O que a mente quer da gente? - Entrevista com Dr. Frederico Porto | Izabella Camargo

Izabella Camargo talks with Dr. Frederico Porto about what the mind needs from us. They cover sleep, exercise, and daily routines as foundations for mental health, part of Brazil's Janeiro Branco mental awareness campaign.
Chapters
Boa noite, retomando a live com o doutor Frederico Porto, psiquiatra e nutrólogo, para falarmos sobre o que a mente quer de fato da gente nesse início de ano, em que estamos fazendo campanhas por todo o Brasil, do janeiro branco mesmo, em que falamos da saúde mental. Tão importante para organizarmos nossas ideias, para seguirmos os meses seguintes com saúde. com coerência, alinhados ao que o nosso corpo está precisando. Então, doutor, dividindo tela aqui comigo, nós já vamos começar. É muito provável que durante a nossa conversa eu tire os comentários para que vocês possam ver também, doutor, e não só ouvir. Mas aí vocês podem encaminhar as suas dúvidas na caixinha aqui de perguntas, que eu trago as suas dúvidas aqui para a prosa na primeira oportunidade. E... já vamos retomar.
Tá voltando. Tá bom.
Agora vamos.
Agora vai, tá ouvindo, né? Tem que ter emoção, senão não tem graça as partes.
Isso é saúde mental. Quando os empreendedores... Eu até gosto de usar isso como elemento, doutor, porque estamos falando que a mente quer da gente. Janeiro Branco, primeiro mês do ano para falarmos sobre essa organização das ideias. E os imprevistos, eles são muito comuns. Se a gente não estiver lidando com eles, o nosso papo aqui é blá, blá, blá, puro.
A nossa mente gosta de rotinas. Ela espera que o que vai acontecer é o que você está aguardando. Todas as vezes que aquele mapa que eu tenho na minha cabeça não se repete na realidade, é só um mapa. O mapa não é o território. Isso vai deixar você mais ou menos angustiado, o que quer que seja. Então, assim, todos nós temos que ter essa percepção, né? Porque uma forma de você se conhecer é isso, é como você se lida com o inesperado. Porque o inesperado é as suas expectativas, né? Que tem a ver com a felicidade, né? Ou seja, o que eu espero? E como a gente está começando o ano, todos nós temos expectativas de reinícios, né? O ano novo é sempre assim, né? A grama do vizinho é mais verde, né? Ou seja, o ano vai ser melhor.
Doutor, antes das nossas duas interrupções, você estava explicando porque que você decidiu ir para a nutrologia, que nós podemos chamar, além da psiquiatria. Qual a relação que temos com a nossa mente?
Porque eu entendi que a... que saúde não é ausência de doença. Isso pra mim foi muito nítido. Eu recebi os pacientes que haviam passado por um clínico, não tinha nenhuma doença física a ser encontrada e eram encaminhados para um psiquiatra. E eu olhava pra aquela pessoa e eu via também que ela não tinha nenhum grande motivo pra tomar um remédio. Então eu ficava assim, mas o que eu vou fazer pra ela que ainda seja orgânico, prescrever que não seja psicoterapêutico? que pode ajudá-la. Então, eu comecei a estudar o ainda alopático, né, que seria a alimentação, nutrientes, etc. E, então, eu trouxe isso pra dentro da minha prática. E a gente sabe disso hoje, né, Isabela, que, por exemplo, depressões leves a moderadas, remédio é pouco eficaz. O remédio é eficaz, mas as depressões moderadas agravem, no caso de depressão. E por isso que você vê muitos estudos aí, que 30 minutos de atividade física, 3 a 4 vezes por semana, tem o mesmo efeito do antidepressivo. Tem mesmo. Provavelmente tem um efeito melhor do que o antidepressivo Porque além de não ter efeitos colaterais, tem outros ganhos que o remédio não vai dar Então quando eu percebi aquilo, foi quando eu resolvi ter essa visão E eu comecei a perceber outras coisas As pessoas estavam cansadas, muitas vezes, elas não estavam tristes E o cansaço, no diagnóstico psiquiátrico, se misturou a tristeza E passou a se chamar de depressão e a gente trata da mesma maneira O cansaço, na minha leitura, faz parte do eixo do sistema nervoso autônomo e endócrino. É uma alteração do eixo do cérebro para a glândula suprarrenal, que é a glândula que produz o cortisol, o hormônio do estresse. E não necessariamente um sintoma de depressão. A pessoa não tem pensamento de tristeza. Eu tenho um cansaço. É como se eu tivesse corrido uma maratona e agora eu tenho que correr outra maratona, mais outra maratona, mais outra maratona.
Agora, já que você tocou no assunto, doutor, de fazer 30 minutos de atividade física e foi essa a razão de eu determinar aqui o nosso tema principal como o que a nossa mente quer da gente. Porque a gente ouve falar tanta coisa e é por isso que eu estou me propondo toda semana do ano, todos os meses, abordar o tema desse mês para falarmos sobre prevenção, para que todos possam assumir o protagonismo de sua saúde, não atribuir a remédios e outras alternativas. Então vamos lá. A gente ouve, tem que fazer atividade física, tem que fazer isso, tem que fazer aquilo, tem que isso, tem que aquilo. O que de fato a mente quer?
