Live com o Neurocirurgião Fernando Gomes - Como o nosso cérebro fica diante de tantas mudanças?

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a YouTube video titled "Live com o Neurocirurgião Fernando Gomes - Como o nosso cérebro fica diante de tantas mudanças?" created on March 24, 2020. It features a live discussion between Isabela Camargo and Dr. Fernando Gomes, a neurocirurgião, about the impact of rapid changes and stress on the human brain, particularly in the context of the COVID-19 pandemic. They discuss psychological responses to stress, the importance of mental health, and strategies for coping with the pandemic's challenges.
Chapters
Olá, boa noite, boa noite.
Olá.
Olá, olá, boa noite. Eu tô só escrevendo aqui o tema da nossa live. Peço aqui a compreensão de vocês. Neurocirurgião. Fernando Gomes. Hoje a conversa vai ser sensacional, em que nós teremos o grande comunicador na área da saúde, neurocirurgião. Boa noite pra todos. Como o nosso cérebro está diante de tantas mudanças? Deixa eu tentar aqui fixar comentário. Agora sim. Boa noite pra todos. Como é que vocês estão? Essa é a segunda segunda-feira em que a maior parte de todos nós estamos vivendo, não é? Tantas mudanças e desde a semana passada eu tenho feito uma live por dia com um especialista diferente e hoje a gente vai conversar com o neurocientista, neurocirurgião, comunicador de saúde, Fernando Gomes. Doutor Fernando, ele tem uma linguagem muito fácil pra gente entender, ele fala a nossa língua e eu fiquei muito feliz por ele ter aceitado o meu convite de trocar essa ideia aqui com a gente. Vocês têm alguma dúvida pro doutor Fernando? Porque todos nós estamos vivendo muitas mudanças, muitas adaptações.
Isso causa uma grande mudança também no cérebro, a gente gasta mais energia, sob estresse especialmente, então é isso que a gente vai falar hoje com o doutor Fernando. Olha ele aí!
Boa noite Isabela, boa noite pra todo mundo.
Tudo bem, querido?
Tudo. Que maravilha, a gente estar junto aqui. Podemos falar de um tema interessante, desafiador e tão atual.
Nossa senhora. Antes, as nossas conversas já eram riquíssimas. E hoje, doutor, a gente está vivendo uma intensificação daquilo que nós já vivíamos. Certo?
Concordo com você.
Se nós já estávamos muito estressados e muito aflitos com tudo o que estava ao nosso redor, agora então com muito mais coisas fora do controle. Conta pra nós, doutor, como é que o cérebro reage diante de tudo o que está acontecendo?
Algo muito interessante, a gente pode notar no comportamento de todo mundo, quando a gente faz o paralelo de uma coisa nova que surge, quer seja ela muito boa ou então uma coisa muito ruim, que é o que a gente está vivendo, a gente vai passar por um impacto inicial e isso é normal. Quando a gente faz um paralelo disso com algo que já foi descrito em termos de comportamento humano, que é o luto, a primeira fase inicial que que todo mundo acaba apresentando em diversos graus, em diversas velocidades, é a negação. Então, a gente fala, não, não é possível, peraí, eu me organizei tanto, me planejei tanto, o país, a nação, a empresa, a casa, escolhe qualquer coisa aí. Não, não pode ser que de repente veio uma coisa arrebatadora e vai, na verdade, ter mais domínio sobre os fatos do que eu mesmo. Então é um processo inicial de aumento de estresse, porque você não quer acreditar que as coisas mudaram. E a gente está passando por essa fase. Algumas pessoas já passaram, algumas nações viveram isso precocemente e outras ainda estão vivendo. Depois disso vem uma fase Geralmente, isso não é uma regra absoluta, mas o cérebro responde assim, de raiva.
Indignação.
Indignação. Aí a gente quer achar culpado. Não, não, espera aí. Tem um culpado. Então, vamos falar que foi feito vírus em laboratório, ou então é porque não foi tomado cuidado adequado, ou porque a gente não cuidava da saúde mesmo, enfim. É uma fase que vem. Aí a ficha começa a cair, a galera começa a negociar. Tipo, entendi que tá ruim, que tá esquisito. Já que eu tenho que fazer isso, então eu vou fazer a minha parte. Veja, como se você estivesse fazendo uma grande coisa. A gente tá todo mundo aí. na mesma nave, é uma nave espacial, que é a Terra, acabou, a gente compartilha o mesmo espaço físico e a gente sabe que todo mundo vai morrer um dia, a gente nasce e morre gerações, somos 7 bilhões agora, não sabemos quando vai acontecer no futuro, coisa assim. Depois dessa fase de negociação que eu acho que a gente está meio entrando como humanidade, já entendemos que tem que lavar a mão, já entendemos que tem que cumprimentar de longe, as nações já estão entendendo que deu ruim, que tem sofrimento, tem uma fase depois meio previsível, uma fase de depressão, uma fase de resposta a todo esse estresse que está sendo vivido em conjunto e depois, numa fase mais madura, fazendo um paralelo com o luto, vai vir uma fase de aceitação e aí não é teoria da conspiração, não é profecia, não é nada, talvez a gente tenha um mundo com valores um pouco mais repensados. A gente foi bombardeado, fomos agraciados com toda a evolução tecnológica, a gente pega principalmente a década de 80 e 90, quando a globalização virou uma verdade, e ao mesmo tempo o nosso cérebro não tem toda essa maturidade emocional para tanto trânsito de informação e para tanta novidade. Então é meio esperado que a gente comece a entender e perceber a nossa, eu não sei se existe essa palavra, a nossa pequenez, Existe isso. A gente é pequenininho. Sabe criança quando fala? Olha, eu me sinto como uma formiguinha. Isso mesmo, a gente é uma formiguinha ali que está na beira do mar e de repente vem uma onda bem forte, destrói tudo. Tanto faz se você construir um super castelo bonito, um castelo feio, improvisado, algo muito mais forte aí apareceu na nossa frente e é essa a realidade que a gente precisa lidar.
Sim. O doutor então falou sobre as quatro fases do que nós estamos vivendo, a maior parte.
Cinco fases.
Negação, raiva, negociação, depressão.
