O que é imaginação e o que é real? Live com a Neurologista Dra Ana Paula Pena

This content was created by GHION.AI . This content was uploaded by GHION.AI . This is a YouTube video titled "O que é imaginação e o que é real? Live com a Neurologista Dra Ana Paula Pena" created on May 21, 2020. It features a live discussion between Isabela Camargo and Dr. Ana Paula Pena, a neurologist, discussing mental health, the impact of stress on the brain, and the physiological responses to stress and anxiety. The conversation covers topics such as the role of the hypothalamus, the effects of cortisol, and the importance of managing information intake during stressful times.
Chapters
Olá, olá, muito boa noite. Sejam todos muito bem-vindos. Eu espero que vocês estejam me ouvindo bem. Vou fixar aqui no comentário quem será a nossa convidada especial de hoje. Eu tenho muita sorte de trazer aqui pra vocês pessoas muito especiais e que se elas conseguem trazer uma informação importante pra mim, se o que elas dizem é muito importante pra mim, com certeza também será pra vocês. Eu espero que vocês estejam bem, afinal nós estamos isolados fisicamente, mas o nosso pensar continua livre e a gente ainda pode escolher o que vamos assistir, ouvir e consumir. Falando nisso, eu percebo que muitas pessoas estão aflitas querendo entender o que está acontecendo com o nosso cérebro com tantas mudanças ao mesmo tempo. E quando a gente fala de cérebro, eu preciso falar sobre neurônios e as consequências do que acontece com eles na nossa vida. Por isso que hoje a gente vai conversar com a doutora Ana Paula Pena, neurologista e que tem feito um trabalho para disseminar as informações corretas. Dividindo tela, a gente já vai conversar e se você tiver alguma dúvida sobre o tema, já escreva para nós. Oi Ana!
Oi Isabela, tudo bom querida?
Tudo ótimo, muito feliz, estou animada.
Tá me ouvindo bem?
Muito bem.
Então tá bom. Prazer enorme estar aqui, estou te ouvindo bem.
Que maravilha essas conexões que nós temos feito agora pela internet Poder te conhecer digitalmente para a gente somar informações é muito bacana Pois é, eu sou uma.
Grande admiradora já sua, do seu trabalho, já como jornalista E quando você começou esse trabalho do burnout, assim, aí eu fiquei completamente, assim, de queixo caído pela tua coragem, né? Já te falei, enfim, como você consegue falar tudo aquilo que a gente precisa ouvir, falar de saúde mental de uma forma tão tranquila, desnotificar. Puxa, que bacana! Sou super fã e esse convite pra mim me deixou extremamente feliz e honrada. Obrigada!
Ana, obrigada. Eu realmente que te agradeço, porque eu sei que nós vamos falar, vai contribuir para o pensar de muitas pessoas. Eu quero mandar um beijo aqui para todos que estão conosco, a Janaína, a Adriana, o Cris, um grande amigo. Enfim, todos vocês sejam muito bem-vindos. Se tiverem alguma dúvida já para a doutora, comentem aqui. Eu costumo, Ana, dividir comentários e não comentários, para as pessoas também poderem te ver. Mas eu convido a todos que estão conosco para enviarem suas dúvidas. Ana, eu te propus o assunto entendendo os neurônios, porque quando a gente fala de outras partes do corpo, nós temos muito mais informação e dá pra gente ver o que acontece na pele, o que acontece no músculo e tal. Ver o músculo não, deixa eu me expressar melhor, a gente sente. né, com muito mais intensidade que acontece. Agora no cérebro não, demora um pouco mais, né.
É, na verdade assim, Isabela, essa é uma grande questão, né. Toda vez que a gente fala que algum paciente tá com algum tipo de transtorno mental, né, seja ele um transtorno de ansiedade, o próprio estresse, né, que você fala tanto, enfim. É muito comum as pessoas não acreditarem muito porque isso fica muito na coisa do abstrato, né? Como assim eu sinto coisas no meu corpo que é causado pela minha cabeça? Então eu tenho total controle sobre isso, né? É importante a gente dizer, Isabela, que apesar da gênese, vamos dizer assim, do start, da coisa inicial ser um pensamento ou uma memória ou uma sobrecarga muitas vezes ou uma interpretação, Apesar disso, ocorre uma série de sintomas e de reações bioquímicas, neurofisiológicas, em cascata, que desencadeiam alterações físicas palpáveis. Então, vamos dizer, por exemplo, em relação ao que a gente está vivendo, para a gente contextualizar. O estresse que a gente está vivendo do dia a dia, do confinamento, medo da pandemia, medo de se contaminar, mudança de rotina, alteração de sono, tudo isso vai causando uma série de estímulos cerebrais que a gente pega o hipotálamo, que é o grande maestro que rege toda a nossa orquestra corporal neurofisiológica, e o hipotálamo começa a desencadear uma série de reações. Então ele ativa a hipófise, que ativa adrenal, que libera cortisol, ao mesmo tempo ele também ativa o nosso sistema nervoso autônomo, principalmente nosso sistema nervoso simpático, que é o que faz a descarga de adrenalina. Então, o que tudo isso no final faz? No final, a gente já começa a sentir um monte de alteração física muito desconfortável. Então, isso pode aumentar a nossa pressão arterial, dar tachicardia, aumenta a nossa frequência respiratória. A gente pode ter alterações de sensibilidade, formigamento. alteração na temperatura, sensação de frio, de calor. Quem já vivenciou aí uma crise, um ataque de pânico sabe a sensação que dá muitas vezes de frio, de calor, sudorese, enfim. Então, isso tudo não é tão imaginário assim, sabe? A gente tem um certo controle, mas muitas coisas aí fisiológicas acontecem.
