“Olhar atento para não valorizar o que não tem valor.”

Isabela Camargo talks with author Alexandre Caldini about time, death, and spiritual growth. They discuss how the pandemic exposed our vulnerability, why technology and work reshape how we spend our days, and how to choose what truly matters instead of chasing what has no real value.
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Olá, boa noite! Seja bem-vindo, bem-vinda a mais uma prosa muito boa para a gente falar sobre o tempo, para a gente viver um tempo de qualidade. E hoje o assunto é mais do que especial, aliás, ele está sendo muito aguardado, não é? Nós vamos falar sobre o tempo e a espiritualidade com o autor e meu amigo, tenho privilégio de dizer, Alexandre Caldini. Vou pedir para vocês uma coisa: envie corações aqui do lado, sabe, esses coraçõezinhos aqui, porque assim o Instagram vai entender que esse assunto é relevante, que esse assunto pode ser importante para mais pessoas. E eu entendo que falar de um tempo de qualidade pode sim levar muito alívio, levar respostas para o maior número de pessoas. Então, as palavras são sementes, eu vou adorar se você para que vocês puderem então aqui enviar os seus comentários. Deixa eu já ver se o Caldini já está aqui para a gente poder— tempo de todos que vão dedicar então essa nossa próxima hora para entender um pouquinho mais sobre o tempo e a espiritualidade. Boa noite, querido amigo! Tá me ouvindo agora?
Tô muito bem.
Tudo bem? Você tava me enganando, né? Você ficou quietinho assim.
Eu não tava bugando, cara, tá travando aqui. Tomara que a gente não tenha problemas com essa tal dessa internet aí, mas acho que vai.
Tudo bem, qualquer coisa vamos combinar o seguinte: você sai e aí você volta, tá legal? Tudo bem? Agora estabilizou a imagem, tá excelente.
Você tá travando para mim de vez em quando, mas acho que é a minha aqui, acho que não é a sua que tá— não, agora melhorou o sinal, tô vendo, sinal tá melhorzinho.
Pronto. Então, Claudinei, muito obrigada pelo seu tempo e confiança para a gente falar sobre o tempo e a espiritualidade.
Um maior prazer, Isabela, uma delícia estar com você. Esse é um assunto tão relevante, tão importante. Quando você me convidou, juntando esses dois temas, né, o tema que você É PhD, pós-doc, que é o tempo, e espiritualidade, hoje tudo. Se der para juntar esses dois assuntos, acho que vai ser bem legal.
Com certeza. Para quem tá chegando agora, meu nome é Isabela Camargo. Nós vamos conversar, vamos dividir a hora aqui com Alexandre Caldini, autor de vários livros. Um deles é— eu já ia falar, né, do que nós vamos comentar aqui. A Morte na Visão do Espiritismo, A Vida na Visão do Espiritismo, Networking versus Not Working, e o quarto, que foi na verdade o primeiro, já tá esgotado, Espiritismo, um beabá para quem tá começando na filosofia espírita. Excelente, Caldini. Antes da gente começar, que eu já, né, vou querer saber contigo como é o tempo na espiritualidade, e pedindo para você inclusive uma breve introdução então, que espiritualidade não é religião. Mas antes, deixa eu contar aqui para quem tá nos acompanhando que o Caldini, ele participou, né, deste material, Dá um Tempo: Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites. E lá na página 217, no capítulo chamado Liberdade, tem uma frase, Caldini, que eu tenho recebido assim muitos directs do impacto que ela provoca. A escolha é sempre nossa, o resultado também. O simples incomoda bastante, né, Claudinei?
É porque dói, né? Mas acho que não tem quem não saiba disso, né, Isabela? Se você bebe demais, vai ter uma cirrose hepática. Se você come errado, vai ter mil problemas de saúde: obesidade, dor no joelho, dor na coluna, colesterol, né? Se você fuma, queridão, queridona, você não sabe disso? Se você sacaneia os outros, você não sabe que vai ser recebido da mesma forma. Se você agride, será agredido, né? É sempre recíproco, né? E aí tem a ver com o tempo também, né, Isabela? O bom uso que você faz do tempo será a seu favor. O mau uso que você fizer do tempo vai ser contra você também, né? Que é um pouco do que a gente vai discutir hoje. Mas é isso mesmo, é a causa e efeito, ação e reação, né? A terceira lei de Newton.
Exatamente. Quando muitas pessoas reclamam, né, do tempo, hoje eu tenho que dizer assim com muito carinho: olha, o tempo da natureza tá igual. Nós é que estamos fragmentando cada vez mais agenda, não é? E aí eu digo o seguinte: quem está correndo contra o tempo está correndo contra a própria agenda, porque o tempo não tá contra ninguém. Imagina, aliás, Claudinei, que petulância minha achar que o tempo está contra mim. Quem sou eu para o tempo estar contra mim? O tempo tá lá tranquilo, não é? Nós é que estamos querendo fazer mais coisas no mesmo tempo.
Mas que importância tenho eu vis-à-vis a natureza, né? O tempo é muito maior que eu, não tá nem aí para mim, né? Ele tá correndo, você que faz bom uso, mau uso dele. Claro.
E aí, para a gente viver um tempo de qualidade, eu preciso de duas coisas: me conhecer e fazer escolhas. Então, para fazer as escolhas, eu preciso então lembrar das consequências dela. E já entro contigo o seguinte, Claudinei: o tempo na espiritualidade, como é?
Pois é, não é, é diferente. Eu queria voltar um tiquinho, chego ali já, mas para a gente falar de tempo, espiritualidade, Eu acho que a gente tem que voltar um passo, Isabela, e falar da morte, né? Sabe, você acabou de citar um dos meus livros, é sobre a morte, né? A morte na visão do espiritismo. Eu acho que o tempo, na verdade, de novo, me perdoe, Isabela, e amigos, amigas, se eu tiver falado alguma bobagem, porque eu não conheço de tempo, quem conhece de tempo é você. Mas o tempo é uma convenção, né? Ele tá baseado em alguma coisa. A gente fala assim: antes do anoitecer, vamos fazer isso, isso, aquilo. No próximo inverno, eu não sei o que nos falar. Ah, você já tem mais de 60 anos, tá no grupo de risco, né? Então sempre tem um marco no tempo. Eu acho que a morte acaba sendo o maior marco para o ser humano a dizer que o tempo está passando para gente, né? Então a gente fica, acaba ficando muito apressado, muito angustiado porque o tempo tá correndo, e tá correndo porque a gente tá vendo a morte lá na frente, né? A proximidade da morte nos angustia, né? Algumas pessoas falam: não, não é isso não, eu corro porque eu quero ter uma vida boa, eu quero ter meus bens, eu quero crescer na vida. Tá bom, mas tudo isso você só corre porque está vendo o tempo correr. O cabelo tá sumindo, tá ficando esbranquiçado, tá doendo o joelho, ombro, as coisas, rugas, né, as coisas vão mostrando para você que o tempo tá passando, né. E acho que agora, Isabela, nesse momento com a pandemia, isso ficou mais claro ainda, né. Nós já conversamos até sobre pandemia, mas eu diria que tem 3 coisas que ficaram muito claras aí e são uns tapas na nossa cara muito importantes. Um é imprevisibilidade. Ninguém sabia, né. Bom, agora que vamos, os seus estudiosos lá tinham até uma noção, mas ninguém tava esperando porrada que veio, né? E veio de uma forma arrasadora, avassaladora, né? Ninguém ficou em colme, né? Os dois maiores navios, maiores porta-aviões, um francês, o Charles de Gaulle, e um americano cujo nome não me recordo agora, é o nome de um presidente americano também, ficaram de joelhos. A maior máquina mortífera de