O bom humor é feito para te fazer bem! Maryana com Y - EP 55 - Ïnterioriza

Mariana Coy, a humorologista, talks with Isa about how humor supports mental health. She discusses toxic positivity, burnout from always being present, and a breakdown she had at 16, plus practical ways to manage energy and set boundaries.
Chapters
Positividade tóxica. Já ouviu falar?
E aí?
Como é que a gente se saca quando dá pra levar uma vida leve de verdade, com bom humor, né? Ser uma pessoa boa sem ser uma pessoa boba. Enfim, como que a gente pode viver bem nesse mundo cheio de caos? Minha convidada de hoje é ela, Mariana com Y. Cadê Mari? Cadê Mari?
Ei!
Eu tô aqui! Pedi pra Mari fazer essa entrada triunfal pra vocês saberem que ela anda assim sempre, tá? Chegamos aqui pra gravar, está Mari com Carol tomando um café. Com o dedinho levantado, já pronta.
É o dedinho levantado, Isa, é o Wi-Fi, né? Pra pegar melhor.
Entendi. Mariana, você... Viaja assim? Você vai ao mercado assim? Como é que é? Não. Bem-vinda, querida.
Obrigada pelo convite. Falando da capa, tem uma história muito boa que uma vez acabou minha palestra e o cliente falou... Falei: "Tá, vou me trocar agora." Ele: "Hã? Você não vai voltar de capa?" Eu falei: "Isso é um desafio?" E ele falou brincando pra mim: "Aham." Falei: "Agora eu vou." E eu tava com uma capa que era de foguetinho. Era tipo o espaço. E ele falou: "Não, Mário, eu tô brincando." Eu falei: "Não, agora você vai me levar no aeroporto, a gente vai de capa no aeroporto." E ele me deixou no aeroporto, ele: "Mário, eu tava brincando." E eu no aeroporto andando de capa, eu peguei o voo de capa. E aí as comissárias, tipo: "Opa, tudo bom, minha querida?
O que que tá acontecendo com você?" Quem mais parou você nesse dia? Crianças? Jovens? Adultos?
Vamos dizer assim, os olhares são diferentes. Das crianças é: "Ah, eu quero!" "Eu quero ser que quando eu crescer eu possa usar capa!" Eu quero!
Criança é assim.
Adulto é: "O que que tá acontecendo? Certeza que é pegar..." "Ah, vai aparecer!" Então tem esse jogo. Mas só entrando pra falar da capa, que não tem nada a ver com nada. Mas você puxou, lembrei, é isso.
Cadê a antena do wi-fi? Ah, ótimo.
Funcionando.
Gente, deixa eu contar uma coisa pra vocês. Eu queria, logo no início aqui do Interioriza, trazer a Mari. A gente não cruzava as agendas. Não dava, não dava, não dava. E aí, hoje deu. Tô muito feliz de você estar aqui. A gente se conhece já faz alguns anos. Na verdade, a gente se conheceu Durante a pandemia, fizemos várias coisas online. Aí depois é que a gente foi começar a ter mais relações no presencial. E a Mari, ela nessa jornada se especializou em humorologia. É isso. É assim que fala? Humorologia? Você é humorologista?
Sou humorologista. Porque quando eu comecei a falar de bom humor, as pessoas acharam que eu era humorista, Isa. E eu não sei contar piada. E aí eu comecei a estudar sobre isso. Eu falei: "Cara, eu não tô aqui pra contar piada, eu tô aqui pra elevar a sensação de bem-estar das pessoas." E eu vi que não tinha profissão pra isso. Eu falei: "Então vou registrar minha profissão." Gosto disso. Aí fui e registrei, gente. É que assim, coisas...
Eu gosto disso. Quando a gente não encontra o que a gente precisa fazer, então a gente cria.
E aí eu falo muito que a comédia, ela é feita pra fazer rir. O bom humor é feito pra fazer bem. Então... Toda minha mensagem, por onde eu vou, é pra fazer com que as pessoas se sintam melhores, se sintam bem, se sintam leves.
Gente, repete essa frase olhando praquela câmera, por favor.
Olha o meu olhar aqui, ó. O meu foco é espalhar o bom humor. Porque a comédia é feita pra fazer rir, o bom humor é feito pra fazer bem. E eu quero que as pessoas se sintam bem. É isso.
Cara, campanha: humoristas se transformem em humorologistas.
É isso!
Isso é muito boa essa! Gente... Não é, Mari? Mas só lembrando que Mária é pioneira.
Agora fiquei insuportável, gente. Ai, eu vou sair desse podcast aqui um nojo.
Deixa eu te contar uma coisa. Eu gostei demais do que você falou, mas agora quero trazer o outro ponto.
Bora.
