Izabella Camargo fala sobre seu livro "Dá Um Tempo!" Entrevista para Band News 06/09 Parte 1

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Chapters
Na vida do cidadão. Tudo com imparcialidade, precisão, agilidade e reflexão. No campo, Porto de Santos.
A intenção aqui do Planalto.
Que marcha como audiência global. É fato, é notícia, é informação, é Jornal da Band. De segunda a sábado, oito e meia da noite, no Band News. A credibilidade e o dinamismo que você sempre vê no Band News, com a velocidade que o Brasil e o mundo exigem.
Diversa, divertida, gostosa... O grande desafio será conduzir o bloco europeu para... Quando primeiro a estabelecer...
O teste final, se a vacina funciona ou não. Band News. Muito além da notícia, nada além.
No Banjo News, uma equipe unida pelo compromisso de levar até você informação de qualidade, com agilidade, transparência, precisão e credibilidade. São 24 horas de transmissão das vozes das ruas, dos plenários, das organizações.
E de quem precisa ser ouvido onde quer que o fato aconteça. Nós estamos juntos, apostos para registrar e informar.
Band News, muito além da notícia.
Nada além da verdade. Pelo menos uma pessoa morre e cinco ficam feridas em série de esfaqueamentos na cidade de Birmingham, na Inglaterra. Passa de 126 mil número de mortes por coronavírus aqui no país. Foram 682 novas vítimas em 24 horas. Primeiro feriadão após afrouxamento da quarentena tem movimento intenso nas praias do Rio de Janeiro e de São Paulo. Presidente Jair Bolsonaro posta vídeo nas redes sociais em homenagem ao Dia da Amazônia e diz que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente. 100% brasileiro! Satélite para monitorar a região amazônica vai ser lançado pela Índia. Após ser anunciado que fica no Barcelona, Lionel Messi não participa do treino de sábado do clube para passar por teste de Covid-19. música mais longa do mundo troca de nota depois de sete anos na Alemanha. Essa canção só vai parar de tocar no ano 2640. Pois é o tempo, né? Coisa intrigante. Ele está passando mais rápido ou nós é que estamos passando mais rápido por ele e com ele? Esse foi o ponto de partida para Isabela Camargo, nossa colega aqui da Rádio Bandeirantes, escrever seu livro, dá um tempo, como encontrar limite em um mundo sem limites. Ela reúne percepções de mais de 100 especialistas, formadores de opinião e personalidades, além da própria experiência, já que foi diagnosticada com síndrome de burnout, que até então Poucos sabiam ou quase ninguém tinha conhecimento dessa doença. E ela está aqui com a gente, Isabela Camargo, prazer em tê-la aqui comigo mais uma vez no Band News TV.
Tudo bem, Nelson. Boa tarde pra você, boa tarde pra todos que estão nos acompanhando. Que alegria poder voltar aqui pro Band News TV, uma casa em que eu passei também por três anos, não é? E é muita alegria estar aqui contigo pra gente falar sobre o tempo.
Pois é, o tempo que a gente sempre fala. Eu e a Isa, a gente apresenta o jornal Primeira Hora na rádio Bandeirantes. E antes mesmo do lançamento, a gente falava bastante a respeito do tempo, porque o tempo modifica a nossa vida. E a gente, às vezes, modifica o tempo, mas sem diminui-lo ou aumentá-lo, porque ele é sempre o mesmo, né?
É isso mesmo, Nelson. Nós temos um tempo finito dentro de um tempo infinito. A gente fala de tempo o tempo inteiro, mas dificilmente para para pensar no que estamos fazendo nesse tempo, né, Nelson? Agora mesmo você comentou vários assuntos relacionados ao tempo, uma música que ia tocar até tal período e nós falamos de tempo, gente, é o tempo de tomar banho, é o tempo de viagem, é o tempo de deslocamento, é o tempo de almoço, percebe? Nós falamos de tempo o tempo inteiro e com isso a gente vai colocando mais coisas numa agenda que todos neste planeta temos 24 horas. É curioso, como você falou agora, será que o tempo está passando mais rápido ou nós estamos passando mais rápido pelo tempo? Foi essa questão que eu ouvi há muito tempo, lá em 2016, que me fez, que me incentivou a investigar o assunto.