Como você disse, uma cliente brincou comigo que se ela colocasse na tabela de Excel, as 24 horas não seria o suficiente para ela fazer tudo que diziam que ela tinha que fazer. É verdade. Você deve ter isso. Agora que você tem Angelina, você vai colocar assim, tem que cuidar de Angelina. Ela falou, não, não cabe na tabela. Então eu acho assim, parafraseando Leonardo da Vinci, a simplicidade é o máximo da sofisticação. Eu acho que a gente tem que se movimentar, não há dúvida. E eu sempre digo para meus clientes o seguinte, você começa algo de medíocre. É o que você consegue fazer. Por exemplo, eu hoje corri. Eu estou aqui na cidade da minha mãe, no interior de Minas, que é muito quente. Então, aqui eu não consigo correr os 45 minutos que eu corro. É muito quente. Não é quente mesmo. Pode estar de noite, que é quente. Então, se eu me permito correr menos tempo, tá certo? Então, eu acho que a pessoa tem que fazer. Nem que seja pouco. Porque essa consistência, mesmo que seja pouco, é o que ela tem que fazer. Tem que cuidar do sono, né, Isabela? Se eu pudesse aceitar uma única coisa, uma única, é dormir bem. Muitas vezes ela vai entender que a atividade física leva a dormir melhor. Mas a coisa mais sagrada é o sono, porque é o maior período de descanso que nós temos. E isso realmente é prejudicado na vida moderna devido ao excesso de luz, de estímulos, o vício das mídias sociais, né? Tá certo? Então, assim, esses dias que eu tô de férias, eu percebi, assim, que eu tenho bloqueado no meu celular, o Facebook é bloqueado, eu só vejo ele no final de semana. O Instagram não é bloqueado porque a gente entra pra responder coisa e tal. Agora, eu escolhi que eu bloqueio ele, aí eu tenho que desbloqueá-lo pra eu responder, porque eu vi que eu tava entrando num looping de ficar olhando, olhando, olhando, E como eu estou de férias, eu abri um livro para ler, por exemplo. Eu sou uma pessoa que conseguia ficar três horas lendo. Eu vi que eu nunca ficava mais nenhuma hora lendo. Eu fiquei viciado. E isso vai te deixando ligado, ligado, ligado. Isso atrapalha a sua atenção, o seu cérebro fica muito ativo. Isso vai atrapalhar você dormir à noite, o excesso de luz. Então o sono, o sono é curativo. Eu como psiquiatra, a primeira coisa que eu pergunto para o paciente é como está o seu sono. O paciente bipolar, por exemplo, você fala para ele assim, como é que eu sei se eu estou entrando em crise, doutor? Eu falo assim, o seu sono é o sono. O sono é o primeiro sinal. Então o sono é sagrado. Então eu acho que o sono é sagrado. E da alimentação, que já é mais coisa para fazer na lista do Excel, você escolher uma refeição que seja saudável no seu dia. Faça uma. Por exemplo, o café da manhã. Pode ser a sua refeição saudável. Você escolhe comer da melhor maneira possível. Tudo certinho. Você faz uma só. É isso, uma. E aí, eu acho que o café é interessante porque é a primeira do dia. Você acabou de acordar. Então assim, é só fazer um pouquinho em cada uma dessas dimensões. Eu falei do físico, do corpo, e aí nós temos as outras, o emocional, o mental e o espiritual. Mas é um pouquinho, porque é isso que é a soma. O que eu quero dizer é o seguinte, em vez de eu dedicar 1 hora e 30, 40, 40 só de atividade física por dia e não cuidar da minha alimentação ou não dormir direito, se eu tiro um pouco desse tempo e divido ele, o que eu consigo é uma multiplicação dos meus resultados.
Perfeito. Doutor, trazendo, então, nesse contexto, é muito importante dizer que os atletas, que são muitas horas, também têm problemas relacionados à saúde mental.
Tem, sim.
As pessoas, tirando a Simone Biles, como você já comentou no início, que todos nós soubemos da história dela nas Olimpíadas, conheço vários profissionais da atividade física que tratam suas depressões, suas crises ansiosas, então é um equilíbrio. Agora o Ibrahim, ele traz uma pergunta fantástica. Mas quando nossa saúde mental está abalada, é muito difícil convencer nossa mente a fazer exercício.
Sim, eu concordo com ele. Falta energia, falta disposição. Então ele tem que fazer pequenininho. Ele pode fazer, por exemplo, se ele estiver deprimido, por exemplo. A depressão a gente rumina, a pessoa fica ruminando. Geralmente nunca é coisa boa. Então ela entra num looping, num ciclo vicioso. Então, por exemplo, se ele caminha com algum conhecido pra conversar. Então a pessoa com depressão, mesmo que ela não queira, é bom conversar. Porque quando ela conversa, ela para de ficar ruminando. Então, é assim, mesmo que seja um pouco, seja com outra pessoa, eu concordo. Eu não imagino uma pessoa com depressão levantar peso na academia. É claro que não. Por isso que eu te falei, não é, vou caminhar uma hora. Não, que seja 10 minutos, mas você começar, porque aí o corpo vai se adaptando. Então é um pouco de cada vez. É isso que eu quero me propor. Eu não acredito em mudança de hábitos abruptas. Eu não acredito mesmo. Eu acredito em mudança de hábitos consistente e pouco. Eu nunca gostei de levantar peso, sabe Isabella? Aí esse ano eu descobri que eu resolvi que eu fui levantar peso. Eu levantava uns pezinhos em casa, eu sou corredor. Mas eu percebi que eu perdi músculos, eu tenho 52 anos de idade. E eu descobri que eu levantava menos peso na academia do que a minha filha, que é magrinha. Eu falei, como? Então eu vi que eu tinha que tomar jeito. Mas eu nunca gostei de ir pra academia, então eu comecei devagarzinho. Meu compromisso era ficar só 30 minutos. Hoje eu consigo ficar uma hora e 15 dentro da academia. Mas eu comecei pouco. Então é igual afinar de um instrumento. Então, é um pouco. É aquele pouco que você consegue, mas que seja consistente nele.
