Mês de Conscientização do Autismo

Isabela talks with Professor Marcelo Valle, a human rights expert, about autism awareness, diagnosis, and rights. They discuss why inclusion and understanding matter for autistic people in society.
Chapters
♪ Olá, muito boa noite, bem-vindo, bem-vinda a mais um Promovendo Saúde. Hoje, abril azul, para falarmos sobre a conscientização do autismo. Sim, dia 2 de abril foi o dia mundial de conscientização do autismo. E essa é uma data muito importante, que foi criada há pouco tempo pela ONU para levar mais informação para toda a população e para diminuir preconceito. para diminuir estigma. É por isso, então, que esse é o nosso assunto de hoje, para entendermos tudo o que está em torno do autismo e o que nós podemos fazer. Quando eu digo nós, pessoas sem autismo podem fazer para acolher pessoas com autismo. Quem vai participar comigo do Promovendo Saúde hoje é o professor Marcelo Valle, advogado especialista em direitos humanos. Professor, bem-vindo.
Boa noite. Obrigado pela oportunidade, Isabela. Boa noite a todos que estão nos acompanhando aqui.
Para quem já me acompanha há algum tempo, já me viu conversando com o professor Marcelo sobre burnout. Inclusive, um dos primeiros livros que eu tive acesso sobre as responsabilidades do empregador foi no livro do professor Marcelo. E aí, conforme os anos foram avançando, professor, eu fui identificando que você é um grande defensor dos vulneráveis e o autismo está dentro da sua área de pesquisa e atuação.
Exatamente, Isa. A minha área de estudo, dentro dos direitos humanos, ela visa a tutela e proteção de todo aquele que é vulnerável. Aquela pessoa que é suscetível a ser ferido, ou a ser ofendido, ou já foi ofendido, ou ser tocado. Significa que aquela pessoa está numa certa fragilidade. Ela é incapaz para um certo ato. Então, não só aos autistas, mas todas as pessoas com deficiência são objeto do meu estudo. as pessoas com burnout, com toda e qualquer doença do trabalho. Então eu vou me aprofundando e levo sempre em consideração o ser humano como o centro do direito. Por quê? Porque ele é o que deve ser mais tutelado e protegido pela lei e pela sociedade.
Excelente. E antes de nós entrarmos de fato no autismo, Marcelo, há quanto tempo você estuda o autismo?
Eu já estudo há muitos anos, só que Mais de 10 anos eu estudo autismo, só que nós tivemos uma evolução científica há pouco tempo. O autismo começou a ser estudado com uma maior profundidade, com qualificação de profissionais, com criação de cursos aqui no Brasil há pouco tempo. Fora, nós já temos um desenvolvimento muito grande, principalmente nos Estados Unidos.
Inclusive, eu tava dando uma olhada, gente, eu já vou dizer, eu entendo pouquíssimo sobre o autismo. E é por isso que o Promovendo Saúde, que é essa minha missão que eu comecei na primeira semana de janeiro, toda semana, professora, eu trago algum assunto pra me aprofundar ou pra conhecer, que a partir do momento que eu também tô conhecendo, imagina que eu falo sobre saúde todos os dias e eu sei pouquíssimo sobre o autismo. E, vira e mexe, eu sempre ouço, a pessoa teve o diagnóstico, a pessoa teve o diagnóstico, e pessoas com mais idade até, nem tão criança. Então, foi muito bom você ter aceitado o meu convite, muito obrigada. E nessas pesquisas eu descobri que o autismo, ele só foi incluído no Código Internacional de Doenças em 1993. como classificado, porque é classificado realmente como um problema de saúde, certo?
Exatamente, sendo que naquela época já se falava na SID F84. Hoje, Isabela, hoje nós temos já uma modificação nessa escala, que é SID 10, daí tem F84, e aí dentro do transtorno do espectro do autismo, Daí nós temos a SID11 6A02, 6A02.1. E aqui, se nós observarmos nesse cadastro internacional de doenças, aqui ele se fala, aqui ele qualifica como transtorno do espectro do autismo com deficiência intelectual, um comprometimento leve ou ausência de linguagem funcional. Então nós temos aí comprometimentos apresentados. E é importante dizer que nós não podemos mais dizer e sustentar nível leve, médio e severo. Por quê? Porque nós estamos agora com essa nova classificação do Cadastro Internacional de Doenças.
