O que líderes e liderados devem fazer hoje e amanhã ? LIVE com Luiza Helena Trajano

Isabela Camargo talks with Luiza Helena Trajano about leadership during the COVID-19 pandemic. They discuss vulnerability, reinvention, and how leaders and workers should adapt to workplace changes while practicing self-care and solidarity.
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Olá, olá, muito boa noite, sejam todos muito bem-vindos a esta live muito especial da Semana do Futuro do Trabalho. Hoje é um dia muito importante porque nós teremos as percepções e as sugestões de uma mulher que eu admiro demais que coloca a mão na massa e que transforma todos os ambientes por onde passa. Digitais ou físicos, eu tenho certeza que você vai sair dessa live melhor do que você entrou. Às 18h29, antes de dividir tela com a Luiz Helena Trajano, eu quero só contar pra vocês rapidamente o que aconteceu ontem. No início da Semana Futura do Trabalho, eu conversei com a Marta Gabriel, abrindo essa Semana Futura do Trabalho, falando sobre pensamento crítico e como nós podemos desenvolver as soft skills. Depois, a Tássia Prado, advogada trabalhista, falando sobre o que já mudou nas leis e nas relações trabalhistas. Depois, o Flávio Tavares do Welcome Tomorrow, criador do evento que faz a gente pensar sobre mobilidade e também muito sobre o futuro ser bem-vindo. Depois, a Viviane Lauren, especialista em comportamento humano, falando sobre inteligência emocional, que nós precisamos desenvolver, aperfeiçoar demais para o novo normal. E por fim, fechando a primeira noite da Semana Futura do Trabalho, o executivo João Apolinário, falando muito sobre inovação e como nós podemos questionar aquilo que já existe. Todas essas entrevistas estão lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real. E tudo isso que eu tenho proposto para vocês, desde o dia 17 de março, é para a gente olhar para o autocuidado como um caminho para a saúde mental, para o bem-estar da mente, para a gente chegar nesse novo normal muito melhor do que nós hoje ainda pensamos, mas muita coisa ainda pode acontecer. Então eu vou já dividir tela aqui com a Luísa e sugiro que vocês então encaminhem suas dúvidas, o que vocês perguntariam para uma das maiores gestoras que o país tem. Luísa Helena tem uma história incrível, a maior parte de vocês já conhece, mas eu tenho certeza que muitos de vocês adorariam ter um minutinho, uma oportunidade com essa mulher tão transformadora. Tudo bem, Luísa?
Oi, Isabel. Tá boa, bem? Deixa eu levantar aqui um pouquinho. Alô?
Oi?
Oi, tudo bom?
Muito melhor agora. Obrigada, Luísa. Prazer.
Imagino um prazer. Tudo bom, bem?
Graças a Deus, muito bem. Estou muito feliz por você ter aceitado o meu convite, Luísa, porque é uma das mulheres mais inspiradoras, que mais colocam a mão na massa e provocam, que provoca e inspira outras pessoas.
Eu tenho te acompanhado. Parabéns pelo trabalho, de saúde. É tão bom quando a gente pode viver uma situação e transformá-la num bem comum. Parabéns. Você está transformando uma situação que você viveu no bem comum e ajudando tanta gente. Isso é muito importante.
Luiza, gratidão. Acredito que muitas pessoas já passaram pela sua vida em todos esses anos de gestão, em todos esses anos que você, inclusive, tem o Grupo Mulheres do Brasil.
Você já esteve lá, né?
Já, já estive lá em São Paulo, já estive nas reuniões Portas Abertas. A iniciativa agora é de deixar as portas abertas digitais.
Agora chama Telas Abertas.
Telas abertas fantásticas. E eu sempre me coloquei à disposição de vocês, contem comigo, tá? Para a gente levar essa mesa de autocuidado.
Autocuidado, é isso mesmo. E o que mais nós estamos sentindo agora, né?
Não é? Luiz, o que você está sentindo desse período? O que você já aprendeu? Que ficha caiu sua e que aprendizado nós podemos já levar para o futuro?
