O que é Síndrome de Burnout? - Entrevista no Canal Renata França | Izabella Camargo

Izabella Camargo talks about her experience with burnout syndrome, what causes it, and how to recognize the symptoms. She discusses her career in journalism and her upcoming book on the topic.
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Olá, gente, tudo bom?
A minha convidada de hoje, ela é muito especial, tem uma voz maravilhosa, ímpar, é isso, jornalista, mulher poderosa e ela também viveu recentemente a experiência da síndrome de burnout. Por isso, você não pode perder essa entrevista que está maravilhosa. Isa, muito obrigada por você ter vindo aqui hoje.
Eu que agradeço. Convite irrecusável.
Você vai contar tudo dessa experiência aí?
Isabela sem filtro.
Opa, gostei disso aí. Iza, Iza, já pode ser Iza, né?
Claro, Rezinha. Ó, Rezinha.
Iza, me fala uma coisa. Quando que o jornalismo entrou na sua vida e era um sonho?
Rê, é muito curioso porque eu sou do interior do Paraná, numa cidade com 6 mil habitantes, você não tem muitas opções de lazer. Sim. Então, no final de semana, eu vi lá um cartaz do Miss Brotinho, que isso tem a ver com jornalismo. Aí eu fui participar do Miss Brotinho, aí eu acabei indo pro Miss Cambira, depois fui pro Miss Paraná, do Miss Paraná eu cheguei no Miss Brasil. Olha! E fiquei em segundo lugar. Isso em 1997.
Caramba!
Depois do Miss Brasil, eu recebi um convite da SBT pra vir dar uma entrevista. Sim. Logo que eu cheguei na SBT, dei essa entrevista e vi algumas pessoas dançando. Eu fazia balé no Paraná e eu perguntei, o que tá acontecendo? Né? Pessoa sem perguntadeira. Aí me disseram assim, ah, eles estão selecionando umas bailarinas para o programa do Celso Portioli na época.
Caramba!
Aí eu falei, ah, então posso fazer o teste? Claro, vai lá, levanta a mão. E voltei para o Paraná. Meu Deus! Um belo dia, eu recebo uma ligação dizendo, olha, você passou no teste aqui no SBT, pode trazer a sua carteira de trabalho e tal. Oi? Como assim? Cheguei em São Paulo, eu tinha 16 anos, vim, logo na sequência entrou um programa chamado Fantasia, né, no SBT, nós estamos falando de 1997. As meninas faziam, sim. Antes que me peçam pra fazer, já faço. E aí, depois de um mês de programa, o Arnaldo Socomani, que era o responsável pela parte musical, ele perguntou, alguém aqui sabe cantar? Nós vamos fazer um teste vocal pra gravar o CD do programa. Aí eu, como aconteceu da outra vez, eu falei, eu, eu sei cantar. Sabia nada, gente. Sabia nada.
Sabia nada.
Na época, tava rolando, assim, um sucesso, né? A música Bem Que Se Quis, da Marisa Monde. Ah, eu cheguei lá no microfone.
Comecei a cantar.
Aí o Arnaldo falou assim pra mim, o que você vai fazer quando crescer? Eu falei, olha, não sei, eu tô aqui, tenho 16 anos, provavelmente eu volte para o interior do Paraná, onde minha família mora e tal. Ele falou, por que você não vai procurar um curso de rádio, porque a sua voz transmite credibilidade? Fui fazer o curso de rádio no dia seguinte, fui procurar. Não existia Google, não existia nada. Aí ela pesquisava, escuta, mas que curso é esse? Ah, tem no Senac, vai lá, liga, pega a lista.
Gente, você ia sempre sim.
Pronta pra ir. Acreditando nos caminhos que Deus está te mostrando. Quando eu cheguei no curso de rádio, eu entendi que a minha praia não era o artístico, por onde eu entrei no SVT como bailarina e tal. Então minha praia não era o artístico, eu ainda não sabia qual seria. E aí logo ali eu tive bons professores que me orientaram a perder o sotaque, e aí toca o barco, roda a fita, o fantasia durou três anos, aí eu fiz jornalismo, com a experiência do rádio, Trabalhei na Jovem Pan, trabalhei na NG97. E qual é a experiência do jornalismo? As portas se abriram, na verdade, o horizonte se abriu para investir de fato no hard news. Aí eu fui pro Band News TV, Band, até chegar na Rede Globo, onde eu fiquei por seis anos e meio.
