Isa? Aí eu mostro pro Thiago, sabe? Eu falo assim: "Thiago, olha só o que tá escrito aqui, ó: vou comer mais, mais sensível, choro." Eu faço questão assim, sabe? Isso aqui é normal, tá? Não sou só eu que tô de repente mais sensível, mais chorona. Então as informações são super importantes, como te falei, uma informação evita muito estresse. Fiz um curso pela internet com algumas dicas e tal, pretendo fazer outros ainda, especialmente depois que eu escolher a maternidade, porque eu ainda não escolhi, mas Mas eu sei que a hora que o bebê chega, né, aí é que nós vamos ver.
Você falou dessa história toda da maternidade, de dividir isso com o Thiago, seu companheiro, que eu acho que é um diferencial muito grande, ainda mais nesse momento desse isolamento, né, que a gente fica em casa só com o marido, é o que a gente tem mesmo para fazer. E aí, quais as perspectivas do Thiago que meio que te surpreenderam assim, sabe? Como pai, coisas que ele te ensinou que você jamais esperava.
Nossa, boa pergunta, hein? Tá vendo? A gente fala que mulher inteligente é isso, né? Viu? Uma pergunta que eu não tinha pensado. Olha, acho que quanto mais eu compartilho as minhas mudanças com o Thiago, mais eu sinto a compreensão dele nessas mudanças. Porque uma coisa é você cobrar de alguém algo que para você é óbvio, e não, gente. Então é importante compartilhar com o seu companheiro, com a sua companheira, sua parceira, seu parceiro, enfim, o que você está sentindo, porque ele também pode estar sentindo uma série de questões. E se vocês não tiverem diálogo, uma coisa pode se misturar com a outra. Você sabe, Isa, que saúde mental É quando você consegue identificar o que é seu e o que é do outro. Isso no ambiente profissional, no ambiente familiar e tudo mais. Então, a manutenção da saúde mental de todos que estão na casa, ela só acontece com muito diálogo. E quando nós estamos estressados e muito cansados, sob medo, a gente só reage. A gente perde a capacidade da ponderação. Da fala, e aí vem a raiva. Então eu comecei a compreender que com o Ti, quanto mais eu me expressava com pausas, explicando e perguntando: você entendeu? O que que você entendeu com que eu disse? Comunicação não violenta, sabe? Foi fantástico. Então ele super compreensivo, atento também a detalhes de data, de alimentação, de cuidados, digamos assim, também é um processo. Maternidade é o renascimento em vida para mãe, para o pai. E o pai, o companheiro, ele vai participar mais quando você também compartilhar com ele o que está acontecendo com você.
Ainda mais porque, né, assim, se a gente passa pela primeira vez, eles nunca vão passar. Então é um processo que já é confuso para gente aí, né? Tem toda a questão dos hormônios, tem Nem a gente explica. Tem coisas que você fala: "Nossa, de onde veio isso?" É justamente isso.
Quando a gente fala assim: "Ah, mas isso é óbvio." Não é. Não é. O seu óbvio não é óbvio para mim. O meu óbvio não é óbvio para você. Então o diálogo, a comunicação não violenta é fundamental para qualquer relacionamento, especialmente então aqueles papais que estão sendo abençoados por essa gestação, porque é como a Ingrid falou, né? É difícil, mas é transformador. E você sabe, Isa, que eu falei agora pouco sobre resistência, já que nós estamos falando de bebê. Imagina os dentinhos de um bebê nascendo. Como é que o bebê fica quando o dentinho tá nascendo? Vamos ver se o pessoal que tá aqui—
É, tem muita gente entrando, muita gente dando boa noite. E eu queria falar que a gente tá aberto para pergunta, então quem quiser fazer perguntas, do mesmo jeito que Isabela tá fazendo pergunta para vocês, vocês podem fazer perguntas para Isabela. Ela tá aberta para pergunta.
Ô Isa, quando tá nascendo um dentinho no bebê, como é que o bebê fica?
Ai, é uma manha, um choro, uma dorzinha, uma febrinha.
