Escutatória com @thomasbrieu_

Isabela Camargo and Thomas Brieu discuss escutatória, a form of deep listening that goes beyond active listening. They explore how this skill transforms communication in leadership and personal relationships.
Chapters
Olá, olá, muito boa noite.
Seja bem-vindo, bem-vinda a mais uma prosa muito boa. Nesta quinta-feira, 13 de dezembro, seis e meia em ponto. A gente se comunica o tempo inteiro, não é? Queremos falar, mas será que sabemos ouvir? Será que estamos ouvindo de uma maneira que faça com que o outro se sinta realmente ouvido? Será que estamos ouvindo para responder ou ouvindo para compreender e aí sim interagir e estabelecer uma conversa de respeito e que seja importante e interessante para ambos. É isso que nós vamos conversar hoje com o Tomás Briel. Ele é especialista em escutatória. Marquita Will, meu querido amigo, que me apresentou esse grande profissional e hoje então.
Eu vou compartilhar uma hora dele com.
Vocês para que a gente entenda melhor o que é escutatória. Lá no site do Tomás, tem uma frase que explica bastante coisa, né? É assim, não basta escutar mais e melhor, você ainda precisa fazer com que o outro se sinta ouvido e, sobretudo, reaprender a falar para ser escutado. Bem, só sei que essa conversa vai ser fantástica. Assim que o Tomás entrar aqui, a gente já vai dividir tela. Enquanto isso, peço duas coisas para você. Corações aqui do lado, porque assim o Instagram entende que esse assunto é relevante e eu tenho certeza que ele é muito importante porque estamos comunicando. Precisamos não só aprimorar a nossa fala, mas também a nossa escuta. E também esse aviãozinho aqui, uma setinha, como se fosse um avião de papel, encaminhe para quem o seu coração sente que precisa dessa conversa, dessas informações, para realmente estabelecer uma comunicação mais eficiente, mais clara, mais limpa. Tá certo? Já já o Tomás está entrando aqui. Enquanto isso, eu tava dando uma olhada na rede dele, né, então fala sobre perguntas fechadas e perguntas abertas.
Oi, Pathy, chegou agora?
Bem-vinda. Aliás, muito obrigada a cada um de vocês que está aqui pelo seu tempo, pela sua confiança. Tenho certeza que será incrível. Então perguntas fechadas, perguntas abertas. Eu como jornalista aprendi bastante na marra, na prática, muitos desses conhecimentos. Mas eu sei que quanto mais a gente espalhar, melhor pra todos vocês. Então, um exemplo, tá aqui no Instagram dele. Você gostou? Sim, não.
Você concorda?
Sim, não. Agora, o que você acha? O que você pensa a respeito? Isso muda tudo. Outro dia, uma vez, na verdade, eu ouvi o Tony Robbins aqui no Brasil e ele disse que uma pergunta muda tudo. Sim, uma pergunta muda tudo, só que.
Depois virá uma resposta e que aí sim, você precisa ouvi-la muito bem para que tudo mude, não é? Olha o Tomás aí. Tudo bem, querido? Boa noite.
Boa noite. Consegue me ouvir bem?
Muito bem.
Que bom.
É um.
Prazer para mim trocar essas ideias com você, considerando a tua história e as conexões que nós temos com as pessoas que estão aqui conosco hoje.
Sim. Tomás, antes de começarmos a falar sobre escutatória, quero te pedir para entender de onde é esse sotaque e há quanto tempo você está no Brasil.
Ah, eu sou brasileiro, sou que ninguém acredita.
É mesmo.
Eu nasci aqui, só que eu fui criado na França. Então, com quatro anos de idade, eu fui para a França e aí eu tinha, foi o único momento da minha vida que tinha sotaque brasileiro. E todo mundo tava rindo de mim. Aí eu fiz uma trava e quando eu voltei para o Brasil aos 26, o sotaque não voltou. Então toda a minha educação e a minha família tá lá ainda. Então toda a minha cultura é francesa. Então isso é as duas coisas.
Pois bem. Então estamos falando com um franco-português. Será que é assim que nós falaríamos?
Franco-brasileiro. Franco-brasileiro.
Franco-brasileiro.
Pronto.
Tomás Brito. Nos conhecemos com o Mark Tawhil, já já ele deve passar por aqui também E me chamou muito a atenção o seu tema, escutatória Eu como jornalista sempre tive que redobrar a minha atenção Mas independentemente da profissão, eu sei que saber ouvir é tão importante quanto saber falar Como é a escutatória? Do que se trata?
Realmente, você falou sobre saber ouvir, saber falar. Para mim, é o Ying e o Yang. Uma coisa não vai sem a outra. Ontem me perguntaram o que é mais importante. Não tem mais importante. Agora, o que acontece é que nós enxergamos a comunicação pelo lado da fala, porque é aquilo que é mais facilmente mensurável. Eu posso anotar, repetir, gravar as minhas palavras, as palavras do outro. Agora, a escutatória é uma experiência muito idiosincrática, pessoal, que não dá para mesurar se você é médio ou não. E por ser subjetivo, é uma área que foi meio que esquecida. E recentemente, como sabemos da neurociência, da psicologia comportamental, já conseguimos realmente ter alguns padrões que mostram sobre a escuta, alguns padrões universais. E podemos falar com propriedade do que até então era uma coisa muito pessoal. Então, a escutatória, eu gosto dessa palavra que vem do Rubens Alves. Ele deu vida a essa palavra quando ele falava que sempre tem curso de oratória, nunca tem de escutatória. E eu, como pesquisador de escuta, decidi dar corpo nesta vida. E eu usei uma palavra diferente da escuta ativa, porque a escutatória vai muito além. Ela inclui a escuta ativa e inclui um monte de outras dimensões.
Qual é a diferença, então, da escuta ativa para a escutatória?
