Impacto da Covid na Gestação, parto e puerpério

Obstetric nurse Mariana Ruiz discusses a research project on COVID-19 in pregnancy, childbirth, and postpartum care. Pregnant women face higher risk due to physiological changes, with prematurity rates jumping from 10% to 60%. Most newborns tested positive mildly or showed no symptoms, though vertical transmission is rare.
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Olá, boa noite, seja bem-vindo, bem-vinda. Hoje nós vamos falar sobre um assunto super importante, não só para quem está grávida, mas para aquelas mulheres que também estão com seus recém-nascidos, para os familiares que conhecem pessoas ou outros casais que estão esperando um bebê. Porque nós grávidas, e aí eu falo por mim porque eu estou grávida de 6 meses, fazemos parte do grupo de risco, mas não entramos na vacinação para o grupo de risco e a cada momento novas informações surgem, evidências, e é super importante a gente atualizar, né, nossas ideias a partir de informações científicas do que está rolando. E eu fiquei muito feliz pela enfermeira obstetra, doutora em saúde pública Mariana Ruiz, me procurar para divulgar uma pesquisa que foi feita pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro e também a Universidade Federal de São Carlos, num projeto de pesquisa em parceria com o CNPq e também com o Ministério da Saúde e da Ciência e Tecnologia. Então a gente vai falar sobre um assunto super importante e que se você souber conhecer alguém que precisa dessas informações, envie aqui um aviãozinho. Com certeza você já sabe que eu falo que o melhor remédio é informação correta. Então nós vamos trazer aqui os resultados dessa pesquisa que começou no ano passado para mostrar quais são os impactos da COVID na gestante, no bebê, no parto e também no pós-parto. Eu já vou trazer aqui Deixa eu achar, vamos ver.
Agora sim, a Mariana, pela página Nascer e COVID, que é uma página feita em parceria com todas as pesquisadoras, com todos envolvidos nessa pesquisa. Oi, doutora, tudo bem? Boa noite.
Boa noite, Isabela, você me ouve bem?
Ouço bem, vejo bem, e você?
Tudo bem, vejo muito bem. Boa noite, Isabela, a todos que estão nos ouvindo. É uma satisfação poder conversar com todos, né, que estão conectados conosco, ainda que sobre um tema tão difícil, né, Isabela, mas não menos importante. Então precisamos falar sobre isso. Que bom ter esse momento, esse tempo vai ser muito precioso para gente.
Com certeza, Mariana. Você sabe que mesmo se eu não estivesse grávida, eu estaria fazendo essa live da mesma maneira, porque não é só porque eu estou grávida que eu estou vendo mais mulheres grávidas, mas eu tenho visto números sobre as mortes, sobre os casos com as gestantes, que já me chamaria atenção eu como cidadã, né? Eu como jornalista grávida, poxa vida! Então eu fiquei muito feliz quando você me procurou e nós conseguimos arranjar nossas agendas para poder compartilhar essas informações com quem precisa, não é, Mari?
Sim, eu muito feliz por você ter aceito o nosso convite, nos chamar e dividir esse tempo tão precioso. Acho que vai ser imprescindível para que a gente leve mais informação ainda para quem precisa. Isabela, eu peguei alguns dados interessantes desse momento da sua fala, que há mais de um ano nós estamos convivendo com o SARS-CoV-2, que é o agente causador da COVID-19, que a COVID é a infecção já instalada, sintomática, né? Mas ainda muito pouco nós sabemos e a toda hora as informações mudam, então os estudos estão sendo produzidos de uma maneira muito rápida, muito veloz. Nunca se produziu tanto na ciência como agora. E assim, trazendo dados atualizados para chamar atenção de vocês, são mais de 124 milhões de casos no mundo, isso pelo Observatório da Organização Mundial da Saúde, na data de hoje, e mais de 2,7 milhões de mortes. Então, muita gente morrendo, né? Temos 400 milhões de pessoas vacinadas no mundo, mas a gente sabe que essa não é a realidade do Brasil. Então, hoje, os dados do Brasil de hoje, só para atualizar, da pandemia, né, são mais de 200 milhões de infectados, mais de 300 mil mortes, né, como noticiado ontem. Então assim, é com extrema tristeza, né, que falamos sobre isso, e a gente tem um percentual de imunizados ainda muito baixo, que chega a 4%. Então, infelizmente, nós estamos numa curva crescente, a gente ainda não vê saída para isso, então a gente precisa conversar sobre isso. Meu nome é Mariana, como a Isabela falou, para quem ainda não tava, eu sou enfermeira obstetra, eu sou docente da Universidade Federal do Triângulo Mineiro há 7 anos e hoje pela manhã a gente conversando eu disse a ela: eu não estou atuando diretamente na linha de frente da COVID, mas como diríamos, né, nos nossos encontros no CNPq, nós estamos sim na linha de frente das pesquisas para clarear o caminho de quem realmente está na linha de frente. Então, buscar evidências que ajudem na assistência e ainda mais para a população em geral, né, para esse público tão específico que precisa de informação. Então, eu hoje gostaria de estar falando aqui com vocês, Isabela, sobre humanização do parto. Nossa, que especial esse tema! Mas a gente vai falar hoje sobre nascimentos seguros e experiências positivas num tempo tão difícil de pandemia. Então acho que vai ser bem bacana a nossa fala aqui de hoje, Isabela.
Tenho certeza. Eu tô na dúvida se eu lhe chamo de professora ou doutora, Mariana. O que você prefere?
Como você achar melhor. Pode me chamar de professora, até gosto de professora. A professora gosta de ser chamada de professora.
Pronto, eu adoro também ter a orientação de todos vocês que, como você mesmo diz, se dedicam para proteger aqueles que estão na linha de frente, não é? Então, agora, eu já recebi várias perguntas, tá, desde quando eu divulguei a nossa entrevista. Eu já já vou para elas. Eu só gostaria de trazer alguns elementos para quem tá chegando aqui e reforçar o convite para que, primeiro, se você tiver dúvida, encaminhe aqui, nós já já vamos tentar responder todas. Segundo, se você conhece alguma grávida, encaminhe essa live Ela também ficará gravada aqui no YouTube. Então vamos começar para que essa hora também seja leve de alguma maneira, com as informações corretas. Porque, professor, do início da pandemia até dia 12 de março, como você confirmou, nós temos mais de 500 casos de grávidas ou puérperas, né, que são as mulheres que acabam dando à luz, que morreram pela COVID-19. Então, o que que eu percebo, tá? Deixa eu trazer um pouquinho aqui da minha experiência. A respiração fica comprometida com a gravidez, né? E não é só por conta do tamanho da barriga. Claro que conforme a barriga vai crescendo, a respiração vai ficando mais difícil por conta do diafragma. Mas com a respiração prejudicada, é evidente que eu já me torno um alvo.
