Live com a Promotora de Justiça Gabriela Mansur - Violência doméstica

Gabriela Mansur, a public prosecutor, discusses the rise in domestic violence during COVID-19 lockdowns. She talks about the Justiceiras project, which supports women experiencing abuse, and explores the psychological and social roots of domestic violence.
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Olá, olá, boa tarde. Tudo bem? Ajustando aqui a câmera. Colocando... Opa! Colocando aqui o tema da nossa live dessa quarta-feira, fixando o comentário. Hoje teremos uma convidada ilustríssima, um assunto que eu já estava esperando já há um tempão para poder aqui trazer para vocês. que é sobre os casos de violência contra a mulher, que tem aumentado com o isolamento social que estamos vivendo. É curioso porque, desde o início, eu e meu marido já pensávamos que isso ia acontecer. Infelizmente, aconteceu com um número muito maior. E vamos conversar, então, com a promotora de justiça, Gabriela Mansur, para saber o que nós podemos fazer para que esses números parem de aumentar, para a gente divulgar os caminhos certos para que essas mulheres possam procurar e possam ter a ajuda o mais rápido possível. Então, já já, a promotora de justiça Gabriela Mansur, ela tem um trabalho fabuloso, com o Instituto Justiça de Saia, que foi lançado há alguns meses e acabou de lançar um programa chamado Justiceiras, que já tem mais de 700 mulheres à disposição para ajudar outras mulheres em vulnerabilidade social ou que estão vivendo algum tipo de agressão dentro de casa. Eu tenho aqui alguns números, tem um até que saiu anteontem, Em São Paulo, o Ministério Público afirma que o aumento foi de 30% durante a quarentena. Os casos de violência contra a mulher aumentaram 30% desde que o isolamento começou. Esse é um número horrível. 1% já seria muito. 30% é... É terrível porque são mulheres que não têm como ficar longe desses agressores. Ou seja, a Gabi vai ter muito aqui pra nos orientar, como proceder num caso desse, se você que é vizinho, vizinha, amigo, tá sabendo, enfim, como é que a gente pode proceder num caso como esse, como a gente deve agir, como a gente pode ajudar e não atrapalhar. Tudo é muito delicado, na minha opinião, por isso que conversar com quem entende sobre o assunto, é fabuloso pra trazer essas respostas pra gente. É curioso também quando você considera que isso pode estar acontecendo do seu lado e você não faz ideia. Deixa eu dar uma olhadinha se ela.
Já tá por aqui.
Não. Para começar, assim que ela mandar a solicitação para mim, a gente já divide tela. Como eu escrevi aqui, a gente está falando sobre o aumento do número de casos de violência doméstica durante o isolamento. Em São Paulo, esse número já subiu em 30%. E teve também uma reportagem que eu estava lendo em que a América Latina, olha só, é o lugar mais perigoso do mundo para ser uma mulher. coisa, né? Vou repetir, a América Latina é o lugar mais perigoso do mundo para ser uma mulher. Agora, então, deve estar pior ainda. Nós vamos conversar sobre isso com ela. Outra coisa, a violência doméstica avança com o coronavírus na América Latina. Sim, porque estamos todos dentro de casa e muitos agressores agora não saem para trabalhar, não podem sair para absolutamente nada. Tem também uma informação do aumento de quase 10% no total de ligações pelo canal 180, que é o canal de denúncias de violência doméstica. Então, você tem aumento de números por todos os lados. E se você buscar a origem desse aumento, fica fácil. compreender porque estão aumentando. Se antes esses agressores tinham momentos fora de casa, agora eles só estão dentro de casa. E como a pandemia altera a saúde mental, altera uma série de comportamentos, não acho impossível isso realmente enfatizar ou deixar mais crônico um comportamento que já não era legal e agora pode ficar ainda pior. Então, muito obrigada por todos vocês que estão aqui entrando. Se tiverem já perguntas para a Gabriela Mansur, a promotora, nós já vamos conversar com ela. Assim que ela entrar eu já divido tela. E dêem uma olhada também no Arroba Justiceiras, porque é um programa que ela lançou há pouco tempo, tem mais de 700 mulheres voluntárias que podem acolher juridicamente, emocionalmente, psicologicamente, outras mulheres que precisam de ajuda. Só um segundinho que eu já volto aqui. Pronto, voltei. Então, vamos lá. Recomeçando aqui. Agostinho, absurdo qualquer tipo de agressão, concordo. Deixa eu ver aqui. Tiago, assunto muito sério, essencial que a sociedade possa debater seu papel para atuar contra a violência doméstica. Tiago é meu marido, trabalha com educação financeira. e tá aqui se posicionando porque todas as contribuições, todos os pontos de vista são fundamentais e quanto mais homens estiverem do nosso lado, melhor para todas nós. São 11h28, a gente tá um pouquinho atrasado, mas nós vamos conseguir. A Gabi já solicitou... e de tela agora.
Vamos falar sobre o aumento do número de casos de violência doméstica neste isolamento que estamos vivendo. Se é fato ou fake, nós já sabemos, né, Gabi, que é um fato, infelizmente. Bom dia.
Bom dia, eu que trazei, peço desculpas aí pra todo mundo. Primeira vez que eu saio da quarentena e acabei me atrapalhando um pouco com o percurso, o trânsito, saber onde parar, onde não parar, enfim. Então peço desculpas aí, agora já consegui parar pra fazer Ralari, vamos lá.
Gabi, obrigada pelo seu tempo. Eu espero que essa sua saída tenha sido por um motivo, não por um motivo grave.
Não, não, é compromissos mesmo. Tô tentando fazer aí ficar o máximo que eu consigo em casa, na quarentena, mas tem algumas coisas que não tem como não ir. Tem que acompanhar umas vítimas da delegacia, hoje nós vamos lá na casa da mulher brasileira, ver como está a situação. Enfim, hoje eu tive que realmente encarar. Vamos em frente.
