O que estamos fazendo com o nosso tempo? - Entrevista ao CNN Tonight | Izabella Camargo

Izabella Camargo joins CNN Tonight hosts Mari Palma, Leandro Karnal, and Gabriela Prioli to discuss how the pandemic changed our relationship with time. They examine the pressure to stay productive, how we actually spend our days, and what the lockdown revealed about our routines.
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Está quentinho.
CNN Tonight no ar. Será que você já adivinhou o tema do nosso programa hoje? Queria primeiro também agradecer ao nosso querido editor Edu Palacio que montou essa introdução aqui com o nosso dia-a-dia. E eu quero saber de você aí que tá assistindo a gente, como você tá lidando com o seu tempo na quarentena?
Vocês notaram que não é dia-a-dia, é dia-a-noite, porque as camas se destacaram, né? Vamos comparar as três camas desse trio aqui da CNN.
Ah, meu Deus, não.
Você vai ganhar.
A sua tava linda em cinza, imagina você acordando linda naquela cama, como quem sai de uma flor de lótus.
Olha, no começo ele é sempre assim, né?
Daqui a pouco esse programa deve estar aprontando alguma.
Bom, gente, a questão é que com a pandemia, muita gente começou a aproveitar o tempo em casa pra fazer um monte de coisa. coisa, organizar a vida, estudar, arrumar armário. Só que tem muita gente também que não conseguiu fazer isso e tudo bem. Mas será que existe uma culpa em não aproveitar o tempo, em não tornar esse tempo produtivo, carnal?
Eu acho que existe a ascensão de um modelo de tempo, detrimento daqueles modelos, por exemplo, tempo geográfico, o tempo das estações do agricultor, o tempo dom de Deus, que a igreja ensinava, inclusive condenando cobrança de juros, e o tempo do mercador, diz um historiador chamado Legoff, que o tempo é dinheiro. O tempo do mercador é que o tempo tem que ser transformado em produção e essa noção penetrou na nossa cultura.
Gabi, eu tô percebendo que você tá assim, ó, o tempo inteiro. Me diz, abre o coração, como você tá conseguindo administrar o teu tempo?
Porque a gente sabe que você vai...
Começando... Carnal, como é que faz? Vai, minha filha, vai, conta pra gente.
Olha, gente, se tem um programa que vai ser uma terapia pra mim, será esse, tá? Eu queria só já deixar claro desde o início. Não, eu acho que eu estava concordando com a questão de que a gente sente muita culpa por não aproveitar o tempo da forma como a gente gostaria e eu acho que a gente se sente culpado por desfrutar do ócio. A gente estava até falando antes de começar. E o Karnal fala dessa mentalidade do tempo de mercador, né, que o tempo tem que virar produto. E a gente acaba transformando tudo em produto, inclusive os nossos momentos de lazer. Eu aposto que muita gente que está assistindo a gente já deve ter pensado, ai, se eu pegar aquele filme e ouvir junto um áudio que eu preciso e ao mesmo tempo eu faço um resumo, dou uma lida... A gente não consegue mais se concentrar em alguma coisa com qualidade. Os telefones estão sempre com a gente, a gente é interrompido o tempo inteiro. E, de alguma maneira, a gente precisa preservar a nossa saúde mental para que, de fato, a gente consiga fazer um uso produtivo do tempo. Se a gente não tiver energia e nem capacidade de concentração, não adiantaria nem ter mais horas no dia. porque a gente não teria qualidade no que a gente faz, entendeu? Então eu sinto que a gente precisa reavaliar a nossa relação com o tempo e a nossa relação com essa exigência de produtividade para que, de fato, a gente possa ser produtivo. Eu acho que a forma como a gente lida com o tempo tem, na verdade, diminuído a nossa produtividade, isso é muito ruim, e a nossa qualidade de vida.
Nós faremos a terapia hoje da Arby. Quer dizer, quando as pessoas leem o famoso ditado romano Carpe Diem, elas interpretam que é para tornar o tempo produtivo. Carpe Diem pode ser lido de muitas maneiras, aproveite o tempo, mas aproveitar o tempo não é produzir mais. Se você aproveitar muito tempo, você vai morrer. E se você não aproveitar, você vai morrer também. O que faz a diferença é a qualidade desse aproveitamento, como você vai tornar interessante esse tempo. Todas as badaladas do relógio, dizia um ditado moderno, todas as badaladas te ferem um pouco, a última mata. Essa é uma teoria importante para que você pense que é estar onde você está, fazer as coisas com qualidade e com prazer, e a ansiedade não acelera ou atrasa o tempo.
E sabe a sensação que eu tenho durante a pandemia? As pessoas estão se comparando demais. Então, lá no começo, muita gente falava assim, ah, se você não usou o tempo que a pandemia tá te oferecendo pra aprender algo, talvez você esteja errado. E eu ficava pensando, não, talvez a pessoa tá ali ansiosa, com a carga emocional que a pandemia traz e, de certa maneira, ela não quer fazer nada com esse tempo, né? E tudo bem. Se isso passar de um limite, que isso... A gente tem também que sempre lembrar disso, mas enfim, não se comparar com o tempo do outro, não comparar o tempo do outro com o seu, porque como tudo que a gente fala aqui, cada um tem o seu tempo, o seu limite, a sua realidade, é sempre entender você do jeito certo. Bom, como vocês sabem, a gente sempre conta também com reforços aqui no programa. Você também participa na nossa hashtag CNN Brasil Tonight. É um tema muito interessante. Eu quero saber também a percepção de quem tá aí na nossa hashtag sobre a gestão do tempo durante a quarentena. Mas a gente também tem convidados, por exemplo, o André Cravo, ele é professor e pesquisador do Laboratório de Cognição e Percepção do Tempo da Universidade Federal do ABC. E ele explicou o seguinte, que quando a gente usa o termo percepção de tempo, a gente está se referindo normalmente à sensação que a gente tem da passagem de tempo durante o dia. Olha só a explicação super interessante que ele deu sobre isso.
Se você está no aeroporto esperando alguém chegar, aquele tempo que você está esperando a pessoa entediada, parece que dura muito mais do que os primeiros 10, 15 minutos que você tem quando você encontra a pessoa. Normalmente, a explicação para isso é que enquanto você está lá esperando, toda a sua atenção está alocada ao tempo, e aí o tempo parece que acaba passando mais devagar. Por outro lado, quando a pessoa chega, você está prestando atenção ao encontro, em matar a saudades, e aí o tempo parece que passa voando. Porém, quando você agora vai lembrar desses eventos, normalmente você tem uma inversão. Então, como aquele período que você ficou esperando nada interessante aconteceu, aquilo é percebido como mais curto na memória, e aqueles minutos iniciais que você encontrou a pessoa, como você tem uma série de memórias sobre aquilo, você vai ter uma sensação que aquilo durou mais tempo do que o tempo que você ficou esperando.
Bom, e a gente também, claro, tem convidada no estúdio hoje, uma convidada super especial, Isabela Camargo, colega jornalista. Muito legal ter você aqui, Isa, um prazer enorme.
Eu que agradeço o professor Karnal, Mari, Gabi, é uma alegria estar aqui, especialmente pra gente falar de um assunto que vai ser importante pra todos, não é? Pra gente viver um tempo de qualidade.
E essa voz maravilhosa que Isabela tem, eu acho muito chique.
A gente já se conhece há muito tempo, né Mari? Exatamente. Há muito tempo.
Bom, a Isabela, ela escreveu o livro Dá Um Tempo, que tenta responder a pergunta, será que o tempo está passando mais rápido ou a gente está passando mais rápido pelo tempo? Livro que tem a participação de Leandro Karnal.
