Live com o Dr. Leandro Teles - O aumento da ansiedade e depressão em tempos de COVID-19

Neurologist Dr. Leandro Teles talks with Isabela Camargo about why anxiety and depression spiked during COVID-19, focusing on how isolation affected mental health and what actually helps when you're struggling.
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Oi, boa noite! Tudo bem? Segunda-feira, sete horas em ponto e eu começo aqui mais uma live pra gente tentar, pelo menos, preservar a saúde mental até o novo normal chegar, até tudo isso passar e a gente retomar a nossa autonomia. Hoje eu tenho o privilégio de trazer um convidado maravilhoso que fala a nossa língua É como se ele colocasse o consultório pra fora do consultório, sabe? A gente vai entender direitinho o que está acontecendo, o que pode acontecer aqui ó, no nosso cérebro. É o doutor Leandro Telles, neurologista, autor de três livros incríveis, vou repetir aqui o nome pra vocês, Antes Que Eu Me Esqueça, O Cérebro Ansioso e Depressão Não É Fraqueza. Eu vou ficar aqui de olho, assim que o doutor entrar, eu já dou ok e a gente divide tela. Enquanto isso, além de eu dar aqui boa noite pra Ives Camargo, pro Valdeir, pra Alzeny, enfim, pra todos vocês que estão aqui comigo, meu muito obrigada pela confiança e pelo tempo de vocês. Mandem também dúvidas, porque tem muita gente achando que é frescura, né? A gente falar sobre ansiedade e depressão nesses tempos que estamos vivendo e Eu queria então conversar com o doutor pra gente entender realmente se o aumento da ansiedade e da depressão, se isso é fato ou se é fake. Eu tenho a minha opinião, mas eu prefiro então que um especialista na área converse com vocês. Olha, lembrando que esse espaço é pra gente falar exclusivamente sobre a questão da saúde mental, para a gente poder passar por tudo isso de uma maneira menos sofrida, menos dolorosa, para que a gente não nos maltrate e também não maltrate ninguém ao nosso redor. E aí, dito isso, se vocês quiserem já mandar perguntas, eu vou anotando aqui. Obrigada, Márcia. Obrigada a todos que estão aqui comigo. E se vocês quiserem também mandar um zap aí pra turma que vai precisar desse conteúdo, ou se vocês estão sentindo que tem alguém precisando desse conteúdo, manda bala, manda um zap, que o doutor Leandro Telles acabou de chegar, ele me dando aqui ok, a gente já divide tela. Do mais uma vez, uma boa noite aqui pra todos. Olha, quando a gente tem o prestígio do nosso marido é bom, né? Da nossa mãe também, ou seja, a nossa família quando nos prestigia é bom demais. Doutor, já enviou a solicitação? Não tô vendo aqui. Achei. Achei. Agora sim. Agora sim. Já, já vamos dividir tela aqui. Então. Alá, olha ele ali. Tudo bem, doutor?
Boa noite, Isa. É um prazer dividir a tela e dividir o espaço com você e seus seguidores. Que tema fundamental e importante. Estou acompanhando o seu trabalho árduo e diário em prol de uma informação de qualidade e de uma comunicação direta, diretamente com o público, com o leigo. Faço aqui o meu tempo, sua disposição para as perguntas, comentários, colocações.
Você é um querido, doutor. Antes da gente continuar, eu vou só responder aqui uma... O Márcio disse, não posso ficar. Márcio, essa live vai ficar lá no YouTube infinitamente. Então, pra quem não conseguir até o final, Eu espero, inclusive, que vocês mandem perguntas, mas depois o conteúdo fica lá no YouTube. Dr. Leandro, a gente se conheceu no programa da Gazeta, desde então não desgrudei mais de você, porque você fala a nossa língua e a cada conversa você me esclarece e esclarece outras pessoas também. Obrigada pelo seu tempo.
Eu que agradeço, é uma honra e estou aqui à disposição. Vamos para cima do tema. Ansiedade, depressão, esgotamento. Você sabe que eu sou seu fã e tenho uma profunda gratidão da sua participação no lançamento do meu último livro, o Depressão Não É Fraqueza. Então, nada mais natural que a gente possa repartir outros espaços e outros momentos.
Isso. Eu vou fazer já uma pergunta aqui direto ao ponto e depois a gente repete, tá? Porque como o público, ele muda bastante, depois a gente volta. Leandro, afinal, nesse momento que nós estamos vivendo de isolamento social, onde a gente perde também a autonomia, nós podemos ter um aumento de casos de ansiedade e depressão? Isso é um fato ou isso é fake?
Na minha opinião, Isa, espero que você esteja me ouvindo bem, me enxergando bem. Na minha opinião, isso é um fato, tá bom? Isso não é fake. Na verdade, o risco de depressão e ansiedade é inato ao ser humano. O Brasil tem uma taxa alta e alarmante. com relação a transtorno ansioso, também com relação a transtorno depressivo. A gente tem aí mais de 18 milhões de portadores de transtorno de ansiedade, mais de 11 milhões de portadores de depressão. E a gente sabe que no mosaico causal dessas doenças, você tem genética, você tem história de vida e você tem contexto de vida. E esse nosso contexto atual, ele é peculiar. Esse nosso contexto atual, neste momento, a gente tem mais medo, a gente tem mais insegurança, maior sensação de vulnerabilidade. Então existe uma resposta esperada, que é a adaptativa, que não é doença, mas para aquelas pessoas que são mais vulneráveis, que tem biologia para depressão e ansiedade, você pode ter mais fenômenos de descompensação. Então, as pessoas que já tiveram ansiedade e depressão, as pessoas que têm histórico familiar e as pessoas que vão ter menor ferramenta cognitiva, emocional para lidar com esse momento, elas podem adoecer, sim, cruzar o limite do normal e aumentar esse risco. Tanto agora, durante a pandemia, como após a pandemia. A gente tem um risco maior de estresse pós-traumático, de ansiedade e depressão, até por conta das próximas ondas, da parte social, da parte educacional, profissional, econômica. Então, nessas fases de crise, você acaba colhendo um pouquinho mais de pessoas que passam a fronteira da normalidade.
Doutor, repete pra gente o cenário neste mosaico causal genética, o contexto que eu estou vivendo e o que mais pode favorecer para que eu desenvolva ansiedade e depressão?