Então, Gabi, obrigada pelo seu tempo. Esse é um assunto que eu já estava querendo já falar há muito tempo e que bom que você conseguiu esse espaço na sua agenda e vai ajudar outras mulheres com certeza. Eu estava vendo ontem, ontem, saiu uma notícia no G1 em que o Ministério Público de São Paulo já confirmou aumento de 30% no nos casos de violência contra a mulher. Inclusive, em março, foram 2.500 medidas protetivas em caráter de urgência. Gabi, como é que você está vendo este isolamento? Você deve ter outros dados, outras informações que este isolamento causaria esse aumento de agressões.
O confinamento, o contato mais próximo com as pessoas, essa também crise que nós estamos passando, que tem muito medo, insegurança, intolerância, as pessoas estão vivendo 24 horas num ambiente menor, em que já havia situações de violência, Isabel. A gente não pode falar que o isolamento ou a quarentena é a causa. Já havia situações antecedentes, situações de violência, e relacionamentos abusivos e agora com a quarentena isso se intensificou, isso se acentuou por conta de várias situações aí que estamos vivendo, seja do ponto de vista subjetivo, da personalidade desse momento terrível, seja também do ponto de vista objetivo, quanto mais junto pessoas que já estavam em questões conflitantes estejam, mais chance de sofrer violência doméstica contra as mulheres. A gente tem percebido isso. Num primeiro momento, em São Paulo, nós não tínhamos esse aumento. Pelo contrário, nós percebemos uma diminuição. Mas por que isso aconteceu? Porque nós não tínhamos ainda articulado para o boletim de ocorrência online, para o recebimento das medidas protetivas por e-mail institucional, foi muito no começo e nós fomos buscando aí essas portas de entrada online para as mulheres denunciarem e aí nós percebemos esse grande aumento, infelizmente.
Você, a partir disso, você criou Justiceiras.
Sim.
Conta pra nós sobre esse projeto, depois a gente volta um pouco mais nos números, nas causas e nas outras soluções.
Pois não. Quando começou tudo isso, Isabela, eu estava em Washington, a convite do governo norte-americano exatamente para nós fazermos uma troca de experiências e projetos do Brasil e Estados Unidos. Eles queriam conhecer o que nós fazíamos aqui e já impressionados, eles são muito impressionados com essa questão da violência doméstica no Brasil, com os altos índices, com a violência contra a mulher, inclusive com o tráfico internacional de meninas, inclusive com a questão do estupro contra menores, do Brasil, é uma preocupação mundial os números de violência brasileiro. Agora, eu estava lá, conhecendo também os projetos deles, quando estourou tudo isso e de lá eu já estava com uma grande preocupação como eles iriam combater a violência doméstica nesta fase de quarentena, porque da China já havia um número expressivo desse aumento, na Itália também, aí Estados Unidos o terceiro país aí a ter uma maior repercussão da questão e a se preocupar com isso. Então eu voltei já com isso na cabeça. E aí eu comecei a me preocupar onde essas mulheres iriam fazer as denúncias. E aí, conversando com uma promotora do Rio de Janeiro, lá já aparecia 50% do aumento nesses casos. De cara, ela já percebeu esse aumento. Por quê? Porque no Rio de Janeiro tem a possibilidade do boletim de ocorrência online. Então, onde nós tínhamos O boletim de convença online, onde nós tínhamos qualquer espaço online para essa mulher pedir ajuda e denunciar, houve um aumento Em São Paulo, como eu disse, houve uma diminuição, porque as mulheres tinham que ir até a delegacia da mulher ou até a Casa da Mulher Brasileira ou até o Ministério Público para denunciar, para pedir aí proteção e ir atrás dos seus direitos efetivamente E surgiu a minha preocupação de vamos criar um espaço para que essas mulheres possam pedir ajuda online, sem sair de casa, sem sofrer violência por conta da quarentena. E aí eu criei o Justiceiras, que já era um projeto que estava em desenvolvimento, mas que foi muito incentivado pela necessidade de ser posto ao ar para que essas mulheres conseguissem ter um ambiente online para apoio, apoiamento, orientação e também se elas quisessem fazer as denúncias formais contra os agressores E tem sido muito bom, porque eu tô trabalhando 24 horas por dia mais do que antes, que eu já trabalhava Todo mundo reclama do meu trabalho muito, minhas amigas, vocês todas, você também, né? Mas você tem aí como administrar por conta da sinâmica que você teve Então é bom que a gente aprende com você como administrar tudo isso — Vamos trocando — Nós estamos trabalhando muito mais, porque isso é 24 horas, é online E isso eu trouxe por uma experiência que eu passei no Instagram Eu recebo muitos pedidos de ajuda online Pessoas nem me conhecem e eu recebo todos os dias de 5 a 10 pedidos de ajuda de orientação E também muitas pessoas querendo ajudar Aí eu consegui reunir tudo isso para que a gente formasse uma rede de justiceiras pelas mulheres brasileiras Gabi.
Então você criou o Justiceiras, por quê? Você percebeu lá no Rio de Janeiro, onde existe a possibilidade de boletim online, que lá aumentou de cara 50%. E nos seus directs, na sua página, na internet, você também recebia esses pedidos. Logo que você colocou no ar o Justiceiras, como é que foi esse cruzamento de pessoas que querem ajudar com quem precisa de ajuda? E como isso.
