O que suas dores no pescoço escondem? Alessandra Koga - EP 01 - Ïnterioriza 2ºTemporada

Physiotherapist Alessandra Koga, who survived a carotid artery dissection, talks about what chronic neck pain can hide. Sudden neck pain, headache, and vision changes sent her to the ICU with stroke risk. She explains how overtraining, hairdresser visits, and certain movements trigger the condition.
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Já sentiu alguma dor no pescoço? Ou já finalizou o dia, ou até começou o dia com muita dor no pescoço? Eu já, já faz tempo já que eu sinto dores no pescoço, dor no ombro, e hoje no Interioriza você vai saber o que pode estar por trás dessas dores no pescoço. É muito mais sério do que você pode imaginar. Nós vamos conversar com a Alessandra Koga, fisioterapeuta, especialista em reumatologia, professora de Pilates há mais de 20 anos pelo método original e que viveu uma experiência muito desafiadora. Ao invés de passar o aniversário num cruzeiro, ela passou na UTI, mas ganhou um presente. Agora contando pra nós aqui no Interioriza como ou o que está por trás dessas dores no pescoço. Não perca! Você já sentiu alguma dor no pescoço? Ai, que dor no pescoço! Nossa, que dor no ombro! Eu tenho sentido dores no pescoço e nos ombros já há muito tempo. E aí às vezes é por conta do telefone, postura. E para quem me conhece sabe que eu já faço Pilates há mais de 15 anos com ela, Alessandra Koga. Só que hoje eu não tô aqui no estúdio da Alessandra para fazer aula de Pilates. Eu tô aqui no estúdio da Alessandra Koga pra gente falar sobre um problema de saúde que ela teve recentemente e que está relacionado com essa dor aqui no pescoço que muitos de nós sentimos. Então estou estreando o Interioriza Itinerante, né, ou seja, agora eu também vou aos locais dos entrevistados pra ouvir uma história que eu sei que pode te ajudar e que pode prevenir problemas mais graves. Alessandra é formada pela USP há 27 anos, é fisioterapeuta, fez especialização em reumatologia na UNIFESP, 21 anos como professora de Pilates do método original do senhor Joseph Pilates. Um beijo, senhor Joseph. E dessas 50 mil aulas, professora Alessandra, igual piloto, né, gente? Piloto tem tantas mil horas de aula, tantas mil horas de voo. Ale, 50 mil horas de aula, todos reclamando de dor?
A maioria reclamando muito de dor, ou de algum desconforto, ou de alguma incapacidade física. Mas por ser físio, a maioria me procurou ou me procura exatamente por isso, por alguma queixa.
Eu tô muito feliz de estar aqui com você, obrigada.
Eu que agradeço.
Ou seja, dessas 50 mil aulas, Por todos os alunos que já passaram por você, além de mim, claro, né? Dor no pescoço e dor no ombro tem se tornado cada vez mais frequente.
Cada vez mais frequente. E eu também faço uma relação com a pandemia, a piora da queixa também, né? As pessoas começaram a fazer mais home office, a ficar muito sentada, a não movimentar o corpo, e a queixa só piorou.
Só piorou. Muito bem, mas agora a gente não vai falar de dores alheias, nós vamos falar de uma dor que a Alessandra sentiu. E é isso que eu acho mais curioso, né? Você como fisioterapeuta especialista em reumatologia, professora de Pilates, e não só professora, mas você criou um método chamado Parapilates, que reabilita, que dá ação para pessoas que perderam movimentos ou nasceram sem. E aí você sentiu uma dor, uma dorzinha de cabeça, sentiu uma dorzinha de cabeça esses dias? Como é que foi, Ale?