O quanto isso é... Como você se blinda e se prepara no seu dia, porque ao levar esta mensagem positiva, Que não é tóxica.
Tem uma linha boa aí.
É, eu quero te ouvir. Como é que você se blinda pra não chegar no fim do dia assim, exaurida de energia? Ou seja, as pessoas me sugaram. Como é que você faz no dia a dia?
Isa, é legal falar essa parte do sugar. Porque quando eu dou, eu recebo também. Eu gosto muito daquela frase que as pessoas falam: "Ah, eu faço o bem sem querer nada em troca". Isso é mentiroso, né? Porque quando a gente faz o bem, a gente recebe uma porrada de hormônio bom. Então, esse sugado, ele existe quando eu não estou entendendo que eu tô ganhando algo em troca. Então, se eu tô indo entendendo que tem uma troca, que as pessoas tão me fazendo bem, não dá pra ser sugado. A gente só consegue tirar tudo quando a gente não tem essa consciência, que é o que você fala. Não me incluí na agenda, não me coloquei como prioridade, não entendi que aquilo também me faz bem. Porque nós comunicadores, a gente pode se perder. "Ai, eu quero ajudar." Não, mas primeiro é a gente. Então quando eu subo num palco ajudando, me ajudando na frente, todo mundo ganha. Então dificilmente eu vou sair: "Ai, nossa, sem energia." Mas quando eu vou: "Ai, eu vou doar tudo, eu vou me ajudar." Eu chego nesse nível. Então é um treino mental de falar: "Cara, calma que eu vou doar, eu vou receber. Eu vou doar, eu vou receber." Troca.
E a troca sendo justa, aí a missão se perdura.
Às vezes a gente tem uns dias assim. Por quê? Não se olhou, não se cuidou, se perdeu.
Aí: "Meu Deus do céu, perdi a energia aqui." Isso significa quando você não dormiu bem, quando você deixou de fazer o quê pra você? Me conta.
Falta de energia mesmo, né, Isa? E tem um livro que eu gosto muito, que é a Shakti, da Rajiv Patel. Ela fala que o nosso cérebro precisa de imobilidade, o nosso corpo físico precisa de imobilidade pra ganhar energia vital.
Volta, que eu não conheço isso.
Bora. O nosso corpo físico, fisiológico, precisa de movimento pra ele ganhar energia vital. E a nossa mente precisa de imobilidade pra ganhar energia vital. Então, quando eu percebo que eu tô com pouco...
Imobilidade significa gastar menos energia pra sobreviver.
É o nadismo que a gente gosta de falar, né? Fazer nada.
E aí?
Então, quando eu vejo que a minha energia vital tá, né, na reserva, eu falo: "Ei, ei, ei, pera!" Ou eu preciso dar uma segurada aqui, ou eu preciso me movimentar, me alongar. Porque muita gente fala: "Ah, eu tenho que fazer atividade física." "Tem que ser crossfit!" Não precisa. Se alongar, se movimentar, lembrar que seu corpo é um corpo, que às vezes a gente acha que o corpo é cadeira, né? Tá aqui, você se mexeu o dia inteiro. Então a gente precisa se movimentar. Então quando eu vejo que tá chegando na reserva, eu vou pra essa, pra esse movimento e pra essa imobilidade mental. Então é a pausa, o nada, é sentar ali e ficar. Que é o que você fala de não esperar nenhum resultado, né? Fazer algo que você não tá esperando nenhum resultado.
Ah não, a turma às vezes me pergunta, né? Tem um módulo de um curso que eu dei e que tem lá tempo livre. E a pergunta, quando eu abria para as pessoas perguntarem: "E aí, qual a dúvida?" "O que é tempo livre?" "Ah, não, mas eu corro no tempo livre." "Ah, não, eu assisto série no tempo livre." Se você estiver correndo sem esperar correr mais e menos tempo, se você estiver assistindo uma série sem ficar lá: isso me deu uma ideia aqui, isso me deu uma ideia ali." Isso é tempo livre. Agora, se você fizer algo esperando um resultado, não é mais tempo livre.
Então eu preciso desse, desses nadismos para abastecer, para não chegar nessa exaustão de sem energia. Muita gente fala: mas tem muita energia! E eu tenho mesmo, mas o que me carrega é essa troca. Câncer. Sou vizinha da Angelina.
É verdade, é verdade, cabeça de ovo. Eu não consigo ir no aniversário de Angelina. Quem é vizinha de aniversário? Hoje a gente vai fazer aniversário junto.
É, que tem tudo a ver.
Deixa eu te fazer uma pergunta. Sempre foi assim a sua vida? Como é que você virou a chave de ser uma pessoa sem capa para uma pessoa com capa? E por que a capa?
