Menos competição mais colaboração - Live com Cris Tamer

Cris Tamer e Isabela Camargo discutem saúde mental, sono e limites profissionais em tempos de isolamento. Abordam rotinas práticas como desligar o celular antes de dormir, atualizar prioridades e trocar competição por colaboração para evitar burnout.
Chapters
Bom dia. Vou chamar a Isabela. Chamando a Isabela. Bom dia, Danieli. Isabela entrou. Wagner, Vitor, Adriana, Cíntia, Hels, Bob, Mariane. A Fernanda, oi Fê! Denise Calazans, que bom! Sejam bem-vindas, sejam bem-vindos, já chamei a Isabela aqui, esperando ela entrar. Como vocês estão? A Juhanzine querida, que bom ver tanta gente querida aqui, seguidoras e seguidores que eu já conheço de nome. Isa, eu já te chamei, é só você aceitar. Gente, tá um dia maravilhoso em São Paulo, não sei onde vocês estão, mas aqui a gente acordou com um dia, céu azul, sol, como é bom, não? Oi, Fernanda. Viviane. Estilo Diva. Isabela, você me viu? que eu já te mandei. Deixa eu mandar aqui de novo. A Juliana falando que em Brasília também tá lindo. Clau, psicóloga, Joana, Isabela. Oi, meu amor, já mandei pra você, viu, Isabela? Só você aceita aí, que eu já te mandei. A Ana Cris tá no Rio, também falou que tá lindo. Achou, Isabela? Me viu aí? Tô aqui, eu sei, eu já aceitei você Tô só esperando você aceitar o meu request, que eu já te coloquei Waiting for Isabela Camargo Real, tá escrito aqui Oi, Hélio, seja bem-vindo, solicitei Eu também, é só você agora aceitar Oi, Estelinha, bom dia, querida Respirou, mandei outro já. Espera aí, vou te mandar outro. Pronto, mandei outro. Acho que agora vai. Às vezes tem essas coisinhas antes, né? Isso quando não cai. E aí tem que recomeçar, mas esse horário eu acho ótimo. Gente, como eu gosto de fazer live de manhã. Vou sair e entrar novamente, Isabela. Eu acho que a gente já entra com uma predisposição diferente, não é no final do dia, onde às vezes as pessoas já estão mais cansadas. Siladeira Cris, oi gente. Eu tô gostando porque eu nunca tive oportunidade, Entrou de novo, então vamos lá. De conseguir falar com vocês... Peraí. Pronto, Bela. Deu certo agora? Já aceitei aqui. Aê! Olha que fundo lindo de natureza!
Eu demorei porque eu tava procurando esse fundo, viu Cris? Especialmente pra você.
Ai, Iza, que delícia você tá num lugar assim!
Oi, P.A.! É, P.A., também um beijo!
Que legal, Isa, que bom que você tá aqui, obrigada por ter aceitado o meu convite Você sabe que eu adoro você, adoro conversar com você, como eu escrevi ontem, é verdade Todas as vezes que a gente se encontrou, algumas a gente marcou de almoçar, de se encontrar, a gente sempre teve conversas significativas brincadeira, leveza, muita coisa junto, mas sempre todas as nossas conversas tiveram coisas significativas. E eu me lembro muito de quando você estava escrevendo o seu livro sobre o tempo, quando a gente conversou, a gente estava lá no Manioca de Guatemi, você lembra disso?
Claro, foi um encontro muito agradável, muito gostoso.
É verdade. E aí eu tenho acompanhado De lá pra cá, a gente já teve outras oportunidades de conversar E eu pude ver, Isabela, o quanto você realmente se voltou a contribuir pro mundo, pras pessoas, pra comunidade Pra gente viver uma vida mais plena, no sentido de buscar cada vez mais A saúde mental, da gente se conectar e se reconectar com aquilo que é verdadeiro, que é importante pra gente E eu gostaria que você falasse um pouco dessa sua experiência Cris, bom dia.
Pra você, bom dia pra todos É um privilégio estar aqui, sabadão lindo, vocês que estão escolhendo passar esse tempo conosco. Eu espero que seja útil o que a gente vai trocar. As palavras são sementes, então eu sempre gosto de fazer essa abertura, porque com tantas lives, tantas coisas pra gente fazer, vocês escolheram estar aqui. Cris, esse momento que a gente tá vivendo de isolamento tem permitido tantas trocas incríveis, né? Eu fiz uma live com o P.A. também. e agora tá com você, eu tenho certeza que só vai somar. Sobre a questão da saúde mental, eu acho que esse assunto deixou de ser o patinho feio das conversas e agora ele está ganhando mais, ele está ganhando a dignidade que sempre mereceu. Por quê? Tá ficando cada vez mais claro que o nosso corpo e a nossa mente são a mesma coisa. Mas nos últimos séculos nós vivemos tantos preconceitos e caminhos muito distantes do mais importante que é cuidar do cérebro. Veja, a gente sempre teve conversas do cuide do corpo, faça exercício, alimentação, mas só isso não basta. Você precisa cuidar do seu cérebro e eu também entendo como isso pode parecer difícil no primeiro momento porque ninguém nos ensina isso. A gente tem muito mais falas, como eu disse, da academia, do corpo, do culto ao corpo, da alimentação. E cuidar do cérebro é cuidar da vida, é amor próprio, é você se colocar em primeiro lugar. Então saúde mental, se eu pudesse resumir em uma palavra, é autocuidado. E autocuidado, Cris, é você se colocar como prioridade, mas isso não é só da boca pra fora. É fazer uma coisa que a gente não costuma, é se colocar na agenda, é marcar reunião com você. Autocuidado é aquilo que só você pode fazer por você. Começa desde os cuidados pessoais, como escovar o dente, tá? Quando eu falo isso, todo mundo fica, nossa, escovar o dente? Sim, quantas pessoas aqui já não disseram, nossa, não tenho tempo nem de tomar banho, ou minha vida tá tão corrida que eu não tenho tempo pra nada. E aí, o autocuidado, ele passa desde as questões pessoais, mais simples que vocês podem imaginar, até as terapias, até os cursos em que nós podemos fazer pra melhorar para trazer mais conhecimento, para somar com tudo aquilo que você vive. E uma coisa muito importante, Cris, que a gente abre mão logo de cara quando a gente enche demais a nossa agenda, são as nossas horas de sono. A gente acha que dormir pouco não vai interferir no nosso rendimento, nossa produtividade, Mas a falta de sono regular faz a gente pensar pior, decidir pior, agir com mais impulso. Você acaba gastando muito mais energia do que deveria pra coisa simples. Então, a saúde mental tem a ver com o autocuidado, o autocuidado tem a ver com os cuidados pessoais e o sono. Se alguém me perguntasse assim, ah, tá bom, então, além de eu ter tempo pra escovar o dente e tomar banho, o que você recomenda? Dormir. E aí, Cris, eu já vou emendar.
