Estamos sorrindo porque o assunto é sério!

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a YouTube video titled "Estamos sorrindo porque o assunto é sério!" created on July 7, 2023. It features a live discussion hosted by Isabela Camargo with guests Ana Paula Pena, a neurologist, and Priscila Reis, a lawyer. They discuss the topic of burnout, its symptoms, legal implications, and how it differs from depression. The conversation aims to raise awareness about burnout, its impact on mental health, and the legal rights of affected workers.
Chapters
Oi, boa tarde! É sexta-feira! Meio dia e meia e eu tô aqui quebrando regras, né? Dificilmente eu tenho feito lives, especialmente nesse horário, mas eu escolhi esse horário do almoço pra gente falar de um assunto muito importante. Pra gente falar da saúde de vocês. Como é que vocês vão poder prevenir a saúde de vocês? Como é que vocês podem prevenir o burnout? Mas se já estiver perto do burnout, não é, doutora Priscila Reis, advogada que estará conosco, o que que nós podemos fazer? Então, nesse encontro, Daniel Nakamura, bem-vindo, Lucas, bem-vindo, todos que estão entrando, boa tarde. Eu garanto que nessa próxima hora, eu, Ana Paula Pena, neurologista, e doutora Priscila Reis, advogada, faremos o nosso melhor para desmistificarmos alguns assuntos em torno do burnout, tá? Então, vou começar trazendo aqui a doutora Ana Paula Pena. E, depois da Ana Paula, a doutora Priscila Reis. Vamos ver se funciona, senão eu encerro e começo de novo. Olá!
Olá, querida Isa, tudo bem?
Muito bem, muito feliz. Acabei de ver aqui um comentário, saudade das suas lives. Eu fazia muita live antes, aí eu parei, então eu só retomei agora, porque esse assunto é extremamente importante e você, doutora Ana Paula Pena, neurologista, me devolve a esperança, junto com a doutora Priscila Reis, advogada, que vai entrar agora. Cadê? Cadê, Priscila? Pede aqui, por favor, que eu já... Aqui, aqui, já aceitei. E aí nós vamos começar. Ana, enquanto a Priscila está chegando, se apresenta aqui para a turma. Por que uma neurologista está falando de burnout? Oi, Pri!
Olá, meninas lindas, maravilhosas. Tudo bom?
Boa tarde, boa tarde, Pri. Boa tarde, Isa. É um prazer gigantesco estar aqui. Realmente é isso, né, Isa? A gente às vezes precisa parar para falar de assuntos dolorosos para alertar as pessoas para que não cheguem ali no fim da linha. É tudo isso que a gente não quer, e é por isso que a gente está aqui unidas na hora do almoço, eu, a Isa, a doutora Priscila Reis E é um prazer gigante estar aqui. Então eu sou Ana Paula Pena, pra quem não me conhece, sou médica neurologista E me especializei ao longo dos anos no tratamento do estresse crônico e prevenção de burnout, tá bom? E aqui a doutora Priscila Raio vai se apresentar pra gente E eu sou.
Priscila Reis, eu sou advogada há 22 anos e eu sou especialista em trabalho e previdenciário Mas especificamente em doenças ocupacionais e acidentes de trabalho E aí por isso, claro Uma fã do conteúdo da Isa, né? Acabei me aproximando da Ana também pela mesma razão, enfim Estamos aqui pra gente trocar ideia com as pessoas e agradeço imensamente o convite, Isa E já vou fazer um convite pra você aí lá no meu YouTube, né?
— Já aceitei. Já aceitei. Pri, antes da gente continuar, eu quero agradecer profundamente o seu tempo e o da doutora Ana Paula Porque nós, gente, que estamos aqui, não é porque a gente não tem o que fazer, não. Aliás, nós temos muito o que fazer Mas nós vamos escolher ficar aqui por cerca de 50 minutos nesse horário do almoço Para compartilhar informações que serão muito importantes para a tomada de decisão de vocês ou de quem vocês conhecem Eu vi aqui alguém dizendo assim, meu dedo tá coçando para mandar para umas 10 pessoas Por favor, nos ajude a democratizar uma informação que pode prevenir problemas de saúde, inclusive o burnout Então compartilhe com quem você quer bem, a gente vai começar agora, ela vai ficar gravada, tá? O Urso tá dizendo, leva elas no podcast. Doutora Ana Paula gravou comigo hoje, inclusive, né? E a Pri, nós vamos fazer então uma gravação no YouTube. Você mora em Mato Grosso, né.
Pri? Aham, eu moro em Mato Grosso do Sul, Campo Grande. Mas a hora que você chamar eu vou. Já vou no podcast da.
Ana. Aí faz questão. A Pri vai vir no meu também, viu, Iza? Então a gente marca, ela vem, a danadinha pega o avião e vem pro São.
Paulo. Perfeito, perfeito. Ó, já tem aqui uma pergunta bem provocativa e eu já quero começar com ela. Podemos ter burnout devido a um relacionamento, doutora Ana Paula.
Pella? Olha só, então vamos lá. É super importante a gente esclarecer esses conceitos, tá? Já que a gente vai hoje falar de burnout aí pelos próximos minutos, é importante a gente saber do que a gente tá falando, tá? Quando a gente fala de estresse crônico e desgotamento, Nós podemos ter esses sintomas, essa experiência em diversas situações da nossa vida Então eu posso estar esgotada de repente porque eu sou um estudante que tô com esgotamento ali do estudante, o esgotamento materno Então aquela mamãe com bebê pequeno principalmente ou que não tem uma rede de apoio Mesmo que a criança já tenha ali os seus 4, 5 anos Aí a mãe fica cheia de coisa pra fazer e leva e busca e traz e não sei o que Então sim, tem um esgotamento Tem o esgotamento de um relacionamento de repente tóxico, uma coisa que não tá legal, abusivo, assediador Portanto Existem várias situações de esgotamento com sintomas muito semelhantes, porém nós só vamos usar o termo burnout O burnout vai ser usado exclusivamente quando ele for relacionado ao trabalho, ao ambiente de trabalho tanto que ele já foi considerado pela nova classificação internacional das doenças como uma doença ocupacional do trabalho. E, portanto, eu tenho ali implicações legais relacionadas a isso. Então não existe, a gente não vai falar de burnout materno, não vai falar de burnout do.
