Medicina do amanhã - Entrevista com Dr. Pedro Schestatsky | Izabella Camargo

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a Portuguese-language YouTube interview (title: "Medicina do amanhã - Entrevista com Dr. Pedro Schestatsky | Izabella Camargo") recorded/posted on 2021-02-10. The conversation features presenter Izabella Camargo interviewing neurologist/author Dr. Pedro Schestatsky about his forthcoming book Medicina do Amanhã. Topics covered include brain health and cellular responses to lifestyle, the MAP framework (movement, alimento/nutrition, pensamento/thought), the four biological “enemies” (high glucose, inflammation, free radicals, telomere shortening), burnout and productivity, the 5 Ps of future medicine (predictive, preventive, proactive, personalized, partnership), longevity with quality, and the book pre-sale/charity details. Metadata (YouTube content, title and timestamps) indicates a live/interview format and promotional context for the book. Language: Portuguese.
Chapters
Olá, olá, muito boa noite! Seja bem-vindo, bem-vinda a mais uma entrevista transformadora. Oi, Maíra Teles, que bom que você tá aqui. Vocês sabem que eu adoro conversar com médico que gosta de conversar com pessoas. Então hoje o meu convidado, eu já sei que ele tem uma missão linda e gosta de conversar com as pessoas, com seus pacientes, tem uma página no Instagram super ativa, aliás, comemorando hoje 60 mil corações em sintonia com a ciência, com as pesquisas e com a medicina do amanhã. Medicina do Amanhã é o título do livro do Dr. Pedro Szczestacki. Acertei! Pedro Szestacki, neurologista, professor, cientista, escritor e palestrante. A gente vai falar sobre saúde cerebral, a gente vai falar sobre células. Sabia que elas ouvem o que a gente fala, o que a gente pensa e o que a gente escuta? Só tô trazendo aqui um, um ponto da nossa prosa, mas a gente vai falar então sobre a medicina do amanhã, o que que a gente tem que fazer hoje para o bem-estar hoje e garantirmos o amanhã. Então eu já vou dividir tela aqui com o doutor, aproveitando e respeitando muito o seu tempo, olhando passar aqui um pedaço do seu dia conosco. Seja muito bem-vindo. Tudo bem, Doutor Pedro?
Tudo ótimo, Isabela. E você?
Muito melhor agora, sabendo que o que você vai falar a partir de agora é chocante.
É chocante, sim.
Não é?
É, é. Foi uma autodescoberta. Tudo começou com uma história pessoal. E que descambou nisso daqui.
Tá aqui, ó. Que lindo!
Então tudo começou quando, perto de 2013, 2014, quando eu tinha aqui nesse meu consultório resultados frustrantes com meus pacientes neurológicos com Parkinson, Alzheimer, epilepsia, dor de cabeça, enxaqueca, enfim. E eu praticamente só tratava os sintomas. E os resultados, eles eram reféns dos remédios. Ok, aí eu passei no concurso para professor aqui da Federal, da Faculdade de Medicina, e no, naqueles exames admissionais, eu me descobri pré-diabético, meu rim tava sofrendo, e ainda por cima, no raio-X de tórax, eu tava cheio de sequelas de coisas que tinham acontecido por ter trabalhado muito tempo dentro de uma emergência. E eu procurava os colegas atrás de respostas para aquelas alterações de exames, e todo mundo me dizia, colegas meus, amigos meus: Pedro, tu tá procurando coisa para te incomodar.
Pelo engovo.
Exato. Vai-te embora, fica na tua, tu tá sem sintomas, são apenas exames laboratoriais. E depois eu entendi que, em outras palavras, eles estavam me dizendo: Pedro, fique doente e volte. Sabe quando te cai a ficha que nós, médicos, somos como se fôssemos um esquadrão da SWAT, um camburão com as armas, e quando vem a doença a gente abre aquela porta e sai atirando? Poxa, por que que a gente tem que deixar que isso aconteça? E aí vem uma série de explicações, desde conveniência para o médico e também para o paciente, O paciente também, ele não é apenas um bom rapaz aqui, uma boa moça, ele também é danadinho, no bom sentido. Ele nega, ele burla, ele espera que fique doente. É, exatamente. Então essa consciência, esse livro propõe mudar tanto a consciência no médico para que ele seja mais proativo na maneira de ser, mas também o paciente. E por favor, indústria do alimento, indústria do remédio, vocês não precisam lucrar tanto assim. Precisa ser 24 bilhões? Não pode ser 23, 22, 20? Então esses 4 personagens, né, médico, paciente, indústria do alimento, indústria do remédio, que ambas se perpetuam, né, o Big Mac já vem com uma estatina junto dentro, né, eles têm que se conversar mais para que Porque o médico não vai perder emprego, nem indústria farmacêutica, nem indústria do alimento, porque os pacientes vão durar mais. Então eles vão ganhar o seu dinheirinho de uma outra forma, não vendendo remédios para tapar furos e que pouco, pouco efeito tem em todos os estudos de longo prazo, mas sim vão ter clientes mais duradouros, mais longevos. É isso que a gente tá buscando, Isabela.
É, pronto, Doutor Pedro. Olha, para quem tá chegando agora, eu estou conversando com o Doutor Pedro Szczestacki. Acertei!
Adoro, hein? Inédito isso!
Eu já pronunciei, já falo, acertei!
Não, o Fernando Rocha que nos conectou, grande Fernando Rocha do Bem-Estar. No dia que eu fui lá no Bem-Estar, nossa, ele arrepiou com meu sobrenome e acabou indo para Pedro, e era isso.
Pedro, aliás, um beijo para o Fernando Rocha, se estiver aqui nos acompanhando, um querido. E temos muitas, muitas pessoas em comum, viu, Pedro? Vendo o seu livro, a própria Mariana Ferrão que fez a apresentação. Enfim, eu fiquei muito feliz em ter essa oportunidade contigo, né, às vésperas do lançamento do livro. A gente tá falando do livro da Medicina do Amanhã. Que só será lançado no dia 10, não é isso?
Isso. Antes disso, ó, conhece aquela instituição ali?
A CD? Sim.
Durante a pré-venda, que vai até o dia 10, pessoal, quem comprar nesse período, toda renda vai para a CD. Então foi uma doação que eu criei junto com a editora Gente. Então, mas só que só vale na pré-venda. Então é uma aposta 20% de desconto, frete grátis para todo o país, e eu vou autografar um por um. Isso aqui, Isabela, é um livro fake, é um outro título.
Eu vi aqui de longe, eu falei: isso é um boneco.
É um boneco que a gente utiliza apenas para demonstrar, mas essa vai ser a capa de fato.
Perfeito, perfeito.
E é isso, obrigado por essa oportunidade.