Nossa, eu gostei muito disso. Quem era Mariana sem capa? Vamos lá. Não, eu era uma criança extremamente tímida, muito, muito, muito tímida de falar nada. Não é assim, ah, falava pouco. Não, falava nada. É assim, não, nada. Sério, não tô conseguindo nem te entender. Eu tinha zero amigos na escola, zero, zero. Passei por bullying muito forte. E eu gosto de falar que o bullying é quando a gente exclui, desconsidera e rejeita alguém. Quando você exclui, desconsidera ou rejeita alguém, essa pessoa recebe altas doses de cortisol, que é a hormônia do estresse. Aos 16 anos, eu tinha tanto cortisol na minha corrente sanguínea que eu tive o apagão. Burnout tá atrelado a trabalho, mas o meu foi totalmente atrelado a fisiologia de estresse. Então, como eu tinha bullying todos os dias e sofri estresse todos os dias, pra mim tava tudo bem, porque eu tirava boas notas. Então, eu não era um problema pra casa, em casa, minha mãe achava que tava tudo certo, mas eu tava sendo bombardeada porque eu tenho essa voz desde criança, Isa, e as crianças zoavam muito a minha voz, então eu não falava.
Porque diziam o quê?
Que era voz de sapatão, que era voz de homem, e para uma criança eu nem entendi o que era aquilo, eu preferia não falar. Então eu não tinha amigos, eu não tinha dupla na prova. Eu lembro um dia que a professora falou: prova em dupla. Eu falei: eu não quero. Ela: não, mas tem que ser em dupla. Eu falei: mas não quero dupla. Mas tem que ser em dupla. Eu não quero dupla. Eu fiz xixi na calça porque eu não queria fazer prova em dupla. Enfim, aí já vamos pra outra novela. Mas o que aconteceu foi, aos 16 anos, eu tava com tanto cortisol, eu tava numa aula de física à tarde, eu lembro. Cara, tava normalmente, daqui a pouco, pum, bati a testa na carteira assim, ó. E voltei. Aí o professor falou: "Gente, o que é isso aqui na minha aula?" E todo mundo me olhando, eu com a testa latejando. Falei: "O que aconteceu?" Aí meu professor falou: "Vai tomar uma água." Na hora que eu fui levantar, minha perna começou a formigar, meu corpo começou a formigar, parou tudo. Não mexia. Não piscava. Falei: "Já era." Caraca! Eu tava consciente, mas sem sentir nada. E aí, naquele momento, eu falei: "Não acredito, gente. Eu vou morrer agora sem dar um beijo na boca." Deus não faz isso!
Quantos anos você tinha?
17?
16. 16. E aí? Eu falei: "Deus não faz isso comigo agora!
Meu Deus!" E ali, vem... Não sei se alguém aqui já passou perto de morrer, mas quando a gente acha que a gente vai morrer, passa aquele filme na cabeça mesmo. Eu: "Nossa, quantas coisas eu não fiz. Eu nunca mais vou falar pra minha mãe que eu amo minha mãe, nunca mais vou tomar sorvete, nunca mais vou jogar bola, nunca mais vou tocar violão, nunca mais vou tocar guitarra." Eu só imaginava aquilo, que eu não tava sentindo nada do meu corpo.
Caramba!
E aí fui pro hospital, eles me dosaram, pagaram. Quando eu voltei, eu lembro que a primeira coisa que eu fiz foi mexer o dedão do pé, assim. Mexer o dedão do pé, o outro: "Beleza, pelo dedão já rola." "Tô aqui, tô aqui, tô aqui." Aí eu me mexi, aí eu falei: "Mãe?" Aí minha mãe já: "Caramba!" E aí eu sempre brinco, eu falo: "Gente, eu voltei quantos anos?" Eu dormi.
Tipo, vai de volta pro futuro.
Olha só, estamos em 2089, é isso, Mari. Não, foi só um dia mesmo, era estresse. E o médico falou: "Você passou por algum estresse? Brigou com o namoradinho?" Eu gosto desse médico, porque ele achou que eu tinha um namorado, gente. Maravilhoso, né? Ele foi incrível achando que eu tinha um namorado, né? Começa por aí. E aí eu falei: "Não, não briguei com ninguém." E ele começou a perguntar pra minha mãe: "Ela é muito estressada, ela tá passando por prova." Minha mãe falou: "Não, tá tudo ótimo." Foi a primeira vez que eu tive investigação de entender o que era esse estresse, né? E quando eu voltei desse choque, eu voltei, Isa, com uma sede de viver, com uma vontade de fazer tudo, de ouvir histórias, de comer todos os pratos. Eu voltei, falei: "Mãe, eu não quero mais ser essa criança". Minha mãe falou: "Que criança, minha jovem?". Ela não sabia. E aí foi quando a gente começou a entender, minha mãe. Eu tava no segundo colegial, ela me mudou de colégio. Eu acho que até hoje ela se arrepende. Porque ali eu fiquei com essa sede de viver. Mudei pra outro colégio, eu organizei viagem de formatura, eu organizava festa. Aí fiz essa virada de chave aí, primeira, aos 16 anos.