Então a genética é o primeiro ponto, quanto mais familiares acometidos, quanto mais próximos esses familiares, a gente carrega um risco genético de depressão, de ansiedade, de esgotamento. Não dá pra nascer de novo. Então isso é uma variável não modificável. É importante você conhecer essa variável pra que você se proteja melhor, que você possa filtrar o universo, mudar o seu estilo de vida. Tem pessoas que têm gastrite, hipertensão, diabetes, Outras têm uma tendência maior à depressão e à ansiedade como resposta a mudanças externas e internas. Outro fator de risco nesse mosaico é o histórico de vida. Pessoas que tiveram histórico de vidas mais traumáticos, com mais perda, com criação ou muito pesada ou muito permissiva. Então a história de vida faz com que você tenha um risco maior ou menor na fase adulta ou depois deste evento. A terceira coisa é o estilo atual de vida. Então a gente tende, se tiver mais frustração, se tiver distúrbio do ritmo de sono, se tiver esgotamento e overdose de informações, neste momento a gente tem excesso de informação. uma informação com viés um pouco mais catastrofista, que é natural na pandemia. É um viés que a gente vê nos momentos de maior crise. O cérebro sofre com a falta de respostas. A gente tem perguntas, até quando? Qual é o caminho? Que tipo de isolamento? Quantas pessoas vão pegar ou não? Então a falta da resposta é pior do que ter uma resposta negativa. Mas a gente fala assim, não, a resposta é esta, o caminho é este. O cérebro, mesmo num cenário ruim, ele vai se preparar. Agora, a ausência de resposta, será que o desemprego vai aumentar? Será que a crise econômica vai chegar? Será que depois de maio, abril, o isolamento vai se aliviar? Será que vai ter uma cura ou uma vacina para o COVID? Será que um ente querido vai pegar? Será que eu vou pegar? A dúvida, ela gera insegurança. E isso é força motriz para a ansiedade. Se você não reconhecer a tempo e não filtrar o comportamento, você pode colher uma versão patológica, porque a ansiedade pode ser progressiva. e ela também pode ser um pouco contagiosa, como o Covid. Quando a gente fica irritado, quando a gente fica acima do tom, quando a gente muda o humor, a gente também pode, de alguma forma, contagiar o mundo que a gente vive, as pessoas que a gente acompanha, e isso pode ser também tão contagioso e tão donoso como a atual pandemia viral, infecciosa.
Tô chocada. Em 10 minutos de live, eu já anotei aqui um monte de coisa que vai pro resumo, tá? Assim que a nossa live acabar, eu faço um resumo aqui no Instagram e depois vai tudo lá pro YouTube. Convido todo mundo, inclusive, passar por lá, compartilhar com quem precisa. Dr. Leandro, socorro! O cérebro sofre mais com a falta de resposta do que com respostas negativas.
É, lógico que tem uma variação aí. A alternativa negativa pode deixar você triste. A tristeza é uma reação normal à emoção negativa. Mas a ausência de certeza e de alternativas e a dúvida, ela pode alimentar a sua ansiedade. Por quê? Porque a ansiedade é uma resposta normal ao medo, ao novo, ao risco, ao inédito. tudo o que a gente tem agora. A gente tem que estar vivendo numa nova forma, com outras ferramentas, a gente tem que se abdicar de algumas válvulas de escape, como o exercício social, o trabalho presencial, a gente vai ter que vestir outros personagens. Então tudo isso pode, de alguma forma, sobrecarregar o sistema, fazendo com que o sistema emocional fique amplificado. E aí ele pode gerar um efeito lupa, fazendo a crise, que é real, que é séria, parecer ainda pior, parecer insolúvel, coisa que ela não é. Ela é real, mas existem algumas diretrizes de direcionamento, existem alguns dados, números e notícias positivas, mas o cérebro pode ficar sequestrado à mercê do catastrofismo, projetando alternativas de vai que, e se, e nessas alternativas, você pode ter uma visão um pouco mais negativa, e isso te torna uma presa fácil para formas patológicas de ansiedade e depressão. Para quem não sabe, formas patológicas de ansiedade são síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada, aquela preocupação contínua, pensamentos intrusivos, aquela pessoa que fica pensando sempre na mesma coisa, não consegue se desvencilhar daquilo, comportamentos que podem ser fóbicos, amedrontados, de esquiva, ou compulsivos, como excesso de comida, álcool, necessidade de muita informação, Então existem várias formas de ansiedade. Outra que a gente tá vendo agora é o toque. Pessoas que desenvolvem rituais e que às vezes ficam lavando a mão, higienizando as coisas ou se afastando das pessoas. Então existem várias versões de ansiedade que deixam de ser ferramenta. Passam a ser uma âncora. E aí você cruzou o limite da normalidade. Porque eu ter um pouco de ansiedade é bom. Ter medo é bom. É bom ter medo. Se eu tenho medo, eu me protejo. É bom ter tristeza? Se o evento é triste, uma tristeza reacional é só pela tristeza que a gente processa a dor, que a gente processa o negativo, que a gente se volta a si mesmo e que volta fortalecido. Agora, quando a tristeza tempera tudo e quando esse medo é maior que o inimigo real, quando é uma imagem mental que me amarra, me bloqueia, essa ansiedade passou do topo.
Uau! Quando você falou, doutor, sobre as consequências, a Organização Mundial da Saúde, ela diz que saúde mental é prioridade numa pandemia e que as consequências de uma pandemia podem durar até três anos. Quando você fala que agora que as pessoas estão desenvolvendo TOC, porque existe uma linha muito sensível entre isolamento E se eu estou isolada, mesmo assim continuar com um transtorno obsessivo compulsivo?
É. É muito importante tomar cuidado, porque é natural que quando você demanda um comportamento cíclico, repetido, você estimula esse comportamento, que o cérebro se apaixone um pouco a ele. Então é natural que a gente aumente a necessidade de lavar a mão, que a gente se sinta um pouco contaminado, um pouco sujo às vezes, isso é normal. Agora, se você entra num ciclo vicioso, onde você passa horas nesse comportamento, onde você deixa de ter liberdade, você não escolhe mais o comportamento, e sim é escolhido e escravizado por ele. Opa, você cruzou a linha tênue pro toque. O mesmo vale pra fobia. Ter medo é bom, mas é um medo por um inimigo real. É um inimigo que está ali. Então eu tenho que ter medo para me preparar. Se esse medo me dominar, me paralisar, ele é patológico. Tristeza é boa, mas ela tem que ser proporcional. Ela tem que ter direcionamento e tempo de duração. Se os sintomas perduram por mais de duas, três semanas, se atrapalha o seu ciclo de sono, se atrapalha o seu apetite, o seu rendimento social, você pode estar adoecendo. Pode ser hora de buscar ajuda, inclusive por teleatendimento. Você colocou uma colocação muito importante. Hoje, saúde mental é prioridade. Porque como que a gente vai enfrentar a pandemia? Com escolhas, com comportamento social adequado. Não existe remédio e nem vacina. Agora, o comportamento das pessoas depende da sua sanidade, da sua salubridade emocional. Se as pessoas estão muito depressivas, muito amedrontadas, elas se comportam de forma errada. Elas podem acumular coisas que não precisam, elas podem furar o isolamento que não precisa, ela pode desenvolver um isolamento afetivo, que não tem nada a ver com isolamento social e com isolamento de contato. Então hoje, a gente precisa de pessoas saudáveis. E não é só hoje, não. Porque quando passar a pandemia daqui a alguns meses, a gente vai ter que reconstruir a sociedade. E vamos precisar de todo mundo com o seu cérebro inteiro, saudável e apto pra tomar o caminho certo. Então a OMS tem razão.