Não, vai ser ótimo. Nós teremos aqui quase 50 minutos para falar de assuntos que vão mudar a vida de quem quer mudar. Para a gente mudar, a gente tem que ter humildade e aceitar que do jeito que está tem uma coisa errada, porque senão não estaríamos com tanta dor no corpo, na alma, não estaríamos reféns dos remédios, não é? Então, como eu acho esse assunto de extrema relevância para você que tá acompanhando aqui a gente, eu tirei os comentários para que você possa ver o rosto do Dr. Pedro. Mas envie sua pergunta na caixinha aqui de perguntas. Na primeira oportunidade eu vou te incluir aqui na nossa prosa. E envie corações, porque assim o Instagram entende que esse assunto é relevante, e aí essa página, essa entrevista será republicada nas páginas de mais pessoas. Nós vamos falar sobre saúde cerebral, vamos falar sobre saúde Né, Doutor Pedro?
Exato. E não tanto doença, né? Esse é o grande erro das faculdades, né? O foco na doença. Porque a ausência de doença— olha que legal essa frase— não ter doença, a ausência de doença é um efeito colateral, é uma consequência da criação da saúde. A criação da saúde vem antes. E a criação da saúde não tá aqui no meu consultório, não tá no hospital, não tá no posto. A saúde tá na casa das pessoas, tá na forma como elas comem, como elas se relacionam com vizinho, como elas se movimentam. MAP, movimento, alimento, pensamento, daí o MAP, né? Foi a segunda parte do livro, é o MAP, é como empoderar os pacientes com tecnologia acessível do ponto de vista logístico e do ponto de vista financeiro. Gente, a tecnologia vem exponencial para cima em termos de qualidade, exponencial para baixo em termos de preço. Já existe a medicina exponencial no SUS. Sim, sim, isso não é mais um privilégio de poucos. Então esse é o bonito da história.
Agora, doutor, você falou MAP, movimento, alimentação e pensamento. Já já nós vamos falar sobre o MAP.
É porque isso tem consequência direta na saúde cerebral, que eu aprendi que mudando estilo de vida dos meus pacientes Eu melhorava o cérebro deles e já vou explicar por quê.
Então nós vamos por partes, tá, gente? Esse mapa, quando o Fernando Rocha me falou, eu fiquei maluca. Eu falei: nossa, eu preciso entender o que que é isso. Movimento, alimento e paciente. Então vamos lá, para você que está chegando agora, se você acha que nós vamos falar sobre remédios, esqueça, né? Logo no sumário do livro tem lá, né? A saúde não está nos consultórios. Eu acredito também que a cura não está nos remédios. Então, Doutor Pedro, isso faz sentido? Essa é a medicina do amanhã? É a pessoa e não a doença?
Total, total. Eu costumo usar a seguinte comparação: os remédios é a mesma coisa que tentar secar alguém debaixo de um chuveiro com uma pequena toalha. Então você seca aqui o ombro, mas tá jogando, jogando água. Ou seja, os fatores de risco, a questão comportamental do estilo de vida, ela é muito pouco abordada nos consultórios, muito pouco. E ela tem um poder inimaginável, até mesmo não só de prevenção, mas tratamento de doenças ditas intratáveis, como Parkinson, Alzheimer, que eu vejo aqui diariamente.
Quando você fala situação comportamental, são os hábitos daquele paciente e não só isso.
Isso, isso. Esse tipo de comportamento, né, a gente aprendeu com as Blue Zones, que tem um capítulo específico sobre as zonas azuis, de que o hábito ele só é realmente modificado, e nós precisamos disso porque, não sei se você sabe, Isabela, mas pela primeira vez os nossos netos e filhos viveram menos do que nós. Ah, ao contrário do que estávamos pensando, estávamos, nos empolgamos com aquelas curvas, né? Porque até 1900 as pessoas morriam aos 40 anos, e depois deu aquele boom, e agora o boom tá fazendo isso aqui, ó, nos Estados Unidos, é especialmente nos Estados Unidos.
Mais remédios, mais acesso.
É, mas eles só prolongam o processo de morte, prolongam a doença, deixam as pessoas com coração batendo, né, mas sem vida de relação, sem serem funcionais. Então os medicamentos, cuidado, gente. Quando vai ler um estudo, ah, tanta gente ficou mais viva tanto tempo, mas o estudo nunca diz em que situação que ela ficou viva. Eu tenho uma parente que tem 92 anos. Alguém pode dizer: 'Ah, que legal, 92 anos!' Mas é difícil conversar com ela. Então, o sonho de todo ser humano deveria viver entre 90 e 95, que é o tempo que o ser humano deve viver, tá? Eu vou ser, depois de idas e vindas, eu me empolguei com a longevidade, mas acabei nisso. Então o sonho de todo mundo seria morrer entre 90 e 95, bem depois de uma excelente noite com a família, uma janta com os amigos ou com a sua esposa, e morrer dormindo naquela noite. Eu sei que pode parecer algo um pouco estranho para um ocidental que lida com a morte de uma maneira muito, muito disruptiva. Nós não lidamos bem com a morte, Isabela. Nós achamos que ela deva ser postergada de uma maneira artificial ao máximo. Então os orientais estão anos-luz da nossa frente com relação a eles. Já nascem preparados para morrer.
Então quando você diz que nós estamos, nossos filhos e netos viverão menos, é por conta do estilo de vida? É estresse, alimentação?
Total. E não só estresse e alimentação, mas como a hiperconexão digital. O número de suicídios está crescente. É, ele já é 10 vezes mais frequente do que os homicídios. São dados trazidos pelo historiador Yuval Harari, de quem sou muito fã e cito muito ele aqui. E enfim, é um momento de reflexão. A pandemia, ela veio assim para dar uma prova concreta disso, né, da necessidade da gente tá bem do ponto de vista de saúde Nosso intestino, por exemplo, tem que estar bem regado, porque senão a gente padece do COVID. Pegar COVID é uma coisa, padecer dele é outra.
Exato.
E também nos deu a reflexão de cozinhar em casa, de ficar mais tempo com os nossos filhos, com a nossa esposa, almoçar em casa. Claro, ficamos um pouco devendo para os nossos pais, que alguns pais realmente se retiraram, mas aí vem a tecnologia aproximando através dos tablets. Então a tecnologia vai sempre atrás do contato humano. É o contato humano é que realmente rege as regras. A tecnologia nunca vai nos tirar isso.
Então, Doutor Pedro, eu tô entendendo que nós estamos falando de longevidade com qualidade, né? Que de nada adianta, ah, eu quero viver X anos, mas como você quer viver esses anos vai depender da paz agora. Agora tem uma coisa que me chama sempre muita atenção É aqui em São Paulo, pelo menos, outras cidades que eu tenho ido, às vezes eu vejo muita farmácia. A medicina do amanhã está nas farmácias ou está aqui dentro?
