Jornalista da IstoÉ, Luiz Pimentel fala sobre desafios de manter corpo e mente em equilíbrio - Ep 19

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a YouTube video titled "Jornalista da IstoÉ, Luiz Pimentel fala sobre desafios de manter corpo e mente em equilíbrio - Ep 19" created on June 25, 2024. It features a conversation in Portuguese between Isabela Camargo and Luiz César Pimentel, a journalist and editor at Isto É. They discuss Pimentel's career, personal experiences with burnout, and the importance of lifestyle medicine. The conversation touches on mental health, societal pressures, and Pimentel's work, including his book "Manual do Estilo de Vida."
Chapters
Oi, bem-vindo ao Interioriza, um programa em que a gente sempre discute ideias, assuntos que já passaram do tempo da gente interiorizar, assimilar. E hoje eu tenho o privilégio de trazer aqui o Luiz César Pimentel. Quem é Luiz César Pimentel? Conta pra nós.
Profissionalmente ou na vida?
O que você quiser.
Tentar ser mais objetivo sintético. Eu sou jornalista de formação, eu trabalho... eu comecei na Folha de São Paulo, passei por Carta Capital, muitos veículos online e hoje eu sou editor da revista Isto É. Tenho também alguns livros publicados, Três Filhos.
Vegetariano.
Vegetariano.
Porque gosta muito dos animais, hein? Atenção.
É, desde 97 por conta disso. E resumidamente é isso.
É, e faltou só uma coisa, tá? E do bem. Porque eu poderia dizer, o Luiz é jornalista, escritor, passou por várias revistas, por várias transições do analógico para o digital. Eu encerraria com do bem. Bem-vindo.
Aí eu deixo pra você o elogio e agradeço. Obrigado por chamar.
Bem-vindo, Luiz. Tô muito feliz em estar contigo porque desde que nós nos conhecemos, há alguns meses, eu sempre quis te trazer pro interioriza. Porque você tem muito repertório, então você pode ensinar muita coisa aqui pra turma que tá nos acompanhando. E você tem passagens na sua vida profissionais que te levaram pra lugares muito legais. E mesmo assim você viveu circunstâncias com a sua saúde que te fizeram pensar, opa, não é por aí. Quais foram esses episódios que te fizeram recalcular a rota, que fizeram você pensar, opa, eu preciso cuidar também de mim?
O primeiro grande episódio foi quando eu trabalhava nos anos 90 ainda, num ambiente ainda completamente analógico. e que eu tive uma grande crise que, na época, não existia o diagnóstico para tal. Eu tive várias opiniões e não se chegou a uma conclusão.
O que você sentia?
Eu tive como se o motor estivesse em altíssima rotação, em altíssima rotação, e era muita pressão profissional, muita, assim, exageradamente. E o motor, ele girava, girava, girava, e eu achava que eu dava conta, que eu dava conta, porque era aquilo que eu queria, era aquilo que eu gostava. De repente, Não é que o motor fundiu, ele entrou num estado de... Ele baixou totalmente o meu nível energético e começou a funcionar só de maneira vital.
Modo sobrevivência.
Modo sobrevivência completo e eu não consegui entender aquilo, porque não me despertou um bloqueio, como alguns médicos queriam tratar, como se eu tivesse entrado numa crise de depressão, algo do tipo, eu não estava deprimido, eu não tinha indisposição, eu não tinha paralisia. Eu queria continuar fazendo, só que minha cabeça, ela não respondia à aceleração. E aí foi que deu uma primeira grande virada, não sei porquê, eu decidi ir para a Ásia e ficar um ano viajando como correspondente internacional para veículos do Brasil.
Você teve essa oportunidade?
Eu criei essa oportunidade, na verdade. Eu tinha um dinheiro guardado, eu criei a oportunidade para que eu fosse sem um estabelecimento de data de volta, Porque eu vejo agora, em perspectiva, que eu estava me cuidando, fugindo de algo que estava me adoecendo completamente. E foi a minha cura na época.
Quantos anos você tinha?
26. 26 para 27. E uma década depois, somente quando eu tive uma outra grande crise, que foi diagnosticada... exatamente uma década. Em 2009 foi quando eu fui diagnosticado com burnout. Daí eu falei, o que significa esse tal burnout? Aí tudo fez sentido na minha cabeça de uma década passada. e para o meu futuro profissional. Daí eu comecei a entender, eu comecei a ter informação sobre como você deve conduzir de maneira saudável a sua vida.