Adorei o que você falou sobre o hipotálamo ser o maestro do nosso corpo. É fantástico quando a gente consegue dar nome para aquilo que a gente não vê, pelo menos, né? E quando você fala agora o que é real e o que é imaginário Muitas pessoas aqui já perguntaram como evitar esse estresse e qual a diferença do estresse e da estafa Antes da gente voltar mais sobre o que é real e imaginário, queria já responder essas duas.
Perguntas, Ana Então, o estresse, na verdade, ele é uma série de, vamos dizer assim, de... Não estou encontrando a palavra, mas são reações desagradáveis que o organismo vai produzir, tá? De acordo com fatores, estímulos externos que geralmente são constantes. Eles podem ser micro estresse, né? Aquela coisa diária, cotidiana. Então, por exemplo, de quem passa pela síndrome de burnout, que não deixa de ser aí um estresse cumulativo, do dia a dia, daquela coisinha que é a gotinha, né? A gente tem a goteira e vai lá pinga, pinga, pinga, pinga, pinga e uma hora explode, mas também o estresse pode ser aquela coisa macro, do macro trauma. Então, por exemplo, alguém que sofreu um assalto, um sequestro, um abuso de qualquer tipo, então aquilo gera um estresse muito maior. Então eu acho que a estafa ela tá mais aí na coisa do pinga-pinga, dessa coisa cumulativa, né? E de que forma a gente pode evitar tudo isso? Veja, os estímulos externos eles estão aí, né? Mas a nossa resposta, a resposta de cada organismo, Isabela, vai depender muito da nossa capacidade de ressignificar, a nossa capacidade da própria resiliência, que a gente fala tanto, né? Porque, quer dizer, o mesmo fator estressor não vai causar o mesmo estresse para a Isabela e para a Ana Paula. Vai depender de fatores biológicos, genéticos, a epigenética, que é a genética modificada pelo ambiente, mas também vai depender muito.
Uau, o que eu achei? Provavelmente ela teve algum problema de conexão, nós já vamos aguardar, mas ela estava dizendo que a gente pode ter o mesmo fator estressante, mas cada pessoa vai reagir de uma maneira. É o que nós estamos vivendo, não é? O mesmo problema, mas cada um reagindo de uma maneira. Doutora Ana, você consegue solicitar de novo? Que aí a gente já recomeça. a gente está conversando com a neurologista Ana Paula Pena, pra gente entender como os neurônios podem interferir na nossa ansiedade e outras emoções, outras sensações que nós estamos tendo, sem aviso prévio, tá todo mundo tendo que lidar com tudo isso. A doutorana voltando, eu já divido a tela. Enquanto isso, obrigada Eduardo, essas lives são espetaculares. Eu tô muito feliz que eu tenho conseguido trazer pessoas de tanto nível para compartilhar com vocês as informações. Ana, eu vou então fazer o seguinte, eu vou encerrar e começar de novo, tá? Ah não, a doutora já tá aqui, pera lá. Nós já vamos dividir. E que bom. que vocês estão aqui conosco, depois do conteúdo vai todo lá para a internet no meu canal, Sabela Camargo Real.
Pronto, voltei, tudo bem?
Isso, tudo em paz.
Agora sim.
Falando sobre o mesmo fator estressante e causar reações diferentes.
Exatamente. Isso depende muito, Isabela, da nossa capacidade de fechar ciclos emocionais, da nossa capacidade de resiliência. Porque, veja, as nossas emoções, medo, raiva, todas as emoções negativas, medo, raiva, tristeza, Elas precisam, esses ciclos emocionais precisam ser fechados, porque dessa forma a gente garante a nossa sobrevivência. Quando a gente tem muitas emoções aí que ficam em aberto, isso gera estresse, isso gera reações ruins no nosso organismo, né? Então é muito importante que a gente saiba fechar ciclos e o estresse tá diretamente relacionado a isso.
Neste caso que nós estamos vivendo, ou seja, nesse estresse coletivo, nesse luto coletivo em que perdemos muitas coisas, né? O direito de ir e vir, por exemplo, acho que é o principal. Como que nós podemos, então, minimizar tantos ciclos que ainda não podemos fechar e que nos provocam estresse?
Exatamente. Então, vamos lá. Primeira coisa, né? Esse estresse que a gente está vivendo hoje em dia, ele está posto. A gente tem uma questão aí da pandemia, que é uma questão mundial. Porém, algumas coisas que a gente precisa e deve fazer. Primeiro, filtrar esse tanto de informação que está chegando para a gente. Você tem falado muito isso nas suas lives, eu tenho acompanhado. E isso é fundamental, gente. A gente não pode ser uma esponja aberta e captar todas as informações que tem muita coisa. Ruim, negativa, pesada. A gente tem que ter aí realmente uma rotina Coloca aí um horário para você checar o noticiário, né? A Isabela mesmo já falou que tem.
Feito isso E tem que ter filtro, né doutora?
Tem que ter filtro, tem que ter filtro. Tem que ter filtro, grupos de WhatsApp, mensagens, a tal das fake news, enfim. Acho que isso é uma coisa, ter esse filtro do tanto de informação que tá chegando pra gente. Uma outra coisa, Isabela, nesse momento que a gente tá vivendo, que já foi falado também em outras lives que você fez. Eu gostei muito de uma que você fez com a Neurologista, minha colega Andréia, lá da Academia do Sono, da Sociedade Brasileira de Sono, que, justamente, a gente precisa manter o mínimo de rotina. A gente tem que ter rotina, né? Os nossos, aí, sincronizadores do ciclo sono-vigília, realmente, a gente perdeu. E a gente não pode, porque tá dentro de um ambiente fechado, aí na quarentena, a gente espera que todo mundo esteja cumprindo, quem não trabalha em serviço essencial, essas pessoas elas precisam ter o mínimo de rotina diária, né? Então acordar mais ou menos sempre no mesmo horário, de preferência cedo, não acordar no mesmo horário todo dia às 11h30 da manhã.
