“ Estou na melhor fase da minha vida,” disse Luiza na nossa Live!

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a YouTube video titled "Estou na melhor fase da minha vida," disse Luiza na nossa Live!" featuring a conversation in Portuguese between Isabela Camargo and Luíza Brunet. The discussion, recorded on August 4, 2020, covers Luíza's career, personal experiences, and her advocacy for women's rights, highlighting her journey from a model to an activist.
Chapters
Olá, olá, muito boa noite. Que bom saber que vocês me acompanharão nessa próxima hora, terça-feira, 4 de agosto, 7h30. Eu vou dividir com vocês... a realização de um sonho e um papo muito interessante com a Luísa Brunet, uma mulher inspiradora, que se eu disser linda, que nos representa as mulheres, enfim, são tantas características, tantos elogios, mas eu vou preferir dizer isso pra ela assim que ela já estiver por aqui. É importante vocês Que nós teremos uma hora com a Luísa e ela viveu milhares de situações que com certeza vão nos inspirar. Tudo bem, lindesa?
Tudo bem, você, maravilhosa!
Que produção incrível!
A gente tá combinando, tá tudo no tom.
Luísa, boa noite. Muito obrigada por aceitar o meu convite.
Você sabe que eu sou sua fã e a última vez que a gente esteve juntos foi em um programa com a Gabriela Mansur e com a Adriana Galisteu, pra falarmos de algum assunto de mulheres também. E foi divertidíssimo esse encontro nosso, porque foi muito cedo.
Foi. Foi cedinho.
Luísa... Que bom que a gente tá junto, que bom.
Não, vai ser ótimo, vai ser um papo ótimo. Eu tava dizendo, né, você é empresária, atriz, ativista pelos direitos das mulheres. E hoje eu estou realizando um sonho, sabe por quê? Porque eu falo como uma pessoa da minha família que eu nunca tinha conversado. Porque pra mim, você é da minha família. Porque você faz parte de tantas histórias. E eu revendo aqui a sua biografia, tem um episódio em que você diz que ao ver uma revista na banca, você comenta com a sua mãe sobre, nossa, que mulher linda. Né? Esse episódio foi lá perto dos 18.
Você sabe quantos anos eu tinha? Eu tinha 12 anos, Isabel. Eu tinha acabado de chegar do Mato Grosso do Sul, de ônibus, e isso foi na rodoviária. Quando nós chegamos na rodoviária, a família toda vindo do Mato Grosso do Sul. Minha mãe fugindo de violência doméstica. E essa mulher era simplesmente, ela era a Rose de Primo, que era uma mulher que foi um ícone de beleza dos anos 70. Você não chegou a conhecer ela porque você é muito jovem, mas ela foi a mulher que lançou o biquíni. Esse biquíni bem tipo tanga. Ela foi a percussora do biquíni tanga no Brasil. E ela realmente era uma mulher desombrante. Eu vi a capa da manchete dela e falei, mãe, eu vou sair na capa dessa revista. Mas eu saí, eu saí 50 vezes capa da revista Manchete, que era a revista da época.
Pois é, pois é. E aí você imagina que quando eu estava lá no interior do Paraná, que eu sou de uma cidade muito pequena, hoje tem sempre poucos mil habitantes, a Pucarana, mas no final da década de 90, nós tínhamos informações por três veículos, revista, rádio e TV. Então a banca da revista de uma cidade interior é a porta que você tem pro mundo E aí quando eu chegava na banca, quem estava lá em várias capas de revista? Você E eu me lembro que em uma delas você era uma revista específica sobre maquiagem e você ensinava as meninas, as mulheres a se maquiar Então eu fiquei com essa revista guardada por uns bons 10 anos E hoje, poder trocar essa ideia contigo, sabe, uma hora aqui com você, é um sonho. Muito obrigada, então, pelo seu tempo, pela sua confiança.
Você faz parte da minha vida, então.
Eu tô conversando com alguém da família.
Coisa boa, Isabel. Nossa, eu sinto a mesma sensação. Você é muito calorosa, às vezes, quando a gente se encontrou. Então eu me sinto muito à vontade de conversar com você. E fico muito feliz por ter sido a referência de maquiagem. Não sei se eu ensinei direito. O meu sonho é ser cabeleireira. Com o tempo, inclusive, a gente aguenta se maquiar, né?
Totalmente, mas tem que ter uma boa professora, tá? Sem aquelas orientações, talvez eu tivesse demorado um pouco mais. Luiza, você falou agora que seu sonho era ser cabeleireira?
Era. Quando eu cheguei no subúrbio do Rio de Janeiro, tinha aqueles salõezinhos de subúrbio e eu já achava o máximo, porque eu não tinha acesso aos salões da zona sul, que eram os mais sofisticados. Mas eu gostava muito de revistas de moda, principalmente aqueles catálogos de beleza, tipo o catálogo da Avon, os que tinham na época. E eu achava aquelas mulheres tão longe da minha realidade, eram lindas, intocáveis. Então eu achava que num salão de cabeleireiro eu teria acesso. esse tipo de mulher muito sofisticada, maquiada, penteada e eu achava maravilhoso poder trabalhar no ramo de beleza. E aí quando eu casei com 16 anos, eu arrumei o emprego do salão de cabeleireiro pra ser ajudante. Logicamente que eu ia começar a varrer no salão, mas a minha intenção era fazer um curso e estar ali dentro porque ali já era porta de realização de um sonho. Bom, eu comecei a ser modelo muito por acaso aos 17, então foi um ano depois. Logo depois que eu casei, eu casei com 16 anos e um pouquinho. E eu comecei a ter acesso não ao salão, mas aos cabeleireiros maravilhosos da época e os maquiadores da época. E aí foi mais maravilhoso, porque eu aprendi a me maquiar com os melhores. Então acho que a vida é muito louca. A vida pra mim, ela me trouxe uma surpresa atrás da outra. Isso é maravilhoso. Eu gosto de lembrar.
É sobre isso que eu quero conversar contigo, lindesa, porque... falar sobre o tempo, falar sobre os aprendizados do tempo, é reler a nossa biografia. E a sua história, ela é fabulosa, ela é inspiradora. Evidente que eu falo isso com muito respeito, porque são situações em que, naquelas circunstâncias, nos trazem muita dor, mas depois nós sempre superamos. Como foi dito aqui, antes de eu tirar os comentários, eu tirei os comentários para que a gente possa te ver melhor, a sua história é uma história de superação e é a história de todas nós. Então, relendo a sua biografia e agora você comentando essa história do salão Como você falou, é muito curioso, você querendo uma coisa foi para um lugar e acabou chegando em outro Como é que foi esse momento em que você foi convidada para ver uma sessão de fotos e a partir daí a sua vida mudou?