guerra não aguentou um vírus que é invisível, tão pequeno que você precisa de microscópio eletrônico, né? Então, imprevisibilidade, vulnerabilidade e a nossa impotência para lidar com tudo isso. Essas três coisas, repito, imprevisibilidade, vulnerabilidade, impotência, eu acho que nos levaram, a muitos de nós, a repensar uma série de coisas, repensar prioridades, inclusive repensar, claro, o tempo. Como é que eu tô lidando com meu tempo? Ou melhor dizendo, como é que eu tô lidando com a minha vida, né? E também teve outra mudança que a pandemia nos trouxe, que foi o nosso entorno, né? O tempo ficou diferente porque você tá em casa, a maioria de nós, nem todos, mas muitos, tem que cuidar dos afazeres da casa, porque tá sem ninguém para ajudar agora, porque tem o risco e tal. Então você começou a lavar seu banheiro, começou a lavar sua roupa, passar sua roupa, fazer comida, e a comida precisa fazer de novo, e de novo, e de novo, e lavar a louça de novo toda hora, né? Eu sei bem disso, sei bem o que é isso. É impressionante. E arrumar cama toda manhã, a cama insiste em ficar desarrumada quando você acorda de manhã. Uma coisa é um absurdo, né? Então tudo isso nos fez repensar prioridades e uso do nosso tempo, né? Mas aí, se a gente entra um pouquinho do lado da espiritualidade, que foi a sua pergunta, né, eu acho que o conceito mais importante a falar quando está comentando tempo e espiritualidade É um termo que eu nem gosto muito, Isabela, mas tá super em moda. Todo mundo ergue uma sobrancelha assim, fala de boca cheia, que é a finitude, né? Ai, que bobagem! Finitude virou um termo da moda. Mas o que quer dizer finitude? Acabou, tem um fim, né? Para aqueles que são mais apegados à questão material, que não acreditam em nada, né, acham que só o que é tangível, que tem o que você toca e pega, é o que vale, só tem essa vida, né? Então você nasce no momento da primeira inspirada e morre no momento da última expirada, né? Nesse intervalo de tempo, tudo. Antes e depois disso, nada. Para quem acha que assim é, a coisa é muito complicada, né? Que a morte ou nada, e o fim de tudo. Então você vai correr muito mesmo, que você tem que aproveitar todo momento, você quer ter todo o prazer possível, hedonista milhão. Eu preciso curtir todas, eu preciso me dar bem, eu preciso ganhar tudo, eu preciso competir muito aguerridamente, porque o tempo tá comendo. Tá contra mim, depois disso acabou minha chance, minha chance é só agora. Aquele que é mais espiritualizado, e aí não tem nenhuma avaliação de ser espiritualizado é melhor ou pior, apenas uma constatação, né, aquele que acredita que há alguma coisa além da matéria tangível, ou seja, que o espírito continua, que acredita não em muitas vidas, numa única vida com várias passagens, várias encarnações, né, então nós acreditamos que a gente tá melhorando o tempo todo. E depois que você morre, quem morre não é você, quem morre é a parte material, o corpo físico, ele se desintegra. Ora, se eu continuo, não há esse desespero da finitude. Eu diria que há a infinitude. Tem um começo e não tem fim nunca. Isso muda muito a perspectiva de tempo para quem pensa a espiritualidade de uma forma mais ampla, né? Porque você não precisa tanta angústia, não precisa tanta pressa, né? É meio como Buzz Lightyear, lembra Buzz Lightyear? Para o infinito e além, né? É para sempre. Exatamente, né? Então tem tempo, calma, respire, cuide-se, né? É meu interesse andar depressa porque Eu quero me melhorar mais rapidamente. E a lógica: se existe Deus, né, só pode ser um ser, uma inteligência suprema, perfeita, né? Então, por que que a gente mais tem uma vida melhor, mais alegre, mais feliz, e gente que tem vidas piores? Porque esse aqui já aproveitou mais as oportunidades, ele desenvolveu mais, ele ou ela aprendeu, esse espírito aprendeu mais como lidar com a vida. Então sua vida será mais tranquila. Então, aproveitamento do tempo durante a encarnação É bom para isso, para que nós tenhamos uma vida menos angustiada, uma vida menos difícil. E quando você acredita de fato na continuidade do espírito pós-morte, você começa a ter uma outra compreensão do mundo, né? Você quer construir uma vida em harmonia, na colaboração, menos disputa, menos pressa, menos destruição, mais colaboração, mais sustentabilidade, mais paz em essência. Ah, entendi, então isso quer dizer que as pessoas espiritualizadas todas estão equilibradas, serenas, têm paz? Seria bom se assim fosse, né? Não é do dia para noite, mas é uma construção, uma compreensão que fala: pera, calma, calma, calma, calma, né? E aí é curioso notar também, Isabela, que a maioria da humanidade ela é reencarnacionista, né? A gente acha que não porque nós estamos nas Américas, no Ocidente, onde a maioria talvez não seja reencarnacionista, mas a maioria da humanidade, por conta do tamanho das populações asiáticas, é reencarnacionista, né? E a própria Igreja Católica, isso eu aprendi há pouco tempo, Igreja também era reencarnacionista. Não sabia disso até o século VI, até 1553, quando teve o Concílio de Constantinopla. E conta a história o seguinte: que Teodora, que era esposa do imperador Justiniano, era muito exuberante, muito arrogante, muito prepotente. Falou assim: não tem essa coisa de reencarnação não, porque eu não vou nunca voltar no corpo de uma escrava negra. Olha que loucura, né? Olha que coisa, como é que a gente é, né? Então falou: não tem reencarnação. Daí acharam um jeitinho. Então, peraí, peraí, peraí, deixa de ter reencarnação, começa a ter ressurreição, que é o corpo que tá podre, que já não existe mais, vai voltar e você vai voltar nele, né? Não há nenhum lastro na ciência dessa história, né? Se você é cristão, você acredita em Jesus, o próprio Jesus teria dito o seguinte, que a reencarnação, quando disse que João, João Batista, era o profeta Elias reencarnado, né, voltando. Então tem todo um raciocínio aí por conta da reencarnação, da vida do espírito, da evolução do ser, que sustenta um novo pensar sobre o tempo, né? É um tempo mais esticado, vamos dizer assim, ou até um tempo inexistente, porque ele não tem limite, né? Ele começa e não tem fim. É difícil a gente compreender isso, né? Mas uma vez que a gente pensa isso, dá uma acalmada, dá um tempo maior para gente.
Sim, bem, é mais uma vez, eu me lembro a partir do que você está dizendo, que aquilo que a gente não vê é muito maior do que aquilo que a gente Tinha antes. Sabemos que a partir daquele instante tudo começou e não sabemos quando será o fim. Por que que eu tô trazendo isso? Quando você fala, né, é antes da primeira inspiração e depois da última, nada acabou. E eu tenho falado, é, Claudinei, todos os dias que o intervalo entre a inspiração e a expiração é o que nós chamamos de tempo. Porque o dia que a gente não fizer esse movimento tão simples, mas que a gente esquece, nós teremos morrido. Claudinei, você não imagina quantos, quantos, quantos, quantos olhares assim desconfiados eu percebo, gente batendo pezinho assim do tipo: ah, mas eu não quero falar da morte. E aí, com todo carinho, eu vou lá e falo assim: gente, não adianta querer fugir do que nós já sabemos é perda de tempo. Então, o que você traria com esta, com essa visão, né, em relação ao Espiritismo e o tempo na espiritualidade, sobre ainda essa insistência da nossa sociedade em não aceitar a morte?