Então, já faz um tempinho que eu venho tendo um desconforto uma dor de cabeça que melhorava com analgésico, com paracetamol, que todo mundo compra na farmácia sem nenhuma restrição, né? Você pode comprar. E sentia muito enjoo e ia levando, né? Ia levando isso, enfim, tomando sempre alguma coisa pro enjoo, pra dor de cabeça. E algumas semanas eu percebi que eu comecei a tomar mais remédio a tomar mais remédio para controlar meu enjoo. E isso começou a trazer uma série de outras consequências. Eu comecei a dormir mal por conta da dor, não achava posição. Comia também, já comia pouco, comecei a comer menos ainda porque eu achava que tudo estava me fazendo mal. E não tinha muita noção assim do que poderia ser, né? Então, nos meus momentos de treino, né, eu falei do Pilates, da yoga, da natação de alto rendimento, eu melhorava quando treinava, talvez pelo efeito da adrenalina, né, e me sentia bem.
Totalmente.
Mas uma hora depois eu já tava passando mal de novo, e isso começou a ficar cada vez mais frequente.
Ou seja, você tava sentindo dor, começou a tomar mais remédios, a dor não passava, aumentava a dose de remédios, até que Até que a dor veio abruptamente.
Eu tenho uma tolerância boa pra dor, né? Temos, né?
A mulherada tem mais resistência.
E ser muito resistente à dor também não é muito bom, né? Porque você vai aguentando, vai aguentando. Eu sempre penso muito em quem está numa condição pior e ia, de certa forma, negligenciando a minha dor. Isso foi muito, muito persistente. E quando eu tive essa dor abrupta, essa dor latejante na nuca, eu comecei a perceber que, por exemplo, nos momentos que eu meditava, essa é uma prática que me trouxe muito autoconhecimento, não tava ficando legal.
Onde era a dor? Mostra aqui pra câmera.
Dor na base posterior do pescoço, na nuca, subindo pra metade da cabeça.
Então começava aqui no pescoço, ficava intensa aqui na base do crânio e irradiava pra cabeça.
E aí comecei a sentir um desconforto na vista, uma dor no olho, vamos colocar assim, e muito enjoo. Esses foram os principais sintomas. Comecei a ficar assim meio alucinada, né, porque não conseguia nem raciocinar mais, né. E tinha algumas crises que eu achava que era um pânico, mas era o desconforto na cabeça. Então o que eu sentia? Minha cabeça tava inchada, ela tava já pressionando outras estruturas.
Você então começou a sentir um mal-estar por muito tempo, que você ia treinando, adrenalina ia anestesiando a dor, ou remédio mesmo, até que essa dor ficou insuportável. O que te fez parar de tomar os remédios para ir ao hospital?
Então, eu fui ao hospital, procurei emergência, quando essa dor chegou a 10, a gente tem escala, né, de 0 a 10. Eu não consegui dormir e meu pescoço começou a ficar rígido. Aí você falou: "Agora tem alguma coisa errada." A primeira coisa que eu pensei foi na meningite. Já conhecendo outros casos de pessoas que ficaram cegas, surdas por conta da meningite. Então a rigidez na nuca foi um sintoma que eu falei: "Agora eu tenho que procurar ajuda, porque algo não tá muito bem." E passando mal. Então já sem comer, já com aquele mal-estar que assim, é um mal-estar piorado, uma mistura da ressaca com o mal-estar da gravidez, incontrolável. E aí eu comecei a ficar já alucinada, não conseguia nem pensar, sentindo essa dor latejante na cabeça.
Detalhe que para quem nunca ficou grávida, né, e quem nunca ficou de ressaca, o que é um pouco mais difícil, mas aí os homens conseguem entender quando você diz ressaca e as mulheres conseguem entender gravidez. Mas as mulheres que não ficaram grávidas, elas entendem aquela sensação de ressaca. É um mal-estar estranho, né? Como se o seu corpo tivesse já... igual uma conta, tá no débito, tá no débito. Nós estamos precisando de alguma coisa. Ou é descanso, é água, ou é glicose, né?
Então você tava com aquele composto.
Tá bom, ok.
E aí cheguei ao hospital, né? Fui rapidamente atendida, porque eu cheguei no hospital com uma pressão de 16 por 10 e a minha pressão normal é 9 por 6, 10 por 6. Então tava alta. Pressão alta, dor aguda e dor na cabeça. Então não demorou muito pra eu ser já, pra passar na emergência com o neurologista.
