Lançamento digital oficial do Livro DÁ UM TEMPO de Izabella Camargo

Izabella Camargo discusses her book Dá um Tempo, which explores how we relate to time: the difference between Cronos and Kairós, why anxiety and burnout happen, and how to set boundaries. The 280-page book includes interviews and practical tips for sustainable productivity.
Chapters
Olá, boa noite! Estamos ao vivo, mais uma live da nossa série da Globolivros, com o lançamento virtual de um livro muito especial pra gente. Vou chamar a Isabela Camargo para participar aqui conosco.
Isabela Camargo, tudo bem, Lucas?
Tudo bom, querida? Que bom te ver.
Alegria minha. Que bom saber que faremos esse lançamento juntos, não é? Você que me acompanhou nesses últimos anos gestando, né, esse nosso filho, vou dizer assim. Foram quase 4 anos e tá aqui, tá aqui. Muito especial, muito feliz.
Legal. Isso, deixa eu te apresentar, como se precisasse, né, de apresentações, mas Por formalidade, vamos lá. A Isa é jornalista, locutora e palestrante, agora também autora. É o primeiro livro da Isabela Camargo, Dá um Tempo, esse livro maravilhoso, Como Encontrar Limite: Um Mundo Sem Limites, lançado pelo selo Principium hoje, neste momento, a partir deste momento, a gente sacraliza, a gente põe no mundo essa obra de 280 páginas, de muita reflexão.
O Lucas, olha que curioso, 280 páginas, dia 28, 20 horas, que significa 8 horas. Acabei de me dar conta dos 280 páginas. Não é possível, tá tudo interligado, né? Quem sabe tem alguma coisa a ver.
Com certeza, tudo conspirando, numerologia, os astros, tudo mais, né, Isa?
Não é?
É isso aí. E é o seguinte, então a gente te convida hoje para bater um papo. A gente vai conversar um pouco sobre o livro, sobre o processo todo, sobre o que ele traz. No final a gente sorteia 2 exemplares para quem tiver por aí. E a gente conta depois como que a gente vai fazer isso. Quer contar, Isa, mais ou menos como que a gente vai fazer o sorteio?
Conto, conto sim. Quem deixar um comentário lá no meu feed né, um comentário, a indicação para um amigo, enfim. Faltando aí uns 20 minutos, né, para as 9, a gente vai fazer esse sorteio lá pelo Instagram mesmo. É um aplicativo, eu vou fazer ao vivo, tá? Então não tem como não ser real. E aí vai dar para ver, a gente vai sortear um depois do outro. E já agradeço, Lucas, de antemão, o tempo de todos que estão aqui nos acompanhando, né? Nós vamos falar muito sobre isso, o respeito ao tempo do outro. Então espero que esse tempo seja muito oportuno e muito proveitoso para todos vocês que estão escolhendo, né, compartilhar esse tempo conosco, com tantas lives acontecendo, né, tantas tarefas por fazer. Então é um privilégio ter você aqui com a gente.
É isso aí. O pessoal tá até perguntando aqui para gente, o comentário deve ser no seu post, no seu último post que tá lá no seu feed, é isso?
Exatamente, que é o post em que eu falo da nossa live de hoje.
Combinado. E no final também a gente abre para perguntas, se o pessoal quiser mandando as perguntas aí, a gente anota e no final a gente abre, né? Isa, você falou muito bem sobre assim escolhas, né? Porque tem muitas lives acontecendo, muitas coisas que as pessoas poderiam estar fazendo nesse momento, escolheram estar aqui conosco. É muito especial, né? A gestão, a curadoria, né? Do nosso tempo é um dos assuntos do livro. Eu também gosto muito de que o livro tem muitos entrevistados, muito conteúdo, né? A Isa vai assim de Goethe, Santo Agostinho, até o Antes do Amanhecer, aquela trilogia maravilhosa que a gente gosta muito, né? E entrevistados mais variados, personalidades e pessoas comuns também, né, para falar de uma questão que nos iguala, iguala a todos, que é o tempo. O tempo corre igual para todo mundo, né?
Perfeito, Luca. Não importa a idade, a experiência, a classe social. É claro que com o tempo algumas percepções vão mudando, mas o tempo ele pode afligir todos nós se nós não aceitarmos as mudanças, se nós não desapegarmos de algumas situações do passado, sabe? É um tema fabuloso e que eu tô muito feliz de apresentar porque é um conjunto de informações, como você falou, tem muita entrevista, Tem muita pesquisa, mas também tem muitas dicas úteis que podem preservar a vida de quem quiser viver uma vida que vale a pena ser vivida. E quando a gente fala de tempo, Lucas, parece uma coisa muito abstrata, muito subjetiva, né? Tipo, ai, né, mas eu preciso falar sobre isso? Aí é uma escolha, porque como é que a gente pode colocar esse assunto em cima da mesa de todo mundo? Quando a gente fala de relógio, calendário, agenda, exames médicos que vencem, e aí aquilo que é importante se torna urgência ou uma emergência. Então falar sobre o tempo é muito importante para a gente entender o que está acontecendo conosco hoje e como nós podemos nos preparar com saúde, com alegria para amanhã.
Sim, Isa, assim como você começa livro lá no começo. Quero fazer essa provocação para que você conte para gente: para quem é este livro?
Boa pergunta, Lucas. É para quem quer compreender o seu tempo, é para quem respeita o tempo do outro, é para quem já entendeu ou que quer entender se o tempo é amigo. E por que muitas pessoas ainda acham que o tempo é inimigo e dizem Que o tempo tá passando muito rápido. E é muito curioso, Lucas, porque a gente não pode controlar o tempo da natureza. Então não adianta ninguém bater o pezinho assim no final do dia, sabe? Assim, tipo: "Sol, fica aí mais um pouco que eu tenho muitos compromissos pra dar conta", sabe? Então não vai adiantar brigar com o tempo da natureza. O que você precisa não é brigar com ninguém. O que você precisa é olhar para sua agenda E entender que não adianta fazê-la com 36 horas se ela ainda tem 24. E essa provocação, Lucas, foi o que me inspirou a buscar o conteúdo desse livro lá no final de 2016 para 2017. Eu lembro minha primeira reunião com Mauro Palermo, da Editora Globo, aqui em São Paulo, e eu apresentei para ele o roteiro. E muito desse roteiro continuou lá de 2017 para agora. E eu queria trazer, apresentar essas respostas para quem sempre me diziam, e com muita constância: Isabela, o tempo tá passando muito rápido. Aliás, faço uma provocação aqui, né? Quem aqui não disse ou não diz que o tempo tá passando muito rápido? Você acha que o tempo tá passando muito rápido, Lucas?
