Izabella Camargo participa do Simpósio | Suicídio na PM - O Inimigo silencioso | ALESP

Izabella Camargo participates in a symposium at ALESP about suicide in the police force. The discussion addresses what organizers call the silent enemy affecting officers' mental health and wellbeing.
Chapters
É paranaense, formada em Jornalismo pela Universidade de São Judas, concluiu pós-graduação em Marketing e Comunicação pela Faculdade Casper Libero, é locutora formada pelo SENAC, é escritora, está prestes a lançar um livro sobre as percepções do tempo com o tema, ele está passando mais rápido ou estamos passando mais rápido por ele? Nos últimos 20 anos, trabalhou como repórter e apresentadora da TV Globo, SBT, Band e Band News TV. Em 2018, foi diagnosticada com a Síndrome de Bourneau. Recuperou-se e tem sido voz ativa para desmistificar o conjunto de sintomas que são adquiridos no ambiente de trabalho, mas que podem servir de incentivo para uma verdadeira transformação profissional e pessoal. Juntamente com o Ministério Público do Trabalho, de Campinas, está participando da campanha A Dor Pode Te Marcar. Uma iniciativa para alertar a população sobre os prejuízos humanos e financeiros das doenças ocupacionais. Prevenção é investimento, não é despesa. Para tratar desta questão, trazemos aqui então a jornalista Isabela Camargo. Vamos aplaudi-la? Uau! Nunca tive uma abertura com tantos detalhes. Boa tarde para todos vocês. Boa tarde. Ainda bem que vocês ficaram aqui, senão eu ia ficar muito brava. Na hora que eu vi todo mundo saindo para o café, eu falei, tenho dois desafios. Que as pessoas retornem, que eu consiga ter a atenção de todos. Mas, antes de tudo, em respeito a cada um de vocês, não sou militar, mas... Boa tarde. Deputado, obrigada pelo convite. Coronel Araújo, obrigada pelo convite. Coronel Pellegrini, obrigada por todas as conversas que já tivemos antes desse dia. Quero agradecer cada um de vocês e, especialmente, os representantes da Associação dos Policiais que perderam alguns movimentos, então, que estão com algumas limitações por terem trabalhado. Não é? Bons caminhos para todos nós. E, se eu pudesse, eu falaria de cada um, mas eu só tenho 30 minutos, então esse é o meu maior desafio. Que a pessoa fala, está pesquisando bastante, e depois que... Eu escolhi a profissão de jornalista, mas a missão de falar sobre o burnout me escolheu. E, assim como vocês, nós temos duas coisas em comum. Somos seres humanos e gostamos de servir. E pra servir, a gente serve tanto que a gente às vezes esquece de si mesmo, e aí tem burnout ou vai ter outras patologias relacionadas à saúde física ou à saúde mental. Eu, infelizmente, eu não sei o que cada selo da roupa de vocês significa, o que cada medalha representou pra vocês durante todos os anos que vocês já estão trabalhando na polícia. Eu, infelizmente, não sei a hierarquia do setor de vocês. Mas eu só sei de uma coisa. Todos somos seres humanos. E todos temos um cérebro. Então, por termos um cérebro, eu estou junto com vocês. Nós somos todos iguais. Está certo? Se nós passássemos agora aqui um raio-x, sabe, que pudesse ver assim o nosso cérebro, não ia aparecer. Professor, jornalista, policial, enfermeiro, não apareceria nada. Está certo? Alguém discorda? Podemos continuar? Muito bem. Ó, a voz aqui da sabedoria. Muito obrigada. Eu trouxe para vocês esse tema, como encontrar limite, o seu limite, em um mundo sem limites. Fiquei muito feliz com tudo que já foi falado antes de mim, porque parece que a gente tinha combinado algumas coisas, mas nós não combinamos, vocês vão ver como a mesma coisa está dita de forma diferente. Então, eu sou a Isabela Camargo, como já foi dito, desde 2000 eu trabalho em rádio, desde 2006 em TV, trabalhei em algumas emissoras de rádio e TV, e nessa última aqui eu comecei a ter Muitos pedidos de ajuda do meu corpo, mas eu não ouvi os pedidos de socorro do meu corpo até que eu tive a síndrome de burnout. Ou, como algumas pessoas dizem, frescura ou fraqueza. Aí, isso é um mito, tá? Já vou dizer pra vocês que a síndrome de burnout é frescura, é fraqueza, pra quem é fraco, é uma mentira. O que é verdade é que é um esgotamento profissional, mental, né, ou seja, que engloba mental, emocional e físico. Até a Organização Mundial da Saúde ter incluído a síndrome de burnout originada no ambiente profissional, eu ia perder meia hora aqui só pra dizer pra vocês que o que eu estou falando não é frescura e não é fraqueza. Mas como a OMS, a Organização Mundial da Saúde, já definiu a síndrome de burnout como estresse crônico, estresse crônico e explica então que o esgotamento se refere especificamente a fenômenos relativos ao contexto profissional e não deve ser utilizado para descrever experiências em outras áreas da vida, a minha vida mudou. Porque assim eu ganho tempo pra gente poder realmente falar De alguns aspectos que, tudo que foi falado aqui, que são dos projetos que já existem na PM, de algumas ideias, mas eu quero falar um pouco pra vocês das origens. O que que pode originar o burnout? O que que pode