Há mais ou menos pouco mais de um ano você foi diagnosticado com a síndrome de Burnout, correto?
Sim.
Me fala uma coisa, é verdade que as estatísticas dizem que mais de 30% da população sofre disso? E tem a ver com esgotamento físico relacionado ao trabalho?
Sim, é isso mesmo. Síndrome de burnout é uma doença ocupacional e que em maio de 2019 foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma doença ocupacional. Até então, os diagnósticos eram muito abstratos, então os médicos até poderiam reconhecer alguém com a síndrome de burnout, mas aí, por conta da pressão também das empresas, diziam que era depressão. que era um problema familiar.
Síndrome do pânico.
Que era um problema acumulado fora do ambiente de trabalho. Agora você falou a palavra mágica. Estresse. Já vou chegar nele. Vamos guardar ali na manga. Então a síndrome de burnout é um problema que começa dentro do ambiente de trabalho. Por quê? Porque a gente vive numa sociedade em que dizer não é ruim, Porque se você disser não, o seu chefe vai dizer que tem 13 milhões de desempregados e então tem uma fila querendo fazer o que você faz, aí você acaba fazendo mais coisas do que você é capaz, para dar conta você vai ter que abrir mão de alguém, que provavelmente vai ser de você. Então só tem burnout quem ama o que faz, e por amar muito o que faz, se ausenta de si mesmo.
Quais os sintomas?
Sintomas? Os sintomas são aqueles que a gente costuma conviver como se fossem normais, por muitos anos. Então, por exemplo, a pessoa convive com uma enxaqueca frequente, com dor de estômago frequente, com queda de cabelo frequente.
Vamos lá pra cá.
Uai, até porque a gente tem mais farmácia do que livraria, né, nas esquinas.
É doido isso.
Então, você dificilmente vai ouvir alguém dizendo, não, você tem que pensar em autocuidado, você tem que se cuidar, corresponsabilização, né, funcionário e empresa. Bom, você ouve que você tem que se superar todos os dias, que você tem que ultrapassar seus limites. Seu melhor. Inclusive eu falo nas palestras, você ultrapassar os seus limites num final de semana, num mês, num projeto especial, num trabalho, etc, ok? Fazer disso uma vida, é aí que tá o problema. A palavra estresse vem da engenharia. Os engenheiros estressam uma ponte pra saber quanto ela vai suportar de peso. E aí o que que acontece? Você não trabalha, você vai recebendo uma quantidade... Você vai, na verdade, sentindo uma quantidade de estresse e você tá indo. Tá indo. Mulheres vão se maquiando, vão entregando tudo porque estão abrindo mão de outras coisas pra entregar tudo. E aí é muito chocante quando o seu corpo fala assim, agora deu, agora a gente não vai ter como continuar. É quando a ponte estressa e cai. Pegou a mensagem? Então os sintomas, eles podem ser todos aqueles que a gente vai jogando debaixo do tapete. Eu tive pontura, Enjoo, enxaqueca, dor de estômago, queda de cabelo, problemas na pele, problemas cardiovasculares, taquicardia, agressividade e uma série de coisas que para mim, uma pessoa espiritualizada, que faz meditação, que tem uma vida saudável, aquilo não fazia sentido. Então, foram dois anos visitando milhares de especialistas, cardiologista, endocrinologista, neurologista, até eu ter um apagão no ar. Você teve um apagão no ar? Tive, no dia 14 de agosto de 2018. Eu não lembrava o nome da capital do meu estado, eu travei em Paraná, no Paraná, no Paraná, E aí o... Tem gravado isso? Tem, tem. Aí o Gournier, o apresentador que tava lá comigo, ele... Curitiba, eu... Curitiba. Naquele momento eu falei assim, foi... Aí eu pensei, onde eu tô, quem eu sou, pra onde eu vou, sabe? Dali eu fui pra um outro especialista, que juntou todos os laudos, todas as pestas de dois anos e falou, ó, você tá com a síndrome de burnout.