Acontece hoje? Foi tudo muito rápido. Eu convidei a Anny Williams, nós já trabalhamos juntas nessas causas de violência contra a mulher em projetos sociais. Ela é do Instituto Nelson Williams, que é um sitório de advocacia que tem essa parte social. E eu convidei o João do Bem Querer Mulher, o João Santos, que nós também já desenvolvemos alguns projetos juntos. Por que eu chamei os dois? Porque eu sozinha não ia dar conta. Eu tenho uma rede muito boa de lideranças, de mulheres que fazem esse atendimento, mas o João ele tem essa questão do atendimento psicológico com uma pessoa que trabalha com ele que é muito ligada aos casos que eu já encaminho e, ao mesmo tempo, a Eliana tem uma noção de gestão muito boa desses projetos. Então, eu quis juntar os três para que a gente conseguisse dar um melhor atendimento. Como que eu pensei? Bom, primeira coisa, eu preciso das voluntárias, preciso de mulheres que, de fato, querem ajudar. Será que essas mulheres querem ajudar mesmo? Será que nós vamos conseguir formar uma rede efetiva uma rede de expertise no atendimento aos ritmos de violência contra a mulher, então vamos colocar no ar, montei um Google Document, minha equipe, a Majara, a Samara, que elas estão assistindo, agradeço muito, montamos uma equipe, um link com um formulário de voluntariado para que essas mulheres do Google Document, essas mulheres clientes, me mandassem. Eu postei no meu Instagram e o e-mail do dela, E o João morreu, então a gente teve aí, em menos de 24 horas, 300 pessoas inscritas E a gente tinha feito um... eu achei, bom, se eu conseguir 100 pessoas vai ser ótimo, a gente começa a encaminhar Foram 300 e a gente falou, não, vamos abrir para mais, 500 Aí a gente abriu para 500, aí depois abrimos mais, tem 700 pessoas inscritas Nós abrimos ontem de novo, parece que já está chegando a quase mil pessoas.
Inscritas em todas as áreas Advogadas, psicólogas.
Quem mais? Advogadas, psicólogas, a parte técnica. Advogadas, psicólogas, assistentes sociais e médicas. E aí nós temos a parte de acolhimento. Todas as mulheres que não têm essa capacitação técnica, mas que querem ajudar, dividir experiências, porque já passaram pela situação de violência ou porque tem outras profissões que conseguem de alguma forma ajudar, por exemplo, tem fisioterapeuta, bombeira, eu achei isso bacana, tem enfermeiras, estudantes de direito, estagiária de medicina, estudante de medicina ou estagiária de psicologia, várias pessoas que não têm a capacitação técnica ainda para dar essa orientação, porque o órgão de regulamentação das profissões exige, e isso a gente está respeitando, então vai para essa grande rede de acolhimento, que é o apoio, é como se fosse a melhor amiga, olha, não Eu tô aqui, o que você precisar de mim, manda mensagem, me desabafa, ouve Então nós temos aí o primeiro atendimento online multidisciplinado A mulher que pede ajuda é encaminhada para todas as frentes de uma vez só Então nós tivemos aí as voluntárias inscritas E em seguida eu pensei, bom, e agora? Vamos divulgar no Instagram um link e as vítimas vão por esse link fazer a denúncia, mas aí eu lembrei que tinha um programa no WhatsApp, porque eu já estava tentando implementar isso, nós fizemos um número de WhatsApp em que essa mulher manda mensagem para esse número de WhatsApp e recebe o link. A partir do link ela apreende o formulário que é o pedido de ajudas e entra para essa nossa equipe. Entrando para essa nossa equipe, nós pegamos o caso e fazemos a conexão pedido de ajuda e todas as voluntárias. Então, uma ajuda a gente manda para a primeira linha das voluntárias e assim por diante. Primeira linha é todas as frentes. Deu um trabalho, você não imagina o quanto a gente trabalhou nisso. Nós ficamos assim, acho que uns três dias, 24 horas, trabalhando nisso sem parar. 15 mulheres, que são as líderes de todas as fentes de trabalho. A quem eu agradeço muito, você conheceu algumas delas, porque elas estavam, fazem parte do Instituto de Justiça de Itália, e você brilhantemente nos prestigiou fazendo todo o trabalho de apresentadora, cerimonialista, que foi maravilhoso, e elas fazem parte aí do Justiceiras, em todas.
As fentes. Ou seja, as suas aliadas, as suas companheiras do Instituto Justiça de Saia também estão nas justiceiras Porque os trabalhos, eles caminham juntos, né, Gabi? Tem aqui uma advogada, a Carla, ela está dizendo como é que eu faço para ajudar como voluntária Então, antes de eu te pedir o número para a gente avançar aqui na nossa conversa Quem está acompanhando a live ou quem vai ainda depois assistir pelo YouTube que infinitamente fica lá no meu canal Como faz para entrar no grupo.
De voluntárias? Bom, nós temos um link que está no meu Instagram, no meu Story, no Instagram do Instituto Nelson Williams, do Instituto do Bem-Terer Mulher e no meu Justiça de Saia. É um link, é um formulário do Google Document, rapidinho, que você preenche esse formulário e vem pra nós. Não existe assim, ah, eu vou aceitar. Se você se inscreveu, você já vai ser voluntária. Nós não estamos pondendo material na seleção, só que nós vamos te direcionar. Se você tiver OAB, você pode tudo direitinho, você vai ser a voluntária da orientação jurídica. Se você não tiver o AB ou a capacitação técnica da área que você escolheu, você entra na rede de acolhimento. Todo mundo vai ser chamado. O que a gente tem que explicar é, tem um número de vítimas, mas tem um número maior de voluntárias. Mas uma hora chega, porque a gente quer divulgar isso em massa, o número do WhatsApp, para que nós tenhamos aí um alcance nacional disso, e que já vem mulheres de todo o Brasil pedindo ajuda, para que todas as voluntárias possam ajudar, possam orientar e possam fazer parte.
Dos Justiciras. Perfeito. Agora, Gabi, para quem está acompanhando essa nossa conversa ou vai acompanhar, qual é o número de WhatsApp que ela pode entrar em contato para fazer.