Acho que é o receio. Eu tenho falado muito sobre a morte por conta do livro. Faz já 5, 6 anos que eu converso muito sobre isso, faço muita live, muita palestra sobre isso e tal. E eu percebi ao longo desse tempo Para minha surpresa, na verdade, Isabela, que as pessoas não temem, a maioria das pessoas não teme a morte. As pessoas temem o sofrimento, as pessoas temem o desconhecido. Então assim: "Não, eu não morri, mas eu não quero sofrer." Ninguém quer sofrer, claro, é duro sofrer, não é bom sofrer. Então já é um passo isso, mas se nós compreendemos que a morte é absolutamente natural, absolutamente inexorável, está dito do momento que você nasceu que você morrerá, todos morreremos, as pessoas que você mais ama morrerão, as que você mais odeia morrerão, algumas mais novas que morrerão antes de você, algumas mais saudáveis que morrerão antes de você. Tudo isso é só natural, só compreensível. Mas a gente, como você bem disse, bate na madeira, né? Evita conversar a respeito disso, né? Porque se eu ignorasse, não existiria. É uma grande bobagem, né? É enfiar a cabeça na terra como faz o avestruz, né? Mas durante a encarnação, durante esse período, para quem não acredita que haja nada diferente, como é que o espiritismo, a espiritualidade, como é que entende o período da encarnação? Um grande, tremendo, fantástico aprendizado, uma oportunidade ímpar. Nesse sentido, Isabela, aí sim o tempo existe e o tempo conta, né? Ah, então, pera aí, deixa eu ver se eu entendi. Durante a primeira inspiração e a última inspiração, esse tempo que eu estou vivo aqui com o corpo físico na Terra, né? O tempo tá contando? Tá contando. Você vai morrer daqui a pouco. Então, querido, querida, acelera o passo. Ou não, depende de você. Livre-arbítrio. Faça o que quiser e recebe o que fizer, né? Mas o que que diz a espiritualidade? Aproveite esse tempo. As dificuldades que nós temos na vida são inúmeras. É louco entender isso, né, Isabela? Mas elas são nossas amigas porque elas exigem do nosso pensar. Como é que eu saio dessa saia justa que eu tô com a Isabela? Eu falei um negócio, ela ficou brava comigo, e agora? Como é que eu dou um jeito, né? Esse raciocínio, como é que nós restabelecemos as relações, todos os problemas que você tem no trabalho, na vida familiar, na vida afetiva, na vida sexual, tudo, tudo, tudo são estímulos para o nosso pensar. Pena se a gente não usar esses estímulos. Era hora de a gente falar: peraí, peraí, peraí, peraí, Por que que tá acontecendo isso? O que que eu fiz de errado? O que que eu fiz de certo? O que que ele fez de errado? Que ele fez de certo? Porque essa pessoa mais feliz que eu, porque essa pessoa mais infeliz que eu. Nossa, posso aprender o que aquela pessoa tá falando. Esse ganhar de conhecimento é evolução espiritual. E quando você tá encarnado, a vida é mais pauleira, mais difícil. É hora de dar essa puxada. O Chico Xavier tem uma frase, ou pelo menos é atribuída a ele, que eu acho bem interessante. Ele fala o seguinte: a questão mais aflitiva para o espírito no além, né, depois que morreu, é a consciência do tempo perdido. A questão mais aflitiva, consciência, tempo perdido. Porque não vai ter mais chance? Claro que vai, vai reencarnar outra vez, outra vez, outra vez, outra vez. Mas fala: meu, que bobeira, fiquei vendo televisão e a vida passou, né? Podia ter aproveitado, acertado as pontas com aquela pessoa que eu tava ruim, com meu irmão, com a minha cunhada, com meu marido, com meu chefe. É tentar não deixar essas pendências, né? Então, o bom uso do tempo no raciocínio das pessoas que prezam espiritualidade, o que nos traz a felicidade, é buscar essa compreensão, essa reconexão esse aprendizado. Mais uma vez, crescimento intelectual, estudo, estudo, estudo. E não é só livros, é conversa, é lives, é cinema, é tudo, né? Olhar as pessoas. E é também a reconciliação, arrumar a nossa vida com as demais pessoas, né? Sem pressa, com tranquilidade. E se não quiser, também na boa. Posso ficar só curtindo a vida? Claro que pode. Não reclame depois. Mas como assim, vou ser punido? Não, não será punido, mas não aproveitou a chance para acertar uma série de pendências que estava acontecendo por ali.
Isso. Como um autor de 4 livros disse no meu livro Dá um Tempo, a escolha é sempre nosso resultado também. Alexandre Caldini, inclusive, aqui em carne e osso, né, ao vivo e a cores com a gente aqui nessa live.
Isso é engraçado, né? Você falou em carne e osso, nós estamos falando, você não tá na minha casa, eu não tô na sua casa, e os que estão nos assistindo também não estão nas nossas casas. Isso é uma coisa desmaterializada. Se você pensar assim, né, interessante, nem tudo que é concreto é a única coisa que existe. Ah, mas tem a internet, tem a televisão, tá tudo certo. Mas é interessante, dá para existir uma conversa não tão materializada. Veja, se nós podemos conversar, será que os espíritos também não existem, não estão conversando sem você saber, sem você ver?
Nossa, eu tenho que me segurar aqui para não ir num outro caminho de conversa com você. Bem, você falou agora aqui bastante sobre o tempo que estamos encarnados, ou seja, o tempo que temos aqui. Mas aí, Claudinei, eu receio que algumas pessoas que estão aqui na live, como eu não tô com os comentários ligados para que a gente possa te ver, estejam assim se questionando: ah, mas o que essa coisa de encarnado, desencarnado, isso é coisa do espiritismo? A minha religião nem permite eu pensar nisso. Como nós podemos então dar uma acalmada nesses corações?
Qualquer coisa partidária, né, é ruim, né? Porque se eu tomo uma posição Isso é verdade, isso é mentira, maniqueísta, né? Sim ou não, não tem o meio termo. É muito ruim porque daí eu me cristalizo numa posição e nem observo a posição do outro, não aprendo com o outro, não me dou o direito de questionar uma verdade absoluta que eu acho que é uma verdade absoluta. Então, primeira coisa, eu sou espírita, mas eu não tô falando como espírita, falando como espiritualidade, uma coisa mais ampla, né? Espírita é uma filosofia, na minha opinião, não é uma religião, não é uma religião. Kardec, inclusive, um dos livros dele fala o seguinte: nós somos, nós não somos religiosos. No livro O Que é Espiritismo, isso não significa nós sejamos ateus, ou seja, Deus sim, mas não é uma religião, né? Eu acho isso maravilhoso, que acho que as religiões tiveram um papel fundamental na história da humanidade, mas também causaram muito mal à humanidade. Basta ver as barbaridades que sempre foram cometidas em nome da religião, né? Basta ver as Cruzadas, por exemplo, mas não só as Cruzadas. Basta ver hoje, dá uma olhadinha no noticiário. As igrejas estão devendo 1 bilhão, não 1 milhão, 1 bilhão. 1 bilhão é 1.000 vezes 1 milhão, 1.000 milhões de reais as igrejas devem ao fisco. Elas não pagam imposto, não pagam INSS e tal. Você acha isso certo? Eu pago, você paga. Será que a igreja devia pagar também, né? Então a igreja acabou sendo um negócio de interesses do ser humano. Mas enfim, espiritualidade não é religião, é uma visão de mundo, eu diria. E você pode sim ter a sua religião e ter uma visão espiritualizada, né? Espiritualizado é tudo aquilo que não é materialista, acredita em algo além de apenas o material, acredita na verdade na existência de um espírito que segue adiante, seja que caminho for, seja no que você acredita, né? Mas acho que nesse raciocínio, Isabela, sempre me tá me ocorrendo um negócio aqui que acho que vale a pena pensar. Como é que, do ponto de vista espiritual, como é que a gente usa bem o tempo? O tempo que eu estou aqui encarnado, né? Acho que são duas coisas, Isabela, e bem conhecidas, bem antigas. Uma é aquela frase que está lá no Templo de Delfos, na Grécia, anterior a Sócrates.
Conhece-te a ti mesmo.
Exatamente. Está lá escrito desde antes de Sócrates e Platão, e a gente conhece muito bem o outro, né? Eu sei o que é bom para você, Isabela. Faça assim, faça assado, você tem que melhorar nisso, nisso, naquilo, mas não olha a mim mesmo, né? Então conhece-te mesmo é importante por quê? Porque daí eu abro meus olhos, abro meu horizonte. E aquilo que você falava agora há pouco, começa a considerar outras possibilidades que não são a mesma como interessantes, no mínimo, né? A frase completa é: conhece a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses, ou seja, ampliará a visão. Tá dito só há 2.400 anos, quase 2.500, a gente não aprendeu ainda, né? A segunda daí é mais ligada a Jesus, né? E lembrando que Jesus também não era religioso, ele era judeu de origem, mas não criou uma religião em si, né? E esse é outro porém, né? As pessoas falam: ah, mas fulano não é cristão. E daí que não é cristão? Que importa isso, né? Importa praticar o bem e tal, mas enfim. A outra é: pedi e se vos dará, batei e abrisse-vos-á, buscai e achareis. Ou seja, age, queridona, age, queridão. Então conheça a si mesmo e faz a vida acontecer, né? Então, durante o tempo que estamos aqui, é o tal do ajuda-te e o céu te ajudará. Não tem milagre, tem a sua ação. Se eu quero melhorar, se eu mudo minhas coisas, eu tô aproveitando bem meu tempo, sem angústia da correria, porque o tempo é absolutamente elástico ou até inexistente, se você pensar do ponto de vista do espírito, né? "Então não deu conta de fazer tudo nessa encarnação? Calma, tá tudo certo. Você não precisa curtir todos o tempo todo, você não precisa— não deu para arrumar vida com todo mundo? Tá tudo certo, vai caminhando, né? Vai tentando evoluir intelectualmente, moralmente, né? E aí você vai seguindo." E aí é que eu venho emendando uma coisa na outra, você me deixa aqui, eu vou lembrando coisa.
