O tempo da paternidade!

Journalist Érico Aires adopted his son João as a gay single father in Brazil. He describes navigating adoption law, facing prejudice, and how fatherhood changed him. He argues that time and nurturing creativity matter most in parenting, and urges others to consider adoption.
Chapters
Olá, boa noite, seja bem-vindo, seja bem-vinda... a mais uma prosa muito interessante... que também está lá no livro... Dá um Tempo... Como Encontrar Limites em um Mundo Sem Limites... que eu tenho o privilégio de apresentar para vocês... com informações para a preservação da vida, assim... para a gente poder falar de vida, a gente tem que falar de tempo... e é fundamental a gente falar sobre as nossas escolhas... Paulinho, seja bem-vindo, Gabi, minha mãe já tá aqui, Luzice Paggiari, muito obrigada, viu, Cida, também, pelo tempo de todos vocês. Hoje a gente vai fazer uma conversa... Oi, Érica, que linda aqui também, Magalhães, Goiânia. A gente vai fazer hoje uma live intercontinental. Eu tô aqui no Brasil, claro, e o Érico Aires, o nosso entrevistado dessa noite, tá lá em Portugal. Eu e o Erico já trabalhamos juntos lá na Band, e ele agora está vivendo um novo tempo lá em Portugal. E eu nem estou em São Paulo hoje, eu vim aqui para a Basílica de Aparecida, para a Basílica de Aparecida, não, para Aparecida, para gravar na TV Aparecida, participei do programa Santa Receita, com a Bianni, toda a equipe maravilhosa, foi um programa incrível, muito bacana, e bom, para quem já sabe, né, Sou devota da nossa fofinha, da nossa senhora, então, ó, tô até aqui com ela também. Foi um, perdão, um tempo de muita qualidade, que é o que eu desejo pra todos nós aqui, um tempo de muita qualidade. Já vou dividir aqui tela com o Érico, deixa eu ver se ele tá aqui. acho que ainda não. E nós vamos falar hoje sobre o tempo da paternidade. O tempo da adoção, inclusive. Que é um tempo muito importante. Para que ninguém negligencie. Para que o tempo não passe.
Olá.
Boa noite.
Tudo bom?
Muito melhor agora. O João tá dormindo já?
O João tá dormindo. É, não. Deixa eu até fechar a janela aqui.
Calma aí.
Olha os desenhos dele. João, eu tenho uma política com ele desde muito cedo. Ele não gosta. Ele sempre tenta me convencer que dormindo tarde, ele acorda tarde. Isso é bom, porque ele dá menos trabalho de manhã.
Ou seja, está te enganando, como diz lá no interior do Paraná.
Menina, João, se deixar dar nó em pego d'água é uma loucura. Não foi comigo. Falei alguma coisa para ele se calmar.
Será que o João está aprendendo o pingo d'água com o jornalista Érico Aires?
Eu acho ele muito mais espertinho do que eu, sabia isso. A minha maior dificuldade, meu maior desafio agora é tentar não estragar o João. Não castrar, não podar, não estragar nesse sentido das N possibilidades infinitas que ele pode ter. Tipo, contar uma bem prática. Minha mãe deu pra ele um cubo mágico, aquele que você faz assim, essa... E aí o primeiro cogumástico ele deixou cair no chão, era um negócio chinês, quebrou. Mas dentro tem um dispositivo que junta os quadradinhos. É bem interessante, chama Tractan. E aí guardou. Aí minha mãe deu um novo cogumástico, um bem melhor. E durou assim, tipo, um dia e meio. Na hora que a gente viu, o João tinha destruído o cogumástico. E aí o meu ficou muito puto. Falei, joga fora. Não, foi eu que falei. Joga fora, joga fora. Aí jogou fora. E aí ele guardou o outro. Quando eu vi, ele juntou as duas traquetanas e tava montando uma outra coisa já. Mas aí que mora o perigo. A vontade que eu tinha na hora era, joga essa porcaria fora, você quebrou o brinquedo de propósito, você destrói tudo, não dá valor pro brinquedo, que é o discurso que as pessoas fazem, né? Que é o... Foi meu ímpeto, inclusive. Que foi o que eu fiz. Aí, eu comecei a lavar a louça e falei, cara, isso tá errado. Porque eu tô tirando a criatividade dele, ele quebrou isso por algum motivo. Aí fui lá no nicho, lavei o negócio, devolvi pro João. Falei, vai, inventa aí, porque você quer inventar. Então é muito difícil isso, esse negócio é muito complicado, porque sobretudo nessa idade que ele tá, uma idade de você estimular mil coisas que vão repercutir lá na frente. Quantas vezes a gente faz, nós entrevistamos e a pessoa fala, nossa, surgiu quando eu tinha 6 anos, 5 anos, eu faço isso desde pequeno. E aí você não pode mudar, você tem que deixar a expressão em fogo.
Perfeito. Ô, Érico, bom, primeiro, muito obrigada por ter aceitado compartilhar dessa sua hora conosco. Eu tenho certeza absoluta que o que você tem pra contar aqui pra nós, além do que está no livro, vai ter um tempo de qualidade. A gente tá ajustando aí, não se averge.
É isso. É a pessoa que nunca fez isso antes.
Pronto. É a sua primeira live?
Minha primeira live.
Ai, que lindo. Nossa, é a primeira vez juntos aqui. Tá vendo, gente? Que coisa chique. Olha que chegou. É. Atravessou o oceano, hein? Atravessou o oceano.
Com o greve do Correio e tudo. É incrível chegar. Incrível. Quando tem que ser...
É. Ô, Érico, eu tô muito feliz e quero que quem está aqui conosco se entender que esse assunto da adoção para quem quer ser pai em vôo solo ou mãe em vôo solo, envia aqui esse aviãozinho para quem vocês sentirem no coração de vocês que possa se interessar e coloquem coraçõezinhos aqui do lado que é essa live, Érico. O Instagram entende que esse assunto é relevante e aí a nossa janelinha vai para outras páginas também. Sejam todos muito bem-vindos e eu garanto que essa hora vai ser muito útil. Érico, você adotou o João.