Cada dia mais. Quando eu tinha 12 para 13 anos de idade, eu pensava: nossa, parece que a cada ano, cada ano que passa, o tempo tá passando mais rápido. Agora com 32, então parece que tá voando. O que que é isso que tá acontecendo?
Então, então, o Dalsídez, que é um dos entrevistados, fabuloso, ele deu um exemplo muito parecido com esse, que lá na infância, né, que foi a primeira contradição temporal que ele viveu, ele ouviu a avó Dizendo assim: nossa, já é Natal! Ele olhou assim para vó e falou assim: ué, vó, mas demorou muito para chegar. Ele me contando hoje, então ele reconhece que o Natal para ele era uma das poucas datas que ele tinha, né, para viver. Então uma criança tem o aniversário, tem o Natal, né, tem a Páscoa. Agora um adulto tem outras datas no calendário. Então veja, uma criança, uma pessoa que está com menos atividades, aí não precisa nem ser criança, o tempo não passa tão rápido. E aí é importante a gente dizer: para quem o tempo não está passando rápido? Para quem está esperando alguma coisa em alguma fila. Isso serve para filas de banco, fila de banheiro, até fila de um transplante. Que é uma história linda, né, que a gente coloca no livro. Um paciente que ficou anos na fila do transplante. A história é linda, vai ter que ler o livro, né? Então não é todo mundo que está percebendo ou sentindo que o tempo está passando muito rápido. Eu inclusive entrevistei pessoas que, ao se aposentarem, desenvolveram ansiedade, desenvolveram insônia. Então a falta de tempo é tão prejudicial quanto o excesso de tempo sobrando. Então isso é muito curioso, mas aí vamos lá, porque que eu, o José Roberto, falando, né, fila no INSS, todas as filas, né, todas as filas. Então lá em 2017, qual era a minha intenção? E eu agradeço profundamente o apoio, a confiança do Mauro Palermo, era que a gente pudesse apresentar Elementos para que cada um tirasse sua conclusão e percebesse que nós somos responsáveis pela nossa agenda. De novo, não adianta bater pezinho, né, com raiva, achando que o tempo é o inimigo, vilão. Não é. Por que, Lucas? Porque essas pessoas que chegavam até mim, elas estavam estressadas, elas estavam cansadas demais, e eu queria propor uma reflexão para que elas não adoecessem. Com este novo modus operandi, né, que o nome disso chama Zeitgeist. Zeitgeist é o espírito do nosso tempo, é a imagem que a sociedade tem deste momento, é um conjunto de crenças, de tradições e macro-tendências. Qual que é a macro-tendência que nós estamos vivendo hoje, né? Qual é o Zeitgeist 2020. Internet é uma macro tendência, né, Lucas? E a internet é— a internet borra as horas, fragmenta todas as mensagens, a gente vai abrindo um monte de aba, né, um monte de tela. E esse é um zeitgeist, um elemento do zeitgeist que a gente precisa reconhecer.
A gente é multitasking, né, a gente multitarefa, parece que se orgulha, né? De fazer mil coisas ao mesmo tempo.
A gente fala sobre isso no livro, inclusive, né, a ilusão disso e o quanto nós perdemos tempo e energia com tantas atividades que as crenças que nos trouxeram até aqui validam que não, você, né, você pode fazer várias coisas ao mesmo tempo. Eu inclusive eu menciono lá Se for uma coisa manual e a outra cognitiva, tudo bem. Eu posso lavar a louça, né, ouvir um podcast, é conversar com alguém ao telefone. Agora, não consigo fazer essa live e responder um e-mail. Eu sempre vou estar alternando a minha atenção.
Com certeza. Você citou uma história muito bonita do livro, de que eu gosto bastante, né, que é a história do Cristiano que estava na fila do emocionante e tal. O pessoal tem que ler, tem que conferir, porque a história é muito bonita, porque ela foi acontecendo durante a edição do livro, né? A gente tinha uma história e próximo ao fechamento algo mudou, e de repente a gente tinha o final dessa história, uma história com final feliz, que todo mundo vai ter oportunidade de ler. Mas esse livro tem outras histórias emocionantes também. E aí eu queria, se você lembra de algum especial agora, quiser contar, senão tem duas personalidades ali que eu gostaria que você lembrasse, relembrasse um pouco, que é o Rafael Renzel e o Ricardo Boechat, dois queridos.
