O que acontece em nossa vida depois de um problema - Participação na Live de Marcos Mazullo

Isabela Camargo talks with Marcos Mazullo about what happens in our lives after we face a problem. She shares her experience with burnout and stress, and discusses how self-care and finding balance can help us move forward.
Chapters
O que é ser um gigante? Na mitologia grega, acreditava-se que os gigantes, para serem vencidos, era preciso haver a junção dos deuses com humanos. Para a nossa live, Gigantes do Desenvolvimento Pessoal, o gigante é aquele que tem as características de um ser humano, um ser humano que cuida de outros seres humanos. que tem o criador dentro de samba. A Live Gigantes do Desenvolvimento Pessoal nasceu com o desejo de mostrar pra você, que me acompanha, histórias de pessoas que dedicam de suas vidas à missão grandiosa de contribuir com a evolução de outras pessoas. E nós estamos aqui todas as quartas-feiras, às 19h29, mostrando histórias de pessoas que realizam em suas vidas a missão de contribuir com a evolução de outras pessoas. Pela Live Gigante do Desenvolvimento Pessoal já passou o Marcos Ross, Aquele cara fantástico, com energia maravilhosa. Já passou Edu Volpato, um grande ser humano que aprendeu desde muito cedo que contribuir com a vida de outras pessoas faz com que a gente também se torne grandes. Tivemos também na quarta-feira última a participação do Renan Bryan, um jovem que dedica o seu tempo, o seu estudo para ajudar as pessoas a vencerem o medo.
De falar em público.
E hoje eu vou trazer aqui mais uma gigante. Uma gigante que desde muito cedo aprendeu.
A arte de contribuir com a vida.
Das pessoas, mesmo que fosse levando apenas uma informação, através do seu ofício como jornalista. desde muito cedo começou essa jornada e hoje dedica todo o seu conhecimento, a sua trajetória pra ajudar mais ainda as pessoas. Eu estou falando da jornalista Isabela Camargo. Eu vou ter a honra de estar aqui junto com ela pra mostrar um pouco dessa história, dessa trajetória de sucesso.
Que ela construiu e o que ela.
Faz hoje dedicando tanto tempo na evolução pessoal e profissional de outras pessoas. Eu vou chamar a Isabela pra estar aqui, pra gente começar, então, a conversar com ela. Eu tenho certeza que cada um que aqui está vai adorar a história da Isabela Camargo, porque ela, com certeza, é uma gigante do desenvolvimento pessoal. Antes de convidar a Isabela, eu quero que vocês me ajudem a aquecer a live. Vamos mandar aviãozinho pra todo mundo aí. A live hoje promete muito.
Eu vou colocar aqui a pauta.
E a Isabela Camargo já chegou aqui na live, eu vou já convidá-la.
Muito.
Bom.
Manda aviãozinho, gente.
Vamos convidar todo mundo.
Nossa, a convidada de hoje merece.
Nos gigantes do desenvolvimento pessoal, a grande jornalista Isabela Camargo. Olá!
Tudo bem, Marcos?
Tudo bem, Isabela. E você, como está? Você não para, né? Acabei de passar pelo teu Instagram, você estava com a outra pessoa. Você não para.
Paro, paro, sim. Tempo todo.
Para.
Eu já vou começar te provocando, Marcos, que é simples.
Isabela sendo Isabela, né?
Se eu estivesse trabalhando oito horas em uma empresa, eu estaria oito horas trabalhando pra essa empresa. Eu, hoje, sou a minha empresa. Então, eu faço a minha agenda, né? Quando a Eli, né, que nos conhece, nos conectou, eu já tinha essa live marcada sobre solidão. Ontem eu fiz uma sobre suicídio. Por que eu estou tocando em assuntos que poucas pessoas querem falar? Porque a gente tá numa semana... Cheia de corações, cupidos, né, por conta do Dia dos Namorados. E a gente sabe que boa parte das pessoas não está nessa vibe de corações e cupidos. Então, respondendo a sua pergunta, eu paro sim. Tô num momento, aliás, Marcos, de muita... desacelerar. Porque se eu desacelerar, eu já vou fazer muita coisa, sabe? Então eu estou na vibe agora de realmente... viver momentos sem estar produzindo algo, porque a gente que faz conteúdo, você tá, né, colhendo e transformando informações em conteúdo o tempo inteiro, mas eu agora não, agora tô numa vibe bem mais tranquila, não pode, não vai se botar.
Tá bom, pois já que você começou me provocando, eu vou te dar uma provocada também, tá? Essa vibe de estar dando uma desacelerada, ela se faz necessária, principalmente você que veio aí de urban out, você tem um histórico aí de estresse, de trabalho, então provavelmente tem aí um modelo mental mais de sete de entender o que é que está por trás, tanto de um lado quanto de outro. Aqui no Gigantes do Desenvolvimento Pessoal, nós temos trazido pessoas com histórias e com histórico, de contribuir com a evolução de outras pessoas, contribuir com a vida de outras pessoas, seja com exemplo, seja com conteúdo, seja com alguma ajuda pessoal, profissional, enfim. E nós temos aí, ao longo desse tempo que já é realizado, trazido e selecionado pessoas com esse aspecto. Você vem desde muito cedo já produzindo conteúdo para os outros, informativo, como jornalista, passou por praticamente todas as TVs do Brasil, passou por rádios, por vários noticiários, passou pelo Ministério da Tecnologia, com um projeto belíssimo. E aí eu te pergunto, desacelerar, desacelerar para você, significa o mesmo do desacelerar para muita gente?
Provavelmente sim. Na verdade, Marcos, a gente não pode, por mais que a gente faça isso da hora que acorda ou dorme, mas a gente não pode se comparar com nada nem ninguém. São discursos muito contraditórios que a gente, se não parar para pensar, você entra nos loopings que são muito nocivos. Por quê? Eu não posso me comparar com outra mulher, com a mesma idade, com o mesmo cabelo, a mesma alfabedade, porque nós temos biologias totalmente diferentes. O desacelerar pra mim, ele significa fazer uma coisa só de cada vez. Veja, vai totalmente contra aquela crença de que nós podemos fazer várias coisas ao mesmo tempo. Isso já foi dublado por vários especialistas, não existe o multitarefa. Você pode estar lá lavando uma louça e conversando com alguém, varrendo a casa e assistindo TV, mas duas atividades cognitivas ao mesmo tempo não dá. Eu, inclusive, coloco isso no livro que eu lanço daqui alguns... Tomara que daqui algumas semanas e não meses, que o nosso cérebro só perde energia quando você tenta fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Então, você faz coisas... Marcos, olha que curioso. Você faz coisas automáticas. Então, você dirige, que já é um ato automático, e você fala. E você tá olhando. Você lava a louça, que já é um ato automático, e você fala. Mas, se eu precisar colocar atenção em algo. É como uma lanterna num quarto escuro. Pra onde eu coloco a lanterna, é onde minha atenção está. Eu posso até dar uma iluminadinha, assim, nos outros cantos, né? Imagina quatro cantos, eu coloco a lanterna em um dos outros três, mais ou menos, mas é só um que vai ficar iluminado. A mesma coisa no inferno. Então, respondendo. Você me puxa, tá? Porque eu vou e você me puxa.
