Meu emprego pode sumir? Live com Fernando Barra

Isabela Camargo e Fernando Barra discutem se a tecnologia vai eliminar empregos. Eles exploram como os trabalhos estão evoluindo com avanços tecnológicos e por que se adaptar a essas mudanças é essencial.
Chapters
Olá, olá. Boa tarde. Tudo bem? Obrigada a todos vocês que já estão entrando aqui. Vamos começar agora as lives dessa tarde. Estive mais cedo, na Lala Bom Moço, a Lala Futurista, espetacular. Falou coisas incríveis que estão já lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real. E agora a gente vai conversar com um profissional autor do livro Meu Emprego Sumiu. O Fernando Barra é especialista em tecnologia e inovação e trabalha na área há mais de 25 anos. Então é coisa da gente pensar em ter e-mail. Ele já está estudando isso. E eu tenho certeza que esse papo vai ser importante, especialmente nesta semana em que eu estou propondo conversa sobre o futuro do trabalho. Eu já vou dividir aqui a tela com o Fernando. Que assim a gente aproveite bastante esses próximos 40 minutos aqui e ficaremos juntos, tá certo? Lembrando que todo o conteúdo fica lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real. Tudo bem, Fernando?
Tudo bom, Isabela? Prazer.
Obrigada pelo meu convite. Quando a Gisele, nossa amiga, me falou sobre o seu trabalho, eu fiquei realmente interessada, não conhecia o seu livro e depois de tudo que eu acabei lendo no site, né, o meu emprego sumiu, eu fiquei bem interessada em entender quais caminhos você percorreu até chegar nesse título e no conteúdo.
Legal, boa tarde pra todo mundo que tá na live, boa tarde pra você, espero que nessa 40 minutos, uma hora, a gente possa discorrer um pouco dessa experiência e trocar informação, essa semana tem tido bastante live falando disso, amanhã a gente tem um feriado do dia do trabalho, e estamos num dia, um pré-feriado totalmente atípico do que a gente já passou. Então ficou um tema bem quente aí. Um prazer estar aqui e estar à disposição.
Fernando, como é que você chegou nesse título? O que te inspirou a falar sobre os empregos que podem sumir ou até que já sumiram?
Vamos lá, bem pertinente esta pergunta. Como você me apresentou, eu trabalho na área de tecnologia desde que comecei a trabalhar, há 20 anos. E eu fui me especializando em algumas áreas, me especializei em analytics, inteligência artificial, e sempre dando palestras lá pela IBM, falando sobre inteligência artificial, sempre caía no tema dos robôs vão pegar o meu emprego. Quando a gente mostrava que está vindo de inovação, como a inteligência artificial cresceu, e agora a gente não automatiza só processos, hoje é possível uma máquina entender voz e contexto numa frase, E sempre, no final de cada palestra, vinha alguém falar comigo. Puxa, o que eu faço? Porque o meu emprego vai sumir. Eu acho que o que eu estou fazendo hoje, eu não vejo futuro e não estou satisfeito. E como eu tinha interesse de escrever um livro, eu comecei a pesquisar a respeito. Falei, acho que dá para juntar duas coisas que eu gosto aqui. Tecnologia e o futuro do mercado de trabalho. E, de fato, eu comecei a olhar para a minha carreira e falei, puxa, o primeiro que aconteceu foi comigo. Porque eu estou aqui trabalhando na IBM, mas aquilo que ela me contratou para fazer há quatro anos atrás já não existe mais. Eu estou fazendo aqui... Eu entrei como especialista em venda de soluções de business intelligence, softwares de geração de relatório e em quatro anos não existia mais vendedor disso, porque essa solução já estava ultrapassada e a gente já tinha outras soluções no mercado. Então eu comecei a falar, o meu trabalho não subiu, mas o meu emprego sumiu. E foi daí que surgiu a ideia de criar o livro. O livro faz uma mescla de o impacto da tecnologia e as revoluções ao longo da humanidade que impactaram na forma como a gente trabalha. Eu costumo separar bastante o que é trabalho e o que é emprego. Trabalho sempre existiu, desde que a humanidade existe. Quando a gente começou lá atrás sendo caçador e coletador, a gente tinha um trabalho de sair e conseguir a caçar um animal ou subir numa árvore e comer um fruto para poder sobreviver. Depois, com a invenção da tecnologia fogo, que também tecnologia é outra palavra que a gente mistura um pouco, tecnologia nada mais é do que qualquer ferramenta que possa auxiliar o dia a dia nosso. A gente pensa sempre em coisa nova, mas a gente faz tecnologia desde que o homem existe. Então com a tecnologia fogo, o homem começou a queimar tudo que estava na frente e aí ele teve a sua primeira revolução. Nada muito diferente do que a gente está passando aqui em outra escala, mas ele não conseguia mais caçar e comer fruto e precisou aprender a plantar. Então foi a revolução agrícola que a gente aprende na escola. Interessante que um pouquinho antes dessa revolução, o profissional da moda, o emprego da moda era aquele cara forte que conseguia subir numa árvore ou correr para matar um animal. Assim que aconteceu a Revolução Agrícola, o profissional da moda e o novo emprego era quem sabia plantar e começou a entender que as fases da lua auxiliavam nessa plantação e assim por diante. E a gente passou uma