Doutor, eu, você e outros especialistas que eu tenho muita gratidão por ter encontrado nesse caminho desde que eu tive experiência com burnout, nós sabemos que a saúde mental é prioridade sempre. Mas neste caso do Covid, nós estamos tendo uma oportunidade ímpar da história de falar sobre isso sem aquele viés que nós tínhamos de isso não é frescura. Pelo amor de Deus, né, gente? Vamos virar a chave.
E já superou esse nível.
Não, chega, né? Então assim, saúde mental é prioridade. Eu já vou entrar na história dos seus livros, porque o neurologista falar sobre a ansiedade, falar sobre a depressão, me chama muito a atenção, porque geralmente as pessoas acham que esse é um assunto apenas para psiquiatra, para psicólogo. Então, já já eu quero entrar nas questões neurológicas, nas questões químicas. Me pediram aqui dicas práticas para reduzir a ansiedade. Quero que você guarde essa resposta. Só pra gente já deixar aqui no radar, mas eu vou juntar duas perguntas aqui. O Márcio Renzo, ele pergunta, como isolamento social poderá interferir no comportamento das pessoas? Eu entendo que ele está dizendo assim, quando o isolamento social acabar, será que a gente vai... Querer recuperar o tempo perdido, ou não. E o Ricardo Munhoz, que é um grande jornalista, trabalhamos juntos lá na Band, hoje ele é um artista. Ele diz assim, o que vem junto com essa privação de liberdade, essa falta de autonomia?
É, as duas perguntas são excelentes e isso faz parte deste mosaico causal atual. Quando você fala de ansiedade atual, você fala um pouquinho da perda do livre-arbítrio, né? E as pessoas não estão acostumadas a ser cerceadas no seu direito de Mas aí é muito importante, porque você tira um pouco o foco do indivíduo e coloca o foco na sociedade. E o ser humano, ele sempre, durante toda a sua história, se desenvolveu na coletividade. O ser humano é um animal muito frágil individualmente, ele não consegue enfrentar Ele não consegue enfrentar praticamente nenhum grande carnívoro no mano a mano. A gente cresceu vivendo em sociedade, um protegendo o outro. Isso faz parte de uma habilidade humana que é muito característica, faz parte da teoria da mente, que é inferir o estado emocional do outro. que é se colocar no lugar do outro. Quando você exige um comportamento de coletividade, você tem que colocar os seus direitos individuais abaixo dos direitos totais. E isso parte de um pressuposto não tão fácil. O meu risco individual é baixo. É baixo de ter COVID e é baixo de morrer por COVID. Talvez por uma peculiaridade de idade, condição de saúde. Mas a sociedade pode padecer e muito feio com uma pandemia do tipo COVID. Então, quando o risco coletivo suplanta essa necessidade individual, a gente tem que abrir mão desse direito de viver e ter um planejamento coletivo. Isso já acontece em várias outras formas. A gente já segue a lei, a gente já aceita que o dinheiro tem um valor, isso tudo já é uma concepção de coletividade. Se eu mostrar uma nota de 100 reais pro meu cachorro, ele tá se lixando praquilo. A gente já parte do pressuposto que seres humanos que aglomeram em torno de símbolos, que pode ser um brasão, uma religião, uma lei, e o que define o ser humano é que eles acreditam realmente que aquilo tem algum valor. Nesse caso, a gente tem um valor e um bem subjetivo, que é a capacidade do sistema de saúde de suportar a pandemia, que é o aprendizado com relação à história da humanidade em outros países e outras pandemias, e a crença que a ciência está certa com relação a uma pandemia transmitida por pessoas e por perdigotos, gotículas de saliva, exige um afastamento entre as pessoas. Esse afastamento é um afastamento físico. mas não é um afastamento moral, intelectual e nem afetivo. A gente vai ter que desenvolver outras formas de comunicação, de afetividade, trocar a nossa simbologia e nos comunicar cada vez mais. Nunca foi tão importante a gente se conectar ao outro e às outras pessoas. Nesse momento, existe alguns riscos, que é o risco da polarização, da inflexibilidade, da divisão em grupos que acreditam em uma coisa ou em outra. Nesse momento, eu recomendo Leiam fontes seguras de informação e acreditem pra isso na ciência. Mesmo que ela erra, que ela erre, ela o faz sob o melhor escopo de alternativas. Opiniões pessoais não balizadas são meras opiniões que podem fazer sentido, mas não podem ser a diretriz da conduta de um governo ou de um povo. E para diminuir a ansiedade, jamais esqueça da, primeiro, espiritualidade e da arte. Porque são duas coisas que conseguem nos trazer de volta ao nosso eixo, ao nosso equilíbrio. Quem tem uma boa espiritualidade, e eu não falo de religião, ele tem uma fonte de otimismo, de razão, de sentido geral, Então ele consegue ficar sem algumas respostas porque ele encontra na sua espiritualidade algumas respostas que acalantam e faz ele viver dia após dia, sem essas respostas que a gente não tem ainda. A arte é outra coisa que nos conecta com memórias. rudimentares. Música, teatro, séries, filmes. Então, reserve um tempinho pra cuidar da natureza essencial do seu cérebro, pra que ele não seja massacrado só com ciência, só com dúvidas e só com alternativas.
É por isso que o doutor Leandro Teller está sempre tocando violão, viu gente? Eu convido todos vocês para seguirem a página do doutor, é fantástica e é muito bacana poder ver você com a sua família, sempre estão juntos, você tocando violão, sabe? Você é o médico que eu tiro o chapéu. Doutor, o Lucas Henrique está perguntando qual é a eficácia do atendimento psicológico à distância.
É bacana, a FCAT é estudada no mundo todo e ela tem um bom rendimento. Então você precisa, óbvio, de um profissional habilitado, que você tenha empatia, tem que tomar cuidado, porque não é uma, nem duas, três sessões que as coisas vão se resolver. É normal que haja um rebuliço e você tem que ter muita paciência, de semanas a meses, O psicólogo não te dá a cura nem o tratamento de fora pra dentro. Ele precisa organizar a casa e fazer com que o tratamento venha de dentro pra fora. A gente adoece meio sem querer, mas pra se curar tem que ser de propósito. Tem que ter paciência, calma, não desistir. Então, terapia é muito importante, tanto como prevenção, como para o tratamento de todas as formas de ansiedade e depressão, em todos os graus, leve, moderado a grave. Mas na forma moderada e grave, a psicoterapia quase sempre tem que ser associada a outras terapias, mudança do estilo de vida e, eventualmente, medicamentos. principalmente nessa primeira fase de enfrentamento, nos primeiros três a seis meses. Nas formas preventivas, pode ser só terapia e mudança do estilo de vida. Nas formas leves, também. Agora, cruzou moderado a forte, confiar na abrangência do tratamento. com medicamento, terapia e, sem dúvida, a sua parcela de mudança de hábitos de vida. Senão, você pode entrar em formas recorrentes de ansiedade ou de depressão, onde você melhora e piora e acaba não conseguindo ter uma contenção a médio e longo prazo.
