Já pensou em tirar um período sabático? com Eberson Terra & Iara Vilela - EP 39 - ÏnteriorIza

Eberson Terra and Yara Villela discuss their book "Sabático: O Poder da Pausa" and why they took a sabbatical. They cover financial planning, mental health benefits, couple dynamics, and practical formats from volunteer work to travel, plus how to return to work afterward.
Chapters
O tempo ideal para planejar um sabático é aquele que você não sairá tão tarde a ponto da espera destruir sua saúde mental e nem tão rápido que um descuido destrua o seu patrimônio financeiro. Já ouviu falar de sabático? Aqui, ó, O Poder da Pausa. Nossa, que coisa chique, sofisticada, né? Só gente rica que pode fazer isso, será? Vamos ver com eles que estão rodando o mundo, nos mostrando que sim, é possível fazer uma pausa saudável, sustentável e trazendo muitos aprendizados para todos nós, não é? Eberson Terra e Yara Villela, bem-vindos aqui no Interioriza.
Obrigado, obrigado, é uma honra estar aqui.
Prazer é nosso.
Vocês estão vivendo na Espanha agora e estão aqui no Brasil para lançar esta belezinha que está nas minhas mãos, fresquinho, gente, o livro saiu em setembro, pensa bem. Sabático: O Poder da Pausa. Eu tive o privilégio de trazer aqui algumas frasezinhas, né, mas eu vou dizer para vocês o que está escrito inclusive aqui na capa. Eu me sinto muito honrada em poder estar aqui. "O poder da pausa me devolve a esperança e se mostra essencial para quem quer se reencontrar." Onde vocês estavam quando vocês decidiram fazer o sabático?
Bom, vamos lá. Primeiro, privilégio ter você aí fazendo uma recomendação na capa. Muito obrigado mais uma vez. Obrigado por ter feito o convite para a gente bater esse papo. Bom, o sabático nasceu na nossa vida. A gente não sabia, a Yara, a gente estava falando aqui fora das câmeras que a gente não sabia dar um nome desse incômodo que a gente sentia. Eu trabalhava como executivo de uma grande empresa, liderava mais de 2.500 pessoas na época, e um fato aconteceu para que a gente tomasse a decisão de mudar o jeito de lidar com a nossa vida, seja profissional, seja pessoal. A gente tava em desequilíbrio, essa era a visão, mas a gente não sabia exatamente como reverter esse desequilíbrio. Aí como jornalista, vai falar um pouquinho também a experiência dela. Mas eu entendi que nesse ciclo dentro da minha carreira tava prestes a acabar, né? Eu precisava entender pra onde eu iria profissionalmente e eu tomei a decisão então de deixar essa companhia numa posição de diretoria, eu era diretor, pra me reencontrar como pessoa, pra depois eu entender como seria o Eberson como profissional. Primeiro precisava me reencontrar como pessoa para depois me reencontrar como profissional. E aí veio o sabático.
Cara, eu acho sensacional porque em um contexto em que a gente vive, em que as pessoas têm tanto medo de pedir demissão, pedir demissão de empregos horríveis, né, que ganham mal, você como diretor não estava ganhando mal.
Não, não, pelo contrário. Muita gente falava: você é louco, por que que você vai? É, muita gente fala isso. Na verdade, é um efeito que a gente também viu muito grande que aconteceu durante a pandemia, que chama grande renúncia. Então muita gente tomou a decisão de realmente sair da empresa, que não tava se sentindo bem. O meu caso não foi por isso, óbvio. Eu tinha sintomas, por exemplo, de um pré-burnout, se a gente pode chamar assim. Mas a grande questão é que eu encontrei o momento certo de encerrar um ciclo. Eu acho que as pessoas têm essa dificuldade de encerrar ciclos. E o sabático é uma maneira, eu acho que é a maneira ideal de você encerrar bem um ciclo. Por quê? Porque a gente tem, vai criando hábitos ruins durante a carreira. Isso vai influenciando a nossa vida pessoal também. E o sabático é um jeito de você, na verdade, se livrar desses hábitos ruins. E pra isso você precisa de tempo, né? Você precisa de reflexão. Exato. E o sabático é assim. Muita gente relaciona sabático com viagem. Mas na verdade o sabático acontece dentro da gente.
É viagem, é o turismo interno. Exato.