Exatamente.
Vocês fizeram, gostaria que você trouxesse um pouquinho desses elementos. A pesquisa começou no ano passado. Qual foi o grupo que vocês identificaram das grávidas que mais tiveram consequências negativas com a COVID?
Bem, Isabela, então nós iniciamos essas pesquisas em julho do ano passado, de 2020, e nós fizemos vários estudos em momentos diferentes. A nossa pesquisa é centrada em revisão de estudos publicados no mundo todo, então a gente pega só as melhores evidências e faz uma revisão a partir desses estudos. E aí essa pergunta que você me fez é muito interessante. Então, assim, infelizmente gestantes e puérperos estão no grupo de risco. Então vamos elencar aqui, isso é importante esclarecer. Quais são os motivos? Então primeiro, como você já até deu o spoiler pra gente, a área pulmonar expande-se muito pelo crescimento fetal, então expande a caixa torácica. A gestante já passa a respirar mais costal, normalmente quem não está gestante respira abdominal. Esse é um sinal, por exemplo, de insuficiência respiratória, se eu não sei que a mulher está gestante, mas é um sinal normal na gestação. Então, o que acontece? A área do pulmão está maior, diminui esse espaço da árvore brônquica, então isso favorece ter infecção e ao mesmo tempo é difícil de avaliá-la. Por quê? Porque ela já vai ter o desconforto respiratório da própria gestação, da compressão do feto, dependendo do tamanho do feto. Então, gestante respira mais rápido, e é normal, e mais costal. Então esse é um elemento. Segunda alteração fisiológica que a gente tem, muito importante, É que para dar conta das demandas para ela e para o bebê, a gestante aumenta muito o volume circulante de sangue, a parte líquida, o plasma, né? Então ela tem que passar para ela e para o bebê. Aí reforçando, né, um alerta assim da importância de tomar os polivitamínicos, porque ela divide, né? Então para ela e para o bebê, a importância do ferro, né? Isso é muito importante. Mas o que que isso faz, né? Então se ela tiver uma infecção instalada e não tratada, se cair na corrente sanguínea pode virar uma infecção grave, uma septicemia, hiperglicemia. Então temos aí um fator de risco, né? E a outra questão assim que é muito importante, que também assim associado isso, essa alteração vascular, a grávida já é mais taquicárdica, que é uma alteração normal, porque tem mais sangue circulando. A grávida pode ficar hipotensa, com a pressão baixa, que é normal pelo maior volume de sangue circulando. E esses também são sinais de gravidade. Então às vezes é difícil avaliar quando ver um especialista. A terceira alteração que a gente tem muito importante são as alterações da imunidade. Acho que tinha até uma questão sobre isso. Então, a gente tem dois marcos importantes na gestação. O primeiro trimestre, então o início da gestação até 14 semanas, a mulher tem que se adaptar a esse novo ser. A gente chama até que o feto na verdade é um hospedeiro, então é uma relação de adaptação. Tem reações inflamatórias no útero e cai a imunidade. No primeiro trimestre. O segundo é o melhor de todos da gestação, você tá vivendo o melhor momento da gestação, que se adaptam. E o terceiro, o que que acontece? Por volta de 36 semanas vai começar a ter contrações preparatórias para o parto e tem uma reação inflamatória toda vez que eu tenho essa contração, então tem uma queda da imunidade. Com o puerpério essa queda da imunidade acentua mais ainda. Então, as mulheres podem ainda ter uma piora se já estavam com esse quadro ou até ficarem mais graves. Tanto é que o nosso número de puérperas, mães após o parto que morrem, é maior. Então, tudo isso já predispõe. Uma outra informação importante é que nas epidemias anteriores, pelo SARS-CoV, pelo MERS-CoV, que são assim da mesma família de coronavírus e que tem uma similaridade genômica, são muito parecidos, de 50, 70% 100%, as mais afetadas foram as gestantes. Então a gente sabe que é um grupo especial, né, e aí lembrando sempre dessas alterações importantes no primeiro e no terceiro trimestre, então é onde ocorrem mais casos e que elas ficam mais vulneráveis.
Eu até coloquei aqui a pergunta da Cláudia e ela diz: quais são os riscos de pegar no primeiro, segundo ou terceiro trimestre? Acho que aqui não seria nem o risco de pegar, mas se eu me contagiar, qual seria pior? Será que é isso?
Sim, mas assim, a gente tem que fazer uma ressalva porque assim, a maioria dos diagnósticos de COVID nos estudos mundiais foram no terceiro trimestre, 90%, porque em muitos países está sendo realizada cobertura universal para COVID, assim como é aqui no Brasil. HIV e a sífilis, no momento da internação que a gente faz, estão colhendo o swab, o PCR, né, o cotonete na hora do parto para certificar se ela está infectada ou não. Em vários países isso já é uma realidade. Não é a nossa realidade. Saiu uma entrevista essa semana de pesquisadores da Unicamp falando que a gente tem testado mais ou menos 50% das gestantes, porque é um exame caro. Então o que que acontece? Então aí eu tenho mais estudos que mostram infecção no terceiro trimestre. Por quê? Porque é mais diagnosticado no terceiro trimestre. Entretanto, sim, entretanto assim, os casos de primeiro trimestre, Isabela, são poucos descritos na literatura lá no começo da gestação, mas com desfechos ruins. Muitas vezes é uma loteria, muitas vezes ela vai evoluir para um aborto. Em decorrência da COVID. Então, já existem estudos fazendo essa associação. Lógico que depende, que aí a gente faz o alerta do grau de gravidade que essa mãe chega, sempre associado a pneumonia. Então, o importante é: não depende de que fase que você está. A importância é você detectar precocemente, tratar precocemente e ser avaliado. No segundo trimestre, a gente quase não tem relatos de caso. De infecção. Muito porque ela já tá adaptada, a gente não tem essas alterações, é um período que não tem tanta frequência no pré-natal também, não tem tantos exames, pode ser justificado por isso.