Tô aqui, qualquer coisa eu volto.
Legal. Essa é uma questão polêmica, mas eu acho assim que hoje nós temos mais tempo. As pessoas falam: "Ai, tô com pouco tempo, tá corrido." Tá todo mundo corrido. Mas eu diria que nós temos mais tempo. Se nós compararmos com a história da humanidade, veja, hoje, há um tempo atrás, você e eu precisaríamos fabricar o nosso próprio sabão. Minha sogra fabricava o sabão dela na fazenda onde morava, não é? Imagina o tempo que demorava para fazer um sabão. Hoje você vai e compra o sabão. Você tinha que matar o porco e não tinha geladeira, você cortava o porco, enfiava na banha, tinha que cozinhar a banha, deixava lá pré-cozinhando cada dia. Você tinha que buscar água, que não tinha um canado, você buscava na bica. Você tinha que tecer essa própria roupa que você tá usando, linda, aí você tem que tecer essa roupa e ficar lá no teatro o dia todo, né? Então olha o tempo que nós ganhamos com a evolução da humanidade, tá sobrando tempo. Como assim tá sobrando tempo?
Você tá louco?
Calma. Máquina de lavar e máquina de secar, aspirador de pó, ferro elétrico. Antes do ferro você tinha que pôr brasa de carvão para passar. Olha o tempo, tinha que fazer o carvão, tinha que fazer a brasa para pôr, né? Micro-ondas, alimentos prontos, avião, tudo isso deu tempo para gente. Nós não vamos mais ao banco, você pega o celular, tá tudo aqui.
Né?
Cada vez tem menos agência. Você não revela mais foto. Eu tenho 58 anos. Quando eu tinha 15 anos, eu filmava Super 8, o Natal eu mandava para revelar no México, voltava em abril. Eu ia ver a festa de Natal em abril. Tivesse boa, tava. Não tivesse boa, um abraço. Agora você tem tudo na mão aí, né? Então as coisas estão muito mais rápidas, né? Home office mudou muito, você não tá pegando mais tanto trânsito. EAD, educação a distância. Nós ganhamos muito tempo para coisas imateriais, coisas da alma. Ah, mas está faltando tempo. Onde é que tá faltando tempo? Tem ladrões de tempo, diria, né? E ladrões não no sentido pejorativo, é ladrões no sentido da caixa d'água, que leva a água embora, né? Você tem várias telas hoje, você tá na TV, você tá no notebook, você tá no smartphone, você tá no e-reader, você tá no tablet, e tudo bem, não tô falando que isso esteja errado, mas toma tempo. Você tem vários programas, antes era só a TV fechada, 4, 5 TVs, sendo que uma era a líder. Hoje você tem 130 e poucos canais, você tem O streaming maravilhoso, tem redes sociais, toma um tempo doido. Não tô falando que seja ruim, tô falando que toma tempo. Hoje você tá disponível a qualquer momento, Isabela. As pessoas te falam 24 horas por dia, 365 dias por ano, né? Você é acessível a todo momento. O chefe te manda um negócio, você tem que responder rapidinho, né? Outra coisa que tomou tempo, vê se você concorda comigo, eu tava pensando nisso hoje quando pensei em falar contigo, não tinha me ocorrido, me ocorreu só hoje: a conquista do espaço tomou o tempo. Como assim? Não é a lua, é o seu espaço, meu espaço, né? A mulher tá conquistando espaço. Você é mulher, você é profissional, jornalista, competentíssima. Trabalhamos juntos muito tempo, né? Eu sei o quanto é difícil conquistar seu espaço. Para mulheres, muito mais, né? Até hoje, salários, tá toda hora na qualquer matéria. Então, a conquista do espaço para mulher, ó, toma tempo, toma trabalho. E o homem Neandertal também, aquele cara grosseirão que quer segurar o espaço para si, também tem o trabalho de segurar. Não, você não vai levar não, Isabela, esse espaço é meu. Né, então tem uma briga de conquista de espaço que toma tempo. O negro tá conquistando seu espaço, é uma bandeira. Olha agora, Black Lives Matter voltou a ficar forte, né, desde lá, claro, lá em 68 com Luther King foi muito forte. Agora tá voltando, ainda bem que está voltando. Então toma tempo, é uma dificuldade para os negros tomarem seu espaço. Ninguém dá espaço, você tem que arrancar o espaço. O branco racista fica segurando o espaço, não quer dar, né. Então os dois estão tendo tempo gasto aí. LGBTQIA+, né, também, né, tão tomando o espaço que é deles por direito. E o obtuso, hétero obtuso, não quer deixar esse espaço ir também. Tem uma briga ali, os dois estão gastando tempo com isso, gastando, modo de falar, tá investindo tempo, né. O jovem começa carreira, muito tempo para conquistar seu espaço. O mais idoso lutando para não perder espaço para o jovem. Olha que interessante, toma tempo, né. E aí vai. Eu entendo como uma coisa assim, como o aspirante a triatleta tem que fazer muito para conquistar aquele triátlon, e o outro tá lá, tá, tá, um abraço do afogado, deixa eu me segurar aqui para não morrer. Então esse conflito também toma tempo. Tem várias coisas que tomam tempo. A obsolescência, Isabela, obsolescência de tudo, né? A velocidade da tecnologia exige da gente um estudo constante, um update constante. Ninguém mais para de estudar. Para de estudar, você tá ferrado. Cansa, toma tempo, é estresse, né? A tal da meritocracia, que acho que é uma das coisas mais horrorosas que existe. Detesto esse termo, acho que ele não existe, né? Não há igualdade de largada, né? E as pessoas querem que os dois tenham a mesma chance. Por isso que eu sou favorável a cotas, e uma conversa mais longa. Mas enfim, é uma briga por espaço o tempo todo na meritocracia. Ninguém baixa a guarda. É um cansaço, é o burnout que você falou, é um cansaço extremo, porque você tem que ralar para você não se afogar ali, tá certo? É outro tema que eu detesto: sangue nos olhos e faca nos dentes. Acho isso, né? Quando eu presidia Editora Abril, eu falava assim: não, eu quero outra coisa, quero brilho nos olhos e faca na pia, né? Eu não quero aqui piratas com, como é que chama aquele negócio que tem no olho, com conjuntivite. Não me interessa isso, né? Mas ainda tem muito esse negócio, a briga por poder, por status, por fama, por dinheiro, né? Pelo consumo. Leva esse estresse, leva um desgaste do tempo. Então, se a gente tá reclamando de ter pouco tempo, será que a gente não tá nesse caminho? O medo da irrelevância, do ostracismo, né? Tudo isso vai tomar seu tempo, né? Então, e tem várias outras coisas. Podia falar aqui, por exemplo, da adolescência mais longa, né? O filho fica mais tempo em casa, mais tempo consumido. Filho único, tiozinho seu com 35 anos sentado no sofá, você traz a comida para ele, né? Mudou, mudou. É uma mudança social, mudança ambiental. A longevidade, Isabela, Nós estamos ficando mais tempo vivos, você será filha mais tempo, vai ter que cuidar dos seus pais mais tempo, seus pais serão pais mais tempo, serão pessoas por mais tempo, né? Vão estar produtivos mais tempo, vão estar jovens por mais tempo, vão estar idosos por mais tempo, né? Tudo isso toma tempo. O divórcio, duas famílias, toma mais tempo, dá mais trabalho, tem mais conflito do que uma. Então essas mudanças todas vão tomando também nosso tempo, né? Tudo isso é o desafio enquanto estamos encarnados, como lidar com esse tempo.