originar outras dores invisíveis? E aí eu preciso passar rapidamente, como foi o meu caminho até o burnout, até pra que vocês talvez se identifiquem, ou não, com o que aconteceu comigo. Então, o meu caminho até o burnout foram seis anos e meio acordando meia-noite, uma ou duas da manhã, de segunda à sexta-feira. Tem alguém aqui que trabalha especialmente à noite? Mas olha que gente surtuda. Ah, lá, tem uma moça lá. Já trabalhou. Mário Sérgio. Não tem ninguém filmando nós aqui. É fácil ou é difícil? Você se adapta ou se acostuma? Você convive normalmente com as outras pessoas ou não? Se adapta, porque se acostumar não, você tem que se adaptar. Muito bem. Obrigada, Laura e Sérgio. Depois de talvez quatro anos, eu comecei a ter que tomar remédio para dormir em doutores de sono e remédios para acordar anfetamina. Isso tudo com orientação médica. Nada automedicação. E aí eu comecei a acumular cada vez mais tarefa. Entrevistar, escrever, preencher, apurar, editar, apresentar três jornais entre quatro e nove horas. É a mesma coisa que eu chegar para você, Soraya, e eu estou vendo você, por exemplo, na rua, fazendo patrulhamento, estou aqui dando um exemplo bem simples, e eu dizer que o seu trabalho é só aquele. Então, quando nós aparecemos na televisão – a Carla está aqui, inclusive, pode me ajudar –, as pessoas acham que é só aquilo. Chegou, se maquiou, olha que vida fácil que essa pessoa tem. Fez nada. Acordou, foi lá, fez maquiagem, cabelo, pronto. Não. Aquilo que aparece na televisão, assim como o que a população vê do trabalho de vocês, é um pedacinho só do que realmente todos fazem. E aí, depois de tudo isso que eu falei, eu comecei a me sentir extremamente infeliz e desvalorizada. Não sei se alguém já sentiu isso. Esse sentimento de desvalorização é a origem de muitos problemas que nós temos. E já já eu vou falar mais sobre isso. Aí como é que meu corpo reagiu a tudo aquilo? Coloquei essa lista toda, tá? Vamos ver se alguém se identifica com algum deles, tá? Se alguém se identificar, pelo menos com cinco, me procura depois. Mas é o seguinte, eu não sou psicóloga, eu não sou psiquiatra, eu sou uma jornalista que, depois de ter tido uma patologia relacionada à saúde mental, pesquisei bastante. Então, tudo que eu estou falando aqui é quando eu falo eu. Está aqui. Quando os outros vão falar, vocês verão as fontes. Então, como é que meu corpo reagiu? Depois daquele... desse caminho. Fadiga crônica. É um cansaço de final de semana? Não. É um cansaço que você acorda e continua cansado, isso por meses. Falta de ar, enjoo e mulher, né gente? Pode ter enjoo que tá grávida. Enjoo, tontura, enxaqueca, tachicardia, agressividade. Eu gosto de falar em agressividade porque quando meu marido me disse, Isabela, você tá agressivo, eu falei, imagina! Lógico que não, não é? Fica mais nervosa ainda. Não, não me fala ficar calma, que aí eu sou pelas paredes, não é? Mas agressividade pra uma pessoa espiritualizada, que faz meditação, que tá sempre buscando aprimoramento pessoal e espiritual, foi uma coisa que falou, opa, tem alguma coisa realmente errada. Tremedeira nos olhos. Sabe aquela tremedeirezinha assim, que algumas pessoas têm? Então. transpiração excessiva, que nem manchas na pele, queda de cabelo, e a gente acha que tudo isso é normal, né? O Ralo tá lá cheio de cabelo, fala, né, é normal, tá com tacardia, é normal, achar que é que é normal. Pois é, pra desentupir o Ralo. Problemas gastrointestinais, cardiovasculares, crise nervosa de ansiedade, desorientação espacial, não sei onde eu estou, não sei quem eu sou, não sei para onde eu vou, dificuldade para elaborar raciocínio com agilidade, a despersonalização, que é quando nada além do trabalho faz sentido, ou seja, quando as pessoas te chamam para sair, te chamam para uma festa, te chamam para um aniversário, e você diz, não, eu quero ficar em casa. Se eu puder não conviver com alguém é melhor ainda. Choro inexplicável, dificuldade para dirigir, dificuldade para responder mensagens e lidar com esse monte de tela que a gente está lidando. Os braços começaram a adormecer até que eu tive apagões no ar. Quando eu tive apagões no ar, e isso o mais evidente foi quando eu esqueci o nome da minha capital, sou paranaense, então eu não lembrava Curitiba. E aí eu fui medir meu cortisol. O cortisol estava 31.1, um normal entre 6 e 18. E a gente acha que tudo isso é normal, mas realmente não foi. Como é que, então, meu corpo reagiu? O estresse frequente para dormir e acordar fora do meu ciclo circadiano, todos nós temos o ciclo circadiano, tá, gente? Isso também nós temos em comum, que é o ritmo biológico. Fora disso, mas o acúmulo de funções desregulou todas as funções do meu corpo. Aí muitas pessoas me perguntam, Isabela, mas então o burnout é novo, é uma coisa nova, é uma coisa moderna? Vocês já ouviram falar em bullying? Bullying é novo ou é velho? O problema... É velho. E bullying é nome novo ou é velho? Novo. Ai, gente. Então, burnout é nome novo pra uma síndrome antiga. A tecnologia potencializou, porque assim a gente acaba ocupando o nosso cérebro, a gente acaba consumindo o nosso cérebro com as informações que estão em todas essas telas que a gente convive. E aí, se vocês ainda não acreditarem no que eu estou dizendo, é o seguinte. Alguém já ouviu falar de estafa? Estafa. E neurastenia? Talvez alguns já ouviram falar em neurastenia. Então, vamos lá. Vou apresentar pra vocês este médico aqui, o Sr. George Miller Bird. Em 1869, ele lançou esse livro chamado American Nervousness, que falava de uma sociedade americana extremamente exausta. 