Mas pela pesquisa que vocês fizeram e pela sua experiência, um período delicado para qualquer infecção seria o primeiro trimestre e o último trimestre?
Sim, sim, com certeza.
Uau, eu tenho que me concentrar aqui, não é? Mas é aqui, Alessandra tá dizendo tem que se cuidar em qualquer fase. Já já é para que a gente possa te ver, mas eu vou deixando aqui porque sempre entra um comentário antes para a gente poder deixar aqui a nossa, o nosso assunto com bastante participação, que essa é a nossa intenção, que mais pessoas, né, se apropriem do assunto. A professora Mariana Ruiz, ela está aqui pela página @nascer.e.covid, né, foi uma fruto aí da parceria das pesquisadoras e tem muitas informações, né, muitas evidências científicas sobre COVID e gestação, parto e pós-parto. Então se você mais uma vez conhece alguma grávida Encaminhe esse conteúdo, sugira a página da professora porque essas informações são muito importantes. Agora vamos lá, falamos sobre qual o trimestre—
Eu queria falar um pouquinho, Isabela, aproveitando a deixa, sobre o perfil dessas gestantes, já pegando a deixa. Eu acho que isso é interessante a gente falar. Então, esse estudo do perfil da gestante, na verdade, foi o segundo que nós fizemos. Nós fizemos ele em setembro. E aí nós conseguimos avaliar através dos estudos 694 gestantes. Perdão, 685. O que mostraram pra gente? Então teve predomínio em mulheres com idade acima de 30 anos, mas essa faixa etária é a faixa etária fértil que a gente tem. Então a mulher postergou a maternidade para os 30, para os 40 anos, então é a maior faixa etária que se concentra. Então eu diria que a idade não é um perfil. Não teve diferença se ela tinha um filho, se era a primeira gestação, se eram muitas, isso não teve. Do terceiro trimestre eu já falei pra você, né, que mais comum os casos detectados no terceiro trimestre. E as mulheres que tinham algum tipo de comorbidade, alguma doença, essas evoluíam para formas mais graves. Então chamar atenção aqui, realçar um outro ponto importante, né, Então essas, e quais foram essas comorbidades? A obesidade é a principal, depois o diabetes gestacional e o diabetes tipo 2, que tem uma associação com os hábitos alimentares, com atividade física, né, então a gente sabe que tem uma estreita relação ali com obesidade, e depois os casos de hipertensão e asma. Então fica aí mais uma vez, a mulher ela tem que se se proteger, buscar fazer uma boa alimentação, pensar em tudo isso, né, porque isso vai conferir uma proteção para ela. Não existe uma cura milagrosa, nenhum alimento que cura, que trata, que previne, mas buscar não entrar nesse perfil, né. Então eu acho que isso é extremamente importante trazer, que não tem um perfil claro. Então qualquer uma pode ser infectada em qualquer trimestre.
Mas as mulheres que têm obesidade, diabetes gestacional tipo 2, hipertensão e asma estão mais sensíveis a desenvolver a forma grave, é uma forma grave do COVID, né? Porque a gente não pode ficar, né? Eu até gostaria de ficar assim dentro de uma bolha mesmo dentro de casa, mas eventualmente você precisa sair de casa, você está com contato com alguém que entra ou com alguma entrega que você recebe dentro de casa, enfim, então acho que a imunidade nesse caso a gente consegue, como você disse, é com uma boa respiração, boa alimentação. E a Alessandra pergunta aqui rapidamente: professora, é válido usar uma máscara cirúrgica e outra de tecido nas pequenas saídas?
Ah, eu não indicaria, mas assim, há já estudos indicando para gestante o uso da máscara cirúrgica. No período pós-parto, sim, porque a gente sabe da eficácia dela, né? Então assim, os tecidos, agora tem aquelas máscaras de lã, de crochê, com lantejoula, muito bonito, e a gente sabe que não confere proteção. Então assim, a máscara cirúrgica a gente sabe que ela confere proteção, uma proteção alta. Então assim, tanto é que a gente indica, por exemplo, Tocou numa questão importante. Ah, e depois do parto? A gente indica que ela faça o uso da máscara cirúrgica se ela tiver com COVID até o término dos sintomas. Então acho que é válido sim usar a máscara cirúrgica, deve sair uma nova recomendação sobre isso, né, então para gestantes utilizar máscaras cirúrgicas, mas não necessita usar as duas, não vai aumentar a proteção, vai cansar mais, ela vai ficar mais ofegante.
Exato. Exato. Agora, doutora, eu te interrompi, você quer continuar com o que você estava comentando sobre o perfil?
Sim, eu acho que eu posso concluir ele. E eu queria mais uma vez do perfil assim dizer que a maioria recebe alta se ela tiver no começo da gestação e tem cura. Depende de quando ela acessa essa instituição. Ela tem que acessar o mais precoce possível. Um dado interessante, Isabela, é que a maioria das gestantes ou puérperas, o primeiro sinal é a febre da COVID. Então fiquem espertos, né? Então temperatura acima de 37,5, febre, né? Então a febre foi um sintoma que chamou muita atenção. A tosse, dizem que é uma gripe seca, não é uma tosse com tanta coriza na gestante, é mais uma tosse seca. Aí vem o cansaço e a fadiga, que já é normal da gestante, porque isso já é uma alteração fisiológica, sono, cansaço, fadiga. E aí é um fator confundidor, mas ele tá muito presente. E depois a gente tem casos de diarreia, que não é muito comum, mas na gestante é comum alguns casos cursarem com diarreia. Mas, por exemplo, o que tem sido muito falado, né, a perda do olfato e do paladar não acontece nessa população, muito pequena frequência. Então não fique esperando, teve febre ou teve qualquer outro sintoma que fugiu da normalidade, Tem que procurar. E aí eu sempre digo: um médico. Por quê? Porque é uma gestação de risco. A partir do momento que eu tô com sintomas, já se torna uma gestação de risco. A gente vai conversar um pouquinho sobre esses riscos, né? Então existem riscos associados, então é importante que ela faça essa avaliação, tá? Sim. E aí, falando de um dos riscos, Isabela, o primeiro risco, né? Então já vou dar meus realces para aproveitar meu tempo aqui. O primeiro risco que a gente viu na literatura foi ocorrência de parto cesárea. Aumentou demais a ocorrência de parto cesárea de parto operatório.
