O amor mais importante é o amor próprio. - Live com a psicóloga e terapeuta sexual Paula Napolitano

Psychologist and sexual therapist Paula Napolitano talks with Isabela Camargo about self-love as the foundation for healthy relationships. They discuss self-care, understanding your own desires, and how therapy helps with sexual and emotional challenges.
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Olá, boa tarde, tudo bem? Fla, Jeff, Arthur, boa tarde pra todos vocês. Tô muito feliz de estar aqui bem na hora do almoço pra trazer um assunto que, na minha opinião, pode ajudar muita gente neste dia dos namorados. ou sempre, não é? Até porque o dia dos namorados aqui no Brasil é uma data totalmente comercial, mas ela também nos ajuda a sair um pouco desse ritmo de notícias que nós estamos vivendo já há alguns meses. Oi, Alê, Alê Kogane, professora linda de Pilates, depois precisamos saber, né, como é que será o nosso retorno das aulas. Voltando então aqui para o tema, eu quis conversar hoje com uma pessoa muito bacana que eu conheci há pouco tempo, que é a Paula Napolitano. Ela tem uma página no Instagram muito interessante, que chama Sexplicando, em que ela traz muitas dicas não só para casais, mas para todos nós. A Paula, ela tem um trabalho muito bacana, é psicóloga, terapeuta sexual e também é consultora de sexualidade na Jovem Pan News, então vai ser aqui um papo muito bacana para aproveitar o tempo dela e o de vocês, eu já vou dividir tela com ela e já surgiu Envie aqui pra nós, teremos uma hora de papo bem gostoso neste dia 12 de junho Oi Paula!
Oi! Prazer estar aqui com você, tudo bem.
Tudo ótimo Obrigada por ter aceitado o meu convite, Paula Imagina, prazer Deixa eu explicar aqui pra turma o que nós estamos fazendo aqui bem na hora do almoço Eu como jornalista já sei que a semana dos namorados é cheia de coraçõezinhos, né? Todo mundo fala um monte de coisa para os namorados. Mas como eu sou meio subversiva, sabe, Paulo? Eu gosto de falar para aqueles que não vão ter pautas. E aí eu te propus, então, pra gente falar sobre o amor próprio. É claro. Mesmo estando amando alguém, a gente precisa do amor próprio. Então eu entendo que a pauta amor próprio serve pra todos, né? Sozinhos ou acompanhados.
Com certeza, e é importantíssimo, às vezes a gente esquece dele, né?
Esquece por N razões. Pela demanda do trabalho, demanda social, as demandas familiares, então a gente vai se colocando em segundo ou terceiro lugar, né Paula?
Pois é, e aí a gente tem que prestar atenção nesse autocuidado e nessa forma da gente se relacionar sempre olhando para o externo e muitas vezes esquecendo do interno, né?
Não é? Só lembrando, pra quem tá entrando aqui, que essa live eu vou deixar salva lá no YouTube, Isabela Camargo Real. Se vocês quiserem, deem coraçõezinhos aqui pra gente, pra que mais pessoas saibam do que nós estamos falando. Sugira também pra outros amigos ou amigas que precisam se aprofundar um pouquinho mais no assunto. A Cátia já tá dizendo, bela pauta, né? É amor próprio. Paula, o que você gostaria de falar sobre esse assunto assim, de cara? Como é que você percebe a aceitação desse assunto? As pessoas torcem o nariz ou não? Elas se interessam mesmo?
Eu acho que elas se interessam, mas ficam um pouco na dúvida o quanto isso não é, às vezes, só uma autoajuda O quanto isso é meio... Acho que as pessoas têm dificuldade de entender a importância do amor próprio e o que é ter amor próprio Porque eu acho que é claro pra gente o que é amar uma outra pessoa, amar a nossa família, os amigos Mas às vezes eu acho que é difícil a gente ter esse amor próprio no dia a dia O que que é esse amor próprio? Tá relacionado com autocuidado? É ser arrogante no sentido de você se achar melhor que todo mundo? Então acho que às vezes as pessoas têm essa dificuldade e às vezes até achando como eu preciso ser humilde, eu não posso me amar na frente de todo mundo Então eu acho que tem um pouco essa confusão do que é esse amor próprio, né?
É chocante. A gente tá falando de coisas tão simples, né, Paula? Deixa eu contar aqui pra turma. Eu fiz um curso na semana passada com a Paula, que foi muito bacana, sobre as linguagens do amor. Porque eu ouvi muitos casais dizendo como esse excesso de convivência despertou a vontade da separação. E quem tá sozinho tá com alguém, né, Paula? E entender as linguagens do amor, na minha opinião, é tão importante quanto a gente se entender Agora, a partir disso que você falou, Paula, sobre essa falta de compreensão realmente do que significa o amor próprio Como é que a gente pode, então, dar o primeiro passo pra tirar as crianças equivocadas de lado?
Eu acho que a primeira questão é a gente olhar até pra como é mais fácil a gente olhar pro externo. Como é que pras pessoas que eu amo, o que eu faço? Como eu me dedico? Eu sempre quero normalmente o bem dessas pessoas e aí eu quero que essas pessoas estejam bem, eu me dedico, eu vou lá, eu cuido. E aí é olhar pra si e falar assim, o quanto eu tenho cuidado de mim? Assim como eu cuido do outro. Então eu acho que o amor próprio está muito relacionado com o autocuidado E a primeira questão é o que você considera como importante na sua vida? O que que você deseja pros outros? Que é mais fácil a gente desejar pros outros do que pra gente mesma, né? Com os outros a gente é mais gentil, a gente enxerga as coisas com olhos mais gentis. A pessoa vem falando que errou ou que não tá feliz. A gente calma, olha lá, não seja crítico com você mesmo e tal. E muitas vezes a gente faz o inverso com a gente, né?