Aqui dentro. Inclusive o próprio, a sigla MAP, né, ela, eu no início usava PAN, o pensamento é o primeiro, e no livro tem uma charge, vou dar um spoiler aqui, né, tem uma charge que eu coloco uma fila longuíssima numa porta onde vende remédio, e a fila não existe numa porta que diz estilo de vida. É, nós realmente somos muito atalhadores. O ser humano é um atalhador, sempre foi. E aí, quando passamos a viver num mundo de abundância, ao contrário da escassez há 10 mil anos atrás, nós ficamos completamente fissurados por comida, por remédio, que são mais fáceis do que caminhar, se mover, ou sei lá, procurar um bom amigo. E as pílulas, no entanto, elas tapam apenas um dos 30, 40 buracos do nosso telhado. Então eu não sou anti-medicamento, mas quanto mais MAP, mais estilo de vida, menos medicamento. Quanto menos estilo de vida, mais medicamento. Simples assim.
Perfeito. Quando você fala as pílulas são, resolvem alguns buracos do nosso telhado, de que telhado você tá falando?
Por exemplo, na doença de Alzheimer existem 35 mecanismos pelos quais a doença exerce o seu efeito, né, de declínio cognitivo. E se sabe que o remédio ele corrige 1, 2, 3, 4, 5, e os outros 30 estão no estilo de vida. Com certeza, estilo de vida é responsável por 80 a 90% das mortes. Por 80, 90% de um hospital. É incrível como são preveníveis doenças que deveriam ocorrer aos 80, 90 anos, ocorrem. Tem colegas meus, dois colegas que já morreram de infarto, tem 47.
Então, doutor, você sabe que eu vivi uma experiência com a síndrome de burnout, me recuperei, sempre fico atenta porque agora eu já sei quais são os gatilhos. Eu sempre comparo burnout a diabetes ou hipertensão porque que você tem que estar realmente muito atento, né? Embora eu já saiba que o corpo vai mandando mensagens, né? A dor é uma mensageira, e o burnout envia várias mensagens, mas a gente ignora, acha que tudo é normal. E se você não para no burnout, você vai para o AVC, vai para o infarto, que é esse excesso de estresse e tensão pelo excesso de trabalho, né, por N fatores. Agora nessa, nessa, nessa, mas essa semana mesmo, doutor, eu tô abrindo uma segunda turma para um curso em que eu dei o nome de Produtividade Sustentável.
Que legal!
A gente querer bater meta ou querer fazer tudo e viver uma vida de, né, não precisa nem completar. E é o que estamos vivendo. Então, o que que eu vejo? Pessoas que são muito comprometidas, muito responsáveis, mas que estão com uma necessaire cheia de remédios. Então, o que que você diria para essas pessoas que eu sei que já estão aqui nos acompanhando, que querem viver e não sobreviver, né, equilibrando esses papéis, mas o corpo já tá mandando dor Estilo de vida. Vamos entrar na história do movimento Alimento?
Vamos, vamos. Mas sabe que, Isabela, pode ser solução para o burnout total. Eu acho que o burnout tá bem colocado aqui, até porque 56% dos médicos têm burnout. Então, além de um modelo ser ruim para o paciente, ele também é ruim para o médico, que se vê envolto a papeladas, burocracia, 17 pacientes na mesma tarde. E aí nós passamos por uma coisa que eu acho muito importante a gente falar aqui, Isabela, que é redefinir as nossas métricas de sucesso. O que é sucesso? Até o momento, ter sucesso: ah, o papai chega tarde em casa, papai não tem tempo para nada, mamãe também não. Isso é sucesso, tá no nosso DNA, que isso foi incutido na gente. Da mesma forma que crença que ter um carro do ano, que ter uma casa na praia, isso cria uma situação que obriga o sujeito a ter o cachorro atrás do próprio rabo, né, que tem que fazer, trabalhar que nem um leão todos os dias, matar um leão. E isso obviamente sufoca, esgota, burnout, é colapso, né. Então é uma questão de tempo para pessoa colapsar. Claro, se ela não quiser colapsar, das duas uma: ou ela muda a métrica de sucesso que tá tão enraizada, né, que é bens, ter bens. Pô, eu quando tive, as 4 vezes que eu tive na Califórnia, uma vez na Vale do Silício, eu fui numa festa na casa de um programador em que as pessoas todas estavam de camiseta Hering, calça jeans, ninguém tinha carro, e as pessoas estão sentadas no chão. Preocupadas como melhorar a vida de pessoas e não como pagar contas. Então a gente tem que ser minimalista. Eu acho que eu sou fã do minimalismo e ele devia estar mais presente nas escolas. Os pais deviam dar mais essa mensagem da simplicidade, porque essa simplicidade ela vai fazer com que o sujeito possa trabalhar daqui a pouco das 9h ao meio-dia e depois das 3h às 6h, sei lá. Digo eu. Então são poucos que têm esse privilégio, porque é perverso, né, a necessidade, a competição. Então acho que isso precisa ser redefinido.
Ok, redefinir métricas de sucesso. É, o corpinho não aguenta, as células não aguentam.
Não, não. E cada vez mais as pessoas estão trabalhando com mais idade, então, e não se cuidam, não tem tempo para se cuidar. Então elas se desblindam Tudo bem, se eu for um cara que consiga fazer um MAP de uma maneira decente, que são poucos, eu até posso me aventurar a passar uma noite em claro, duas. Mas imagina isso todos os dias, é muita inflamação, que é o grande vilão dessa história. Não sei se tu sabe, mas existem os 4 Cavaleiros do Apocalipse, né, os vilões reais, estão escritos no livro. Mas é glicose alta, inflamação, excesso de radicais livres nas nossas células, destroem, e encurtamento do telômero, que é uma partezinha do DNA que quanto menor a gente deixa ela ficar, por causa do nosso estilo de vida, mais rápida é nossa vida. Espera, respira.
Que agora o cérebro deu: opa, 4 inimigos!
Esses são os verdadeiros inimigos.
Vamos repetir: glicose alta tem a ver com a alimentação.
Isso. E a inflamação é como se fosse um fogo que corre nas nossas veias, que ele é muito útil para situações agudas. Exemplo: eu bato o dedo numa porta e fica inflamado, aquilo é super útil porque isso exige, demanda reparação daquele tecido que é o meu dedo. Agora, aquela inflamaçãozinha diária, crônica, pequena, que tu nem percebe, mas vai te corroendo, isso tem muito a ver com deficiência nas 3 letrinhas: movimento, sedentarismo, alimento, junk food, e pensamento, que são pensamentos tóxicos, que são pouco sono, muita conexão digital, Isso tudo ele eleva esses cavaleiros do apocalipse que encurtam a nossa vida.