Relacionamento. Isso. Até uma pessoa aqui disse, eu tive devido a um relacionamento. Então eu vou repetir o que a doutora Ana Paula disse. O esgotamento que muitos de nós sentimos não é burnout. O burnout acontece no ambiente profissional quando você já está esgotada, vivendo o esgotamento, já faz sofrimento. E aí, pelas minhas percepções e pesquisas, precisa acontecer algum tipo de assédio. E que o desembargador Sebastião Oliveira vai chamar de dano existencial. Então, como agora nós temos alguns avanços, não é, doutora Priscila? Sobre assédio. Então, eu tenho pra mim, Priscila, que é como se as peças agora estivessem Quando você tem a classificação internacional de doenças classificando burnout como um fenômeno ocupacional, está dando a responsabilidade devida para o ambiente profissional que, dependendo da forma como você trata o seu funcionário, sim, aquele profissional competente, responsável, comprometido pode adoecer se tiver alguma situação relacionada a assédio. Então, Priscila, legalmente, como é que a gente enquadra o burnout? Como é que você lida com as pessoas que chegam te procurando com o.
Burnout? Bem, a burnout por ser uma síndrome que acabou de, é uma doença, acabou de ser colocada no SID-11 como uma doença ocupacional, ela vem sofrendo, Bela e Ana, uma Pressão enorme, as pessoas... Está havendo uma pressão para que não seja reconhecido Então como que eu, Priscila, como advogada, trabalhista previdenciária, atuo? Eu atuo desde o início, do momento em que a pessoa começa a... Esse é o melhor momento Já que a gente não conseguiu prevenir, o advogado entra quando a pessoa começa a apresentar aquele monte de atestado médico que é relacionado a situações diferentes, como por exemplo problemas gastrointestinais, enxaqueca, problema na pele, problema de quebra de cabelo, enfim, diversas coisas diferentes Demonstrações clínicas que a gente não sabe ainda que é o corpo sendo Pedindo ajuda é esgotado ou se esgotando Então nesse momento eu entro, por quê? Porque desde esse momento pode haver uma despedida ilegal ou discriminatória Desde esse momento e normalmente o que acontece é a situação se agrava Então se havia assédio, o assédio fica mais forte Então é desde esse momento que a gente, como advogado, precisa atuar Nesse momento, é claro, é orientando, orientando como a pessoa deve fazer Porque aí ele vai bater lá no INSS, ele vai no médico assistente dele que não quer dar um atestado porque tem medo Ele vai ter que encarar o médico do trabalho que também não tem independência E aí por conta disso ele fica sem saber o que fazer Então é esse o momento.
Que eu começo a atuar Perfeito Pri, já já eu quero explicar Inclusive a Keyla tá perguntando qual a diferença do burnout e a depressão Eu já explico, tá Keyla? Mas é importante também, Priscila, eu já fazer aqui uma consideração que um advogado que trabalha com burnout ou com outro problema relacionado à saúde mental precisa ter um interesse com mais amor à causa. Porque aquele profissional que está precisando judicializar alguma situação pós-diagnóstico Ele não tem saúde mental, ele está sem naquele momento, justamente por isso ele está doente E Priscila, eu vivi situações e tenho acompanhado situações que me deixam com muito medo de como os advogados podem, inclusive, piorar a condição desse profissional Então você não pode tratar uma pessoa que foi demitida por burnout da mesma maneira que você trataria outras pessoas que estão com a sua saúde Mas em ordem, tá? Então só esse parênteses Eu gosto muito de conversar com os advogados E fico muito feliz quando eu te encontrei no evento da Irisma Você, assim como a doutora Ana Paula, me devolvem a esperança Porque estão vendo que nós podemos ou prevenir ou tratar ou reabilitar. Independentemente das três situações em que nós nos deparamos com o burnout, precisamos de respeito e precisamos de interesse em como resolver. Então, muito obrigada por você estar aqui no meu time e no time da Ana também para a gente entender melhor o que acontece com o burnout. E aí, rapidamente, eu volto a palavra para a Ana. Muito importante, gente. O que acontece depois do burnout? Porque é meu papel também a não banalização Hoje eu também ensino as empresas a como se protegerem do burnout Porque senão todo mundo que está cansado tem burnout? Não Uma pessoa que está esgotada, se sentindo esgotada, tem burnout? Não Depois do burnout, pra você entender, você perde funcionalidade Você deixa de fazer alguma coisa que você sempre fez naturalmente Então se você tá cansada, você precisa descansar Se você tá sentindo exaustão, você precisa mudar o estilo de vida Significa pedir ajuda, dizer não, delegar, mandar alguém pra PQP Alguma coisa você tá precisando fazer para o seu estilo de vida ficar mais coerente, mais saudável. Isso é burnout? Não. Burnout é um sujeito que está em esgotamento, vive uma situação dentro do ambiente profissional caracterizada por assédio. Ela já está se negligenciando há muito tempo. O ambiente já está insustentável há muito tempo. Aí acontece a situação que é a gota que transborda o copo. Depois disso, o que acontece? Aí sim. o sujeito ou a sujeita perde funcionalidade. Então, por favor, senhores, doutora Ana Paula, posso falar pra você, a gente não pode também dizer que tô cansada, tô com burnout, porque senão vai ficar difícil, né? A gente ter o respeito que todos.
Precisamos. Perfeito, Isa. Perfeito essa tua colocação. A gente não pode banalizar e quando acontece o burnout, pessoal, o sujeito perde a funcionalidade E tudo aquilo que ele fazia em termos de trabalho, ele não consegue mais fazer Então, por exemplo, a pessoa é um professor e corrigia provas Ele não consegue mais ter o entendimento ali daquela redação que o aluno dele escreveu Eu tenho enfermeiras que não conseguem mais ler a prescrição médica, não conseguem interpretar Jornalistas que não conseguem redigir um texto ou interpretar, a Isa já falou isso algumas vezes, o que aconteceu com ela Médicos que não se lembram mais as substâncias ou antibióticos que tem que prescrever Programadores de TI que não sabem mais usar uma simples planilha de Excel Quer dizer, a coisa é muito grave, é muito séria, tá? Pessoas que às vezes acham que desaprenderam a dirigir Eu tenho pacientes que chegam nesse grau, tá? A pessoa fala, eu não sei mais dirigir, né? Então os sintomas são muito severos e muito graves E por que acontece isso? Porque acontece um colapso mental É como se fosse ali um apagão total, caísse o disjuntor, né? Cai o disjuntor e o cérebro dá um bug Cérebro bugou, que nem dizem minhas filhas, tá? Isso é estrelamente grave, tá? Então exatamente como a Isa falou, isso não é só um cansaço, só o esgotamento Isso é um quadro muito sério e aí já aproveitando aqui antes de passar para a Pri, né? Alguns comentários e aí muita gente aqui que Amo a Priscila porque a Priscila é uma profissional incrível, que acolhe a pessoa que tá passando, o indivíduo que tá passando por esse quadro E ele falou, ainda bem que eu encontrei a Pri porque outros profissionais da área tinham Feito descaso com a minha situação e infelizmente isso é o que eu vejo também na medicina Principalmente relacionado a médicos do trabalho, médicos peritos que olham pra cara do sujeito que já tá em sofrimento É como se empurrassem ele pro abismo e dizem assim Pede demissão, arruma outro trabalho. Por que você tá lá se você não gosta? Você não acha que você é muito novo pra estar desse jeito? Você vai querer o que? Aposentar? Eu ouço cada barbaridade Então assim, que bom que temos pessoas que estudam, engajadas E que entenderam que o burnout não é frescura, né.