Aqui num outro assunto, Posso te fazer uma pergunta antes? E você, Isabela, você é uma pessoa que pode falar isso porque você vivenciou isso Você experienciou isso, não é uma teoria só que você coloca e fala, não, porque isso é importante Eu gosto muito da Rihanna Huffington, do The Huffington Post E ela falou que assim como você fala muito dessa coisa da gente.
Ter que dormir Ela viveu uma experiência muito negativa de excesso de trabalho Pois.
É, e são pessoas que podem falar, porque falaram Porque passaram por essa experiência, fala Eu sei o que é privação de sono Eu sei a consequência disso pra sua vida e não é nada legal, né?
É, Cris, a privação de sono pode acontecer voluntariamente e involuntariamente Involuntariamente é quando você tem que dar conta de um turno de trabalho, quando você tem que ter uma dinâmica de trabalho em que simplesmente não dá tempo de dormir. Essa é a privação de sono involuntária. A privação de sono voluntária é aquela que a gente conscientemente faz mais coisas do que deveria. Ou estende a noite assistindo uma série ou fazendo mais atividades. Não que isso não seja bom. O problema é quando isso se torna frequente. Então, eu quero dar aqui um beijo pra doutora Ana Paula, a gente fez uma live outro dia, o Cris, a doutora Ana Paula é neurologista, ela tá dizendo, né, afeta o sistema imunológico além da saúde mental. O sono, Cris, eu poderia ficar aqui horas falando com vocês sobre isso, Se você não dorme bem, como eu falei, você não pensa bem, não decide bem, e você reduz a sua imunidade. Reduzindo a imunidade, o que acontece? Você fica mais doente, você acaba desenvolvendo mais patologias, mais infecções, mais alergias. Então, a nossa sociedade como um todo está despertando... Olha que engraçado! Eu preciso despertar para dormir melhor, porque não nos é colocado o sono como uma prioridade. Assim como exercício físico, tem que fazer exercício físico, tem que se alimentar bem. Isso também é importante. Só que se você fizer tudo isso e não dormir bem, não vai adiantar. Então, a questão da privação de sono involuntária fica fácil de entender. Agora, privação de sono voluntária é quando você não se dá conta das consequências negativas das suas atitudes. E aí pra isso, Cris, então eu já emendo aqui no assunto, é a questão da atualização de identidade. Por que que isso é tão importante? Porque quando a gente tem 20 e poucos anos, Cris, a gente pode ter hábitos um pouco menos...
É grave.
Quando você tem 20 e poucos anos, você dorme pouco numa noite e no dia seguinte você continua produzindo e o raciocínio tá genial e tudo mais. Quem aqui nunca foi pra uma balada com 20 e poucos anos, dormiu 4, 5 horas e no dia seguinte fala, nossa, eu dormi super pouco e tô ótimo. Com vinte e poucos anos isso rola, com trinta e poucos vai ter um pouco mais de consequência Quarenta e assim por diante, então o que eu quero dizer? Antes de eu dizer o que eu quero dizer, Juliana diz Acho até que tem um certo estímulo a não dormir, concordo Juliana Pra não perder tempo, é verdade Cris, você já ouviu aquelas pessoas que quando viajam falam Ah, não vou dormir em dólar, não vou dormir em euro Né? Ou Eu ouço muitos professores que cobram o rendimento dos alunos e falam, o que você fez da meia-noite às seis? Eu ouvi muito isso. Então realmente a gente vem de crenças e falas e estímulos, como eu te falei no início, que não nos colocam o sono como prioridade. Aí soma essas crenças, esse estímulo, como a Juliana falou, mais a falta de atualização de identidade. que é quando você acha que você pode fazer hoje o que você fazia antes. Fez sentido?
Completamente.
Isso vai?
Porque até me remete quando eu era mesmo mais jovem que eu sempre tive uma necessidade mais curta de sono e às vezes eu falo, não, mas eu durmo pouco e me recupero e não é mais dessa forma e não é já há algum tempo E eu percebo que eu preciso e que o dia é melhor mesmo quando a gente tá descansado e não são as horas de sono Acho que uma coisa importante, Isabela, é uma rotina de dormir e acordar mais ou menos no mesmo horário também Não sei se isso faz sentido pra.
Você também Total, total Cris. Eu converso muito com o pessoal da Associação Brasileira do Sono e do Instituto do Sono Se eu falar que o número de doenças que nós podemos desenvolver por dormir mal é chocante. Todo mundo vai sair daqui, vai deixar lá e vai dormir. Porque isso não é divulgado. Muitas pessoas não sabem que se você dormir mal, você não produz hormônios muito importantes, os hormônios do bem. E a quantidade de doenças que você pode ter, Cris, é chocante. Inclusive, você pode desenvolver cinco doenças graves auto-imune simplesmente por não dormir, por não se colocar na agenda. Faz sentido? Então, o sono, gente, que bom poder começar essa live falando disso, que pra mim é a coisa mais importante. Inclusive, depois de tudo que eu vivi, o sono hoje pra mim é a coisa mais importante. Eu, assim, luto com unhas e dentes pelas minhas horas de sono. Só que tem uma coisa. Vamos lá, também, né? Eu não sou melhor ou pior do que ninguém. Se eu, hoje, tiver que dormir menos porque você tá me convidando pra uma festa, Cris... Eu vou pra essa festa, eu vou fazer isso com consciência e amanhã eu vou tentar recuperar. O que eu não posso é ter a frequência deste sono irregular. Eu não posso ter a frequência da falta de autocuidado. Então se numa semana eu extrapolei a minha agenda, eu extrapolei a minha saúde, na outra eu vou ter que compensar. E hoje eu faço isso. Por preencher a agenda muitas vezes, hoje eu Toma o cuidado, claro que nem sempre eu consigo, de se um dia eu sobrecarreguei ela, no dia seguinte eu vou ter que reduzir, sabe? Então a falta de sono é o primeiro item que pode te tirar do eixo. Então não adianta você meditar, comer bem, fazer exercício, fazer uma pós-graduação, ou seja, pensar em vários aspectos da sua vida se você não priorizar o seu sono. Então eu sugiro a atualização de identidade pra quem tá nos ouvindo, E não fazer uma agenda de 24 horas como se ela tivesse 36. Porque aí volta o que você falou no início, aliás, obrigada por ter comentado. Todo mundo que acha que o tempo tá passando mais rápido, tá colocando mais compromissos na agenda. E no livro que eu lanço daqui a uns meses, eu coloco a fala de Eu tive o privilégio de entrevistar um monte de astrônomo, cosmólogo, físico, muito graduada. E todos eles já disseram. Vou dar um spoiler aqui, tal que tá no livro. O tempo tá passando mais rápido?
