Live com o Psiquiatra Dr Pablo Vinicius

Isabela Camargo talks with psychiatrist Dr. Pablo Vinicius about depression, anxiety, and mental health. They discuss how societal norms affect well-being and why promoting mental health matters more than just treating illness.
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Olá, olá, boa noite, tudo bem? Hoje é dia 23 de abril e eu começo agora com muita alegria mais uma live Sete Horas em Ponto. Vocês sabem que desde o dia 17 de março eu tenho feito lives diárias, muitos dias, mais do que uma por dia, pra gente aproveitar esse momento pra desmistificar o que é saúde mental, pra falar sobre o meu tema que é o autocuidado como caminho pro bem-estar da mente. Em todos esses dias eu tenho acompanhado o interesse, a sede de cada um de vocês por entender melhor esse tema que antes a gente deixava assim em segundo plano. Agora parece que todo mundo se deu conta que tem um cérebro que precisa cuidar dele e que cuidar da saúde mental é tão digno quanto cuidar da saúde física. E aí hoje a gente vai conversar com o doutor Pablo Vinícius que é um psiquiatra escritor, palestrante e que fala a nossa língua. Eu tinha feito uma live com ele tempos atrás e foi um sucesso. A gente ficou, assim, com vários temas pendentes pra falar na primeira oportunidade. E eu, então, vi aqui, neste momento, uma excelente oportunidade pra voltar, então, com o doutor Pabllo pra gente falar sobre saúde mental. Já, já, a gente vai dividir tela e aproveito pra convidar vocês pra enviarem perguntas, comentários, sugestões. Tudo bem, doutor?
Fala, Isabel. Tudo jóia?
Maravilha. Tá me ouvindo bem? Tá vendo bem?
Tá. Você tá me ouvindo? Tá tudo bem?
Tá ótimo. Te vendo bem, ouvindo bem. Tem alguma parte minha cortando?
Não, tá jóia.
Então tá bom. Doutor Pablo, muito obrigada por ter aceitado o meu convite. Vi que você tem feito outras lives e queria saber a sua opinião se este realmente é um momento maravilhoso pra gente desmistificar o que é saúde mental.
Boa noite de novo Isabela, boa noite a todo mundo, é um prazer enorme estar aqui com você, você é brilhante enquanto jornalista, conduz muito bem, tem feito um trabalho belíssimo e só tenho que te agradecer, te parabenizar por ser aí um agente muito importante na saúde mental. A saúde mental ela é um todo, ela não é psiquiatra, ela não é só psicólogo, todo mundo que contribui, o paciente é um agente importantíssimo na saúde mental, com a sua experiência, com o seu relato, com a sua vivência. Isso foi uma vitória da reforma psiquiátrica que nós passamos, é o vir das pessoas. Então é muito legal, parabéns e é um prazer mais uma vez estar aqui com você e o seu público e o meu também. Como você disse, você usou uma palavra assim, será que é um período maravilhoso, nesse momento tão doloroso, mas a gente pode extrair sim maravilhas, de um período tão doloroso que a gente tá vivendo, e nenhuma delas é essa. Eu costumo dizer o seguinte, esses dias eu dei uma entrevista sobre violência doméstica, os aspectos da saúde mental, porque aumentou 20% as queixas em São Paulo, no Rio e tal, 30% aqui, na Bélgica, na Itália, aí eu falei assim, deixa eu falar uma coisa pra você, falei pro jornalista, tudo que a gente tá percebendo, que tá vendo hoje, já estava epidemico, A gente já vivia em epidemias. Epidemia de violência doméstica, epidemia de ansiedade. Nós somos o país número um em ansiedade do mundo. Eu vejo aqui suas lives e já vi que os colegas já têm falado isso. Nós somos o país mais depressivo da América Latina. Nós somos o quinto país maior do mundo em depressão. Nós somos o segundo país do mundo em consumir calmantes. Isso já vinha. só que a gente estava aos trancos e barrancos, a sociedade estava vivendo como se isso tivesse ali igual você falou aqui no início, em segundo plano, e deixou acordar, deixou levantar, deixou trabalhar, deixou ganhar meu dinheiro, deixou cuidar da minha família e nós que tratávamos com saúde mental, a gente já estava horrorizado. Eu venho há anos alertando a sociedade quanto aos diagnósticos excessivos, quanto ao uso abusivo de psicotrópia, Os meus livros já eram um alerta nesse sentido. Então eu já vinha sendo uma voz de chamar a atenção para a burnout, que é a síndrome, e aí o seu principal tema de trabalho. Então o mundo do trabalho já vinha muito doente, o mundo das relações humanas já vinha muito doente, o desrespeito pelo meio ambiente, os animais já vinha... Então estava tudo errado. Estava tudo errado. Se você me perguntasse, doutor Pablo, se tinha alguma coisa que você via que estava bom, eu não consigo descrever.
Sim.
Porque as relações humanas estavam todas muito equivocadas. E aí veio o coronavírus. E aí agora, como a gente foi obrigado a nos isolarmos, abrir os olhos e sentir mais, aí as coisas vieram à tona. Então você tem toda a razão. Nós estamos, na verdade, só colocando pra fora só tirando debaixo do tapete aquilo que já estava epidêmico, aquilo que já estava ruim.
Doutor, excelente caminho aqui pra gente começar. Agora as coisas vieram à tona, eu entendo que quem já tinha uma predisposição para desenvolver ansiedade ou depressão, neste momento, se não tomar cuidado, pode já entrar em uma patologia. Eu vou aproveitar então a pergunta aqui da Tarsiana Santana. O que devemos fazer para não cair na depressão? Porque tem muita gente, doutor, lidando com perdas. Perdas de todos os cenários. Não vou nem entrar aqui em algumas. Então, lidando com todas essas perdas, como nós podemos evitar a depressão?
Pra gente entender depressão, a gente precisa entender um pouco o conceito de saúde mental. Quanto mais saúde mental você tiver, mais longe você estará da depressão, da ansiedade, das crises do pânico, da insônia. Ou seja, ao invés da gente ficar olhando o diagnóstico da depressão, Vamos promover saúde mental. Então eu, inclusive, esses dias eu recebi, você pasme, eu recebi esses dias uma mensagem de um colega médico dizendo assim, cara, se todo mundo ler o seu livro, você vai fechar metade dos consultórios psiquiátricos.
Qual dele?