Perfeito, doutor. Quando você fala sobre tratamentos online, que tem que ter paciência, se você me permite, eu complementaria paciência e humildade, porque a gente vai acumulando em várias camadas um monte de trauma, um monte de pensamento, resistência, e não é numa consulta que tudo vai se resolver. Eu acho muito importante você só reforçar essa mensagem que não é em uma consulta que você vai resolver. É igual regime, né? A gente vai engordando de pouquinho em pouquinho e aí depois, uma semana você come salada, você já perde a paciência e fala, ah, esse regime que eu tô fazendo não dá certo, né?
O psicólogo, ele precisa de tempo e ele precisa de você ao lado. Você não pode terceirizar a sua cura nem a problemática da sua vida a outro profissional. É importante que você faça parte do tratamento incisivo. É importante que quando acabe a sessão, você reflita sobre os conceitos, implemente esses conceitos no seu dia a dia e acumule questões para levar para outra sessão. Muita gente entra na sessão, entra num modo, depois sai, desliga esse modo, e aí o tratamento ele fica... Então é muito importante que você encontre um profissional com afinidade e empatia, que você consiga manter pelo menos semanalmente inicialmente, às vezes até duas vezes por semana, e que tenha paciência de pelo menos 30, 60 dias. Se não deu certo, também não desistir, às vezes trocando a modalidade, mudando a abordagem, ou eventualmente mudando um profissional, você conseguirá ter um alento, mas é importante confiar que este é um caminho seguro e comprovado em muitos estudos. Com relação ao psiquiatra, ao médico, também é possível estar autorizado agora pelo CRM o atendimento à distância, principalmente para modalidades clínicas que não exigem o exame físico. E aí a depressão, ansiedade, esses dilemas podem ser abordados a priori sem o exame físico. Lógico que a primeira possibilidade de uma consulta presencial, esse exame físico se faz necessário, mas um médico pode auxiliar em casos que também estejam descompensando aí.
Perfeito. Doutor, entrou aqui o pessoal que eu adoro, que é do portal Só Notícia Boa, O pessoal de Brasília são dois jornalistas que eu admiro muito e eles investem toda a energia deles para divulgarem notícias boas. E aí vem a pergunta aqui, de que forma ler uma notícia boa ajuda pessoas com depressão e ansiedade? Essa pergunta não é só para hoje, essa pergunta é para a vida.
É pra vida. E aí não é pra pessoa só com depressão e ansiedade, é pra todo mundo. A gente tem que ter um balanço na vida. A gente não pode ter só pauta negativa. E às vezes, nesse momento, existe uma overdose de pauta negativa. Por conta, não é culpa do jornalista, é culpa do próprio sistema. Onde a notícia pior, vende mais, gera mais clique, acaba reverberando mais. Então cuidado. É muito importante que você se mantenha informado. Primeiro, com notícias verdadeiras. Então cuidado com as fake news, com as coisas replicadas sem pé nem cabeça. Então muito cuidado com informação de má qualidade. Mesmo na informação de boa qualidade, cuidado com aquela informação que não vai mudar sua conduta. Fica acompanhando números específicos de casos de mortes, ou casos catastrofos, ou sofrimento alheio. Isso pode levar a um estresse por compaixão. A gente sofre quando o outro sofre.
Olha, estresse por compaixão.
Muito comum. E muitas pessoas desenvolvem até estresse pós-traumático por compaixão. Principalmente pessoas que atendem pacientes vítimas de Covid ou que ficam massacrados com informação. A gente tem uma parte da mídia que já fazia isso com relação a crimes hediondos, crimes pesados. E aquilo repetido muitas vezes. faz com que o cérebro ache que aquilo é comum, que aquilo é o dia-a-dia, e que aquilo é a verdade do mundo. O cérebro vai memorizar mais e melhor aquilo que ele recebe em demasia. Hoje você muda o canal e é covid pra cá, covid pra lá, às vezes a mesma matéria passa duas, três, quatro vezes, e a gente começa a ficar até um pouco compulsivo. Dá um tempinho, a gente vai lá e já vê se morreu mais, morreu menos, e a gente começa a perder até o critério, né? Um paciente, curiosamente, falou assim pra mim, Leandro, toda hora que eu entro, o número de mortos só aumenta no Brasil, é lógico, ninguém vai renascer, não tem como ressuscitar. É óbvio que o número de mortos há de aumentar, porque as pessoas vão continuando perdendo a vida. Ele falou assim, é verdade, não tem como diminuir esse número. Então é como a gente perde a racionalidade ao ser massacrado. O mundo, Leandro, ele não vai te filtrar. Você precisará ser o seu filtro consciente, racional, direcionado. Eu aguento até aqui. A partir daqui, eu prefiro me precaver. Então escolha um, dois horários do dia. Escolha algumas fontes de informação. Foco na informação que muda a conduta. Qual é o próximo passo? Qual é a visão do Ministério da Saúde? O que eu preciso fazer agora? Exerça pensamentos positivos. Gratidão. O que está funcionando bem? Quais são as notícias positivas da Covid? Não tem notícia positiva? Os pets estão muito bem obrigados, as crianças não são acometidas com tanta intensidade, o país que foi o primeiro epicentro está voltando à sua normalidade, existe já uma estagnação na Europa. Então, olha quanta notícia positiva. Temos uma vacinação bastante efetiva para H1N1 e para a gripe, que já está livre para o pessoal. A gente tem um país que a referência A gente tem um sistema de saúde organizado, descentralizado, que é capenga em termos de investimento, mas que pode sair melhor do que entrou com a pandemia. A gente pode sair mais home, menos office. A gente pode sair melhor na relação pessoal, com mais tecnologia, com mais cuidado com o idoso, que é desvalorizado no mundo ocidental e que agora é o protagonista, que tem que ser cuidado e cada vida importa. e é deles que a gente vai precisar quando for reconstruir esta sociedade. Então é por todas essas pessoas mais vulneráveis que a gente tem que fazer o critério do isolamento radical, intenso e todas as medidas. Adoro saber que tem gente pensando em pauta positiva, queria agradecer a esses jornalistas, porque o cérebro vai ter que ter uma aritmética, um balanço. Se é só catástrofe, você desce uma rampa e ele começa a atingir tudo de negativo.
Perfeito. Aliás, o pessoal aqui do Sua Notícia Boa diz que tem muita notícia boa da Covid. Eu devo fazer uma live com eles em breve e depois, doutor, eu acho que também vai ser uma boa live para você, tá? Quanto mais a gente puder espalhar essas informações, melhor. Sobre as boas notícias, na semana passada eu vi, foram mais de 300 mil casos de pessoas que tiveram a confirmação do Covid e depois se recuperaram. Essa é uma boa notícia. E a posição, por exemplo, de São Paulo mudou drasticamente. Então, também, são pessoas de lá.