Sim. Você sabe que essa semana, Paula, eu trouxe vários assuntos que fogem totalmente das pautas tradicionais. Então eu falei sobre suicídio, sobre solidão. Ontem eu conversei com uma grande amiga que está sozinha nessa quarentena, porque as pautas são assim, convive com a sua família, com os seus filhos, mas e quem tá sozinho? Essa ideia que você trouxe sobre o egoísmo, ou seja, o seu cuidado de mim, eu tô sendo egoísta, qual então seria, na sua opinião, o passo pra gente poder Exercer o amor próprio e explicar pra galera ao redor, pra família, pros amigos, dizendo... Porque pra passar por isso, você tem que aprender a dizer não, tem que aprender a fazer alguma coisa, né? Como é que a gente faz pra dar o primeiro passo?
Eu acho que o primeiro passo é justamente a gente trazer o autoconhecimento. Então, pra mim, o que é importante na minha vida? E aí eu olhar as esferas como um todo. Na esfera familiar, na esfera afetiva, na esfera da saúde, autocuidado, financeira, trabalho. Então, olhar como um todo e falar assim, o quanto eu estou me dedicando a essas esferas? Será que elas estão muito desequilibradas? Então, acho que primeiro fazer essa reflexão de autoconhecimento e a partir daí falar assim, tá, Para as pessoas que eu amo, que eu gosto, que dica eu daria?" Porque é mais fácil a gente olhar para o outro às vezes. Então, você diz, tá bom. Então, que dica você daria para o outro? Talvez seja interessante você parar, olhar para si e começar a fazer a mesma coisa.
Nossa, adorei essa dica, porque eu tenho ouvido muitas amigas se lamentando demais. Nossa, eu vou usar isso. O que você diria? Outra amiga.
Exatamente, porque aí é mais fácil. Porque normalmente com os outros a gente vai ser super legal. A gente vai dar dicas muito boas. Usa para você essas dicas. E entender também que o amor próprio não significa egoísmo. Porque se eu não tiver amor próprio, Eu não vou conseguir, inclusive, me relacionar bem com as pessoas Então entender que isso não é só pra gente, é pra gente e é pras pessoas que estão ao nosso redor É pra gente conseguir brilhar, inclusive Perfeito.
E relacionamento é com todos, né? A gente precisa se relacionar com todos, não é? Eu tô dizendo com um ou outro Exato.
E eu acho que muito importante... Muito importante nessa época, lembra, se eu não estou num relacionamento, isso não diz nada sobre mim sobre eu ser uma pessoa com valor ou sem valor ou uma pessoa... Porque muita gente associa não estar num relacionamento como se eu não fosse boa o bastante. E aí a gente tem que tomar muito cuidado com isso. Felicidade não está relacionada com ter um relacionamento ou não. A gente pode estar muito feliz sozinho e pode ser inclusive um ato de amor próprio não estar com alguém se esse alguém não for alguém que vai me complementar, que vai ser uma via de mão dupla, que vai ser uma troca. Às vezes, uma separação é, inclusive, um respeito ao amor próprio, né?
Nossa, adorei isso, Paula. Você tem abordado muito essa semana isso nas suas lives, porque eu vi várias dicas suas sobre os filmes, como curtir, se ninguém pode ir no restaurante. Eu nem sei se o motel tá aberto. Você sabe se o motel tá aberto, Paula?
Não tava. Eu não sei porque essa semana algumas coisas abriram, né? Mas eu acho que não abriu ainda. Mas se abriu, às vezes, até shopping, né?
Não sei. É, eu não sei. Se alguém souber, gente, me diga. É, conta aqui. Porque você falou, né, sobre filmes, sobre usar a criatividade, já que a gente não pode ir pra restaurantes, aí eu já amplio, né, também a motéis. Ontem eu conversei com uma amiga, Paula, que ela resolveu empreender no mercado erótico há oito anos. E o mercado, o negócio dela subiu 300% nos últimos meses E aí eu peguei um dado de uma plataforma online que vende produtos eróticos Que no Brasil, nos últimos três meses, o comércio de produtos eróticos subiu 617% Então a gente não precisa ter vergonha de falar sobre os assuntos porque, sim, fazem parte desse pacote de amor próprio, de prazer, de autocuidado.
Inclusive isso que é legal, né? Porque a quarentena também trouxe, claro, o isolamento, um monte de dificuldades, mas aumentou, inclusive os governos, né? Trazendo a questão de, olha, masturbação, prazer com você mesmo, os brinquedos e até o sexo virtual como uma solução, né? Então a gente... E aí, lógico, a atenção ao sexo virtual, ao sexting, a você se expor, a tudo mais, mas trouxe aí outras possibilidades de justamente a gente trabalhar com a imaginação e a criatividade, né?
Nossa, fantástico. Eu não tinha ainda me dado conta da criatividade e da adaptação também nesse aspecto e ela até comentou sobre o governo argentino que falava, né, não saia pra fazer aquilo dentro de casa, né? Ou seja, mais ou menos por aí. Eu tô adorando esse papo, mas ainda quero te perguntar mais coisas sobre a coluna que você tem na Jovem Pan e o que mais você recebe de perguntas, de dúvidas, né? Porque a gente... O homem já foi para a Lua, mas ainda é um pouco falar sobre produtos eróticos, né? E não dá para fugir disso porque o nosso corpo precisa dessa liberação, inclusive do estresse.
Sem dúvida, dessa tensão sexual, né, de ajudar até com ansiedade, né? Olha, nesse momento, na verdade, tem muitas pessoas falando como é que eu faço se eu tô sozinha? Como é que eu faço pra me aliviar? Porque a sexualidade, ela tá muito relacionada à conexão, a me sentir amado, me sentir desejado, me sentir conectado. Além da questão de um alívio de tensão sexual, de alívio de ansiedade. Então, a sexualidade é um contexto muito mais amplo do que apenas o sexo ou apenas penetração. A gente esquece disso. Então, eu posso me sentir, sim, conectado com o meu corpo. Ou me sentir conectado com outra pessoa que não esteja necessariamente presente comigo. E eu posso usar, até como a gente falou de autoconhecimento, esse momento para eu me descobrir. Então eu vou me descobrir nesse momento até pra depois eu poder compartilhar com outra pessoa.
