LIVE com a Psicóloga Pamela - E agora, como vamos nos relacionar?

Psychologist Pâmela Magalhães talks with Isabela about staying connected and finding happiness during COVID lockdown. She shares stories about her father's joy from ice cream and her own marital tension, then offers practical advice: couples need communication and humility, families should relearn conversation, and people alone can use video calls and meditation to cope.
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Oi, bom dia, bom dia! Uau, vocês acordaram cedo, conseguiram dormir? Essa é uma pergunta que eu tenho feito, sabe? Será que a gente está conseguindo dormir bem? Tenho muitas dúvidas, mas Nós estamos fazendo o melhor que a gente pode, não é? Hoje a live está acontecendo num horário diferente. Bom dia para todos! Juca Silveira, querido amigo, trabalhamos juntos, bem-vindo! E a nossa Psipâmela, a psicóloga Pâmela Magalhães, vai participar dessa live conosco. Foi ideia dela, é, e eu achei o máximo. Até quando eu tava me maquiando Eu pensei: poxa vida, né, vou me maquiar assim tão cedo. Eu já tinha até esquecido que eu já trabalhava, sabe, Pamela, de madrugada e fazia essa maquiagem 3 da manhã. Eu falei: nossa, acho que eu desaprendi a fazer isso.
Essa vida que vocês têm, né, com esse horário todo atrapalhado. Eu tenho umas colegas também que dormem durante o dia. Fala o dia, não é?
Isso, isso. Vamos lá. Obrigada por ter aceitado, né, essa conversa, minha querida.
Imagina, é isso.
Obrigada pela oportunidade. Nós já fizemos uma live há um tempo, foi muito bacana, o resultado foi espetacular. E nessa semana em que eu comecei a fazer uma live por dia com um especialista de cada área, Você já tava assim no topo da minha lista, você sabe disso, pra gente falar sobre o seu tema: relacionamento. É difícil.
Deixa eu só dar um bom dia pra todo mundo, né? Falei pra Isa: "Vamos apostar nesse horário", até porque eu nunca faço live nesse horário. Eu acho legal que a gente acaba também falando com outras pessoas. Eu sempre faço à noite, né? Isa, eu queria começar falando que que eu também estou numa fase de adaptação com essa situação, né? Eu acho que nós profissionais da saúde, nós não somos super-heróis e nós somos pessoas como qualquer outra pessoa e estamos também numa fase de entender mais ou menos onde a gente se— como a gente se posiciona, como que a gente entende tudo isso, porque a gente está tentando lidar com a imprevisibilidade da vida E isso afeta a nossa rotina, isso afeta a nossa capacidade de compreender, de entender como que a gente vai transitar em meio a essa mudança avassaladora no nosso mecanismo. Então, primeiro abrindo, contando isso, como eu estou me sentindo, né? O meu marido aparecendo ali atrás, falando de voz, fazendo reflexo. Tá bom, já tirei. Esqueci o que eu ia dizer. Eu esqueci o que eu ia falar.
Gracinha, por uma boa.
Essa é a verdade, né?
Todo mundo em casa, trabalhando de casa.
Aí tem que, é exatamente sobre isso que a gente vai falar, né? Lidando com, estando com o marido, com os filhos, que é uma, parece que, ah não, mas eu moro com meu marido, com meus filhos há tanto tempo, mas na verdade agora você vai estar com eles de uma maneira completamente diferente.
Sim, Pamela, eu quero deixar você falar o tempo que você puder. Você falou sobre os profissionais de saúde, quero dar um alô, bom dia para todos, especialmente se você conhece, meu respeito a todos, porque eu comentava com isso com o Dr. Daniel de Barros, o psiquiatra que eu conversei anteontem, é maravilhoso, ele é fantástico, aliás, maravilhoso, Ele abriu hoje o Instagram dele falando do Dia Internacional da Felicidade. Hoje é o Dia Internacional da Felicidade.
É irônico, mas é importante, né, Isa?
E ele coloca, justamente fazendo gancho então para você, que felicidade não é ausência de tristeza, que felicidade você pode, você pode encontrar momentos felizes mesmo numa pandemia. A gente sabe disso, às vezes a gente vê exemplos assim em filmes, nos emociona, porque aí cai a ficha, né? Fala: poxa vida, eu não tô fazendo isso. Então hoje é o Dia Internacional da Felicidade. Eu posso falar um negócio?
Eu acho que eu vou— só de pensar já me emocionei, só de pensar já me emocionei. Mas desculpa, Isa. Isa sabe, eu tô num momento— a Isa nem queria que eu fizesse a live. Mas vamos lá. É que você me lembrou uma coisa e mesmo emocionada eu quero falar, que eu acho que vai inspirar as pessoas. Desculpa já pela—
Não por isso, por favor.