Negociação é o que a gente está vivendo agora a maior parte das pessoas. Olha, então já que eu tenho que ficar em casa, então vou bolar coisa nova. E a gente faz parte disso. Como que eu posso falar pra você? Isso é normal, natural, e eu acho que é por aí mesmo. A gente só tem que entender que é um processo diferente mesmo, mais forte do que a gente. Depois é esperado que venha uma fase de depressão, isso é natural. Não pra cada pessoa, a gente tá falando até como humanidade mesmo. e como aceitação. Uma coisa que me preocupa um pouco, pensando do ponto de vista global, é essa negociação, essa depressão, como vai ser lidada por todo mundo. Porque você imagina, quem tem muito pouco recurso já está acostumado a apanhar. Então vai sofrer, mas já está acostumado a apanhar. Quem tem muito recurso vai perder um pouco e não gosta de perder. E aí eu tenho medo que o pessoal comece a fazer como criança mimada e comecem a surgir guerras. rixas e problemas maiores. Quem está no meio, na verdade, que tem ainda essa troca de eu produzo ou trabalho e por isso eu consigo capitalizar alguma coisa e eu posso fazer diferença, é que na verdade está sofrendo ou se sentindo prejudicado por ter organizado alguma coisa e ter que viver uma realidade que não foi exatamente o que sonhou.
Sim. Doutor, o Luiz Meirelles, ele tinha enviado uma pergunta aqui no início da nossa live, perguntando, né, devemos ou não ficar de olho nas notícias? E aí agora passou aqui uma outra pessoa, eu não consegui anotar o nome. Aliás, boa noite, obrigada a todos por estarem conosco aqui, obrigada pelo tempo de todos vocês. Tenho certeza que depois dessa conversa, muita coisa pode melhorar, né, na percepção de tudo que está acontecendo. Mas pegando então o que o Luiz falou e que uma outra pessoa que está nos acompanhando, falando sobre ficar ou não de olho nas notícias. A gente sabe que tudo em excesso faz mal. Até água na seca, se cai de uma vez, faz mal. As notícias, até que ponto a gente consegue filtrá-las? Telefone, até que ponto a gente consegue não deixá-lo no modo avião para conseguir continuar recebendo o zap e tudo mais? Até que ponto saber de tanta coisa é bom e não sobrecarregar o cérebro?
Isabela, mais do que nunca a gente vive um momento em que a liberdade de expressão existe e a parte danosa dela a gente vê, isso é cru, a questão das fake news. É muito louco isso, como tem pessoas que podem até gerar conteúdo mentiroso, de fatos mentirosos, que a gente sabe que pode deixar pessoas mais vulneráveis em pânico e mesmo assim lançam isso. Mas de qualquer forma, o momento é um momento que demanda atenção, então não tem como a gente também se negar de observar as coisas. Cada vez mais o que a gente vê é o grande papel do editor, de quem de alguma forma vai fazer uma seleção responsável. de informação para ser passada. Eu acho que é um momento que a gente precisa... Percebe? São várias coisas ao mesmo tempo que estão rolando, mas a gente precisa entender que não dá para ficar viajando na maionese. A gente tem que estar atento ao que está ocorrendo, mas não dá para a gente deixar o coração aberto para tudo. Sabe o que eu quero dizer? Porque a carga negativa é óbvia que ela está presente. A gente está falando de um desfecho final que assombra a humanidade e se chama morte, se chama um trânsito, morte. morte, o trânsito daqui para uma outra vida. Porque veja, eu estava vendo agora há pouco, acho que já subiu, ontem eram 25 mortos aqui no Brasil, agora são 34. A gente está contando quase como se fosse o gol que a gente tomou da Alemanha, 7 a 1. Você está entendendo o que eu quero dizer? Quanto vai ser amanhã? 45? 50?
Enfim. Tem um livro que eu tava revendo agora, junto com o seu inclusive, mas esse aqui ó, o Papo Cabeça, relembrando algumas coisas aqui pra nossa conversa, e tem um outro que chama O Poder dos Mantras, os mantras cotidianos, e isso tem muito a ver com o que nós estamos falando. A Kelly, que tá aqui, ela disse assim, eu limitei a ver notícias uma vez ao dia por alguns minutos, tava pirando e entrando em pânico. O que eu, Isabela, por já ter vivido isso nesses últimos dias... Sabe que teve um momento em que eu estava assistindo vocês na Band, aí depois eu fui para o jornal do meio-dia. e assisti ele inteiro. Quando acabou, eu fiquei extremamente ansiosa, coração palpitando, eu já fiquei mais assim, irritada, sabe? Eu falei, não, vai ser um jornal de manhã e depois outra noite. Não pude ver de manhã, então agora só meio-dia e noite, sabe? E tô ignorando muitas mensagens pelo WhatsApp, porque senão o cérebro sobrecarrega, não sobrecarrega, doutor?
Sim, sobrecarrega demais. A gente precisa ter esse entendimento. Da mesma forma que nós devemos, por exemplo, escolher o alimento que a gente vai ingerir, não é isso? Então o que o ser humano faz naturalmente, voltando aí pra época das cavernas? Você olha pro alimento, vê se tem cheiro adequado, se tem coloração adequada, se não tem bicho ali andando. E aí você vai gerir. A alimentação, a informação que vem nada mais é do que um pensamento organizado pra você. Você tem o poder também de gerenciar o que vai entrar pra dentro de você ou não? Por isso que eu falo, não dá pra gente ficar alienado porque tem informações importantes e a gente tá falando de saúde pública e estamos vivendo uma pandemia. Mas a qualidade e o formato que ela vem, você pode, sim, gerenciar. Como você muito bem deu exemplo, eu vou me organizar. Não quero ficar escutando isso a todo momento.
Sim. Até porque nós já sabemos o que nós precisamos fazer, né, doutor? A gente tem que ficar dentro de casa, circular o menos possível, lavar as mãos. Está todo mundo careca de saber disso. Agora, eu tenho uma preocupação particular, não só com as pessoas que convivem comigo, mas com todos que me acompanham também, doutor, que você sabe, que é sobre a saúde mental. O nosso autocuidado, ou seja, aquilo que só eu posso fazer, para a minha saúde mental. Costumo dizer que se a gente não tomar alguns cuidados, se a gente não despertar logo, a gente não desenvolve coronavírus, mas pode desenvolver uma ansiedade, para quem já tem ansiedade ela se intensificar, e depressão, enfim. Aí, doutor amado, por que que essa conversa seria tão importante? Eu gostaria que você explicasse para quase 400 pessoas agora que estão nos acompanhando e que serão multiplicadoras dessas mensagens com certeza, o que que acontece no nosso cérebro quando estamos sob muito estresse, porque mudanças causam estresse. Então, se você pudesse retomar aquela fala, muito fácil de entender o que que acontece aqui e que tem consequências no corpo inteiro quando a gente está sob muito estresse.
