Fabio Coelho, Presidente do Google Brasil

Fabio Coelho, Google Brazil's president, discusses how COVID-19 is reshaping work, the importance of mental health during the shift to remote work, and technology's role in education. He shares insights on leadership and collaboration in an evolving workplace.
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Olá, estamos ao vivo. Seja bem-vindo a mais uma entrevista nesta Semana do Futuro do Trabalho. E agora eu tenho o privilégio de ter Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, para compartilhar suas ideias para a gente ter um novo futuro com novas perspectivas, novos pontos de vistas e caminhos. Não é, Fábio? Boa noite.
Boa noite, Isabela. Prazer te rever e prazer conversar um pouquinho com o pessoal que te acompanha aqui.
Maravilha. Você sabe que esse conteúdo, Fábio, ele é muito importante porque aqui no YouTube nós temos uma memória infinita, então muitas pessoas depois vão poder compartilhar também esse conteúdo, que eu acredito que será muito útil. Eu espero que todos, ao final dessa entrevista, saiam melhores do que entraram. Fábio, quando nós conversamos nas últimas semanas, você me disse sobre algumas medidas que foram implantadas neste isolamento. Quais você se orgulha, quais foram aprendizados e quais você vai levar depois quando tudo isso acabar?
Olha, para começar, nós estamos no Google há sete semanas trabalhando de casa. E eu entendo que essa situação não é uma situação que todo mundo pode fazer. Quem tem lojas, quem tem unidades fabrís, tem tratamento um pouco diferente. Nós, como uma empresa de tecnologia, nós vimos, baseado no que a gente estava observando acontecer nos outros mercados, imediatamente nós movimentamos as pessoas para casa no dia 13 de março. Então, naquela semana, pouca gente estava fazendo isso. Nós mandamos todo mundo para casa. São mais de 3 mil pessoas. E a gente começou a operar na segunda-feira seguinte, de casa. O que eu acho que a gente fez certo, Isabela? E quais são as coisas que ficam como mensagem aqui? Primeiro, naturalmente, a questão do timing. Nós agimos rápido, até para proteger o nosso pessoal. Mas mais do que isso, nós investimos muito em que as pessoas mantivessem uma rotina respeitando as diferenças e as individualidades da quarentena de cada um. Isso foi um pedaço da coisa, porque é muito fácil sentar aqui na minha casa e assumir que eu entendo como cada pessoa trabalha. Tem gente solteira, tem gente que tem muitos filhos dentro de casa, tem gente que a quarentena daquela pessoa é com alguém que está doente, tem gente que tem que limpar a casa, fazer comida, cuidar do ambiente, tem gente que está sozinha. Então, fases de vida, etapas de relacionamentos amorosos, afetivos diferentes, Faz o que a gente tem que ter. Não apenas... A gente tenta manter a rotina, mas a gente tem que ter a compreensão de que o confinamento é individual para cada pessoa. E, além disso, uma coisa muito importante que a gente investiu foi na questão do well-being e da saúde mental. A gente fez várias palestras. Eu tenho uma reunião toda segunda-feira de manhã com praticamente metade da empresa. Ela é aberta para as pessoas, para que as pessoas possam entender Como é que está o nosso Zeitgeist? O que a gente está observando naquele momento? Como é que vai ser a semana? Na sexta-feira, a gente fecha com um comunicado sobre tudo o que aconteceu na semana. O objetivo é manter as pessoas envolvidas e tem uma espécie de um código, né? Antes de você começar a reunião, você pergunta se está todo mundo bem, como é que as pessoas estão. E tem que haver tolerância. Tem que haver paciência, tem que haver tolerância, porque um processo de confinamento como esse, Ele é um processo que pode deixar lesões, sim, nas pessoas.
Uau, Fábio, você é o primeiro líder, desde que eu comecei essa Semana do Futuro do Trabalho, em que se posiciona tão a favor da saúde mental e preocupado com essas consequências. Quando você diz sobre essa diversidade, cada um com a sua rotina, acredito que a sua fala pode inspirar outros chefes, outros líderes, que estão com muita dificuldade em cobrar, muita dificuldade em entender como é que vai ficar essa produtividade. Como que vocês fizeram na prática?