Não.
A Terra continua girando em torno do próprio eixo em média 24 horas por dia. Continua em média girando em torno do Sol 365 dias por ano. É óbvio, Cris, é óbvio que a gente tá fazendo muito mais coisa dentro do tempo. A gente não tem os momentos de pausa entre uma atividade e outra. Você tá com o telefone o tempo inteiro na mão, então aquilo que antes você fazia sem consumir cérebro com informação, hoje você tá sobrecarregando a máquina. Como? Indo no banheiro com o telefone, dentro do elevador com o telefone. Então aqueles espaços, aqueles micro espaços de pausa que eram muito importantes, você ignora, achando que não vai ter consequência nenhuma e vai ter. Especialmente se a gente passar os calendários e não entender que as nossas células mudam, que as suas necessidades biológicas mudam. Então não é só fora, é dentro. Então, se eu já tô sabendo que fora, tá tudo dentro da média, eu preciso me cuidar muito pra não terceirizar, sabe? Começar a botar a culpa no tempo.
Ah, é o trabalho que tá me demandando muito. Ah, é a pós que faz com que eu fique estudando de madrugada. Ah, são as crianças que me demandam muito durante o dia. À noite eu quero ter um tempo pra mim, aí você acha que esse tempo é você ficar no celular, é você assistir a série, é você... Você.
Vai ter que escolher. Assim como a gente escolhe a roupa que nós vamos vestir, o que nós vamos comer, você vai ter que escolher o que você vai colocar na agenda. E você vai ter que escolher se colocar como prioridade. E aí existe, você comentou agora, o trabalho demanda, os filhos demandam, o mundo demanda. Muitos momentos, aí agora volta a questão de ser voluntário ou involuntário Muitas pessoas não têm alternativa para a sobrecarga de trabalho A única alternativa, depois que você já começa a desenvolver certas doenças, é sair daquele ambiente Aí entra uma outra coisa Num país com crises constantes, com 13 milhões de desempregados Eu vou ter que ter uma reserva financeira, vou ter que planejar também essa saída Entende, Cris? Então assim, a resposta, ela não é simples. Ela existe. Mas você vai ter que pensar.
Isabela, eu ouvi uma coisa tão genial um dia desses. É assim, guardar dinheiro para os seus nãos.
Perfeito.
Eu achei perfeito, não é essa coisa de não quero guardar por causa de não sei o que Não precisa ter, é guardar para os seus não, é exatamente isso Olha, eu não quero isso agora, então você pode fazer E aí ela ainda foi mais pragmática, ela fala, pensa em três meses Que geralmente é um tempo mesmo que a gente precisa para pensar Para ir atrás, correr atrás de outras oportunidades Mas eu achei a frase genial, guardar dinheiro para os seus.
Não Especialmente os profissionais, porque muitas vezes a gente tem que dizer sim pra mais trabalho, pra condições que a gente já sabe que vão custar muito caro, vão custar muito caro. E aí vai vir a insegurança, com certeza, de você tomar uma atitude mais drástica, porque a gente tem responsabilidades financeiras, familiares, xis. Então, onde eu quero chegar? você vai ouvir pessoas dizendo, ah, eu não posso dizer não, tanto que nas minhas palestras eu coloco treinar ou não, agora eu não posso, por enquanto não, ou por quanto tempo eu vou acumular essa atividade, inclusive para quem está nos ouvindo, se não está vivendo isso, ou conhece alguém que vive pelo menos, quem não perdeu emprego vai acabar acumulando emprego de quem foi mandado embora Muitas pessoas vão ter uma sobrecarga de trabalho tremenda, eu não preciso nem ser vidente pra saber disso E aí como é que essas pessoas vão manter a sua saúde? Perguntando por quanto tempo qual a expectativa em relação a esse excesso, esse acúmulo de trabalho, e deixar muito claro para o seu líder, para o seu gestor, assim, olha, eu vou fazer o melhor que eu puder, só que a hora que esse resultado for comprometido, nós vamos ter que conversar de novo.
Antes da gente entrar num assunto, na verdade, eu quero até continuar, porque você também falou de uma coisa essa semana no serviço, é que eu gostei muito que é você colocar limites nos limites.
É, esse é o nome da minha palestra, Como Encontrar Limites no Mundo Sem Limites. É, Como Encontrar Limites no Mundo Sem Limites.
Genial, Isabela, eu não sabia que era o nome da sua palestra, eu vi no seu Insta e eu falei, nossa, que frase boa, que reflexão boa.
É, não é fácil, porque como eu disse, nós vivemos numa sociedade do express, tudo express. A gente quer a entrega da nossa comida cada vez mais rápido, a gente quer a instalação de algo que você contrata mais rápido, tudo express. Só que a gente vive num mundo digital, express, mas o nosso cérebro ainda é analógico. O nosso corpo ainda é muito parecido com o Homem das Cavernas. Então tudo pode ter mudado. A forma de se comunicar, de trabalhar, só que o nosso corpo, Cris, as nossas necessidades ainda são dos tempos das cavernas. Então, eu tava conversando até com algum especialista ontem ou anteontem e a gente tava dizendo justamente isso. Aí volta a questão do sono, né? Tanta coisa mudou, mas o sono continua igual. E aí volta a questão do mundo sem limites. Então, você vive num mundo em que você ouve que Nunca ninguém morreu de trabalhar. Crença que não funciona mais. Morre-se de trabalhar sim. No Japão chama Karoshi e na China Guolaose. Pessoas que morrem subitamente por excesso de trabalho. Outra crença. Você não precisa dormir, né? Você vai dormir quando você morrer. Bobagem, porque aí você vai adoecer demais. Antigamente, as pessoas buscavam um trabalho estável. O sono era de alguém entrar numa empresa e ficar 20, 30 anos Hoje isso já não combina mais com... Inclusive eu ouvi isso de vários futuristas Os trabalhos do futuro vão nos exigir cada vez mais habilidades humanas A gente não vai competir com o que a máquina faz melhor que a gente Nós teremos mais espaço para aquilo que as máquinas não fazem Então, encontrar limites nesse mundo sem limites é revisar não só a identidade, mas essas crenças que não combinam mais com este modus operandi que nós estamos vivendo. Então, nós vivemos numa sociedade que exige produtividade o tempo inteiro, disponibilidade o tempo inteiro, 24 por 7, 365 dias. Então, é claro, né, Cris, que se a gente não parar para colocar limite, o que você vai ficar? Doente. Simples assim. Eu não quero passar imagem de reclamor, que fala de doença, mas eu tenho essa responsabilidade como comunicadora transmitir essa informação. E aí cada atitude, cada pessoa vai sair dessa live pensando alguma coisa. Mas eu preciso dizer o que acontece quando você não se coloca como prioridade.