Então vamos lá: glicose alta, inflamação, que é causada pelo estresse, doutor, assim como o radical livre que você falou. Excesso de radical livre é o estresse também, não é?
Isso, todos são causados. O estresse eleva a glicose, aumenta radical livre, e como tu disseste, inflamação. E esse estresse reduzem o telômero.
Encurtamento do telômero, eu nunca tinha ouvido falar nesse termo telômero. O que que é isso, doutor?
Olha só, Prêmio Nobel 2009, Elizabeth Blackburn, grande cientista, descobriu que nós nascemos com um telômero desse tamanho, que é uma perninha do nosso DNA, que nós temos 20 mil genes E são compostos por cromossomos, e nesses cromossomos tem uma perninha. Então, meu filho, 2 anos, ele tem ali 40 mil pares de bases, tá? Tudo bem, não importa o número, mas quando eu tenho 60 anos, dos 40 eu vou para 12, e assim eu vou. Então, quando a gente nasce, é o início do processo de morte. O meu filho tem 2 anos agora e o telômero dele tá milimetricamente menor do que estava quando ele nasceu. E assim segue a vida. Mas o legal que ela descobriu isso é que nós podemos, através do meio ambiente, né, das nossas ações, desacelerar o encurtamento do telômero e, portanto, ter uma vida plena. Recomendo muito o livro O Segredo Está nos Telômeros, que tá ali atrás. Depois eu mostro a capa.
Sim, sim, telômero, se você não não tinha ouvido ainda falar sobre isso. Quando o ouvido tá pronto, a mensagem chega. Essa é uma frase de 6.000 anos, essa frase. Eu repito todos os dias: quando o ouvido tá pronto, a mensagem chega. Muito bom, muito bom. Então, doutor, eu vou voltar ainda nesses inimigos, porque a gente tá convivendo com eles de uma maneira tão inocente E parece, e só cada dia eu vejo que isso é mais perigoso. Então, glicose alta, inflamação e radicais livres, tudo isso é provocado pelo excesso de estresse, faz com que a minha vida encurte.
Traduzindo, total, total. É só a gente ver quando a gente vai numa festa de ex-alunos do colégio, da faculdade, a gente vê quem é que tá com telômero curto. É aquele sujeito que tá 10 anos mais velho. É incrível, é visível. Então hoje existem formas de dosar o telômero através da saliva, mas também a gente pode dosar com um questionário. Por sinal, convido todo mundo a preencher o questionário para saber o tamanho do seu telômero lá no meu site, drpedroneuro.com.br.
Repete, por favor, doutor.
Dr. Pedro Neuro ponto com ponto BR. É uma escala que vai de 0 a 14 e é bem legal porque faz um raio-x de onde você deve enfatizar a sua prevenção.
Eu tinha tirado aqui os comentários, eu vou voltar de novo só para que quem está nos acompanhando veja aqui o seu Instagram, @drpedroneuro. Lá tem o Linktree e ali tem o seu site, né? Então ali tem o questionário, né? Se você ainda não acompanha o doutor, Dr. Pedro Neuro, o preenchimento desse questionário. Eu sempre falo, pesquisa é uma terapia, né, porque a gente pode ver ali alguma coisa e despertar para algo que tava ali adormecido, né, de bobeira. Bom, então tá bom, vou deixar aqui mais um pouquinho, tá, os comentários. Doutor, então tudo bem, o estilo de vida de quem mora numa cidade, não vou nem dizer mais grande cidade, é totalmente diferente de quem mora em contato com a natureza. Ponto, né?
Isso eu costumo dizer para os meus pacientes que moram no interior, né? O interior do estado é um excelente local para criar saúde, mas não é muito bom para tratar doença. E a capital é o contrário. Nossa, verdade, ele não cria muita saúde porque o ambiente é adverso. Ele conspira contra a saúde. Porém, tecnologia médica e tal trata muito bem a doença, de certa forma, né? Mas é uma medicina muito reativa. Então daí vem a medicina dos 5 Ps. O P de proativa é um dos 5 Ps que eu defini nesse livro. Então esse livro, eu empacotei esses conceitos de uma maneira bem amigável. Tu achou difícil a leitura? Não.
Não, não, eu ainda não consegui ler todo, tá, doutor? Já confesso, eu tô grávida.
E aí agora fazendo a segunda turma do curso, mais uma coisa em comum, estamos grávidos.
Ah, sua esposa também?
Também.
Parabéns!
Não vai me dizer que tá com 31 semanas?
Não, eu tô com 19.
Legal, parabéns, Isabela! Parabéns!
Obrigada, minha primeira filha.
Legal, legal. Tá, tu já tem filhos?
Não, é a primeira filha. Filha, tá, aos 40.
Legal, legal. Eu também, né? O Lucas, eu tô com 47, tive aos 45. Essa é uma tendência forte no mundo, né? E muitos estão deixando muito para o final e talvez não consigam Então, entrevista depois sobre isso, doutor, porque eu adoro muito.
É o seguinte, todo o estresse que eu vivi é com até chegar na síndrome de burnout. Então, claro que isso inflamou minhas células, né? O estresse tá registrado nas minhas células. Eu tenho uma herança genética de estresse, vivo em um contexto de estresse e vivi em uma situação uma situação de muito estresse por conta de horário de trabalho, falta de sono e tudo mais. Então, quando eu li ali, né, no seu sumário, que as células elas ouvem o que a gente pensa, fala, sente, eu— minhas células estão estressadas ainda, provavelmente, né? Como não passar isso para bebê? Mas vamos deixar para a próxima entrevista, tá?
Com certeza. É muito assunto, né?
Muito.
Você quer— legal do livro que ele aborda e te dá um pacotinho para depois ter que te aprofundar.
É por isso que eu abri aqui a live dizendo: eu adoro conversar com médicos que gostam de conversar, né, com as pessoas. Essa comunicação é fundamental. Doutor, fala então um pouquinho sobre os 5 Ps desta Medicina do Amanhã. Lembrando, gente, você que está aqui, estou conversando com o Dr. Pedro Szczestacki, neurologista, professor, cientista, escritor, está lançando o livro Medicina do Amanhã. Se você acha que nós estamos falando sobre novos remédios, sobre milagres de consultórios, estamos falando exatamente o contrário disso. Vamos lá, Doutor, 5 Ps.
