LIVE com Dr. Daniel Martins de Barros - Como podemos lidar com tudo que está acontecendo?

Isabela Camargo talks with psychiatrist Dr. Daniel Martins de Barros about managing stress, fear, and anxiety during the COVID-19 pandemic. They discuss how to find meaning in difficult times and the psychological toll the crisis is taking on people.
Chapters
Oi, boa noite, tudo bem? Sejam todos muito bem-vindos à nossa live de hoje. Tá sendo tão esperada que eu vou dizer que eu tô bem ansiosa para responder todas as perguntas que vieram, não só na publicação, no feed, mas também nos stories. Algumas pessoas que eu conheço me ligavam e diziam, Jabela, pergunta tal coisa para o doutor e estamos aqui. Daniel também já apareceu ali, sinalizou. Dr. Daniel é o autor do livro O Lado Bom do Lado Ruim. Já deu pra ver aqui quantas marcações eu tenho do que nós vamos conversar hoje. Então, deixa eu ver se o doutor já está aqui e aí nós vamos começar. Doutor Daniel... É uma pessoa que eu admiro demais, fala a língua e eu tenho certeza que vai ser um papo muito, muito bacana. Eu já aceitei ali a solicitação do Dr. Daniel, já, já ele já divide aqui a tela conosco. Então, pra você que tá chegando agora, repito que nós vamos fazer uma live com o psiquiatra Dr. Daniel Martins de Barros, o autor do livro O Lado Bom do Lado Ruim. Nesse momento com tanta mudança, com tantas coisas acontecendo, nada melhor do que a gente falar com um especialista que entende realmente sobre aqui o nosso cérebro pra gente poder seguir com mais calma e com saúde mental. A gente sabe que tudo passa, por mais que a gente ouça várias coisas, mas com a ajuda de quem entende melhor, não é, meu querido doutor? Boa noite!
Boa noite, Isabela. Boa noite pra todo mundo que já tá conectado aí. Mais um dia tenso, né?
Pois é, doutor. Eu tô rindo pela alegria de tê-lo aqui comigo, com mais de 260 pessoas que estão conosco. Lembrando que todos são multiplicadores do que nós vamos falar aqui. Muito obrigada por ter acertado o meu convite. Foi um dia tenso, não foi, doutor?
Tem sido, né? Acho que tem sido dias tensos, tem sido uma fase de muita incerteza, uma fase de muita insegurança, de muitas perguntas, enfim. E isso gera tensão. Eu acho que esse é um dos grandes motivos de a gente ficar tenso. Mas eu concordo que a gente tem que sorrir também. Eu tenho postado coisas positivas, coisas boas, porque eu tenho lembrado das pessoas, gente, não é o apocalipse zumbi, né? Não é... A gente não precisa comprar arma e se fechar em casa e ficar de prontidão com uma bazuca na porta de casa. É sério, precisamos nos cuidar, mas a vida segue e a vida tem um lado bom e tem um lado ruim.
Pronto. Doutor, então, obrigada pelo seu tempo. Tenho certeza que vai ser muito útil para mim e para todos que estão aqui conosco. Gente, o doutor Daniel lançou o livro O Lado Bom do Lado Ruim. Olha só. Eu já tinha lido o livro todo, tinha feito várias marcações, mas quando eu li, doutor, eu nunca imaginei que nós falaríamos sobre ele às vésperas do seu lançamento, que teve que ser cancelado. Olha quanta coincidência. O lançamento seria amanhã e vocês cancelaram o evento porque as aglomerações estão sendo evitadas. Acho muito oportuno, então, Daniel, a gente começar falando sobre o título do seu livro e gostaria, então, de já perguntar qual é o lado bom de tudo isso que está acontecendo. Antes da gente entrar, vamos começar pelo livro. O que você trata dele?
Eu acho que o livro acabou sendo um... tão propício para esse momento. Ninguém imaginou que a gente viveria uma situação dessa, com tantas emoções negativas à flor da pele, com tanto medo, com tanta angústia, com tanta preocupação. Mas o livro acaba sendo muito propício nesse momento, porque ele fala não de a gente ser inocente e ingênuo de querer ver as coisas boas na desgraça. Não é isso. Não é uma tragédia, tem gente morrendo, mas tem um lado bom. Não. A ideia do livro é resgatar o lado útil e, portanto, bom das emoções negativas. O lado bom do lado ruim é o lado bom, o lado positivo da tristeza, o lado útil do medo, o lado importante da raiva, do nojo, etc. Tudo aquilo que é desagradável pra nós pode ter uma importância. E hoje estamos todos aí cheios dessas emoções negativas, mas todas têm um lado bom, ou seja, todas têm uma importância, uma utilidade na nossa vida.
Sim, você diz no seu livro que as emoções são mensageiras. todas, e elas existem sempre por alguma razão. Das cinco emoções primárias, quatro têm viéses negativos. Alegria, tristeza, medo, raiva e nojo. Vou focar no medo. Qual é o lado bom do medo, doutor?
O lado bom do medo está muito evidente hoje em dia, porque quando as pessoas estavam sem medo algum, Quando as pessoas estavam achando que elas estavam ali plenas, seguras, não suscetíveis a nada, os comportamentos de prevenção não começavam. A gente percebeu isso, isso tem já dados de outras pandemias mostrando, quando o sujeito não tem pelo menos um pouco de medo, ele não se sente um pouco vulnerável, um pouco suscetível, ou não visualiza... Ele não evita distanciamento social, Ele não evita de dar beijinho e etc. Então o medo traz isso de bom pra gente. Ele nos coloca em alerta e estimula esses comportamentos mais de proteção, por exemplo. Lógico que tem outros lados bons aí das descargas de adrenalina, mas o que tem um gancho perfeito com o momento de agora é esse, né? A gente consegue ter mais comportamentos que sejam seguros não só pra gente, como pra coletividade.