Foi.
Você adotou o João e me conta essa história no livro, o tempo da paternidade, de uma forma muito cuidadosa, porque por muito tempo você fugiu do seu sonho de ser pai por medo, por achar que não poderia. Conta um pouquinho essa história pra nós.
Bom, várias questões, né? A primeira de partida é que eu sou gay. Então, como ser pai sendo gay? Eu não posso gerar sozinho, tinha que gerar com uma mulher. E eu cheguei a buscar esse caminho aí. Mas o fato é que eu queria ter um filho, não queria ter uma esposa. Eu não queria ter um filho pra terceirizar meu filho pra uma mulher e aí visitar meu filho de 15 em 15 dias de não ser um pai presente. Eu queria ter o filho, exercer essa paternidade. Inclusive eu falei isso durante o processo da adoção. Uma vez a gente faz parte do processo, você ter as entrevistas com psicólogo, com assistente social, e uma das técnicas perguntou, a adoção é a última opção? Eu falei, não, a adoção é a minha opção. Porque eu acho, pra mim, não interessa ir no Vila Country, pegar qualquer pessoa lá, engravidar e ser pai dessa criança de uma forma tão maluca, não era o que eu queria, não era onde o sonho estava ancorado. Que a coisa mais importante que eu acho nesse processo todo de ser pai é da onde vem esse desejo. Você tem que entender muito bem da onde vem esse desejo. Ah, não, porque tá na moda agora, todo mundo adotando, artista adotando, não sei o que, modiguinha adotando, vou adotar também. Não, não, não, não. Adota uma samba baia. Se você não tem esse desejo, Esse desejo, essa vontade mesmo de paternar. Isso vale pra heterossexuais, casais. Se você não tem isso, não é porque sua mãe falou que você tem que parir um filho que você vai parir. Porque vai dar N. Você vai tratar no dia do desespero, tem dia do desespero, dia que a criança vai te levar ao seu limite, você vai fazer uma coisa muito ruim porque não tem onde ancorar. Tá ancorado num lugar que não é o desejo. mesmo lá do âmago, da sua programação espiritual. Tem vários caminhos aí para explicar isso. Então, eu queria ser pai. Eu tive um pai muito legal. Meu pai faleceu quando eu tinha 16 anos. Eu venho de uma relação de pai e mãe que também é muito legal. É uma família que me tratou, que me criou Então, um lugar de amor, então é um lugar de luz e eu queria continuar isso, eu queria reproduzir isso. Meus sobrinhos cresceram, minha irmã tá aí, ela deve sentir a mesma coisa. Meu sobrinho tem dois metros de altura, eu senti aquele ninho vazio. Eu falei, gente, não tem mais, eu quero ter um filho, eu quero ser esse, eu quero fazer isso.
Quando que você percebeu pela primeira vez que você se deu conta que não tinha mais?
E eu fiquei nessa história, sabe? Aí, adotei a samambaia, adotei o gato, tive uma sequência de gatos, aí adotei o cachorro, o Todd, que tá comigo há 11 anos, e não completa, né? Não é o filho. Não é o filho. E aí eu comecei, entrei num momento Nazaré, né? Eu via um filho de alguém, eu abraçava, pegava, botava no colo, falava, vou roubar. E aí minha mãe um dia falou assim, cara, o que tá faltando pra você? Aí eu falei, ah, porque a Band tá em crise, a Band vai demitir a gente. Eu trabalhei na Bandeirantes por cento anos, né? E a televisão vai acabar, o Netflix chegou e o casamento acabou. Eu sempre tinha uma desculpa. E aí minha mãe um dia falou assim, o negócio é o seguinte, meu querido, não tem tempo certo. Pra ninguém tem tempo certo. Você acha que a gente engravidou, eu engravidei de 3 assim, tudo planejado no calendário, tava tudo bem, o dinheiro tava sobrando. Não é assim, não é assim. Você quer ser pai? Quero. Então, acho melhor você resolver isso agora, porque você vai ficar velho, e aí você não vai rolar no chão mais, você não vai botar o menino e jogar o menino pra cima. As coisas vão ficando cada vez mais difíceis. Você vai perder fases importantes. Eu falei o dinheiro, ela falou assim, a gente resolve isso depois. Dinheiro é de tudo. O dinheiro é o menos importante. E eu de fato acho. O dinheiro é super importante. Mas de tudo, o dinheiro é o menos importante. O mais importante é você saber, tá muito consciente daquilo que você quer. Pra poder pegar, topar esse desafio e fazer isso com amor. Com verdade. Porque é um rabo de foguete, viu? Imagina, educar um filho de Deus. Quem tem religião e que acredita nisso, imagina. Deus fala, toma aí um filho. Meu filho. Porque nós somos filhos de Deus, né? Cuida bem dele. E aí você pega esse filho de Deus e vai educar e vai criar. Porque textilizar é fácil também, né? Botar pra televisão fazer, né? O Instagram da vida. O Instagram não, tá? Agora educar. Hoje eu falei pro João. Eu falei, João, Cara, quantas vezes eu tenho que pedir pra você não mexer nas minhas coisas? Imagina, meu computador. O computador que tá no meu doutorado.
E ele mexe.
Mexe, imagina. Aí ele virou assim com a cara de pau de escorpião e falou assim. Várias vezes porque eu esqueço.
Olha só.
Imagina.
Entendi. Ô, Érico. Tem muitas pessoas aqui, olha, dizendo, né, Thaís Nadra, que coisa mais linda esse pai. Muitas pessoas agradecendo, inclusive, as suas falas. E eu tenho certeza que essa conversa, ela vai ficar gravada depois lá no YouTube, tá, Isabela Camargo Real. Agora é o momento, assim, do prime time do Instagram, então tem um monte de conteúdo. Então eu quero agradecer demais vocês que estão aqui. Se puderem, coraçõezinhos pra nós. E enviem aqui pelo aviãozinho, pelo menos pra cinco pessoas que vocês gostam. Assim a gente vai semear mais informações que podem trazer alegria que o Érico sentiu ao adotar o João. Érico, então tá. Então foi um período de muita dúvida, esperando que alguém dividisse esse sonho com você. Como chama sua mãe? Cátia. Aí a dona Cátia chegou e falou, meu filho, vamos ser felizes.