primeira revolução. Depois a gente teve uma segunda, muitos anos depois, que foi a Revolução Industrial. Então os artesões e quem trabalhava na sua casa fazendo o seu trabalho começou a ir para a cidade e os grandes empregados que tinham as suas fábricas com máquinas precisavam de gente para operar essa máquina e criou o empresário, o empregador e o empregado. Aí sim surgiu o emprego e aí a gente teve uma segunda revolução porque as pessoas começaram a trabalhar dentro de linhas de produções e trocar dinheiro por valor. É o tempo que eu fico trabalhando ali que me dá o dinheiro. E o que vem acontecendo agora é exatamente a mesma coisa. A gente está numa revolução digital. Essas máquinas físicas e gigantes que existem estão se transformando em sistemas que fazem atividades que antes uma máquina não fazia, que agora substitui o ser humano num atendimento do call center, como a gente vê, para uma leitura de um processo para uma área jurídica, para uma leitura de um diagnóstico numa área de medicina. E, mais uma vez, a gente está tendo uma revolução E mais uma vez empregos que antes estavam, vamos dizer assim, com mais demanda ou na moda, agora em virtude dessa tecnologia deixam de existir e existem outros. Então o que eu reparo ao longo do tempo fazendo esse estudo é que trabalho nunca vai acabar, ele sempre existe. Agora, a forma como a gente faz esse trabalho, a forma como a gente é remunerado e como o mercado contrata, sim, ele muda e, sem dúvida alguma, esse modelo mais tradicional que a gente tem de CLT, emprego, empregador, ao longo do tempo, ele está sofrendo mudanças e passa a desaparecer. Jamais imaginava, lancei esse livro ano passado, no meio do ano passado, jamais imaginava que coisas que a gente estava falando ali, que eu falo no livro, como crescente do trabalho em home office, crescente do ensino à distância, um termo que a gente usa muito, já falaram aqui nas lives, a uberização, não que todo mundo vá trabalhar no Uber, mas ter modelos de plataformas onde eu entro, presto um serviço e recebo por aquele serviço, vai crescer e, de repente, uma crise não faz surgir uma revolução, ela já vinha acontecendo, mas acelera absurdamente a adoção dessa desta revolução. Porque quando a gente olha para essas duas grandes revoluções que eu falei anteriormente, foram revoluções que levaram anos. Uma revolução não é uma coisa que a gente fala, vamos todo mundo dar as mãos aqui e agora a gente vai falar, está instaurada a revolução agrícola ou está instaurada a revolução digital. Ela leva anos, são mudanças que vêm ocorrendo e que depois de muito tempo a gente olha para o passado e fala, poxa, isso aqui mudou. mas crises durante a Revolução fazem elas serem mais rápidas. E a adoção da tecnologia também, que eram coisas que a gente não imaginava. Então, independente da pandemia e da crise, que não tem nada de bom nisso, a forma como o ser humano se adapta, sim, é interessante e, sim, isso eu vejo boas oportunidades. A gente já vinha acelerando absurdamente a adoção e agora mais. Tem um estudo muito interessante da Visual Capitalist que eles medem quanto tempo demora para uma tecnologia ser adquirida e utilizada por 50 milhões de pessoas. Então eles entendem assim, quando 50 milhões de pessoas estão utilizando aquele tipo de tecnologia, ela passou a ser uma tecnologia já validada para o mercado, vamos dizer assim. O avião levou 60 anos para transportar 50 milhões de pessoas. Então, depois de 60 anos, 50 milhões de passageiros já passaram por um avião. A TV levou cerca de 18 a 20 anos para ter 50 milhões de lares. Ali a gente não conseguia medir pessoas, mas já é um bom número. O Facebook levou dois anos para ter 50 milhões de usuários. Um jogo muito famoso que saiu há três anos atrás, o Pokémon Go, ele atingiu esse número em 19 dias. O Tik Tok em um mês atingiu. Então o que a gente percebe é que é uma nova revolução. Ela já vinha acontecendo. A forma de trabalhar realmente muda da revolução industrial, mas ela tem fatores a mais que antes nós não tínhamos. A adesão à tecnologia é muito rápida. A gente aprendeu a aderir e se adaptar muito rápido. Logo, Toda revolução tem esse gap que eu falei, aquela pessoa que tinha uma profissão que era muito demandada deixa de ter e passa a ter uma nova, só que agora é muito rápido. Então o perigo dessa vala e desse período é de a gente ter uma ociosidade grande. Coisas que durante a revolução agrícola, como ela foi mais lenta, não se percebeu tanto. Durante a revolução industrial também não. Agora a gente tem uma massa de pessoas que fazem um tipo de atividade, que a máquina pode fazer e que eu não preciso mais, e uma demanda por um tipo de profissional que ainda não está pronta, ainda não tem. Então, nesse exato momento, a gente está com uma série de desempregos à mercê e a crise vai aumentar e, ao mesmo tempo, a gente tem quase que 10 milhões de vagas, desculpa, quase que 100 mil vagas abertas de tecnologia para desenvolvedores que a gente não encontra a gente. Quem conseguir se adaptar um pouco mais rápido, e isso não é só trabalhar em tecnologia, para todas as áreas, vai acabar se destacando. E de uma forma resumida, é isso que eu trato no livro.