Claro! E o objetivo é esse, é mostrar a tua história, mostrar o que você pode contribuir com quem tá passando aqui pela live, né?
E isso, muitas pessoas vivem essa cobrança. Eu preciso fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Eu posso fazer. A gente vem de uma crença que diz que reforça que eu posso fazer várias coisas ao mesmo tempo. E não pode. Você só vai gastar energia, você só vai perder uma energia vital em que você poderia estar empregando em outras coisas. Então perdê-lo. Hiperdisponibilidade, resultados sobre humanos que nós vivemos, disponibilidade integral, 24 por 7, 375, né? E que é aquelas frases, ah, você pode superar seus limites? Pode, gente, mas não todo dia. Não dá pra todo dia você se colocar no seu limite físico e mental.
Quando foi que virou essa sua chave, Isabela? Quando foi que você percebeu isso?
Depois do burnout. Então, quando você me perguntar o meu desacelerar, o que que é? É fazer o que eu sempre devia ter feito, me colocar como prioridade, marcar agenda, marcar reunião e colocar na agenda, que é o autocuidado que eu venho falando há muito tempo. A gente vive num mundo digital, mas nosso cérebro ainda é analógico E só tem uma maneira de eu organizar essa caixa maravilhosa Então, assim, como é que eu preciso fazer pra limpar a minha casa? Ah, eu pego um pano... Você viu que eu tô bem na parte da farinha, né?
Eu falei de louça... Sim, eu tô vendo, falou de louça... Então, assim, o.
Que eu preciso pra limpar a minha casa? Eu preciso de um balde, água, rodo e sabão O que eu preciso pra limpar a minha mente? Sono Sono O sono é o faxineiro. Pode ser que eu chame aqui no molhado, tá? Eu falo alguma coisa que você já.
Falou, algum convidado que você já falou, mas assim...
O sono é a nossa prioridade pra formar memória, pra organizar as ideias Pra você começar um dia seguinte realmente firme e pra pensar melhor e decidir, não agir por impulso Só que o que acontece, Sr. Marcos, quando a gente não se coloca na agenda? Você subtrai as suas horas de sono É a primeira coisa que você deixa de fazer, né? Dormir bem, quando você tem uma agenda sobrecarregada Então, tem que esperar pra mim? É me colocar como prioridade pelo menos pra dormir. Então assim, ninguém tira as minhas horas de sono. Eu brigo com meu marido, às vezes ele quer assistir um filme, e eu agora voltei pra rádio Bandeirantes, então eu tenho que estar dormindo às dez, dez horas tô dormindo linda, sem remédio, agora... E aí às vezes ele quer assistir um filme, eu falo, ahn-ahn, só fazer conta. Você já sabe a hora que eu vou acordar, então é só fazer conta. Passou das dez, já tô em débito negativo. Então, a gente tem que começar a colocar limites, nesse mundo sem limites pra não adoecer. Se a nossa live acabasse aqui, Marcos, eu te falaria assim, só tem um caminho pra você poder realizar tudo o que você quer. Autocuidado. Não adianta você fazer um curso no MIT, falar línguas, morar numa baita casa, vestir uma roupa assim e não dormir, e não se cuidar Eu sou muito chata nesse aspecto, tá? Se deixar eu falo uma hora e.
Tenho que passar pra outra Perfeito, eu acho assim, eu acho que a contribuição se dá nesse sentido é fundamental Porque grande parte das pessoas não estão atentando pra isso A consciência coletiva não é pra esse caminho que você tá indo E devido a experiência que você viveu, devido, como eu perguntei exatamente pra mostrar, que não veio de um livro, de um guru, de algo que te disseram, não. Você tá trilhando um caminho diferente, indo pra um outro caminho que a grande maioria não está, com base na experiência sua. Eu acho que aí é onde tá o verdadeiro no que você tá falando.
É, o que eu vivi, Marcos, a minha história é muito pequena diante do problema.
Sim, sim. Eu escrevi um artigo no site do Inex exatamente falando sobre isso. Estima-se que 4% da população tem, vai ter ou vai ter pelo menos um contato com a síndrome do Barnault em algum momento. Então isso é alarmante realmente.
Eu sou ainda um pouco mais subversiva, sabe? Porque o estudo da USP de dezembro, junto com a doutora Carmita Abdo, ele chega num número de quase 20 milhões de brasileiros com diagnóstico da síndrome de Guarnaldi Só que esse número é muito subnotificado, Marcos, porque as pessoas, elas não procuram ajuda porque tem medo de se mostrar vulnerável, tem medo da corrupção, tem medo do preconceito, tem medo de um monte de coisa que acontece, né? E quando buscam, existe aí o presenteísmo, porque o absenteísmo é quando você tem lá, tem um atestado, ó, não vou poder trabalhar e o presenteísmo O pior é que você recebe um atestado para não trabalhar e você vai trabalhar mesmo assim, sabe? Então, esse número de 20 milhões é muito subnotificado. Eu comparo ele à agressão contra a mulher. Quando a gente começou a ter aquelas campanhas de denuncie, denuncie, denuncie. Tá, as pessoas até começaram a denunciar, mas você acha mesmo que todas tiveram coragem?
Claro que não.
Hoje mesmo a Rádio Bandeirantes estava mencionando um caso que aconteceu aqui em São Paulo E foi um fuzoe na porta da casa de um casal em que a mulher tinha denunciado Sabe o que aconteceu? Ela não prestou queixa, ela tirou a denúncia e... Ou seja, as mulheres têm medo Então, o que eu estou dizendo? Estou fazendo a comparação com a agressão? Mulheres têm medo de denunciar o agressor E o profissional hoje tem medo de chegar ao diagnóstico da síndrome de burnout porque tem medo das consequências, do que podem fazer após esse diagnóstico. E aí eu vou além. Pelo que eu vivi e pelo que eu ouço de preconceito da turma, Marcos, é assim. Burnout ou você tem, ou você está pra ter e pode ter, ou você está convivendo com alguém Se o que eu estou falando não se encaixa para um de vocês, olhe melhor, então, para quem está adicionado.