Foi exatamente isso. Você tá esperando o quê?
Você achava que por ser gay, nas suas palavras, como você disse, você não poderia adotar uma criança?
O senso comum, porque depois que eu virei meio que o exemplo da mídia, o gay que adotou sozinho, eu recebo muito, muito, mas muito. Toda vez que eu faço alguma coisa, alguma entrevista, alguma propaganda de Dia dos Pais, aí aparece, vem sempre. E o gay tem essa dificuldade de achar que ele é um cidadão de menos, né? Que ele é um cidadão que não tem todos os direitos, é um sub-cidadão. E eu achava isso. Eu cheguei no fórum, o nome é no cartório, no cartório, na vara da infância. E aí eu falei assim, veio a funcionária, que por sinal era uma estagiária um abrigo, uma menina de menor aprendiz num abrigo. E ela soube depois. E ela veio e eu falei, eu queria tirar uma dúvida, eu quero adotar, eu queria saber quais são os requisitos. Aí ela falou, foi falando, falando, falando. Ela acabou de falar e eu falei assim, a gente adora perguntar brasileiro, né? A gente não escuta nada e fala, mas tal coisa. Aí eu falei, eu sou gay, eu posso adotar? Aí ela fez assim.
Eu falei, não.
Porque eu não quero que me enganem. Eu não quero que me enganem. Porque se for me enganar, eu vou lá para o Goiás, escuto cantinho, e se for de alguém que é proibido por lei, gente, não façam isso. Chama a adoção brasileira, que é passar direto da mãe para registrar no seu nome, isso é proibido. Aí ela falou assim, não, meu querido, você pode adotar, não tem impedimento nenhum. Inclusive essa vara aqui tem uma juíza ótima, doutora Dora. Doutora Dora era da vara João Mendes e virou desembargadora. De tão maravilhosa, que ela é maravilhosa. Doutora Dora adora casais gays. Eu falei, mas eu sou solteiro. Aí ela, pode também, pode. Mas vai que se arranja alguém. Ela falou assim, vai que se arranja alguém. Eu falei, quem sabe. Até hoje não arranjo ninguém. Continua um pai solteiro. Uma coisa... Alô?
Alguém? Alô, alguém?
Você que quer adotar um pai, um filho e dois cachorros. Estamos aqui de coração aberto em Portugal.
Érico, você é um cara... Bom, a gente se conhece há muito tempo. Eu admiro demais você. E toda vez que eu vejo um amigo também com a mesma vibe que você, eu falo assim, ó, segue lá, ó. Segue lá, né? Se fosse você, daria uma conferida de perto. A Jaque Amore tá perguntando assim, quantos anos tem o João? Jaque também é uma querida amiga de muitos anos, faz tempo que eu não a vejo, mas tá aqui perguntando quantos anos tem o João? E aí eu te pergunto, com quantos anos você adotou? E aí vamos falar um pouquinho do tempo, né? Quanto tempo você ficou na fila, quais foram os requisitos? Porque você devia estar lidando com as suas inseguranças, seus medos e mais um monte de burocracia, né? Então vamos lá.
A burocracia foi muito simples. Muito simples. Eu cheguei... Eu passei um carnaval. Eu fui fazer o ban de folias e tive um carnaval muito difícil. Muito difícil, aconteceram várias coisas. Eu passei um carnaval triste. Então, ao invés de olhar pro artista, eu olhava pro artista quando eu tinha que fazer a entrada. Quando eu saía da entrada, eu fechava. Fechava e eu comecei a olhar e, olha, eu tenho mais de 21 ban de folias. Eu ando de carnaval pra carnaval. Eu fiz de tudo no carnaval. E nesse carnaval específico, eu olhei pras pessoas. O ser humano. E tinha tanta criança na rua. Tanta criança na rua. Jovem, criança. Várias idades. Com pai, sem pai. Dormindo no chão. Aquilo foi me dando uma gastura, porque um dos meus medos era que eu vou trazer João, meu salário não é grande, eu gasto metade do meu salário com a casa que eu morava, que eu pagava, uma casa. Já era do processo de ter um filho, ter uma casa em vez de um apartamento, um jardim, com cachorro. E não vai ter dinheiro pra essa criança, né? Como é que eu vou bancar essa criança? E aí eu vi aquelas crianças em situação de precária na rua durante o Carnaval. Falei, cara, lá em casa, mesmo que estude numa escola pública, mesmo que coma arroz, feijão, carne moída, abóbora e salada, que é uma comida boa, porém simples, ele vai estar, e com amor e carinho, ele vai estar melhor do que numa situação como essa aí, que em alguns casos tem a mãe e o pai, mas tem criança na rua do Carnaval que tá sem família, sem nada. E aí eu voltei pro Carnaval na própria quarta-feira de cinzas e na quinta-feira eu fui fora. Então eu voltei decidido. Graças a Deus aconteceram essas coisas. A gente às vezes questiona os momentos de tristeza ou de dificuldade, mas eles podem ser fundamentais para os momentos de transformação. E aí eu voltei e fui ao fórum. E nesse dia do fórum, você tem um processo burocrático, que é você, para deixar você apto à adoção. Então, entrega de documentos, as entrevistas todas, tudo isso é regulamentado por lei. Então, são X horas de entrevistas, X horas de psicólogos. E, por exemplo, eu tinha dedicação total. Eu virei primeiro chefe, o Valkyria Ramô era minha diretora Imediato eu falei, Val, eu preciso da sua ajuda, eu preciso de tempo pra ir lá. Então, por exemplo, a psicóloga, eu fui em dois dias. Tinha que ser 13 horas, eu fiz 6 horas num dia, 6 horas no outro. A mulher falou, nossa, que compromisso que você tem. Eu falei, não tô com pressa, mas eu quero resolver. Então eu saí... Bom, sou de Brasília, né? Então, acostumado com funcionário público, inclusive na família. Eu saía e falava, o que vai acontecer agora? Aí a pessoa