Funciona assim, coração Isabela, o nosso cérebro ele funciona dentro de um determinado sistema para garantir a preservação da vida, tanto do indivíduo como da espécie.
O estresse.
É, como da espécie, como da espécie, da espécie humana. A gente já nasce com esse pacotinho, com esse circuito neural que funciona. Então se eu tenho algo que possa agredir a minha integridade, e veja, a integridade não é só a integridade física, a integridade psíquica também, Eu coloco em funcionamento um sistema chamado sistema nervoso autônomo, simpático principalmente, no qual o hipotálamo, que é uma estrutura cerebral profunda, fica extremamente acionada e me transforma potencialmente num super-herói. As custas do quê? De liberação de adrenalina, que faz com que meu ritmo cardíaco aumente, que minha frequência respiratória também sofra alterações, minha pupila pode dilatar e eu fico num estado de maior alerta. para que eu possa tomar alguma conduta e, de alguma forma, proteger a minha vida. Só que, veja, é aquele sistema que está preparado para eu dar alguma resposta, que seria correr, seria lutar, seria fingir de morto, o que quer que seja. Do formato que a gente está, a informação vem... Veja, em tempo real, se você estivesse só na sua casa, sem informação nenhuma, o governo não ia nem saber que existe coronavírus. Então a gente fica bombardeado com uma crescente expectativa e a gente não tem essa válvula de liberação, que seria tomar uma atitude física, porque a gente vive num mundo físico, onde existe sim a matéria, onde existe a força da gravidade, se escorregou é pro chão que você vai cair. E você precisa então ter um sistema de compensação e até liberação de um anti-inflamatório natural chamado cortisol. Isso é tudo muito natural. Só que se você não tem essa descarga natural e a recompensa de ter ficado no estado de alerta, você vai aumentar constantemente e de uma forma crônica. Não é que vai ficar um super nível grandão horripilante não, mas ele vai mudar do natural. Isso vai ter impacto no seu sistema imunológico. Então a tendência de você adquirir, por exemplo, um quadro viral vai aumentar. Veja, ele está falando justamente de um quadro viral, estamos falando aí da doença COVID-19 e de muitas outras que podem existir. Além disso, eu aumento a minha fragilidade, por exemplo, do aparelho digestivo e com isso eu posso abrir, entre aspas, a chance de que bactérias e outros microorganismos possam adentrar a intimidade do meu órgão, eu posso ter dor de cabeça, eu posso ter dor de coluna, eu posso ficar extremamente ansioso, eu posso ter insônia. E aí o processo todo piora ainda, porque a gente sabe que durante o sono, que é algo extremamente importante para reequilibrar os pensamentos e também para reequilibrar a saúde das células, vai estar comprometido. Então é um ciclo realmente vicioso. e que tem como start esse bombardeio constante de informações que estão me mandando e eu estou ali de poros abertos recebendo aquilo e a todo momento pensando exatamente o que está acontecendo sem saber qual vai ser o desfecho final.
E aquele estado de luta e foge constante?
É, só que no caso você não consegue ter esse momento de fuga. Qual que é a fuga? Você está preso dentro de casa, porque a nossa razão como espécie humana entende que, olha, estrategicamente, se a gente estiver em quarentena e evitando o contato social, a gente vai passar menos o vírus para frente. Veja, a gente precisa disso e isso é difícil, porque a gente está colocando para brigar, no bom sentido, dois andares diferentes do cérebro, uma parte emocional Que veja, ela é linda, mas ela é burra. E uma parte racional, que é inteligente, mas ela é fria. E toda hora tá tendo essa briga. Quem sofre com isso? O nosso corpo físico e a nossa própria consciência.
Tem uma... o doutor Guiad Iunes, lá do Hospital Oswaldo Cruz, ele disse, né, que a ignorância é uma benção. Eu não tô dizendo pra ninguém ficar... pra ninguém ficar alienado. Mas, realmente, se agora, já sabendo disso, que esta overdose de informações não vai levar a gente a lugar nenhum, eu acho que aí cada um vai fazer a sua curadoria, vai melhorar o seu filtro, não é?
Isso, curadoria. Eu acho que essa palavra é muito melhor do que a que eu falei, o papel do editor. A curadoria, que é justamente entender, bom, o que eu vou fazer com essa informação nova?
Agora, doutor, quando a gente tem que mudar de rotina e eu tenho um período para me adaptar, o meu corpo vai, como a palavra já disse, adaptando de pouquinho em pouquinho. Agora, quando eu não tenho tempo? Nós não tivemos tempo de nos adaptarmos nessas últimas semanas, tendo que ficar totalmente em casa. A gente está tendo que lidar com coisas que sempre pedimos, mais tempo com a família, mais tempo pra ficar em casa, olha que loucura, e agora a gente tá tendo tudo isso, mas ainda reagindo muito mal. Como é que o nosso cérebro reage diante de tanta mudança? Ele vai precisar de mais energia, é por isso que a gente tá comendo mais, como que é?
Geralmente, qualquer hábito que você deseje, tenha por objetivo incorporar ou mudar. Existe um número meio cabalístico, que não é absoluto para todo mundo, mas pelo menos é um período de três semanas. A gente precisa repetir algumas vezes, a gente precisa dormir e acordar, dormir e acordar, dormir e acordar, para de alguma forma estimular uma coisa chamada neuroplasticidade, que é a mudança de funcionamento dos circuitos, mesmo no seu comecinho. Então, no começo, como a gente está saindo involuntariamente, mas temos que sair da zona chamada zona de conforto, a gente começa a gastar mais energia cerebral e mental do que o normal. O que eu quero dizer com isso? A gente tem um órgão que tem mais ou menos 86 a 100 bilhões de neurônios, cada um conversa com o outro e faz cerca de 10 mil comunicações, a gente chama essa comunicação de sinapse, pesa mais ou menos um quilo e meio, porém precisa de 20% da energia que a gente acaba produzindo com a inspiração e com a alimentação para poder funcionar de forma adequada. Então conforme eu tenho um novo desafio, eu vou facilitar os circuitos para realizar aquela tarefa. Veja, eu tenho certeza que se a gente pudesse quantificar o número de vezes que a gente lava as mãos por dia, aumenta demais. E no começo pode ser um absurdo, depois num certo tempo isso vai entrando num piloto automático. As primeiras vezes você vai gastar um pouco mais de energia. Por quê? Porque o nosso cérebro tem esse papel, senão a gente ficaria toda hora gastando energia demais. Então no começo a gente vai ter esse desconforto, mas o próprio cérebro vai chegando num caminho e a gente vai conseguir de alguma forma lidar com menos frustração. Mas de qualquer forma, se você está voluntariamente na frente, tomando a iniciativa e as decisões, é mais fácil. O problema de fato é você receber algumas, não vou falar ordens, mas algumas determinações que te provocam uma falsa sensação de perda de liberdade, porque a gente está condicionando. Para a gente continuar vivendo como humanidade, poder, continuar tendo tudo, todo mundo precisa fazer a sua parte. É isso que eu falo, a parte fria, mais inteligente do cérebro está trabalhando, mas a parte quente, mais burrinha do cérebro está tendo que lidar com essa frustração.