Você pode também usar o sabático para se livrar desses hábitos ruins, de um emprego que não te faz feliz, mas não necessariamente você vai usar um sabático para viajar, para— ou só para pedir, só, como se fosse pouco, pedir demissão de uma carreira, de uma vida. Mas você pode fazer voluntariado, você pode ficar em casa lendo livros se é isso que te faz feliz, você pode fazer um curso de crochê, Você pode viajar o mundo, claro, mas é desde que você entenda que é um momento que você está tirando para você. Tem que te fazer sentido. É óbvio, muitas pessoas me chamaram de maluca, muitas pessoas mais ainda, na verdade, chamaram o Eberson porque ele tinha uma posição numa empresa, um cargo, um nomezinho na mesa, como o pessoal gosta de falar, né? E como assim você vai largar isso? Para fazer o quê? "Mas como você vai viajar? Você é maluco?" E, principalmente, as pessoas ao nosso redor, a gente não vem de família, a gente não é herdeiro, né?
Nem ganhamos na Mega-Sena.
Muito menos. Precisaria, mas não. Então, assim, a gente vem de famílias simples. Eu fui a primeira pessoa a fazer uma faculdade na minha família. Então, como assim vocês vão largar esse pequeno castelinho que vocês conseguiram construir Na verdade, foi a melhor coisa que a gente fez. Até hoje, óbvio, sabemos que o Brasil é um país desigual, a gente sabe que não é qualquer pessoa que pode pensar num sabático enquanto algumas pessoas estão pensando em comer na próxima refeição, em sobreviver. A gente sabe disso, que é um privilégio. Mas, podendo fazer isso, se você pode pensar nisso, se você tem esse privilégio de poder pensar num sabático, Ele realmente, a gente tenta não cair no clichê de que ele vai te mudar, etc., mas ele te muda. Não é um clichê. Você não sai a mesma pessoa.
É porque na verdade toda pausa faz com que você reorganize a bagunça. Toda pausa.
Sim.
Se ela for voluntária. Vamos lá.
Exatamente.
Eu gosto muito de trazer essa diferença. Ou você faz uma pausa voluntária, ou você faz uma pausa involuntária. Por experiência própria, por quem evitou as pausas voluntárias, porque achava que não precisava. E eu entendo que quanto maior é o salário e mais prestígio o lugar tem, mais difícil é você tomar essa decisão e abrir mão de tudo isso. Eu queria ouvir da Yara, Eberson, quando você fala de hábitos ruins, eu chamo isso de comportamentos tóxicos. Porque senão também a gente pinta o mundo e os lugares de cinza e as pessoas todas são ruins. Eu sou ótima. Mas a gente também tem comportamentos tóxicos. E a Yara é jornalista, né? Como o Jô. Oi, Yara. Quais são os comportamentos tóxicos que você acha que a gente vai nutrindo achando que não vai trazer consequências? Porque a gente ama tanto o que a gente faz. Quais são? Quais você descobriu tóxicos no sabático?
Uma lista, né? Desenrolar uma listinha aqui. Mas eu acho que muitas vezes a gente até já sabe, algumas pessoas falam pra gente, seja como casal, seja como amigo, e a gente não entende, a gente fala: "Ai, nossa, me encheu o saco, depois." Então assim, óbvio, cada um sabe a sua rotina de vida, sabe o que que casa pra você, mas é desde Eu não fazia exercício físico nenhum. Eu mal e mal falava com a minha mãe, não tinha tempo, não tinha paciência de ligar. Eu sou filha única, como que eu não vou ter paciência para ligar para minha mãe, conversar com meu parceiro? E a gente chegou num ponto que estava dos dois lados, a gente meio que não se conversava, cada um estava Vivendo rotinas insustentáveis.
Mas o que você estava fazendo muito para estar fazendo menos para si e para o relacionamento?
Sempre trabalhando. Eu acho que quando você— Acho que a gente tem que separar assim. Quando você— É normal que a gente trabalhe, trabalhe bastante. O problema não é trabalhar. Mas quando a sua vida, você, É só o seu trabalho, eu acho que isso a gente sempre vai apagando um pouquinho de quem a gente é. Todo dia a gente apaga um pouquinho mais, apaga um pouquinho mais, vai deixando lá no fundo da gaveta, vai ficando empoeirado. Então, se você é só o seu trabalho, se você é: "Eu não sou Yara, eu só sou jornalista, eu só sou a jornalista que trabalha no veículo X, eu só sou a..." a diretora, a chefe, a qualquer coisa que você queira dar um nome, se eu só sou isso, se a minha vida fora dali não tem sentido, valor, graça, senta, reflete que talvez você não esteja num caminho legal. Você pode não ter chego ainda no ápice do que te incomoda, mas você vai chegar em algum momento.