Quando você olha, você vê o ar, você vê os dias lindos de outono que a gente tá tendo, você vê uma redução na aglomeração de pessoas. Então, alguns hábitos, eles vêm pra ficar. Na verdade, nenhuma crise só tira. Nenhuma doença só rouba. ela sempre deixa um legado. A gente vai ter uma mortalidade menor em outras coisas, acidente de trânsito, assassinatos, talvez outras doenças que melhorem por diminuir a contaminação, como o próprio influenza, outras doenças infectocontagiosas. Você vai olhar para a comunidade que não pode faltar água, não pode faltar sabão, você vai ter um governo com mais empenho no subsídio de pessoas que tenham dificuldade. Então as mudanças, elas sempre, lógico, têm perdas, e são perdas biológicas para um vírus que a gente não tem cura, mas você tem, do outro lado, um ganho que pode ser proporcional ou até suplantá-los. É muito importante você balancear com notícias também de boa índole, de boa performance, para controlar um pouquinho esse medo que é um pouco disseminado.
É, aqui eles já me atualizaram, essa notícia é boa São mais de 440 mil recuperados no mundo Doutor, só aqui pra quem tá entrando, já faz meia hora que a gente tá conversando. Poxa vida, eu já aprendi tanto e tem tantas pessoas aqui agradecendo. Sinta-se abraçado, tá doutor, por muitas pessoas. Tá ensinando demais. Só retomando pra quem tá entrando agora, eu tô conversando com o doutor Leandro Telles, neurologista, autor de diversos livros que nos ajudam a preservar a saúde mental. Neste momento, falando até o novo normal chegar. Ele já confirmou, tá? Que o aumento de ansiedade e depressão não é fake, é fato. E a gente pode fazer a nossa parte pra não deixar esses casos aumentarem. Doutor, a saúde mental é uma pauta infinita, inesgotável, né? Perguntaram aqui qual é a diferença da ansiedade e da depressão. Vamos voltar alguns passos pra você explicar pra nós qual é a diferença?
São duas doenças da linha mental, o sítio delas é o cérebro, é um órgão. O cérebro, além de fazer a gente se movimentar e perceber o mundo, ele também é importante para processar nossos pensamentos e nossas emoções. Então o sistema límbico do cérebro, o sistema das emoções, ele equivale a um terço da sua massa cerebral. São mais de 20 bilhões de neurônios que fazem só o nosso equilíbrio emocional. Então a gente tem sensores, sensor de risco, que é o que comanda a questão da ansiedade, e sensor de prazer, de recompensa, que é quem fica alterado e acometido na depressão. Na depressão, você perde o prazer em coisas que antigamente davam prazer. Você tem uma tristeza difusa, profunda, e que é movida a várias coisas, ela é meio inespecífica. Ela dura mais que 14 dias e ela gera um brinco de melancolia, de baixa autoestima, de sensação de menosvalia, de culpa, sensação de frustração, negativismo, pessimismo, desapego às coisas da vida, pensamentos de morte. A depressão é uma doença tão física e tão biológica que ela altera ritmos muito fortes do ser humano. Altera o ritmo sexual, altera a sua relação com o alimento, fazendo você comer menos ou comer mais, altera o seu ritmo de sono e vigília, pode levar à dor e problema gastrointestinais. pode levar a desatenção, a esquecimento, então é uma doença do cérebro todo e do corpo todo. A gente tem hoje uma média de 7% da população no Brasil padecendo de depressão, que pode ser leve, moderada, forte, pode ser bipolar ou unipolar, pode ser mais forte o sintoma de ansiedade associado ou de apatia. Agora, a ansiedade já é um pouco diferente. A ansiedade é um distúrbio do medo, do risco, É aquela pessoa que sofre por antecipação. que é mais perfeccionista, mais controladora. Ela quer ter o controle das variáveis. A pessoa mais tensa pode ter irritabilidade, intolerância, sensação de urgência, angústia. E isso pode aparecer também com distúrbios intestinais e gástricos, tontura, formigamento, palpitação, falta de ar, queda de cabelo e unha quebradiça, alteração de sono. Perceba que você tem uma disfunção que começa no cérebro. mas ela vai acometer da ponta do cabelo à unha do pé. A gente precisa saber que todo mundo sente esses sintomas eventualmente, de forma isolada. Todo mundo de vez em quando tem medo, de vez em quando é triste, de vez em quando é irritado, mas na doença você tem muito disso. Você tem isso todo dia, ou quase todo dia, a maior parte do dia, e isso se volta contra você. Isso altera a sua performance social, escolar e profissional. É aí que nasce a doença. Quando você perde o controle, e aquilo tem uma quantidade, uma frequência e um impacto absolutamente e inequivocadamente negativo. Aí é hora de fazer o caminho de volta. Na ansiedade também tem vários tipos. Tem a crise aguda, pânico, e muita gente está padecendo disso agora. Crises absurdas de liberação de adrenalina, cortisol, sensação de morte ou quase morte. Tem o TAG, que é um quadro já mais mantido, onde a pessoa está um degrau acima na ansiedade, na preocupação. Tem o TOC, onde o pensamento inclusivo leva a um comportamento recorrente. Tem a FOBIA, onde você tem um medo específico de uma coisa ou de uma situação. Então olha como o sistema é complexo e cada um adoece de um jeito. Mas como eu falei no começo, é uma doença que se você não abordar pequenininha, ela cresce. porque ela se alimenta dos próprios sintomas e ela pode ser um pouco contagiosa, porque você passa a ser uma companhia mais inadequada, você passa a ter um rendimento social pior e isso vai gerando, obviamente, um ambiente com menos salubridade. Então, nas dicas, eu já começo falando isso, tentar manter um ambiente emocional na sua casa adequado. sem levantar o tom, sem comunicação violenta, respeitando o estilo de cada pessoa em lidar com o estresse, respeitando a privacidade, mesmo que estejam todos convivendo 24 horas no mesmo ambiente, respeitar a autonomia. A gente tem que ser cada vez mais flexível. Então, quando a gente fala em resiliência, e é o termo da moda hoje dos psicólogos, psiquiátricas, É justo isso, você recebeu uma energia, uma pressão, e você não tem que ficar igual, você tem que se modificar, se ajeitar, se acomodar, mas tão logo haja a possibilidade, você precisa voltar à sua essência, devolvendo ao mundo na mesma moeda, mostrando que você entortou, mas não quebrou, você manteve a sua estrutura essencial.
Perfeito. Nossa, tanta gente aqui. Se eu pudesse, sabe, falar o nome de todo mundo, mas disseram muito obrigada Outras pessoas disseram que ruim ser diagnosticado ao vivo, que se identificaram com o que você disse É curioso, eu vivi a experiência da síndrome de burnout e muito do que você fala sobre a depressão E a ansiedade faz parte também do quadro que você desenvolve o burnout, como eu disse Não é de um dia para o outro que você adoece, né doutora? A gente vai acumulando, né? Você vai acumulando e tudo mais E aí também já veio aqui uma pergunta sobre a necessidade do remédio, mas antes dela Acho que é importante, Leandro, a gente voltar um passo, porque é o seguinte, tudo isso que você falou, como você mesmo mencionou, eventualmente, oscilação, ok, o problema é quando vivo isso por mais de 14 dias, sem nenhum fiapo assim de mudança, né?