Uma denúncia? O número do WhatsApp é 11 99 63 9 12 12. Então, 011 São Paulo 99 639-1212. A partir desse WhatsApp que a gente recebe, essa mulher vai receber um link, vai preencher, isso automaticamente já chega para a nossa equipe, que vai fazer aí o encaminhamento para as voluntárias. Agora, surgiram várias demandas, né, Isabela? Por exemplo, nós vamos capacitar essas voluntárias, nós estamos formando já um projeto ou de EAD, ou alguma plataforma que nós vamos fazer uma capacitação online das voluntárias, parte jurídica, psicológica de assistência, algo que já se chama Formando Justiceiras, que nós já estamos encaminhando. Todo esse trabalho manual que nós estamos fazendo de link, de WhatsApp, vai também ficar numa plataforma, nós estamos criando por trás disso uma inteligência artificial para já fazer todos esses encaminhamentos, esses atendimentos, então vai agilizar muito mais Eu espero que a gente consiga ser o maior canal de denúncias do Brasil e oferecer o melhor serviço multidisciplinar online do Brasil também, e eu.
Vou conseguir. Com certeza, Gabi, você já conseguiu tantas coisas incríveis e vai conseguir outras porque a sua missão é muito nobre e tem que ser fácil, né? A mulher não pode ter mais uma dificuldade para denunciar, ela já tem que... É isso, vai pelo zap mesmo, mandou uma mensagem e vai receber ajuda. Deixa eu ver, tem.
Tanta pergunta... A violência contra o homem. O justiceiro atende as mulheres, mas se você mandar lá alguma situação que se você esteja sofrendo violência, a gente também pode encaminhar para o município público ou para a delegacia, eu como promotora posso encaminhar, é um projeto para defender as mulheres em situação de violência, mas isso não significa que os homens não têm acesso, não sofram violência, violência contra o homem também é crime e ele tem aí os canais próprios para fazer a denúncia e buscar os seus direitos, é que a Lei Maria da Penha defende as mulheres e o índice de violência contra as mulheres é infinitamente maior do que o nível de violência contra os homens, então por isso que esse projeto atende inclusive ao princípio da igualdade, tratar os iguais, os desiguais, tratar os iguais desiguais nas medidas de suas desigualdades. Então é importantíssimo que a gente tenha esse olhar Não é discriminatório, é só prevalecendo a igualdade mesmo Bom.
Vou repetir aqui o número 011-99-639-1212 Recomendo para que você entre também no Instagram da promotora Gabriela Mansur, arroba justiça de saia Ali você também terá outros caminhos de outras páginas, outros portais para participar deste... Eu posso chamar de projeto, Gabi? Isso já.
É um... É projeto, justiça de saia.
Agora o seguinte, muitas mulheres não sabem nem reconhecer o que é uma agressão, Gabi Muitas estão vivendo sobre agressão há muitos anos e não sabem nem reconhecer que aquilo é uma violência E que no primeiro momento ela pode não ser física, mas ela pode chegar a ser física Vamos falar um pouquinho.
Sobre isso? O que eu percebo, Isabela, que as mulheres, muitas delas, não se enxergam como vítimas quando elas estão no início de uma violência psicológica Não se enxerga. Não, não se enxerga. São os primeiros sinais de um relacionamento abuso. E quando ela se enxerga, aquilo lá já minou a autoestima dela. Ou ela adoece fisicamente, psicologicamente. Ou ela, de fato, sofre uma violência física. É como se ela tomasse o primeiro tapa e despertasse. Sou vítima de uma violência física. Só que ela já vinha sofrendo a violência psicológica. E o que eu percebo é que essa violência física, ela nunca vem ela sempre vem acompanhada de uma violência psicológica. É impressionante como essas mulheres estão numa situação de vulnerabilidade, estão numa situação de diminuição de autoestima, com fatos como isolamento, humilhação pública ou no ambiente privado, controle excessivo, de tudo, da roupa, do pensamento, e fala, gente, é um controle ideológico, a pessoa não pode nem pensar, não pode nem falar, ela já está criticada, ela já é questionada, ela é xingada, tem, assim, muito xingamento, muito menosprezo, muito isolamento, muito controle, tudo isso diminui a autoestima da mulher a ponto dela não se enxergar mais como ela quer ser ou como ela é Isso vai transformando, é como se a mulher fosse encolhendo, como se a mulher fosse se colocando dentro de uma caixa. E aí, quando ela ou quer reagir, ou ela entende que não quer mais isso, quer romper o relacionamento, vem muitas vezes a violência física. Ou a violência física vem sem que ela reaja, por tão já minada que ela esteja. Por isso que eu falo, prestem atenção nos primeiros sinais. que podem indicar que esse relacionamento é ou será abusivo, porque com essa abusividade você fica ainda mais sujeito a sofrer de fato uma violência psicológica e sofrer de fato uma violência física. Qual que é a diferença do relacionamento abusivo, tecnicamente, e da violência psicológica? Para você falar estou sofrendo violência psicológica, você tem que ter um conjunto de atos ao longo de um tempo, de um espaço de tempo, que de fato te causaram algum dano à sua saúde mental ou à sua saúde física. Então você tem que provar que todos aqueles atos de agressividade que eu falei, isolamento, controle, humilhação, menosprezo, xingamento, muitas vezes uma tortura psicológica, tudo isso vai gerar em você um dano à sua saúde mental ou à sua saúde física. Você tem que fazer esse link. E as mulheres ficam. O que seria um dano à saúde? Depressão. síndrome do pânico, distúrbios alimentares, distúrbios do sono, pensamentos suicidas, automutilação, tudo isso causa na mulher esses sintomas, o isolamento social, um total desencantamento pela vida, você deixa de sonhar, você deixa de viver. E se isso desencadear também, ou uma doença física, também fica comprovada a violência psicológica. Qual seria essa doença? Bom, a doutora Albertina Takeuchi, que é a nossa ginecologista máxima dos projetos sociais de combate à violência contra a mulher, ela fala o seguinte, a mulher perde totalmente a libido, ela tem dores vaginais, ela começa a apresentar várias doenças ligadas à sua sexualidade, ela não tem mais vontade de ter relações sexuais com tudo isso desencadeia essa doença física. Aí vem com gastrite, com doenças ligadas à questão emocional, e aí ela acaba sendo vítima de uma violência psicológica que é um crime de lesão à saúde da mulher. Artigo 129, parágrafo nono do Código Penal. Nós temos que comprovar. Agora, os relacionamentos ao vírus são que existem esses atos, mas ela ainda não está doente emocionalmente ou fisicamente e o primeiro passo para sair da violência é compreendo esse relacionamento, procurando ajuda psicológica, apoio das amigas para que ela consiga entender que ela pode vir a ser uma vítima de violência psicológica, física e até de.