Então... investigar o assunto do tempo.
Do tempo, exatamente. Será que a Terra tá girando mais rápido em torno do Sol? Porque muitas pessoas falam, não, o tempo tá voando, né? Você que tá em casa já sentiu, já teve essa impressão? E aí eu fui buscar lá no Observatório Nacional, Nelson, com os físicos que cuidam inclusive... inclusive que cuidam, são os guardiões do nosso tempo, para este horário que nós todos estamos aqui, 11h08, nós temos guardiões do tempo, que são esses físicos lá do Observatório Nacional, que cruzam as informações dos relógios do Brasil e do mundo. Esses físicos, esses astrônomos e mais um cosmólogo, que é um grande especialista aqui no Brasil, lá do Museu da Manhã, todos me disseram, na média, a Terra está girando em torno do próprio eixo 24 horas por dia. 365 dias por ano. Portanto, como os especialistas me disseram, com o tempo da natureza, tá tudo certo. Só que se a gente parar pra pensar, Nelson, o que que nós estamos fazendo com o tempo mecânico? Você tá de relógio aí?
Não, não, meu não.
Não tá? Hoje não, né?
Eu sabia que ia falar de tempo, deixei o meu tempo dentro da minha bolsa.
Pronto. E outra, nós temos relógio também, perceba, em todos os lugares, né?
Precisa dele.
Pois é. é esse tempo mecânico que nós estamos tentando colocar mais coisa dentro dele. Então, a boa notícia para quem está sentindo que o tempo está passando mais rápido é que, se você está com esta percepção, significa que você está com uma agenda ativa, que você está em movimento. Mas não é para todo mundo que o tempo está passando rápido, Nelson. Quem está sentindo que o tempo está passando mais devagar provavelmente está esperando algo, está numa fila, de banco, a fila do banheiro. Pensem comigo, um minuto do lado de fora é totalmente diferente do minuto de dentro.
O tempo passa rápido quando você tá do lado de fora. Não, do lado de fora.
Você sente rápido?
Não, o tempo passa rápido porque você tem um tempo pra ir ali.
Sim, mas a sensação é que ele tá demorando mais pra passar, pra você entrar.
Quem tá lá dentro. Esse cara não sai de lá e eu tô aqui sem tempo.
Exatamente, viu? Tudo tem um ponto de vista e sentir o tempo é muito particular, não é? Um outro caso que eu trago no livro, aliás, posso mostrar ele?
Lógico.
Aqui, gente, ó. Dá um tempo como encontrar limite em um mundo sem limites. Eu trago aqui uma história, Nelson, sobre um rapaz muito jovem e que ele ficou quatro anos na fila de um transplante de coração. E essa espera deste coração ficou totalmente fora do controle dele. Para esse rapaz, o tempo parou. Então, perceba, não é para todo mundo que o tempo está parecendo passar mais rápido. E aí eu volto ao que nós começamos. Falamos de tempo o tempo inteiro, mas dificilmente paramos para pensar nisso. E, geralmente, a gente só para para pensar no que está acontecendo na nossa vida ou como estamos conduzindo o nosso tempo a partir de uma pausa involuntária e que, geralmente, é violenta. O que eu estou querendo dizer? Quando acontece um acidente, um diagnóstico ou até a morte de alguém. Quantas vezes eu estive em situações assim e as pessoas comentam, poxa, nossa, a vida passa rápido, né? O que eu estou fazendo com o meu tempo? Mas isso é muito breve, porque depois a tendência é que cada um entre no seu piloto automático. Olha aí, que lindo! É o filho, gente. Foram quatro anos pra produzir, então eu fico toda orgulhosa, igual toda mãe que vê uma criança.
Uma gestação um pouco mais comprida, né? Com certeza, não foram nove meses. É um tempo maior.
Um tempo maior. E te digo mais, Nelson, tudo tem o seu tempo. Porque esse lançamento foi adiado por muitas razões. Eu confesso para vocês que muitas vezes eu achei que ele não sairia, mas ele teve o tempo certo, porque aí veio o Covid e fez com que a gente também adiasse um pouco o lançamento. Mas aí o lado bom disso é que eu tive tempo de escrever um epílogo, ou seja, uma conclusão da conclusão para tentar entender o que aconteceu nestes últimos meses, Nelson.