Pelo impacto aqui. Quando as pessoas estão internadas no hospital, e eu trabalhei no hospital, qualquer coisa que pra gente que está fora parece tão tão bobo, tão pequeno, fica grande e aí a gente entra em contato com a felicidade, né? O meu pai tá internado e com uma série de restrições, né? E aí eu cheguei no meio do momento difícil e tudo mais, ele vira para mim e fala assim: "Nossa, hoje eu fiquei muito feliz." Aí eu falei: "É, por quê?" Aí ele falou assim: "Porque a enfermeira entrou aqui e me trouxe um sorvete de creme sem açúcar, né? E foi tão bom sentir o cheiro do sorvete de creme." Então assim, Ele tomou um pingo de sorvete de creme e aquilo foi, assim, de uma felicidade sem fim. Então, acho que é isso, né? Acho que a felicidade não é coisa grande e barulhenta, mas a felicidade, ela tá nas pequenas coisas, né? Ela tá nos detalhes, na capacidade da gente reconhecer esse momento de satisfação, mesmo em meio ao caos, né? Então, se hoje é o dia da felicidade, eu não sabia, te agradeço. Eu acho que a gente tem que aprender a não generalizar tudo e olhar as minúcias, porque às vezes a gente é feliz e nem sabe, né? E a gente precisa ver os detalhes. Tá aqui fazendo a live com você, a gente poder ter uma amizade, eu poder visitar o meu pai daqui a pouco, minha cachorrinha de 16 anos tá viva. Eu acho que são pequenas coisas que a gente tem que olhar Pra gente não generalizar, mesmo estando num momento difícil, delicado, né? E acho que já estendo também pra um tema que eu queria muito também conversar com você, que é a capacidade de reconhecer as emoções que a gente tem e viver o medo, né, Isa? Porque o medo, ele aparece em momentos assim, né? O medo, como que eu vou lidar com a situação de ficar em casa? Apareceu também, eu estava atendendo meus pacientes, a questão da solidão. As pessoas trouxeram, quando você fala de relacionamento nesse momento, eu recebi perguntas tão interessantes, né? "Pâmela, como eu vou namorar? Eu não posso namorar mais? Como que faz? Eu vou perder?" Eu escutei umas coisas interessantes assim. "Ai, Pâmela, eu acho que eu vou acabar com meu namoro que acabou de começar." Porque eu não posso ver o meu parceiro. Porque tem muitas pessoas que moram distantes umas das outras, né? E eu, como trabalho com relacionamento, tenho esse público muito grande, né? Pessoas que se relacionam à distância e principalmente pessoas que estão vivendo relacionamentos. Então essas questões aparecem muito. E queria dividir com você alguns pensamentos, queria saber também o que você pensa sobre essa história, esse paradoxo que a gente está vivendo. Nós, tipo, por um lado, nós estamos super conectados, né? Todo mundo no celular, né? Aliás, eu nunca assisti tanta televisão como eu tô assistindo, porque essas informações, elas são importantíssimas, né? Não fazendo propaganda, mas eu fiquei super feliz com o jornal CNN, da gente poder ter esse acesso, né? Da gente ter as informações assim. Eu gosto muito, já gostava, né? E agora no Brasil, melhor ainda. Então eu tô ligada nisso e vendo muita TV e falando muito com as pessoas. Ao mesmo tempo você não pode abraçar as pessoas, ao mesmo tempo você não pode tocá-las. Então me pego assim, eu que sou super cinestésica, né, eu adoro abraçar, isso é muito meu, eu me seguro, eu falo antes até, eu já tô falando, eu falo: "Cumprimento, japonês..." Mas como mexe com a gente, né, porque nós somos seres sociáveis, nós somos seres afetivos, né? Nós temos essa sinestesia, essa necessidade de pegar, de tocar, de sentir, e de repente nós sermos privados disso. Ontem eu tava vendo uma reportagem, como eu falei, eu nunca vi tanta TV como eu tô vendo agora, e eu vi uma reportagem de um jornalista falando sobre uma menininha lá, uma menininha pequenininha, deve ter uns 4, 5 anos, e ele falava assim: olha só, ela já aprendeu Ela já aprendeu, claro que no sentido positivo da precaução, mas ele falava assim pra ela: "Pode abraçar?" Ela: "Não." "Pode beijar?" "Não." "Pode apertar a mão?" "Não." Eu falei: "E o outro lado disso, né? Como será que fica aqui dentro? Eu não posso beijar, eu não posso abraçar." Pra nós adultos já mexe tanto, a gente fica mais sensível. Ontem foi um dia interessante de eu atender os pacientes. E os pacientes mais duros que eu tenho, duros assim, né, mais racionalizados e tal, Isa, eles estavam tão sensibilizados, tão chorosos e assim, situações que antes eu sei que eles transitariam de uma maneira muito mais racional, chorando. Eu aqui chorando tão rápido pra você porque eu tenho lá o meu controle. Eu acho que tudo isso deixa a gente muito emotivo, deixa a gente muito vulnerável. Mas uma forma que eu aconselho, psicólogo não aconselha, mas a fã pode aconselhar, não estou no meu setting terapêutico, então eu posso. Eu acho que a gente tem que viver muito as nossas emoções, Isa, falar muito sobre, já que a gente não pode abraçar, beijar, ficar agarrando todo mundo que a gente gosta, que nem a gente fez no carnaval, que a gente fale com as pessoas, a gente divida, converse. Faça muitas videoconferências, né? Eu dou aula toda segunda para um grupo de pessoas, eu sou mentora, né? Dou mentoria na minha área. Ai, adorei essa xícara! Que linda essa cara!
Não foi pensado, eu catei correndo. Podia ser uma com gatinho, tá? Não foi de parceria com nada, mulher.
Você tem que se fantasiar. Adorei, muito bom! E só pra você, eu tô falando muito, você tem que falar, hein?
Não, pode falar, fala da segunda-feira do grupo que você tá fazendo.
Não, é que segunda-feira eu dou mentoria pra essas meninas maravilhosas que eu amo. Não dou só pra meninas, mas nesse grupo só tem mulheres. E eu não queria deixar de dar, né? Aí eu falei: "O que que eu faço?" Elas: "Não, vamos fazer." Consegui ver um aplicativo pra eu fazer videoconferência. Então acho que é isso que a gente tem que fazer agora, né? A gente tem que tomar cuidado pra não se isolar. A gente vai evitar o contato físico, mas vamos tentar achar formas para que a gente consiga estar perto sem que a gente necessariamente precise estar fisicamente perto. Lógico, se você mora com uma pessoa, você está próxima dela, é isso, né? Se vocês dois estão imunes, a partir do momento que aparecer alguma coisa, faz essa separação, mas enquanto não, vocês estão juntos. Agora, do resto, né, Isa, é importante a gente tentar videoconferência, conversa via FaceTime, WhatsApp vídeo, Skype, várias formas pra gente não ficar assim tão carentão, né, Ives? É outro tema pra gente falar daqui a pouco também, da mobilização da carência.
É isso mesmo, tô anotando aqui várias coisas, viu, Pamela? Se não der pra gente falar tudo hoje, nós vamos falar um pouquinho hoje, um pouquinho semana que vem. Nós vamos. Como você falou, algumas pessoas são mais sinestésicas, outras são mais auditivas, outras são mais visuais. Aí, generalizando, algumas mais racionais, né, que lidam com as dificuldades de uma maneira: "Não, isso não me afeta." Outros mais emocionais. Enfim, cada um tem o seu perfil e cada pessoa neste planeta vai reagir ou vai ter uma consequência diferente da outra com essa situação. Com certeza. Vejo muitas preocupações econômicas. Já estava de olho nisso há alguns dias. Hoje, para quem tá em casa e não fizer a sua parte, por isso que nós estamos conversando, eu acho que a sua fala agora vai ser fundamental, porque a gente pode não pegar coronavírus, só que quem não é ansioso pode ficar ansioso, quem já tem ansiedade pode ainda aumentar o nível de ansiedade, porque quando você fala ficar mais no celular fazendo FaceTime e tudo mais, É muito, a gente tem que tomar muito cuidado porque este bombardeio de informações é uma coisa, conversar com as pessoas é outra coisa. E quando você menciona, né, fazer FaceTime, a gente tem que usar a tecnologia a nosso favor, é um recurso que tá disponível. Ainda bem que ainda temos internet, né? Eu sempre falo para o Thiago, né, o meu marido, falou: olha que a coisa ainda pode ficar pior. A internet pode não funcionar, a água pode acabar.