Foi incrível, porque eu nunca tinha pensado, nunca passou pela minha cabeça, coisa que era muito comum naquela época, a gente tá falando do final dos anos 70, né? Exatamente, 78, 79. Era muito comum as mulheres sonharem em ser Miss Brasil, porque tinha aquela história da Miss, era o auge, né? Então, as referências que a gente tinha no subúrbio eram essas mulheres. E o carnaval, logicamente, que eram mulheres super produzidas nesse dia, mas no normal era o dono de casa, mulheres comuns. E eu E essa acho que o experiência, carnaval foi uma essa oportunidade de me tornar modelo foi também das uma.
Coisas que eu mais me lembrei do o subúrbio. Eu acho carnaval foi uma das lembrei.
Do que o surpresa na minha vida, porque eu fui no estúdio subúrbio. pra ver a Rosa de Primo fotografar e um fotógrafo que fazia book de modelo na época, ele insistiu demais pra que eu fizesse fazer book, chamava, vamos fazer um book, que não era book cor-de-rosa. E ele insistiu demais, o Newton Ricardo, se tornou um grande amigo. Ele acabou fazendo, me convenceu, fiz duas fotos, uma de Maiô e uma com o Trent Coach. E ele mesmo, ele revelou essa fotografia, que na época revelava, demorava dois, três dias pra revelar a foto, não era do meu olho. Então ele pegou essa foto, ele encaminhou pro diretor da revista desfile, a desfile era a revista da moda da época, da editora Block Editores, e o Roberto Barreiros foi meu grande padrinho. E uma outra jornalista também, que sou uma grande amiga, que é a Ângela do Rego Monteiro, daqui do Rio, que trabalhou muito tempo como jornalista de moda dentro da Block Editores. E aí, um certo amanhã, um telefone da minha casa tocou o telefone, e alguém me convidando pra ir no lá na própria sede da Bloco Editores, que o diretor queria me conhecer. E eu achei aquilo interessante, acabei indo mesmo. Meu ex-marido me levou, eu fui lá rapidamente subir, super constrangida. E aí ele perguntou se eu estaria disponível pra fotografar dois, três dias depois. Eu não sabia nem o que significava isso, porque eu nunca pensei em fazer isso na vida, mas eu acabei indo. Eu acho, sabe Isabela, que eu sempre aproveitei muitas oportunidades que apareciam pra mim. Na verdade, eu avaliei, eu achei que era uma coisa interessante, que podia ser legal. E eu acabei acreditando que... que era uma experiência em que eu poderia, sabe, experimentar. E aí eu combinei de ir. Ele falou que era uma matéria de lingerie com uma modelo conhecida. Era a Rose de Primo. A minha primeira matéria de lingerie. Então era uma matéria da revista Desfile. Eram páginas duplas, assim. E eu e a Rose. E a maioria das fotos, eu sempre conto isso porque é muito interessante. Ela tá maravilhosa, aquela mulher super sexy. E eu tô do lado dela só olhando, assim. Bem menininha, porque ela era mais velha, super experiente. Eu tinha 17 anos. e menina do subúrbio, 6 por 6, sem nada. E foi maravilhoso. E a partir dali, o Roberto começou a investir em uma nova modelo, que tinha mais curvas, que era mais brasileira. E aí acabou abrindo um precedente para que entrassem outras mulheres também, diferente dos padrões que a mídia impunia naquela época, que eram mulheres altas, magras. Aí eu falo da Estela Dauli, da Izzy de Oliveira, da Dalma Calato, Então, eram mulheres totalmente brasileiras, mas com características europeias, porque eram muito magras e muito altas, bem longe do padrão que eu podia imprimir, porque eu era aquela mulher com 17 anos, mas com o corpo de mulher brasileira, cheia de curvas e tomava muito sol, bronzeada. Então, acho que, de uma certa forma, acabei rompendo também paradigmas da moda. Com certeza.
Agora, o curioso é que a Rose foi a moça que estava na capa quando você viu lá na banca e você falou, estarei na capa. E como depois ela esteve na sua vida.
Muita coincidência, né? Eu acho que muita coincidência, mas eu acho que tudo meio que tá escrito na nossa vida, nesse caminho, sabe? Se a gente souber avaliar. E na maturidade a gente avalia muito mais isso, mas quando você é jovem, você vai pelo impulso. E esse impulso é que leva a gente a experimentar coisas, e isso foi maravilhoso. Então, de fato, eu tive a oportunidade de vê-la na foto, fotografar junto com ela, e depois, um tempo depois, ela saiu pra morar fora do Brasil, mas ela sempre foi uma referência, assim, do meu start, do meu na moda. Foi impulsionado pela Rose de Primo.
Sensacional. Já adorei. Se a live acabasse aqui, eu ia falar, nossa, que universo, né? Todo se mexendo para que tudo aconteça da maneira como tem que ser. Você, então, acredita naquela história de hora certa, lugar certo? Você falou que sempre aproveitou as oportunidades.
Eu acho.
Hora certa, lugar certo.
Eu acredito que às vezes a gente tá em determinados lugares e situações acontecem que a gente deixa passar. E aí você, quando você chega em casa, você avalia. Poxa, aconteceu tal e tal coisa, eu poderia ter experimentado mais, eu poderia ter ousado mais, eu poderia ter ficado um pouco mais nesse lugar. Ou poderia ter prestado atenção em determinada conversa, ter me inserido em determinado lugar. Eu acho que tem coisas que a gente às vezes deixa escapar por falta de maturidade. O que a maturidade dá é essa curiosidade de você ousar mais, ficar mais, experimentar mais, se apresentar. A gente já não tem mais aquela vergonha, nem o pudor. E é natural, eu acho maravilhoso. Então, acho que assim, as coisas, elas acontecem, não tem uma razão específica, mas porque acontece, né? não tem uma resposta concreta pra dar, mas eu acho que é isso, acho que a vida é feita de oportunidades, a gente tem que agarrá-las se a gente acha importante, ter responsabilidade, se for bacana vale a pena investir.
Bom, ainda na década de 80, Eu estava olhando nas suas últimas publicações no Instagram Aliás, é uma delícia acompanhar os conteúdos que você produz Porque, é como eu digo, eu me vejo e são histórias muito reais Tem uma publicação que você está em Veneza e você diz assim Ser modelo foi maravilhoso em uma época muito difícil Essa época, a que época você se refere? E, emendo, como ser modelo? como ser a primeira modelo, como você disse, com tantas características representando o Brasil, foi para você Trouxe muitas alegrias, trouxe alegrias com, como você disse, uma época muito difícil Então, que época foi essa?