Na prática, você primeiro tem que confiar nas pessoas e tem que ter métricas claras. Quando você tem um modelo de cadência, a gente chama de cadência e gestão operacional. Se você, segunda-feira, estabelece o que você espera e faz planos de ajuda e acompanha as pessoas certas, o que vai acontecer, Isabela, é que a gente consegue, através desse acompanhamento, desse modelo de delegação, mais ou menos entender quem está entregando e quem não está. Se aquilo for um problema de performance impossibilidade de engajamento, nós temos que apoiar. Se aquilo for um problema de performance por qualquer outro motivo, aí nós temos que saber como é que nós ajudamos aquela pessoa, seja colocando mais gente para trabalhar, seja entendendo como a gente corrige, às vezes, aquela questão daquela produtividade. Mas é muito mais importante a gente entender que é um momento diferente, que as pessoas precisam estar sendo apoiadas, e que esse apoio também passa por um apoio em relação às pessoas se sentirem bem. Tá todo mundo muito sensível, as pessoas estão sensibilizadas e você não sabe o que tá rolando no universo interior de cada uma daquelas pessoas que trabalham contigo. Então é importante a gente ter essa sensibilidade sim.
Essa consciência. Fábio, desses 3 mil colaboradores que você disse que foram para a home office, quando o novo normal chegar, você acredita que todos voltarão para o ambiente anterior? Ou boa parte vai continuar trabalhando de casa?
Olha, essa é uma discussão que a gente ainda não definiu. O que fica claro, até porque a gente está olhando uma fase de cada vez. São mais ou menos mil e poucos que a gente chama de Googlers e a gente tem uma força de trabalho estendida de outras duas mil pessoas. O que a gente observa primeiro, Isabela? A gente vai voltar algum dia, mas a gente vai voltar certamente diferente de como a gente saiu desse momento. A gente vai voltar diferente até porque nós aprendemos com isso que existem formas diferentes de se trabalhar. Lembrando que o trabalho, nesse modelo que a gente conhece, que é o modelo de você entrar no horário, sair no horário, todo mundo mais ou menos no mesmo horário, é uma pequena variação do que a gente viu com a Revolução Industrial. Isso tem mais de 100 anos. Então, se a gente for parar para pensar, é uma loucura pensarmos que todos nós vamos para o trabalho mais ou menos no mesmo horário e voltamos para casa mais ou menos no mesmo horário. Um pedaço da experiência de você estar presencialmente perto de alguém te permite alguns tipos de análise de códigos ou de olhar para determinadas dinâmicas de grupo que são importantes. Mas você não precisa disso o tempo todo. Assim como... Então, a combinação entre você trabalhar presencialmente e trabalhar à distância funciona, sim. E a gente está provando isso, conseguindo administrar uma organização Com toda a complexidade do momento, mostrando que dá para se fazer, sim, uma administração à distância para alguns tipos de funções e empresas. Não dá para fazer para todo mundo. Você não vai administrar uma fábrica à distância ou uma loja à distância. Mas, certamente, cada setor e cada tipo de negócio vai encontrar uma maneira de interagir que pode melhorar a qualidade de vida das pessoas, permitir como opcional que as pessoas trabalhem em determinados momentos, determinadas situações, não necessariamente estando lá fisicamente. E com isso, acho que a gente sai com uma solução melhor. É o E, não é o ou.
Perfeito. Hoje, eu conversei mais cedo com o governador aqui do estado do Paraná, Ratinho Júnior. Ele disse uma frase muito interessante, eu quero compartilhar contigo e depois falar, inclusive, sobre a ferramenta do Google que está ajudando no ensino à distância. Ele disse, olha, estamos vivendo num momento anormal, então as decisões, elas não serão... como aquelas que nós já conhecemos como normais. Muita tolerância, como você falou, flexibilidade. Fábio, o Ratinho disse que o estado do Paraná foi pioneiro, conhecido à distância, começou já há algumas semanas, e o Covid acelerou o futuro. O que antes seria implementado em alguns meses ou anos, agora tem todo mundo aprendendo a marra. Então, essa ferramenta do Google, o Classroom, tem ajudado muito, tem contribuído aqui com os alunos do Paraná. O que você tem mais para complementar sobre essa ferramenta e outras ferramentas que podem ajudar as pessoas a continuarem em movimento, em atividade?