Pri? Pri, rapidamente, estão pedindo aqui pra tirar as notificações Eu também fico muito dividida em deixar as notificações porque eu acabo vendo aqui os comentários E tirar. O que vocês.
Preferem? Eu não me incomodo de manter as notificações, Isa Eu acho que como você está comandando aí hoje, você que decide Para mim essa notificação, eu gosto dessa interação, mas você que manda Tá.
Então eu vou tirar um pouquinho aqui os comentários para que todos possam ver o rostinho de vocês Depois eu volto. E quem tiver alguma pergunta ou algum comentário que quer que eu leia, coloca lá na caixinha de perguntas. Enquanto isso, deixa eu contar para vocês uma coisa que acontece desativar comentários. Quando a pessoa perde funcionalidade, Até as pessoas muito próximas têm dificuldade em reconhecer A minha mãe, amada mãe, ela falava, mas você não consegue dirigir mesmo? Por que você não consegue dirigir? Eu aprendi a dirigir com 12 anos, morava no sítio ainda, na estrada de terra Então você perde funcionalidade mesmo Eu já voltei a dirigir, eu já voltei a compreender textos, já me viram inclusive lendo Mas eu ainda tenho uma sequela bem grave relacionada à perspectiva de atraso Mas deixa pra depois. Doutora Priscila, e aí? O que você tem visto? Como é que as pessoas têm chegado até você? Destruídas?
Deslaceradas? Destruídas, dilaceradas, como você falou, pessoas que perderam o controle do sphincter Pessoas que não tem mais memória, pessoas que não conseguem mais sair de casa A gente tem algumas pessoas em comum, eu, clientes Com a Ana, a paciente, né? Que, por exemplo, a pessoa não dirigir isso que você falou é muito comum realmente, sabe? Gente que não dirige mais porque tem medo de sair de casa, de dirigir, tem medo mais Eu tenho uma cliente, por exemplo, Luiza, que não consegue buscar alguma coisa no térreo do prédio dela E como ela passa o dia inteiro sozinha, ela... Fica sem poder, sem se comunicar, qualquer coisa que chegue lá embaixo e peçam pra ela ir buscar, ela entra em desespero E eu só soube disso, eu só soube disso porque na hora que eu estava conversando com ela, ela foi chamada a buscar alguma coisa lá no térreo do prédio dela e ela entrou Desespero, e eu achei que tava acontecendo uma ameaça, alguma coisa, um incêndio de tão desesperada que ela ficou Mas as pessoas têm sim dificuldade de enxergar, como vocês falaram, de ver até as próximas, as pessoas próximas, porque Primeiro porque normalmente essas pessoas que acabam tendo o burnout, normalmente eram muitas vezes a rima de família, por exemplo Eram as pessoas que mais trabalhavam, que mais eram corajosas, que mais enfrentavam as dificuldades, que mais colocavam E que tinham destaque normalmente Porque gostam muito e gostavam muito daquilo que faziam Então é difícil entender sinais de que aquela pessoa não consegue mais Coisas que ela não consegue mais fazer Porque não se vê nada A pessoa aparentemente não tem nada Aparentemente em algumas situações você não vai perceber o cabelo caindo Você não vai perceber o problema na pele Você não vai perceber os roxos Você não vai perceber O medo, o desespero, a indecisão, a exaustão. E a gente tem um preconceito também, né, Isa? A gente tem um preconceito Então ontem eu tava ouvindo uma pessoa falar que embora a burnout seja mais limpinha do que a depressão Porque a gente tem muito preconceito com doenças. Não, ela falou isso pelo seguinte A pessoa não se importa, às vezes, de falar que tem burnout, mas se importa em falar que tem uma depressão Então muita gente tá carregando pra essa... Ah, não é depressão que eu tenho, eu tenho burnout Então também tá tendo esse problema, porque existe um preconceito E a gente não pode negar que existe, porque se a gente não enxergar que existe, a gente não tem como lutar contra ele E existe um problema grave de preconceito em relação a qualquer doença que seja psíquica Invisível Invisível.
Isso. Pri, adorei esses relatos. Quando eu falo adorei, não é que eu gostei do que as pessoas estão sentindo Eu gostei de você ter trazido esses exemplos para tangibilizar o invisível Quando você fala que uma pessoa não tem controle no esfíncter, significa que ela não consegue segurar o cocô Se ela não consegue segurar o cocô, ela ficou disfuncional Então eu cheguei aqui a palavra disfuncional, meninas, acho que a gente pode usar isso Depois do burnout a pessoa fica disfuncional, pronto De alguma maneira ela fica desfuncional Ou ela não dirige mais, ou ela não consegue fazer as necessidades básicas Acho que assim vai ser um bom jeito da gente explicar o que vocês acham Sim, claro Porque senão também tem um monte de gente folgada que ao estar cansada fala Isso aí que você teve eu já tive umas duas.
Vezes, cara, não é coisa cega não E me recuperei nas férias É, aí que é pior.
Né? Aí que é pior Ah, eu vou descansar no final de.
Semana Eu ouvi isso. Eu ouvi exatamente isso.
Ana. Eu.
Imagino. Eu.
Imagino. No meu retorno, eu ouvi exatamente isso. Ah, eu fiquei um fim de semana no hospital, voltei.
Ótimo. Então você não tinha burnout, meu.
Bem? Eu já falei.
Isso. Então você não tinha.