Então, eu tô falando dos anos 80. Essa foto aí, em Veneza, foi uma das primeiras viagens internacionais que eu fiz. Foi em 83, eu era modelo exclusivo de uma marca que era muito famosa na época, que se chamava Dijon. E Humberto, ele fez uma coisa, quebrou também paradigmas, porque ele fez um contrato de exclusividade comigo, então foi o primeiro modelo no Brasil que teve um contrato de exclusividade com uma marca só. Eu achava interessante na época, depois eu achava que eu tava perdendo tempo só lá, eu queria experimentar outras coisas e eu acabei rompendo esse contrato três anos depois e as pessoas não entendiam muito, mas eu tinha vontade de experimentar trabalhar fora do Brasil, eu tinha vontade de experimentar outras coisas. Eu me senti um pouco presa vendo essa marca, apesar de que Houve uma projeção muito grande quando eu trabalhava ali, porque eram viagens internacionais maravilhosas, tinha uma segurança mais ou menos financeira, mas era muito trabalho, era muito puxado e muitas coisas envolvidas que eu preferia mais a minha liberdade e a minha autonomia, como até hoje é o meu jeito de proceder na vida, de ter autonomia mesmo das coisas que eu falo, das coisas que eu faço, e isso é muito importante, é uma conquista importante para toda mulher. E pra mim já era, eu tinha 19 anos quando eu entrei na Dijon. Eu digo assim, época diferente, porque as modelos naquela época, elas tinham uma nomenclatura desagradável, né? Porque alguns homens entendiam que a modelo que pousava, por exemplo, é com o corpo mais exposto, e na época era muito natural. Coisas que eu fazia, por exemplo, a campanha da Dijon, eu tinha o Bersage do meu lado, eu semi-nua, ele com o pé em cima das minhas costas, assim, de uma posição de poder. E muitas vezes eu tive que me posicionar em com alguns homens, porque eu fui uma modelo que tive uma carreira assim muito uma situação que eu não sabia eu diversificada. Eu fazia a capa da Veja estava como fazendo, uma modelo que sensação, eu não sabia que eu estava fazendo, fazendo, que nova modelo. eu não sabia que eu estava fazendo. Aí fazia a capa da Playboy. Aí fazia a capa da Revista Nova, depois a Revista Cláudia, a Vogue. Então assim, aí saía no Carnaval, aí no programa do Chacrinha, no baile do Copa. Enfim, eu frequentava a Sociedade de São Paulo, que naquela época era fechado e tinha o Gallery, aquelas festas todas. Então assim, era um movimento. Era um movimento que não tem mais hoje. Então esse movimento eu acho que tinha uma visão distorcida que às vezes eu me posicionava porque haviam homens que achavam que eu poderia ser comprada para fins sexuais, por exemplo. Eu era casada, E ela sempre conta esse tipo de atitude masculina e muitas vezes eu me posicionava mesmo assim, sabe? Me batei de frente com os homens, olha que tá pensando no que, sabe? Eu sou uma mulher casada, me respeito, estou aqui pra trabalhar. Então assim, quando eu digo que foi... Então, eu acho que eu precisei, a vida inteira, me posicionar, que é o famoso assédio moral e sexual na época em que eu estava.
E eu acho que precisei, a vida inteira, me posicionar, é o famoso assédio.
Moral e sexual na época em estava. em que eu fui modelo e ao longo também da vida você vai estando diante desse tipo de atitude masculina.
Entendi. Nossa, Luiza, eu tenho que me concentrar porque senão os assuntos eles vão, eles podem entrar vários caminhos.
Não tem problema, a gente encontra.
A gente vai e volta. Você acredita que a beleza e a sua competência te trouxe o melhor e o pior, porque estas situações de assédio só quem vive sabe, e por elas serem invisíveis dificilmente você é acolhida, você é julgada, enfim, de uma sociedade que a gente vem, que é machista e culturalmente a gente já vem alimentando muitos padrões, mas a beleza No momento em que você teve a sua carreira de modelo, ela te trouxe o melhor e o pior. Como você aprendeu, então, na marra a se posicionar?
É, eu acho que a beleza, ela abre muitas portas, né? Eu acho que não tem, a gente não pode questionar isso. É impressionante, né? Às vezes a beleza é até mais valorizada que a inteligência, né? Mas quando ela vem junto é melhor ainda, porque aí você sabe se defender. Então, eu acho que eu consegui me posicionar justamente porque não tinha noção que eu era uma mulher bonita e exuberante e sensual, de verdade mesmo, porque quando eu via na banca a revista que a Luiza Bruni na capa da manchete, super sexy, eu comprava, mas eu achava que aquela mulher não era eu.
Era muito louco.
Eu via uma mulher que não era eu, porque no dia a dia eu era uma mulher que era dona de casa, meu marido lavava, passava, cozinhava, fazia as coisas de casa. Ia no estúdio, fotografava linda, maravilhosa, era maquiada, voltava pra casa e continuava igual. Eu não vivia daquele glamour, nunca foi a coisa mais importante da minha vida. Quando você vai amadurecendo, que você vai ficando mais velha, que você vai perdendo o tônus muscular, que você vai ter cabelo branco, aí você começa a ver foto antiga e fala assim, nossa, realmente eu era bonita quando eu era jovem. O corpo era perfeito, eu não tinha noção disso. Então eu acho interessante, eu acho que isso deve acontecer com a maioria das mulheres. Porque a beleza, quando você é jovem, você não tem essa noção da juventude, da beleza, do frescor, de tudo isso, de como isso é maravilhoso, de como você pode ousar, errar, aprender. Mas eu tinha muitas responsabilidades, eu era responsável por ajudar a minha família, então eu não podia dar nó fora, eu tinha que fazer as coisas direito porque eu precisava ganhar dinheiro na carreira que eu não escolhi, mas me escolheu e era ótimo. Então eu fazia de tudo pra não ter nem um nome arranhado, nem um apelido, nem ser a mulher que todo mundo pega, nada disso. Então eu sempre fui muito tranquila e eu acho que eu consegui imprimir justamente o respeito. E aí eu tenho até uma história muito engraçada, que o Ricardo Amaral, que era dono do Hipopótamos, você sabe quem é, né? O Hipopótamos foi o grande clube. Ele falava que eu fui a mulher que mais entreguei e nunca dei pra ninguém, e eu acho isso ótimo. Porque isso era falado nas rodas de amigos. Então isso é muito bom, isso prova de fato que A forma como eu me saía, eu nunca briguei com ninguém, mas também nunca fui com ninguém. Então eu acho que era uma forma inteligente de manter uma relação ótima com todos os homens que eu conhecia, porque fazia parte do ciclo de amizade. Mas a forma como eu saía, eu me tornava amiga das mulheres, das filhas, porque era uma forma de proteção também. Hoje eu vejo que era uma forma inteligente de me proteger. E ficar bem. Não brigar com ninguém.
Exatamente. Luiza, você falou, né? Você ia, tirava foto, fazia aquela produção, chegava em casa, tirava maquiagem e cuidava de casa. Uma vez eu ouvi uma entrevista, e aí eu não sei se é minha memória ou se realmente, aí eu quero se perguntar se isso ainda acontece, que nas suas horas vagas você gostava de fazer uma arrumação de armário. É isso. Isso é verdade. Você ainda gosta de usar o seu tempo pra isso?