Um feminicídio. É, porque muitas mulheres acham que a violência só é física, mas a psicológica, na minha opinião, ela é gravíssima e ela vai indo aos poucos, né, Gabi? Porque os homens vão utilizando de... eu vou usar recursos, não sei se essa seria a palavra certa, porque muitos que têm ciúme, como você diz, podem... A mulher pode achar que ele tem ciúme de mim, então ele gosta de mim, e na verdade ele está controlando Você falou aqui agora, até o controle intelectual. Nossa, eu não posso nem pensar isso E isso é normal, a gente sabe que isso acontece Mas Gabi, uma outra coisa que você falou, e eu converso muito com meu marido, que trabalha com educação financeira Muitas mulheres aguentam as violências domésticas porque dependem dos maridos, então financeiramente elas são dependentes Isso agrava, isso pode agravar uma situação Mas Gabi, e como é que a gente explica aquelas mulheres que são as mantenedoras do lar e ainda convivem com o agressor?
Por quê? Dependência emocional Há uma... Muitas vezes há uma cobrança social, que é como se o único comportamento aceito para a mulher em termos de felicidade e de cumprir o papel da mulher é ser a bela arrecadada do lado Ela manter a família, manter o casamento, como se a única sociedade aceita fosse o casamento Então a gente tenta manter o casamento a todo custo, a gente perdoa, a gente desculpa, a gente se acha exagerada A gente fala, não, imagina, estou exagerando, não aconteceu isso Porque esses relacionamentos, eles camuflam essa violência psicológica. A violência psicológica é muito cruel porque ela não aparece. Ninguém vê, só você sente. É a alma que é ferida, não é o corpo da mulher. É o corpo que dói, mas sem nenhuma marca. É por dentro. É o corpo que dói, mas você não vê nenhuma marca. Só que o coração da mulher está dilacerado. A mente dessa mulher está controlada, e ela deixa de sonhar, e quem deixa de sonhar, deixa de viver. E uma coisa que eu percebo é que eu tenho muito ciúmes de você, porque você é só minha, então é a posse, eu quero você só pra mim, a mulher se sente, a gente tem esse encantamento, aí tem, ai, eu quero só cuidar de você, o excesso de cuidado, quer dizer, ter também o controle, principalmente com o controle financeiro. Muitas mulheres que trabalham ficam escondendo as compras do marido porque ele vai brigar com o dinheiro era dela. E assim, todas nós passamos.
Por isso. É.
Confuso, né? É confuso. E tem também, Isabela, essa questão social, a vergonha de falar que sofre violência, que ninguém rompeu o relacionamento por isso, o medo das pessoas não acreditarem nela, o medo dessa violência se acentuar, se ela denunciar, se ela romper o relacionamento. E tem também a dependência. Ah, também tem o medo de perder guarda de filho, de questão de alimentos, dos filhos ficarem contra a mãe. Isso é muito presente, muito presente. Ela não poder manter o mesmo padrão de vida que antes ela tinha com o casamento. Eu percebo muito isso nas mulheres que procuram não só o Ministério Público, como os meus canais para pedir ajuda. E também tem a dependência psicológica, porque esses relacionamentos, eles camuflam o cuidado, o controle, como se ele fosse o amor excessivo, só quero te amar, só quero você pra mim, mas eles também alternam momentos de muita felicidade com muita violência psicológica, muita felicidade com muita abusividade, então a mulher acaba se confundindo E falando, não é possível, olha que legal minha vida, como é boa, como a alimentação tá bem, como eu tenho momentos de felicidade Eu tava exagerada, eu tava, não sei, eu não tava num dia bom, eu me mimi, então eu vou aguentar e ela vai aguentando Aí vem a violência psicológica, vem a abusividade, ela cai, fica no chão, aí depois vem o momento de felicidade Ela não consegue tomar uma decisão, ela não consegue se enxergar como vítima de uma violência.
Psicológica Nossa Gabi do céu, deixa eu partir para uma outra pergunta, já a gente faz um resumo, tá? Que eu deixo um resumo aqui no feed Embora todo o conteúdo vá lá para o YouTube porque essa mensagem vai chegar em outros corações A estética Michelle Fernandes diz o seguinte, eu estou sofrendo agora ameaças psicológicas E ele, aqui em tempo que é o marido, fala que se eu for embora com a nossa filha ele me acha E aí, Gabi? O que essa moça pode fazer? O que esse homem realmente tem direito em relação.
À filha? Você pode repetir, porque eu tava lendo a pergunta e sumiu da tela Queria que você repetisse pra mim, eu dei uma falhada no comecinho quando.
Você falou Tá, deixa eu achar aqui Estou sofrendo agora ameaças psicológicas Meu marido disse que se eu for embora com a nossa filha, ele.
Me acha Sim, o que ela pode fazer? Ela pode pedir uma medida protetiva, fazer um boletim de ocorrência ou pedir uma medida protetiva na Defensoria Pública ou no Ministério Público, ou até pedir apoio nas justiceiras também, ou fazer um boletim de ocorrência online. Com essas medidas protetivas, ela tem a proibição de ele se aproximar dela, manter contato com ela por qualquer meio, com ela. Em relação à filha, se ele não for uma pessoa nociva, A filha, ele vai ter o direito de guarda, o direito de visitas, só que ele não pode usar isso para estar em contato com a mãe. Ele não pode usar isso para estar em contato com a companheira, a ex-companheira dele. Então, ele vai colocar sempre no interposto a pessoa para fazer toda essa logística de guarda e de visita, mas ela tem direito às medidas protetivas de urgência dele não se aproximar, não manter contato com ela porque ele está abusando. do relacionamento para cometer algum tipo de violência. Nesse caso, seria ameaça que é o crime previsto no artigo 147 do.