Burnout? Eu quero só pegar esse gancho e dizer o seguinte É claro que a pessoa podia estar, então, de repente cansada, estressada, esgotada Porque como a gente fala, né? O burnout é um contínuo de sintomas que você vai apresentando E você pode ter só o comecinho ali do quadro, mas você não tem burnout Você tem um estresse que tá se manifestando E aí veio uma pergunta antes da gente tirar os comentários que é sobre a diferença de depressão e burnout E já pegando esse gancho, né, Isa, eu queria falar um pouquinho disso É o seguinte Vejam só pessoal, a gente tem dentro do burnout, como eu falei, como eu falo, hoje eu não falei ainda, sintomas físicos, queda de cabelo, dor de cabeça, lesões de pele, muita diarreia, dor de barriga, náusea, tontura, problemas vasculares Então dá sintoma físico, queda de imunidade, eu tenho sintomas no meu corpo Aí eu tenho sintomas cognitivos também, né? Perda de memória, como a gente tá falando, dificuldade de raciocínio, de encontrar palavras e por aí vai, tá? De fazer coisas que eu fazia antes, muito bem E sintomas mentais, que aí entram sintomas ansiosos, crises de pânico, ansiedade e tal e sintomas depressivos. Ou seja, sintomas depressivos estão, sim, muitas vezes, dentro do burnout. Não é todo burnout que tem que ter sintoma depressivo ou depressão, mas eles são, sim, simultâneos muitas vezes. Eles convivem muitas vezes. Já a depressão, e vamos voltar a falar, o burnout sempre dentro do ambiente de trabalho, ok? Muito bem. Já a depressão, pessoal, é uma doença que pode acontecer, acho que todo mundo aqui já viveu algum estado depressivo ou já conviveu com alguém nesse estado, a depressão ela não escolhe hora, não escolhe lugar, ela acontece Dentro de casa, ela acontece se você não tiver empregado Então a gente tem que saber diferenciar isso, tá bom? Mas sim, tem pessoas com burnout, com depressão muito grave E aí só pra finalizar aqui meu raciocínio e dando um exemplo também dentro do que vocês falaram Eu tenho uma paciente, Isa, com uma gravidade tamanha que ela toma banho uma vez por semana Ela não tem força para levantar da cama, talvez seja a mesma da Pri, né Pri? A gente acha que tem umas pacientes em comum, umas clientes em comum E ela infelizmente toma banho uma vez por semana e consegue lavar o cabelo a cada dois meses Então é extremamente.
Grave o que a gente tá falando.
Eu tô vendo aqui uma pergunta... Eu vou voltar aos comentários, tá meninas? E já vou trazer a... Uma pra você, Ana. A Kátia Souza fala que os médicos que não acreditam em tudo que você tá falando pioram mais as coisas Exato.
Exato. A Kátia é uma querida, é uma paciente minha, estamos juntas Me encontrou, se não me engano, através do trabalho da Isa que me achou que foi através da... enfim E aí ela chegou até mim E estamos juntas e vamos cuidar dessa lindeza E ela já sofreu muito na mão de médico que dizia que era frescura o que ela tinha, que ela é muito nova E vamos lá menina, levanta daí, segue o baile, engole o choro, o que que é.
Isso? Então, doutora Priscila, como a depressão, já que a Ana trouxe esse ponto que é importantíssimo A depressão pode ser confundida com o burnout especialmente por ela não estar associada ao trabalho Muitos trabalhadores, aliás muitos médicos Ou recomendam ou aceitam o pedido dos pacientes para colocar no SID depressão Porque aí a pessoa se afasta e volta e não vai ser dispensada Porque quando coloca burnout aí tá caracterizado que é o ambiente Você tem visto muito.
Isso? Eu tenho visto demais Eu tenho visto tanto médicos que se negam Até falam para o paciente, olha, você tem burnout Mas eu não vou colocar aqui porque eu não posso diagnosticar Primeira coisa, ou eu não vou por aqui porque senão você vai ser demitido, porque eu não posso colocar que você... Senão como que você vai voltar a trabalhar? Você vai viver como? E assim por diante. Então o médico que quer, em vez de fazer o trabalho dele e simplesmente, se ele não pode, se ele entende que não pode diagnosticar, isso é uma questão discutível que eu já até conversei com ela noutras vezes, mas ainda que ele pense que ele não pode diagnosticar porque ele não foi ao local de trabalho, ele tem que pôr a hipótese diagnóstica sim Ele tem que dizer que a pessoa tem burnout no entendimento dele pelos relatos do paciente E isso ocorre muito frequentemente Porque, como a gente já falou lá no início, toda vez que a gente tem um reconhecimento de um direito social, a gente tem um contra-movimento Então o que aconteceu? A gente tem aí o reconhecimento de que burnout é uma doença ocupacional E por ser doença ocupacional existe uma responsabilidade do empregador Que tem a responsabilidade de manter o local de trabalho seguro E é uma responsabilidade de resultado e não de meio Então ele precisa manter seguro E a gente tem, por outro lado Um movimento que quer negar a existência da burnout como uma doença Simplesmente porque não tá no DSM-5 e porque muitos sintomas se confundem com outras doenças Então a gente sabe que isso vai acontecer, mas a gente precisa lutar contra isso E uma das formas de lutar contra isso é fazendo o que a gente tá fazendo hoje, que é informar as pessoas dar poder às pessoas através da informação. E você, Isa, você foi uma das primeiras pessoas que eu me lembro de ter falado e de ter levado isso para o grande público, a importância para o povo brasileiro a importância e a gravidade desse assunto. Infelizmente com a sua história, né? Mas começou tudo com o seu sofrimento, mas é real isso, viu.
Ian? Obrigada Pri, eu fico feliz com a sua fala, bem esclarecedora. Eu me lembro da Maria da Penha Agora você me falando isso, né? Porque algumas pessoas, inclusive, me criticaram muito dizendo que eu expus, eu surfei na onda Gente, deixa eu falar um negócio Quando eu voltei de licença médica, eu fui dispensada e eu fui colocada publicamente exposta como inválida E eu não recebi nenhuma proposta pra voltar pra trabalhar na televisão não, tá? E eu só fui buscar informações porque eu precisava me defender Depois, quando eu comecei a me recuperar, é que eu comecei a entender o tamanho do pepino que eu tava E aí eu tinha duas escolhas Abandono esse pepino e deixo todo mundo... doente ou não. Ou eu vou usar a minha experiência, que é inquestionável, inclusive de reintegração e tudo mais, e vou contribuir para a saúde de outras pessoas. Agora, quem quiser, é só entender se faz sentido. Quando falar, você não tem dois burnouts, três burnouts. Burnout é uma coisa só. Burnout não tem cura e você pode ter outros episódios, sim. Ou você já vai logo com um infarto e aí você não tem mais chance nem de ficar com conversinha afiada. Então é uma escolha. Faz sentido pra você ou não. E é só estudar um pouquinho. Mas agora você falando, eu lembro da Maria da Penha. Ela precisou, então, ficar na cadeira de roda pra as pessoas entenderem que aquilo que ela estava vivendo e sofrendo não era frescura. Ui, tem uma pergunta aqui da Vanessa Rocha que é muito importante pra vocês Traduzir, hein? Até que ponto o médico pode pedir a Cátia? Até que ponto é o advogado? A Vanessa perguntou, afastamento por assistente de trabalho junto à inocência ajudaria no diagnóstico? Doutora Priscila, se a Cátia não é aberta pela empresa, quem pode.