Eu gosto de arrumar. Eu sou super dona de casa. Eu sempre falo assim. Uma profissão que eu não me envergonharia nunca era se eu fosse uma madeira. Sabe? De verdade mesmo. Uma pessoa que trabalhasse em uma casa. Eu não tenho vergonha de falar isso. Eu acho que seria ótimo. Eu acho que eu ganharia muito bem porque eu faria muito bem feito. Eu gosto de ser dona de casa. Uma época eu recebia algumas críticas de mulheres. Mais no começo, quando eu falei isso, que a minha terapia era arrumar a casa, era varrer a casa, eu fui altamente criticada. Eu me diverti com isso, eu me divertia, porque de fato eu gosto. O tempo que eu tenho livre, Eu ocupo meu tempo com... Hoje eu estudo mais sobre o tema que eu escolhi fazer, que é violência de gênero, violência contra as mulheres. Eu gosto de estar sempre assistindo live de mulheres, participando de TEDs, lendo, aprendendo mais. Mas quando eu posso, eu adoro passar um pano no chão, arrumar meu armário, meu guarda-roupa é impecável, as gavetas de calcinha são todas arrumadinhas. Não sou neurótica, mas eu gosto de tudo arrumadinho. Lavo os meus especiais de maquiagem. Eu gosto assim. Eu gosto de ir na feira, eu gosto de ir no supermercado, eu sou uma mulher comum. Que gosta também de fazer isso, mas eu também adoro colocar um salto alto, pintar a boca de vermelho e ficar glamorosa. Eu acho que a gente tem que andar em todas as tenas da vida. Eu acho que a mulher pode e não pode se ela não quiser. Se ela não quiser fazer comida, não faça, mas se fizer também é maravilhoso. O meu filho faz gastronomia e ele me viu a vida inteira cozinhando, desde a sopinha, quando era bebê, até jantares. E ele se interessou em fazer gastronomia porque eu acho que é interessante. Pra mim, ser mãe era também cultivar isso dentro de casa, dar a oportunidade aos meus filhos de ter esse momento de ir na feira comigo, escolher o peixe desde pequenininho, poder estar comigo na cozinha. Eu valorizo isso, essa coisa de família, de estar junto.
Perfeito.
E aí passa por essas...
Eu adorei, eu fiquei pensando. Será que eu tô confundindo ou era ela mesmo que deu essa entrevista e falou que ela gostava de fazer faxina? É uma baita responsabilidade. Os monges fazem isso, eles organizam a mente, eles meditam enquanto estão limpando o vidro, limpando os armários. E eu tenho feito isso. Nos últimos tempos eu tenho tentado fazer esse tipo de terapia, né? Vamos arrumar uma gaveta, tô arrumando as ideias também. Ô Luísa...
Exatamente, acho que a mulher não tem que ter vergonha. De jeito nenhum. Quer assistir a live ali no outro negócio.
Pronto. Agora, o que você tá falando só reforça a ideia da mulher real, da beleza real, por trás da maquiagem. Porque quem te vê, quem vê as pessoas que estão contigo E vem apenas a Luísa maquiada, sempre elegante, sempre com um lugar de fala. Parece que é só isso, mas não é. Então você tá colocando, não, existe uma vida tremenda por trás disso. E hoje, com a tecnologia e com os nossos canais individuais, fica mais fácil da gente reconhecer quem é de verdade ou não. Você concorda? Porque antes era só capa de revista e ninguém sabia mais nada da Luísa.
É uma imagem congelada. Acho que as redes sociais chegaram pra mostrar quem são as pessoas justamente, quais são os hábitos das pessoas, quais são os seus valores, quais são os seus gostos, que tipo de opinião que você tem. Então, acho que a gente tem que tomar mais cuidado pra ser a mais verdadeira possível. pra gente não decepcionar as pessoas, porque é deprimente quando você imagina que a pessoa é assim, você vê atitudes em redes sociais que você se surpreende. Então eu acho que é muito bom porque você se mostra verdadeira e você é admirado ou não. E você também tá sujeito a muitas opiniões, né? Você tá sempre sendo avaliada e as pessoas não têm vergonha nenhuma de julgar o seu comportamento. Então assim, eu não me preocupo muito com a imagem porque esse cuidado eu não tomo muito porque eu sou o que eu sou. Mas eu vejo que pessoas são intrucidadas na internet por uma simples opinião. Então a internet é bom porque dá essa chance da gente nos mostrar, mas também tem outro lado que você se expõe demais e você tem que saber lidar com isso.
É, eu procuro ver o lado da inspiração, ou seja, você inspira outras mulheres a buscarem a verdade delas, o valor delas, a beleza delas, não importa onde ela esteja, se ela está escondida embaixo de um monte de crenças e ideias equivocadas, mas com o que eu Vejo dos seus conteúdos, da sua história, você inspira outras mulheres a fazerem isso Por muitos anos, Luiza, eu neguei a minha feminilidade, justamente por medo Não, mas eu não posso trabalhar com jornalismo e me arrumar Colocar um colar, me arrumar, passar uma maquiagem porque eu quero Não porque eu preciso para estar em algum lugar Isso é uma coisa muito recente E você contribuiu mais uma vez para a formação dos meus valores femininos, mais uma vez Porque por muito tempo eu pensava assim, o que que vão pensar? Como que eu quero ser reconhecida pelo meu trabalho? Pelo que eu estou desenvolvendo intelectualmente, mas eu não posso me arrumar, vou pensar o quê? É como isso, não é?
Eu entendo você perfeitamente, porque a impressão que dá é que os valores são tão trocados, que vão valorizar mais a beleza, a roupa que você está usando, a forma como você se comporta, do que o conteúdo que a gente tem. E hoje você pode combinar as duas coisas. Então a mulher pode ter muito conteúdo, tá bonita, tá tratada, tá bem, tá feliz com ela mesma. E a gente tem que ser assim mesmo. Acho que é muito importante a gente cuidar da aparência, dependendo do lugar que você trabalha, se exige um pouco mais, se você está mais arrumada. E você se segura. Não tolerar nenhum tipo de assédio. Porque a impressão que dá é quando você tá mais arrumada, sensual, porque eu gosto de ficar sexy também. E os comentários de homens, eu acho que a gente tem que usar e se posicionar mesmo, sabe? Que que é isso?
Sim, sim.
Luiza... Bom saber. Vamos saber que você se inspirou em mulheres. Imagina que outras mulheres também. E hoje você tá tão bonita e tão sensual e tão feminina com tanto conteúdo que você tem, Isabela. Você pode fazer o que você quiser, usar o que você quiser.