Com licença, com licença, Isabela, aqui para a câmera.
Esse está todo rabiscado, tá? O de você está aqui guardadinho.
Dá Um Tempo, Isabela Camargo.
Como encontrar limite em um mundo sem limites, que eu entendo... Sabe, Gabi? Posso chamar de Gabi?
Claro!
Sabe, Gabi? Porque é o seguinte, a gente está vivendo em um mundo absolutamente sem limites. O excesso de acessos, não é, professor? Nos deixa com a ilusão que podemos fazer tudo. Mas não adianta você querer aumentar o número de horas do dia. O tempo da natureza, que é o nascer e o pôr do sol, as fases da lua, isso não vai mudar. Só que como nós vamos colocar as nossas tarefas, como a gente vai fazer a nossa agenda, isso, sim, determina totalmente se o tempo vai passar mais rápido ou não. Porque, Mari, não é para todo mundo que o tempo está passando muito rápido. Para quem está numa fila, por exemplo, seja do banco, do banheiro, um minuto fora do banheiro é totalmente diferente de um minuto para quem está dentro do banheiro. E ainda mais para quem está esperando um transplante, por exemplo. O tempo para. Então, esta percepção, que o tempo está passando mais rápido, não é para todos. Vai depender muito do que você vai fazer com a sua agenda.
Eu acho muito curioso as pessoas que dizem, ah, eu queria que o dia tivesse mais do que 24 horas. Mas será que se o dia tivesse 30, 40, 50, as pessoas também não teriam essa sensação?
Então, você sabe, Mari, que eu começo o livro com um diálogo de um filme da década de 90, em que um casal comenta. As pessoas dizem que a tecnologia poupa tempo, mas dificilmente elas usam esse tempo para descansar. Dificilmente você vai ouvir dizendo, ah, eu vou para o mosteiro zen, eu vou agora relaxar. Então, é esta ilusão que nós estamos vivendo, de que tudo que nos poupa tempo, ao invés de você descansar ou usar esse tempo para o osso, para a criatividade ou para não fazer nada, porque a gente desaprendeu. Não fazer nada, nós estamos sempre querendo colocar mais coisas no nosso tempo. Percebe? Então, todos nós temos 24 horas, sim, todo mundo já sabe disso. Agora, como nós vamos usar essas 24 horas é o que vai determinar isso ou não.
Você sabe que eu tenho alunos que, quando sabem, orientando-se que eu acordo às quatro, eles tentam imitar o professor e começam a virar zumbis no campus da universidade, andando walking dead, andando para isso, né? O Genro de Mark Lafargue escreveu um livro chamado O Direito à Preguiça. Ou seja, da capacidade que você tenha de não fazer nada como um espaço para você ser mais. E Domênico de Maza se tornou famoso exatamente pelo ócio criativo. Eu recomendaria a todos que comecem lendo o livro excelente da Isabela e depois o capítulo 13 do Eclesiastes. Tudo tem seu tempo e sua hora, para tudo tem tempo debaixo do céu, inclusive tempo de nascer e tempo de morrer.
Eu achei muito curioso que você falou sobre o tempo pra descansar, porque, eu não sei, a sensação que eu tenho é que as pessoas têm um preconceito com o tempo que você tira pra descansar. Então, se você numa roda de conversa fala, ah, eu durmo 5 horas só por dia, acordo super cedo, faço tudo, 11 da manhã eu já fiz isso, isso, isso, isso.
Pega super bem.
Aí eu fico morrendo de vergonha de às vezes falar, não, gente, eu acordo 9 da manhã e eu faço mais coisas, mas um pouco mais tarde.
9 da manhã? Nossa! Ela foi picada por uma mosca de 7C, a doença do sono.
Mas será que existe isso, Isa? O preconceito com quem dorme mais e acorda mais tarde.
Então, eu falo isso também em um dos capítulos, né? Sobre o tempo do sono. Dormir não é perda de tempo, né? Como a gente ouve muitas vezes, ou quem viaja, não vou dormir em dólar, né?
Depende com quem.
Carnal, veja, existe uma culpa.
Pode ser, Pedro.
Ele começou, a gente já sabia que ele ia estar desse jeito.
Eu adoro, adoro, adoro. Mari, então, existem variações do tempo de sono pra cada um. Então, pra você acordar às 9, ok. Para o carnal acordar às 4, ok. O problema é quando você tenta imitar a biologia de alguém, porque não vai adiantar, você tem as suas características, né, Gabi? Não se culpem quando dormirem mais ou menos do que quem está do seu lado, porque só você sabe como você estará no dia seguinte e mais. Quanto mais o tempo passa e mais responsabilidade nós temos, mais o nosso tempo encurta. Então, se eu também não disser não e não fizer a atualização da minha identidade, eu vou acabar vivendo um tempo dos outros, abrindo porta para os ladrões de tempo, gastando meu tempo com os alugadores. O Nelson Motta também fala isso aqui no livro, como com o passar do tempo você vai tendo mais consciência quem está roubando o seu tempo e como você também está deixando o seu tempo embora. Mas, gente, dá tempo, tá? De voltar atrás, de rever a agenda, de atualizar a identidade. Só lembrando, professor, posso chamar de professor?
Pode.
Ah, eu acho lindo, até porque a gente fez aula juntos, tá? Já foi aluno, né? Acho quérrimo, acho quérrimo. Há muitos anos. Professor traz um exemplo que, em alguns momentos, quando o avião pousa no aeroporto, tem aquele furacão de todo mundo querer descer rápido. Agora, com o isolamento, isso reduziu, até porque os voos diminuíram, mas o professor traz isso. Será que todas as vezes eu estou realmente com pressa para algum compromisso ou eu já fui picado pelo vírus, aliás, da pressa?
Porque nós já dissemos, pega bem para ser muito ocupado, entra no elevador, olha no celular, você parece uma pessoa muito ocupada. Eu acho que existe alguma coisa entre o Beep Beep, quem não lembra disso é porque é jovem, era uma personagem do Papa Léguas, aquele que ficava fazendo Beep Beep, o Papa Léguas fugindo de um coiote, entre aquilo e o Dorival Caymmi, que a gente brinca, que é o tempo mais lento, né, que é um tempo sábio, que é o tempo da contemplação. Se você ocupa todo o seu tempo com atividades, você não terá nenhum momento para pensar, ser ou até para definir estratégica, você vira um tarefeiro, você vira um gerente substituidor de lâmpadas queimadas, no sentido negativo da palavra. Então, é isso, precisa de tempo para ser estratégico, é isso que o Dimas Defende, né? Um ócio criativo, que não é ir para o mar, ficar diante do mar e ficar, sei lá, estou no mar. Isso não é ócio criativo, isso é exercer o nada à beira-mar, que é diferente do ócio criativo.
O Domênico de Masi tentou trazer, devolver a dignidade ao hoste, na professoria agora, com essa nossa ganância, infelizmente é esse o nome, nós temos uma certa ganância em fazer tudo, dar conta de tudo, dizer sim para tudo, por quê? Nós queremos fazer parte do todo. Então, será que vai pegar mal eu dizer não para um compromisso? Será que vai pegar mal eu falar assim para a pessoa, não, mas eu preciso dormir até 9 horas? Acabou, a gente não precisa ficar justificando, argumentando os nossos tempos. Por quê? Porque só nós sabemos a nossa capacidade intelectual no dia seguinte. E aí, Gabi, quando você tem menos idade, você até pode dormir, por exemplo, menos e no dia seguinte seu discurso, seu raciocínio vai estar genial. Eu já fiz isso quando tinha 20 e poucos anos, ia pra balada, né Mari? Saudades, saudades. Nós já fomos, inclusive, em uma.