Como você construiu a sua rotina de sono, Isabela, de uma maneira muito prática? A que horas hoje você vai pra cama? Como é esse ritual do antes de dormir? Como é que você acorda? A que horas você acorda?
Eu vou colocar meu marido aqui pra falar com você porque esse é o motivo, essa foi a principal mudança na minha vida O que que aconteceu depois de eu ter me recuperado do burnout agora? Eu não tomo mais remédio pra dormir, eu vou Eu gosto de estar na cama nove, meia, dez horas e adoro acordar às seis da manhã. Então o meu corpo precisa de oito horas. Isso é um sono médio. Tem os pequenos dormidores que se sentem muito bem com seis horas e tem os grandes dormidores que precisam de nove. Então, hoje, eu reduzo os estimulantes café, né? Então, tipo, depois das 5 horas, an-an, chega de café Eu... Todo mundo aqui dá aquela checada nas redes sociais, WhatsApp, antes de dormir Eu faço isso em pé do lado da cama, não deito na cama com o celular, por quê? porque eu em pé do lado da cama, depois de uns 5 minutos, eu já começo a ficar com as pernas cansadas, né? Depois de um dia inteiro batendo perna.
Isabela, essa dica é ótima.
É, outro dia eu falei isso com a Galisteu, ela já ia lançar um desafio de 21 dias, que é quando o nosso cérebro já começa a entender as mudanças de comportamento. Então, eu vejo o telefone em pé, essa última checada, E escolho muito bem o que eu vou ver digitalmente, Cris Porque dependendo do que eu ver na minha tela, aquilo pode me gerar um sentimento de angústia E essa angústia vai puxar um pensamento, que vai puxar um problema que eu preciso resolver, entende? Então tem que tomar muito cuidado com o tipo de conteúdo que você vai.
Ver antes de dormir Eu brinco, Isabela, eu falo que a gente acorda com quem a gente dorme, então... Então é exatamente isso. Você vai dormir com um problema na cabeça, você vai dormir depois de ter lido as notícias horrorosas, de assistir um jornal que só fala coisas péssimas, você vai acordar com ele. Então eu penso exatamente como você.
Cris, não precisa. Acho que agora a gente tá vivendo a era da curadoria, a era do filtro Você tem que parar e pensar assim, tipo, eu preciso saber disso antes de dormir? Ou até antes, né? Eu preciso saber disso durante o meu dia? Eu não preciso. No começo do isolamento, eu me lembro de ter assistido um jornal inteiro. Um. Foi o suficiente pra eu não assistir mais jornal. Porque eu já sabia o que eu tinha que fazer. Eu já sabia que eu tinha que lavar a mão, que eu tinha que me proteger, que eu tinha que ter hábitos mais rígidos, mais rigorosos de higiene. Não muda o meu dia saber o número de mortos. Muda o meu dia saber o número de recuperados, por exemplo. Isso muda. Então, eu tô querendo dizer assim, aí é uma escolha de ficar sabendo ou não do quê. Cris, esse dedinho aqui, ó, é o responsável pela nossa ansiedade, pelos nossos dilemas, porque se eu ficar rodando meu feed infinitamente, eu tô consumindo o meu cérebro. E aí volta, porque a gente começou falando sobre saúde mental. Então, finalizando aí a resposta em relação ao sono, é me colocar como prioridade. Não, 10 horas eu quero estar dormindo, então eu vou fazer o melhor que eu puder pra estar. E adoro acordar 6 horas da manhã. Adoro. Isso faz parte da minha rotina, me faz muito bem e se alguém tiver dúvida, mas será que eu sou um pequeno dormidor, um médio ou um longo dormidor? Você vai saber a quantidade de horas de sono que você precisa hoje e não há 20, 30 anos, se você acordar sem despertador. Então, você dormiu 10 horas e acordou na média 6, você é um médio dormidor, você precisa de 8 horas. Fez sentido?
Muito, muito. Eu vou começar a observar isso.
É, é. E outra coisa que eu tenho falado muito aqui nas lives é a questão dos sonhos e pesadelos da quarentena. O sonho, Cris, é o mensageiro do dia. Simples assim. Se você teve um dia estressante, ansioso, você não vai ter um sono tranquilo. Então não adianta você reclamar do seu sono se você não teve um dia em que você esteve atento, você não filtrou o que você viu. Aí é muito fácil, né? Nossa, eu tô dormindo mal. Se você tá dormindo mal, você tá vivendo mal. Infelizmente é isso. Não adianta culpar o sono. A gente não tem um botão do tipo, tive um dia estressante, chocante, aí eu deito, aperto um botão, vou dormir. Isso não existe. Isso é lenda. Então, pra gente dormir bem, pra pensar bem, pra decidir bem, pra sentir, ter as suas emoções mais equilibradas, inclusive pra ansiedade. Você precisa olhar o seu dia pra ter uma noite também tranquila. Ninguém tem uma noite tranquila depois de um dia agitado. Fez sentido?
Verdade. Fez. Fez sentido. E é daí, talvez, entra a importância desses rituais antes da gente dormir, né Isabela? Eu não durmo se eu não tomar um banho antes. Olha que engraçado.
Bacana. E aí, Cris, isso é muito bom você falar, porque cada pessoa vai ter seu ritual. Eu não posso me comparar a você. Nós somos mulheres, mas eu tenho uma biologia diferente da sua. Nosso DNA é diferente. A gente traz na nossa bagagem, na nossa memória genética, muitas características. Então, assim, não, gente, se comparem ao que vocês ouvem ou veem, né? Muito importante também agora, Cris, como a gente falou do cuidado com o que você consome de informação. Por quê? Se eu começar a ver a página de uma pessoa, uma nutricionista, eu vou pegar aquele recorte e vou falar, nossa, eu tô comendo muito mal. Aí eu pego uma página de uma professora de educação física e tá lá fazendo exercício com o corpo impecável, aí eu já me cobro e falo, nossa, eu também preciso fazer isso. Então tem que tomar muito cuidado com esses recortes todos e você querer incluir eles na sua vida. Aí nós também vamos ter uma sobrecarga de culpa.
E entra no que eu falei dessa frase que eu adorei e até coloquei como o nosso tema de menos competição e mais colaboração E a gente começa a se comparar, da comparação às vezes brota essa semente da competição e aí a gente entra nessa loucura altamente destrutiva, né Isabela?