Porque eu promo a fórmula. E eu tenho esse aluso no início do turno que eu estou disponibilizando, que é sobre depressão. Então, é muito diferente você tratar doença do que você promover saúde. Eu costumo dizer que se eu precisar de doente pra viver, eu prefiro vender água de coco na praia, porque eu prefiro promover saúde. E eu não quero as pessoas doentes. Tá ouvindo?
Sim, você disse que você prefere promover.
Saúde a tratar doentes. Eu quero que as pessoas não adoeçam. Eu quero que as pessoas fiquem longe de um consultório psiquiátrico. Se eu tiver que encontrar as pessoas, que sejam numa praia, num shopping, não num consultório psiquiátrico. Claro que sempre vai existir, o adoecimento mental sempre vai existir. Mas a verdade é que muitos estão lá e não precisariam estar, e nós vamos entender hoje porquê. Então, essa colega aqui que fez essa pergunta, a primeira coisa pra ela é pra ficar longe da depressão. para você não entrar em depressão nesse momento, você tem que investir agora como nunca na sua saúde mental. E aí nós vamos falar aqui como fazer para que você passe esse momento pelo menos bem, sentir alguma coisa, nós vamos sentir, eu tenho acompanhado essas lives aqui, e lá do outro lado o sol continua brilhando.
Perfeito. Então vamos já começar a separar o que seria uma tristeza por essa ficha toda que está caindo, que uma coisa eu entender, como você disse, antes já não estava bom, agora pode ser que esteja um pouco pior, mas antes eu tenho que reconhecer que não estava bom. O que é tristeza? O que é melancolia? O que é depressão?
Isso é muito importante, porque separar o normal do patológico é a primeira coisa que a gente precisa fazer para direcionar a pessoa para a ajuda correta. Então tristeza é um fenômeno normal do ser humano. É um fenômeno que temos que sentir, inclusive. Muitas pessoas me procuram no consultório e no final da consulta elas ouvem assim de mim, bem-vindo a ser ser humano. A sua tristeza está completamente aceitável dentro do seu contexto. As pessoas não querem sentir mais isso. Por causa da cultura hedonista que nós estamos, que só vale o prazer, que só vale a alegria, que só vale o sorriso, que só vale a A explosão, e aí a qualquer sintoma, desculpa, a qualquer manifestação da tristeza, olha, procura um psiquiatra, procura um psicólogo. Você estava chorando, eu vi que você estava chorando ontem. Você não deve estar bem. Então calma, pessoal. Tristeza é um fenômeno normal. A melancolia em alguns momentos é um fenômeno normal. E o que é a depressão? A depressão nada mais é do que algo normal, porém ou exacerbado ou em falta. Na depressão não há nenhum sentimento novo. A depressão são sentimentos normais de um ser humano, porém em intensidade diferente. Então podemos dizer que uma coisa é eu sentir tristeza, porque meu filho está numa UTI e eu estou abalado e abatido por causa disso. Meu filho sai da UTI, eu me recupero e a vida volta a brilhar novamente. A tristeza da depressão, eu acordo triste, eu durmo triste. Eu acordo triste, eu durmo triste. Ou seja, é o fenômeno normal exacerbado. Vamos pegar um outro fenômeno, a vontade. Eu preciso acordar e ter vontade de viver. A depressão, o que é? A falta da vontade. O fenômeno normal em falta. A energia. Eu tenho energia para viver o meu dia. O que é a depressão? O fenômeno normal, energia em falta. Então depressão é quando eu apresento algumas coisas que são normais, ou em excesso, ou em falta, em relação ao que eu estou vivendo. E aí eu ensino as pessoas a se diagnosticar. Como assim? Aprende aí. A palavrinha mágica chama-se proporcionalidade. O que eu quero dizer com isso? Você vai fazer o seguinte exercício todas as vezes que você sentir alguma coisa. Uma palpitação por uma ansiedade, uma tristeza, Uma vontade de chorar, uma insônia, qualquer coisa. Você vai pegar o que você tá sentindo e vai fazer o seguinte exercício. Bom, se eu colocar uma pessoa no meu lugar, com a minha idade, o meu sexo, o meu gênero, com as minhas características mais ou menos, passando pelo que eu estou passando, ela estaria sentindo o que eu estou sentindo? Se a resposta for sim, você está absolutamente normal. É embora chorando, desesperada, angustiada, perdendo noite de sono, porque passa a ser um fenômeno normal. Se a resposta for não, tá muito. Tá muito. Tô sofrendo demais. Eu me conheço. Eu não sou assim. Você provavelmente está passando da linha do normal pro patológico. Então esse é o grande segredinho que eu aprendi com 20 anos de profissão e ensino meus alunos na faculdade pra fazer um diagnóstico. de um transtorno mental.
Doutor, esse estado de normal exacerbado, ele teria um tempo médio para identificar se é depressão ou não, porque às vezes, naquela semana, aconteceram coisas, eu vivi isso, tá? No começo deste isolamento, eu tive ideias muito ansiosas, angustiadas, com medo de tudo, desde não pagar as contas até não conseguir me recolocar profissionalmente, né? Que desde Desde a minha saída, por conta da experiência com a síndrome de burnout, eu não consegui voltar a trabalhar no meio da comunicação que eu amo. Então eu fiquei com muito medo, fiquei angustiadazima. E aí, depois de umas duas semanas tentando segurar todos os pratos, aconteceram vários episódios em que eu fiquei muito triste. Foram três dias de choro constante. Até que aí eu passei por uma terapia. De EFT, que é uma liberação que a gente faz, até no sábado eu vou fazer uma Porque senão a gente carrega uma carga muito pesada, e aí eu consegui Ufa, respirar e entendi, bom, esse pânico todo não tá me ajudando a resolver nada Então, queria te perguntar, três dias eu consegui sair Qual o tempo médio pra gente saber se é só o momento, a fase ou depressão?