Já fomos.
Você dorme menos do que você.
Dormimos pouquíssimo. E aí no dia seguinte aqui, energia tranquila, uma rosto maravilhoso.
De três dias.
Mas aí, com o passar do tempo, a recuperação do nosso corpo também vai mudando. Então essa atualização de identidade, ela é fundamental pra você parar de viver uma agenda de hoje com as condições de saúde que você tinha de antes. Então o seu corpo muda, suas ideias mudam, então você precisa realmente rever. O que eu tô fazendo com o meu tempo? E aí, pra encerrar, é o seguinte. A gente fala de tempo o tempo inteiro. Quanto tempo de programa, quanto tempo de gravação, quanto tempo de café, quanto tempo de banho, quanto tempo do sexo, quanto tempo de tudo. Mas dificilmente a gente para pra pensar no que estamos fazendo com esse tempo. E aí, eventualmente, um pensamento virá a partir de uma perda muito violenta. Uma morte, um acidente ou uma pausa involuntária, como nós vivemos com a pandemia. Aí sim você lembra que nós temos um tempo finito dentro de um tempo que ainda sabemos, professor, que é infinito. Aí você fala, nossa, o que eu tô fazendo com o meu tempo? O que eu tô fazendo com a minha vida? Mas a gente não precisa mais de uma pausa involuntária para fazer uma pausa voluntária. Foi isso que eu vi aqui no isolamento. Todos vivemos uma pausa involuntária, mas nem todos conseguimos fazer uma pausa voluntária para sair do piloto automático e rever realmente se a agenda estava fazendo sentido. E aí, a partir disso, bom, o que eu vou fazer agora?
Essa é uma discussão extremamente importante. Super faz sentido. Só que não vamos encerrar não, viu? Você vai ficar aqui com a gente até o final.
Eu disse assim, vou encerrar o seu time pra passar o meu tempo pra vocês.
Mas a sensação que eu tenho, e, Gabi, eu queria saber se você concorda comigo, que é menos administrar o tempo, mais administrar escolhas, né? Porque quando você escolhe usar o seu tempo daquela maneira, você tá deixando de fazer outras coisas, então é importante também entender dessa maneira.
Eu tenho lido alguns artigos sobre isso, porque é um assunto que tem me interessado particularmente, E eu tava vendo uma abordagem que fala de não gerir o tempo, mas gerir a energia. Então, saber onde você quer colocar a sua energia. E aí eu tava ouvindo a Isabela falar, eu anotei algumas coisas interessantes. Mas a Mari primeiro falou sobre como a pandemia fez com que a gente se comparasse com as outras pessoas. E eu pensei que a pandemia nos colocou obrigatoriamente num contexto parecido, semelhante. Então você não tem mais as desculpas. Você não pode dizer, ah, mas é que eu trabalho longe e vou todo mundo em casa. Exato. Então a gente, tirando algumas variáveis, a gente ficou numa comparação mais fácil. Então a gente que já se compara com o outro perdeu essas desculpas. E a Isabela fala muito da gente se perceber. Então o fato do carnal acordar às quatro horas da manhã e isso ser bom pra ele não significa que vai ser bom pra gente. E a gente não pode se sentir mal por ser diferente, porque é a nossa diferença que traz a nossa particularidade, né? Então a gente tem que ficar feliz por nós termos esses traços distintivos. E aí o que eu fiquei pensando é, eu sempre penso como que a gente pode fazer praticamente pra alterar. E uma alternativa, você também estava dizendo, Isabela, da gente precisar dizer os nãos, Talvez seria a gente começar a lidar melhor com o não do outro. E aí, automaticamente, a gente vai ressignificar o nosso processo do não. Por que eu digo isso? A gente falou aqui muito sobre aplicativo de mensagem e tal. E o quanto, muitas vezes, a gente pode exigir que o outro exista para satisfazer as nossas expectativas. Então, quando eu faço um convite, eu quero que ele seja aceito. Quando eu proponho um projeto, eu quero que a pessoa entre no meu projeto. Quando eu mando uma mensagem, eu quero que ela responda imediatamente. E aí, eu alimento essa lógica que depois me faz vítima.
Sim. Gabi, nós estamos sendo cobrados por contratos de tempo que não assinamos. Cada vez mais. Você exige uma resposta mais rápida, você cobra, né? Mas Mari, eu te mandei mensagem, você conseguiu, né? E assim, você não está vendo o que o outro está fazendo. E infelizmente, porque tudo, né gente? Tem a coisa boa e a coisa ruim. A tecnologia nos traz milhares de benefícios. mas também nos traz essa culpa em ter que responder demandas que não são suas ainda. Então você acaba tendo que lidar com vários convites, oportunidades que sim, podem ser muito boas, mas que nem sempre naquele momento serão boas pra você. Só nós sabemos o custo de cada sim que damos, de cada compromisso que a gente vai tentando espremer na agenda, né professor? E essa sensação de tempo passando mais rápido, Essa falta de energia, esse cansaço, esse esgotamento, vem muito do que fazemos com a agenda, com os nossos relógios. E é importante a gente pensar o seguinte, falar de tempo não é nada subjetivo. A gente tem que falar de agenda, relógio, calendário, exames médicos, porque aquilo que é essencial, se eu não vê-lo como essencial, aquilo pode se tornar uma emergência, sabe? Uma urgência, uma emergência. Então, falar de tempo é falar da nossa vida. Tempo de qualidade é falar de uma vida de qualidade. Agora, se todo mundo estiver tranquilo, com muita energia, conseguindo fazer tudo, ok, esse assunto é desnecessário. Mas com essas urgências que nós estamos vivendo, a internet borrou o tempo. Então, como nós tivemos o entrevistado no início falando, sobre essa falta de memorização, que isso também interfere na percepção do tempo. Tudo isso interfere. Só que se você não para pra pensar nisso, você vai sendo atropelado. Por mais tecnologia, por mais contratos de tempo, por mais exigências, e o não, Gabi, como você disse, ele é fundamental treinar. A gente precisa treinar. O Bernardinho fala até no livro, se tá difícil é porque precisa treinar mais. Porque nós não fomos orientados e estimulados a dizer não. Mas o não, ele não tem só um viés negativo, ele pode ser positivo, preventivo, Não é? E aí, eu treino, né, inclusive, as pessoas a dizerem não. Por enquanto, não. Agora, não. Essa semana, não consigo. Quando nós podemos pensar a respeito? Faz sentido, professor?
Faz, é que eu acho que você tocou muito quando o tempo nos obriga. Ou seja, uma situação específica, exemplo, uma em cada 20 pessoas termina a sua contaminação por Covid em uma UTI. O problema não é só a UTI, que é grave, claro, mas é que leva até um ano e meio, em alguns casos, para se recuperar do período de UTI. Resultado, você pode ser obrigado a parar. Todas as grandes obras de literatura são frutos de uma experiência de interrupção do tempo. Dante é tirado na Semana Santa de 1300 de Florença e percorre o Céu Inferno e o Purgatório. Robson Cruzoé vai dar um passeio de barco e volta 27 anos depois. Ulisses vai para uma guerra e passa 20 anos longe, ou seja, as experiências literárias e liturgias são experiências de tempo, mas eu preciso fazer uma confissão. Domingo eu saí da cama às 6h10, eu estava exausto. Foi uma coisa, não vai acontecer de novo, eu prometo, mas foi esse domingo eu estava exausto.
Por curiosidade, que horas você dorme, então, pra acordar as quatro?
Nem noite em geral. Eu durmo quatro horas por noite.
Então, quatro horas, ok.
Suficente. São horas intensas, eu não tenho insônia. Eu caio na cama, eu apago. Eu sou excelente de cama, Isabel.