Então, Marcelo, eu já vou começar a te perguntar, o que é o autismo? Para quem está aqui conosco, assim como eu, e não sabe o que é o autismo?
Bom, o autismo ou o transtorno do espectro autista, também conhecido como TEA, é um transtorno do desenvolvimento e ele leva a certos comprometimentos, principalmente na comunicação e na interação social. E aqui eu posso até englobar aspectos do comportamentos. Alguns comportamentos são restritivos, alguns comportamentos são repetitivos. Então essas pessoas, elas necessitam de grande apoio para que superem essas situações e comprometimentos que tem na vida.
Mas esses comprometimentos não impedem o desenvolvimento, porque você estava me contando aqui nos bastidores que Bill Gates, Einstein e Elon Musk tiveram um diagnóstico de autismo.
São, eles são autistas, porque nós não temos a cura do autismo. Então o que nós podemos aí nesse caso é fazer com que essas situações que nós acabamos de falar dentro do transtorno que afeta o desenvolvimento e compromete a comunicação e interação social sejam minimizados. Minimizados através de terapias, através de atendimento multiprofissional, multidisciplinar. Então nós vamos aqui dizer Primeiro, nós temos que falar de um diagnóstico, através de um médico responsável que tenha habilitação para tanto. E, a partir daí, ele indica um conjunto de terapias para que essa pessoa desenvolva e diminua essas restrições. Porque, ao diminuir as restrições, automaticamente elas estão mais habilitadas ao nosso mundo. Mas eu gostaria de dizer o seguinte, elas também têm que fazer as terapias, obviamente, mas o mundo também tem que se adequar a essas pessoas. Isso é indispensável.
Isso significa o quê, Marcelo?
Isso significa, primeiro, acolhimento. O mundo tem que acolhê-los. O mundo tem que olhá-los com a igualdade. O mundo tem que abraçá-los e levar em consideração um dos princípios mais importantes que nós temos, que é um princípio que está pautado em várias legislações. Posso falar do Tratado Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, posso falar no Tratado de Salamanca, posso falar na nossa Lei Brasileira de Inclusão. Lá se fala em inclusão. Então, o importante é dar oportunidade a essas pessoas se incluírem. Se incluírem na escola, se incluírem na universidade, se incluírem no mercado de trabalho.
Tá. As escolas, eu entendo que têm um papel fundamental, e aí eu já emendo uma pergunta, Marcelo. O diagnóstico. Inclusive, eu fiz um quiz aqui, antes do nosso encontro, sobre se é raro ou não, se é mais meninas, mais meninos. Esse diagnóstico é feito só na infância ou pode ser feito também na idade adulta?
Em qualquer momento da vida. Mas recomenda-se que esse diagnóstico seja feito o quanto antes, após o nascimento, quando houver características do autismo. E a partir daí, você tem condição de fazer com que essa criança, ou esse bebê, vamos dizer assim, ele já seja estimulado para a diminuição dessas restrições ao desenvolvimento da linguagem, do desenvolvimento social. Sim.
Olha, Taquira, Einstein, Bill Gates e Elon Musk têm autismo, tá certo? Dizer que têm autismo.
Sim, exatamente, porque até hoje nós não falamos em cura do autismo. Nós falamos aí, nesse caso, de diminuição dessas situações, desses comprometimentos do autista.
Nós temos várias perguntas aqui chegando pelo Instagram, aliás, muito obrigada a todos vocês que estão nos acompanhando pelo Instagram, pelo Facebook, pelo YouTube. Vou começar com o comentário aqui da Ivone, dizendo que inclusão, inclusive, nas escolas.
Exatamente.
Eu aqui, do meu lado bem leigo, sobre autismo, estou percebendo que são crianças que, quando tem o diagnóstico feito, Elas podem se desenvolver muito, Marcelo? Elas são muito inteligentes?