Exatamente. Bom, então vamos lá. Foram mais de 150 entrevistas diretas, né, fora aquelas indiretas, que a partir do momento em que você se propõe a pesquisar algo, é curioso demais, como o Kairós que é o tempo de Deus, que eu falo no livro Cronos e Kairós. Cronos, tempo dos homens. Kairós, tempo de Deus. E o tempo de Deus é o tempo da oportunidade, da sincronicidade. É quando você está atento, presente, para perceber tudo isso. Então é impressionante quando você se propõe a fazer algo, Lucas, como o tempo de Deus ele se materializa, porque aí outras pessoas vão surgindo, aí de uma ideia vai para outra. É maravilhoso. Mas de todas essas entrevistas, as que nós mantivemos no livro, elas podem impactar e influenciar cada pessoa de uma maneira, né? Vai depender o que cada um está vivendo neste momento da vida. De repente, para se identificar com o capítulo em que a gente fala sobre o tempo da maternidade, ou tempo do esporte, ou tempo da música, né? Ou tempo da educação, ou para quem está querendo compreender o que são as doenças do tempo. Que são as doenças que te tiram do tempo presente. Vou citar duas: ansiedade e depressão. Então, cada história pode impactar uma pessoa de forma diferente da outra. Quando eu menciono a história do Renzel e do Boixá, é porque elas foram marcantes demais. Assim como você falou que o Cristiano teve um final feliz, e eu me lembro como se fosse hoje, ele me ligando E na sequência eu te liguei, né? Falei: Lucas, você acredita que aconteceu tal tal coisa? Foi realmente é um momento muito muito valioso. Nós tivemos dois personagens que durante também esses quase 4 anos de pesquisa e maturação do livro, dois personagens que partiram. O Rafael Rezo inclusive tinha um livro, né? Ele tem, existe um livro pela Editora Globo que é Viva Como Se Estivesse de Partida. E depois do acidente com os jogadores da Chapecoense, que ele escreveu esse livro, eu entrevistei e ele me contou, Lucas, olha que curioso, agora acabei de lembrar, outro kairós, como foi a mudança de lugar dele dentro do avião. Sim, né? Então ele começa contando que ele tava sentado lá na frente, aí pediram lugar, ele foi para o meio, do meio, ele foi mais para trás. Quando ele tava quase ficando confortável, pedem para ele mudar de lugar de novo porque o mestre tinha sentado ali e tal. E ele reconheceu naquela entrevista, né, nós dois chorando, foi uma choradeira total, que ele só sobreviveu ao acidente por estar sentado naquela cadeira, né, ou seja, naquela poltrona no meio de outras duas, e um cara alto, grande, não era o melhor lugar para ele sentar aparentemente, mas foi o lugar que o protegeu, que na hora do acidente— olha, tem que ler essa história, gente, ela transforma, porque é como nós vivemos, Lucas, a nossa vida. Constantemente pedem para a gente mudar de lugar no avião, e muitas vezes o que que você faz? Bate o pezinho, reclama, não é? E então essa história do Rafael, ela foi muito marcante. E o que que aconteceu depois? Ele partiu de outra maneira, não é? O que me trouxe— eu tava inclusive até em Brasília quando recebi essa notícia, eu fiquei profundamente triste, mas que mostra a efemeridade do nosso tempo, que é infinito, dentro de um tempo que ainda sabemos infinito. Então, é, para quem quer viver, de novo vou repetir muito isso, uma vida que vale a pena ser vivida, você precisa sim valorizar o seu tempo hoje. Repito, como é que a gente faz isso? Olhando para a sua agenda, percebendo se você está se colocando nela, ou se você está, como Nelson Motta falou também para o livro, Se você está apenas usando o seu tempo para fazer o trabalho dos outros ou para cumprir a agenda dos outros, não é? E o Ricardo Boechat, para encerrar essa pergunta que você me fez, o Boechat eu trabalhei com ele na Band, apresentamos o Jornal da Band, aliás eu, ele e o Joelmir, né? Experiências que me marcam muito, me ensinaram demais. O Boechat, ele me deu uma entrevista por telefone comentando sobre o apagão que ele teve no ar, que ele teve ao vivo na rádio BandNews FM. E pelo que o Boechat me explicou, do diagnóstico que o médico dele deu para ele, ele estava com uma depressão profunda. Mas quando você lê ali no livro os detalhes que ele conta do que o médico falou, você pode reconhecer aquilo com outro nome. Que é a síndrome de burnout, uma experiência que eu tive em 2018. Onde eu tô querendo chegar? O Boechat, ele comenta inclusive no livro que ele foi sentindo mudanças no corpo dele, mas por sermos jornalistas e a gente trabalhar bastante e às vezes dormir mal e às vezes se exceder, ele achava que tudo isso era normal.
A gente normaliza, né?
O grande problema, Lucas, é a gente tratar como normal o que é anormal. Isso ele disse para mim, né? O médico me disse isso, isso, isso, mas de certa maneira é a vida que nós temos. Tudo bem, nós não vivemos num país com baixos índices de desemprego, nós temos crises, teremos outras. Mas nós precisamos nos colocar na agenda e isso significa, no mínimo, dormir o número de horas suficiente. Nossa, Isabela, mas como é que você foi de boechat para sono? Tudo está conectado, tá? Tudo está conectado. Mas aí, para finalizar, o boechat, nós conversamos, quando ele voltou a trabalhar, ele fez questão também de falar a verdade sobre o que tinha acontecido com ele para alertar as pessoas. Que você pode fazer o que você ama, mas você não pode lidar como normal o que é normal. E aí, depois disso, ou seja, depois que ele recebeu já esse freio do apagão dele, ele continuou, voltou a trabalhar, mas também partiu com um acidente no helicóptero. Então, mais um exemplo que me marcou demais durante esse período de gestação do livro, de duas pessoas que marcaram o nosso tempo.
Muito, muito, marcaram demais. Você citou brevemente o termo que tá bem explicado no livro, das doenças do tempo, né? Até você, você exemplifica que durante os anos 80, 90, havia uma outra doença laboral, né? Uma doença relacionada ao trabalho, isso, laboral, isso, perdão. E que hoje a gente convive com outras doenças, outros tipos de doença. Eu gostaria que você falasse um pouco mais.