Ou seja, você teve um freio quando você tinha 27 anos. Você teve um freio, ou seja, o seu motor, que estava em alta rotação, ficou em baixíssima rotação, modo sobrevivência. Aí você foi para a Ásia, criou sua oportunidade, trabalhou também muito, provavelmente, porque era uma nova língua. Por mais que você tivesse saído daquele contexto brasileiro, em que te trazia também algumas consequências que não eram tão boas, na Ásia você teve também um monte de adaptação. Mas isso fez com que você perdesse energia ou ganhasse energia?
Na Ásia, eu renovei completamente.
Pronto. Aí, aos 37 anos, você tem um outro freio. Nesse momento, você tem um diagnóstico. Síndrome de burnout. Foi aí que você começou a se interessar mais pelo estilo de vida. Eu posso dizer que esse livro aqui, o Manual do Estilo de Vida, em que você faz com o querido doutor estilo de vida, doutor Fábio César dos Santos. Beijo. manual do estilo de vida, então foi com esse freio aos 37 anos que você virou a chave para o seu estilo de vida?
Foi exatamente com o Fábio, porque foi ele que fez esse diagnóstico, ele já estava trabalhando no sentido da medicina do estilo de vida, que é não ortodoxa, que você busca pilares como controle de estresse, sono, alimentação, atividade física, relacionamentos, que ele já vinha estudando fora do Brasil porque não era algo Falado aqui. Até pela nossa condição de sociedade, uma sociedade que vem dessa coisa muito católica de ter que se esforçar ao máximo, de ter que se... Você tem que sofrer para conseguir as coisas. Então, o mérito vem pelo sofrimento. A gente vem muito disso. E isso, graças a Deus, vem sendo quebrado. E foi daí que nasceu a minha amizade com o Fábio, a gente faz coisas desde então, a gente fez o livro, e a gente tem planos agora de fazer mais e mais coisas, justamente por conta desse conhecimento que ele tem, científico de tudo, pelo conhecimento prático que ele tem, que ele coloca na vida dele todos esses preceitos, e pelo meu conhecimento empírico, de ter vivenciado isso e jornalístico de tentar comunicar isso da melhor maneira possível.
Não preciso nem dizer, né, gente, você que já me conhece, o quanto eu estou aqui, ó, aplaudindo, né, a fala do Luiz. Muito interessante, eu tô tentando fazer aqui a linha do tempo até a gente chegar agora, tá? O Luiz tá com 53, né, Luiz?
Isso.
Aquarianos, tá? Não tem dúvida nenhuma, porque ele é do primeiro dia de aquário.
É, 22.
É 22 de janeiro, enfim. Então, Aquarianos, temos uma profissão em comum, uma curiosidade, um desejo pela vida muito comum. É em comum, inclusive. E aqui no livro, então, é curioso quando você fala que muitas aspas desse livro são de profissionais de fora do Brasil.
Bem como você está dizendo.
Aqui ainda... Parece que é uma utopia isso.
Exatamente.
O estilo de vida é o melhor remédio que existe e o único adequado para pessoas de todas as idades em qualquer estado de saúde. É o único remédio que pode adicionar anos à vida e vida aos anos. ao ajudar mais pessoas a acessar essa poderosa verdade, o doutor Fábio dos Santos, junto com o Luiz, estão fazendo uma importante contribuição para a saúde pública, pela qual eu agradeço e felicito. Esse é o doutor Davi Katz. Ele tem tanta sigla aqui de PHD, MD, MPH, FACP, enfim, gente, é um livro que é importante você saber que existe. Ó, o doutor Fábio é esse aqui, ó. Esse é o doutor Fábio. E o doutor Luiz, ó... E o Luiz está aqui na nossa frente, na interioriza. Ô Luiz, aí você começou a... abrir a mente para a questão do estilo de vida. Até então era uma bobagem falar sobre isso, na sua opinião? Você estava ligado só em trabalhar, trabalhar e ganhar dinheiro?