Olha, Isabela, eu acho muito importante, eu não sou capaz de falar todas as mesmas coisas, mas uma coisa eu tenho falado, que tem ajudado as pessoas Como todo mundo, eu fiquei muito assustada, eu fiquei achando que eu estava variando, que eu estava sonhando, eu acordava às noites Eu fiquei meio paralisada, coisa que não é própria de mim porque eu sou de Franca, mas moro em São Paulo, eu vim para um evento que eu ia fazer sábado em Franca para ver minha tia e não voltei para São Paulo mais. Meus filhos já estavam meio despreocupada, porque eu dando muita palestra no meio de gente, onde se viu, eu nem dando bola, achando que isso não era, de repente eu me vi aqui sem pegar minhas coisas em São Paulo. eu ter que buscar meu eixo. Acho que tá... Foi buscar meu eixo. Tá me ouvindo, Isabela? Oi, saiu um pouquinho. Alô, é o seu que saiu um pouquinho. Tá ouvindo? o seu também cortado. Isso faz parte agora desse novo mundo, a gente sair e voltar. O que mais me ajudou foi quando eu peguei o eixo do meu propósito e eu pedi muitas minhas forças para me entender qual era o meu papel nesse momento, um papel de líder que tem acesso há vários órgãos do governo que nunca me filiei a partir de nenhum, e sou uma apaixonada pela pequena e média empresa, eu sempre trabalhei isso com o Sebrae, e vi o que poderia acontecer se a gente não trabalhasse medidas sérias e rápidas. Então, junto com o IDV, que é o Instituto de Desenvolvimento do Varejo, eu comecei a trabalhar diretamente com uma equipe, com as medidas que poderiam ajudar a pequena e média empresa, E confesso para vocês que a gente teve muitos secretários, que agora o Ministério, ao ver de ter muito Ministério, você sabe disso, tem Secretaria do Trabalho, foram muito abertos para escutar não só o IDV, como para escutar várias e a gente tomou algumas medidas. Então minha primeira foi dizer assim, tudo bem, a gente tem que estar aqui, mas a gente tem que trabalhar para ter menos sofrimento. E eu sei muito bem o que é depender do faturamento para pagar dívida no outro dia, para comer no outro dia. Então foi um trabalho, e quando você começa a pegar seu eixo, eu falei, nesse momento eu tenho que ter uma líder cidadã, eu tenho que levar a população a voltar para si mesma, pelo menos as pessoas que eu tenho acesso, eu vou me abrir para a imprensa, você sabe, você já foi de imprensa, a gente se abre uns dias, de repente se fecha, não, eu vou virar arroz doce de festa, mas eu falei não para o meu assessor, eu vou não só me abrir para, teve algumas coisas mais, que eu falo, não, isso eu ainda não vou fazer, mas fiz tudo, fiz tudo e tô fazendo tudo que eu acho que é legal, que estão me convidando, não importa que tenha muita gente como seguidores, que tenha pouco, e tô ajudando, tô fazendo, fiz pra João Pessoa, pra 30 empresárias, pra Piauí, então eu tô fazendo esse papel De divulgar as medidas que foram tomadas, eu arrumei uma forma de para A Roberta vai te mandar pra você me ajudar a divulgar Como que era o fundo de garantia até agora, como que era férias, tudo que sai medida nova Eu tô colocando no meu YouTube, no meu Instagram e também pedindo para as pessoas. Então, quando você descobre o seu propósito, você acorda melhor todos os dias. Então, assim, eu não estou tendo tempo nem de almoçar, de jantar, só que eu estou dentro da casa, eu estou respeitando. Isso eu não respeito também, meus filhos ficam bravos, estou respeitando muitíssimo e estou me sentindo muito bem poder fazer isso, porque a mudança, o que mais nós estamos vendo agora é a solidariedade entrando, É o bem comum entrando, eu fico muito triste. Eu estou procurando não me irritar, porque quem te irrita, te domina, mas esses dias, essas brigas entre ministro e presidente, eu não tomo partido, mas me deixa muito triste, porque nesse momento nós temos que estar todo mundo unido, não importa quem está certo, quem está errado, para que a gente possa sair desse lugar, dessa crise tão séria que a gente está vivendo. Então acho que é a hora que eu descobrir meu papel e que a empresa também, junto com o Frederico e toda a equipe deles fizeram um papel e que eu assumi, não demiti, e que a empresa me ajudou e o Grupo Mulheres do Brasil me dá muito sustentável. Então acho que você se sente mais útil, o dia passa mais depressa e você revê, né? Eu sempre luto muito para trabalhar com a minha impotência. que você não tem nada, você não tem poder, você está dentro. E eu acho que nesse momento todo mundo tem que trabalhar com essa impotência. Quando eu vejo mais de 40 milhões de pessoas fechadas, quando eu vejo Nova York, que é a terra do consumo, parada, quando eu vejo umas Olimpíadas, que eu ajudei nas Olimpíadas no Brasil, eu sei que quer estar dois meses antes. Eu falo, gente de Deus, como nós somos impotentes, ninguém previa isso. De repente, o mundo parou e ninguém previu. Então, trabalhar com essa sabedoria de você saber que você é impotente, pedir as forças, foi uma das coisas que eu tenho me fortificado dentro de mim. Eu já sempre lutei para isso. Você não tem nada, você está a ver. Foi uma coisa que me ensinou muito.