Abrir? Isso eu aprendi tudo com a Priscila, tá? Que, aliás, é a maior especialista em direitos do burnout desse país Eu tenho aprendido com essa mulher que vocês não têm.
Noção. Responde aí, Pri Ana, Isa, seguinte, a Cate pode ser pela lei, pode ser emitida por qualquer autoridade Pode ser emitida pelo próprio paciente doente, o acidentado ou o trabalhador Pode ser emitida pelo sindicato, mas deve, deve ser emitida pela empresa Ah, tem o Seresti, então o que eu falo pra pessoa? O que acontece normalmente? Quem é que teve Cate? Emitida pela empresa reconhecendo burnout Eu não sei se eu tive um ou dois casos de CAT Entre todos os meus clientes que têm uma doença ocupacional e não um acidente de trabalho Já é difícil um acidente? Imagina a doença ocupacional, a empresa emitir a CAT Não emite, ela diz que não tem obrigação, ela diz que a doença não é acidente Enfim, ela inventa várias coisas Então o que o trabalhador tem que fazer? A prática é, você faz um documento, faz por escrito, por e-mail, pelo WhatsApp Ou então já vai atrás de uma advogada que você confia pra essa advogada fazer o pedido pra empresa, emitir a carta Eu já faço isso, eu já começo daí, sabe? E por que você vai fazer isso? Porque você tem que documentar, porque depois a empresa ainda diz que você não sabia que você tinha um problema de saúde ocupacional, tá? Então você já vai começar a fazer as provas agora A empresa se negou a emitir a comunicação de acidente de trabalho, você vai procurar o SERESTE, o Centro de Referência ao Trabalhador É um órgão público que tem aí no país inteiro, em diversas cidades e regiões Infelizmente, por ser um órgão público, você vai encontrar gente Assim como você também encontra gente boa e gente ruim na iniciativa privada, você também encontra no serviço público Então o que acontece? Às vezes você chega no serviço público mal atendido e não consegue a CATE, mas eles emitem sim O INSS, gente, ele não emite CATE E ele não reconhece, e é muito importante o reconhecimento de que é uma doença ocupacional É muito importante, mas ele faz o quê? Ele pega lá o documento médico, o laudo maravilhoso que a doutora Ana faz Escrevendo por que aquilo é burnout E aí o que acontece que ele faz com isso? Ele desconfigura aquilo e diz que o afastamento tá se dando por um F32, F33, uma depressão, um transtorno de ansiedade Mas ele não coloca burnout, ele não coloca E aí quando esse trabalhador retorna pro trabalho, ele é demitido Ou então ele é mais assediado, ainda como a Isa falou O que que vai acontecer com ele? Ele é escanteado Ele é colocado na sala do castigo, na mesa do problema No computador que não funciona, na máquina que não produz, enfim É isso uma das coisas mais graves que tem. A não emissão da Cate gera uma série de problemas E só pra terminar essa questão, sem a Cate é possível garantir os direitos do trabalhador? É, mas é muito mais difícil E a empresa, gente, ela não emite justamente por isso Ela não emite porque ela não quer, ela não quer o problema pra ela, ela não quer reconhecer.
Pri, qual o prazo, a Simone tá perguntando, qual o prazo pra abrir a Cate após o.
Desligamento? Não, a Cate tem que ser emitida no momento do diagnóstico. Então, por exemplo, você foi na doutora Ana, que é médica, a doutora Ana deu lá a hipótese diagnóstica. Pega esse atestado, manda para a empresa por e-mail ou pelo WhatsApp e escreve assim, Documento médico de afastamento conforme se de tal doença ocupacional solicita a emissão da comunicação de acidente de trabalho Vai resolver? Para a emissão da comunicação não vai resolver, mas para a prova judicial depois vai te ajudar 24 horas, no dia seguinte, no dia útil seguinte, a empresa deveria emitir a comunicação de acidente de trabalho.
Emite? Não E aí tem aquela coisa que a gente falou na nossa última live juntas, né Pri? Que é o seguinte, olha só gente o conflito de interesses, tá? Você como médico, o funcionário tem que levar então o laudo médico, por exemplo, meu Lá na medicina do trabalho da empresa Atenção, o médico do trabalho é pago pelo empregador, o mesmo O empregador é o mesmo do médico do trabalho com... Existe um conflito de interesse O médico do trabalho, pra ele abrir a cate e falar que esse indivíduo está com uma doença e ele sabe que ele vai prejudicar muito o empregador dessa forma. Eu acho até, Pri, que isso devia ser revisto juridicamente.
Né? Eu até fiz um post sobre isso, Isa. Sabe o que os médicos do trabalho estão fazendo atualmente? Porque assim, a pessoa fica lá afastada dois anos por burnout. Tem casos que já estão com afastamento pra 2025 pra retorno Aí na hora de retornar ao trabalho, essa pessoa necessariamente precisa passar um exame de retorno ao trabalho Acontece que muitas vezes essa pessoa não tá em condições de voltar, que o médico assistente dela disse que não, ela não pode voltar Só que o INSS liberou. O que ela tem que fazer? Ela tem que se colocar à disposição do empregador, mesmo sabendo que não está bem, mesmo Tendo aquele desespero, ânsia de vômito, urinando na roupa como eu já vi acontecer Dentro da empresa, por conta do exame de retorno ao trabalho Ela tem que se colocar à disposição para não ser justa causa E aí quando ela se coloca à disposição, que ela vai lá no exame médico de retorno ao trabalho O médico do trabalho, que é pago pelo empregador, não quer atestar a incapacidade dela E por que não quer? Porque se atestar, aumenta a tributação, dá problema na questão de convênio, aumenta o valor do convênio médico pago pelo empregador, gera a possibilidade de indenização Então você acha que o empregado do mesmo empregador... É que o médico parece que ele não enxerga que ele é empregado Ele não tem independência nenhuma Ele enxerga que ele é tão empregado quanto o outro, mas ele recebe o salário daquele empregador e ele não... Faz o que ele deveria fazer A gente tem que mudar essa questão Tinha que ser uma junta de médicos E tinha que ter igual possibilidade de voto, de decisão E não podia ficar só com o médico do trabalho, ocupado pelo empregador Mas existe.
Algum prazo pela lei para a abertura da Cate após o desligamento? Então vamos supor, como aconteceu comigo O empregador não abriu a Cate, eu fui... Tanto que eu soube disso na minha época que a médica que me atendeu na sequência Ela falou assim, olha, pede pro sindicato abrir Aí eu fui no sindicato, o sindicato abriu Agora deixa eu contar um negócio pra vocês Você tem que tomar um monte de decisão Tem que ficar provando pra todo mundo que você tá incapaz E a vida continua. Então tudo que eu faço é para prevenir você de chegar nesse estado O que eu e a Priscila e a Ana Paula estamos falando é para você não deixar de chegar nesse ponto Porque depois disso tem que convencer a empresa a abrir a carta, sindicato, sereste É bem mais difícil, a gente tem que cuidar da saúde enquanto nós temos saúde Então, para quem não conseguiu abrir a carta, Pri, tem algum prazo legal que isso precisa ser.
