O que precisamos saber sobre a Leucemia?

Isabela hosts a discussion with Caio Ribeiro, a sports commentator who survived Hodgkin lymphoma, physiotherapist Cadu Ramos, and hematologist Dr. Eduardo Rego about blood cancers. They explain the differences between leukemia and lymphoma, warning signs, how early detection saves lives, and what patients experience during treatment.
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Falarmos de certos assuntos no Outubro Rosa, no Novembro Azul, nós precisamos de educação e saúde todos os dias. Então aproveite esse espaço para tirar as suas dúvidas. E se não estiver acontecendo nada contigo, essas informações serão muito importantes para você ajudar alguém que esteja passando por alguma situação que nós vamos mencionar aqui, ou também de prevenção. Tudo que nós podemos prevenir, nós devemos prevenir. Então vou chamar aqui já para nossa prosa meu primeiro convidado, é o Caio Ribeiro, comentarista esportivo. Tudo bem, Caio?
Oi, Isa, saudades de você. Obrigado pelo convite. Sempre bom a gente orientar as pessoas, né, falar sempre com viés positivo, né, de cabeça erguida, sobre algumas rasteiras que a gente toma da vida, mas dá a volta por cima e volta mais forte.
Exatamente, Caio. Que bom saber que você está bem, que você está curado do linfoma de Hodgkin. Que bom que você está aqui conosco. Nós já já vamos conversar um pouquinho mais, tá? Estará conosco também o Cadu Ramos, o fisioterapeuta que tem uma passagem muito importante nessa história do Caio. Oi, Cadu!
Olá, tudo bem, Isabela? Prazer estar aqui com vocês. Fico muito contente saber que esse grande amigo tá super bem. É um prazer falar com vocês sobre vários assuntos aí.
Excelente, obrigada, Cadu. E junto conosco também o Dr. Eduardo Rego, que é hematologista e coordenador do Comitê de Leucemias Agudas da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, ABHH. Doutor Eduardo, bem-vindo.
Muito obrigado, boa noite, boa noite Isabela, Cadu, Caio, é um prazer estar aqui e poder participar dessa sua iniciativa tão importante.
Então, sem perder tempo, por que que nós estamos com o Caio, que teve um linfoma de Hodgkin, o Cadu fisioterapeuta, que já já vai explicar qual foi o papel dele, né, nessa jornada toda do Caio, e com o Dr. Eduardo para falarmos de leucemia, porque existe muita confusão sobre leucemia e linfoma de Hodgkin. Linfoma de Hodgkin surge no sistema linfático, a leucemia surge na medula óssea, mas são duas doenças do sangue, certo, Dr. Eduardo?
É isso mesmo, são duas apresentações de doenças malignas que ocorrem nas células do sangue. Eu acho que talvez, Abel, pra gente começar a tentar destrinchar um pouquinho mais para nossa audiência, vale a pena a gente lembrar como é formado o sangue e para onde ele está indo, para onde ele vai. Então, as células do sangue, elas se formam na medula óssea. A medula óssea é um tecido que nós temos no interior dos ossos, É um tecido esponjoso aí que a gente tem. E uma vez que a célula do sangue esteja madura, ela sai da medula óssea, vai para o sangue, onde ela vai exercer as diferentes funções, e vai também para os tecidos, entre eles, e muito importante, os linfonodos, os gânglios linfáticos, onde principalmente os glóbulos brancos, um dos tipos os glóbulos brancos, os linfócitos, vai constituir esse órgão que é um órgão importantíssimo na defesa do nosso organismo. Pelo menos do ponto de vista didático, a gente tem que lembrar que a gente tem os glóbulos vermelhos, que são responsáveis pela entrega do oxigênio nos tecidos, os glóbulos brancos que são da defesa, e que os glóbulos brancos a gente tem vários tipos. Tem os linfócitos, que eu já mencionei, mas tem os neutrófilos, que são células também especializadas na defesa, mas que atuam contra outra classe de microrganismo. E as plaquetas que fazem a coagulação. Bem, para a gente ter essas células maduras no sangue, ela tem que passar por vários estágios dentro da medula óssea. Então, se você for imaginar a medula óssea como uma fábrica, uma linha de produção, então antes de você ter o produto final, que é o que vai estar no sangue, que vai estar lá no linfonodo, Você vai ter várias peças, várias habilidades que vão ter sido montadas ao longo dessa linha até que a gente chegue num produto final maduro, que a gente chama, diferenciado, que é o termo que a gente utiliza, médico e funcional. O que que é a leucemia? O que são as leucemias? Leucemias são um grupo de doenças e é um grupo de doenças onde a gente tem Nas células, nessas células que ainda estão na medula óssea e que são mais imaturas, elas perdem o controle da sua produção. Você tem uma produção excessiva que infiltra a medula óssea, acaba infiltrando o sangue, os outros tecidos, e com isso a gente tem a interrupção, a falência das funções do sangue. Quando essa célula que perdeu o controle ela é uma célula muito jovem, ou seja, pouco diferenciada, a gente chama de leucemia aguda. Quando essa célula já é uma célula já mais próxima do produto final, já ainda não perfeito, mas é uma célula que já tem algumas propriedades bem diferenciadas, a gente chama de leucemia crônica. Então o conceito de aguda e crônica é completamente diferente para hematologista do que é para o infectologista, por exemplo. Então a gente tá falando de estágios de maturação da célula. E no linfoma? No linfoma eu tô falando de uma célula que já saiu, foi, estava, se encontrava lá no gânglio exercendo a função dela e sofreu uma mudança genética ali que acabou fazendo com que essa célula, essa proliferação ocorresse fundamentalmente no gânglio. Então, se a gente for ver, nas leucemias a gente tem uma neoplasia, uma forma de câncer fundamentalmente líquida, né? Então ela tá no sangue, na medula óssea, infiltrando, banhando todos os tecidos. E nos linfomas a gente tem uma doença fundamentalmente tumoral. Então, normalmente, o que mais chama atenção são os gânglios que aumentam de tamanho de maneira anormal, E com isso também acabam trazendo uma série de repercussões para o funcionamento normal do tecido. Espero que com isso eu tenha pelo menos colocado o pano de fundo aí para a gente entender um pouquinho mais do ponto de vista médico as doenças, tantas doenças que nós estamos falando aqui ao mesmo tempo.