Desorganizadora, descompensada, sabe? Então, o que eu vejo hoje, depois de dois meses de isolamento? Não adianta a gente botar a culpa no isolamento pra justificar como nós estamos nos sentindo. Porque a nossa vida antes também não estava equilibrada. Poxa vida! Entende? Então assim, como é que eu vou reclamar agora que minha vida não está boa? Ela estava antes. Ela estava organizada antes. Eu estava me cuidando antes. e levar isso pra vida. Prestar atenção no que o seu corpo tá dizendo e aí eu entro na compaixão, na colaboração assim, então a competição não é só profissional, a competição ela é no que eu fico vendo, sofrendo, então tipo, não preciso competir com a fitness, não preciso competir com ninguém. E a compaixão, quando eu digo, Cris, é porque se você pegar o significado da palavra, é você ser solidário a dor do outro. Mas será que eu também estou sendo solidário com o que o meu corpo tá pedindo? Pra mim, essa é a história da colaboração, é eu colaborar também comigo. dentro do que eu posso fazer. Não adianta só eu reclamar ou querer mais ou diferente. Eu também preciso agradecer o que eu tenho, entender que aquilo que eu tenho e tô reclamando, de repente, pode ser a meta de uma outra pessoa, sabe? Agora, eu não estou falando isso, e eu não se repito, não sou melhor nem pior que ninguém. Eu também não tenho uma vida completamente equilibrada. Inclusive, outro dia, eu fiz uma live com o Tadashi, Cris, que é o nosso amigo que nos conectou. E aí, antes da gente começar a fazer meditação, eu falei, Tadashi, você não fica irritado? Você fica estressado? Eu perguntei isso também pro Satyanata, o monge. Porque se não, a gente tem a impressão que todas essas pessoas, elas não vivem o que a gente vive. Aí vem culpa nossa, gente. Se eu não tô conseguindo meditar, se eu não tô conseguindo equilibrar, eu sou uma pessoa má.
Não.
Então, na média, eu procuro dormir bem, equilibrar minha agenda, comer bem. Então, na média. Não significa que eu vá conseguir fazer isso todos os dias. E se a gente pensar em equilíbrio, todo mundo aqui já viu um equilibrista, né? Aqueles, inclusive, de desenho, que tá com uma bicicletinha em cima de uma linha, né? Ele sai do ponto A ao ponto B, e pra ele ter equilíbrio, ele vai um pouquinho pra direita, um pouquinho pra esquerda, um pouquinho pra direita, um pouquinho pra esquerda. Eu acho que isso ilustra muito bem como eu hoje vejo o nosso caminho.
Olha que engraçado. Eu fico encantada com as sincronicidades, sabia, Isa? Porque enquanto você estava falando dessa coisa da comparação e dessa autogentileza até, hoje de manhã eu fiz uma meditação guiada pelo Sat. E a meditação, eu escolhi aleatoriamente, era justamente sobre isso Porque não temos as mesmas palavras carinhosas que às vezes a gente tem em relação aos amigos, às pessoas que a gente gosta, para conosco também Porque somos tão críticos e tão mídidos com a gente, a gente fala coisas tão horrorosas às vezes pra gente nessa coisa de querer Ter o corpo da fitness, ter a alimentação da nutri Fazer a meditação, ser como o Tadashi ou o Satyanata E aí a gente fica nessa cobrança e tem uma hora que nós somos violentas ou violentos com a gente mesmo Tipo, você é uma fraca, você é uma preguiçosa, você... E a gente fala coisas que a gente.
Não falaria pra ninguém Autossabotagem Autossabotagem, né? Cris, outro dia eu conversei com a Juliana de Mares sobre a síndrome da impostora, síndrome da impostora, né? Que não é a falta de competência, é a falta de confiança, né? Então essa autossabotagem é igual a automedicação, gente. Autocuidado, automedicação, autossabotagem, autovalorização. Então, se você pode se sabotar, você também pode se valorizar. Quando o Sati e o Tadashi falaram, eu perguntei pra eles, mas vocês também ficam irritados? E os dois disseram que sim, inclusive o Sati. E ele disse, a diferença, Isabel, é quanto tempo eu fico. Aí entra aquela história do equilibrista, entende? Então, tem dias que eu choro, tem dias que eu tô burocrô, choro super. Mas aí, eu já me observo e tento fazer disso, não um estado. Mas um momento, ok? Tô, tô triste. Tô triste. Por que que eu tô triste? Conversa com essa dor. Ah, eu tô triste por conta disso, disso, disso. Ah, entendi. Eu preciso, eu vou alimentar essas minhocas, eu vou mandar essas minhocas embora. De novo, entra a questão da escolha. Eu escolho também. Como você faz muita meditação, eu escolho o pensamento que eu vou me aprofundar e continuar. Assim como eu vou escolher também. O sentimento que eu tô vivendo, porque todos nós vivemos com muitos imprevistos, com muitas situações que não nos deixam feliz, e aí eu tenho que escolher Sim.
É uma frase bonitinha que um dia eu vi num quadrinho, num cartoon, é Um momento infeliz não é uma vida infeliz Isso, isso Coloca as coisas na proporção, porque isso foi uma coisa mencionada também pelo Sat na live que eu fiz com ele, Elisa, ele falou O dia às vezes tá correndo tão bem, aí acontece uma bobagem, sei lá, você recebe uma fechada no trânsito, e aquilo te desconcentra de um jeito que você chega em casa e olha que abri a porta, sei lá, vou pegar meu exemplo, meus dois filhos me esperando felizes depois de um dia, e eu, ai mamãe hoje tá nervosa e não sei o que, e de repente Eu tive coisa boa, uma coisa chata, uma fechada no trânsito, um xingamento que alguém deu pra você ou alguma falta de educação de alguém é suficiente pra destruir E essa coisa da frase simplesinha do momento infeliz não é uma vida infeliz, é a mesma coisa Não deixa que um segundo, um segundo não, um minuto do seu dia, cinco minutos do seu dia determine como é que ele vai correr A gente contamina com o que é ruim, né?
É. Eu posso falar um pouquinho mais sobre esse assunto?
Deve. Você é minha convidada. Quem tem que falar é você.