Fantástico. Então, para quem está chegando agora, bem-vindo mais uma vez. Obrigada pelo seu tempo. A gente está conversando com o doutor Frederico Porto, um dos poucos psiquiatras e nutrólogos do país. O que a mente quer da gente? Então, o doutor já respondeu. Dormir bem, o sono é curativo, atividade física e, pelo menos, uma refeição saudável por dia.
Sim.
Para quem ainda não está dormindo bem, não faz atividade física ou não faz uma refeição saudável por dia, então a recomendação é um pouquinho, mas com consistência. É isso que a mente quer da gente, doutor? Simples assim?
A mente quer da gente consistência. Infelizmente, você está falando da saúde mental, ela gosta tanto de rotina que mesmo se a rotina fosse ruim para você, ela cai nela. A rotina da tristeza. Então, por exemplo, uma pessoa ansiosa ou deprimida, ela acha que ela tem o mesmo estado emocional o dia inteiro. Isso não é verdade. Você muda de estados emocionais a todo momento. Como ela para de perceber isso? Então, muitas vezes eu peço para o meu cliente passar a perceber quais emoções dominam o dia dele. Porque o que eu quero, no fundo, É mostrar pra ele que ele não está deprimido o dia inteiro, ele não está ansioso o dia inteiro. Ele entra e sai em estados emocionais. É quase como se eu dissesse pra ele assim, quando tiver ruim você aguenta a mão que ele vai passar. Ele vai passar mesmo. Cara, aí ele pode aprender a interferir no estado emocional com a respiração, mas ele passa a observar e passa. É, passa mesmo, passa. Assim que você bater o martelo no dedo, você fala assim, você segura o dedo, aí você sabe que vai passar dor, aí passa a dor. Ela passa, ela passa. Então, entender que a emoção nunca é estática. Ela está sempre em movimento. E quando você percebe isso, você passa a perceber que a vida é dinâmica. Ela nunca é estática. Mas a nossa mente adora torná-la estática.
Pois é. Eu estava hoje comentando aqui em casa. Nós temos que acostumar com a impermanência das coisas. As notícias nos causam muito espanto, como se as mudanças não fossem normais. Mas tudo está mudando o tempo todo. E eu entendo, doutor, por tudo que eu já vivi, que saúde mental é você lidar com tudo isso. Claro que você vai se afetar. Mas não ruminar, como você disse, é fundamental. Achar uma forma, então, de sair desse estado de tristeza e ruminação é fundamental. A mente quer isso da gente.
Exatamente. Então, nós, infelizmente, tudo na natureza, na vida, tem um preço. Quando nós ganhamos o nosso córtex pré-frontal, que é essa região que nenhum macaco tem testa, só o ser humano tem testa, toda a nossa inteligência superior, as funções superiores estão todas aqui na frente. Isso nos deu a vantagem de prever o futuro. Então o ser humano consegue guardar a comida para o inverno. O esquilo não pensa isso, ele guarda por instinto. Nós não. Você consegue antever as estações, você conseguiu prever, ver os astros, o que poderia planejar o futuro. Por outro lado, isso gerou esse problema. Você antecipa. Isso aqui é ansiedade. Ansiedade é a emoção do futuro. Então eu antecipo. O que pode acontecer? Mas quem disse que vai acontecer? Então esse é o preço que nós pagamos por ter um cérebro sofisticado. E claro, como esse cérebro foi selecionado num ambiente ancestral evolutivo, que não é esse aqui, quando ele tá aqui num mundo onde você, eu brinco, você mata um leão por hora, sei lá, lá na savana você topava com um tigre ou um dente sábio uma vez por semana, então esse mundo, ele não foi desenhado, esse cérebro não foi desenhado pra esse mundo. A gente terá que nos reeducar. Você fala como? Eu chamo isso de psicotecnologias. Da mesma maneira que nós aprendemos a ler. A leitura não é algo natural do cérebro humano. O cérebro tem um módulo da comunicação. A leitura é o quê? É a adaptação de um módulo de comunicação oral para você ler. Tanto que isso não é natural que todas as sociedades no mundo, todo índio, toda a sociedade indígena primitiva tem uma língua falada. Pouquíssimas, para não dizer nenhuma, tinha escrita. Isso era raro. Mas quando você criou essa psicotecnologia, a humanidade se transformou. E só para dizer como que é importante isso. Escrever era uma coisa tão difícil no Egito, que você tinha um escriba. Aí um gênio inventou a vogal. Quando um gênio inventou a vogal, o alfabeto é arábico. Aí pronto, ficou mais fácil para a gente aprender, para os meros mortais aprenderem. Igual um gênio inventou o zero. Aí pronto, a matemática ficou mais fácil para todo mundo. Então, a psicotecnologia é isso. Quando eu ouvi você falando assim, vamos resgatar o que os estoicos falavam, vamos resgatar a meditação, vamos resgatar os pranayamas da ioga. Então, eu falei, o que a ciência falou, que a gente adora isso. Não, mas isso só tem 5 mil anos de existência. É claro que eles sabiam disso. Porque as tensões do mundo sempre existiram. Então, a gente tem que resgatar essas psicotecnologias e inseri-las na nossa vida. Para que esse mundo, com tantas oportunidades, mas também com Tanto estímulo, né? Porque é o mundo... Eu falo que o nosso mundo, Isabela, ele é igual uma festa de criança. É muito brigadeiro o que a gente tem pra comer, entendeu? Não é verdade? Isso aqui é... Que tanto de séries que você tem pra assistir, que tanto de livros que eu tenho pra ler dentro do meu kindo, né? Aquele negócio... Que tanto de curso!