Eu acho que é um conceito até novo. Muita gente não sabe nem o que está por trás disso. Eu vejo poucas pessoas discutindo seriamente esse assunto. É por isso que eu acho interessante o que você vem trazendo aí, utilizando a rede social. Eu acho que hoje é um dos veículos mais democráticos nesse sentido, que você pode levar vários assuntos de maneira prática e mais fácil de se entender, a discussão do barnault. Eu acho que no Brasil poucas pessoas estão, nesse momento, discutindo isso.
É, mas aí, Marcos, é assim. Não é à toa que eu sou jornalista, vim com a Cosporte, eu fiz dar dor à causa, não porque eu falei, agora eu vou levantar esse assunto. Porque eu, como jornalista, sempre tive a missão de compartilhar. Quando eu tive o diagnóstico, saí de licença médica, voltei, fui demitido E aconteceu tudo o que aconteceu, eu fui buscar respostas deste problema até não encontrar E ao encontrar essas respostas, eu podia guardar tudo na gaveta ou compartilhar Especialmente com tantas pessoas que me procuraram pedindo ajuda Aí que eu me dei conta do tamanho do pepino que eu estava metida Entende? Aí, buscando mais respostas, conversando com mais especialistas. Só que hoje, Marcos, eu não falo sobre o burnout especificamente. Eu falo sobre a prevenção do burnout, de outras doenças ocupacionais invisíveis, que são aquelas em que a sociedade não tem empatia nenhuma. Que a gente não tem empatia por aquilo que a gente não vê. A gente só tem empatia por aquilo.
Que a gente vê.
Inclusive, faço aqui mais uma provocação. A gente tá tendo uma oportunidade tremenda de ressignificar mais uma crença. Porque se aquelas pessoas falavam assim, ai, depressão é frescura, ansiedade é frescura, burnout é frescura, porque eles não tão vendo, o que você vai dizer então pro vírus? Você tá em casa, se protegendo do vírus que você não vê?
Alguns disseram que era uma gripezinha, né?
Você entende? Claro, perfeitamente Com profundidade sobre as coisas? Porque aqueles que não acreditavam numa coisa que eles não viam vão ter que rever suas crenças ou vão ter que admitir que o vírus não existe, que tudo isso é uma ilusão Então a gente agora tá tendo a chance de entender que aquilo que a gente não vê é muito maior do que aquilo que a gente vê E aí volta para o burnout, volta para os problemas invisíveis. Marcos, o burnout, quando eu fui procurar tudo o que aconteceu, eu achei pouquíssimas informações, mas as que eu achei foram muito importantes.
Sim.
O nome burnout é novo, mas o problema é antigo.
Ah, bem antigo, não tem a dúvida.
Bem novo. O lean é novo.
É, mas já existia... Há muitas gerações.
É uma perseguição.
Sem dúvida, sem dúvida. Agora, você falou uma coisa, Isabela.
Muito se disse que na década de 70, o Freudenberg trouxe o nome. Depois, na década de 80, veio a Christina Maslach, que tem esse livro, The Cost of Caring, o custo de cuidar na década de 80, em que ela fala que Professores, médicos, terapeutas, policiais fazem parte do grupo mais sensível pra ter o burnout Por quê? São profissionais que não podem errar, que vivem em serviço constante É essencial, serviço é essencial Burnout, década de 70 ou 80? Ah, mas então é da década de 70 ou 80? Não Eu cheguei, Marcos, em 1869, quando um médico americano lançou um livro em que ele traz o termo neurastenia, em que ele falava de uma sociedade completamente nervosa por conta da moderna civilização. Esse médico se chama George Miller. 1869, pra fechar esse conceito do nome novo. Thomas Edison desenvolveu o filamento da lâmpada que permite a gente estar fazendo essa live às 7h48, só dez anos depois. Então você tem pessoas reclamando de exaustão por conta de uma sociedade que nem luz elétrica tinha. Então é evidente que nós estamos vivendo um prolongamento de muitas evoluções da nossa sociedade, da tecnologia... do excesso de acessos. Então, nós vivemos em uma sociedade diferente, o modelo de trabalho é diferente, só que as nossas ideias são iguais. E se a gente não parar pra olhar pro modelo de trabalho, parar pra olhar sobre as nossas necessidades, a gente vai ter cada vez mais pessoas doentes. E aí a OMS, pra fechar, em maio de 2019, Talvez tenha trazido uma das melhores notícias da minha vida desde que tudo isso aconteceu Porque a OMS faz revisões frequentes para reciclar, para renovar o código internacional de doenças Então eles vão renovando. Isso aqui que não era considerado doença agora é, isso aqui mudou de nome E em maio de 2019, a OMS, Organização Mundial da Saúde, incluiu o burnout como uma doença ocupacional Agora eu posso respeitar mais Talvez você vai ter menos perdas se você entender que tudo muda O mundo muda, as nossas crenças também.
Precisam mudar Com essa riqueza de detalhes, de dados que você trouxe, obviamente quem estava falando era a jornalista Isabela Camargo. Com essa prática toda de comunicar dados, informações à Isabela Camargo. Você falou uma coisa anteriormente de missão. Obviamente que como jornalista você tem uma missão. E você também, pelo processo de autoconhecimento que você viveu já, e um dos processos de autoconhecimento, eu sei que foi o practitioner lá com o Inex, com vários outros, eu ouvi você falando disso em várias lives que você produziu junto com vários profissionais da área, você provavelmente encontrou uma missão de vida da ser humano Isabela Camargo. E aí eu te pergunto, dentro dessa construção desse ser humano, que está aí com um objetivo cada vez maior crescendo, como você diz, a confusão cada vez maior, pepino nas mãos de ajudar outras pessoas, que tem muita pessoa conectada a você pedindo socorro, precisando desse apoio. Essa tua construção dessa missão de vida enquanto ser humano, está alinhado à missão de vida enquanto jornalista? E se ela está, onde que elas se encontram?