Não, não, não. Porque o que eu vou falar vai chocar. Porque quando eu me dei conta disso, eu chorei. E quem viveu algo parecido, ou ainda pode viver algo parecido com o que eu vivi, também vai se impressionar. Cris, o que você colocou é perfeito. E quando você passar por alguma situação no seu trabalho em que você não for compreendido, ou se você tiver que se cuidar, ou seja, sair de uma licença médica e viver uma demissão, etc. Para quem está nos acompanhando, líderes, pensem que aquele profissional não é ruim, ele está vivendo um momento ruim. Isso faz toda a diferença. Então isso que você está dizendo se aplica a todas as áreas da nossa vida. Aquela pessoa que está precisando de ajuda, ela não é ruim, ela só está vivendo um momento ruim e isso podemos levar para todos os momentos. Hoje mesmo eu coloquei essa frase, dizendo você é uma pessoa ruim ou você viveu uma situação que foi ruim? Você se sente uma pessoa incapaz de tudo ou você viveu uma situação que não foi satisfatória? Perfeito o que você falou. Adorei. Teve algumas pessoas aqui, Cris, que perguntaram se a gente vai salvar. Se você me permitir, eu também coloco lá no meu canal, Isabela Camargo.
Com maior prazer, eu salvo ela pra você também. Eu vou colocar no meu IGTV, eu tenho como salvar o link.
Arrasou.
Arrasou. Que bom, é porque é engraçado, né, Isabela? Você começou colocando isso muito bem Esses assuntos, agora a gente está tendo mais abertura para falar, mas até então eles eram tabus Ninguém queria ou podia falar abertamente que estava passando por uma situação dessas, que não está mais aguentando o trabalho Porque num mundo ainda competitivo, e isso está mudando, e eu acho que graças a pessoas como você que chega e coloca mais luz no problema.
Aí.
A gente vai acendendo, acende mais uma velhinha, acende outra aqui, outra aqui, outra aqui E aí aos poucos a gente vai trazendo mais luz pra isso Ainda existe um trabalho hercúleo a ser feito Porque a gente ainda relata produtividade com horas de trabalho A gente ainda acredita que a gente glamoriza a falta de tempo Como se aquela pessoa que fosse ocupada... Às vezes a pessoa fala, ai, desculpa te incomodar, eu sei que você tem muitas coisas pra fazer Eu falo, meu Deus do céu, quais são as crenças, o que leva as pessoas a acreditarem que a gente... se torna intocável, uma pessoa mais importante ou uma pessoa com mais poder porque a gente trabalha mais, produz mais, não tem tempo para as coisas?
Cris, mas isso é consequência dessa mudança que a gente veio da revolução industrial para a revolução cognitiva, passando pela tecnológica O que é essa disponibilidade integral, essa produtividade sobre-humana, essa disponibilidade de 24 horas por sete? Quem já ouviu isso, gente? Você vai vestir a camisa da empresa, mas pra isso você não pode se forçar. Você vai se esforçar, mas você não pode forçar. Um dia atribulado não precisa ser uma vida atribulada. Teve algumas pessoas aqui que perguntaram sobre ansiedade, Você é ansioso ou você está ansioso? Ou você fica ansioso dependendo da situação? E estar ou ser não tem problema nenhum, só veja quanto tempo você vai alimentar isso Ou realmente conversar consigo, fazer atualização de identidade e falar não, não preciso continuar nessa vibe, não preciso continuar nesse caminho E aí a gente tem que escolher a estatística que nós vamos fazer parte, Cris A partir de agora, com alguns isolamentos chegando ao fim e tudo mais, nós precisamos entender de qual estatística nós vamos fazer parte. Isso pra tudo na vida. Dos que se separaram, dos que desenvolveram ansiedade ou depressão, dos que passaram pelo menos pensando em desenvolver uma habilidade nova, Sabe, não se cobrando porque não fizeram nenhum curso online, porque não assistiram todas as séries. Não, a gente tem que escolher a estatística e nós vamos fazer parte, sabe? Eu vejo assim. E a história da glamourização, da falta de tempo. Todo mundo aqui já pegou um avião. Como é que era quando o avião pousava?
Nossa!
Todo mundo se atropelando. Existem momentos em que a gente precisa, sim, de ter um pouco mais de pressa. Mas não fazer dessa vida a pressa.
E ter coragem, Isabela, para tomar decisões impopulares. Eu vou te dar um exemplo. Há cerca de um ano eu desabilitei todas as notificações do meu celular, mas nada foi tão impactante quanto desabilitar o WhatsApp Eu não recebo, não aparece o numerozinho de mensagem que entra, não aparece se eu tô online ou offline Não vibra, não aparece nada na tela e as pessoas ficam loucas com isso Porque às vezes eu escolho passar um dia, dois dias sem entrar E aí as pessoas têm o senso de urgência da resposta e às vezes ligam isso a Então eu não sou prioridade ou então a minha Minha pergunta ficou lá, ela não respondeu. Eu nem entrei, por que isso? E é uma coisa que te suga, que se você não tá de pé do lado da sua cama, como você faz, você fica ali, você não sai nunca mais Então, são decisões muito difíceis de serem tomadas, porque as pessoas ainda associam tudo isso E tem tanta brincadeira com quem não responde mensagem de WhatsApp, quem aparece... Ontem eu brinquei com uma amiga, eu falei, eu ainda sou aquela que entra dois dias depois e responde a pergunta como se tivesse... Encontrando naquele momento, tipo, tal dia, tal hora, não sei o que Então eu acho que nessas horas a gente tem que ter muita coragem pra feitar algumas decisões Obviamente isso é uma decisão pequena, mas que as pessoas ainda não estão acostumadas Porque tudo hoje é urgente, tudo hoje é muito prioritário Agora Cris, nós.
Somos as pessoas Então quando a gente fala, as pessoas nos cobram, às vezes a gente também cobra. Isso que você comentou chama contrato de tempo. Existem alguns contratos de tempo que são gerais. Por exemplo, o horário de um voo, o horário de uma consulta e tudo mais. Nós não somos tolerantes a nenhum tipo de atraso. Agora, eu cobrar uma urgência de uma resposta Será que eu preciso mesmo? Porque se for urgente, eu ligo. Vamos parar de ser hipócrita, né? Outra coisa, essa urgência que a gente tá vendo, a gente também contribui pra ela. Como eu falei, né? O mundo expressa e quer cada vez entregar mais rápido. Você quer que o motoboy voe pela rua e vai ter hora que não vai poder. Então, a gente também contribui com isso. A gente também precisa entender quais são os contratos de tempo que eu tô fazendo e começar a explicar pras pessoas. Eu mesmo aqui no meu WhatsApp eu já coloco, não grave áudio, pode ser que eu não ouça a tempo. Então, esse senso de urgência, nós vamos contribuir pra continuar ou não. Aí entra na história do colocar limite no mundo sem limite.
É isso mesmo.