falava, eu vou entregar o aparecer em dois dias, o sistema de São Paulo é ótimo porque você vê tudo na internet, vai estar lá na internet, eles têm X dias para o próximo passo. Então, quando dava o X dia, eu ligava lá, oi, não foi ainda o próximo passo, tá acontecendo alguma coisa? Aí um dia uma funcionária falou, pai você está muito ansioso, está ainda dentro do prazo, vem esse amanhã Aí eu falei, não, estou ansioso não por mim, porque eu tenho mãe, tenho família, tenho casa Estou ansioso pelo meu filho que está no abrigo, que vai passar o Natal no abrigo longe de mim Então, se a gente puder dar uma celeridade na coisa e cumprir os prazos, eu ficaria muito feliz. Eu não briguei com ninguém, mas eu fui, claro, com o meu direito de cidadão. E o meu processo, então, demorou. Essa parte burocrática demorou nove meses. E é um processo importantíssimo, porque você vai amadurecendo quando a psicóloga faz o perfil da criança. Gênero, fácil. Fácil você resolver qual gênero. Agora, quais doenças você aceita? Se a criança tiver diabetes, você aceita? Se a criança tiver câncer, você aceita? Se a criança tiver HIV positivo, você aceita? Se a criança tiver autismo, você aceita? Cada coisa, eu fiz um processo comigo, de autoconhecimento. Eu, consigo, eu, Érico, sozinho, funcionário da Bandeirantes, que trabalho 12 horas, gravações e não sei o que, sem horário definido. O jornalismo tinha um horário definidinho, mas eu era dentro de detenimento, então um dia eu gravava de manhã, outro dia eu gravava de tarde, outro dia eu gravava de noite, outro dia era um show. Eu vou conseguir ter um filho autista que não quer comunicar, que eu não posso pegar e deixar com a babá, tem que ser eu. Eu consigo ter um filho autista? Não, não consigo ter um filho autista. Então, não pode ter um autista. Eu consigo ter um filho com HIV? Consigo ter um filho com HIV. Eu consigo ter um filho doente, com a AIDS, com tuberculose, não sei o quê? Consigo, consigo. Mas um filho que eu não comunico, eu não consigo. Então, eu fui estabelecendo Foi isso que foi me limitando. Essas primeiras dificuldades, que mudam também. Hoje em dia, se eu for adotar uma próxima criança, já é outra história. Porque o João já abriu caminhos. O João já me mostrou coisas que eu não consigo lidar e coisas que eu consigo lidar. Então, esse momento aí é um momento muito importante. Eu não acho que tem que demorar. Por exemplo, minha irmã que tá aí vendo a gente, ela é de um outro fórum. Minha irmã também está querendo adotar. Ela é de um outro fórum, que é de Brasília. E lá só tem uma vara. E a juíza tem que ter um curso. Um curso de adoção. O juiz pode ou ele dar o curso, ou ele pode terceirizar. Você vai em uma ONG e faz. E aí pega o certificado. Doutora Dora, por exemplo, dava o curso. Porque ela é maravilhosa e ela adorava dar o curso. Mas ela dava o curso assim, dois meses ela dava o curso. Pra rodar. Santo Amaro, aí em São Paulo, que é muito grande, é um fórum muito grande, eles não conseguem dar o curso. Então é esse terceirismo. Você vai numa ONG que eles indicam, faz o curso e leva o certificado. A minha irmã em Brasília, deu início no processo dela no mês que teve o curso. O juiz dá uma vez por ano só. Então ela ficou um ano esperando fazer o curso. Olha que maluquice, com crianças e crianças e crianças precisando ser adotadas Então a justiça infelizmente ainda tem esses problemas que felizmente São Paulo tá querendo resolver Tá.
Então pelo que você tá dizendo aqui é o seguinte Você pode ser solteiro ou solteira e adotar Não importa a sua opção sexual Não E vai depender de cada estado, ou seja, depende de cada vara, depende de cada...
O tempo. Esse tempo.
Isso.
O tempo demora um pouco por conta dessas pequenas coisas. O tamanho, a distância, óbvio. Uma cidade do interior, às vezes, a vara da família não fica lá porque não fica, a justiça não fica sediada lá. Você vê São Paulo, Saiu hoje a notícia que São Paulo quer abrir o STJ na quarta, quinta turma. São Paulo não, Minas Gerais. Então assim, nem todo lugar a justiça tem todos o que precisa. Uma vez que você resolve essa parte burocrática, a justiça diz, Isabela, você está apta à adoção. Você pode entrar na fila num país inteiro. Você fala, você pode escolher o Brasil inteiro. Eu quero crianças do Brasil inteiro. E aí, Você vai ficar lá no registro das comarcas, que a Isabela tá criando uma menina, assim, assim, assado, desse jeitinho. E aí as varas lá vão ver essas crianças que eles cuidam, se combinam com o perfil da Isabela. Essa fila, ela é meio virtual. Porque, por exemplo, o papel da justiça não é conseguir um filho pra Isabela. O papel da justiça é conseguir uma família pra criança. Então o juiz, ele vai olhar o melhor interesse pra essa criança. Então uma criança que tem um problema cardiopata qualquer, se tem uma família lá que tá em último lugar da fila, que o pai é diretor de cirurgia do coração do Einstein, é óbvio que a juíza vai falar, opa, talvez seja mais oportuno casar esse povo aqui com aquele lá. E aí dá umas tretas, né? E tem umas coisas que não são ditas. Por exemplo, eu escuto muito, toda vez que eu falo assim, a pessoa fala assim, ah, eu tô 10 anos e não consigo adotar, tem uma coisa errada e não sei o que, cheia de criança. Por exemplo, nós fomos casados, eu e você. E você não conseguiu ter filhos, por sinal, a mulher chega muito diferente na adoção do que o homem.
É mesmo? Eu?