Uau, que pergunta, hein? Rapaz, é assim, mas... Quando você não tem definido onde você quer chegar, você está indo Eu estava ali naquele trem, sabe que você faz uma parada e desce? Não sabia que tinha essa parada e você para, desce, se absorve aquela informação, vai para outro lugar Na minha carreira, eu comecei em 1997, eu fui passando por vários emissores fazendo várias coisas Tudo que me pediam, eu fazia Agora você vai cobrir tal assunto. Agora você vai cobrir o incêndio. Agora você vai fazer política. Agora você vai fazer economia. Você vai. Agora você vai fazer previsão do tempo. Legal. E pela primeira vez, Marcos, eu tô com 39 anos. Eu comecei a trabalhar com 16, na comunicação. Pela primeira vez eu sei o que eu quero fazer e o que eu quero falar. Entende? Então, eu nunca me afastei da comunicação. Eu agora voltei pra rádio Bandeirantes, dentro do grupo Bandeirantes Comunicação, uma casa em que eu já tinha tido muitas oportunidades e me chamaram agora pra apresentar o jornal de manhã. E essa é a prova, inclusive, de que quem tem o burnout, que eu sempre falo que é um freio, não é o fim, pode se recuperar e voltar pra sua vocação. Eu queria entrar agora no assunto, depois você volta se der tempo, né? Porque você tem dois perfis de pessoas que desenvolvem burnout, tá? Depois, se der tempo, você me pergunta. Mas trazendo aqui pra pressa a sua pergunta de agora, eu precisei viver o que eu vivi, eu precisei encarar de frente o que eu vivi, conversar com as minhas dores, conversar com todos os meus altos e baixos. Para entender realmente que aquele modelo de vida só ia me levar para condições piores de saúde Por isso que o burnout é um freio, não é um fim Se você souber entender que aquilo é um freio E aí, neste caminhar, como eu te falei, você tá dentro do trem, tá fazendo as paradas, tá parando legal Eu consigo agora, olhando pelo retrovisor, ter essa conversa com você e com muito mais propriedade Então agora eu não estou à deriva, eu não estou esperando alguém me falar algo pra fazer Não, agora eu vou fazer Se não for no canal tradicional, né, sobre o auto-cuidado, sobre saúde mental, sobre o bem-estar da mente, que é o nome mais fofo, né, pra saúde mental, eu vou fazer no meu canal individual. Que hoje, com a internet, né, nós podemos falar de todas as vantagens e desvantagens, mas uma das vantagens é pra que a gente, eu, você e outras pessoas, né, de bem, a gente fortaleça os nossos canais. Então, o que a gente tá fazendo aqui? Nós estamos fortalecendo o nosso canal. Então, eu perdi aquele medo, Marcos, de não voltar ao mercado do trabalho tradicional, porque eu fui atrás das informações e por mais que eu tenha sentido muita tristeza, ferida ainda, fica aberta, às vezes ela abre e fecha e tal, mas eu não... eu fiz uma opção por não parar. Eu podia ter parado. Tem pessoas que até hoje, há mais de dois anos, tiveram o mesmo diagnóstico que eu lá atrás e ainda não retomaram. Então isso é uma escolha. Não sei se estou respondendo a sua pergunta, mas hoje eu tenho consciência absoluta do que eu quero fazer, o público que eu quero atingir e a mensagem que eu quero transmitir. Mas eu precisei passar pelo que eu passei para descobrir isso.
Ou seja, então a gente consegue entender que a tua missão de vida está alinhada com a tua missão profissional.
Agora sim.
Agora sim.
Agora sim, porque quando você é um comunicador, Marcos, e você é um comunicador, você sabe a responsabilidade, né? Você é autor de livro, né? Treina, conversa com muita gente. Existe uma responsabilidade muito grande daquilo que você fala, como você fala, né? Pra quem você fala, a gente não tem mais controle, né? Podem ter uns que estão aqui, vão gostar, outras que não vão sair, e que bom, né?
Porque... Tá tudo certo.
O que vai dizer se o conteúdo é bom ou não é muito variável, depende se aquilo está preenchendo alguma coisa que você precisa naquele momento ou não. Então, como comunicadora, eu tenho... assim, eu me sinto muito bem em aprender pra compartilhar. Entende? Então, eu fui parado lá atrás, ter mudado de profissão?
Sim.
Mas é o que eu amo fazer, então eu continuei fazendo nos meus canais individuais.
Você falou também da questão de feridas abertas. De vez em quando elas aparecem, voltam. São memórias que a gente acaba carregando durante muito tempo e que não são ressignificadas devidamente, até por conta de que algumas não são memórias nossas. A gente acaba trazendo uma carga de memórias de outras pessoas. Eu acredito que você já deva ter percebido isso. de alguma forma, até mesmo buscando esse processo de autoconhecimento. O que nós podemos hoje imaginar a Isabela Camargo indo para o desenvolvimento pessoal? Existe alguma perspectiva da comunicadora começar a atuar especificamente no desenvolvimento pessoal, não apenas na informação das notícias, do compartilhamento de informações adquiridas, mas realmente na transformação na vida das pessoas, treinando, fazendo as pessoas vivenciarem algum processo. Como é que está isso?
Eu, inclusive, já me apresentei para o jogo lá, para a Vivi e para o Neirio, já me coloquei à disposição. E acho que esse vai ser um caminho natural. Sabe, Marcos? Esse, na verdade, já foi um caminho natural de muitos profissionais de comunicação. E que hoje faz parte das jornadas de muitas pessoas. Eu acredito que isso vai fazer parte, sim, de um processo natural. E acho muito importante, Marcos, quando eu falo das feridas dos altos e baixos, porque senão, quem me vê, dá a impressão de que, nossa, a pessoa foi lá, se recuperou, nunca mais não fica triste, não chora.
Não tá vulnerável mais, né? Tá auto-imune.
Outro dia mesmo eu vivi uma situação, cheguei muito triste em casa e meu marido falou assim, ó, mas o que aconteceu? Você tá triste? Eu não, eu me deparei com alguns monstros, eu vou ter que lidar com esses monstros. E que bom poder falar. Então o que eu quero botar aqui rapidinho é o seguinte, precisamos falar, precisamos conversar com os nossos sentimentos. Porque o que aconteceu, muito fresco, tá? Eu vi uma situação, uma tela, E aí eu falei, nossa, eu vou ter que conviver com essa tela todo dia. E aquilo abriu a ferida. Aí eu falei, bom, vou ter que lidar com esse monstro, né? Ou eu vou fazer carinho no monstro, né? Ou eu vou ter que brigar com ele todos os dias. Hoje eu estou fazendo carinho no monstro. Então, onde eu quero chegar? Tem coisas que vão despertar o que ainda tá lá no inconsciente. Você sabe, né, Marcos? tá tudo bem, tá tudo ótimo, vai em frente e tal. Mas o inconsciente ainda tem coisas que é com o tempo que você vai ressignificando. Então, por mais que eu esteja confiante, feliz... Felicidade não é ausência de problema?
Não.
Eu acho muito importante a gente colocar, sim, que mesmo que a gente transmita uma imagem de que, nossa, tá tudo bem, vivemos felizes para sempre, mentira.