Paula, quando eu fazia a previsão do tempo, veio uma frase de um pessoal lá de Minas, que em Minas no inverno não chove. No Sudeste não chove no inverno. E aí ele dizia assim, a hora de consertar o telhado é no inverno. Eu tô traduzindo isso porque você tá me dizendo assim, a hora de você se conhecer, principalmente, é quando você tá sozinho. Não deixar isso pra alguém, né?
Exatamente. E não terceirizar o nosso prazer, que é uma coisa que a gente faz muito erradamente. Ah, deixo o meu orgasmo pro outro. E isso muitas vezes com a mulher, né? Então a mulher fala assim, eu terceirizo o meu prazer pro homem, o homem vai me dar prazer, ele vai me dar orgasmo. Gente, não terceirize o seu prazer. O seu prazer é o único. Quem sabe dele é você mais do que ninguém. Nós deveríamos ser os melhores conhecedores em nós mesmos e no nosso corpo. E aí compartilhar com o outro, né?
É isso mesmo. Perfeito. Ó, tem aqui, né? O rapaz tá dizendo, Altamir, tem que deixar o arroz queimando pra não perder a live. Altamir, leva o telefone. Porque à noite vai todo mundo ocupado de bandeira. Com alguém ou sem alguém, né? Só acompanhado. Estamos deixando a noite livre, né, Paula?
E isso é uma coisa legal que eu falei muito essa semana. Então essa semana eu acabei fazendo live de massagem sensual, vou fazer hoje ainda essa de filmes e dicas e tal. Mas é importante que as pessoas entendam que isso serve pra quem está com alguém e pra quem está sozinho. Então a dica hoje ainda é enamore-se se você não está com alguém. Então, os filmes e dicas servem pra você. Então, se mima nesse dia. Se namora. Se prepara pra você mesmo. Então, se a gente vai dar uma dica, um filme de algum que pode encher o copo do desejo, enche o teu copo do desejo. Te descobre. Faz uma comida ou pede uma comida especial. Toma um negocinho especial. É o seu momento de amor próprio.
Ai, gente. Eu quero... Paola, toda semana aqui pra gente falar sobre isso. Você falou agora sobre encher o copo do desejo. O que é isso?
Eu sempre uso essa metáfora porque eu acho mais fácil dos meus pacientes e das pessoas entenderem. Todo mundo tem um copo do desejo, que é aquilo que nos traz desejo, que nos excita, que nos deixa com vontade Então, a gente precisa pensar, o que enche o meu copo do desejo? Porque pra cada um é diferente. Vai ter gente que o que enche o copo do desejo é coisas mais românticas, vai ter gente que essa coisa da pessoa tá arrumada, um cheiro, uma camisa, uma coisa assim, vai ter gente que é um filme, vai ter gente que é um... Cada um tem as suas coisas do que enche o copo do desejo, então a gente tem que parar e pensar, como eu tenho enchido o meu copo do desejo, E como eu tenho enchido o meu copo do desejo do meu parceiro e ele enchido o meu, meu copo do desejo tá vazio? Ele tá meio cheio? Ele tá cheio? O que eu tenho feito? Porque se o meu copo do desejo tá vazio, qual é a vontade que eu vou ter de me relacionar? Porque a gente tem dois tipos de desejo, que é o desejo responsível e o desejo espontâneo. Como assim? Na nossa sociedade, de modo geral, a gente acha que o desejo surge, né? Brota assim, páááá, mágica. E aí a gente fica esperando ele aparecer quando ele não aparece, porque a gente acha que ele tem que aparecer do nada.
Em relação... Alguém desperte? Não entendi.
É, a gente fica esperando que alguém desperte na gente, ou se alguém não despertou, eu fico esperando ele aparecer e não faço nada. E principalmente em relacionamentos mais longos, desejo espontâneo praticamente não existe. E aí é que entra em pauta o desejo responsivo. Então o que é o espontâneo? O desejo espontâneo normalmente surge em três situações principais. Na adolescência, no pico hormonal, naquele boom hormonal, aí teu copo do desejo muitas vezes fica ali cheio. Ele surge muitas vezes em início de relacionamento, Que a coisa tá quente, que você fala cinco linguagens do amor, que você estimula, não sei o quê. Ou quando eu tô com o copo cheio, porque eu tô com muito estímulo. Porque eu tô saindo muito, porque eu tô vendo vídeo, porque eu tô não sei o quê e o meu copo tá cheio. Fora essas três situações, ele não costuma se encher sozinho, ele não costuma aparecer. E aí, às vezes, a gente tem uma diferença entre homens e mulheres muito por uma construção sócio-histórica. Sócio histórica, religiosa, porque desde pequenininho o menino é ó pintinho, esse sim, ó esse... Além da coisa, né? A cueca roçando no pintinho, tá caindo água no banho. Então o homem tem esse inclusive super estímulo da sexualidade. E a mulher, uma repressão. Tira a mão daí, isso não pode, isso é feio. Então já tende também o homem a estar mais atento aos estímulos do que as mulheres. E isso também encher mais o copo dele do que muitas outras mulheres. Isso estamos generalizando, né? Cada um é único. E de modo geral, o homem tende a ser um pouco mais visual do que a mulher. E estímulos visuais é o que não falta, né? Na nossa sociedade. Então, às vezes, o copo dele também pode estar um pouco mais cheio. A mulher costuma ser um pouco mais auditiva. Então, é por isso que aquela conversa, aquele bom papo, aquela coisa, muitas vezes anima, né? Então, assim... O nosso copo do desejo, às vezes, não tá muito cheio. E aí, a gente fica esperando.