Olha, Isabela, o Google é uma empresa de tecnologia, por isso, É natural que as pessoas usem, aqui, mais de 100 milhões de brasileiros, cento e tantos milhões, mais de um bilhão de pessoas usam as nossas plataformas. Você usa o YouTube, que a gente tá usando aqui, você usa o buscador todos os dias, nós usamos mapas, Waze, Chrome, Android, várias Cloud, todas plataformas importantíssimas no momento que as pessoas e as empresas têm que operar à distância. Com relação à educação, talvez seja a grande oportunidade e motivo de satisfação para a gente. Eu me lembro que há uns seis anos atrás eu assinei um contrato com o governador Geraldo Alckmin para que os três milhões de estudantes da Escola Pública de São Paulo tivessem acesso gratuitamente ao G Suite, o que chama G Suite for Education. Gratuito isso aí. Logicamente que não é só você ter um aplicativo que permite você ter um e-mail personalizado da Secretaria de Educação, Você também tem que ter a máquina, ou um computador, ou um tablet, ou um laptop, ou até mesmo um celular. Você tem que ter conectividade em casa e na escola. O que a gente aprendeu? Depois de um tempo, a gente falava que ia fazer 3 milhões de alunos em São Paulo e conseguia fazer 200, 300 mil. De uma hora pra outra, a gente viu essa necessidade do ensino à distância, ter ferramentas adequadas, levantar voo. Então, o Classroom, hoje em dia, tem mais de 2 milhões de apps ativos no Brasil. E ele complementa, hoje a gente está presente como sistema de educação à distância em 11 estados brasileiros. É uma ferramenta para o ensino público gratuito, mas lógico, tem que ter uma conexão de internet. Nem todo mundo tem, às vezes é outra coisa que a gente tem que observar também. a importância da prioridade em relação ao investimento em conectividade, para que a gente possa ter o brasileiro mais humilde, no lugar mais distante, tendo acesso ao estudo. E aí, você pode complementar a educação física, que nesse momento ela não é possível, com a educação à distância, com o ensino à distância, que permite que você consiga aprender qualquer coisa. Logicamente, que nem tudo vale para todo mundo. Para as crianças menores, tem um elemento, tem uma componente de socialização importantíssima, a qual apresenta do professor ao lado o tempo todo, assim como os elementos de socialização daquele grupo são importantes. Isso é importante pra todo mundo, mas pra gente que é mais adulto, pra quem faz um curso superior, um primeiro grau, segundo grau, dá pra você complementar e balancear entre a distância, e a presença física talvez tornando a vida das pessoas um pouco mais produtiva e um pouco mais eficiente nesse aspecto.
Sim. Por falar nisso, Fábio... Eu tenho conversado com alguns futuristas. Ontem, eu conversei com a Daniela Kleiman. E ela me disse sobre os empregos que já têm data certa para não terem mais espaço e outros que vão continuar. A tecnologia ampliou a nossa memória, com as clouds, como você disse. E algumas pessoas ainda veem a tecnologia como inimigo e não como amigo. Você, como presidente do Google, o que você diria ainda para os resistentes à tecnologia e como ela pode nos potencializar para o novo normal?