Isso. O nosso cérebro ainda, ele é muito analógico, não é doutor? Ou seja, a gente está lidando com o mundo muito digital, mas ele ainda é muito analógico. Quando eu fiz essa analogia, comparando que a gente ainda tem o cérebro quase lá do tempo das cavernas, tendo que lidar com coisas muito diferentes.
Exatamente, exatamente. Só que junto com isso, a gente tem o cérebro, vamos falar rudimentar, mas assim, que não é tão poderoso assim quanto o que a gente experimenta hoje com o apoio da tecnologia e dessa informação integrada. Então assim, a velocidade que a gente tem de trânsito de informação não é a mesma velocidade, por exemplo, que a gente consegue lidar com as nossas emoções. Uma vez eu li uma coisa que talvez uma das pessoas mais simpáticas que existem na face da Terra é Dalai Lama. Dizem que uma vez ele recebeu várias pessoas... Será que foi você que me contou isso? Alguém me falou isso e eu achei uma coisa muito interessante. É assim, ó. Ele conversando. Então ele tá aqui falando com uma pessoa e a pessoa tá falando uma tragédia. A face dele fica compatível com a pessoa e com a tragédia.
Isso, isso.
Mudou, foi pro próximo, entendeu? Mas assim, instantaneamente. Tem uma pessoa muito alegre, ele entra naquela vibe da alegria, quase que instantaneamente. Sabe aquela coisa do copo cheio e copo vazio? Ele vai e troca rapidamente. Isso não é simples. A gente carrega. Depois que você levou a pancada de que, olha só, o mundo pode acabar, teste chegando, você lidar com isso e conseguir ver o lado bom da coisa. Veja, qual seria uma possível coisa para a gente pensar? Legal, tudo tem começo, meio e fim. A gente não sabe exatamente quanto. Se você está confinado com o tempo livre, como você muito bem disse, para pensar. Você tem muito tempo para poder arquitetar um bom plano para o seu futuro, do que você deseja fazer, de como você vai fazer, se vai dar certo ou não, é outra história. Mas você tem essa liberdade e você tem essa disponibilidade de tempo agora para fazer isso.
Isso. Eu vou passar para algumas perguntas aqui, doutor. A Cláudia Nóbrega perguntou como que eu posso ajudar outras pessoas que estão com dificuldade no isolamento. Porque além das minhas dificuldades, eu também tenho que lidar com parentes, pai, mãe, irmãos, que eu não posso ter um contato pessoal, mas eu gostaria de ajudar de alguma maneira. Como é que eu faço?
Olha só, não é porque a gente está desprovido da possibilidade de contato físico mais próximo que a gente não pode entrar em contato com essas pessoas. Hoje em dia a gente tem telefone, tem aqui, por exemplo, você pode fazer uma chamada de vídeo. De alguma forma você vai poder falar com essa pessoa. É um outro caminho, é uma outra verdade, mas eu acho que a gente pode sim utilizar o dom do diálogo, o dom da palavra, pra estimular e pegar as outras pessoas e talvez levantar um pouco a moral, tirar a pessoa um pouco daquele baixo astral. Olha só, cerca de mais ou menos 30, 40% de tudo que a gente fala no dia é sobre as nossas percepções subjetivas das coisas. E quando a gente tem a possibilidade de botar isso pra fora, O circuito cerebral do prazer que libera dopamina e dá uma sensação agradável é estimulado. Então se você puder falar com a pessoa, em vez de querer ficar apontando o dedo, o que é que precisa fazer, olha, reage, deixa a pessoa falar, entendeu? Você deixar a pessoa produzir ou colocar pra fora, veja, com um filtro, né? É isso que a gente tá conversando aqui agora. Eu vou deixar a pessoa falar e se abrir, que eu gosto, que eu amo, porque eu entendo que isso é importante pra que ela possa ter algum alívio. Eu tô dando uma explicação científica, não é simplesmente, olha, deite no divã e fale qualquer coisa. Mas se você gosta da pessoa, você permite que ela possa acionar o circuito cerebral do prazer dela, isso já é uma boa forma de você ajudar.
Maravilha. E as crianças, doutor? Muitas pessoas perguntando aqui, né, A primeira semana todo mundo pintou, fez todas as atividades que podia. Tô dando aqui um exemplo, chutando, não tem nenhuma criança aqui dentro. Mas toda vez que eu tô meio em pânico, eu, o Thiago, meu marido, eu falo, olha que a gente podia ter uma criança pequena aqui. Outras pessoas demandando mais atenção. Pra elas, doutor, você acha que essa mudança pode trazer mais problemas ou benefícios?
Eu acho que assim, a criança se adapta ao novo de uma forma muito tranquila, muito diferente da gente. Criança gosta de estar com pai e mãe, criança gosta de estar em casa, estar perto dos brinquedos e tudo mais. Eu acho que a grande dica é... a gente tentar estabelecer uma rotina mínima, sabe? Não adianta querer, as escolas estão com participação online e tudo mais, não adianta você querer o mesmo desempenho da aula presencial, nem a mesma rigidez, porque se está sendo difícil para o adulto ou para quem está cuidando da criança, certamente está sendo diferente para os pequenos também. Então, acho que estabelecer uma rotina mínima, que tenham atividades misturadas, entendendo que rotina mínima Você tem manhã, você tem almoço, você tem tarde, você tem janta, você tem noite. E você tem dias de semana e você tem fim de semana. Então tentar estabelecer alguma coisa que possa ser minimamente respeitada, e a gente pode utilizar esses períodos de uma forma que a criança não fique sem atividade, aí é utilizar a parte racional do cérebro da gente. sem também deixar ela desprovida de carinho, de afeto e sem também a gente se chicotear, porque assim, ninguém é de aço, né? Todo mundo precisa de um momento de ficar um pouquinho quieto ali pra poder se reequilibrar também. Porque eu tenho certeza que tem muita mãe, tem muito pai, tem muito... quem tá ficando com as crianças, não mais os avós, né? Pelo menos essa é a recomendação. que às vezes, no fundo, fica se martirizando. Fala, puxa vida, no fundo, eu não tenho tanta paciência assim com os meus filhos como eu gostaria ou acho que eu deveria ter. O que eu tenho pra dizer é o seguinte, eu acho que cada filho tem o pai e a mãe que merece, né, no bom sentido. Não é verdade? É, é o natural. Nasceu daquele pai, nasceu daquela mãe, daquela estrutura que tá ali. Então eu acho que assim, sem culpa, né, eu acho que tá sendo novo pra todo mundo e tá sendo um convite incrível pra gente manifestar nossa inteligência.