Nossa, meu marido falou isso ontem.
Então, enquanto temos todas as condições para conversarmos com as pessoas, mesmo que pela tela, que bom. É isso que o Dr. Daniel falou hoje sobre o Dia da Felicidade, é a gente reconhecer que no meio desse fuzuê todo existem pequenas coisas que fazem diferença.
Alternativas, né?
E é isso que a gente está fazendo aqui. Olha, pergunta, né? E acho que girar em torno também de assuntos não só do coronavírus, que nós já sabemos o que a gente tem que fazer: lavar a mão, evitar contato, etc. e tal. Então, será que dá pra gente falar de outra coisa? Por exemplo, vamos ver se você concorda. A primeira coisa que eu fiz essa semana no momento assim de ficar o dia inteiro em casa, foi organizar meus livros.
Ai, que coisa boa!
Organizei meus livros e separei vários, vários, vários, vários e coloquei na recepção do meu prédio. Um exemplo, tá? Porque ali quem quiser pega um. E imediatamente um morador já foi no apartamento e trouxe mais livros.
Ai, que legal!
Moral da história: A gente pode fazer coisas diferentes dentro desse contexto e eu recomendo assim uma organização por dia. Eu comecei pelos livros, que já gerou uma coisa bacana, depois eu vou para os documentos e assim vou aproveitar o tempo útil. Então só queria fazer essa ponderação porque se a gente sobrecarregar o cérebro só com informações, isso não vai nos Prevenir do vírus, saber quantos mortos na Europa, saber quanto. Não é ficar isolado, não é ficar alienado. Outro dia você quer ficar alienada? Não, não, quero só poupar energia do meu cérebro, que eu sei que vai ser importante para as outras coisas. O que que você acha, Pamela, sobre esse comportamento?
Eu até vou pegar carona no trem que você chamou agora e falar algumas coisas, justamente porque já abrimos e falamos um pouco da situação atual, então ninguém é que tá alienado, mas eu me considero uma pessoa muito resiliente e do que eu te conheço, penso que você também. Não é à toa que meu símbolo profissional é o girassol, eu gosto da ideia da resiliência, acho que a resiliência é a virtude de sobrevivência. Então eu também vou destacar algumas coisas aqui que eu percebi e convido a todos vocês que estão assistindo agora, né, no momento, ou quem assistir depois, pensar um pouco sobre o que está acontecendo nesse momento também que está sendo bom, né. Tudo bem, nós sabemos que tá sério, nós estamos com medo, estamos assustados, nós queremos muito que surja uma vacina, um remédio, uma cura, que isso pare, né? Mas enquanto isso não acontece, eu acho que cabe a nós perceber o que que tá acontecendo nessa nossa caverninha, né? E eu vou destacar aqui, você me fez, você falou do livro, vou falar da minha parte. Eu continuei trabalhando, né, Isa? Assim, graças a Deus. E quando você me perguntou, Pamela, você tá num momento difícil, você quer mesmo fazer a live? Eu insisti para você porque assim, exercitar a cura me cura. Então continuei trabalhando, porém na minha casa, né? E aí o que aconteceu? Eu tenho um parceiro, assim, tenho muita sorte, meu marido é uma pessoa bacana. E aí ele começou a cozinhar para mim, né? Porque eu não sou muito boa, né, para não falar que eu sou péssima na cozinha. Então a gente cozinhou e foi gostoso. Eu ajudei um pouco, né, ele muito mais. Mas essa coisa de cozinhar e de comer em casa parece uma— para a gente, para pessoas fazer isso, sempre parece, ai, que besteira. Para mim foi muito especial, sabe, comer comidinha caseira assim, arroz, feijão dele, com franguinho, com ovinho mexido. Eu gosto de comida bem caseira. Isso é muito gostoso porque me fez me sentir muito acolhida, né. Alimento, como eu sempre aprendi, é afeto, né. Então essa história de poder fazer a comidinha em casa, comer e depois atender, eu me senti no céu assim, confesso que Foi uma coisa muito boa. Eu acho que nessa oportunidade, acho que eu posso ler dessa forma, que a vida tá nos dando, é engraçado, né? Essa reflexão que eu queria fazer pegando o trem que você trouxe, Lívia. Até pouco tempo atrás eu tava comentando com a minha mãe sobre os apartamentos terem ficado cada vez menorzinhos, né? Aí a minha mãe falava assim: "Ah, mas é que ninguém fica em casa." As pessoas trabalham, então assim, casa, casa pra quê? Então a cozinha foi ficando pequenininha, né? No passado, quando eu era pequena, a gente tem a mesma idade, lá atrás as cozinhas eram grandes, né? E hoje as cozinhas são menores, elas são sempre junto, né? Elas são ali, como fala? Aquela cozinha meio americana, né? Como chama o nome?
Compacta? Não. Compartilhada?
Agora esqueci o nome, mas enfim, aquela cozinha que está junto. Apartamentos pequenininhos, caros pra caramba. E aí fiquei pensando que essa história de que ninguém fica em casa e agora a gente escutando nesse período "fiquem em casa, fiquem em casa", eu não posso deixar de refletir sobre esse paradoxo, sobre esse estímulo tão contraditório ao que até então nós estávamos entendendo. Nós estávamos assim completamente obcecados com o nosso trabalho e trabalhando Viajando, né? Eu falo: "Vem pra trabalhar, né? Vem pra trabalhar, vem pra estar fora de casa." Quantas pessoas, Isa, quantas pessoas quase não vêem os seus pais, quase não vêem a sua família. Vi, eu vi pacientes meus que chegam e nem vêem o filho, o filho já tá dormindo, né? Então, realmente, a gente não estava em casa, vivendo pra trabalhar, corrido, na poluição do dia a dia, na doideira. Num mecanismo extremamente operacional, robótico. E de repente a gente escuta de todos os cantos a frase: "Fiquem em casa!" "Fiquem em casa!" E isso é interessante porque eu acho que nós podemos enxergar isso como uma oportunidade, um exercício que talvez muitos de nós estejamos tenhamos desaprendido e estejamos atrofiados nesse músculo que é a capacidade de estar em casa, é a capacidade de olhar pro parceiro, de sentir quem é aquela pessoa, porque você acha que você conhece, mas você tá tão distante, você tá trabalhando tão mais do que você tá junto. Os filhos, né? Eu vi muita gente reclamando: "Ai, meu Deus, eu não vou aguentar meus filhos aqui, ai, ai, paciência." Poxa, os filhos são seus, né? Então assim, que oportunidade para você olhá-los, para você poder ver detalhes deles. Então eu acho que talvez o universo, eu não tô falando nada que foi Deus que mandou, nada disso. Só tô falando que querendo ou não, eu sempre acho que a gente tá onde a gente tem que estar. Eu acho que de um jeito ou de outro as situações elas sempre acontecem porque elas têm que acontecer. Então eu procuro receber esse estímulo do universo e não lutar contra, ficar em casa e perceber o que será que o universo busca para que nós façamos isso. Porque se tudo que nós fazemos é no intuito de reequilibrar o sistema, será que esse sistema não estava desorganizado demais? Será que esse sistema não estava sofrendo demais, precisando que a gente ficasse um pouco em casa, a gente se recolhesse um pouco Para que a gente talvez lembrasse quem somos. Essa é uma reflexão que eu faço.