Fantástico. Fernando, as mudanças estão acontecendo mais rápidas. Eu posso chamar este momento como revolução cognitiva ou ainda não?
Pode. O nome tem vários. Muita gente chama de revolução digital. porque a gente está trazendo muita coisa para dentro do mercado digital, revolução cognitiva, transformação digital. Podemos usar aqui revolução cognitiva sem problema algum. Eu gosto desse nome porque ele traz um quê a mais de inteligência artificial. Então o que a gente usava de tecnologia até agora automatizava processos que eu não precisava entender com o texto. Então ensinar uma máquina que ela tinha que cortar um pano a cada 30 centímetros era fácil e ela fica cortando o pano a cada 30 centímetros. Dizer para a máquina que, dependendo da cor daquele tecido, ela tem que cortar mais para frente ou mais para trás, ou dependendo da moda que está acontecendo, é para ela escolher um pano, já era mais difícil. Ela não conseguia entender contexto. E uma frase, quando a gente fala, entender voz é complicado para uma máquina, porque a máquina por trás está sempre no 01, então ela tem que pegar aquela frase e entender contexto. Uma palavra em uma frase pode ter N significados. E nesse momento a gente tem inteligência artificial para fazer isso, já comprovada e funcionando. Então, o nome cognição, eu acho ele bem adequado para isso.
Fernando, eu não gosto de deixar aqui os comentários porque senão as pessoas não conseguem te ver. Ao mesmo tempo, certos comentários são muito oportunos e de muito alto nível. Então eu vou deixar, eu vou continuar ainda aqui com os comentários e já já eu tiro.
Sem problema algum. É uma boa dicotomia isso. Eu também nunca sei quando tirar e deixar.
Não é? O Helder Curse, ele diz assim, eu me lembro quando o técnico em videocassete era a profissão top do momento. Eu tenho pesquisado muito sobre saúde mental e antes de falar sobre saúde mental eu estava pesquisando sobre as percepções do tempo. Quando fui pesquisar na história, enquanto tinha uma turma preocupada em administrar o cocô dos cavalos, tinha uma outra turma já desenvolvendo os carros Isso agora acontece com mais agilidade E vejo que se antes eu ficava pensando, preciso aprender a usar uma plataforma digital para fazer reunião Agora não dá para pensar muito, tem que.
Fazer A minha avó dizia uma frase muito interessante A dor faz a gente aprender a chorar e a se movimentar E é o que está acontecendo agora mesmo, não tem jeito Como é o.
Nome da sua avó? Bernadette Dona Bernadette, sábia das coisas.
Sábia. Mas está completa de razão. A crise fez acelerar. Quando você tem dificuldade, você tem que acabar fazendo. Muita gente... Hoje, para você falar com seus familiares, a gente precisa entrar e usar um aplicativo desse, mesmo quando estiver trabalhando. Então, até pessoas de mais idades, que tinham... certa aversão a utilizar uma tecnologia, vai ser necessário utilizar, não tem outro jeito. E isso acelera demais.
Fernando, no livro você menciona os tipos de emprego. Eu vi lá no seu site que a Universidade, um estudo da Universidade de Oxford, apresenta que cerca de 45% dos empregos poderão desaparecer até 2030. Você poderia nos pincelar quais fazem parte desses 45%?