Perfeito. A Monique disse, meu filho de 7 anos está amando estar em casa. Você vê que bonito, né? Tem gente que está adorando estar em casa. Os adultos podendo ler, fazer curso, organizar, tudo que não tinha tempo. E tem gente que está odiando. Tem crianças que estão se adaptando, como você falou, né? Os pais de repente estão sabendo também lidar com tudo isso e outras dando mais trabalho. Todos nós seremos impactados de alguma maneira, né, doutor? Direta ou indiretamente. Uns com mais dor, outros com menos dor. Mas isso, como você disse, é pra todo mundo.
É para todo mundo, é para todo mundo. A gente imagina o seguinte, que isso não dure para sempre ou dure o menos possível, porque é uma estratégia que tem um fim biológico de contenção, mas que certamente vai ter impactos e a gente percebe quem lida bem de perto com números, com economia, que não precisa ser muito habilitado para prever que a gente vai ter dificuldades lá na frente. Mas de qualquer forma, o momento, ele provoca a gente a um convite a outros valores, que você muito bem disse, que todo mundo fala e de repente quando vem é que todo mundo queria um copo d'água, de repente vem um balde de água na cabeça. Quer tempo? Quer convívio com a sua família? Então, agora vocês vão ter que ficar junto com as pessoas aí que estão organizadas embaixo do seu teto.
Pois é. Olha, doutor, Já faz meia hora que nós estamos conversando, não sei como é que você está de tempo. Podemos continuar mais um pouquinho?
Podemos.
Podemos? Bom, então são dez horas. Obrigada. por você estar aqui conosco. Nós estamos conversando com o doutor Fernando Gomes, neurocirurgião, neurocientista, comunicador em saúde, e eu tenho certeza que você tem visto ele na tela da Band, quase todas as manhãs, falando sobre o problema que todos nós estamos enfrentando, e está aqui, então, generosamente, conversando às dez da noite, para a gente entender melhor como a gente pode passar por todo esse tempo sem coronavírus e sem problemas relacionados à saúde mental. Doutor, tem uma frase aqui, partindo do que você disse? num livro de citações, olha só como é que tá. Olha a grossura, olha o livro marcado. Mas tem uma aqui que cai perfeitamente com o que você disse. O imperador romano Marco Aurélio disse no início do milênio passado assim ó, nunca acontece algo que por natureza não somos capazes de suportar. Bom, Se ele falou isso no início do milênio passado, é porque não devia também estar fácil a coisa por lá. A gente sabe que a história já nos conta muitos momentos bem difíceis, mas a medicina evoluiu bastante. O que você tem visto pelos programas lá na Band, por toda a área médica como vocês conversam, quanto tempo isso ainda pode durar? Tirando previsões malucas ou comparadas a outros países, porque países têm características totalmente distintas. Populações, você vê nos Estados Unidos o perfil mais atingido é totalmente diferente da Itália. Então como é que você vai comparar o Brasil com quem? Com os Estados Unidos ou Itália? Enfim, como você como médico estudioso nessa área vê o que está acontecendo e por quanto tempo ainda isso pode continuar?
Você diz isso o quê? O período que a gente está tomando como estratégia de ficar de dia em casa?
Não, o período do vírus. Um vírus, por exemplo, ele pode ter uma duração de anos, em meses a gente consegue suprimir. Como é que você vê isso? Porque ele está no ar e é algo invisível. Tudo que é invisível a gente não tem empatia, tem mais dificuldade para entender.
E se você parar para pensar, nem sequer ele é vivo. O vírus, na verdade, acaba sendo uma estrutura muito simples, diferente de uma bactéria que acaba sendo um ser vivo, que funciona por si só. O vírus só existe e replica quando está dentro do organismo que ele está infectando. Fora disso, ele está ali, o material genético envelopado dentro de uma membrana. O que a gente vê é a história da própria medicina. São diversas pandemias, epidemias que vêm acontecendo ao decorrer do tempo. A gente pode imaginar, tudo bem, vai dois, três meses a gente vai resolver isso. Agora, quem garante que não vai ter um Covid-20, um Covid-21 ou alguma coisa assim? A gente não sabe. A gente cria uma falsa sensação de domínio sobre a natureza que, puta, desculpa falar, a gente não tem. Imagina o seguinte, se um asteroide, sei lá, eu não sou astrofísico, mas alguma coisa muda e de repente a temperatura da Terra sobe 50 graus. O que é 50 graus perto de tudo que existe no universo em termos de faixa de temperatura? É perfeitamente factível. Eu não sei se vai existir humanidade numa situação como essa, hipotética, entendeu? Também não estou falando aqui de calamidade. Mas assim, a nossa saída, na verdade, como ser humano, como ser pensante, só pode estar dentro da gente mesmo. Porque fora é muito instável. Está muito instável. Você resolve o problema desse e vai aparecer um outro. Por isso que existe uma grande discussão quando você vê hoje em dia. Pessoas que tendem a minimizar o problema e tem a linha de pensamento, Porque assim, muitas vezes é muito fácil de falar assim, poxa, mas essa pessoa é uma boçal que está falando isso. Não, tem uma linha de pensamento ali, ou seja, vamos nos proteger aqui e vamos passar como se nada tivesse acontecendo. Pessoas vão morrer, vão morrer. Normal, todo mundo vai morrer. E a gente com isso consegue pelo menos tentar manter a economia e manter as coisas que estão acontecendo. Existe um fundamento, não é algo sem sentido. E existe uma outra forma de pensar que é o do politicamente correto, do bom senso, do baseado nas experiências sequenciais. Olha, é muito triste você ver uma situação de pessoas precisarem de atendimento médico, a gente saber como faz e não ter a viabilidade daquilo acontecer. E por isso é o que a gente está fazendo, é o que a humanidade meio que definiu por consenso. Não é? É o que está todo mundo fazendo. O bom senso diz, olha, vamos prestar atenção nisso, vamos fechar fronteira, vamos tentar resolver isso aqui para isso aqui não se multiplicar, vamos se ajudar. Mas a outra linha de pensamento, ela também não é totalmente errada. Ela tem um fundamento, porque de fato, independente do que aconteça, vai passar. O tempo não para.