Podem. Muitas delas têm um desenvolvimento muito maior em aspecto de QI. Essas têm alta funcionalidade e aqui essas que têm essa característica, no Brasil nós não temos escolas para essas crianças. Por quê? Porque elas têm um desenvolvimento tão alto que as escolas são pouco para essas crianças. Independentemente, nós temos aquelas que têm um pouco, um desenvolvimento menor, com certos comprometimentos maiores. E aí, esses comprometimentos de comunicação, interação, da aprendizagem, no convívio, perfeitamente, no convívio, E as escolas hoje, elas têm a obrigação desse acolhimento. Elas não podem negar uma matrícula de uma criança autista, senão elas estão cometendo um crime, chama-se crime de capacitismo. Isso está na Lei Brasileira de Inclusão, da Norte Goi, 88. O que significa isso? Para que todos entendam. nós temos um princípio legal em âmbito nacional e internacional da inclusão. Então, quando uma criança autista adentra a escola, muitas das vezes ela necessita de material adaptado, ela necessita de um acompanhante terapêutico, ela necessita de provas adaptadas, e a escola tem que acolhê-la, não pode cobrar mais na mensalidade, se for uma escola particular, e tem que dar todos esses apoios e necessidades para essa criança. Porque nós estamos falando de uma inclusão. E isso, na lei brasileira de inclusão, fala-se que é uma obrigação da escola. E aí eu começo a ampliar esse horizonte. não só para a escola, mas para a universidade, não só para a universidade, mas também para as empresas. Então nós não estamos falando tão somente de cotas, nós estamos falando também aí de adaptabilidade, não só adaptabilidade física, mas adaptabilidade para toda e qualquer barreira, sendo que para o autismo são inúmeras barreiras que nós devemos afastá-las para o desenvolvimento e a atuação dessa pessoa autista.
Ou seja, pra quem tá chegando agora, o professor Marcelo Valho é professor, advogado, doutor, especialista em direitos humanos, especialista em autismo. Então, esses direitos, Marcelo, nós precisamos divulgar realmente, por isso que eu trabalho com educação e saúde, pra empoderar essas pessoas que elas têm direitos. Tem aqui o Samuel Wesley Nascimento, Está dizendo que há sete anos ele está buscando a solução em relação a isso. Ele até pergunta se o CID F84.8 corresponde ao autismo. Samuel, se você puder trazer mais detalhes, sete anos buscando a solução em relação à inclusão de alguém na escola...
Eu acredito que seja isso.
O CID F84 é o autismo?
É, é o autismo, que é a classificação mais antiga, que ainda é usada por alguns. E acredito que a situação que ele está apresentando e falando é sobre a inclusão na escola. Porque isso, todo momento, nós temos dificuldades. Todo momento, eu sou acionado para solucionar problemas. Como é um crime, não fazer a inclusão, nós temos vários caminhos a se percorrer juridicamente. Podemos fazer boletim de ocorrência se for na cidade de São Paulo, numa delegacia especializada para crimes contra pessoas com deficiência. Podemos propor uma medida judicial para que a escola seja forçada a cumprir a lei brasileira de inclusão. Aí, nesse caso, ajustando os materiais, ajustando as avaliações, ajustando, eventualmente, a necessidade de um acompanhante terapêutico para que essa criança, ou esse adolescente, ou esse adulto, ele possa administrar a matéria que ele se encontra. É como se fosse uma espécie de tradutor para ele. E aí, entendeu o caminho? Então, é possível a gente postular isso em juízo.
Entendi. Marcelo, tem muitos comentários chegando aqui, eu vou trazendo aqui várias perguntas ainda bem importantes para a gente entender realmente o que é o autismo, depois a gente volta para a questão jurídica dos direitos, tá? Super importante. O importante quanto entender que é o que veio como pergunta há algum tempo. A Márcia Lima. Como é realizado o diagnóstico? Qual é a causa do autismo, Marcelo?
Olha, eu não sou médico, mas pelo pouco que eu estudei a respeito do TÉ, primeiro, não há causas específicas. Ainda não se chegaram a um denominador comum a respeito. Mas um ponto que é falado pela área médica é que é uma questão de carga genética, ponto. Não posso passar disso porque eu não tenho autoridade e não tenho, aí nesse caso, conhecimento para isso. Desculpa, qual era a outra pergunta? Por gentileza.
Como é realizado o diagnóstico?
Ah, o diagnóstico é feito por um médico. um neuropediatra ou um neurologista que tenha habilidade para isso, e aí ele fará esse diagnóstico, mas o importante é sempre, quando há uma eventual suspeita dessa situação, que eu acabei de falar a todos, de comprometimento de comunicação, de interação social, quando a criança não olha nos seus olhos, Quando ela não consegue se comunicar com os pais de algum jeito, nós podemos ter uma suspeita. E aí é importante, o quanto antes, levá-la ao pediatra. O pediatra, nesse caso, ele pode ser um neuropediatra. E aí ele vai adentrar a esse estudo e, eventualmente, diagnosticar essa pessoa com autismo.