Certo, doutor. Inclusive, esse é um dos grandes momentos que nós estamos vivendo, em que nós temos sim que fazer por nós, pensando no coletivo. E eu percebo muitas situações, inclusive aqui no meu bairro, e aí ninguém quer, eu falo, poxa, mas se a gente não se ajudar, como é que vai ser, né? Enfim, esse pensamento da coletividade agora, ele vai ter que ser desenvolvido. Quando você fala aqui do medo, você diz que os sentimentos eles são alarmes, não adianta desligar o alarme, só que o excesso do medo, doutor, você já disse, então o medo ele serve para nos proteger, mas esse excesso do medo, ele pode tanto desenvolver novas síndromes, pânicos, que ele pode ser prejudicial também, não?
Sem dúvida nenhuma, claro. As emoções, todas, tanto as positivas como as negativas, elas podem passar do ponto. Elas podem ficar exageradas. E o medo é uma delas. Então o medo ajuda, o medo nos auxilia a tomar decisões mais seguras, Mas quando o medo se torna exagerado, quando ele se torna extremamente intenso, ele pode evoluir para um pânico, para um terror. E aí as pessoas podem tomar dois caminhos. Elas podem travar, então de pânico fica perdida no raciocínio direito. Mas as pessoas também podem acabar tomando decisões irracionais. É o pânico que leva, por exemplo, a acabar papel higiênico nos supermercados. Uma coisa absolutamente irracional, sem nenhuma lógica, sem nenhuma justificativa, a não ser o próprio pânico. Então, quando esse medo é alimentado numa intensidade exagerada, a gente está errando. E grande parte do medo que está presente nessa pandemia que nós estamos vivendo vem daí. é a primeira pandemia com transmissão 24 por 7 online o tempo todo. Então a gente fica bombardeando o nosso cérebro com notícias negativas, com notícias de alarme, com notícias preocupantes e etc. Nas outras pandemias a gente fazia isso de vez em quando, né? Era no Jornal Nacional à noite, de manhã quando abria o jornal. Enfim, a gente se assustava, mas não ficava com esse pavor. Então esse comportamento que a gente tem tido de se submeter ininterruptamente a notícias negativas, ele é prejudicial até para a nossa própria proteção. Então eu tenho, hoje em dia, feito um apelo de as pessoas usarem com moderação as notícias. A gente tem que se informar, mas também não pode se aterrorizar.
Perfeito. Doutor, o excesso de informação causa muita ansiedade. Isso inclusive eu abordei contigo no livro que eu lanço já já e a gente ouve isso quase todos os dias. O excesso de informação causa ansiedade. O excesso de informação sobre o coronavírus também então entra nisso que você está dizendo. Muita informação também, especialmente pelo telefone, 24% como você disse, pode causar mais ansiedade. Eu posso piorar ainda esse estado que já está ruim?
— Claro. Tanto pela sobrecarga mental, de você não conseguir dar conta de tudo isso que você recebe, mas pelo estímulo ao susto mesmo, ao medo, ao estímulo à ansiedade que essas notícias trazem. Tem estudos da época das Torres Gêmeas, de 2001, 2011. 2011 foi 10 anos das Torres Gêmeas. que tem estudos mostrando que as pessoas que se expuseram mais às notícias, que ficaram vendo mais as imagens repetidamente, tiveram mais risco de desenvolver o quadro de estresse.
Pós-Traumático. Repete isso, doutor, por.
Favor. É um dado bem interessante. As pessoas que ficaram vendo mais repetidamente as imagens do ataque às torres gêmeas, tiveram mais chances de desenvolver um quadro de estresse pós-traumático, que é uma das doenças da ansiedade. Então a gente está fazendo isso agora. A gente está semeando doença em nós quando nós ficamos vendo mais um morreu, mais outro morreu. Na França morreu, na China morreu, não sei quanto. Que diferença faz pra gente na prática quantos morreram na China? Se foi 3 mil ou 3 mil e 10? Na prática, não faz diferença alguma. Não estou sendo frio, não estou sendo indiferente à dor de quem perdeu um parente. Mas na prática, para nós, para o nosso isolamento, distanciamento social, para o nosso alcool gel, não faz diferença se foi 3 mil ou 5 mil chineses. E a gente fica vendo. Só que aí o cérebro fala mais morte, mais morte, mais morte. E a gente fica em.
Pânico. Entendi. Bom, vocês todos que estão nos acompanhando, mandem suas perguntas. Eu tenho várias aqui que foram coletadas nesses dois últimos dias, desde que o doutor aceitou essa live. Nós vamos tentar respondê-las. E vou dizer por mim, doutor, hoje eu assisti o jornal. do meio-dia. E depois que eu assisti todas as notícias, exatamente como você disse, eu fiquei bem mal. Quando eu fui ao mercado, eu observava aquelas feições, as prateleiras já ficando meio vazias, e eu pensei, poxa vida, né? O que que eu posso fazer? O que, então, nós podemos fazer diante de tudo o que está acontecendo? Eu quero deixar essa resposta, Daniel, já já, porque ainda tem outras coisas que esse vai ser o grande final. Como é que nós, então, vamos poder conversar com esse medo? Como é que nós vamos poder, então, lidar com esse excesso de informação? Se o dedinho, quem liga e desliga o botão do telefone da TV, está na gente, não é? Esse dedinho também pode ligar ou desligar a nossa ansiedade. Aqui no... no capítulo, o lado bom do lado ruim, quando você fala especificamente sobre o medo, a frase que abre o capítulo lá da página 57 é, precisamos da nossa paranoia para continuarmos vivos. Como.