E como você disse, esse problema acaba, viram outros, e assim seguimos, e assim vamos evoluindo. É realmente um convite excelente para a gente estudar.
Sem sombra de dúvida. E olha só, Isabel, olha que interessante, a gente tá falando aqui de saúde mental. Tem algumas doenças que a gente não presta atenção. Imagina uma pessoa que já tem uma predisposição genética e não descompensou, mas tem aí uma tendência a ter um transtorno obsessivo compulsivo. Aí ela é bombardeada de informação por todos os lados que ela precisa lavar a mão compulsivamente. Você imagina o que pode acontecer? Tem uma porcentagem da população que está sendo estimulada a se descompensar. E veja, o que você vai fazer com isso? Nada, porque o que... Nada, quero dizer, vai diagnosticar, tratar, etc. Só que assim, a curto prazo, a informação de lá vem as mãos é muito mais importante do que... Veja, se você está exagerando demais da conta, Alguma coisa pode estar de errado com você. Ninguém consegue ficar estéreo fazendo uma lavagem de mão ou manter uma casa totalmente intacta. As pessoas ficam desesperadas. Olha, vou pedir delivery. Aí chegou a pizza em casa. O que eu faço com papelão? Tenho nojo de papelão. Gente, não dá para viver num mundo estéreo. Aliás, isso não é nem interessante. A gente não é estéreo. A gente é quase metade agente e metade bactéria que anda junto com a gente no nosso corpo. Então não dá. Aí você começa a criar um pensamento que também é distorcido da realidade e também não favorece a sanidade mental.
Então, tem aqui uma moça, a Pri R Campos. Doutor, estou com muito medo. Eu vi essa mensagem aqui repetindo dezenas de vezes enquanto você falava. Para quem está com medo, doutor Fernando, qual seria a sua prescrição médica? Antes da gente falar sobre imunidade, sobre o Cérebro Ninja, que é o título do seu último livro. Para quem está lidando com o medo, o que o doutor Fernando poderia dizer?
Eu vou falar o que eu sinto com o meu coração, tá aí o que eu observo com a minha razão. Ninguém está sozinho. A realidade é essa. Se nós somos cerca de 7 bilhões de pessoas em volta do mundo, e se cada um funcionasse como se fosse um pequeno neurônio fazendo conexão com outros, o que eu digo pra ela e pra todo mundo, e também a própria conversa íntima que eu tenho comigo é o seguinte, a gente não tá sozinho. É isso. É isso. É a única forma da gente segurar o nosso medo. Porque o medo todo ser humano tem. Medo do quê? Da morte? medo de uma coisa que a gente sabe que vai acontecer. A gente só não quer que aconteça de uma forma que seja evitável, que seja descartável, que seja sem nenhum valor e sem nenhuma tentativa de preservá-la. Mas, na verdade, é um medo que o ser humano tem desde o começo. E aí criou milhares e milhares de artifícios e a gente aceita esses artifícios. Quer ver um pensamento interessante? Por que existe os juros? Você tem várias formas de explicar por que existe os juros. Uma forma bem bacana de explicar por que existe os juros é porque as pessoas têm medo da morte e entendem que o tempo passa. Então o dinheiro que eu empresto para você aqui hoje, você vai me devolver amanhã, não pode ser o mesmo, porque nesse intervalo de 24 horas eu posso ter morrido e não ter o que fazer com o meu dinheiro. Aí você vai falar assim, Doutor Fernando, mas você podia deixar para os seus herdeiros. Meus herdeiros não sou eu. Amo todos eles, mas não sou eu, porque a experiência de cada pessoa é única. Então esse medo, na verdade, que ela está referindo, é o medo da humanidade. E o único jeito, a única coisa que faz a gente, pelo menos, abrandar isso, é entender que ninguém está sozinho nessa. A gente está junto.
Isso, perfeito. Doutor, partindo já pra uma quase conclusão aqui, 10 e 10, eu quero respeitar o seu tempo e de todos que estão nos assistindo.
Porque amanhã a gente tá cedinho lá na Band, viu? Eu convido você pra assistir também. 9 horas da manhã, ou aqui na Band, começando a todo vapor. Tomando informação de qualidade. Você sabe, você sabe.
Você falou a gente, eu já ia falar. Então eu posso ir também? Eu sei que vocês estão trabalhando muito. Meu respeito e admiração por todos os médicos, todos os profissionais de saúde, por todos os jornalistas que estão trabalhando sem parar. Eu nem vou tocar no assunto burnout aqui, doutor, porque eu sei que depois, quando a poeira baixar, quando a adrenalina cessar, aí o corpo vai pedir ajuda. Mas isso já é tema para uma outra live. Eu queria aproveitar, então, os nossos últimos minutos, doutor, falando sobre imunidade. Se quando estamos sob mudança, temos mais estresse e o estresse prejudica o meu corpo, como é que eu faço para manter a minha imunidade nesses tempos completamente incertos, com muito medo, sentimos medo, ok. Como é que eu faço?