Marcelo, você falou não olhar nos olhos.
Sim.
Essa é uma característica bem fácil para a gente poder observar.
Sim, é uma característica. Eu não tenho como aprofundar isso pela falta de conhecimento e falta de autorização para tanto, mas é uma das características. É importante que as pessoas fiquem alertas. E por isso que essa nossa conversa hoje é primordial, porque a maioria da nossa sociedade não tem conhecimento das pessoas autistas, não sabe quem são as pessoas autistas. As pessoas autistas, elas não têm qualquer modificação na sua imagem. Elas têm, nesse caso, um comprometimento na comunicação, um comprometimento na fala, um comprometimento na interação social, um comprometimento nos comportamentos restritivos, comportamentos repetitivos, e muitas dessas pessoas ficam isoladas, infelizmente. A própria sociedade a isola.
Porque são mal compreendidas.
Porque mal compreendidas e as pessoas, eu não sei, as pessoas acham que aquela pessoa com TEA é uma pessoa diferente e aí a isolam. Isso acontece muito. Dentro da escola, há muito bullying em razão disso. Dentro das empresas, nós estamos falando de mobbing, que depois caracteriza como assédio moral.
Eu estava olhando aqui o site da OMS, gente, e aqui, então, traz, né, Marcelo, o TEA se refere a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação, na linguagem, e aqui no site da OMS diz que as condições são aparentes durante os primeiros cinco anos de vida, mas Nós temos aqui um comentário do Leonardo que disse que descobriu o autismo aos 40 anos. Deixa eu achar aqui o comentário. Descobri autismo aos 40 anos além de DI e TDH. Ou seja, o autismo também pode vir com uma outra condição de saúde.
Exatamente, como eu falei no início da nossa fala. É muito comum que ele seja acompanhado do TDAH, muito comum a praxia da fala, muito comum. Então, outros comprometimentos. E o Leonardo aqui, com 40 anos, só agora que ele buscou. Por que só agora ele deve ter tido o diagnóstico? Porque antes Não se falava tanto, e agora que se começou a falar mais em autismo. E aí ele buscou ajuda... E aquelas situações de desenvolvimento que ele tinha e não compreendia, agora ele compreende a razão de ser. Por isso que ele se encontra praticando certas terapias, como o fono, como fisioterapia.
Ou seja, a evolução também do diagnóstico contribui para o tratamento dessas pessoas que, assim, na minha humilde opinião, são não são compreendidas da maneira adequada. Existe muito preconceito, né, Marcelo? Eu ouvi algumas pessoas falando sobre autismo nos últimos anos e foi uma surpresa saber que acomete mais meninos do que meninas. Por quê, Marcelo?
É uma questão médica. Infelizmente, é uma questão médica que eu não posso adentrar. Mas o que mais me procuram para aspectos judiciais, para aspectos de consultoria. Simplesmente, eu falo aí de 80%. 80% são famílias com crianças ou adolescentes meninos. Meninos, efetivamente.
Perdão, meninos.
Meninos, exato. Meninos. Exatamente. E é interessante que as pessoas, muitas delas hoje, elas começam a se informar e antes elas tinham vergonha de buscar esse diagnóstico. Então a informação está começando a se espalhar de uma forma ainda muito pequena, engatinhando, mas as pessoas começam a compreender certas situações de falta de desenvolvimento que elas possuem, que isso se dá desde a infância. E aí nada mais é do que um alento para essas pessoas, para que elas tenham uma interação social mais adequada, um convívio mais adequado, E você falou uma coisa muito importante, Isa, que é a questão de evitar a discriminação. Eu só gostaria aqui de apontar uma situação que nós tivemos através de um decreto em 2020. Houve um decreto do presidente da república, um decreto, se não me engano, decreto 10.502 de 2020. Esse decreto, ele apresentava uma política nacional da educação especial. Essa política nacional da educação especial estava muito pautada a educação de base. E essa política criada através do decreto presidencial, ela foi suspensa pelo STF, está suspensa pelo STF, porque a alegação é de inconstitucionalidade. Por quê? Veja só, nesse decreto se falava que as pessoas com deficiência, incluindo-se, obviamente, os autistas, elas deveriam ter classes especiais, ou seja, totalmente, totalmente contrária ao que nós estamos falando aqui, ao que a lei fala aqui, ao que os tratados internacionais rezam, que é a inclusão. E aí vem um decreto presencial aí nesse caso, esse decreto tentando fazer uma espécie de exclusão dessas pessoas. Por quê? Porque essas pessoas devem estar nas classes regulares para que elas desenvolvam esse convívio social, para que ela possa ter uma capacidade maior de sociabilidade, e aí veio esse decreto. Eu gostaria de falar nesse sentido, porque pode ser que algumas pessoas adentrem nesse aspecto e falem, olha, houve um decreto, então eu já estou adiantando que esse decreto já está suspenso há um bom tempo pelo STF por inconstitucionalidade.