Perfeito. É uma estatística e pelo jeito ela vai aumentar mais. O processo de automação, tudo que eu consigo fazer de forma repetitiva e sem precisar de uma tomada de decisão, hoje, 100% de qualquer coisa que eu consigo fazer repetitiva, sem uma tomada de decisão, já é possível ser automatizado por uma tecnologia. Então, call centers, que a gente chama de URA, o termo técnico, que é aquele menu chato que a gente fica, diz que um para isso, dois para aquilo, e às vezes você só quer o último menu, você tem que passar por tudo aquilo, hoje já é possível você entrar, falar uma frase, ele entender o contexto e te mandar direto para aquela opção sem você precisar passar a URA inteira. Então, o que a gente entende é que esses call centers gigantes são um dos primeiros que a gente vê uma grande demanda. Processos de leitura e digitação de texto. Então, por exemplo, dentro dos bancos, nós temos uma enorme quantidade de pessoas, no que a gente chama de back office, nas operações, que a gente nem conhece, validando procuração, que é um documento que você faz no cartório e que ele é redigido e ele escreve, né? Eu autorizo fulano de tal a assinar em nome da empresa. Esse documento não tem padrão nenhum, cada pessoa escreve de um jeito. Então, hoje, Um banco grande tem, em média, de 300 a 500 pessoas lendo esse documento e validando se aquela assinatura tem procuração. Números que eu conheço e participam. Hoje, uma inteligência artificial já começa a ler esse tipo de documento e encontrar informações ali e você já não precisa disso. Você tem um número enorme de advogados que simplesmente, e principalmente estagiários e advogados júniors, que simplesmente passam o dia inteiro na frente do computador vendo publicações do Ministério para poder atualizar processos. Ele só tem que entrar lá, saber se o juiz fez alguma autorização naquele processo e publicou. E aí ele lê e atualiza o sistema. Então isso também a gente já tem feito com automação comercial. Existem inúmeros. Eu recebo todo dia a pergunta qual.
É a profissão que... Fernando, travou um pouquinho. Repete, por favor.
Eu recebo todo dia inúmeros pedidos de qual é a profissão mágica que vai morrer e qual é a profissão que vai existir. Hoje, com a adesão da tecnologia, não existe uma classe específica. O que a gente vê é processos robóticos e automações, aquilo que você consegue fazer dia a dia, sem envolver uma tomada de decisão e sem envolver outro humano, com certeza você está sujeito a não ter mais essa profissão ao longo do tempo. E processos mais humanos, por incríveis que pareçam, então da área terapêutica, da área de criatividade, relacionamento, esse tipo de sentimento a máquina não entende e é mais difícil de você perder. O que eu acho mais importante que eu costumo falar é, é um excelente momento, e eu vi isso em algumas lives, que eu achei muito legal, falando sobre o futuro do trabalho, é um excelente momento para você fazer um exame de autoconhecimento Entender quais são as habilidades que você tem, e é impressionante, o cachorro ele late, não interessa a raça, ele sabe latir, o gato sabe miar, mas o ser humano não tem isso, o ser humano ele nasce e ele faz alguma coisa, essa alguma coisa é produzir. Então, se você parar e começar a olhar para você, que tipo de habilidade você tem, o que te toca, o que você sabe fazer Depois, em paralelo, o que existe de tecnologia para eu exercer essa atividade, essa habilidade que eu tenho E aí eu preciso estudar essa tecnologia mesmo eu não sendo da área de tecnologia Como, por exemplo, saber usar uma ferramenta de videoconferência, como você disse. E, por fim, esta habilidade com essa tecnologia, que grupo de pessoa tem necessidade, tem uma dor que eu posso atender essa pessoa? Pensar no trabalho como o trabalho é ajudar o próximo. Independente do que você faz, um trabalho sempre é. uma lista de tarefas que você faz para ajudar alguém. Esse alguém pode ser o seu chefe, pode ser o seu cliente final, pode ser o seu amigo ou seu colega de funcionário do departamento. Sempre você tem essa regrinha, uma lista de tarefas para ajudar uma pessoa. Se você sabe quais são as suas habilidades, como você faz essa lista de tarefas? Utilizando ferramentas tecnológicas existentes. E para quem você resolve esse problema, você tem Você tem emprego quase da vida. Pode ser que mude o formato de... Pode ser que mude o formato de contrato de trabalho. Talvez você não seja um CLT mais, talvez seja um profissional autônomo. Talvez você trabalhe numa plataforma, como eu estava dizendo. A gente vai ter N plataformas como Uber para diversas novas indústrias. Essa crise fez o governo antecipar e liberar teleatendimento para telemedicina. Então saíram... Diversas plataformas, eu entrevistei algumas, onde os médicos estão de casa fazendo uma primeira consulta para um diagnóstico mais simples se a pessoa deve ou não ir ao hospital por um caso de COVID. Essa plataforma não vai embora quando acabar a crise e a gente pode começar a ter médicos trabalhando dentro disso. Então o formato vai mudar, mas essa essência para mim é fundamental. Você entender quais são as suas habilidades, trazer sempre tecnologia para ela e para que grupo de pessoa você atende Isso vai continuar o tempo todo.
Perfeito. Ouvindo você, fica aqui latejando na minha cabeça, assim, os empregos não é que eles sumirão, mas eles serão substituídos.
Perfeito.
E aí aqueles que se adaptarem melhor e mais rápido para essas substituições, melhor. Porque ficar chorando pelo passado não vai mudar nada, né?
Exatamente. Resumiu muito bem.
Fernando, agora eu quero te fazer uma pergunta que eu ainda não fiz para ninguém. Você trabalha na IBM. Eu sempre me lembro daquele filme, daquelas três cientistas maravilhosas, né?
No universo das estrelas.
