Pai, Dinheiro e Família com Thiago Godoy no Especial dia dos Pais - EP 26 Ïnterioriza

Thiago Godoy, known as Papai Financeiro, talks with host Isabela about money, family, and fatherhood. He discusses teaching children about finances early, how financial stress affects mental health, and practical ways to avoid debt and lifestyle inflation.
Chapters
Oi, bem-vindo, bem-vinda ao Interioriza! Nessa edição ultra especial, estou no divã com o papai financeiro Thiago Godoy, que vai nos explicar sobre como podemos lidar melhor com a energia do dinheiro, não é?
Pois é, é um prazer estar aqui com você.
Que isso? Que entrevistado abusado!
Eu ganhei esse direito, né?
Ah, é mesmo?
Afinal de contas, quantas TPMs eu já segurei?
Sabia que esse assunto ia aparecer nesse episódio. Mas nós vamos falar sobre dinheiro em família, não é sobre TPM. Mas isso também influencia, né, Thiago?
Sim, tudo influencia.
Pra quem não sabe, Papai Financeiro Thiago Godoy é o meu parceiro, é o meu marido, né? E nós temos uma filha, Angelina, de 3 anos. Você já deve ter visto em alguma circunstância a gente fazendo alguma brincadeira. A gente costuma dizer que fim de semana é tempo de...
Papai, mamãe e filhinha.
Durante a semana a gente trabalha bastante.
Na verdade é mamãe, filhinha e papai.
Não é não. Mas eu queria trazer nesse Dia dos Pais, tio, essa conversa com você bem direto ao ponto, assim, bem sensível para todos aqueles que querem aprender a lidar com a energia do dinheiro, tem idade para aprender a lidar com o dinheiro?
Não, porque na verdade a criança vai observar os pais desde muito pequena, desde quando ela, antes dela começar a falar na verdade, ela começa a observar e é claro que ela não vai saber o que é isso ainda, mas ela faz associação, né? E tem estudos inclusive que mostram que os hábitos financeiros que a gente desenvolve na vida Já começam a aparecer com 7 anos de idade. Esse, especificamente, um estudo de Cambridge que foi feito, foi revolucionário porque eles conseguiram medir que os hábitos financeiros dos pais vão passar para os filhos e identificaram padrões de comportamento na criança com o dinheiro a partir de 7 anos de idade. Então, é quanto antes começar e você começa no diálogo em casa, tendo uma boa relação com o dinheiro, Tendo um diálogo, os pais, as pessoas que criam essa criança, tendo um diálogo bacana, positivo, propositivo e incluindo a criança dentro do dia a dia da vida financeira. Desde ir no supermercado e fazer uma lista de compras junto antes de ir para o mercado, comparar preço. A criança de 3 anos consegue começar a entender isso. É claro que isso vai amadurecendo, mas precisa fazer parte do dia a dia da família para ela poder entender que isso é normal, que isso é bacana. E que isso é importante.
Então, nesse Dia dos Pais, a gente está querendo te dar esse presente. Informação correta é um presente. Então, não importa se você não teve educação financeira, se você ainda não lida bem com a energia do dinheiro, há tempo para aprender. E é isso que a gente está querendo proporcionar aqui hoje.
Vou até te corrigir agora sobre educação financeira.
Não é isso.
É assim, muita gente fala essa expressão, já está mais do que conhecido das pessoas, isso é muito bom porque eu trabalho com isso há mais de 10 anos e quando eu comecei ninguém sabia nem o que era educação financeira, mas eu tô parando de usar esse nome porque é muito mais do que educação financeira, é educação para o comportamento financeiro, educação para saúde financeira, mais do que qualquer coisa. O comportamento ele vai dar saúde ou não vai dar saúde financeira, certo? Comportamento tóxico Saúde financeira ruim. Comportamento saudável com dinheiro, saúde financeira bacana. Então o tema maior aqui é saúde financeira. Saúde financeira.
Saúde.
Estamos na mesma área, saúde financeira e mental.