1869. Thomas Edison inventou a lâmpada, como a gente conhece hoje, só 10 anos depois. Mas, olha, então não tinha nem luz elétrica como a gente conhece hoje e as pessoas já estavam sobrecarregadas e nervosas. Aí se vocês ainda falassem assim, ah, não acredito em vocês, Isabela, então tá bom. Essa médica chamada Cristina Maslach foi a primeira psicóloga a estudar o fenômeno. Ela, inclusive, continua estudando o fenômeno. Eu espero entrevistá-la em breve. Essa é a capa do livro. Essa é a contracapa do livro, que eu fiz questão de fotografar para vocês. E eu fiz questão também de recortar essa parte. Então, em 1982, ela dizia como reconhecer, prevenir e curar o burnout em Enfermeiros, professores, doutores, terapeutas e policiais. Está aqui. Se alguém quiser comprar o livro, chama The Cost of Caring, O Custo de Cuidar. É por isso que eu, como jornalista agora, enquanto não volto a trabalhar diariamente, preciso passar as informações para vocês. Cuidar de quem cuida, cuidar de quem contrata, cuidar de quem lidera. Pronto. Está aqui. Se alguém quiser, a referência já está fácil. O que eu aprendi em um ano exatamente, aliás, dia 14 de agosto da semana passada, e fez um ano em que eu tive o diagnóstico da síndrome de burnout. O que eu aprendi neste um ano? São pessoas que gostam de resolver problemas, são responsáveis e perfeccionistas, saem do trabalho, mas o trabalho não sai delas. Quem se reconhece com essas três frases? Pode levantar a mão assim, pode ser oraço assim, bracinho curto. Bom, e aí tudo isso é característica positiva, não é? Característica positiva. Fala, Tiago. Mas, vamos lá, vivem em ambientes com pressão e cobrança constantes. Acumulam funções. Aí a imunidade acaba caindo, tem doenças recorrentes. Não podem errar. Que foi igual o quê? A Cristina Maslachi coloca aqui. Pessoas que não podem errar. Muitas me perguntam, Isabela, qual é o grupo principal que pode ter burnout? Médicos. Quando o médico erra, o que acontece? Pode morrer o paciente, e aí já tem aquela comoção, porque o médico errou, ele não pode errar. Um policial, quando erra, o que acontece? Comoção, meu Deus, execrado e tal. Jornalista, quando erra, o que acontece? Vira meme na hora. Engenheiro, se erra, faz o quê? Coloca a vida de muitas pessoas em risco. Se construiu uma ponte que não tem condições de suportar, tudo mais. Então, são profissões que não podem errar de jeito nenhum. Que são as que têm mais condições de desenvolverem burnout. Por quê? Estão sob pressão constante. E vocês, a maior parte de vocês, estão em uma situação de muita exposição. Vocês nos defendem, vocês nos salvam, vocês nos protegem. Eu sempre comento que, aliás, quando eu comecei a falar com o Arnaldo Pellegrini, muitas pessoas me perguntaram, mas por que você quer trabalhar com a PM? Eu falei, porque eu quero devolver para vocês o que vocês já fizeram por mim. E eu estaria sendo muito incoerente se eu não falasse para vocês o que eu estou aprendendo, para que vocês previnam o que eu ainda vou falar. para que vocês olhem para vocês com outros olhos. Apenas isso. Então, quando as pessoas me falam sobre a PM, eu tenho certeza que elas estão apenas vendo o lado menos romântico da história. Mas quando eu vejo uma notícia de vocês salvando um bebê, salvando uma vida, os bombeiros, né? Poxa vida! É só gratidão que eu tenho e admiração por todos vocês. E esses meninos aqui, gente? Porque como é que vocês carregam tudo isso? No calor, não é demais? Então, a gente ia trabalhar naqueles lugares só frio, né? Mas eu estou fazendo essa brincadeira só para vocês entenderem onde eu quero chegar. Então, nós que gostamos de resolver problemas, nós que somos perfeccionistas e responsáveis, nós que ficamos pensando sempre no trabalho quando saímos deles, Nós não podemos errar. E aí, a gente vai fazendo o quê? Se automedicando para dar conta. O que é uma automedicação para dar conta? Quem aqui sente uma dor constante há muito tempo e nunca foi procurar? Não precisa nem levantar a mão. Eu sei que isso acaba constrangendo. É normal a gente trabalhar com dor? Não. Ah, eu tenho uma enxaqueca, Isabela, faz uns dois anos. Tô me automedicando, com remédio e lapador de cabeça, tá tudo certo. Nossa, uma gastrite. Nossa, Kit, não posso tomar café porque eu tô com uma gastrite. É mesmo, essa gastrite tem nome, sobrenome, endereço, telefone e CNPJ. Então a gente tem que tomar muito cuidado com as dores frequentes que nós vamos sentindo e não achar que tudo isso é normal. Porque aí depois de tudo isso, e aí você já fica sem energia