Isso não existe.
Obrigada também, tiveram DR, sabe?
Sim, sem dúvida, sem dúvida. Eu acho que essa coisa de olhar para o mundo de óculos cor-de-rosa, isso não existe, para ver pessoas de verdade. E eu tenho dito aqui nas nossas lives, Isabela, que eu gosto de trazer gente de verdade, não aquelas pessoas montadinhas, com script, com teleprompter na frente, falando coisas já pré-programadas, não. Aqui é provocação mesmo, quando você começou aí a parada. É provocando, é trazendo à tona essas feridas, essas discussões reais que a gente tem que ter.
Eu acho importante a gente falar sobre isso, Marcos, senão quem tá nessa jornada se culpa demais ao se sentir mal, se culpa demais ao acordar um dia e tipo, falar, nossa, eu vou ter que fazer isso mesmo? Isso faz parte da caminhada, né? Até quando a gente tá de férias, gente, ó, vou falar o seguinte, até quando a gente tá de férias Naquele hotel bacana, você tá com toda lá a programação. Tem dias que você não acorda bem, ué. Então, a gente tem que olhar, assim, pra esses altos e baixos como parte total dessa jornada. E conversar com o que tá incomodando. Reconhecer o que é TPM, o que é seu, o que é do marido, o que é do planeta. Do planeta, eu digo assim, o que é ficar fora do seu controle. Não você acha que toda a bagagem é sua.
Não.
Não é toda a sua.
Perfeito, perfeito. Olha, eu acredito também, Isabela, e eu queria ouvir de você o teu entendimento disso, que todos nós temos uma frequência. Todos nós estamos numa frequência, seja ela evolutiva, seja ela energética, seja ela relacional, enfim. Essa frequência, ela diferencia muito do que a gente acaba recebendo de estímulo externo. Por exemplo, você falou de uma tela, uma tela que chamou a atenção de um monstro, abriu um gestalt aí e despertou uma sensação interna de algo externo. Quer dizer, esse grau de frequência que você está hoje capaz de transmitir a sua missão de acordo com o que você deseja, como você deseja. Onde que está essa frequência da Isabela Camargo hoje? Que frequência é essa? Para que as pessoas possam entender e se conectar a ela. Se é que você quer isso, né?
Na verdade, Marcos, eu não sei se ela está, mas o lugar que eu procuro estar é o caminho do meio. Os estrelas são muito ruins, entende?
Sim.
E eu procuro estar no caminho do meio. Então, eu não sou uma pessoa em cima do muro, não. Mas eu sou uma pessoa que não vai nem se jogar pra um, nem se jogar pra outro, porque não precisa. A gente não precisa viver nos extremos. Então, eu estou tentando manter uma frequência média. Pra que o gradiente entre altos e baixos esteja menor. Pra que no final do dia, se perguntar, Isabela, você tá bem? Aí eu falo, sim, na média eu tô bem. Entende? Então, essa frequência, se eu entendi sua pergunta, é isso. Eu quero, estou procurando, inclusive com esse desacelerar que eu te falei, é ter um gradiente menor pra que o alto não seja tão alto e baixo não seja tão baixo. A gente sofre menos.
Sofre menos, né? Ou seja, você tá buscando se proteger mesmo. É o autocuidado que você falou, né? Total.
Total.
Perfeito, perfeito.
Autocuidado dá assunto para mais de uma live, só.
Ah, sem dúvida. Agora, nessa frequência do caminho do meio, tem mais pessoas ou menos pessoas?
Menos pessoas. Menos pessoas. Você diz no convívio?
É, na conexão que a gente acaba encontrando, né?
Ah, não, depende. Depende, depende, porque eu acho que é um processo natural de todos nós que vamos passando os calendários, né? E aí vão ficando cabelinho branco e tudo mais. A gente vai... A gente precisa passar, e aí é um tema de uma palestra minha, por uma atualização de identidade. Nessa atualização de identidade, eu preciso entender quem eu sou hoje O que que eu preciso hoje pra fazer aquilo que eu devo fazer ou pretendo fazer hoje? Então aí entra o autocuidado, a questão das aulas de sono. o tipo de comida ou não, porque não adianta. Eu queria comer um hambúrguer todo dia. Quando eu tinha 20 anos eu até podia, né? Mas agora a consequência é outra, o dia seguinte é outra. E a mesma coisa com as horas de sono. Se antes eu podia ir pra uma balada, pra uma festa, dormir pouco e no dia seguinte produzir igual, hoje eu não consigo mais. Então isso é atualização de identidade. Nessa atualização de identidade, O número de pessoas que fazem parte da sua vida também vai passando por revisões. E não porque você as exclui ou elas te excluem, porque as pessoas vão se ajustando, cada uma na sua área. Então é normal você olhar pelo retrovisor e falar, nossa, mas eu tinha tantos amigos no passado. Não, você convivia com uma galera. Hoje você tem menos tempo para usar com pessoas que não estão nessa frequência. Então, depois do burnout, eu me conectei com algumas pessoas muito especiais. Então, eu voltei, por exemplo, a fazer os cursos com o Neil e a Vivi. A Fernanda Bianchini Saad, que eu vi que passou aqui agora...
Passou por aqui, eu vi também.
A Fernanda, ela é responsável por um trabalho fabuloso há 25 anos, é que ela ensina balé para cegas. Então, se você me perguntar assim, tá, mas amigos, sobram dedos. A Fernanda tem um desses dedos. Você fala, nossa, mas é uma pessoa de comunicação. Eu conheço, sim, um monte de gente. Mas que está nessa frequência que você também interpretou, são poucas pessoas. Então, isso é um grupo. Um grupo de pessoas afins de confiança, amizade.
Diminuiu muito.
Mas isso não significa que esteja ruim. Pelo contrário. Entende? O número de pessoas que aí tá no, vou dizer, no outro ambiente de segurança, de confiança, que são os terapeutas, que são pessoas que estão nessa frequência, que você também tá indo junto. Você tá indo por um movimento de melhora de toda a nossa sociedade. Esse aumentou. Muito mais. E é o que me deixa feliz.
Perfeito. Eu percebi. Pelas MCRIs, Pelo que você demonstrou de linguagem corporal aí, ficou muito claro quando você falou dos terapeutas. É tua praia. Tô vendo que você tá se conectando mais com essa galera aí.