Tudo isso escolha. Nós precisamos então escolher como vamos dedicar a nossa energia, que sabemos que é finita nesta passagem que estamos. Ela é finita. Tem um termo que eu uso no livro, é que nós estamos vivendo a era do macarrão instantâneo, né? Do ensine hoje, né? Tudo expresso, tudo para ontem. E aí, quando você traz, né, olha quantas coisas nós já estamos vivendo que poupam nosso tempo. E aí tem a escolha: o que eu farei com esse tempo? Vou descansar ou eu vou trabalhar mais? E aí, Claudinei, existe uma certa ganância, né, para ocupar todo o tempo. A culpa é um outro ladrão de tempo, porque o que vão pensar se eu descansar? Eu mesma, sabe, eu tinha até vergonha de dizer entre os meus colegas no jornalismo que eu tava de folga no final de semana. Mas como tá de folga, né? Então a gente, se não parar com essas crenças, né, como você disse, sangue nos olhos, disponibilidade integral, enfim, não vai ser legal, né. Claudinei, eu queria te fazer uma pergunta a partir de duas músicas.
Depende de quem, Isabela? Depende de nós, sim, e também depende da liderança, né. Quem nos ouve que é chefe de alguém, né, porque cansei de ver o cara que ficava até mais tarde no escritório Porque o chefe tava ali, ele não podia sair. Por que não podia sair? Você já acabou o seu trabalho, vai embora, sujeito. Não, não, o chefe tá lá, vai pegar mal, e agora? Então isso vem do chefe, não vem do subordinado. Então é nossa postura imbecil mesmo, né, por ignorância, valorizando coisas que não tem valor algum, que acabam dando esse negócio todo. E é mesmo escolha, como você disse. O divórcio, por exemplo, escolha. Você pode ter um divórcio litigioso, difícil, complicado, ou pode ter um divórcio que não tome tanto estresse, tanto tempo, que seja uma coisa linda. Surge duas famílias a partir de uma e não dois conflitos a partir de um conflito anterior, né? Tudo escolha, você bem disse, escolha, escolha, escolha.
Eu não, gente, quem disse tá aqui, olha, o autor no capítulo, tá? A escolha é sempre nossa, o resultado também. Provocando bastante, Caldinei, mas a gente se conhece já há muito tempo, né? E com o tempo também a gente vai ganhando confiança, não é, Caldinei? Com o tempo você vai conquistando a confiança. Então eu me sinto assim muito confortável. E sei que quem está aqui que ainda não te conhecia, eu aliás recomendo, né, para seguir o Caldini não só nas redes sociais, mas também acessar os livros, que a sua vida muda, né? O Caldini é como a vela, o mestre, né, consome-se iluminando. Então, o mestre é como a vela, consome-se iluminando, frase da minha bisavó, que eu já te disse. E essas chacoalhadas que você dá, elas são fundamentais para a gente despertar. Como agora com o COVID, você disse, alguns saíram do piloto automático, outros não. E aí eu vou trazer aqui duas músicas que, por mais que a gente ouve assim, ah, dá aquela risadinha, mas eu quero saber sua opinião neste contexto do tempo. Deixa a vida me levar, vida leva eu.
Não gosto.
E a outra que eu até ouvi hoje na gravação do programa do Dalsídez, que vai entrar inclusive meia-noite na Rede Vida: ando devagar porque já tive pressa, e levo esse sorriso porque já chorei demais.
Amo demais, adoro essa aí. Não tem dúvida, para mim é a segunda opção, é que eu quero que toque sempre na minha vida, né? E só vem com a maturidade também, né? E não quer dizer largar, não quer dizer procrastinar. De novo, tudo que quisermos pode. Quer procrastinar, quer largar, Caramba, não tá. Aliás, acontece muito, hein, muito. Na hora de falar: não, não posso ir embora, não tá na hora ainda, eu tô brigado com meu marido, obrigado, meu filho, que eu preciso recuperar. Não, calma, vá acertando a sua vida, porque você morrerá daqui a pouco. Pode ser daqui a uma hora, daqui uma semana, daqui um mês, daqui um ano, daqui a 30, 50 anos, não importa. Uma hora vai acontecer, como já aconteceu várias vezes. Então tá, as coisas em ordem importa muito, né?
Eu já quero voltar num aspecto que você fala que eu adoro, que são as salas de aula, né? Nós estamos vendo uma sala de aula. Mas antes, tá, de você trazer esse conteúdo, só para complementar, a Dra. Ana Cláudia Quintana Arantes, que ela também tá no livro, ela é uma especialista aqui no Brasil sobre cuidados paliativos. E o que que ela disse, é, Claudiane, que ela cuidou já de centenas de milhares de pessoas que tinham poucos dias de vida. E ela me disse que essas pessoas, quando já sabem que tem poucos dias, elas não ficam tristes pela morte, elas ficam tristes por não terem vivido uma vida que valeu a pena ser vivida.
Que dó, né, gente? Que dó.
Que é aquela história: nossa, eu devia ter feito, não devia ter feito isso, devia ter feito aquilo.
Bom, então quem é responsável por isso, Isabela? A própria pessoa, é claro, né?
Ah não, o tempo aqui tá correndo muito rápido, imagina, né?
E pior que ele tinha essas desculpas mesmo: me dediquei ao meu filho, a minha família, dei todo o meu sangue para minha família. Primeiro que assim, se duvido, e se fez isso, fez porque quis e porque tinha certa obrigação. Mas dá para fazer tudo, dá para dedicar-se à família e ter uma vida legal e tal, né? E só rapidamente botar antes uma coisinha, um negócio que me importa muito aqui. Eu tenho bastante pensando sobre o hedonismo, que hedonismo, muito prazer, muito prazer, muito prazer. Me parece ganância por prazer. Prazer é uma delícia, cara, é super legal, super gostoso, mas a vida não é só prazer, a vida é aprendizado, e pode ser e é prazeroso, né? Então cuidado, porque eu vejo gente querendo ter muito prazer e agora, não pode ser amanhã, não pode ser um pouquinho, tem que ser já, todo prazer agora. Olha, duro, duro, uma vida difícil, porque não é possível levar uma vida assim e não é desejável levar uma vida assim. E mais, não é uma vida que se completa ao terminar, não será uma vida que você vai falar: pô, foi bacana, né? Pena se você tiver tido uma vida que foi placebo, falar: não foi nem boa nem ruim, ou foi ruim. Tomara que você possa falar: pô, foi bacana, hein? Não fiz tudo que eu queria, mas consegui fazer um monte de coisa legal. Olha, tô contente comigo mesmo. Que delícia, né? Isso é uma morte tranquila. Isso tira o sofrimento da morte. O que você falou da Doutora Ana, né?
Ana Cláudia Quintana Arantes.
Eu li exatamente igual num livro de uns 5, 6 anos atrás, de uma enfermeira que também cuida de doentes terminais na Austrália. Exatamente isso. A pessoa reclama de não ter se reconciliado com o irmão, não é de não ter comprado o sapato mais legal, de não ter tido um carro mais legal, não é isso. São outras coisas: a reconciliação, aproximação, sobretudo.
Perfeito. Duas questões agora sobre uma ideia que você trouxe nas lives anteriores, antes até do lançamento do livro, sobre as salas de aula. Que quando você falou, né, no início dessa live, somos um espírito que vive vidas, certo?
Vive experiências.
E uma vez você comparou isso como uma escola. né? Tem gente que tá no primeiro ano, tem gente que tá no segundo, tem gente que repete um ano. Você podia trazer essa ideia de novo, por favor?