Você acha que antes disso, quando você sofria bullying, era porque você não revidava? Ou seja, você não queria?
Eu nem sabia o que era isso.
Não sabia o que era.
Eu só sofria em silêncio. Só que é aquilo, né? Assim como muitos adultos sofrem sem saber que estão sofrendo. Opa! Que é o estresse. Não, isso é normal. Que muita gente fala: "Não", mas é normal a gente estar estressado. "Ah, é normal ter uma vida corrida." Não, não é! E aí, a conta uma hora chega. Então hoje, eu como palestrante, como mensageira do bom humor, eu quero trazer essa consciência pra que as pessoas se libertem antes da conta chegar, Isa. Você também é essa pessoa. A gente conscientiza pra que as pessoas se libertem antes. Porque quando a conta chega, ela é muito cara. Então assim, a primeira conta que eu tive foi aos 16 anos. Eu me tornei outra pessoa, de querer viver. E aí, eu fui, me tornei guia, fui pra Disney. Trabalhei com tudo, joguei futebol nos Estados Unidos. Eu fui viver a vida. E aí teve uma época que falou, meu pai falou: "Cara, e aí? Vai trabalhar não, minha filha? Vai só ver a sua vida." E você já trabalhando um monte. Já trabalhando muito. Só que eu trabalhava com recriação. Pros moldes do mundo, isso não é trabalho.
Pros moldes do mundo conservador.
Exatamente. E ali naquele momento, a Mariana voltou, apagou o brilho um pouquinho, voltou pro mercado de trabalho. E aí em 2018 eu tive depressão. Porque eu tava totalmente fora da minha identidade.
Como eu gosto de dizer, se encolhendo pra caber em um lugar.
Exato. E ali eu falei: "A conta chegou de novo? Eu não posso deixar." E aí, quando a conta chegou, eu fui estudar. Aí eu fiz o curso, fui pro Vale do Silício, fiz o curso de inteligência emocional lá no Google. Fiz o Action for Happiness, que o patrono é o Dalai Lama. Fiz alguns cursos de inteligência emocional pra... Como que eu posso dizer? Desmontar o brinquedo. Falei: "Deixa eu fazer engenharia reversa disso." E aí eu falei: "Cara, eu não posso deixar que dentro do corporativo as pessoas estejam recebendo essa conta." Porque eu sempre falo, Isa, O RH, ele tem a quantidade de pessoas que estão afastadas por depressão, síndrome do pânico. Mas quem tá trabalhando doente? Quais são esses dados? Então eu queria falar com essas pessoas.
O famoso presenteísmo.
Isso! E aí foi onde nasceu a capa, digamos assim. Porque eu falei: eu preciso falar disso pro corporativo, eu preciso falar disso pras pessoas que nem sabem que estão doentes. Mas eu não posso falar como qualquer pessoa. Eu trabalhei na recriação muito tempo, eu usava capa na recriação. E fui fazer um evento em 2019 pra muitos RHs e falaram: "Mari, você quer ser mestre de cerimônias?" Eu falei: "Me fala o nome de uma mestre de cerimônias que você conhece." Aí eles ficaram olhando, eu falei: "Tá vendo? Eu quero ser diferente!" E aí eu lembrei da minha roupa da recriação, eu falei: "Posso usar uma capa?" E todo mundo na reunião falou: "É... Tipo, que que é capa?
De quê?" Não tem referência. Me ajuda, me ajuda, me ajuda.
Não tem referência. E aí eles falaram: "Pode dar muito certo, pode dar muito errado". Aí eu quero que vocês tirem a conclusão se deu certo, se deu errado. Mas desde então, eu levo a capa pra mostrar que adulto pode usar o que for. Você pode se divertir no processo. Porque meu bom humor, a minha capa não anula as minhas competências. Então eu quero trazer que isso tem profundidade. A gente brincar, se divertir. Porque muita gente confunde, Isa, essa parte do bom humor, da diversão, com irresponsabilidade. "Ah não, ele é bem-humorado, por isso que ele não entrega resultado". Não, ele não entrega resultado porque ele é irresponsável. Não tem nada a ver com bom humor. Só que ao longo dos anos a gente colocou nesse lugar, né? Eu sempre falo pros RHs: tem uma pessoa muito séria e uma super engraçada. Eles entregam a mesma coisa. Quem é promovido? Porque a gente tem um repertório de pessoas. O líder, ele é sério. A gente não vê um líder divertidão. Isso não é referência, porque nos filmes é sempre o bobo. Então, eu, Mari, quero levar essa imagem do bobo. Mas mostrando que ele, como o bobo da corte, influenciava na estratégia do rei. Então assim, o meu bom humor e a minha leveza não anula as competências. Então eu falo que eu quero tirar os bem-humorados do armário, sabe?