Feito? A partir daquele prazo que a gente falou lá atrás, 24 horas, a empresa já pode ser punida, inclusive, multada, inclusive, por conta da ausência de emissão Por não ter emitido a comunicação de assistente de trabalho, tá? Então o que eu recomendo que as pessoas façam? Elas podem, por exemplo, nesse momento não ter emissão de comunicação de assistente de trabalho Você vai ter prejuízo no INSS, porque lá o benefício vai ser errado Se você se aposentar, você vai ter prejuízo na sua aposentadoria Se você retornar ao trabalho, você vai ter prejuízo, você pode ser demitido E assim, são vários prejuízos reiterados Então o que você precisa fazer? Você deve procurar a ajuda de uma especialista da sua confiança, um advogado que atue nessa área de direito presidencial e trabalhista para a doença ocupacional Que pode ser o seu advogado, se você tem um advogado procure, não deixe de pedir ajuda Porque a burnout, eu costumo dizer que toda pessoa que tem burnout precisa de médico, psicólogo e advogado Não tem jeito, tem que ter os três para não agravar ainda mais o problema.
Né? Perfeito E não adianta ser qualquer advogado porque senão até piora E não adianta ser qualquer médico, né, Ana? Porque senão piora O Ana, você é uma neurologista Por que que você está falando de burnout? O que acontece com os neurônios, Ana, na hora desse colapso? Você pode desenhar pra.
Gente? Sim, então vamos lá, Isa Só... Contando um pouquinho da história, né? Eu trabalhava com a AVC, como a gente falou no podcast Já vou dar um spoiler do interioriza.
Tá? Isso, gravamos hoje, mas em.
Breve... Eu trabalhava muito com AVC, principalmente na saúde pública aqui da região E comecei sim a ver o quanto de pessoas mais jovens estavam tendo AVC E falava, poxa, mas de repente ela não é nem hipertensa, nem diabética e tal Então o estresse começou a chamar muito a atenção E aí fui estudar o estresse e justamente o estresse acabou me levando aí para o estudo mais aprofundado do burnout. E dentro do burnout eu vejo muitas manifestações neurológicas, por exemplo, distúrbios do sono, insônia, dificuldade para dormir, dores de cabeça que também é um sintoma neurológico e principalmente problemas cognitivos, perda de memória, dificuldade de raciocínio, isso tudo que a gente disse aqui. Então as pessoas chegam achando até que Estão ali com... Será que eu tô com Alzheimer? Porque eu tô completamente esquecido Fazia coisas e agora não consigo mais fazer, né? Enfim, então isso é realmente muito grave Do ponto de vista estrutural, o que tá acontecendo ali com o meu cérebro? Então é assim, Isa, o estresse vai elevando a quantidade de cortisol Que é um hormônio que a gente já sabe que lesa muitas áreas do nosso corpo Além disso... Exatamente. Além disso, Isa, eu vou ter no meu cérebro também, através de estímulo do hipotálamo, eu vou ter liberação de eixos ali que vão liberar epinefrina e noradrenalina. Meu sistema nervoso simpático vai ficando alvoroçado, que é o sistema da luta e fuga, né? Por isso que tudo aquilo que a gente faz para combater o estresse é no sentido de ativar o parasimpático, que vai me ativar aí o relaxamento, tá legal? Então o sistema nervoso simpático tá em alerta, que é aquele sistema nervoso mais primitivo do bichinho quando para, que ele não sabe se ele avança em você ou se ele corre. Nós também temos isso. Se chega um ladrão aqui, eu tenho duas opções. Ou eu fico Deveria fugir ou agredi-lo, mas como eu tenho meu lobo frontal e eu sou um ser humano Eu não faço nada disso e sei que eu preciso ficar paradinha ali pra não tomar um tiro Mas enfim, é o nosso sistema de alerta. O que acontece? Eu tô no estresse Eu tenho cortisol e adrenalina o tempo todo altos, o tempo inteiro funcionando. Isso não é nada saudável para o meu corpo nem para o meu cérebro. E isso vai causando lesões em áreas do meu sistema límbico, principalmente amígdala e hipocampo. A amígdala é a região responsável pelo medo, por isso que eu vou ficando cada vez mais ali, eu vou retroalimentando esse sistema de crise de ansiedade e o hipocampo responsável pela área do Da memória, né? Então eu tenho uma alteração da arquitetura mesmo, das células ali do hipocampo E eu vou ter um encolhimento de hipocampo, chego até hipocampos, Iza De pessoas que têm como se fosse um Alzheimer mesmo, né? Que é a região acometida ali pelo Alzheimer E eu também vou ter alterações ali do córtex pré-frontal, que é exatamente uma área também super envolvida no nosso sistema límbico, na tomada de decisões, por isso que muitas vezes eu tenho a despersonalização, que é aquela coisa de eu mudar a minha característica, a minha humanidade, o meu jeito de ser Você fica agressiva, tá? Você fica agressivo Exato Você fica a boca dura, você não tá nem aí, você responde pra qualquer um, exatamente, é isso mesmo Então realmente tudo isso é bastante triste, Isa E já aproveitando, eu queria pegar um gancho aqui de você agora responder uma coisa pra gente, Isa Que eu tenho curiosidade, eu acho que eu talvez nunca tenha te feito essa pergunta Isa, você tem encontrado muitas pessoas nessa condição pelo trabalho que você faz aqui nas redes e tal E, enfim, nas suas palestras e tudo mais O que te fez, Isa, notar que é algo que realmente depois que você trouxe à tona Eu tenho percebido cada vez mais e concordo em gênero e número com você E nós vamos ainda fazer essa pesquisa Mas o que te trouxe essa percepção, Isa, de que o assédio seria a grande virada de chave entre o esgotamento para o.
Burnout? Ótima.