E você sabe que pelo seu crescimento nesses últimos meses nas redes sociais, né, você com mentoria, livro e tal, eu percebi que as pessoas também já começaram a te ver como esse educador, porque uma coisa é você falar de bolsa de valores, debêntures, juros compostos, né, debêntures, juros compostos e tal. E a outra é você dar esses passos atrás para ser responsável pelos seus comportamentos. Não adianta você querer saber onde você vai investir se você ainda não sabe nem como você reage diante dos seus altos e baixos ao longo das semanas, porque isso também afeta, né, as decisões, afeta os comportamentos.
Totalmente. Para quem já tentou fazer academia de ginástica, vai fazer lá musculação. Se você já fez musculação alguma vez na vida, você viu que tem pessoas que fazem a musculação já com os pesos soltos. Já viu isso? Quando a pessoa ela já é avançada na musculação, ela vai lá e faz o exercício com o peso solto e aí ela tem o equilíbrio, ela consegue treinar outras coisas. Mas ninguém começa na musculação com o peso solto. Você tem que começar na máquina, você tem que começar com exercícios mais simples, mais leves. Então você vai desenvolvendo isso e vai aprimorando isso para que você vire um avançado. O erro que eu acho que as pessoas cometem, que eu vejo as pessoas errando o tempo inteiro, é acharem que por elas quererem começar a fazer atividade física, a musculação no peso solto. Isso aqui na educação financeira equivale a você tentar começar aprendendo na bolsa de valores, por exemplo.
Ou seja, está gastando energia ainda no lugar errado.
Porque você não tem preparo ainda para você entender, na verdade muita gente até entende de bolsa de valores, de investimentos, mas ela não se alinhou aqui no mais importante, que é como que ela vai usar esse recurso para a vida dela e como que isso vai servir para os objetivos dela. Isso é muito mais importante do que entender tecnicamente.
Bem interessante, ou seja, não é sobre "Quer fazer planilha? Qual é a ação que está rendendo mais?" Não é esse caminho que nós estamos propondo.
É antes disso. É bem antes disso.
Quando você coloca a mão aqui, quando a gente fala "eu preciso", veja só, quando você fala assim "eu preciso aprender", eu estou colocando a mão sobre o meu coração. E tem gente que acha que decisões financeiras ou comportamentos financeiros está só relacionado a bolso e cérebro. E você carrega aqui uma chave bem interessante, que é o seu amuleto. Coração com o cifrão. Qual é a relação das emoções com os comportamentos financeiros?
Total, total, o tempo inteiro. Porque a gente vai tomar decisão mediante o que a gente quer, certo? Quando você quer uma coisa, pensa em você. Você quer uma coisa.
Quero uma coisa.
Por que você quer uma coisa?
Porque eu sinto que eu mereço, que eu tô precisando às vezes.
Mas o quê? Você merece ou você tá precisando?
Ah, é porque eu achei bonito, porque eu gosto, ou porque há uma necessidade também, né?
É, mas antes disso, por que você achou bonito?
Boa pergunta.
Por que você gosta de uma coisa específica?
Ah, porque vai ter alguma coisa naquele produto que Conecta comigo.
Conecta com você, por quê?
Por alguma questão que eu não sei explicar.
Beleza. Quando isso está equilibrado, quando está saudável, ou seja, você está comprando as suas coisas e está tudo bem, você paga suas contas, você consegue fazer tudo, ainda tem dinheiro para investir para o futuro, ainda consegue realizar coisas mais importantes, quando está acontecendo, ótimo. E quando isso não está acontecendo? E quando você está comprando coisas que você não pode pagar?
Opa!
Quando você está tendo sonhos que ainda você está buscando realizar sonhos que você ainda não pode pagar. E aí você tá pegando, por exemplo, parcelando tudo que você não tem dinheiro para pagar hoje, com a esperança que você vai conseguir pagar depois. E aí no meio do caminho você se enrola porque você comprou outra coisa que você quer também, porque você sente que você merece, que você gosta. Quando é que você vai fazer isso de uma maneira saudável? Por que uma pessoa não faz isso de maneira saudável?
Porque ela tá buscando recompensa nos lugares errados. Uma das coisas que eu acho. Porque tem gente que se dá presente, tem gente que se anestesia, que vê na compra uma fuga da realidade, que aí produz aquela serotonina rápida, aquela carga rápida de prazer e nunca tá satisfeito com nada.