São coisas simples, né, Ana, mas que fazem uma diferença tremenda no que nós vamos manifestar Ou não só problemas físicos.
Mas mentais Exatamente, então assim, acordar cedo e dormir sempre mais ou menos no mesmo horário Evitar ficar tirando cochilos aí ao longo do dia Tem a coisa de sair do quarto, né? Então muita gente passando o dia inteiro dentro do quarto de pijama Não é legal, quer dizer, a gente não tá dando aquele sincronizador, o sinalizador pro nosso organismo de que é dia, de que a gente tem que fazer alguma coisa diferente. Tomar um pouquinho de sol, né Isabela? O sol é muito importante do ponto de vista biológico mesmo, porque a gente com o sol, o nosso organismo entende que é dia. Então tomar um pouquinho de sol aí na varanda, no quintal de casa, porque isso vai fazer até com que a minha imunidade fique mais fortalecida. Isso fortalece a imunidade, isso melhora dores. Eu tenho muitos pacientes que têm me procurado com exacerbação de crises de cefaleia, coisas que já estavam controladas e que agora é total descontrole. Desandou, assim, dor de cabeça, quem tem fibromialgia, dores no corpo, isso é outra coisa também que tá muito ruim. Então, a gente tem que ter um mínimo de rotina. Uma outra coisa, o sedentarismo, né? A gente tá muito tempo parado, muito tempo sem fazer nada. E o que que tá acontecendo? Nosso corpo, ele não tá se cansando, né? A gente tinha antigamente a rotina de sair de casa, dirige, encontra pessoa, sobe escada e tal, e agora não tem mais isso. Então, algum tipo de atividade física, a gente tem que fazer. Então, sabe, faz aí uma aula online de ginástica, um alongamento, polichinelo.
Oana, eu gosto muito quando você fala sobre isso porque, como você disse, nós estamos muito sedentários, mas a nossa mente acho que nunca esteve tão cheia, né? Nós já sabemos, o excesso de informação causa ansiedade, o que é normal em uma determinada quantidade, mas o excesso de determinada informação, aí vem aquela ansiedade patológica, que é a que nos deixa com outras manifestações, como você falou, pode ser uma sudorese, uma outra coisa, é isso mesmo?
Exatamente. Como a gente está muito sedentário, esse estresse que o nosso corpo acaba acumulando, ele vai se manifestar de alguma forma. Então, a atividade física é super importante pra gente liberar neurotransmissores, endorfina, dopamina, que é o nosso neurotransmissor importante do prazer. A gente precisa fazer alguma coisa. Atividade física é super importante. A gente está há muito tempo parado com excesso de informação, bombardeio de informação. Não é todo mundo que traz uma informação de conteúdo como você, que tem feito, né, Isabela, lives incríveis, um trabalho belíssimo. Mas tem muita tranqueira que a gente vê por aí, né? Então, infelizmente, as pessoas estão bombardeadas.
Ana, a luz, ela é de compasso total. A Lourdes diz, é um descompasso total.
Oi, eu não tô te ouvindo, peraí. Descompasso, agora ouve aqui, a Lourdes disse um descompasso total. Isa?
Olá?
Olá, tá me ouvindo? Voltou? A internet está falhando. Que pena, né?
Não tem problema. A gente vai tentando.
Pronto, pronto. Agora voltei a te ouvir. Pode falar.
Perfeito. Ana, a Lourdes disse que é um descompasso total.
É um descompasso, exatamente. E aí isso me traz uma fala que você fez aí em alguma das suas lives que eu achei o máximo, quando você fala que a gente tem um cérebro analógico no mundo digital, né Isabela? Isso é fantástico.
Oana, você falou agora sobre novos neurônios. Teve aqui uma pergunta sobre como eu posso produzir novos neurônios e a neurogênese ainda é um assunto muito novo para os especialistas, mas neste momento de isolamento eu posso não só evitar o aparecimento de novos ou o nascimento de novos neurônios, nascimento de neurônios, perdão, como prejudicar já os que eu tenho, é isso?
Exatamente, Isabela. A gente está falando da neuroplasticidade, que é a capacidade do nosso cérebro de fazer novas conexões e se regenerar e criar realmente novas células. Isso é um campo da ciência hoje em dia, da neurociência, que está sendo super estudado, mas sem dúvida que o que a gente está vivendo, esse momento de pandemia, ele não nos favorece nesse aspecto, muito pelo contrário, ele faz a gente voltar atrás. Então tudo aquilo que a gente tem aí de aprendizado, tudo aquilo que a gente pode ver de conteúdo novo. Quer dizer, nosso cérebro não está num momento saudável, a gente está num momento de muita informação. A gente disse... um momento de muita preocupação e isso não nos ajuda na neuroplasticidade, né? Na tal até da nossa metacognição. A gente não está exercendo a metacognição que é o gerenciamento do nosso pensamento. Quer dizer, a gente espera que depois de um conteúdo como esse, as pessoas que estão aqui com certeza estão em busca de algo diferente e são pessoas especiais por te seguirem. Mas a gente espera que essas pessoas sejam até multiplicadores desse tipo de informação, de que a gente precisa dar um tempo mesmo, né? Para que o nosso cérebro possa continuar o seu trabalho de neuroplasticidade, de novas cognições, possa mergulhar profundamente na metacognição.