Excelente.
Eu caio na cama, eu apago.
Isso é raridade, tá, gente? Não experimentem fazer isso.
Eu apago. Eu poderia dormir já com uma flor em caso de morte pra ir direto pro caixão. Porque eu não me mexo à noite. Eu durmo duro, feliz e acordo às quatro muito feliz.
E não tem aquela coisa de enrolar na cama mais cinco minutos, né?
Nem um pouco. Não pelo contrário. É real eu saindo da cama. Toca e eu pulo da cama.
Nossa, eu penso tanto antes de levantar.
Porque o demônio da preguiça, Belfegor, diz atrás de você depois do almoço, porque ele é o demônio meridiano, fica mais um pouquinho, dá uma cochiladinha. Esse é o demônio da preguiça.
Embora a cesta seja muito útil, tá? Esse power nap, inclusive, e o Google.
Aqui em São Paulo.
Só as cestas. Só as cestas.
Só as cestas.
Às vezes, 15 minutos, gente, já... Sim. restabelece a sua energia, né? É como o celular. Quando você dorme e acorda, então no caso do professor às quatro, você acorda com a bateria, como se fosse a bateria do telefone. Conforme você vai usando o telefone, o que acontece com a bateria? Ela vai reduzindo. A mesma coisa com o nosso cérebro. Quando a gente fala de tempo, quando a gente fala de saúde, a gente fala de cérebro. Então, se eu dormir quatro horas, cinco, seis, sete, oito, não é? Quatro horas é raridade, tá, gente? Eu nem vou falar o que que acontece pra quem dorme menos de 6 horas, tá aqui no livro. Associação Brasileira do Sono que me contou. Mas, quando você tem essa consciência e você percebe que sim, a partir do momento que você acorda, você também vai consumindo a energia do seu cérebro, aí você vai evitando perder energia com pessoas que você já sabe que estão lugando o seu tempo, com assuntos que são desnecessários, e aí você vai ter que dizer, pera lá, eu já volto, tá? Ou, preciso ir ali resolver uma coisa, eu já volto. Então, é saber colocar limite nesse mundo sem limites, que a internet nos deixa, inclusive, muito mais vulneráveis.
Inclusive, durante a quarentena, é sempre bom a gente lembrar que existem realidades completamente diferentes, né? Quando a gente fala de administração do tempo, tudo isso a gente tá falando das pessoas que, de fato, conseguem fazer a quarentena, conseguem, de fato, ficar em casa. Mas será que as pessoas estão conseguindo aproveitar esse tempo? Quem tá conseguindo se dedicar, por exemplo, a projetos pessoais? A gente vai ver uma pesquisa feita em maio pelo Talents Group. com a Fundação Dom Cabral. Olha lá, 38% conseguem se dedicar a projetos pessoais, 34% não conseguem por causa do trabalho, 24% não conseguem por causa da casa e dos filhos, 4% não tem interesse. A gente vai analisar o resultado dessa pesquisa, mas tem também algumas mensagens que a gente recebeu no nosso perfil no Instagram, arrobaCNNBrasilTonights. A gente perguntou para você como você está administrando o teu tempo durante a pandemia. Então, tem algumas mensagens. A Carol disse, não consigo ter horário definido para acordar, estudar e comer. A Roberta disse que está tentando manter uma rotina. O Arthur disse que parece que acordando cedo o dia rende mais. Deixa eu ver aqui, Dilus, eu não sei o nome da pessoa, mas está como Dilus, fazendo de tudo um pouco, desde tricô, crochê, até vasos de cimento, tem até uma horta. Mas acho que a mensagem da Carol, traz uma coisa que é interessante. As pessoas perderam um pouco a noção de que dia é, né? Então, às vezes, por você não sair de casa, quem tá conseguindo não sair de casa, né? A gente sempre lembra disso. Não tem a noção de que dia é. Então, sábado, domingo, segunda, terça, aí você acaba também perdendo um pouco... Eu tô falando besteira, eu tô falando... Meu Deus! Ela me olha com esse olhar super elegante, eu tô assim, ó...
Eu tô adorando a sua reflexão, Mari. Porque no início do isolamento, muitas pessoas reclamaram naquilo que sempre pediram. mais tempo em casa, mais tempo com a família. E aí isso causou um certo incômodo, porque essas pessoas, boa parte dessas que reclamaram daquilo e se impediram, estavam desacostumados a ficar mais tempo em casa, com a família, então tiveram que reconhecer, mas essa minha casa, meu marido... É você mesmo, né?
Pode ser.
Não é? Então, essa necessidade de uma adaptação muito rápida causou muito incômodo. Mas isso não aconteceu pra todos. Muitas pessoas ainda estão incomodadas, mas outras lá atrás perceberam o quê? Bom, se agora eu não tenho mais o subterfúgio das desculpas de trânsito ou porque eu tenho que entrar no meu horário assim e aí eu vou pegar três horas de trânsito. Bom, agora, para quem pode trabalhar em casa, muita coisa mudou. Para quem não pôde fazer o home office, para quem continuou trabalhando, a relação é outra. Porque aí, de repente, até poupou o tempo no trânsito, porque tinha menos pessoas circulando. Então, você tem tantas variáveis, tantas variáveis, e aí tem só um ponto muito importante que a gente não pode esquecer. Muito cuidado com essa ostentação do equilíbrio, da produtividade, porque se você está olhando uma rede social e aí você se culpa por não conseguir fazer aquela ioga que você está vendo que a pessoa está fazendo, cuidado porque isso é um recorte. Você não sabe, na verdade, o que ela deixou de fazer pra fazer aquilo. Então, a culpa e o julgamento, carnal, pra mim, são assim inimigos de um tempo de qualidade. Porque aí você vai ficar se comparando, perdeu energia, Gabi. A comparação é um ralo energético e de tempo tremendo. Você só perde tempo, né? Sentir culpa porque você tá vendo uma pessoa que você admira, você gosta. Nossa, olha, ela conseguiu fazer cinco cursos online e eu não consegui fazer nenhum. Pronto, não sou digno de estar junto com essa pessoa. Isso é muito ruim.
Eu desconfio de pessoas que postam pão orgânico na internet. sovaram seu próprio pão orgânico ao amanhecer, depois fizeram ioga, estão aprendendo santo.
Muito cuidado!
Eu desconfio, eu desconfio. Todo mundo é um teatro, diz meu amado Shakespeare, na peça como queiras.
E são recortes, né?
Muito. E falando sobre pandemia, a gente vai inclusive ouvir agora mais um trecho da entrevista do André Cravo, que é pesquisador da Universidade Federal do ABC, justamente sobre essa percepção durante a pandemia, a percepção do tempo. Olha só.
Desde o começo da pandemia tem uma série de relatos de que o tempo está passando diferente. Esses relatos vão desde a sensação de que o tempo está passando mais rápido quanto mais devagar. Tem aí uma série de motivos para imaginar que vai ter uma mudança na sensação de tempo durante o isolamento. Além disso, teve uma mudança na rotina de todo mundo. E a rotina é um marcador importante de tempo. Agora com o distanciamento social, Então nenhum dia você vai para o trabalho. O fim de semana é muito parecido com o seu dia a dia. Isso dificulta a nossa organização do tempo. Então essa brincadeira que a gente vê por aí, que ninguém sabe que dia que é porque todos os dias são iguais, se dá em parte porque a rotina mudou completamente por causa do isolamento. Isso dificulta a organização do tempo na nossa memória. Então, como a gente não tem marcadores temporais claros de que dia da semana é, a gente não tem marcadores temporais claros de rotina, isso dá uma bagunçada na nossa sensação de tempo e na nossa sensação de quanto tempo passou. Então, um relato comum de ver é que o tempo tá passando muito devagar durante o dia, mas quando a gente olha, parece que os meses passaram voando durante esse isolamento.