Isa, então mediante a tudo que você falou, a gente pode afirmar que a síndrome de burnout tem a ver com o modelo que estamos vivendo agora na sociedade atual.
Sim. A gente vive hoje numa sociedade mais competitiva, muito mais veloz. E por que que hoje as doenças invisíveis, como o burnout, tem acometido mais pessoas? Porque o nosso cérebro não avança normalmente como um telefone. Então não adianta você lançar o telefone X ou Y a cada ano achando que a nossa mente vai acompanhar. Por enquanto não. Pode ser que no futuro ainda a internet 5G e a indústria 4.0 podem trazer coisas muito mais incríveis para melhorar a nossa vida, mas por enquanto o nosso cérebro não acompanha a velocidade das tecnologias.
Essa doença não tem cura, mas ela pode ser controlada, correto? Qual tratamento?
É o seguinte, quando a gente fala burnout não tem cura, é importante a gente falar que diabetes também não tem cura, pressão alta também não tem cura, então ninguém precisa tratar alguém com diagnóstico de síndrome de burnout com uma pessoa que não vai conseguir fazer mais nada. Até porque eu tô aqui, você viu que não caiu nenhum parafuso. Nada, perfeita. No burnout, quando você tem esse colapso, que eu chamo que é o freio de Deus, te mostrando que aquele caminho não dá mais certo, você vai ter uma perda momentânea de velocidade com o seu raciocínio. Por quê? Como só tem burnout quem ama o que faz, quem ama o que faz, faz muito. Isso é um fato. Que eu juntei com aquelas mais de 3 mil pessoas que me procuraram e também com as reações das mais de 3 mil pessoas. Tem o e-mail de todas. Fora aquelas pessoas que depois das palestras chegam chorando e pedindo o que eu faço, me ajuda, quem que eu procuro. Bom, aí junta essas 3 mil pessoas mais as reações das que me procuram pessoalmente pós palestra E muitas me perguntam o que eu faço se eu me reconheço em muitos dos sintomas. Primeiro que a gente tem que aceitar que você deixou chegar nesse ponto. Eu costumo usar muito o termo assim, não existe vilão e não existe vítima, porque o sistema é esse. A competitividade vai acontecer, o desemprego infelizmente vai demorar um pouco pra reduzir o número, então a gente vai ter que viver. Agora, como nós vamos viver? Tomando decisão, sob pressão constante, sem adoecer. Como eu falei, vivendo uma vida que vale a pena ser vivida. Então, primeiro você tem que aceitar que quem deixou a ponte ruir foi você. Ah, Isabela, mas que duro isso! Mas é! Não adianta terceirizar a culpa pra empresa, porque...
Não.
Existe também um outro ponto que a.
Gente não pode... Você se permitiu, né?
Você... Então, mas aí tem um ponto que a gente também não pode ignorar pras pessoas que estão nos assistindo, que é assim. Você não dá a impressão que ela não procurou ajuda. Eu procurei ajuda por dois anos na empresa. Você procurou, você falou que você procurou. Só que aí pelas responsabilidades financeiras que eu tinha, eu também não tinha como pedir demissão. Então, é crítico.
Nem parar e falar assim, agora eu não vou mais trabalhar, vou ficar no ano sabático.
Então, o que eu costumo dizer, que as pessoas falam assim, então o que eu faço? Não deixe chegar na doença. E como é que você não vai chegar na doença? Procurando ajuda. Antes da peteca cair. Psicólogo, psiquiatra, ou um neurologista. Ah, Isabela, mas eu não tenho plano de saúde. Olha, o SUS, por mais que a gente veja matérias que não são tão positivas, tem tratamentos incríveis e de graça.