Então, na verdade, a escuta ativa, ela faz parte da escutatória. Só que é apenas o primeiro passo. O primeiro passo é escutar mais e melhor. Agora não basta escutar mais e melhor, eu preciso fazer com que o outro se sinta escutado. E aí entra todo o processo de provas de escuta. Então escutar e falar, porque a minha prova, claro que ela é não verbal, mas quando ela é verbalizada, ela ganha muito mais intensidade e força. Inclusive quando eu verbalizo a minha prova de escuta, o meu corpo entra em coerência. O segundo passo é dar a prova da escuta. E quando eu faço isso, eu entro no universo da empatia, da inteligência emocional, da comunicação não-violenta. Porque prova de escuta é dizer ao outro o que as palavras dele fizeram em mim. Então, escutar o outro é escutar a si mesmo. Incluir a escuta interna. Não dá para escutar o outro se eu não escuto esta voz também interna, estes quereres e sentires que nós temos dentro de nós. E o terceiro passo que eu incluí na minha pesquisa é reaprender a falar para ser escutado. E aí eu percebi que muitas vezes usamos padrões de linguagem que fazem com que o outro não escuta. Ela entra indefensiva e não escuta. E aí eu mostro que, felizmente, dá para trocar esses padrões de linguagem e captar a atenção do outro. Uau!
Quanta pergunta!
Uma de cada vez.
Uma de cada vez. A Erika, vou aproveitar a pergunta dela. E quando ninguém quer nos escutar? Olha que pergunta bonita!
Então, não existe metodologia ou disciplina que obriga o outro a te escutar quando o outro não quer escutar. Então uma vez um cliente me pediu, a pessoa não está me atendendo no telefone, me ajuda que ela me escute. Se ela não atende o telefone eu sinto muito, eu não sou mágico, não vou conseguir ajudar. Agora, a boa notícia é que a escuta ela responde a uma lei universal, que é a lei da reciprocidade. Eu preciso dar para receber. E na maioria dos casos, se o outro não quer me escutar, talvez preciso olhar em mim e perceber o que eu poderia fazer para ele me escutar. Então será que eu também não escuto ele? E quando eu dou a escuta, tem um momento que a pessoa vai acabar esvaziando as gavetas. Porque estamos tão cheios de nós mesmos, eu uso a metáfora das gavetas para mostrar o quanto estamos cheios das nossas angústias, da nossa autoimagem, da nossa reputação, das nossas metas, que mal temos espaço para a história do outro. O outro não quer renunciar a ele mesmo. E quando eu escuto ele, eu ajudo ele a se esvaziar. E aí abre um espaço para que eu coloque a minha história. Então às vezes é uma questão de timing, o tempo de cada coisa. Eu trabalho muito isso. Tem um momento que o outro realmente não escuta. Tem vários sinais para descobrir isso. E neste momento, não fala enquanto o outro não escuta. Isto é a primeira lei da escutatória. Não fala enquanto o outro não escuta. Aí para o momento para quando.
Perfeito.
Tomás, quando você diz que precisa fazer com que o outro se sinta escutado, o que você quer dizer com isso?
À medida que este mundo acelera, nós temos uma riqueza da informação, é uma abundância da informação que provoca uma pobreza da atenção. E essa pobreza da atenção se traduz em um declínio da empatia. Então o Unesco e várias universidades e pesquisadores mostraram que tem um declínio da empatia. E esse declínio da empatia é na verdade porque escuta e empatia é toda a mesma coisa. Ou pelo menos, para ser mais exato, prova de escuta e prova de empatia é a mesma coisa. Então as pessoas são carentes de serem escutadas. Nós vamos nas redes sociais buscar likes, curtidas, porque nós temos esta carência, porque o like e a curtida é uma pequena prova de escuta, ela não substitui talvez uma escuta genuína e amigável. Agora, nós somos um bicho social e precisamos desta sensação de existir aos olhos dos outros. E a prova de escuta, fazer o outro ser escutado vai atender esta carência que cada um de nós tem. Então, quando eu faço que o outro se sinta escutado, eu dou para ele a minha atenção, que é o maior presente que eu posso dar, eu estou 100% com ele. E, sobretudo, neste mundo onde ninguém escuta ninguém, se eu quero ser um pai, uma mãe, um profissional, uma pessoa diferenciada, então eu preciso escutar e dar a prova da escuta e vou virar um pai, uma mãe, um profissional diferenciado do mercado. Porque é um ativo raro, escasso. Todo mundo fala, ninguém escuta. Então, se você é aquela pessoa que faz com que o outro se sinta escutado, você vai ver a diferença que faz.
Tomás, não tenho dúvida. Tem uma pergunta aqui muito interessante da Lúcia A pessoa que fala muito e não escuta, isso não é defensivo? Mas antes dessa pergunta, eu ainda queria voltar à história do como eu posso fazer com que o outro se sinta ouvido Eu como jornalista, eu sempre gosto de chamar Ou seja, quem eu estou ouvindo, entrevistando pelo nome O nome é a primeira coisa, né? Então, tanto que eu até... Eu tenho tanto apreço por isso que eu até pedi um áudio dizendo Tomás, como é que eu pronuncio isso? Então, nome da pessoa, mas só olhar para ela, só fazer assim Significa que ela tá captando que eu tô ouvindo.