Bom, existem algumas regrinhas básicas de manutenção do estilo de vida que representam o mínimo chão pra gente pelo menos ter o que a gente já herdou geneticamente, que é a imunidade de cada pessoa, imunidade inata. Primeiro, entender que a gente precisa descansar. A gente precisa dormir. Durante o período do sono, é liberada a melatonina, que é um neurotransmissor, que também tem uma função hormonal, que faz com que a gente relaxe. E durante esse período do sono, as nossas células são restabelecidas e também a nossa imunidade é desenvolvida. Então, é importante descansar. Segundo ponto, é importante a gente se alimentar bem. Lembrando que é preciso, sim, ingerir água. Tem várias coisas que saem nas redes sociais. Então tem que beber água de 15 em 15 minutos. Não, você tem que beber água normal, como sempre deve beber para manter a hidratação. Pode falar em dois litros. Você tem um termômetro, entre aspas, facinho. É só você ver a cor do seu xixi a todo momento. Isso vai dizer, mas fica aqui a recomendação especial em relação à alimentação, de que se a gente está mais dentro de casa, e por mais que eu vou falar o item 3, fazer atividade física, a gente tenta de alguma forma manter isso ativo, é desesperar que o nosso gasto calórico vai ser um pouco diferente do usual. Alimentação em excesso, quer seja por ansiedade ou por, de fato, um pouco mais de tempo e liberação, precisa ser levada em consideração. O terceiro ponto é a atividade física, Isabela. Não é porque tá indo de casa que não vai fazer nada. Veja, a tendência é não fazer. Por isso que a prescrição e a orientação vem de, gente, dá para organizar sim e fazer alguns exercícios É a mesma coisa que eu falei das crianças. Não vai imaginar que você vai ter o mesmo resultado de estar podendo frequentar uma academia, que você consegue fazer um exercício que isola o seu músculo cerrátil anterior. Esquece, não vai rolar. Mas um polichinelo dá pra você fazer em qualquer ambiente pequeno, você pode pular corda assim, dá pra correr se você não tiver uma bicicleta, você pode fazer um abdominal, você pode fazer um alongamento Entendeu? Espichar, lembrar uma coisa básica que todo mundo pode fazer. Quando a gente acorda, em vez de acordar de sopetão, você pode dar aquela espreguiçada que acaba sendo o nosso alongamento natural. Os bichinhos fazem isso, né? Você vê um gatinho levantando, ele estica todo o braço. Por que a gente não pode fazer isso, né? Agradecer a Deus que a gente tá vivo, que de qualquer forma, apesar de estarmos passando por uma situação diferente, a gente tá aqui, podendo experimentar isso. E se Deus quiser, a gente vai poder contar todas as lições que a gente teve para as nossas próximas gerações.
Pronto, então aumentar a imunidade não está em nenhum remédio. Aumentar a imunidade depende só de mim. Dormir bem, comer bem, ou seja, se alimentar com coisas saudáveis, menos carne, laticínio industrializado, mais verduras e legumes, como sempre, e atividade física. É isso, doutor?
É isso. E assim, gerenciar os pensamentos. É o que a gente está falando aqui. Veja, nós estamos num momento difícil. Seria bizarro se alguém pegasse qualquer meio de comunicação e desse gargalhadas infinitas e passasse o dia inteiro nas nuvens, entendeu? Isso não é impossível. Isso não é impossível, mas é uma situação que demanda algo diferente.
A moça aqui escreveu, correr atrás do filho, a Marina, um bom exercício, né? Correr pela casa. Doutor, gerenciar os pensamentos, como é que eu faço isso na prática? Se vem algum e eu falo obrigada, tchau, como é que eu faço?
Não, eu acho que o básico é a gente desenvolver uma coisa chamada metacognição. O que é isso? Só o fato de a gente já estar conversando sobre isso, a gente já começa a entender e aí acaba sendo um convite, por isso que eu escrevi tanto livro sobre isso, sobre a neurociência aplicada ao comportamento. A gente não tem manual de instrução, mas a gente já estudou muito sobre isso, tem diversas publicações, diversas observações. É o seguinte, se você consegue entender como o seu cérebro funciona, e a gente discutiu aqui, olha, eu falei, primeiro a gente está passando por essa fase de negação, de raiva, de negociação, é de se esperar que vem uma fase de depressão, e não é só depressão econômica, é aquilo que você muito bem disse, olha só, vai ter uma galera aí da saúde, da comunicação e tudo mais, que é de se esperar que passe por um período meio esquisito depois, se depois vai ter esse momento de aceitação, Eu já estou gerenciando meus pensamentos, eu já estou classificando. Olha, estamos em uma fase difícil, ok? Mas eu não vou torná-la mais difícil ainda. O que é tornar ela mais difícil ainda? Ah, meu Deus, tudo vai acabar, tudo vai ficar preocupado. Vão me chamar para trabalhar. Ué, se me chamar para trabalhar e precisar que eu vá lá atender mais do que eu atendo normal, eu vou voltar a fazer isso. Ué, é pra isso que eu estudei, é por isso que eu fiz juramento de Hipócrates e tá tudo certo. Eu acho que assim, é uma questão de dar significado pra tudo, né? Quando a gente dá significado, na psicologia se fala muito isso, quando a gente dá significado pra situação que a gente tá vivendo, a gente consegue, de alguma forma, melhor gerenciar os nossos pensamentos. e gerenciar os pensamentos, eu quero dizer, colocar em harmonia o pensamento racional, inteligente, mais frio, com a nossa parte emocional, que é calorosa, às vezes chorona, birrenta, mas infelizmente ela é burrinha. Então quando a gente coloca os dois em sincronia, a gente está gerenciando o pensamento.
É isso mesmo, vou recomendar aqui o livro do Dr. Papo Cabeça, ele falou de manual, mas aqui ele coloca manual de instruções para melhorar a memória, vencer os medos, então está aqui uma dica, além do recente, do Cérebro Ninja. Doutor, pra encerrar, eu não tinha colocado essa pergunta aqui no roteiro, mas como você mencionou, e amanhã eu vou falar justamente sobre isso, eu queria ouvir sua opinião. Acho que muita gente que também vai gostar. Você falou em Deus. Você mencionou Deus. Como você vê a fé nesse momento? Como você recomendaria para as pessoas lidarem com as suas dúvidas e incertezas a partir de sua espiritualidade e da sua fé.
Quando a gente faz, por exemplo, uma oração ou uma prece, o nosso cérebro funciona de forma diferente. Isso já está provado cientificamente.
Breaking News. Repete, doutor, repete.
Quando a gente faz uma prece ou uma oração, a gente está colocando... Eu digo essa diferença de prece e orientação porque eu converso com muitas pessoas que têm diferentes credos, e antes eu achava que isso era uma coisa que era sinônimo. E não sei se você sabe, não é. Prece é diferente de oração. Dizem que prece é assim, você pega e decora um determinado. Vai, o Pai Nosso. Eu vou lá e falo o Pai Nosso.
Isso é uma oração.
Isso é uma prece. Quando eu faço uma oração, eu tô, na verdade, conversando com essa inteligência superior, com essa força criativa chamada Deus. Isso é livre, eu não preciso decorar nada, eu não preciso me esconder, eu não preciso ter vergonha de mim, das minhas fraquezas, ou vergonha até mesmo do meu orgulho, Qualidades que não são qualidades, percebe? E aí você consegue dar vazão livremente ao que você sente, e você faz com que seu cérebro funcione num formato diferente. Então, assim, não é... Eu fui ler Stephen Hawking. E tem uma pergunta nesse livro dele que ele acaba falando e provando que Deus não existe, entendeu? Mas aí você começa a ler aquilo e eu falo, poxa vida, ele prova isso e realmente, do ponto de vista científico, vai lá evoluindo o pensamento e faz sentido. Só que assim, não faz sentido, porque talvez Deus, com esse formato... Eu pergunto pra você Isabela, quando eu falo Deus, o que vem na sua cabeça? Como é que é o seu Deus? Não, fala pra mim. Pra você o universo...