Luiza, é tão bom ouvir uma mulher como você falando sobre vulnerabilidade, sobre reconhecer e trabalhar essa impotência E todo esse momento traz para nós a consciência de como estávamos iludidos com a ideia de que controlamos alguma coisa E tudo, né?
Eu não sei se você sente isso, Isabela, tudo passa a ser picuinhas, né? Se você saber o que o vírus está fazendo conosco, você brigar com alguém, os outros falam, Luísa, supermercado está vendendo televisão, está vendendo geladeira, você não vai fazer nada, você está com milha e cem, loja fechada. Eu falo, gente, isso é tão pequeno perto do que nós estamos vivendo, eu não vou ficar brigando por isso, eu tenho que brigar pelo bem comum. Eles estão na hora certa, no momento certo, tiveram que abrir. e as pessoas precisam comer, e aí eu vou mandar pôr uma fita lá, vou lutar para pôr uma fita, não venda isso. Pelo contrário, eu fiz uma campanha muito forte dos bairros, para as pessoas comprarem nos bairros, que é impressionante que aquele pequeno de bairro gera de emprego no Brasil. Então, a gente tem que pensar no bem comum na sociedade, é um momento muito grave, porque você ficar pegando picuinhas agora para trabalhar, tudo passa a ser muito picuinhas, o que você vive.
Luísa, a sua história é muito valiosa para a gente se inspirar porque você passou por todos os departamentos do Magazine Luiza E aí na sua gestão, que foi a mais transformadora, você trouxe o digital para dentro das lojas físicas E aí hoje é o que está mantendo o setor varejista, né?
Eu acho assim, que na minha gestão, eu criei uma loja eletrônica, que não tinha produtos em 91, que todo mundo achava que eu ia ficar louca, até eu achava se ia dar certo ou não, mas eu sempre pôr um carrinho. Hoje ela é Casing Harvard, a gente tem 300 lojas dessas. Ela chamava Loja Eletrônica Luiza. A Magazine traz para a sociedade a loja do ano 2000. Então eu não tinha nem multimídia, eu gravava em TV e FIT, mas a gente procurava ter o calor humano através da através de um centro de promoção que a gente ensinava. Agora, quem trouxe o digital mesmo foi o Frederico, que sempre acreditou que as lojas físicas iam ter o digital. Eu trouxe uma loja em 91 e uma cultura digital, porque o que eu mais tenho falado, Isabela, é que o digital é uma cultura. de simplicidade, que não é simplismo, que não é sofisticação. É de acesso a muitos, o que é privilégio de poucos. Então, eu falava isso nas inúmeras palestras. Eu falava, a loja física não vai acabar, mas vocês têm que entrar através da associação. Tenha uma loja de qualquer jeito nos marketplaces. Eu falava muito sobre os pequenos, mas o que adianta? Em dois dias, eu acho que isso ficou famoso agora. Em cinco dias, todo mundo fez isso. Então, é uma luta muito grande, mas, na realidade, o Magazine Luiza, quando entrou na Bolsa 2011, a gente valia 4 bilhões. E nós não separamos o ponto com do CGC. E o mercado queria que você tivesse... A maioria dos grandes players hoje nasceram do digital. Nós somos um dos poucos players no mundo que transformamos, continuamos com ótica física, colocamos nossa equipe toda no digital. Hoje você chega na loja, um vendedor te atende, totalmente no mobile, passa cartão, e nossos carreteiros que têm quarto ano primário, vai na tua casa, dois mil carreteiros. Então nós acreditamos, e o Frederico acreditava muito nessa transformação, mas a gente sofreu muito. O mercado, nossa empresa que entrou por 4 bilhões, foi valer 400 milhões de reais. Se eu