Olha, eu acho que primeiro a lente que a gente usa é uma lente de acesso. Quanto mais tecnologia, nesse caso, você permite com que as pessoas tenham acesso, você diminui as barreiras geográficas, as barreiras sociais, você permite que as pessoas aprendam, se divirtam. A gente está vendo o fenômeno de lives, né, Isabela, no Brasil. Isso tudo significa uma massa de pessoas querendo se informar, se divertir, estudar, trabalhar à distância, tecnologia. Ainda bem que nós temos a tecnologia para fazer isso. eu encaro muito mais como uma questão de necessidade, porque a gente não está isolado no Brasil, a gente está em um ambiente extremamente competitivo, a competitividade global. As empresas brasileiras, esse é o nosso papel do Google, é ajudar as empresas a ficarem competitivas e ajudar o cidadão brasileiro a ficar preparado para lidar com esse mundo globalizado. Na hora que a gente junta a cidadania plena e exercida em qualquer lugar do Brasil, com empresas competitivas e você bota por trás disso aí um brasileiro resiliente, adaptável, tem uma capacidade de sobrevivência impressionante, uma capacidade de improviso e de inovação impressionante, nós temos uma ótima combinação. Com essa população de 210 milhões de pessoas, nós podemos criar inúmeras soluções e eu acho que essa crise está trazendo um pedaço disso aí. a solidariedade, a capacidade de trabalhar colaborativamente, o uso de ferramentas, às vezes nem a do Google, o WhatsApp, que é importantíssimo nessa crise você ter as pessoas podendo se conectar. Então, ignorar a tecnologia nesse momento, ou em qualquer momento, significa abrir mão de uma oportunidade de buscar fazer coisas de uma maneira nova. Às vezes é um pouco sofrido, mas a gente não pode abrir mão disso. Eu me lembro da primeira, segunda semana que eu trabalhava de casa aqui, em março, terminava o dia morto do cansado. A gente começa a conhecer conceitos novos, como fadiga de tela, né? Screen fatigue. Você começa assim, meu Deus, eu tô o tempo todo olhando. Aí você começa a aprender como tudo que às vezes é gostoso e é novo. Você pode fazer um excessozinho, aí você volta, equilibra isso com uma caminhada pela sua casa, ou se você tiver um jardinzinho, uma caminhada pelo jardim, um tempo livre pra fazer outra coisa. Mas aquela hora, hora e meia que você deixa de usar no trânsito, Ela tem um valor enorme, dá pra fazer outras coisas, dá pra fazer exercício, dá pra ficar com a família, dá pra se divertir, dá pra aprender outras coisas. Então, eu acho que a tecnologia, ela é um fator fundamental de progresso social, se usada da forma certa. Mas, se usada da forma errada, ela vai ter consequências erradas também. E eu acho que, ao longo do tempo, a sociedade se acerta e arruma isso aí.
Vai se ajustando. Aqui no interior do Paraná, Fábio, tem um ditado que as melancias vão se ajustando conforme o caminhão vai andando.
É, você está no norte do Paraná, né? Pois é. Aí é uma região rica, região bacana. um monte de gente que, hoje em dia, o conhecimento chega aí na mesma velocidade que chega em São Paulo. Isso nem sempre foi assim, né? Então, no passado, quem estava numa cidade, para você ter acesso à informação, você tinha que estar numa grande metrópole. Hoje, você pode estar em Maringá, Londrina, Pucarama, onde for que você esteja. Ou lá no Amazonas, em São Gabriel da Cachoeira, que você tem acesso à mesma informação, na mesma velocidade. Isso é a democratização do acesso.
Perfeito. Fábio, respeitando aqui o seu tempo, eu tenho algumas perguntas. Muitas pessoas, quando eu comecei a divulgar a nossa conversa, me perguntaram e gostariam muito de saber, você como líder, quais são as habilidades que você vê para o futuro próximo, o futuro do trabalho, porque muitas pessoas perderam o emprego, outras ainda podem perder. E aí, qual habilidade você, como líder, você valoriza mais na hora de contratar alguém?
Olha, vamos lá. Eu acho que cada vez mais, para quem trabalha nesse mundo conectado, tem algumas habilidades que não podem ser desprezadas e que nesse momento elas ficam ainda mais importantes. O primeiro é saber trabalhar em equipe, colaborar. O fenômeno da colaboração sempre foi importante e continua sendo. A segunda é a curiosidade. As pessoas têm que saber... Hoje em dia, com a quantidade de informação que existe, a gente tem que fuçar, tem que buscar as coisas, tem que poder perseguir a profundidade do conhecimento. Isso também é muito importante. E, para mim, esses dois ingredientes fazem com que as pessoas se movam em direção ao conhecimento em relação às boas interações sociais. Lógico, para quem quer trabalhar em tecnologia, você tem que buscar também profundidade técnica. E a profundidade técnica, você só adquire quando você explora o assunto em profundidade. Para isso, tem um monte de... O Google criou um site chamado Em Casa, uma plataforma que tem um monte de cursos. Tem curso para mulher empreendedora, tem curso para quem quer aprender a programar, fazer código, tem... Um monte de cursos e mentorias que estão disponíveis. Então, se entrar lá no Google e buscar direitinho, tem um monte de coisas para você fazer quando você está em casa. E são, obviamente, parte da nossa plataforma de ensino à distância que está disponibilizada e parte de uma plataforma de mentoria. E pra mim, isso hoje em dia é o mais importante, é a pessoa ter... Quando você vai entrevistar alguém, você busca o quê? Você busca brilho no olho, você busca a pessoa que você sabe que não vai criar problema na interação social dela, busca uma pessoa com energia e com capacidade de aprender. Normalmente, essas pessoas, elas têm o ego sob controle, elas acham que elas têm que aprender o tempo todo, até porque no mundo de hoje, quem te aprendeu aqui há 15 dias atrás pode anunciar a mesma coisa hoje em dia, daqui a 15 dias. Então, eu vejo muito por aí, tá? São habilidades de aprender permanentemente, à medida que o mundo vai mudando, e habilidade de interpretar e entender o mundo, seja através de dados, seja através de uma capacidade de articular programação, seja através de qualquer coisa que você for fazer, as pessoas têm que saber aprender.