Isa, eu queria te fazer uma pergunta. Eu sei que você é adepta da nossa massagem. Uma querida, a gente ama, é adepta. Você acha que a massagem ajuda aí pra quem tá com esse problema? A massagem, você acha que relaxa? Total, total. Fala aí, conta aí da massagem, do uso, do benefício, da sensação de bem-estar que você sai. É maravilhoso.
É chocante porque assim, eu comecei a fazer massagem, eu tinha 14 anos. E eu sempre fecho pacotes de 10, 20 massagens. Porque aí o custo reduz um pouquinho. E eu não sou daquelas pessoas que só faz massagem no verão.
Não, ela faz o ano inteiro.
O ano inteiro, já faço farbotões. Quando eu conheci a sua massagem, foi muito bacana. Primeiro porque eu ainda não tinha ouvido falar. Olha que loucura. Porque eu tava numa linha do jornalismo que não me permitia viver. Bom, aí quando eu ouvi, não, porque eu vou fazer a massagem da Renata, o curso da Renata França, e eu... Que massagem é essa que eu não conheço? Porque eu já tinha feito milhares.
Porque você conhece massagem desde sempre.
Pessoa pegou no meu corpo, eu já sei se vai ser boa ou não. É igual a escova, né? Você vai no salão, a pessoa já pega no cabelo e você já sabe se a escova vai ficar boa ou não.
Você já sabe, exatamente.
Aí eu fui atrás. Mandei uma mensagem ao Diret e fui. E eu saí de lá outra pessoa. Eu me lembro de chegar pro meu marido e falar assim, Thiago, você não sabe porque elas fazem assim com a mão e tal. Aí ele falou assim, nossa, e faz toda essa diferença? Então, só quem passa pela massagem, né? Eu tive a oportunidade de passar pelas pupilas, é que vai realmente perceber o benefício da sua massagem.
Is, é verdade que tem um livro aí saindo no forno?
Tem um livro e é mais uma coisa de Deus. Você vai gostar da história. Em 2016, tá eu lá, né? Tô eu observando o comportamento de muitas pessoas e as perguntas delas pra mim e fui atrás das respostas. Pensei, em 2016, vou escrever um livro sobre as percepções do tempo. Se o tempo tá passando mais rápido ou se nós estamos passando mais rápido pelo tempo. E aí eu fui entrevistar 150 pessoas, de cosmólogo que estuda o universo a atores com mais de 80 anos e que não pensam em parar e que o tempo pra eles também tá rápido. Enfim, e fui buscar essa resposta. Nesta pesquisa desse livro, que eu descobri a história da comunicação, do transporte e entendi que sim, a sociedade, a civilização passou por várias mudanças, por várias patologias, consequência daqueles tempos. O que acontece no final desses dois anos? Eu tenho a síndrome de burnout. que é a consequência dos novos tempos. Ou seja, eu entrevistei 150 pessoas para trazer uma reflexão para quem vive nesse contexto todo de muito estresse, pudesse refletir antes de adoecer. E aí eu tenho o diagnóstico de burnout, porque agora eu posso falar sobre o assunto.
Nada é por acaso.
Agora eu posso falar sobre o assunto.
Exato isso, né?
O livro, ele vai ser lançado até meados do ano, muito provavelmente sai na Páscoa. Dá um tempo. O título é Dá um Tempo, dá um tempo para a saúde, dá um tempo para o autocuidado, dá um tempo para a autoestima, dá um tempo para você.
Eu já quero esse livro, já.
É claro gente, você vai na... como é que chama? Na sessão de autógrafos. E a finalização então é isso, as percepções do tempo e as consequências do que a gente está vivendo agora.
Gostou desse vídeo aí? Compartilha agora com aquela sua amiga que você talvez viu e identificou alguns sintomas nela, do que ela falou hoje, da nossa conversa. Compartilha com ela. Quer deixar alguns comentários aqui? A gente vai adorar, sabe? Se eu não souber responder, eu já pergunto a especialista no assunto, porque ela já dá palestras pelo Brasil inteiro falando do tema. E é isso, gente. Dá aquele like. Pede um like que a gente gosta.
Like, coração, comentário, tudo isso.
E um beijo. Até semana que vem.
Tchau, tchau. E aí.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