Tá, esse termo, Lucas, é doenças do tempo, não é meu, ele é de um médico chamado Larry Dossey, que na década de 80, ele em um livro, ele explica sobre as pessoas claustrofóbicas do tempo, tá, pessoas claustrofóbicas do tempo que ficam aflitas com uma agenda muito cheia ou aflitas pelos buracos na agenda. E ele diz, inclusive, lá na década de 80, vejam que lá não tinha nem esses zeitgeists, né, com essa macro tendência chamada internet, que a maior parte das doenças eram causadas pela incompreensão do tempo. A hora que eu li isso, Lucas, coraçãozinho palpitou, né? Falei: gente, e não é que eu tava no caminho certo, né? Porque eu queria, eu queria, a minha intenção sempre foi prevenir. Problemas de saúde nessas pessoas que quisessem realmente compreender a importância das horas na nossa vida. E aí eu fui avançando nessas pesquisas. A Doutora Ana Beatriz Barbosa Silva, autora também da Globolivros, maravilhosa, ô mulher maravilhosa, ela contribui no livro com uma frase fantástica, né? Ansiedade Excesso de futuro. Depressão, excesso de passado. E estresse, excesso de presente. Agora pega essa informação e vem aqui para o MS. Se no Brasil nós temos 18 milhões de pessoas com diagnóstico de ansiedade e 12 milhões com burnout, com depressão, né, burnout então que é o excesso de presente, o excesso de estresse, 20 milhões Lucas, Lucas, meu querido editor, não tem população, não tem como ignorar esses números, não tem como a gente ignorar essas pessoas que estão do nosso lado, não é que está dentro da nossa casa, nossa família. Então essas são as doenças do tempo, e no decorrer do livro você vai compreendendo que A forma como nós estamos vindo dos últimos séculos, milênios para cá, que nos trazem nesses zeitgeist, explica muita coisa. A evolução da comunicação, a evolução dos transportes. Gente, para para pensar rapidinho. Até pouco tempo atrás, as informações chegavam em horas determinadas, né? O pessoal assistia, né? Então vou falar da programação da TV. O jornal da manhã, né? Eu cresci, por exemplo, vendo a vinheta do Bom Dia Brasil, aquela vinheta linda e tal, né? Ou na hora do almoço, ou à noite, Jornal Nacional. Eram esses três momentos, no máximo uma outra rádio, mas as informações principais eram nesses três momentos. Ou no jornal, que chegava sempre uma hora certa lá na banca. Hoje não. Hoje você pode acessar informação a hora quando você quiser, de onde você estiver. E essa informação, Lucas, ela não vem em pequenos, ela não vem, como é que eu posso dizer, em um certo limite. Não, você vai lá com o dedinho no feed infinitamente, né? E isso vai consumindo cérebro, vai consumindo tempo, vai consumindo energia. Então, quando você entende pela evolução da comunicação, a evolução do transporte, por exemplo, né, você tinha Séculos atrás, médicos que recomendavam pessoas que tinham problemas cardíacos a não pegarem os trens que tinham velocidade máxima de 30 km/h, porque isso fazia mal para a saúde delas, né?
Hoje a velocidade é até um vício, né?
Como em algum momento você mesmo disse. Sim, a velocidade é sinônimo de progresso. A pressa é um vício, a velocidade se tornou um sinônimo de progresso, né? E o upgrade das tecnologias também fazem parte desse zeitgeist. De novo, não adianta bater o pezinho e dizer que "ai, lá naquele tempo era assim, lá não sei o quê era assado". Sim, era. Hoje não é mais. E a gente precisa atualizar, Lucas, a nossa identidade para que esse tempo que nós estamos vivendo seja prazeroso, seja saudável, seja sustentável. Tem uma outra coisa que todo mundo consegue entender assim onde nós queremos chegar, que eu chamo de produtividade sustentável. Quem ama o que faz quer continuar fazendo o que ama, mas não adianta entregar as metas hoje e adoecer amanhã. É por isso que o subtítulo do nosso livro é "Como encontrar limite no mundo sem limites". Você pode trabalhar trabalhar bastante, desempenhar suas funções, mas você precisa se colocar na agenda. Todo dia alguém faz essa pergunta: "Ah, mas então como é que eu faço para encontrar limite no mundo sem limites?" Primeiro reconheça quais são os seus limites para que você tenha tempo para o seu autocuidado. Se der tempo a gente fala sobre isso, tá, Lucas? Para que você se sinta mais seguro para dizer não para situações que não cabem mais na sua agenda, entende? Então uma coisa está conectada à outra e nós precisamos ver essa conexão para compreender o quê, Lucas? A consequência de tudo que a gente faz, a consequência de todas as nossas horas que nós investimos ou gastamos, né? E assim por diante.
Essas dicas, a resposta a essa pergunta vale ouro. Tiver assistindo, prestando atenção e puder absorver alguma coisa disso, eu posso dizer que muda a vida mesmo. Como encontrar limite e o mundo sem limites, né? Porque o mundo vai te demandar o tempo inteiro, né? O ambiente, em todas as áreas, né? Profissional, família, vai te demandar, né? Como você diz: até aqui eu vou, daqui para lá eu não vou mais, né? Eu me coloco no centro, né?
A propósito, Lucas, porque a tecnologia não vai reduzir a marcha, né? A velocidade não vai reduzir, né, das nossas transformações. O ritmo, ele é outro, mas o ritmo fora, ele pode estar mais acelerado. Mas eu preciso identificar qual é meu ritmo interno. Lembrando que nós vivemos no mundo digital, mas o nosso cérebro é analógico. Simples assim. Na verdade, né, Lucas, as respostas mais simples são as que mais incomodam.
Com certeza.
Mas é, né? Mas é isso.
Sim que é, natureza. Isa, aproveita e fala um pouco sobre o autocuidado, esse conceito que volta, né? Sempre retorna na sua reflexão.