É, não exatamente. Eu não vivenciava aquilo profissionalmente, mas na minha vida pessoal eu comecei a ter que, antes disso, eu comecei a ter que elaborar muito o que tinha acontecido anteriormente, como eu estava conduzindo as coisas, o que tinha acontecido naquele momento, para eu seguir em frente numa condição digna comigo mesmo. Não estou falando, não estou demonizando o trabalho. A gente tem uma enorme responsabilidade nisso, no ponto de você justificar os fins pelos meios. Então, a questão é que eu estava elaborando, porque não tinha muita comunicação disso, por conta própria, tudo que eu tinha feito, o que tinha acontecido comigo, o que vinha acontecendo com as pessoas, e também uma... eu acho que é preciso colocar uma... a gente precisa analisar tudo sob um ponto de vista meio sociológico, porque A primeira crise que eu tive de burnout é num mundo totalmente analógico. Então, eu pensei o seguinte, ela está totalmente relacionada ao trabalho, por quê? Porque ela veio de um esforço sobre-humano que eu fiz, sobre-humano sobre a minha pessoa que eu fiz naquele momento, para tentar estabelecer um patamar profissional para mim, que era o meu grande desejo. Então, tudo valia a pena. Só que era uma época em que a gente não era tão sobrecarregado por fatores externos como é hoje. Então, acho que tem que colocar tudo isso em perspectiva. Se você pensar que nos anos 80 e começo dos anos 90, você tinha um impacto de informação diário de cerca de 2 mil informações que você recebia e trocava por dia. E que se você colocar isso hoje, com toda a aceleração de smartphone, de respostas que você tem que dar pra todo mundo o tempo todo, tem que estar sempre disponível, multiplicou por 5 isso. Não é humano se a gente quisesse se adaptar a um mundo em que você tem 10 mil impactos de informações diariamente. Nenhum humano sobrevive impune a isso. Então, a gente tem que colocar as coisas na devida perspectiva. Por isso que é muito importante você começar a se conhecer e conhecer o mundo que te cerca, porque senão você vai ser completamente engolido pelo... pelo sistema.
E o sistema, é importante só trazer, ele não é nem bom nem ruim, simplesmente ele é. A gente tem que lidar com os fatos como eles são. Então se antes nós tínhamos duas mil informações por dia, na década de 90, e hoje nós estamos expostos a mais de 10 mil informações por dia, isso é um fato. Então os acessos mudaram, isso é um fato. E o que eu percebo, Luiz, é que muita gente está atribuindo a sua falta de saúde ao excesso das coisas, ao excesso de informação. Mas isso é um fato. Aí você trouxe agora uma palavrinha que eu adoro, que é autoconhecimento. Você virou essa chave, começou a ter mais autorresponsabilidade em que momento da sua vida?
Pra falar a verdade, a partir da minha quarta ocorrência, que também foi uma crise de burnout em 2017, que eu já vinha trabalhando há oito, nove anos numa função executiva numa grande empresa de comunicação. E aí, no meio desse... Essa vivência toda de oito, nove anos, eu tive três filhos e eu tinha uma carga de responsabilidade grande no trabalho. Então, eu acabei me convencendo de que eu precisaria dar conta de tudo.
Você já tinha quantos anos aí? 2017?
46. Eu sou de 71. 46. E aí, foi a minha maior virada de chave. Mas isso a partir de 2015, eu tive essa maior virada de chave. Porque foi uma época que eu comecei a estudar também, por conta de toda essa vivência tateando o mundo da saúde, muito interesse no mundo da saúde mental e muito interesse na melhor forma de comunicar isso. Eu comecei a buscar quais eram as alternativas para que as pessoas pudessem melhorar por conta própria. Eu acho magnífico a indústria farmacêutica ter avançado ao ponto de conseguir sedar esse sofrimento, mas na minha cabeça, Eu estou talvez entrando em uma outra Seara, mas na minha cabeça é muito interessante que a indústria consiga medicações para cessar grande parte do sofrimento mental das pessoas. Vem em um crescimento alarmante a questão de depressão, ansiedade, estresse pós-traumático. pandemia só piorou isso, a gente tem que lidar com tanta coisa, mas na minha cabeça era o seguinte, a gente tem fluxos de pensamento, se a gente colocar a depressão como um fluxo de pensamento, um looping de pensamentos voltados para o passado, você tenta resolver o seu passado através desse looping de pensamentos infinito. A ansiedade, você tenta resolver o seu futuro através desse looping de pensamentos E aí eu comecei a tentar estudar como a gente poderia, porque os pensamentos são caminhos mentais que a gente traça, a gente abre estradas para eles na nossa cabeça. E nessa época eu comecei até a estudar o uso de psicodélicos no tratamento da tristeza, que seria um livro que eu estava fazendo apuração para esse livro. Estava bem avançado em pesquisa sobre isso. Eu sei que tem muita pesquisa sobre isso. Mas eu acabei parando por conta de outros compromissos profissionais e também porque ainda não estamos num... numa maturidade suficiente, científica, para nós determinarmos que é possível criar novos caminhos mentais a partir de outras substâncias que foram demonizadas lá atrás, nos anos 70, por conta, a gente estava falando até de guerra aqui, o Richard Nixon era o presidente dos Estados Unidos, a gente estava avançando no caminho de novas soluções de psicodélicos para para tratamento de condições como, desde depressão, ansiedade, estresse pós-traumático de guerra, até alcoolismo, vício em drogas. Só que ficou muito associado aos pacifistas da época, como se eles estivessem fazendo tanto o uso recreativo daquelas substâncias e o cara pensando assim, pô, os Estados Unidos ele prolifera só em situações de guerra, indústria armamentista, a gente tem que fomentar a situação de guerra pra estabelecimento de poder. E esses hippies aí malucos, eles vêm com esse, de onde vem esse paz e amor deles? Essa conversinha.