Que mostra aquela máquina gigante entrando, aí não tinha porta pra entrar, enfim. A IBM pra mim sempre pareceu a mãe dos computadores. Eu venho de uma geração que ainda pegou analógico, mas a gente está conversando com uma galera que já é digital. E o nosso cérebro, para eu estudar bastante saúde mental, ainda não consegue acompanhar tantas telas, ainda não consegue se manter saudável. com tanto uso cognitivo, por isso que quando eu falo revolução cognitiva é porque assim, se antes eu usava meu cérebro para tomar certo tipo de decisão, agora eu tenho que tomar decisão o tempo inteiro, até para filtrar tudo que eu recebo. Então, como é que você vê, Fernando, a partir das suas pesquisas e por trabalhar onde você trabalha, essa manutenção do cérebro analógico no mundo digital?
Perfeito, excelente pergunta. Poucas lives me fizeram uma pergunta dessa e eu acho ela super importante. Tem uma coisa chamada, não sei se você já ouviu falar, obesidade cerebral. E as pessoas falam que a gente precisa tratar isso com dieta de informação. Acho a forma mais simples e didática de explicar. De fato, Nós vivemos épocas, nessas evoluções que eu falei, onde armazenar informação dentro de si era um diferencial para você crescer na organização e na sociedade. Então, se falou muito que quem tem informação tem o poder, porque era difícil ter acesso a essa informação. Hoje, a informação virou um bem natural, igual água. Informação todo mundo tem. Uma criança com um celular hoje tem mais acesso à informação do que o presidente Bill Clinton tinha durante o seu mandato nos Estados Unidos. Então a crescente de informação é gigantesca. E o nosso cérebro tem uma missão fenomenal que é manter a nossa sobrevivência. Logo, ele tem aquela regrinha simples, acumular o máximo de energia e gastar o mínimo de energia possível. Isso vale para o nosso físico por isso que é tão difícil ir na academia e é tão gostoso comer um chocolate, mas isso vale também para o aprendizado e a retenção de informação. Reter a informação e aprender algo para o nosso cérebro faz ele gastar muita energia, muita energia mesmo. Então quando ele percebe que ele está armazenando uma informação e que ela não tem valor e que a gente rapidamente descarta e pega uma nova, Ele começa a ficar obeso e ele para de manter esse processo de armazenamento Então a gente passa horas, e tem pessoas que passam muitas horas Na frente de um Facebook, de um Instagram, somente deslizando o texto e lendo o título de notícia E no final do dia ele não vai lembrar de nenhum post daquele E quando essa pessoa pega um livro para ler, ela tem uma dificuldade absurda de se concentrar por 15 minutos para ler páginas porque a gente não vem forçando isso. E de fato, tem vários neurocientistas colocando isso, acho muito bem apropriado, chegou um momento onde a gente precisa mudar a forma como a gente usa o cérebro. Não vale armazenar tanta informação, porque a quantidade é gigante e ela muda toda hora. Vale a gente escolher ter foco no que vai fazer, treinar o cérebro, e aí a gente precisa voltar a aprender, É uma coisa tão simples, mas a gente simplesmente esqueceu, porque a gente vem de uma geração, principalmente que tem de 20 anos pra frente, onde esse processo era sequencial. Então nasce, criança brinca, adolescente, jovem, vai pra escola, estuda, faz faculdade, aprende, aprende, gasta o cérebro, depois tem uma carreira, não precisa mais aprender. Vai trabalhar, se aposenta e tudo bem. Agora a gente precisa trabalhar, aprender, trabalhar, aprender. E o cérebro realmente não estava preparado pra isso. Então, nós temos um sério problema cognitivo com essa quantidade de informação e a gente só vai perceber e saber o que está acontecendo em gerações futuras, infelizmente. Não dá para saber o impacto que uma criança tem de ter essa explosão de informação e eu não estou dizendo aqui que eu sou contra o acesso à tecnologia, muito pelo contrário, mas o que a gente precisa entender é que a forma como a gente utiliza mudou. O cérebro, na maioria das pessoas, tem um estudo americano, também de Oxford, que diz que ele já entende o celular como um membro do corpo, porque aquele telefone que a gente armazenava do pai e da mãe decorado na cabeça, a gente não sabe mais, a gente simplesmente pega o telefone e aperta, os números de telefone estão lá. Aliás, tem gente, já aconteceu comigo, que quando me pergunta o número do meu telefone, eu preciso parar para pensar, porque nem o meu próprio número, às vezes, a gente lembra, fica armazenado lá. E por isso que dá tanto medo quando o telefone acaba a bateria ou está longe. Não é só uma questão de fomo e de conhecimento do que está acontecendo ao redor do mundo. É porque de verdade abre um alerta no nosso cérebro para falar, peraí, o telefone está longe, se eu precisar me comunicar com alguém, eu não sei o número e eu vou ter um problema. E quem perde ou é assaltado, roubado o telefone, tem um sério problema até reestabelecer todos esses contatos. Então é momento de a gente começar a mudar a forma como a gente aprende e como a gente comporta. Não tem mais valor, por isso que o impacto grande na educação, na minha opinião. Não tem mais valor eu decorar tantas fórmulas e saber de cabeça tantos processos. Tem valor eu entender o que está acontecendo na humanidade e como é que eu tomo uma decisão buscando aquela informação. É mais importante, de uma forma simples, eu saber como é que eu pesquiso no Google do que eu decorar o nome de todos os presidentes ao longo da história. Lógico que de profissão para profissão isso muda, mas de forma geral é isso. A gente precisa começar a dar tempos e limites para o cérebro. Por isso que Mindfulness cresceu tanto, por isso que respiração tem crescido tanto e por isso a quantidade de pessoas em burnout na empresa, porque o cérebro realmente chega no limite que ele não consegue armazenar isso.