E a mulher serve mais, né? Eu ouvindo aqui você falar, eu me lembrei de várias situações, de várias histórias de amigas, inclusive, que elas servem muito, fazem tudo pelo outro, mas por elas, aí o copo delas fica vazio.
Isso, isso.
E agora se me chamou, pois não. Vai lá.
Só complementar o daqui que é o desejo responsivo, então. Desejo responsivo é aquele desejo que responde quando eu tenho estímulo. Então ele aparece a partir de estímulos. Ele não vai aparecer do nada. Aí a importância da gente se dedicar à nossa sexualidade. A importância da gente ter tempo pra namorar. Muitas das tarefas que a gente tem na terapia sexual, seja individual, seja de casal, são tarefas de focos sensoriais, que são tarefas, por exemplo, um banho juntos, uma massagem juntos, pra descobrir esse corpo. Ou sozinho, né? Pra você se descobrir. Muitos dos casais vão lá Vamos fazer o exercício do banho ou da massagem e me dizem, né, depois. A gente foi lá fazer a tarefa de casa da Paula. Temos que fazer a tarefa de casa da Paula porque a Paula mandou. Desejo zero.
E ninguém gosta de fazer tarefa, aquele negócio de tarefa de casa, né?
É, exatamente. Aí eles vão lá, desejo zero. Aí, nossa, e aí rolou. Aí eles contam. Não, e a gente começou a se beijar, começou a acontecer e rolou. Como assim rolou? Vocês estavam sem desejo?
Né?
Aquilo que se falou do copo do desejo, né? O desejo responsivo. Pois é. E o quanto a gente se permite ao desejo responsivo aparecer? Como a gente acha que ele tem que ser espontâneo, muitas vezes o parceiro ou a parceira vem dar um beijo, vem dar não sei o que, a gente fala, ai não, não tô afim, eu não tô com vontade porque eu não tô com vontade a priori. Mas às vezes eu nem dei chance do meu desejo responsivo aparecer. Então às vezes a gente tem que se permitir ser namorada, se permitir o estímulo.
Permitir receber.
Se o desejo não aparecer, eu preciso respeitar, porque ele pode não aparecer. Mas se permite muitas vezes. Vale a pena tentar.
Perfeito. O respeito ao desejo ou ao não desejo é identificar. É um ato automático de recusa.
Isso.
Você sabe que outro dia eu estava entrevistando a Alexandra Loháss. E aí ela falando sobre as diferenças culturais entre pais e mães no Brasil e na Europa. E que aqui as mulheres que reclamam que os homens não fazem nada, que não contribuem, que não ajudam, é porque elas também não deixam. Ou tem um nível muito alto de exigência. Tem conta. Agora, uma outra coisa curiosa que você falou, as mulheres são mais auditivas. Também que elas caem nos papinhos mais sambari love. É.
E por isso que às vezes uma conversa lá muito boa, muito interessante, que você tá ali, já faz ela ficar mais... o desejo, por exemplo, já sobe. O copo do desejo já dá uma enchidinha.
Então, mas aí eu digo, mulheres, cuidado também com o que vocês vão ouvir, porque é igual a capa de livro, a capa é ótima, na hora que você vai ler. Nada disso que me falaram lá atrás, ou que falaram. Antes de eu seguir aqui com as minhas perguntas, deixa eu te jogar a do Ronaldo Valentim. Ele diz que o prazer sexual é o maior ansiolítico do mundo. É verdade?
Ele pode ser sim. O prazer sexual traz ali toda uma liberação de dopamina, de endorfinas, que aí seria o ansiolítico. Então ele traz muitos hormônios ali, muito positivos para a nossa vida, desde que seja com prazer desde que seja um sexo com prazer, com sentido e assim por diante. Porque quem tem, por exemplo, disfunções sexuais e vai ter uma relação com medo, medo de brochar, medo de não dar certo, de ter dor na hora da relação, aí não libera esses mesmos hormônios. Então, quando é realmente com desejo e com vontade.
Entendi. A Renata Santos, essa amiga que ontem eu fiz a live sobre ela estar vivendo tudo isso sozinha, né? E como é que ela tá, então, enchendo o copo dos desejos. Eu não falava essa frase, mas ela mesmo dizendo aqui, olha, adorei a Paula, né? Meu copo de desejos tá cheio. Agora, Paula, existe também uma cobrança, né? Das mulheres ou dos homens que estão nos ouvindo, porque não é de um dia pro outro também que a gente vira a chave do amor próprio.
Com certeza.
E aí a cobrança ou a espera pela aprovação do outro ou da outra, sei lá, por muito tempo também vai deixando a gente mais duro. Como é que a gente pode lidar com isso, inclusive, em terapias? Você sugere a terapia... Na verdade, juntei agora duas perguntas, mas como é que vamos ter partes? Por partes preliminares, Isabela, vamos lá. Como é que a gente pode... é tirar um pouco dessa armadura, né? Eu mesma vivi muitos momentos de armadura por N questões, né? E hoje eu convivo com o Tiago, né? Que você conheceu. Aliás, foi por ele que até você...
É, que nos conhecemos.
E foi me ajudando a tirar as armaduras. É com muito respeito, mas é com muita paciência também. As pessoas falam com paciência, né? Mas para que eu também não delegue essa tarefa para outra pessoa? Como é que eu vou fazer?
Eu acho que assim, primeiro a gente tem que ficar atento para não ir para o 880, que é uma distorção cognitiva que a gente chama que é pensamento dicotômico. Então, o que é? Se eu me abri, ou eu me abro ou eu me fecho. Ou eu permito conhecer alguém ou eu não permito. Então, a primeira coisa é a gente ficar atento para ver se a gente não está só nesse 880. dos extremos. Então eu permiti e falei assim, então ok, eu vou sair, eu vou me permitir conhecer alguém, mas eu só vou conversar, porque é onde eu vou me sentir confortável.
Isso é bom?