Então, olha lá, a tecnologia, a medicina do futuro, do amanhã, ela pode ser chamada de 5 Ps, porque tem muita tecnologia que ficou, que eu tentei facilitar para o entendimento. Primeiro P, preditiva, mãe de Ná, ela prevê coisas através do genoma e do microbioma, que é o exame genético das fezes, que se tornou o órgão mais importante do nosso corpo humano, é o intestino, pasme, não é o cérebro, e eu sou neurologista. Então ele prediz, ele consegue predizer. Ao predizer, ele consegue gerar o segundo P de uma forma muito mais assertiva, né, em cheio, que prevenção, medicina preventiva, prevenção de verdade, não uma prevenção assim no escuro. Ok, terceiro P, ele também tá associado, porque o P de proativo e não de reativo. A medicina, ela é totalmente reativa, ela trabalha com a doença. Quando ela, quando ela chega na doença, ela entra em ação. Deveria entrar antes. Então o paciente passa a ser proativo, empoderado por tecnologias como, por exemplo, esse relógio outros vestíveis, outras tecnologias muito bacanas que ajudam o paciente nessa jornada. Depois, o quarto P é de personalizada. Então, a comida ou até o medicamento que para mim fazem bem podem ser destrutivos para ti, Isabel, porque cada indivíduo é um ser único. E a tecnologia veio aí para diferenciar uns dos outros. Então tem a farmacogenética, que hoje se faz em farmácia. Hoje, sabe, o Jorge Puntual, por exemplo, levou 25 anos para acertar o antidepressivo dele, repórter, sendo que ele fez um teste e aí mostrou a droga é essa. E aí ele acertou finalmente a sua droga, seu medicamento psiquiátrico, né, sofrer de depressão. Isso publicamente, né, ele declarou. Então é super personalizada Cada paciente tem um tipo de abordagem, então não dá para tratar o paciente mais como manada. E o último P que eu trouxe, tá, os outros P eles já eram discutidos por um cara chamado Leroy Hood lá da Califórnia, mas é o P de parceria. Isabela, eu não uso avental no meu consultório, eu uso uma cadeira da mesma altura do meu paciente. Eu converso de igual para igual. Primeiro, porque ele tá muito mais empoderado, ele lê coisas. Segundo, porque o parâmetro de atendimento dele é o Mercado Livre, é o Amazon, é a pizza que vem em 15 minutos. Então se igualou muito nesse sentido. E o médico, ele passou a ser uma espécie de curador de informações, um curador de tecnologias. Usa isso e usa aquilo. Ele passou a ser um amigo em prol da resolução de um problema, e não uma autoridade. Médico sabe tudo, paciente sabe nada. Isso aqui perpetuou desde a época de Hipócrates. Até falam que Hipócrates inventou a medicina, mas também inventou o paternalismo, né? Aquela coisa distante, intimidadora quase, do paciente não ter inclusive receio de falar a verdade para o seu médico. Isso é inadmissível.
Tô chocada! Como é que eu ainda não tinha conhecido Dr. Pedro Szczestack antes? Doutor, você é o médico dos sonhos, porque a gente sabe que a realidade ela é bem diferente, né, da que você está nos apresentando aqui. Trago brevemente o que aconteceu comigo quando eu cheguei em um endocrinologista muito conceituado, daquelas consultas de 4 dígitos, e eu relatei tudo que eu tava sentindo, com suspeita de câncer na hipófise, porque era tudo desregulado. O que que ele me deu? Uma metanfetamina. Pera lá, que nós vamos te ajudar então aguentar esse trânsito. E foi aí que, aí que o bicho pegou. Então eu tô dizendo isso por experiência própria, né? Não são todos os médicos, e eu já tô falando que é um médico que tem um valor de consulta muito alto, para a gente não achar também que a questão é o valor que você está pagando para o médico. Não. Então, dependendo da filosofia do médico, ao invés dele te ajudar na cura, ele te ajuda no pifar, que foi o que aconteceu comigo. Mas ok, foi uma experiência. Então foi como colocar pneus novos num carro sem motor. Tomar metanfetamina já No pré-burnout foi a gota d'água. Mas daí vamos lá, então trazendo só aqui esse recorte, eu não tenho um Dr. Pedro Szczestack na minha cidade, né? Mas então eu posso acessar o livro, por exemplo. Inclusive tem uma moça aqui perguntando onde compra o livro. Doutor, já fala para nós.
Livraria Vanguarda, por favor, ó, a CD. Se você comprar pela Amazon, que já está lá, eu estou muito feliz por isso, mas não contabiliza para aqueles caras lá maravilhosos, para CD. Então até dia 9, ou melhor, até dia 10 de fevereiro, compre por favor pela Livraria Vanguarda. O link está no meu Linktree, mas é só digitar Livraria Vanguarda que você vai ter 4 coisas. Doar para CD, frete grátis por todo o Brasil, 20% de desconto, e a minha assinatura aqui, que eu não sei como é que eu vou fazer para autografar 3.000 livros. É a nossa meta, hein?
Ah, vai conseguir sim, doutor, muita energia, né? Inclusive com o próprio mapa, que eu quero que você me conte antes. Tô fazendo igual novela, né, deixando o melhor. O Jaziel faz uma pergunta aqui. Que tem, você tá vendo a pergunta, doutor?
Interessante.
Desacelerar sem perder a produtividade é possível? Eu tô trazendo essa pergunta porque eu acho que é quando a gente ouve que os três inimigos, glicose alta, inflamação, radicais livres, tudo causado pelo estresse, e o estresse tem a ver com a correria, com a tensão, com a pressão. Então como que a gente pode?
É isso, tem vários estudos, né, provando que tempo de trabalho não é sinônimo de produtividade. Que tu rende mais às vezes trabalhando menos, mas com o teu cérebro liberado. É impressionante o número de pessoas com a síndrome do fog brain, que é o cérebro nebuloso, parece uma névoa. Então ele acha que, os médicos acham que isso é TDAH ou que é depressão, que é ansiedade. Na verdade não, o cérebro dele tá envolto, o cara não caminha, então não oxigena o cérebro. Ele tem uma alimentação completamente adversa, que não leva em consideração que 90% do cérebro é formado por água e gordura. Esse é um paciente que sofre dos 4 pensamentos que a Elizabeth Blackburn provou que as células nos escutam, foi ela que provou: ruminação, devaneio, hostilidade e pessimismo. Esses 4 que destroem a célula. Então, como é que vai trabalhar bem assim? Então, desacelerar é a receita. E esse desacelerar é ter tempo para si mesmo e para botar o mapa em dia.
Pronto. Aí, doutor, parece que nós combinamos isso, porque tá na produtividade sustentável, que é o tempo, é se incluir na própria agenda, né? Como a gente vive um contexto em que dormir é perda de tempo, descansar é pra gente preguiçosa, enfim, crenças que só então destroem nossas células. Doutor, fala então para nós sobre o MAP. Você falou sobre quem não caminha não oxigena o cérebro, sobre a movimentação. Quando a gente fala em movimento, em atividade física, tem gente que já: ai, que preguiça desse assunto. Mas não dá mais, né, para ter preguiça desse assunto.