Sim, autocuidado, gente, é o que só você pode fazer por você. Então vamos começar da coisa mais simples: escovar o dente. Eu não posso escovar o dente por você. E olha que curioso, se eu passar, né, quem aqui, né, levanta aí o dedinho mental que eu já vou captar, é, escova o dente voando, até pula refeições, que que vai acontecer depois? Dentista. Que que esse exemplo, por que que eu tô trazendo esse exemplo, Lucas? Tem uma Uma coisa que eu falo, que eu gostaria que virasse um mantra: nós temos que escolher de qual estatísticas vamos fazer parte. Ou você faz uma pausa voluntária, ou você vai ter que fazer uma pausa involuntária. Traz para o autocuidado, Isabela. Vamos escovar o dente? Você tá fazendo uma pausa lá voluntária. Se você vai escovar o dente voando e já sair atropelando um monte de coisa, tudo bem. Saiba que depois você pode viver uma pausa involuntária. E de novo não vai adiantar bater pezinho e dizer: "Ai, vou ter que ir no dentista, meu dente não para de doer." Percebe? Eu gosto de trazer esses exemplos assim bem simples para que todo mundo se identifique. Então, autocuidado é o que só você pode fazer por você. Começa por escovar o dente, vai para tomar banho, sono, a sua alimentação, o seu exercício físico, o seu lazer, as suas terapias, né? Organizar as ideias. Tudo isso é autocuidado. Algumas pessoas vão dizer que as meninas, né, as mulheres, por exemplo, as que eu conheço, usam maquiagem. Sim, isso é autocuidado, é imagem que elas têm delas para o mundo. Alguém vai me dizer assim: ah, mas eu gosto de jogar tênis, por exemplo. Ok, Isso você está fazendo por você. Então, autocuidado é quando você cuida de você. E nós temos essa autonomia, nós temos essa liberdade para escolher o que nós vamos fazer com a nossa agenda. O que tá acontecendo, Lucas, é que muitas pessoas, por estarem com uma agenda sobrecarregada, vão se negligenciando cada vez mais. E o autocuidado é fundamental para todos os outros altos: autoestima, autoconfiança e assim por diante. Então você precisa se colocar na agenda, simples assim. Para quê? Para evitar pausas involuntárias, pausas no futuro. Inclusive, Lucas, quando a gente estava conversando, essa provocação inclusive saiu em muitas matérias, muitas reportagens, o que que a gente tá correndo e chega à noite, não tá em lugar nenhum.
É isso por aí.
O que que você sente? Conta para mim.
Quando a gente corre o dia inteiro, e sabe qual é uma sensação que eu tenho também? De que quando a gente tá correndo no dia a dia, isso o tempo inteiro correndo ali e não tem tempo para refletir, para pensar, a gente se pega distraído olhando vidrado assim para o vazio, né? A gente pega, a gente tem essa, é uma pausa involuntária de meditação também. Você se distrai, você erra, você peca no seu dia a dia, nas tarefas a que você é submetido, porque você não tem o tempo de assimilar, de refletir entre uma tarefa e outra, entre uma atividade e outra, né? E aí você fazer a pausa voluntária do fazer nada, ou da meditação mesmo, ou encontrar alguma forma de 'Ok, esse momento é meu, daqui ninguém me tira.' Eu acredito que você consegue fazer tudo de forma mais refletida e consciente, melhor, não é?
Isso. Lucas, me fala onde tá o passado e o futuro.
Nossa, é como aquela definição de Santo Agostinho: se alguém me perguntar, é muito difícil dizer.
Mas olha que curioso, o passado Eu só lembro dele agora e o futuro só projeto ele agora. Então passado e futuro estão no presente. Se eu não estiver aqui conversando com vocês, pega a visão, igual Rick Shaster fala, eu posso ter um passado que eu não vou mergulhar. Oi? Sim, eu só terei um passado de qual eu mergulhe Se eu estiver consciente e fazer escolhas coerentes para isso, no mínimo eu preciso, sabe o quê? Ter dormido bem. E nós viemos também de algumas crenças em que dizem que dormir é perda de tempo. Isso é um capítulo aqui do nosso livro que, olha, Lucas, eu tô gostando, viu, desse papo que vai. Então, como é que você pode construir um passado que vai te orgulhar, vivendo um presente que faça sentido. E para que você viva as situações e não haja por impulso, não fique de pavio curto e tome decisões por impulso, você tem que ter dormido número de horas suficiente, não é? Isso também tá lá no livro, inclusive as consequências de quem dorme menos de 6 horas. Que tem 4 vezes mais chances de morte, só aqui para trazer um dado. Então, o sono é fundamental e essas pausas que você tá dizendo, Lucas, como eu disse, a resposta é simples, mas incomoda. Quando você está correndo o dia inteiro e chega à noite e parece que você não foi a lugar nenhum, a resposta para isso Vem da pausa que você não faz. Então você tá indo de tela em tela, tela em tela, abre um monte de janela, né, e não encerra nenhuma conversa, não conclui o raciocínio. É igual computador, gente. Quem aqui não abre lá um monte de tela até que o que acontece?
Computador trava, dá uma bela travada. Tem que iniciar, limpar caixa, um bocado de coisa, viu?
A mesma coisa aqui, ó, né, com esse desktop. Não adianta querer abrir um monte de conversa, um monte de página. Você vai ter que, por isso que eu disse, organizar as ideias. Isso sim, essa janela eu posso fechar, essa conversa eu não preciso ter agora. Vamos ver se a gente consegue falar sobre contratos de tempo, Lucas. E isso vai ser fundamental para que você chegue ao final do dia e sinta que o dia valeu a pena, que por mais que você tenha feito muita coisa, você conseguiu parar 5 minutos sem telefone na mão, sem dedinho nervoso no feed, fazendo nada. A gente tem que lembrar, e eu respeito muito este italiano, Domenico De Masi, que tentou devolver a dignidade do ócio nas últimas décadas, né? O ócio, nós temos uma ideia muito equivocada, né? E parece que se alguém não tá fazendo nada, essa pessoa, ela— não vou nem usar os termos que eu costumo ouvir, mas parece que você não tem mais direito de não fazer nada, né? Isso vem de uma outra crença que veio de um outro aforismo, né? Que tempo é dinheiro. Nem sempre tempo é dinheiro.
Se você não tiver, eu gosto de uma frase do Antônio Cândido: o tempo é o tecido das nossas vidas, né?
Totalmente.
É tudo que a gente tem.
O Lucas, olha só que curioso o que você me fez pensar agora. Nem sempre tempo é dinheiro, porque não adianta eu ter dinheiro sem saúde, que o tempo não vai ter vida. Então, compreender quando o tempo é dinheiro e quando o tempo ele é respiro, descanso, pausa voluntária. Entende? Quantas histórias eu ouvi nesses últimos 4 anos de pessoas que não tinham problemas financeiros mas estavam em situações de saúde extremamente delicadas e que dinheiro nenhum poderia pagar, dinheiro nenhum poderia prolongar o tempo, e um tempo que já foi vivido. Ou seja, o tempo passado não volta. É o famoso chora pelo leite derramado, não adianta, né? Lembrando que, ó, o passado que você quer ter precisa ser decidido hoje.