É, isso também, mais ainda. Por exemplo, eu tenho um mentorado que Ele é pai de duas filhas, ex-mulher, não é casado, ele é separado. Ele tá com uma filha de 11 anos e uma filha de 21 anos. E ele se endividou, pegou um empréstimo de R$150 mil pra pagar uma viagem pras filhas dele pra Disney. Ele gastou R$150 mil na Disney.
Ele não quis mostrar que ele perdeu?
Que ele não tinha condição de pagar?
Reconhecimento? Medo do julgamento, das filhas, inclusive: "Nossa, agora meu pai não pode me levar pra Disney." Você acha que isso acontece?
Acho. Acontece muito. Só que quando acontece um negócio desse, parece que é uma coisa: "Nossa, fora da curva, esse cara é um louco, é um irresponsável." E essas pequenas coisas que a gente faz, que acontecem com a gente o tempo inteiro?
Quais são as pequenas coisas que a gente faz e parece que são inofensivas, mas no fim do mês podem provocar bastante estresse.
Quais são as pequenas coisas que você já fez que pareciam ofensivas e que te deram problema?
Eu, Isabela?
Lá atrás, quando você tinha uma renda mais contada.
Mas é entrevista de quê, gente? Sou eu entrevistando ele ou ele me entrevistando, né?
Você é meu exemplo aqui, ué.
Eu já considerei cheque especial como parte do salário. Sobre desvios de comportamento, tá? Já achei que o cheque especial então fosse parte do salário. Quando eu comprava no cartão: "Ah, não, a gente parcela." Gente, depois as parcelas se encontram. E miudezas assim, sabe? Brinquinho, pulseirinha. Essas coisas sempre me deram essa carga rápida de prazer. "Ai, não, vou comprar aqui um negocinho." Fora depois produtos mais caros, né?
Tá. Você trabalha desde que idade?
12.
Quando é na tua vida que você sente que você começou a juntar dinheiro? Não é meia dúzia de reais, não. É um dinheiro assim que começou a fazer diferença para você.
Neste momento, o entrevistado está puxando a sardinha para o lado dele.
Não necessariamente.
Depois que a gente começou a conversar mais sobre isso abertamente, depois que você chegou na minha vida com muitas orientações, mas foi De 2018 adiante.
Antes de 2018 você não tinha dinheiro guardado, investido?
Pouco.
Muito pouco? Muito pouco. Eu lembro que você tinha um dinheiro assim, uma grana que dava para viver uns 3, 4 meses no padrão de vida que você tinha. Que sempre foi muito simples. Simples, mas você tinha uma grana reservada e eu lembro que você investia um produto de um banco aí conhecido, que eu não vou citar, que eles chamavam de investimento, mas que rendia 5% da taxa Selic, que é nada. 5% da taxa Selic é praticamente você deixar o dinheiro parado, porque ele não tem nenhum rendimento. E você tava com esse negócio aí há muito tempo e tava lá investido. E quando eu vi aquilo, eu pedi para o seu gerente para te responder no WhatsApp quanto que rendia o negócio, ele botou 5% do CDI, que é a Selic, Eu não acreditei, porque eu trabalhando com isso há muito tempo não sabia que tinha banco que vendia produto como se fosse investimento que só rendia nada, assim, muito pior do que a poupança que já é uma porcaria. Então eu lembro que eu fiquei indignado assim, indignado com a cara de pau do banco de fazer isso. Eu estou falando isso com você porque imagina quem te vê, está te assistindo e fala: nossa, Isabela sempre foi planejada, sempre foi educada financeiramente, sempre juntou dinheiro, sempre da Globo, né? Então você só começou a fazer isso depois que você viu que tinha essa importância. E eu não fui lá e fiquei controlando o teu dinheiro, nunca fiz isso, mas só o fato de eu dizer pra você que é importante, você já começou a pensar em relação a isso de forma diferente. Começou a ver como eu fazia, começou a ver o meu estilo e isso te influenciou. Então acho que o que a gente mais precisa, por que eu tô falando isso? Porque a gente tá falando de Dia dos Pais aqui, né? Pais, Pessoas responsáveis por criar uma criança. O mais importante é ele ver que a possibilidade existe, que você tem um caminho que você pode construir de saúde financeira, realizando sonhos, conquistando objetivos, sem precisar perder qualidade de vida. Você perdeu qualidade de vida desde quando a gente está junto? Não. Só melhorou, não foi? Não foi? Muito por mérito seu também, que você foi lá e começou a empreender e tudo mais. Mas assim, fora isso, a gente muitas vezes associa a prosperidade a— unicamente ao volume de dinheiro. "Nossa, eu vou ter prosperidade quando tiver muitos milhões." E muitas vezes a pessoa tem milhões, esse empresário tem dinheiro, só que ele não sabe lidar com o dinheiro, ele tem uma renda alta e gasta tudo porque ele não sabe lidar com aquilo. Então o mais importante é você ter ter realmente uma consciência para você lidar com a renda que você tem hoje. Para você, não, quando você tiver mais você vai saber melhor ainda lidar com a renda que você tem.