O assunto é super interessante. A Isabela falou sobre rede social, o Carnal também, e a gente agora vai ouvir um trecho de uma entrevista que a gente fez com a escritora e advogada Ruth Manos. O que ela fez? Ela participou de um TED Talk agora em maio. O nome da apresentação dela era O Estranho Mundo das Pessoas Perfeitas. Uma mensagem sobre justamente o que a gente está falando, sobre o que a gente vê nas redes sociais. Então a gente pediu pra ela fazer uma versão mais curtinha da apresentação e no próximo bloco a gente vai falar também sobre outro assunto. Você sabia que quando tem uma tarefa difícil pra fazer, você coloca um prazo nessa tarefa? Ela pode ficar ainda mais complicada? Assunto pra daqui a pouco. A gente vai ver o primeiro trecho do TED Talk da Ruth Manos e volta já já.
Olha, eu tô bem cansada, viu? Tô cansada. Tô cansada por muitas razões, mas eu percebi que acho que a principal razão que vem me cansando são aquelas pessoas que deram muito certo na vida, sabe? Que supostamente deram muito certo. Que aí você, sei lá, abre um Instagram da vida, uma rede social, às 11 da manhã de uma quinta-feira, e a pessoa postou lá que ela acordou cinco da manhã, viu o sol nascer, fez yoga, depois fez uma corrida de cinco quilômetros, aí voltou, fez um suco verde, funcional, aí acorda as crianças com beijo na testa, passeia o cachorro, volta, lava o cabelo, aí lê 40 páginas de um romance novo da, sei lá, da Helena Ferranti, não sei, aí depois as crianças tomam café da manhã saudável, aí a pessoa faz jardinagem, cuida de oito orquídeas, uma de cada cor, todas floridas, maravilhosas, a pessoa posta foto, posta vídeo.
E aí você fica com aquela sensação de...
O que aconteceu comigo? O que eu dei tão errado assim na vida? O que aconteceu, entendeu? Porque eu vou ser muito sincera, ainda mais depois de ter começado a pandemia, o meu padrão de dia que deu certo Ele baixou bastante, né? Então, assim, pra mim, atualmente, criança comeu uma fruta, casamento não parece a faixa de Gaza e o sofá não tá coberto de migalha de bolacha, eu já tô achando que o dia foi uma glória, entendeu? O dia deu muito certo, eu tô de parabéns. Nossa, maravilha!
CNN Tonight de volta falando hoje sobre o tempo. Será que a nossa sensação de tempo mudou na pandemia? Você conversa com a gente sempre na nossa hashtag, CNN Brasil Tonight, no nosso perfil no Instagram, arroba CNN Brasil Tonight. Você sabe muito bem como chegar no nosso perfil no Instagram, é só apontar a câmera do teu celular pro QR Code que está ao lado da Isabela hoje, olha lá. Que elegância! A Isa que tá aqui conversando com a gente sobre a administração do nosso tempo. E olha aqui, vou ler mais algumas mensagens que chegaram aqui no nosso Instagram. A Ana Carol Rocha falou que no início da pandemia foi difícil, mas com o tempo ela entendeu o tempo de trabalhar, de estudar e ela incluiu agora na rotina dela também assistir ao CNN Tonight.
Ah, isso é bom, isso é bom.
Qualquer que seja a gestão do seu tempo na pandemia, tem uma coisa que é fundamental. Quem assistiu ao CNN Tonight, segunda, quinta-feira.
Às dez e meia da noite?
Vai recusar a esse convite, gente?
Não tem a menor possibilidade. Deixa eu ver, olha. Rafa, tenho a impressão de que eu estou trabalhando o tempo todo. Está faltando horas do meu dia. Faço listas de atividades. A Lully disse também. Acho que é um jeito de se organizar, né, Isa?
Então.
Eu faço lista.
Então, não. Mas, Gabi, fazer lista não tem problema.
Mas acho que sufoca, né? Também.
Sufoca ou foca? Não sei.
Às vezes eu olho uma lista que.
Eu fiz e falo, ai, meu Deus do céu.
O que eu sinto muito, né? Depois de ter entrevistado muitas pessoas. 150, inclusive. o nosso queridíssimo carnal, e indiretamente milhares de pessoas, porque o assunto me surgiu a partir de uma afirmação que era, o tempo tá passando muito rápido, essas pessoas estavam estressadas, correndo e não sabiam o que fazer com a própria agenda. Mas, se eu terceirizar a responsabilidade da minha agenda e culpar o mundo, o trânsito, a empresa, quem quer que seja, eu estou apenas tirando a minha responsabilidade de viver uma vida que vale a pena ser vivida. Fazer uma lista com o que é essencial, não tem problema. Fazer uma lista de tarefas do dia, não tem problema. O problema está em tentar fazer um dia maior dormindo menos. Então, maximizando a agenda, subtraindo as horas de sono, não vai ser legal. A curto prazo, você até pode cair na ilusão de que, pra produzir mais o dia seguinte, vou dormir menos hoje, preciso acordar mais cedo e tal. para quem já não acorda tão cedo, mas isso a médio e longo prazo pode trazer consequências muito ruins, inclusive incapacitantes. Então, nós precisamos olhar para uma lista, ok, mas com muita humildade e coerência. Isso aqui está fazendo sentido? Para dar conta de tudo isso, eu vou ter que abrir mão do quê para mim? E aí é muito curioso porque nós não estamos nos colocando na agenda. Essa é a grande questão. Ou não estamos dando tempo para nos cuidar, ou, pior, quando a gente vai emendando uma coisa na outra, então sai do trabalho, vai para ioga, vai para natação, vai para não sei onde, e aí você fica refém da sua agenda. E aí vai culpar o quê? Que o tempo está passando muito rápido. Eu fui buscar respostas com físicos, astrônomos, cosmólogos. O tempo da natureza, Preciso dizer, tá, gente? Tá igual. A Terra não tá girando mais rápida em torno do próprio eixo, nem mais rápida em torno do Sol. Isso os astrônomos, os físicos que cuidam, inclusive, do Observatório Nacional no Rio de Janeiro, que é quem é responsável pela nossa hora certa. Então, com o tempo natural, tá tudo certo. Agora, é evidente que o excesso de acessos que a internet nos proporciona, em que a todo tempo eu posso ter conteúdo, faz com que você borre o seu tempo. Então veja, no passado, quem esperaria o CNN Tonight quinta-feira, tá hora. É naquele momento. Agora já podem ver vocês antes nas redes sociais. Então são essas informações que não tem mais hora pra chegar que vão também consumindo o nosso tempo. Fez sentido. É isso.
É consumir nosso tempo e nossa saúde mental, muitas vezes.
E o tempo é cérebro.
A lista que ela falou, ela serve pra mim no sentido de estabelecer aquelas velhas palavras que você conhece muito bem das atividades urgentes e importantes. as que eu tenho que fazer primeiro, por exemplo, tem que entregar a crônica para amanhã para o jornal. Ela é urgente e ela é importante. Tem as importantes, mas não urgentes. E tem as não urgentes nem importantes. Então, a lista serve para eu classificar, para eu dividir de fato o que eu vou fazer, não para ficar feliz ticando. Se a sua felicidade vem de ticar a lista, Tá ruim sua vida.