Ou seja, a mãe que tem COVID no final do terceiro trimestre, a chance dela ter que fazer uma cesárea é maior?
Sim. E aí, por quê? Primeiro, porque 90% das mulheres que procuram o hospital com sintomas de COVID já estão com pneumonia. Então já chega numa fase grave. Mas assim, pensando que a grávida é de um dia para o outro, né, que pode girar essa chave. Então não é nem tanto tempo assim, né. A gente tem essas questões. E aí todas as cesáreas muito bem indicadas. Por que da cesárea? Porque a mãe tá com uma descompensação respiratória importante, cansada, ofegante, falta de ar, ela não tem nem para ela E a gente gera uma hipoxemia fetal, uma má oxigenação desse feto. Então quando a mãe respira mal, também não tá indo suprimento de oxigênio para o recém-nascido. E ele acaba entrando em sofrimento. Então essa indicação dos cesarianos vigente. Então aumentou muito. Então tem risco? Sim, existe o risco. Por isso que tem que se cuidar. Que mais que tem associado a risco, né? Então nós temos Como a Isabela falou, a gente tem uma alta taxa de óbitos. E aí, e isso é muito gritante aqui no nosso país quando a gente compara com os dados internacionais. Eu gosto muito de falar sobre esse tema, eu sempre estudei a mortalidade materna porque sempre me inquieta muito. Nenhuma mulher deve morrer pelo fato dela estar grávida, dela ter um parto, dela ter um bebê. É um evento fisiológico da nossa vida, né, enquanto mulheres. Então deveria ser zero. Aí quando eu olho os índices mundiais de mortalidade, é 1,8. É alto, é alto, porque deveria ser zero, né? E isso somado às outras causas, isso só COVID. Mas quando a gente joga o foco para o Brasil, é de 12,7.
É muito alto, mas é muito alto.
Mulheres gestantes E assim, já teve alguns momentos que o Brasil liderou esse ranqueamento, alguns momentos ele fica atrás dos Estados Unidos, mas tá lá sempre juntinho ali, né, numa briga que a gente não gostaria de estar, né. E é difícil isso, e assim, não é pra assustar, eu acho que a mensagem é: a procura por assistência o mais rápido possível, as medidas preventivas que a gente sempre vai estar reforçando, né. Então por que essas mulheres morrem? Porque demorou demais para chegar, por medo da doença. Muitas mulheres param de ir na consulta pré-natal. A consulta pré-natal é importantíssima, ela faz um diagnóstico da gestação, do feto, de tudo mais. Então param de ir no pré-natal. Não é para parar, é para continuar conforme está agendado. Essa mulher que tem doença, ela tem que ir mais vezes, então ela precisa ir. Não é para ter medo de ir na consulta pré-natal. Vá de máscara, use máscara cirúrgica se possível, vá, leve o seu frasquinho de álcool em gel, né, procura evitar ficar próximo de pessoas. A gente até nem indica que vá acompanhante em algumas instituições para assim não ficar um aglomerado de pessoas esperando, mas vá. Então não deixar hipótese alguma de ir no pré-natal. Aí o que a gente tem mais? Tem pessoas com problemas financeiros ou de transporte, que mostra as nossas disparidades. O que mais? A gente tem essas dificuldades de acesso, né? Mulheres isoladas em local muito distante da instituição de saúde que ela vai ter o parto, então demora até chegar. A gente sabe que a gente está tendo uma redução de suprimento, né, da saúde, de profissionais atuantes, então isso compromete qualidade? Compromete a qualidade também. Então a gente tem muitos fatores, é assim um problema multifatorial. Então não é nada isolado, mas que pode levar a esse óbito.
Deixa eu dar uma resumida aqui, professora, para quem tá chegando agora. Eu tô conversando com a professora Mariana Ruiz, enfermeira obstetra, doutora em saúde pública. A gente tá repercutindo uma pesquisa feita que ainda está em curso, não é, professora? Começou no ano passado. A gente tá falando dos riscos da COVID na gestante. O Brasil é um dos países que tem maior número de óbitos de gestantes que acabam interrompendo, né, a sua vida e a gestação por conta da COVID. Então, o seguinte, o perfil, né, a mulher que tem obesidade, diabetes, hipertensão e asma, ela já tem uma chance maior de contrair, né, o COVID. E contrair, a tendência é de cesárea, como a pesquisa já mostrou.
Sim.
E aí, professora, eu queria passar aqui a pergunta para Ana Paula Mello, querida amiga jornalista que também está grávida. Ela está dizendo: se a gestante estiver com COVID, qual o protocolo de tratamento? Pode antibiótico, por exemplo? Excelente pergunta.