Os livros técnicos Eles falam em 15 dias. Os sintomas presentes na maior parte do dia e na maioria dos dias por 15 dias. Então isso é um critério diagnóstico que a gente utiliza para fazer um diagnóstico de depressão. Mas eu não levo muito em consideração isso, sabia? Porque esses 15 dias era uma referência. A gente não pode entender esses 15 dias como algo assim absoluto. Aí eu vou ensinar a segunda palavrinha mágica, além da proporcionalidade, que é a funcionalidade. O que é funcionalidade? Sua capacidade produtiva, seus relacionamentos sociais, sua capacidade de trabalhar. Isso chama-se funcionalidade. A depressão afeta. Porque a depressão não pode ser leve, moderada e grave. A leve afeta menos, a moderada mais e agrave muito. O grave é aquelas pessoas que estão na cama e não saem da cama. A moderada é aquela que a pessoa se arrasta, já falta um dia de trabalho, já não consegue ir em outro. A leve, a pessoa consegue até viver bem, até cumprir os seus compromissos, mas ela sente já prejuízo na sua funcionalidade. Um advogado que fazia cinco processos no dia tá fazendo dois. Um arquiteto que fazia tantos projetos no mês já faz menos. O médico que atendia X consulta já não faz. O jornalista que escrevia tantas matérias já tem dificuldade. Isso já é o comprometimento da doença na funcionalidade. A tristeza normal não afeta a funcionalidade. A gente continua vivendo. Tristes, abatidos. Nossa, Isabela, eu tô vendo sua carinha abatida. Por que, menino? O meu marido tá na UTI e sofreu um acidente. Tô muito triste. Mas pode perceber que você tá vivendo. Você sai de casa, você faz suas coisas. As pessoas percebem que você tá abatido, mas você tá bem, você tá vivendo. Então é a segunda palavrinha mágica do diagnóstico, é a funcionalidade.
Mais alguma outra palavra, doutor? Que a gente precisa já...
Essas duas aí são os carro-chefes de um bom diagnóstico psiquiátrico. E isso vale pra qualquer transtorno. Ansiedade, depressão, pânico, insônia. Para você ter uma ideia, diagnóstico de insônia crônica, critério diagnóstico é dormir mal, seja pegar no sono, seja acordar durante a noite, por pelo menos três vezes na semana, por três meses.
Uau! Pelo menos três meses.
Não é assim uma noite de sono perdida que eu sou insônio, eu tenho insônia. Por que a psiquiatria toma muito cuidado com essa questão temporal? Exatamente para a gente não Não fazer diagnósticos em excessos. Olha que dado legal que você vai falar assim, meu Deus, eu não acredito. 30% dos americanos estão tomando antidepressivos sem critério diagnóstico para depressão.
Acredito.
30%. Eu acho que até mais, viu? Pela minha experiência prática. Essa pesquisa foi feita nos Estados Unidos, mas o comportamento é muito similar aqui no Brasil. Sabe o que isso significa? As pessoas estão tomando antidepressivos pra se anestesiarem. As pessoas estão tomando antidepressivos para darem conta de viver suas vidas que estão difíceis. Então, não é no antidepressivo, e isso eu falo pras pessoas que não estão com depressão, que você vai encontrar um sossego pra sua alma, pro seu emocional. É fazendo o que tem que ser feito. Então você está sofrendo, só sofrendo, aprendeu a fazer isso, E aí sim, você vai precisar de mim, como psiquiatra. Então, espero que você precise de mim, como para que promotor você possa me.
Ajudar, para que ajudar, para que você possa me ajudar, possa de me ajudar.
Para que saúde, para você não adoecer, para não precisar usar esse tipo de tratamento.
Perfeito, doutor. Para quem está chegando agora, estou conversando com o psiquiatra médico Pablo Vinícius. uma pessoa fabulosa que fala a nossa língua, então a gente entende exatamente o que a gente precisa entender para viver melhor. Doutor, você falou sobre a proporcionalidade, a funcionalidade, a diferença entre uma tristeza momentânea e um estado depressivo. Quando você fala nessa pesquisa americana em que 30% tomam remédios para depressão sem ter depressão, e você diz o remédio para se esconder, Eu vejo muito isso nas palestras quando eu falo sobre a falta de limites no ambiente de trabalho. Todo mundo glamouriza o tamanho da NECSER, doutor. Eu faço uma brincadeira, eu falo, alguém tem aqui um remedinho para dor de cabeça? Todo mundo levanta, mostra o NECSER, eu faço até um campeonato da NECSER maior e aí a gente acaba rindo, mas é no riso realmente que cai a nossa ficha. Aqui no Brasil, quando você faz uma comparação com os Estados Unidos, Nós temos uma farmácia a cada esquina, né? Aliás, é impressionante a quantidade de farmácias. Eu não sei em Brasília... Mais que boteco. Mais que boteco, exatamente. Aqui você atribui essa busca desesperada por um remédio para que eu alivie as minhas insatisfações. É falta de autocuidado, autorresponsabilização, autoestima. Falta do quê?
É economia de energia. É economia de energia. Por que é economia de energia? Eu vou te fazer uma pergunta. O que é mais fácil, tomar um remédio ou entrar na academia?
Opa, remédio! Rapidinho, né?
O que é mais fácil, tomar remédio ou mudar sua dieta?
Remédio.
O que é mais fácil, tomar remédio ou fazer um curso de meditação? Então, viver bem, mudar o estilo de vida. Porque assim, o que eu percebo é que a grande maioria das pessoas estão tomando medicamentos psiquiátricos, sejam com diagnósticos ou sem diagnósticos, é devido ao estilo de vida. As pessoas estão vivendo muito mal. Estão dormindo muito mal. São Paulo, por exemplo, a última pesquisa que o Instituto do Sono fez em São Paulo, mostrou que 75% dos paulistanos têm pelo menos duas queixas relacionadas ao sono. Sabe o que isso significa? É todo mundo! 75% é todo mundo! Ou seja, as pessoas não estão dormindo bem. Há uma valorização social das pessoas que dormem pouco, dos privados de sono. O funcionário da empresa, aquela foto bonitinha da parede, é o cara que responde o e-mail do chefe três horas da manhã. Aí ele é valorizado, ele é escolhido como funcionário do mês. Então há uma série de equívocos sociais, de conceitos. Então, na verdade, a sua pergunta, por que as pessoas estão tomando tantos remédios para isso? Porque elas estão vivendo mal, os conceitos estão equivocados. E isso está trazendo um sofrimento absurdo para a mente humana. Aí o que a pessoa vai fazer? Ela vai procurar algo. Ela não consegue viver com aquele nível de angústia. E ela encontra no medicamento o caminho mais fácil. Então se você falar assim, qual é a grande razão disso? Seria a economia de energia. Porque mudar hábito, mudar cultura, mudar comportamento é a coisa mais difícil do mundo. Precisa de esforço, precisa de energia. Vontade.