A Andrea pergunta, eu soube que a natação é muito boa para novos neurônios, é verdade?
Olha, a natação específica eu não sei, tá? Mas eu posso te falar que é atividade física como um todo. Então acredito que a natação também, porque é um tremendo do esporte, uma atividade física incrível, né? Acredito que sim. Mas toda atividade física, sem dúvida, que é muito bem-vinda para o cérebro, para o pensamento, para as funções mentais, para todo tipo de estresse.
Perfeito. Ana, tem muita gente entrando agora, então eu só quero dizer que eu estou entrevistando a doutora Ana Paula Pena, neurologista. Estamos conversando sobre os neurônios e tudo o que eles nos influenciam e como nós podemos realmente viver uma vida que vale a pena ser vivida. e que todo o conteúdo vai ficar lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real. Ana, você falou mais cedo, mas eu gostaria de repetir para quem chegou agora. O que é real e o que é imaginário em tudo que nós estamos sentindo?
Tá, então vamos lá, pessoal. Eu acho que... como eu disse no começo, o que a gente sente, o medo, na verdade o medo todo mundo sente, o medo é uma reação natural aí do organismo. A ansiedade é uma resposta exarcebada a esse medo, então o meu corpo ele reage de uma forma desproporcional. E se isso for constante, se isso for, tiver me causando algum tipo de prejuízo no meu organismo, eu tenho aí um transtorno de ansiedade que a gente abre um leque muito grande, né Isabela? Tem o transtorno de pânico, o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno obsessivo compulsivo, enfim. O que eu tava dizendo no começo, pra quem chegou agora, é que isso tudo não é imaginação, não é fraqueza, não é falta de força de vontade. Isso tudo, pessoal, é uma reação bioquímica, orquestral.
Ui, doutora Ana caiu de novo. mas já já ela volta. A gente tá no prime time do Instagram, muitas lives acontecendo, o que é muito bom para a gente democratizar o conhecimento, reforçando assim os nossos canais individuais. Doutora Ana, a gente tá voltando.
Desculpa, a internet hoje tá uma beleza. Então, assim, é uma reação bioquímica neurofisiológica orquestrada por um maestro, né, que é o hipotálamo, que tá numa região ali dentro, bem guardadinha no nosso cérebro. E o hipotálamo, através de uma série de reações químicas e bioquímicas, liberação de neurotransmissores e de hormônios, ele vai mandando mensagens que, no final das contas, libera cortisol e adrenalina. No final disso, o que acontece? O cortisol, Isabela, tá sorrindo porque ela sabe que é o nosso hormônio do estresse. Exatamente. O cortisol, esse mesmo cortisol que a gente vai permitindo viver, a gente vai se permitindo conviver com ele e acha que tudo bem trabalhar demais e acha que tudo bem dormir pouco, como a Isabela sempre fala. Esse cortisol que a gente vai dando espaço na nossa vida, ele vai prejudicando uma série de funções biológicas do nosso corpo. Diminui a imunidade, esse cortisol altera nosso hábito intestinal, ele nos gera dor, dor de cabeça, dores no corpo e ele nos causa insônia, distúrbios de sono. Além disso, o cortisol junto com a adrenalina, eles vão causar uma série de reações no nosso organismo, que é do nosso sistema nervoso simpático, como por exemplo, aumento da pressão arterial, então você tem risco de ter hipertensão, alteração no metabolismo da glicose, risco de ter diabetes, você tem obesidade por conta disso. Então quem nunca passou por isso? Tá tentando emagrecer, mas tá vivendo tanto estresse que não consegue. É isso, né? É isso, quer dizer, altera diretamente o metabolismo da glicose entre um monte de outras reações aí do organismo.
Nossa, Ana, esse é um campo infinito, porque eu entendo que saúde mental foi tão negligenciado. Eu até já já quero te perguntar, quero saber sua opinião, porque o assunto ainda é visto como um patinho feio, como falar da saúde mental ainda é visto com um certo receio por outras pessoas, mas já vamos falar sobre isso. A Viver Gerontologia pergunta assim, então o controle das informações que recebemos controla a nossa ansiedade?
Os nossos sinais podem controlar a nossa ansiedade desde que a gente esteja aberto, desde que a gente esteja disponível para ouvir esses sinais. E aí a psicoterapia faz muito isso, né Isabela? A gente faz psicoterapia e eu sou uma adepta e fã e, enfim, faço terapia, indico para os meus pacientes E o que acontece? O que a gente aprende na psicoterapia é justamente ficar atento a esses sinais, a esses sinais que o nosso corpo vai dando, vai mostrando pra gente que a gente está esticando demais a corda. Alguém escreveu aí, é a gestão do nosso sistema emocional, é isso mesmo.
Perfeito. Oana, A Ana, Ana Perrocha, ela pergunta, tem exame, né, pra saber a quantidade de cortisol que estamos liberando? Prefiro que você responda.