Pergunta! Responderei assim que eu responder aqui o Nelson Eu até fixei aqui o comentário dele porque essa é uma dúvida muito recorrente E quando você é empreendedor, Nelson? Eu ouvi três amigas muito próximas a empreendedoras e aí eu tirei uma conclusão Eu passo para as profissionais aqui também responderem Quando você é empreendedor você pode sofrer um assédio, como a Ana já trouxe aqui, de um cliente O assédio, a gota que transborda o copo, ela vem de alguém que está junto ou acima de você É quando você já fez o seu melhor, o seu impossível É quando você já está rodando já com o carro na reserva e não tem mais como rodar E aí vem um cliente, desses casos em que eu tive muita proximidade, e o cliente te detona Ou o cliente falta com respeito, tá? Como você quiser Então é isso, Nelson Quando você é empreendedor isso pode acontecer Sim, quando você vive uma situação caracterizada por assédio de um cliente Respondida Outra coisa, vou trazer aqui a Milene Pérez porque ela está se manifestando aqui bastante E eu estou vendo você, tá? Na verdade eu estou vendo todos vocês Eu só não consigo interromper o tempo todo senão a conversa não flui A Milena falou aqui Milena Pérez, eu tinha problema de memória e numa reunião de projeto com uma colega, mencionei que precisava de ajuda porque não estava conseguindo entender. Ela respondeu que não estava ali para isso, eu que me virasse. Depois das palestras, uma pergunta muito recorrente é assim, quando eu estou nas empresas. Uma pessoa fala, como é que eu posso reconhecer quando meu colega está adoecendo, entrando em burnout? E aí, Milena, eu sempre menciono o filme Tempos Modernos. Para mim, a cena principal desse filme preto e branco de 1936 não é o Chaplin entrando na engrenagem. É quando ele está na linha de produção, tendo um colapso nervoso, e o colega do lado olha para ele e fala, você tá louco? Será que a gente não está olhando para as pessoas do nosso lado, assim como a Milena ouviu aqui de uma colega que não estava ali para isso? Será que a gente não está fazendo justamente aquilo que a gente sabe que existe e acha que não? Nós somos super bonzinhos, só as pessoas que fazem isso. Não. Tenho certeza que dessas mais de mil pessoas que já passaram aqui, provavelmente você já olhou alguém sentindo alguma dor invisível e já desqualificou essa pessoa. Então, Ana, Respondendo sua pergunta agora e passando pra vocês, o que me fez chegar a essa conclusão, dona Ana, além do que aconteceu comigo e de mais de 4 mil pessoas que me disseram, é que... Como é que eu vou explicar que um sujeito que é comprometido e irresponsável adoece? O que precisa acontecer para um profissional, qualificado, adoecer por fazer demais aquilo que sempre fez? Então, qual é a bala de prata? Qual é a resposta que todo mundo quer? Sim, é alguma situação relacionada a assédio Todas as pessoas que eu comento sobre isso e eu peço com muito carinho, volte alguns passos Tenta se lembrar qual foi a situação que você viveu que aí é como se a alma falasse assim, agora deu O corpo já.
Fez tudo o que.
Pôde. Todos os seus órgãos estão desequilibrados. Aí você vive uma situação com uma chefia, uma liderança, ou alguém que está um pouquinho acima de você ali no time, ou um cliente, e você vive uma situação caracterizada por um sérgio. O que me faz ter muita certeza do que eu estou falando, além do que eu já vivi, o que mais de 4 mil pessoas já me descreveram, Porque, senhoras e senhores, vocês que estão vivendo o burnout, vocês não são profissionais ruins. Vocês só estão vivendo uma fase ruim. Onde existe um folgado, existe um sobrecarregado. E essa sobrecarga se transforma em problema quando alguém com um pouco mais de poder sobre você neste ambiente falta com algum respeito. Faz sentido, doutora.
Priscila? Todo sentido, Isma. Depois que a gente conversou lá no Isma, BR, que você me falou isso e que eu fiquei... Assim, inicialmente eu não concordei, inclusive, com você, né? E aí eu vim pra casa, né? Peguei os meus questionários, eu tenho uma pergunta nos meus questionários que hoje só atendo, assim, 99% dos meus clientes, meus pessoais, né? Que eu atendo São de burnout. E aí eu fui olhar, que tem uma pergunta lá no meu questionário Justamente pra entender qual foi a gota d'água Porque a gente sabe que é prolongado, que é um estresse prolongado, a gente sabe que... Mas tem uma gota d'água. O que foi a gota d'água? E realmente eu tenho que concordar com você, sabe, Isa? É um assédio Ou sexual, ou um assédio moral, mas realmente eu vou perseguir todos esses casos Eu vou perseguir pra ver as provas até o final, estão na minha mão Então eu vou ter a oportunidade de confirmar isso que eu.
Já... É, exatamente Bom, o que eu quero dizer com isso, gente, não é pra apontar o dedo pra ninguém É só pra nós... conseguirmos encontrar Do que que eu estou falando? Até o século XVI os médicos não acreditavam na existência das bactérias. Aí a tecnologia desenvolveu o microscópio. E aí ao ver o microscópio os médicos tiveram que dizer, realmente existe a bactéria. Então não adianta a gente dizer que um problema é frescura só porque eu não tô vendo o sangue escorrendo na pessoa que tá em sofrimento. Então se o cortisol, que é um hormônio que inflama as células, Não é suficiente para mostrarmos uma pessoa em sofrimento por longos períodos Eu tenho os meus exames e dá para ver a coisa toda bagunçada E todos os problemas de saúde Então que a gente consiga identificar o foco de assédio E eu já faço isso nas empresas Porque às vezes esse assediador não sabe que está assediando, não sabe que está cometendo um assédio Ah, vão ter assediadores que nós já sabemos que são pessoas psicopatas mesmo Que já fazem aquilo porque faz parte da natureza do sujeito Mas tem pessoas, e eu acredito nisso porque eu convivo nas empresas, que não sabem que não podem gritar Que não podem ser mais grosseiros, por quê? Porque viveram isso no passado Mas, Isabel, mas gritaram comigo, então não posso mais.
Gritar?
Não! Doutora Priscila, é crime, né?
Assédio? É, não, não pode gritar, não pode discriminar, não pode... Até a pressão pode ser considerada, a pressão do dia a dia dependendo do nível, a forma que você trata O problema é que o assédio é sempre... Às vezes nem o assediado percebe, né? Às vezes é tão sutil que naquele momento ele não percebe Às vezes.
É tão sutil — Geralmente, né? Geralmente.
Né, Pri? — Pois é E aí só que aquilo vai... Parece que vai tomando conta de todo o redor e a pessoa fica sem conseguir se movimentar É como se ele não pudesse fazer nada E ele não se sente mesmo capaz de fazer nada, quem sofre o assédio É triste você ver a maneira que a pessoa fica. Agora, nesse momento, a gente tá tendo aí uma previsão numa sede, né?
Mas fala, Ana. Ô Pri, só pra complementar o que vocês estão falando, na palestra do desembargador Sebastião, que foi maravilhosa lá no Isma, Ele é fantástico, incrível. A Isabela falou, olha, assiste a palestra desse homem, pelo amor de Deus Gente, eu fiquei encantada com ele. Ele é maravilhoso, maravilhoso. A Isa já foi até pegar o livro. Ai, maravilhoso, maravilhoso E eu que tenho.