Vontade e fé, porque eu entendo quando você diz, né? A busca é mais fácil e mais rápida pelos remédios. E é curioso que a gente vai acumulando ao longo dos anos uma série de sintomas. Aí quando você começa a fazer um tratamento ou uma terapia, você quer em uma sessão resolver tudo. É igual acupuntura, né? A pessoa vai numa sessão de acupuntura e fala, ai não, demora muito. Mas como assim, né, Carapálida? Você demorou tanto pra chegar naquele estado? Mesmo, as pessoas me perguntam, você ainda está em tratamento? Sim! Vai fazer dois anos, porque eu não fiquei, eu não tive a experiência por dois anos de excesso. Exatamente. Mas eu entendo que realmente todos queremos tudo mais fácil, mais rápido. Doutor, eu teria aqui tantas perguntas. A Jane L. Bezerra, ela perguntou há um tempo assim, olha, despersonalização. Eu queria que você entrasse um pouquinho nesse assunto, porque tem muito a ver aí com tudo que nós já dissemos.
A despersonalização também é um fenômeno. E aí, como eu disse da tristeza no início, da ansiedade, da insônia, É muito importante a gente entender esse fenômeno como normalidade. Em alguns momentos nós vamos a ter essa sensação de despersonalização. É normal. Podemos ter no início da noite, no início do dia, quando estou mais ansioso. Também faz parte do pacote do ser humano. Então despersonalização nem sempre significa doença. Ela vai ser doença quando dentro de um contexto que esteja junto de outros sintomas e, como eu disse, em excesso. Então, esses dias eu atendi um paciente com esse fenômeno, com a despersonalização, que é, na verdade, a sensação que ele tem de não ser ele mesmo, dele perder a identidade de si, de estar fora do corpo. Isso é o fenômeno da despersonalização. Então, existem dois fenômenos distintos. O da despersonalização, que é essa perda da própria identidade, esse distanciamento de si mesmo, crise de pânico dá muita despersonalização.
Burnout também.
É o burnout também. Então você veja, é um sintoma da burnout, é um sintoma do pânico, é um sintoma de alguns distúrbios do sono, principalmente da fase inicial do sono, pode acontecer despersonalização, ou seja, um fenômeno na depressão. Então, é um fenômeno que pode estar dentro de um contexto normal, esporádico, episódico. Um dia, nossa, um dia eu tive uma sensação tão estranha, gente. Era a sensação de que eu já estivesse fora do meu corpo. É mesmo, né? Foi aquele dia. Ah, tem um mês. Normal. Agora, todos os dias eu tô sentindo essa coisa. Tá tão estranho. Nossa, isso é muito ruim, né?
Eu tô sentindo essa sensação de que.
Eu já fora do meu corpo. Então provavelmente está fazendo parte de algo patológico. Então despersonalização não é um diagnóstico, é um sintoma.
É um sintoma. Perfeito. Eu vejo isso muito quando nós estamos no piloto automático. Quando a gente não está se cuidando, quando você está vivendo a sua vida apenas para trabalhar, ou para fazer alguma outra coisa relacionada a algum tipo de trabalho, seja para cuidar de alguém, seja para o trabalho especificamente, você está fazendo droplota automático. E eu me vi com essa despersonalização por muito tempo. Olha, tem um comentário aqui que eu achei bárbaro. A Angela Almeida falou assim, ó, vivemos na geração miojo, tudo que ultrapasse três minutos já não querem.
Exatamente. É os conceitos que eu estava falando. Então assim, esse momento que a gente tá vivendo, gente, é o momento da gente repensar as ideias, os conceitos. Porque na verdade o comportamento é fruto de um conceito. Então na verdade, de uma crença. Então se altera comportamento mudando crença, mudando conceitos. Então nesse momento é hora da gente trabalhar conceitos. Ou seja, será que realmente o que é válido é o cara workaholic? É isso que nós vamos continuar valorizando em termos de sociedade? Nós vamos continuar valorizando a privação de sono? Nós vamos continuar priorizando a vaidade? O reconhecimento a todo custo? O egoísmo? Então são esses conceitos que movem a sociedade contemporânea. E já estava um caos, do ponto de vista mental. Aqui em Brasília, se eu não me engano, 70% dos professores da rede pública usam psicotrópicos. Você acha isso normal?
Não é.
Não é, não pode ser. Eu me recuso a achar que isso é normal. Mas estava vindo. Era o que estava vindo. Aí veio o coronavírus, os professores foram pra dentro de casa. Ufa, eu não sei se eles estão melhores ou se eles estão piores. Mas é hora da gente repensar o sistema educacional. É hora da gente repensar tudo. Então eu acredito que o por vir, como você fala do novo normal, ele vai ser um momento de fruto de grandes reflexões que a gente vai ter que ter e o que vai ser depois. Então às vezes até uma pessoa me pergunta, como é que vai ser depois? O que o senhor acha que vai ser depois? Aí eu falo assim, depende. Porque a gente está numa encruzilhada. A gente está exatamente num ponto aqui de uma encruzilhada. Exatamente. Por que eu digo isso? Se a gente não mudar nada, é uma opção. Vai ser uma possibilidade. Ninguém vai mudar nada. Vai ser uma tragédia. Vai ser uma tragédia. Quadros de pânico, quadros de transtornos de estresse posttraumático, quadros de... Vai ser uma tragédia. Agora, se a gente mudar, aí nós vamos estabelecer novos padrões mentais, comportamentais, de tudo. Tá na nossa mão. Tá na nossa mão. E aí eu dou exemplo de um paciente que me procura com depressão, sempre falo desse exemplo para que as pessoas possam entender o que está na nossa mão. O paciente me procura para tratar e ele está com depressão, aí eu pergunto assim para ele, o que eu posso te ajudar? Aí ele fala assim, doutor, eu estou muito mal, eu gostaria de voltar ao meu estado de normalidade, é quem eu era, porque não era assim. Então eu queria que o senhor me ajudasse a voltar ao que eu era, ao normal. Aí eu falo assim para ele, Isso eu não posso te ajudar. Ela assusta a pessoa, assusta a minha hora. Por quê? Porque a pessoa que era, de uma determinada forma, foi a que adoeceu.
Se eu te levo ao estado que.
Você é, vai adoecer de novo. Porque havia alguma coisa naquela pessoa que fez com que ela adoecesse. Então você tem que morrer na depressão. Aproveita essa dor imensa que a depressão é e morra, pra que daqui nasça Uma nova pessoa, com novos conceitos, com novas ideias, com novos comportamentos. Eu acho que do ponto de vista social, nós estamos passando por esse momento. Uma grande chance da sociedade morrer agora e se tornar uma... E daqui a 100 anos, nossos netos, quando estiverem lendo os livros de história, falam, olha, teve um momento aqui que a sociedade fez uma ruptura. Tá na nossa mão, isso tá na nossa mão.