Excelente. Então, esse foi um segundo estudo que nós fizemos, Isabela, muito boa essa pergunta. Sobre como eram tratadas essas gestantes e como elas evoluíram. Bem, então qual o tratamento para gestante que a gente viu? Não tem um protocolo pronto, todos são individualizados, depende muito da instituição, depende do local onde ela está, né, então assim, os principais, os mais utilizados no tratamento são os antibióticos, os antibióticos, os antivirais, lembrando da sequência, e os corticoides. Então assim, os antibióticos a gente vê muito azitromicina, mas é lógico que é uma prescrição específica para cada caso, o ideal é que seja feita cultura. Não tem problema algum tomar antibiótico na gestação, é compatível. Quando a gente olha a bula, a gente fica super assustado, né, não pode tomar gestante, né. A gente tem um outro manual que é só de segurança na gestação, E a maioria dos antibióticos são compatíveis, sim, com a gestação. Então, a gestante ela pode tomar, só que ela precisa de uma prescrição médica, né, para o antibiótico. Os antivirais são o segundo. Aí um muito conhecido que a gente ouviu muito falar, né, o mais utilizado é o Zoltamivir, né, que era o Tamiflu na H1N1, que a gente ouviu muito, né, falar na época da H1N1. E depois, ou seja, o que que eu quero dizer com isso? A gente não tem nada novo. No tratamento, não tem nada novo. Usam muito o Remdesivir nos Estados Unidos, mas ele é um preço muito caro, não é acessível, nem temos aqui disponível no nosso mercado brasileiro, que apresenta bons resultados. Que mais que a gente tem? A gente tem o corticoide. Corticoide para duas situações, que eu já pego o aponte. O corticoide para que que é usado? Então corticoide em casos muito graves Já tem uma associação, os estudos já mostraram que o corticoide está bem indicado então para mulher. Mas também a gente tem o uso para prevenir a prematuridade, que é a betametasona. Então a gente faz as injeções na gestante quando ela tem um risco de parto prematuro. O corticoide ajuda nessa maturação pulmonar do feto. Então geralmente ele é usado ou para uma coisa ou para outra, mas acaba que ao fazer a maturação do feto eu já ajudo um pouco ajudou um pouco ela nessa questão da COVID, né. Então foram os medicamentos mais utilizados nesse perfil dessas mulheres. Poucas precisaram de usar oxigênio quando no tratamento precoce, né, de usar máscara. Um número muito menor de mulheres entubadas na gestação, poucas internadas em CTI, embora gestante tem indicação de ser acompanhada em CTI, se ela apresentar sintomas graves, moderados ou graves durante a gestação. Então, na verdade, não tem nada de novo, nenhuma droga em teste. Gestante nunca participa de teste nem de medicamento nem de vacina num primeiro momento, né, por questões de segurança fetal. Então não temos nada de novo, são os medicamentos antigos sendo usados para gestante. Aí eu iluminei um outro ponto que é importante, né, que é um outro risco da COVID, que aí eu quero ressaltar. A questão que mais nos inquietava, Isabela, era se transmitia para o bebê. É uma questão que não apareceu aqui, mas eu acho que muita gente tem medo, né? Nossa, será que transmite para o meu bebê, né? E o que a gente viu? Então, esse foi o primeiro estudo que a gente realizou lá em julho. Então foram avaliados 219 neonatos nesse estudo. O que a gente observou? O número de infectados foi muito baixo, dos bebês infectados, então foi muito baixo, deu 4%, foram poucos e todos eles evoluíram com uma forma muito leve, ou assintomáticos ou com forma leve da doença, graças a Deus, né? Então assim, não tiveram repercussões graves esses bebês. Bem, mas o que que a gente teve, né? Então assim, a gente teve um alto percentual que ficou em CTI desses neonatos, por que que ele foi para o CTI. Ou porque a mãe estava muito grave ou porque o bebê precisava ficar separado da mãe. Ainda mantinha-se isso, né, dele ficar separado da mãe. Hoje a gente deixa no quarto, numa distância segura, mas antigamente iam todos para o CTI. Mas o que nos chama muita atenção, que é muito gritante, é o índice de prematuridade. Então isso eu quero deixar muito bem realçado, né. Então a prematuridade aumentou de 10 a 60% só pelo fato dela ter COVID. Então fica aí o alerta, né, porque o que acontece, então assim, esse bebê, às vezes os óbitos que nós olhamos, né, então nós tivemos 2 óbitos nesses 219, foram extremos prematuros. Então não é para deixar com medo, mas é um alto risco que a gente tá falando, a gente tá falando de um risco pro bebê dele nascer muito prematuro, dele não tá pronto, de uma série de intervenções. E isso foi associado à COVID e, mais uma vez, a forma grave, quando ela chega com pneumonia, os 90% que chegam lá, né, nas instituições. Então, a importância da procura precoce, né, e do tratamento.
Então, o seguinte, professora, se eu, estando grávida, que tem o COVID. Como é que vocês conseguiram, como é que as pesquisas conseguiram identificar se o bebê chegou a ter, foi feito teste nele?
Então, ótima pergunta. E aí eu tava até me esquecendo, ainda bem que você me lembrou. Na verdade, que a gente fala, esse número não é irrisório, 4%, parece pouco, mas não é. Então assim, existe uma chance de transmissão. Então a gente fala que a transmissão não pode ser confirmada Mas também não pode ser descartada. Por quê? Para eu confirmar, falar assim: "Nossa, foi da mãe que passou para o bebê, né? Não foi nessa internação." Porque o vírus está aí circulando, né? Então, o que que eu tinha que ter para eu fazer essa comprovação? Suabe da mãe, né, o PCR, né, o cotonetinho, né, que a gente fala, da mãe e do bebê. Olha a judiação, mas o suave é um pouco menor para o bebê. PCR da mãe do bebê na coleta de sangue, PCR de líquido amniótico, então quando rompe a bolsa, colher uma amostra desse líquido amniótico e mandar pra análise. Coleta do sangue do cordão umbilical, assim que a placenta sai, colher e mandar amostra. Coleta no leite materno, porque é importante eu saber se vai transmitir através do leite, é produto do sangue. Que mais? Coleta no suave de secreção vaginal se for um parto normal, porque Na passagem do parto, ele pode ter contato com o vírus. Se ela tiver infectada, vai estar o corpo todo, né? Então pode ter secreção ali, ele tem maior contato. E também o anatomo patológico da placenta. O que que é isso? Depois que sai a placenta, manda para uma análise bem detalhada que vai olhar a formação e avaliar e fazer o PCR dessa placenta, então num instituto especializado. Então, para eu comprovar, eu tinha que mostrar que em todas as espécimes estava positivo. Nesse período não tive nenhum estudo que me comprovou em todas as espécimes. Então pode ser que esse bebê tenha pego do contato com a mãe, com profissional, de estar na instituição hospitalar? Pode ser, a gente não sabe. Entretanto, depois que nós fizemos a pesquisa, final de julho, saiu um estudo na Nature, a Nature que é um excelente periódico, que comprovou um caso de transmissão vertical. Foi o único estudo, certinho todos os pontos. Então coletou todas as amostras e ele identificou um caso de COVID, né, que foi comprovado essa transmissão vertical. Então existe a possibilidade, não é nula.
Ou seja, vamos voltar aqui, vou fazer igual sala de aula, tá? Vê se o professor aceita. A mãe contraiu COVID.
Sim.
Ela se curou do COVID. Teve o parto, aí esse bebê foi testado recém-nascido, horas ou um dia, enfim, e estava já com COVID. Foi comprovado que ele teve o COVID pela mãe e não foi um contágio externo.
Sim, tá, porque a partir do momento que eu tenho todas essas espécimes Já me indica que a mãe estava infectada e que essa transmissão aconteceu.