Perfeito, Pamela. Essa história do apartamento, ela é fantástica. Quantas pessoas saíam na segunda-feira para trabalhar e diziam: "Ai, como eu queria ficar mais um pouquinho em casa", né? Porque passou o final de semana, não deu tempo de fazer tudo. E aí falavam: "Ai, como eu queria ficar mais tempo em casa". Eu ouvi dois comentários, compartilho aqui. É assim: quem está trabalhando em casa está encontrando dificuldades para se adaptar com a falta de ar-condicionado, com o barulho da rua que nem sabia que tinha, né? Então, com o calor, o barulho e com as outras pessoas que sim, estamos agora convivendo neste ambiente que nós chamamos de casa, mas que a gente não vivia tanto nele. Ao mesmo tempo, eu ouvi pessoas que não tinham sido liberadas ainda dos ambientes profissionais e estavam p da vida porque queriam estar trabalhando em casa e achavam o fim do mundo. Aí o Dr. Daniel, psiquiatra, ele falou assim: Isabela, a gente tem uma grande ilusão que se nós estivéssemos em algum outro lugar ou fazendo alguma outra coisa, a felicidade se instalaria. Ou seja, eu não ficaria tão insatisfeito. Ele disse Isso eu já falei, é uma ilusão, porque não é com a instalação de um ar-condicionado na minha casa, por exemplo, que nós ficaremos mais felizes. Não, isso é só um detalhe. Então estamos vivendo o que estamos vivendo, ponto. O mundo vai girar independente da nossa indignação e da nossa tristeza. Aí, como nossas vidas foram totalmente alteradas, qual é a sua recomendação para quem está então convivendo neste ambiente chamado casa? Que sempre quis estar mais tempo ali, mas que ainda não sabe como lidar. Na prática, como é que a gente volta a conviver? Ou como é que a gente convive porque nós não fazemos isso há muito tempo?
Olha, eu acho que tem uma coisa que é interessante, é nós lembrarmos que o ser humano, ele é neurótico, né? Segundo a psicanálise, a gente fala muito da neurose. E o neurótico, ele sempre está insatisfeito, né, Isa? O neurótico, ele sempre acha que ele poderia ser melhor do que ele é, que está faltando alguma coisa. Essa falta, né? O ser humano, ele vive essa falta. Aliás, se ele não vivesse a neurose, ele talvez sentisse um vazio gigante por achar que não há nada a fazer. Então a sensação de que preciso fazer algo para que a minha situação fique melhor é um exercício já da predisposição neurótica do ser humano. Então eu acho que uma alternativa bastante viável e inteligente é nós exercitarmos a nossa inteligência emocional. O que é inteligência emocional? Inteligência emocional é a gente habilitar um pouco os nossos recursos de percepção. Então, num primeiro momento, é a conscientização. Então, eu vou me conscientizar do que está acontecendo e da situação que eu me encontro. Eu tenho dois caminhos: eu posso me desesperar, eu posso ler numa perspectiva extremamente negativa, eu posso pensar que eu estou enclausurada, eu posso pensar que, meu Deus, eu vou morrer, "Vou perder todos os meus, minha vida vai ser um inferno, vou ficar sem dinheiro." Eu posso ir por esse viés, né? Assim como em situações, não só essas, mas as pessoas poderiam ampliar um pouco, quando você recebe um diagnóstico difícil, quando você tem uma queda de expectativa muito grande, quando você vive uma frustração profunda. Eu acho que existem caminhos e caminhos e tudo vai depender da forma que você vai exercitar o seu ponto de vista. Então eu gosto muito do caminho da conscientização. Num segundo momento, a capacidade de você se contar: eu vou falar mesmo, falar em pensamento ou falar alto, eu vou exercitar a minha inteligência emocional. Então sim, eu vou aprender, vamos usar esse termo até que é forte, vamos lá, tirar vantagens da situação que eu me encontro. Então a forma que eu falo sobre o meu momento Também repercute grandes mudanças. Eu posso ficar vendo um monte de noticiário fatalista, que a gente sabe muito bem quais que são e quem é que fala desse jeito. Ou eu posso também aproveitar o meu tempo para escutar podcasts, para escutar pessoas que me influenciem de uma maneira mais positiva, para eu conseguir ser mais criativo no meu momento, para eu pensar Quais são os meus ganhos? Porque sempre há ganho, sempre há o que possa ser bom nesse momento. Talvez estando em casa você possa ler mais, você possa estudar mais. Ontem a minha prima que tá fora do país, né, que tá nos Estados Unidos, ela tava me contando, né, que ela tá em Sydney e ela tava me contando que lá tá tudo fechado, que ela tá com uma Recentemente casado e ela tá lá com o marido fechada e ela contando, contando, falando pra mim, ela fala bastante e tal. E ela mesmo sozinha sem falar nada, ela falou assim: aí a gente tá fechado aqui, o Stephen tá mais chateado, tá com mais medo, eu tô aqui, eu tô meio entediada. E aí eu só perguntei: o que que vocês estão fazendo? Ela falou assim: a gente tá fazendo isso, eu tô fazendo os cursos, tô fazendo um curso online, ele também, a gente tá estudando aí no meio da Ela fala assim: "Isso foi muito bom, porque eu nunca estudei tanto e eu nunca adiantei tanto tudo aquilo que eu precisava estudar." E aí eu falei pra ela: "Gabi, olha que legal, olha que bom que você tá podendo estudar quando talvez você pudesse estudar tanto quanto você tá estudando." Então eu acho que a sabedoria emocional faz com que a gente exercite aquilo que a gente falou, que é a resiliência, a capacidade da gente perceber que dá pra tirar um proveito disso, que dá para fazer coisas boas, e isso diminui a ansiedade, isso conta para o nosso cérebro, a maneira que eu falo sobre o que eu estou passando, a maneira que eu exercito meu pensamento sobre o que eu tô passando, faz com que eu exercite o meu cérebro a sentir satisfação. E aí a gente se ajuda a não desenvolver, ou mesmo não intensificar, transtornos de ansiedade e depressivos, como você mesmo citou.