Código Penal. Gabi, quando eu vi essa notícia do G1, diante ontem, do aumento de 30% dos casos de violência contra a mulher e que em março 2.500 medidas protetivas em caráter de urgência foram emitidas, aí eu te pergunto, eu no lugar de uma mulher, eu falei com o 8.0, eu consegui no Ministério uma medida protetiva, qual é a minha segurança em que isso vai acontecer e esse homem não ficar ainda mais violento comigo? Eu acredito que muitas mulheres têm medo de denunciar o que falar.
É a confiança na justiça e a certeza de que o perfil do agressor não é... O homem agressor, não estou falando de todos os homens Vejam, homem agressor Ele tem um perfil que é um padrão que se repete, ele é covarde Ele não quer que caia a máscara dele de que ele é agressor perante a sociedade Ele só é agressor com ela, mas fora da casa, do ambiente privado, ele é a pessoa mais maravilhosa.
Do mundo. Ele é um bom pai.
Um bom marido, ele é um cara que trabalha, ele tá cheio de amigos, todo mundo gosta dele, menos ela. Então ele é o sedutor social. A partir do momento que essa máscara cai e que ele é denunciado, que os fatos vão ao conhecimento de outras pessoas, ele acaba se intimidando. Então eu tenho que as medidas protetivas, elas são excelentes, elas intimidam, sim, o comportamento dos agressores. É que a mídia, a imprensa, muitas vezes, divulgam os casos em que a mulher tinha protetiva na mão e sofreu mais violência ou morreu. Mas ela não divulga os casos de quantas mulheres foram salvas pelas medidas protetivas. Aliás, pra mim, as medidas protetivas são o suprassumo da Lei Maria da Penha. É o que nós temos de mais precioso pra nossa proteção. E outra, Todo mundo sabe que descumpriu a medida protetiva, vai preso. Não é um agressor comum, um criminoso comum, que é um crime patrimonial, é o tráfico de drogas. Não, ele tem muitos antecedentes, ele não quer ser preso, ele não se comporta de forma a respeitar os direitos das mulheres, é machista, muitas vezes tem comportamentos violentos, acentuados com o mundo de alto e droga, acaba batendo na mulher, xingando as mulheres, se envolvendo nesses relacionamentos abusivos, sendo o agressor, mas ele não é uma pessoa que comete um crime patrimonial, então ele não quer certeza, ele não quer contra ele uma ficha de maus antecedentes e tudo isso pesa, então é importante que a mulher denuncie, é importante levar ao conhecimento das autoridades, é importante pedir a medida protetiva e mais, hoje em dia nós temos vários projetos paralelos de monitoramento das medidas protetivas de acompanhamento desses casos pela Guarda Civil Metropolitana, pela Polícia Militar, por aplicativo de celular, tornozela eletrônica, botão do pânico, tudo isso à disposição das mulheres para fazer esse monitoramento. Ele sabe disso. Então, os homens se intimidam, sim, com as medidas protetivas. Preçam. E outra, a partir do momento que essa mulher denuncia, ela cai na rede. E é a partir daí que ela vai ter à disposição dela todos os projetos que nós desenvolvemos. colocar essa mulher no mercado de trabalho, apoio psicológico, apoio assistencial, redes de acolhimento. Muitas vezes, se ela precisa de um abrigo sigiloso, agora o prefeito sancionou a lei que prevê o auxílio aluguel para as mulheres em situação de violência. Tem um projeto que tem que sair para que ela seja inserida, que é um projeto que eu realizei, de colocar essas mulheres no mercado de trabalho, com parceria com várias empresas. Tem orientações jurídicas que nós estamos desenvolvendo agora, um projeto só para isso, E mais, tem a possibilidade, que é novidade aí, Isabela, de obrigar esse agressor a frequentar os grupos reflexivos de homens. Esse projeto, sim, diminui a violência contra a mulher, porque nós precisamos da mudança comportamental. E é um projeto que nasceu em 2013 em Itamuão da Serra, com a doutora Sueli Amoelho, veio se ampliando em Itamuão, depois trouxe para São Paulo, coloquei algumas promotorias, várias. Hoje em dia ele é um projeto oficial da prefeitura, em parceria comigo, pelo Tempo de Despertar, Ministério Público, Prefeitura, Bem Querer Mulher, enfim, e ele foi base pra essa nova lei que foi sancionada pelo Presidente da República na semana passada, que determina a obrigatoriedade dos grupos reflexivos de homens. Mas só se a mulher denunciar que a gente vai conseguir encaminhar esses homens pra.
Esses grupos. Esses grupos reflexivos de homens, eles estão em todo o.
País, Gabi? Agora está, obrigatoriamente, em todo o país. Ele não está em todo o país porque nós precisamos implementá-lo. São algumas iniciativas dispersas, aqui em São Paulo foi a pioneira com o tempo de despertar, eu insisti nisso, porque eu fiz um estudo para diminuir a violência e ver que o projeto que mais funciona nos Estados Unidos e na Espanha era colocar esses homens em rodas de conversa para a reflexão do E eu trouxe isso pra cá. E tinha outra iniciativa da promotora Erika Canuto no Rio Grande do Norte e uma no Rio de Janeiro. E aí eu fiz todas as adequações necessárias e implementei em São Paulo como medida protetiva. Obrigatoriamente ele tem que aproveitar. Não é um convite. Se você quiser aproveitar, nós temos na sua disposição. Não, porque eles não vão. Os homens, eles dificilmente procuram ajuda psicológica. Primeiro porque eles acham que eles estão sempre certo. Os agressores, tá gente? Eles não acham que estão cometendo vínculo, não procuram ajuda psicológica Segundo, que eles não querem que caia essa máscara, eles não querem falar sobre as masculinidades tóxicas que causam coisas ruins pra eles em termos de relacionamento Então é difícil, o homem, aí sim, geralmente não vai muito no médico, não busca muita ajuda, poucos vão ao psicólogo, enfim Também diz respeito, ai eu dou conta de tudo, eu não preciso de ninguém pra me ajudar, eu sou o todo poderoso também faz parte de um pensamento cultural patriarcal, machista, de que eu dou conta de mim mesmo. E é necessário que os homens tirem essa máscara, tirem essas amarras, dessa masculinidade, do machismo, e comecem a debater sobre isso. E nesses grupos, eles fazem isso de forma obrigatória. E foi isso que o Presidente sancionou, com base nesse projeto, dentro do DGPK, de.