É como você me disse, como você começou a live, né? Nós somos tão pequenininhos, e aí quando a gente vê a imagem de fora pra dentro, quando você vê a Terra, aí a gente entende o nosso tamanho. Eu penso em Deus como uma força infinita. Não tem tamanho, não tem uma imagem. Ele é o próprio universo. Como você disse, essa inteligência superior.
Olha só, eu acho que... eu acho. Que Deus, de fato, é toda essa energia criativa. Então foi o Big Bang que explodiu, é essa coisa do nasce e morre das pessoas, é a natureza. Eu não sei, mas eu confesso pra você, quando eu penso em Deus e eu me recolho pra fazer minhas orações, porque eu oro, e faço isso diariamente, e isso pra mim se mistura muito com... Ah, o que é parar pra meditar? O que é tá fazendo esporte e correndo? Às vezes quando eu tô fazendo esporte, porque as pessoas são diferentes, né? Eu consigo me concentrar melhor com a divindade quando eu tô em atividade física intensa. Mas porque pra mim é assim que funciona. Tem outras pessoas que precisam, de fato, se recolher, ficar em posições especiais e tudo mais. Eu não tenho vergonha de dizer, pra mim vem a imagem, tá? E pra mim isso faz sentido. Eu não tento classificar. Deus pra mim é como se fosse um homem, um senhor, com cabelo branco, uma barba farta, com músculos, entendeu? Forte, saudável. Que fica sentado lá em cima e tá vendo todos nós. E pra mim não tem problema nenhum funcionar dessa forma. Eu posso imaginar que talvez o meu filho pequenininho tenha uma visão ainda muito mais madura do que a minha. Só que na hora que eu estabeleço o meu contato, na hora que eu tenho um caso difícil pra operar, Na hora que eu tenho que dar uma notícia difícil para uma família e tudo mais, é dessa forma que eu faço a conexão. É bíblico? Acho que sim, acho que é bíblico. Tem bem a ver com o que está escrito na Bíblia. Talvez tenha diversas interferências aí do que meus pais falaram para mim, dos filmes que eu assisti, dos livros que eu já li. Eu só sei que assim, pra mim funciona. E como o cérebro é algo muito visual, a gente trabalha com imagens, esse modelo de conexão pra mim traz tranquilidade. Então quando eu estou em situações que eu percebo que vão além da minha força, eu faço essa conexão. Então assim, isso não pode ser uma fórmula, mas é um exemplo. de como a gente pode lidar com a nossa espiritualidade. E, de fato, o cérebro funciona diferente. Você tem uma tendência de ver com mais clareza, você percebe que você é cuidado por alguém, que existe, sim, um plano para cada um de nós, e o plano não é fazer coisa ruim para os outros e nem nada.
Doutor, quando nós estamos, então, orando, conversando com Deus, O que acontece no nosso cérebro, para repetir?
Ele acaba funcionando de um formato diferente. A gente consegue abrandar a nossa ansiedade. Isso tem explicação neurobiológica para isso. Se você colocar uma pessoa dentro de uma ressonância magnética, você vai observar áreas diferentes que são acionadas. Já fizeram isso, inclusive, com pessoas que estão fazendo, por exemplo, psicografia. Só pra você entender até onde a coisa vai. Aí faz a ressonância magnética. O padrão, por exemplo, do cérebro dessas pessoas durante o transe Ele muito se assemelha com o funcionamento de um esquizofrênico, mas as pessoas não são esquizofrênicas, porque foram avaliadas por psiquiatras e não tem nenhuma doença mental, propriamente dito, mas o cérebro funciona em formatos diferentes. São coisas que, assim, eu tô falando pra você, a gente tá no limite da neurociência e do entendimento da mente. Então, assim, é algo que... Ah, então é isso e ponto final? Não, não, não. É um caminho. É um caminho. E se isso faz bem, isso traduz em mais saúde, em mais respeito para as pessoas, em mais amor, em mais tolerância, eu acho que o caminho está certo. É por aí.
Pronto. Eu posso dizer que o cérebro funciona de forma diferente? É como se ele funcionasse de forma mais coerente?
Ele funciona de uma forma, em que você consegue prestar e estar mais atento ao presente, Você consegue colocar mais significado na sua existência, e com isso você consegue reduzir o seu grau de ansiedade. Porque a ansiedade acaba sendo traduzida como a preocupação. O que é preocupação? Se você desmembra a palavra, você percebe. Pré-ocupado. Antes de estar ocupado com o fato, com o problema, com a realidade, eu estou pensando ali na frente, e geralmente essa preocupação não é boa, ninguém fica preocupado com coisa boa.
Pois é. Pois é. Doutor Fernando Gomes, hashtag não estamos sozinhos.
É isso aí, não estamos sozinhos não. Estamos juntos.
Estamos juntos. Eu vou salvar essa live aqui no story e depois compartilho lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real. Faça um convite para quem nos acompanha até aqui. Se quiser compartilhar essa live, eu tenho certeza que nós poderemos viver os próximos dias com menos medo, menos ansiedade, a partir de todo o conhecimento que o doutor Fernando compartilhou. Compartilhe então você também para quem sentir no seu coração que faz sentido. Doutor, muito obrigada pelo seu tempo, pela.
Sua confiança, pela sua amizade. Obrigado a você e deixa eu dar uma dica final, tá? Além de tudo isso aí que a gente falou, de lavar a mão, de evitar contato social, de fazer exercício físico, de se alimentar, né? De dormir bem, tudo. Reserve um tempinho do dia, um tempinho só pra você, pra você praticar a oração. A sua oração. A oração pro seu Deus que faz sentido.
Maravilha. Obrigada, doutor. Muita saúde, bom trabalho, amanhã até breve. Obrigada. Tchau, tchau.
Beijo, tchau.
Então, estamos encerrando aqui a nossa live. Muito obrigada por todos vocês que estiveram conosco. Vou repetir então, a live vai continuar no Store por 24 horas, depois vai estar lá no canal no YouTube. Muita saúde pra vocês. Amanhã, live com o orientador espiritual da Alcides Biskalkin, a gente vai falar sobre quarentena na quaresma. O que que isso quer nos dizer? Gostou? Então até amanhã. Beijo grande.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