Isso, perfeito, Pamela. Passou aqui, né, na live: nunca lavei tanta louça. Nunca as pessoas fizeram o que estão fazendo, né? A gente tá rindo porque hoje é o Dia Internacional da Felicidade, e mesmo se não fosse, nós sempre tentamos encontrar a vantagem nisso tudo. Existem vantagens e desvantagens. Então você deu um exemplo da sua prima. Eu conversei com um colega de profissão e ele me disse: bom, Isabela, "Eu tô fazendo uma coisa que eu sempre quis, que é almoçar em casa." Antes, né, pessoas que moram em pequenas cidades conseguem almoçar em casa, mas a gente que mora em grandes cidades não. Isso é um luxo, isso seria uma utopia em tempos normais, não é? Então ele tava vendo essa vantagem, ele falou: "Ah, o máximo que vai acontecer é eu me acostumar." Quando tudo voltar ao normal, né, voltar ao normal ou voltar como era antes, vamos chamar assim, Ele falou assim: "Pode ser que eu tenha saudade." E esse é um grande momento realmente pra gente desenvolver a criatividade, pra fazer coisas que a gente não fazia. Ou seja, estamos tendo a oportunidade que sempre falamos, né? Tipo: "Ai, eu quero mais tempo, quero ficar mais tempo em casa, quero fazer isso." Então agora é o momento de conversar, como você falou. Como nós vamos então nos relacionar?
Digitalmente, né?
Nós já sabemos desses recursos. E pra quem tá em casa, como você então agora ajudaria as pessoas que estão brigando em casa? Porque eu acho que muito casamento também vai acabar, justamente porque tá convivendo de uma maneira totalmente diferente. Uma coisa é você conviver nas férias ou no final de semana, a outra coisa é você passar todos os dias, né? Não tem pra onde ir, por mais que cada um esteja se ocupando, estudando, lendo e tal. Mas eu sei que muito casamento também vai acabar. Para quem tá brigando, o que que você recomenda?
Bom, é dois pontos importantes. Espera aí que tá passando um avião. Eu moro do lado do aeroporto, né? Então avião parece que me busca e vai.
Mas tem menos aviões, né? Agora eu tô ouvindo menos barulho.
Tem, tem, mas como você falou até de um colega, nunca escutei tanto. Acho que é porque eu tô aqui, né? É verdade. Mas tem menos, com certeza. Eu até me atrevo a dizer que eu acho que os casamentos, eles não vão acabar. Os casamentos que já estavam terminados vão só mostrar que já estavam terminados. Penso que os casamentos que são casamentos juntos, como diz o nome, né? Casa mais relacionamento, casamento. Casa mais relacionamento, estar em casa juntos e aprenderem a se relacionar. Vou me colocar como exemplo. Eu tô aqui, falo para vocês o tempo inteiro como se relacionarem melhor e tal, mas sou um ser humano, né? E confesso que na segunda-feira eu tava muito Muito nervosa, eu discuti com meu marido aqui em casa e no meio da discussão eu discuti feio mesmo, não tenho vergonha de falar não, eu não sou, eu nunca quis mostrar que eu sou melhor que ninguém e discuti feio mesmo e ainda falei pra ele, falei assim: escuta, não vai dar certo então, acho que assim, né, já era, porque a gente não consegue, pô, não conseguimos falar, que nervoso o jeito de falar, não tô gostando e tal. E aí a prova que a gente tem um relacionamento em que a gente tem um casamento é depois dessa discussão eu cair em mim, ele cair em si e a gente parar e conversar e se abraçar e falar: calma, a gente tá nervoso, a gente tá assustado. Aí eu falo por mim, né, porque eu recebo muita coisa também, né, todo mundo ficou desesperado, eu recebi muita coisa, muitos problemas, coisas na minha vida pessoal, eu tava realmente à flor da pele, intolerante no último, porque obviamente que essas essa situação deixa a gente mais sensibilizado. Então, nos relacionamentos, para quem tem um casamento hábil, para quem tem um relacionamento, você gosta da pessoa, vocês vivem bem, essa situação ela vai abalar mesmo. Então assim, vocês não tem que ficar desesperados que vocês estão discutindo. Eu acho que é uma oportunidade para aprender a conversar, né? Aprender a conversar, dividir, falar. Nossa, não é uma situação qualquer, vocês não estão simplesmente mais tempo em casa, "Ah, porque, sei lá, porque vocês estão de férias." Aliás, não são férias, né? A gente tá aqui de um jeito compulsório, tem que ficar aqui. Então assim, isso causa um desespero, né? Ele queria correr, eu não queria que ele fosse correr. Então assim, começa essa discussão, né? Porque olha, é aquilo que a gente falou, agora é o pensar coletivo. Então obviamente que as pessoas mais egoístas vão entrar muito em conflito com outras pessoas mais generosas, porque tá todo mundo assim: você tem que cuidar de você porque assim você cuida de mim. Então o ser humano, ele tá sendo obrigado, acho que, a entrar em contato com essa ideia do todo, da coletividade, que não adianta só pensar no meu próprio umbigo, não adianta só. A gente tava muito assim, Liza, a gente tava muito individualista. Quantos são os casais que cada um ia para o seu canto, trabalhava e tal, e voltava, um nem sabia do outro, o que fez e deixou de fazer, chegava em casa esgotado, nem perguntava como foi o dia, e se perguntava, a resposta era: "Tô cansado." Tomava um banho, às vezes transava à noite de um jeito super mecânico, né, e nem era uma troca, um amor, não existia isso. E agora que tá full time em casa, que tá o tempo inteiro em casa, obviamente que assim, o silêncio começa a gritar, né. Casal que nunca conversa, que tá aqui em casa e continua não conversando, Você presta mais atenção. Você presta mais atenção na conversa que não existe, você presta mais atenção no carinho que não há, você presta mais atenção no sexo que já não acontece, no namoro, naquela coisa gostosa do encantamento que também não tá existindo, na relação com os filhos que você tá mais sobrecarregada, que o outro nem sabe como participar porque também nunca ficou em casa. Então tudo grita mais. Então eu não acho