É.
E aí ficou... foi demonizado por longos 30 anos, dos anos 70 até o começo dos anos 2000, quando voltou a se estudar esses novos caminhos. E eu comecei a estudar também, então o meu interesse vem em tudo disso.
Tá bom. Você trouxe aqui a questão do fluxo dos pensamentos para frente, para trás, e o fluxo também aqui no presente. A doutora Ana Beatriz, uma grande psiquiatra aqui do Brasil, ela fala, né, o estresse é excesso de presente, depressão é excesso de passado, ansiedade é excesso de futuro. E você falando aqui sobre o seu estudo, muito provavelmente já já você retoma, porque a neurociência tem explicado muito isso, né, o quanto a gente pode criar novos caminhos neurais, E aí agora eu vou dar um salto, tá? Você que está em multitarefa, presta atenção. Porque o Luiz teve um episódio, um freio, aos 27 anos, depois aos 37, depois perto dos 47. Por que eu estou fazendo essa linha do tempo? Você acredita que nós, como comunicadores, tudo é um campo magnético, né? A gente também está atraindo para nós, e eu digo eu e você como comunicadores, esses temas, Porque tem outro livro aqui do Luiz, presta atenção agora a conexão, Jesus, uma reportagem. O Luiz estava me explicando os bastidores, quero até que você traga um pouquinho mais, como foi... o que você estava buscando ao fazer esse livro. E quando a gente vai buscar os fatos históricos, a gente vê quantas pessoas, quantos fatos foram ensinados para a gente de maneira errada. Luiz estava me contando que Maria Madalena, a igreja católica só retificou, ou seja, só corrigiu o papel dela, que não era uma prostituta, em 1969. Mas aí o estrago, estou chamando estrago, já foi feito. Se hoje algum desavisado ouvir essa conversa, vai achar que nós é que estamos desinformados. Nós precisamos de repertório para entender que muitas coisas mudaram. E assim como Maria Madalena foi colocada como prostituta até 1969 pela Igreja Católica, falar sobre saúde mental também foi colocada em um lugar de pouca dignidade, pouco respeito e pouco espaço. E agora tanto eu e você e outras pessoas também que nós conhecemos estão querendo dizer, ó, Maria Madalena não era prostituta. Não pode mais fumar dentro de um avião, já pôde no passado. A Terra não é mais o centro do universo, até o século XVI era. Ou seja, nós estamos em um momento, e me preocupa muito porque com essa fragmentação toda, tem poucas pessoas que querem se aprofundar nos assuntos. Ou seja, o quanto eu e você, e quem está afim de fato de educar, certos temas de maneira mais responsável. O quanto a gente pode ajudar, Luiz, para que a mensagem da saúde mental seja colocada no lugar que ela merece?