Cheguei na adoção como luz, né? Vim de um lugar de luz. As mulheres que eu conheci que chegavam na adoção, elas já tinham tentado engravidar, feito os tratamentos que são caros e dolorosos. E aí, normalmente, elas estavam na ruptura do casamento e indo para a adoção. Então, a sociedade cobra muito da mulher o ter filho. Não é solar, assim, que ela fala. Ah, eu não quero ter filho. Tem um filme da Nicole Kidman, maravilhoso, que ela adota dois menininhos na Índia. E que ela fala uma hora pro menino e fala assim. Eu podia ter tido filhos, eu adotei porque eu quis.
Essa é a verdadeira adoção, né?
É, é. Adotei porque eu quis, ela fala. E é maravilhoso, dá pra dar cara. Aquele filme todo mundo tem que assistir, gente.
Sim, sim.
Eu perdi, eu nem sei onde eu tava falando mais. Ah sim, aí o casal. Não, calma, calma. O casal quer adotar. Aí chega eu e você lá na entrevista. Entrevista junto. Aí você e a Isabela falam. Ah, eu tô adotando. Isso aqui não é, Erico? É, eu tô querendo adotar. Entrevista separada. Entrevista separada e vem falar. E aí, seu Eric, você quer adotar? E eu falo. Ah, lá no meu emprego tá difícil, não sei o que, não sei. A técnica da justiça, o papel dela não é separar a Isabela do Eric. Não vai virar pra Isabela e falar. Seu marido, ele não quer adotar. Ela não vai falar isso. Ela vai enrolar você. O seu processo vai ficar lá, ó. Enrolando, enrolando. Até vocês amadurecerem o desejo de adotar como casal. Então, às vezes, tem umas demoras, que são demoras importantes, que não são ditas para as pessoas, porque não é papel da justiça. Não é papel da justiça falar, olha, seu marido tem probleminha. Seu marido não tá junto com você. Não é papo da justiça. Então tem isso, tem essas coisas. E não tem custo, viu gente? Não precisa pagar nada pra adotar. Não precisa contratar advogado, não precisa fazer nada. Eu não gastei um euro.
Olha só, Ericô, a Mandica Alves tá dizendo aqui, dá um cheiro no João. Dá um cheiro no João.
Eu tenho uma da Beleza também, que passou, você falou da Thaís, Thaís Nader, cantora, baiana maravilhosa. Ela tem uns 14 filhos, pelo menos, gente. Não são 14 não, mas são uns 6. E ela, agora na quarentena, com essas crianças tudo dentro de casa, você não sabe o que é isso, Isabel. Você não sabe o que é isso. Nossa, Portugal fez. Portugal investiu no pai, na mãe, que precisava da quarentena, deu o salário pra quem tinha filho pra ficar em casa. para quem tinha que trabalhar, abriu a escola, mesmo na quarentena, para receber as crianças que os pais, pai médico, pai polícia, pai disso aqui, abriu a escola e para quem precisa da comida, porque a criança só come na escola, também tem isso aqui, papais pobres, né? Mandou comida para casa. Portugal fez um trabalho bonitinho para os pais e mães, uma coisa incrível, diferentemente do que a gente vê por aí. Pelo resto, não.
Ô Erico, que bom que as coisas estão se encaminhando da melhor maneira pra você e que você tá tendo tempo de qualidade aí com o João. Quantos anos ele tem? Quantos anos ele tá?
Não respondemos. O João tem seis anos. O João chegou com dois anos e dez, dois anos e poucos meses. Era um toquinho de amarra onça, magrelinho, careca. Temos essa questão do cabelo porque eu cheguei lá no primeiro dia que eu fui visitá-lo no abrigo E o menino careca. Aí eu falei assim, por que ele é careca? Aí ele falou assim, ah, porque cabelo de negro, né? Cabelo de negro, reticências, né? Reticências. Não termina a frase, né? Aí eu, não entendi, qual que é o problema? É que vocês deixaram ele crescer? Como é que é? Ah, dá muito trabalho. Aí eu falei, ah tá, dá muito trabalho. Aí eu falei, olha, faz favor pra mim. É meu filho, esse menino vai ser meu filho. Não corta mais o cabelo dele não, viu? Pode deixar o cabelo dele crescer. Ele vai ficar com black power desse tamanho. E esse cabelo já me deu uns problemas. Já tive que tirar de escola, já brinquei, já foi uma confusão.
Bom, se der tempo eu quero falar sobre isso com você, tá? Sobre essa cena e tudo mais. Mas tem muita gente aqui, grato demais, grato demais pelo que você tá falando. A live vai ficar salva sim, tá gente? Lá no Isabela Camargo Real. A internet ajuda a gente pra isso, né, Érico? Antes a gente fazia uma reportagem e depois que você ia saber quantas pessoas assistiram. Agora não. Aqui tem um número, mas esse número é muito irreal, porque depois esse número se multiplica infinitamente, graças a Deus, no tempo de cada um. A Snadr tá dizendo aqui que são quatro, O novo descobriu recentemente que é autista, tá dizendo que a gente nunca tá preparado, mesmo com amor, e filhos nos transformam. Taís, parabéns por todas as suas atitudes. E aí, Érika, eu vou te perguntar, o que o João te transformou? A Astrid, sua amiga, também faz parte do livro, ela adotou também, e ela diz no livro que você consegue ser um adulto melhor quando você tem a chance de educar. Como você transbordou? O que mudou na sua vida com a chegada do João?