Vem, gente!
Vem, que aqui fora o mundo é nosso!
Perfeito! Uma salva de palmas para Mariana! Muito bem!
Arrasou!
Eu não sei nem o que eu te pergunto mais. Olha, Mariana, vem cá. A capa... Curiosidade, tá? Tá. A capa, antes, ela tinha algum sinônimo de super-herói?
Nada a ver, cara.
Graças a Deus.
Você fala disso, né?
Eu tava querendo te fazer essa pergunta, eu não vou fazer.
Não, cara, não. É um figurino.
Tá.
É um figurino, porque assim...
Não era uma alusão a ser super-herói.
Vou contar real mesmo aqui. Vou contar a verdade aqui. Quando eu fui fazer a primeira, porque foi assim, eu trabalhei muito tempo com recreação. E eu era líder da monitoria da galera que fazia recriação. E a gente começou a perceber que a monitoria tava ficando adulta, sabe? O pessoal não se jogava no chão, não se divertia mais. Porque queria parecer que era monitor sério. E eu falei: "Cara, eu preciso criar alguma coisa. Eu, como líder, eu preciso mostrar pra eles que esse ridículo do palhaço, cara, é maravilhoso." Então, como líder, eu criei um macaquinho colorido. Só que quando eu vi o macaquinho, gente, a minha parte atrás não é tão legal.
Macaquinho, você diz um macaquinho fofa?
É de macaquinho, né?
Ah, tá.
De bandinha. Eu falei: "Tá faltando alguma coisa aí pra cobrir atrás." Porque assim, lá a gente falava com 500 adolescentes. O salão era gigante. Então, pra eu entrar chamando atenção, eu falei: "Cara, tem que ter uma capa." E eu desenhei a capa, levei na costureira e fiz a capa. Pensando... Não foi nada de herói. Tanto que eu e o Mari defendemos muito isso junto com você. Quem já não tem que ser esse herói o tempo inteiro, né? Essa heroína que o mundo diga.
Não existe.
Então não está. Tanto que a Edna dos Incríveis fala que capa tá fora de moda, né? Mas a capa é uma brincadeira de figurino, assim.
Perfeito. Mari, caraca, separadas pela maturidade, né? Nós duas. Você foi por um caminho, né, do humor, com tudo que a vida foi te forjando. Hoje eu tenho Também sido esta mensageira, como você, para tentar despertar enquanto há tempo. Porque os nossos êxitos, assim como os nossos fracassos, não dependem de ninguém. É só da postura como a gente encara as situações.
Totalmente.
E o interioriza, não sei se você pegou aqui, ó, interioriza, viu? Pegou?
Sim, só que coisa...
É pra gente assimilar, interiorizar ideias que já passaram do tempo. Sabe? Você sabe que outro dia eu fui fazer um programa e aí me chamaram de repetitiva. Já falaram que você é repetitiva?
Fala o nome dessa pessoa, Isa.
Não, não. Aí olha que curioso, olha que curioso. E aí eu parei pra pensar, aí eu falei: "Bom, será que eu tô repetindo algumas informações?" Aí eu falei: "Sim." Somos mensageiras, Isa. Não, sim, eu tenho que repetir uma informação. Hoje eu trabalho com educação e saúde. E um professor não repete? Milhares de vezes a mesma informação. Então a gente precisa tirar um pouco esse pelo do coração, um peludo, né? Olha a depilação a laser aí pra essa pessoa. Aliás, depilação a laser é um baita ganho de tempo. Depois a gente fala sobre isso. Mas você compreende? Eu só quero te trazer assim, se algum dia alguém ainda dizer que você está repetitiva, sim, somos repetitivas, senão o mundo não estaria como está.
Nós somos mensageiras, Isa. Assim, a nossa mensagem, a nossa raiz, não tem como mudar. Então assim, como eu falo assim, o humor é meu recurso didático. E você tem o seu recurso didático. E ele vai ser repetido. Eu não consigo, porque é a minha identidade. Falar que a gente repete é falar que sim, eu continuo sendo a Mariana Cunha.
Ainda bem! Ainda bem, não tô me corrompendo.