Excelente explicação, Doutor Eduardo, até porque o que todos nós aqui temos em comum, homens, mulheres, não importa Onde estejamos, a nossa idade, nós temos sangue correndo pelas nossas veias. Nós estamos falando de um problema que pode acontecer no sangue, nesses casos que o doutor mencionou, tratáveis e curáveis. Mas quando a gente ouve a palavra câncer, Caio Ribeiro, quando a gente ouve a palavra linfoma de Hodgkin, ou quando a gente ouve a palavra leucemia, que eu sei que tem muitas pessoas nos acompanhando aqui que estão passando por seus tratamentos, É um susto, não é?
É mais que um susto, é um soco na boca do estômago, porque eu sempre tive uma vida— bom, primeiro um abraço ao Eduardo. Doutor Eduardo, prazer estar aqui com você. Cadu, meu anjo da guarda, amigo, sempre bom ter você por perto. Eu sempre fui um cara que levei a minha vida inteira de uma maneira saudável. Eu não bebo, eu não fumo, eu nunca me envolvi com nenhum tipo de droga. Depois que eu parei de jogar, eu parei de jogar com 30 anos, já faz 16 anos que eu abandonei os campos. Eu continuo mantendo as atividades físicas, um pouco mais pesado, não com a mesma intensidade, mas sempre procurei fazer exercícios. E você nunca imagina que uma coisa dessa vai aparecer na tua vida. E de repente, como é que eu descobri a doença? E o Cadu pode contar O porquê de eu ir toda terça-feira na fisioterapia do Cadu para um trabalho de prevenção do joelho. Eu tenho 3 cirurgias no joelho. Cadu é um craque da fisioterapia, todos nós nos tratamos com ele, e parei de me machucar, o que é o mais importante, além de ter virado um grande amigo, um grande fisioterapeuta. Mas num dia, do nada, ele falou: vira que eu quero te dar uma alongada. E ele sempre mexeu no meu joelho, ele nunca mexeu no meu pescoço. E aí, na hora que ele começou a manusear, ele falou: você viu que tem um carocinho aqui? E aí eu fui fazer os exames, para não me estender muito na história, e acabei fazendo os exames de sangue, que não apareceram, não detectaram nada. Fiz um raio-X que mostrou que tinha uma inflamação nos gânglios, né? Fui a um oncologista e aí ele falou: Caio, isso tem cara sim de câncer. Fiz o PET-SCAN, E aí apareceu, e é muito legal quando você faz um PET scan. E aí eu tenho que agradecer, eu fiz o meu tratamento com o Dr. Otávio Baiocchi no Oswaldo Cruz, mas eu moro aqui perto da Rede D'Or, né, o antigo Hospital São Luís, e eu tenho muitos amigos e uma relação muito próxima, né, com o Dr. Alexandre. E aí eu liguei para eles e eles me indicaram, eu falei: olha, preciso fazer uma biópsia, será que é hora de abrir? Ele falou assim: faz um PET scan antes. E o PET scan, na hora que saiu o resultado, ele falou: tem uma boa notícia, E uma notícia maravilhosa. Falei: poxa, cenário otimista, então dá boa notícia. Falou: é linfoma de Hodgkin, tem 97% de chances de cura. Eu falei: poxa, que bom! E a maravilhosa foi que tá no início da doença, não se espalhou para nenhuma parte do corpo, a gente chama de estágio 1. E aí esses 3%, esses 3% que faltam para atingir o 100% vão se transformar em 100%, porque é uma coisa que a gente aprende, né? Quanto mais rápido você tem o diagnóstico, quanto mais cedo você inicia o tratamento, maiores são as chances de cura. E aí eu comecei, e é legal dizer o porquê do Dr. Otávio. Eu procurei alguns especialistas, ouvi muito meu pai que é médico, fui buscar algumas alternativas, minha esposa também, porque a gente tem bastante amigo nessa área. E aí Várias pessoas de diferentes rodas de amizade indicaram o Doutor Otávio. Eu liguei para o Doutor Otávio, era um FaceTime, ele tava voltando de férias. E teve uma frase que me pegou demais, que é muito da forma como eu penso a vida e trabalho a educação dos meus filhos e o meu trabalho na televisão. Eu tinha que fazer o Caioba Só Camp, que é um camp que eu faço para crianças de 5 a 14 anos, e grudadinho tinha as Olimpíadas. As Olimpíadas agora, é que o Brasil acabou conquistando a medalha de ouro no futebol masculino. E aí eu falei para alguns médicos que eu tinha esses dois trabalhos, se eu poderia estender ou iniciar o tratamento depois de um mês, mas seria importante que eu atrasasse esse tratamento em um mês. E eu vi algumas respostas que não me agradaram muito, até que o Dr. Otávio virou para mim e falou assim: a minha especialidade é E esse tipo de linfoma não cresce de uma maneira tão rápida assim. Mas acima de tudo, tão importante quanto tratamento, é a tua cabeça. Se é importante para você, se vai te fazer bem, vai. Faz o caioba, faz as Olimpíadas. Você volta que dia? Eu falo: volto num domingo. Na segunda a gente começa quimioterapia. E aí eu falei: amor, falei para minha esposa: tá decidido, é o Dr. Otávio. Graças a Deus, hoje eu tô aqui. Graças a esse anjo da guarda aqui debaixo, graças a toda a equipe do Dr. Otávio, do Hospital Oswaldo Cruz, que foi de uma competência, mas acima de tudo de uma simplicidade, generosidade, assim, de uma atenção que fizeram toda a diferença no meu tratamento.
Uau! Eu tô aqui imaginando todo o passo a passo até você chegar nessa decisão com o Doutor Otávio. Eu vou querer ouvir o Cadu, mas depois, Caio, quero saber contigo como foi manter a cabeça boa. Você inclusive, eu tinha até notado, né, de uma das suas entrevistas, e que você dizia que sobre o tratamento, que você estava forte com a cabeça boa. Então já já quero entender como foi conviver, né, com o diagnóstico e essa espera. Mas já que você então mencionou do seu anjo da guarda, ele tá aqui também, né, conosco, Cadu. Cadu Ramos, fisioterapeuta. Quem nos conectou foi o Marco Aurélio, repórter da TV Globo, nosso amigo. E quando você, Caio, ele falou assim: mas se você falar com o Caio, você tem que falar com Cadu. Eu falei: sério? E eu não tinha visto ainda nos materiais que eu tinha procurado para pesquisar, eu não tinha visto o rosto do Cadu. Falei: não, vamos lá, Cadu, vamos embora, temos que explicar então qual foi o seu papel nessa história. Onde tava esse carocinho do Caio? Conta para nós.