Outra coisa que eu posso fazer É um bom começo. É um bom começo. Agora, eu gosto de ir mais longe. E a segunda coisa que as pessoas preferem ouvir depois do próprio nome são as palavras delas. As próprias palavras. Então, eu gosto de falar que precisamos falar pisando nas palavras do outro, reusando as palavras exatas do outro. Não falando, eu entendo o que você disse, mas falando, quando você me diz patati patata, você reusa as palavras exatas do outro, é um começo de prova de escuta. Pelo menos você mostrou que você escutou as palavras, o que não quer dizer que você compreendeu ou entendeu, que são duas coisas diferentes. E a prova da escuta é baseada nisso, você mostrar o que você compreendeu, o que essas palavras fizeram em você. Que é basicamente verbalizar Quando você me fala isso, eu me sinto, eu quero alguma coisa. Para ser mais concreto, deixe-me usar uma personagem. Você vê esta escultura aqui? Ela faz 30 quilos, ela está pesada. É uma personagem, mas que tem duas cabeças. É um corpo e duas cabeças. E todos nós temos essas duas cabeças. Eu gosto de falar que o ser humano é um bicho emocional, que quer e que sente coisas. Então aqui você tem o sentir, você tem o rosto mais que mostra sensibilidade, emoção, intuição. E aqui tem o querer, que é mais determinado, que é mais decidido, que é mais focado. E o que acontece? Dentro de nós, sentimos e queremos coisas o tempo todo. Só que quando nós não verbalizamos isso ou não escutamos internamente, o que acontece? É um que vai em um sentido e o outro no outro. E aí vira uma confusão, vira um conflito interno que se traduz por uma descongruência na nossa comunicação e atrapalha demais a nossa comunicação. Então dar a prova da escuta e verbalizar para o outro de forma alinhada, porque quando você me falou isso, O que isto provocou em mim? E quando eu faço isso, eu não digo que eu compreendi ou que não compreendi.
Eu digo o que fez comigo.
E o outro vai decidir se ele se sentiu compreendido ou não. Esta é a prova da escuta. E parece complicado assim, mas quem faz o curso rapidamente consegue fazer. São alguns padrões de linguagem. Pegar rapidamente e já dá para fazer as provas de escuta.
Que curso, Thomas?
Então, eu sou professor, então a minha especialidade é dar curso de escutadores. Eu sou meio monoproduto, porque acredito que a excelência vem na repetição. E eu trabalho e exercito estes padrões de escuta e de fala através de cursos, que agora são cursos online. Inclusive, hoje estou fazendo o lançamento da segunda turma do curso online. Vai ficar aberto por quatro dias, vai começar hoje à noite. Durante 4 dias vamos abrir a segunda turma.
Parabéns.
Obrigado.
O Instagram, o site... Então, depois eu preciso escrever.
Mas eu... Eu vou escrever, ao mesmo tempo você me faz chamar. Ah, eu não consigo enviar comentários.
Ativei. Ativei. Eu tirei para você mostrar aqui.
Eu vou pôr o link aqui da aula de hoje. que vai ter uma aula gratuita. Não, eu vou pôr o link da turma diretamente, ó. É muito fácil. Vou escrever nesse celular e acho que eu consegui aqui, ó. Mas é fácil, pronto. Então quem quiser saber mais, eu agradeço a oportunidade, Isabella, de divulgar aqui o link, se quiser fixar.
Agora. Tomás, eu acho fantástica a forma como você está explicando Porque, como você diz, quanto mais informação nós temos, menos atenção conseguimos dar se a gente não ficar realmente atento ao que o outro está falando E, na minha opinião, não tem nada pior do que você acabar de falar E a pessoa na sequência perguntar a mesma coisa que você ia dizer isso ou isso Por alguma razão ela não estava ali Então o estado de presença para quem quer se comunicar é fundamental Mas aí eu volto então à pergunta aqui da Lúcia, antes que eu faça as minhas perguntas Será que as pessoas... Não, não, não Que fala demais, a.
Pessoa que fala demais.
Exatamente, é uma pergunta para quem não...
É um reflexo defensivo, né? Bom, eu não sou psicólogo e cada caso é um caso e eu tenho muito cuidado com generalizações, né? Agora, o que eu sei que tem um padrão na escutatória que se chama do disco arriscado. Enquanto a pessoa não se sente escutada, ela vai continuar falando. Então, enquanto você não dá prova de escuta de verdade, a pessoa vai continuar falando. E você vai pensar que o outro está falando demais, mas você não dá prova de escuta. Então, o outro continua falando até conseguir essa prova de escuta. Então, talvez seja um sintoma dessa carência de ser escutado, né? Eu vou dar um exemplo, deixa eu ver. A pessoa fala, não, mas eu entendo o que você disse, você já disse, eu entendi. Isso não é prova de escuta. Prova de escuta é fazer algo com as palavras do outro. Porque quando eu falo eu entendi, eu compreendi, eu estou me livrando do outro. Tu mostrando que entendi, vou passar o assunto seguinte. O outro quer uma prova. Estas palavras todas feitas não atendem esta angústia, esta carência que temos em nós. Então, isto pode ser uma das situações que podem acontecer. A segunda coisa é que o tempo passa diferente quando eu falo e quando eu escuto. Então, quando eu falo, parece que o tempo para. E quando eu escuto, o tempo é longo. Então, sempre temos a impressão que o outro fala demais. Só que, às vezes, nós somos o outro e nós somos o vilão da história do outro, sem perceber, né?
Muito interessante. Eu pesquiso o tempo há muito tempo e eu não tinha ouvido isso que você disse. Quando a gente fala, o tempo é um, quando a gente fala, o tempo é outro. E depende do conteúdo, então, esse tempo pode mudar mais ainda.
Eu tenho a escuta do David Bohm e do Krishnamurti. Eu trabalho com comunicação produtiva. E eles trabalham a escuta incondicional. A escuta como um exercício de atenção plena, de consciência plena, de meditação, de trance. E aí, realmente, o tempo para. E eles têm conversas que são gravadas hoje no YouTube. Mas o tempo parou, eles entraram em outro estado através da escuta benevolente um ao outro. É muito interessante.
Perfeito. Eu costumo dizer, até foi parte de um capítulo do meu livro, é o título de um outro livro, Obrigado pela informação que você não me deu. Por quê? Com tanta informação, com tanta pressa e tantas atividades, na minha opinião, quanto menos eu falo, mais eu sou ouvida O que você acha desse contexto? Porque todos estão sem tempo, eu também não posso alugar o tempo ao outro Qual é a responsabilidade também para quem fala para também ser ouvida?
Então, só deixa-me entender. Quanto menos eu falo.