E aproveito então esse gancho para dizer o quanto você manter uma vida mais simples, não importa o quanto você ganhe, melhor para não cair na armadilha do padrão de vida.
Exatamente.
A gente vê hoje muitas pessoas sofrendo mesmo, e aí estou falando de todas as esferas do sofrimento, Aqueles que sangram e os que não sangram, porque não conseguem manter mais um padrão de vida que foi alcançado em algum momento, aquela renda se perdeu, isso causa muito, muito estresse financeiro, muita ansiedade financeira. Qual a diferença entre estresse financeiro e ansiedade financeira?
Olha, a ansiedade é uma consequência do estresse. Nessa dinâmica financeira É, as duas elas vão surgir de questões que precisam ser tratadas com a vida financeira. Não necessariamente a pessoa tem que estar endividada, por exemplo, mas a dívida é uma alavanca muito grande de estresse. Porque o estresse gera insegurança. O endividamento, por exemplo, leva ao estresse. O estresse é essa sensação de insegurança. Essa insegurança leva à ansiedade. Porque são quase irmãs, né? Você vai estar lidando com uma sensação de que eu não sei para onde vai minha vida a partir de amanhã, a partir do mês que vem. Então, isso é muito comum e aí ligando ao que você trouxe da armadilha do padrão de vida, é muito perigoso você crescer, aumentar custo. Isso para pessoa física, família, para empresa, né? Empresário, quem tem empreendimento, é muito perigoso você aumentar custo, porque custo é uma certeza, você vai ter. Faturamento não é certeza, renda não é certeza. Quando você aumenta o padrão de vida, aumenta o custo da sua empresa, aumenta o seu custo fixo, você está ancorando o teu dinheiro no alto, ou seja, você vai precisar faturar A partir do mês que vem. Quando você gasta o que você ganha, você vai, se força a ter que faturar mais. E o faturamento, seja de um indivíduo, seja de uma empresa, ele não é algo garantido, você tem incertezas em relação a isso. Então, na tua vida pessoal, de família, é muito importante você ter essa consciência de que viver de forma mais simples não é viver uma vida uma vida de penúria, uma vida de total escassez. Pelo contrário, é você viver abaixo do que você poderia viver. É você ter um carro mais barato do que você poderia comprar. É você ter um apartamento mais barato do que você poderia pagar. É você comprar coisas que você poderia pagar o dobro, mas você compra mais barato. Porque isso te gera um hábito de sempre ter dinheiro. Quem poupa sempre tem. Quem cria o hábito de poupar desde cedo sempre tem dinheiro. Quando você começa a gostar muito do dinheiro, você cai no risco de achar que a tua vida agora tem que ser muito mais cara, você vai ter que fazer muito mais coisa, isso vai te gerar insegurança. Porque hoje você pode estar com um faturamento bacana, você pode estar num emprego bacana, você pode estar numa renda bacana, mas você não sabe se daqui a 5 anos você vai estar assim, ninguém sabe. Então é muito importante a gente ter essa consciência realmente De pé no chão, pé no chão, sonhando, claro, buscando objetivo. Eu acho que é assim que eu penso e acho que é assim que você pensa também, né?
Também. É muito curioso, eu não recebi nenhum tipo de educação para os comportamentos financeiros. E aprendi isso depois dos 30 anos e acredito que não há idade para você aprender. Mas eu tenho certeza que hoje o que a gente já faz com a Angelina, com 3 anos, já vai ter um significado diferente na vida dela. Você tem, eu tenho visto, né, cada vez mais vídeos de crianças, inclusive, que a gente recebe, que estão sabendo usar melhor o dinheiro. O quanto o papai financeiro pode ajudar nas famílias, e aí nós não estamos falando só para adultos, mas também para crianças, o quanto você pode, junto com esses pais, Essa jornada de educação sobre os comportamentos financeiros, quanto mais cedo melhor.