Isso é bom. Então assim, eu saber os meus limites também e é onde eu preciso sair um pouquinho do meu desconforto, Mais um pouco também. E aí, o mais importante, eu digo que assim, pras pessoas começarem a se abrir para relacionamentos. Primeiro, eu preciso ter claro três pontos. Primeiro, o que é importante pra mim e eu não posso abrir mão que tenha num relacionamento ou que tenha na pessoa com qual eu quero me relacionar. Eu não posso abrir mão, porque são coisas que são imprescindíveis pra mim. No outro extremo, exatamente quais são os meus limites e eu não posso aceitar Porque vai me agredir, vai me maltratar, é um limite meu e cada um tem o seu Um limite meu pode ser uma pessoa que não beba. Ok, uma pessoa que não beba é um limite meu, é diferente de cada um.
Isso aí é negociar.
E no meio do caminho, o que é ok? Eu posso lidar, posso gerar, pode ter um consenso. Não é algo que me maltrata, não é algo que é imprescindível, porque aí também tem muita gente que acaba ficando assim, eu só vou me relacionar com alguém que tenha tudo que eu quero. E aí também fica um pouco difícil. Então a gente tem que saber também o que que tudo bem. Ah, torcer pra um outro time que o meu, tudo bem. Você é mais bagunceiro que eu, tudo bem. Sei lá, X. Mas e aí quando você vai começando a conhecer alguém, você ter um pouco isso em mente. Que eu costumo, às vezes, pra ficar mais fácil de entender, o farol. Quais sinais são verdes? Sinais amarelos, opa, vou prestar atenção. E o vermelho? Porque isso te permite ir um pouco mais tranquila, com um pouco menos de medo Que você tenha ali um pouco uma segurança de quem você é e do que você quer Eu acho que isso é uma dica de alguma forma.
E a comunicação, né Paula? A comunicação é tudo, todos, todas Tudo Olha, eu tirei um pouquinho os comentários pra que as pessoas possam te ver, tá? Vejam realmente quem é a Paula, quem tá por trás do Sexplicando. Você trouxe a história agora do que eu gosto, qual é o meu limite. Você acredita que, com o tempo, A gente vai ficando mais seletivo mesmo, porque aí você vai ficando mais intolerante. Não é intolerante, você já sabe realmente que você não vai ceder, é isso?
É, eu acho que é mais nesse sentido. A gente tem que tomar cuidado, justamente aquilo que você falou, às vezes eu crio uma armadura E por criar essa armadura pra me proteger, eu não aceito nada que esteja fora um milímetro. E aí, também, talvez não vai ajudar. Mas eu acho que é importante essa seleção, principalmente desses dois extremos. O que é importante tem que ter. E o que, pelo outro lado, eu não posso aceitar, porque eu mereço.
Sim.
Então, acho que sim, acho que a gente vai ficando mais seletivo e é importante desde que seja nesse sentido. Eu realmente saber o que é importante pra mim e não aceitar pouco.
É, e senão eu vou cedendo também o tempo inteiro, tudo pelo outro. E gente, eu sei que teremos exceções, eu vou voltar com os comentários, eu sei que várias pessoas vão falar isso, a mulher cede muito mais. A mulher cede muito mais, até porque ela ainda tem aquela ideia, né? É que uma mulher sozinha é totalmente.
Diferente do que um homem sozinho.
Então ela se cobra, se culpa. Ô, Paula, eu já fiquei sozinha há muito tempo, já levei um monte pela bunda. Quantas vezes eu não ouvi, nossa, mas você tá sozinha? E... Ai, que papo bobo.
Péssimo, péssimo. A autoestima vai lá embaixo e aí você começa a ser... Bom, então, né? Acho que eu preciso, né? Acho que... Imagina!
Ou seja, existe uma autocobrança, existem as piadinhas que não colam mais Eu sempre digo para os meus amigos, gente, para com essas brincadeirinhas bobas Se você quer se relacionar, também pelo menos desenvolver o raciocínio inteligente E não com comentários machistas que não servem mais para o modelo atual Exatamente.
E lembrar que todas essas brincadeirinhas, brincadeira só é brincadeira quando todos, sem exceção, se divertem, né?
Isso. Agora, você falou agora sobre os limites e eu vejo assim. Tem gente que nem gosta quando eu uso esse termo, mas pra mim é negociação. Você tá negociando o tempo inteiro.
Sem dúvida.
Desde a pasta que vocês vão usar até... E aí, de novo, aquela questão de ceder, tá? Depois de um pé na bunda, a gente fica com muito mais receio de tudo. Porque a gente se fecha. Em que momento uma terapeuta seria necessária pra nos ajudar a organizar essas ideias? Porque eu conheço uma pessoa, inclusive, que é do Rio de Janeiro, ela tá há oito anos sem se relacionar com ninguém. Porque ela teve uma grande decepção. E aí o critério dela pra se relacionar com alguém subiu muito. Aí se fecha pra tudo. E vejo, inclusive, algumas pessoas me comentando assim, e eu também já vivi isso, tá? Ai, fulano me decepcionou. Aí outro dia eu pensei, será que eu também não decepcionei? Quantas pessoas também me decepcionei pelo caminho? Então, esse autoconhecimento, essa análise, às vezes sozinho não rola. Porque eu acho que o terapeuta sexual cairia, assim, perfeitamente. Eu posso recomendar ou a porta só abre de dentro pra fora? É?