Aliás, o fato do isolamento social, de a gente permanecer em casa, deu uma noção de tempo que a gente não tinha no nosso dia a dia do trabalho. E você toca isso no seu epílogo, né? Você trata exatamente sobre isso. Ela ainda cita ali no epílogo, vocês vão ter a oportunidade de ler, sobre... Isso não é fato, você vai em qualquer site de pesquisa, você vai ver a quantidade de pessoas que buscaram, por exemplo, a palavra divórcio, separação, porque o tempo que elas ficaram em casa foi perturbador. Elas não estavam preparadas para aquele tempo juntas.
Exatamente. Sabe o que é curioso, Nelson? Muitas pessoas no início do isolamento reclamaram daquilo que sempre pediram. Muitas pessoas reclamaram daquilo que sempre pediram. Mais tempo em casa, mais tempo com a família, mais tempo para se cuidar. Mas quem se perturbou, como você disse, com este tempo livre ou este tempo a mais dentro de casa, não soube lidar porque estava desacostumado com a própria família. Quantos maridos olharam para as esposas e disseram Esposa? Quantas esposas? Marido? É você? Porque tiveram mais tempo para observar. Inclusive o crescimento dos filhos. Então, de novo, nós temos dois pontos de vista. Pessoas que não se sentiram bem, mas, por outro lado, pessoas que aproveitaram muito esse tempo para fazer coisas que antes não podiam. Perceba, Nelson, é tudo uma questão de escolha. Então, este início da pandemia mudou, sim, a percepção de tempo para muitas pessoas. Mas aí eu digo, o tempo da natureza não está passando mais rápido. É você que pode fazer o seu tempo passar mais rápido ou não. É evidente, Nelson, que nesta pausa involuntária que todos nós vivemos, nem todos fizeram suas pausas voluntárias. O que eu estou querendo dizer com isso?
Você está falando dos profissionais que trabalharam durante essa época?
Também todos nós fizemos a pausa involuntária do isolamento, que ninguém estava preparado, ninguém estava esperando. Então, com esta pausa involuntária, alguns perceberam que estavam no piloto automático, outros não. Alguns usaram esse tempo para... novas habilidades ou para descansar. E outros ficaram aflitos, porque tiveram seus compromissos adiados. Eu mesmo, gente, eu adiei a cerimônia do meu casamento. Quantas cirurgias foram adiadas, quantos projetos foram adiados? Como eu disse até o próprio lançamento desse livro, então eu digo que tudo tem o seu tempo, porque nem sempre aquilo que nós queremos naquele momento está preparado para acontecer.
Isa, essa relação do tempo você trata no livro e sabiamente buscando o passado, buscando pensadores que já discutiam o tempo naquela época, já trabalhavam com essa inter-relação com o tempo e achavam que o tempo passava rápido demais. E você até cita Gutenberg, por exemplo, porque é ele que necessariamente, não que ele mexeu no tempo, pelo contrário, mas ele trouxe a informação pra gente. e trouxe a informação mais rápida pra gente com a imprensa. Aí o que acontece? Hoje o que é a busca da informação? Antes a gente esperava, você toca isso no seu livro, a gente esperava aquele jornal que vinha de manhã, aquele jornal que vinha de tarde, aquele jornal que vinha de noite.
Eram as fontes de informação.
Os rádios, a televisão, já com seus horários específicos de jornal.
Que é o marcador de tempo também.
Exatamente, mas só que hoje as pessoas não têm mais essa paciência, elas querem se adiantar ao tempo, né?