A gente constrói o passado e futuro ao mesmo tempo. Que maravilha!
Pois é, o Luca, o que que a gente tava falando antes, gente? Tô abrindo aqui um monte de janela.
Mas já que você falou de autocuidado, eu queria que você— Isa, a gente tá há 5 meses dentro de casa em isolamento, né? Eu acho que já a gente tem a capacidade já de refletir bastante, refletir muito, né? Esses últimos 5 meses deram muito conteúdo para a gente refletir. Da maneira como a gente faz a gestão da vida no nosso tempo, né? Porque o tempo às vezes parece, principalmente lá no começo, parecia muito achatado, né? Todos os dias pareciam iguais, tudo parecia um marasmo, né? O que a gente aprendeu, Isa?
Olha, nem todos aprenderam, viu, Lucas? Já vou te dizer isso. O que eu pude perceber, na média, na média, é que muitos reclamaram daquilo que sempre pediram: mais tempo, mais tempo em casa com a família, né? E aí, até a turma entender que não seriam 20 dias, aí passou um mês, dois meses, aí as coisas começaram a entrar no eixo. Os especialistas dizem que nós precisamos no mínimo 21 dias para que uma situação se torne Eu não sei se seria confortável, qual é a palavra, mas normal, para que o seu cérebro entenda aquilo como um hábito, tá? Mas eu aplico isso ao que nós vivemos. Então, nos primeiros 20 dias foi um barata voa, né? Como diz, conhece essa expressão? Ah, meu Deus, preciso tomar cuidado com as minhas piadas, viu, gente? Senão entrega a minha idade. Mas vamos lá. E depois as coisas foram se encaixando. Até hoje tem gente reclamando, né, do home office. Até hoje tem gente reclamando do que perdeu. Então vai adiantar reclamar? Não. De novo, falar de tempo é falar de aceitação e desapego. Ou você continua agarrado lá no passado, como a Dra. Ana Beatriz diz, e isso a longo prazo pode levar a uma depressão. Tristeza é uma coisa, depressão é outra. Ou você aceita e vive o que você tem hoje. Então, para aquelas pessoas que sentiram um certo incômodo no início do isolamento porque não sabiam o que fazer com o tempo, provavelmente com o tempo elas foram reorganizando a agenda, uma agenda que elas não tinham controle. Porque tinham que investir 2 horas no trânsito, porque tinham que bater o crachá lá na catraca a tal hora. E perceba, isso que muitas pessoas reclamam também pode ser uma saída para você se organizar em torno desses horários. Com certeza, né? Mas Lucas, a conversa ela é tão rica e a gente precisa se aprofundar, porque de novo A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Aquilo que eu quero muito, se eu tiver muito, pode ser um problema. Com certeza. Então esse isolamento trouxe um aumento expressivo de pessoas com transtornos de ansiedade, porque com medo do futuro, com a expectativa, né, a expectativa da pior forma do futuro, acabaram desenvolvendo ansiedade. Conversei com vários médicos, né. Que disseram que pacientes que já tinham tido alta ou pessoas que nunca tinham desenvolvido nada acabaram se aprofundando nos sintomas da ansiedade e outras doenças no tempo. Mas com o tempo, de novo, cada um pode escolher de qual estatística vai fazer parte, entende? Então, Lucas, só para fechar essa ideia, me perguntam muito: 'Como é que eu faço para controlar o tempo?' De novo, ninguém controla o tempo da natureza, mas você organiza, coordena e controla o seu tempo. Aí sim.
Sim, enquanto você dizia, eu pensava que justamente o se locomover ao trabalho, o marcar o ponto, né, divide, né, o trabalho e o fora do trabalho. Por exemplo, é com as pessoas em casa, muito se queixam De que os limites entre casa e trabalho se diluíram. Eu ouvi esses dias alguém dizendo que nem sente mais o problema, a nostalgia da musiquinha do Fantástico, porque, pô, domingo às vezes eu tô trabalhando, então segunda-feira e domingo é meio que a mesma coisa, sabe? E reside aí um perigo, né?
Tem dois pontos na sua ideia. Primeiro, que você acabou de dizer, Essa nossa macro tendência, esse zeitgeist. Se a internet borra as horas, o home office também borra as horas, tá? Borrar as horas significa você não tem mais período em casa, período no trabalho. Aliás, quero ver o que vão fazer com aquela crença: não leve trabalho para casa, ou deixe os seus problemas pessoais da porta do trabalho para fora. Faço piada com essas duas crenças, Lucas, para a gente entender que nós vivemos num mundo novo com ideias ainda muito equivocadas e a gente precisa parar para revisá-las, para a gente compreender um pouco mais esses zeitgeist. Mas para quem então está trabalhando no domingo à noite, cuidado! Não é também porque você está em casa, né, com o acesso liberado e tudo mais, que você não pode ter o seu descanso. E aí entra a dica mais valiosa dessa nossa conversa, e uma das que estão no livro, que eu sei que a gente não vai poder prolongar muito, mas é liberdade para escolher o que você vai fazer. Como encontrar limite no mundo sem limites? Escolhendo de uma maneira coerente. E aí, minha gente, só os limites é que te dão liberdade. Como assim, Isabela? Sim, só os limites vão te levar para liberdade de você fazer o que você quiser, da maneira que você quiser. Só que você vai ter que ter os horários pré-determinados. Então não é porque você "Vai da cama para o escritório em 5 passos", que você vai só fazer esse trajeto na casa. Não, tem outros cômodos, você pode descer, você pode fazer um monte de coisa.
Pode tomar um café, um chá, né? Faz a pausa para o chá, para o café um pouco, explora um pouco a cozinha.
É isso, a pausa precisa ser voluntária para ela não acontecer involuntariamente. Isso é simples, e justamente por ser simples incomoda. Mas eu garanto para vocês que se vocês pensarem em se colocar mais na agenda e ter essas micropausas, micropausas, não deixar só para descansar no final de semana, só nas férias, né, a vida fica bem mais colorida. Menos problema.