A pergunta da Simone, ela é muito interessante. Tive COVID mês passado, grávida de 5 meses, meu bebê já tem anticorpos? Então, as mães que já tiveram e trataram, será que o bebê ele já, ele ainda vai ter chance depois de contrair?
Isso a gente não pode afirmar, ainda não tem nenhum estudo que mostra. Tanto é que a gente agora tem a reinfecção, as pessoas podem se reinfectar. Então não dá para afirmar, Simone. Então manter as medidas preventivas, não dá para saber se ele vai ter anticorpos ou não, não tem nenhum estudo que comprova ainda.
É como você disse, reinfecção. Eu conheço várias pessoas que pegaram mais de uma vez.
Sim, temos as variantes agora, né, Isabela? Tem isso também. É bem complicado, né? A gente quer mesmo, Isabela, infelizmente.
Uma fase que uma grande amiga, ela engravidou no período da chikungunya, e era um drama tremendo, que também estava no ar. E nossa Senhora, era repelente de novo, né? Dá para entrar numa bolha? Não dá. Dá para a gente se cuidar, prevenir e evitar o contágio. E o terceiro, para mim agora essa fase ela é muito importante, porque a gente sabe que até o sétimo mês, qualquer situação, o bebê é muito prematuro, né? Uma coisa é ser prematuro, outra coisa é ser muito prematuro.
E eu sempre brinco, Isabela, que é assim, o bebê ele fica— quando a gente pensa: nossa, por que que ele nasce prematuro, né? Eu até brinco quando dou aula para os meus alunos, que assim, que ele Vamos fugir desse lugar, né? Alguma coisa não tá bom, porque ninguém quer sair, né? Ele tá naquele cantinho quentinho, ouvindo o coração da mãe, sendo alimentado, sendo nutrido, em todo aquele ambiente, né? Não tem como, de crepúsculo, né, que tem ali, então assim, aquele ambiente favorável para ele ficar ali. Por que que ele quer sair dali? Porque tem algo que não tá bom. Então tem que se cuidar realmente. Nesses casos, a gente às vezes nem consegue achar a causa, né? São várias causas. A prematuridade.
Sim, professora, por que que vocês decidiram fazer essa pesquisa, né, no ano passado? Vocês já estavam já identificando o perfil, a grávida, né, como perfil que, que estaria em risco, mas como você disse, a grávida não participa de nenhum estudo. Muitas pessoas estão perguntando sobre a vacina. O meu obstetra, eu vou trazer aqui de novo a minha experiência, eu passo para você. O que meu obstetra disse? Bom, primeiro que eu tenho 40 anos, eu já não poderia tomar, mas as profissionais da área da saúde, até tinha aqui uma moça enfermeira que até no caso dela, ela teve a perda do olfato e do paladar, né? Que como você disse, é raro, mas ela disse: eu sou enfermeira gestante, e teve COVID no 6º mês, foi a Lígia. Graças a Deus, não, coriza, perda de olfato, paladar. Bom, mas vamos supor que a Lígia ela estava liberada para tomar vacina. Aí cada caso é obstetra que vai decidir, ou eu sei que eu não vou porque eu não sou profissional da área da saúde, né? Já tem alguma ideia, uma tendência de que é bom ou não?
Na verdade, Isabela, a gente nem estudou essa questão das vacinas, mas com as redes sociais a gente estudou, fora a pesquisa do CNPq. Então, porque era uma demanda que sempre vinha, né? As pessoas estão angustiadas, né? Anseiam essa resposta pela vacina. Bem, o que que eu posso falar? Primeira coisa, né, que muitas procuram dessa forma, tentantes, né, "Ah, eu quero tentar engravidar, já tá na hora, qual a recomendação?" Então eu sempre digo, baseado isso nos guidelines do Royal College, da American Society, que são o que a gente utiliza assim, né, como base, né, que são as referências, as nossas referências, Estados Unidos, Inglaterra, fortíssimo nessa área da assistência obstétrica. Então, a tentante, o ideal é que ela se imunize e que tente depois de 30 dias da dose, da segunda dose da vacina, porque as nossas ainda disponíveis são duas doses. Então, ai, mas elas falam: mas é muito tempo até a segunda dose. Mas é melhor aguardar esse período do que ter uma tentativa. Existem vários casos de pessoas que estão se infectando nesse intervalo das vacinas. Então, melhor que ela esteja imune e protegida, que ela forme anticorpos. Então, por isso que a gente indica: aguarde. Pra quê isso? Para que você não tenha uma perda, que eu acho que é muito pior, né? Bem, e as gestantes, né? Então, as gestantes, até então, elas não foram testadas. Então, aí elas não entrariam nesse grupo, não foram contempladas, nem as gestantes, nem as tentantes, nem os neonatos, nem as crianças. Que são grupos vulneráveis, então não entraram nesse grupo. O que mostraram? As profissionais de saúde têm indicação e agora, Isabela, dia 15 de março saiu uma nota técnica do Ministério da Saúde, veja que é muito recente, né, falando que sim, que está liberada a imunização para gestantes, porém, né, para gestantes com comorbidades, ela vai imunizar naquela fase em que entrarão todas as pessoas com comorbidades. Que ainda não tem previsão de início. E as outras por faixa etária. Então, o que a gente acredita? Não vai dar tempo, muitas gestações não vai dar tempo de chegar até lá. Então, por isso que a gente não acredita, não há uma prioridade. E sempre com indicação médica, então o médico discutindo risco e benefício, que o médico tem que acompanhar, né, de perto essa gestante que foi imunizada, Mas te digo mais, os estudos mostram que são seguras as vacinas nesse sentido. E por que que eles mostram que são seguras? Porque não fez teste com nenhuma gestante, tá? Mas mulheres que estavam em teste engravidaram no meio dos estudos das vacinas. E aí eles avaliaram essas mulheres, como foram os desfechos delas, né? Então assim, eles ainda se baseiam, ainda não teve o parto, então ainda se baseiam se ela teve perda fetal ou não, se ela teve um aborto ou não. E aí o que mostrou é que não teve aumento nesses índices de aborto, que nenhum foi associado à vacina. Então, aparentemente é muito segura. E aí a nota técnica fala da liberação, né, então ou por comorbidade ou por faixa etária. Então, por enquanto ainda não temos nada muito claro, né, muito definido nesse sentido.