Exatamente. Olha, gente, ele leu o livro, tá? Excelente. Nelson, perfeito. É muito importante nós olharmos para o passado para entendermos por que estamos como estamos no presente. Então, você cintou Gutenberg. Quando ele modernizou a prensa móvel, o que ele fez conosco? Ele começou a distribuir informação que antes ficava restrita a pequenos grupos. E aí todo mundo começou a ter mais informação. A evolução da comunicação explica muita coisa, assim como a evolução dos transportes também explica muita coisa. Perceba, o próprio Covid, vamos trazer aqui para o presente, ele chegou no Brasil muito rápido, por conta dos deslocamentos por avião. Se nós ainda tivéssemos o deslocamento por navios, provavelmente nós não teríamos o que tivemos, percebe? Então, a evolução dos transportes fez com que a evolução da comunicação tudo acontecesse numa velocidade mais rápida. Perceba, quando o Gutenberg fez isso lá atrás, eu até agora esqueci porque são muitas datas, né, tempos são datas também, ele também causou uma grande revolução.
1400 e alguma, 1439, 1436, uma data dessa, mas é 1400.
Mil, exatamente. É no passado, não é? Ele provocou uma grande revolução, Nelson. Assim como, antes dele, o relógio que nós carregamos no pulso também trouxe uma grande revolução. E tem um outro episódio que eu trato no livro, Nelson, muito curioso, que foi um dramaturgo, três séculos antes de Cristo. Três séculos antes de Cristo. Nós só tínhamos o relógio de sol. Ele escreveu, numa peça de teatro, que os deuses amaldiçoem quem criou o relógio de sol que fragmenta o meu dia pedacinho a pedacinho. Então, essa sensação não é só nossa, não é só desse tempo da internet, da instantaneidade. Percebe como cada um vai ter a sua percepção? Então, a evolução dos relógios, porque depois do relógio de sol, no dia nublado ele não funcionava, vieram muitos outros. O relógio de água, de azeite, a vela já foi uma medidora de tempo. E o nosso relógio, primeiro ele teve ponteiros de horas. muito depois ponteiros de minutos, muito depois ponteiros de segundo. Então nós saímos do relógio de sol ao relógio que nós conhecemos hoje, o relógio mecânico, que é controlado pelo Césio 133, que são os relógios atômicos, os mais precisos do mundo. Então vamos lá, de uma maneira muito prática, o que eu tô querendo dizer pra vocês é que Quanto mais o tempo foi ficando mecânico, quanto mais preciso o nosso tempo precisou ser para sincronizar voos, pousos, horários de transmissão com o satélite, essa precisão começou a ficar muito mais necessária. E aí o nosso tempo pode parecer insuficiente dependendo do que nós estamos fazendo com isso. Nelson, se antes de todos esses relógios, a humanidade seguia o tempo natural, ou seja, o nascer e o pôr do sol, as fases da Lua que são medidores de tempo... Como é que nós estamos agora? Alguém para quando o sol se põe? Todo mundo acorda quando o sol nasce? Perceba, nós só estamos vivendo mais uma mudança. Assim como tivemos outras transformações, essa de agora, ela é muito mais rápida. E é isso que faz as pessoas ficarem confusas, por quê? Como eu disse lá atrás, a gente fala de tempo o tempo inteiro, mas dificilmente para para pensar nisso. E aí vem aquelas discussões, né? Eu vi muitas teorias que o tempo não tem mais tantas horas e tal coisa, porque eu ouvi falar que a Terra está girando mais rápido. Portanto, é fundamental a gente olhar realmente para dentro e não mais para fora, porque sou eu que estou fazendo isso. E esse tempo, só para encerrar, tem tudo a ver com a nossa produtividade. Para ela ser sustentável, para que eu consiga produzir. Eu preciso cuidar do meu tempo, fazer uma pausa voluntária antes de uma pausa involuntária.
Você, no teu livro, você entrevistou diversas personalidades, pensadores, pensadores atuais. Como é que eles lidam com o tempo deles? Porque a maioria das pessoas que você entrevistou, ela tem uma relação com o tempo bastante, também, difícil. Passaram por conflitos. Passaram por conflitos de tempo, inclusive, porque são pessoas que convivem com o cronograma do tempo, o que é bastante ruim para nós, para o nosso organismo. O que você pensou de importante dessas pessoas?