É, mas eu tenho uma notícia boa: você pode se movimentar de uma maneira que vai prevenir Alzheimer, que vai melhorar a sua flora intestinal, que é o microbioma, segundo cérebro, e de bônus vai lhe dar 8 anos a mais de vida. Basta que você tenha algo parecido com isso e caminhe 10 mil passos todos os dias, ou na maior parte dos dias, ao longo da sua vida. Isso não quer dizer que você tem que ir para academia ou para um campo de caminhada. Não. Esses tempos eu caminhei 7 mil passos dentro de casa atrás do meu filho. Te prepara, Isabela.
Então, mas sabe que outro dia eu tava, uma outra médica me falou sobre 7 mil passos, e aí eu sempre fiquei buscando 7 mil passos, mas eu não tenho conseguido muito porque eu tô naquele período que eu já acordo muito cansada, muito inchada.
Agora fica complicado, tá? Mas assim, vocês têm que, dois números, dois números tem que estar presentes, tá? 5.000, abaixo de 5.000, Isabela, te cuida, tá? Mesmo grávida, é muito inflamatório, tá? Porque é o critério de sedentarismo, tá? No 5.000. E 10.000 é o supra sumo. Então, claro, tente habitar esta, este intervalo que você vai ter uma gestação muito mais saudável.
Então, para quem está aqui nos ouvindo, esses relógios que contam passos são uma tecnologia fantástica para a gente ficar entre 5.000 e 10.000 passos. Menos de 5.000, sedentário. Se eu sou sedentário, o que acontece comigo, doutor?
Bom, aí os 4 cavaleiros do apocalipse tomam conta da sua vida, né? Glicose alta e a inflamação são os 2 principais junto com estresse oxidativo, que é os radicais livres, desculpe os jargões, eles vão destruir o teu DNA. Simples assim. Alguns aguentam mais, dependendo da idade, um pouquinho de genética. Nós somos 20% genética e 80% ambiente. Essa que é a grande realidade e a grande sacada, tá? Então, se você tem genes adversos, ah, meu pai teve depressão, ok, Vamos então intensificar no mapa para eu nocautear esse gene, botar esse gene para dormir.
Uau! Vamos lá, movimento.
Isso se chama epigenética, tá? Só para o pessoal dar um—
é não ficar— isso me parece aquelas, aquelas ideias, né? A gente se agarra à genética da família e aí, por conta disso, ao invés de você fazer um caminho contrário, não, você fica ali, porque já que a família tem, né, tá honrando ali, mais ou menos.
Veste o manto, né? E aí, mais outra crença, né?
Nossa Senhora, essa bateu forte aqui, doutor. Saúde cerebral, então, a fórmula para saúde cerebral, que foi o tema. Imagina que o tema principal, tudo é muito importante, nós estamos falando, mas para nossa saúde cerebral movimento, alimento e pensamento. Então, movimento, eu preciso ficar entre 5.000 e 10.000 passos, mais ou menos.
Idealmente, 10.000.
Mais alguma outra recomendação?
De movimento é isso. A musculação, ela não traz benefícios cerebrais diretos. Ou a prancha, o exercício de prancha que tá no programa MAP, que é facílimo de fazer, cai da cama e fica parado. Mas ele, ele te ajuda depois porque ele vai manter o teu músculo mais, porque sabe que existe um Alzheimer do músculo também? Tu já ouviu falar de sarcopenia?
Não.
À medida que a gente envelhece, o nosso músculo ele começa a ficar todo esfarelado assim, ele fica flácido. E aí os nossos ossos começam assim carquilhar, por isso que a gente fica mais baixinho depois. Curta, porque os músculos não seguram a onda. Então musculação é importante muito para te dar independência física, mas o cérebro é passos. Isso é maravilhoso. Então o M tá morto, é isso. E o A, eu peguei a dieta mediterrânea, que é a dieta onde existem os menores níveis de câncer, Alzheimer, infarto. Vai no povo mediterrâneo, um francês, um um português, um italiano, espanhol, eles têm os menores índices. Eu peguei essa dieta e dividi em 7. Então tem 7 coisas que a gente pode premiar o nosso cérebro. Talvez isso pudesse dar uma live, tá? Mas eu vou elencar aqui as mais interessantes que beneficiam o segundo cérebro, que são saladas e fermentados, né? Os fermentados são as próprias bactérias boas. O jejum à noite, porções pequenas, Tentar manter os carboidratos, ó, no meio do dia e evitar nas pontas. Não quer dizer não comer carboidratos, mas enfim, minimizá-los nas pontas, especialmente à noite, que é um ponto fraco, né? A gente arrequenta aquele almoço, a gente toma um vinho, que é um carboidrato. Então essas coisas são mais ou menos o A, tá? Depois tem o P, ele começa com sono.
tá?
E para ter sono reparador, a gente precisa aprender que as 3 horas mais importantes do dia são das 7 da noite às 10 da noite. Porque onde tu janta e começa o processo de desconexão, essas telinhas aqui endiabradas têm que ser desligadas, não pode entrar no quarto. Arranca tua televisão do quarto, começa a botar luzes indiretas, escova os dentes depois da janta, Não antes de dormir, porque quando tu escova antes de dormir, vem aquela rajada de luz como essa aqui, que tá aqui, ó, e faz com que tu pare de produzir melatonina, que é o hormônio do sono. Então já começa aquela vibe meio zen assim, para que você entre 10 e 10:30, mundo ideal, esteja de pijaminha na cama, tá? Mas o P é muito mais que isso. O P é propósito de vida, Ikigai. Isso dá 4 anos a mais de vida para o sujeito, quando tu tem um propósito, uma razão para acordar. Mas tem os pensamentos tóxicos que eu falei, tentar evitá-los com atividades mente-corpo. A meditação, a respiração consciente é um dos maiores antídotos contra os nossos pensamentos intrusivos. Temos mais família, relacionamentos, que em todos os estudos, Isabela, de longevidade, relacionamentos Foi o fator mais importante para determinar longevidade, mais até que fumar. Sabia disso?
Olha, eu não tinha essa informação que você tá passando, mas essa semana eu entrevistei o Abílio Diniz.
Opa lá!
Falou sobre relacionamento do início ao fim. Eu fiquei chocada porque era para a gente falar sobre produtividade, carreira, empreendedorismo. Eu falei assim: gente, quem achava que para você ser uma pessoa de sucesso 'Você só trabalha?' Tá aí um exemplo. E ele mencionou, claro, que foi com muito aprendizado, né? É interessante que a gente aprende com as experiências, mas aprender também com as experiências dos outros, gente, é muita inteligência, né? Você já, opa, você vai ter que escolher, né, de qual estatística você vai querer fazer parte. Doutor, você falou agora sobre o P, pensamento. Então pensamento envolve relacionamento, envolve sono, Sono, autocuidado, né, de uma maneira também eu trago aqui essa palavra, mas você comentou sobre oxigenação do cérebro. Como eu percebo muita tensão no dia a dia das pessoas, estresse e competição e medo, a gente tá respirando muito mal.