Muito bem. Aí que você chega lá, vocês fizeram exames, qual foi o diagnóstico? O que estava acontecendo com a Alessandra?
A Alessandra estava tendo uma dissecção arterial na carótida.
Repete.
Que é uma dissecção arterial na carótida, que é uma das veias, das artérias que irrigam o cérebro. E isso estava provocando todos os sintomas. Então era um risco iminente de eu ter um AVC isquêmico. Vamos lá.
Vamos lembrar aqui agora uma aula de anatomia. Pensa no seu corpo, coração, né? Você sabe que ele está mais ou menos por aqui. Do coração saem artérias e do corpo vão para o coração veias. Aprendi direitinho. Quando essas artérias têm problema, uma delas é a carótida. Então, a artéria que sai do coração para irrigar o cérebro rasgou?
Rasgou. Ela rasgou e esse rasgo, no meu caso, né, então o cérebro ele é irrigado por 4 artérias, 2 vertebrais que são posteriores, 2 atrás, isso, e 2 mais anteriores que são as carótidas, né. Então o sistema ele é muito complexo e por alguma razão, no meu caso se fechou, talvez um overtraining, a carótida ela rasgou em 2 partes. Assuntos, tá? Com tamanho bem considerável.
Vamos por partes, antes de explicar o que é overtraining e tal. Imagina que este copo transparente é a nossa veia, claro que aqui numa proporção muito maior. Então por aqui passaria o sangue.
Isso.
Rasgou. Então imagina que você tá tomando água, o copo de plástico rasga, aí cai água em você, você pega outro. E a hora que a veia rasga?
Artéria.
É, artéria. E a hora que a artéria rasga?
Então, sintoma abrupto: dor. Primeiro sintoma é dor, ou seja, se forma um processo inflamatório, porque o corpo, o que ele entende? Opa, o sangue extravasou, eu preciso coagular isso.
Coagular significa juntar.
Isso, você faz um aglomerado, justamente para poder estancar esse vazamento. Só que esse aglomerado, essa coagulação, o que poderia acontecer? Fragmentos poderiam se soltar, voltar para a artéria e mandar esse fragmento, esse coágulo, para o cérebro. Esse é o risco do AVC isquêmico. Então poderia ter sido numa área que comprometesse a minha visão, a minha audição, a minha fala. Então eu estava na iminência de ter, de acontecer tudo isso, mas eu fui socorrida a tempo.
Vem comigo, você que está aqui no interiorismo, obrigada pela O seu tempo e confiança. Esse é um assunto de utilidade pública. Por quê? A dor que não sangra, a dor que a gente não vê, ela é muito questionável. E a gente fica anestesiando ela por muito tempo. No caso da Alessandra, eu quis trazer aqui esse exemplo do interiorismo porque é uma pessoa extremamente saudável, dorme bem, não bebe, não fuma, professora de Pilates, mas que acabou de dizer pra nós agora há pouco uma palavrinha em inglês que significa excesso de treino, overtraining. Vou fazer aqui um parênteses, tá, professora? O trabalho é ruim? Não, o trabalho é o que faz você sentir tesão pela vida e tal, mas o excesso traz problemas. Água em excesso também traz problemas? Opa, quantas vezes a gente vê enchentes no Nordeste, por exemplo, que aí causam prejuízos e transtornos. O treino, treinar é importante? Sem dúvida, né? Atividade física faz parte dos faxineiros da saúde mental. Só que até o exercício físico em excesso pode provocar problemas de saúde.
Existe até uma correlação, né? Que no trabalho o excesso pode levar a um burnout. E na atividade física você faz um overtraining, ou seja, você começa a fazer lesões lesões por excesso.
Lesões por excesso, paramundo, lesões por excesso, como no passado, né, os bancários tinham lesão por excesso de digitação.
Exatamente.
Tá, overtraining, isso.