No caso da depressão, a gente usa um critério que é um pouco arbitrário de duas semanas, tá bom? Mas cada caso é um caso. Se a pessoa tá melancólica demais, totalmente desproporcional e com alteração clínica, a gente já pode fazer o diagnóstico. Mas duas semanas é um tempo razoável, tá? Mas existem exceções. Às vezes no luto, ou no impacto grave, a gente estende duas semanas pra mais tempo sem medicar, criança também. Então a gente depende do caso, mas duas semanas é um prazo, você falou muito bem, o problema é a persistência. No caso da ansiedade, pro TAG, a gente espera seis meses de sintoma pra dar diagnóstico. No caso do pânico, duas, três crises de pânico já são suficientes, mesmo com dois, três dias. porque são crises tão avassaladoras, tão intensas, que às vezes com um, dois episódios a gente já tem que fazer intervenção. Então cada caso é o caso. A regra é, deixou de ser ferramenta, passou a ser uma âncora, deixou de te ajudar, de te proteger e passou a atrapalhar seu rendimento, persistiu ao longo dos dias, Opa, você precisa, se você começa a não se reconhecer no jeito que você lê o mundo e do jeito que você reage às coisas, opa, alguma coisa pode estar mudando e essa mudança é num órgão específico, ela é neuroquímica, mas é óbvio que existe um gatilho nesse momento que é social. Temos que ter muita paciência. Porque o sarrafo vai ficar um pouquinho mais alto agora. A gente vai tolerar um pouco mais de medo, um pouco mais de ansiedade, um pouco mais de tristeza. Por quê? Porque o mundo pede isso agora. Mas o sarrafo ainda existe. O limite pode ser cruzado. Eu só queria falar um negócio. Sempre que você falou assim, a doença não vem de uma hora pra outra. É verdade. Às vezes, a expressão final é de uma hora pra outra. Mas o cérebro aguenta muito. Ele aguenta, ele vai levando aos trancos e barrancos, esperando que o dia seguinte seja melhor. Então a gente tem uma dorzinha de cabeça, toma um remédio. A gente quer acordar, tomar um café. A gente quer dormir, tomar um remedinho. E a gente vai carregando por meses, por anos. uma doença parcialmente instituída e vai tocando aos trancos e barrancos, até que uma hora o cérebro perde a capacidade de adaptação, aí ele cai tal qual um disjuntor mesmo. Aí ele fala, para, a partir de agora você não responde mais ao prazer, ou a partir de agora você é o medo em forma de gente ambulante, ou a partir de agora você está esgotado. A forma que o boleto chega varia de pessoa para pessoa, mas a conta chega para todo mundo que passa do limite por muito tempo. mais precocemente em quem tem biologia pra isso. Por isso que a gente tem que respeitar que as pessoas não são iguais. Por isso que a biologia, a história de vida da pessoa, ela muda o limiar e faz parte da empatia entender que cada um adoece de uma forma.
Meu pai amado, doutor Leandro, temos mais 15 minutos?
Bora!
Tá. Ó, só respondendo aqui a Isilda, que disse que a filha ligou bem no meio da live. Isilda, obrigada por ter retornado. A live, ela fica aqui no Store e depois vai para o meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real. Deixo um resuminho aqui, mas vale a pena também passar por lá. E aí, doutor, deixa eu ver o que mais aqui. Ah, crise de pânico, né? Você disse que precisa de dois ou três eventos. E aí, aqui a Francisca pergunta, como eu sei se sou tendo uma crise de pânico? Como é que a gente pode identificar o que é uma crise de pânico?
A crise de pânico quase sempre é um fenômeno bem catastrófico e ele é bem perceptível. Às vezes a pessoa não consegue dar nome, não consegue entender a natureza, mas ela percebe que alguma coisa mudou radicalmente. A crise de pânico é uma crise de ansiedade bem aguda, ela evolui de segundos a poucos minutos. A pessoa pode sentir falta de ar, taquicardia, ou aperto no peito, ou uma pressão no peito. Ela tende a respirar cada vez mais superficial e rápido, ela pode ter formigamento, como a gente tem quando enche uma bexiga, muito rápido. Só que isso, de uma maneira mais intensa, ela vai ter um pensamento de, tô tendo um infarto, uma arritmia, ou um AVC, porque ela não vai se aperceber. É, o corpo dela começa a dar sensações que não dava, ela perde a confiança nas respostas do corpo. Então ela tem um medo que pode ser imotivado, do nada, ou numa situação normal, como num lugar muito cheio, numa altura ou num elevador, mas pode acontecer com ela inclusive no sofá, assistindo a uma programação. Então o gatilho ele varia de pessoa pra pessoa, mas a expressão é de um tsunami de ansiedade que evolui em poucos minutos e gera um pensamento catastrófico, vou morrer, vou perder o controle, preciso de ajuda. Tanto que na primeira crise, muitas vezes, o paciente vai para o hospital, faz eletro, é examinado, afasta doenças clínicas e ele vai embora, às vezes, com muito medo. Medo do quê? Medo de ter de novo. Ele fala, nossa, eu quero tudo na vida, menos ter esse desarranjo de novo. A gente chama isso de agorafobia. E ele passa a ter uma esquiva. Medo de locais fechados, de muita gente, onde ele tenha pouca rota de fuga. E aí, a doença se consolida. Porque não só ele sofre da crise, que vem de tempos em tempos, ele sofre no intercrise, por um medo antecipado. E se eu passar mal? E se isso acontecer em uma situação onde eu não possa ser acudido? Então, olha como a doença é complexa e traiçoeira, marcada por crises agudas, entremeadas por um medo e uma falta de confiança no próprio corpo. Então, inicialmente, a pessoa sempre vai achar que está tendo algo físico. Mas, muitas vezes, a explicação para isso é o cérebro emocional, para mostrar como o cérebro é poderoso. Quando o cérebro emocional resolve dar as cartas, meu amigo, não tem pensamento racional. Esse papo de, ah, não, se acalme, respira fundo, lógico que ajuda. Mas a pessoa que está aportando ansiedade, ela já tem isso de forma involuntária e demasiada. É igual falar pra alguém com asma. Olha, respira fundo. Cara, eu quero respirar, mas eu não consigo. Ou pra alguém com diabetes. Come o bolo de cenoura, para de frescura. Come o bolo. Não pode ver um bolinho que já fica com a glicemia alta? Não. Ele tem uma patologia. Ele tem uma insuficiência na produção. No caso da asma de abertura dos próprios, no caso da diabetes de liberação da insulina, no caso da ansiedade, existe uma inabilidade de lidar com pensamentos catastrofistas e de medo. Então isso toma um corpo, a doença é involuntária. Então culpar a vítima não ajuda em nada. É mais um momento que a pessoa precisa de suporte, ajuda e tratamento direcionado.