Luísa do céu, eu precisei passar por um grande freio, que eu vivi há dois anos num ambiente profissional para poder lembrar que eu também posso Então aí entra na história do autocuidado que leva para a autoconfiança e é onde você se respeita e coloca respeito Aí assim as pessoas se respeitam Então eu queria entrar um pouquinho nesse aspecto o seguinte Luiza Brunet, o homem foi para a lua e nós ainda estamos falando sobre os direitos das mulheres. Você investe muita energia e muito tempo neste movimento a favor das mulheres Para que a gente possa ter respeito, possa ter direitos. Não é muito irônico tudo isso? O homem querendo agora uma passagem para a Lua e ainda não respeita as mulheres Como é que você vê este movimento que agora você se aproximou?
É uma loucura, né? Eu acho, inclusive, que essa primeira viagem à Lua não vai ter espaço para mulheres, porque os homens já compraram de todos os lugares. É bem por aí, né? Eu acho que é uma loucura você pensar desse jeito, né? Da evolução de tudo, mas o retrocesso da violência contra as mulheres, contra as crianças. A gente viu, inclusive, agora com a pandemia, o fato das mulheres estarem em casa com seus maridos, o nível de... O feminicídio, a indignação contra as mulheres aumentou absurdamente, mas não só isso, mas as violações contra as crianças, que é o que me deixa mais indignada, sabe? saber que a cada uma hora, quatro crianças sofrem violência sexual de zero a 13 anos de idade. Eu sofri violência sexual com 13 anos de idade, esse é o impacto que isso causa e eu vejo assim que isso, a tendência, eu não sei quando vai parar isso, porque tantas falas sobre esse assunto, políticas públicas são feitas, existe uma pauta maravilhosa onde o espaço que a gente tem na televisão é gigantesco, no jornalismo, temas de novelas com esse assunto pra que a gente possa ampliar esse assunto e mulheres mais simples também que sofrem identificar esses relacionamentos abusivos e ao mesmo tempo um homem na lua. É incompatível pra mim, é completamente incompatível. O que que falta? Eu acho que falta uma reeducação de valores mesmo, eu acho que seria muito importante inserir nos currículos escolares sobre respeito ao próximo, e aí passaria por toda essa nomenclatura de nomes que a gente fala agora, do antirracismo, de respeito ao próximo, sobre ativismo, enfim, todas essas falhas que a gente faz, a gente fala, que são falhas, a gente reeducar quem já pratica esse tipo de coisa. Existem, lógico, grupos como o da Gabriela Mansur, que ela acredita muito na ressociação do homem, de ressocialização do homem, com grupos de contraer sabedoria, mas acho muito, muito pequeno ainda, né? A gente precisa de uma coisa Então, maior, e uma coisa maior só seria eu acho que a gente através tem que, a gente tem que, a gente tem que, a gente tem da educação, a gente tem que, na minha opinião. Pra esse entendimento, porque eu acho que onde há respeito em todas as áreas, não tem espaço pra você fazer nenhum tipo de abuso ou questionar ou mexer com as pessoas da forma que a gente vê.
É chocante porque a agressão física, eu não sei se nós comentamos isso no programa da Galiceu quando estivemos juntas, mas pra mim tudo começa na agressão verbal. no assédio moral, emocional, o nome que quiserem dar, mas tudo começa pelo invisível. E aí quando se torna visível que a agressão física, aqui ele realmente é o fim. Mas eu queria puxar um pouquinho com você, Luiz, enquanto temos tempo, sobre essa história do verbal, do emocional. Eu não vou aqui trazer o aspecto profissional, que eu traria a respeito do burnout, mas eu queria então te ouvir. A questão da violência verbal e emocional, o quanto ela é importante ser observada, não ser negligenciada pelas mulheres, para que isso não se torne uma agressão física?
Então, eu acho que o homem que é abusador de mulheres, o homem agressor de mulheres, ele já tem uma Ele provavelmente troca de mulher, mas ele continua com o mesmo hábito de agressão. E ele sempre é um homem, na minha opinião, pelo que eu vejo e falo de mulheres e eu falo por mim mesma, ele é um homem extremamente gentil e carinhoso, ele é sedutor, ele é predador. Ele faz tudo pra conquistar aquela mulher, porque ele bota o foco na mulher que ele quer e ele vai conquistar. Porque ele é muito agradável, ele é muito gentil. Ele é muito envolvente. E a partir desse momento, ele vai começar a ter uns sinais sutis de agressões do tipo, ele... Se você vestir é preto, você é negantérrima. Daqui a pouco ele vai começar a perguntar onde que é o velório que você está de preto de novo. Então começa assim com sutileza. Aí fala, aquela amiga que você tá saindo, se fosse você não saia mais. Acho que ela não vale nada, não ia acompanhar pra você. A tendência das mulheres é achar que é muito cuidado demais. Eu acho que quando o homem é muito cuidadoso, na minha opinião, já é um indício de que não é uma coisa natural e que isso vai num crescente de verbal pra moral, e do moral vai pro psicológico, do psicológico vai pro sexual, depois vai pro patrimonial, aí vem a agressão física e o feminicídio ao último estágio. Então tem que ficar muito atenta nesses sinais de comentários tipo, fala mal da ex-mulher ou da ex-namorada, fala mal de mulheres que ele conheceu, de comportamento de mulheres, comportamento de mulheres que ele observa, porque ele sempre é o melhor de todos, mas ele tem defeito em todo mundo, mas ele é perfeito. E aí enlouquece a gente porque você vai entrando nessa confusão e muitas mulheres acabam entrando numa caixinha, porque o cara te coloca numa caixa e você vai entrando dentro dela e fica totalmente fechada, porque você não consegue sair e você deixa de existir, porque São atitudes que você vai incorporando exatamente. E aí você é tachada de louca, se você questiona isso. Como ela é invisível às pessoas que de fora não vê, porque pra fora de casa ele é um homem maravilhoso, ele é gentil com a sociedade, ele só faz isso em privado. É muito difícil você falar pra outras pessoas e elas acreditarem nisso, né Isabel? Elas têm dificuldade em acreditar que, ah, mas ele é tão gentil, essa mulher deve estar louca, não é a mesma cara que eu conheço. E aí vai.
E aí, pra quem está nos acompanhando ou quem ainda vai acompanhar, eu vou deixar essa entrevista lá no meu canal, Isabela Camargo Real, pra quem depois puder assistir. Essa é uma vantagem da internet, né, que aí quem não pode assistir agora vai assistir depois. Mas pra quem está nos assistindo e vai acompanhar depois lá, Qual seria, então, além da atenção a essas sutilezas, porque a gente não tropeça em montanha, a gente tropeça em pedrinha, né? Então, além da atenção às sutilezas, que tipo de conversa você pode estabelecer com uma pessoa que não é mais piada? A gente também tem, assim como essa história dos elogios às mulheres, eu me lembro na TV todos os dias, você colocava uma roupa assim ou assado, As mesmas pessoas falam, nossa, tal coisa, né? Aí você tem que falar assim, gente, parou a piada, muda o disco, né? Renova o repertório, mas vem como normal. Tudo é normal.
Normaliza, né?