Exatamente.
Exatamente. Lá se falava, e até eu escrevi um artigo, eu falei que aí, nesse caso, feria a Lei Brasileira de Inclusão, porque ela garante um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, modalidades de ensino, e essas pessoas não podem ser excluídas do sistema regular sob a ligação da deficiência. Então, era uma espécie de segregação. Até na época, A senadora Mara Gabrilli, que é uma das defensoras das pessoas com deficiência, ela foi patente, ela foi muito criteriosa e voraz na fala dela no Senado a respeito disso.
Marcelo, tem tanta pergunta aqui. A Carla Colomei, lá no YouTube, ela quer saber se existem graus ou tipos.
De autismo Então, já se falou nesse caso de graus. Graus leve, médio e severo. Hoje nós estamos falando numa situação de comprometimento no desenvolvimento da pessoa com relação ao autismo. Então, mais comprometida ou menos comprometida? até pela nova classificação da OMS com relação ao transtorno do espectro do autismo, que nós temos aí, é o 6A02, aí tem de 1, 2, 3, 4, 5, daí vem Y e Z, tá? É importante que as pessoas que aqui estejam nos assistindo busquem essa classificação, porque lá fala com transtorno do espectro do autismo sem deficiência, daí a outra fala com deficiência intelectual, com comprometimento, na linguagem funcional, o outro fala sem comprometimento na linguagem funcional e assim por diante.
Então não são graus, são características.
Exatamente, é nesse caso. Fala-se na situação do comprometimento, ou maior comprometimento ou menor comprometimento conforme essa nova classificação.
Perfeito. Eu vou dar uma atenção aqui para a turma que está no YouTube e no Facebook. Eu já volto para todas as perguntas do Instagram, eu prometo. Você me disse agora há pouco que é o pediatra neurologista que pode reconhecer o autismo nas crianças. E aí o Olavo está perguntando qual especialista identifica o autismo em um adulto.
Neurologista e algumas vezes psiquiatra.
Pronto. Aí a Cláudia, ela diz que pede-se muito tempo para se diagnosticar. Por esse tempo, mês ou até ano, é algo importante, recuperava no tempo de estimulação infantil. Afeta a vida social dessa pessoa?
Afeta a vida, porque se nós estamos falando de uma criança, é indispensável o tratamento nesse desenvolvimento, nesse momento de desenvolvimento, para que o comprometimento seja amenizado. Então, o que ela falou aqui, infelizmente, perde-se muito tempo para ser diagnosticado. Pede-se por quê? Porque nós não temos ainda um número de médicos especializado para esse diagnóstico. Nós ainda estamos evoluindo para um diagnóstico mais rápido. Mas nós temos muitos médicos que fazem o diagnóstico rapidamente. Em uma ou duas consultas eles conseguem identificar. E aí já vão encaminhar para as terapias necessárias. ou até, em alguns momentos, medicamentos e assim por diante.
Nas crianças, você trouxe aqui o fato da criança não fixar o olho no adulto. E no adulto, tem algum comportamento que seja simples da gente observar, Marcelo?
É a questão social.
Isolamento?
A questão social, de comprometimento social, não há uma certa comunicação, essa pessoa sempre se isola, ela não tem muitos amigos, essa pessoa não gosta de ficar fora, ela gosta de ficar na sua casa, muitas das vezes isolada, ela não gosta de locais, é importante dizer isso, muitas dessas pessoas têm problemas com barulhos altos, Na audição, isso afeta demais. Também com a luminosidade. Muitas delas têm problemas sensoriais, sensoriais mesmo, até para um vestimento, para um tipo de roupa. Então, isso é muito comum.