Então, Isabela, esse trabalho que eu faço, que tem pessoas que procuram consultório com problema de joelho, problema de ombro, cervical, e então assim, de modo geral, muitas vezes a gente cuida do corpo inteiro e essa manipulação com as mãos. É muito intensiva, sabe? A gente busca a musculatura profunda, recuperar, regenerar as fibras, elasticidade das fibras musculares, recupera a amplitude, a parte articular. E nesse dia, o Caio, eu vi que ele tava um pouco mais tenso assim, eu falei, vou soltar cervical, porque ele tava falando bem a mim e tal. E eu fui para cervical, exatamente aí onde você tava colocando. Do lado direito.
Mas, doutor Caio, todos nós temos um pouco de dor aqui em alguns momentos da semana, né? Parece que vai ficando mais pesado os ombros.
É, não, tem meses que são bem tensos, né? Fica bem pesado, parece que a gente tá carregando o mundo nas costas, né, Isabela? Mas na verdade estava muito superficial, e ele realmente não tinha percebido, porque é uma coisa que você não pensa que você vai ter em momento nenhum, né? Como ele falou, você fala, poxa, É um soco no estômago mesmo, porque você não imagina que você vai ter esse problema. E quando eu comecei a palpar, eu vi que tinha mais de um caroço nessa região e tinha um pouquinho de inchaço, né, um pouquinho mais na lateral do pescoço. E aí, quando ele ficou de pé, que nós fomos olhar para o espelho, e realmente ele começou a falar: Cadu, você tem razão, tava inchado e eu nem percebi. E tinha um pouco de inchaço nessa região, como o doutor colocou. Há uns minutos atrás, e muitos carocinhos assim. E aí eu fui manipulando ali, fui falar: olha, isso precisa ter uma atenção. Soltei toda a região e ele foi para casa. Semana seguinte, né, Caio, eu já cobrei ele de novo. E aí foi lá, ele falou: Cadu, eu não esqueci. Na outra semana foi exatamente assim, ó: eu não esqueci, mas não fui ainda. Eu falei: então você por favor, né? E até que ele procurou o especialista e teve essa feliz, esse feliz diagnóstico no início, né? Porque eu acho que eu digo feliz porque tivemos a felicidade, né, do, com meu trabalho, a gente identificar, né? E ele de atrás, porque às vezes as pessoas também, depois eu vejo, depois eu vejo tudo, e acaba deixando. E você vê, se passa lá mais 6 meses, 1 ano, como que poderia estar, né, o risco de vida que ele poderia estar correndo. Então, poxa, eu fiquei muito feliz por ele ter acreditado mais nessa parte do meu trabalho, mais um pouquinho, né, porque o Cadu não é dessa praia, não manja muito, não deve ser nada, não tem nada a ver. Mas não, ele falou, poxa, vou lá porque realmente tem alguma coisa aqui. E ficamos assim muito feliz de saber que ele teve um tratamento tão de tanto sucesso, né? E tá tão bem hoje. Olha o rosto dele, a expressão de alegria desse menino, entendeu? Super, parece que ele tá até mais jovem do que atrás, né? Que tá super bem. Então eu fico muito feliz de saber que eu tive a felicidade de ajudar, que o meu trabalho é esse. O do doutor é dele na salva-vidas, o meu é melhorar a qualidade de vida das pessoas, né? Levar bem-estar prestar para as pessoas. E saber que numa condição dessa eu ainda consegui, não digo salvar a vida, mas talvez tenha sido mesmo a gente ter diagnosticado isso rápido, ter feito um tratamento rápido, e a vida dele é outra, entendeu? Assim, com segurança, tranquilidade. Então acho que eu, puxa, fiquei muito feliz mesmo por ter meu trabalho realizado de uma forma tão responsável, com tanta atenção, sabe? Eu acho que isso que eu passo para toda a minha equipe, eu acho que quando você tá no consultório, tá atendendo, é um foco que você tem que ter com o paciente. Você tem que entender o que tá acontecendo ali, qual é a necessidade dele, qual as necessidades do corpo dele, e focar totalmente naquele momento entre vocês dois. Então acho que é bem por aí, eu acho, o caminho de nós profissionais, né, e deles de procurarem ajuda quando precisa.
Excelente, Cadu. Me chamou muita atenção quando você fala sobre o seu estado de presença. Neste momento que você esteve com o Caio. Porque todos os fisioterapeutas e médicos, não é, Doutor Eduardo? Vocês têm grande poder pessoal sobre nós. Nós entregamos, querendo ou não, a nossa vida para os cuidados de vocês. Então, quando você percebe esse estado de atenção do profissional, para mim isso é um presente, ter a atenção de alguém. Especialmente nesse caso, ou seja, você ouviu o Caio, provavelmente, Caio, você não tinha sentido nada até esse alongamento que o Cadu fez, você não tinha sentido nada.
Nada. Que depois foi que os médicos me perguntaram: você tá sentindo alguma dor? Não. Algum incômodo? Não. Você tá sentindo febre, algum tipo de cansaço? Falei: nada, eu não tenho nenhum sintoma. Eu ainda achava que poderia ser, sabe aquele canal que já tem um tempo que você tem que fazer de novo num tratamento dentário? Não porque eu estivesse com dor, mas porque por tempo mesmo. De repente é alguma coisa desse canal, algum tipo de inflamação. Nunca imaginei que fosse ser um tipo de linfoma.
E nem tocando você sentia? Ou depois que ele falou você começou a perceber?
Isa, eu não sou muito vaidoso, tá? Eu não sou aquele cara assim que fico me olhando toda hora na frente do espelho. A única coisa que eu procuro fazer é ver se a Globo às vezes briga que eu deixo a barba. Tem que fazer, por exemplo, Bem Amigos daqui a pouco. Mas às vezes eu tomo uns puxões de orelha. Então eu não percebi. De verdade. Na hora que o Cadu falou, eu olhei e falei: opa, tem um inchaço mesmo. Porque no dia a dia você virando, você olhando, tomando banho, fazendo a barba, você não para para observar com atenção. E na hora que ele detectou o caroço, apalpando, eu falei: puxa, tem aqui um carocinho mesmo, o maior e um outro menorzinho. Aí eu passei a me preocupar um pouquinho mais.