Isso. Até o dente romper a gengiva e crescer, ele vai causar resistência. Uma planta, né, para ela sair da semente, ultrapassar a terra, ela vai demorar um pouquinho até romper alguma superfície, ou seja, aquela resistência, e crescer. Assim somos nós. Então existe um momento de resistência. Então imagina o dentinho do bebê, Chora, irrita, né? Dá vontade de irritado e chorão, né? A Rosana tá falando irritado, incomodando. Oi, Georgia Pedrozian, querida! A Georgia fez o curso da produtividade sustentável chorando, né, Viviane? Então assim somos nós, assim somos nós quando a gente está resistindo a algo que você sabe que não, tipo, não tem muito para onde ir. Tá resistindo, você vai ter que se adaptar. Existe um tempo da resistência e aí quando você deixa, né, quando a coisa consegue fluir, tudo muda. Na relação, na primeira gestação de um pai e de uma mãe é a mesma coisa. Existe um momento assim de muita resistência. Não é porque você não ama, você ama, mas é a resistência da mudança. Depois a coisa vai.
A Lucilena falou uma coisa super bonita aqui, que tem que acolher o neném. E eu acho que a gente fala pouco também em acolher mãe, acolher, né? A mãe, ela parece uma figura muito poderosa. A gente tem um pouco essa imagem da mãe poderosa porque ela tá ali gerando. Mas, cara, a mãe precisa de muito acolhimento e às vezes ela não tem esse tipo de acolhimento. As pessoas pouco compreendem, são pouco empáticas com a mãe, né?
Perfeito. Isso eu senti bastante, por isso que eu te falei. Quando você engravida, parece que só existe o bebê. Não. Primeiro cuida da mãe. A mãe estando bem, o bebê fica bem, sabe? Inclusive foi esse o raciocínio que eu tive e depois com a minha psiquiatra para a gente entrar com antidepressivo. E eu tenho ouvido, Isa, cada vez mais histórias de mulheres que sempre quiseram ter filho, fizeram milhares de tentativas de fertilização e quando conseguiram também viveram um estado de tristeza e depressão. E aí a gente conversa, né, eu converso bastante pelos directs com algumas mães e elas me dizem: nossa, eu mesmo querendo muito, ou mesmo não tendo nada contra, ou deixando fluir, eu tive momentos em que eu duvidei se era depressão ou não. E aí eu tava lendo hoje que eu fiz 30 semanas, né, tem um aplicativo muito bom que vai trazendo as informações cada semana, e que lá também já diz: a depressão é muito comum no início da gestação, e se você não acolher a mãe no início da gestação com antidepressivo, com o tratamento adequado, a chance depois de desenvolver uma depressão pós-parto é muito maior. Uma coisa é aquela blusona, que são duas semanas de melancolia, que é natural. Metade das mulheres vão viver depois do parto. Olha que informação relevante isso, porque aí você já evita aí um monte de gente confusa. Nossa, mas agora o bebê nasceu, eu tô triste.
Estranhamento que a gente sente, né? Eu acho que é um estranhamento normal que quem tem filho sente. E que soubesse que é hormonal, aceitável, não ficaria se questionando, né, nesse esse sentido, e se punindo, se culpando, né?
Nasce uma culpa também. Então o Dr. Pedro Schestatsky, ele conversou comigo inclusive numa live, ele disse: metade das mulheres vão passar pela Blue Zone, são duas semanas de melancolia profunda depois do nascimento. Isso é um fato, porque aquele corpo que demorou 9 meses passando por todas as adaptações, pronto, agora saiu o bebê. Aí é um restart, um recomeço desse corpo. E vai dar essa sensação de melancolia. Depois disso, a depressão pós-parto também é um número altíssimo de mulheres que podem desenvolver. Mas antes, vamos dar um passo antes. A gestante que estava, que está vivendo semanas, plural, hein, gente, meses em um estado diferente do seu normal, mesmo sabendo que existem oscilações, altos e baixos, etc., converse com a sua médica. Não ache que tudo é normal, porque você pode estar entrando num quadro de depressão e se você não tratar vai ser pior. Você sabe quem que conseguiu identificar isso em mim, Isa? Foi a Doutora Camila Magalhães, porque logo que eu engravidei eu parei de tomar a medicação que eu tomava para o burnout. Aquele remédio faria mal para o bebê. Eu falei: opa, então Parou. Aí entra a questão da consciência das consequências. Então vamos tentar com exercício físico, etc., fazer a manutenção toda. Eu consegui um pouco, outro não. Então depois de alguns meses, ela conversando comigo, ela foi entendendo: Isa, você já está fazendo o seu melhor. E aí tem a questão do comportamento, né? Se você tá comendo bem, se alimentando bem, mantendo hábitos positivos, pensamentos positivos, e mesmo assim está com uma sensação de tristeza e melancolia, pode ser sinal de depressão.