Quanto mais organizado está o meu raciocínio, mais o outro ouve. Tenho a impressão que se eu for responsável com o conteúdo e falar menos, eu estou alugando menos a pessoa. Estou até dando condições para ela ouvir melhor, ouvir mais.
Sim, sem dúvida, sem dúvida. E isso que eu chamo da ecologia das palavras. Menos e mais. E nós precisamos ter muito cuidado com o excesso de palavras, porque as neurociências demonstraram que a nossa capacidade de lidar com informações de curto prazo são extremamente limitadas. Então nós temos, por exemplo, a capacidade de lidar entre 5 e 9 informações de forma simultânea. Então quando eu falo muito, eu encher as gavetas do outro que já são cheias. E aí o que é? O cérebro entra de um lado e sai do outro. E o filtro que faz que uma informação sai da gaveta do curto prazo e vai na gaveta do longo prazo, você sabe qual é? Você tem uma ideia? Qual é o gatilho que faz que a coisa não sai pelo outro lado, mas vai ficar no armário do longo prazo? São três gatilhos.
Emocional.
Isso, a emoção. Então, vamos lá. Quando eu faço essa pergunta, em geral, a pessoa acha que vai lembrar o que for mais importante ou mais relevante. E não tem nada a ver. Nós nos lembramos proporcionalmente à emoção. Então, se eu começar a falar muita coisa para o outro, aquilo que eu falo vai provocar diversas emoções que eu não tenho controle e ele vai lembrar coisas muito diferentes do foco que eu quero dar à conversa. Então, se eu quero dar um foco, eu vou precisar ser muito enxuto, preciso e conciso, e preparar o meu foco, é o que eu chamo de storytelling ao vivo, que é a contação de história ao vivo, para eu acessar diretamente esta memória de longo prazo. Então, os três gatilhos é emoção, escutamos proporcionalmente a emoção, narrativas, Então, histórias, nos lembrar do nosso ser, porque está pre-cabeado para funcionar com histórias. E repetição, repetição e local. Nós lembramos também do local, ou de uma música também, ou quando você escutou a primeira vez uma música, ou você estava nesse local também, faz um jogo de memórias.
Uau! Muito bem. Por isso que você falou sobre ecologia das palavras, Nesse caso, se eu já estivesse olhando aqui, se eu já estivesse fazendo sua turma do curso de escutatória, eu traria o seguinte. Tomás, como você disse, ecologia das palavras é... Parará, parará, parará. Seria isso?
Quando eu te digo ecologia das palavras, como você fica, o que você imagina, o que isso provoca em você? Conta para mim. Agora, me dá a prova da escuta.
Seria uma forma de falar as palavras coerente com aquele contexto em que uma não fica com a outra e ecologicamente, ou seja, o todo do vocabulário pertinente àquele assunto. Mas, ecologicamente, aquilo que nós estamos falando, eu já usaria economicamente também. Ecologicamente e economicamente.
Claro, tem tudo a ver na economia e ecologia. Eu sou economista e eu sou uma pessoa apaixonada pelo meio ambiente, eu trabalho com conservação de florestas. Na verdade, tudo o que eu faço é para a conservação da natureza. Só que eu percebi que enquanto não somos capazes de escutar a nós mesmos e de estabelecer uma conexão genuína com nós e com as pessoas à nossa volta, não vamos conseguir comunicar com os outros reinos, animais, vegetais, minerais. Não falo de comunicar, como estamos falando aqui, mas entrar em conexão, reconhecer que temos coisas a fazer em comum, que coisas prejudicam, que coisas ajudam. Então, para mim, o primeiro passo é escutar em prática. E a ecologia no sentido de que a ecologia ensina a fazer mais ou menos recursos, né? Isso é ecologia também, né? Então, no curso eu mostro que dá para ser muito impactante, muito engajador, muito persuasivo, com muito poucas palavras, bem escolhidas, com as ferramentas que eu trabalho. São meia dúzia de ferramentas, muito simples, mas que permitem fazer muito mais com muito menos.
Perfeito. A Agda está dizendo não jogar lixo no canal. Emília, mas as pessoas falam muito. Emília, nós somos as pessoas. Eu presto muita atenção nisso, sabe, Tomás? Quando eu estou incomodada com algo, eu já sei que aquilo está a fim, absolutamente. E aí eu vou voltar aqui para aprender a falar para quem ainda não assistiu nenhuma apresentação sua, para quem não fez o curso Como eu posso colocar em prática o que você está dizendo a partir da primeira oportunidade? Como você falou, não é só olhar, fazer assim com a cabeça Tem o repetir o nome, tem trazer alguma palavra, eu posso dizer mais Mas você disse que ecologicamente são palavras que vão ajudar no contexto do encontro, é isso? Isso ajuda? Eu entendi isso, é isso?
Você falou muitas coisas que a ligação falhou um pouco, então eu vou responder e você me corrige se eu não respondi toda a sua pergunta. A primeira coisa é que de tanto escutar, você descobre que existem padrões de linguagem.
Padrões de linguagem.
Eu separei entre os sinais verdes e os sinais vermelhos. Os sinais vermelhos são aqueles que colocam o outro em defensiva. Então é isso que poderia ser que quando eu falo, eu poluo o outro. Eu faço uma poluição porque eu provoco reações defensivas que cansam, que provocam estresse e eu chego no final do dia, quando eu escutei um monte de más, um monte de porém, um monte de na verdade, enfim, tem um monte de sinais vermelhos, depois que eu posso descrever, que fazem que, embora a minha intuição é boa, a mensagem não passa. porque ela desperta um reflexo de defensiva no outro. E a boa notícia é que para cada um deles existem sinais verdes da comunicação. Isso mudando algumas palavras, na maneira de se expressar. Eu nunca tinha pensado, mas este verde é o verde da ecologia também. Usando este verde, eu vou provocar curiosidade, abertura. Então eu vou abrir uma gaveta antes de pôr o conteúdo na cabeça do outro. Por exemplo, você falou aqui as pessoas. A pessoa fez um comentário sobre as pessoas. É um sinal vermelho. Por que é um sinal vermelho? Porque é uma generalização. E quando é uma generalização, eu falo pelos outros. E isso é muito invasivo. Porque ninguém gosta que os outros falem por mim. Então quando alguém fala por mim, eu me sinto atacado na minha identidade, na minha individualidade. Isto acontece também, um outro sinal vermelho, quando alguém fala, eu tenho a certeza que você vai gostar. Mas quem é você para ter certeza por mim? E nos usamos isso o tempo todo, mas são sinais vermelhos. E eu sei que é a sua cara. Mas quem é você que sabe? Eu sei que é você, patatinha. Então, cuidado, não podemos falar pelos outros, é muito invasivo. E generalizações, de forma geral, extrapola. Então, eu reensino a usar o eu. O nosso também é perigoso. Então, eu. Tem que falar na primeira pessoa. Assumir o poder.