Então já se associa, por exemplo, que eu comecei também a sentir que na natação, no movimento de virada olímpica, eu fazia virada olímpica e me sentia mal, ficava sem, ficava tonta, ficava falando, aí culpava a comida, o não dormir, o trabalhar demais, mas não conseguia correlacionar isso ao que eu tava fazendo, porque eu conseguia fazer. Então se eu conseguia fazer é que tava tudo bem, né? Mas não tinha nem ideia que isso foi me machucando e o Pilates também no alto rendimento há tanto tempo também foi me trazendo consequências. Pelos movimentos por cima da cabeça, pelas hiperextensões, pelas rotações, mesmo tendo controle do corpo. Mas eu não tinha controle do que eu tava fazendo com a minha cabeça, com o meu pescoço.
Muito cuidado com alto rendimento, alta performance por longos períodos. É o que a gente já fala, quem me acompanha sabe disso, o quanto eu repito: tudo em excesso. Vai fazer mal. Vou repetir: tudo em excesso vai fazer mal. Outro dia eu estava até discutindo isso, sabe com quem? Com o Papai Financeiro. A gente estava falando sobre dinheiro. O excesso de dinheiro traz mais problemas relacionados à saúde mental do que a falta. A falta de dinheiro faz a pessoa se explicar, buscar uma alternativa, inventar alguma coisa, usar criatividade, inovar e tal. O excesso traz depressão, ansiedade, crise de pânico, etc. Que é o medo da perda, o medo de, enfim, só fazendo aqui um parênteses no nosso interioriza. Alessandra, então tá, você saudável, sempre fez ginástica olímpica. Sabe o que eu fico com medo disso que você tá me contando? Quantas vezes eu estava na academia e não com o meu personal Douglas Monge, marido da minha melhor amiga Simone Baier, mas eu via pessoas, personagens do lado Com a luz, a gente assim: "Não, vai mais um pouquinho, força mais um pouquinho, só mais um pouquinho." Aquilo me incomodava.
E normalmente vai, eles... Você vai tentar um pouquinho mais se você tiver...
Isso é um perigo.
É um perigo, exatamente, é um perigo.
Crossfit também, você estava dizendo?
Crossfit, então tem algumas práticas, na verdade todo esporte em excesso pode trazer, pode provocar quais são? A natação, né, por conta do movimento de rotação da cabeça e rotação rápida da cabeça, ou hiperextensão, por exemplo, no nado borboleta, no nado peito. Jogos, por exemplo, futebol, impacto, aquela cabeçada que às vezes um jogador dá no outro. A ginástica olímpica, por exemplo, você vai fazer um salto, você tá na barra paralela E cai, e às vezes você cai e torce o pescoço. Então, pra mim, assim, todas as práticas esportivas ou um movimento mal executado pode provocar dissecção também.
Sabe o que pode provocar dissecção também? Já foi no cabeleireiro? Já ficou muito tempo assim, ó? Eu adoro, adoro lavar o cabelo no cabeleireiro. Um beijo, Ana Costa. Mas isso Isso também pode provocar?
Pode.
Mas o corpo ele já vai estar debilitado.
Ou não, né? Posso pegar uma pessoa saudável e que tá tudo bem e a permanência na posição de hiperextensão da cervical por minutos, sei lá, meia hora, 15 minutos, quando você passa aquela tintura no cabelo e tem que agir, ou a hidratação que tem que agir produto, já existem relatos de casos que podem provocar a dissecção arterial.
Essa dissecção então ela pode acontecer depois de muitos anos forçando a carótida? Sim. Mas a dissecção pode acontecer em qualquer momento?
A qualquer momento, ela pode romper a qualquer momento.
Ela pode romper a qualquer momento e com qualquer veia ou artéria do corpo?
Sim.
Só que quando acontece na carótida, falta oxigenação no cérebro e aí Acontecem todos esses desequilíbrios.