Mas isso, Isa, cai naquilo que você, quando a gente começou a falar, e eu vou abrir esse tema pra gente, cai na positividade tóxica. Vambora. Porque quando alguém fala algo assim, Sim, ela tá querendo forjar isso, sabe? Do tipo: não, você tem que ser outra coisa, tem que ser legal. Como assim? E cai nisso desse forçar essa barra que eu falo. A positividade, muita gente acha que tá atrelada a ser extrovertido. Ah, então deixa eu ser animado, extrovertido. E não tem nada a ver com isso. Como eu falei, o humor é sensação de bem-estar. Essa pessoa com toda certeza não quis que você se sentisse bem.
Sim, é só Tudo bem, a gente gosta e tudo mais.
Mas isso não potencializa a sensação de bem-estar de alguém, uma crítica como essa. Então, toda vez que a gente força algo, a gente tá indo pra positividade tóxica. Então, como eu falei, o humor é a sensação de bem-estar. A positividade é quando a gente coloca a nossa mente pra jogar a nosso favor. Não tem nada a ver com você ser extrovertido, animado. Eu quero que minha mente jogue a favor. Por exemplo, as frases que eu gosto muito de falar. Tem gente que fala: "Ah, eu tô correndo atrás do prejuízo." Não faz sentido, né? Fala pra pessoa: "Então senta e toma água, que você vai continuar correndo, você vai achar." Isso é a mente jogando contra.
Exato, exato.
E quando a gente força alguém a ir pra uma situação, dentro de empresa eu falo muito disso, que muita gente fala: "Ah, mas esse líder, Mari, ele não chega animado todo dia?" Eu falo: "Cara, você se sente bem?" Eu tô batendo isso aqui toda hora, viu?
Tudo bem, se cair a gente...
"Meu Deus do céu, cara, minha conta aqui já tá no negativo, gente." Então, a positividade tóxica é quando a gente força alguém a ir por um caminho que a gente quer que ela esteja. Não, o bom humor, a gente tem que ir por um caminho que a pessoa se sinta bem e ela faça o bem. Então, você tá bem? Você tá fazendo o bem? Você é bem-humorado? Isso é positividade, pra você colocar sua mente pra jogar a favor. Agora, quando eu falo: "Não, Isa, você não tá bem. Você tem que dar bom dia pra todo mundo, eu quero energia lá em cima." Isso é muito tóxico. E aí, eu tenho falado muito nas minhas redes do... "Vai ficar tudo bem, Isa." As frases prontas.
Que eu costumo dizer algumas que são insustentáveis.
É, muitas. O "vai ficar tudo bem" dá vontade de falar: "Não, às vezes não vai, viu?" Não vai, vai dar ruim.
E precisa dar ruim pra você assumir uma outra postura diante do mundo. Olha isso, tá chorando?
Não. Tô tentando segurar minha tosse.
Pode tossir.
Não, continua. O Ale tá quase sem respirar aqui, né? Pode tossir pra mostrar.
O Ale é o Xande, tá, gente? Isso aqui tá entrando tudo, não vai editar nada, tá? É... O Xande é o responsável. Tosse!
Vamos fazer ele respirar, porque aí ele tosse.
Ele não parou de tossir. Tosse, Xande!
Olha que liberdade.
Você sabe por que eu tô fazendo isso? Isso é vida real! Porque... Isso eu aprendi com o Márcio Ballas.
Maravilhoso!
Aliás, vamos fazer uma campanha. Me ajuda a trazer ele aqui? Não acredito que você não tem agenda. Gente, o rapaz não tem agenda, não consegue.
Gente chique, né? Gente chique. Vocês estão entendendo, né?
Gente chique demora uns 8 meses pra atender a amiga. Vamos lá. Eu aprendi com o Márcio sobre o improviso e a vida fica muito mais leve quando a gente lida com as situações. Então eu tô vendo aqui atrás das câmeras o Xande, que é o meu braço direito, meu amor. Eu nem sei como chamar ele. Não é assessor de imprensa, entende? O dono dessa petoda aqui, né, desse estúdio. Alexandre Poleto tá comigo há um ano. Então eu tô vendo ele atrás das câmeras passando mal. Eu falei: "Tá tudo bem?" Isso é improviso. E aí eu espero que com essas...
Isso é vida real.
Isso. E é isso que eu espero que este exemplo sirva pra você que tá nos acompanhando, que se tem alguém na altura dos seus olhos que você tá vendo que tá precisando de ajuda, não tem nada mais importante do que eu ver o que tá acontecendo com aquela pessoa, né? Se eu tô vendo que você tá incomodada, eu preciso "Está te incomodando algo? Eu sei que você está com pressa." Já bateu na perninha.
Bati, calma.
Mas você entende? Isso é presença.
Maravilhoso.
E eu entendo que presença tem muito a ver com caráter. A turma fica tentando pegar presença em mindfulness. E aí eu quero encerrar com isso contigo.
Muito bom.