É igual... Retomando, então, mais uma vez. a live sobre o que a sua mente quer de você com o doutor Frederico Porto, psiquiatra e entrólogo. Nós já conversamos bastante, o doutor já trouxe alguns elementos que a nossa mente quer de nós, adivinha quais são? Dormir fazer atividade física e ter pelo menos uma refeição saudável durante o dia. E se você ainda não tem nenhum desses comportamentos, o que ele disse? Um pouquinho só, mas com consistência. É super importante. Então, quem tá chegando agora, seja bem-vindo. Eu já salvei ali no feed já essa nossa quase meia hora de conversa. A internet tá oscilando bastante, então nós já paramos e recomeçamos umas três vezes. Vou fazer mais uma tentativa aqui com o doutor, senão a gente transfere. O Ibrahim perguntou, inclusive, sobre como você vai ter vontade de fazer atividade física se você não está com vontade de fazer nada. E o doutor trouxe aqui justamente esse conceito. Diz um pouquinho de algo. Mas não fique iluminando aquelas ideias que estão te deixando em um estado de tristeza. Doutor, voltamos.
Na verdade, Isabel, nós combinamos isso como parte do treinamento. Opiniso, não é verdade?
No fim, o que a sua mente quer de você? Lidar com os imprevistos.
Exatamente, isso virou uma metáfora da vida. É isso aí.
Uma sociedade muito doida como nós estamos vivendo. Doutor, sendo muito responsável com o seu tempo que nós combinamos, que você está de fé...
Não, não, tudo bem.
...Conosco, tinha uma pergunta aqui muito boa. E que vai ser útil pra muitas pessoas A pergunta era o seguinte Mesmo tomando remédios, durmo mal.
Por quê? Primeiro, o remédio às vezes é necessário Existem insônias muito graves, né Isabela? Porque às vezes a pessoa tem insônia que é A insônia é um negócio... A pessoa vai precisar de remédio a vida inteira pra dormir. Eu não sou um médico que receita com facilidade. Um dia eu entendi por quê. Porque eu nunca tomei um remédio pra dormir na vida. Se você já teve insônia, doutor, já, mas não tomei remédio pra dormir. Entendeu? Como eu também não me medico com facilidade, mas eu não tenho nenhum preconceito de medicar se meu paciente precisar.
E o que que dá pra essa insônia, então?
Então, por exemplo, eu acho que a pessoa, o que é que acontece? Se ela toma um remédio e dorme, ela acha que ela não tem que ter hábitos de higiene do sono. Isso, uma coisa, ela tem que ter, inclusive para ela depois se livrar do remédio, né? Que é isso, né? Eu deixo dormir, eu tenho menos contato com luz, eu durmo num quarto escuro, eu não como tão antes de ir pra cama, eu tenho um período em que eu janto, assim. Então, isso tudo, esses cuidados, ou seja, eu faço um relaxamento, a pessoa tem que ter esse ritual de ir pra cama. Então aí sim, aí a gente começa a tirar o remédio. Pode ser que também o remédio não esteja correto, tem que ser o outro. Mas vamos dizer que nós temos dois tipos de insônia, para simplificar. Uma insônia de início da noite, que é uma insônia de ansiedade. Então é isso, fazer relaxamento, ter cuidado com o excesso de luz. Mas você tem um outro tipo de insônia que a pessoa acorda no meio da madrugada. Esse insônia que a pessoa deita e dorme e acorda no meio da madrugada é uma insônia mais complexa. Porque ela é uma insônia que, por exemplo, muitos medicamentos têm meia vida curta. Você toma ele, ele não faz efeito a noite toda. E essa insônia do meio da madrugada é uma insônia muito mais relacionada à depressão, por exemplo. Então é um remédio que você vai tomar às vezes. Vai tratar uma depressão, é um remédio que você toma depois do café da manhã e vai acertar o seu sono da noite. Ou alguma, por exemplo, existe uma planta chamada zembrin, que é o escalite, um torto-osso, que é um exemplo do fitoterápico, que ajuda o insono. Você toma de manhã, melhora essa insônia do meio da madrugada. Essa insônia do meio da madrugada é uma tensão do dia acumulada, então, por incrível que pareça, quando você está na fase mais profunda do seu sono, que é no meio da madrugada, o corpo fala assim, o sistema fala assim, opa, ela tá muito relaxada. E aquele leão que ela correu o dia inteiro dele, se ela ficar muito relaxada, ele pega ela. Aí você acorda e não sabe por quê. Então, a gestão da tensão, que é aquilo que a gente faz, as micropausas durante cada hora que você fala também, É tão importante porque aí o seu nível de tensão diúrna não fica tão elevado, aí o seu corpo entende que ele pode relaxar à noite, que nenhum leão vai pegá-lo no meio da madrugada. Então esse é um exemplo, né? Ou seja, a médica tem que rever, ver se ela tá fazendo a higiene do sono, se não é ascensione no meio da madrugada e falar com o médico dela, às vezes precisa trocar o medicamento.