Perfeito. A Marta Gabriel falou, Fábio, muito em cima do que você está falando, sobre o pensamento crítico, fazendo parte das soft skills. Quando você fala profundidade técnica, eu vejo absolutamente o que você está dizendo. Agora, sobre essas soft skills, sobre essas habilidades emocionais, qual delas você elegeria como principal?
A capacidade de colaborar. Para mim, a capacidade de colaborar é fundamental, porque a liderança que é uma liderança natural, não é uma liderança imposta em grupos, ela ocorre quando você sabe colaborar, você sabe escutar o posicionamento do outro, você sabe entender e decifrar os códigos que estão dentro dos diálogos, da capacidade interpessoal de dialogar. Você sabe tirar o melhor da posição que está sendo trazida para a mesa. Não precisa ter razão. A gente não precisa ter razão nas nossas discussões. Mas, simplesmente, você precisa buscar o melhor denominador comum. Esse modelo de colaboração, para mim, dele emergem os verdadeiros líderes. São aquelas pessoas que conseguem ser respeitadas pelo grupo e, normalmente, é a pessoa que colabora muito bem e que tem profundidade técnica. Quando você tem um problema para resolver, você fala, quem é que eu quero no meu grupo de trabalho? Ah, eu quero aquela pessoa. Lá no Google tem algumas pessoas que são assim. Você pensa num problema, tem muitas pessoas assim, mas tem algumas que são especiais. Você pensa num problema, você fala, aquela pessoa, quem é que vai resolver? Aquela pessoa. Então, aquela pessoa, por quê? Porque ela sabe conduzir um grupo, porque ela não necessariamente quer ter o protagonismo, mas que ela tem profundidade técnica e capacidade de levar as pessoas para ter o melhor resultado como grupo.
Técnica e sensibilidade.
Sim.
Perfeito. Fábio, eu tenho ainda a última pergunta sobre um futuro inclusivo, abundante, positivo, mas eu não posso deixar de, além de te agradecer e perguntar a sua opinião, sobre os canais individuais de informação. Com o YouTube, eu posso ser um canal individual de informação. Muitas pessoas estão reduzindo o tempo nos canais tradicionais e buscando aqui nos canais individuais uma informação específica. Eu falo muito sobre saúde mental. Como você vê esse movimento? E qual a expectativa do Google barra YouTube com estes canais individuais neste momento?
Olha, as plataformas de tecnologia, e algumas pessoas até têm um pouco de medo da tecnologia por causa disso, Eles conectam uma proposta com quem está interessado naquela proposta. Alguém que quer comprar alguma coisa com alguém que quer vender alguma coisa. Um comunicador com quem está recebendo aquela mensagem. Um artista com sua audiência. E, normalmente, esse trajeto entre o emissor e o receptor, ou entre o comprador e o vendedor, você tinha um monte de gente no meio do caminho.
É verdade.