Isso, porque a artéria, sim, além de transportar oxigênio, ela transporta nutriente, glicose, né? Então você pode prejudicar muito a nutrição do cérebro por conta desse desvio lateral que o próprio fluxo sanguíneo vai tender a fazer. Então pode trazer uma consequência inimaginável, porque além desse aglomerado e o coágulo que pode desprender, eu posso romper a artéria. E aí, nesse caso, é o aneurisma. Ou seja, eu posso explodir a artéria ou posso só rasgar e o sistema vai dar conta de fazer todo esse trabalho de cicatrização. E que na verdade não é ordenado no momento que essa artéria rasga.
Quando uma pessoa tem um AVC isquêmico ou hemorrágico, muito provavelmente ela já teve uma artéria dissecada, ou seja, ela já teve, a artéria já teve uma ruptura.
É, exatamente. E aí assim, na verdade, o isquêmico também pode acontecer, por exemplo, as pessoas mais velhas que têm a aterosclerose, né? Então a artéria também ela pode ficar obstruída por placas de gordura, que é o que normalmente acontece com as pessoas mais velhas, né? Então você pode fazer o isquêmico ou por esse estrangulamento da artéria por conta da placa de gordura ou pelo trombo. Por isso você tem as tromboses, a trombose pulmonar também. Então a artéria obstrui por essas duas consequências. Ou ela rasgou ou ela entupiu. Exatamente, ela pode entupir parcialmente ou totalmente. Totalmente é quando você já parte aí, já tem um diagnóstico do AVC instalado.
Você falou inimaginável. Você imaginava viver uma situação como essa e ter passado a virada do ano dentro da UTI?
Não, não imaginava, não imaginava. E justamente por ter começado a minha carreira trabalhando em UTIs, onde eu via tudo, né, desde o caso—
Você trabalhou em UTI?
Trabalhei em UTI 5 anos, fiz UTI adulto e neonatal. Então eu nunca imaginei está do lado de cá, o lado do paciente, e nunca imaginei a importância da fisioterapia para que aqueles pequenos movimentos fossem a base para me trazer onde eu estou agora, que é o tirar o paciente do leito, movimentar, e por ter ficado muito tempo prostrada assim com medicações muito fortes, eu perdi a força do corpo, não conseguia me mexer na UTI. Por conta da dor, então as medicações eram de hora em hora. E aí eu fui perdendo a mobilidade, eu não conseguia ficar sentada, eu não conseguia sustentar a cabeça de tanto mal-estar que eu sentia. Então, mas também assim, no momento que eu comecei a responder ao tratamento, por conta da minha condição física, eu fui melhorando Também. Ah, pronto.
Quantos dias de UTI?
Foram 5 dias de UTI.
5 dias de UTI. Esse programa está sendo gravado 10 dias depois que ela saiu da UTI. Então, 10 dias depois de sair da UTI, você também está aqui dando essa entrevista pro Interioriza, porque a sua condição também de saúde permitiu essa recuperação rápida. Só que agora, Alessandro, o seguinte: quando eu te pergunto, você imaginava que isso ia acontecer? Como é que você o que você se sentiu? A fragilidade, o medo? Se você pudesse fazer algo diferente nesses meses antes dessa dissecção, o que você teria feito?
Eu teria feito menos, teria me movimentado menos. Talvez no momento de um estresse, né, ao invés de procurar uma prática de mais intensidade, querendo provar que eu era capaz de superar o meu alto rendimento, talvez eu tivesse ficado num rendimento mediano, médio, talvez, sem excesso. Mas justamente quando me sentia pior, eu achava que eu tinha que me mexer mais. E aí fui só somando o que meu corpo dizia: para um pouquinho, vamos menos, né? Vamos ver como é que tá essa alimentação.
Ou seja, você diminuiu o ritmo do trabalho, mas consequentemente aumentou o ritmo de treino para compensar esse tempo.
Isso. E eu assim, em dezembro, me inscrevi na minha travessia no Rio. Ia fazer uma que acontecia de 2 km, enfim, na prova que chama Rei e Rainha do Mar, que era o meu sonho fazer um dia e tal. Mas assim, uma semana antes eu falei: eu não vou porque eu não tô bem, eu não tô bem, eu tô treinando, tô ficando enjoada, vou fazer a virada olímpica, não consigo.