Eu falo isso, eu faço em mentoria, em palestra, em tudo quanto é intervenção que a gente tem feito, né? Primeiro vem o pai e a mãe, primeiro a sua educação financeira. Não adianta você querer que o filho faça na escola e na hora que ele chegar em casa e ver você caótico, ele vai imitar aquilo.
A criança vai repetir os padrões dos pais.
Vai repetir, vai repetir a questão do consumismo. Ela vai, se você compra muita coisa, ela vai ver isso. Se você briga por dinheiro, ela vai ver isso. Se você teve muitas variações durante a vida e ela sentiu aquela instabilidade, isso é o mais complicado. O mais complicado é a tal da instabilidade. E você vê famílias às vezes que têm uma grana, chegaram num certo patamar, cresceram na vida, mas por não se planejarem, tiveram— a instabilidade vai acontecer. Quando você está planejado, você consegue segurar e não sentir muito essa instabilidade. Quando você não está planejado, você vai sentir a instabilidade ao extremo. Ou seja, a pessoa está lá vivendo num apartamento de 300 metros quadrados, tem um problema financeiro, ela vai lá e se muda para uma comunidade, morar numa casa de um quarto, e a família sai de uma riqueza para uma pobreza. Isso gera um trauma muito grande nos adultos, imagina na criança. Então é muito importante para o pai e para a mãe olhar para isso e já começar a se educar financeiramente. Primeiro você, depois o casal, depois os filhos. E aí os pais podem fazer isso todos os dias como prática, como, claro, a gente complica muito na verdade, a gente acha que é muito complexo, Mas é a mesma coisa quando você vai ensinar o seu filho a escovar o dente, né? Você vai ensinar ele a escovar o dente, ele vai ver que você escova o dente. Você vai falar que é importante tomar banho, ele vai—
repetir—
tomar banho. Você vai falar que ele tem que comer saudável, ele vai te ver comendo saudável. Agora, se você fala com seu filho que ele tem que comer saudável e ele não te vê comendo um legume, uma verdura, ele não vai achar que isso é importante, porque ele vai ver: "Ah, ele só fala, mas ele não faz." Então é aquela coisa assim, não adianta você querer criar filhos calmos se você não é calmo, se você não é calma. Se você é uma pessoa estressada, seu filho vai ser estressado. Se você grita em casa, seu filho vai gritar em casa. Porque a criança normaliza, né? A criança, ela só coloca como normal aquilo ali que ela tá vendo todo dia.
Pronto, então já entendemos que os filhos repetem o que os pais fazem. Não importa o que aconteceu conosco nesse quesito, a gente pode aprender a fazer diferente. E aí, pra gente partir aqui pra conclusão, acho muito importante a gente relacionar a questão da saúde financeira com a saúde mental. Tem gente que ainda acha que uma não afeta a outra. E aí eu vou começar a fazer algumas perguntas pra você. Conhece alguém que já se divorciou por questões financeiras? Já conheceu alguma família em que irmãos não conversam por causa de dinheiro? Ou que filhos não conversam com os pais por causa de dinheiro, conhece alguém que está num emprego muito ruim, né? A pessoa, ela tá lá igual um zumbi, mas tá lá batendo cartão, né? Ninguém percebe tudo que ela tá vivendo pelos boletos. Ai, eu acho incrível quando a turma fala assim: "Mas eu não posso sair daqui porque eu tenho que pagar os boletos." Rapaz, ou você sai com saúde, ou você vai sair numa maca. Dentro de uma ambulância, como eu já vi muitas pessoas, acontecendo com muitas pessoas. Então, nós sim precisamos falar sobre isso cada vez mais. Problemas financeiros vão afetar a saúde mental e a saúde mental pode trazer consequências financeiras. Quando você soube que você seria pai, você sentiu medo, angústia do quanto você seria agora responsável, além de você, de mais uma vida? O quanto essa questão financeira afetou o seu emocional?
É engraçado porque eu acho que eu tinha mais medo disso antes de ter filho do que depois.