Agora, antes do que é importante, do que é urgente, eu preciso saber o que é essencial. Eu colocaria o essencial antes de tudo, sabe, professor? Porque a gente tá abrindo mão do que é essencial pra nossa saúde, que é tempo de descanso, tempo de alimentação. E aí passa muito pelo autocuidado. O que é autocuidado? Ih, lá vem aquele papo de autocuidado? Não. Autocuidado é aquilo que só você pode fazer por você. E vai desde escovar os dentes de manhã, a tomar banho ou a buscar, de repente, uma terapia. Enfim, não importa. Se é essencial pra você, quem sou eu pra dizer que dormir oito horas é ruim? Percebe? Então, essencial, na minha opinião, é fundamental pra que depois essa lista faça sentido. Gabi, pra passar a palavra pra você, é muito importante a gente entender que só os limites é que garantem a liberdade. Então, pra quem não quer fazer uma lista ou pra quem não quer fazer uma agenda, né, que tá, ah, eu não sei agora organizar meu tempo, poxa vida, então eu vou dizer que o tempo tá passando mais rápido pela minha incapacidade de criar minha própria agenda, não é justo, entende? Então, quando você consegue colocar, seja numa lista, seja num planner, seja na porta da geladeira, onde você quiser, se você conseguir, observar se essa lista está coerente com o seu estilo de vida, você vai ter limites. Pra quê? Pra ter tempo livre. E aí sim você tem liberdade.
Nossa, eu tenho milhões de anotações.
Como você consegue, gente? Ela anota mesmo.
Não, mas é porque tem muita coisa que eu quero falar, porque o Karnal fala sobre as listas e eu quero, acho que, juntar as duas ideias. A Isabela diz sobre as listas e fala sobre serem listas factíveis e que incluam aquilo que é essencial. E acho que quando você fala de autocuidado, você traz uma perspectiva pro essencial de longo prazo.
Sim.
Que eu acho muito interessante. Então, o Karnal, pra conseguir fazer as listas dele, que não trazem frustração, porque são factíveis, ele precisou passar por um processo de autoconhecimento pra entender não só as necessidades atuais dele, mas os planos que ele tem pro futuro. E o autocuidado se insere aí, pode ser um autocuidado com a saúde, pode ser uma iniciativa de aperfeiçoamento na profissão, por exemplo, porque senão no futuro você vai ser um profissional pouco qualificado porque você pensou só no hoje. E eu gostei muito quando você fala da internet possibilitar vários acessos e eu falo sobre o autoconhecimento, eu queria pensar o seguinte, a pandemia impediu que a gente tivesse desculpa do trânsito, então que a gente jogasse a responsabilidade para o outro. Quando a gente fala na comparação nas redes sociais, eu olho pra pessoa e fico, ah, mas não deve ser assim, essa pessoa não pode ter uma vida tão boa assim, ou o dia não foi tão bem sucedido assim. Eu fico pensando se esse também não é um processo que faz com que a gente perca o nosso tempo e que alimenta uma lógica de julgamento, porque na verdade a gente deveria se despreender também dessa comparação. Porque uma comparação que diz que o outro deve estar mentindo sobre a realidade dele, também retira a nossa responsabilidade sobre a gestão do nosso tempo. Faz sentido?
Absolutamente. E isso é o quê? Perda de tempo. O que ninguém quer. Hoje, para quem tem uma vida ativa, a sensação de perda de tempo é péssima, não é? ia numa festa ruim, né? Agora não mais, mas...
Agora a gente está querendo até uma festa ruim.
Exatamente, agora o que aparecer está todo mundo aceitando, né? Sempre, para mim pelo menos, foi muito ruim a sensação de tempo perdido. Fui a uma festa, fui a um encontro, estive com uma pessoa que eu não fiz a minha atualização de identidade, então ainda estou considerando que certas pessoas ainda vão merecer o meu tempo. Sim, porque hoje esse tempo que eu estou aqui com você, ele é absolutamente valioso, importante. Esse espaço em que vocês estão... E proporcionando falar sobre isso, é maravilhoso para que cada um que esteja nos assistindo viva um tempo de qualidade para viver uma vida que vale a pena ser vivida. Para não ficar culpando o outro, culpando o sol, a lua, quem quer que seja, por uma inabilidade. E esta perda de tempo... ela é muito, muito, muito... A consciência da perda de tempo é fundamental para que eu invista o meu tempo naquilo que é preciso. Então, como eu estava dizendo, ir a uma festa que você não curtiu, perda de tempo é ruim. Ter uma conversa, assistir um filme, ou seja, a sensação de perda de tempo é muito ruim. Por que eu vou perder meu tempo julgando se o que o outro fez está certo ou não? Por que eu vou perder minha energia com isso? Eu prefiro hoje garantir para ser usada com outras coisas melhores.
E eu acho que até a sensação de perda de tempo é diferente para cada um, né? Então a gente falou sobre o preconceito com pessoas que de fato descansam e existe um preconceito também com as pessoas que têm tempo para esse autocuidado. Então uma pessoa que, sei lá, fala, ah, eu não tenho tempo para fazer terapia. Não, eu não tenho tempo. Mas é importante, em certo momento, você fazer terapia, se conhecer e não julgar quem de fato faz a terapia e guarda aquele momento para fazer isso. Mas a gente também quer entrar em outra questão. O que é produtividade, no fim das contas? A gente conversou com o coach, o Jerônimo Temel. Ele é autor do livro Produtividade para Quem Quer Tempo. E ele explicou para a gente, olha só.
Eu gosto de medir produtividade por dois elementos. Esforço e resultado. Vamos pensar aqui num caso concreto? Uma pessoa que tem muito esforço e pouco resultado. Essa pessoa tem baixa produtividade. Tem pessoa que tem muito esforço e muito resultado. Esse até é um perfil perigoso, que é o perfil da pessoa que trabalha muito para ter o resultado. Qual o problema desse perfil? Que muitas vezes, para ela ter muito resultado com muito esforço, ela acaba deixando alguma coisa de lado. Às vezes ela deixa de lado o cuidado com a saúde, às vezes ela deixa de lado a família, o crescimento dos filhos, e quando chega lá na frente, a conta vai chegar. Em algum momento essa conta vai chegar, do muito resultado com muito esforço. Então o que seria produtividade? Produtividade é isso, é baixar o esforço com mais resultado, é ter mais resultado com menos esforço. Isso é produtividade, é usar técnicas, métodos, ciência, para que você consiga produzir mais resultado com menos esforço. Isso é ser mais produtivo.
E aí para a gente conseguir produzir, ter mais resultado com menos esforço, a gente vai voltar para o que a gente fala que é, a gente precisa se conhecer para saber o que a gente faz melhor. Então a gente precisa saber quais são as nossas habilidades para saber direcionar melhor o nosso tempo.
Inclusive a gente também falou um pouquinho antes aqui no programa sobre como você quando coloca um prazo numa tarefa difícil pode deixar essa tarefa ainda mais complicada. Vamos ouvir mais uma vez o André Cravo, que é pesquisador da Universidade Federal do IBC, e depois eu também queria ouvir a Isa sobre isso. Olha só.
Quando você tem tarefas que já são difíceis de serem realizadas e você então um prazo, por exemplo, a tarefa sempre vai ficar mais complicada. Porque agora, além de você ter que completar a tarefa em si, você também vai gastar uma parte da sua carga mental para gerenciar o tempo, para controlar se você está dentro ou não daquele prazo. Durante a pandemia, muita gente achou que a gente ia começar, ter um pouco mais de tempo para se organizar, mas para muitos o que se viu foi exatamente o contrário. Então, um acúmulo de tarefas, tarefas com prazos muito apertados, o que traz um aumento de ansiedade, no sentido de você ter que agora alocar seu tempo e atenção a todas essas tarefas, e tem esse efeito de que você simplesmente não vê o tempo passar. Então, como você está sempre prestando atenção em tudo que você precisa fazer e nos prazos que você precisa cumprir, o que acontece é que, no final do dia, você simplesmente não vê o dia passar, a semana passar e o mês passar.