pra fazer as atividades familiares ou de lazer, você vai sentir desvalorização. E aí quando você começou a sentir desvalorizado, acabou. Não tem outro caminho a não ser você pedir ajuda, como o nosso psicólogo já falou, como o Kit falou, como aquela outra médica paranense que estava aqui também falou. Pedir ajuda é muito melhor do que tomar remédio. Aliás, eu não sei se vocês viram esse estudo no Rio de Janeiro, eu não lembro em qual bairro, um número X de livrarias fechou, e um número em dobro abriu de farmácia. Então todos perdem quando a gente fala sobre saúde mental. E os pensamentos suicidas são frequentes. Por que que todos perdem com tudo isso? A família, a nossa produtividade, os custos de afastamento e substituição. Então, como eu falei pra vocês, só tem burnout quem ama o que faz, e por amar tanto o que faz, se esquece de si mesmo. Alguém discorda? Concorda? Plenamente. Bom, vou continuar antes que meu tempo acabe. O que seria pior que o burnout, que é tudo aquilo que eu falei pra vocês, né? Esse apagão que o corpo te dá. Porque depois o teu corpo já te pediu tantas vezes ajuda e você não ouviu, ele vai dizer assim, Flor, agora não vai dar mais, tá? Tomou remédio, escondeu debaixo do tapete tantos anos, agora não vai dar mais. E aí o seu corpo para. Para. O que seria pior que o burnout? Karoshi, morte súbita por excesso de trabalho. No Japão, desde a década de 1980, já existe uma mensuração das vítimas que, desde 2015, recebem indenização. E aí eu coloco, de quem é culpa? Das instituições, das empresas que não colocam limites, dessas culturas que nós vamos retroalimentando? Ou de nós, seres humanos, que estamos abaixo de uma grande ordem, vamos dizer assim, que não conseguimos reconhecer ou impor os nossos limites? E o que seria ainda pior do que o caroche? Que, para mim, ainda é pior. É o suicídio. Pior do que a morte súbita pelo excesso do trabalho é quando você opta por essa saída. Estão aqui, então, os números que não são novos para vocês. Em 2018, 36, esse número é muito preocupante, como todos os outros. Como foi dito aqui, um suicídio já é um número muito relevante para a gente falar sobre isso. E, como eu disse, não sou psicóloga, não sou psiquiatra, para mim, Depois de ter ouvido duas mil pessoas que me procuraram depois do meu burnout, mais do que eu tenho pesquisado com os médicos, é assim. Suicídio é falta de aceitação do próprio problema. A pessoa não se aceita e, se ela não aceita, ela não vai pedir ajuda. Não tenho nada. Estou ótima. Tomando remédio, se distraindo com bebida, com drogas, com outras coisas. Isso não é normal. Preconceito. justamente pela falta de aceitação, o medo do julgamento da família, da corporação, dos amigos, dos inimigos. Falta de acolhimento familiar e apoio, a confiança no ambiente profissional. A pessoa sente muita vergonha, muita culpa por estar vivendo tudo isso. Insegurança, impotência, perda de perspectiva para novos caminhos e para recomeçar. Eu ouvi um psiquiatra e uma psicóloga antes de vir aqui. E eles me disseram, eles atendem alguns PMs, eles me disseram que o medo de vocês recomeçarem é muito grande, porque existe um sonho, que geralmente veio de alguém da família, existe a perspectiva da estabilidade. Então, não, está ruim, mas eu vou ficar com o ruim porque eu não quero ir para um lugar pior. Existe também a segurança de cada dia 5 ou 10, não sei que dia que vocês recebem. Mas com isso, de novo, as dores invisíveis vão ficando na clandestinidade, a gente vai jogando debaixo do tapete. Situações que a gente acha que são normais, mas não são. Porque quando você perde a esperança, quando você perde... A perspectiva de um outro caminho é aí que você vai ter pensamentos suicidas. Eu só posso falar isso porque eu tive pensamentos suicidas. Mas, Isabela, você é mulher, olha. Arrumada, maquiada. Eu ouvia muito. Nossa, mas você é bonita, aparece todo dia na TV. É mesmo. E o que isso tem a ver por eu não querer tirar a minha vida? Porque isso significa que a pessoa já tentou de tudo, ela já fez de tudo dentro das possibilidades dela, até pedir ajuda. Né, doutor? Psicólogo. Até pedir ajuda. Porque ela acha que não tem mais saída até pedir ajuda. E aí ela vai ver que faz parte de um universo infinito de possibilidades. Então, se vocês me disserem, não, Isabela, eu quero continuar na polícia, ok, já vou contar um negócio para vocês. Se vocês não quiserem, também vou apoiar. E aí me procurem depois, porque a vida de vocês é o que vale mais. Não é a farda, não é a etiqueta, não é o selo, não é a medalha. A vida de vocês é o que vale mais. Me desculpem se eu estiver sendo muito direta no que eu estou falando, mas a vida de vocês é que vale mais. Esse cenário que nós vimos sobre o suicídio só acontece na PM? Não. Eu trouxe aqui só um exemplo, porque eu não ia ter tempo de falar os outros, dessa enfermeira, a Janaína. Não sei se alguém viu essa notícia. Ela foi encontrada morta em casa. Suspeitas é que ela tenha se suicidado. Aí o Ministério, a Prefeitura, diz que de 2012 a 2017 foram 65 tentativas de suicídio