É isso. É cada um colocar. o seu limite. Teve uma pessoa que respondeu assim, ah, mas como é que eu vou ficar dois dias sem usar o WhatsApp se eu trabalho no WhatsApp? Gente, se eu trabalho no WhatsApp, eu da meia-noite às seis eu durmo, desliga o telefone no final de semana. Então é aí que entra a história do filtro. Será que eu preciso fazer tudo o que todo mundo tá me pedindo o tempo inteiro?
Nisso mesmo, porque nessa urgência da gente querer tudo pra ontem E se a gente tá deixando a mídia social pro final do dia ali, você viu uma coisa e você já manda um direct pra pessoa Perguntando daquele produto e se tem WhatsApp você já manda e é isso Se você não põe limite, da meia-noite às seis você vai estar respondendo Clientes, consumidores ansiosos que querem consumir, é seu chefe que lembrou de uma coisa num horário Também a hora que ele tá em casa e onze e meia tá te mandando Você tem toda a razão e por isso eu ainda insisto, é a coragem de você colocar o limite daquilo que te faz bem ou não.
É, e isso tem a ver com o não, né, Cris, que eu te falei, é o treinar ou não. Porque assim, você falar não para aquilo que você não quer é muito mais fácil você falar não daquilo que você quer. Por exemplo, se hoje você me convidar, tá, vamos supor que nós não estamos vendo isolamento, aí você me fala assim, Isa, vamos fazer um jantarzinho aqui em casa e eu queria muito que você viesse, só que amanhã eu tenho um compromisso já às seis da manhã, eu vou ter que dizer, Cris, Muito obrigada, me sinto honrada com o convite, mas eu não vou poder ir. É a gente ter coragem de dizer o não sem Melindre e a pessoa que recebe o não também entender. A gente também não tá acostumado a receber o não.
Verdade.
E o não, Cris, a gente ouviu ele, você que é mãe, você pode me dizer. Você provavelmente deve ter dito muito mais não para os seus filhos quando eles eram mais novos do que sim. Não faz isso, não faz aquilo, cuidado com isso. Porque o não, ele não é só negativo. O não também é positivo, o não é protetivo, então ele te protege e ele te deixa numa condição menos vulnerável, você fica menos à deriva quando você começa a ter mais segurança do não. Mas vamos lembrar, é um treino. O Bernardinho, o ex-treinador do vôlei, ele fala assim, se uma coisa tá difícil, é porque precisa de mais treino. Se ainda tá difícil ouvir o não e dizer o não, é porque você precisa treinar mais. e arcar com as consequências. Realmente, no trabalho, eu concordo que com algumas empresas mais conservadoras que acham que vão ter o resultado dos seus liderados com imposição, com aquela crença que era mais antiga, em alguns ambientes ainda é mais difícil, mas aí você vai ter que escolher, eu vou ter um emprego ou eu vou ter saúde? Se eu disser só sim. Se eu disser sim pra todos os convites que eu recebo, eu vou ter amigos ou eu vou ter saúde? Então você vai ter que escolher, né? Você vai ter que escolher. E em relação a isso, eu preciso te fazer um agradecimento aqui público, Cris. E depois vai ficar gravada também essa live. Você é muito importante na minha vida. Naquele curso que nós estávamos no Tadashi, a gente não se conhecia. Você tava do meu lado. Eu tive uma crise de choro homérica. E eu cheguei lá super bem. Nossa, eu tô super, super conectada aqui. Tô toda organizada. E aí, conforme eu fui ouvindo algumas palavras, minha ficha foi caindo. Eu falei, meu Deus do céu, o que eu tô fazendo? E eu comecei a chorar loucamente. Você viu que eu estava chorando, óbvio que você estava do meu lado. O que você fez? Você não me ignorou. Você foi e chamou uma pessoa e falou assim, olha, essa moça tá passando por algum problema. Será que a gente faz isso? com os nossos colegas de trabalho. Então assim, você foi uma pessoa muito importante na minha vida, porque você teve sensibilidade a entender que tinha alguma coisa errada comigo. Eu levo este exemplo sempre para aquelas pessoas que estão do meu lado. Será que essa pessoa está bem se ela está tendo um comportamento diferente daqueles que eu já estou acostumada? Ou não? Você, por exemplo, não me conhecia e você teve sensibilidade. Por que eu tô falando em sensibilidade agora, assim, do nada? Porque quando você está mais atento consigo, você também está mais atento com todos. E se eu não divido a casa com você, eu divido o planeta com você. Isso não é frase, não é blá blá blá, não é teoria, isso é prática. Então se você estiver atento consigo, você está atento com a outra e você vive melhor. E parar de julgar o comportamento inadequado do outro, porque você também pode estar tendo um comportamento inadequado. E achar que o fulano me decepcionou, mas eu também, será que eu não decepcionei alguém? Com certeza sim. Então parar de se colocar como vítima, parar de terceirizar a responsabilidade e volto. Não sou melhor nem pior que ninguém pra estar falando isso. Eu também tenho meus momentos de baixa, mas na média eu tô bem. Treinando. Treinando muito. Cris, treinando muito não. Treinando muito, sabe? Os limites. E olhando pra minha agenda com um pouco mais de humildade. Não adianta pedir pra ela esticar. Ela não vai. Sou eu que vou me colocar como prioridade ou não.
Que lindo. Você me deixou emocionada. Não esperava por isso.
Mas foi demais. Foi demais.
Que lindo. Bom, foi muito natural, Isabela. Eu não sei nem o que te dizer. Não foi algo que eu tenha parado pra pensar o que eu vou fazer com essa moça aqui chorando. Não, não mesmo. E talvez, e isso eu acho que... Entra 100% de acordo com o que você tá falando, porque a gente sinta, porque não é só o saber, talvez porque a gente sinta que todos nós ou já estivemos naquela situação ou podemos estar, porque É uma ilusão achar que a minha raiva é diferente da sua, que a minha dor é diferente ou que eu vou sentir alegria diferente, você sente São coisas que todos nós, como seres humanos, experienciamos Então, se você tá sofrendo, eu já tive um momento de sofrimento Eu sei como é e a gente sabe o que a gente precisa, né?