separasse o .com na época, só o .com valia 3 bilhões. Aí vai mais uma proposta do que você acreditar. De repente, a empresa começou, todo mundo começou a ver que a gente estava certo, quando falaram em digital, nós já estávamos com mais de três laboratórios trabalhando, criando aplicativos, criando tudo mais, e a empresa chegou a valer 60, 70 bi, isso não é valor para nós, mas é uma empresa que mais cresceu na bolsa, mas a gente teve paciência, não foi cobrada pela família, é aquilo que você falou, seu propósito está acima de qualquer coisa e você acredita naquilo, né? Então o digital hoje é uma realidade, mas mesmo assim, quando saiu a crise, o que eu achei mais bonito da minha equipe, da nossa equipe, foi... nós estávamos privilegiados, Isabela, porque a gente já vendia 50, 60%, a gente já estava bem na frente do mercado físico, mas não, eles entraram também numa crise que nós vamos fazer, trabalharam dia e noite e falaram, não, nós temos que fazer de conta que a gente está igual a todo mundo, e criaram o parceiro Magalu, que é você para os autônomos poderem ser vendedores e ganhar, e para os pequenos poderem entrar. Então é muito legal eu ver uma equipe que não estava de salto alto nesse momento e que foi criar coisa para o momento atual. Trabalhar oito dias de noite, o que ia levar dez meses, fizeram em oito dias. Então assim, adaptaram, e eu entrei muito no Demita, Eu respeito as empresas que demitiram, mas eu estou pedindo, eu e o Daniel que começou isso, para não demitir, porque a demitir é o tiro no pé. Então hoje você pode dar férias antecipadas, você pode trabalhar 50%, 80%, O governo, até 1800, preenche como seguro-desemprego Então, nesses 60 dias, 90 dias, a gente fez um pacto para ajudar Então, foram várias coisas que nós fizemos, mas eu estou muito alicerçada com o Magalu, que eu não podia fazer isso e a minha equipe está demitindo gente, eu não estou cuidando da saúde das pessoas, e mulheres do Brasil, que como vocês sabem, nós estamos prontas para esse momento, a gente não era esquerda nem direita, e a gente já queria ser o maior grupo político apartidário do Brasil. Eu acredito que só com a sociedade civil assumir o país, parar de falar mal de cobrança, de ficar mitificando um, mitificando o outro, de ter... Todo mundo vai falhar, minha gente, não tem ninguém perfeito, O que nós temos é que tem um grande planejamento estratégico para esse Brasil até 2025, 2030, principalmente com foco na desigualdade social. É uma coisa muito grave, muito séria, que não compete só aos governos, compete a todos nós fazer esse planejamento para que a gente tenha isso.
Perfeito, Luiza. Você é uma defensora desse fim da desigualdade. Inclusive, eu participei contigo de uma passeata na Avenida Paulista contra a violência da mulher. E todos esses movimentos são muito importantes. Quanto mais pessoas, como você, darem voz para as minorias, que não são minorias, são maioria, melhor para todos.
A desigualdade é muito triste, né, gente? Tudo é muito triste, você tratar as pessoas diferente por causa de uma cor de pele, você tratar uma pessoa porque tem uma deficiência, a vida está mudando. todos tiveram tempestade, só que é diferente. A nossa tempestade tem uns que estão em yacht, tem uns que estão em barco e tem uns que estão à deriva, sem comer, quase afogando, então a gente tem que entender que a maioria dos brasileiros estão à deriva. A tempestade é a mesma, mas como passar essa tempestade tem muita diferença.