As pessoas, eu acho que estão se acostumando a querer enriquecer como profissional e acaba se empobrecendo como pessoa. Quer dizer, você tem uma dicotomia entre o esforço que você tem para virar um bom profissional e você gasta muito tempo com aquilo, mas você não gasta o mesmo tempo para ser uma boa pessoa. E as pessoas acabam empobrecendo como pessoa por isso. E essa rotina que a gente tem extenuante de todo dia e etc., vai apagando realmente, como a Yara falou, quem a gente é.
E a gente vai acostumando a trabalhar 8, 10, 12, 14, 15 horas de dia.
Mas vamos lá, um dia ou outro, um dia ou outro, tá tudo certo. Todos nós já vivemos situações em que nós vamos trabalhar mais. Por exemplo, nós estamos gravando este episódio no mês de setembro, quando o livro foi lançado. Setembro é um mês que eu e Isabela trabalho Muito. Setembro para mim é dezembro para o Papai Noel. O que eu preciso fazer sabendo disso? Poupar minha energia, poupar discussões, evitar conversa fiada, evitar fofoca, fake news, etc. Tudo que eu tiver que perder energia, eu seguro.
Você planeja para isso.
É como se o Papai Noel chegasse em setembro sabendo que tem dezembro pela frente, quisesse fazer um freela lá de outro personagem. Então, nós Adultos precisamos saber qual é o período que você mais vai trabalhar, se tem alguma coisa adiante já planejada para você se resguardar. E a gente vai perdendo a mão nesse fazer, fazer, fazer, vai aceitando, aceitando, aceitando e a saúde vai gritar.
O Eberson, ele fala, ele dá um exemplo muito bom, eu sempre acho muito bom. Vão ter momentos na sua vida que o seu foco é o trabalho e é normal. Quando você está começando uma carreira, você quer, você vai.
Ou se recolocando em outra.
Ou se recolocando, é normal. Tem períodos da sua vida que você vai ter que trabalhar horas e horas e horas, e é normal, e a gente tem mesmo. Agora, se você vê que ao longo dos últimos 5, 8 anos você só é o seu emprego, acho que daí é o horário, eu acho que é É a hora certa de você refletir sobre como você está levando.
Eu queria ouvir agora do Eberson a questão do dinheiro, porque eu comecei falando assim: "Será que sabático é coisa para rico?" Eu usei um termo que é como se fala, né? "Ah, isso aí é coisa de gente rica, né, Eberson?" É ou não é?
Eu acho que o brasileiro tem essa visão ainda. É claro que muita gente associa o sabático a esse movimento de viagem, Que é o tanto que a gente quis falar, de bater na tecla de que sabático é uma experiência de reflexão em que você não tem, você pode fazer qualquer coisa, por exemplo, aprender, obviamente, a gente traz no livro a referência do Domenico De Masi que faleceu recentemente, falando sobre o ócio criativo e na verdade o que a gente está falando do período sabático é de você não ter É uma preocupação naquele momento de reflexão com a parte laboral, mas não tem nada a ver com viagem. Então, quando a gente fala de pausas, as pausas voluntárias, que é o ideal quando você se planeja, óbvio, é interessante que você tenha um planejamento financeiro para passar por esse momento sem eventualmente uma receita vindo de um emprego formal.
Exato.