Você sabe que o que você tá me dizendo me lembra uma informação que eu soube agora há pouco, e essa é minha vocação, né? Aprender pra compartilhar, então preciso dizer, um ato de gentileza, um ato de gentileza, libera 33 hormônios do bem no meu corpo. Um ato de gentileza significa prestar atenção na pessoa que está do meu lado, eu conhecendo ou não. Percebendo que, por exemplo, eu falei do avião, né? Várias vezes eu vejo aquelas mães carregando a criança, a mala, o carrinho, oferecendo ajuda. Você precisa de ajuda? Entende? Ou tá vendo uma pessoa no mercado, sei lá, que não tá conseguindo carregar a sacola. Você precisa de ajuda. Só que como também, às vezes, a gente tá tão distraído, né, com todas essas tecnologias e tal, que aí você não só não se percebe, não percebe o outro, e você deixa de ter. Porque um dia em que eu consigo ser gentil com alguém, é um dia totalmente melhor do que um outro dia em que eu tô lá só dentro das minhas questões, dos meus problemas, dos meus perrengues, sabe? E voltamos para aquilo. Eu vou alimentar esse sentimento ou eu posso mudar. Então, você teve um ato de extrema gentileza comigo, em me perceber. E o Avatar é um filme que outro dia eu assisti e recomendo pra todo mundo, se já assistiu, assistiu de novo pra quem não assistiu assistir. Como é que eles diziam, eu te amo, eu vejo você. Então você me viu naquele momento. Então se eu vejo uma pessoa que tá vulnerável ou tá numa situação que precisa de ajuda, por que não ajudar essa pessoa? E aí retomo e inicio a nossa conversa. Isso eu preciso fazer por outro e por mim. Não ignorar os meus sintomas, os chamados do corpo. Quem aqui nunca deixou vencer uma guia de exame? Ou quem nunca passou mais de um ano pra ir no médico? Imagina, Cris, você falar assim, faz um ano que eu não vou então ao médico. Caraca, você não teve um tempo no ano inteiro pra você? Entende? Então, eu volto, tá? Eu vou e volto.
Não, mas você é ótima pra costurar.
O pensamento não é linear.
Você sabe, você deixa a linha.
Às vezes, tá? Às vezes eu me perco. Você volta. Você me puxa e volta pra terra. Humildade em perceber o outro é fundamental pra você viver uma vida melhor. Autocompaixão. Autocuidado. Autovalorização. Então, eu falo, você observar o outro, mas você também precisa se observar. Saber dizer não para coisas ruins, mas também dizer não para coisas que são boas, mas você não vai poder, porque senão você vai se prejudicar. Acho que a gente tá num grande momento oportuno de revisar um monte de ideia equivocada Mas sempre lembrando, a gente tá vivendo num mundo digital, mas o nosso cérebro ainda é analógico E se a gente não cuidar do nosso cérebro, é voltando a falar da saúde mental ou bem-estar da mente, tá? Que é o nome mais fofo pra quem ainda acha que saúde mental, ai saúde mental Mas é, né? É, ou bem-estar da mente Eu sei que a gente tem pouco tempo, mas ainda sobre crenças, a gente tem que tomar cuidado, porque nós vivemos medidas higienistas. Então a gente ignorou muito o assunto, muitos prefeitos excluíram as pessoas que tinham esquizofrenia ou outros problemas mais graves, e por isso a gente não se sente tão confortável em falar sobre o assunto. Mas tá mudando. Espaços como esse que você tá me dando me ajudam a compartilhar uma informação que, se não fizer sentido agora, uma hora vai.
Isabela, eu falo que, dando o exemplo aqui da live, vamos pegar esse nosso mundo aqui agora Está aqui quem tem que estar, está ouvindo quem tem que ouvir, está falando quem tem que falar e as palavras que saem... Eu acho que elas se manifestam em mim, em você, porque é o que precisa ser colocado pra fora Essa coisa que você fala é tão linda, acho que as palavras são sementes Então, é o que é aqui agora e isso é o perfeito pra todo mundo que tá aqui É o que a gente precisa falar, é o que a gente precisa ouvir, e é o que, de repente, vai reverberar e levar esse assunto, essas práticas boas pro mundo, pra comunidade, pra sua família. O impacto a gente não mede, mas a gente sabe que ele é grande. Claro.
Cris, tem um livro chamado Carbalhão. Sininho!
Peraí.
Amo.
Tá aqui doendo!
Então.
Essa bela?
Tô chocada. Ó, tem uma frase nesse livro que sintetiza tudo que você falou. Quando o ouvido tá pronto, a mensagem chega. Bom, isso não significa, minha gente...
É um dos meus livros de cabeceira, exatamente.
Cris, separadas na maternidade, né gata? Ô meu Deus do céu, a diferença é que você vem com esse olhão verde lindo. Deixa eu te contar uma coisa, em três minutos, não significa que quando eu ouvir uma coisa Essa coisa vai fazer sentido. É igual ler um livro pela segunda vez e falar... Como é que eu não tinha visto isso antes? Quando o ouvido tá pronto, a mensagem chega. Não pode ser que eu tenha que ouvir a mesma coisa dez vezes. Mas quando ele estiver pronto, a mensagem vai fazer sentido. É isso aí.
Carpa do ano. Carpa do ano.
Perfeito.
Eu estou... gente, eu juro por Deus que essa live não foi combinada.
Não combinamos, nada.
Nada. Nada. Nada.
Carvalho.
Isabela.
É um conhecimento que tem 6 mil anos.
Vou colocar depois a dica, gente. Já escrevi demais sobre ele. Se vocês forem depois do feed, vocês vão ver. Mas tá aqui o livro. E eu vou colocar essa dica. É pra vida, não é não, Isabela?
Total, total. Eu fico muito feliz de... Você vê, né? A gente não combinou nada e isso é sintonia. Isso é sintonia. Por isso que todos que estão aqui conosco, eu convido que, se fez sentido o que a gente falou, compartilhem. Eu tô sempre à disposição, dentro dos meus limites, pra responder. Então eu posso demorar, mas uma hora eu vou poder responder. Isabela Camargo Real aqui, no YouTube também, tento deixar o máximo de informações, porque uma hora vai ser útil pra alguém.
Meu amor, que coisa linda! Isabela, muito obrigada! Que delícia ter você aqui na minha casa hoje!
Foi um privilégio!
Que delícia mesmo! Muito obrigada mais uma vez E olha, tem um final de semana lindo! Um abraço em vocês dois, que seja muito especial Que dentro de tudo que está acontecendo, que vocês encontrem mesmo Muitos momentos de paz e de alegria e de verdadeira satisfação para todos nós.
Cris, obrigada pelo privilégio, bom final de semana e até breve.
Muito obrigada, gente. Muito obrigada por terem estado aqui conosco, tá bom? Um ótimo dia para vocês também.
Beijo.
Mais uma vez, obrigada, Bela. Beijão. Tchau. Foi lindo, né gente? Enquanto o Instagram me derruba aqui, que eu tenho um minuto Eu adoro estar aqui com vocês, eu adoro conversar com essas pessoas que nos acrescentam Tenham um ótimo final de semana, beijos pra vocês, nos falamos mais tarde.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