Olha, tô sem palavras. Doutor, você sempre se supera, mas hoje tá demais. Isso que você falou sobre não falar para alguém que está em crise, pra ela fazer algo que ela já está tentando, eu falo por mim, porque com as crises de burnout, eu vivi situações com pessoas muito inteligentes, e aí quando elas diziam pra mim assim, não fica nervosa ou fica calma. E aí depois que eu conseguia reduzir minha respiração, meus batimentos cardíacos, a transpiração, eu dizia, falo assim, olha, não fala pra uma pessoa que está nervosa pra ela ficar calma porque ela já tentou. É igual você falar pra alguém que tá tendo uma... como é que eu posso dizer? Enfim, como você disse, né, alguma reação incontrolável e se a gente pudesse controlar, a gente não teria controlado. Você falou uma coisa agora, Leandro, cérebro emocional e cérebro racional. Eu tô com medo do tempo acabar, porque eu queria também saber com você o que o estresse faz no cérebro, o que o excesso de estresse faz no cérebro até o que a gente tá vivendo. Dá pra gente responder essas duas ainda antes?
Dá sim, rapidinho, claro. O cérebro, ele tem vários cérebros dentro do cérebro. A gente tem uma camada mais profunda, intensa e mais relacionada aos animais, da parte genética mais antigos, que é a parte límbica, a parte emocional. Ali é a parte instintiva, que nos leva a buscar o alimento, nos dá recompensa quando a gente come um alimento mais calórico, que é responsável pelo nosso comportamento sexual, que é bem impulsivo, que é bem a flor da pele. Esse cérebro é um cérebro mais antigo, mais profundo e controla nossas emoções. É muito importante as emoções, porque ela acaba tingindo nossa vivência. Quando uma vivência é tingida de emoção, ela é memorizada e ela é fixada com mais facilidade. É como se fosse a roupa, o figurino da nossa vivência. Isto é feliz, isto é triste. Quem dá esse aspecto, esse feedback do bem e do mal é o nosso cérebro. E a gente usa um terço do cérebro para isso. Mas no ser humano, a gente cresceu com o cérebro frontal atrás da testa. Eu sou um bom exemplo que minha testa ocupa um quarto da tela do celular. Então essa parte racional que há do lobo frontal, ela é uma parte mais nova, ela é maior nos primatas e principalmente no ser humano e dá racionalidade. O pensamento é um pensamento mais racional, mais lógico-matemático. Então existe uma guerra no meu cérebro. Às vezes o meu cérebro emocional tá falando, Leandro, o risco é iminente, então eu vou liberar adrenalina e cortisol. E o cérebro racional fala, não existe nenhum risco iminente aqui. Então vira aquela guerra. Quando o cérebro emocional tá mais intensificado, ele vai dar as cartas e a pessoa vai ser mais ansiosa. Quando o cérebro racional consegue colocar um pouco mais de controle, ele vai conseguir equilibrar e falar, acalme-se. Agora você falou uma coisa muito interessante. Essas pessoas que tentam acalmar alguém no pânico ou falar pra alguém com depressão, levanta, vamos no shopping, vamos gastar, vamos sair, elas fazem com toda boa intenção do mundo. E elas partem do parâmetro delas. Elas entendem de medo, elas entendem de tristeza. mas não entendem de depressão, que é a dificuldade de você reagir ao prazer. Mesma coisa a ansiedade, não é falta de acalmar-se consciente, mas é a incapacidade ou a inabilidade de fazê-lo conscientemente. Por isso é muito importante entender a diferença de tristeza para a depressão e de medo e ansiedade normal para uma doença que é a ansiedade-doença. Esta depressão, esta ansiedade, elas vão se beneficiar também de um afago, de um carinho, mas não vão se resolver tão facilmente. É uma doença hostil, a guerra vai ter que ser em várias frentes, vai ter que ser duradoura, e mesmo depois que você vencer a depressão e a ansiedade, você vai precisar manter ela sobre vigilância, vai ter que manter a luz amarela e desenvolver bons hábitos de prevenção.
Perfeito. Nossa, dá pra fazer mais umas 10 lives, né, Leandro? Pra gente encerrar, então, o que o estresse, o excesso de estresse, causa no cérebro e, consequentemente, no nosso corpo?
Pois é, sabe que o estresse, ele é mais benéfico do que maléfico. O estresse, ele é muito importante. É, vou deixar claro aqui, senão vai cair O estresse é algo positivo. O estresse é aquilo que muda o meu status de engajamento. Então existe o estresse que é do bem. O estresse é o tempero da vida. Eu não posso viver sem oscilação. Eu preciso de alguma coisa que me pressione, ou que me gere medo, dúvida, angústia, porque senão eu não me mexo. Existem essas experiências já com sexões do lobo frontal. O ser humano perde a avolição, a disposição, a energia, se ele não tem estresse. Então o estresse do bem é importante, mas ele tem que ser quantificado e ele tem que ser saltatório, de vez em quando. É igual sal ou a pimenta. Você precisa de um pouquinho, senão a vida fica sem graça. A salada fica inteira, fica sem graça. Agora, se eu derrubar um saleiro na salada, ninguém come. Então, cuidado com o excesso de estresse. O estresse que é muito alto e passa da capacidade de administração, ele começa a fazer mal. Ele começa a desorganizar o cérebro, porque é um sistema finito. Esse papinho de que a gente só usa 10%, bobagem. O cérebro é usado em demasia, ainda mais agora, com a velocidade de informação, com sistemas multitarefas, com o grau de cobrança pessoal e social. Então tem que tomar cuidado. O cérebro tem um limite. Então você tem que quantificar menos estresse e você tem que ter interrupções desse estresse. Esse estresse tem que entrar, cumprir o seu papel e sair. Se o estresse fica crônico, mantido, aí o sistema adoece, porque ele passa a se voltar pra esse estresse concentrismo e ele deixa de cuidar de outras coisas, que é a percepção de prazer, que é o relacionamento afetivo, que é a capacidade de escolher as melhores palavras e o melhor tom, que é a capacidade de gerenciar o sono-vigília. Não tem jeito. Se o cobertor é curto, o cérebro, num afã de conter o estresse, ele vai deixar o corpo funcionar de um jeito inadequado. Por exemplo, o cortisol. Se você libera muito, muito, muito, muito cortisol, a imunidade fica ruim, o colesterol aumenta, a pressão aumenta, o diabetes aumenta. Se você liberar muita adrenalina, o sono vai pro espaço, você fica irritado, você fica impulsivo. Agora, um pouquinho de adrenalina e um pouquinho de cortisol, de vez em quando, é esse tempero. Pensa numa obra de arte. Uma coisa é uma pitada de vermelho, outra coisa é derrubar uma tinta em vermelho. Infelizmente, a gente vive hoje a cultura do estresse, onde você valoriza o super-homem, a super-mulher que cai numa piscina de adrenalina e cortisol e sai belo, límpido. Essas pessoas não existem, só existem na rede social, só existem sob parâmetros filtrados. Todo mundo tem o seu limite, todo mundo tem o seu calcanhar de Aquiles e todo mundo adoece de uma forma ou de outra. Então é importante manter as pausas, o controle e a administração do estresse, porque se ele te crescer demais, ele vai te engolir com certeza.