Eu sempre fui tarada por autoconhecimento. cursos e tal. Aliás, eu tinha até uma amiga que falava, nossa, mas você só faz curso, você só faz isso, faz aquilo. Eu falava, não, eu coloco, eu faço, coloco em prática, aí eu entendo que ok. Porque nós somos níveis, né? Então, você chega num nível, aí você vai se aprofundando, camadas, né? Então, fiquei numa camada, opa, então agora eu posso buscar o instrumento que eu vou e ir pra outro. Então, assim, o que é que eu faço?
Ótimo. Então, partindo desse conceito de camadas aí. Estados essenciais, o que é que te leva pra estados essenciais? O que é que te faz entrar em flow, se conectar com a tua essência?
Quando eu sinto que eu estou fazendo parte de um ambiente em que eu não estou sendo usada, então isso também parte de mim. Em que eu estou contribuindo, tudo é uma troca, tudo é uma troca. Só quem vive uma troca desequilibrada para saber o que é uma troca mundial. Eu precisei viver uma troca em que eu me doei muito, muito, e não tive nada. Precisei viver isso para hoje entender que Mesmo se o salário não for, se o lugar não for, x não for, não é isso que no final do dia, ou do mês, ou do ano, no acúmulo dos anos, que vão fazer sentido. Hoje, pra mim, o estado de flow é estar conversando aqui com você e sabendo que as palavras são sementes, que elas podem florescer no coração de alguém. Uma pessoa já vai ficar feliz. Uma pessoa já vai ter mais uma flor aqui no jardim. Entende? Esse, pra mim, hoje é o estado de fome. Quando eu posso somar, junto com pessoas como você, informações relevantes pra compartilhar. Isso hoje, pra mim, é o que mais me deixa animado.
Sabe?
E quando eu estou, como eu disse, em um ambiente em que eu posso contribuir. Eu sou madrinha da Associação de Bailarinas Secas, da Associação Fernanda Henrique. E a hora que você tá nesse trabalho, trabalho voluntário, é um absurdo a gente falar em trabalho voluntário Porque aquilo é uma oportunidade no universo, te abre pra você se tornar uma pessoa melhor.
Isso é incrível, você tá recebendo mais as vezes do que você tá dando.
Maravilhoso, então, hoje, Marcos, eu poder fazer, eu poder falar o que eu falo, fazer o que eu faço, não tem preço Claro que as contas no final.
Do mês chegam, claro que chegam Tem que pagar boleto.
Mas a gente tem que escolher qual estatística nós vamos fazer parte.
Nós vamos ter que escolher.
O burnout é o esgotamento profissional por um excesso de entrega tremenda. Tem até uma dívida da competência, que não vai dar tempo de falar, mas fica com a próxima oportunidade, em que é uma grande cilada em que muitos de nós caímos. Então, o burnout é excesso. Excesso de trabalho, excesso de dedicação. Não estou falando de um final de semana ou um mês, estou falando de anos. Você tenta de si mesmo pra dar conta de algo que ou você aceitou achando que, opa, agora tô conseguindo crescer profissionalmente, ou que você teve que absorver porque alguém foi demitido do seu setor e você teve que absorver. Então o burnout tem dois caminhos. E isso, Marcos, vai tomar agora uma proporção tremenda. Quando você falando isso, já poucas pessoas falam sobre isso. É que assim, se a gente começa a ligar a chave para o assunto, você vai ver que tem um monte de gente falando do assunto. Então, a partir do momento que você começa a ouvir, você vai ver que você vai ouvir mais. E este assunto sobre esgotamento profissional vai crescer exponencialmente, especialmente entre professores e profissionais da saúde. Aqui, todos nós tivemos que nos adaptar com o isolamento? Sim. Eles, além da adaptação, estão trabalhando muito, muito, muito, muito mais do que antes. E o burnout é isso. São pessoas apaixonadas pelo que fazem e vão fazer cada vez mais, até que o corpo vai falar, agora não dá mais.
Você tocou num ponto que eu acho interessante falarmos, porque Você já tá vendo lá na frente, já tá olhando quem futuramente mais vai sofrer com essa diferença de atividade profissional, essa de rotina, mudança de rotina. Tanto os profissionais da saúde que estão aí no front, quanto o pessoal da educação que teve que se reinventar. Alguns nem conseguiram ainda, porque tem que utilizar uma tecnologia que até então Não é algo comum pra todo mundo, não é algo acessível pra algumas pessoas, principalmente pessoas de gerações mais antes da nossa. E qual é o ponto inicial de se dar um chega? Você já falou, o corpo, tudo bem. Mas e aí? E aí vem a questão da necessidade de se recolocar no mercado, de vir aí o novo normal, como algumas pessoas estão falando. Como é que as pessoas vão lidar com essa questão, na tua opinião?
Autoconhecimento, autogerenciamento, autocuidado, que vai em caminho oposto da automedicação. Quanto mais eu estiver abafando o que o meu corpo tá dizendo, mais ele vai gritar lá na frente. Então, onde eu quero chegar? Cada um sabe onde se eu calo a perna. Cada um sabe que nível a dor dói. Entende? É por isso que é muito difícil você falar pra alguém que não tá vendo uma coisa, falar, mas por quanto que tá doendo? De zero a 10, me dá uma escala. A gente quer sempre mensurar isso. Mas trazendo aqui pro geral, é assim, nós estamos lidando com coisas anormais como se fossem normais. Então trabalhar com dor crônica constante não é normal, tá? Diga aqui alguém que trabalha há muito tempo e não toma um remedinho de vez em quando pra dor de cabeça ou tem aquela necessaire maravilhosa Marcos, você precisa ver, quando eu falo nas minhas palestras, eu simulo uma dor de cabeça E aí eu falo, ó, vem tomar um remedinho pra me dar? Aí a mulher abre a boca, abre.
O bolso Começa com a risada e.
Depois vai pro choro, né? Que aí todo mundo começa a tirar uma cercheia de remédio e tal, vem e toma Isso é normal. Carregar uma necessaire cheia de remédios. Dor de cabeça, dor de estômago, ansiolítico, remédio pra dormir, remédio pra não sei o que, remédio pra não sei o que... Então, isso não é normal. Mas a gente trata como normal. Esse é o primeiro indício, seria o primeiro aviso que eu diria assim, se você está acumulando várias dores, vários sintomas, isso não é normal. Então, ninguém vai chegar pra você, Marcos, e vai dizer assim, olha, eu acho que se você não reduzir o seu ritmo, você vai adoecer. Aliás, tem até algumas pessoas que te amam muito que vão dizer, você não acha que você tá dormindo, meu filho? Você não acha que você pode, né? Não tá trabalhando demais? Mas, como a gente vive nessa sociedade de hiper disponibilidade e produtividade, você fala, não, imagina, tô dando ponto de tudo, né?