Eu acho que é uma coisa muito importante também, existem muitos tabus sobre gravidez e maternidade, e um deles é de que a mulher não pode estar triste porque ela está gerando, tem gente que acha que é um milagre, tá gerando vida, Que é... Tem até uma culpa da mulher ficar triste. Só que tem muitos fatores envolvidos. Tem um fator hormonal muito sério. E tem questões assim de entendimento. Foi o que você falou.
Tudo muda.
Muda físico, muda mental, emocional, a situação. E você entender essas mudanças também é um processo complicado. Mesmo que a gravidez seja desejada, é difícil você entender tantas mudanças ao mesmo tempo, né? Sua relação vai mudar, a sua casa vai mudar. Então assim... Tem uma série de choques ali e que tudo bem você ficar triste. Você não tá sendo uma mãe ruim porque você tá triste, você não tá sendo uma pessoa pior porque você tá triste. E a tristeza prolongada, ela deve ser contada ao médico, ela precisa ser compartilhada com especialista.
Perfeito, Isa. Tristeza é uma coisa, depressão é outra, tá? Vou repetir: tristeza é uma coisa, depressão é outra. A tristeza contínua por muitas semanas e meses pode te levar à depressão. E vou repetir, mesmo mulheres que sempre quiseram ter filho podem desenvolver depressão, porque isso é um processo químico e está muito além da nossa razão, tá muito além do que a gente falar aqui, porque tem a ver com os processos nessa circuitaria maravilhosa. Aliás, Doutora Ana Paula Pena, neurologista, incrível tá aqui, pode inclusive contribuir aqui, Doutora Ana, na nossa circuitaria mental. Então ultrapassa a razão. Nossa, mas a Isabela não disse que parou de tomar anticoncepcional, engravidou naturalmente, por que que teve depressão? Porque você também tem que considerar o histórico dessa mulher, né? Que tratamento de repente que ela estava tendo que teve que ser interrompido? Para não prejudicar o bebê. Que remédio então que pode entrar, já que nós estamos falando de um processo químico, que pode contribuir? E aí de novo, Isa, você vai resistir a algo que vai fazer sofrer por preconceito? Não, não dá mais. Então depressão não é fraqueza, não é defeito de caráter, não, é uma questão química e você tem que considerar muitos elementos. Então de novo, não é algo tão racional assim para a gente dizer: ah, mas A mulher, como você falou, não pode ficar triste. Gente, a dor do outro, ela é digna. Geralmente a gente tende a não tratar a dor do outro como digna, né? Igual fome, né? Quando uma pessoa tá com fome, eu vi aqui que a Doutora Andresa Botelho, a nutricionista também, olha só as doutoras todas aqui comigo, que linda! É igual fome, né? Quando alguém tá com fome, você fala assim: não dá para segurar um pouquinho a fome? A gente sempre tende, né, a subestimar a dor do outro, a fome do outro, enfim. E no caso da maternidade, eu quero deixar aqui realmente o meu depoimento, que sim, mesmo eu querendo, mesmo eu deixando tudo fluindo naturalmente, eu vivi um processo que me fez começar a tomar sertralina, que é uma medicação que não prejudica o bebê. "Ah, mas será, Isa? Mas será?" Gente, de novo, você vai ter que escolher.
Sim, e eu acho que uma coisa importante que você falou, que assim, não é nem só, é um julgamento muitas vezes, né? A gente nem só subestima, a gente muitas vezes julga. Então existe um preconceito com o remédio antidepressivo, existe especialmente, né, mulheres grávidas. E a ciência tá trabalhando para isso, a ciência tá falando que tudo bem, a ciência tá garantindo a segurança da mãe, a segurança do bebê. Então por que não ouvir as pesquisas? Por que não ouvir o médico que tem esse conhecimento de uma coisa que vai te ajudar e não vai prejudicar o seu bebê, né?