"Ah, não, mindfulness..." Cara, você não consegue ter presença se você não for uma pessoa realmente conectada com o todo. O que você está fazendo? E com você mesmo. E assim, você faz o que faz por quê? Você está ali para quê? Você foi pra índia?
Aham, fui. Gente, agora eu voltei de um jeito, não sei como a galera ficou lá, Isa. Não sei como a galera ficou lá, mas eu tô ótima.
Agora eu quero que vocês imaginem, né, este ser de luz e de capa meditando. Como é que era? Você parava assim?
Sim, querida, eu sou uma pessoa extremamente conectada comigo, Isa.
Levo muito a sério isso. Carol, procede.
Meu foco, quando eu tô a fim, você vê o meu olho aqui, ó.
Carol é a alma gêmea da Mari.
A minha maravilhosa, faz parte dessa pessoa que me aguenta todo dia.
Mas a Carol é tímida, se eu te chamar aqui você não vai querer entrar, né? Então pronto, Carol é tímida, ok, respeitamos e tá tudo certo. E tá tudo certo. Carol é sua alma gêmea. Carol, procede essa informação que ela para e medita?
Eu sou criança nerd. Eu, quando me dedico às coisas, eu me dedico de corpo e alma, assim. E eu fui para entender, porque o que eu gosto de fazer é desmontar brinquedo para comunicar de um jeito diferente. Porque a meditação tem algo, um lugar que muita gente fala: não, isso não é para mim.
Nem experimentou.
E aí eu falei: como que a gente pode falar de meditação de um jeito que não cabe para esse: não, não quero nem saber. Você ouvir uma música que você gosta, cantar ela do começo ao fim é uma meditação.
Estado de presença.
Totalmente. Então eu fui pra lá pra entender e foi, cara, 9 dias. Foi incrível. Vou contar um segredo que na primeira meditação eu sentei maravilhosa. Vamos meditar, que lindo, tô preparado, tô na índia. Juro, eu falei: "Gente, me esqueceram aqui." Não é possível.
Não é possível!
Quando eu olhei, já tinha passado 7 minutos. Aí eu falei: "Como a minha mente tá aceleradíssima!" E aí eu tive esse clique de falar: "Eu preciso fazer essa reunião mais vezes." Com você? Total! Porque eu tenho uma mente acelerada, o mundo... E aí você fala: "Se eu deixar a onda levar, o piloto automático dirigir, cara, eu vou bater esse carro." Então, a índia me trouxe muito essa consciência de como que eu trago Essas pausas, essa presença, mais vezes, do meu jeito. Então, às vezes é: "Cara, vou dar uma volta, tomar um banho".
Parar, parar.
Porque senão é o meu celular que me conduz na dança. E aí, eu não quero.
Salva de palmas.
Obrigado, pessoal. E bateu palma?
Antes de encerrar, antes de encerrar, eu quero propor pra você a cerimônia das areias.
Gente, cerimônia das areias?
Pera, que isso? É isso, olha só.
Vamos lá.
Eu tenho que ser muito responsável com o seu tempo, né?
Maravilhosa.
Mariana daqui está indo pegar um voo, então vamos lá. Cerimônia das Areias foi quando eu fui convidada por dois amigos para celebrar o casamento deles.
Que lindo.
E eu achei tão bonito que eu falei: gente, isso aqui não pode ficar só para cerimônia de casamento não, isso aqui tem que ir lá para o interiorismo. Então o que acontece, para mim, o que você faz E todos os artistas, é o que salva. O estado da arte salva.
Ai, Isa, fala isso de novo. Porque a gente está tão viciado na ciência, eu falei isso ontem. A gente precisa misturar essa dose de criar no abstrato, trazer a arte, a filosofia.
Putz, cara. Obrigada. A gente não vai encerrar isso nunca, vocês estão sentindo? Então vamos lá.
O pessoal está ficando desesperado aqui.
Por que você faz isso aqui com a mão? Por quê?
Isso aqui é mostrar que eu tô animada, ansiosa, emocionada. É isso, pronto.
Aí, nessa cerimônia das areias, eles convidaram todos os padrinhos pra colocarem num garrafão a areia com as emoções de cada um. Porque eu não sou a mesma pessoa do início desse programa. Você já me ensinou um monte. Não tem mais como separar a Mari da Isa. Perfeito? E assim como as areias, a gente não consegue separar. Aí cada convidado que vem, olha só que coisa mais linda, vai colocando. Cada um colocando uma areia. Inclusive, Carol já viu isso aqui, né? No Nordeste, inclusive, nós temos, né, uma, uma, uma, um artesanato inclusive que é muito característico, que vai mostrando as cores das areias. Então gostaria que você escolhesse uma cor. Já escolheu, sabia que seria essa. E aí, veja só, cada convidado que vem coloca areia e deixa aqui as suas intenções para quem tá nos acompanhando. Esta é a cerimônia. Aí você pode desejar ali para aquela pessoa que está nos acompanhando suas intenções para que ela continue levando sua mensagem. Como é que ela pode fazer a manutenção do bom humor mesmo diante do caos?