Nossa! Doutor, uma live depois só de estresse, tá? Mas vamos deixar. Eu quero deixar estressado, não precisa estar trabalhando muito. Meu pai, eu nunca vi tantos elogios aqui numa live. Eu tô fazendo live desde o dia 23 de março, eu nunca vi tantos elogios, muitas pessoas agradecendo, e suas palavras realmente trouxeram muito acolhimento pra pessoas que estavam aqui ansiosas. Então, pra repetir, embora essa live vai depois lá pro YouTube, Isabela Camargo Real passa por lá, Convido todos vocês para depois seguirem também o doutor Leandro Telles, os livros. Antes que eu me esqueça, o cérebro ansioso, depressão não é fraqueza, são fundamentais para você começar a cuidar da sua saúde mental. E aí, Leandro, gostaria então que nos últimos minutos você repetisse as dicas práticas para a gente reduzir a ansiedade, reduzir, pelo menos tentar, diante de tantos medos que estamos vivendo.
Primeira coisa que eu acho muito importante nesta fase, nesse contexto de ansiedade, é você lidar melhor com a dúvida. Muita gente fala, quando vai sair a vacina? Quando sai o medicamento? Quando sai a cura? Infelizmente, a vida é cheia de dúvida, de alternativa. E lidar bem com as alternativas e com a dúvida é muito importante. Não deixar o seu cérebro descarrilhar. O cérebro, ele tende às vezes, o cérebro ansioso, ele descarrilha sempre para o lado catastrófico. Vai acontecer uma perda, vai acontecer algo negativo. É importante você fazer um trabalho consciente e ativo de tentar enxergar o copo meio cheio. Por isso é importante esses produtores de pautas positivas, mas que você busque também ativamente essas outras alternativas. E se eu não pegar? E se a vacina sair daqui a pouco? E se o Brasil for um case de sucesso e não ter tanta mortalidade como na Europa ou nos Estados Unidos? E se as coisas derem certo? Colocar na balança e entender que o mais importante pro resultado final é a sua parte agora. O que eu posso fazer pro resultado ser positivo? Eu posso deixar de sair de casa um pouco? Eu posso me higienizar melhor? Eu posso desenvolver outras formas de relacionamento? Então eu vou fazê-lo. Minha consciência já vai estar do lado do bem, do lado da alternativa positiva. Quem tá em casa me ouvindo, é muito importante entender que é uma nova forma de viver. E não tem como você passar por isso sem perdas. Então não ficar olhando para aquilo que você perdeu ou deixou de fazer, e sim para aquilo que você ganhou. Um pouco de tempo, um pouco de tranquilidade, um pouco de apego com o seu cantinho, com a sua casa, que você pode deixar do seu jeito, relacionamento com pessoas que talvez você não tivesse tanto relacionamento próximo. Então se colocar no lugar do outro e trabalhar essa empatia dentro da sua casa. controlar o humor com respeito, com flexibilidade, contornar o tom das conversas, seja em rede social, você é o seu filtro. Então é importante você se afastar ou silenciar aqueles grupos mais catastrofistas ou que te alimentam mais com fake news, deixar para olhar boas fontes de jornalismo de qualidade, fazê-lo dentro do seu limite de possibilidade, Jamais abdicar do seu corpo, que é a sua morada. É hora de se alimentar bem. É hora de tomar os seus remédios com regularidade, sem deixar que o negócio desande. Dormir e acordar com regularidade. Cuidar do seu repouso. Talvez seja a hora realmente de você acertar o seu ciclo biológico de sono-vigília. Cuidado para não ficar impregnado de casa. ou de ócio, não deixar o ócio, o tédio invadir o seu cérebro, manter uma agenda de atividades bem separadinhas com o trabalho, e aí, muito importante, a criatividade, economia criativa, formas de ajudar, outras recompensas que não só o dinheiro, seria a hora da gente reabilitar isso, contato com a arte, deixar de 10% a 20% do seu dia para o contato com a arte, porque a arte, ela nos leva a um outro momento, a uma outra situação, a um outro eixo, vai ouvir as músicas que você gosta, vai ver os filmes que você deixou atrasado, vai ler aquele livro que te conecta bem. Outra coisa com relação ao relacionamento pessoal, se conecte com as pessoas, como nunca. Escolha as pessoas que te devolvem melhor do que o contrário. Porque tem pessoas que te devolvem sempre pior, né? Estão te atistando e tal. Agora é hora de buscar aquele amigo que te faz se sentir melhor, que te dá confiança, otimismo. Aquele parente que te dá uma sensação de bem-estar. Tem muita gente sábia e que consegue, de maneira até não verbal, fazer isso, né? Então o desenvolvimento pessoal e o desenvolvimento de sociedade, ele pode ser intensificado agora. Mas não espere cair do colo. Vá em direção à salubridade emocional agora. Faça por merecer um cérebro menos ansioso. E com isso você vai ter que se conectar com o presente, com o positivo. Vai ser fácil? Não. Mas é um caminho que vai trazer frutos de qualquer forma. E se no seu caso tudo isso não resolver, Aí você busca atendimento especializado, um bom psicólogo, um médico, pode ser o não especialista, pode ser o psiquiatra, que também vê todas as formas. Então existem caminhos para todas as formas, porque para alguns as dicas serão suficientes, para outros, obviamente, você tem que ir para um outro nível de enfrentamento.
Olha quanta gente entrando aqui agora. Nani Venance, um beijo pra você. Tanta gente que eu adoraria dar um beijo. Marcio Nascimento também, que eu trabalhei em Brasília, um fotógrafo maravilhoso. Doutor Leandro, olha... Coração eterno, uma chuva de bênçãos e saúde pra você e pra sua família linda. Tudo que você falou foi uma aula. Nunca vi tantos elogios numa live. Não falaria isso se não fosse verdade. Vou deixar o resumo aqui no feed e depois o conteúdo todo lá no YouTube.
Queria agradecer extremamente aí o espaço, é ótimo falar com pessoas absolutamente inteligentes, com conhecimento de causa e a comunicação. Você consegue transmitir serenidade, segurança e isso é mérito seu na sua carreira como jornalista. Quero saber como está seu livro, se vai sair, não vai sair. Não recebi convite de nenhum lançamento ainda. Quero me colocar à disposição de você para o que for necessário e quero saber das suas novidades. Fala pra gente, um minuto.
Um minuto. Com certeza, quando o lançamento estiver marcado, você será um dos primeiros. a ser convidado. Na verdade, a história do meu livro já dá outro livro, né? Mas aí eu te conto no privado. Mas ele tá pra sair assim que o novo normal chegar, com saúde mental pra todos nós, se Deus quiser.
Ô, Isa, tenha uma ótima saúde você, física, cognitiva, emocional, que você seja não só uma pessoa boa pra si, mas que possa partilhar, porque a gente pensa que a gente pode sofrer de ansiedade e depressão, mas a gente tem que lembrar também que a gente é causador de burnout, ansiedade, depressão nos outros, e a gente também é vigia. Um vigia o outro, um cuida do outro. Então é importante a gente cumprir os três papéis de possível vítima, porque basta ter cérebro para ter ansiedade ou depressão, basta ser um homo sapiens sapiens. e viver nesse mundo maluco de hoje, para que você seja vulnerável a isso. Isso é humildade. Segundo, é importante que você possa se enxergar como fator causal, não só de infecção, mas também de desequilíbrio emocional em outra pessoa.
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