Sim, sim. Uma outra coisa que prejudica muito hoje as ideias das mães, Isa, é o julgamento, a comparação com o passado. Ah, mas no passado as mulheres tinham 10, 12 filhos. Você tava lá? Você tava lá para saber? Você tava lá todos os dias? Você acompanhou essa mãe? Então muito cuidado com os julgamentos. E toda vez que você vai comparar presente com passado, você tá sendo injusto, né? E o que a mãe menos precisa, gente, é de mais sensações ou sentimentos de culpa. Ela já tá fazendo o melhor que ela pode com as condições que ela tem. Então acolher o bebê, claro, todo mundo vai acolher o bebê, mas e acolher a mãe? E acolher o pai? Isso é fundamental, né? Então de novo, como você trouxe aqui a questão do Thiago, acho muito importante, é o quanto mais você incluir o pai nessas mudanças e explicar o que tá acontecendo, mas também ele vai se aproximar, porque a mulher ela fica muito irritada em muitos momentos, e se você não dizer exatamente o que tá acontecendo, ele vai se afastar.
É normal. É, eu acho que essa questão toda, esse processo todo começa primeiro com um grande conforto com o que você tá sentindo, um acolhimento do que você tá sentindo, né? Eu acho que tem uma mulher, ela precisa ser sincera com os sentimentos dela, com, né, as reações dela ali, ficar mesmo se observando, ter a coragem de levar isso para as pessoas próximas primeiro, conversar com o marido, conversar com o companheiro, com a companheira, e falar, né, olha, tô sentindo isso, acho que isso pode ser estranho. Depois levar um profissional mesmo e pedir um aconselhamento. E assim, teve uma época que as pessoas tinham vergonha de falar que elas tomavam antidepressivo, que não falava nem pros amigos, era um grande tabu e tal. E assim, acho que a gente precisa começar a derrubar essas barreiras cada vez mais, porque essas pessoas precisam mais ser acolhidas do que ficar sendo julgadas, né?
Sim, perfeito, perfeito, Isa. Hoje nós temos uma doença chamada informatose. Que é o excesso de informação. E ao invés de algumas pessoas filtrarem essas informações e realmente saber o que que vai ser bom ou não, se você não conseguir organizar as ideias e saber o que sim, o que não, você acaba até ignorando as informações relevantes, as informações novas, o que a ciência tá trazendo. Então, de novo, quando você Ignora uma informação nova e só considera porque no passado era assim, porque a avó falou, porque a tia falou, porque a mãe falou. Sim, são pessoas de grande poder pessoal sobre nós, mas também considere filtrar nesse excesso de informação o que que tá valendo agora. É igual ovo, né? O ovo um dia é o vilão da dieta, depois ele é o mocinho da dieta. Então vamos atualizar as nossas ideias. E de novo, né, vamos acolher a dor do outro, os comentários e tudo mais, porque tudo é digno. Tudo é digno.
Perfeito. Doutora Ana Paula falou uma coisa super bonita, né, que a Brené Brown fala: coragem de ser imperfeito. E é exatamente isso. Is, eu acho que a gente vai se encaminhando agora para o final e eu queria— Ai, fisioterapia obstétrica escreveu: adorei saber que não sou a única a condenar o excesso de informação. Não, faz mal. Até a gente que é jornalista Não aguento o excesso de informação. A gente precisa se controlar porque ele realmente é nocivo.
Sim.
E eu queria que você falasse então agora nessa reta final do nosso papo sobre um geral do que é estar grávida agora, do que você tá sentindo, das suas expectativas. Um olhar assim, eu acho que você deixou muito claro que isso transforma muito seu olhar de futuro, te deixa um olhar de futuro mais esperançoso e feliz do que a maioria de nós tá tá sentindo. Eu acho que isso pode animar muito outras pessoas.
Isa, primeiro a gente tem que entender que muito da nossa angústia e da nossa ansiedade, grávidas ou não, tem a ver com o que a gente já falou: o medo da mudança, a resistência em encarar novas regras, novas possibilidades, em aceitar o cenário como está. E aí eu tenho dois caminhos: ou eu aceito Isso vai me dar energia, vai me poupar energia para ter criatividade, para encontrar novas oportunidades. Ou eu vou resistir, me preocupar, a energia da preocupação, da resistência não muda nada e vou perder energia, vou perder tempo. Então primeiro eu tenho que escolher de qual estatística eu quero fazer parte. E isso é um exercício diário.
Diário para grávidas e não grávidas.