por mês. Números, como se fossem coisas, como se não fossem vidas. Mas, aqui, o que o Conselho de Medicina coloca, se eu não dissesse para vocês que é do Conselho de Medicina, vamos ver se vocês se reconhecem. Está aqui sobreposto à saúde, mas dá para ler. Muitos enfermeiros passam por situações de crises profissionais em decorrência de baixos salários, cargas horárias exaustivas, mais de um emprego, precariedade em materiais e equipamentos, falta de segurança física, entre outros fatores que acabam interferindo na saúde mental dos profissionais. Esse ambiente parece com algum outro? O nosso. E, quando você fala nosso, eu também entro nele. Porque o jornalista é igual. Existe uma ilusão tremenda de como é a profissão de jornalista. Existe uma ilusão tremenda de como é a profissão de um médico, de um enfermeiro. E é tudo ilusão. Depois que eu fiquei livre para falar isso que eu estou falando para vocês, eu sempre digo, quem gosta da verdade me ouve, quem gosta da ilusão vai continuar se alimentando de ilusão. Mas a verdade é essa aqui. Não é só na PM, não é só nos hospitais, não é só nos quartéis que nós temos esse problema. Brasil e mundo. Um suicídio a cada 45 minutos. No mundo... Ai, gente, desculpa, tá? A pessoa não tem tanta habilidade no PowerPoint, então comeu ali um pedacinho, mas é o seguinte, no mundo há uma tentativa a cada três segundos, e um suicídio a cada quarenta segundos. E aí aqui vem uma coisa, doutor, eu fiquei tão feliz com essa informação, é da Associação Psiquiátrica da América Latina. Ouvir quem pensa em suicídio... Já temos dez minutos? Faltam cinco? Dez. Ouvir quem pensa em suicídio salva a vida dele. 20 minutos conversando com alguém que você tá percebendo que não tá legal há algumas semanas. Não precisa nem ser semanas, alguns dias. Se essa pessoa não te pediu ajuda, ofereça ajuda. E ajuda não é assim, ai, eu sei, eu vou te dar a solução. Não. Ajuda é só ouvir, nós estamos falando. Não precisa ser especialista em ouvir, não é, doutor? É só ouvir. E isso, não sou eu que estou dizendo, é a APAO. Então, ouvir uma pessoa que pensa em suicídio impede o ato. 90% dos suicídios poderiam ser evitados se as pessoas tivessem acesso a tratamento, se pudessem tratar a doença que leva ao suicídio, que é depressão, burnout, esquizofrenia, outras dores invisíveis, como outra qualquer. As pessoas me encontram e falam assim, Isabela, você tá bem? Mas você tá bem mesmo? Eu falo, pelo menos não caiu nenhum parafuso até agora. Caiu algum parafuso até agora? Não, né? Por que que é tão difícil falar sobre isso? Porque saúde mental é um tabu. Como falar de dinheiro é um tabu, sexo é tabu, envelhecimento é tabu, saúde mental também é tabu. Ah, então agora eu vou falar sobre bem-estar mental, tá? Aí muda. Eu ouço assim, ah, falar sobre saúde mental, você é louca, Isabela, falar sobre saúde mental. Por quê? Porque é uma coisa esotérica. Sério. Que é uma coisa esotérica. Falar de cérebro é esotérico. Ou que a pessoa é biruta, que ela é louca, ou que passou pela primeira enfermaria. E tudo isso eu entendo. Eu não julgo. Porque nós vivemos muitos anos com medidas higienistas. Vocês sabem do que eu tô falando? Barbacena, hospícios, hospitais, psiquiátricos. Quando uma pessoa tem um problema, a gente quer afastar esse problema. Porque aí você não se responsabiliza por ele. Tá certo? Então, eu entendo o preconceito que esse assunto ainda tem por conta das medidas higienistas. Mas eu não acho que seja impossível falar sobre isso, doutor. Sabe por quê? Porque quando a Lei Maria da Penha entrou em vigor, ainda eram muito mais subnotificados casos de agressão contra a mulher. E hoje é diferente. Então, esse aqui é só mais um tabu que eu, então, aceitei essa missão pra gente falar. Depressão, estresse e ansiedade também são dores invisíveis. A doutora Ana Beatriz, ela disse que depressão é excesso de passado, estresse é excesso de presente, ansiedade é excesso de futuro. E nesse ranking aqui que nós temos, meu Deus do céu, o Brasil é o país número um em número de ansiosos no mundo. E o segundo, em número de depressivos, só perde para os Estados Unidos. E estressados, só perde para o Japão. O que isso significa? Não estamos procurando a felicidade da maneira correta. A gente tem alguma coisa que está faltando uma explicação. Então, a partir de agora, como é que nós seguiríamos a partir daqui? Meus policiais amados, como é que vocês vão continuar tomando decisões sob pressão constante? A gente vai continuar com as mesmas crenças? Ah, Isabela, não dá para falar isso. Lá no meu quartel, o... Como é que chama? O superior do superior? General, comandante, sargento, major, alfajor, eu não sei como é que nós vamos falar. Não adianta. Não tem problema. Mas a minha família ninguém aceita. Tudo bem. Ah, mas a minha cidade não tem... Agora, o que nós temos que pensar é como é que nós vamos seguir a partir daqui. Como nós chegamos até aqui? É só dar um Google e está tudo lá. Medida higienista, hospício, hospital psiquiátrico, primeira enfermaria, que era muito, muito delicada, não