Olha, tem exame químico que detecta, então tudo isso que a gente está falando não é no campo da imaginação não, tá gente? Isso é coisa biológica, então a gente dosa cortisol, a gente dosa ACTH, a gente dosa tudo isso, os hormônios da tiroide que estão diretamente ligados, enfim. Então, tudo isso que a gente está falando tem como comprovar cientificamente, porém, Não é tão simples, não é assim, ah, eu vou, eu tô mais estressado, eu vou no laboratório, colho e vai estar alterado. Não. Depende da hora que eu vou colher esse exame, tem uma série de preparo pra ser feito e pra gente ter credibilidade, esse resultado a gente poder interpretar. De forma geral, esses transtornos que a gente tá falando, os transtornos psiquiátricos, mentais, neuropsiquiátricos, eles são transtornos de diagnóstico clínico, tá? Ou seja, a gente não precisa de um exame de laboratório pra falar, olha, a Isabela tá com burnout, a Ana Paula tá com transtorno de pânico, porque eu já tive transtorno de pânico, então eu sei bem como é isso. A gente não tem um exame clínico, laboratorial, que se comprove, tá? Mas existe, sim, alterações, uma série de pesquisas aí que mostram essas alterações.
É, o que eu digo pela minha experiência, Ana, é, por exemplo, o próprio exame do cortisol, né? Ele é feito por exame de sangue ou saliva, até onde eu tenho as informações que foram os que eu fiz. E é evidente que depois de um ano você fazendo as medições e ele estiver muito alterado, você vai ter que investigar e não achar que isso é normal. A gente vive a sociedade da normose, que tudo é normal, e não. E você ter os seus índices tão fora do que já é comprovado regular, você não pode desconsiderar essa informação. Ana, você mencionou mais cedo numa conversa aqui de bastidor sobre o AVC, que vocês já estão tendo dados suficientes para falar sobre o aumento do número de AVCs neste período de isolamento. Por que que isso está acontecendo?
Então, o que está acontecendo com o AVC, ele não é de todo tão isolado da nossa conversa, né? Porque a gente sabe que todo estresse e ansiedade vão aumentar aí os nossos fatores de risco para as doenças cardiovasculares, né? Só para a gente fazer uma ponte. Então, vamos falar. Então, quais são os fatores de risco para o AVC? Hipertensão, diabetes, obesidade, o tabagismo, o etilismo, enfim. o sedentarismo que a gente acabou de falar. O que está acontecendo, Isabela? A gente tem visto muitos casos de AVC durante a COVID. Então o paciente está internado com COVID e tem AVC. Isso foi observado lá na China, pois é. Então essa COVID veio realmente para bagunçar todo o coreto. Começou lá na China esse estudo, né? Eles estudaram 214 pacientes, se não me engano, e detectaram 5 pontos Mas naquele estudo lá em Wuhan, naquele estudo as pessoas eram mais idosas, tinham mais fatores de risco, então ficou meio assim, ah, esse aí já teria AVC de qualquer jeito, talvez não tenha sido só pelo vírus, tá? Muito bem. Só que aí lá na Espanha e na Itália, quando teve aquele boom lá na Europa toda, eles começaram a perceber muito mais casos de AVC, inclusive AVC como primeira manifestação da Covid. Então o que aconteceu? O paciente entrava com sintoma de AVC e a gente pode falar daqui a pouquinho quais são os principais sintomas pra gente ficar alerta. E a hora que ele entrava com esse sintoma de AVC, não se pensava em Covid se ele não tivesse sintoma gripal. E na internação detectavam que o coronavírus estava presente e começaram a fazer essa relação Aí você vai perguntar, você pode perguntar, e por quê? Por que essa relação? Ainda a gente não está muito claro por que o Covid causa o AVC mas a principal hipótese é que seja pelo distúrbio de coagulação. O mesmo distúrbio de coagulação que falaram lá atrás que dava o infarto do miocárdio, que por isso falaram em dar um anticoagulante durante o tratamento. Então, o AVC, ele seria uma das manifestações clínicas desse distúrbio de coagulação.
Você acha que esse aumento do número de AVCs tem a ver com o aumento da aflição por tudo que está acontecendo, que aí gera o aumento do cortisol e aí existe o descompasso, como foi comentado com a Lurdes, tem a ver?
Olha, Isabela, se você perguntar a minha opinião, eu, Ana Paula, acredito piamente nisso. Piamente, tá? Porque eu sou neurologista, mas eu trabalho muito com a questão da saúde mental também e acredito muito nisso. porém a gente não pode falar de uma opinião, a gente tem que falar da medicina baseada em evidência, ainda não tem esse tipo de relato, tá? O que a gente sabe é que alguns pacientes têm a primeira manifestação da Covid como AVC, inclusive pacientes mais jovens. Em Nova Iorque eles publicaram um artigo, eles publicaram cinco pacientes abaixo de 50 anos, todos com AVC como primeira manifestação da Covid. Pois é. E baseado nisso e na experiência de Barcelona, o que que tá acontecendo? A gente tá modificando o nosso protocolo de atendimento de AVC aqui no Brasil também. Então o que que acontece? Na atenção pré-hospitalar SAMU ou a hora que o paciente chega no hospital, a gente faz com sintoma de AVC. A gente vai fazer uma ampla investigação se esse paciente tem algum sintoma de AVC. desculpa, de Covid. Então a gente vai perguntar ativamente, não só sintomas gripais, porque esse hoje em dia acho que todo mundo fala mais, mas a gente pergunta, tá com mudança de hábito intestinal, tá com diarreia, dor de barriga, tá com sentindo, né, deixando de sentir cheiro, gosto das coisas, né, a tal da anosmia. E também a gente pergunta se teve contato com alguém com com o Covid. Independente da resposta disso, a gente já tem feito tomografia de tórax para todo paciente que entra no hospital com suspeita de AVC. Então, a hora que ele vai fazer a tomografia de crânio, a gente faz crânio e tórax, tá? Por quê? Porque tem sido, sim, observado que a hora que você faz a tomo de tórax, você vê que o paciente tem Covid e ele só vai manifestar o sintoma gripal depois.