Assim? Essa é a frase de um livro que também vem muito a calhar, é um livro de ficção científica escrito por uma mulher negra que se tornou uma escritora muito famosa, do mundo da ficção científica. E esse é um livro pós-apocalíptico, assim, daqueles que a sociedade ruiu por N motivos, então a sociedade está totalmente desorganizada, cada um por si, as pessoas fugindo e etc. E narra essa fuga da protagonista, que é uma moça negra, que ela vai, uma pessoa inteligente e tal, com algumas ideias interessantes, ela vai quase que fundando uma nova religião ali nesse novo mundo. E ela diz, lá pelas tantas, que a gente precisa da nossa paranoia para sobreviver. Porque a paranoia é isso, essa preocupação com o todo. O que está sendo dito? O que isso significa? Deixa eu deixar meu radar totalmente ligado aqui em volta, etc. E num cenário em que você não sabe em quem você pode confiar, você não sabe se a pessoa está lá para te roubar ou para te ajudar, se ela está doente ou se ela está te transmitindo uma doença, etc. Sem essa certa preocupação, a vida se torna inviável. E, de fato, a gente precisa desse radar um pouco ligado. Quando ele é exagerado, que a gente vai chamar de paranoia. A pessoa começa a ver tudo como perigo, tudo como fazendo parte de um complô contra si mesma, todo mundo como uma possível ameaça. Mas, embora não seja todo mundo uma possível ameaça, é sempre possível que alguém seja. Então, a gente precisa desse desse ajuste fino dessas nossas emoções, inclusive da nossa.
Paranoia. Entendi. Ou seja, esse estado de alerta, esse estado, como você disse, o medo, ele tem o seu lado positivo, mas em excesso, assim como o estresse, não.
É? Exato. O estresse, aliás, ele vai ser parte da nossa resposta de como lidar com tudo isso, de como conversar com isso, porque uma coisa que estressa muito a gente é mudança. Mudar estresse. Casar estressa, separar estressa, ter filho estressa, mudar de emprego estressa, mudar de casa estressa, ou seja, mudar estressa. O nosso organismo é acostumado a uma batida da nossa rotina que poupa energia, poupa esforço mental e de repente a gente tem que mudar tudo. Então isso realmente desgasta, isso traz um esforço mental e um desgaste emocional que, enfim, a gente precisa lidar com ele e aprender a usá-lo a nosso.
Favor. Olha, Daniel, estou até com medo do nosso tempo de live. Me avisa, tá? Quanto tempo você vai poder de tantas perguntas que estão chegando aqui. Podemos continuar mais um.
Tempo? Vamos, vamos, vamos que.
Vamos. Tá bom, você vai me avisando. Bom, sobre o estresse, ontem o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ele disse que nós ainda passaremos de 60 a 90 dias sob muito estresse aqui no Brasil. Isso frase do Ministro da Saúde ontem, que nós vamos viver mais 60, 90 dias sob estresse. Esse estresse externo mais o estresse interno por conta de todas essas mudanças, o que você como psiquiatra que já lidou com milhares de situações e viveu esse evento tão violento do 11 de setembro. Nós também tivemos o tsunami em dezembro de 2004, ou seja, vários eventos violentos. Eu só me recordo desses dois, dessas últimas décadas, para a gente comparar a essa violência que nós estamos vivendo agora. O que você pode nos falar sobre esse excesso de estresse que nós vamos viver? Não só pelas mudanças que nós temos que fazer, porque mudar a rotina, vocês especialistas já dizem, o cérebro precisa de um tempo para se adaptar. Agora ninguém tá conseguindo tempo para se adaptar a esse novo modo desoperante de trabalho e tudo mais. Como é que nós vamos fazer por tanto.
Tempo? Uma das vantagens do cérebro é essa capacidade dele se adaptar. Então, já Entrando na resposta de como lidar com isso tudo, a gente vai desenvolver novas rotinas. A gente vai encontrar o novo normal. Então, agora a gente está estressado porque a gente está vivendo uma situação que não é normal. Mas em poucos dias isso se torna um novo normal. E aí a gente se adapta, a gente cria novas rotinas. Isso é uma coisa que ativamente as pessoas podem fazer. Agora que eu tô aqui em casa, que hora que eu vou sair, que hora que eu vou voltar, que hora que eu vou assistir TV, que hora que eu vou checar minhas notícias, que hora que eu vou brincar com meus filhos, que hora que eu vou fazer lição de casa, etc, etc. Não pra se engessar, mas pra criar uma rotina. Porque a partir do momento que a gente cria uma rotina, o cérebro entra de novo nesse estado mais automático, poupa energia e diminui o estresse. Então essa é uma grande dica. A primeira dica que é a gente diminuir o bombardeio de informações negativas e notícias ruins que a gente se submete. A segunda dica é isso, a gente criar rotinas novas para nós nesse novo momento e a gente entender que esse é o novo normal. Que a gente não está... Enfim, não é uma coisa de um dia, de dois dias que daqui a pouco passa. Vamos aceitar essa situação e aceitando essa situação a gente consegue diminuir bastante do nosso.
Estresse. O que eu percebi, muitas pessoas que antes, quando saíam na segunda-feira para trabalhar, pensavam, poxa, como eu queria ficar um pouco mais de tempo em casa. E agora, que tem a chance de ficar um pouco mais de tempo em casa, estão surtando. Ouvi também pessoas que não estão podendo trabalhar de casa, ou seja, não podem fazer home office, que estão nos seus ambientes de trabalho e estão querendo trabalhar de casa. Ou seja, ninguém está feliz onde está, né? Como é que a gente encontra, então, o caminho do.
Meio? Então, é que na verdade o ambiente está tão tenso que a gente tem a ilusão de que se eu estivesse em outro lugar, eu estaria mais tranquilo. Então, a gente fala assim, mas está muito tenso. Se eu pudesse mudar isso aqui, aí estaria tudo bem. Aí você mudaria e ficaria ruim lá também. Então, eu acho que é isso. A gente entender, e aqui vai a terceira dica, a gente entender que é normal estar ansioso agora. Isso é fundamental. Porque a gente se sente ansioso e a gente fala, ai meu Deus, eu tô ansioso. O que será que tá acontecendo? Será que eu tô doente? Será que eu tô em pânico? Será que eu tô com coronavírus? Será que eu tô com algum problema? Não. Se você não estivesse ansioso, vocês teriam problema. É normal você estar ansioso agora. Faz parte da adaptação a esse novo momento. E essa ansiedade, esse estresse é o que nos permite essa adaptação. Quando você tira as glândulas adrenais que produzem adrenalina, em animais experimentais, eles morrem, porque eles não conseguem mudar, eles não conseguem se adaptar. Então a gente precisa desse estresse pra gente conseguir se adaptar e encontrar essas novas rotinas. Então, terceira grande dica assim, você tá estressado? Tudo bem, é normal você estar estressado. Não precisa ficar ansioso porque você está ansioso. Não precisa ficar estressada porque você está estressado. É normal, aceita essa emoção, Deixa ela falar com você, deixa ela te dizer o que ela tem pra dizer e vamos em.