que os casamentos vão terminar em função da situação. Eu acho que os casamentos vão mostrar quem eles sejam e a gente vai ser obrigado a olhar de frente com quem que a gente está se relacionando ou melhor, com quem a gente não estava se relacionando, né? E que só estava ali na nossa cabeça, no papel, que a gente estava junto. Então primeiro eu acho que essa situação vai revelar muitas coisas, né? Talvez a gente vá conhecer melhor aquela mãe, aquele pai, aquele irmão. Aquele parceiro, aquela parceira, por estarmos muito próximos. Um outro ponto, se é um casal que tem uma relação e que conversa e que tem carinho e que tem troca, que tem vontade de estar junto e que sempre fez isso, tudo bem reconhecer a ansiedade, tudo bem perceber que sim, estamos estressados, e exercitar muito a comunicação. Eu dou o meu exemplo para inspirar as pessoas, né? Eu mesma que tava final de carnaval, segunda-feira, aqui, né, querendo jogar o marido pela janela e ele também me jogar pela janela. A gente parou depois, né, que assim, falou: peraí, a gente tá numa situação difícil, caótica, vamos sentar aqui, vamos se ajudar. Agora é o momento que a gente tá mais unido, mais cúmplice, não adianta a gente ficar se matando. Então foi legal essa história de sentar, de conversar. E aí ontem a gente se deu um abraço, sem brincadeira, acho que de uns 10 minutos, a gente Ficado 10 minutos, aí eu pude chorar um pouco, ele pôde chorar um pouco, e foi bom. Isso é cumplicidade, isso é troca, isso é uma forma da gente conseguir estar mais afinado, da gente reconhecer. Tem uma característica que eu gosto muito, que é humildade, né? Eu acho que a humildade é uma virtude maravilhosa, principalmente quando a gente fala de relacionamento. A humildade faz com que a gente consiga reconhecer coisas, né? Realmente eu tô muito nervosa, realmente eu tô muito nervoso, nossa, que difícil, tô com medo. Ontem eu falei, eu cheguei aqui e falei assim: nossa, tô com medo, com medo, onde será que isso vai dar, como será que vai ser, tenho medo, né, tenho medo. Aí eu tenho até medo mais em relação ao meu pai, mais em relação às pessoas mais velhas que eu amo, né, porque eu tenho pessoas que eu amo não só da minha família, mas fora também, que são que é a população de risco. Então assim, eu tenho essa sensação de falar sobre as minhas sombras, isso me tranquiliza, isso diminui minha ansiedade e isso me faz lembrar o quão humana sou, isso me torna mais resiliente e isso me amadurece. Eu acho que essas lições que eu poderia dar para quem estiver assistindo, para você, Isa, que eu sei que é bem desenvolvida emocionalmente, Mas nunca é ruim lembrar. Então eu acho que é esse caminho, né? Expressar, exteriorizar, abraçar quem você puder abraçar, falar, olhar nos olhos, expressar as emoções, cuidar quando tá saindo um pouco, né? Tá perdendo aí o controle, dizer, né? Tô com medo, tô ansioso, tô ansiosa, tô ansioso, vem cá, conversa comigo, me acolhe um pouco. Eu acho que isso na relação do casal, e quem não for um casal, na relação com a irmã, com o irmão, com quem tiver pertinho, com a mãe, com o pai, vale muito a pena.
Pamela, todos somos vulneráveis, todos somos vulneráveis. Tudo que tá acontecendo tá mostrando o quanto todos somos frágeis. Você falou, ah, Isa desenvolvida emocionalmente, eu não lembro agora o que você falou. É, eu tive o que você viveu com o seu marido, eu vivi também com o Thiago. E isso são oscilações ao longo do dia, né? Você acorda bem. Aí teve um dia que eu assisti o jornal inteiro ao meio-dia, por isso que eu falei muito cuidado para quem vai assistir muita coisa, porque pode desesperar. Acabou o jornal, meu coração começou a acelerar. Eu já comecei a sentir assim um calor, um desespero, falei: "Meu Deus do céu, o que tá acontecendo?" E aí daquele dia em diante eu falei assim: "Bom, não vou mais assistir o jornal inteiro." E aí depois quando veio a fala do psiquiatra, né, Dr. Daniel, eu falei: "Poxa, é isso, de nada vai me ajudar ficar sabendo de informações que não vão evitar que eu pegue o coronavírus, né?" Como a gente já falou, muita gente entrou agora, 8:40, obrigada por todos vocês que estão nos acompanhando. Eu e a Pamela Magalhães estamos conversando sobre como se relacionar nesses Então não é uma questão de ficar isolado ou isolada, mas sim de escolher realmente parar de ficar abrindo todos os links e mensagens de WhatsApp e começar a filtrar também. Acho que é um momento de filtro. E aí eu quero também só compartilhar rapidamente o que aconteceu comigo. Vivi dias muito estressadas, muito estressadas, e aí a gente oscilava. Uma hora era ele que surtava, outra hora era eu que surtava. E nós, compartilhando pra você, Pamela, nós iríamos fazer uma festa de casamento em maio.
Ai, nossa!
60 convidados, todo mundo com passagem comprada, tudo certo.
Ah, não era aqui? Não era aqui?
Não ia ser aqui, a gente ia reunir todas as famílias e tal.
Ai, que bom!
E nós tivemos que fazer um adiamento, né? Não cancelamos, cancelar é diferente de adiar. Então, por enquanto, temos a opção de adiar. Mas e se lá na frente a questão econômica... Mas aí que tá. Ok, se acontecer isso, vai acontecer comigo, com você e com um número de pessoas. Então, quando você fala na resiliência, adorei, né? Você falou virtude da sobrevivência. É você passar por essa perda sem ficar... É passar por ela e não ficar parada. Na perda, e vamos em frente. Então a gente hoje, uma semana depois, já tá terminando a semana muito mais equilibrado do que começamos. O início foi mais histérico e agora a gente tá mais equilibrado. Então quero compartilhar isso com todos que estão nos seguindo. Por mais que agora exista essa indecisão do tipo, nossa, mas um monte de coisa sendo cancelada, adiada, sim, pode ser que algumas coisas que foram adiadas não aconteçam. E tudo bem, né? Tudo bem.
Todos os tempos.
Em uma semana mudou tudo.