E também que essa reserva financeira também seja feita para o período do retorno do sabático. Muita gente acha assim: "Ah, eu vou passar um período estudando, fazendo um intercâmbio", que é o que a maioria das pessoas no exterior hoje fazem. A gente vê nos Estados Unidos, na Europa, os jovens fazendo o período sabático antes de entrarem na faculdade e fazem o intercâmbio, etc. Obviamente, tem os recursos ali do pai, né? Para a gente que já está trabalhando e tudo mais, a gente precisa de uma reserva de retorno, porque a gente vai precisar se se recolocar e você não sabe quanto tempo você vai demorar para se recolocar no trabalho. Então eu acho que a gente tenta desmistificar um pouco no livro a questão de ser só para elite esse assunto, porque a gente pode fazer a reflexão de acordo com as suas possibilidades. O que que é o luxo para você? É uma pergunta que a gente traz. Pode ser que seja ter a tranquilidade de tomar um banho quente porque tá inverno, mas você não se preocupa em, por exemplo, Dormir algumas noites num colchão no chão. Então depende muito. O sabático pode ter um preço exorbitante para quem tem muitos luxos e pode ser algo simples. E a gente remete isso muito quando a gente fala do voluntariado, das questões espirituais. Muita gente faz o sabático para um retiro espiritual. Muita gente a gente vê também fazendo o Caminho de Santiago de Compostela, por exemplo. Enfim. Então depende de cada um, desde que saiba que o sabático precisa ter um objetivo. E o objetivo é ter uma reflexão de vida para encontrar esse equilíbrio. Quando vocês estavam falando sobre equilíbrio, muita gente acha que equilíbrio é 50/50. 50% uma coisa, 50% outra. É variar o tempo inteiro. Exato. Pode ser que um dia seja, você está começando numa nova empresa, vai ser 80%.
80/20.
80/20, então é variável. O importante é saber dosar corretamente esse equilíbrio de acordo com a vida. É o que muita gente não está conseguindo fazer hoje.
Mas a parte financeira é o que muita gente pergunta pra gente. Então, alguns anos antes, a gente nem tinha o nome que a gente ia tirar um sabático, só que a gente queria um tempo, ele ia pedir demissão, ele... Tem um livro que eu conheço chamado "Dá um Tempo".
É, que coisa!
Quem diria?
E dar um tempo parece que é um crime, né? Então, veja, vocês não sabiam que o nome que vocês dariam para aquele incômodo que vocês estavam sentindo, que aquele estilo de vida era insustentável, ponto. Ou seja, não dá para continuar assim. Se a gente vai mudar de cidade, de emprego, ou se nós vamos parar um pouquinho para recalcular a rota, Não sabemos.
Então, o que a gente fez? Como pessoas que não são herdeiras...
E nem ganharam na Mega-Sena.
E nem ganhamos na Mega-Sena, a gente começou a guardar dinheiro.
Boa!
O que a gente podia... A gente fez nossa planilha ali, o que dá pra guardar mais? Vamos guardar mais. Então, onde a gente podia economizar, a gente começou a economizar.
Que legal!
Para, corta para alguns anos depois, a gente... "Chegou a hora", a pessoa falou assim: "Chegou a hora, tá meio..." Quanto tempo de planejamento?
3 anos.
3 anos e meio, mais ou menos. 3 anos. Falou assim: "Chegou a minha hora e eu vou pedir demissão, tá assim, assim, assado e para mim o melhor caminho é eu sair". Falei: "Respirei fundo, falei: 'Tem certeza?'" "Tem." "Bora, então é isso." Porque eu já estava numa... Uma fase que eu já era freelancer, eu já trabalhava de casa. Então eu já não estava mais numa companhia formal, num trabalho formal, digamos assim. Então foi daí que a gente começou a pensar: a gente vai viajar?" Nós não tivemos oportunidade de fazer intercâmbio como muita gente faz. "A gente vai fazer um intercâmbio já passado dos 30?" "O que a gente vai fazer?" Então foi daí que a gente foi encontrando o sabático, chegou até a gente nesse momento.
E uma coisa interessante é que a gente buscou naquele momento, que o início do nosso planejamento foi em 2015, a gente não achava nada sobre como fazer o planejamento de um sabático. E aí veio isso.
Agora veio.
Agora temos o planejamento de um sabático. Uma vez eu entrevistei o Elisandro Guanais e a gente estava falando sobre esse assunto e ele falou assim: "Faz sabático de um dia." Sabático, eu já ouvi que é assim, é quando todo dia é sábado.
É uma crença...
A gente ouve algumas coisas assim. Eu acho curioso quando a gente fala sábado todo dia. Sábado é uma delícia. Mas eu também sei que num período sabático não foram todos os dias delícia. E vocês como casal devem ter tido muitos desafios, porque aí nós estamos falando de inseguranças e angústias de ambos.
Sim.
Diferentes?
Eu acho que foi um pouco mais suave porque nós estávamos em momentos diferentes. Ele começou o sabático num período, eu comecei alguns meses pra frente, porque eu ainda tava num trabalho que eu ainda—
Se desligando.
Me desligando, que eu tinha entregas ainda por alguns meses. Então, eu acho Acho que ele foi se despressurizando primeiro, que ele realmente tava numa fase muito difícil psicologicamente, muito abalado e tal. Então ele foi se despressurizando.