Entendi. O Caio, eu vou passar a palavra então para o Dr. Eduardo antes da gente falar sobre a questão da saúde mental, porque, Dr. Eduardo, tem muitas pessoas aqui nos acompanhando e é muito importante agora que esses sinais a gente dedique um pouquinho de tempo a eles, né? O Caio falou assim, ah, não sou uma pessoa vaidosa, mas de repente no banho a gente tá com tanta pressa, né, gente, que o banho você toma correndo. O que que a gente não pode, Doutor Eduardo, negligenciar de diferente no nosso corpo quando estamos falando de leucemia, linfoma de Hodgkin e outros tipos de câncer?
Bom, então vamos lá. Quando a gente tá falando dos linfomas, né, é a história do Caio, é bem típica, emblemática, né, porque veja, é a questão de você notar tumorações. Todo aumento do gânglio é câncer? É óbvio que não. Na verdade, a maior parte dos aumentos ganglionares vão ser reação à infecção. O Carlinhos acabou de citar, porque será que não era alguma coisa? Então é muito importante não menosprezar. A melhor pessoa para ver isso, é uma vez detectado, é de fato passar pelo seu médico. Pode ser pelo seu clínico, né, que lhe acompanha, pode ser por um hematologista, por um oncologista, mas investigar, não menosprezar e não assumir outros diagnósticos aí sem passar pelas mãos de um especialista. No caso das leucemias, a gente vai falar de sintomas relacionados à dificuldade ou a má função das células maduras do sangue. Então nós vamos estar falando de anemia, então nós vamos estar falando palidez, de cansaço aos mínimos esforços, dificuldade às vezes para caminhar ou para fazer uma coisa, um exercício um pouquinho mais puxado. Nós vamos estar falando de febre, de infecções que são desproporcionais, persistentes ou muito mais graves do que a gente deveria, costuma observar no indivíduo que não tem a doença. E manifestações de hemorragia, principalmente as manchas roxas, né, as equimoses, e as petequias, que são pequenos pontos vermelhos. Tanto um quanto outro derivado da má função de plaquetas. Às vezes você pode ter o sangramento gengival ou sangramento nasal também aparecendo. Então, de grosso modo, nós temos aí ou as manifestações envolvidas na formação de tumores, massas, ou nós temos a má função das células do sangue. E isso a gente nunca deve menosprezar.
Antes de eu voltar a rodada aqui com Caio, com Cadu, Doutor Eduardo, eu quero mais uma vez agradecer a presença de vocês três e de todos que estão nos acompanhando pelo YouTube, Facebook, Instagram. Tem alguns comentários aqui, Caio. Por exemplo, Alisson Ferreira, ele tá trazendo do YouTube, é que começou a torcer para o São Paulo nos anos 90, quando você goleava no Expressinho. Cicinho do São Paulo, suas vitórias do passado, do presente, sempre ao lado de outros grandes campeões. O Alisson então está nos acompanhando, o Walter também tá aqui dizendo, né, saúde para você hoje, sempre. Essas manifestações, doutor, de pessoas que querem o nosso bem, isso contribui para o tratamento, para melhora Com certeza, com certeza.
Eu acho que, veja, é um— e acho que o Caio mais uma vez colocou isso muito bem— é um desafio. Ninguém está preparado para ficar doente, a verdade é essa, e principalmente uma doença mais grave. Então isso é uma jornada onde naturalmente tem a força do paciente, tem a força da família, né, da relação do paciente ali ao lado, E de toda a equipe médica, da equipe, e olha, é um número de profissionais muito grande que entra em contato. E também todas as pessoas, todos os amigos, sejam eles mais próximos ou mais distantes, isso sempre faz muita diferença no dia a dia.
E aí, Caio, como foi para você conviver com a sua família, com seus amigos, sabendo já do seu diagnóstico e tendo que trabalhar? Ou seja, você se entregando ali 100%.
Eu vou me estender um pouquinho na resposta para atender, para tentar atender todos os lados dessa, e voltar um pouquinho no início, né? Às vezes eu não gosto de preocupar as pessoas. Quem me conhece sabe que eu sou um cara brincalhão, tirador de sarro. Eu gosto sempre de ver o lado bom das coisas. Isso é como eu toco a vida, não só no trabalho, mas fora dele também. Mas não acha que eu não fiquei arrasado, que eu não tive um dia para chorar, que não foi, que foi fácil dizer para minha mãe? A tua mãe sai correndo da sala chorando, a tua esposa começa a chorar na hora que recebe a notícia. Tudo isso aconteceu como acontece com todo mundo, e eu chorei junto com eles. Eu virei para minha esposa no dia seguinte, falei: eu vou precisar de você. Eu sou muito família, assim, eu vivo para os meus filhos, é a maior paixão da minha vida. E eu falei: E eu tenho uma parceira assim guerreira mesmo. E ela fala: aí, vou precisar de você. Porque dentro das perguntas, na primeira pergunta, quando você descobre, você escolhe a tua equipe, a primeira pergunta que você fala para o médico: doutor, eu vou morrer? É a primeira coisa que passa pela tua cabeça. E o doutor Otávio falou: não, você não vai morrer, você vai sair muito forte de tudo isso. Falei: tá bom, quanto tempo dura? Como é o tratamento? Que que eu tenho que fazer? Quais os cuidados que eu tenho que ter? E aí eu virei para minha esposa e falei: amor, chega, a gente tem duas opções, ou a gente afunda ou a gente reage. Então esse choro vai durar 10 minutos, a partir de amanhã a gente vai levantar a cabeça e vamos enfrentar. Você cuida das crianças, você vai levar as crianças para o colégio. Eu não vou mais poder assistir o treino do João, eu não vou mais poder descer aqui no parquinho com a minha baixinha, eu vou ter que, até pela questão da imunidade, porque quando você começa quimioterapia a imunidade cai bastante, você tem que evitar um pouquinho o contato com outras pessoas porque você tá sem defesa, né? Então qualquer tipo de gripe, de inflamação, de infecção que você pegue, você tá mais vulnerável, vamos dizer assim, né? Então eu fiquei mais em casa, né? Durante os 2, quase 3 meses de tratamento eu não saía, eu ficava aqui. A minha esposa teve que segurar as pontas e isso me ajudou demais. Em relação ao trabalho, minha família 100% do meu lado, meu pai, minha mãe, minha irmã. Não contei para ninguém, porque para os meus amigos, só meu sócio sabiam, porque quando eu falei para minha esposa eles