Sim, agora O importante é não adquirir nenhum problema respiratório, gripe, pneumonia, né, para não deixar já o seu pulmão mais fragilizado.
E aí também quem fuma tem que parar, né, ou reduzir, porque o fumo aumenta a probabilidade de ter. E também quem fuma leva muito a mão à boca, né, entre a boca e o nariz, e aumenta essa probabilidade de adquirir a infecção. Então, tomar cuidado com esse detalhe também. Sim.
Olha, o Correia, ele pergunta, né, como o organismo da gestante reage diante da COVID-19?
Então, o que a gente tem é isso. Então, na verdade, a maioria se cura, mas depende muito do quadro, de como ela vai estar, se ela tá com uma pneumonia ou não. Não há uma resposta clara. Eu até digo que a COVID é algo assim Muito difícil para a gente lidar, é muito desconhecido ainda. A gente ainda tá pisando em ovos, a gente ainda não conhece, não dá para falar: "Ai, como ela reage? Ela reage assim ou se ela..." Não dá. Uma coisa que também é importante, que acontece em gestantes, que aumenta o risco de tromboembolismo. Essa é uma reação que aparece nas gestantes. Então aumenta o risco de tromboembolismo na gestante com COVID. E aí essa mulher tem que ser avaliada. Alguns casos aí ela vai precisar usar um anticoagulante profilático. Isso sim é associado à gestação.
Grávida?
Qualquer grávida. Existe até uma faixa de pessoas com comorbidades que também tem um comportamento semelhante, mas as grávidas em qualquer fase da gestação pode acontecer esse maior risco de tromboembolismo.
Que significa na prática?
Na verdade, quando a gente tem formação de trombo, de trombose, que pode dar uma embolia pulmonar, então é um quadro bem grave.
Muito bem, doutora. Eu vou tirar aqui um pouquinho os comentários para a gente poder então fazer uma conclusão, tá? Que a gente possa te ver, né? Porque a gente pode agradecer também com os nossos olhos, com a nossa energia, por todas as informações e por essa pesquisa pesquisa que vocês fizeram, que a meu ver não se encerrou, né, professora?
Não, não se encerrou, Isabel. Nós estamos concluindo da parte do fomento, nós agora estamos estudando o impacto no aleitamento e os dados também não são bons, reduziu o índice de aleitamento. E aí é muito relacionado também nessa mulher que está sintomática e a gente não sabe a longo prazo o que isso vai trazer para criança, né? Às vezes a mulher não tá se sentindo bem, não tá se sentindo confortável, não consegue amamentar e para de amamentar. Então esse é um detalhe importante. E agora nós queremos fazer pesquisa de campo, então a gente vai conhecer quem são essas mulheres e seus desfechos. Então esse será nosso futuro daqui pra frente.
Em relação ao aleitamento, eu entendo que então se a mãe teve ou está O leite pode diminuir? Ela pode ter problema na amamentação?
Não, não. Diminui o índice de aleitamento porque a mulher não amamenta. Não? Aí a gente teve, no início ainda era tudo muito incerto, então assim, era ofertado aleitamento artificial. Então isso piorou muito esses índices. Então toda mãe com COVID não sabia se transmitia pelo leite, era aleitamento artificial. Social, né? E agora, e agora na verdade assim, é uma escolha da mãe, né? Então é uma opção da mãe. Ah, existe um risco de eu transmitir para o meu neonato? Existe, mas o risco é muito mais, né, dessa parte respiratória. Então máscara cirúrgica e a importância de reforçar a higienização das mãos. Então isso é muito importante. Não tem, não tem mais contraindicação para amamentar.
Não tem contraindicação?
Não, não há.
Então se, como a gente teve aqui o caso, teve COVID durante a gestação, na hora de amamentar ela pode?
Pode, pode e deve, é importante. Vai passar anticorpos para o bebê, né, para aumentar a imunidade.
Tá, uau.
Mas é importante porque a amamentação é muito difícil, Isabela, então assim, a mãe precisa realmente estar bem fisicamente. Então isso que mostra, então às vezes o COVID devasta muito, desgasta muito a pessoa, então às vezes ela não está bem para amamentar. Então tem esse detalhe.
Não é porque ela não tem leite, é porque ela não tem condições.
Isso, isso. Não tem condições físicas.
Entendi. Professora, antes de pedir sua conclusão, só uma pergunta aqui que desde o início eu quero fazer, ela é dura, mas eu tenho que fazer. Das gestantes que morreram, os bebês sobrevivem dependendo da, do período?
Depende da idade gestacional, a maioria sobrevive, fica muito bem, e mesmo os prematuros, dependendo da idade gestacional, sobrevive, fica muito bem. E isso é um ponto para se ressaltar, né, Isabela? Porque Eu diria que assim, isso é muito grave. A privação da mãe para aquele bebê é muito grave. Então assim, a mãe às vezes perde um filho e tem um aborto, isso é de uma dimensão de uma dor bem grande, mas ela tem possibilidade de ter outro. Agora a privação da figura materna na vida da criança, eu acho que é imensurável, não tem como a gente mensurar.
Chocante.
Infelizmente.
Então, professora, nesses últimos minutos que nós temos, para quem está aqui, para quem vai acessar também o conteúdo depois, quais seriam suas considerações finais pela pesquisa que você fez em parceria com a UFTM, a UFSCar, o Ministério da Saúde, CNPq, enfim, é mais de um ano de estudo, não é? Acredito que muitas pessoas já passaram junto contigo. Quais são suas considerações finais E para quem está nos ouvindo, quais são suas recomendações?