Legal.
E eu fui vendo o que que tava funcionando com ele e não também. E quando chegou a minha vez, tava, pra mim já tava mais tranquilo, tava, foi mais fácil. Então pra ele foi mais pesado.
E tem que ter planejamento, que imagina você sair de uma rotina em que você tem 5 reuniões, falando com 200 mil pessoas. Aí, de um dia para o outro, você...
É o dia mais estranho da sua vida. É o que eu falo isso no livro. É o dia mais estranho da sua vida.
Tipo assim: "E agora?" "Onde eu vou colocar minha energia?" "A primeira e a segunda-feira foi terrível.
E aí?" Foi muito louco. Porque foram 12 anos nessa, desse jeito. Exatamente. E aí, eu conto isso e eu acho que esse é o principal sentido do sabático. Quando a gente falou aqui de hábitos ruins, comportamentos tóxicos e etc., é de você conseguir analisar esse hábito ruim e não transferir para outra coisa. Então eu dou o exemplo, eu cheguei a um momento muito próximo da minha saída, de eu acordar de madrugada para ir no banheiro e eu olhar no celular para ver se tinha algum e-mail corporativo com alguma urgência para fazer.
Sério que você faz parte daquela estimativa de pessoas que levam o telefone quando faz xixi de madrugada?
Fazia. Não faço mais.
E você que está acompanhando a gente, conhece alguém assim? Eu conheço uma pessoa. Mora, inclusive, comigo. Não é a Angelina, né? Que vai no banheiro de madrugada e pega o telefone. Que isso, gente?
Só que eu transferi esse hábito ruim. Eu parei de olhar o e-mail corporativo, porque eu não tinha mais e-mail corporativo. Para quê? Para rede social. Então o hábito, eu fui carregando o hábito ruim pra outras coisas. Então foram meses pra tentar acabar com esse hábito ruim.
Pra desmamar.
Pra desmamar, exatamente.
É intoxicação mesmo. Total. É real.
Isso é maravilhoso vocês estarem falando, porque não é de um dia pro outro que a gente começa a se viciar, assim como não é de um dia pro outro que o detox acontece.
Sim, até porque as pessoas falam: "Ai, saí de sabático. Ai, segunda-feira minha vida agora é normal, passarinhos cantam." Não. Aí eu acho que o primeiro mês ele é punk, porque daí você não sabe mais que personagem você é. Porque tem a parte do trabalho que você já não é mais, mas aí você quer saber o que estava acontecendo, você sente falta dos colegas, do cafezinho.
Total.
E é normal.
E aí vive luto, né? Porque luto, perda de vínculo. Então, quando a gente deixa um trabalho, uma pessoa deixa de trabalhar conosco— Eu vivi isso há pouco tempo. Uma pessoa que eu tenho grande estima não trabalha mais comigo. É um luto. Eu não queria que isso tivesse acontecido, mas aconteceu. E quando a gente toma decisões que você quer que aconteça, é luto também. Então, acho que isso fica muito forte para mim aqui no livro de vocês, essa responsabilidade Com o que a pausa vai provocar, não só do lado positivo, mas pelo negativo que você também vai ter que passar.
Dói, dói. E é isso, acho que toda jornada de autoconhecimento, ela carrega com ela muitas alegrias que você vai melhorando, você vai chegando no lugar que você gostaria de chegar, mas ela também carrega um pouquinho de dor.
Claro!
Ela também carrega um pouquinho de frustração. Então, é maravilhoso você sair num sabático, seja pra viajar, fazer voluntariado, ficar em casa, mas todo dia, quando você tem aquele momento de reflexão, vai ter um incômodozinho, vai ter uma dorzinha, que você vai ter que— é o momento que você tem que ser sincero com você.
É o momento de levantar o tapete, ó, chacoalhar e— Vamos fazer essa faxina.
Toda poeira que você passou anos jogando ali embaixo, É o momento de limpar tudo, é o momento de limpar tudo. Fácil não é, porque todo momento de autoconhecimento, de desapego é dolorido. Mas eu acho que só assim a gente também está pronto, inclusive, para voltar para o mercado como um profissional melhor. Tem uma parte aí do livro que eu conto muito brevemente Diz a fofoca literária que o sabático entrou no mundo corporativo através de um professor. Uma universidade grande dos Estados Unidos queria contratar um biólogo e ele falou assim: "Ok, eu vou, mas desde que a cada 7 anos trabalhados", que vem do sabático mesmo, que a gente também explica no livro, mas a cada 7 anos trabalhados, "eu quero 1 ano Não remunerado, porque como ele era filólogo, então ele precisava fazer explorações longas, como que uma determinada planta se comporta primavera, verão, outono, inverno. Ele precisava fazer isso.