Frente. Isso. Pra quem tá chegando agora, 20 minutos depois que nós começamos a live, tô conversando com o psiquiatra doutor Daniel Martins Barros, autor do livro O Lado Bom do Lado Ruim. Doutor, você acabou de dizer uma passagem que eu acho muito interessante aqui do livro, que é conversar com a dor. Eu preciso aceitar que eu estou sentindo tristeza, eu preciso aceitar que eu estou com raiva, eu preciso aceitar que eu estou com medo. O que eu tô sentindo é que nós estamos vendo realmente, estamos sendo bombardeados por muitas informações, antes essas informações chegavam com hora marcada e agora não, tá no nosso dedinho a gente se informar mais ou não. Eu preciso então conversar com o que eu estou sentindo, isso você fala aqui no livro. Gostaria que você se aprofundasse um pouquinho mais nisso, porque se a gente ficar em casa, a gente não vai pegar o coronavírus, mas a gente pode desenvolver mais.
Ansiedade. O ponto central do livro é que a gente passou muito tempo se iludindo que a gente se livraria das emoções negativas. Que a gente seria feliz o tempo todo, que a gente seria alegre o tempo todo, que a gente se livraria do medo, se livraria da raiva, se livraria da tristeza. E isso não acontece. A gente percebe a duras penas e agora a gente está percebendo de uma maneira coletiva que essas emoções negativas elas vêm E elas... não tem como calá-las, não tem como a gente tapar os ouvidos e fingir que elas não estão ali. A gente fez isso há muito tempo e a gente, como sociedade, até queria fórmulas para calar essas emoções. E a gente tem visto que não. A ideia do livro é, olha, não adianta. Elas estão aí e elas estão aí por um motivo. Elas existem por uma razão. Elas que nos dão informação. Elas sinalizam situações para nós. Então, a primeira coisa é desenvolver esse espaço de deixar as emoções aflorarem. E aí, deixar aflorar não é explodir de raiva, não é necessariamente sair chorando. É entrar em contato consigo mesmo. É pensar o que é isso que eu estou sentindo. Como é que chama isso? Não é assim que a gente faz com criança, Tá fazendo birra, né? a gente fala, não, isso é o que você tá sentindo É frustração, você queria que fosse de um jeito e aconteceu de outro É normal ficar triste, etc. É isso que a gente tem que fazer com a gente mesmo Tem que parar e falar, escuta, pera um pouquinho, o que é isso aqui? Em que situação que isso aconteceu? Por que então que eu tô com tanto medo? Por que eu tô tão triste de ficar em casa? Por que eu tô tão preocupado? O que tá me dando raiva dessa situação que eu tô vendo aqui acontecer comigo? E acontece nessa situação, nesse contexto. Hoje eu estava fazendo natação e fui expulso da piscina, porque falaram que a piscina está interditada. Mas eu falei, mas é a piscina de fora, é a piscina externa, por que está interditando? Porque está interditando tudo. Isso dá raiva, porque a raiva sinaliza isso, sinaliza uma violação de um direito, algo que eu achava que era meu e que me foi tomado. E aí eu tenho que falar, bom, isso que eu senti é raiva e tudo bem eu ter sentido raiva. Não é tudo bem eu querer xingar o guardinha que veio falar comigo ou o síndico, isso não é tudo bem. Mas é tudo bem eu sentir isso e parar pra pensar, bom, então esse é um direito meu que me foi tirado, mas é direito mesmo? Será que eu deveria estar? Será que não é mais certo interditar? Eu não sei. Hoje em dia a gente não sabe mais o que é certo e errado nessa situação de pandemia. Mas eu entendo a preocupação de quem levou a querer interditar a piscina. Mas eu só consigo fazer esse raciocínio a partir do momento que eu entendo que eu tô com raiva e dialogo com ela. Senão eu só fico nervoso e ou brigo com a pessoa ou passo o resto do dia ruim sem saber.
Porquê. Trazendo então para a prática, eu estou com raiva que o meu direito de circular foi limitado. Sim, isso vai acontecer. Não é nada pessoal. Isso está acontecendo em dezenas de países, em dezenas de cidades. Essa é uma conversa. A outra conversa. Eu estou com medo. Estou com medo do quê? Estou com medo de pegar o coronavírus? Bom, o que eu faço para não pegar o coronavírus? É esse tipo de conversa, doutor? É esse tipo de.
Conversa? É, e mais do que isso. Faz sentido esse medo? Porque, às vezes, o que acontece? A gente entende, então, que o medo existe para sinalizar perigo para nós. Essa é a função do medo. E aí, se ele está lá sinalizando, é porque ele está encontrando um perigo. E aí, você tem que saber que isso está acontecendo, que aquele mal-estar que você está sentindo é um sinal de perigo, para você poder falar, mas faz sentido este medo? Tem razão deste medo? O que muitas pessoas não entendem com relação ao coronavírus é que tudo isso que está acontecendo não é pelo risco de você que está assistindo a gente morrer de coronavírus. Tudo isso que está acontecendo é para a gente retardar a evolução, quer dizer, o pico, para a gente deixar que essa epidemia ocorra mais devagar, porque no final das contas a maioria das pessoas vai pegar de qualquer jeito. É só para a gente fazer com que essa evolução seja mais lenta e não leve ao colapso do sistema de saúde, porque se todo mundo adoecer de uma vez, o sistema entra em colapso. Então, não é porque tem um vírus batendo na sua porta e falando assim, eu vou entrar, eu vou entrar, eu vou te pegar, etc. Não, não é isso. Não é essa a ameaça. A ameaça é muita gente ficar doente ao mesmo tempo, e aí mesmo que seja uma parcela minúscula de pessoas que têm complicações graves, essa parcela pequena, se for muita gente de uma vez, leva o sistema ao colapso. Ou seja, a gente tem que entender que está com medo para poder falar. Mas faz sentido esse medo? Este perigo que está sendo sinalizado é um perigo real? Então, às vezes não é. E aí você consegue se tranquilizar. Às vezes é, você consegue se precaver. E assim por diante. Eu gosto muito da frase do Mark Twain, que ele fala assim, eu já passei coisas terríveis na minha vida. Muitas que até aconteceram de verdade. Então a gente fica... muitas coisas na nossa cabeça e que muitas vezes não precisa. Mesmo nessa situação dramática que nós estamos vivendo, muito do nosso medo é.