Esse é o raciocínio da espiritualidade, exatamente isso. Nós estamos aqui numa escola intensivíssima. O raciocínio que a Terra não é um planeta tranquilinho, é um planeta onde tem gente ainda bem atrapalhada. A gente, espírito, tem começo de encarnação. Então aqui tá, gente, sobretudo somos ignorantes no sentido literal da palavra. Nós ignoramos o o que é fazer o bem. Nós ignoramos os benefícios do bem, por isso agimos mal. Eu acho que se eu der um trançapé em você, Isabela, ficar com seu dinheiro, pegar o seu cargo e tal, vai ser bacana para mim. Não, mas a gente ainda acha isso. Vamos apanhar para caramba, estamos apanhando para caramba até aprender isso. Olha a diferença de renda hoje no Brasil, no mundo, né? Isso é prova cabal do nosso atraso. Tem 6 pessoas, Isabela, só 6, meia dúzia, tem mais dinheiro que metade da população brasileira. 6 pessoas têm mais dinheiro que 110 milhões de pessoas. É uma loucura, né? Então isso tudo nos traz essa dor. E isso aqui sim, de fato, é uma sala de aula, é uma escola onde a gente tá para aprender, é uma prisão onde miliantes estão para se emendar, né? É um hospício onde gente doida como nós estamos aqui para tentar acertar a vida. Então aproveitemos esse tempo. O Sêneca fala que a vida é uma lixa grossa a tirar a ferrugem que tá dura na gente. Então é uma lixa dura mesmo, aquela mais que tem areia mais grossa, que raspa pesado. E que é essa ferrugem? É tudo que não nos serve. Vaidade, egoísmo, arrogância, orgulho, maledicência, ganância. Mas peraí, ganância é ruim? Ganância é ruim. O que é bom é— como é que chama outra coisa quando você quer alguma coisa? É aquém da ganância. Enfim, você pode querer a coisa, o exagero no querer que é ruim. Paixão, amor é bom, paixão é ruim. Então esses exageros que a gente deve tirar da gente. Então sim, aqui é uma escola e nós devemos aproveitar para não repetir de ano. Porque repetir quer dizer o quê? Não fiz o que deveria ter feito? Vai voltar, queridão, vai voltar, queridona. E sinto, hein, vai ter que estudar matemática de novo, vai ter que sofrer na pele aquelas coisas que você não arrumou ainda. Você continua muito arrogante? Vai voltar para tirar essa arrogância. Continua muito egoísta? Vai voltar para tirar esse egoísmo, né? Então é só aproveitar o tempo, nós estamos tendo uma chance maravilhosa. Agora, mais uma vez, como disse bem Isabela, Up to you. Quer? Tudo certo também, problema seu.
É isso aí. Antes de eu passar aqui para as perguntas, aliás, para perguntas, a Marli tá perguntando se essa live vai ficar salva. Sim, Marli, aqui no meu IGTV, depois lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real, tá? Aliás, para vocês que estão assistindo, compartilhem essas informações. As palavras são sementes, né, Claudinei? E o que a gente quer é viver, né, numa sala de aula cheia de flores, não é?
Isso mesmo. E se tiver espinho, espinho também faz parte. A gente aprendendo a meter a mão no espinho, né?
Olha, o Fábio do Rio, é de Rio das Ostras. Em relação ao tempo, como não deixar a pressa dos outros nos afetar, em especial no trabalho? Adorei a pergunta, Fábio.
Obrigada, Fábio, queridão, tá sempre junto conosco nas lives, tal. É o livre-arbítrio. Como é que eu vou falar? O autocontrole, né? Não deixar que o outro me derrube. Não assim, porque esse cara é um sacana. Não, é assim, calma, né? Respirar, falar: ele tá com pressa, ela tá com pressa, por que será? Não, tem razão, tem de fato pressa, tem prazo, esse negócio tá tudo certo. Não é que a pressa seja um problema, a pressa é boa, a pressa tem razão de ser, né? Mas é não sermos super-homens e super-mulheres, sabe? Os caras que batem aquelas balas e ricocheteiam assim, não pega no carro. Não deixar isso 'Calma, deixa eu tentar entender qual é a urgência real, ver o que eu posso fazer. Se eu não conseguir entregar a tempo, explicar porque não consegui entregar a tempo.' Sempre bom senso. 'Ah, se fizer assim vai ser aceito, o cara vai dar mais prazo?' Talvez sim, talvez não, mas você não controla o outro, mas você pode controlar a si mesmo, não se desequilibrar com essas demandas, né? E sobretudo não replicar esse comportamento. 'O meu chefe foi assim horroroso comigo, quando eu for chefe vou ser igual com os demais.' Não, né? Você já raciocinou, viu que arde, apimenta? Não põe pimenta no outro cara também, né?
Eu até complemento essa pergunta em relação a como é que eu vou lidar com a pressa no trabalho. Mas veja, nós vivemos no mundo expresso, e se a gente também não encontrar o nosso ritmo, né, com humildade, não querer fazer o que tá todo mundo fazendo, né? Claudinei, aqui tem agora uma pergunta da escritora Yara. A Yara faz um trabalho fantástico, especialmente no Resiliência Humana. E ela faz uma pergunta que eu também tenho dúvida: o espírito respira? Qual a visão da espiritualidade sobre a importância da respiração? Você sabe, meu amigo?
Bom, Yara, deixa eu dar uma respiradinha antes aqui. Eu não respiro, né? Eu tenho problema de respiração, quero falar muito, essa ansiedade louca com o tempo, né? Yara, é uma questão polêmica, né? Depende para quem você pergunta. Se você tá perguntando para mim, eu vou te dizer não. O espírito não precisa respirar, o espírito não precisa comer, o espírito não precisa fazer cocô, o espírito não precisa dormir, o espírito não precisa casa. Nada do que é material, nada do que é concreto, o espírito precisa. Agora, se você ler a literatura espírita, é bem respeitada no Brasil inclusive, tô tirando Kardec fora, tá, pondo Chico Xavier, Divaldo, esse povo todo aí, tem muita coisa ali que eu acho bobagem, que eu acho estranho, né. É uma polêmica sobre isso, né. O espiritismo fala claramente, Kardec fala claramente assim: não Não há inferno, não há lugar destinado à danação eterna, muito menos um ser dedicado ao mal maior que Deus para fazer frente a Deus. Não existe isso. Também não há um céu onde você fica lá tocando harpa só na vida boa. Há espíritos mais desenvolvidos, menos desenvolvidos, toda parte. Então o espírito, agora voltando à pergunta, um espírito muito materializado, um cara que morreu e não acredita em nada, tal, ele talvez precisa respirar. Não que ele esteja respirando de verdade, mas ele faz, ele se engana achando que Acontece, você vai ser espírita, vai conversar com alguém afogado, o cara tá no desespero porque ele tá sentindo as dores do afogamento, né? Ou um cara que se enforcou tá sentindo as dores do enforcamento, né? Então tem a sensação real do espírito, mas não é necessário. Isso é só imaginação, isso é só plasmado ali. O espírito não sabe nada disso, mas a literatura espírita infelizmente ainda fala dessas coisas. Eu imagino que sejam espíritos muito atrasados ainda, que precisam do dinheiro, precisam da comida, precisam do sexo, precisam de todas as coisas do mundo material.
Não faz sentido nenhum para mim, meu amigo. Posso te fazer uma pergunta fugindo total aqui do roteiro? Claro que estamos no mês de setembro amarelo, né? Existe, eu tenho participado de campanhas diárias de prevenção ao suicídio. Para isso a gente tem que promover a vida. Você comentou agora, né, é de uma pessoa que está lá se afogando e tal. Para quem tira o próprio tempo, para quem tira a própria vida, né? Para o— na espiritualidade, qual é a consequência para um suicida?
Agora estamos falando a última pergunta da Yara, e essa sua eu vou responder mais como espírita, não como espiritualista, tá certo? Agora, ainda no espiritismo, essa outra pergunta excelente que é absolutamente polêmica, no meu entender. Porque se você perguntar para um espírita tradicional, Isabelle vai te falar o seguinte: não pode! Você cometeu suicídio, você vai ficar no Vale dos Suicidas, que é um lugar horroroso, equivalente ao inferno quase. Você vai ficar ali onde só tem suicidas. É, basta ver o filme André Luiz, você vai ver lá, o nosso lar é um lugar horrível, né? Um lamaçal, as pessoas sofrendo. O que que espiritismo diz? Que você vai por afinidade. Então é como aqui na Terra, coritiano com coritiano, são paulino com são paulino, flamenguista com flamenguista, você é por afinidade. Então os suicidas, por afinidade, estão juntos. Não estão juntos fisicamente, porque não tem mais físico. E também esse sofrimento não é que ele está num lugar horroroso, é que na mente dele ele continua vendo aquele ato que ele cometeu, suicídio, e percebe a bobagem que fez. Por quê? Porque não tirou a própria vida. A vida, brincando aqui de Magra, aquele ministro, é intirável, né? Você não tira sua própria vida. E você falou uma coisa muito interessante, Isabela, que eu nunca tinha ouvido. É, tirou o próprio tempo. É isso, a pessoa tirou o tempo que tinha direito, ou melhor dizendo, tinha obrigação, né? Então tá aqui, essa pessoa tem que viver, sei lá, 78 anos. Aos 32, o cara corta a vida dele, se mata. Cara, não aguento, tá muito difícil, muito ruim, vou parar com isso. Essa covardia, porque é uma covardia. Ah, mas é uma doença também. Claro, uma doença, uma patologia, mas a gente tem que segurar a onda. Aquela história que Deus não dá o fardo maior do que você aguenta. Todo mundo tem problema, todo mundo tem dificuldade, né? Claro que a gente deve sempre ajudar Se você percebe alguém com tendência suicida na família, converse com essa pessoa. Hoje mudou o aprocho, antes era não fale para não incentivar, hoje é converse. Você tá pensando em suicidar?