É muito importante você contar, né? Assim como eu tô contando dos nossos desequilíbrios, isso é muito importante para todo mundo entender, acho que para todo mundo realizar que faz parte também, né, a gente ficar assustado abalado, a gente ficar mais estressado, o emocional ele fica bastante abalado. O que a gente tem que fazer é se conscientizar disso, até para que a gente consiga pedir ajuda, né? Porque senão a gente não enxerga. Às vezes a gente está mais estressado, mais ansioso e não tá percebendo. Então pedir ajuda. Caramba, não tô legal, eu tô, que nem você falou, olha que leitura, eu vi o jornal, fiquei com o coração Fiquei desesperada, fiquei nervosa, fiquei ansiosa. Então assim, isso que causa mesmo. A gente tá numa fase, né, Isa, acho que é importante lembrar que todo mundo tem voz, né? Assim, qualquer um faz um canal no YouTube, qualquer um joga um vídeo no WhatsApp e viraliza. Então assim, o que que eu escuto, né? Será que eu não tô de repente deixando informação demais chegar até mim e eu tô desestruturado? Porque se você tiver mais desequilibrado nesse momento, se você tiver muito abalado, se poupe um pouquinho, né? Não é ficar alienado, mas ajuda um pouco. A gente precisa dar um respiro, né? Vai de repente ouvir— não tô falando para você se isolar mais ainda e ficar ali achando que o mundo é cor-de-rosa, não é isso, mas ajuda, né? Comece a escutar algumas coisas também que te façam bem. E não só, você liga a televisão, você começa a escutar alguma coisa, são só assim noticiários muito pesados, né, Isa? Assim, as notícias são densas. Ah, são reais? São reais, mas vamos tentar nos ajudar também, porque acho que essa sensação que a gente não comentou aqui, a sensação de impotência, né, Isa? Eu acho que é muito difícil você sentir que tá acontecendo isso e aquilo "Meu Deus, eu tô fazendo o que eu posso, mas não tá sendo suficiente e tal." Então se ajudar um pouco também, dá uns respirinhos para você conseguir encontrar, de acordo com o dia da felicidade que você disse, também encontrar momentos gostosos, né? Tentar dar um pouco de risada, tentar fazer algumas coisas que são gostosas, vai fazer uma comida legal, vai fazer uma comida gostosa, vai ler um livro legal, faz um exercício dentro de casa, vai cuidando da sua plantinha, vai brincar com seu cachorrinho, faz uma brincadeira gostosa com teu filho, vai jogar um baralho, né, que nem a gente faz aqui. Eu acho que isso ajuda também a dar uma desopilada. Ninguém aqui tá alienado, todo mundo sabe o que tá acontecendo, estamos fazendo a nossa parte, mas a gente precisa também respirar, né? A gente não pode deixar de amar, a gente não pode deixar de se de sentir prazer. A gente não pode deixar de oxigenar a nossa mente. É muito importante. Ficar obcecado, obsessivo, só ali, né, com fome de notícia, e principalmente notícias perversas, porque no meio disso tudo tem muita gente que só preza pela audiência, você sabe disso. Então assim, tem pessoas que são sensacionalistas, que gostam também de ficar ali insistindo naquilo que dói, que machuca, porque isso desperta a cobiça de muitas pessoas. Por isso sempre nós tivemos, nós sabemos disso, nós psicólogos, que os programas que são mais sensacionalistas, as revistas também, os jornais, sempre tiveram esse destaque porque a audiência é grande. O ser humano, infelizmente, tem essa tendência de se se excitar, mesmo que negativamente, sobre esses estímulos. E aí é uma excitação que quer mais, quer mais, mas mesmo assim vai ficando mais ansioso, vai ficando mais estressado. Então vamos nos ajudar. Por isso, de novo, inteligência emocional.
Pronto, para a gente partir para uma conclusão, Pamela, vou pegar aqui a mensagem da Mariângela, uma querida: conversar com amigos pelo vídeo diminui a saudade. Vamos fazer, Pamela, eu tô procurando fazer um resumo assim de cada live. Pra depois não só colocar no feed aqui do Insta, mas compartilhar também no YouTube pra que mais pessoas possam acessar o conteúdo. Porque alguma coisa sempre serve pra nós, né? Ou alguma coisa sempre pode servir para um amigo. Então vamos compartilhar boas ideias. Então vamos lá. Pra quem mora sozinho, sozinha, qual é a sua recomendação?
Eu recomendo que faça exercícios diferentes, como Ler livros, como escutar podcasts bem gostosos, colocar séries em dia, estudar se precisar e quiser, fazer comidas gostosas, pedir comidas que sintam que gostam de saborear e marcar conversas com os amigos por videoconferência. A minha mãe mora sozinha e ela tava ontem me contando, eu tentava falar com ela e não conseguia, "Oi, tia, como é que tá?" "Que nada." Aí ela: "Ah, então vou conversando com a tia da minha tia, que é irmã dela." E ficou conversando um monte. E elas ligaram, acho que o FaceTime, e ficaram conversando. Aí ela jantou conversando com ela. E aí ela falou: "Nossa, foi tão bom, pareceu que ela tava aqui." Então a gente tem a tecnologia ao nosso favor. Então pra quem está sozinho fisicamente por toda uma questão desse exílio que a gente tá vivendo, dá pra fazer essas conversas graças à tecnologia que temos. Nós temos. E acho que isso ajuda demais, poder meditar. Para quem nunca meditou, existem aulas no YouTube que eu super indico, tem aulas de yoga, aulas de meditação. Eu acho muito bom o Ho'oponopono, eu acho que são possibilidades para que a gente se reintegre, para que a gente consiga entender que estar sozinho fisicamente, não é o fim do mundo, é o começo da gente, né? Quando eu passo a dar as mãos, quando eu passo a dar as mãos para a minha solidão, eu me aconchego nela. Estar sozinho não é ruim, estar sozinho é estar com você. Eu acho inclusive que essa situação, acho sim que o universo está nos fazendo um convite a conectarmos mais conosco. Nós achávamos que estávamos, mas não, nós estávamos talvez reféns desse capitalismo, desculpa, mas eu tenho que falar isso, eu acho que assim muito reféns de uma ambição doentia de que tem que ser, tem que ter, a gente não tem que ter, a gente tem que ser, né? O ter ele tem que ser suficiente para que a gente seja, Mas uma ordem, na minha opinião, saudável, eu sempre sou mais do que eu tenho. Porque o que eu tenho nunca vai poder sobrepor o que eu sou. Porque o que eu sou me sustenta. O que eu tenho é volátil. Então eu acho que essa possibilidade de eu ser, né? Quem eu sou? Como eu me sinto? Como eu estou? Sensações, interações, medos. Eu falo que é uma oportunidade da gente se alinhar às nossas sombras. "Ai, meu Deus, eu tô sozinho, que desespero!" Ué, por que desespero? Você tá na sua companhia. Você pode fazer as videoconferências, você pode fazer trocas com as pessoas, você conversar com alguém via Skype, FaceTime, WhatsApp. Hoje é como se a pessoa estivesse com você, é uma delícia. Mas estar com você, como eu tô com o meu corpo, Tocar o seu corpo, passar um creminho no corpo. Nossa, eu falo por mim, eu com a minha vida corrida, né, não é casa de ferreiro, espeta de pau, né. Então agora tô tendo oportunidade de tomar um banho mais demorado. É claro que fecho ali minha água, mas me curto um pouco, né, com calma, sem desespero, que às vezes é desespero, põe a toalha ali. Com mais calma, passo um creminho, perfuminho, vários creminhos no rosto, vou com calma. Senta na cama, penso, detalhes que pra você que tá escutando pode falar: "Ai, que besteira!" Pra mim faz grande diferença. Poder rezar mais, né? "Tá com tempo de rezar? Deixa eu chegar e dormir rápido." Não, tô rezando, porque por mais que eu esteja trabalhando, eu tô com mais tempo, porque eu tô em casa, né? Então não tem que ir até o trabalho, não tem que arrumar tudo e tal. Então eu penso que são detalhes que são ricos, e se nós conseguirmos nos nutrir desses detalhes, Nós conseguiremos passar por esse momento, que não é fácil, que é difícil, mas muito melhor, mais enriquecidos de nós mesmos, mais nutridos da nossa essência. A gente precisa estar mais afinado consigo mesmo.