Eu vou me referir a você porque eu tenho que falar de maneira verdadeira, vai parecer elogiosa, mas acho que você tem um papel fundamental nisso. Porque eu acredito que o que nos une como comunicadores, pelo menos eu vou falar da minha parte, é a minha vontade de que a humanidade seja melhor. Como comunicador, eu fui para o jornalismo porque eu queria contar as melhores histórias, a minha curiosidade me levar às melhores histórias e passar essas melhores histórias, as histórias não tóxicas. Não é que eu quero criar um noticiário de... positividade tóxica. Não. Eu quero contar, mesmo que a história seja tóxica, da melhor maneira, filtrar aquilo para que as pessoas absorvam aquilo e se sintam inspiradas a viver melhor, porque elas, vivendo melhor, vão fazer o bem ao seu redor e aquilo contamina. Então, eu acho que, como comunicadores, eu sei que eu tenho isso como filosofia de trabalho. O que a gente tem hoje é um grande problema da formação de bolhas. A gente vai criando dentro desse universo principalmente digital em que a gente vive, mergulha e acha que se relaciona com as pessoas em grupos de whatsapp, por whatsapp, por rede social. E vão se criando bolhas e dentro dessas bolhas temas não são discutidos, são bolhas de concordância dentro de um mesmo tema e aquilo estimula um conservadorismo de ideias, o conservadorismo de ideias é muito nocivo na medida em que se a gente colocar, não é que as pessoas são conservadoras de valores, elas são conservadoras.
Do.
Do bem-estar próprio. Eu não sou conservador por ser contra alguma coisa. Sou conservador porque aquilo me beneficia.
Para manter o status quo.
Para manter aquilo. Como é que a gente vai tratar temas delicados se a gente não discute com o outro, se a gente está dentro de uma bolha de concordância? Então, eu acho que a gente passou por um bom momento de comunicação sobre saúde mental que não foi estabelecida da melhor maneira, que ela foi colocada como se se a responsabilidade da pessoa fosse que ela não queria ser feliz. Ah, você tá ruim porque você não quer ser feliz. E essa era a comunicação que a gente recebia. E também com preconceito contra, principalmente, depressão, que era uma pessoa incapacitada, não era uma doença, era porque a pessoa não queria ser feliz.
Falta de caráter, às vezes.
Pelo amor de Deus. Eu fico muito feliz, eu conheço seu trabalho faz tempo, eu li o livro. Eu fico muito, muito feliz que você tenha assumido essa liderança na comunicação, porque você vem dessa escola de que você mergulha nos assuntos, principalmente no downtempo, você mergulha nos assuntos de maneira jornalística, você apura, você recebe as melhores informações dos melhores profissionais, você não vem com uma verdade sua, você vem com a verdade que é estabelecida para que as pessoas encontrem esse caminho, não da felicidade, não é que a pessoa vai ler e vai ficar feliz, não é isso, não é motivacional, é uma pessoa se sentir bem com a vida, se sentir confortável com a própria vida, com a pele que a veste.
Senão a gente reclama do café. O café é o culpado da nossa dor de estômago. O tempo é o culpado pela nossa falta de gerenciamento com as nossas escolhas. E a gente vai culpando todo mundo. Luiz, você tem mais de dez livros publicados. Já liderou milhares de pessoas. Não tive o privilégio de trabalhar contigo numa redação. E você passou em várias revistas, jornais e esteve no R7 também.
Tive.
Que é outro tipo de experiência, aí já estamos falando do digital. Hoje, aos 53 anos, sabendo tudo que você sabe, como que você consegue equilibrar, então, seus três filhos, a sua carreira como executivo, a sua carreira como um cidadão que está querendo viver de forma coerente? Como é que você está conseguindo equilibrar?
Eu acho que eu poderia simplificar quando eu conseguir elaborar que eu não dou conta de tudo, e não é uma autoindulgência, é simplesmente eu não dou conta de tudo. Eu vou errar, eu vou falhar. Quando eu conseguir aceitar a minha falha em alguns pontos e assumi-las, publicamente, diante de algumas situações, aquilo tirou uma carga enorme de mim. Porque eu venho... não sei você, eu falo a gente, mas eu venho de uma formação em que meus pais, eles tinham essa coisa de você tem que fazer tudo certo, você tem que vencer, tem que trabalhar, tem que conseguir comprar, tem que conseguir sustentar os filhos, tem que conseguir... E é uma coisa muito... É impossível.
É impossível ser bom de cama, bom no trabalho, bom pai, bom filho, bom amigo, tudo.
Tudo.
Ao mesmo tempo não vai bem.
É, e as cobranças com o digital são cada vez maiores. Você tem cobrança pra tudo. Você tem cobrança pra estar bem no Instagram, você tem cobrança pra estar sempre disposto, estar sempre disponível. Não. Você tem que aprender a falar os seus não.