Olha, eu acho, resumindo essa frase da Fiji, eu penso ela que é o seguinte, você pode falar, você pode gastar o latim que quiser, se você não der o exemplo, você não ensina ninguém. E filho aprende por exemplo. Então você só educa se você for aquilo que você quer que a criança seja E isso já te coloca numa posição de que você tem que melhorar Você tem que se transformar Mas o João trabalha em planos mais sutis Então o João me tornou um filho melhor Porque eu consigo compreender dificuldades que meus pais tiveram e dificuldades que eu tive no papel de filho e tenho a possibilidade de perdoar e me perdoar e pedir perdão, que é o que eu tenho feito. João me transformou na forma como eu lido com o meu trabalho, com a forma como eu lido com o meu tempo, como você mesmo disse aqui. Então, hoje, quando você me ligou, Eu estava embaixo da palmeira com o João, lendo meu livro. Isso tem um custo de vida. Foram opções que eu fiz. Abri mão de coisas que para muita gente seriam importantíssimas de visibilidade, de carreira, para estar neste momento, com esse tempo, dessa forma. Eu ainda me coloco em um monte de armadilhas, porque eu não sou perfeito. Então, às vezes sou rabugento demais, reclamento demais. Às vezes me perco nas minhas prioridades e tenho que levar pro chão de orelha, mas eu tenho um monte de gente em volta de mim que não me deixa sair muito do rumo. Como, por exemplo, minha mãe. Que está aqui em Portugal, até dia 13 ela vai pro Brasil. Então, João me transformou em um ser humano melhor. Não um pai melhor, mas um ser humano melhor. O papel dele tá cumprido já. Eu acho que... Daqui pra frente é só alegria, assim. Eu já sou uma pessoa diferente. Eu já sou uma pessoa diferente. As coisas que eu fiz nesses quatro anos já são completamente diferentes do Erico que eu fui no passado. Que tinha outras prioridades, outros objetivos. A gente fica falando assim, tudo muito no subjetivo, mas é porque a gente foi entrar nos méritos da questões, do tipo, ah, eu priorizo. Por exemplo, eu vim embora pra Portugal por quê? Eu vim embora pra Portugal Eu tava num momento profissional, eu tava trabalhando chegadas e partidas com a Street, ganhava mais ou menos bem. Não era o ideal que eu queria, porque eu saí do vídeo, o cara no vídeo, mas isso também não era tão importante pra mim. Mas não era aquele ideal, tipo, ah, tô me realizado. Mas eu percebi que o Brasil tava se tornando um país muito violento pra um homem negro. E João é um homem negro. E aí... Entrou um cara que falou que um gay não podia adotar filhos.
Quem? Ah, desculpa.
E aí eu falei assim, a coisa não tá ficando boa aqui pra mim, eu vou pensar. E aí teve uma sequência de assassinatos de jovens negros e essa notícia ficou muito clara. E eu falei que essa mesma coisa talvez seja um momento de eu, já que a raiz mais forte do trabalho não tá tão grande assim, porque com 12 anos de bandeirantes era mais difícil abrir mão e falar, ó, vou embora de um emprego de 12 anos pra fazer uma loucura. E aí eu falei assim, eu vou pra um lugar que talvez que respeite melhor o João.
E aí vim.
Então eu vim. Passei um doutorado, sem um mestrado, é uma loucura. Eu sou a pessoa que mais lê, que mais estuda, porque eu não tava preparado pra isso. Mas eu acho que a vida que Portugal oferece pro meu filho é mais importante do que qualquer sacrifício que eu possa fazer. É mais importante do que eu ter largado, de certa forma. Nem larguei a carreira, acabei de ser contratado para fazer um programa aí no Brasil. Vou fazer agora diariamente, como correspondente. Então, Deus resolve as coisas. Foca na coisa importante. Deus resolve as coisas. E aí a coisa vai. Então eu tô aqui, graças a Deus tem a ajuda da minha mãe, que é uma CAPS, o nome dela é Katia, eu chamo ela de CAPS, porque ela meio que patrocina a gente estar aqui. E o João vive numa sala intercultural, tem gente do mundo inteiro na escolinha dele. E aqui em Portugal, tem xenofobia? Tem. Tem racismo? Tem. Mas se o João sai correndo na rua, ele não vai levar tiro nas costas. Porque não tem tiro nas costas.
Não tem tiro em ninguém.
As pessoas não são... Gente! Aconteceu essa semana no Brasil. Jovem de negros. 70% das mortes no Brasil são de pessoas negras. Por que eu vou deixar meu filho aí, pelo amor de Deus? Não posso.
E agora, a sua profissão, com a sua competência, com a sua reputação, você pode estar em qualquer lugar. É necessário espaço. sempre prezando pela qualidade de vida pra vocês dois.
Isso. No seu livro tem uma discussão interessantíssima sobre o cyberspace, sobre a internet. A gente está numa era da hiperconexão e o que eu digo pra você é que aquilo que nos cura também pode ser o nosso veneno. É exatamente isso. Então quem souber utilizar... No livro fala que as pessoas comeram demais quando teve a explosão da alimentação, engordaram muito, comeram mal e agora estão aprendendo a comer de verdade. Que lindo.
Eu mesmo. Lir, lir mesmo.
Porque eu acho muito interessante. O que eu estou estudando é isso, o ciberespaço. Então, eu penso muito nisso. A internet, ela pode ajudar. Quem faz a internet somos nós. Nós fazemos a internet. E é isso que eu estou estudando. Eu estou vendo como é que está sendo, como é que é o uso da língua portuguesa dentro do ciberespaço. E as expressões humanas, né?
Perfeito.
É isso.
Ô, Érico, tá aí?
Tá aí, tá?
É, realmente, ou você usa ou você é usado Você tem que falar com o Fábio Coelho, o presidente do Google, né? É ele que traz essa... Quando eu pergunto pra ele assim, Fábio, o que vai acontecer? Porque a sobrecarga de informação, a falta de educação digital faz com que as pessoas percam a mão, percam a noção, e aí existe uma briga. Enfim, nem vou entrar nessas questões. E aí foi ele que me disse, o Fábio Coelho, presidente do Google, tá aqui no livro, gente, dá um tempo, tá? Como encontrou ali no Google Pics, que viveremos um momento em breve que vamos passar por um caminho de volta, assim como tivemos na alimentação, período de restrição alimentar, aí veio toda a comida, todo mundo aquela come e lança, doenças. Aí agora tem os movimentos veganos, mais sensitivos e tal. Internet é a mesma coisa. Vivemos um período de paciência, agora overdose e aí já já cada um vai encontrar o seu limite. Então depois eu te contato com o Fábio, tá? Vai ser importante... Com o Erico. Mas então, olha, pra gente encaminhar pra uma conclusão, Respeitando o tempo aqui, de todo mundo e o seu inclusive, pra quem quer adotar? Qual era a sua maior dúvida que hoje você gostaria então de falar aquilo que você não ouviu?