Com certeza. Lembrando aqui, sem medo de denunciar a idade também, dos versos disciplina, liberdade, né, Renato? É isso, a gente disciplina nossa vida de modo que a gente possa ser livre depois disso, né? Colocar limites, e a partir disso eu encontro maneiras. E outra também, né, não sei de quem a autoria, mas que eu só posso ajudar alguém a partir do momento que eu esteja bem, que eu me ajude, né, que eu esteja em paz. Aí eu sou capaz de dar conta de todas as demandas da vida.
Evidente. Lucas, vamos lembrar então daquela, daquela frase: produtividade sustentável. Você ama o que faz, você quer continuar fazendo o que você ama, mas sem adoecer amanhã. Para isso você tem que se cuidar Hoje, todo mundo hoje vai escovar o dente pensando na Isabela lá, ó, vai escovando tudo, né? É uma brincadeira, mas que eu gosto de trazer esse exemplo, que todo mundo se identifica, sabe, Lucas? Então sim, você precisa se cuidar para ter mais segurança, para você não ficar tão vulnerável a esse mundo expresso. E não adianta só reclamar que o mundo está expresso porque nós também queremos tudo para ontem. Eu duvido aqui que alguém pede a marmita da hora do almoço, né, e tranquilo esperar uma hora e meia. Não, tá todo mundo com várias coisas, né, para serem resolvidas. E aí, Lucas, ó, tô de olho aqui no tempo. Uma coisa muito importante: contrato de tempo. Isso, contrato de tempo é o que muita gente está cumprindo sem ter assinado. Todo mundo tem seu contrato de tempo. Por exemplo, numa escola, tá, lembrando da escola antes da pandemia, que agora tá aquela bagunça, volta, não volta, mas a escola, qual é um contrato de tempo geral? A aula começa 7:30. Se a professora atrasar 10 minutos, ela está descumprindo um contrato geral, tá certo? Bom, se você me manda uma mensagem e depois de meia hora eu não respondo, você me cobra uma mensagem, uma resposta, você está me cobrando algo que eu não assinei. Então muito cuidado com os contratos de tempo que vocês não assinam, mas são cobrados, porque são tempos de outras pessoas. Pera lá, gente, equilíbrio. Claro que tem situações que você precisa resolver imediatamente, algumas coisas depois. Só que aí, sabe o que que eu sugiro? Pergunta. Hoje eu tenho perguntado muito, inclusive nós fizemos muito isso, né, Lucas, nos últimos dias. Lucas, qual é o meu prazo? Então saber isso, gente, é botar limite, porque senão vai ter gente te cobrando respostas num tempo que você não pode, porque você está mandando aquele áudio enorme, né, Isa? Mandando aquele áudio de 8 minutos. Você não ouviu? Não acredito.
Calma, né? Calma.
Vamos, por favor, não mandem áudios com mais de 1 minuto. Fraciona o áudio, né? Isso é respeito ao tempo do outro. Respeito ao tempo do outro. Quantos áudios, Lucas, eu tenho que ficar ouvindo? De repente no trânsito, tava assim, bom, deixa eu pegar as mensagens. E não o que você quer, porque você, né, fazendo é uma outra coisa. Tem rapidamente um comentário que eu me lembro quando eu mandei o primeiro e-mail para o Frei Beto, uma das primeiras pessoas que entrevistei, a resposta dele foi fantástica. Resposta dele automática: obrigada pelo seu e-mail, responderei na primeira oportunidade, mas não pense que estou conectado o tempo inteiro, preso por outros afazeres.
Sim, sério, objetivo.
E recentemente, isso não é fofoca, tá, gente, é um fato, e é bom a gente compartilhar a verdade. O Ricardo Amorim, a mesma coisa. Se você mandar um e-mail para ele, vai estar lá: convites para tal tal tal tal coisa, não posso aceitar até tal data. Pronto, é o respeito ao seu tempo e ao meu tempo. E aí nós temos que ser muito responsáveis pelo tempo que nós estamos compartilhando aqui informações, e muito, né, responsáveis pelas informações que você acaba pulverizando para todo mundo. Tem um capítulo muito bacana que é Obrigado pela Informação que Você Não Deu. É isso, gente.
Eu queria dizer do meu privilégio de ter trabalhado com a Isa nesses últimos anos, porque o tanto que eu aprendi assim nessa troca de respeito mesmo ao tempo do outro, de dinâmica, né, de trabalho para fazer a vida de todo mundo melhor. E não é nada que, nada, nem um bicho de 7 cabeças, nada disso. É puro respeito pelo tempo do outro, por respeito pela dinâmica da vida, pelo orgânico, né, pelo organismo Que a gente, nós não somos, nossa mente não é digital, nossa mente é analógica, como a gente disse, né? Nós nos esquecemos, nós falhamos, deixamos de responder, etc., mas a gente encontra uma dinâmica a partir do respeito, né? E tá tudo aqui, gente.
É isso, isso. Olha, só para finalizar, muito importante: temos que saber lidar com os imprevistos. Esse livro, gente, era para ter saído há 2 anos. E aí foram vários imprevistos. Quando nós tínhamos batido o martelo para sair este ano, veio a pandemia. E ele saiu na hora certa. Eu posso dizer o que que eu aprendi com esse livro? Que tudo tem a hora certa. Por quê? Porque com isolamento eu pude escrever um epílogo. Olha que coisa mais chique! Que é uma conclusão, né, Lucas? Uma conclusão de tudo que eu tinha falado nas 270 páginas anteriores. Sobre o que a natureza está nos pedindo: pausa. Então, por tudo que acontece, eu quero só dizer o seguinte: você pode planejar sua agenda, você pode organizar o seu dia, mas saiba lidar com os imprevistos, porque nem sempre aquilo que você quer naquela hora é o que você precisa, o que você está preparado para receber. Para mim, Esse livro é um presente. Eu agradeço profundamente a você, Lucas, ao Mauro Palermo, a Camila, a Monalisa, Bruna, né, as nossas queridas meninas da comunicação, por tudo que vocês estão fazendo por mim para que este conteúdo chegue ao maior número de pessoas. E eu faço um convite para quem está aqui nos acompanhando: compartilhem esse conteúdo. Eu vou deixar essa live salva lá no meu canal no YouTube. Porque este livro, ele traz um, ele é uma chave para preservação da vida. Ele tem informações úteis que podem preservar a vida. Aí é uma escolha.