Isso, isso. É por isso que eu comecei essas lives, doutor, em março, né, e aí logo me caiu a ficha, assim, do novo normal, porque eu via muitas pessoas falando, ai, quando tudo voltar ao normal, eu falava, não, porque a gente já não é a mesma pessoa, não seremos as mesmas, o mundo já não é igual, vai mudar ainda mais. Ô Pablo, antes de continuar, eu quero só agradecer aqui a Vera Pinheiro, que nos... Ela até falou assim, que surpresa vê-los, né? Deixa eu contar pra vocês. Eu conheci o doutor Pablo num congresso que nós participamos ano passado, chamado Luminário. Foi a primeira edição. Ciência, consciência e espiritualidade. Esse ano já estava marcado agora para meados do ano e foi transferido para o final de outubro, novembro. E naquele momento, a fala do Dr. Pablo, ela trouxe assim, aquele estado de eureca pra todo mundo, né? Porque como você fala disso, entende? Aí você fala, nossa, eu tô sentindo isso que ele tá falando. E aí você mencionou um livro lá que todo mundo depois sai correndo e até esgotou. Queria que você falasse esse conhecimento que você tem compartilhado não só no livro, em palestras e nas suas lives, como a gente pode melhorar do ponto de vista da saúde mental, não só agora na pandemia, mas para sempre.
O que eu falo no livro, depois eu vou falar especificamente deles. Saúde mental é você cuidar do biológico da sua célula, É você cuidar do seu psicológico, é você cuidar do social e do espiritual. Saúde mental é isso. E quando eu coloco as palavras nessa ordem, não é à toa. E eu vou te provar porque que não é à toa. Porque que o biológico, ele é a base. Quando eu tô falando isso, não é que é um mais importante do que o outro. É que um vem antes do outro. Porque como é que uma pessoa em coma vai orar? Como é que uma pessoa em coma vai fazer uma terapia ou uma meditação? Então, um bom funcionamento biológico, celular, é a base da saúde mental. Depois nós vamos investir no psicológico, no social, no espiritual, mas não adianta você pegar o melhor terapeuta do mundo, se você tá todo inflamado, lento, com sérios problemas cognitivos, de atenção, de memória, se o seu cérebro tá inflamado, você não vai render Se você entrar numa igreja, se você entrar num centro de meditação e tiver sono lento porque não dorme bem, você não vai render. A saúde mental começa cuidando da célula. Quando ela estiver ótima, nós vamos cuidar da mente, nós vamos cuidar do nosso contexto social, aí sim eu vou repensar o meu casamento, aí sim eu vou repensar o meu trabalho. Claro que isso pode ir acontecendo junto. Eu vou investir na minha espiritualidade, enfim. Então saúde mental é isso. Então o que eu fiz no meu livro? Meu livro só foi a forma. Eles são 10 anos de pesquisa, que eu pesquiso exatamente essa conexão, principalmente uma otimização biológica. Então é um livro eminentemente da base da pirâmide. E aí eu trabalho três conceitos nesse livro. O conceito da doença, do normal e do ótimo. Isso tem mudado completamente o comportamento das pessoas.
Repete, por favor.
Existe a doença, existe o normal e existe o ótimo. A medicina tradicional, 99% da medicina, dos médicos, trabalha só na dicotomia entre doença e normalidade. Eu vou dar um exemplo. Você pega a sua insulina, que controla a sua glicemia, o seu sangue. Quando você pega o resultado dela lá embaixo no laboratório, tá escrito assim, de 7 a 21, faixa normal. Se a sua tiver 18 e você apresentar pra um médico, o que ele vai falar? Você está normal. Porque ele vai lá embaixo e vê que o normal é entre 7 e 21. Se tiver 22, 23, ele vai falar, você tá doente, você tá diabético. Então pra ele tem o normal e o diabético. Só que 18 tá horrível, apesar de você estar normal.
Então, se você tem uma insulina de.
17, está muito longe do ótimo. Uma insulina ótima, 7, 8, 9, significa que você está muito bem. E já tem estudos mostrando que, ainda que dentro de uma faixa dita normal, aquilo está te corroendo, está te comendo aos poucos. Uma insulina de 17 horrível, ela é inflamatória. Eu passo o livro inteiro tratando esses conceitos de normalidade, doença e ótimo. E a minha proposta no livro é levar um estado de otimização. Levar as pessoas a estarem ótimas. E aí eu falo de nutrição, eu falo de atividade física, eu falo de medicina do sono, eu falo de psiquiatria, eu falo de ansiedade. Então, na verdade, é um programa, é um conjunto de medidas para que a gente viva num estado Então.
O.
Que que eu fiz? Esse livro que Esse eu escrevi, escrevi um pouco, eu escrevi um pouco, eu escrevi escrevi Aforma, um pouco, eu escrevi escrevi um pouco, eu escrevi pouco que é esse aqui, ele vende no meu site, no pablovinicius.com.br. E o que que essa semana eu resolvi fazer? Aqui em Brasília tem uma ONG que ajuda muito duas comunidades vulneráveis aqui em Brasília. Nós temos duas comunidades muito grandes aqui, inclusive uma é a maior do país, que é uma comunidade chamada Sol Nascente aqui em Brasília. E eu me impactei muito com o trabalho deles. E o que eu fiz? Metade do que eu arrecadar com esse livro, eu vou doar pra essa ONG que faz esse trabalho nesses dois bairros muito vulneráveis aqui em Brasília. As pessoas estão passando fome mesmo. Então, essa semana eu comecei com isso. Então, metade do que eu vender, eu vou dar pra essa ONG. E esse outro livro aqui, que eu acho que é o que você até fez a propaganda...
Adoro!
Chamar uma luz no início do túnel. Esse foi o primeiro livro que eu escrevi, mas é um livro até mais apropriado para esse momento, porque é um livro sobre depressão. Esse livro é libertador. Todas as vezes que eu leio a contracapa dele, eu tenho vontade de chorar, por tamanha emoção, porque quem fez a contracapa dele foi a revisora do livro. Porque eu fiz o livro e até de São Paulo, eu mandei para ela, eu não a conhecia. E aí passou um tempo, passou um tempo, eu encontrei a tela pela internet Aí eu falei assim, nossa, acho que eu tomei um cano Porque eu já tinha pago, né? Eu acho que eu tomei um cano Aí ela me manda uma mensagem, doutor Que é essa mensagem aqui que eu botei na contracapa É muito emocionante Ela tinha depressão, resistia ao tratamento Acho que se eu não me engano, a mãe era bipolar E aí ela começa a falar assim Eu queria te falar primeiro, antes de qualquer coisa, que esse livro parece que foi feito pra mim Aí ela começa a falar uma série de coisas, aí eu pedi a autorização dela pra ser a contracapa do meu livro. Por que esse livro aqui é libertador? Porque ele tira os preconceitos, as ideias equivocadas da doença. Então, eu costumo dizer o seguinte, que uma pessoa com uma doença mental, ela sofre por duas razões. Primeiro, pela própria doença. A depressão por si só traz muita dor. E segundo, pelo preconceito que exige. Essa dor do preconceito a gente pode tirar com o conhecimento. Então esse livro está disponível gratuitamente, eu transformei ele num e-book, estou disponibilizando gratuitamente para as pessoas, que também está lá no meu site. Então eu acho que é o meu papel enquanto cidadão, enquanto pessoa que posso colaborar nesse momento, eu disponibilizei esse livro meu aqui em forma de e-book gratuito para as pessoas poderem ler.