Nossa, Ana, como você falou, os protocolos todos mudaram e ainda vão mudar muito, né? Porque é uma coisa muito nova.
A gente tá vivendo uma coisa, tá uma loucura, né? É uma novidade por semana.
Outro dia eu ouvi assim, né? O mundo não passava por grandes mudanças há muito tempo e em meses tudo aconteceu para todos os setores, né? Isso é incontestável. Ana, perguntaram muito sobre a síndrome do pânico. Eu tirei até aqui um pouco os comentários para a turma poder te ver. Estou conversando com a neurologista Ana Paula Pena. O conteúdo depois fica todo lá no YouTube, Isabela Camargo Real. Estamos entendendo um pouco mais os neurônios, como é que a gente pode não afetá-los tanto, Ana. Depois eu quero as suas considerações finais até sobre isso, né? Como é que a gente pode fazer para cuidar dos nossos neurônios, além do que você disse aqui, para minimizar o estresse. Mas antes eu queria que a gente usasse um pouquinho do nosso tempo para falar sobre síndrome do pânico.
Então vamos falar. Síndrome do pânico é um assunto que é muito especial para mim, assim como burnout para você, porque eu te disse, além de médica, neurologista, eu sou uma paciente de transtorno de pânico, né? E tive, me trato, enfim. O que que acontece no transtorno de pânico? É um transtorno também de ansiedade, né? Desses que a gente vai deixando a gotinha pingar, pingar, pingar, pingar, pingar e não, e não, e acha que tá tudo bem, né? E num dia, um belo dia, tudo aquilo acontece. Então, são crises, são ataques recorrentes. de crise de pânico. O que acontece nessa crise de pânico? O paciente tem uma sensação de morte iminente. Então, a gente, né, vou me colocar no lugar de quem vivenciou isso. É uma sensação, falta de ar, sensação de que a garganta está apertando, taquicardia, famigamento no corpo e parece que você vai desmaiar. E vem uma sensação de que você precisa pedir ajuda, né, porque senão você vai morrer ali naquela situação e isso pode acontecer em qualquer lugar. Pode acontecer dentro de um lugar fechado, num avião, num carro, pode acontecer dentro de casa ou num local de trabalho, enfim. É uma sensação muito ruim, né, e que tem um tratamento específico.
Isso seria uma reação exacerbada do medo? O medo daquela situação? O medo do que pode acontecer?
Exatamente. Lembra que eu falei lá atrás do hipotálamo, né? Então a gente tem o hipotálamo como o grande maestro que orquestra todas as reações. A gente tem uma vizinha do hipotálamo que se chama amígdala, né? Que não é a amígdala que fica aqui na garganta. A amígdala, que é uma vizinha do hipotálamo, ela regula as mensagens que chegam no hipotálamo. É o centro do medo, tá? Então, se chega, por exemplo, um bandido aqui na minha casa, eu vou ter uma reação natural, eu vou ter medo, a minha amiga vai falar, pô, isso não é legal. o hipotálamo vai reagir de acordo com o que a amígdala mandou de mensagem. Porém, eu posso ter um hiperestímulo dessa amígdala mesmo sem o bandido, mesmo sem o perigo real. Pode ser por uma memória, pode ser por uma sensação, um pensamento automático, que é o mais comum no transtorno de pânico. E aí essa amígdala começa a mandar essas informações erradas para o hipotálamo e aí vem a descarga de cortisol, adrenalina, que aí o transtorno se instala. E a grande característica é o comportamento de evitação. Então, eu, por exemplo, tinha no carro dirigindo, né? Então, eu tinha receio de voltar para o carro, porque toda vez que eu voltasse para o carro, eu achava que podia dar. Então, essa ansiedade, que se chama ansiedade de antecipação, é o que caracteriza também o transtorno. Mas é um transtorno, quem fez essa pergunta aqui, se estiver passando por isso, alguém que ama está passando por isso, É um torcido que tem tratamento, que hoje em dia se conhece muito, que tem várias opções terapêuticas. A gente tem a psicoterapia, a atividade física, a meditação. A gente tem muita coisa bacana pra fazer pro pânico.
Oana, mas a síndrome do pânico, e esse é um assunto que eu vejo, assim, muita gente falando, pedindo ajuda e acredito que vai aumentar. Ela não começa de um dia pro outro, né?
Não, exatamente. A síndrome do pânico é a gotinha que eu falei, né? Está furadinho ali o nosso teto e fica ali pingando, pingando, pingando. O que acontece? Se você tiver alerta a esses sinais, a essas gotinhas que estão caindo, você não vai chegar a ter a síndrome do pânico. Mas, geralmente, nós, seres humanos, a gente tem aí uma mania de achar que é super herói, super heroína e quer dar conta do mundo, quer dar conta de tudo e aí vem o estresse. Por isso que o pânico, eu acho ele muito primo, irmão do burnout, né? Eles são muito próximos.
Sim, sim. Ana, eu fico muito feliz em ter uma neurologista falando de uma linguagem que está todo mundo entendendo E quando a gente se coloca no papel de quem está vivendo, é totalmente diferente Nós vivemos o que nós estamos falando, e nós sabemos que isso não é frescura Ana, falar sobre saúde mental, mesmo com os números que nós temos, se eu somar ansiedade, burnout e depressão da quase um quarto da população ativa brasileira com algum tipo de transtorno, algum tipo de problema realmente relacionadamente. Mesmo assim ainda tem uma resistência tremenda de gente que acha que isso é frescura. Como você, neurologista e que viveu uma experiência com a Síndrome do Cânico, explicaria para quem ainda é resistente ao assunto que saúde mental não é coisa de louco.