Meu maior medo, minha maior dúvida era se eu não adotar um bebê, se for uma criança maior, Eu vou conseguir criar uma ponte de amor, uma relação de amor verdadeira com essa criança. Eu fui perguntar isso pra esposa da Daniela Meko.
Tá. Ai gente, pera lá que travou. Pera. Érico. Gente, não trava agora não. Voltou.
Fui perguntar pra Malu Versosa, a esposa de Daniela Mercury, elas adotaram três meninas e uma era mais grandinha, né? E eu falei, Malu, e aí? Vai rolar aquele sentimento de filho? Aí ela falou assim, Érico, quando a gente casa com a pessoa, ela é grandinha já, né? E a gente ama. Ama, ama, ama, ama. A gente não consegue amar. que chega a faltar, eu falei, consegue. Ela falou, então, também é a mesma coisa. Só que é mais, porque é mãe, filho, e é outra relação, com outras cobranças, outros vínculos. Acredite, vai, não tenha medo. Eu saí daquele camarim e a Daniela ficou olhando assim de canto, porque as pessoas entram pra falar com a Daniela, né? As pessoas não entram pra falar com o Malu, né? Não é o normal, né? Mas eu fui falar com o Malu porque era a menina mais pegada com o Malu. E aí eu tinha esse medo de não dar liga. E João, quando eu conheci o João, ele era um menino de dois anos, de escorpião. Muito fechado. Ele falava baixinho, assim. Ele era muito marrento. Muito marrento. Nossa, eu falei, não vai dar certo. Não vai dar certo. Esse menino não vai gostar de mim. Nossa, o menino é um brude, gente.
O menino é um brude.
Eu tô apaixonada por mim. Eu sou apaixonada por ele. A gente dorme junto. Eu dormo com a cara que... Não tenha medo. Não tenha medo de ser feliz. Este não é o problema. Agora, cada relação é uma relação. Cada história é uma história. Assista o filme da Nicole Kidman que você vai entender. Cada filho é um filho. E viva bem com a vida que é colocada na sua frente. O livro da Isabela fala, eu resumo em uma única frase, que é vivifique a sua vida, ou seja, viva a sua vida. Então, com o filho que chegar nas suas mãos, construa a sua vida de felicidade. Porque quando você nasce de uma barriga, é desse jeito. É desse mesmo jeito. Você não nasce... Você escolheu lá, né? Pra quem acredita, né? Você escolheu lá no astral. É, você escolheu lá no astral. Então, viva. Adote o seu filho, mesmo que ele tenha nascido da sua barriga, né?
É.
É isso. Você vê aí quantos pais, pais que eu digo, pais e mães, né? Que não adotam seus filhos, que os filhos nascem na barriga, tem o seu nariz, tem o seu olho e estão abandonados dentro de casa. Então construa, construa a sua história. Construa a sua história. Porque a minha e do João a gente tá vivendo. Tem trancos, tem barracos, tem briga. Tem cobrança. É de escorpião, né? Ele tá montando no cadeirinho tudo que eu faço pra ele fazer comigo quando ele crescer.
Pera, gente. Mas, ó, meu marido, o Tiago, tá aqui. Ele é de escorpião também. Eu tô aprendendo também, ó. É uma evolução e é o amor, né? A gente vai aprendendo com o amor.
É. Mas é tipo um gato, né, gente? Você que tem gato, você vai entender. É tipo um gato, né?
A gente aprende muito no Érico. No livro, gente, o Érico me dá uma das frases mais emocionantes. Que você disse que você nunca tinha planejado muito futuro, mas com o João o tempo mudou. Você é pai e mãe e que você até poderia ter adotado antes, mas tudo tem a hora certa. Que a maturidade foi mudando suas percepções. E aí, por fim, que quando o João deita no seu colo e você sente a respiração dele, você entende que tudo está acontecendo no tempo certo, que é sagrado. Eu desejo que vocês tenham muitos momentos de calma na alma, que vocês sintam a respiração do outro e que vocês vivam uma vida que vale a pena ser vivida. Você tá de parabéns, sabe que eu sou muito orgulhosa da sua escolha, de como você conduz a sua vida e como você é um pai Inspirador. Disseram aqui antes, eu não consegui anotar o nome, você é muito mais pai do que outros pais, né? Você chorou? Jaque, muito obrigada pelo seu tempo, tá? E confiança. E Érico, se vier pro Brasil, deixa eu dar um cheiro no João, hein?
Gente, mas esse menino é muito metido. A quantidade de gente que quer dar um xícara... Tem uma fotinha, lembra que a gente foi pra festa junina e encontramos com você no restaurante? João é muito especial. E João é o seguinte, eu não posso fraquejar com o João, porque o João tem fã clube de pessoas que são apaixonadas por ele. Primo, primo, tio, amigo, que acompanham ele e ligam pra ele. Eu só sou o intermediário, eu sou o meio, eu só passo e ele tem as amizades dele. Então eu não posso errar, eu não posso fazer nada de errado assim. Você entendeu o que eu tô falando? Fiquei emocionado. Fiquei emocionado, comecei a suar. Gente, obrigado. E quem estiver assistindo, se tem esse desejo, procura a vara da infância, da sociedade. Tire suas dúvidas, não tenha medo. Trabalhe o medo. O medo é bom, porque é uma coisa importante. Mas trabalhe o seu medo, resolva a sua vida. E se você tem esse desejo de ser pai, adote. Adote de verdade. Adote seu filho. Ame. Ame de verdade. Vai dar trabalho.
Mas é valioso.
É?
Nossa!
Nossa!
Nossa!
Como diz o João? Eu quero uma irmã! Quem sabe tá chegando por aí.
Que legal! Arrasou!