Foi o que a Simone Biles fez nas Olimpíadas de Tóquio, quando ela evita uma competição para continuar a carreira, foi a mesma coisa que você fez.
Foi exatamente a mesma coisa, eu falei: não dá. E se eu tivesse ido, talvez não estivesse aqui. Então, esse feeling mais refinado de que eu tinha que parar, assim, não ia dar. E fui parando, né, aos pouquinhos, e depois meu corpo falou: "Alessandra, chega, precisamos descansar.
A sua cabeça não aguenta mais, ela não vai dar conta do seu corpo mais." Acho muito curioso quando você fala do enjoo, porque quando nós estamos falando de saúde mental, né, o Janeiro Branco já passou, mas Janeiro Branco é de janeiro a janeiro. Quando a gente fala de saúde mental, quando a nossa mente está em desequilíbrio, seja por falta de oxigênio, seja por excesso de qualquer coisa, é o corpo que vai se manifestar. E a gente demora para associar que aquele enjoo tem a ver com Falta de oxigenação no cérebro. Isso é muito sério.
Pela dor, né? A dor aguda normalmente faz isso, né? Eu vejo muito, peraí, que fala: "Ai, não tô legal, tomei..." E aí você começa a tomar remédios, né? Que também vão afetar toda a acidez estomacal, enfim. Então fica uma bola de neve.
Já viu esse filme? Você que tá nos acompanhando, tá com dor no pescoço? Eu tô, eu tô ouvindo isso, eu tô começando a ficar com medo. "Eu tenho medo da dor." Que bom! Quando a gente tem medo da dor, a gente vai investigar. A prevenção é a melhor coisa. Ale, pra gente finalizar então, eu queria que você repassasse quais são os sintomas, quais podem ser os zumbidos no ouvido, o enjoo e tal, e depois como nós podemos prevenir.
A dissecção arterial cerebral é a principal causa de AVC em adulto jovem. Até os 50 anos, né? Então se relaciona essa dissecção, esse rasgo, que também pode acontecer na aorta, que aí é um caso gravíssimo, é cirúrgico, né? E os sintomas de uma dissecção na aorta abdominal também é a dor lombar. Então olha só o que uma dor, às vezes uma lombalgia, pode estar mascarando, né? Por isso que tem que, enfim, procurar ajuda imediata. No No caso da dissecção cerebral, os principais sintomas então: a dor abrupta, que pode ser na base da nuca, no pescoço, na lateral, pode ser frontal, temporal, pode ser a cabeça toda, enfim, a dor então nessa parte do trapézio, exatamente na conexão do pescoço com a cabeça, uma dor nos olhos, a perda de visão que pode ser um ar dor nos olhos, enfim, que você associa, sei lá, pequeno cisco que entrou no seu olho, às vezes pode estar mascarando já um sintoma vindo aí da dissecção. Um zumbido cardíaco, então o que é o zumbido? Você inclina a cabeça para o lado normalmente da dissecção e você ouve o seu batimento cardíaco o tempo todo. É enlouquecedor, é como se tivesse um tambor o tempo todo no meu ouvido. Por exemplo, tô falando aqui com você, eu tô sentindo esse zumbido.
Eu senti isso antes do burnout, eu lembro como se fosse hoje. Eu deitada tentando dormir, né, durante o dia, e aquela baita pressão, né, calor, barulho, e você precisando dormir para acordar logo. Eu me lembro de ficar assustada quando eu me dei conta de estar ouvindo o meu batimento assim como se tivesse um microfone um telefone no meu coração. A sensibilidade no ouvido quer dizer muita coisa pra gente.
Esse sintoma então é muito importante, a fotofobia é um também, então você vai fechando o diagnóstico, né? Perda de força, tremor nas mãos, no caso de um AVC já instalando, aquela boca que começa a entortar pro lado, né? Você pode ter, enfim, esse agregado de sintomas neurologistas, né, e que vale a pena investigar. E a investigação ela tem que ser imediata.