estavam juntos. E aí eu virei para o Dr. Otávio e falei: Doutor, eu preciso contar para as pessoas. Ele falou: Não, se você quiser, eu acho que vai dar para você levar numa boa quimioterapia 'Por tudo aquilo que a gente conversou, é muito no começo, a dosagem é um pouquinho mais fraca, são 4 sessões e mais depois mais 20 de radioterapia, mas eu acho que ninguém vai perceber.' E não era por uma questão estética ou de não querer lidar com a coisa. Assim, outra pergunta que eu fiz foi: 'Meu cabelo vai cair?' E aí ele falou: 'Isso eu não consigo controlar.' mas por tudo isso que a gente já conversou, tem grandes chances de não. Por que que eu fiz essa pergunta? Pelo meu filho. Ele tem 11 anos e eu não queria que ele ficasse chateado, não queria que ele fosse atormentado na escola, que as pessoas ficassem enchendo a cabecinha dele. Então eu falei para minha esposa: vamos tentar manter da maneira mais sigilosa possível para que ninguém se assuste, para que o meu filho não se assuste, porque ele já tá numa idade que ele vai se preocupar. E ele é muito sensível, ele é muito parecido comigo. Eu consegui lidar sem falar para Globo, eu não contei para ninguém até metade do tratamento. Disputei meu campeonato de tênis, fiz, fazia meus exercícios, vida normal, trabalhando. Mudei um pouquinho a minha rotina porque eu sempre chego uma hora antes do jogo começar e fico na resenha depois do jogo. Eu passei a chegar um pouquinho mais em cima do jogo, eu acabava, eu já saía correndo. Por quê? Porque o cabelo tava caindo, eu não queria que eles percebessem. Se fizesse assim, caía, ficava um pouquinho de pelo no ombro. E para você que tá passando por isso, ou que tem alguém próximo passando por isso, cara, foi uma libertação na hora que eu falei. Porque assim, você carrega os enjoos, a medicação, você fica mais indisposto. E eu não gosto de mentir, e eu não tava mentindo, mas eu tava omitindo uma coisa importante. Mas tinha um propósito, tinha um porquê, que era por causa do meu filho. Na hora que o cabelo começou a cair, e caía muito, eu fazia assim, se eu fizesse, eu poderia tirar ele com as mãos e ficar careca só com as mãos, sem precisar de um aparelhinho. Então você vai dormir, você olha o travesseiro, você tem que limpar o travesseiro, você vem para sala com teus filhos, na hora que você levanta, você lembra e olha para trás e dá uma batida na almofada. E aí eu falei: amor, é hora da gente contar. E aí ela, minha esposa, preocupada, falou: amor, fala que você perdeu uma aposta 'Você tá ficando careca porque você perdeu uma aposta, fala que é o Cartola.' Eu falei: 'Não, amor, eu não gosto de mentira, e é uma pessoa pública, as pessoas podem querer saber, querer fuçar.' E aí eu: 'Não, vamos ser sincero.' Ela falou: 'Não, tem razão, fala como você achar que é melhor falar.' Aí eu liguei para TV, liguei para Joana e para o Jorge Guilherme, os meus dois diretores. E eles, e aí tem que fazer um agradecimento especial a eles, porque eu falei Temos uma notícia boa e uma notícia ruim. Fala. Falei: a notícia ruim é que apareceu um linfoma no meu pescoço, eu tô com câncer, 100% de cura, e eu tenho certeza que eu vou ficar bom. E a notícia boa é que eu já tô na metade do tratamento. Eles falaram: como você tá na metade do tratamento e você tá trabalhando? E você não contou para a gente? Você tá precisando de alguma coisa? Para, você tá bem? Falei: tô ótimo. Falou: você quer parar? Falei: não, porque o trabalho me ajuda. Eu queria continuar trabalhando, queria continuar me sentindo produtivo. Na hora que eu entrava no ar, que nem eu tô aqui com vocês, eu esqueci um pouquinho das dores estomacais, sabe? Aquela dor que faz parte do tratamento, aquele enjoo, aquele mal-estar. Eu falava: cara, eu tenho que fazer um jogo, eu tenho que fazer um bate-papo, eu tenho que fazer 2 horas de programa. Eu me concentrava e conseguia fazer isso aí, é mais leve. Era como se você saísse, esquecesse um pouquinho tudo que eu tava passando e concentrasse no trabalho. E eles foram muito, mas muito bacanas. Eles falaram: eu acho que você deve comunicar às pessoas do teu jeito, da forma como você achar que é o ideal, e a plataforma você escolhe. Você quer usar um dos programas da TV? Você quer usar um programa ao vivo? Você quer usar suas redes sociais? E aí a gente tratou, decidimos juntos que eu usaria minha rede social, que eu daria uma entrevista para o Globo Esporte, depois eu sairia trabalharia remotamente, online, como a gente tá fazendo esse bate-papo, mas me manteria em atividade, mais concentrado no tratamento. Que quando acabasse o tratamento, aí eu atenderia todo mundo. E aí sempre numa mensagem positiva. E foi o vídeo que eu fiz, falei: ó, gente, precisamos conversar aqui, apareceu isso, mas eu vou ficar bom, eu tenho certeza que a cura vai chegar, eu já tô na metade do tratamento, eu tô meio careca, mas ó, Aliás, o cabelo tá até na hora de cortar de novo, mas vai passar. E aí, respondendo objetivamente a tua pergunta, Isa, eu nunca recebi tanto carinho, tanta mensagem de amor como eu recebi. Por ser uma pessoa pública, eu sabia, as pessoas, eu vou receber algum carinho, alguma mensagem carinhosa, uma outra pessoa vai se emocionar, mas nada, nada, nunca imaginei que fosse essa onda de amor tão grande como eu recebi. Isso é muito bom, isso te deixa mais forte, isso te deixa mais seguro. Então, putz, com certeza, vamos dizer que da metade para o fim do tratamento foi muito melhor a hora que eu lidei de frente com a repercussão de um tratamento de um linfoma de câncer do que quando eu tentei resolver aqui só na minha casa quietinho. E uma coisa que me deixa muito feliz e que eu tenho ouvido de bastantes bastante médicos. É assim, você não— mas e algumas mensagens que eu recebo nas redes sociais, todo mundo fala assim: você virou um exemplo. E eu nunca quis ser exemplo para ninguém, eu nunca me preocupei com isso. Mas falou assim: você não sabe a quantidade de pessoas que estão passando pelo que você passou. E quando a gente fala que é Hodgkin, resposta do paciente é igual do Caio Ribeiro. Puxa, porque se for igual dele, eu tenho certeza que eu vou ficar bom. Por isso que eu aceitei, além da nossa amizade, da admiração que eu tenho por você e pelo doutor e pelo