Demais, incrível!
É isso.
Antes da gente finalizar, eu preciso dizer que o livro tá disponível em todas as plataformas digitais, todas as livrarias, e as físicas que estiverem abertas também. Podem acompanhar nas nossas mídias sociais da Globolivros ou da Isa também novidades sobre a obra, onde encontrar, etc. E a Isa vai fazer o sorteio, é isso?
Vou sim. Antes deixa eu só dar um alô aqui para o Caico de Queiroz, que ele foi o responsável. O Mauro também deve estar aqui nos acompanhando. Ele que me incentivou, ele que me provocou lá atrás quando eu tava fazendo a previsão do tempo. Ele falou: Isabela, vamos falar do tempo? Eu falei: não, desse tempo da previsão. 'É, já tem muita gente falando, vamos falar do tempo, que eu tô ouvindo muita gente reclamando do tempo.' E assim foi. Então percebam, se eu não tivesse prestado atenção nessa observação do Caico, nada disso teria acontecido. Esse estado de presença é fundamental para as melhores coisas da vida acontecerem. Obrigada, Caico. Obrigada a todos que estão aqui nos acompanhando. Vamos para o sorteio? Vamos! Então é o seguinte, esse sorteio vai ser realizado pelos comentários que foram feitos lá no meu feed. Então eu vou virar aqui a câmera, tá, para vocês verem que é aqui, ó, na hora. Cadê o mouse, gente? Pera lá, aqui, ó, ele vai carregar. Foram 141 comentários, então vamos lá, primeiro número, cruzem os dedos. Vamos lá. Comentário 52, Teresinha Aparecida Boldorini.
Parabéns!
Pronto, deixa eu anotar aqui o comentário 52. Pronto, agora eu vou para outro, tá? Deixa eu ver aqui, ó, mais uma vez sortear número. Ai, que emoção, né? Adoro sorteio.
Vou ficar mostrando o livro aqui, o pessoal tá pedindo.
Dedé Luiz Neves, 33. Queria esse livro, mas não tenho condições de comprar. Ô, Dedé, ganhou! Que maravilha! Parabéns, parabéns! Eu vou anotar aqui, depois a gente entra em contato com vocês, né, para a gente poder enviar. E aí vai com dedicatória. Olha só, mais um ponto que eu quero compartilhar aqui com todo mundo: quando a gente fala sobre imprevisto, eu acho que uma mulher, quando ficar grávida, mesmo sabendo que ela vai ter 9 meses pela frente, ela já imagina o tempo da maternidade, né, até o rosto do filho e tudo mais. Vamos segurar para não chorar. Desde o primeiro dia em que eu conversei com Mauro e a gente se conectou muito com o tempo de Deus, né, com o kairós, eu esperava por esse momento que tá acontecendo agora. É claro que eu sonhei com filas em livrarias Eu sonhei com o abraço das pessoas, dos leitores, beijos, manifestações, dedicatórias, e isso não pôde acontecer. O que que eu vou fazer com isso? Eu vou aceitar que eu não tenho outra forma de fazer esse lançamento. Isso eu quero dizer que os imprevistos acontecem, mas eles não mudam o valor do que acontece. Eu tô profundamente feliz Acredito que em breve nós poderemos fazer rodas de conversa em teatros, né? Vamos poder fazer dedicatórias. Mas mesmo não tendo esse lançamento que eu sonhei tanto, né, nas livrarias, eu tô profundamente feliz e grata pelo tempo de todos vocês que nos acompanharam e que esperaram esse filho nascer, porque foram quase 4 anos E os amigos sempre perguntando: e o livro? E o livro? Falei: calma que na hora certa ele vem. E veio.
Isa, muito obrigado. Logo menos a gente se aglomera, todo mundo, em livraria, em evento, em palestra, o que for, dá um abraço bem apertado. Eu queria te mandar um abraço virtual muito grande em nome de toda a equipe da Globolivros, todo mundo que você mencionou, todo mundo que trabalhou de alguma forma para que o livro acontecesse. É muito emocionante mesmo para a gente, porque foi uma saga, e foi uma saga colorida, muito bela, com percalços, como toda grande aventura, né?
Sim, essa é a prova de que temos que estar atentos e que nem sempre as coisas vão acontecer no tempo que a gente quer, mas no tempo que elas precisam acontecer.
Sim, gente, obrigado a todo mundo que tá aí. Novamente, o livro Dá um Tempo, da Isa, tá disponível em todas as livrarias online e em livrarias físicas também que estiverem por aí abertas. Tá facinho de encontrar e vocês não podem perder, de verdade, é uma leitura deliciosa. Tá lindo demais o livro e vocês continuam acompanhando todas as novidades no nosso perfil e no da Isa. Vem novidade, muita coisa acontece.
Isso, a partir da semana que vem eu farei lives diárias com os entrevistados do livro pra gente repercutir os assuntos e, gente, vão de maternidade a esporte, música, né, a saúde. É um trabalho que eu estou apresentando ao mundo então hoje oficialmente. Um trabalho feito por muitas mãos. Nada, ninguém faz nada sozinho. Eu não teria feito nada sozinha sem a ajuda do Lucas, do Mauro, de todas as pessoas que estiveram comigo nesses últimos 4 anos. Agradeço profundamente a cada um de vocês. E agora então eu entrego, tá? Tá aqui, tá aqui, ó. Entrego. Igual o Rei Leão: tá aqui! Eu entrego então esse conteúdo riquíssimo para que vocês preservem o tempo e a vida de vocês, desejando por fim que o tempo sempre esteja a favor de vocês. Obrigada, Lucas! Obrigada a todos que estiveram.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