Muito, muito.
Converse comigo, liga para o CVV e tal, né? Então é apoiar, claro, mas o suicídio não é adequado, que você tem um tempo para viver aqui e aquele tempo está programado para você passar por uma série de experiências e aprender uma série de coisas. Você interrompeu, você perdeu a chance, e foi uma chance preciosa. Tem muita gente querendo encarnar que não tá podendo encarnar porque tem vagas limitadas, por assim dizer, né? Mas aonde eu defiro da maioria, onde eu defiro da maioria dos espíritos mais tradicionais, sempre há retomada, sempre há socorro. Essa pessoa obviamente vai reencarnar. Infelizmente perdeu um tempo precioso, infelizmente fez uma bobagem, como todos fazemos. Quem de nós pode dizer que não foi suicida numa encarnação passada?
Não sou, né?
Muito provável que tenhamos sido. Suicídio é tão comum, infelizmente, né? Então, suicídio, o aborto, eutanásia, assassinato, são absolutamente tristes, deploráveis. Meu entendimento é que sempre há encaminhamento, né? Então, se você tem um parente que suicidou, acalme-se, converse com ele, reze para essa pessoa com as suas palavras: 'Tá tudo certo, calma, a gente pisa na bola mesmo, a gente faz bobagem mesmo, tá tudo certo, você vai ter outra chance. Acalme-se, aprenda, olha o seu entorno, tente voltar mais fortalecido para sua próxima experiência.' É isso, né? Não é diferente disso. Então, eu diria Finalizando, é importante, é, entre aspas, errado, não se deve fazer por tudo isso que expliquei, até porque o corpo ainda tá cheio de energia, a energia vital que segura o espírito ao corpo tá muito forte. Então é um arrebentar disso mesmo. Quando você tá velhinho, doente, já tá muito fraquinho, a saída do espírito é bem suave. Quando se suicida, é um arrebentar de uma energia muito pulsante que ali está. Mas se aconteceu, calma, serenidade, buscar uma nova oportunidade que sempre existe.
Sim, adorei. É isso aí. E nós temos que falar sobre isso, tá, gente? Também não adianta bater pezinho, não. A gente precisa falar sobre tudo isso que está ao nosso redor e muito mais perto do que a gente pode imaginar.
Agora, Isabela, qual é o antídoto para o suicídio? Eu tô lembrando agora, André Tigueiro fala isso no livro ótimo que ele tem, André Espírita também. Sim, é a pessoa suicida por desilusão com a vida. Então agora eu falando, qual é o antídoto? Ter uma vida interessante. E como é que você tem uma vida interessante? Interessante pelas coisas, pelas pessoas. Ah, mas eu acho tudo chato, não tenho paciência com nada. Esforce-se, veja o que que você gosta, alguma coisa você gosta, alguma pessoa interessante, você curtiu um negócio, curta, curta, veja as coisas que importam, né? Cresça.
Humildade para viver um tempo de qualidade, né? Eu participei no início do mês de um congresso do Corpo de Bombeiros e eu ouvir, né, do Major. Quem tenta o suicídio na verdade não quer tirar a vida, quer tirar uma dor. Exato. Ela não quer eliminar a vida, quer eliminar uma dor. Mas isso a gente pode inclusive marcar uma outra live, Claudinei, porque para mim são 12 meses de Setembro Amarelo. A gente não pode falar só sobre o assunto no mês de setembro, né? Eu tenho mais duas perguntas muito interessantes aqui antes de acabar. Vou começar pela Andrea, porque depois a outra pergunta já vai ser encerramento. Andrea Ferreira: eu acredito no espiritismo, mas tenho medo da morte. Por que será, Caldini?
Porque você anda vendo muito filme de terror, Andrea. Pare de ver filme de terror. Tô brincando, mas parte da culpa é isso mesmo, Andrea. A gente vê aqueles filmes, veja o Fantástico do, como é que chama aquele menino lá, aquele cantor, o Michael Jackson, né? Bonitinho. Quando ele vinha de horrorosão, de sair da morte, era horroroso, né? Então a gente tem medo que o bicho vem, morde a gente aqui. Esse é o medo da morte. A gente não entende a morte. A morte é absurdamente natural, é previsível, né? É só uma passagem. Você deixa um corpo, você troca de roupa, você deixou uma roupa que tá velha, desgastada, não serve mais, você deixa uma casa que tá cheia de rachaduras, de infiltrações, você gosta daquela casa, mas não dá mais, não dá para você viver ali mais. Deixa aquilo lá, vai viver numa casa novinha, em folha, bonitinha, que vai nascer dali um tempo, né? Então é compreender da morte, falando da morte, dando a morte, que a gente resolve essas coisas.
Perfeito, gente, é como trocar de roupa. Ao cerimonial: olhar rápido não nos permite ir além das aparências. Comente sobre a importância do olhar devagar.
Legal, bacana, bacana. Tem aquele povo do slow food, né, comer devagarinho, É um slow motion geral, né? Calma, devagar. Eu não sou um cara calmo, não sou um cara devagar, então não sou a melhor pessoa para falar sobre isso. Mas você tem razão, eu diria que menos que um olhar lento, é um olhar atento. Olhar atento é muito importante, que volta a questão que ajuda também ao não suicídio, é o prazer de curtir a vida, fala: nossa, olha, né? É ver beleza nas coisas, ver beleza na natureza. A natureza é maravilhosa. Ver beleza nas pessoas. Em cada— não existe uma pessoa desinteressante. Não existe. Mesmo a pessoa muito pouco educada formalmente é muito sábia, frequentemente. Mesmo a pessoa grossa, horrorosa, é um aprendizado. Você fala: isso eu não quero ser desse jeito. Por que será que ele é assim? Poxa, é um cara mais atrasado, ele não consegue enxergar uma coisa que eu já consigo enxergar. Que bom que eu já consigo, mas eu, para o meu lado, não consigo enxergar alguma coisa que o outro consegue enxergar, que tá além de mim. Essa compreensão da vida, esse olhar atento, mais que um olhar lento, eu diria que é o olhar importante. Ele é delicioso. Quando a gente faz, a gente cresce muitíssimo. Isabela, antes de encerrar, eu queria dizer uma coisa que eu acho importante também. Onde é que a gente sofre na gestão do tempo? Acho que é na nossa ignorância, que é o mesmo lado que a gente sofre na morte, é ignorância. Ignorar é muito ruim. E a sapiência vem com estudo, estudo de novo, é observação de nós mesmos, do nosso entorno, né? Isso é importante. E aí, se eu fosse deixar uma frase, tava pensando isso aí, eu acho que é o seguinte: acho que existem dois tempos, Isabela, amigas e amigos, o tempo encarnado e esse sim conta. Você tem horário para almoçar, para comer, para entregar o trabalho, o chefe tá cobrando, tá tudo certo. Então aí você precisa de fato lidar com esse tempo. Lide com esse tempo na sua melhor situação, mas compreendendo que o tempo outro, o tempo do espírito é outro. Na verdade é um tempo irrelevante ou até mesmo inexistente, né? Para o espírito não há limite de tempo. Então tá tudo certo, faça o que você tem que fazer durante a encarnação para aproveitar Lide serenamente com o tempo encarnado, mas compreenda o tempo do espírito, que é um tempo muito mais generoso, muito mais amistoso, muito mais carinhoso, que dá uma acalmada, que tudo tem solução e tudo ao seu tempo. E o tempo é infinito para o espírito.
É isso mesmo. Posso induzir esses últimos 7 minutos antes do Instagram?