Exato, grávidas e não grávidas. De qual estatística eu quero fazer parte? Ou eu vou escolher reclamar, ou eu vou agradecer. De novo, eu como grávida, então, ou eu escolho agradecer todos os dias, consegui comer, olha, tô com 30 semanas, ainda não tô tão ofegante, né, ganhei peso. Claro, vai ganhar peso. O bebê precisa ganhar peso. Então assim, considera as informações, para de reclamar. Ai, porque engordei. Ai, porque isso. Ai, porque eu não posso sair. Então assim, ou eu valorizo o que eu tenho, ou eu vou reclamar pelo que eu não tenho. E nesse momento de pandemia não temos livre-arbítrio, não podemos sair para onde a gente quiser. Ok, o que que eu vou fazer com isso? Tentar, dentro das minhas possibilidades, viver da melhor maneira. Com isso vai adiantar, Isa, eu querer ficar pensando o que vai acontecer daqui 2, 3 meses? Não, eu posso me planejar, eu tenho que me planejar inclusive, né? Mas isso não significa que eu aja de forma imprudente e perca uma energia muito importante agora pensando no depois. Lembra então da frase do Dr. Pablo: ansiedade é a distância entre o real e o ideal. Qual é o real? O que que nós temos? Então eu, como gestante, tenho meus momentos de inquietação, sim, mas já aprendi deixá-los mais curtinhos, Isa. Então quando eu começo a ficar angustiada, ao invés de sair comer, eu vou lavar louça, eu vou arrumar o armário. Sabe que os monges fazem isso, né? Eu fui uma vez entrevistar o Sakyamuni, ele me falou— eu sei que eu perguntei se esse monge ficava irritado, se tinha desejo. Ele falou: sim, só que a diferença é que se eu tiver vontade de tomar um sorvete e eu não puder, eu vou varrer a calçada. É transformar a sua energia, né, é usar a sua energia para algo que vai te fazer bem. Então é o que eu faço estando grávida. A hora que vem um ciricutico, a hora que vem um pensamento, que eu não falei, mas eu sei, isso diário, eu vou lá, vou uma louça, vou organizar "Eu tenho uma gaveta, tenho um monte de coisa para fazer." Adorei essa estratégia, adorei. Desvia a atenção, sabe? Desvia a atenção. Então essa estratégia aqui da grávida com 40 anos. Quando vem as preocupações em relação a trabalho, dinheiro e futuro, aí de novo: o que que vai adiantar eu pensar nisso agora? O que que eu tenho para viver agora? Qual é a parte mais importante agora? É viver, não é sobreviver, não. É viver da melhor maneira que eu posso, com as condições que eu tenho. Então essa é a minha gestação com 40 anos. Não significa que eu não tenha meus momentos de angústia, de querer fugir, de querer encontrar as pessoas. Sim, todos nós vamos sentir as mesmas coisas. Tem um gradiente a mais, que é a questão da gestação. Mas aí, se você se cuida, Isa, Não tem porque ficar na pira, sabe? Se você— quando eu vi até que você colocou na reportagem, né? Então eu saio duas vezes por semana, se eu vou ao mercado, sabe, com meu marido, eu tô tomando as precauções. Então assim, eu já tô fazendo minha parte. Se você ficar neurótico com isso, pior. Isso vale para quem tá fazendo uma tentativa de fertilização. Se você tá fazendo uma fertilização E você confia na equipe médica, você tá fazendo a sua parte, a equipe médica tá fazendo a parte dela, então deixe Deus agir. De novo, quanto mais estresse, mais a gente inflama as nossas células, e aí fica difícil mesmo, né, alguma coisa dar certo. Acho que para mim essa foi a principal mensagem, sabe, Isa, que eu vivi nesses últimos meses, quando eu deixei Deus agir. E não fiquei na pira louca de: "Nossa, agora eu preciso, meu Deus!" Não, se tiver que acontecer, vai acontecer. Isso contribui bastante para a vida fluir sem resistência.
Adorei, achei um baita aprendizado para quem já tá aprendendo tanta coisa durante a gravidez, assim, é uma evolução mesmo. Eu acho que a gente falou aqui muito de gratidão, né, de resistência, e eu acho que é É bom ver que a gente tem a possibilidade de passar por uma evolução, processo de crescimento e aprender em qualquer momento que a gente tá vivendo.