Entendi.
Perfeito. A Erika voltou na questão do disco arriscado, Tomás. Como faz para deixar de ser um disco arriscado? No caso dela, ela já teve consciência e acaba repetindo muito a própria fala.
Então, deixa o silêncio trabalhar ao seu favor. Uma ideia de cada vez. Nós não falamos por falar, nós falamos para provocar uma reação no outro. Então, quando eu falo sem parar, é como se eu tivesse uma mitraiadora e eu atiro sem parar munições, bolas. Cada bala é uma bola, uma ideia que eu envio para o outro. Só que de tanto falar, eu não deixo o tempo de ver o impacto dessas bolas no outro. Então é como se eu atirasse no escuro e eu não ligasse a luz para perceber qual foi o impacto dessas palavras no outro. Então eu preciso falar e fazer perguntas abertas. E quando eu faço uma pergunta aberta, eu ligo a luz e vou interagir com o outro para perceber o que ele achou daquilo que eu disse. Porque de que adianta Falar, falar, falar e não deixar o outro espaço para verbalizar o impacto das nossas palavras. Então não é fácil. Aqui entra a pergunta aberta, entra o silêncio, o silêncio trabalha a seu favor. Então é um silêncio focado, não é um silêncio assim do nada, um silêncio frio. Eu joguei uma bola, uma bola focada, eu deixei claro que eu esperava uma resposta e eu espero a resposta. E enquanto ela não vem, eu vou voltar nela, gentilmente, não de forma agressiva.
Sempre. Excelente. Perguntas abertas e pausas também. Essas micropausas, esses intervalos, não é, Thomas?
Agora eu lembrei de uma pergunta que você me fez e que eu não respondi. Você me pediu dicas de como aplicar isso. E a primeira dica é... Inspira antes de responder. E aí responde. Então este, para mim, é o conceito de micropausa que você está falando e a mais bonita das micropausas é aquela inspiração que eu vou dar antes de responder. Então, se você quer uma resposta inspirada, inspira. Quando eu inspiro... Bom, primeiro, é sempre mais agradável começar a falar de pulmão cheio do que pulmão vazio, né? Então, inspiração é fundamental. Quando eu inspiro, eu crio um suspense. Eu me lembro de um jantar aqui em casa, uma vez uma das pessoas começou a inspirar, Todo mundo calou à volta da mesa. Opa, ele vai falar uma coisa interessante. Então a inspiração, ela capta a atenção. A inspiração, ela mostra que eu estou fazendo coisa com a palavra do outro. Porque quando eu respondo no bate-pronto, parece que já tinha a resposta pronta e que eu estava esperando o outro parar de falar. Então a inspiração, ela mostra ao outro que eu estou fazendo algo com as palavras dele. E a inspiração, sobretudo, ela dá o tempo da informação sair aqui do cérebro límbico, que é o nosso cérebro automático, sistema 1, e de fazer esse trajeto e chegar aqui no córtex prefrontal. E aqui eu tenho empatia, eu tenho raciocínio, eu tenho toda uma programação amorosa e acolhedora Só que se aqui o meu cérebro límbico, que nasceu há bilhões de anos, em cima vem o cérebro prefrontal, ele só tem 500 milhões de anos e muito mais novo. Então a informação demora mais tempo para chegar aqui. E quando eu dou esta inspiração, eu saio do automático. O que é, para os neurocientistas, uma nova definição da inteligência.
Uau! Toma! Ó, já aprendi!
Isso aí!
E a escutatória para líderes? Qual é a importância de quem lidera equipes, trabalha em equipe, escutar?
Ó, um tema assim, enfim, essa é uma das minhas especialidades, né, porque além de eu ter trabalhado em grandes corporações, ter exercitado isso com com muitas equipes de todas as culturas, eu estudo muito isso. E tem uns pesquisadores que falam que liderança é escutatória radical. Extreme listening, Joana Barthes, nos Estados Unidos. E tem um monte de outros que colocam a escuta como a principal ferramenta de trabalho colaborativo. E eu chamo, eu falo, Eu tenho vários aspectos da liderança, mas um deles é o líder alquimista. E o líder alquimista é aquele que consegue criar um espaço de liberdade para as pessoas verbalizarem sem receio e, ao mesmo tempo, manter o foco para o resultado. Porque normalmente não adianta abrir um espaço e virar bagunça, né? Então, esse é o líder alquimista que sabe que a solução não está na cabeça dele. que sabe que o poder que ele tem não é uma coisa que ele tem porque ele tem mais conhecimento ou ele tem mais status ou poder que os outros. O poder dele vem do voto de confiança que ele recebe da equipe. E esse voto de confiança ele conquistou fazendo de forma impecável o que ele mais faz, escutar e falar. O que mais fazemos no dia a dia é escutar. dois terços do tempo, você tem alguns estudos. E quando você escuta impecável, você dá a prova da escuta, você recebe esse tipo de confiança. Então, na base da liderança, claro que está a escuta. Quem quer um chefe que fala o tempo todo? Todo mundo quer um chefe que escuta. E não quer dizer que escutar o tempo todo, né? Eu posso escutar de forma muito intensa e qualitativa, é um curto período, mas eu enquanto tu com a pessoa e eu estou 100% com essa pessoa.