Desnecessário. Perfeito. Doutora, eu estou vendo aqui pelos comentários muitas pessoas agradecendo demais. Mãozinhas em pressa aqui pelas suas respostas e eu faço coro com elas. Eu, assim como muitas pessoas, estamos precisando ver isso porque hoje, boa parte está com medo de pegar o vírus. Eu já tô um pouquinho mais na frente, eu já tô com medo de não conseguir pagar as contas, porque primeiro essa ameaça é física, e aí vem a nossa saúde mental, a saúde emocional se não tiver boa, levo então para esse problema na saúde mental, e eu posso também ter problema na saúde financeira, ou seja, é um comportamento que gera uma série de consequências e eu sim, eu estou com medo de não conseguir pagar minhas contas porque os eventos foram vacilados. Como é que eu lido com essa ansiedade? Se eu estou conversando com ela, estou tomando minhas precauções, estou evitando a circular, sabe? E.
Aí? Olha, Isabela, eu vou falar pra você uma coisinha em primeira mão aqui, hein? Primeira mão, não falei em nenhum lugar É uma ideia que eu estou para o meu artigo da semana que vem, do Estadão. Mas por que os governos estão tomando atitudes drásticas? Por causa do desespero das pessoas com a doença. É por causa do desespero das pessoas com a doença, do risco de morrer. Daqui a pouco, daqui a muito pouco, as pessoas vão começar a mudar esse medo de morrer pelo medo de ficar desempregadas, pelo medo de não terem dinheiro para pagar as contas, pelo medo da bancarrota financeira, que essas atitudes que os governos estão tomando por causa do medo das pessoas vai gerar. Quando isso acontecer, as pessoas vão começar a pressionar no sentido inverso. deixa a gente voltar a trabalhar, deixa o shopping abrir, deixa as pessoas circularem, porque senão vai ser pior. E nesse momento a balança vai inverter. Ah Daniel, então você está falando que está errado, que não deveria ter tido fechar, etc. Você quer que as pessoas morram? Não, não estou falando isso. O que eu estou falando é que é um equilíbrio muito delicado entre o risco de as pessoas morrerem e entrar o colapso em colapso o sistema de saúde e o risco do sistema financeiro entrar em colapso e mais pessoas morrerem. Por ano, Isabela, eu levantei esse número hoje, por ano 45 mil pessoas se suicidam por causa do.
Desemprego. Aqui no Brasil ou no.
Mundo? No.
Mundo. 45 mil pessoas no mundo se suicidam por.
Ano. Essa conta a gente não tá fazendo ainda porque a gente tá com medo de pegar o vírus e morrer. Quando a gente vê que pegou o vírus e não morreu, ou que não pegou o vírus, essa conta vai começar a aparecer na cabeça das pessoas. E aí libera tudo. Então pronto, vamos todo mundo pegar coronavírus e vai liberar tudo? Não. Eu não sei como vai ser feito isso. Mas vai ter que ser feito um ajuste fino dessa situação. Porque se não tiver tudo fechado, ninguém sair de casa, quarentena total no planeta inteiro, ninguém mais pega coronavírus. E o planeta implode. Então, esse é o medo real. Essa é uma situação que terá que ser repensada. Mas, enfim, não tem uma solução pra já. Mas, de fato, a gente pode, eu acho que, de alguma maneira, se preparar. Agora você está em casa, parado, fechado, com medo de que você vai perder o emprego ou já perder o emprego. Tem gente que está sendo demitida hoje. É talvez um tempo, pode parecer meio superficial porque isso não paga as contas, mas de você rever as suas contas. A maioria dos brasileiros não tem planejamento financeiro. Então fazer o planejamento financeiro não vai pagar a conta do açougue, eu sei disso. Mas uma hora essa crise vai passar e isso pode ter sido um momento privilegiado para a gente ver se o que a gente está entrando é o mesmo que está saindo. A gente está aí, a gente está preso, a gente já está nessa situação. Por que não aproveitar para pensar para a próxima? Porque é uma outra coisa que a gente tem que pensar, Isabela. Essa não é a última crise que a gente vai ter global. virão outras, essa vai passar e daqui a pouco vai ter outra, se não for de crise do subprime que aconteceu em 2008 e aí um monte de empresa falindo, ou pode ser uma crise da internet, pode ser uma crise outra pandemia, vai ter novas crises. Então, eu acho que essa só veio para mostrar para a gente e falar, pessoal, vocês estão vivendo aí como se tivesse tudo garantido. Eu estou dizendo aqui para vocês que não tem nada.
Garantido. Eu tô rindo pra não chorar, evidentemente, doutor. Tô vendo aqui que o nosso número de companheiros aumentou bastante. Obrigada, então, a todos vocês que estão conosco. Começamos a live às sete e meia. Tô conversando com o psiquiatra doutor Daniel Martins Barros, autor do livro Lado Bom do Lado Ruim. O lançamento do livro físico seria.
Amanhã. Pois é.
Então. E você, como outros autores, cancelaram milhares de eventos também, ou seja, a gente precisa, falando aqui das emoções, voltando um pouquinho, desenvolver, lembrar da tolerância para tudo que nós estamos tendo que cancelar, certo? O que é que você sugere, doutor, para todas essas.