Perfeito.
Isso vai também cortando nosso pulmão, não vai? Deixando ele mais frágil.
Total. A respiração torácica, ela é extremamente letal porque ela gera uma sensação no cérebro de que tu tá ansioso. E além disso, ela deixa de absorver 30% o oxigênio. Por isso que as crianças respiram com a barriga. Então quando a gente vai treinar respiração e vai contar os segundos, que no programa MAP é 5, 5, 5 de inspiração e 5 de exalação, a gente estimula a usar o abdômen por esse motivo, para absorver mais oxigênio. E ainda mais, uma respiração consciente, ela aumenta uma área do cérebro chamada hipocampo, que é responsável pela doença de Alzheimer. E ainda mais, estudos recentes, a meditação aumenta o telômero. E meditação, quando eu falo, é lato senso, né? É qualquer coisa que tu faça com consciência, com presença.
Respira, gente.
É muita informação.
Falta 5 ou segura entre a inspiração e expiração?
Tem vários protocolos, né? Para simplificar, eu fiz a respiração 5-5, mas dá para fazer 5 de ins, 5 paradinho e 5 de ex. E aquilo te obriga a viver o presente, que é o grande problema do ser humano, o devaneio do futuro. Devaneio do passado, que gera ansiedade, depressão. Então são momentos de ouro na nossa vida, o momento que a gente consegue viver o presente, porque é quando as nossas células ficam felizes. Agora, outra coisa é tu tá com teus familiares na mesa no celular, ou comer vendo TV. Tu não tá vivendo aquele momento. E além de comer mais Você tá fazendo mal para suas células.
A gente vai respirar mais uma vez, doutor. Nós temos 10 minutos ainda e eu queria ainda falar um pouquinho mais sobre células, se você não se importar.
Claro.
Outro dia eu tava conversando com alguns médicos da Associação Brasileira de Hematologia. Então eu pedi para assim, gente, é verdade que as nossas células mudam do bom dia ao boa noite? E eles me disseram que sim, ou seja, células elas estão o tempo inteiro. Então eu acredito que as nossas ideias também mudam, tudo está em constante mudança, mas existe muita resistência, né, porque aí o cérebro entende isso como gasto de energia. Então como que eu posso manter a célula em movimento, oxigenando o meu cérebro, oxigenando Oxigenando as minhas células. Diante desse contexto que nós estamos vivendo, eu preciso ter muito comprometimento com essa mudança. Eu posso ler o livro várias vezes, mas se eu não colocar em prática, de nada vai adiantar.
A medicina não é feita de teoria, o mundo tá cheio, né, como dizem alguns. Realmente Eu vou te dizer uma coisa um pouco que vai gerar um certo choque nas pessoas que estão nos ouvindo aqui. Eu sou completamente descrente, cético, com relação à mudança de hábito, do estilo: vou começar a fazer isso ou aquilo, comer melhor e movimentar. Os estudos são decepcionantes. A curva de recaída É assim, em 6 meses, menos de 2% estão fazendo aquilo que se propuseram. Por quê? Porque isso, que o nosso cérebro, de forma evolutiva, ele não foi feito para mudar, ele só aprende. É aquela coisa da teoria e prática. Então, para mim, na minha opinião, e do Daniel Bittner, tá, que é um dos caras que eu mais leio, que tá aqui também, o escritor do Zonas Azuis, não perca tempo querendo mudar hábito. Não perca seu tempo. Vou repetir: não existe mudança de hábito que seja sustentável. Até tomar remédio, depois de um ano cai para 10%, só que toma o remédio de maneira, né, diária. O hipertenso, vamos dizer assim, o diabético, eles tomam remédio muito mal. Até isso eles não conseguem fazer. Por quê? Mude o seu ambiente. Dá um exemplo. Já dei o exemplo da televisão. Ah, tô com insônia e não quero abrir mão da minha televisão no quarto. Então você não vai dormir porque você vai cair na tentação de ligar. Ah, eu não tomo refri, mas eu deixo os refris ali porque se acaso podem vir visitas. Dane-se as visitas! Quer caminhar? Vende o carro. Eu fiquei 5 anos sem carro, não morri, tô vivo. 5 anos. Comprei agora porque nós vamos ter um outro filho. Então, sirva-se na cozinha, não bote aquela travessa na mesa em que nós viemos, nós viemos da escassez. Nossos pais sofreram muito no pós-guerra e eles não admitem que tu deixe nada no prato. Só que a qualidade do alimento mudou muito nos últimos anos, ele tá todo adulterado, tá todo geneticamente modificados, são alimentos inflamatórios que a gente come até embuchar porque acha que vai ficar com fome, vai morrer. Ser humano há pouco tempo atrás comia uma vez por semana.
Mas, Dr. Pedro, e aí?
Então, mude o ambiente, porque o ambiente facilita escolhas saudáveis, ele facilita hábitos saudáveis, porque a escolha mais saudável é sempre a primeira. É o que tu olha para o lado. Então, se tu enche a tua geladeira de maravilhas, tu até pode comer demais, mas serão maravilhas.
Ah, entendi. Mas aí, tudo bem, eu mudei o meu ambiente, eu fiz o que eu pude, né, dentro das condições que eu tenho. Mas e o meu nível de comprometimento? Eu preciso tentar, como você disse, a escovar o dente depois da refeição e não antes de dormir, né? Logo depois da janta, e não antes de dormir. Isso é um hábito que eu vou ter que mudar?
É um hábito assim, idealmente, quando for projetar tua casa, que o banheiro fique perto da sala de jantar, por exemplo. Então é tudo assim lá em casa. A gente só assiste TV em puffs e não usamos controle remoto. E cada vez que a gente tem que mudar canal, a gente levanta. Então já tô trabalhando minha musculatura. Outra coisa que a gente fez para o Lucas, que é meu filho, que ele ia mexer, nós trancamos ali a internet, botamos um cadeado de metal. E aí nos dá preguiça de às vezes de mudar, de ver televisão, que tem que ir lá e fazer. Então a gente acaba não vendo TV. Então são coisas assim, gente, que se a gente não tomar, não renunciar alguma coisinha, vai ser difícil a gente viver sobre o cabresto, sabe, sobre tensão assim. 'Vou ter que fazer, vou ter que—' Não funciona.
Renúncia. O que é uma palavra totalmente contra tudo que a maior parte das tecnologias vendem, que é conforto, que é praticidade. Por isso que eu gosto da palavra 'abraço à desconveniência'.