Isa, o autocuidado para as grávidas é fundamental. Acho que eu nunca passei tanto creme na vida, sabe? Creme na barriga, creme no peito, creme no rosto, creme no pescoço, tudo que eu posso. Acho que eu nunca me cuidei tanto. Mesmo não podendo sair de casa para fazer tratamentos estéticos, tal, não sei o quê, eu nunca me cuidei tanto. E é uma coisa que eu insisto muito, né, em todas as conversas que eu tenho aqui nas redes sociais e nas empresas, que é o autocuidado. Então, a mãe, a Sapir, em relação ao bebê, sim, tudo vai fluir desde que você esteja se amando, esteja bem cuidada, né? E para finalizar, Isa, Embora eu tenha mais 9 minutos, se você quiser. Muitas mães me perguntam, aquelas que não conseguem engravidar, aquelas que tentam fazer, que estão estressadas e tristes e se comparando com outras mulheres. Tem duas coisas importantes: cada mulher é uma mulher, né? Até irmãs gêmeas serão diferentes. E você só vai gerar o amor, você só vai conseguir ter um filho, ou seja, gerar uma vida, se você se amar primeiro. Vou repetir: você só vai gerar o amor, gerar a vida, se você se amar primeiro. Então, para todas aquelas mulheres que se conectaram a mim por conta do burnout, por conta do esgotamento e outros problemas relacionados ao excesso de trabalho, eu sempre falo: Você está se amando o suficiente para poder amar uma vida, uma nova vida, gerar uma nova vida? E foi isso que aconteceu comigo quando eu realmente coloquei em prática tudo aquilo que eu tava vendo que era fundamental para eu voltar a me amar, ou seja, me cuidar de verdade. Foi aí que eu engravidei naturalmente. Então O autocuidado, aquilo que só você pode fazer por você, é fundamental para você voltar a se amar, a se incluir na própria agenda. E aí sim as coisas vão fluir. Não tem outro caminho. Eu acho muito difícil uma mulher que não se ama e esteja vivendo uma vida muito estressante conseguir engravidar naturalmente, porque Você precisa se amar primeiro.
Lindo isso, amei. Bom, a Isa tem a entrevista da Isa, tá no nosso site, na edição de abril, que está nas bancas físicas e digitais, com essa capa linda, linda, linda, linda, linda. Isso, eu não consigo te agradecer, porque assim, desde o começo desse processo você foi uma pessoa super sincera, super aberta, do tipo que eu acho que a gente a gente precisa no nosso time, é uma mãe que tá disposta a falar com sinceridade desse processo, né, não ficar criando em cima, que não ajuda em nada. Então assim, eu queria te agradecer muito por isso, por essa entrega, e dizer que a gente tá aqui, que eu espero que a Angelina venha com muita saúde, que eu tô torcendo por vocês.
Obrigada, Isa, foi um privilégio estar aqui com você. Obrigada pelo seu tempo, pela confiança de toda também por ter me incluído. Um beijo para Guta, não sei se ela vai estar nos acompanhando também, que nos conectou. Conte comigo sempre, estarei sempre à disposição. E já que é para falar a verdade, vamos falar, não é? Para todas que estão aqui, obrigada pelo tempo, pela confiança, e tô à disposição.
Sim, você quer falar seu arroba para todo mundo poder te seguir?
@isabelacamargoreal, Isabela com Z e dois Ls Camargo Real. O livro, né, o Dá um Tempo: Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites, é um livro em que eu falo sobre as percepções do tempo, todas as idades, em todos os lugares, em todas as vezes.
É muito importante isso, eu achei muito legal.
Eu falo sobre o tempo da música, o tempo do esporte, o tempo para filhos, né? E o que que acontece quando a gente não respeita o nosso próprio tempo, né? Não é um livro que fala sobre burnout, é minha história. Não, são percepções do tempo. Prefácio é do Cortella, tem Carnal, Monjaco, enfim, uma turma maravilhosa. Porque se nós não pararmos para compreender as mudanças, né, a informatose, os excessos e tudo mais, você vai vivendo— você não vive, você sobrevive. Depois pode ser que seja tarde para coisas muito importantes na sua vida.
Isso é muito obrigada, boa noite. Obrigada a todo mundo que teve aqui. Essa live vai ficar salva para quem não conseguiu assistir, para quem pegou agora no final. Então, desde o começo, a Isa tá falando sobre maternidade Aos 40, na pandemia, sobre todos os aprendizados dela, que são riquíssimos. Eu recomendo muito quem não assistiu desde o começo ver a live inteira, que ela tá muito especial.
Isa, obrigada, até breve.
Obrigada, gente, boa noite. Tchau, Isa.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