Mudanças? Pois é, aí é o lado bom da tristeza, né? Porque o que a tristeza mostra pra nós? A tristeza é aquela emoção que ela mostra pra gente como a gente não consegue... como o mundo não é como a gente gostaria. A tristeza, ela fala assim, olha, já era. Foi, perdeu. O medo, ele fala assim, ó, tem uma ameaça aí, foge disso, tenta evitar. A raiva, fala assim, ó, alguma coisa que era sua foi tirada, tenta pegar de volta. Ou estão tentando pegar o que é seu, não deixa não. A tristeza fala, já era, perdeu. Não foi do jeito que você gostaria. Teve que cancelar o lançamento. Teve que cancelar a palestra. Tive que cancelar a aula da pós-graduação. Perdeu. O que tem de bom na tristeza? Essa foi uma emoção que me deu trabalho de encontrar o lado bom dela Mas, na verdade, a tristeza nos coloca numa posição de reflexão Ela nos coloca mais introspectivos Ninguém sai alegre pulando quando a gente tá triste A gente para pra pensar, a gente para pra refletir A gente para pra digerir tudo isso que tá acontecendo Então esse é o momento, nós estamos mais em casa, nós estamos com menos happy hours, nós estamos com menos festa, então é hora de a gente parar e pensar em tudo isso que está acontecendo, quais são os nossos valores, quais são as nossas prioridades, o que é realmente importante pra nós. Tudo isso é muito mais fácil com esse ar mais de tristeza. E tem mais, as coisas que a gente perder pra sempre, porque tem coisas que se vão pra nunca mais. Eu não sei se eu vou conseguir fazer um novo lançamento, eu não sei se eu vou conseguir organizar, Porque tem o timing do livro, porque a gente não sabe quanto tempo os shoppings vão ficar abertos, etc. E eu cito no capítulo uma coisa que é o ápice da tristeza, mas que é curativa, que é o luto. O luto eu chamo de o amargo remédio. Porque o luto é muito amargo. O luto é aquele momento que você fala assim, agora é nunca mais. É muito duro de descer essa pílula, de falar assim, olha, é pra nunca mais. Mas quando cai a ficha, você consegue seguir em frente. É só quando você entende que perdeu de vez que você consegue se perder. Então para onde vou a partir de agora, a partir daqui? E você para de arrastar os cadáveres e os fantasmas pelo mundo. Então esse é um momento também de tristeza, mas é um momento em que ela também pode ser útil e nos.
Ajudar. Lindo. Aqui, eu até vou já mencionar a página 55, tá, gente? O lado bom da tristeza. Então, aumenta a nossa capacidade de reflexão e mostra, de fato, o que é importante. O que muitas pessoas estão vendo, né, doutor? Nesses tempos, o que é de fato importante. E sobre o luto, eu anotei duas coisas aqui. É uma perda que não será reposta. Primeiro você se afunda, depois você se refaz. Então, doutor, Qual é a mensagem por trás disso tudo? Qual é o grande aprendizado nisso tudo, que nós estamos sendo obrigados a fazer uma pausa? Aquilo que eu estava pedindo lá no livro, que aliás eu nem sei agora também quando vai ser lançado fisicamente, mas na hora certa vai dar certo. Qual então é o nosso aprendizado nisso tudo, nessa pausa involuntária? Nós estamos tendo a oportunidade de refletir. Por enquanto está todo mundo muito irritado com essa mudança tão rápida, com esse cerceamento, com essa falta de possibilidades que nós tínhamos livremente. Qual é, doutor, o aprendizado disso.
Tudo? Tem uma frase que eu digo, Isabela, que eu resgatei pensando na nossa conversa de hoje. Eu tenho alguns aforismos aí que eu coleciono. Pensando hoje de manhã naquilo que a gente conversaria hoje à noite, eu resgatei essa frase e até postei no meu stories do Instagram. Eu digo o seguinte, as coisas simplesmente acontecem. As coisas simplesmente acontecem. O seu sentido, nós que achamos. Então, as coisas são o que são. A morte vem... A fortuna vem, o dinheiro vem, o dinheiro vai, a saúde vem, a saúde vai. E o mundo segue, indiferente a nós. Os dias se passam indiferente aos nossos berros ou à nossa indignação. O sentido dessas coisas somos nós que vamos achar. E achar no sentido de buscar e encontrar. Então procurar e encontrar o sentido. E achar também no sentido de supor. Porque talvez a gente não saiba, talvez a gente não encontre a resposta, mas eu acho, eu imagino que. Então eu imagino que nesta situação que nós estamos vivendo, a gente vai rever muito as nossas prioridades. Hoje um colega jornalista me perguntou sobre como não brigar ficando em casa, todo mundo junto, como não discutir política e etc. Eu falei, eu acho que as pessoas vão diminuir um pouco essas discussões políticas, porque o medo está aí e as pessoas estão vendo que a vida é tão frágil. Vale a pena você ficar discutindo bolsominion, petista, esquerda, direita? Sério, assim, no momento que a gente viu a nossa civilização ser ameaçada de alguma forma, no momento que a gente viu que a nossa vida é um sopro, vale a pena bater boca com a sua mãe? Vale a pena discutir com amigos que você ama por conta disso? Então eu acho que esse é um dos grandes sentidos disso tudo que a gente está passando, pelo menos é um sentido que eu tenho achado, encontrado e achado suposto também.
Imaginado. Perfeito, doutor. Rezer as prioridades. A Mila e o André Zorato disseram aqui, a melhor live até agora sobre o assunto. Eu já sentia que a nossa conversa seria muito inspiradora e eu tô muito feliz, eu tô emocionada por tudo que você falou. Por mais que a gente ouça, saiba, leia, é muito importante quando alguém com o seu gabarito nos lembre dessas verdades. Pra gente encerrar, doutor, vamos relembrar então aqui o que nós vamos poder fazer para lidar com tudo o que está acontecendo de uma maneira bem saudável, para a gente não pegar nem coronavírus e nem desenvolver uma síndrome do pânico e nem aumentar nossa ansiedade. Eu levantei aqui três pontos. Posso repetir ou você quer me.