Se conecte todos os dias com você, assuma sua identidade, porque o mundo coloca a gente em padrões de identidade, padrões de felicidade, padrões de como que você tem que fazer para se sentir bem. Mas só você sabe o que você tem que fazer para se sentir bem. Então eu quero que as pessoas se conectem cada vez mais com a sua própria identidade. E reverberem isso pro mundo. E a gente comece a criar esses limites de entender que as pessoas comunicam diferente. Eu hoje... A Carol teve o laudo de autismo. E eu, Mari, tô estudando muito sobre os neuroatípicos. E a gente falou sobre isso hoje. Cada um tem um tipo de comunicação. Então muitas vezes a gente fala: "Pô, mas essa pessoa, como ela falou assim?" É o jeito. Então quando a gente começar a respeitar. E... Eu sinto que é transbordar a identidade de cada um, essa diversidade ela vai ser cada vez mais proliferada. Por favor, não vou conseguir repetir.
Proliferada.
Proliferada. Que palavra difícil.
Proliferada. Quando tiver dificuldade você para a sílaba.
Proliferada. Às vezes para mim funciona, você tava ali no ar, né?
Proliferada.
Tava falando tão bonito, aí acabei no final. Acabou a mensagem, cara.
Mas é isso.
Que espalhe a mensagem. Um brinde, Gustavo?
Um brinde. Maravilhoso.
Para identidade de cada um, tem que dar uma misturadinha?
Como você quiser, você faz o que você quiser.
Pode colocar tudo? Não, né? Tudo.
Tudo? Tudo.
Não, Isa.
Tudo, você merece. Alguém pegou essa parte? Tá gravado, né?
Corta só "você merece".
Olha o tempo, vai, vai, olha o tempo ali, você tem que ir embora, gente. Tô preocupada com você. Quem não entende a brincadeira? Obrigado. Isso.
Que legal.
Que música que seria desse momento?
Muito tempo. Eu gosto de Tempo de Alegria, da Ivete Sangalo.
Tempo de Alegria? Qual?
É tempo de alegria, tão bom dividir com você. Oh, oh, oh, oh, alegria. É essa maravilhosa.
Agora, se você "Não tá a fim de sorrir hoje?" Eu sugiro que você use algumas palavrinhas que são salvadoras. "Hoje eu não tô bem." "Por enquanto eu não tô achando graça na sua piada." Mas é hoje, é por enquanto, é nessa semana. A gente tem que parar de colocar essa condicional que "a vida está ruim". Não! Você tá vivendo momentos que podem não ser como você gostaria. Aí nós vamos falar de expectativa. É, de ser feliz o tempo inteiro, né? Não é isso assim.
A gente tem que caminhar pra sofrer menos, não pra ser feliz o tempo inteiro. E eu acredito muito nisso. Tem dias que a gente tá ali. Eu falo, reclamar também faz bem.
Super.
A gente alivia, a gente só não pode morar ali. Então, percebeu que tá morando, busca ajuda profissional, né?
Quantos dias da semana você, na média, fica assim meio: "Hoje eu não tô bem"? Aí você se respeita? Como é que você faz?
Cara, eu vou falar por mês, que a minha TPM ela é bem puxada. Então assim, no mês eu tenho uns 3 dias que é down, que eu choro e falo: "Gente, o que é que eu tô rindo? Eu tô rindo, eu tô chorando lágrima grossa aqui." E eu choro, eu me entrego à tristeza. E eu aprendi a me entregar à raiva, à tristeza. Porque antes eu ficava: "Não posso ficar com raiva, eu falo de bom humor, pô." E hoje eu aprendi a morar ali um pouquinho, ficar alguns dias. E tá ilesa depois. Carol, que eu diga.
Amo você, você sabe disso. Se você está apaixonado pela Mária assim como eu fiquei desde a primeira vez que eu conheci, com todo respeito, Carol, você sabe disso. Por onde as pessoas continuam te acompanhando?
Mariana Coy, com Y. Então você escreve Mariana Coy, aí você escreve de novo com, aí você escreve de novo Y. Em todas as redes sociais, Isa. Mariana Coy, com Y. Eu falo muito sobre isso, da gente ser a gente, não ter essas frases prontas. Eu sou contra frase pronta, porque a frase pronta só funciona no post, não funciona na vida real.
Um beijo, obrigada pela companhia. Até o próximo Interioriza!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