Cadu, que acima de tudo é um grande amigo. Eu acho que quanto mais a gente falar da doença, talvez na questão da prevenção, na questão do tratamento, é numa mensagem, num viés positivo, de que olha, claro que não é fácil, tem vários estágios da doença, mas importante você conhecer os limites do seu corpo, é ficar atento a esses sinaizinhos que o Cadu detectou, que eu não tinha visto, fazer exames constantes para saber se tem alguma coisa diferente. Mas acima de tudo, não tenha medo de pedir ajuda, gente. Cara, ninguém é super-herói aqui. Eu também tive meus momentos de fraqueza e tive muita gente do meu lado para me sustentar, para me levantar. Tive muita mensagem carinhosa, carinhosa. Fiz o Caioba e foi meu primeiro contato com as pessoas careca. E aí você tem mil pessoas no hotel, 250 crianças que nunca te viram daquele jeito. E aí você recebe um terço, você recebe um crucifixo e fala: tio Caio, você tá nas minhas orações. Cara, uma criança de 6 anos te colocando nas orações. Então eu fiquei assim, com certeza eu saí muito mais forte de tudo isso, com certeza foi um grande aprendizado. E um pouco mais sensível também, algumas coisas que eu lidava mais firme, mais forte, hoje após dar embargada você dá aquela engolida para não desmontar. Eles acham que você tá fechada, teu microfone.
Pronto, agora sim. Fico muito emocionada em te ouvir, e você me trouxe aqui um elemento que eu gosto de falar todos os dias: saúde mental é uma decisão. Saúde mental é uma decisão individual, e se você puder compartilhar com alguém que você confia, melhor ainda. Quando você disse para sua esposa: eu preciso de você, isso é a maior prova de amor, é o sinal de companheirismo. E olha, eu preciso de você, eu preciso de ajuda. E para mim ficou muito claro, e aí eu quero ouvir o Cadu e o Doutor Eduardo. Ou seja, me lembrou também a história da Daiane, do Tiago Leifert. Eles também decidiram se preservar para preservar energeticamente E depois comunicaram. Você então tomou uma decisão para sua saúde mental. Olha, vamos chorar, é triste, é, mas tem cura. Vamos se agarrar ao lado positivo, né, do que nós temos. E depois comunicamos. Você mesmo disse, foi um alívio. Então a comunicação, ela precisa ter um tempo adequado para acontecer, certo?
Você sabe, desculpa, doutor, você sabe que o Thiago é É meu irmão, né, Thiago? É um dos meus melhores amigos, sou padrinho de casamento dele. E eu falei isso para ele, eu falei, a gente, o Thiago foi um dos caras que antes de fazer o vídeo eu liguei para ele, falei, amigo, precisamos conversar. Contei para ele, falei, o que que você acha desse vídeo? E dividindo mesmo, sabe, essa questão da experiência. Ele é um baita comunicador e eu amo ele, amo ele, amo a Day, amo a Lua. Você sabe o carinho que eu tenho por ele. E eu falei para ele, falei: Tiagão, na hora que você tornar isso público, vai te fazer muito bem. Daí vocês vão receber muito, muito apoio. E é bom receber, se sentir querido, é se sentir amado, saber que dividiu um pouquinho desse fardo, que não é um fardo. Falei: a lua vai ficar linda, a lua já é linda. É só, tem um início, meio, e tem um fim. E o fim vai ser a cura. Até para não falar muito, que eu já tô falando demais. Eu falo muito nos comentários no futebol, tem uma coisa que você não controla, que é o resultado. Você controla a preparação e tudo que você faz para chegar até aquele momento. O resultado é uma consequência de um equilíbrio físico, técnico, tático e mental. A sua saúde mental e a força que você tem para sair dessas adversidades é sua, é uma decisão sua. Ou você afunda ou você levanta. É seu. Eu resolvi levantar.
Excelente, excelente. E por experiência própria, você tem toda razão. O Thiago também, eu amo eles de paixão. Tem hora para tudo, até a hora da comunicação, Cadu. É preciso sensibilidade para que você esteja forte para essa comunicação, porque vocês, como você disse, você ao comunicar o que você viveu, você está ajudando pessoas a viverem a mesma jornada. Mas você estava forte para isso. Ao fazer ainda mais fragilizado, sensibilizado, isso não te faria bem. É isso, Cadu. Tem um momento certo também dessa, desse nível de energia. E de quando eu falo energia, energia vital mesmo.
É, o trabalho de tocar nas pessoas, né, é uma uma troca de energia, né? Você tocar, tem pessoas que gostam de ser tocadas, outras não gostam. Essa, e eu sempre me energizei muito bem, sabe? Eu venho para dentro de mim e foco no que eu tô fazendo. Eu preciso estar forte para que aquela energia da pessoa que tá ali com dor, limitação, que tá sofrendo, que se transforme numa boa energia partindo da minha. Né? Porque se eu for atender uma pessoa já com uma energia pesada, se alguma coisa que aconteceu na minha vida e eu levo para o consultório e tal, aquele ambiente já faz ser uma energia pesada e eu não consigo transmitir isso. Então eu acho que assim, nós que cuidamos precisamos estar com uma boa energia, com pensamentos positivos. E não foi fácil falar para o Caio: Caio, Olha, pode ser que tem alguma coisa aí, sabe? Eu tive que manipular algumas vezes ali para eu entender o que tava acontecendo, também para não assustá-lo, né, de passar uma informação para ele que, puxa, sai apavorado dali. E como é que, né, não, Cadu, não era nada, você quase me matou do coração, né? Então eu tive que me assegurar para insistir depois com ele para procurar ajuda, falar, não, você precisa ver, eu acho que é isso, isso. Mas é uma segurança que o profissional tem que ter e tomar uma decisão, que você tem que falar: não, ele tem que procurar ajuda e eu vou fazer de tudo para que ele faça isso, né? Embora seja difícil, né, você colocar que é uma situação dessa, né? Eu sou fisioterapeuta, né? E para ele, como ele disse, a confiança dele em mim de realmente dá um passo adiante e falar: não, eu vou ver o que está acontecendo aqui para que eu tenha claro que ou é algum problema ou não, tá tudo certo, segue a vida. Mas foi algo que sem dúvida a gente soube lidar bem, tanto ele como eu. Assim, depois de tudo que aconteceu, ele veio me contar, eu falei: caramba, Então isso nos dá mais segurança para que a gente possa fazer um trabalho mais assim de concentração, de energia, e de transmitir isso de uma forma sempre positiva.