Repete essa frase, por favor.
Qual? A última? Muita gente com burnout e como Mindfulness é importante? É extrema.
É assim ó, eu vivi uma experiência com a síndrome de burnout em 2018. E aí desde então eu me tornei a porta-voz do assunto e vivi meses até a Organização Mundial da Saúde incluir o burnout como uma doença ocupacional. Até então eu tinha que viver dizendo que não estava falando de uma frescura. Mas ainda hoje o assunto é um tabu. E aí quando eu venho explicando sobre a força física, depois a força intelectual e o excesso, a falta de limites, a falta de pausa, As pessoas me olham assim com aquela cara. Como assim? E é assim. Porque quando a gente excede num exercício físico, o seu corpo já dá um sinal e aí você fica dois dias sem ir à academia, por exemplo. Se o excesso foi na academia. Agora no cérebro, não. O cérebro ele te avisa que você excedeu tendo enjoo, tendo uma série de consequências. Só que aí a gente acha que não. Que não tem nenhum problema.
E essas consequências, algumas vezes, têm mais problema até do que o físico, porque o físico se recupera mais rápido. São N músculos. Você consegue estressar um músculo e o outro compensa. Cérebro, a gente só tem um. E quando ele trava, aí você precisa parar mesmo. É muito importante a quantidade de profissional que está passando por um burnout. Mesmo agora, muita gente que eu tenho falado está trabalhando em casa mais, no home office, do que trabalhava antes, porque é cômodo e é rápido. tem que lembrar que sábado é sábado e que tem horário para começar, para parar e fazer uma atividade, mesmo dentro de casa. Vai fazer uma leitura, faz um mindfulness, joga um jogo, muda a forma.
Ou não faz nada, né?
Outro dia... Ou não faz, perfeito, perfeito.
Outro dia, uma psicóloga, ela estava deixando um desafio para todas as pessoas que ela estava entrevistando. Ela perguntou, Isabel, qual o seu desafio para essa pandemia? Eu falei, não faça nada. Cinco minutos sem fazer nada.
Extremamente importante.
Fernando, antes da gente continuar, a psicóloga do trabalho estava aqui elogiando a sua forma de falar, muitas pessoas comentando sobre aqui os seus ensinamentos e algumas vão ter que sair. Então, eu quero só lembrar que o conteúdo todo fica lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real. Inclusive, os horários das lives que eu tenho feito, elas não estão seguindo assim nenhum padrão. Porque tal hora é mais assim, tal hora é mais assado. Por quê? Porque já que somos agora um canal individual, né, Fernando, então depois as pessoas vão assistir lá na hora que elas puderem e quiserem. Então, eu sempre recomendo, como as palavras são sementes, se vocês estão entendendo o que a gente está falando, está fazendo sentido, compartilhem depois com mais pessoas que o conteúdo ficará disponível. Fernando, vamos falar um pouco mais sobre essa obesidade cerebral, porque Se antes falar de uma nuvem era algo muito distante, porque a gente guardava as informações em disquete, desde a Lei de Moore a cada um ano e oito meses, eu acredito que agora é muito mais rápido, mas então a gente deixa as informações gravadas na nuvem. Só que a memória é gerada pela experiência e se eu ficar só ali naquele consumo superficial, Eu passei o dia, cansei meu cérebro e não retive nada. Quando você fala ali...
Essa é exatamente a obesidade cerebral. Eu deixo o meu cérebro lerdo e preguiçoso, porque ele se esforçou absurdamente para tentar entender e prestar atenção em algo e eu não escolhi nada, eu passei 20 posts, 20 títulos, 20 é pouco, a gente passa 200 e não me aprofundei em nada, aquilo gera... ele não consegue fazer a sinapse que a gente fala, ele não consegue absorver e guardar.
Desculpa, a Gisele Paula tá aqui, né?
Oi, Gisele.
Obrigada, Gi. Super, super obrigada. Troca fantástica. Desculpa, antes da gente continuar, você tá me dizendo que quanto mais eu fico numa leitura superficial, mais eu deixo meu cérebro lento e preguiçoso?