Tá tudo certo.
O aviso pra essa turma vem como um enjoo. Muita atenção, sabe? O pessoal sentiu o enjoo. Nossa, eu enjoei. Será que eu comi alguma coisa? A gente sempre tenta arrumar uma desculpa praquilo que a gente deixa de fazer. Então, ai, meu estômago agora tá doendo, é muito café. Gastrite é café?
Não.
A gastrite é porque você toma café demais pra dar conta de um excesso de trabalho. Entende? Então, é... ir na origem das dores e não jogar debaixo do tapete. Simples assim. Se você está tentando jogar para debaixo do tapete dores, que vem todos os dias te lembrar, olha Marcos, desse jeito não vai dar, desse jeito nós vamos bifar, vai. Foi o que aconteceu comigo, foram dois anos, mas aí não é que eu negligenciei, eu fui atrás, fui em médicos, fiz tudo que você pode imaginar. de ritual xamânico à anfetamina Remédios pra dormir, remédios pra acordar Pedir ajuda, não foi ouvido Então, aí eu não encerrei o ciclo porque eu tinha medo do desemprego, de uma série de coisas Aí alguém foi lá e encerrou por mim Então quando eu te falo, a gente tem que escolher de quais estatísticas a gente tem que fazer parte Porque ou eu tenho saúde e procuro emprego, ou eu tenho emprego sem saúde.
Verdade. Como eu disse, está todo mundo indo para um outro caminho. Você realmente está fora da curva. Eu acho que com essa voz que você tem, com o poder de comunicação que você tem, não é à toa. Eu acho que nós somos instrumentos mesmo. Nós somos utilizados por uma força maior, pelo Criador, como instrumento para alguma coisa. Quando a gente entende o que é isso que nós estamos aqui para fazer, a gente acaba produzindo o que realmente é para ser produzido. Eu acho que você, como você disse, acho que a consciência já veio pra você. Você viveu essa situação na pele, na sua vida, pra que você tivesse mais possibilidades de ajudar outras pessoas. Parabéns, Isabela. Muito bonito isso. Eu acho que é ser gigante realmente e entender essa missão e praticar. É uma missão muito grandiosa. Você tem realmente um grande pepino nas suas mãos.
Mas hoje eu já vejo diferente. Quando você traz elementos da história, você entende que a gente só está vivendo mais um período de adaptações, desafios, só que antes nós não tínhamos a quantidade de farmácias que nós temos agora. Então, para mim, esses atalhos que muitas pessoas vão buscar É porque a gente quer realmente resultados rápidos. Então assim, a pessoa, ela tá num estilo de vida inadequado há muito tempo. Aí ela faz uma sessão de acupuntura e fala, isso não funciona. Não senti nada. Ela tá há anos no estilo de vida errado. Vai na psicóloga e fala, gostei da psicóloga. Tá há décadas, né? Juntando bagagem, não precisa. Então a gente tem pressa, você quer resultado pra ontem. Você tem muito mais farmácia. E é por isso que a gente tem os números tão chocantes. sobre ansiedade, depressão e burnout que são muito incapacitantes. Então, volto. O que nós estamos vivendo é consequência do que nós estamos fazendo. Bom, como já disse, tivemos outros períodos muito críticos. Agora, o que nós vamos fazer com essas informações que nós temos? Decisão nossa. Aí quando você me fala que é um pepino, hoje eu não vejo mais como um pepino, eu vejo como uma situação que precisa de voz e espaços como esse que você tá ligando pra gente compartilhar a informação correta. Sabe? E não ter mais vergonha e medo de falar de um assunto que outras pessoas não estão falando e ok, então se não estão falando eu vou falar. Quando você pega na história, Marcos, por exemplo, a Rosa Parks, aquela americana que, num momento lá de segregação racial nos Estados Unidos, os negros tinham que levantar pra dar lugar pra um branco. Pensa. E aí, a Rosa Parks era uma costureira, chegou no final do momento, o ônibus tava cheio, chegou um branco do lado dela e ela não levantou. Foi um fuzuei, ela foi presa, ela é considerada... E aí perguntaram pra ela, mas você não levantou porque você tava cansada? Ela falou, não, estava cansada de desistir. Então, as pessoas que vão à frente de uma situação, tem um monte dizendo, tudo bem, isso está certo, elas, no primeiro momento, elas serão mal compreendidas, mas depois, um sentido vem. Aí, a turma que estava lá com medo, ah, é, né, então deixa eu lá te ajudar nessa manifestação que vai ser bom pra todo mundo.
Então, eu acho que a gente tem que ter um pouco de cuidado com isso, né? Porque eu acho que a gente tem que ter um pouco de cuidado com isso, né? Porque eu acho que a gente tem ter um pouco de cuidado com isso, né? Porque eu acho que a gente tem ter um pouco de cuidado com isso, né? Porque eu acho que a gente tem que ter um pouco de cuidado com isso, né? Porque eu acho que a gente tem que ter um pouco de cuidado com isso, né? Porque eu acho que a gente tem que ter um pouco de cuidado com isso, né? Porque eu acho que a gente tem que ter um pouco de cuidado com isso, né? Porque eu acho que a gente tem que ter um pouco de cuidado com isso, né? fazendo alguns comentários, alguns dentro do que está sendo falado, outros sem saber. Uma pessoa colocou aqui, a Cícera Cordeiro, olha só, a Cícera Cordeiro, ela é uma terapeuta de Recife. Ela pergunta, autocuidado pode ser entendido como disciplina, não sei se é disciplina que ela quis falar. A Cícera, ela tem 2% de visão. E ela assiste live, faz live. Ela é uma massa terapeuta maravilhosa, incrível. Ela trabalha com medicina ayurvédica. Ela é uma pessoa, assim, fora do normal também, a Cícera. Por isso que eu fiz questão de mostrar essa pergunta pra você. Porque ela tem esse conceito de autocuidado na prática. O que você poderia dizer pra ela aí, com relação a isso? É disciplina?
A Cícera é em contato com a Fernanda, né? Da companhia de balé de cegas.
É bom colocar as duas, né?
Porque o número de pessoas que nascem sem visão ou perdem a visão, que aí vão tendo as baixas visões, até não tem mais, é muito grande. Então, esse é um outro assunto também que eu tô sempre falando, viu, Cícero? Obrigada, então, pela sua pergunta. Autocuidado, sim, e a disciplina. Só que a disciplina sempre nos é colocada como uma coisa ruim.
Sim, pesado, alfardo.