Cada um está com o seu barquinho, com o seu guarda-chuva. E aí eu entro nisso, Luiza, por mais que o governo tenha trazido alternativas com as MPs e você disse o Magazine Luiza não demitiu, o Magalu não demitiu, mas algumas pessoas já foram demitidas e outras ainda vão. Qual seria o seu conselho, a sua sugestão, recomendação, enfim, para essas pessoas que vão ter que recomeçar de alguma maneira, vão ter que se reinventar?
Olha, Isabel, quando eu comecei isso eu pedi muito para que eu não tivesse dano perspectiva, para que eu não tivesse dano diagnóstico, não O horizontal é melhor que o vertical, o vertical ninguém sabe nada, minha gente Nós vivemos de experiência de alguém que já viveu. O que a gente sabe é que o vírus é muito forte e que ele não brinca de jeito nenhum. Mas ninguém tem certeza. Então, vamos obedecer o que a saúde está mandando, o que as experiências têm, e também não ficar dando pré-diagnóstico. Agora, uma coisa é certeza. Aquela normalidade não vai voltar. Nós vamos ter uma outra realidade. Então, o que eu tô fazendo comigo em primeiro lugar e orientando? Eu tô vendo tudo que eu poderia ter feito e não fiz. E olha que eu sou muito aberta ao novo, eu adoro inovar. Então, eu tava pra fazer um programa de YouTube, todo mundo montava, consultava. Porque eu dou muita palestra, o pessoal fala, Luísa, vamos fazer um programa que você diminua as palestras, você atinge mais. Tá bem, eu vou fazer. Fechava para outro dia, um dia eu vou fazer. Em três dias a gente fez isso e eu sou meio caótica. Sabe o que é isso? Você vai fazendo. Eu sou bem startup. Depois você erra, você conserta, eu não fico fazendo planos demais, não. Tudo que eu vou fazer. Então, assim, eu acho que é o momento de você rever. Se você tem uma empresa, eu estou orientando as pessoas. Chama duas ou três que trabalham com você, revê. Duas coisas que você fez certo que você não deveria fazer, que você fez e não deveria fazer, duas coisas que você não fez e deveria fazer, duas ou três coisas que você deveria continuar fazendo. Não culpa todo o vírus, não, não culpa todo. Tenta se confrontar com a sua, seja transparente, aproveita esse momento. A vida é um espiral e a empresa profissional também é um espiral. Se você também não estiver tão bem aqui, alguma coisa você deixou de fazer, mas sem se culpar do erro, mas enfrentando o erro como ensinamento. E aí, se você está com medo de ficar desempregado ou já ficou, se reinventa, se reinventa. Você agora tem que aproveitar esse momento, você tem que aproveitar, faz um curso de tecnologia, de programação, porque não importa, mas eu vou ser outra coisa. Faz um curso de programação, Eu tenho uma filha que foi chefe de cozinha, você deve conhecer, a Ana Luíza, e ela teve restaurante há muito tempo, e ela está morando na França, e está fechada com os dois filhos dentro do apartamento, mas eles não podem sair, não sei com licença, e lá, cada dois meses, as escolas têm dois meses de férias. E teve dois, o meu netinho de 10 anos foi fazer curso de cozinha, o outro foi fazer curso de desenho daqueles bichinhos que gostam, e eles até deram um depoimento muito bonitinho, porque está para sair da quarentena, E aí um falou, foi muito chato, mas eu aprendi a arrumar cama, eu aprendi a lavar banheiro e eu tive que aprender. E o outro mais velho falou, é muito ruim, mas eu aprendi a conviver comigo mesmo e com meu irmão e com a minha mãe, porque eu tinha que fazer isso e eu aprendi uma porção de coisa de trabalho em grupo. Então assim, a gente tem que, nesse momento, até pedir licença para me postar nas minhas redes o depoimento deles, que eu achei muito bonitinho. Então assim, a minha filha assumiu cozinha, ela tinha um programa de arroz com feijão, todo dia ela dá uma receita, ela tem receitas básicas. Ela já tinha sido filmada em Sexta Base, que ela chamou. Então assim, vamos se reinventar, gente. Os restaurantes que estão sofrendo muito, Isabela, turismo. Hoje eu tive com o pessoal, estou ajudando a minha amiga Tietchan e eu tive com o pessoal do turismo hoje. Eu não tenho nada de turismo, mas eu sou defensora do turismo. O Brasil tem nível de educação muito baixo, o turismo dá emprego. Desde o que carrega a mala, do que vende o picolé na praia, do que vende o artesanato, até o dono do avião. Então essa cadeia está sofrendo muitíssimo e muito sem esperança do que vai ser. Então como é que a gente pode ajudar eles a se reinventarem? Então assim, a minha opinião é essa. O medo te paralisou, é natural. Ai Luísa, mas como eu venço o medo? Conta para os outros, começa a assistir coisas legais e começa a tomar aquela atitude mesmo que você esteja... Mas toma uma atitude, faz alguma coisa, faz um curso, vai para a cozinha, começa a fazer, faz uma conversa e daí um pouquinho você está com o dia todo ocupado como eu e você, né Isabela? Já não tem tempo de nada, né? Eu não tô tendo tempo de nada e tem uma lista aí pra me ajudar, pra me fazer.