O nome do livro é Uma Luz no Início do Túnel.
As pessoas lêem rápido, mas é no início, porque como é um livro de conscientização, de conhecimento, é para que as pessoas possam reconhecer essa doença logo no início, para que o preconceito não atrase o tratamento das pessoas, para que aquilo que o vizinho fala, que seu amigo de trabalho fala, deixa eu te falar um negócio, Esse negócio é frescura, esse negócio aí não existe não. Vai mexer com esse negócio não. Então assim, eu percebo que muitas pessoas já chegam muito graves no consultório, movidos pelo preconceito. Então por isso é que eu botei o nome do título de Alma à Luz no início do túnel. Para que as pessoas possam se cuidar, nem entrar no túnel, se for o caso.
Perfeito. Qual o nome do seu site, doutor, para quem está aqui e ainda não conhece?
É pablovinicius.com.br e lá no meu Instagram também ele consegue baixar o DR Pablo Vinicius, ele consegue tanto baixar o ebook como comprar esse aforo.
Perfeito, parabéns pela atitude em compartilhar parte da renda para pessoas mais vulneráveis. Essa é uma outra vantagem desse tempo, sabe doutor, que eu vejo além da gente poder desmistificar a saúde mental, é a gente poder contribuir com aquilo que a gente tem. Seja em forma financeira, seja com algum trabalho voluntário, seja com a inscrição em um YouTube de uma instituição, por exemplo, como a que eu faço parte, que é a Associação Fernanda Bianchini de Balé de Cegos Eles não podem dar as aulas, mas estão fazendo as aulas online e aí as pessoas, os mantenedores, as empresas pediram, então vamos tentar o maior número de assinaturas para a gente continuar esse trabalho. Então a gente pode sim ajudar, fazendo até uma inscrição no YouTube de um canal e continuando ajudando outras pessoas. Pablo, respeitando o seu tempo, o tempo aqui de todos nós, eu não sei quanto tempo ainda você tem para nós, 10 minutos, 15, 20?
O que você quiser.
Nós temos então minutos, vou aproveitar aqui o que o Instagram nos dá. Antes da gente concluir o raciocínio sobre o que a pandemia pode trazer de prejuízos ou não para a saúde mental, eu queria só que você nos explicasse por que falar de saúde mental ainda não é digno da mesma atenção que falar de saúde física.
Isso é histórico, isso vem de décadas, de séculos, onde saúde mental sempre foi relacionado com o isolamento de pessoas diferentes, de pessoas que davam o tal do trabalho, dasqueles que eram renegados socialmente. Então os hospícios, a forma como... Então assim, a própria saúde mental, ela tem que fazer uma reflexão que não é da toa que esses conceitos começaram a surgir. por séculos, a gente praticou uma saúde mental realmente muito reprovável e de pouco tempo, são décadas que a saúde mental vem resgatando essa credibilidade social. Então eu acho que grande parte do preconceito, como você falou do segundo plano, a saúde física é debatida, a saúde física se coloca sempre ali Os cardiologistas, os neurologistas e a saúde mental tem esse aspecto. Eu acho que isso é muito do ranço, isso é muito da herança que a gente veio carregando de uma saúde mental realmente. Aquele filme Bicho de Sete Cabeças, eles retratam muito bem isso e também reforçam essa questão. Graças a Deus veio o covírus. Aí, o que a Organização Mundial de Saúde fez? Ela orienta, prescreve, que governos e sociedade civil tragam para o centro da mesa o assunto saúde mental. Porque a epidemia dos distúrbios mentais vai ser muito maior do que a epidemia do vírus. Então, a epidemia do medo, a epidemia do pânico, a epidemia da depressão, a epidemia da violência doméstica, a epidemia do abandono, Igual eu disse, se a gente não se cuidar, isso vai explodir. A OMS sabe disso. Então ela quer trazer pro centro do discurso, pro centro da mesa, a saúde mental. Ela considera prioritária o debate sobre saúde mental. Por isso que eu disse que graças ao coronavírus, a saúde mental, eu acho que agora vai ganhar corpo. Eu acho que ela tá ganhando uma dimensão muito bacana.
É, perfeito, o que você falou, resgatar a credibilidade social. Eu vou repetir, tá, se eu entendi direito, para que todo mundo aqui semeie depois, né, porque as palavras são sementes. Eu espero que floresça no coração de vocês e depois vocês compartilhem também. A epidemia dos problemas relacionados à saúde mental, depois que o Covid der uma reduzida, pode ser maior ainda, doutor?
Ah, muito maior, infinitamente maior. Você sabe por quê? Existe uma curva, sabe aquela curva aguda das mortes, aí a chata curva, curva disso, curva daquilo. Esses dias eu vi um estudo mostrando várias curvas, eu achei muito interessante. Então, quando essa curva do covírus baixar a mortalidade dela, vai vir uma que vai durar muito mais, que são a questão social, econômica e mental. Então, as pessoas vão ter um forte impacto em suas saúdes mentais. A Organização Mundial sabe disso. Isso não é um machismo, isso foi baseado em outros períodos críticos da humanidade, o pós-primeira guerra, o pós-segunda guerra, os locais que viveram grandes traumas, teve como consequência grandes repercussões mentais. Qual que é o nosso esforço, o meu, o seu e de todos nós? Fazer com que a gente passe esse período de aprendizado, de crescimento, não que a gente rompa, nos destrua nesse momento, que não seja forte o suficiente para isso, mas que seja forte o suficiente para que eu me restabeleça e me torne uma nova pessoa, um novo normal ali na frente.