Professor, tem aqui o caso do Samuel Wesley Nascimento. Ele está explicando aqui com mais detalhes. A filha dele tem sete anos, é a Sarah, e ele está mostrando aqui pelos comentários, pelo Instagram, o Samuel está... Ela está numa escola, porém o caso é que durante os sete anos ele está buscando apoio de uma equipe multidisciplinar, mas não fecha o diagnóstico. Então, ele está há sete anos buscando o diagnóstico da Sarah, e diz que falta muito comprometimento das equipes multidisciplinares, ter o olhar clínico, principalmente quando a busca de apoio é no SUS. Então, o atendimento público está ainda muito aquém do privado. Os dois estão ruins?
Os dois... O privado está um pouco melhor, mas o SUS, infelizmente, está praticamente nulo. Não há profissionais adequados, quando se atende, A quantidade de terapias é irrisória e as ciências utilizadas por essas terapias não são as mais modernas, infelizmente, isso é uma realidade. Então o SUS está engatinhando ainda para isso. O que tem muito é blá, blá, blá. Tem muita norma aqui, norma acolá, mas efetividade não tem. E nos convênios particulares, por questão de valores, eles indicam clínicas. clínicas que não têm profissionais habilitados para isso. E isso compromete o tratamento, isso é real, e isso gera uma judicialização muito grande, muito grande mesmo. E aí é uma questão de irresponsabilidade dos convênios, e eu posso dizer aqui que não é exceção, infelizmente não é exceção. A régua deles é pelo valor. quem eles contratarão, quem eles aí credenciarão. A clínica que cobra menos, e a clínica que cobra menos, muitas das vezes a equipe multidisciplinar, ela é formada por profissionais que não têm uma especialização, vou dar um exemplo aqui, em aba, que é uma ciência, que é uma ciência que é importantíssima. Não tem sala com integração sensorial, que é indispensável. E aí você tem que buscar isso em juízo. E outra, Isa, veja só, muitas dessas clínicas, essas crianças, esses adolescentes, são atendidos por estagiários ou de forma coletiva. O atendimento tem que ser de forma individual e por profissional habilitado.
Ô, Marcelo, eu estou vendo aqui muitas pessoas se manifestando mesmo, tá? No Instagram, inclusive. O Samuel Wesley Nascimento... Samuel, você está online conosco, ele pode te procurar depois pelo direct?
Pode, pode procurar.
Ele está dizendo que ela já tem um atestado no CIDEP 84, a escola exige um laudo, mas ainda não conseguiu o laudo, então, de repente, aliás...
Eu posso orientá-la. Eu deixo a disposição de todos que aqui se encontram. O meu Instagram tá aqui, a disposição. Podem entrar em contato com o meu direct. A Isa me conhece muito bem, eu respondo a todos. Obviamente que eu tenho muitos e muitos directs todo dia, mas eu responderei o mais breve possível.
Pra quem tá chegando agora, nós estamos falando sobre a consensação do autismo neste abril azul. Abril Azul foi uma cor que o calendário de saúde instituiu para a conscientização do autismo. A data oficial do dia mundial de conscientização do autismo foi dia 2 de abril, mas todo dia é dia de educação e saúde. E se você pensa que o autismo é um diagnóstico raro, você está enganado. Uma a cada 40 crianças tem, Marcelo, autismo?
Nos nascimentos, agora é exatamente essa probabilidade e essa probabilidade ela decorre de estudo de um centro americano, que é o Center of Disease Control and Prevention, que é um órgão ligado ao ao governo dos Estados Unidos, e lá se fala que uma criança a cada 44 ou 40, não me recordo exatamente, nascidas, estão no espectro. São crianças com TEA, com Transtorno do Espectro Autista. Então nós estamos falando aí, obviamente, isso nós estamos falando nos Estados Unidos, É um país que tem o seu desenvolvimento com relação ao tratamento e à situação de educação e ensino para essas pessoas. Aqui ainda estamos engateando para o diagnóstico. Veja como estamos engateando ainda. Mas é a nossa realidade. O número de autistas no Brasil, em razão do aumento do diagnóstico, vai aumentar enormemente. E nós não estamos preparados, Isa, não estamos preparados para todas essas pessoas que surgirão, são crianças, são bebês e são adultos que necessitam disso. E esses adultos podem ter um comprometimento muito maior e aí os pais desse adulto autista vai ter um momento natural que eles irão falecer. E quem ficará com eles?