Forma obrigatória. Gabi, então se eu quiser procurar mais sobre esses grupos reflexivos de homens Tempo de despertar, eu posso colocar.
No Google? Pode colocar no Google, vão ter todas as informações sobre o tempo de despertar Eu espero que nós consigamos, que é o nosso objetivo, levar para todo o Brasil a nossa metodologia Que diminuiu a reincidência de 65% para 2% É um projeto com um grande impacto social de sucesso E eu não abro mão desse projeto do combate à violência contra a mulher, nós vamos seguir Já já o online, porque o que faz a diferença na vida desses homens e.
Dessas mulheres? Gabi, o que eu puder ajudar é... Porque esses grupos de reflexão, como a gente tá fazendo aqui a nossa live e outros cursos, outros tudo que tá acontecendo digitalmente Então o grupo de reflexão, conte comigo tal, o que eu puder ajudar Você falou então que a residência diminuiu de 65% para 2%.
Sim, de 65% para 2% É uma reincidência, que ela não é uma reincidência técnica, é uma reincidência muito informal. O que significa isso? Ele não foi processado e condenado pelo crime, mas ele já cometeu violência contra a mulher, porque quando ela denuncia, ela fala. Ele já evadeu antes. Ela vem no ciclo. A mulher dificilmente denuncia no primeiro tapa, no primeiro xingamento, na primeira violência psicológica. Não. Ela espera um pouquinho, porque ela acha que ele vai mudar o comportamento, ela assume até pra si a responsabilidade dessa mudança. Ela tenta, ela investe, ela faz pacto. Eu tenho uma vítima que ela tem uma listinha do que ele não podia fazer. Ela investiu, ela investiu, ela investiu. Ela falou, doutora, eu não consegui. Não tenho outra alternativa senão demonstrar, pedir uma medida protetiva. E ela me mostrava todas as tentativas que ela fazia pra que ele mudasse, ele prometia. É bem no ciclo da violência. Viva a fase da tensão, da violência, aí vem o arrependimento, o pedido de desculpas, a lua de mel, é tudo lindo, maravilhoso, depois retoma. A gente consegue brecar esse ciclo se os dois forem, de ambas as partes, atendidos pelo sistema da justiça. Ela com a vítima, todo esse fortalecimento, e ele nesses projetos de ressuscitalização do agressor. E tem muitas mudanças desses homens, porque eles conseguem, muitas vezes, tratar de alcoolismo, de algum outro vício, se relacionar melhor no seu ambiente emocional, no seu ambiente social e até familiar. A ponto de um homem chegar pra mim, Isabel, e falar o seguinte, doutora, eu nunca consegui olhar pro meu filho e falar, eu te amo. Com esse projeto, eu consegui falar com meu filho, eu te amo. Então, assim, pra mim, ele é maravilhoso porque ele abre outras portas também pra esses homens, não só saírem desse comportamento violento, mas como serem pessoas mais fáceis, mais leves.
Mais abertas. Gabi, repete pra gente qual.
O ciclo da violência.
Por favor. A zona de tensão, de discussão, de conflito, de xingamento, aí vem a violência efetiva, muitas vezes psicológica forte ou física, patrimonial, moral e muitos casos que eu percebo uma violência sexual e depois vem O arrependimento, a lua de mel, o pedido de desculpas, é tudo lindo, maravilhoso. Tanto é que muitas vítimas, quando elas voltam pro Ministério Público pra falar, doutora, ele me bateu de novo, eu preciso de uma medida protetiva, elas chegam grávidas. Por quê? E a Carla Maria da Penha me falou isso. Porque naquela fase da lua de mel, elas estão apaixonadas, então elas têm muitas relações sexuais com aquele homem, muitas vezes sem proteção, porque tinha brigado, ia separar, ia denunciar, e aí eles retomam, e aí fica tudo maravilhoso, elas engravidam e é bem aquele período de três, quatro meses em que ela sofre de violência de novo. Tá entendido? E eu chamei, infelizmente, dos filhos da violência, porque eles sofrem, essa mulher apanha grávida, sofre violência psicológica grávida, quando ela da luz, ela continua sofrendo violência. Eu já pego casos em que a mulher sofre violência, espancava com o bebê no colo, amamentando, enfim. É muito triste, é muito grave e é, sim, uma questão de saúde pública e uma questão de segurança.
Pública também.
Nossa, Gabriela... Não vou demorar mais muito, que eu tenho uma outra entrevista que a gente.
Vai fazer.
Tudo bem. A gente tem um caso na delegacia que a gente vai fazer um depoimento. Mas eu vou dar mais uns 5 minutinhos para a gente conseguir.
Fazer aí Ok, só para a gente encerrar Essas informações são fundamentais, eu por mim falaria sobre isso todos os dias Em todos os casos, como você falou, a medida protetiva ela intimida sim E ela faz sim a diferença para as mulheres que estão nos ouvindo e sentem que isso não vai adiantar Sim, adianta. Eu vou então repetir o seu Instagram Justiça de Saia. O telefone para o grupo, para o Projeto Justiceiras é 011-99-639-1212. Você que está vivendo algum tipo de violência ou conhece alguém que está vivendo algum tipo de violência, então pode entrar em contato pelo WhatsApp com esse número 11-99-639-1212. Gabi, o que mais você gostaria, então, de deixar como uma.