Então, você também perde o tempo gerenciando o tempo que você colocou? para aquela atividade, né, Isa?
Mari, isso é muito interessante, porque a energia da preocupação não muda nada. Então, se eu estabeleci um prazo, esse prazo, ele tem que ser aquele elemento pra me dar a liberdade, mas não pra me tornar prisioneiro dessa situação. Então, ok, tem um prazo. Agora, nós vivemos hoje numa sociedade em que todos temos prazos. Do padeiro, graças a Deus, que acorda cedinho pra fazer o nosso pão, no jornalismo, a gente vive com deadline o tempo inteiro. O que o prazo traz pra nós? Ansiedade que pode ser positiva ou negativa. A história da ansiedade, inclusive, na sociedade é incrível, né professor? Porque a ansiedade inovou muito os processos e nos fez chegar como estamos. Agora, ou eu também posso pensar nos prazos de forma patológica, que é aquela ansiedade em que você pensa no que você tem que fazer da pior forma, em que tudo vai dar errado. Então, a energia da preocupação não vai mudar nada. O que eu posso investir meu tempo? Me precavendo, buscando as informações e me cercando, então, de novo, elementos que me dêem segurança. Percebe? Então, estes prazos, quanto mais eu tenho, evidentemente, mais estressado eu posso ficar. Agora, sabendo que não adianta me preocupar com prazo, ele não vai nem esticar ou nem antecipar, o que eu posso fazer? Autogestão, mas é da minha vida. Entende? Eu preciso, então, compreender que vou perder tempo pensando no prazo. Então, o que é melhor? Não procrastinar. E a gente procrastina aquilo que a gente precisa fazer. Uma coisa está conectada à outra. Sabe, Mari? E uma coisa curiosa quando a gente ouve sobre produtividade é entender que tudo isso que nós estamos falando está muito relacionado ao mundo express que estamos vivendo. Ele vai continuar. A velocidade vai continuar sendo sinônimo de progresso. Então, o que nós vamos fazer, porque o nosso cérebro ainda é analógico, professor, nesse mundo digital. Então, eu vou ter que encontrar os meus limites. Não adianta eu querer acompanhar todas as mudanças, acreditando que o meu cérebro, minha biologia também vai avançar como a tecnologia. Faz sentido o que eu estou dizendo? Então, produtividade, eu posso ser produtiva e não ser tão acelerada. Hoje, eu aprendi isso. Eu posso continuar sendo muito produtiva, mas sem me colocar em risco. Quando eu falo como encontrar limite em um mundo sem limites, algumas pessoas falam, lá vem aquele papo. Especialmente numa sociedade que nos diz para superar limites o tempo inteiro. Não tem problema, desde que você descanse entre um limite e outro, entre uma superação e outra. Nas autoestradas, quando nós temos 120 km por hora, a velocidade máxima, por que que ela é máxima? Porque se eu ultrapassar essa velocidade, eu estou me colocando em risco e outra pessoa em risco. Por que tem radar? Por que eu preciso pisar no freio em alguns momentos? Para poder continuar. Então, para mim, toda essa conversa, ela tem muito a ver com a nossa humildade e aceitação que, sim, eu preciso parar um pouquinho para poder continuar. Eu preciso descansar um pouco para conseguir fazer tudo. Percebe? E enquanto eu achar que eu não posso parar, porque senão vão produzir mais que eu, porque aí vão passar por cima e eu vou perder as oportunidades, eu estou reduzindo a qualidade do meu tempo. E hoje não adianta a gente querer colocar mais tempo na nossa agenda. O que a gente precisa é colocar mais vida no nosso tempo. E pra isso, eu preciso estar aqui. E não ansiosa com o que eu tenho pra fazer depois e nem presa no que já aconteceu.
Sabe o que isso me lembra? Aquela história do estudante pré-vestibular que tem três dias pra prova e ele fala, eu vou estudar tudo que eu não estudei e eu não vou descansar. Eu vou ficar acordado ali até cinco da manhã estudando e vai chegar na prova cansado. Não vai adiantar nada, né, carnal?
É um exercício que eu recomendo às vezes aos alunos para o foco. Ler o capítulo 11 das Confissões de Santo Agostinho, o que é o tempo, o que é o presente. Se eu penso neles, Agostinho, eu sei, mas de repente eu vou escrever o que é, eu não sei. É complicado, o texto envolve um pouco de conhecimento, teoria platônica, porém é um exercício de foco. E é chique dizer, entendi o capítulo 11 das Confissões de Santo Agostinho, pega muito bem.
Eu adorei que você trouxe, porque aqui no livro eu trago, inclusive, uma outra parte que diz assim, onde está o passado e o futuro? Aqui. Eu só consigo pensar no passado agora, eu só consigo lembrar do passado agora, eu só consigo projetar o futuro agora.
Tanto que ele fala... Você leu e entendeu. Interessante. Ela não perdeu tempo.
Não.
E, inclusive, ele coloca o certo, deveríamos chamar, presente do passado, presente do presente, presente do futuro. Então, veja, como é que eu posso garantir um passado que eu me orgulhe? Como é que eu posso? ter no futuro desejável um passado que eu me orgulhe, se hoje eu tiver consciência da consequência dos meus atos. Então não adianta querer preencher agenda e depois culpar o tempo da natureza, que não vai adiantar bater pezinho, que isso não vai resolver nada.
E o curioso é o conselho para você, excesso de passado dá remorso, excesso de futuro dá ansiedade. Então, liberte-se de duas coisas imutáveis, trabalhe o momento atual, estar onde você está, algo que a Isabela disse várias vezes.
E que o excesso de presente também é o estresse. Excesso de presente, se a gente pensar estresse na concepção, na engenharia, os engenheiros usam a palavra estresse depois que constroem uma ponte. Eles estressam essa ponte para entender quanto de peso essa ponte vai aguentar antes de ruir. Então, nós também com essa ilusão de fazermos várias coisas ao mesmo tempo, que parece que fazemos tudo com excelência, na verdade a gente está perdendo mais energia, Porque os cientistas já explicam que é impossível você fazer duas coisas cognitivas ao mesmo tempo, assim como é impossível fazer duas coisas manuais ao mesmo tempo. Então eu posso, lavo a louça e já tá aqui considerando, ouvi uma entrevista de vocês, aí sim. Agora, responder e-mail. assistir o CNN Tonight e prestar atenção em mais alguma outra coisa, eu tenho a ilusão que isso está funcionando, mas eu só estou perdendo tempo, depois eu vou ter que voltar pra fazer essas atividades.
É, você fez que não fez nada, né?
Exato.
Bom, lembrando que você também participa com a gente na nossa hashtag CNN Brasil Tonight, a gente tá falando aqui. sobre a gestão do nosso tempo durante a pandemia, falando sobre tempo, a gente recuperou também um trecho do Mundo Pós-Pandemia, programa aqui da CNN também, com o Mário Sérgio Cortella. Eu fiz uma pergunta para ele sobre o tempo na pandemia, sobre outra percepção de tempo, se a gente vai ter como recuperar o tempo que está sendo perdido pela falta de convivência com quem a gente ama. E a gente vai mostrar agora um trecho da resposta, da brilhante resposta dele, olha só.