Não é inconveniência, é desconveniência. Use escadas. Trave uma batalha contra os elevadores. Eu até tinha um projeto de lei, devia ter, né? Tem que botar uma moeda para subir de elevador. Imagina, imagina a bolada que ia, que o governo ia arrecadar. Mas enfim, é isso, abrace a desconveniência. Por que que tu tem que deixar teu carro na frente do restaurante? Qual é o problema de deixar algumas quadras? Aquele estresse do shopping, tem que ir no lugar mais perto. Por quê? Porque a gente é atalhador, conveniência. Essa conveniência, ela é interessante, mas a longo prazo ela é destrutiva. E conveniência, lavar a louça, fazer jardinagem, lavar a casa, cara, são coisas maravilhosas, interessantíssimas.
Eu tô aproveitando aqui, doutor, tudo que você tá dizendo, porque faz todo sentido. E me incomoda demais ver tanta farmácia nas esquinas. E eu mesmo ontem tive que ir à farmácia comprar um sabonete do rosto, e aí eu vi uma senhora enchendo a cestinha e ela ficou ali um tempão falando dos remédios e Aqui não me deixa triste, porque a gente sabe que isso é uma realidade. A gente vai buscar, né, nos atalhos respostas para as nossas dores. E eu queria que você repetisse então, doutor, a fórmula então para a saúde cerebral nesses últimos minutos que nós temos, e suas considerações finais a partir delas, para a gente poder garantir o nosso amanhã. Com qualidade.
Então olha só, gente, 3 letras: MAP. Movimento, lembre-se, 10 mil passos. Alimento, lembre-se de um italiano, de um francês, de um espanhol, de um português. Comida mediterrânea, estude isso, digite no Google e você vai ver maravilhas. Não é nada, nenhum sofrimento. Olha para um francês, tu acha que ele tá sofrendo comendo a sua comida? Paradoxo francês, os caras comem pouco mas com muita qualidade e vivem anos. E por sinal, a pessoa mais longeva do mundo é uma francesa, sabia? 122, Jeanne Calment. Uau! É, Jeanne Calment, ela morreu já em 97, mas ela foi namorada do Van Gogh. Olha só, teve um casinho com Van Gogh. E depois o P, gente, o P é muita coisa, mas a respiração ela simboliza muita coisa, quase tudo isso, porque a respiração ela pressupõe contemplação, autoconhecimento. Então ela tem a ver com sono, tem a ver com propósito de vida, com pensamentos tóxicos. Em relacionamentos, porque te faz ser mais escutador do que falador. Então é isso: passos, comida mediterrânea e respiração. Abraça essa ideia.
Medicina do Amanhã. Repete então, por favor, doutor, o seu livro, como quem está aqui nos acompanhando pode adquirir, porque o doutor Pedro que não está em todas as cidades, né? Ele não está nos consultórios que nós temos a chance de ir. Porque esse é o sonho, né, doutor? É você é conter uma conversa, ser ouvido. Hoje eu ouço muitas pessoas reclamando que não conseguem trocar com o médico. Então vamos lá, livro Medicina do Amanhã.
Esse livro aqui que eu considero que vai incomodar muita gente porque vai abalar o status quo. Porém, a médio e longo prazo, as pessoas vão entender que isso aqui é tão bom para o médico quanto para o paciente, porque vão deixá-los muito mais à vontade, muito mais felizes. Acho que esse é o ponto também, né, deixá-los livres do burnout. E esse livro, ele é dividido em dois. A primeira parte fala sobre o futuro, Medicina dos 5 Ps, e a segunda sobre o MAP, que acabamos de falar. E eu espero que esse deixa um legado para estudantes de medicina, para pacientes se autocuidarem, e para médicos pensarem muito mais em criar saúde do que tratar doença.
Criar saúde do que tratar doença. Aí você vai ter que escolher de qual estatística você vai fazer parte, né? É prevenir, se cuidar ou tratar. Exatamente. Doutor Pedro, foi espetacular. Muito obrigada, confiança. Foi uma conversa aqui enriquecedora. Tenho certeza que todos que passaram aqui por essa entrevista, que vão assistir depois, a live ficará gravada, tá, gente, tanto aqui no meu Instagram, no YouTube, transmitido também para o doutor, se precisar desse conteúdo. E parabéns, que bom que temos pessoas Médicos como você me devolvem a esperança no ser humano.
Que legal, que legal! Olha, obrigado pela oportunidade de ser entrevistado, enfim, ser questionado de maneira tão— que tirou de mim exatamente o que eu queria falar. Obrigado por conduzir isso, porque às vezes no afã de comunicar a gente fica um pouco desorganizado, mas tu me conduziste muito bem e maravilhosamente bem. Eu tô honrado de estar aqui porque eu já conheço o teu trabalho há muito tempo. E é isso, a minha carinha vai estar lá no teu IGTV. Eu vou ficar, já estou realizado. Obrigado, hein!
Eu que agradeço. Para você que está nos acompanhando e ainda não está seguindo, tá aqui, ó, voltei os comentários para você pegar: @drpedroneuro, Dr. Pedro Neuro, autor do livro Medicina do Amanhã. Tem lá um encaminhamento inclusive para você adquirir o livro agora na pré-venda para contribuir inclusive com a ACD. Então escolha, escolha a informação correta, porque olha que o Marcelo Campani: Doutor Pedro é fora da curva. É mesmo, obrigado, Marcelo. Fernando, se estiver nos ouvindo, Fernando Rocha, muito obrigada. E doutor, falaremos em breve, tá? Parabéns pela gestação da sua esposa, parabéns pelo livro. Um beijo na Roseli também, da Editora Gente, e vamos juntos!
Legal, obrigado! Saúde, doutor!
Essa conversa é isso. Você que escolheu estar aqui comigo com o Doutor Pedro, muito obrigada pelo seu tempo, pela sua confiança. Eu espero que essa prosa tenha te transformado como transformou a mim. Tô vendo aqui já muitos comentários de pessoas que gostaram. Tribom, Sinira, deve ser ali também da região do Doutor. Enfim, muitos aprendizados. A live ficará gravada. Se você gostou— oi, Lohane, querida, amanhã estaremos juntas— compartilhe. As palavras são sementes. E se fez sentido para você, se alegrou, se floresceu o seu jardim, você pode ajudar a alegrar, conhecer outros jardins. Às 7:30 eu tô de volta em uma live especial sobre produtividade sustentável. Então vai ter muito do que o Dr. Pedro falou, a gente nem combinou. É realmente para você ver como é possível a gente trabalhar com saúde, só que para isso você vai ter que decidir mudar alguns comportamentos crenças, mexer no ambiente, como o Dr. Pedro falou, tá? Então eu volto 7:30. Mande suas dúvidas e venha comigo. Bom descanso, até já!
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