Pode, não pode. A gente pode recomendar, principalmente se a pessoa tá aberta a ouvir o que a gente fala, né? Pessoas próximas e tal. A gente sempre fala que a terapia, ela vai ser boa, seja a terapia não sexual ou a terapia sexual, quando tá atrapalhando a nossa vida. Então, quando tá nos prejudicando. Então, se eu tô tendo, por exemplo, um casal que tá com o desejo deles... Eles tão transando uma vez por mês, mas os dois tão bem com isso, o que uma terapia vai fazer? Não vai fazer nada. Então, é sempre quando, realmente, isso tá te atrapalhando. Então, olha, eu tô percebendo que eu não tô conseguindo me relacionar com as pessoas. Eu quero me relacionar com alguém, mas eu também tenho muito medo de me relacionar com alguém. Então, você percebe que você tem uma trava. Ou na questão da sexualidade, no caso que é onde eu atendo 90% dos meus pacientes. Então, a questão quando eu tô percebendo que eu tô tendo dificuldade de ereção e aí eu tô ficando com medo, eu tô ficando ansioso e aí isso tá me levando a cada vez mais. Ou eu tô evitando me relacionar com as pessoas por isso. Ou a mejaculação rápida, por exemplo. Ou a mulher que percebe que o desejo dela tá sempre baixo e isso tá atrapalhando o relacionamento dela. Então, a questão é sempre quando está atrapalhando, quando está prejudicando. Esse é o momento de procurar ajuda. E procurar ajuda, né, e você fala muito isso e eu acho isso muito importante, nunca é sinal de fraqueza. Pelo contrário, é sinal de eu me amo, eu preciso de ajuda e talvez ela até desce conta sozinha, mas pra quê? Pra que esse custo emocional tão grande não precisa ser sozinha?
Já que você tocou nesse assunto, eu vou guardar a pergunta da Luciana. Luciana, eu já volto com a sua pergunta, tá? Eu deixei aqui só pra não esquecer, mas eu já volto com ela. Ai, não consigo tirar? Deixa eu ver. Ai, não consigo tirar. Nossa, a Luciana vai ficar aqui um tempão. Não tem problema. Você falou sobre a questão da fraqueza. Ô, Paula, as pessoas têm dificuldade pra ir num psicólogo, num terapeuta, pra resolver problemas profissionais, né, que é o que domina a vida de praticamente todo mundo. Quando as pessoas chegam no seu consultório, elas devem chegar com muita resistência. Ou não, todo mundo vai assim, porque é igual dentista, eu acho, né? O dentista vai fazer a manutenção realmente com mais frequência. Geralmente a gente só vai quando o dente tá doendo.
É, e doendo muito, né? Não é a primeira dorzinha, normalmente, né?
Como é que as pessoas chegam no seu consultório?
Então, a terapia sexual, primeiro tem uma coisa. Primeiro que tem gente que nem sabe que existe terapia sexual. Então, se a pessoa está com alguma dificuldade na sexualidade, normalmente ela vai procurar um médico primeiro. Que é, às vezes, até aquele desejo. Tomara que seja alguma coisinha física pra eu tomar um remedinho e resolver. Mas 80, 90% das disfunções sexuais, elas são de ordem psicológica e emocional. Mas é importante esse caminho primeiro ir no ginecologista, urologista pra confirmar. Então, as pessoas não sabem que existe terapia sexual e quando sabem, tá, mas é o quê? Vai ter toque, não vai ter toque? Não tem nada, gente. É uma terapia como qualquer outra e aí em casa a pessoa vai fazer uns exercícios, né? Mas não tem, etc. Então, assim, normalmente as pessoas não vêm de indicação, porque as pessoas não falam que fazem terapia sexual.
Nossa, que sacanagem!
E isso principalmente no caso dos homens. Eu lembro que eu tive um paciente que tinha disfunção erétil com 30 anos, ele tomava já medicamento eretivo há mais de 10 anos e o medicamento já não funcionava mais também. E aí ele veio, e aí em cinco meses a gente tava terminando o processo dele já, ele tava super bem já há alguns meses e tal. E um amigo dele abriu pra ele, falou assim, pô cara, tá acontecendo, tô falhando e tal, não sei o que. Ele, pô, que chato isso, né? E não contou. que ele fazia terapia sexual, que já estava recebendo alta, que já tinha resolvido, ele não conseguiu contar. Tamanho essa questão do machismo, essa questão do homem máquina, que funciona independente de qualquer coisa, que não é real.
E outra, gente, as pessoas dão um Google pra tirar tanta dúvida, e a hora que a vida emocional, a vida sexual tá indo ladeira abaixo, todo mundo fica envergonhado. Bom, eu espero, sabe, Paula, partindo até pra uma conclusão, porque eu sei que o seu tempo é super apertado e você tá abrindo sua hora de almoço pra estar aqui comigo.
Ah, imagina, é um prazer.
A Luciana tem aqui, bom, só voltando aqui o raciocínio anterior, eu acho que todo mundo que está vivendo qualquer tipo de insegurança ou momento que não esteja legal, precisa procurar ajuda. A gente precisa procurar um ser humano que tenha habilidades diferentes das nossas pra viver uma vida que vale a pena ser vivida. Super recomendo, super recomendo. Aí agora eu vou para a Luciana. A Luciana pergunta assim, o amor pode vir com o tempo, mesmo você não se relacionando com a pessoa? E aí o restante da pergunta era, gosta só como amigo? Então acho que aqui ela quer saber assim, uma pessoa que eu admiro como amigo, que chave vai precisar ser virada para que aquela admiração como amigo se torne algo mais quente, vamos dizer assim.
Eu acho que assim, não tem regra, né? Porque às vezes tem relacionamentos que você tem uma amizade e nunca vai virar nada e não vira essa chavinha e as coisas não combinam e tem relacionamento que sim. Normalmente, a priori, tem algum interesse. De uma das partes, por exemplo, tem alguma coisa assim, nossa, se não fosse minha amiga, né? Porque tem medo de perder a amizade, né? Então aí, putz, se não fosse minha amiga, seria uma pessoa que eu super me relacionaria Então eu acho que tem que ter um pouco esse ponto primeiro, né? Nossa, se não fosse meu melhor amigo, se não fosse, eu me relacionaria E aí começar, talvez, a dar alguns sinais Alguma coisa de aproximar um pouco mais, então tentando ali estar um pouco mais perto, ver se sente um pouco essa vontade quando tem algum toque, ver se começa o coração a dar uma aceleradinha. Então, começar a fazer alguns sinais, algumas iniciativas pra ver se responde no coração e no desejo, de alguma forma, né?