O que você recomenda pra quem está nos ouvindo, pra que queira dar um basta nisso, com elegância, com respeito, mas pra estabelecer um limite?
É, eu acho que a gente tem que se posicionar, porque se você rir, você tá conivente, porque o homem acha que tá gostando. Você tá muito brava por dentro, você não sabe como posicionar, porque eles intimidam com essas piadas e às vezes é grupo de homens no trabalho e você passa e olha a bunda, e aí olha o decote, aí fala da cor do vestido. E aí você tem que olhar, encarar e falar seriamente, porque aí você vai impedir de que continue. E os homens vão tomar um susto com essa atitude? Porque a tendência de nós mulheres é ficar envergonhada e dar aquela risadinha. Aí você chancela isso. Você tá dando oportunidade pra amanhã eles fazerem de novo. Então você tem que, assim, na primeira vez, eu acho, pelo menos eu sempre agir assim. A primeira vez que tem uma piadinha de mau gosto, ou uma olhada meio assim de atravessada, que dá aquela analisada, gostou, manda pro seu bico. Entendeu? Que aí já corta. O cara já leva um susto, porque ele não tá acostumado. Porque as mulheres, elas se sentem envergonhadas de tomar atitude. E os homens vão crescendo.
É um treino, né, Luiza? Pra mim é um treino.
É, é um trailer, exatamente. Mas é possível. É possível você se fazer ser respeitada num ambiente masculino. Onde perpetua esse tipo de atitude, né? Que deixa a gente muito desconfortável.
Muito, muito, muito.
Aí você quer botar uma camisa branca com uma saia justinha, lápis, mas ela tem um... Aí você fala assim, você bota e tira porque você não quer trabalhar assim, porque você sabe que você vai ser incomodada. O salto-agulha... Salto-agulha, né? Preto, é sexy. Aí o cara já vai olhar pro pé, nossa que pé... É incômodo. Eles não entendem que isso é incômodo. Aí eu fico falando assim, imagina se a gente olhasse pro volume.
Nossa, que volume, hein?
Nossa, que peitoral. Essa camisa não caiu bem pra você, mas hoje você tá um pesão. Olha o incômodo que é pra eles também. Eu faço isso às vezes também, sabe? Isso eu faço também. Quando o cara tá muito incômodo, eu olho se o volume tá pequeno hoje. Eu não tenho vergonha de fazer isso. Ou faço outro tipo de piada. Porque ele sente na pele. Eu falo, gostou? Pois é assim. É assim que você faz com a gente. Eu não tenho mais medo. Eu perdi o filtro desse tipo de coisa. Hoje em dia, com o que eu vejo de mulheres morrendo o tempo inteiro, de mulheres que sofrem violações o tempo inteiro, eu perdi o filtro de aturar homem babaca.
Perfeito.
Será que pode falar isso na internet?
Somos duas. Somos duas. E eu costumo dizer, Luiza, que é um filtro. Aliás, filtro não, perdão. É um treino. Você falou filtro. É um treino diário porque, de novo, a gente... Nós viemos de uma cultura alimentada por muito tempo, e aí eu já volto agora próximo de tempo E se nós não tomarmos pequenas atitudes, cada uma por si, todos os dias, a coisa continua E aí quando você vê, daqui 100 anos vai ser esse mesmo assunto E não, acho que essa democratização, esses canais individuais servem para nos trazer mais informação E aí de novo, as meninas, as mulheres que estão te acompanhando, nos acompanhando aqui, elas se sentirão mais fortes Porque se ninguém ao lado delas pessoalmente está falando, elas conhecem a Luísa, elas conhecem a Gabriela Mansur, elas conhecem a Isabela, elas conhecem quem quer que seja E falam assim, pera lá, essa é a minha verdade, eu posso? Eu posso colocar limite nesse mundo sem limites. Ô Luísa, tô falando tudo isso?
Deixa eu abrir um parênteses que eu vou te falar também que é muito bom ser elogiada. Qualquer ser humano, seja mulher ou homem, adora elogio. Positivo, né? Elogio que te bota pra cima e que você se sinta orgulhosa, né? Quando você é reconhecida no que você faz, se você tá elegante. Como você está elegante, a gente adora. Seu cabelo tá lindo, a gente adora. Que sapato lindo. É a conotação do mesmo... A depreciação, ela pode ser trocada por elogio amoroso. Por elogio que nos enaltece, né? Isso é perfeito. Então, assim, eu não quero que as pessoas digam, ah, mas ela é muito rancorosa. ou ela é muito brava, ou ela é muito chata.
Não.
Eu sou chata quando a gente se sente incomodada. Porque os elogios a gente tem que fazer também para os homens, porque tem homens muito maravilhosos. Mas os que são incômodos, eles precisam aprender a trocar esse tipo de comunicação errada e fazer a positiva, que a gente vai adorar. A gente vai até tomar um xopim depois.
É a forma e a intenção que muda tudo.
Exato, exatamente.
Luisa, tô trazendo tudo isso, faltam 20 minutos para o nosso tempo acabar?
Ah, mas passa muito rápido.
Coisa boa, passa rápido. Porque eu queria ouvir o que o tempo te ensinou. Como o tempo te marcou na sua carreira? Em algum momento você se viu inimiga do tempo, em outros momentos ele se tornou Seu amigo, porque nós vivemos novos tempos, mas ainda estamos discutindo problemas de tempos muito antigos Então a gente precisa de cada vez mais diálogo, cada vez mais fala e cada vez mais transparência e menos filtro Menos filtro, né? Para que realmente a verdade seja dita. Digo isso porque, gente, porque há pouco tempo nós tínhamos poucos canais de informação E que pautavam o nosso dia, o noticiário, com as notícias que aquelas cabeças escolhiam Só que agora não, agora nós temos variedade, livre arbítrio, e aí cabe um outro filtro, viu Luísa, que é de você escolher o assunto que você quiser E por isso, então, volto, nestes tempos em que nós estamos vivendo Em que temos mais diálogo, precisamos dessa verdade Queria ouvir pra você o que mais marca o seu tempo hoje Pra gente começar do presente pro passado, pra depois falar de futuro O que mais marca o seu tempo hoje?
Então O que mais marca o meu tempo hoje eu acho que é a minha opção de fazer o que eu faço hoje, de poder escolher, de me sentir feliz dentro daquilo que eu faço, que eu acho que é uma oportunidade tão rara das mulheres, né? Porque às vezes a gente faz tantas coisas que a gente não gosta. Então poder escolher, estar fazendo o que eu gosto, E sem ser remunerada, porque o ativismo não é remunerado, mas o prazer que me dá, o quanto eu me sinto útil, é algo que me deixa muito feliz e jovem por dentro. Eu rejuvenesci com essa pauta, apesar de ser uma pauta dolorosa, ela veio por uma dor minha, Então, o tempo me ensinou a reconhecer falhas, dificuldades, perder o filtro, ser corajosa, ter humildade. Não julgo mais ninguém, eu não julgo mais ninguém, eu não consigo. Porque eu aprendi com tantas pessoas que eu vi em sofrimento, que a me colocar eu no lugar delas e parece ser bobagem, aprendi com tantas pessoas duvido. que eu vi em sofrimento, que eu aprendi com tantas pessoas que eu vi em sofrimento, eu É, é possível sim. Talvez quando você passa por aprendi com tantas uma pessoas série de que eu.