Pronto. O Lemos Junior disse, como sempre, doutor, é de fala. Respirar a cada hora um pouquinho ajuda muito na ansiedade. Tinha aqui um comentário que eu tirei, né, para que a gente possa... Ah, doutor, me ajuda a ter paciência, a reduzir a ansiedade. Bom, no caso da ansiedade, no caso da intolerância, da insônia e tudo mais, por mais que em alguns casos o remédio seja uma parte da solução, ela não é toda a solução. Se o seu remédio não está fazendo efeito para aquilo que você está se propondo, que é para dormir, então tem que rever alguma coisa, né?
Sim, exatamente. O remédio, e claro que eu também sou crítico de que a gente medica excessivamente, eu não tenho dúvida, Mas fica parecendo também que o outro lado tá muito disposto a tomar, né? A pessoa também não quer uma solução mais difícil, você me entendeu? Então aquilo agrada. Eu falo que a abordagem terapêutica, ela envolve três coisas. Eu, prescritor, ou eu, o healer ou profissional, né? Do outro lado, o paciente e a terapia. Qualquer que seja. Ou medicamento, ou fitoterapia, ou abordagem psicoterapêutica, qualquer que seja. Então, é esse alinhamento entre essas três áreas que vão determinar a solução. Então, eu posso querer que aquele meu paciente, por exemplo, aprenda a respirar, mas ele não quer, não é?
Não quer.
Então, ele não quer. Aí fica aquela história. Mas o que eu acho triste é que tem muitos que querem e ninguém tem a sua opção pra ele. Aí ele ganha de presente ou receita de rivotril, mas ninguém tem uma opção pra ensiná-lo a ter um higiene do sono. Mas quem está nos ouvindo hoje com a internet, quer dizer o seguinte, aprenda a cuidar do seu sono. Mesmo que você use um medicamento, provavelmente você vai precisar de uma dose menor, tá certo? Então você vai ter outros ganhos que não são mensuráveis muitas vezes. A gente não tem como saber.
Absolutamente. Olha o que a Renata Carvalho pergunta aqui. Pergunta não, ela traz aqui uma situação. Demoro muito para iniciar um sono, acordo várias vezes à noite, sono quebrado e cansaço matinal. O cérebro está tão ligado que não relaxa.
Exatamente, então é isso. Então ela tem, provavelmente, velocidade de pensamento, ela demora para adoecer. E ela tem esse outro que eu te descrevi, o sono é picado. O sono picado pode acontecer, nós descrevemos por questões psíquicas, mentais, mas você pode ter Sono picado por apneia. Você pode acordar por apneia do sono. A pessoa pode ter uma alergia e ela vai dormir e o travesseiro é o lugar mais sujo da casa, na verdade. Porque um travesseiro com quatro anos de uso, um quinto peso dele é poeira. Então a pessoa não é alérgica. Quando ela põe o nariz no travesseiro, ela tem alergia. Aí topa o nariz e ela acorda de noite. Então eu sempre falo pros meus pacientes. Põe o seu travesseiro no sol, lave o travesseiro, coloca no sol ou troca o travesseiro. Já é um caminho, porque você não sabe exatamente porque ela acorda, porque não necessariamente são só questões psíquicas. E aí é isso que eu estou falando. Ela pode usar chás, né, Isabela, antes de dormir, né? Camomila, eva-cidreira, pôr músicas tranquilas. Depois, no meu quarto, eu só tenho lâmpadas amareladas, né? As lâmpadas... Na verdade, nós temos dois abajur com lâmpada incandescente. Agora, tem uma outra lâmpada no Brasil que ela não é nem fluorescente, nem de LED. Ela é uma lâmpada mais quente, né? Que também dá uma sensação de acolhimento dentro do quarto, né? Em um quarto mais escuro. Porque isso tudo vai desligando o seu sistema. Você não desliga assim. Você tem que ir reduzindo a velocidade.
Doutora Glaucia, ela está dizendo aqui, higiene do sono é difícil de fazer. E aí eu lembro, como já falamos, tudo que é difícil é porque precisa de treino. Então não adianta ficar ligado inteiro na internet ou trabalhando e de um minuto para o outro desligar.
Eu tinha um amigo muito engraçado, ele falava assim, tudo que é fácil já foi feito no Paraguai. Se você brincava assim, eu garantia, eu sou idiota. Tudo que é fácil já foi feito em Paraguai. Então, Glaucio, é mudar um hábito. É isso que nós estamos propondo. Por isso que eu falei, pra você começar devagarzinho. É, ninguém tá provando pra você fazer. Não adianta você pegar uma lista, né, que tenha 15 itens para higiene do sono. Ninguém vai conseguir fazer aqueles 15. Começa por uma. Aquela que for mais fácil pra você, né, vai. Porque, né Isabela, nós temos pela frente 80 anos de vida, vamos dizer assim, nós vamos viver 80 anos pelo menos, então a gente tem que cuidar, porque senão esse sono vai bagunçando, bagunçando e isso cronifica. O problema da mente, como nós já tínhamos falado, é que ela acostuma tudo, até coisa ruim, então ela acostuma, ela acostuma com sono horrível, quebra aquele padrão e você não consegue normalizar aquilo mais depois. Você sempre pode melhorar, isso sempre interessa quando você começa.