É, e aí, como a Ivy tá dizendo, tem que haver um mínimo de atração.
É, então.
Um tá apaixonado, o outro não. Ok, nós somos amigos, mas também... Isso acontece muito, né?
É, de não ser via de mão dupla, né?
Total, eu entendo. É difícil mesmo, mas aí tem que ter muita sensibilidade, né? Para não avançar ao redor vermelho. A Ana Costa traz um assunto aqui super polêmico, mas eu vou aproveitar que você está aqui e vou perguntar. Até porque as mulheres cresceram muito, os homens não conseguem acompanhar a nossa evolução, tá? Essa é a pergunta completa aqui. Você acha, Ana, que de fato as.
Mulheres.
Porque a gente ouve muito, né? Ai, a mulher, pra se relacionar, tem que ser com uma pessoa mais velha. Eu já caí nesse papo. Eu já tive muitos aprendizados, inclusive, né? Aprendizados. Mas será? Porque eu hoje vivo uma relação totalmente diferente. O Thiago tem a mesma idade que eu e a gente se dá muito bem. Mas muito bem, sabe? Por muito tempo em que eu busquei um homem que tivesse uma idade diferente da minha, eu hoje já digo, repenso essa crença. E ela tá fazendo um comentário que é recorrente. As mulheres precisam só se relacionar com homens mais velhos? Elas estão realmente à frente ou não? Isso é bobagem.
Olha, eu procuro ao máximo, em tudo que é de relacionamento, sexualidade, ser humano, não generalizar. Porque eu tô sempre deixando gente de fora quando eu generalizo. E aí eu tendo a achar que eu preciso me colocar dentro de caixas. Porque então eu preciso me relacionar com o homem mais velho, mas eu não tenho atração, eu não tenho... Então assim, eu acho que... Vamos fugir dessas regras. E é assim, Presta atenção na pessoa que está do teu lado. A pessoa que está do teu lado, que às vezes pode ser até mais novo, tem maturidade emocional? Tem maturidade mental? Até porque muito da nossa maturidade vai das situações que eu vivo e dos aprendizados que eu tiro dela. Então qualquer situação, por mais triste, mais difícil que seja, pode trazer muito aprendizado e muito crescimento. Então eu posso ter uma pessoa que olhou para todas as situações difíceis, cresceu, está se transformando e tem esse mindset de crescimento de alguma forma e pode ser muito mais maduro de uma pessoa muito mais velha que passou por muita coisa, mas nem aprendeu tanto com essa coisa. Então eu acho que a gente tem que olhar para a pessoa que está do nosso lado e prestar atenção naquilo. Se eu já... aquele sinal verde, amarelo e vermelho. Se eu já vi que deu sinal vermelho e sinal amarelo, por que eu vou continuar? Então às vezes também a gente se colocando em algumas situações meio sabotadoras também.
Por falar nisso, eu me lembrei agora de uma outra entrevista com o doutor Fabiano Moulin. É um neurologista, ele fala muito sobre as etiquetas que a gente vai dando para as situações que a gente vive e depois carimba, você vai lá em todo mundo e carimba. E essa questão da idade, eu me lembro que ela foi muito importante quando eu conheci o Thiago. Eu tinha acabado de fazer essa entrevista com o doutor Fabiano e ele falou assim, Isabela, a gente tem que tomar cuidado porque senão você vai repetir os padrões que você conhece, que o seu cérebro conhece. Porque o seu cérebro... que você não tenha vivido uma boa experiência, se você sobreviveu, ele entende que aquilo pode repetir.
Tem uma certa segurança o conhecido, né? Mesmo sendo ruim.
Isso explica um monte de padrões que a gente repete, aí o relacionamento vai para outro, aí são vários professores ou professoras iguais. Você não aprendeu a lição, vem uma outra situação. Então, como você diria para aquelas pessoas que viveram relacionamentos que trouxeram dor, trouxeram dor, trouxeram muitos aprendizados, mas a gente não pode negar que trouxeram dor pra gente não repetir esse carimbo, porque de repente você tá carimbando uma coisa ruim numa pessoa que pode trazer uma experiência boa.
Isso, exatamente. Por isso que eu acho que aquela coisa de pensar no que que é imprescindível pra mim, e aí você olhar pra toda a sua história, pra todos os relacionamentos que você teve. O que que eu não quero mais? Ou seja, quais são meus limites? O que que eu não quero mais na minha vida? O que que a partir até das experiências ruins, o que que eu quero então? E a partir de outras coisas que eu também convivi, o que que tudo bem? Isso aqui eu consigo lidar. Então ter muito claro isso, que é um autoconhecimento. Então a gente ter claro o que a gente quer pra quando a gente se abrir a conhecer pessoas, a gente também ficar atento nesse sentido do que eu quero mais pra minha vida e o que eu não quero mais pra minha vida.
Perfeito. Pra gente partir pra uma conclusão, você vê, né? A gente falou isso no início e a Ilka perguntou, como aprender a praticar amor próprio? Porque ninguém nos ensina. Aliás, não vou dizer ninguém, igual você falou, não dá pra generalizar, mas os pais estão preocupados em te ensinar outra coisa, os amigos estão pensando em outra coisa, a gente não tem... não tinha, pelo menos antes, nas mídias tradicionais e agora com a internet a gente tem mais papos assim. Mas eu entendo a pergunta da Ilka. Como é que eu vou praticar o amor próprio sem viver um julgamento, uma falatória de egoísmo? E aí entra a pergunta que eu tinha deixado aqui pra gente repetir, que é o seguinte, como então lidar com a cobrança das pessoas? Como a gente falou, você é solteira, solterona, né? O homem pode ficar solteiro com o cabelo branco, com várias peguetes, como diz hoje. Mas eu entendo, como é que a gente então pode, Paula? Partindo com a conclusão. Reconhecer o amor próprio, aprender, ignorar esses comentários bobos. Tem que ser forte, né?