Exato, exato. Eu vejo o mesmo movimento com os pais com os filhos com síndrome de Down.
Mesmo movimento?
Mesmo movimento. Marcelo, deixa eu te fazer um comentário aqui. Olha só, gente, vocês estão assistindo um dos poucos especialistas no Brasil sobre autismo, porque no site da OMS ainda tem uma estatística lá, que uma em cada 160 crianças tem PEA. E nos nossos stories aqui, Marcelo, nós divulgamos o link, inclusive, da última pesquisa, que já muda totalmente esse número, uma a cada 40 crianças. Então, Marcelo, não é que estamos tendo mais nascimentos com autismo, estamos tendo um diagnóstico mais apurado, certo?
Aqui nós estamos começando a ter um diagnóstico mais adequado, não é? Muito mais adequado, porque as pessoas começaram a ser informadas e começaram a buscar os médicos adequados para isso.
Sim. Nós temos ainda mais dez minutinhos para encerrar, Marcelo, antes da gente voltar com a questão dos direitos das pessoas que têm autismo. A KK diz o seguinte, tem uma amiga que descobriu agora, aos 16 anos, está desesperada. Qual a orientação?
Não fique. Busque o respaldo através de uma equipe multidisciplinar. O médico que fez o diagnóstico terá a devida possibilidade de indicação. Não é um desespero. O autismo não é um aspecto desesperador. O autismo, ele tem que ser tratado no momento correto. Se for diagnosticado agora, tem que se analisar quais são os comprometimentos que há, quais são as situações de falta de desenvolvimento, quais são os problemas de comunicação, de interação social, quais são os comportamentos restritivos e tratá-los através das terapias adequadas por profissionais adequados. Porque se você não pega um profissional adequado, simplesmente não vai ajudar nesse seu desenvolvimento. Mas não tenha medo. Todas as pessoas são iguais e todas as pessoas, obviamente, merecem um tratamento adequado para que a gente tenha uma sociedade mais tranquila, livre, justa e igualitária.
Vou repetir. Einstein, Bill Gates e Elon Musk. Só três figuras aqui que, na minha opinião, são muito inteligentes. e que tiveram o diagnóstico de autismo. Então, gente, esse nosso conteúdo é muito importante. Hoje, no Brasil, são dois milhões de autistas. Esse número a gente sabe que pode estar muito subestimado, né, Marcelo? É... Eu queria, então, Marcelo, pra gente encerrar, que você trouxesse as questões legais, os direitos das pessoas com autismo hoje no Brasil. Gente, mesmo que esse direito ainda esteja longe de ser colocado em prática, mas é importante você saber quais são.
Bom, primeiro, é um diagnóstico precoce. Segundo, nós temos legislações que falam a respeito de inclusão falam a respeito da inclusão na escola, nas universidades, no mercado de trabalho. Tem direito, os autistas, a uma saúde adequada, a um tratamento adequado. Onde que nós nos pautamos? Nós temos uma legislação, que é a Política Nacional de Proteção dos Direitos do Transtorno do Espectro Autista, que é a Lei 12.764, de 2012. Ela é conhecida como a Lei Berenicipiana. Nós temos uma outra legislação que é importantíssima. Desculpa, só retornando. A Lei Berenice Piana é a que equiparou as pessoas autistas às pessoas com deficiência. Todas as pessoas autistas têm os mesmos direitos que as pessoas com deficiência. E onde estão esses direitos? Esses direitos estão na Lei Brasileira de Inclusão, que é o Estatuto da Pessoa com Deficiência, que é a Lei 13.146 de 2015, Nós temos também, para que vocês tenham ideia da força dos direitos que nós temos, nós temos um tratado, que é o Tratado de Nova Iorque. Esse Tratado de Nova Iorque, ele foi assinado pelo Brasil, ratificado pelo Brasil, e ela adentrou ao nosso país como norma constitucional, para vocês terem ideia. Então, os nossos direitos para as pessoas com deficiência para as pessoas autistas são de âmbito também constitucional. Existe um decreto legislativo que ele aprovou essa Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência e seu protocolo, esse decreto legislativo é o 186 de 2008 e esse simplesmente é a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e traz inúmeros direitos aqui. Eu poderia ficar aqui, Verdade, poderia ficar aqui falando sete, oito dias sobre os direitos, porque nós temos inúmeros capítulos, mas a educação adequada inclusiva, saúde adequada com as devidas terapias e ciências mais atualizadas. Terceiro, é possível a busca de moradia assistida para essas pessoas que necessitam. Quando tem um desenvolvimento ou um comprometimento maior para essas pessoas adultas em si, o respaldo tem que ser muito grande. E principalmente, nesse caso, as pessoas têm que ser respeitadas. É o que eles buscam. Por isso que existe o dia da conscientização do autismo. O dia de conscientização do autismo é para que toda a nossa sociedade verifique como está praticando os seus atos e observem essas pessoas, não de uma forma diferenciada, mas de uma forma igualitária. E que nós podemos ajudá-las, podemos ampará-las, E é isso que necessita efetivamente, porque quando você ampara, dá ao autista a possibilidade de uma comunicação ou uma interação social, você está ajudando no tratamento dessa pessoa.