É que eu tava achando que tava acabando já, por isso que eu falei essa frasinha, que eu falei, tem que falar ela, que é bacana.
Não, perfeito. Essa consciência para mim é o que me emociona. Esse tipo de conversa a gente não consegue ter todos os dias, não é? Então eu vejo como um baita de um privilégio, um tempo assim muito de qualidade, esse tempo que você está nos dando, não é? Porque eu posso ligar para você e falar: Claudine, me conta isso, aquilo. Não, né? E essa sua generosidade me emociona. Por ensinar coisas.
Sinceramente, não é. É o que a gente vai lendo, fazendo. E você acha que eu não tô ganhando? Ganhando um monte, estando aqui com vocês, mas um monte. Porque a gente vai pensando, né? Aquela história que a boca mais perto do ouvido, mais perto da sua boca, é o seu mesmo, né? Então tô falando, ó, para mim aqui, ó, para eu ouvir, né? Claro, claro.
A professora Lucilena Galvão, até mesmo, ensina muito assim como você. Ela diz: aquilo que a gente ensina é o que mais precisa aprender. Então, para a espiritualidade, o tempo não está acelerado?
Não, não, porque o tempo não existe para espiritualidade, né? Uma vez eu tava conversando com espírito e batendo papo, tal, disse que o cara falou: escuta, quem é esse Jesus que vocês falam aí? Falei: como assim, você não sabe quem é Jesus? Não, ele não sabia. Aí comecei um pouco mais, descobri o cara tinha desencarnado antes de Cristo, ele desencarnou, sei lá, 2000 e poucos anos. Claro que ele não sabia, ele não acompanhou nada disso, o cara tava sei lá onde, né? Então é interessante porque de fato para o espírito não tem, o tempo não importa, você não apodrece, você não fica velho, você não acaba. Então ele é desimportante, não há o conceito de tempo na espiritualidade. Claro que a compreensão de vamos acelerar o passo, porque é bom para você, você quer ser feliz, acelera o passo, inclusive quando você tá desencarnado, né? Vai aprender, queridão, vamos lá. Não quer, tudo bem, mas não tem essa premência do tempo, essa angústia, essa correria toda, né?
Agora acho que nós temos então aqui os últimos minutos, que eu queria então agora o seu arremate justamente sobre o que você disse. Quando você assume: eu sou uma pessoa ansiosa, todos nós somos de certa medida ansiosos, até porque é isso que nos permite inovar, pensar, né, e com entusiasmo seguir em frente. Ando devagar porque já tive pressa, mas vamos lá. Qual seria sua conclusão final? Porque eu não preciso estar correndo o tempo inteiro, eu não preciso estar acelerado o tempo inteiro, eu preciso então reconhecer, ter humildade, que sim, calma na alma, calma na alma, tenha consciência do que você vai fazer, não é? Porque senão, Claudinei, com muita pressa eu também acelero o meu fim.
Claro, desgasta o corpo. Nós temos obrigação de manter nosso corpo, Isabela, pelo tempo necessário. Se você vai viver 87 anos, você não sabe quanto tempo vai viver, mas tem obrigação de manter seu corpo no melhor estado possível até a hora que for desencarnar natural. Então, cuidar do corpo é muito importante. Cuidar do corpo também é não desgastar o corpo, né, com excesso de comida, com excesso de bebida, com fumo, com excesso de trabalho, com sedentarismo. Tudo isso desgasta o corpo, ou alguém não sabe, né? Então, sim, nós temos obrigação com o corpo. Mas o que você falava, eu acho, eu tava pensando o seguinte aqui: o Espiritismo fala isso claramente. Nós temos o trabalho e o dinheiro é importante na vida do encarnado, sim, é. Por que que é? Porque eles são como esporas a nos apertar para que a gente ande, né? Você precisa do dinheiro, você vai passar fome, então você tem que se virar, tem que trabalhar, né? E o trabalho, claro, eu diria que tem dois grandes laboratórios para a gente aqui: um é família, outro é trabalho, que ali a vida é dura, né? Você tem muito embate e tal, vai aprender muita coisa. Então o dinheiro nos empurra nisso. Eu diria que o tempo é a mesma coisa. A premissa de tempo para o encarnado, eu diria que é outra espora a nos fazer: vai, queridão, vamos, anda aí, acorda, sai da cama, né? Porque talvez sem essa premissa de tempo nós ficássemos mais relaxados, aprenderíamos menos, evoluiríamos menos. Então entender o tempo não como nosso inimigo, e a pressa como parte dessa espora a nos instigar no desenvolvimento enquanto estamos encarnados, não há problema. Mas você bem disse, calma na alma, nunca tinha ouvido essa expressão, vi agora com você. Para fora uma coisa, para dentro outra. É aquela expressão: por fora a bela viola, por dentro pão bolorento. Ao contrário.
Falei isso hoje, tá vendo?
Por fora, pau na máquina que eles dão, pau na máquina. Vamos fazer o que é preciso fazer, cuidar da sua família, cuidar de você mesma, cuidar do seu trabalho, cuidar dos seus afazeres, cuidar do seu ganhar pão, claro, como não, cuidar do seu prazer também. Sim, claro, cuidado de viajar, curtir a vida, tudo isso é importante e faz sentido, mas por dentro a serenidade. Ah, mas é possível? Claro que é possível, né? E eu digo mais, eu acho que quem tá bem agora nessa pandemia, que deu essa virada aí, você falava, tem gente que desagou, tem gente que entrou na bebida, entrou nos remédios, tem gente que tá precisando de tratamento psicológico, psiquiátrico, que não tá aguentando mesmo, e tem gente que tá muito bem. Eu converso com vários amigos, Isabela, eu falo, cara, vou até falar baixo, mas pra mim tá numa boa a pandemia, eu tô curtindo, tô fazendo muita coisa legal. Tô ouvindo de várias pessoas isso. Impressionante. Claro, todos reconhecemos a dor da pandemia, das mortes, da doença, do desemprego, da fome que vem associada. Tudo isso nós reconhecemos, mas algumas pessoas estão conseguindo levar melhor, e não são, não é necessariamente quem tem mais dinheiro. Claro que tem mais dinheiro, tem condições materiais de ficar melhor, mora melhor, não precisa sair pegar o ônibus, tudo faz diferença, mas o estar bem internamente ajuda muito. Então o tempo também fica melhor se você sabe lidar com isso.
Gente, uma salva de palmas digitais agora para Caldinho, ele vai sentir essa vibração.
Eu adoro, viu? Muito obrigado, Isabela, é um super prazer estar com você, com vocês todos.
É sempre um tempo de qualidade contigo.
Ah, uma coisinha rápida, vou fazer no ar para você não poder recusar, vou fazer um mega convite para você. Você vai ser junto comigo apresentadora da Maratona Festa das Casas André Luiz, dia 20 de dezembro. Como tá ouvindo, você não pode acusar. Tem 254 pessoas sabendo isso, fora os que vão assistir daqui a pouquinho. Eu acho super legal, mega legal.
Já aceitei o convite. Estar contigo é sempre um privilégio, e quando nós podemos unir forças para contribuir com outras forças, que assim seja. Vamos juntos.
Caso André Luiz merece muito. Que legal, muito obrigado.
Depois a gente conte comigo para toda divulgação, tá certo? Depois a gente combina então aqui pelos Obrigada, boa noite, bom descanso e até breve.
Boa noite, muito obrigado, um abraço a todo mundo. Tchau, gente, bom tempo!
Bom tempo para todos nós e que vocês sempre tenham tempo para colocar vida no tempo de vocês. Até porque, né, se nós estamos vivendo mais, como será que vamos viver esse tempo? Pensem nisso. Quero fazer um convite: amanhã eu tenho duas lives muito especiais. 10:30 da manhã, Maestro João Carlos Martins, mas não vai ser aqui no Instagram, tá, gente, lá no meu canal no YouTube, Isabela Camargo Real, O Tempo na Música e o que o tempo ensinou também para o nosso querido maestro. E no início da noite, 6:30, eu e Thiago Godoy vamos falar sobre educação financeira, o valor da sua hora, como você está valorizando o seu tempo para assim também viver uma vida que vale a pena ser vivida. Então amanhã temos dois encontros já, tá certo? Boa noite para vocês, bom descanso e até amanhã.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