Líder alquimolífero, Tomás.
Sim. Aí tem outro, tem o líder espelho também.
Espelho?
É.
Significa?
Isso, eu estava esperando a pergunta. Eu não respondo sem a pergunta. O líder espelho é aquele que usa os fatos, ele não desgasta a sua autoridade pessoal, ele apenas faz o espelho, ele mostra aos seus colaboradores aquilo que eles não veem, porque não tem a distância com eles mesmos, ele faz o espelho, então ele dá feedback, e fazendo esse espelho a pessoa começa a se enxergar, a ver o que ela faz de bem, o que ela faz de mal, e ela começa a se autodesenvolver muito mais rápido. Porque sem espelho não temos critério, né? E como um dançarino que treina sem espelho, né? Ele tá meio perdido. Então o líder espelho tem uma série de técnicas que consistem em reusar os fatos, as palavras do outro, fazer esse método do espelho e aí tem resultados maravilhosos. É muito legal.
Tomás, excelente. Líder alquimista, líder espelho de já, tem um grande ouvido que sempre está aqui nas entrevistas Eu não respondo sem a pergunta, ele também gostou disso que você acabou de dizer Tomás, eu estou de olho no tempo, naturalmente se nós não estivéssemos numa entrevista aberta, eu ia me aproveitando em alguns conceitos que você trouxe Por isso que às vezes eu estou saindo de um assunto e indo para outro para a gente abordar do seu conhecimento e aí já ouvimos e estávamos acompanhando. Siga o Tomás no Instagram. Ele deixou aqui o link para a funda turma do curso e hoje tem aula gratuita, certo?
Isso. Pode ver no meu YouTube ou nas minhas redes sociais vão encontrar o link para a aula de hoje, às 20 horas.
Muito bem, 20 horas. Tomás, CNV. Nós trouxemos aqui o exemplo do líder das convenções Mas em todos os relacionamentos, dentro de casa, em uma frase que eu acho que alguém aqui vai se perguntar Ah, você não me ouve Um companheiro fala com o companheiro, você não me ouve O que isso pode significar? Está faltando silêncio, está faltando escutatória.
Você não me ouve é um sinal vermelho, porque tudo que começa por você alguma coisa é um julgamento e o outro lado vai se sentir acusado e aí começa a alimentar uma espiral que é tudo o contrário da CNV, da comunicação não violenta. Então você não me ouve é uma fala violenta, embora ela expressa um sentimento e uma necessidade profunda que nós temos. Então, todo o exercício é conseguir verbalizar os seus sentires e os seus quereres, que eu estava mostrando há pouco, sem cair no vermelho e em falas violentas. Então, por exemplo, quando eu vejo que é um cliente do meu ovo, eu digo, puxa, eu percebo que não consegui captar a sua atenção. Mas é uma fala na primeira pessoa, não é uma fala você, que tem o dedo apontado. eu percebi que não consigo lhe interessar. E eu preciso de prova de escuta, eu preciso de atenção. Então verbalizar as suas necessidades e falar na primeira pessoa já é o primeiro passo para que talvez o outro comece a escutar mais. Porque às vezes temos tantos reflexos automáticos nos sinais vermelhos que as pessoas estão cansadas de nos escutar. E essa coisa de escutar também é criar um espaço onde o diálogo é possível. E se esse espaço está cheio de reações automáticas, de padrões de comportamento, os outros perdem a paciência. Eu não quero generalizar aqui, mas pode acontecer em algumas situações que nós não deixamos este diálogo acontecer porque já mostramos tantas, e não quero dizer que é o caso de ninguém que está aqui ou que fecha a pergunta, mas já se verificou que muitas vezes podemos criar à nossa volta um ambiente de não escuta pelos padrões que nós temos semeados através da nossa linguagem.
A repetição, são mantras positivos e mantras negativos. Você mencionou alguns sinais vermelhos, eu notei aqui alguns, mas, na verdade, tem um que sempre me incomoda, que é o quer dizer. Fala, fala, fala o que quer dizer.
Isso tem muito a ver com a ecologia das palavras. Porque quando você tira o quer dizer da frase, só fica melhor. e você não tira nada da riqueza do que você queria dizer. Então, tem muitas palavras assim que você pode tirar e só fica melhor. E nós usamos como uma proteção, porque achamos que o lugar seguro é o lugar da fala, lugar seguro é o lugar da escuta, quanto menos palavras. A palavra bastante também, muitas vezes podemos tirar, só fica melhor. Tem um monte de expressão Eu quero dizer, eu queria dizer ainda pior, que eu queria que se diminuísse. Tudo isso, você pode tirar, você fica melhor.
Quero dizer, eu sempre tenho a impressão, quando eu estou ouvindo uma entrevista no rádio, algum especialista, ele fala, fala, fala, quando ele diz, quer dizer, bom, então tudo que ele falou até agora não valeu.
Ele não queria dizer.
É impressionante. Esses são os sinais vermelhos. Antes, eu tenho que perguntar para o Tomás. E os sinais verdes?