Repete, por favor. Sempre pode melhorar?
Você fala assim, mas eu já estou com 70. Pode começar do mesmo jeito. Você vai ter ganho. Você vai melhorar. Entendeu? Você vai sempre melhorar. Essa aqui é uma boa pergunta.
E nós vamos ficar só mais uns 5, 10 minutinhos. Essa pergunta aqui, da Miki. Não consigo desligar para dormir. Estou tomando melatonina. Me ajuda a pegar o sono, mas acordo depois. E tem outras aqui, tá? Nós temos muitas.
A melatonina só induz o sono. Ela só ajuda no início. Se você tiver uma melatonina de liberação mais lenta... Olha que interessante isso. A melatonina no nosso corpo, quando você deita para dormir, ela é secretada mesmo uma hora, duas horas depois você pega no sono. Perfeito? Então, quando você toma uma melatonina artificialmente, você já está tomando fora da hora. É um negócio meio... Você está entendendo? Eu sei que as pessoas falam assim. Melhora a minha qualidade do sono. Eu acredito. Eu sei. O paciente relata isso para mim. Mas lembrando que a meia-vida dela é curta. Então, no meio da madrugada, a gente não tem melatonina. Então, você pode experimentar uma melatonina de meia-vida mais longa, tem slow release, né, de liberação lenta. Mas, às vezes, não é suficiente, porque ela precisa produzir mais serotonina. Você tá entendendo? É uma etapa antes da melatonina. Então, muitas vezes, uma pessoa como ela, se tomar, por exemplo, um triptofano antes de dormir, com magnésio, Pode ser que ajude para ela não ter se despertado na madrugada Mas, Isabela, isso não acontece imediatamente Porque igual o antidepressivo demora 15 dias para fazer efeito Esse tipo de insônia, o que se quer que seja que ela comece a tomar, mesmo um suplemento Ela tem que esperar um período para ele fazer efeito. Ele vai acumulando, vai mudando os receptores no cérebro. Os receptores são como se fossem as fechaduras dos neurônios, das células. Os neurotransmissores, a serotonina, a dopamina, é a chave. Então tem que ir abrindo novas portas e fechando outras. Para que aí sim, no meio da madrugada, depois de uns 15 dias, ela vai perceber que ela melhora o sono dela.
A nutricionista... Pode falar, por favor.
Acabei prescrevendo aqui.
Não, eu sei que boa parte dessas 342 pessoas que estamos acompanhando, lhe acompanham semanalmente nas suas lives, mas são muito especiais com muitas informações corretas, e o que nós estamos precisando é isso. É num contexto com tanta informação, com tanta gente falando tanta coisa, neste janeiro branco, excelente... Então tá, então o que a gente quer? É atividade física? É dormir? É um pouco de tudo isso que você já sabe. A nutricionista Juliana Rosa tá dizendo, no consultório é comum ter pacientes com sono irregular e com aumento de fome e impaciência. Então assim, Por quê?
Porque se você não dorme, você não produz leptina, que é o hormônio da saciedade. Então quando chega pela manhã, o seu sistema, a sua mente só sabe que você tá cansado. O porquê ela não sabe. Então ela aumenta a sua fome. Na dúvida você come mais. É como se ela fizesse assim, tá bom, deve ser porque tá sem energia. Então vamos comer. Aí você tem desejo de comer, inclusive, carboidrato. Então é mais uma vez um looping, né? Então, sono pior, menos leptina, menos ansiedade, sensação de falta de energia. Vamos comer, né, pra repor isso.
Isso. Olha, você trouxe aqui uma frase fantástica, que eu já anotei. Sempre dá pra melhorar a sua saúde. Não importa... E aí o Leandro Júnior, ele disse, melhorar sempre, mesmo que seja 1%.
É isso mesmo. 30 minutos de atividade, levantamento de peso. Pegaram um grupo de pessoas na terceira idade. Eles faziam 30 minutos de levantamento de peso, 3 vezes por semana. Após 6 meses, as pessoas tinham os músculos e os ossos, consequentemente, 10 anos mais jovens do que a sua idade cronológica. Então, isso significa que se eu tinha 70 anos, eu passaria a ter músculos e ossos de alguém de 60. Você sabe que depois dos 80, 40% das pessoas morrem devido a uma queda ou falta de força. Ele vai cair, quebrar o osso por causa de osteoporose, vai para a cama e morre. Olha o poder de você fazer uma atividade física, por exemplo. Eu não estou propondo, nem todo dia. Comece pequeno, não subestime, é um pouquinho mesmo, um pouquinho. Você tem que começar, é a consistência que interessa. Caminha 10 minutos, 10 minutos. Caminha 5 minutos, é um pouquinho, um pouquinho, um pouquinho. Lembre-se, por que a gente tem que lidar com o crítico interior? Porque o crítico interior é o seguinte, A pessoa se propõe a fazer 10 minutos de caminhada por dia. Vamos supor, ela não faz hoje. Ela se sente mal, e é claro que ela se critica. Aí, como você acha que ela vai fazer para se sentir bem? Ela vai voltar ao modo padrão dela, que era o sedentarismo. Amanhã ela não anda de novo. Aí ela deixa pra começar a andar na segunda-feira, sabe assim? Não, você começa amanhã mesmo. Então você tem que ter um mecanismo de auto-compaixão contínuo, porque você escorregou, você não deu continuidade e volta a sua consistência. Só que quanto menor for o hábito que você for introduzindo gradativamente, menor é a chance de você não cumpri-lo. Por isso que o hábito pequeno tem tanta vantagem sobre um hábito muito grande, uma hora de ginástica. Não, só 10 minutos. Se eu vou lá fazer bíceps, se eu vou lá fazer puxada, Que seja.