Perfeito, Pamela. Como faltam só 9 minutos para acabar, essa dica que você então passou, né, para quem mora sozinho, eu vou ampliar, né, por exemplo, na verdade, para quem mora sozinho, para quem se sente sozinho mesmo morando com outras pessoas. Aí a segunda, para quem está convivendo com os familiares que há muito tempo não convivia, eu me lembro que você falou sobre o reaprender a conversar, né, a pedir ajuda e a se colocar também, que se aquela pessoa tá nervosa, irritada, você também pode. Mais alguma coisa?
É, eu acho que é oportunidade de aprender a fazer coisas que eram também terceirizadas, né? Passar roupa, lavar. Você falou que a mocinha escreveu aqui, eu não vi, né? Ai, nossa, nunca lavei tanta louça, mas eu tô lavando a minha louça, eu tô lavando a louça dos meus, né? Então que bom poder tá fazendo isso, né? Eu tenho, sempre tive uma funcionária tava aqui, que fazia lavagem das roupas, secagem das roupas, agora eu estou tendo que fazer isso. Ah, é fácil? Para mim não, que não tem essa experiência, não. Mas eu tô aprendendo, né, tô aprendendo a fazer, talvez não tão bem como ela, mas tão bem como eu posso fazer. Eu acho que exercitar essa versatilidade nas nossas competências, fazer a minha própria comida, Lavar a minha própria louça, lavar a minha roupa, passar a roupa dos meus, cuidar do meu banheiro, tirar o lixo, fazer faxina na casa, né? Eu nunca deixei de fazer isso por preguiça, mas por uma vida de trabalho fora, claro, sair muito cedo. Então, mas eu sou capaz de fazer. Ontem eu passei, já atendi um paciente, e ele falando assim: eu tô tendo oportunidade de limpar a minha casa. "Eu que sujo, moro sozinho, sou eu quem uso essa sujeira, é minha, né? Isso são vestígios de momentos que eu vivi aqui, que bom eu poder limpar." E aí ele me deu uma sensação de inteiro, que é essa palavra que eu falei da integração, essa possibilidade de eu estar fazendo bastante coisa, cuidando, organizando. Deixando o meu espaço, o meu lar mais em ordem. Eu acho que nós estávamos perdendo a ideia, o conceito de lar. Lar, né? Acho que para todo mundo que está nos ouvindo, Isa, é ser casa, né? Viver o lar. Este é o meu lar, eu vou cuidar dele. Então vamos tentar olhar isso como até uma Uma oportunidade, um presente que de um jeito muito enviesado a vida nos dá, de poder olhar mais de perto, de poder aprender a fazer coisas e perceber que nós conseguimos. Isso.
Veio um comentário aqui que eu acho que a gente pode pegar para encerrar. Com tanta coisa acontecendo, o que menos preocupa é faxina ou louça. Eu discordo. Eu discordo porque é o que nós podemos fazer. Neste momento, né? Eu não posso, eu não posso voltar para TV, por mais que eu veja todos os meus amigos trabalhando. Eu adoraria estar ali, vou falar para você, sabe, Pamela? Eu sempre, eu sempre acreditei muito na TV, ainda acredito. Por mais que eu esteja aqui produzindo conteúdo todos os dias, eu vejo muitos amigos trabalhando muito na TV. Eu falo, poxa, eu queria estar ali contribuindo neste grupo. Eu vejo muitos amigos médicos trabalhando e sei que tanto médicos quanto jornalistas estão trabalhando bastante. E quando a poeira baixar, esse estresse— alguém aqui já saiu de férias, e aí quando sai de férias adoece, porque o corpo relaxa. Então eu nem quero falar sobre isso agora, mas assim, a minha, meu respeito, admiração e todas as minhas vibrações positivas para turma do jornalismo e dos hospitais que que estão trabalhando bastante. Mas pegando então aqui essa fala, eu acredito que o que a gente precisa fazer sim é fazer a faxina em casa, fazer o que está dentro das nossas possibilidades. E aí, minha querida Pâmela, como se relacionar com os outros? Acho que o grande aprendizado é que a gente tem que reaprender a se relacionar conosco.
Isso, isso. Eu já falei isso para você e repito: Se eu não fizer uma boa carreira solo, não consigo fazer dueto, trio, quarteto, nada. Eu preciso estar comigo. Então vamos aproveitar essa oportunidade e vamos viver esse encontro conosco. Eu acho que é uma forma da gente se fortalecer muito. Vamos viver na nossa caverninha esse período, né? E perceber que isso não é o fim do mundo. O começo do nosso mundo. Cada um é um mundo, né? Cada ser humano é um universo. E às vezes a gente estava distante demais disso.
Pamela, gratidão pelo seu tempo. Eu espero que o seu pai passe por uma recuperação tranquila, que vocês tenham também paciência, saúde, sabe, perseverança, que sim, o melhor vai acontecer, tá? Deus te abençoe. Muita saúde.
Obrigada.
Estamos juntas aqui.
Sempre. Obrigada, querida. Obrigada pela oportunidade. Bom dia para todos vocês. E é sempre um prazer imenso essa troca tão grande que a gente tem. Um beijo grande, viu?
Até mais. Muita sorte para todos. Tchau, tchau, tchau, tchau. É isso, gente. Muito obrigada pela sua companhia. Eu vou fazer um resuminho dessa nossa conversa, vou colocar no feed. E aí, se você quiser depois compartilhar com os seus amigos, com seus familiares, eu ficarei muito feliz. Também vou deixar lá no YouTube, tá certo? Beijo grande, muita saúde para vocês, e por mais que a gente esteja vivendo momentos de muito estresse, eles vão passar. Vamos voltar então para dentro, essa é a única saída. Tchau, tchau, bom dia!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