É por isso que todos os dias eu tento somar com uma pessoa como você, doutor, pra gente poder resgatar a nossa credibilidade da saúde mental, porque nós não estamos falando de algo que é frescura. A gente para com esse discurso, sabe? Ai, dizem que é isso, dizem que é aquilo. Esquece. Vamos focar nas informações corretas. colocar as informações corretas, porque a gente não dá nem espaço para essas ideias que a gente já sabe que são equivocadas. Senão, nós não teríamos os números que nós temos. 18 milhões para o diagnóstico de depressão, 11 milhões de ansiedade, 20 milhões de burnout, fora outras patologias relacionadas à saúde mental. Doutor Pabllo, então para a gente ter uma concluída, O que é esperado numa pandemia? Porque muitas pessoas estão aqui reclamando sobre insônia, ansiedade que leva ao consumo maior de alimentos, mais gordurosos e tudo mais. Então tem gente dormindo pior, comendo pior, que não está conseguindo se organizar. O que é esperado numa pandemia e como a gente pode fazer para preservar nossa saúde mental na prática?
Essas grandes alterações que a gente tá vendo, e aí eu divido em três grandes grupos, um aumento das queixas de ansiedade, um aumento das queixas depressivas e um aumento das queixas relacionadas ao sono. Então essas são os três grandes grupamentos de diagnóstico que a gente tem percebido uma exacerbação no período da pandemia. Então o esperado é que isso aumente muito mesmo. E isso tem uma razão biológica e psicológica. A razão biológica é a ruptura abrupta da rotina. E você vai entender, e vocês vão entender o que eu quero dizer com isso. Saúde mental precisa de rotina. Saúde mental precisa de horário de dormir, horário de acordar, horário de trabalhar, horário de comer. Pra que você tenha uma ideia, as primeiras atividades do dia, 40% delas são feitas no automático.
No inconsciente.
40% das suas primeiras atividades. Você sabe por que é isso? Pra você poupar energia. Porque você tem um dia pra viver. Isso é sábio. Eu não sei quem inventou, se foi Deus, quem inventou esse negócio. Eu sei que é genial, porque nós temos um dia inteiro pra viver. Então assim, quando você acorda, levanta, tira a roupa, vai no banheiro, escova a dente, toma café, isso tudo é automático. E você pega carro, vai, não sei o quê, tudo tá no automático. Quando a gente tá inserido na nossa rotina, tudo que acontece do lado de fora, São sincronizadores dos nossos relógios biológicos internos. Então, quando eu abro a janela, aquele sol é um sincronizador. Quando eu pego o meu carro, ele é um sincronizador. Quando eu tiro o meu pijama e boto a minha roupa de trabalho, aquilo é um sincronizador. São todos fatores sinalizadores para as minhas células. Então, o que aconteceu com o isolamento social repentino que foi imposto a nós? Perdemos os sincronizadores. Perdemos o sincronizador. Então, quando você acorda, o seu cortisol está lá em cima. Claro, para te preparar para todo aquele dia que iria acontecer. E cadê o dia agora? E o cortisol continua em cima. O que isso vai dar? Ansiedade. Tensão, porque a tensão não está saindo. A tensão saía quando eu saía de casa. E agora eu estou dentro e o meu organismo está preparado para uma rotina que não é mais a mesma. uma rotina de estresse, uma rotina tensa, uma rotina com várias atividades ao longo do dia, e que de repente a minha adrenalina e o meu cortisol se elevam automaticamente, porque eu estou há anos vivendo nisso, ele aprendeu, só que agora eu não tenho mais o sincronizador. Então o estranhamento, o aumento desses sintomas estão relacionados à bagunça dos nossos relógios biológicos internos. E aí eu dou a primeira dica. Como a causa é essa, vamos tentar manter as nossas rotinas saudáveis. Mantenha o seu horário de dormir habitual. Mantenha o seu horário de acordar habitual. Por favor, quando você acordar, tira o pijama. O pijama é um sincronizador. O pijama é um sinalizador de repouso, de descanso. Por que as pessoas estão dando ali? Eu não sei se isso está acontecendo contigo, principalmente no início. No meio da manhã, meio-dia, a gente começava a se sentir mais cansado que o normal.
Por quê?
Porque quando você acorda, acabou os comportamentos automatizados. Você tem que pensar o que você vai fazer.
Gastando energia.
Então você está gastando uma energia que você não gastava antes. Então assim, estamos gastando mais energia mental ao pensar numa nova rotina.
E a gente tá chegando ali no.
Meio do dia esgotados, sem fazer nada, dentro de casa. Porque nós estamos nos adequando a uma nova rotina. Claro que com o tempo isso vai melhorar, porque as novas rotinas vão ser estabelecidas, graças a Deus o nosso cérebro aprende e passam a ser as novas rotinas automatizadas. E quando acabar a quarentena, nós vamos passar também por um período de readaptação, mas que logo em seguida volta ao seu normal. Então a primeira dica que eu dou é manter a sua rotina próxima do normal, como que você comia, beba o que você bebia, trabalha na hora que você trabalhava, tenha lazer na hora que você tinha, então tenta manter a rotina.
Perfeito. E aí tem mais alguma dica, doutor?
Eu sempre fui encantado, desde quando eu comecei a estudar meditação, eu virei um fã da meditação. Então, no livro eu falo muito disso. Então, é uma ferramenta maravilhosa para esse momento. Aí as pessoas me perguntam, como é.
Que eu faço, doutor?
Eu vou no YouTube e falo, não, não faz isso não. Claro que se não tiver nada melhor, é melhor você... É aquela velha história, é melhor alguma coisa do que nada. Mas existe o ótimo, e existe o ótimo. Como eu sou um pregador do ótimo.
Eu sou um pregador do ótimo.
Vamos fazer um curso de meditação. Eu tenho uma parceria muito bacana com o Pedro Lobo. Você conhece o Pedro Lobo?
Não, ainda não.
Inclusive, ele... Nossa, um cara bom pra você chamar. Fantástico! Genial! Sabe aquela pessoa que parece que já tá andando nas nuvens? Que você acha que ele tá lá longe. Ele parece que já atingiu esse nível. Tem um curso de meditação. Eu disponibilizo ele também lá na link da minha bio. O curso é dele. É só pra facilitar. E é um curso de alguns encontros online que ele transformou. Olha, se alguém aí que fizer esse curso não gostar, não sou eu não, ele devolve o dinheiro. Porque realmente é muito, muito bom. Então meditação é fantástica. Deixa eu falar, tem dois minutinhos. Eu vou falar de alguns suplementos legais pra que as pessoas possam diminuir a ansiedade e melhorar o sono. Pode comprar na internet, porque é tudo natural. A L-teanina, excelente para o sono para tomar. T-e-a-n-i-na, T-e-a-n-i-na, T-e-a-n-i-na, L-teanina. Vende cápsulas próprias nessas farmácias de manipulação, excelente para o sono. Não esqueçam, nesse momento, de alimentos ricos em triptofano, em zinco, magnésio, selênio, porque produzem serotonina, produzem dopamina, Então o ferro também é importante.