Neurologista.
Neurologista. Neurologista.
Isso.
Então você pode ter os sintomas, por exemplo, uma fraqueza num lado do corpo, né, normalmente já é o quadro bem típico de AVC. E aí assim, o que pode provocar então? O esporte, atividade física, o excesso, o excesso O exercício mal feito. Na minha área de Pilates, acrobacias, performances, e às vezes você vê que a pessoa não tem o controle, né? Não tem esse cuidado e faz porque é bonito. Você vê no Instagram aquelas aberturas ou ficar de cabeça pra baixo, enfim. Isso pode provocar. O lavatório do cabeleireiro, as escovas, os alisamentos de cabelo também estão muito relacionados.
Chicotes no pescoço, não é isso que você quer dizer? Exatamente.
Moto, né, aquele impacto na cabeça vindo, pancada, então acidentes podem provocar isso. O cinto de segurança, às vezes você vai frear, então o cinto passando aqui, ele pode machucar sua face.
Dependendo da sua condição interna. E o estresse, Alê?
O estresse também associado, né, então já como uma causa de AVC, pode ser mesmo, porque o estresse inflama, o excesso de estresse inflama.
Então se inflama as células, sua circulação pode estar inflamada, né?
Então você tá jogando, na verdade a gente não tem muita consciência que tudo é regido pela circulação, né? E uma outra causa muito importante, que eu acho que a pessoa, né, você tem que saber com quem você vai fazer o procedimento, é a quiropraxia e a osteopatia. Vários relatos já de dissecções arteriais.
Aquelas travadas assim?
Você movimenta a vértebra, mas aqueles tá lá, você também pode— opa, rasgou, né? Fez um machucadinho na carótida que pode vir aumentando. Então no meu caso, que são duas áreas dissecadas, eu acho que foi só aumentando. E se eu não fosse freada pela minha queixa, Isso estaria talvez aumentando mais e aumentando. Então, tratamento para dissecção é medicamentoso e cirúrgico em últimos casos. Eu, os neurologistas que me assistiram optaram por fazer a anticoagulação e que eu devo tomar aí durante muito tempo. É um controle rigoroso do anticoagulante, tanto é que na minha alta eu tive uma explicação pela neuro, né, e pelo farmacologista, que foi me explicar exatamente o que que a varfarina, que é o princípio ativo da medicação que eu tomo, pode fazer. Pode interagir com alimentação, né, pode interagir com a minha prática de exercícios, né. Então eu devo evitar o fluxo excessivo sanguíneo para minha cabeça hoje. Então entendo muito por ter justamente trabalhado com pessoas com mais limitações, que hoje eu não preciso fazer mais a alta performance, porque pra que eu faria isso hoje? Pro meu ego, né? Então, pra que poderia ficar, por exemplo, de cabeça pra baixo hoje? Eu não preciso mais.
Um detalhe aqui só pra gente encerrar, a Alessandra não parece, Ela completou 50 anos. E nesse período em que ela esteve na UTI era para você estar em um cruzeiro. Então olha como é a vida te mostrando. E eu me lembro claramente quando você me dizia: "Isa, eu me dei de presente, eu e os meus filhos, um cruzeiro, né? Nós vamos aqui no litoral do Brasil, é um presente para mim." Aí vem papai do céu e fala assim: "Então eu vou te dar um presente, mas não vai ser no cruzeiro." Você tem noção disso? Tenho.
E assim, tenho. E ao invés de fazer o cruzeiro, eu falei muito lá que o cruzeiro foi interno.
Olha o turismo interno aí, gente. Oba! Muito bem. Ale, nós temos muito ainda para falar. Nós faremos outras edições de interiorizando Pilates, gente, porque eu tô aqui na cadeira mais especial do Pilates, que eu amo, que a gente faz aqui uns exercícios maravilhosos. Mas de novo, De novo, mesmo aquilo que te faz bem, se for em excesso, pode te fazer mal e você não tá nem sabendo. Minha querida, eu sei porque que você teve isso, para você ser porta-voz agora dessa mensagem.