Vi em sofrimento, aprendi com tantas pessoas.
Tantas sofrimento pessoas que eu vi em sofrimento, que você não valorizou na época, mas no futuro você consegue enxergar de uma forma mais concreta de que aquilo realmente você não percebeu, mas você sofreu e você precisou ser forte pra você não morrer. Porque morrer não é morrer só, é você morrer por dentro, é você se ficar angustiado, é você enfeiar por dentro, ficar amarga, sabe? Então eu acho que o tempo me deu coisas que eu nunca pensei. Chegar com 58 anos e falar assim, eu me sinto mais bonita hoje do que quando eu tinha 18, por exemplo. Eu me sinto mais limpa hoje. Eu me sinto mais poderosa, eu me sinto mais... Eu me sinto mais mulher, eu me sinto mais fortalecida. Então o tempo, ele tá sendo muito generoso comigo. Eu não quero morrer tão cedo, quero morrer por 100 anos.
Que maravilhosa! Você falou que tem 58 anos. Em algum momento foi complicado ou você se opôs a falar sobre idade, sobre as mudanças que vão acontecendo com o tempo?
Eu nunca escondi a minha idade, eu tenho o péssimo hábito de aumentar sempre, sabia? Eu sempre aumento um pouquinho, juro, Isabel. Eu acho que o momento mais difícil pra mim, na questão do amadurecimento, não é perder os tons musculares não, que eu ainda tô vestindo, a minha roupa eu me sinto confortável, a gente muda, já não usa tanto tecote, já esconde um pouquinho o braço, já não usa mini saia, biquíni de lacinha, já virou maior inteiro, as pés. Você vai se adaptando ao vestir. O que me deixou muito preocupada foi a menopausa, que eu acho que deixa a gente realmente desprotegida. É muito difícil você entender que você está interrompendo um ciclo e começando outro. E muitas vezes mulheres precisam de um tratamento, seja psicológico, um apoio ou mesmo repulsão hormonal. Eu passei por uma estereotomia total, que é tirar todo o aparelho feminino. Isso não me incomodou. Porque eu falo isso para as mulheres, porque muitas mulheres ficam muito preocupadas com essa retirada. Muitas mulheres têm câncer de seio, tem que tirar o seio. Isso não tira a feminidade da gente, isso não tira a nossa beleza. A gente precisa entender isso, porque a beleza não tá no peito duro e em pé. e nem num ovário pra ter bebê, entendeu? Eu acho que é muito mais do que isso. Então eu comecei a entender que os valores são outros, sabe? Os valores são outros e aí com isso você fica muito mais forte e é maravilhoso. Não tive nenhuma passagem do tempo que me incomodou demais. Nesse momento, sim. Eu fiquei com aqueles sintomas e aí eu precisei realmente me tratar e me cuidar e foi, coincidiu justamente na época em que eu sofri violência, então foi tudo meio junto. Foi um momento difícil. que eu fiquei mais sensível, doente, mas sempre forte. Eu nunca deitei na cama e fiquei deitada com depressão, graças a Deus. Nunca precisei fazer nenhum tratamento específico, mas eu entendo que mulheres às vezes elas precisam de apoio pra elas se fortalecerem e recomeçar a sua história. É se ressignificar como mulher mesmo em determinadas fases da vida. A beleza é efêmera, ela passa, porque a gente passa mais tempo envelhecendo do que jovem. Por isso que é bom olhar a foto e falar como eu era bonita quando eu era jovem, que corpo lindo, que peito lindo, que tom. Eu não usava nem maquiagem, tomava um solzinho e já parecia que eu estava maquiada. Mas isso passa, né? A gente passa muito mais tempo no processo de envelhecimento, de conhecimento, de aprendizagem, de cuidar de pessoas que a gente gosta, de compartilhar nossa história porque agrega valor. Então, você vai mudando.
Perfeito. Agora, qual tempo você gostaria que fosse congelado? Desde que você começou os carreiros de modelo até agora, é tão bom, tão gostoso, uma viagem, um trabalho, enfim.
Aí eu acho que foi a minha... Quando eu fiquei grávida dos meus filhos, maternidade pra mim era uma coisa muito importante. Mas eu queria muito, quando eu casei, eu queria ter sete filhos, oito filhos. Eu acho que veio assim, aquela coisa de família. Minha mãe teve oito filhos. Mas quando eu sofri esse abuso sexual, eu demorei muito pra ter filho. Eu tinha muito medo de que isso pudesse se repetir e eu demorei pra ter filho. No meu primeiro casamento, eu não tive filho. Fiquei casada há quase seis anos, eu não tive filho. Fiquei casada no segundo, 24, mas eu só tive filho. 5 anos depois, depois 10 anos depois. Eu acho que muito disso eu vejo hoje que não foi uma opção. Foi o meu corpo rejeitando uma gravidez por conta de traumas que eu passei. Então, hoje eu reconheço que foi dessa forma. Foi uma rejeição invisível, mas que foi bom pra mim, porque quando eu tive a asmin, quando eu fiquei grávida, foi algo extraordinário. Então, pra mim, ser mãe A maternidade foi uma coisa que me deixou muito assim, foi um momento que eu congelaria. Da Yasmin eu tinha 26 anos e do Antônio eu fui mãe velha, que eu tinha 37. Então eu congelaria também porque ser mãe de um menino e de uma menina com 10 anos de diferença é muito trabalhoso, mas é maravilhoso. Eu acho que a maternidade, seja filhos de você que você pare ou filhos que você adota, filhos que você cria, é algo extraordinário. Eu acho que não tem nada assim que não que seja melhor do que isso. E eu sou muito feliz como mãe, tenho filhos maravilhosos, então é um momento assim que me deixa muito emocionada.
Linda, linda. Não, e dá pra ver, né, o seu relacionamento com os filhos é espetacular. Luísa, tô de olho aqui no tempo, como eu disse, tenho que me concentrar muito aqui pra não fugir, pra não fazer outros tipos de perguntas, mas não dá pra fazer aqui, tem que fazer depois. Bom, Você já falou sobre lugar certo na hora certa, esse momento prazeroso da maternidade E agora, aos 58 anos, o que você está planejando? O que você pretende fazer nos próximos anos? Para que você viva uma vida que vale a pena ser vivida com tudo isso que você já viveu.