Excelente. Teve um comentário aqui que eu gostei muito, Caio, que é a disponibilidade para a cura. Doutor Eduardo, o Caio falou no início aqui da nossa conversa que quando ele foi fazer o exame de sangue não detectou linfoma de Hodgkin nos exames de sangue. E aí imagina se é uma pessoa que de repente tá com muita pressa ou que tá se negligenciando. Eu gosto muito de frisar, né, sobre o quanto às vezes por pressa, né, Caio, Cadu e todos que estão nos acompanhando, a gente vai se deixando para depois. Ah, não é nada. Ah, não é nada. Eu sou a chata do autocuidado. Então, Doutor Eduardo, não deu no exame de sangue, é normal não detectar no exame de sangue?
O linfoma de Hodgkin, sim, é normal.
Por quê?
Por aquilo que eu expliquei na primeira fase. Nós estamos falando de doenças que fundamentalmente estão ocorrendo nos gânglios. Nas leucemias é o contrário. Eu vou ter, posso não ter nenhuma infiltração maior perceptível no exame clínico no gânglio, mas eu vou ter alterações no sangue. E aí que é importante você ter o profissional especializado para te ajudar nessa investigação. Então são dois grupos de doença muito diferente, embora todas elas estejam envolvendo aí células do sangue, mas com apresentação, uma fundamentalmente como eu falei circulante pelo sangue e outra pela linfa, que a gente não detecta isso no sangue. Então é bem mais raro a gente ter alterações sanguíneas associadas aos linfomas. Isabela, se você me permite, eu tô vendo aqui a mensagem a respeito das causas, né, e eu acho importante a gente falar isso, né, das causas das leucemias. Então as leucemias são doenças que decorrem de modificações genéticas dessa célula. O que quer dizer isso? Quer dizer que são doenças hereditárias? Não. Nem a gente adquire essa tendência, essa predisposição dos pais, e nem a gente transmite isso aos filhos. São alterações do material genético que ocorrem especificamente ou na medula óssea ou nos gânglios E que na verdade são mais de uma possibilidade de mudança e que são muito importantes, porque por exemplo nas leucemias algumas dessas alterações elas vão determinar uma doença de um caráter mais indolente, mais progressivo, enquanto outras vão determinar um caráter muito mais agressivo, muito mais resistente ao tratamento. E o médico vai a gente vai utilizar, entre outras armas, também dos testes genéticos para definir qual é o tratamento. No caso dos linfomas, o estadiamento com a imagem, o PET é muito importante, como o Caio falou, é a escolha, a estratégia de tratamento é mais baseado nos exames de imagem, enquanto que nas leucemias a gente tem uma importância muito grande dos fatores genéticos da medula óssea.
Excelente. Sendo responsável aqui com vocês três, que eu prometi que nós ficaríamos em torno de 45 minutos, eu gostaria das considerações finais de todos. Doutor, além de eu ser chata do autocuidado, depois da frase "depois eu vejo", tem uma outra que eu não gosto, que "quem procura acha". E no caso das leucemias e dos linfomas, nós estamos falando de problemas, de cânceres tratáveis e curáveis. Então, a palavra câncer assusta, né, Caio, Cadu? É um soco no estômago, evidente. Mas pera lá, qual é a chance? Qual é o tratamento? Então, doutora, gostaria aqui de já passar na nossa última rodada, tá, sobre tratamentos, como o portal de informações da BHH também pode contribuir para quem tem alguma dúvida sobre sinais, sintomas, o que que eu faço.
Perfeito. Então, o tratamento vai variar muito, desde fatores do próprio doente, a idade, se ele tem outras doenças associadas, as medicações que ele tem que tomar para outras situações, fatores da doença, onde eu citei o principal, que muitas vezes são fatores ligados ao estadiamento e as alterações genéticas que são a causa da doença, há estruturas também disponível ali do que que você tem naquele momento, qual é a melhor evidência científica para aquele tratamento. Ainda nós utilizamos bastante a quimioterapia. Alguns casos, de acordo com esse estadiamento, alterações genéticas, necessitarão de transplante. Esse transplante, ele no caso das leucemias agudas, geralmente é de um doador, ou seja, um transplante alogênico. Para algumas outras doenças, como mieloma e o próprio linfoma, muitas vezes o tratamento é o transplante autólogo, onde se utiliza a célula dele para ele mesmo. E além de tudo, com o avanço que nós estamos tendo, nós temos para várias doenças, nós temos moléculas específicas para alvejar aquela alteração genética desencadeadora da doença. Então eu acho que a hematologia vive hoje um momento de um grande avanço e, como você frisou muito bem, nós estamos falando de doenças curáveis. E para quem não gosta de procurar, é melhor achar antes do que depois, sempre.
Uau! O portal da BHH é muito interessante, viu, gente? E como eu falei, tudo que pode ser prevenido nós devemos prevenir. Então não deixe para se conhecer quando tiver um problema de saúde, né? A gente às vezes, a gente investe tanto tempo para conhecer tantas coisas, né? Então entre lá na Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Doutor, dá para prevenir as leucemias? Algum comportamento de risco ou não?
Olha, nós não temos uma clareza sobre todos os fatores de risco. Então a gente sabe, por exemplo, que algumas exposições a agentes químicos, como benzeno, por exemplo, tem aumento de risco, exposição a grandes quantidades de radiação também tem um aumento de risco, fumantes têm um risco maior do que não fumantes, mas nenhum desses fatores é um risco absoluto. Então, mais importante a gente ficar, né, muito importante ter um estilo de vida saudável e acompanhar com regularidade fazendo, fazendo monitoramento diagnóstico precoce.