Consideração final? Eu queria trazer para você alguns dados que nós realizamos terceiras, nessas duas semanas de atendimento, nós tivemos os estados do Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo com os maiores índices de violência, maiores pedidos das mulheres. Alguns municípios em que não tem nenhuma rede de apoio a essa mulher também é muito importante saber que essas mulheres nesses municípios que não tem aonde pedir ajuda estão se atendendo. Então é importante que as prefeituras se comprometam a investir na violência contra a mulher. Nós percebemos também, Isabela, que 30% desses casos, essas mulheres estão sofrendo violência psicológica. Nós falamos muito daqui hoje, não quero fazer esses dados para vocês. Praticamente 20% das mulheres já tinham pedido ajuda e estão agora pedindo ajuda novamente, porque estavam no ciclo de violência, não conseguiram sair e querem de novo pedir ajuda ou ir denunciar. E nós percebemos que 50% desses relacionamentos são entre ex-companheiros, ex-namorados e ex-maridos. Os ex trazem ainda um grande risco a essas mulheres, por isso que é necessária a proteção. E mais, as principais causas nessa fase de quarentena é discussão entre guarda e visita de filhos, uso de celular, controle do celular e também a questão do.
Abuso do Gabi, Rio de Janeiro para.
Nós só. Um recado final para as mulheres. Saindo da violência, vocês não sabem o quanto é importante você dar o primeiro passo e entender que vai ser difícil, mas que existe vida após a violência. Ninguém precisa viver controlado, humilhado, xingado, diminuído, desqualificado, e ninguém tem o direito de roubar os sonhos das mulheres. Denunciem, nossos canais estão abertos, eu como promotora de justiça, ou como Gabriela Mansur, ou como justiceira, justiça que sai do jeito que você quiser, ou Gabi, estou à disposição de vocês para ajudar, seja na denúncia, seja para o encaminhamento para essa grande rede de lideranças que nós estamos criando no Brasil, para ajudar todas nós mulheres. Não subestimem a violência, os primeiros sinais de um relacionamento abusivo, porque você pode sim ser a vítima de um crime grave, uma vítima de um feminicídio, ou você pode, sim, se anular sem viver de uma forma feliz e livre, que é um direito de.
Todas nós. Gabi, obrigada. Eu vou encerrar aqui com você, e aí, como eu tenho mais uns minutos, eu passo um resumo aqui do que nós conversamos. Obrigada pelo seu tempo, pelas suas informações, e contem comigo para tudo o que vocês.
Precisarem. Obrigada. Isabela, quero dizer que você é uma grande mulher, Você é uma pessoa que está sempre do nosso lado e você vai cumprir com o seu prometido. Eu quero fazer minhas unhas no.
Seu salão. Unha Tox, nós faremos. Quando acabar o isolamento, nós faremos. Gabi, obrigada pelo seu tempo.
Até breve. Um beijo para todos.
Vocês. Obrigada. Obrigada, Gabi, pelas informações. Eu vou liberar aqui a Gabi, mas eu vou continuar aqui com você para fazer um resumo então do que nós falamos. Sim, o número de casos de violência contra a mulher aumentaram. Nós temos alguns números apenas, que são os que são divulgados, mas é evidente que isso pode estar acontecendo em outras capitais, em outras cidades, em outras casas que não são noticiadas. Eu conversei com a Gabi por um pouco mais de 30 minutos e ela passou uma série de informações muito importantes para você identificar os primeiros sinais de uma violência psicológica. Nós não estamos nem ainda falando da violência física. Essa é mais fácil de comprovar, essa é mais fácil de você mostrar para alguém que você está sofrendo um tipo de violência, mas a psicológica, ela é muito importante pra você já sinalizar, opa, isso aqui não é amor, isso aqui é controle. Amor é totalmente diferente de controle E aí eu sugiro pra que você recomende essa nossa live estar toda lá no YouTube para pessoas que você sabe que precisam de ajuda Existem alguns canais, que eu vou repetir, tem o 180, que é um canal de denúncias de violência doméstica Agora, se você precisar de uma ajuda pra hoje Entre no Instagram, arroba Justiça de Saia, que é o canal da promotora Gabriela Mansur. Ela acabou de desenvolver um projeto chamado As Justiceiras, tem mais de 700 profissionais da área do direito, profissionais de saúde, assistentes sociais, psicólogas, ajudando todas as mulheres que pedem ajuda. Como que você vai pedir ajuda? 011-99-639-1212. Vou divulgar esse número aqui também. 011-99-639-1212. Você não manda WhatsApp para um monte de gente? Manda WhatsApp para esse número que você vai receber ajuda de mulheres que estão prontas, que têm capacidade de te ajudar juridicamente, emocionalmente, ou seja, dar todo o encaminhamento que você precisa. Nós sabemos que os casos de violência doméstica já são comuns, infelizmente. O isolamento só agrava esse problema. O isolamento, mais insegurança, mais medo, só agrava este comportamento. O homem violento, ele vai ser violento sempre, infelizmente, mas com mais pressão psicológica, com mais mudanças sem aviso prévio, essas agressões podem aumentar, infelizmente. Mas você que está nos acompanhando já sabe que é possível pedir ajuda. 180 arroba justiça de saia ou 011 99 639 1212. Muito obrigada pela sua atenção, pelo seu tempo e mais tarde eu volto aí com outro assunto super importante que é sobre a manutenção das manicures que sempre estiveram conosco e agora perderam a renda também de um dia para o outro. Essa é a live das 6 horas da tarde com a Cecília Ribeiro, criadora do movimento Beleza de Mãos Dadas, tá certo? Obrigada, até.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