Só vira campo.
Pra ele inclusive ser um profissional melhor também.
Perfeito.
Então tem a parte pessoal, claro que sim, mas pra ele continuar sendo um profissional bom, pra ele ser melhor, pra ele ter mais conhecimento e passar mais conhecimento adiante como professor, ele precisava desse tempo também. Então, acho que quando a gente para para pensar num sabático, qualquer que seja o seu propósito, é algo que também vai te ajudar a retornar como um profissional melhor, como uma pessoa melhor, obviamente, com a sua família, com seus amigos, consigo mesmo, mas como profissional também.
Mas eu acho que a gente precisa também olhar o lado das empresas. A gente está falando muito da gente, que eu acho que é o mais importante, óbvio. Mas as empresas estão olhando com bons olhos quem sai no período sabático? Qual foi o efeito final da grande renúncia que tanta gente nos Estados Unidos e no Brasil tomou a decisão, muita gente tomou a decisão de sair de um emprego também que estava relativamente confortável, talvez um ambiente tóxico, mas confortável financeiramente e salário caindo. O que a gente percebe, a gente entrevistou também algumas empresas, de que talvez seja melhor você perder um bom talento, um grande funcionário por algum período, mas tê-lo de volta, do que você perder ele para sempre, para ele sair em um período sabático e quando ele voltar para o mercado, ele não queira voltar para a sua empresa porque você não deu a chance para ele sair em um período sabático. E existem empresas hoje que estão inserindo isso como benefício, seja não remunerado, mas que mantém talvez o benefício de seguro saúde, né? Enfim, tem empresas fazendo isso.
Eu me lembro quando eu trabalhava na Globo, teve um rapaz que ele tirou 6 meses de licença não remunerada, ele foi para a França e aí quando ele voltou da França, ele foi recontratado. É bem isso mesmo, olha que interessante. Gosto muito, é melhor você Dá chance. É igual relacionamento, né? A pessoa acha que tá horrível ali, aí você fala: "Tá bom, vai pra vida." Aí a pessoa vai, volta, entende que é comigo, né? Não é o mundo que tá estranho, sou eu que preciso me reorganizar.
É isso.
Casal mais lindo que já veio neste programa. O nosso tempo tá acabando. Mas eu tenho aqui em mãos um livro, já que nós estamos falando já quase do fim do ano, que vai ser bacana você dar uma pausa e entender se você precisa fazer uma pausa micro, média ou longa. E às vezes por evitar micro pausas, descansar, a gente depois tem que fazer uma pausa bem longa, bem forçada.
O sabático, a gente fala isso no livro, que o sabático ele não é férias. Você não vai resolver sua vida em 30 dias. Aliás, você não resolve em 6 meses, você não resolve em 1 ano. A vida é sempre problemas montanha-russa, problemas surgem, problemas são resolvidos. Mas é muito importante que, apesar de que não são férias, também não é o ano sabático. Você pode tirar 3 meses, 6 meses, 1 ano, vai de acordo com o que você quer e com o que você pode tirar, né? Financeiramente, a gente fez as contas, nossa viagem durou 6 meses, a gente ficou mais tempo de sabático, mas assim, a viagem em si durou 6 meses, porque era o que a gente conseguia bancar. Você pode bancar uma viagem maior, uma viagem menor, você pode fazer de acordo com o que fica melhor para você. Mas funciona.
Funciona. Eberson, olha bem para essa câmera aqui e diga por que eu preciso ler "Sabático".
Eu acho que todo mundo precisa em algum momento da vida ter um momento para si, para reflexão, para descomprimir da nossa vida. Então eu acho que o "Sabático", esse livro especificamente, ele é um dos poucos livros em língua portuguesa que trata de planejamento e também sobre a volta, porque não basta só sair, você tem que voltar. E é algo que a gente realmente não encontrou quando a gente— Existem livros fantásticos sobre experiências de período sabático, porém a gente vê pouco com dicas práticas de como fazer mesmo o seu planejamento e como você retorna para o mercado depois que você sai do período sabático. Então a gente tentou trazer isso tudo no livro. Fica a dica para o pessoal que quer em algum momento da vida, não tem idade, não tem momento, É o momento que você achar adequado.