Que seja uma volta no quarteirão, que seja sentar e levantar do sofá umas 10 vezes. Doutor, antes da gente encerrar, essa porra, ela tá aqui desde o início e eu entendo que nós precisamos trazer uma palavra para ela que pode ajudar também outras pessoas. O nome dela é Renu e ela diz o seguinte, eu tenho insônia há mais de dois anos, não produzo mais cortisol, tomo medicações, já fui internada, mas não consigo dormir à noite, o cérebro não desliga. Faço meditações, rotinas, tomo as medicações, mas não amelhora. Essa moça tem burnout e é muito severo. Num caso como esse, que você já tem o diagnóstico de burnout, já está fazendo algumas mudanças. Mas ainda não são suficientes.
Isso aí você sabe que eu estudo que, por exemplo, a pessoa como ela, faz não existe, mas existe, a pessoa tem cortisol de 1, de 2, para quem está nos ouvindo entender. Igual você tem o hipotireoidismo, que é quando a tireoide não está produzindo o hormônio dela, que ela tem que produzir, que é a tiroxina. Você tem a suprarenal, é onde se produz cortisol, que é o hormônio do estresse, que é uma glândula que fica em cima do rim. Existe uma doença lá, que é a doença de Addison, que é quando a pessoa não produz. Você tem duas doenças lá na suprarenal. Você tem o cushing, que é quando produz cortisol demais, que a pessoa fica cushingóide, igual quem toma cortisona por uma doença autoimune. Igual você tem na tireóide o hipertireoidismo. E você tem também na suprarenal o hipoadrenalismo, que é quando o hipotireoidismo da suprarenal, quando ela produz menos cortisol, que chama-se doença de Addison. que é uma doença que a pessoa, a pressão cai, ela muda a cor das mucosas. Eu achei poucos pacientes no mundo. Só de curiosidade histórica, o presidente John Kennedy tinha doença de Addison. Ele tinha que tomar corticóide todo dia. Então, mas eu como dose de todos os pacientes, eu acho gente com cortisol de 1, 2. E no começo da minha carreira, eu mandava aquilo pro endocrinologista pra ver se não era uma doença de Addison. Não era. É estresse, é isso aí, um burnout. Então tem pessoas que elas têm que tomar corticóide. para repor energia e trazer de volta. Tem pessoa, por exemplo, apenas de dica para ela, o alcaçuz. O alcaçuz tinha aquelas balinhas, você lembra? Gintã. Você não lembra as balinhas que vinha, as balinhas que você usava? Parecia uma menta. O alcaçuz é uma bala, o alcaçuz é uma planta que estimula a receptor de corticóide. Então talvez ela chupasse o alcaçuz. É uma balinha que dá esse efeito. Ela estimula o receptor de cortisol e dá mais energia. Mas tem pessoas que você tem que tomar. Eu me lembro de uma paciente, Isabela, que virou para mim um dia em burnout, ela era professora em três escolas e tal, e ela teve uma sinusite. E por causa da sinusite, ela teve que tomar um corticoide. Ela virou para mim e falou assim, eu renasci. Quando eu a atendi, ela me procurou por isso. Acho que ela escutou alguma entrevista minha. E ela conta que, por causa da sinusite, ela teve que tomar o corticóide. E aquilo mudou a vida, porque ela se sentiu tão bem naqueles 15 dias que ela tomou o corticóide, que ela falou assim, mas, gente... É, porque é um doping, né? Ela não tinha corticóide. Cortisol, mas... Porque o cortisol dela estava muito baixo pra renal dela e isso gotou.
Ou seja, como a Lani tá dizendo aqui, tem o burnout, estou fazendo atividade física regular, melhorei o humor, mas não a insônia. Ainda, Lani?
Exatamente.
Porque o doutor falou aqui no início uma coisa muito interessante. A doença é uma manifestação para o seu sistema voltar ao equilíbrio. O burnout, outro problema da saúde, é uma manifestação para o seu sistema te devolver um equilíbrio perdido.
Ele te parou, ele está te parando para tomar fôlego. É isso que ele está fazendo. A gente acha que é uma doença, claro que a gente interpreta como uma doença, mas no fundo é o sistema buscando o equilíbrio dele. Por isso, é muito bonito isso, né Isabela? A analogia de sistema vivo não é uma máquina. Isso não é uma máquina. Qualquer intervenção que eu faço no sistema vivo, ele reage. A máquina não necessariamente, não tem o mesmo tipo de reação. Então assim, a gente tem que entender isso, que tudo que acontece no sistema vivo tem um motivo. E geralmente os nossos comportamentos, mesmo né, voltando para a parte mental, Muitas vezes você fala, mas por que eu como? Vamos assim, o sistema quer te fazer o seguinte, talvez um jeito de você se rebelar contra as restrições que a vida está te dando. Então tem um momento que é o seu prazer. Eles podem até te matar, mas naquele momento é muito bem intencionado. Então você tem que fazer um acordo com ele. Eu costumo dizer que a nossa psiquela é formada de subpersonalidades. Entendeu? Então aquela que está comendo muito, você tem que... Eu brinco é igual encosto, você tem que conversar com ela, vamos fazer de outro jeito, quem sabe a gente... É porque ela é muito bem intencionada, é um jeito de você ter um momento de prazer e não de tanta disciplina e responsabilidade. Mas aí você abre mão, que é a sublimação. Então tá bom, ao invés de eu comer um bolo inteiro, eu como um pedaço. Aí você sublima, né? É isso que Freud propôs, você sublimar os seus instintos, não é você reprimi-los. Se você reprimir, ele volta mais forte. Você sublima, você faz outra coisa, você faz um acordo com aquela parte sua para poder se manifestar de outra maneira.