era? o que nós fizemos para chegar até aqui, vocês já sabem. Agora, eu quero semear aqui em vocês reflexões. A gente não vai sair daqui com todas as respostas, mas a gente vai sair com muitas reflexões. Então, a gente vai alimentar mesmo as controvérsias, que vocês não podem mostrar vulnerabilidade dentro do ambiente de vocês. Vocês não podem pedir ajuda, que vocês não são seres humanos, me desculpa. Me desculpa. Se tem alguém que mereceria uma salva de palmas quando passa na rua, são vocês. Só que, para a gente conseguir isso, vamos ver se nós vamos falar, nos meus últimos dez minutos, dois responsáveis, para que vocês comecem a ter autocuidado e alto valor. Fui mencionado que faço parte de uma campanha do Ministério Público do Trabalho chamada Dor Pode Te Marcar. O procurador de lá disse assim, Isabela, a gente vive uma epidemia de trabalhadores doentes. Trabalhadores, servidores, como é que a gente quiser colocar aí. E aí, pelas minhas pesquisas, entendo que existem dois agentes para mudar essa situação. A individual, especialmente daquela pessoa que fala, eu tenho que dar conta, e institucional. A culpa é do trabalhador, do servidor, do policial. A culpa não é da instituição. Indivíduo. E aí entra aqui uma coisa que eu gostaria que, se vocês quiserem fotografar, pode fotografar, se quiser anotar, pode anotar, quem tiver boa memória, que chama atualização de identidade. Atualização de identidade significa você parar um minuto e pense na pergunta, porque eu sei que a resposta vai ser difícil. Quem é você hoje? Porque quando vocês tiveram o sonho de ter a profissão de vocês, vocês eram uma pessoa. Se a gente não dorme igual a gente acorda, imagina o que acontece depois de um ano, depois de dez anos, depois de cinquenta anos fazendo a mesma coisa. Será que dá pra saber quais são as minhas habilidades hoje? Qual a idade que eu tenho hoje? Será que eu não preciso revisar os meus hábitos, que provavelmente estão consumindo um tempo que vai ser muito importante? Já vou falar sobre o quê? Faz sentido o que eu tô falando? Eu não estou pedindo pra ninguém abandonar a farda e morar numa casinha de sapê, não. Eu tô só falando pra vocês entenderem quem são vocês hoje. E aí sim, com pausas frequentes, pra que essa análise seja feita, vocês vão conseguir dizer e receber não. Mas Isabela, se eu disser não, eu vou receber uma punição. Sério? Hã? Sim? Não sei. Sim. E a forma que eu disser esse não? Pode ser que mude? Mude esse resultado? Não é? Aí, vamos lá. Já indo pro final. Quem tá com saudade desta tomada? E quem tá com saudade desta tomada? Hã? Não é? Gente, falando sobre o autocuidado, dormir não é perda de tempo. E eu sei que muitos precisam fazer bico pra sobreviver. Os enfermeiros, jornalistas também. Então não é exclusividade do ambiente de vocês. A gente já sabe que mais cansado, menos produtivo. Mais cansado, mais estressado. Mais estressado, mais cortisol. Lembra que eu mostrei que meu cortisol tava 31? Cortisol é a hormônio do estresse. Se vocês vivem em ambientes hostis, Porque não é todo dia que nós vamos salvar um bebê, né? Não é todo dia que nós vamos ter uma situação em que nós seremos aplaudidos. Se vocês vivem naqueles ambientes hostis e vocês estão... Lembra na época das cavernas, quando o homo sapiens estava lá dentro da caverna, vinha um mamífero maior que ele, o que ele fazia? Lutou, foge. E vocês vivem lutando o dia inteiro. Vocês estão produzindo... Não vou entrar aqui nas áreas, tá, doutor? Adrenalina, cortisol, o tempo inteiro. E o problema é que tudo em excesso faz mal. Até os hormônios, que são pra te deixar em alerta. Tudo bem? Essa neurologista, presidente da Associação Brasileira do Sono, o que ela diz? Já estou acabando, gente. Nós não temos o número ideal de horas de sono, mas, independente da idade, quem dorme menos de seis horas por dia, não precisa levantar a mão, tem quatro vezes mais chances de morte. Mas, Isabela, eu sempre dormi pouco, então, eu também, quando eu fazia faculdade, tinha 20 anos, eu também dormia quatro horas e estava no dia seguinte. Liga a dona, agora é diferente. É por isso que eu falei sobre a atualização de identidade. Se vocês não souberem quem são vocês hoje, a vida passa... Qual? Fala pra mim. Quatro horas por noite, que bom. Vamos lá, meu tempo tá acabando. E aí, lembra que eu falei, nós vamos continuar com as mesmas crenças? Será que a gente vai achar que não, que não existe problema nenhum, problema... É o planeta. Esse livro aqui, Capitalismo Tardio e os Fins do Sono. O que esse passarinho tem a ver com tudo isso que nós estamos falando? Ele é um pardal de coroa branca, ele permanece acordado por até sete dias durante as suas migrações. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos já está estudando esse passarinho há cinco anos para descobrirem uma forma de deixarem os soldados acordados sem dormir. E aqui, ó... Aqui, gente, o que aconteceu? O que aconteceu? Vou contar essa piada que eu não entendi. Eles estão atrasados? Eu vou morder cada um de vocês, sabia? Aí, olha o que está escrito aqui. A história mostra... Que inovações relacionadas à guerra são inevitavelmente assimiladas em uma esfera social mais ampla. O soldado sem sono seria o precursor do trabalhador ou do consumidor sem sono. E o que adianta se a gente não dorme? O que adianta se a gente não dorme, doutor? Fala pra mim, vem cá. Não, vem aqui, vem aqui, vem aqui. Eu tenho mais cinco minutos, né? Não, vem cá, doutor. Quando a gente não dorme, o que acontece no nosso corpo? O sistema imunológico só funciona quando você está dormindo, principalmente sonhando doenças psicossomáticas. São oportunistas e vão desencadear várias situações. Por isso que a gente vê muitas pessoas gripadas o tempo todo, resfriadas, a imunidade baixa. Eu acho que é o fator primordial. E aí eu até falei da questão daquela hora. do sono, quando você dorme pouco, o que fixa são os pontos negativos. E isso vai desencadear em você uma série de fatores que vai te levar à depressão. Obrigado. É isso mesmo. Eu quero levar você pra casa, doutor. Se eu tivesse um minuto apenas pra dizer, se o coronel Araújo tivesse falado assim, já vai ter um minuto, eu ia falar pra vocês assim, ó, durmam. Durmam. E eu sei que o problema é que nas horas de folga vocês não dormem. Muitos fazem bico. Repito, no jornalismo, na medicina, na educação é a mesma coisa. Ah, tudo isso que a gente tá falando também atinge muitos professores, tá? Então, gente, dormir não é perda de tempo. Por isso que é super importante revisar a identidade de vocês. O que eu fazia com 20 anos que não está rolando mais? Será que aí eu vou me entupir de café, vou me entupir de outros estimulantes naturais ou até artificiais para dar conta de um corpo que não faz mais parte do hoje? E, passando para a finalização, me foi pedido para trazer então duas dois saquinhos de semente para vocês. A do indivíduo, que eu falei sobre a atualização de identidade, e para a instituição, o que eu quero deixar como sugestão, como uma forma... Já foi aqui dito por alguns dos palestrantes, mas aqui algumas coisas vão precisar de mais recursos, e eu não acredito no que é difícil, eu não acredito nem no que é impossível. Eu acredito no que não foi pensado ainda. Crenças. Prevenção é melhor do que tratamento. Nossa, que clichê. Mas é. Não deixem a corda arrebentar, não deixem um burnout parar vocês. Ou até outras situações. Chegar no limite é muito pior. Rever os modelos de confidencialidade foi uma unanimidade com todas as pessoas que eu conversei, psicólogo, psiquiatra. que muitos não procuram os médicos, os psicólogos e psiquiatras nas unidades porque têm medo que o que eles falarem vai ser propagado, vai ser divulgado. E eu ouvi isso de tantas pessoas e falei, gente, mas não é possível que tantos médicos falam isso e eles não tomam providência. o acompanhamento em casos específicos, conversando com o Kitt e com o coronel Pellegrini, o que eu gostaria de deixar para todos os líderes dos quartéis e tudo mais. O sujeito passou por uma situação estressante, gente, meia hora com ele, você já vai entender se ele teve um desequilíbrio, se está tudo bem, ou se você precisa de uma outra abordagem. Não adianta falar, fazer de conta que uma pessoa que viveu uma situação extremamente estressante continua igual. Não continua. Eu, como repórter, vivi situações como alguns de vocês, e eu ficava uns dois, três dias para assimilar tudo aquilo. E olha que eu não vivo num mundo cor-de-rosa, não. Então, eu sugiro gestores que Pensem nisso. Um acompanhamento de caso específico. Aí eu acredito que não precisa de dinheiro além. O que que talvez precisaria de recursos a mais? Ou não, tá, coronel? Ou não. Incluir o exame de cortisol no exame de saúde anual. Não o cortisol salivar, o cortisol de sangue, que é o que vai mostrar o quanto longe vocês estão do normal. Pesquisas bimestrais, ou seja, tem inventários e testes neuropsicológicos. Os psicólogos aqui sabem do que eu tô falando. Não me venham com o papo de que aí não tem jeito da gente descobrir depressão e ansiedade, porque tem. Teste neuropsicológico. É simples, é fácil de responder. E aí, por último, eu sei que eu posso apanhar depois, mas tudo bem, terceirização. Façam um teste. Não vai tirar o trabalho de que já está sendo feito, mas experimenta terceirizar uma parte dos atendimentos. Faz uma parceria, sabe? Porque eu sei que vocês não têm plano de saúde. E as pessoas que eu conversei, os médicos me disseram que só chegam neles, os PMs, que têm o plano de saúde da esposa ou do marido, e vice-versa. E que bom que eles chegam. Mas todos já chegam, assim, no limite de cometer o tema do nosso encontro. Por quê? Porque se sentiram culpados, envergonhados, com preconceito, com medo, com medo, com medo do julgamento. Então está aqui a minha contribuição. Felicidade e bem-estar é uma questão de ponto de vista e escolhas. Se vocês escolheram a profissão de vocês anos atrás, que bom. Vocês querem servir. Mas a gente também sabe que, se a gente não tiver um autocuidado, é impossível cuidar de alguém. Como é que eu vou salvar alguém se eu não me salvo? Então, está