Luísa, você sempre trabalhou bastante e agora eu imagino que você está trabalhando muito mais, por isso que esse tempo aqui tá sendo tão precioso. São 30 minutos da sua agenda, mas que vão atingir muitos corações.
É um prazer.
Muito obrigada. Veja, eu sempre gosto de ouvir de pessoas inspiradoras como você momentos de cai e levanta. caiu, levantou, viveu uma experiência que não foi tão positiva, viu que foi positiva, ou seja, erra com certa. O que na sua gestão, Luísa, você se arrepende e o que você se orgulha?
Olha, é gozado que essa primeira pergunta me faz muito. E eu tenho uma visão de erro totalmente diferente. Eu vivo errando, gente. Como é que você aprendeu a andar? Existe alguma técnica até agora de te ensinar a andar? Existe alguma técnica que fala, quando o neném tá na barriga da mamãe, vai falando mamãe, mamãe, mamãe? Quando ele tiver oito meses, ele não existe, vai errando, falando. Então, assim, Isabela, em erros, eu vejo o erro muito como oportunidade. E, gozada, assim, eu não vejo o erro como um castigo. E também me abrir muito para escutar o que eu não quero ouvir. Porque você só cresce quando você escuta o que você não quer ouvir. Então o erro pra mim, quando eu erro uma vez, eu procuro não errar a mesma coisa duas vezes. Quando eu erro duas, eu me chamo de burra e fico achando muito ruim, porque eu tenho que dar espaço pra novo erro. Até hoje eu vivo errando, caindo, redirecionando, eu me abro, falo pros outros, me falam onde que eu tô bem. Onde eu errei, porque onde eu tô bem todo mundo vai falar Agora quando eu fui fazer a primeira live eu falava, me ajuda, tô falando demais, não tô deixando os outros falarem Então assim, eu tô sempre aprendendo, então o erro pra mim não é um castigo Eu não tenho medo do erro, eu não tenho compromisso com o acerto Eu tenho compromisso de dar o melhor de mim, mas eu sou humana e nem sempre o melhor de mim é o que o outro precisará, e de tirar o melhor das pessoas. Esse é o meu compromisso. Então, de erro, eu posso te dizer que eu vivo errando. Eu sou inacabada. Eu nem sei escrever livro, porque o de ontem já foi, hoje eu estou aprendendo de novo, então eu sou inacabada. Agora, de acerto, eu acho que pensar no bem comum, por exemplo, o varejo, quando eu assumi em 91, a última coisa que as pessoas queriam ser era vendedora. e ninguém acreditava, tinha plano de carreira, não tinha plano de carreira, o vendedor era aquele de passagem, aí automaticamente o diretor, você só tirava de outra empresa aquele que tinha sido, e eu resolvi investir nisso, eu acho que eu estou deixando um legado muito legal, nós estamos há 20 anos entre a melhor empresa para se trabalhar, e eu comecei a dar valor ao papel, tirei cargo, presidente, diretor na época, porque tinha pouco glamour, Eu fui para a página amarela, falei que eu era vendedora, dei status para esse cargo, os diretores todos tinham que ser vendedores, então eu acho que eu deixo assim, cuidar das pessoas numa área que ninguém acreditava, até porque era passagem de todo mundo, não tinha nenhum trainee que queria ir para o varejo, de 100 trainees que saíam na época do meu filho, um ia para o varejo, Então eu acho que eu deixo um legado muito bom, e me perguntam muito qual foi a minha maior emoção. Depois você tem filha com filho, filho não tem jeito, é tudo igual, e quanto mais você projeta, pior é. Então você tem que deixar a vida levar. Foi em 2003, quando a gente ganhou a melhor empresa para se trabalhar, Morava no interior ainda, no meio de todas as empresas, foi a primeira de varejo do mundo, porque você concorre com prestadores de serviço, com banco, com empresas acima de mil. E aí eu tinha um desafio, que era manter isso entre as dez melhores empresas, já fomos para a mulher trabalhar, e eu acho que esse legado eu estou deixando, porque também era um questionamento meu, menina ainda, por que a empresa cresce e as pessoas são infelizes? E por que as pessoas são felizes e a empresa não cresce? Por que você não pode ter os dois errando, acertando? Eu não estou aqui falando que eu só acertei, pelo contrário, eu falo que eu vivo errando Mas hoje o Magazine Luiza é um