Perfeito. Doutor, eu ficaria aqui, acho que o ano inteiro, falando toda semana contigo. É curioso que quando a gente fala sobre a mente, nós estamos falando para todos, de todas as idades, com todas as condições de vida, então que essa mensagem possa ser multiplicada por todos que estão aqui nos acompanhando. Se tudo que nós falamos fez sentido para você, compartilhe com quem você quer bem, uma pessoa que já estamos felizes. Doutor, vai ser então Para 2022, você como psiquiatra e nutrólogo, qual seria a sua recomendação?
Eu também fiz essa pergunta. Eu fiz uma caixinha seguinte. Diga uma palavra que resumiu o seu ano que passou e uma palavra que resumiu o que você quer de 2022. Muito curioso, as pessoas responderam o futuro. Isso mostra que todos nós temos dentro da gente a esperança. E a gente tem que ter a audácia de sempre ter esperança. Porque o futuro, ele tem que ser sempre mais fascinante do que o que passou. Entende? Quando a gente tá deprimido, é o contrário. Você volta pro passado, né? O futuro, ele tem que ser sempre mais inspirador. Eu sempre gosto de lembrar que a humanidade, toda a sua história, após toda crise, ela saiu melhor. As pessoas vão lembrar quando eu vou falar isso. A gente não sabia tratar vírus, Isabel. Você já imaginou o conhecimento que nós vamos ter de vírus depois disso? Quantas doenças serão eliminadas, viróticas? Se fosse uma revolução, eu estou falando só na saúde, eu acho que tem revoluções na economia, na educação. Porque sempre foi assim. A pior pandemia da história, que foi a peste bubônica, que matou um terço da Europa, quando ela passou, após cinco anos, veio o renascimento, o período mais criativo da história da humanidade. Então, nós temos... Eu acho que a questão dele é a seguinte. Pode ter esperança mesmo. E aí, nós vamos cuidando da saúde, que a palavra que apareceu no mundo foi saúde. Então, vamos cuidando da nossa saúde integralmente, físico, emocional, mental, espiritual.
É isso.
Um passo de cada vez. Um passo que a gente consegue dar, né? E nos percebendo integralmente, né? E lembrando que, como o Jordan Peterson fala também, a gente está sempre administrando a ordem e o caos ali no limite, tanto interno quanto externo. Então a gente sempre tem que buscar a nossa ordem. O mundo vem e cria uma bagunça, a gente põe a ordem de novo. É igual respirar, né? É vivo. Isso não é estático. Mas a nossa mente quer tudo paradinho. Mas nós temos que ter a nossa sabedoria, entendeu? É um pulsar. A vida é um pulsar. Ela é sempre um pulsar.
Lindo você trazer isso, doutor, porque muitos aqui, assim como eu e toda a minha família, pedimos saúde. Saúde. Mas saúde é uma decisão diária. Autocuidar é uma decisão diária. É por isso que estou fazendo agora, eu inicio hoje, essa série de entrevistas chamada Promovendo Saúde. Eu não quero mais o problema. Não, a gente precisa promover a saúde. E promover a saúde significa relembrar coisas muito simples que nós vamos abrindo mão. Claro, pela quantidade de farmácia que tem nas esquinas, é muito sedutor. A doutora atribui saúde a alguém. Existem médicos muito importantes como o doutor Frederico Porto. Se você ainda não segue, aproveite e comece a segui-lo. faz lives semanais, trazendo uma informação precisa, coerente, de tudo aquilo que você precisa saber. Então, se você pediu por saúde em 2022, assim como eu, saiba que saúde é uma decisão diária. Então, as escolhas que você tem condições de fazer. Doutor, muito obrigada pelo seu tempo.
Obrigado, Isabela. Será um prazer. Mas é, como o pessoal, né? Eu acho que o... O travar foi parte da metáfora da vida, isso mesmo.
Perfeito. Vamos...
Isso, eu.
Tolerância, lidar com os imprevistos, porque eles vão acontecer. E o que a mente quer é isso, é a sabedoria para lidar com eles sem abalar a ponto de parar. Vamos continuar com os imprevistos. Não é? Doutor, excelente 2022 pra você e pra toda a sua família, pra sua linda esposa também. Obrigada mais uma vez por ter furado e estar conosco. E até breve.
Muito obrigado, Isabela. Um abraço pra você e sua família também, a todos os seguidores aqui. Aguardo vocês lá, todas as segundas e quartas, 20 horas, nós também.
Pra vocês que acompanharam até aqui, muito obrigada pelo seu tempo e confiança. Eu volto, então, na próxima semana. Continuando falando sobre o janeiro branco, pra gente falar um pouquinho mais como podemos organizar nossas ideias, pra organizar a nossa saúde mental pro ano que está já em curso, mas temos aí 12 meses pela frente. Tchau, tchau.
More from GHION.AI

O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