Pronto. Então, na prática, você está equilibrando agora os seus pratinhos, vou simplificar assim, sabendo classificar mais, fazendo faxina. Como é que você está fazendo na prática, no dia a dia?
Na verdade, eu aumentei o número de pratos que eu tenho à minha frente, mas eu me permito não ser tão obsessivo com cada um dos pratos. Eu permito levá-los de... Eu permito que eles sejam mais leves pra mim. Porque se eu levava 10 pratos antes, cada um pesava uma tonelada diante da... da responsabilidade que eu colocava em cima deles, de cada um deles. Hoje eu levo talvez 20 pratos, eu tô estudando, eu tô trabalhando, eu tenho um negócio fora do trabalho, eu tô fazendo um novo projeto com o doutor Fábio, eu tô com... várias coisas na minha frente, mas eu diminuí muito o...
O seu nível de cobrança?
É, o quanto eu coloco de cobrança de mim mesmo naquele prato, porque esse era o maior peso que existia, não era a quantidade de coisas, porque eu nunca vou deixar de fazer um monte de coisas simultaneamente, porque é da minha personalidade. Eu aceito essa personalidade, mas ao mesmo tempo eu tiro um pouco da... da carga ou quanto eu consigo levar nesse navio aí que tem tanta coisa ao mesmo tempo.
Excelente. Eu tenho uma última pergunta aqui, porque o nosso tempo já está acabando. Eu tenho estudado pessoas como nós, e quando eu falo pessoas como nós, pessoas idealistas, que são comprometidas, responsáveis, que vieram inclusive com essa carga genética É de que só o trabalho, o sacrifício vai mostrar o seu valor. Então, temos muitas coisas em comum com quem está nos acompanhando. Mas eu tenho estudado um ponto que tem me chamado muita atenção e eu devo começar um estudo, inclusive, esse ano com o Sírio, o Hospital Sírio-Libanês, que é o assédio. Porque de tantas pessoas me perguntarem, Luiz, o que precisa acontecer para uma pessoa tão saudável, comprometida, responsável, que está sob pressão, ou seja, a pressão não é ruim. A gente sabe que a gente precisa, inclusive, do estresse para, gerenciando da melhor maneira, buscar alternativas, ter criatividade, aliados, etc. Mas eu cheguei no assédio E aí muitas pessoas me perguntam, mas é o primeiro assédio que acontece pra gota transbordar o copo? No que eu tenho estudado, não. Na verdade, você vai vivendo em ambientes com vários tipos de assédio, e você por ser homem, então é por isso que eu estou me prolongando na pergunta pra você entender. Você acredita que você pode ter vivido algum tipo de assédio daquele mais silencioso e que nos machuca? Em algum momento desses seus episódios de Burnout?
Muitos, mas eu não estou falando isso como coitado da história. O que acontece? Dentro do universo corporativo, principalmente, existe um teatro. Quem está no universo corporativo entende isso. Existe um grande teatro de relações de poder. E dentro desse teatro de relações de poder, as pessoas se permitem características morais que elas nos permitiriam, por exemplo, na família delas ou entre os amigos delas. Então, o universo corporativo traz essa falsa impressão de que ele legitima determinadas ações e determinado tipo de caráter. Não é que o cara, ele é ambicioso, ele é... Não! Ele é... Muitas vezes ele é assediador, ele é um... Maldoso mesmo. Ele é maldoso mesmo, ele age de... de forma nociva, as outras pessoas sabendo que, mas existe dentro do universo corporativo de que isso é justificado pelos resultados alcançados e os caras que são assim Existe uma tendência grande de que eles venham escalando posições até chegar a posições de chefia de gestão. E esses caras que são manipuladores, que são assediadores, que têm essa característica, que eles não exercem talvez na vida pessoal, não sei, da vida pessoal, mas que exercem no trabalho, eles sentem o cheiro de quem vai cair naquela Armadilha da competência. É, armadilha da competência. Ele sente o cheiro de longe.
Ou seja, vou pegar aquele, aquele ou aquela, que faz e que vai abrir mão do fim de semana, porque a meritocracia está aí. Então, quanto mais você faz, mais você vai crescer.
É uma gota de sangue do tubarão. Ele sente a um quilômetro de distância o cheiro disso. E ele vai usar isso daí em benefício dele próprio. Ele não está pensando, não é altruísta, ele não está pensando que o trabalho do outro vai aparecer, não. O trabalho dele vai aparecer a partir do sacrifício do outro e isso para virar um assédio que vai trazer consequências negativas para a pessoa é um pulo.