O João quer uma casa cheia de gente pra ele conversar o tempo inteiro. Nossa, é no dia 3, né? Comunicador.
É, né, gente. O João não é bobo, não. E, Érico, como você disse, é muito bom adotar já quando já tem uma idade, né? Inclusive, até deve ter um maior número de crianças, né, do que bebê para adotar.
Sim, sim. A quantidade de crianças, as crianças crescidas, que a adoção tardia, Por sinal, é uma coisa que a gente tinha que conversar muito mais sobre isso, porque a responsabilidade dessas crianças é nossa, é da família, é do Estado e é da sociedade. Então, a criança que está lá no abrigo, as famílias não vão querendo adotá-las, elas vão crescendo dentro do abrigo, naquela educação maravilhosa de um abrigo, e aí quando elas completam 18 anos, elas são expulsas do abrigo. Imagina uma criança de 18 anos, desculpa gente, é uma criança, a gente chama o Neymar com 30 anos de Como é que é? Menino Neymar? Aqueles 18 anos é uma criança que não teve educação boa, que não tem ninguém.
Vai pra onde?
Teve uma prefeitura de São Paulo aí, eu não vou ficar fazendo campanha pra ninguém, mas teve uma prefeitura passada, que o prefeito alugava apartamentos pra receber essas crianças por mais dois anos. E aí a oposição foi lá, Isabela, e falou que não podia porque esse dinheiro não era pra isso. Isso é um absurdo, é um absurdo. A gente tem, como sociedade, a gente tem que acolher essas crianças. Então, assim, sim. O próximo filho vai ser uma doção tardia, com mais de 10 anos, e vai ser uma menina. Só estou esperando o João passar dos 10 para poder ficar, porque ele tem que ser o maiorado. Porque, cara, imagina uma menina de 13 anos que está lá perdida no abrigo. Quando eu fiz o meu processo, a doutora Dora mostrou um vídeo que tinha uma menina linda, parecia a Thais Araújo. negra, linda, linda, um cabelo assim, bailarina e falava francês. Aí na hora eu falei assim, gente, eu queria adotar essa menina, só que ela tinha 15, 16, eu falei, é muito fora do meu plano, mas por que essa menina não foi adotada? Ela fala francês, ela é bailarina, ela é clássico. Aí a doutora Dora falou, ela é HIV positivo. Então ela é mulher, negra, e HIV positivo. As pessoas não querem. As pessoas querem branca, de olho azul e saudável.
É. Ericô, você trouxe aqui para nós uma excelente reflexão, plantou um monte de sementinha, as palavras são sementes e com certeza elas vão florescer aqui no coração de todo mundo que está aqui e que vai também compartilhar esse assunto para quem... A gente sempre tem alguém na família, no grupo de amigos que quer adotar, não sabe por onde começar e a sua história é uma chuva de inspiração para todos nós.
Meu querido... Só pra acabar, você que está assistindo depois, que não viu o Agora Não Vivo, eu tenho um compromisso que eu fiz com Deus e com o pessoal do fórum, que era de responder todas as perguntas que me fizessem. Então, eu tenho feito isso nesses quatro anos. As pessoas, toda vez que vem alguma coisa e vem falar comigo no Instagram, no Twitter, em qualquer lugar, eu paro, eu respondo, eu mando áudio, eu explico tudo. E eu já tive mais de 10 crianças adotadas. Juro! Juro! Eu já tive mais de 10 crianças adotadas. Eu fico muito feliz porque eu sou meio padrinho de todas elas. Então, se você tá assistindo e você tem um monte de dúvidas, você tá com vergonha, não precisa ver. É um compromisso que eu tenho, é meu. Você pode me contactar, que eu vou responder, vou falar tudo, o tempo que você precisar pra você decidir que sim ou que não, porque decidir que não também é legal, você viver a sua verdade, mas pelo menos você vai decidir, né, que aquilo ali é legal ou não é legal pra você. Então pode me contactar, arroba ericuais, que eu vou te responder. É um compromisso meu. Isa, obrigado pela oportunidade de falar de adoção de verdade.
Quando você quiser, se tiver algum insight, que eu sei que sua cabeça é igual a minha, né? A gente não para. Manda ver. Quando você quiser.
Quando quiser lá na rádio, pode chamar que eu falo por aqui.
Ah, sim. Com certeza. Ó, você sabe disso. Estamos sempre em sintonia. Obrigada mais uma vez pelo seu tempo. Um beijo no João e até breve, tá? Conte comigo. Beijo no mundo.
Dá uma resolvida pra mim aí, aparecida.
Sim, sim, sim. Já já eu vou embora, mas chatea comigo.
Beijos.
Gente, esse é o Érico Aires, ele é um dos entrevistados do livro que eu trago para vocês com muito respeito e com muita responsabilidade. Foram 150 entrevistas para oferecer para vocês um pouquinho de cada tempo que todos nós vivemos. A gente fala de tempo, o tempo inteiro, mas não para para pensar sobre cada um deles. E se a gente está ou não se colocando na agenda, o que vai fazer uma diferença tremenda a médio e longo prazo, vai fazer uma diferença tremenda para você viver uma vida que vale a pena ser vivida. Tá certo? Tudo isso que eu estou dizendo está aqui, ó. Dá um tempo como encontrar limite em um mundo sem limites. Um livro que tá fresquinho. Foram quatro anos, tá? Pra chegar até aqui. Então, é com muito orgulho, muita alegria que eu digo pra vocês, obrigada pelo tempo de cada um, pela confiança, por compartilharem, então, desse tempo de vocês comigo. Jaque, adorei te ver por aqui. Gosto muito de você. Então, beijo pra todos. Amanhã eu tô de volta, lá na página do Resiliência Humana. todas as manhãs, às nove da manhã, a gente está tendo aqui um papo muito reto, muito bacana, para que vocês aproveitem, para que vocês vivam um tempo de qualidade e façam as escolhas corretas para ter tempo de se colocar na agenda. Boa noite, bom descanso e até amanhã.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