Excelente, excelente, muito obrigado, Doutor Eduardo. Eu queria trazer aqui um comentário, Caio, do Nilson, que diz que tem mieloma múltiplo e depois de 5 meses de quimioterapia, dia 24, ou seja, daqui 3 dias vai internar para um transplante de medula. O que que você que recebeu tantas mensagens de fé, diria então para o Nilson, para esse momento que qualquer cirurgia deixa a gente aflito, né? Qualquer cirurgia deixa qualquer pessoa com medo que algo possa acontecer. Mas e aí, Caio?
Nilson, mais do que palavras de incentivo, eu vou te trazer um testemunho de um amigo que passou pela mesma coisa que você, que é o Narciso. Há muitos anos atrás, quando eu jogava no Santos, ele também foi detectado com leucemia, e eu fui a primeira pessoa a receber a notícia. Porque na hora que a gente, que o médico teve o laudo do exame, ele me chamou como um dos líderes do time. Eu tô falando de 90 e, não sei, 97 ou 2000, acho que foi 2000. E ele falou: pô, preciso da tua ajuda. Falei: que aconteceu? Falou: Narciso foi detectado com leucemia. E eu não tinha o conhecimento que eu tinha hoje em dia. E aí ele me explicou mais ou menos. E o Narciso passou por um transplante. O Narciso hoje tá ótimo, com uma família linda, tendo uma vida saudável, acompanhando os filhos. Um deles tá na base do Palmeiras. Eu fiz questão de participar do jogo que a gente faz todo ano beneficente que aconteceu lá em São Bernardo, e falei no microfone do Sport TV, porque o jogo foi televisionado, eu falei: eu só vim porque esse cara aqui é tão guerreiro como eu, na verdade mais guerreiro do que eu, porque eu passei por uma químio, eu passei por uma rádio, ele passou por um transplante que achou alguém que era compatível, que o corpo aceitou, né, a nova medula, não sei se é assim que se fala, e hoje ele tá ótimo. Então tenho certeza que você também vai ficar ótimo, Nilson. Acredita, acredita na cura, acredita no amor das pessoas que estão do teu lado, acredita na tua família, acredita no médico e ouça só o médico. Porque aconteceu comigo, provavelmente vai acontecer com você também. É tanta gente querendo o teu bem que fala: poxa, toma própolis, olha, tem um medicamento lá dos Estados Unidos que se você tomar, não, eu já passei por isso, se você fizer isso, divide com o teu médico, define uma equipe e ouça o que ele acha que é bom e o que ele acha que não vai fazer tão bem, porque ele sabe qual é o melhor caminho para cura. Mas ela chega, e a tua vai chegar também.
Excelente, excelente, Caio. Cadu, Doutor Eduardo falou ter um estilo de vida saudável. O homem já foi para a Lua e nós continuamos falando sobre estilo de vida saudável, né? Nós precisamos lembrar. Então, para os profissionais de saúde, eu queria dois recados seus, Cadu, para os profissionais de saúde sobre esse estado de presença no contato com alguém e não deixar também para lá algo que não seja da sua área? E sobre o estilo de vida saudável aí para todos nós.
Eu acho que nós que estamos todos os dias com pacientes, tocamos pacientes, o fisioterapeuta, o enfermeiro, massagista, enfim, todos nós acho que temos que nos concentrarmos em todos os atendimentos, focar no no paciente ou na pessoa que tá recebendo ali uma massagem, enfim, ter um cuidado especial, um momento especial entre você e aquela pessoa, porque ela confia no seu trabalho, né? Ela tá ali porque ela tem certeza que você tá dando o máximo de você. Então acho que nós precisamos nos doar como profissionais da saúde diariamente para que esses pacientes possam sim ter qualidade de vida, ter bem-estar, ter uma vida longa e duradoura por aí. E o outro lado, eu acho que é a prevenção, né? A gente falou aqui, eu acho que a prevenção é para as pessoas que estão vivendo mais, né? As pessoas estão fazendo mais esporte, mais atividade física. Então, acho que a prevenção é a palavra que veio para ficar. Passamos por um momento tão difícil aí que foi a pandemia, estamos passando e vamos passar, né? E Quanta coisa a gente aprendeu com isso e sem dúvida nenhuma a prevenção, sabe? A gente não deixar acumular, tipo, ah, meus exames não estão bons, depois eu faço. Ah, eu não faço atividade há não sei quanto tempo. Quantas pessoas que têm uma boa condição física, né, puderam passar pela pandemia com mais tranquilidade, não segurança, mas mais tranquilo de falar, poxa, eu tô com meu pulmão bem e tá Saturação é ótima, faço atividade semana toda. Então acho que a prevenção é a palavra que eu deixo de mensagem aqui para todos nós, e vamos nos cuidar cada dia mais.
É isso, excelente, Cadu, Caio, Dr. Eduardo. Muito obrigada pelo tempo de vocês e por tudo que vocês compartilharam conosco.
Imagina, nós que agradecemos aí.
Beijo, Isa, sempre bom estar com você.
Bom programa, Caio, descansa, vai dar tempo de descansar um pouquinho até lá, né?
Não, Eu já tenho que sair correndo para TV. Eu venho aqui para conversar com vocês, eu cheguei de Cuiabá, fui almoçar com os meus amigos, aí eu tô aqui no bate-papo, eu corro para o Bia Mins, o cara me marca fisioterapia às 8 horas da manhã, Isa. Aí eu chego caindo assim de sono, ele não entende por quê.
Vem de pijama, tá tudo certo.
Pelo tempo. E tenho certeza que todos que entraram aqui estão saindo mais leve com todos os seus depoimentos, com tudo que vocês compartilharam. Muito obrigada aos três. Saúde para nós!
Saúde!
Obrigado! Até!
Para todos vocês que nos acompanharam, muito, muito obrigada pelo seu tempo e pela sua confiança. Tudo que nós compartilhamos aqui eu trago com muita seriedade neste programa chamado Promovendo Saúde. Desde o início de 2022 e seguirei até a última semana desse ano, trazendo sempre um assunto que possa levar educação e saúde para o maior número de pessoas. Então, se fez sentido essa nossa prosa, compartilhe com quem você quer bem, compartilhe com quem você sabe que vai ser importante ter essas informações. Muito obrigada mais uma vez, excelente semana para todos nós e até A próxima semana com mais um Promovendo Saúde. Até lá!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