Pois é, e aí que eu sou sua fã, assim, de tirar o chapéu de carteirinha, porque justamente esse espaço que você abre, aquilo que a Camila, psiquiatra, falou na live, né, esse espaço que você abriu, né, esse debate, você abriu uma porta incrível e eu acho que você teve um papel aí de divisor de águas mesmo, Isabela, porque Depois da tua inserção, falando de burnout, parece que a coisa tá um pouco mais tranquila, tá mais desmistificado, né? Claro que a gente tem muita coisa aí pra vencer ainda. Eu acho que todo mundo hoje em dia, acho não, isso eu tenho certeza, todo mundo hoje em dia conhece alguém com transtorno de ansiedade. Todo mundo. Se você não sofre, você tem um irmão, uma mãe, um pai, um namorado. Não é verdade? Por que? Não é possível. Isso é matemático. Nós somos o país com o maior número de transtornos de ansiedade do mundo. Então, obviamente, você conhece alguém, né? Então, tudo bem, você até pode achar que o seu irmão, que o seu marido, que a sua esposa tá fazendo corpo mole, que não tá querendo, mas gente, é só você olhar os números, é só você olhar isso que a gente tá falando aqui, isso é biologia. A emoção, ela não é abstrato, ela é algo real, ela é algo concreto, ela é algo que mexe com as nossas reações biológicas, tá? Então não adianta, como a Isabela já falou numa outra entrevista que ela fez, que eu adorei, não adianta chegar pra pessoa que tá super nervosa, em pânico, totalmente fora de controle e falar, fica calma, respira. Pelo amor de Deus! Respira! A gente tem que respirar antes, quando nós estamos como agora, a gente tá bem, emocionalmente tranquila. Então agora a gente pratica a respiração, a gente pratica a meditação. Tenho certeza que a Isabela faz como eu, porque senão a minha psicóloga e a minha psiquiatra... Torce a minha orelha, né? Porque é uma vigilância eterna. Então a gente tem que fazer respiração, meditação, controlar o tempo de tecnologia, fazer atividade física. Cada vez que eu vou na minha psiquiatra, ela faz um checklist ali comigo. Não pensa que é porque eu sou neurologista que ela me dá mole.
Dá mole não.
E é isso, né, Isabela? A gente precisa estar atento. O sinal, a luzinha vermelha ali sempre ligada.
Perfeito. Mais compreensão e menos julgamento. Como a doutora Ana disse, se você não está vivendo ou mascarando que você está vivendo com remédios que são vendidos assim aleatoriamente ou com maquiagem, Ou realmente jogando debaixo do tapete dores muito crônicas e constantes, você convive com alguém que tem e que às vezes também não sabe, por evitar a investigação Ana, estamos num caminho e eu fico muito feliz com o seu tempo, a sua confiança, porque o assunto saúde mental sempre foi visto como uma coisa de maluco E nós já sabemos que não é. E eu entendo que o cérebro foi deixado um pouco mais de lado para que outras matérias da medicina fossem mais estudadas, porque usávamos mais a força física. E agora a gente está numa revolução cognitiva. E desde que a velocidade se tornou sinônimo de progresso, as coisas só vão, então, aumentar, só vão ficar mais rápidas. Neste cenário, então, que nós estamos vivendo, aproveitando o nosso tempo que já está acabando, em todo este cenário, nós não vamos regredir, a velocidade não vai reduzir. Como você recomenda que as nossas atitudes sejam mais saudáveis, especificamente para os nossos neurônios.
Então vamos lá. Quais são as dicas que eu sempre dou como neurologista, como médica e como alguém que viveu isso na pele? Primeiro lugar, esteja atento a todas as suas emoções. Não jogue as coisas para debaixo do tapete, tá? Se você está sentindo raiva, você tem que trabalhar essa raiva, tristeza, angústia e tal. Segunda coisa, durma bem. Cuide do seu sono como algo precioso, tá? Precioso. Você também tem que fazer atividade física regular, tá? Mesmo durante a pandemia, faça atividade física. Cuide da sua alimentação, pessoal. A alimentação também tem uma relação direta com a liberação de cortisol, de adrenalina, com o bem-estar do organismo. Além disso, tem duas coisas que eu acho que são fundamentais. A primeira coisa é a meditação, a respiração, a prática mindfulness. Eu acho que, puxa, isso muda a vida de qualquer pessoa ansiosa. Mudou a minha, acho que a sua também, e é incrível. E a última coisa que eu acho principal, eu deixei por último porque pra mim é a principal, é a espiritualidade. Espiritualidade não é religião, espiritualidade é a sua conexão com o seu Deus, com algo maior, com algo que você acredita, com o seu propósito de vida. Se você cuidar de tudo isso que a gente tá falando, com certeza você vai ter uma saúde mental melhor.
Olha que lindo, gente. É uma neurologista falando de várias coisas e não falou de remédio. Porque quando a gente fala sobre saúde mental, Ana, eu percebo que todo mundo acha que, nossa, se eu buscar ajuda para isso ou investigar tal coisa, eu vou ter que tomar remédio. Como se também fosse um crime. Porque se alguém nos recomendasse um remédio para não acumularmos gordura, por exemplo, e que todo mundo pudesse comer o que quisesse, ninguém teria preconceito.
Com certeza.
Mesmo assim, claro que em alguns casos o remédio ele é indicado, ele é necessário, mas não é só o remédio. A gente vai ter que ter uma mudança tremenda de comportamentos com terapia, com outras atividades para a gente voltar ao estado que nós estávamos. Ou não no estado, perdão, não é o estado antes da doença e sim um estado melhor, porque provavelmente aquilo que antecedeu a doença não estava bom, né Ana?