Todas as edições! Eu tenho.
Todas as edições! A Pri lá no ISMA, Isa, a Pri era a doida do livro dele Ela pegou todos, comprou todos e foi pra autografar Porque gente, o homem é uma sumidade e graças a Deus ele está do nosso lado, tá? Ele é uma pessoa maravilhosa, incrível, que nos enche de esperança Inclusive eu tive uma oportunidade de fazer uma pergunta pra ele lá E foi uma pergunta muito legal, justamente disse pra ele o seguinte, desembargador Eu já vou falar o que eu ia falar, tá? Eu tô só pra pegar aqui a pergunta Eu falei, como tem essa coisa de gente que acredita em burnout, gente que não acredita em burnout Eu queria que ele expusesse depois da palestra dele, né? E aí, Iza, estão pedindo pra repetir o livro aqui Eu.
Vou, tá bom Depois.
Você põe, né? A gente põe no comentário E aí Eu fiz essa pergunta pra ele, né? Qual que era a opinião dele a respeito das pessoas que descaracterizam burnout, acham que burnout não existe, que tudo é depressão, ansiedade e tal E se isso impacta nos direitos do trabalhador e de que maneira? Ele deu uma explicação maravilhosa, sim, ele acredita no burnout Ele disse que a ciência tá aí, já que a OMS reconheceu quem somos nós, né? A OMS, gente, ela não é alguém que tira da cartola, ah, hoje eu vou colocar a Burnout na lista O Cid tá aqui, o Cid é esse livrinho, peraí, eu vou pegar aqui uma canetinha e vou escrever aqui, Burnout. Não, gente, o negócio é sério Tem pesquisa, tem muitos médicos, muitos profissionais, psicólogos, pessoal de RH envolvidos de direito até chegar São muitos anos até chegar e colocar ali na classificação, tá? Pra vocês terem ideia, o MS reconheceu o burnout como um transtorno de saúde em 2019, de saúde ocupacional E só na CID agora, em janeiro de 22 que ela apareceu Então são anos aí de trabalho, pra alguém vir e falar que não existe Não dá. Agora só voltando um pouquinho Antes da Isa colocar o nome do livro, o desembargador Sebastião fez na palestra dele um apontamento que ele trouxe de um estudo Olha que sério isso, Isa Que um em cada cinco diretores ou CEOs tem traços de psicopatia Um em cada cinco diretores ou CEO que têm traços de psicopatia E que se divertem maltratando e assediando o seu subordinado.
Mas você sabe que eu ouvi a mesma coisa ontem numa outra palestra Que CEO é a primeira profissão que está entre as pessoas que mais têm traços de.
Psicopatia Oi, mamãe! Olha só, meninas, uma e meia, o tempo passou voando Porque a gente tá falando de coisa muito importante, coisa muito séria E fazemos isso com muita entrega Eu quero só ler aqui uma frase deste livro Indenizações por Acidente do Trabalho ou Doença Ocupacional Desembargador Sebastião Geraldo de Oliveira Não é qualquer conduta isolada e de curta duração por parte do empregador que pode ser considerada como dano existencial Para isso, a conduta deve perdurar no tempo, sendo capaz de alterar o objetivo de vida do trabalhador trazendo-lhe um prejuízo no âmbito de suas relações sociais, dano existencial Então, o que eu sugiro? Essa live vai ficar gravada, que você ouça de novo se você quiser, se pegou pela metade. Nós falamos coisas aqui muito importantes pra você ou pra quem você conhece. Doutora Ana Paula Pena é neurologista especialista em prevenção e tratamento de burnout. Doutora Priscila Reis é advogada especialista na busca dos seus direitos. Deixa eu te falar uma coisa aqui, ó. Se você está vivendo alguma situação que é ilegal, você não vai entrar com um processo contra a empresa. Fica pesado quando a gente pensa assim. Você vai precisar de judicialização para os seus direitos. É totalmente diferente, sabe? Para de pensar contra as empresas. Não, é a seu favor. À medida que você vai buscando informações e aliados e parceiros a seu favor, a coisa muda. O tratamento, inclusive, vai ficar mais suave quando você parar de ir contra as empresas É diferente quando você muda o discurso, é a seu favor Então, meninas, eu sabia que seria um grande momento estarmos juntas Vamos repetir, teríamos mais coisas pra falar Mas, doutora Priscila, quero que você compartilhe aqui sua página Que lá tem um monte de.
Vídeo necessário pra nossa vida É, nós lá no YouTube temos um canal que fala sobre direitos trabalhistas e previdenciários Que é o Arraio do Centeno, que descomplica o direito A gente tem vídeos aí, Isa, tem uma playlist só de burnout que eu comecei a falar lá atrás E tem bastante vídeo lá, como agir na perícia de burnout, como conquistar, como seguir a Cate, como que é o laudo perfeito Enfim, tudo que você precisa buscar de informação jurídica pra que você resguarde seus direitos com relação a essas doenças ocupacionais A gente vai encontrar nesse canal e eu vou receber, muito feliz Eu já tenho vários vídeos também com a Ana nesse canal, vou ter com a Isa Nós vamos fazer uma em conjunto nesse mês lá no canal Espero que a gente repita mesmo, Iza, foi maravilhoso Muito obrigada pela oportunidade de estar falando com as pessoas que estão aqui no seu Instagram, muito obrigada Com a.
Página Pri, para as pessoas te seguirem.
Aqui é Pri Arraes, underline advogada E lá no YouTube é Arraes e Centeno.
Com C Vou deixar gravada essa live, tá gente? Fica tranquila Ira na Paula Pena.
Oi, meu amor. Então, vamos lá. Meu Instagram é o arroba-doutora-dra-anapaulapena e lá no meu Insta você encontra todas as informações. Você encontra o link para o meu podcast Neurotox, que tem um episódio incrível com a Isabela Camargo e a Pri vai gravar comigo mês que vem Tem lá informações sobre o meu livro, sobre consultório Ah, eu quero ajudar em consulta, mas eu moro longe, atendo online Se você de repente quiser saber informações outras ali sobre palestras, sobre tudo mais, me segue lá Tem curso de.
Prevenção Obrigada, viu? A Lu tá falando, essa live é de utilidade pública. Sabe o que eu vou fazer, meninas? Eu vou compartilhar a live e aí com todos os arrobas, título do livro e a gente segue. Segue em prol da saúde mental, democratizando as informações que fazem a diferença na vida de todos nós. Obrigada pelo.
Tempo de vocês.
Um beijo, querida. Saúde pra todas.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