Exato. Quando eu faço isso de forma exagerada. Não tem problema nenhum eu gastar um tempo numa leitura superficial como essa. Mas quando eu fico horas passando um post atrás do outro, um post atrás do outro e eu só leio o título, não entro, não clico ou gasto tempo lendo aqueles comentários, aquilo não traz uma experiência em conjunto. O célebre trabalha com dois P's, um bom aprendizado para ele, tem um método que eles chamam de dois P's, é o método da presença e da prática. Então quando eu consigo ficar presente, esquecer o resto, me aprofundar numa leitura por 20 minutos, 30, ninguém precisa ficar 5, 6 horas, mas naqueles 20 minutos eu vou ler um tema, entender aquele tema e logo na sequência eu pratico, eu gero algo para o cérebro que é muito importante, que é a recompensa. Esta recompensa faz ele olhar para aquilo, gera a experiência que você falou e aí ele armazena. Foi assim que a gente aprendeu a andar. que é um dos primeiros grandes aprendizados que a gente tem lá. A gente levanta, dá um passo, cai, falou, não é por aqui, dá um passo. A gente aprende errando, mas é, pratica, fica presente no momento. A criança quando tá andando, ela fica até tensa, né? Ela fica presente, presta atenção, faz, pratica e já vê a recompensa que tem. Certo ou errado? O cérebro, ele não tem essa diferença se aquilo foi certo ou foi errado. Por isso que é tão importante a gente dar valor para o erro. Coisa que na escola também a gente para, né? Só vale a resposta certa. Para o cérebro, se ele teve a experiência, deu certo ou deu errado, para ele foi uma recompensa. Ele começa a reter aquela informação. Então, é extremamente importante, ao longo do dia, eu tirar um momento para sair da frente de uma mídia social. E, de novo, não tenho nada contra mídia. Acho um instrumento fantástico que estamos aqui usando. Jamais poderíamos estar trocando essa experiência se não fosse ela. Mas parar um tempo e falar, puxa, já que eu preciso trabalhar e aprender, eu vou tirar 20 minutos por dia e, nesses 20 minutos, eu vou parar para focar para aprender alguma coisa. Essa alguma coisa significa sentar, gastar 20 minutos ali estudando e depois praticando. Isso não é necessariamente algo profissional, pode ser um mindfulness, pode ser um hobby, aprender a tocar um violão, etc e tal.
Olha, o Paulo Sileno, espero que o Paulo ainda esteja aqui, ele diz assim, olha, para forçar o meu cérebro, fico atento, leio os livros em voz alta. E teve uma outra pessoa aqui que estava dizendo que estava já com dificuldade de ler livros porque não conseguia mais reter, ter a atenção.
Atenção. É muito comum hoje, Espírito Santo. A maioria dos jovens já estão começando com esse problema e eles simplesmente têm muita dificuldade de ler um livro simples, porque eles estão acostumados nessa, a gente chama de informação fluída, né? O que acontece na nossa timeline não é que para uma informação ali, ela fica passando como se fosse uma torneira aberta. Então é momento de eu ir lá, pegar minha quantidade de água e sair. Eu bebo a minha água e saio. Se eu ficar com a cabeça ou com a boca dentro da torneira o tempo inteiro, eu vou morrer afogado. E é mais ou menos o que acontece com o nosso cérebro.
Perfeito exemplo do timeline com a torneira aberta. Fernanda, e aí nesse caso, quando eu senti que eu estou com dificuldade de ler um livro, significa então que aí eu preciso botar mais energia, insiste naquele tempo maior, naquela profundidade, é isso? Aí eu vou treinar então o contrário.
Quando eu tô com obesidade, eu preciso fazer duas coisas. Um, eu preciso dar um boot no cérebro, igual a gente dá no computador. Então eu preciso parar. Aí o mindfulness, como você falou, não fazer nada, é extremamente importante. Abaixa aquela velocidade do cérebro e aí começa a treinar um novo hábito nele, que é ele pegar alguma informação com profundidade. Então escolhe um tema, um livro que você gosta, um filme que você vai assistir, um TED, e assiste aquilo presente. Faz só aquilo naquele momento. E na sequência, pratica. Se você fizer um desse por dia, você vai perceber que o teu cérebro vai deixar de ser preguiçoso e obeso, como a gente fala. Ele começa a voltar. Isso é extremamente importante. A tecnologia ajuda demais. Eu sou apaixonado por tecnologia. Mas não saber usar e não entender que tecnologia revoluciona, alincando com tudo que a gente falou, a forma como a gente se comunica, estuda e trabalha, ela pode gerar sérios problemas, sem dúvida alguma.
Fernando, isso que você falou, eu li há muitos anos num texto da década de 90 do Eduardo Gianetti, sociólogo. Obesos de informação, famintos de sentido. E eu já quero, antes de passar para as considerações finais, como passou rápido esse tempo.
Foi, me gostou.