Os sinais verdes. Os sinais verdes, nós usamos eles. Cada um de vocês já usa eles. Não são coisas que eu invento aqui. Você fala, meu Deus, eu pensei talvez uma ou outra, mas... Só que eu vou dar critérios para que as pessoas usam de forma consciente. e escolhendo usar o sinal verde, né? Porque fazemos sinal verde com os amigos, quando estamos bem-humorados, no momento que deu certo, né? A ideia é você fazer o sinal verde o tempo todo. Então, nós temos três tendências naturais. Tendência natural é pensar pelo outro, é querer ter razão e é se diminuir. E a cada um deles correspondem sinais verdes, né? Eu não consigo fazer a aula toda, mas posso dar alguns exemplos. Se interessar. Curiosidade. Não a curiosidade do biblioteca ou da fofoca. Mas o interesse genuíno no outro. Interessantes são as pessoas interessadas. E isso se traduz por perguntas abertas. Se traduz por perguntas focadas. Se traduz por reusar o que o outro diz. Outro sinal verde. Assumir. Assumir sem necessariamente se culpar, sem se diminuir, sem se colocar como vítima, mas assumir a responsabilidade da primeira pessoa e olhar para a frente, olhar para o futuro, esse é um sinal verde. Acolher sem necessariamente concordar. Porque muitas vezes nós achamos que escutar, as pessoas deixam de escutar porque têm medo que o outro ache que concordamos, que nos damos corda para o outro quando escutamos. E quando nos percebemos que podemos acolher a fala do outro sem necessariamente concordar, isso dá uma liberdade maravilhosa. Então acolher sem concordar é muito saudável, é muito verde. E tem padrões de linguagem que permitem mostrar que eu posso acolher legitimamente o ponto de vista diferente e me posicionar, sem entrar no embate. Porque o que acontece? Em geral já entramos no embate, que a tendência natural é querer ter razão. Enfim, isso são exemplos de sinais verdes.
Perfeito.
A Fernanda, como foi para mudar, você trouxe agora a história do embate, Como fazer para mudar o diálogo de confronto para o bom conflito, para fazer a troca de experiência?
Conflitos e confrontos vamos ter cada vez mais, e é uma coisa totalmente natural, porque à medida que temos que interagir com cada vez mais pessoas, com cada vez mais culturas, gerações, opiniões, crenças, religiões, com essa coisa de rede, Nós interagimos com mais pessoas do que antes. É natural que haja conflitos. E isso é uma boa coisa, desde que consigamos transformar os conflitos em negociação. Então, para mudar, eu acho que tem muito a ver com o conceito de negociação colaborativa. Nós temos que ver a vida com essa coisa de negociação colaborativa. E como fazer isso? Aconhecendo as necessidades que estão escondidas atrás das emoções dos outros. Porque atrás de cada emoção negativa tem necessidades não atendidas. E atrás de cada emoção positiva tem uma necessidade atendida. Então quando eu não me identifico com as palavras do outro, com a agressão do outro, com o conflito, eu me distencio e eu abro uma escuta para a necessidade que está gritando atrás de tudo isso, Aí as coisas fluem. É mágico. Eu não digo que é uma coisa que sempre funciona da primeira vez. Agora que dá para passar do paradigma da escassez para o paradigma da abundância, passar do paradigma do conflito para colaborar, da competição para a cooperação, eu já assisti isso e percebi o quanto funciona.
Excelente. A história do conflito, me ocorre aqui em um contexto em que todos querem ter razão. Então, se eu realmente não ouvir o que o outro está tentando dizer, quem sou eu para achar que só o meu ponto de vista é verdadeiro? Então, vai partir aí do começo ao fim.
E, como eu dizia, Não adianta respeitar a opinião do outro, tolerar ou aceitar a opinião do outro que é diferente da nossa. Nós precisamos nos interessar pela diferença. Porque se só aceitamos, toleramos ou respeitamos o outro, não tem esse diálogo. E está cada um na sua praia, no seu quadradinho, faz o que você quiser, desde que você não venha no meu. E aí acontece a violência, porque a violência é quando as palavras não chegam, então a pessoa tem que bater. A violência é quando não consigo verbalizar ou expressar algo interno, então tenho que bater. Este diálogo é fundamental e tem uma frase que está fazendo muitos estragos sobre essa coisa de ter razão. Você quer ser feliz ou quer ter razão?
Totalmente.
E tem muita gente que está entregando a razão para o outro para ser feliz. E desta forma estão se diminuindo ou estão abdicando de uma coisa deles só para ser feliz. E eu digo, cuidado, não é feliz quem dá razão para o outro. É feliz quem percebeu que não tem certo ou errado. Não tem razão e apenas tem pontos de vista diferentes. Então quem consegue conviver com essa diferença que é feliz, não é aquele que baixa os braços e dá razão para o outro.
Adoro... ...pela opinião do outro. Tomás, estou de olho aqui no tempo. Olha uma pergunta interessante. A escutatória é mais fácil virtual do que presencial?
É uma boa pergunta. Bom, a escuta em si Ela pode acontecer muito bem no telefone, porque no telefone eu estou privado de todos os outros sentidos e eu estou 100% focado no som. Mas isso é uma definição reduzida, porque eu não escuto apenas com as orelhas. Agora, eu tinha a tendência de achar que não íamos conseguir, no mundo virtual, estabelecer a qualidade de sutileza, que nós temos no presencial. Infelizmente, eu estava errado. E eu percebi, já antes da pandemia, que nós que não sabemos usar os meios digitais, agora que dá para ter uma comunicação rica em emoção e sutileza, dá, e não precisa ser nenhum Victor Hugo ou Clarice Lispector, eles conseguiam, através de palavras, dar uma qualidade de detalhe, de sutileza na comunicação que nós mesmos, presencialmente, não damos. Então não tenho desculpa. E virtualmente dá para ter a mesma coisa, se não mais. E eu digo, tem uma experiência que eu amo, eu não sei se tem aqui no Brasil, que são aqueles restaurantes no escuro.
Bom, vocês ainda estão abertos.
É, agora não sei mais. Eu amo isso, porque quando você vai jantar com um amigo no escuro, você só escuta ele. Para eu, que trabalho como escutador, é uma experiência maravilhosa.
Sim.
Então, no virtual dá para fazer isso, né?
Toma, você disse que nós não escutamos só com o ouvido, escutamos com os olhos também?