aqui. Quais são os seus sonhos hoje? O que pode ser um obstáculo hoje? Nossa senhora, Isabela! É crack, é crise financeira, é crise institucional, é insegurança, é falta de... Então, quais são os obstáculos? O que cada um de vocês pode fazer? E o que nós vamos ter que esperar que alguém faça? E é muito melhor eu tomar a atitude do que ficar esperando alguém. Terceirizar a responsabilidade que acontece pra gente é péssimo. A doutora Ana Cláudia Quintana Arantes tem um livro que chama A Morte é um Dia que Vale a Pena Ser Vivido. É um livro maravilhoso, que fala sobre vida. A gente não fala sobre morte porque acha que não, né, não vou morrer. A única coisa que a gente sabe é isso. A gente não sabe quando nem como. E ela diz que a pior coisa é quando alguém chega... Ela faz cuidados paliativos. Que quando ela chega perto dos dias de uma pessoa que já sabe que ela vai ter poucos dias, ela diz que o problema não é perceber que o paciente está chegando no final da vida dele. É quando o paciente percebe que não valeu uma vida que valeu a pena ser vivida. Não é que ele já está infeliz porque tem poucos dias, é porque ele se deu conta que ele não viveu uma vida que valeu a pena. E aí, pra encerrar, tá aqui então as cinco principais coisas, vou chamar de coisa, tá, que pode evitar o suicídio. Desculpa se eu não tô falando nada diferente, deputado. Aliás, obrigada, tá? Que privilégio, que privilégio. Talvez alguém estivesse esperando, assim, alguma receita mágica. Cinco coisas pra vocês evitarem o suicídio, além de procurar ajuda. Procurar ajuda não custa nada, gente, tá? Quando a gente não respira, o nosso cérebro não funciona. E aí, para tomar decisões sobre estresse constante é péssimo. E esse estado de adrenalina de ofegante, você deixa o seu cérebro com uma maneira mais limitada. O dormir, que eu já falei, que é a nossa bateria. Como a gente está convivendo também muito com o telefone, a gente acha que... Você dormiu quatro horas, também vai dar certo. Pode ser que um dia sim, tá? Mas não fazer dá exceção à regra. Essa é a questão. Um final de semana que eu preciso fazer um bico, que eu tô pensando num plano, numa viagem, num presente, uma coisa, uma coisa, agora... Viver uma vida com bico, não dá. Viver uma vida dormindo quatro horas, não dá. Lazer, se exercitar. Mas eu não tenho tempo, Isabela. Então nós vamos ter que voltar a três séculos antes de Cristo e falar pra este sujeito, que é um dramaturgo, olha o que ele falou, 300 anos antes de Cristo. Que os deuses amaldiçoem quem inventou o quadrante solar que fragmenta o meu dia e eu não tenho tempo de fazer nada. Coitado, não tinha nem relógio de pulso e já não tinha tempo de fazer nada. Por isso que é importante a nossa atualização de identidade. Se eu não souber quem eu sou e quais hábitos eu preciso ter, realmente vai faltar tempo pras coisas básicas. Quando vocês veem uma abelha, vocês pensam no mel ou na picada? Hã? Não, não, fala sério, vai. Sem média pra mim. Duvido, duvido. Você tá numa mesa lá almoçando, menina, você tá lá almoçando e vem uma abelha. Você fala, vem abelha, pode almoçar aqui comigo ou você fica assim? Pensam na picada. Que mata abelha, gente? Bom, nas minhas pesquisas, eu sei que quando as pessoas veem uma abelha, elas pensam mais na picada do que no mel. Obrigada. Aí, por que que eu trago isso aqui? Porque uma avelha vive 40 dias, visita mil folhas pra nos dar uma colher de mel. Pra nós é uma colher de chá de mel, pra avelha é a vida inteira. Tudo isso que nós estamos falando, sobre suicídio, sobre dores invisíveis, sobre burnout, pode ser. a picada da abelha, ou pode ser o mel. Vai depender de como nós vamos encarar tudo isso que nós estamos falando. Ou a gente vai encarar esse assunto que muitas pessoas não querem falar de uma maneira ainda na clandestinidade, ou a gente vai olhar para esse título aqui e vai entender que, sim, é possível prevenir e evitar mais perdas humanas. Então, ou a gente vai olhar para o problema, ou a gente vai olhar para dentro. Ou a gente vai olhar pro problema ou a gente vai olhar pra dentro. Porque só vocês sabem onde o calo de vocês aperta. E o que é preciso fazer? Tá aqui minhas redes. Esse e-mail eu coloco especialmente pra quem quiser contar a sua história, porque escrever é terapêutico. Em breve, eu vou estar junto com uma publicitária para a gente fazer um documentário sobre o burnout e tal. YouTube, Canal do Amo Tempo, Instagram, Isabela Camargo Real. Não é de realeza, é de realidade. E eu espero que os sonhos de vocês sejam maiores que os pesadelos. E a gente só tem sonho quando a gente dorme, não é? Muito obrigada pela atenção de vocês. Contem comigo. Foi só uma maneira... de colocar pra vocês as origens do que pode levar uma pessoa a cometer o suicídio. Obrigada, deputado. Que privilégio estar aqui. Conte comigo. E eu vou estar também no simpósio, né, coronel? Oitava, não vou estar mais. Dia 23 de setembro. E aí fazendo até um pouco mais de conteúdo. Vai ser um privilégio. Contem.
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