Dizer? Como eu fui falando no meio de improviso, vamos fazer assim, eu falo e você diz se está.
Certo. Pronto, você.
Mandou. Não, é assim, porque foram coisas que vêm me ocorrendo e eu tô vendo sobre isso online. A gente tá pensando sobre tudo isso conforme as coisas estão acontecendo. Mas eu acho que pra gente lidar melhor com essa situação toda, a gente tem que primeiro aceitar a ansiedade. A gente tem que saber que é normal a gente estar estressado, a gente estar ansioso. e não ficar mais ansioso por causa disso. Se a gente tá com medo, tá tudo bem. Era pra estar com medo mesmo. Aceita, conversa com esse medo, vê o que tem sentido e o que não tem sentido. Eu acho que isso já ajuda bastante. A segunda coisa é a gente não se bombardear com essas notícias. Isso tem sido um apelo que eu faço às pessoas. Use ali com responsabilidade. Coloque momentos. Eu vou checar de manhã, eu vou checar na hora do almoço, eu vou checar antes de deitar, mas não fica se bombardeando 24 horas por dia dessas notícias que isso só estimula o nosso cérebro, isso vai trazer doença para as pessoas. Então aceitar o medo, não se bombardear e criar alguma rotina, entender que esse é o novo normal, entender que agora é assim, por enquanto é assim e vamos fazer disso o nosso novo normal, que quando a gente está no normal a gente não está estressado por mudança. Mudou, estressou quando mudamos. Agora que já está mudado, a gente vai assim. Faltou alguma não? Eram essas.
Mesmo? Você é demais, você fala a língua que a gente não entende. É isso, aceitar a ansiedade e o medo, conversar com essas emoções, com esses sentimentos. Não ser bombardeado com excesso de notícias, porque o excesso de notícias já nos provoca ansiedade. Excesso de uma determinada notícia, então aumenta a ansiedade e pode nos causar uma Podemos envolver uma.
Simplicidade. Uma explosão. É isso.
Aí. E terceiro, criar essa rotina, porque o nosso cérebro entende que uma mudança é uma ameaça. Se é uma ameaça, gasta mais energia. E aí ele recusa aquela mudança para não gastar mais energia, não.
É? Exatamente. Esse é o novo normal. Vamos entender que agora isso é.
Normal. Doutor, vou repetir então aqui para quem está chegando agora. Nós conversamos então nos últimos 42 minutos com psiquiatra doutor Daniel Martins de Barros, O Lado Bom do Lado Ruim, um livro incrível que fala para a gente conversar com as nossas emoções, que são sempre mensageiras, por mais que a gente recuse a existência delas, é melhor aceitar ficar assim do que.
Assim.
Exatamente. O broche que veio com o livro tá aqui, ó. Sempre deixo ele lá, assim. A gente vai viver momentos assim. Eu hoje mesmo tive uns dois períodos assim de... Meu Deus do céu, o que que eu vou fazer? Aí eu lembrei justamente do que você me falou. Conversa com o sentimento. Não ignora, né? E fala assim, olha, vai passar. Já já vai.
Passar. É isso.
Aí. Doutor Daniel, eu vou compartilhar essa live no meu story, vou deixar lá no canal do meu YouTube. Algumas pessoas perguntaram aqui. Vou deixar lá também, porque eu entendo que nós teremos outras conversas, mas essa já foi fundamental para a gente viver dias menos ansiosos e sofridos. Foi bom para você.
Doutor? Acho que é fundamental. E eu aceito esses convites e essas oportunidades, porque eu vou refletindo enquanto a gente vai conversando e a gente vai crescendo junto. Esse é outro sentido disso tudo que está acontecendo. Estamos crescendo.
Juntos. Aguardarei o seu artigo no Estadão falando sobre esse desesfero com a doença que pode trazer mais problemas além de físicos, mentais, emocionais e sim os financeiros. Obrigada, doutor Daniel. Muita saúde para todos nós. Até.
Breve. Beijo de longe. Beijo para todos. Beijo com.