exemplo de empresas como que lida com as pessoas Nós compramos outras empresas, a gente hoje tem 1.100 lojas Compramos mais de 15 empresas, compramos agora a Net Shoes e continuamos entre as melhores empresas para se trabalhar. Então isso para mim é um legado que eu tenho certeza que a gente vai deixar. E o mais lindo é eu ver a geração agora não dormir à noite para não mandar os outros embora. é fazer um plano para não mandar, mesmo aqueles que estavam para ser demitidos por avaliação não foram. Então, assim, isso para mim, eu tive mais medo de perder o jeito, Luiza, não estou falando que ele é perfeito, não o meu jeito, o jeito da empresa ser, do que a falta de dinheiro. E hoje eu tenho muita certeza que, ainda mais agora, o jeito que eles trabalharam, tratando as pessoas, botando saúde em primeiro lugar, eu dei pouco palpite, eu fui ser líder cidadã. e eles fizeram até melhor do que eu fazia, eu estou muito orgulhosa, eu estou muito feliz, é como você falar assim, nossa, valeu a pena tudo, porque eles não privilegiaram agora o lucro, eles privilegiaram as pessoas, a saúde, e criar coisa para o Brasil vai ter uns dois meses mais difícil, mas a gente está muito bem, a empresa está capitalizada, então nós podemos devolver isso para a sociedade.
Perfeito, Luísa, para a gente concluir então pegando aqui da sua frase sobre saúde No início da nossa conversa você falou sobre o seu eixo, como este período fez você voltar para o seu eixo Queria então finalizar com as suas palavras, como quem está nos acompanhando ou vai acompanhar lá no YouTube também pode encontrar o próprio eixo?
Olha, gente, o eixo meu sempre foi o meu propósito de vida. Sempre foi o meu propósito de vida. Então, quando aconteceu isso, eu falei, o que eu posso fazer agora, neste momento? Eu também busco muita força no absoluto. Eu não tenho nenhuma religião, mas eu tenho muita fé. no absoluto, e eu tenho uma forma de escrever, e um dia eu vou colocar isso que eu escrevi pedindo que me desse uma luz no que eu poderia ser forte, forte no que eu poderia servir, tem dia que eu também acordo não tão bem, eu faço questão de mostrar meu lado humano, meus lados que erro, Então eu acho que você tem que buscar conforme você quiser É um momento muito difícil, a gente precisa de ajuda das pessoas que estão junto, das pessoas que possam te ajudar Não tenha medo de pedir ajuda e vence o medo Luiza, como é o vence o medo? Falando que a gente está com medo, assumindo que a gente está com medo e começando a fazer algumas coisas, tendo alguma atitude Então eu pedi muito para que a minha força fosse para um bem comum Eu acho que a sociedade coletiva agora, e como as pessoas estão muito mais generosas Não sei se você está sentindo isso, as pessoas estão muito mais generosas, elas estão se ajudando um prédio que não cantava parabéns, tão solidária. A cultura da doação entrou no país, era muito difícil. Quantas famílias, nós fomos a primeira família, uma das primeiras, desculpa, a ajudar os hospitais. E tantas famílias, eu fico muito feliz. E não é só quem tem dinheiro, é um ajudando a cesta do outro, é um grupo se unindo para que a gente, a fome está aí. É um período difícil, então a solidariedade entrou. E uma outra coisa, Isabela, para terminar. Como que as pessoas estão saindo mais cidadã brasileira disso? eles estão dando valor para quem não demite. Nunca eu pensei que isso fosse acontecer. É impressionante o papel do cidadão, porque o Brasil é nosso, gente. O Brasil não são dos políticos, nós temos que estar juntos para vencer tudo isso que nós estamos vencendo. Então, quando eu vejo essas discussões, eu falo, pelo amor de Deus, eu não estou querendo saber se foi o governo A ou B que fez, daqui eu quero te mostrar as medidas, vou mandar para você. Eu quero pedir para o pessoal, para você me ajudar a divulgar o DEPARA, tem muita coisa boa. Ah, mas os bancos não estão chegando. Então, vamos fazer os bancos chegarem, é só me avisar. Então, assim, junto com o IDV, mas vamos juntos. Não temos alternativa. Ou nós vamos ser juntos ou nós vamos sofrer muito mais do que esse vírus pode ter aprontado com o mundo inteiro.