É bom ou não, né? Você não pode dizer não, que não faz isso, não faz aquilo. Isso eu falo, inclusive, nas minhas palestras, Marco. Eu espero que um dia a gente consiga, juntos, presencialmente ou digitalmente, falar pra mais pessoas sobre isso. Autocuidado é você se colocar na agenda todos os dias. É você lutar por aquilo que mais importa pra você, pro seu bem-estar, com unhas e dentes, que é o que eu faço com as minhas horas de sono. Eu gosto de falar sobre o meu sono, que aí dá pra visualizar, né, o que é. Porque você falar não pra uma coisa que você não quer, é fácil. Eu quero ver você falar não pra uma coisa que você quer. Entende? Eu, quando tenho que falar não pra alguma live, alguma entrevista pra alguém que eu gosto, admiro... Vai, aconteceu semana que vem. Fui chamada pra uma live, e que seria 10 horas da noite. Eu falei, 10 horas eu não posso. Porque eu tenho que acordar cedo no dia seguinte, eu não posso... Sabe quando que eu falaria isso antes, Marcos?
Nunca.
Então, por aí o exemplo, né? O autocuidado é a disciplina de você se colocar na agenda, custe o que custar. Ah, então, mas... Ah, não, o sono eu já deixo certo, ele não tem tanta interferência. Então, o horário do almoço, sabe? Custe o que custar. Ah, não, eu preciso escovar o dente, sabe por quê? Porque eu tô dormindo, tô com... É estresse. Então, eu preciso escovar o dente bem devagar, três, quatro vezes por dia. Você entende? É a pessoa se colocar na agenda todos os dias, com disciplina, custe o que custar.
Eu adorei isso. A pessoa se colocar na própria agenda.
Não o trabalho. A gente tem o hábito de trabalhar custe o que custar. A gente tem que fazer isso por nós.
Isso é fato. É verdadeiro isso. A grande maioria. Alguns estão aí nessa ação, num grau de evolução como você. Outros ainda vão chegar lá. Estão desejando chegar lá.
Marcos, a gente não pode perder tempo convencendo as resistências.
Perfeito.
Vamos nos sintonizar com quem já despertou, com quem tá afim, com quem tá no caminho. Eu, antes, eu perdia muito tempo, sabe? Tendo que... machado na cabeça, tipo, por favor, só pensa no assunto. Agora não, agora vamos focar em quem está na nossa vibe. Você sabe quem entrou aqui? O Márcio. O Márcio é um fotógrafo maravilhoso, trabalhou comigo brevemente lá no Ministério de Ciência e Tecnologia. Ele é fotógrafo e ele tem diabetes, por exemplo. E esse é um outro problema invisível. Você tem que também ficar muito atento para não ter consciências piores. Então, você vê. Quando a gente fala de burnout, você fala de depressão, você fala de diabetes, você fala de fibromialgia. Então, a gente tá falando de dores que afetam milhares de pessoas e que a gente precisa falar mais sobre o assunto. Porque se não falar... Tá, tudo resolvido.
Sem dúvida. Nós temos... a imersão do Renascimento Integrativo, Isabela, só pra fechar, eu quero te fazer esse convite, pra estar conosco na próxima turma que nós tivermos aí em São Paulo, pra que você possa viver o Formação em Renascimento. É uma ferramenta que eu acho que vai fazer parte aí, com certeza, da tua vida, do teu repertório, pela vontade que você tem, tamanho do autoconhecimento, pela fome de autoconhecimento que você mostrou que tem. Então, começa a colocar no teu radar aí, já que você disse que é pra gente falar com quem tá conectado e deixar de lado as resistências, eu vou falar para você, venha para o Formação e Renascimento, que vai ser uma honra receber você lá conosco.
Eu vou adorar, eu nunca fiz.
Pois é, vai ser uma jornada incrível. O Renascimento Integrativo é uma jornada incrível para dentro de nós mesmos. A gente consegue chegar até na matriz, e a matriz tem aí uma carga genética de três gerações passadas. Quando a gente consegue alcançar esse ápice, de mergulhar profundamente nessa matriz, a gente consegue ressignificar muita coisa que não é nosso, muita coisa que está lá no inconsciente que a gente nem consegue alcançar com técnicas profundas de autoconsciência. O renascimento integrativo vai fundo, vai muito longe. Eu sou muito apaixonado pelo renascimento. E vivo isso na minha vida o tempo todo. Então vai ser uma alegria poder receber você. Mas temos pouco tempo agora. O YouTube, aliás, o Instagram me avisou aqui. A gente tá próximo de terminar. E eu queria que você deixasse aí uma mensagem pra galera que tá aí buscando se autodesenvolver, se autocuidar. Você já disse muita coisa, mas faz aí o teu gran finalo.
Eu sei que é estranho no momento de isolamento eu pedir pra... Dar um tempo. Dar um tempo é o título do livro que eu lanço em breve. Foi como milhares de pessoas e compromissos foram adiados, cancelados. Eu ia lançar em fevereiro, março, tive que paralisar e agora a gente vai retomar. Dar um tempo.
Como é que eu vou dar um.
Tempo no momento em que eu já estou tendo uma pausa involuntária? Porque a pausa de fora não significa a pausa de dentro. Não significa. Então, eu posso estar vivendo essa pausa no planeta, literalmente, e que todos tiveram que parar, mas dentro eu estou no mesmo furbilhão. Então, o que eu gostaria de pedir para quem está aqui com a gente é para dar um tempo, começar com pouco tempo para não fazer disso um fardo ou uma coisa difícil, para realmente fazer uma atualização de identidade. Isso só vai acontecer se você se der um tempo de verdade E não é passar o tempo, não é ocupar o tempo só com séries, só com... Antes, antes de ocupar o seu tempo com livros, com séries, com o que quer que seja, a faxina de casa Use um pouquinho do seu tempo pra você fazer a atualização de identidade o que eu preciso hoje, quem eu sou hoje, o que eu não posso mais fazer hoje, sabe? Isso vai ser fundamental para o futuro. E considerar, Marcos, que os caminhos que nos trouxeram até aqui podem não ser os caminhos que vão nos levar a partir daqui. Então, em momento de pausa voluntária, eu sugiro que vocês façam uma pausa voluntária breve, que seja no início, depois vão pegando gosto, vai ficando um pouquinho maior, pra entender que momento de vida vocês estão, pra saber pra onde vocês querem ir.
Maravilha. Gratidão, Isabela. Gratidão pra todo mundo que passou pela live. E a live vai ficar assim. Respondendo aí uma pessoa que perguntou, a live vai ficar disponível pra todos. Grande abraço. Até quarta-feira que vem.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