Tem, muito, né? E é isso que a gente tinha falado há um pouco de tempo atrás também. É um processo. A gente está em processo e vai ter vezes que a gente vai conseguir, inclusive, focar um pouco mais nisso, a gente está conseguindo ter mais autocuidado, não sei o que, e de repente a gente dá uma escorregada de novo. Opa! Aí comecei a entrar no trabalho de novo, ensandecida, não tô olhando pra mim. Então, para. Então, o autoconhecimento, ele é a base. Então, a primeira coisa é a gente estar olhando pra gente. Olhar as esferas da vida e olhar e fazer o que é importante pra mim. Porque esse autocuidado vai ser diferente também pra cada pessoa. E aí, assim, trazer... Quais são minhas qualidades? O que faz ser a Isabela Camargo uma pessoa especial? O que faz ser a Paula Napolitano uma pessoa especial? O que faz cada um ser especial? Porque todos somos. de maneiras diferentes. Então fazer essa lista com você mesmo, e aí de novo volta aquela questão que a gente falou no início, de que muitas vezes a gente não consegue enxergar, porque a gente é extremamente autocrítico com a gente. Então às vezes faz um exercício, pega as pessoas que você confia, que você ama, que você gosta, e pede pra essas pessoas falarem quais são suas qualidades. Falou, tô fazendo um exercício, estou fazendo um exercício aqui e tal, e aí eu gostaria que você me dissesse quais, na sua opinião, são as minhas qualidades. E pede pra várias pessoas que você gosta e que você confia. Porque elas vão olhar de maneira mais gentil e, de fato, com as qualidades que elas enxergam e que, às vezes, você não tá enxergando.
Paulo, isso é tão curioso porque se a gente agora pedir para que cada um que está nos acompanhando e que vai depois nos acompanhar lá no YouTube, colocar no papel qual é a sua principal característica, a gente não sabe responder de bate-pronto Exato.
Mas a gente sabe responder aquelas que são ruins, né?
Então. Então. Bom, então pra gente encerrar, minha querida Paula Napolitano, a gente ficaria aqui horas, tá?
Horas, com certeza.
Todo mundo, porque o tempo é muito importante pra sua sexualidade.
Nisso.
Ou se estiver sozinho, para o copo do desejo. Eu acho que essa é a mensagem que eu gostaria de finalizar contigo, para que cada um saiba reconhecer o que enche o copo do desejo. Então, eu vou falar uma coisa e depois passo para você. No copo do desejo para quem está sozinho hoje, porque quem está em casal, está em casal. Eu vou focar em quem está sozinho. No copo do desejo de quem está sozinho, eu sugiro hoje assistir o filme que mais gosta, que já assistiu no passado, que precisa assistir de novo, tipo Comer, Rezar e Amar.
Ai, que delícia.
Adoro, né? Então assim, passo pra você agora. O que mais pra esse copo do desejo individual?
Bom, pra esse copo do desejo individual, você pode ali preparar ali um ambiente depois no teu quarto. Botar uma luz de vela, colocar um cheiro gostoso, se arrumar pra se sentir bem, bonita ou bonito. Colocar uma música gostosa e fazer uma autodescoberta.
Masturbação.
Não é masturbação, porque masturbação a gente associa que vai direto no órgão genital. Autodescoberta do corpo. Vai pelo teu pescoço, vai passando a mão de levinho, vai passando o dedo, vai se descobrindo. O órgão genital, se você nem quiser nem precisa, mas se não vai, vai devagar, vai conhecendo, vai devagar. Vai se provocando, se explorando o seu momento de prazer com você mesmo. e de descobrir esse prazer. Inclusive os homens. Os homens têm aquilo de aprender a se masturbar na adolescência, que tinha que ser rápido, tinha que ser corrido, e não sei o quê, e fazem igual até hoje. Um ato até mecânico. Explora. Vamos sair do mecânico, vamos se conhecer. Eu diria que essa é pra encher o copo do desejo, o próprio copo do desejo ali é uma alternativa.
Perfeito. Paula, muito obrigada. Por favor, passa aqui pra nós os seus horários no Jovem Pan, sua página.
A minha página é o Sexplicando no Instagram, que é também o nome do meu último livro, que eu até vou mostrar aqui pra vocês. Então, o Sexplicando, que é sexualidade sem mitos e tabus, que foi justamente um livro que eu trouxe pra ajudar as pessoas a descomplicarem um pouco a sexualidade e os relacionamentos de modo simples e que traga a reflexão conhecimento e autoconhecimento. No Facebook, Psicóloga Paula Napolitano. Na Jovem Pan, então, no site, todas as sextas-feiras, eu posto um texto lá, no Mulheres da Pan. E aí, a gente vai conversando sobre sexualidade e relacionamento, que é tão importante, faz toda a diferença, principalmente nesse amor próprio.
Lindo! Paula, obrigada. Que seu dia dos namorados e os próximos dias com muito amor próprio e repleto de amor também com todos que.
Convivem com você Para você também, uma ótima sexta-feira e parabéns aí para todo mundo e parabéns pelo seu trabalho de estar levando esse tema da saúde mental, emocional E saúde como um todo sexual para todo mundo.
É isso. O autocuidado também precisa passar por você. Obrigada.
Obrigada, gente. Tchau, tchau.
Vou liberar a Paula, horário de almoço aqui de todos Quero agradecer a presença de cada um de vocês Lembrar que as palavras são sementes e se fez sentido pra você Compartilhe com um amigo, com uma amiga, com quem vocês quiserem Que o coração, sabe quando a gente pensa numa situação e fala, isso aqui cabe pra tal pessoa Porque a gente pode propagar essas informações tão boas pra quem a gente gosta Pra gente viver uma vida que vale a pena ser vivida, tá certo? Bom dia, bom final de semana, se cuidem E aí na semana que vem eu volto com mais conteúdos pensados especialmente pra você Tchau, tchau!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