Não vai dar tempo da gente se aprofundar nisso, mas então, se eu te deixar essa tarefinha de casa assim, Luiz, você consegue reconhecer qual foi o episódio... mesmo diante de vários, mas qual foi o último que te fez provocar essa virada de chave em que seu corpo diz, agora deu, Luiz?
Consigo.
Você consegue.
Consigo. Sempre tem um... Tem. O apertar... A arma tá carregada, daí chega uma hora que aperta o gastilho.
Por que eu estou insistindo nesse assunto? Porque se você não reconhece a gota que está nos bordos do copo, você pode reviver essa situação em diferentes locais, com diferentes pessoas, e não importa se você está trabalhando sob o regime de CLT ou você é um empreendedor. Esse assédio também pode vir de um cliente, ou seja, de alguém que tem um poder a mais do que você. Mas a gente vai falar sobre isso em outros episódios. Luiz, você sabe que eu ficaria aqui com você, ó. Ixi Maria! E eu não estou falando da boca pra fora. Pra quem nos acompanhou até aqui e quer continuar, então, trocando essa ideia madura contigo, quer começar pelo maior influenciador do planeta, Jesus, uma reportagem.
O maior influenciador do planeta só tinha 12 seguidores.
Essa é uma visão que a gente... É, né? Mó influenciador.
É, claro que é. Você tá em que ano? No ano 2024, desde o nascimento de Cristo. Você comemora Natal? Você comemora Páscoa? Você comemora os feriados? Os influencia até hoje.
Pronto. Ó, um programa só disso, tá? Não vai dar nem pra se aprofundar. Então, se você quer começar por Jesus, uma reportagem, está aqui. Luiz César Pimentel, editora... Qual o nome dessa editora? Selman?
Ser humano, ela é da pensamento.
Que legal! Adoro o pensamento. Agora, se você já quer virar a chave, tipo, é realmente, né, quando o ouvido tá pronto, a mensagem chega, eu já ouvi já, ó, falando muitas vezes sobre medicina do estilo de vida, tá aqui. Manual do Estilo de Vida, doutor Fábio César dos Santos, que virá no interiorismo em breve, e o Luiz César Pimentel. Tem mais dez livros, Luiz? Como é que você arruma tempo, gente, para escrever tanto livro com três filhos?
A gente sempre arruma tempo para fazer coisa legal.
Aham! É isso, gente. E redes sociais, quer deixar alguma? Como é que você quer continuar agora essa conexão com a nossa audiência?
Eu tenho... Todas as minhas redes, eu acho, todas, YouTube, Instagram, Twitter, Facebook, é tudo arroba Luiz, com Z, Luiz César. Então, assim.
Além disso, apresenta cultura pop?
Apresento o sensaio no terra, vivo. Tem um episódio a cada duas semanas, eu acho. E aí, mas sempre nas redes sociais eu vou falando das novidades que eu tô aprontando. Pronto.
E quero agradecer aqui publicamente a reportagem que você fez nas páginas vermelhas, isto é, foi um dos melhores momentos da minha vida, em que eu pude ver ali um resumo contado por um homem Agora, sabendo que viveu o que eu vivi, eu não sabia que você tinha tido um burnout de maneira tão objetiva, profissional e com o mesmo intuito que eu, da gente trabalhar educação e saúde de forma genuína e propositiva. Então, muito obrigada.
Obrigado você. O mundo está precisando disso, então você me dar esse espaço para falar isso é muito honroso.
Então, seguiremos juntos. E se você, claro, quiser deixar algum comentário, você já sabe o que fazer, né, gente? Deixa um comentário, deixa um like, se inscreve no canal, tudo isso você já sabe como fazer. Mas o que eu quero te convidar é que você interiorize cada vez mais tudo que foi falado aqui. Se fez sentido pra você, compartilhe com o que você quer bem, porque eu e Luiz, ó, dois aquarianos, gente... Você acha que nós vamos parar aqui? Obrigada, tá?
Obrigado.
Ó, canequinha especial da Isabela, qual que é a sua mensagem?
Só os limites garantem a liberdade. Eu fico com essa.
Você fica com essa?
Fico com essa.
A minha é, menos ego, mais elos, igual a eco. Saúde.
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