E o respeito começa com o interesse em saber mais sobre o assunto. para que você não tire conclusões precipitadas, para que você não cometa crimes, como o Marcelo mesmo disse. Às vezes, nós estamos, por pura ignorância e preguiça de saber de um assunto, nós podemos estar cometendo crimes. E ficou muito claro aqui, Marcelo, que nem todas as pessoas com autismo vivenciam ou problema da mesma maneira. Então tem características. Você disse mais cedo, não tem nível, não tem grau. É comprometimento leve, certo?
É um comprometimento. Ele pode do leve ao maior comprometimento na comunicação, nessa interação social, nos comportamentos restritivos, nos comportamentos repetitivos e assim por diante.
O Leonardo tá dizendo, eu tenho um casal de gêmeos com 12 anos que são autistas. Ele tá agradecendo pela live. Nós que agradecemos você aqui, Léo. Autismo precisa ser mais divulgado e compreendido. E aí, gente, eu vou até colocar de novo, Marcelo, lá nos stories, no Instagram, o link daquela matéria que você trouxe atualizando que uma a cada quatro crianças tem o diagnóstico.
44.
Uma a cada 44. Olha que curioso, no fim dessa matéria, a jornalista que escreve diz que ela é especialista em autismo, ela é mãe de um adulto autista que saiu do lado severo do espectro para o leve. Ou seja, com o tratamento adequado, com medicações adequadas, é possível, então, reduzir?
Não só medicações. Depende de como são as situações médicas desse paciente. Mas é comprovado que uma equipe multidisciplinar bem capacitada pode fazer com que os comprometimentos sejam minimizados.
Minimizados. Exato. Exato. Perfeito. Marcel, 8h15 foi o horário que nós tínhamos combinado. Foi um papo riquíssimo. E vai ficar gravado no YouTube. para vocês encaminharem esse conteúdo para quem vocês entenderem que vai ser importante. E, de novo, o respeito começa com o interesse pelo assunto. Marcelo, superobrigada.
Eu que agradeço pela oportunidade de sempre, Isa. Eu sempre estarei à disposição. Essa é uma missão que eu vou carregar para o resto da minha vida. É uma satisfação falar sobre o direito, o direito humano para o ser humano, para que ele seja respeitado.
Simples assim.
Eu fico à disposição.
Para quem ainda não segue o professor no Instagram, como está aparecendo aqui. E o Samuel Wesley Nascimento está agradecendo profundamente o que nós fizemos aqui. Depois ele vai procurá-lo pelo direct para entender o que falta para um laudo há sete anos ser feito para que a filha dele tenha os direitos.
Perfeito.
Marcelo, muito obrigada. Até breve.
Obrigado. Obrigado a todos.
E a todos vocês que nos acompanharam até aqui, muito obrigada pelo seu tempo e confiança. O Dia Mundial da Conscientização do Autismo foi dia 2 de abril, mas todo dia é dia de procurarmos educação e saúde, de promovermos saúde, de respeitarmos todos aqueles que estão ao nosso redor e compreendermos um pouco mais sobre todas as condições de vida. Até o próximo Promovendo Saúde. Eu te encontro semana que vem. Tchau, tchau.
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