Então, primeiramente, Isabel, nós estamos diante de algo muito novo ainda, embora a gente tenha um ano já da pandemia, desconhecido, eu diria que assustador, de dimensões assustadoras. Mas essa mensagem é uma mensagem de esperança, que dá para a gente evitar e ter desfechos muito positivos, né? Então esses estudos de revisão são o nosso ponto de partida, a gente partiu de algo que a gente estava vendo, né? Na linha de frente da pesquisa, não na linha de frente direta. E como nós vimos, não há um perfil claro de quem serão as infectadas, não temos isso. Os riscos são muitos para as mães e para os neonatos também, principalmente relacionado à prematuridade. E lembrando que as tentantes, as gestantes, os bebês, os neonatos, as crianças, as puérperas ainda não serão contempladas, priorizadas com a imunização. Então, nós precisamos proteger esse público, né? Então, primeira coisa, eu acredito, meu grupo de pesquisa também acredita muito na importância da educação e saúde, da informação de qualidade, né, de uma evidência científica robusta, né, que a gente vê que tem qualidade, né, no método. Então, a estratégia preventiva, a melhor forma é informar qualidade. E aí eu já faço, né, já abro minhas aspas, primeira coisa, então nós temos as redes sociais que a Isabela falou, o @nascer.ecovid, que foi um projeto de extensão que surgiu dessa pesquisa muito bacana, temos os alunos, a gente faz 3 postagens semanais e a gente traduz a pesquisa numa linguagem simples, acessível, ilustrada, mas a gente mostra também de onde veio, qual é a referência para quem quer se aprofundar. Então é muito bacana, então eu tenho que agradecer muito a minha equipe, que é um trabalho maravilhoso, né, que tem me dado assim muita satisfação em fazer, de alcançar um público grande, para que a informação chegue mesmo a quem precisa. O nosso grupo, nós vamos fazer uma capacitação, aproveitar para fazer a propaganda, agora de 12 a 15 de abril pelo YouTube. A gente vai colocar lá no nosso Instagram. Voltado para quem? Para todo mundo. A ciência tem que chegar de uma forma simples para todo mundo. Explicando o que é o COVID, o passo a passo, com um pouco mais de tempo, retirando dúvidas. Então quem quiser se inscreve, que a gente vai abrir as inscrições para isso, gratuito, online, no conforto de casa, e é um momento de aprendizado para todos, né, que a ciência tem que ser para todos. Então é importante isso, então deixa aqui meus agradecimentos para minha equipe, né, tanto da pesquisa quanto da extensão. Eu brinco que são meus meninos, né, que são os graduandos e pós-graduandos, que trazem isso tão bem, né, então, e fazem dar certo. E aí eu queria dizer, Isabela, para finalizar, além da importância, que a gente acredita muito na educação e saúde, que pode mudar, pode mudar essas trajetórias, que a gente pode ter desfechos melhores a partir do momento que elas estão informadas. E como que se previne? Se possível, fique em casa, né, por favor, fique em casa. Use a máscara, de preferência máscaras cirúrgicas se precisar sair. Leve sempre o álcool, né, o álcool em gel 70%. Higienize muito bem as suas mãos, isso é muito importante, faz toda a diferença, né. Saia somente se necessário. Aglomerar de forma alguma, com ninguém, nem com os familiares, é risco para todo mundo, tá. E aí eu chamo muita atenção porque grávida adora, é chá de revelação, é chá de bênção. É chá de fralda, é chá de bebê, é chá de tudo, né? E a gente sabe que superfície fica contaminada por 72 horas. Então, muitas dessas mulheres que morreram inclusive foram infectadas em chá de fralda. Ah, mas é chá reata, você pega no invólucro. Isso é importante também, toda compra, tudo que receber, deixa num cantinho ali 3 dias, né? A gente brinca de quarentena. Passa o álcool 70 líquido, borrifa com borrifador, não pegue na mão diretamente. Higienize muito as suas mãos. Nada desses chás. Agora, tudo chá virtual, a gente fala. Então faz vaquinha online, faz um chá, se precisa de ajuda, ou faz uma conversa com os amigos virtual, online. Então nesse momento é isso. Ah, e depois que meu filho nasceu, posso receber visita? Não. Então, no primeiro mês de vida nem deveria receber, porque o recém-nascido já é mais vulnerável. Aguarda, né? Faz videochamada, use outras estratégias. Proteja-se e protejam seus bebês, porque não dá pra mensurar o impacto de uma perda pra quem tá tentando, pra quem tá tentando e que não tá conseguindo engravidar, quer muito engravidar. Não dá pra mensurar o impacto de um aborto pra uma mulher. Eu sempre digo que não dá. Isso é uma experiência que fica marcada. O medo de uma tentante ou de uma gestante ou de alguém que teve essa experiência de aborto. E também não dá pra mensurar o impacto que vai ter a prematuridade na vida daquela criança. A gente está colocando ela muito em risco. Mas, além de tudo, não dá pra mensurar o impacto de um óbito materno na vida de uma criança. Então eu quero deixar essa mensagem porque a gente precisa proteger esse público, precisa se proteger, vocês que estão gestantes, né, esse público, nos protegermos. Então a família, os amigos, compreender e proteger para que a gente tenha mulheres tentantes, gestantes, mães, bebês, nascimentos mais seguros, mais tranquilos, eu diria, mas não só, mas que seja também uma experiência positiva na vida daquela mulher, daquela família.
Aplausos digitais então para a professora Mariana Ruiz, doutora em saúde pública, enfermeira obstetra, e que trouxe aqui os resultados dessa pesquisa que começou em julho de 2020 e ainda continua agora com as lactantes com as mulheres, né, com o pós-parto. Professora, muito obrigada pelas suas informações. Contem comigo para divulgar os próximos resultados ou qualquer outra coisa que você perceber que vale a pena. Microfone sempre aberto, eu falo isso na rádio, mas aqui também o espaço é seu para a gente poder proteger as grávidas e a informação certa também, uma excelente proteção, não é?
Eu que agradeço, Isabela, muito obrigada por essa oportunidade, por esse tempo.
Muito obrigada, professora, até breve, saúde!
Até, para você também, ah, uma boa hora para você, Isabela!
Obrigada, obrigada, eu já queria entrar numa bolha agora, não sei nem o que fazer.
Bom, continue se protegendo, Isabela. E você vai ter uma boa hora.
Exato. Obrigada, professora. Bom trabalho. Contem comigo.
Obrigada. Obrigada.
E para você que nos acompanhou até aqui, muito obrigada pelo seu tempo, pela sua confiança. Você sabe que as palavras são sementes. Se esse assunto te chamou atenção, compartilhe com outras grávidas, com outros papais também, não é? Vamos compartilhar essa informação, porque para mim Só tem duas coisas que trazem esperança: vacina e gravidez. Então, que a gente possa levar pelo menos as informações corretas, já que a vacina não está no nosso controle, para que a gente possa levar as informações corretas para aquelas que estão gerando, né, a próxima geração. Vamos em frente. Tchau, tchau, professora. Boa noite para todos.
Tchau, tchau. Boa noite.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