Então vamos lá. Vou contar uma coisa pra vocês. Antes da gente entrar aqui ao vivo, disseram pra nós, né, uma voz veio do além. Um minuto e meio, né? Então, o tempo na comunicação é o nosso ar, né, Nelson? Pra reportagem, para as apresentações. Esse é um tipo de tempo que nós lidamos, nós comunicadores, deadline o tempo inteiro. O tempo dos padeiros. O padeiro tem um tempo muito cronometrado para fazer o pão para nós nos alimentarmos. Então, perceba, todos têm os seus cronômetros particulares. Os advogados lidam com muitos prazos, os médicos lidam com muitos prazos. Então, perceba, todo mundo tem o seu cronômetro particular. No caso dos entrevistados, por exemplo, o Cortella é que faz o prefácio do livro. Eu tive o privilégio de ter aqui as palavras do nosso professor e filósofo querido. o que estar realmente usufruindo desse tempo para descansar. Teve um outro sociólogo que eu entrevistei, economista, o Eduardo Gianetti, a mesma coisa. Então, você consegue perceber que essas pessoas que nos dão a impressão que fazem muitas coisas, de fato elas fazem, mas elas também aprenderam a fazer uma micropausa. Eu gosto muito de falar sobre isso, micropausa. Então, por mais que a gente esteja correndo, tentando fazer muita coisa no dia, as micropausas são fundamentais, Nelson. E só mais um comentário, quem mais está no livro? Músicos. Eu entrevistei Gilberto Gil, Caetano, Lenine, Oswaldo Montenegro, Fernando Atacay, para mostrar também que o tempo nos ajuda, o tempo da música ajuda a marcar os nossos períodos, as nossas épocas.
O Atacay é uma música do tempo, né?
Tem o Gil, o Caetano, o Lenine pedindo paciência, inclusive, que é o que todos nós precisamos de um certo modo, porque estamos vivendo num mundo express. Pensamos muito no futuro, querendo tudo para ontem. A gente tem várias contradições.
Esquece do presente.
E esquece do presente, eu já vou falar sobre isso. O Nelson Motta, inclusive, ele traça a música com a política. É muito interessante, que aí você vai entendendo no período do Collor, foi o Axé, no período do, sabe assim, do Juscelino, foi a Bossa Nova, então ele vai trazendo como a música também nos ajuda a perceber o tempo. Outra coisa muito interessante, eu fui no mercado esse final de semana, já tem elementos do Natal, isso também faz nós sentirmos o tempo passando mais rápido, porque estamos em setembro, aliás, Nelson, essa também é uma discussão muito interessante, em menos de quatro meses, 2020 já será passado. E não adianta a gente querer apagar esse ano, como muitas pessoas querem fazer, porque não foi um ano teoricamente normal. normal comparado a quê, não é? Então, o Covid trouxe para nós também uma noção totalmente diferente do tempo que estávamos vivendo e nos dá a chance de, inclusive, pensar num planejamento para 2021 diferente. Então, como é que eu vou querer, na prática, sem terceirizar essa responsabilidade, percebe? Mas então, só para finalizar das personalidades, Fernanda Montenegro Maurício de Souza e maestro João Carlos Martins. Me contaram que aprenderam com o tempo também e porque não pensam em parar. Porque, geralmente, nós vemos pessoas que vão se aposentar e querem não fazer nada. Só que o excesso de tempo também é muito prejudicial, Nelson. Eu conversei com algumas pessoas que se aposentaram sem pensar o que fariam nesse tempo livre e todas estavam muito aflitas, muito ansiosas ou até depressivas, porque não fizeram no passado um planejamento para viver agora este presente. Percebe? Então tudo é muito relativo. Então eu pergunto pra vocês, vocês querem mais tempo na vida de vocês ou mais vida no tempo de vocês? Porque nunca tivemos uma expectativa de vida tão alta, tá certo?
A gente vive mais, se aposenta mais tarde, enfim, é complicado, é uma relação de tempo que você vai ter que trabalhar bem agora.
Parar pra pensar, exatamente.
Uma coisa que você... diz no livro, que eu acho muito interessante, é que, obviamente, quando a gente fala de tempo, a gente fala de, não pessoas esclarecidas, mas de um esclarecimento de vida, de que você tenha uma noção do que é a sua vida, do seu trabalho, para que você possa organizar seu tempo. Pessoas que trabalham demais, não porque elas queiram, mas porque é imposto a elas esse tipo de trabalho, como elas podem mensurar o tempo que elas podem dedicar a elas.