Com certeza não.
É, a coisa é muito séria. Ana, tem algum assunto que a gente não abordou aqui nesses quase, pouco mais de 45 minutos, que você como neurologista gostaria de compartilhar? As palavras são sementes, e quando eu tenho a oportunidade de falar com uma pessoa como você, eu sempre gosto, só tem uma coisa que eu não tô.
Lembrando Isabela, eu acho que você foi cirúrgica aí nas suas perguntas. Eu acho que as principais dicas que eu tinha pra deixar, os assuntos que eu queria trabalhar, eu acho que a gente falou todos. Eu queria aqui, então, deixar mais uma vez a minha mensagem de ratificar tudo que a Isabela fala em relação dar um tempo e se observar e se escutar e eu acho que dessa forma a gente vai ser mais feliz. É só isso, obrigada. Estou muito feliz pela oportunidade de verdade de novo.
Oana, posso fazer mais uma pergunta? Nós tínhamos proposto assim, compreendendo os neurônios para evitar ansiedade. Para quem está vivendo quadros ansiosos e mesmo ouvindo tudo que você falou Ainda não vai de um dia para o outro também, tipo, agora não estou mais ansioso Porque também nos sentimos culpados ou incompetentes quando a gente não consegue mudar esse estado ansioso Então como é que nós podemos, além das dicas que você falou, tratarmos bem os nossos neurônios para evitarmos a ansiedade? Existe um tempo para isso? O que que você falaria para os seus pacientes?
Agora você falando, me veio uma outra coisa que a gente não falou, né, que é super importante também, Isabela, e aí eu acho que cabe essa resposta, que é a psicoterapia, tá? A psicoterapia, ela tem um papel incrível e determinante no tratamento de tudo isso. Porque a psicoterapia, seja ela com psicólogo ou com psiquiatra, ela vai balizando, ela vai deixando a gente mais consciente de tudo aquilo que a gente tá sentindo Então, de repente, a gente vai perceber que aquilo não é maluquice, aquilo não é doideira Que a ansiedade, ela é sim biológica, porque eu sinto diarreia meu intestino solta, meu xixi acontece qualquer coisa, enfim. Mais biológico que isso, impossível, né? Então, dessa forma, eu acho que a terapia vai conseguindo te levar pra um lugar, assim, de mais tranquilidade, de mais segurança, porque a hora que a gente se sente mais seguro, e isso é com calma, tá gente? É como a Isabela falou, não é um passe de mágica. A gente precisa de anos aí de tratamento. Tenha calma, porque a hora que você vai chegando nesse lugar de tranquilidade, o teu corpo vai liberando dopamina. Olha que interessante. Então, todo aquele cortisol e adrenalina, ele vai substituindo pela dopamina, que é o neurotransmissor ligado ao prazer. Então, por isso que quando a gente tá assim num ambiente maravilhoso, tranquilo, né? A gente tá no interior, calminho lá, verde... ar puro, verde, passarinho, a gente se sente feliz, né? E é isso. É uma tranquilidade que surge aí no organismo.
É a nossa reconexão. Ana, eu desde o dia 17 de março eu já fiz mais de 90 entrevistas e eu sei identificar exatamente aquelas que tocaram mais corações pela linguagem que foi usada e você com certeza foi uma das melhores entrevistas que eu fiz. Te agradeço pelo tempo, pela confiança, por todo o seu apoio e conte comigo para todo esse movimento, para desmigrar a saúde mental, as manifestações que o nosso corpo tem a partir de maus hábitos e tudo bem porque ninguém nos ensinou a cuidar do cérebro, né?
Exatamente.
Olha, foram poucas pessoas que aprenderam, então agora a gente tá realmente com um trabalho de formiguinha pra poder... Olha, você.
Não fala assim que eu vou ficar emocionada? E aí assim, eu tô em tratamento, brincando. Foi lindo o que você falou, obrigada. Tô muito, muito feliz. Você não sabe como eu tava, assim, na expectativa de falar com você. Você é uma ídola pra mim.
Imagina, Ana, você só vê em mim o que tem dentro de você e queria que você deixasse os seus canais para quem não te segue ainda, te seguir ou buscar mais informações contigo.
Então, eu estou no Instagram, doutora Ana Paula Pena, DRA, doutora Ana Paula Pena, no YouTube e tenho consultório aqui em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. E é isso, eu espero contribuir com vocês. Sempre que a Isabela me chamar, eu vou correr aqui. Obrigada, querida.
Deve. Vamos juntas.
Beijo, obrigada.
Gente, gostoso. Nós conversamos por quase uma hora com a doutora Ana Paula Pena, neurologista. Falamos sobre os cuidados com os nossos neurônios para a gente evitar ansiedade e outros transtornos também relacionados a nossa saúde mental. Foi um papo muito rico, tá tudo lá no YouTube, mas ela inclusive falou sobre o aumento do número de AVCs agora com o Covid, como a gente pode minimizar o estresse e passou também dicas muito, muito valiosas para a gente cuidar dos nossos neurônios. Então vale você entrar lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real, assistir novamente, ou recomendar para quem você sente que precisa de um chacoalhão, que precisa de ajuda. As palavras são sementes, e se fez sentido para você, pode fazer sentido para mais pessoas. Estamos em isolamento físico, mas continuamos livres para pensar e escolher o que vamos ingerir, não só dos alimentos, mas também das nossas informações. Até breve.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