Eu me imagino continuando nessa luta porque eu gostaria de fazer parte dessa mudança. Eu, você e todas as mulheres, acho que é nosso dever e nossa salvação. Eu acho que só no coletivo que a gente vai conseguir mudança agora, com as mulheres de agora, porque no futuro eu acho que vai haver, como eu falei, uma conscientização muito maior. Então acho que é uma pauta que eu acho que eu quero aprender mais. ter mais informação, poder falar melhor, poder tocar no coração de mulheres para que elas façam parte desse grupo de mulheres que querem mudar essa história, retroceder isso, parar com isso, fazer parar através de movimentos, de falas, de exigências, seja através da política, seja através de órgãos, seja através de políticas públicas, mas eu me vejo assim como uma ativista mesmo até os fins dos meus dias. porque é o meu melhor momento e eu quero que esse momento se perpetue mesmo. Eu não quero perder os meus princípios morais, nem éticos, que é o que conduz a minha vida, que deve conduzir a vida das pessoas, mas eu acho que a vida me deu tantas oportunidades, sabe, Isabela, e eu acho que essa oportunidade de ser uma voz hoje para as mulheres que não tem voz, porque eu recebo muitas denúncias através das minhas redes sociais e eu me sinto responsável por essas mulheres que não tem voz e que não conseguem chegar às vezes em lugar nenhum Então eu pretendo realmente que eu possa ter a oportunidade de crescer mais dentro dessa pauta Se você.
Pudesse hoje mandar uma mensagem pelo WhatsApp A.
Gente precisa se unir mais. E não nos sentimos sozinhas. Porque, infelizmente, a violência contra o ser humano é democrática. A O não estar sozinha é que todo mundo em algum momento da sua vida sofreu algum tipo de violência, violência contra algum tipo de violação. o ser humano é democrática. A violência contra o ser humano é democrática. Então eu acho que a mensagem que eu deixaria é essa. Vocês não estão sozinhos. Estou com você porque eu faço parte desse grupo de seres humanos que também foi violado na vida em algum momento. Então vamos dar as mãos, vamos mudar tudo isso. Será a mensagem mais curta, né? E eu espero que ela atinja. Eu acho que vai atingir.
E esse dar as mãos hoje fica mais fácil com a internet. Fica.
Vamos usar os abraços virtuais, né? Eu dar a mão. O virtual é maravilhoso também.
Como você gostaria que quem está nos acompanhando entrasse em contato contigo? Como você convive com todas as suas causas e interage com elas?
Eu disponibilizo no meu Instagram um e-mail, no feed, o meu direct. Hoje eu recebi duas denúncias de meninas, de mulheres que sofrem violência doméstica, uma no Brasil e outra fora. Eu já reconectei elas com promotores de justiça, com um grupo de apoio, é o que eu tenho feito bastante. Graças a Deus, o grupo de apoio de mulheres é maravilhoso no mundo inteiro. A gente fala do grupo Mulheres no Brasil, da Luísa Trajano, são 47 mil mulheres ao redor do mundo. É muita gente. Depois tem a Gabriela Mansur e outras plataformas de mulheres. Então é muito fácil hoje em dia você apoiar uma mulher, seja onde for. Seja no Japão, seja em Londres, seja em Paris, seja no interior do Brasil. Então, mulheres, peçam ajuda. Peçam ajuda porque a gente vai estar para ajudar vocês ou para esclarecer dúvidas. E eu estou super disponível. para essas mulheres. Todos os dias eu falo com várias mulheres, eu apoio as mulheres, eu converso com elas, porque eu gosto de fazer isso também. Eu me sinto muito confortável em fazer isso com elas. Eu acho que é muito importante. Esse é o abraço virtual, esse é o dar de mão virtual.
É isso mesmo. Luisa, você marcou o meu tempo, você marcou a minha vida, você marcou o tempo e a vida de muitos brasileiros. Eu queria que você sentisse um abraço bem demorado, bem carinhoso, de muita gratidão por tudo que você fez na minha vida, sem você saber, sabe? E por tantas mulheres. Eu adoraria poder te dar esse abraço pessoalmente, sabe? Reserver alguns minutos aqui pra realmente te dizer e pra que você sinta essa energia, sabe? De irmã, de mulher pra mulher, de irmã pra irmã, sabe? Porque você é uma figura fundamental nas nossas vidas. A minha bisavó, ela educava adultos no interior de Minas e tinha uma frase dela que é assim, o mestre é como a vela, consome-se iluminando. O mestre é como a vela com o sol se iluminando e você ilumina por onde passa. Tudo que você se propõe a fazer chega em muitos, muitos corações e você vai iluminando todos os caminhos. Então, por mais que você canse, por mais que você fique cansada, lembre-se sempre disso. O mestre é como a vela consome-se iluminando. Eu desejo tudo de melhor na sua vida e conte comigo também. Para não só para essa pauta do movimento ao favor das mulheres, precisamos de muito diálogo, muita transparência, mas para tudo que você quiser. Se precisar de uma mulher do interior, que também veio para a cidade e enfim, vivi milhares de situações aqui que nós poderíamos trocar, mas somos mulher de verdade e a gente gosta de falar a verdade.
É verdade. Eu também sou do interior. Isso é muito bom. Isso nos aproxima muito. Toda mulher tem uma história pra contar. Eu acredito que toda mulher que sentasse aqui pra falar com você teria uma bela história pra contar. E normalmente, você sabe quando eu faço as minhas falas, principalmente falas do Brasil, para as mulheres imigrantes, eu sempre convido uma pra sentar do meu lado e contar a sua história. E é emocionante poder dar esse lugar de fala, como fala de Jamila, que eu sou apaixonada, que ela possa também ter a oportunidade de ser a protagonista do meu lado pra contar a sua história. E são histórias maravilhosas. Então, mulheres, elas estão todas os parabéns pelas suas próprias histórias e que a gente tenha mais união entre mulheres, né? Já tem muita união, mas se sente demais ainda. E muito obrigada por todos esses elogios. Eu fiquei muito comovida com tudo que você falou. Amei conversar com você, a Isabela já sabe, né? Sempre é muito bom te encontrar.
Puxa vida. Muito obrigada, Luísa. Que o tempo sempre esteja ao seu favor. Vamos juntas. Um beijo, boa noite, até breve. Vou liberar aqui a Luiza e vou te agradecer profundamente pelo seu tempo, pela sua companhia, pela sua confiança. Você sabe que as palavras são sementes e se elas floresceram no coração de vocês, Me ajudem, então, a deixar este planeta mais florido, mais bonito, com as palavras da Luísa. Compartilhando, então, esse conteúdo, se fez sentido para você, pode fazer sentido para outras pessoas também. Agradeço demais o seu tempo, sua confiança, e amanhã eu estarei de volta, não aqui no Instagram, mas lá no YouTube com o Facebook, com uma conversa muito bacana sobre se amar e amar o trabalho ao mesmo tempo. É possível? E amanhã então nós vamos falar mais sobre isso. Boa noite, bom descanso e até amanhã.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








