In this conversational interview, comedian Bruno Romano discusses how he leverages humor to surface the unspoken frustrations that exist within corporate environments. He explains the classic role of the boss as the “court jester,” using jokes about leadership to humanize otherwise untouchable figures. Romano describes his process of gathering daily workplace “tretas” (conflicts) – such as the rivalry between commercial and logistics departments – and turning them into targeted material for specific audiences. The dialogue highlights humor’s function as a safe channel for voicing criticisms that employees avoid, while also noting the need to navigate sensitive topics like diversity and taboo subjects. Romano references observational comedy à la Seinfeld to illustrate how everyday mundane experiences resonate with audiences, ultimately arguing that making people laugh at their routine hardships can both relieve stress and subtly expose systemic issues without threatening corporate decisions.
Chapters
Três semanas de trabalho.
Me conta qual, nesse seu repertório então, tendo já derrubado algumas barreiras nas empresas... Sim. Qual é a parte que você sente que, assim, é... Você sente a galera, assim, tipo, nossa... Tá falando o que eu queria falar. Tem algum, assim, muito específico? A gente mostrou o do chefe aqui.
Isso. O do chefe, ele cumpre um papel clássico do comediante, do bobo da corte, de ter autorização de zoar o rei e todo mundo adora. Porque o chefe, na empresa, ele é o intocável, ele é o que não erra, ele é o... o perfeito, o bem-sucedido, o maravilhoso. Então, eu fazer uma piada com ele, mesmo que, nossa, longe de mim, nossa, humanizei a imagem, mas naquela fração de segundo, Ele foi a chacota, as pessoas puderam rir dele, sabe? E isso traz uma parada diferente pra essa galera, que eles não estão acostumados a fazer no mundo corporativo. Então isso, vários comediantes usam isso. O que eu fui percebendo depois, que além desse caminho, é que a galera adora quando eu trago pro palco as tretas do dia a dia deles. Então, tipo assim, sempre na reunião de briefing eu pergunto, quais são as tretas aí?
Exato.
Qual o sistema que dá **** e todo mundo xinga o sistema? Qual é a maior treta entre área? Não, comercial e logística aqui é.
Guerra.
Pronto. Então, beleza. Então, quais são as... os argumentos do comercial contra a logística, quais são os argumentos da logística contra o.
Comercial. E aí no humor você.
Ensina. E aí eu tento trazer isso pro palco de um jeito Às vezes em parcial, às vezes quando eu tô só com uma galera. Tipo, o meu show é só pra galera da logística. Eu só vou zoar o comercial, entendeu? Porque eu tô com o grupo...
Ah, você vai reforçando as.
Inimizades. Eu tô com o grupo que queria falar as coisas do comercial, entendeu? Então eu vou falar as coisas que eles queriam falar, entendeu? Não no sentido de... Tipo, agora a gente pode falar. Isso, não no sentido de, tipo, vocês têm que acabar com eles. Mas assim... Olha que ridículo que eles fazem, que não sei o que, não sei o que. É uma zoeira de que todo mundo já faz, mas ninguém fala dela no palco, ninguém fala dela em voz alta, ninguém fala dela nesse.
Lugar. Mas isso é um perigo, isso é um perigo, né? Quando você fala, quando você dá voz àquilo que ninguém tem coragem de.
Falar... Eles adoram. A reação da plateia mostra que eles estavam bem querendo falar.
Isso. O que eu quero dizer é o seguinte. Você lembrou muito bem, né? Hoje o comediante ocupa um espaço que já foi ocupado em todo o tempo da história. Nós precisamos fazer piadas, é isso que eu quero.
Dizer. É, a gente precisa rir das desgraças da.
Gente. Então vamos lá, precisamos rir. Algumas coisas que nós dávamos risada no passado, não damos mais, porque descobrimos que por trás dessa imagem tem muita dor, tem muita ferida, tem muita... como é que eu posso dizer? Escravização, tem uma série de.
Questões. Sim, sim, sim. Reforçam ideias.
Ruins. Isso, pronto. No ambiente corporativo, tem alguma que, tipo.
Cuidado? Pautas de diversidade no geral, mas isso eu não faço nem no meu show normal, assim, fora da.
Empresa. Por isso que você tá aqui, né?
Inclusive. Eu não vejo muito motivo. Eu gosto da coisa do cotidiano, é o que eu tô falando. É tipo a nossa vida, é o cotidiano, é o que todo mundo passa. Tem um show do Seinfeld, até na Netflix, não vou lembrar o nome do show agora, que os primeiros 5, 7, 10 minutos do show é ele falando sobre sair de casa. que você... É super difícil conseguir combinar. É você, aí vai ser o marido, aí vai não sei o quê. Aí cadê os ingressos? Pegou os ingressos? Pegou os ingressos? Cadê a chave? Colocou o carro? Tá a gasolina? Vai não sei.
Aonde. Vida.
Real. Aí você sai de casa e fala... Queria estar em casa. Aí quer voltar pra casa. Aí você tá em casa e fala, nossa, queria sair, não sei o quê. Sendo que aquelas pessoas, pra ir pro show dele, acabaram de passar por aquilo. Então a abertura do show é isso. Então olha o quão fresco tá na cabeça da galera as piadas que ele tá fazendo. Pra mim, Eu gosto disso, assim, da comédia retratando o suco do dia a dia mesmo, assim, o que todo mundo tá.
Passando. Adorei o Bruno, gente. Quero o Bruno só pra mim.
Agora. Então, nesse caminho de pegar as tretas do comercial com a logística, na real, as coisas que eu falo, elas já existem. As ideias que eu trago, muitas vezes, elas já existem. E o principal, eu falar isso não vai mudar essa rotina, mas... Além de fazer a galera se estressar com essa rotina, que é o que eles já fazem, vai fazer a galera rir com essa rotina. Que é rir das m**** da gente. A gente sabe que o sistema dá b****. Então, ao invés de ficar... Ai, não posso falar do sistema que a empresa acabou de trocar. Não, durante meia hora do meu show ali, eles vão rir pra caramba do sistema. E a empresa não vai cancelar a assinatura do sistema, porque ela já decidiu que aquele sistema é bom. Só que ela vai saber que tem gente reclamando das coisas do.