Ah, com certeza, né?
A sua, o que você viveu, a sua recuperação, o repertório que você construiu até aqui, o trabalho que você faz com os para-atletas. Agora você já tem já uma informação prevenção, para poder falar de prevenção sem nenhuma dúvida.
Isai, e o que aconteceu comigo também, na UTI você não dorme. Eu dormia com as medicações, sem as medicações eu ficava em alerta, alerta, alerta. E esse ficar alerta me trouxe muita consequência depois, porque eu praticamente Não dormi. A hora que eu ia começar a dar aquela descansada ou absorver o efeito da medicação para dor, ou acendia a luz, ou chegava alguém, ou disparava o monitor, virava para o outro lado e disparava a bomba. E depois em casa eu tive problemas para relaxar, eu não conseguia dormir. Então o que que eles me explicaram, né, o intensivista? Que eu ia ter uma hospitalite, que era toda essa consequência do estresse que meu corpo passou. Ele foi tratado, mas ele foi mais estressado. E quando eu cheguei em casa, eu não conseguia relaxar.
Hospitalite.
Hospitalite.
Gente, eu sou apaixonada por ela.
Tive algumas alterações, algumas, alguns até alguns delírios, porque quando eu cheguei em casa eu não queria dormir porque eu Eu tinha medo, medo talvez de dormir e não acordar mais, medo de não ver o dia, porque eu queria ver o dia, eu queria ver tudo, eu queria estar em alerta. E isso só se normalizou essa semana, aí fazendo 10 dias que eu tô em casa. Então foi um estresse, né? Eu fui tratada, mas para o tratamento fazer efeito, ele teve que ser estressado também.
Agora, recuperação agora, do desgaste, né, que o tratamento provocou. O importante é que agora você está bem.
Sim, tô bem, me sinto viva, falando, ouvindo, concatenando as ideias. E meu cérebro, ele desinchou. Essa é a maior, a melhor percepção que eu sinto, de quando eu entrei no hospital, que eu não conseguia raciocinar pela dor, pelo edema, pelo hematoma que se formou dentro dessa carótida. E hoje eu sinto que assim, que ele desinchou. Então tudo voltou na harmonia que todo mundo tem que ter para que a mente faça todo efeito. Então para que a mente fique bem e que ela consiga me dar o norte, o meu cérebro ele tem que funcionar nessa harmonia. Então a circulação, a oxigenação, né? E o que a gente faz aqui no Pilates é justamente promover a saúde física e mental pela circulação. E a preocupação do Joseph Pilates era que o sistema circulatório dê conta. Por isso o primeiro movimento, né? É começo da ativação da bomba.
Isso vai ser um outro episódio, eu vou deixar todo mundo aqui com gostinho, sabe? O que Sabe o que eu digo para a Alessandra toda vez que eu saio da aula? O que eu digo, Alessandra?
Que você está saindo melhor do que chegou.
Milhares de vezes eu falo isso. Estou saindo 1 milhão de vezes melhor, 2 milhões de vezes melhor. Ale, obrigada. Que você continue o seu lindo trabalho. Foi um privilégio começar o interiorismo itinerante aqui com você, vendo você bem.
Obrigada, Isa. Você é uma inspiração para mim, você sabe disso.
Você só vem me entendendo de você.
Você, né?
Seguimos juntas então. Você que acompanhou a gente até aqui, muito obrigada pelo seu tempo e confiança. Se você tiver sentindo alguma dor, não espere ela ficar crônica, não espere essa dor mudar de lugar para que você faça algum movimento em busca da origem dessa dor. Então procure ajuda. Já sabe que a dor que não sangra, ela é muito questionável. Então não se limite com diagnósticos em que te criminalizem, né? Se você está sentindo dor, a sua dor é genuína e merece todo o cuidado possível. A gente se encontra então agora no próximo episódio do Interioriza. Até mais!
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