O uso do tempo, ele é a tua escala da prioridade que será atendida. Nesse sentido, não dá para nós imaginarmos que porque a vida, ela é finita, nós vamos ter que ficar convidando com todo mundo o tempo todo, porque uma hora a gente se vai ou a pessoa se vai e a gente não estava com ela. É escolha. E você sabe muito bem que toda escolha é uma abdicação. Mas isso não significa que se deva imaginar que esse tempo está sendo perdido. Ele está sendo usado de outro modo. O que é necessário é equilibrar, produzir uma harmonia. E essa harmonia vem quando, no passo seguinte, a gente não vai recuperar o que foi, mas vai fazer com que aquilo que deixou de ser não seja razão de sofrimento para aquilo que está sendo agora. Por isso, quando puder retomar o contato, a convivência estará de ser não a lamentação em relação àquilo que deixou de acontecer, mas a fruição do momento que a alegria daquele tempo está permitindo.
Cortella, maravilhoso. Só pra explicar, eu tava emocionada porque na pergunta eu tava falando sobre o tempo que eu estava perdendo de não estar com o meu pai e com a minha família naquele momento. Eu me emocionei muito fazendo essa pergunta pra ele e essa resposta brilhante que a gente fez questão de recuperar pra esse programa aqui, CNN Tonight.
Bom...
A gente vai fazer um rápido intervalo mais na volta, dicas de gestão de tempo. Você que está aí acompanhando o T-Night até agora, com certeza está esperando esse momento. A Isa continua com a gente e você também. Não sai daí que a gente volta já já. CNN Tonight de volta falando hoje sobre gestão do tempo na pandemia. A gente quer saber o que é certo, o que é errado na gestão do tempo. Será que existe mesmo certo e errado? Quem vai responder essa pergunta pra gente é o coach Jerônimo Temel. Olha só.
Hoje em dia, por conta de tanta facilidade de propagação de informação, a gente acaba parecendo que existe o certo e existe o errado. As pessoas que fazem isso estão certas, as pessoas que fazem isso estão erradas. Pessoas que têm determinado tipo de dieta estão certas, quem não tem está errado. Quem come tal alimento está certo, quem não come está errado, e isso vai se propagando. E vamos pensar numa situação, por exemplo, em termos de produtividade. Existe o clube das 5 da manhã, o 5am club. Galera que acorda às 5 da manhã. Muitas pessoas se sentem ultra produtivas acordando às 5 da manhã. Mas vamos pensar numa situação hipotética. Imagina que 75% das pessoas que adotam determinada rotina, elas são mais produtivas. Então isso parece muito bom. E se por um acaso eu e você fizermos parte do 25% que pra gente não foi boa essa rotina? Aí por conta de uma pesquisa que mostra que a grande maioria foi mais produtiva, eu passo a ser errado por não fazer aquilo. Então o que eu queria que você entendesse, isso é bem importante, não tem certo, não tem errado, tem aquilo que é adequado para você. O que eu faço é assim, a fonte é segura. A pessoa que está me trazendo essa informação é uma fonte segura? Hoje com tantas fontes não tão confiáveis, aquela que eu estou me trazendo é segura, é confiável? Segunda coisa, aquilo que ele está me trazendo pode me fazer mal? Não, se a fonte é confiável e não pode me fazer mal, então eu testo. E aí o que eu me pergunto? Aumentou minha produtividade? Se você aumentou seus resultados com menos esforço é porque aumentou sua produtividade e aquilo é adequado para você.
Dicas de gestão de tempo, você também participa com a gente na nossa hashtag CNN Brasil Tonight. A gente perguntou no nosso perfil do Instagram, arroba CNN Brasil Tonight, você vai para lá apontando a câmera do seu celular para o QR Code que está aí no cantinho da tela. Todos os nossos convidados já aprenderam muito bem. Obrigada, Isa. E tem alguns comentários que eu vou ler aqui chegando no fim aqui do nosso programa. A Dari disse o seguinte, eu tento viver um dia de cada vez sem exigir demais de mim. Rotina me ajuda, mas sem neura, mais humor e amor. A Jéssica disse, a quarentena bagunçou muito os meus horários, eu acabo flexibilizando mais a minha rotina. A Tati, estou falhando miseravelmente todo dia, tudo desregulado da rotina habitual. Aí tem aqui, deixa eu ver, a Poliana, tá complicado, não consigo me organizar direito, acabo me frustrando e deixando de fazer as coisas. Esse é o retorno que a gente teve lá no nosso Instagram e a gente percebe, né, Isa, como cada pessoa tá lidando com um jeito agora na pandemia e tudo bem.
Exatamente. Não tem certo, não tem errado. Tem aquilo que vai fazer melhor pra você e pra sua saúde. É muito curioso porque, de novo, temos um tempo finito dentro de um tempo que ainda sabemos que é infinito. Então, eu preciso ter consciência do que eu faço com o meu tempo, não me comparar, não julgar e, especialmente, fazer uma pausa voluntária. A gente não conseguiu falar sobre isso. Mas pausa voluntária é fundamental pra você evitar uma pausa involuntária. E as doenças do tempo estão nos deixando com pavor de ter buracos na agenda. Porque aí você não está sendo produtivo. Então nós temos que olhar pra tudo isso com muito mais compreensão, muito mais humildade e reconhecer que ideias e crenças do passado não funcionam mais nesse mundo, que é totalmente diferente. Eu trago, inclusive, no livro esse Roseville que muitos têm, que no passado era melhor, que aí não tinha tal coisa, mas não. Nós só estamos vivendo mais uma mudança no tempo Essa mudança, esse ritmo é muito mais acelerado do que os anteriores. A própria história da comunicação e dos transportes mostra isso e faz entender como chegamos, como estamos. Então, cada um precisa olhar para o seu tempo com muito mais amor, respeito e humildade. E aí eu deixo uma recomendação, façam uma pausa voluntária, respirem, vejam se faz sentido o que vocês estão fazendo, se vocês não estão cumprindo uma agenda que nem a sua, que é do outro, e que você, por não saber falar não, acabou dizendo muito sim, e isso depois pode ter um custo, claro, mas sempre é tempo, então, de você revisar, fazer sua atualização de identidade e ter uma vida que vale a pena ser vivida.
Carnal, uma mensagem final aqui.
Tempo é a única commodity indispensável e insubstituível. Então, pode ser que você ache que seja uma perda de tempo estar com a sua família, ou ler lentamente um texto, ou observar uma obra de arte. Não é. Não é perda de tempo. O que é perda de tempo é dizer perca de tempo. Aí você tem que dedicar um tempo à gramática. Se você diz que é uma perca de tempo, não perca seu tempo com perdas. Vai imediatamente à gramática.
Te ajudou o programa?
Me ajudou.
Ela anotou tanta coisa que depois você passa pra mim, tá? As dicas que você anotou da Iza. Iza, obrigada. Foi um prazer enorme ter você aqui com a gente.
Foi um tempo maravilhoso de qualidade. Eu espero depois que o Dá um Tempo Como Encontrar Limites no Mundo Sem Limites faça sentido pra vocês. E desejo mais uma vez que vocês coloquem mais vida em cada tempo. E que a gente sempre tenha tempo. Não é para fazer isso.
Gabi e eu vamos ler o livro da Iza. A gente vai dividindo aqui essas angústias.
Para a gente conseguir se colocar em primeiro lugar.
Se colocar na agenda.
Isso, e falar, não, eu queria dizer isso, não dizer mais eu não tenho tempo, dizer essa não é a minha prioridade e a sua prioridade pode ser, por exemplo, cuidar de você, cuidar da sua saúde e fazer uma pausa voluntária.
Pausa voluntária. É isso então.
Obrigada você também que ficou com a gente até o fim do CNN Tonight de hoje. A gente agradece muito e sempre a presença de todos vocês e a gente se vê, hein? Esta é a CNN, inconfundível.
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