Escutamos com o corpo inteiro. Não é só o sonho, o corpo escuta, é uma energia, o corpo sente, o coração é um órgão sensitivo, que já foi demonstrado, tem um intestino, tem um monte de... O corpo escuta, não é só as orelhas, o corpo inteiro. Então, claro, nós estamos num mundo que está dominado pelos sonhos, pelos sonhos e pela escuta, Agora escutamos com todo o corpo. Aliás, este é o papel do corpo, por isso que encarnamos nesta Terra. Este é o papel do corpo, de termos um corpo físico, é exatamente fazer escutar essa subjetividade, que sem corpo não conseguiríamos, se fossem só almas flutuantes por aí, não teríamos a subjetividade do corpo.
Perfeito, você acabou de me lembrar o título de alguns livros que giram em torno de O Corpo Fala O Corpo Fala, quem ouve? Tomás, nos últimos quatro minutos, você falando me ocorreu assim Eu tenho muitas amigas que estão com bebês novinhos mesmo E eu sempre pergunto, o bebê já tá falando? Então a gente sempre pergunta para a mamãe, o bebê já tá falando? Eu vou perguntar aqui para o Tomás do Senai falar do curso Você se lembra quando você começou a falar? E quando você começou a ouvir? Porque ficamos sempre, né? O bebê está falando? Tá, mamãe, papai... Eu estou aprendendo a ouvir agora, Tomás.
Para mim foi um divisor de água. Eu achava que sabia ouvir. E o dia que eu percebi que não escutava foi o melhor dia da minha vida. Foi um presente. O maior presente da minha vida foi perceber que eu não escutava. E eu continuo... Claro que eu tentei fazer esforço desde então, mas eu continuo me vendo como alguém que não sabe escutar, porque o ser humano é naturalmente limitado na escuta. Agora, você me perguntou se eu me lembro quando eu comecei a falar. Não. Mas eu me lembro de criança escutando as conversas dos adultos, de criança me escondendo abaixo da mesa quando eu tinha que dormir para continuar escutando os adultos rirem, não sei o quê. Então, sim, eu me lembro muito mais da escuta do que da fala.
Interessante. Demais. Tomás, nos últimos dois minutos... Além de te agradecer, gostaria que você deixasse suas considerações finais Djalma está dizendo, deixe a sua imagem aqui no meu Instagram, Nudo Tomás Briel Também leva lá para o meu canal no Instagram, Isabela Camargo Real E as palavras também, vocês também podem nos ajudar a compartilhar Tomás, então, suas considerações finais para quem pode, a partir de agora, ouvir mais e sobre a sua turma, que já já tem aula daqui a meia hora.
Daqui a pouquinho. Daqui a pouquinho começa a aula às oito horas. A primeira consideração é primeiro uma gratidão, porque foi uma delícia ter esta conversa contigo. E eu costumo dizer que a qualidade da fala é proporcional à qualidade da escuta. Então, hoje eu estou interagindo contigo, com o público, mas sobretudo contigo e com as suas perguntas. E então a qualidade das perguntas faz também eu falar coisas que nunca tinha falado antes. Então isso eu adoro e eu sou grato por isso. Eu sou frustrado porque estava doido para falar mais contigo, que você tem um monte de temas que você tem a ver contigo, mas talvez poder mostrar outra coisa outro dia, num outro sentido. Mas quando as pessoas vêm com esse tema da escutadora, eu tenho tantas perguntas que aí vai. Então foi uma delícia e eu adorei. Então isso é a primeira consideração. Segunda consideração... Realmente, o mundo é diferente quando eu começo a enxergar o mundo pelo prisma da escuta, pelo prisma de quem escuta. Então eu convido vocês a aprofundar essas ferramentas, não é nada de outro mundo, porque... Bom, eu vou falar para mim, mas eu ganhei tempo, eu ganhei liberdade, eu ganhei qualidade nos relacionamentos, eu comecei a dizer não e ver que as pessoas me respeitavam mais depois. Eu comecei a falar menos e a ter mais resultado. Então, eu não consigo guardar isso para mim. É por isso que eu decidi dedicar agora o meu tempo a compartilhar. E sinceramente que eu fui garimpando e sintetizei a volta deste método de escutatória. Considerações, eu convido as pessoas a fazerem o curso online. que é um curso gravado, são 18 vídeo-aulas muito dinâmicas, lúdicas, entre 5 e 15 minutos. Eu fiz com artistas, tem animações, tem quiz. Está muito diferente do que eu já vi e observei até agora. E muito diferente das aulas mesmo, não é uma aula, são micro-aulas. E com isso você já consegue mergulhar no universo da escutadora. Então quem se interessar tem o link aqui para conhecer este universo. Vamos abrir a turma de domingo. Então só tem quatro dias para as pessoas se inscreverem. E independentemente disso, eu estou à disposição no LinkedIn e no Instagram para responder as perguntas. Tem um monte de perguntas que eu vi passando que eu adorei, que o espelho não está transparente. que não sei o quê, que eu quero voltar a falar em outras oportunidades. Agora, muito obrigado, Isabela, foi uma delícia passar esse momento contigo e eu quero mais troca desse jeito.
Tomás, adorei, muito obrigada pelo seu tempo e confiança Já ficou muito evidente aqui como o seu curso é transformador Coincidentemente o marcamos hoje, eu não sabia que o lançamento seria hoje E eu gosto muito quando isso acontece, é mais uma prova daquela frase chamado Caibalion Quando o ouvido está pronto, a mensagem chega Quando o ouvido está pronto, a mensagem chega. Então você compartilhou comigo uma ordem especialista do auditatório, Tomás Brion. Tomás, até breve e bom curso, boa aula pra você.
Foi um prazer estar com todos vocês. Até breve.
Tchau, tchau. E pra você que está comigo, muito obrigada mais uma vez pelo seu tempo e confiança. Tivemos aprendizados incríveis. Se você que está aqui nos acompanhando gostou, compartilhe com quem você quer bem, porque ouvir melhor é viver melhor, com certeza. E depois sigam lá aqui briel.com.br barra turma dois. Assista já a próxima aula, daqui a menos de 30 minutos você pode ter mais uma aula além dessa que o Tomás nos deu. Boa noite, bom.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