Banana, castanha do Pará.
Castanha do Pará é maravilhoso, abacate maravilhoso. Ômega 3, gente. Agora é a hora dele, pelo menos três vezes por dia. O ômega 3 vai te proteger da oxidação, da inflamação, do cortisol em excesso que nós estamos. Então é muito importante o ômega 3. Se você estiver com uma energia baixa, principalmente quando você acorda, Você pode tomar um negocinho que eu gosto chamado carnitina. É um suplemento muito bom também. Pode tomar. Isso tudo que eu tô falando não é remédio, então não tem problema nenhum de eu estar falando isso. Isso é tudo suplemento, isso é tudo natural. E o magnésio, tem que tomar magnésio, gente. Então presta atenção. Vou te dar o CD. É porque eu vou falando magnésio, zinco, selênio e ferro. Os quatro elementos da inteligência e da saúde mental. Aí você tem todas as outras coisas, alimentos ricos em triptofano, o cacau! Esses dias da Páscoa eu fiz um post sobre chocolate. Falei assim, por que você deve comer chocolate? Eu fiz um vídeo. Coma chocolate. Acima de 70%, claro.
Filho, e se eu comer o de menos porcentagem aí? Eu não consigo, eu gosto daquele docinho.
Mas aí eu vou beber o açúcar, o açúcar vai fazer mal. Então, o problema do chocolate é o açúcar. Porque se não fosse o açúcar... Mas assim, o 70%, você pode comer o dia inteiro. Dois tabletinhos, um tabletinho. Por quê? Porque o cacau é fenomenal pra saúde mental. Então pode comer cacau. Esses dias mesmo eu fiz um brigadeiro com cacau. Vou até fazer um vídeo fazendo um brigadeiro sem açúcar. Dá três jeitos, entendeu? Você usa o demerara. Vai ficar aquele brigadeiro lindo, né? Mas eu também amo chocolate e a gente tem que dar o nosso jeito. O açúcar inflama, a gordura inflama, então a gente tem que tomar cuidado com isso.
Nossa, olha, doutor, açúcar inflama, nós sabemos quais são os alimentos que inflamam. Outro dia uma nutricionista falou pra mim, a gente precisa descascar mais e desembalar menos.
Isso, a gordura trans, né?
Fabulosas, eu até já vou antecipar. Minha mãe tá mostrando aqui do meu lado. Vem cá, mãe. Ó, cacau puro.
Pronto! Ó, deixa eu dar o segredo do café da manhã. Café da manhã. Anote aí o café da manhã pra você ser um gênio. Você vai pegar um copo d'água, meio copo d'água, botar um limão ali dentro. Aí você vai pegar uma colherinha de sobremesa. Pode ser o açafrão, né? Que é a cúrcuma. Uma colherinha de sobremesa de cacau. Uma colherinha de sobremesa de gengibre. Uma colherinha de sobremesa de açaí em pó. Eu acho que é isso daí. Porque a cúrcuma é o anti-inflamatório mais potente que existe. O açaí é um excelente antioxidante. O cacau também é anti-inflamatório e antioxidante. E o gengibre é um excitante, ou seja, é um estimulante. O seu dia vai ser outro. Pode começar com esse shot aí.
Adorei. Eu vou fazer o seguinte, doutor. Todas as lives eu faço um pós-live, né? Eu coloco um resumo de coisas que me chamaram atenção, que as pessoas mais me percutiram e depois eu subo toda a live para o YouTube. Então aqui eu vou ter dicas fabulosas. Eu vou fazer esse resumo, passo para a sua avaliação depois e aí eu publico. Então todo mundo aqui que não conseguiu anotar alguma coisa, eu anotei e vou validar com o doutor para divulgar. E aí, Pablo, eu só posso desejar que Deus, o Universo ou a força que você acreditar te cubra de saúde para continuar o seu trabalho fabuloso, porque tudo que você nos disse aqui é para melhorar o nosso dia. Então, eu queria suas considerações finais nesses últimos minutos que nós temos.
Eu agradeço novamente, parabéns de novo na sua sua disposição, sua energia, sua inteligência, tudo que você faz pelo próximo também, que o universo com certeza retorne isso, a nossa gratidão, a nossa energia, o universo é frequência, a gente está emanando isso, e eu acho que é o momento, sim, da gente emanar cada vez mais esse tipo de frequência. Eu queria convidar as pessoas, eu esqueci de falar desse projeto meu, chamado No Divã, com o doutor Pablo Vinícius, também é gratuito, eu faço isso todas as segundas-feiras, às 19 horas, no meu Instagram, E é uma terapia de grupo, onde eu estou aberto para as pessoas falarem das suas questões, eu sempre utilizo um caso clínico de uma pessoa que me fala, e em cima desse caso clínico nós vamos falando sobre saúde mental, nós vamos falando sobre as dores, as pessoas vão compartilhando, no final eu falo de alguma suplementação, eu falo de alguma coisa nesse sentido, para produzir saúde mental. Então é um programa que eu criei chamado No Divã, com o Dr. Pablo Vinícius, no meu Instagram, às 19 horas, e aberto também, e tem sido muito legal os episódios. Então, queria muito agradecer novamente o espaço que você me deu, é um prazer enorme estar aqui, você é uma apoiadora de pessoas, então, puxa vida, que Deus continue lhe abençoando ricamente, com muita saúde, com muita paz, você e sua família, e conte comigo quando você precisar.
Obrigada, doutor. Tudo o que nós falamos aqui continuará no Instagram, aqui num resuminho, e depois vai lá pro meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real. Doutor Pablo fala a nossa língua. Faz uma hora que ele não falou em remédio. Ele é um psiquiatra que não falou em remédio. Deu todas as alternativas pra gente se cuidar antes de chegar nos remédios. Doutor, gratidão. Um beijo grande e até breve.
E mais um beijo. Tchau. Tchau a todos.
Obrigada pela companhia de vocês e amanhã eu volto com o assunto sobre o sono, como a gente pode dormir melhor com a doutora Andréia Bacelar, a neurologista presidente da Associação Brasileira do Sono, tá certo? Boa noite pra vocês, bom descanso. Doutor Pablo, gratidão absoluta. Até breve.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