E o incômodo, ele precisa ser visto como um convite.
Concordo.
Outro dia eu estava conversando com uma terapeuta e ela disse assim: "A dor carrega a cura." Ou você vai ouvir a dor, porque ela é um convite para você resolver algo que está acontecendo, ou você só vai jogando debaixo do tapete e depois vai ficar pior, né? E aí, quando eu pego assim um roteiro Sonhando com os pés no chão é isso, é parar de julgar aqueles que fazem justamente porque eu não tenho informação, me informar melhor e: "Opa, pode ser que eu me beneficie disso. Se eu não conseguir fazer um ano, eu posso fazer um mês ou eu posso fazer uma semana? E se eu fizer um dia?" Ah, quem está me acompanhando sabe que quando escreve para mim, aí eu falo assim para as mulheres: "Yara, você já experimentou reservar um hotel só para você um dia? Um dia?" Se tem filho, pede pro marido, deixa pra quem você puder. Tenha um dia só pra você. Um dia! Isso não é privilégio, isso é direito. Pausa é direito, não é privilégio. Gente, o carro já é... O carro que sempre foi mecânico hoje é automático e continua com o pedais de freio e acelerador. O que isso significa? Que precisamos frear para continuar acelerando. Eu tenho uma frase que é o desacelerar para continuar em movimento. Vocês desaceleraram para agora. Voltarem para o rolê. Vocês querem voltar logo? Como é que vocês estão? Já voltaram?
Então, a gente tirou em 2018, já tem um bom tempo. Só que o mais importante é que a gente voltou como outras pessoas, tanto que eu não voltei para o mercado.
Então...
É assim, eu fui trabalhar com algo que realmente me fazia feliz e que eu tinha, que me mantinha nesse equilíbrio. Então, não voltei para o mundo corporativo. E não quero voltar. Descobri isso.
No Samara.
E você, Laura?
Eu não voltei para a redação, eu continuo como jornalista, só que eu escrevo sobre turismo.
Maravilhosa.
Mas eu não voltei para a redação.
Algumas pessoas pode ser que vão te perguntar, tá? Como perguntaram para mim: "Nossa, você é uma jornalista, né?" Eu não, jornalista eu sou, eu só não estou trabalhando para uma emissora X ou Y, né? Agora também nós temos essa possibilidade, a tecnologia nos dá esse direito. De sermos os nossos próprios veículos. Casal, que bom que vocês pararam para agora continuar disseminando essa informação de saúde mental, porque tudo isso que nós estamos falando reflete na saúde mental.
Sempre.
Obrigada mais uma vez. Obrigado. Que vocês tenham muitas pausas voluntárias, muitas pausas voluntárias, e que vocês levem o poder da pausa cada vez para mais pessoas. Obrigada. Se você— Ah, redes, redes, redes de vocês, por favor.
Legal. Eu tô sempre no LinkedIn.
Top Voice, gente, olha que coisa chique.
Minha companheira Top Voice também, parabéns.
Não sei nem o que que faz com isso. Me tornei Top Voice esses dias.
Foi por conta do Setembro Amarelo, né?
Top Voice, equilíbrio vida e trabalho.
Que legal.
E posso já fazer uma correção? Eu avisei o pessoal do LinkedIn, eu falei: "Gente, vamos lá, então tá, então agradeço." Mas, ó, equilíbrio vida e trabalho. Não existe, vida é uma só, é equilíbrio objetivos pessoais e profissionais, porque vida é uma só. Mas ok, aceito e quem sabe também vou poder alterar esse título. Bora, Eberson, além de LinkedIn Top Voice, onde a gente te encontra?
Eu estou no Instagram @ebersonterra, só tem eu lá, você não vai encontrar outro Eberson Terra, e no LinkedIn também, basta digitar Eberson Terra com E, B de bola, Eberson Terra, eu estou por lá.
Yara Villela, @viajandoaprendi. Viajando aprendi.
Estou lá, @viajandoaprendi.
Maravilha. Eu aprendi bastante com vocês. Obrigada mais uma vez. Obrigado. Você que nos acompanha até aqui, curtiu, já sabe, né? Compartilha então com quem você quer bem e a gente se encontra no próximo Interioriza.
Até mais.
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