O que o digital faz, ele reduz o número de intermediários, ele permite que aquele acesso seja direto, seja transparente, seja mensurável. E, lógico, tem várias regras que têm que ser respeitadas. Porque a proposta não é você destruir o modelo como está aí. Tem regra de propriedade intelectual, tem regra de respeito a regras, a normas de conduta e comportamento. Então, a gente no YouTube tá vendo o seguinte, é um fenômeno maravilhoso você poder buscar. A gente fala que o YouTube, ele é um espelho da sociedade. As coisas não são tão organizadas, você não demora semanas pra fazer um programa, é tudo feito. Se você quiser conteúdos que reflitam diversidade social, diversidade de gênero, diversidade de interesse, se você quiser encontrar alguém que toque flauta da Noruega, você vai encontrar. Logicamente que qualquer assunto vai ter gente interessada e essa conexão aqui é a mágica que a gente vê nesse tipo de plataforma. Assuntos como saúde mental, tem vários canais sobre isso. Aliás, é um negócio interessante que eu tô trabalhando aqui em casa, eu coloco, normalmente eu coloco uma música, aquelas músicas de bem-estar e fica aqui às vezes um vídeo rodando três horas com músicas que fazem você ficar mais harmonizado, mais tranquilo. Ou seja, tem conteúdo pra todo mundo. E esse, pra mim, é a verdadeira mágica do YouTube. Ele refletia a sociedade e mostrar como as pessoas querem interagir com qualquer assunto.
Democratizando os acessos, como você falou, Agorinha. Fábio, então, respeitando muito o seu tempo. Olha, o Nivelson está dizendo assim, o YouTube está sendo essencial nessa quarentena. Que bom, tenho visto aqui comentários bem interessantes. E é curioso, né? Eu, como repórter, eu te conheci fazendo uma reportagem para a TV. E naquele momento em que a gente faz uma entrevista, você não fica de olho já nos comentários, em quantas pessoas estão aqui, já pensando quantas assistirão aquela entrevista. E agora, essa interação também, ela soma muito. As pessoas, quando estão te assistindo, elas estão escolhendo exatamente entrar nessa tela.
E exige você saber conviver com crítica, exige você saber que as opiniões são diversas, a gente nunca vai ser unanimidade, sempre vai ter alguém que vai falar, ai, não gostei disso, não gostei daquilo, mas esse é o mundo, assim que a sociedade funciona, algumas críticas são construtivas, nós temos que levá-las, os comentários podem ser excelentes insights pra gente trabalhar e nos aperfeiçoar, o que a gente faz, Algumas críticas são destrutivas, a gente tem que olhar, mas olhar com uma lente não tão pesada assim. Então eu fico muito feliz de ver que o YouTube está ajudando, assim como o buscador do Google, o Google Search, a busca ajuda bastante. E todas as plataformas, se a gente puder ajudar o Brasil e o brasileiro a sair dessa crise. Com uma lesão pequena do ponto de vista econômico e do ponto de vista emocional e as pessoas aprendendo novas habilidades e os negócios ficando mais fortes e mais eficientes, eu acho que a gente vai ter feito o nosso trabalho.
Perfeito, Fábio. Muito obrigada pelo seu tempo, pelas suas respostas.
Muito obrigado. Eu que agradeço. Continue o seu trabalho e precisando da gente, a gente tá por aqui, tá?
Com certeza. Muito obrigada e vamos em frente por um trabalho que faça mais sentido, porque assim a gente consegue realmente melhorar a nossa sociedade.
É verdade. Obrigado a você, tá?
Obrigada, Fábio. Boa noite.
Boa noite. Até logo.
Essa entrevista, gente, ficará disponível no meu canal no YouTube, e como as palavras são sementes, se você puder compartilhar, semear essas sementes, será muito importante para todos nós. Comece, então, com as pessoas da sua família, com os seus amigos, e vamos em frente. Nesta Semana do Futuro do Trabalho, eu estou compartilhando os conteúdos no Instagram e aqui no YouTube para que você tenha novos pontos de vista, novas perspectivas reais. para trilhar um novo caminho e para que o seu futuro seja realmente cheio de oportunidades. Obrigada pela sua confiança, pelo seu tempo, e já já, às 9 horas, eu volto com a Isabela Matar, Head de Educação da XP, para a gente entender a opinião de uma líder jovem, mas muito experiente, e como ela vai conduzir, então, os liderados daqui para frente. Tá certo? Então, até mais tarde. Obrigada pela sua confiança.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