Luísa, vamos juntas, então, porque assim podemos muito mais.
Juntos somos mais fortes.
Obrigada. Obrigada pelo seu tempo, pela confiança. Respeitando o seu tempo, então, eu vou liberar aqui você da live, aí eu faço um fechamento aqui pra quem tá chegando agora, tá?
Obrigada, gente. Um beijo, Isabel. Muito obrigada por você ter feito de uma coisa um bem comum. Um momento difícil da sua vida, um bem comum. Mas eu tenho certeza que você tá muito mais bonita, muito mais cheia de vida. É assim mesmo. Obrigada, gente. Beijos, tudo de bom. Tchau.
Gente, que privilégio. Meia hora da agenda dessa mulher, olha como trabalha. Luísa transforma todos os ambientes por onde passa, físicos ou digitais. Eu espero que você esteja saindo então dessa live melhor do que entrou. Luísa falou sobre a questão da da nossa consciência com a impotência, com as fragilidades, reconhecer nesse momento em que precisamos pedir ajuda, falou muito então sobre o diálogo, escutar líderes inclusive, escutar outros parceiros da empresa para justamente ouvir aquilo que ninguém diz e aproveitar esse momento para aperfeiçoar áreas, fazer coisas que antes não eram feitas para os liderados. Luísa falou também sobre a reinvenção. Não existe idade, não existe tempo, só existe a vontade de evoluir, a vontade de se aperfeiçoar e aprender. Só assim poderemos então chegar no novo normal Com bem estar da mente, com saúde mental Luísa iniciou e finalizou a nossa conversa falando sobre o eixo em que ela reencontrou quando tudo isso começou Reencontrar o eixo para ela é dar aquela atualizada na identidade e pensar, bom, qual é a minha missão? Eu tô nela, o que tá faltando? Eu voltar para ela Então eu entendo que esse foi um momento muito mágico das nossas vidas. Pra quem chegou agora, mas quer ouvir realmente tudo da boca da Luísa, é só ir lá no YouTube. Já já eu subo todo o conteúdo no meu canal Isabela Camargo Real. Luiz Helena Trajano faz parte de uma semana do Futuro do Trabalho, eu comecei ontem, vou até o dia 2 de maio, para a gente olhar para o dia 1º, para o feriado, o dia do trabalho, com uma nova perspectiva, com novas possibilidades para a gente chegar neste novo normal forte. Muitas pessoas vão perder o emprego, muitas pessoas podem demorar para se recolocar, mas nós podemos nos melhorar e assim a gente vai conseguir se reinventar, eu tenho certeza. Deixe aqui seu comentário, sua sugestão. Hoje eu ainda volto às oito horas com a futurista Daniela Kleiman. Futurista, gente, fala sobre dados, fala sobre pesquisas. E muitos futuristas anunciaram várias coisas meses, anos atrás e ninguém deu bola Então agora é hora da gente ouvir essa turma que pesquisa tudo para deixar a nossa vida melhor, tá certo? Então às 8 horas eu volto aqui e espero te encontrar Obrigada mais uma vez pela confiança e pelo seu tempo.
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