Máscara. Tchau, tchau. Gente, então o Dr. Daniel vai seguir com os compromissos dele e eu vou repetir então aqui pra vocês que chegaram agora rapidamente o que nós conversamos, tá? O Dr. Daniel é psiquiatra, autor do livro O Lado Bom do Lado Ruim. Nós falamos sobre reconhecer, aceitar as emoções e sentimentos que todos nós, todos nós estamos passando. Estamos sentindo medo, estamos sentindo angústia e isso tudo aumenta a nossa ansiedade. Então, ele disse três coisas muito importantes que vou repetir pra vocês que chegaram agora. Olha, Claudinei Matosão tá aqui, um beijo pra você. Eu vou disponibilizar a live aqui no Story e também lá no YouTube. Dr. Daniel, ele disse muitas coisas importantes. A síntese é Encarar a realidade como nós estamos vivendo como um fato. Não vai adiantar reclamar, brigar, se lamentar. Isso tudo só vai aumentar o nosso estado ansioso. Tá vendo isso aqui? Esse dedinho é ele que desbloqueia o telefone, é ele que aperta o controle remoto, é ele que coloca lá no site de notícias, é ele que vai determinar se a gente vai bombardear o nosso cérebro com notícias no mundo inteiro. O doutor Daniel disse assim O que vai adiantar saber quantos casos confirmados, quantas pessoas infelizmente partiram pelo coronavírus lá na Itália, lá em Portugal? Ele quis colocar essa situação com muito respeito Porque isso para nós aqui não vai evitar a chegada do vírus, não vai nos prevenir de nada. Pelo contrário, vai sobrecarregar a nossa mente, com isso aumenta o nosso estado ansioso e a nossa imunidade cai. Sim. Gente, é uma conta assim muito simples. Quanto mais informação a gente tem e aumenta o nosso estado ansioso, mas a nossa imunidade cai e tudo o que nós não queremos é que a nossa imunidade fique baixa, não é? Eu costumo dizer, inclusive, nas palestras sobre o burnout, uma maneira que a gente pode prevenir doenças ocupacionais e o coronavírus é mantendo a nossa imunidade alta, deixando a nossa autoestima lá em cima. Para isso a gente tem que se reconhecer. E aí voltando para o que o doutor Daniel falou, a gente só vai reconhecer o lado bom do lado ruim quando a gente conversa com os nossos sentimentos. Não adianta ficar estressada querendo recusar o estresse. Não, tô estressada sim. Hoje mesmo eu assisti o jornal do meio-dia, depois eu fiquei assim mal, porque foram muitas histórias, muitos dados e depois eu fiquei pensando, e agora? Ou seja, eu já estou fazendo o melhor que eu posso, eu já estou evitando a circulação, eu estou fazendo aqui lives todos os dias em casa, eu cancelei tudo que eu pude, passando álcool gel, aumentando a higiene, deixando de circular, então eu já estou fazendo a minha parte. Eu não preciso bombardear mais o meu cérebro com informações, com dados que não vão me ajudar. Então, o que é que vai nos ajudar nesse momento? Fazer a nossa parte. higiênica, de autoestima, de autocuidado, dormindo bem, comendo bem e se informando apenas o necessário. Vou repetir, se informando apenas o necessário. Excesso de informação causa ansiedade. Falo isso inclusive no livro que eu lanço já já, chamado Dá um Tempo. O excesso de uma informação como a do coronavírus, vai deixar a gente muito mais ansioso e pode, inclusive, desenvolver síndromes do pânico. O medo é bom, nos protege, como o doutor Daniel disse, mas em excesso ele já pode ser um problema. E aí, para encerrar então aqui, para encerrar eu vou responder aqui uma pergunta que um rapaz colocou, vai ficar alienada da informação, Eu até perdi aqui quem foi que escreveu, meu bem, não é nada disso. Vou repetir, ninguém aqui está falando para você ficar alienado ou alienada das informações. Nós estamos falando para você apenas se informar o necessário para se cuidar. As informações necessárias para a gente se cuidar estão sendo divulgadas do elevador da nossa casa ao nosso telefone. manter distância de quem a gente puder, evitar circulação desnecessária, aliás, evitar circulação, lavar bem as mãos, ou seja, cuidar da gente. Não estou dizendo pra ninguém ficar alienado, estou falando pra você não sobrecarregar a sua mente, porque aí, além do risco do coronavírus, você também pode desenvolver uma ansiedade ou a síndrome do Tá certo? Ficou claro? Para encerrar, então, agora sim, as três dicas do doutor Daniel de Barros. Primeiro, aceitar a ansiedade. Estamos vivendo, sim, um momento diferente. Conversar com este medo, conversar com essa ansiedade. Estou com medo do quê? Ah, estou com medo de pegar o coronavírus. Muito bem, então como eu posso evitar o contágio ficando em casa se eu tiver que sair, lavar as mãos, usar álcool gel e melhorar a minha imunidade? Então, conversar com a dor, conversar com o medo é muito importante. Segunda dica, doutor Daniel, não se bombardear com excesso de notícia. Lembra que eu falei? O dedinho tá aqui, ó. Não adianta reclamar que o WhatsApp não tá mais nem tocando, tá tossindo, né? Outro dia eu vi essa piada, achei o máximo. Quanta piada, aliás, né? Tem que rir pra não chorar. Que tinha tanta informação de coronavírus no telefone que ele nem tocava mais, ele tossia. Mas o dedinho tá aqui. Quem vai abrir a mensagem somos nós. e criar uma rotina. O nosso cérebro vê todas as mudanças como ameaça, porque uma mudança exige energia. E energia significa para o corpo que ele vai ter que se despender diferente do que ele está. Então, uma maneira da gente fechar aqui a nossa conversa é entender que o que estamos vivendo é o novo normal. Eu sei que muita gente que está trabalhando em casa está a pé da vida porque queria estar no trabalho, porque em casa às vezes não tem ar-condicionado, não tem aquela cadeira macia bacana, não tem o cafezinho pronto. E muita gente que está trabalhando em casa, aliás, que está trabalhando nos ambientes tradicionais, queria estar trabalhando em casa. O doutor Daniel falou sobre isso, que é uma ilusão, que se a gente estivesse vivendo alguma coisa diferente ou em outro lugar, seria melhor de onde nós estamos, e não é nada disso. Então, se você está incomodado por estar trabalhando em casa e gostar de estar no trabalho, tem gente que está incomodado trabalhando no ambiente profissional, tradicional e não em casa. Então, parece que nunca vai estar bom, mas é porque o cérebro entende que se alguma coisa estivesse diferente, tudo estaria melhor e não é. Isso é uma ilusão, segundo o doutor Daniel, e eu entendo que tem tudo a ver. Então, que a gente crie uma rotina. Por enquanto, esse é o novo normal. E é muito melhor que a gente aceite, converse, desenvolva a nossa criatividade para buscar novas alternativas para resolvermos, então, esses problemas que nós já sabemos que vão passar. Que a gente tenha, então, Muita calma, que você respire sempre que você puder. Lembre-se, se estamos vivos, estamos respirando. E se estamos respirando, podemos acalmar a nossa ansiedade, acalmar esse rebuliço. Vão ter momentos durante o dia que você vai ficar muito angustiado, muito pela vida. Eu tenho vivido esses momentos. São vários medos. Mas eles passam. Se você lembrar que já estamos com a benção da vida e se estamos vivos podemos respirar. E se podemos respirar, podemos acalmar então a nossa ansiedade, o nosso medo, a nossa angústia. Um beijo grande e amanhã tem mais live falando sobre um outro assunto que vai complementar tudo o que nós estamos falando aqui todos os dias. Gratidão pela companhia, muita saúde pra vocês e até.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