Nós temos duas realidades, uma pessoa que é o famoso workaholic, que é uma gíria americana e que foi incorporada nos nossos tempos, uma pessoa que trabalha demais porque realmente ela gosta muito do que faz e se sente muito útil, muito necessária. Ó, autocuidado é marcar reunião com você, é se incluir na própria agenda todos os dias. Está aqui a resposta do que você acabou de me perguntar.
É, porque eu li isso aqui.
Aliás, toda a equipe do Band News, muito obrigada por tudo que vocês estão contribuindo para esse nosso tempo.
A gente marca na agenda, isso é óbvio para todos nós, a gente marca na agenda os compromissos que a gente tem com os outros. Dificilmente a gente marca uma agenda com a gente mesmo, né? E eu não digo nem que vou fazer exercício, não, vou fazer um pilates, não, eu falo com você mesmo, né? Você parar e não fazer nada, o ócio do tempo.
Perfeito. Domenico Di Masi, um grande sociólogo italiano, tentou devolver a dignidade para o ócio este tempo livre. Recentemente eu entrevistei um psiquiatra forense, doutor Guido Palomba, e eu perguntei para ele, eu falei, doutor, para essas pessoas que trabalham muito, para este mundo express que nós estamos vivendo, o que nós podemos fazer para prevenir não só o burnout, mas outras doenças do tempo que eu trago no livro, que são problemas de saúde que não te deixam no presente, ou te mantém no passado, depressão, ou já te jogam para o futuro, que é a ansiedade. E ele falou assim, foi a resposta mais genial que eu ouvi, Isabela, Tem que fazer nada. Falei, como assim, doutor, tem que fazer nada? Ele falou assim, um pouco de nada durante a semana e muito de nada no final de semana. Só com o tempo livre, pra você não fazer nada sem o telefone, tá, gente, é que vai te recuperar para a próxima semana. Aliás, eu tô adorando esse papo aqui, gente, no domingo, porque quer dia melhor pra pensar no tempo no domingo? Não é que é um tempo que, teoricamente, boa parte dos brasileiros não estão trabalhando. Mas veja. Eu preciso olhar para essas micropausas, Nelson, respondendo a sua pergunta, com muita humildade. Eu preciso aceitar que ou eu sou orcarrólico, ou eu preciso ter dois, três empregos. Quantas pessoas eu conheço que têm dois, três empregos? Por responsabilidades familiares, responsabilidades financeiras. E aí, abrem mão da coisa mais principal da vida, que são as horas de sono. Eu falo muito sobre sono, tenho um capítulo inteiro sobre isso. Eu conversei com especialistas da Associação Brasileira do Sono, do Instituto do Sono, para entender o seguinte. Quanto mais a gente quer maximizar a agenda, quanto mais nós queremos fazer mais coisas no nosso tempo, mas subtraímos nossas horas de sono. Até porque a gente vive com aquele monte de crença de que dormir é perda de tempo, né? Quem aqui já viajou, ouviu alguém dizer que viajou e não vou perder tempo em dólar? Então, as horas... Não é? Não vou gastar, não vou perder tempo dormindo. Isso é uma grande ilusão, porque com este mundo digital que nós vivemos, precisamos lembrar que o nosso cérebro ainda é analógico. Isso milhares de médicos especialistas me disseram aqui no livro. Então eu preciso aceitar que isso é um fato, preciso ter humildade em parar um pouquinho, mesmo nesta correria. para perceber o que eu preciso fazer, no mínimo dormir. Então, não adianta buscar fora aquilo que eu preciso fazer dentro. Nelson, eu vejo muitas pessoas buscando na farmácia ou ansiolíticos ou estimulantes para dar conta dessa agenda.
Eu queria tocar nisso com você porque você foi uma vítima disso.
Sim.
E eu queria que você falasse disso pra gente daqui a pouquinho, exatamente porque você foi fazer o uso dessas medicações exatamente pra tentar dormir um pouco mais.
Pra dar conta dessa agenda.
Já já a gente volta aqui, eu vou voltar com a Isa também pra gente continuar falando do... dá um tempo, a gente volta já.
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