Porque na última semana de maio eu vou fazer uma série de entrevistas, eu dou uma pausa agora quando acabar essa do trabalho E volto com uma série de entrevistas sobre experiências de pessoas que superaram o burnout Vai chamar Reacenda. E o seu tema aqui é fundamental, até porque a causa de muitos burnouts é o excesso de trabalho, num trabalho que não faz sentido algum. E aí o corpo tá gastando muita energia, não tá retendo nenhum benefício e aí adoece. Então já quero deixar o convite pra você, pra gente voltar a falar no final do mês.
Super aceito. Agradeço bastante.
Então, Fernando, eu queria as suas considerações finais. O meu emprego sumiu. Vai ser uma afirmação de muitas pessoas que ou já perderam o emprego ou estão para perder. É um medo. É um medo tremendo e aqueles que ficarem, inclusive, no emprego talvez terão que assumir mais trabalho daqueles que foram. Então, olha como vai ser importante a gente falar sobre esse excesso Sem dúvida. Então eu queria que você deixasse aí agora suas considerações finais sobre o tema do seu livro e o que você diria para quem está pensando no futuro do trabalho.
Excelente. Primeiro eu queria agradecer a oportunidade. Foi um papo muito agradável. A gente acaba se conhecendo e vendo como muita coisa alinca. Agradecer a Gisele que está na live, que fez esse link. Eu também fiz uma live com ela, foi muito legal. E para você que está aqui, que está pensando, eu acho que é um bom momento, já que você está em casa, de pensar um pouco naquilo que eu falei lá no começo. É um momento de autoconhecimento. Esquece um pouco, continua trabalhando, trabalho é extremamente importante, mas não foca tanto no seu emprego, mas foca no seu propósito de trabalho. Se conhece um pouco quais são as habilidades, aquilo que te toca fazer. Como é que você pode estudar, e aí sai da obesidade cerebral, aproveita. Como é que você pode estudar alguma tecnologia para você utilizar essa habilidade que você tem e para que tipo de pessoas essa habilidade que você tem com essa tecnologia resolve um problema? Pensa nessas três coisas. Quem consegue encontrar e entender isso, que eu consigo ajudar e resolver um problema de um determinado grupo de pessoas. utilizando algumas habilidades que eu tenho e fazendo isso com a tecnologia que existe, essa pessoa, sem dúvida alguma, independente da profissão, da indústria, ela tem um trabalho. Talvez ela não tenha um emprego, mas ela tem um trabalho. Então é um ótimo momento, as coisas acontecem em momentos inexplicáveis, mas é um bom momento para você que está em casa que vai voltar a trabalhar ou que está preocupado se vai ter ou não emprego, pensar nisso. O que eu sei fazer? Para quem eu posso fazer isso? Para quem vai me ajudar? E que tipo de tecnologia existe para eu fazer isso melhor ou com mais velocidade ou mais volume? E eu vou começar a estudar isso e talvez aí surjam, como vão surgir no mercado sem dúvida alguma, transições de carreira. Ela começa a ficar extremamente comum, nós temos profissionais com múltiplas carreiras, e esse tipo de pessoa pode estar mudando a sua profissão, mudando o seu trabalho, mas se encontrando, sendo mais feliz, não tendo burnout, que é uma coisa muito séria, concordo muito com você, e o impacto disso é grande, e continuar tendo a sua remuneração e exercendo o seu trabalho. Então, se eu poderia resumir, são essas três coisas que eu acho que podem fazer a diferença.
Fantástico. O que eu gosto de fazer, de resolver, que vai... Aliás, o que eu gosto de fazer que vai resolver um problema. Fernando Barra, muito obrigada pelo seu tempo, pelas suas informações. Recomendo que quem ainda não está seguindo o Fernando faça isso, por favor. Meu emprego sumiu. Vai ser uma fonte de insights, informações fundamentais para a gente repensar o futuro do trabalho. Fernando, obrigada. Até breve.
Obrigado, foi um prazer. Tchau, tchau.
Gente, que papo bom. Passou muito rápido. Relembro, então, que todo o conteúdo fica lá no meu canal do YouTube, Isabela Camargo Real. Sugestões são muito bem-vindas. Críticas também. Se for para melhorar aqui as conexões, melhor ainda, que assim todos ganham. Palavras são sementes, se fez sentido o que a gente falou. Te convido, te peço com muito carinho que você compartilhe com mais pessoas Para que a gente viva em um futuro inclusivo, positivo e abundante para todos Já já eu volto, eu ainda hoje tenho conversas incríveis Olha só, deixa eu chegar aqui na minha programação Às 6 horas da tarde, o Rui Shiozawa, do Great Place to Work Quero saber o que um lugar que recebe um selo de lugar incrível de trabalhar pode fazer para reter os talentos E a sete e meia, Alexandre Caldini, autor do livro Networking vs Not Working Como ser interessante e não interessir Então, obrigada pela sua companhia e até mais tarde.
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