É mesmo?
Com certeza. Porque eu acho que a gente vive numa coisa assim, numa ansiedade, né, de achar que não vai dar conta, não vai conseguir. Aí se acontecer tal coisa e se eu não tiver preparado, e se eu não tiver maturidade. E a gente acaba não fazendo várias coisas na vida por esse medo, né? E na prática, quando acontece, é sempre muito melhor do que você pensava. Então, é assim, claro que isso passa pela minha cabeça, a gente tem acho que mais responsabilidade, porque não é mais sobre mim. E mesmo antes disso, né, a gente já estava junto, então já era uma coisa eu e você, então já tinha mudado nesse sentido. Desde que me casei, não uso meu dinheiro da mesma forma que usava antes.
Eu não tenho nada a ver com isso, tá, gente? Nada.
Não, mas é natural isso. Porque imagina se fosse assim: "Ah, não, agora eu vou usar do jeito que eu fazia quando era solteiro." Não pode ser assim.
Até o estilo de vida muda, né?
É pra família, tudo pra família, né? A gente acaba sendo uma unidade. E faz parte você olhar pro coletivo. Principalmente quando você tem uma família. Então acho que só aumenta essa coisa do coletivo, da responsabilidade. Acho que o dinheiro é usado pra gente conquistar coisas, né? Pra gente ter objetivos, pra gente crescer com as pessoas que a gente mais ama. E o filho, a família que a gente formou é a coisa mais importante da minha vida. Então, eu acho que eu tinha muito mais medo antes de ter uma família, de se eu ia dar conta, do que hoje que eu tenho uma família. Porque eu sei que se acontecesse alguma— além de estar planejado, né? De estar seguro de alguma maneira, A gente não sabe, né, nada também, nada, mas ninguém tem bola de cristal, mas a gente tem uma segurança. E ao mesmo tempo eu sei que se acontecer alguma coisa, a gente vai dar um jeito, a gente vai conseguir. Ninguém vai passar fome, a gente vai conseguir vencer. Então acho que esse medo acontece mais com quem não, quando você não tem, quando você não tem a família.
Só fica na imaginação.
Nossa, filho, nossa e tal, como é que é e tal.
Fica no campo da imaginação.
Então, você acha? Você pensa assim também?
Ah, sim, até porque antes de eu conhecer esse rapaz, que está aqui no divã hoje, dentro de Elisa, eu tinha mais certeza de não ter filhos do que ter. Eu achava que eu não seria mãe nessa vida. Aí quando eu te conheço, sabendo de todo o seu repertório com criança, a sua relação com seu pai e com sua mãe fez toda a diferença. Então hoje nós temos Angelina, olha agora, entrevistadora pegando no entrevistado, gente.
Ela tá fazendo uma cerimônia pra encostar em mim.
Só aqui que pode. Ô, tio, agora me conta o seguinte: quando você mais admira paternidade? O que você mais gosta na paternidade?
O que eu mais gosto na paternidade?
O que você mais gostou de ser pai?
Que eu tô gostando, né? Ah, cara, eu acho que é uma coisa assim que é inexplicável, porque é uma coisa muito superior, né? É muito inexplicável porque realmente nós, a gente é muito pequenininho, né? O ser humano é um bichinho que está aqui nessa planetinha e tem uma coisa muito maior que a gente aí, que a gente não faz nem ideia de como é que explica. A gente tenta explicar, né? Tem várias maneiras de explicar isso, né? Gente que chama de Deus, tem gente que chama de outras coisas aí, tem gente que tem muitas crenças. Eu acho que é tão grande, é tão inexplicável que eu nem me atrevo a dar um nome, mas acho que a coisa de você ter um filho é essa coisa divina mesmo, essa coisa superior que te mostra, olha como é que a engenharia do universo é gigantesca. Você conseguiu "Vocês dois conseguiram produzir aquilo ali." Aí você fala: "Cara, eu não acredito que saiu de mim isso daqui, né?" Total. "Como é que pode que um negocinho desse saiu de mim?" Não tem como racionalizar. A gente tenta racionalizar, mas não tem como. É fora da explicação. E aí acho que é muito bacana poder aprender nesse processo, poder ser uma pessoa melhor. Acho que é mais importante, respondendo agora a tua pergunta, Acho que o mais incrível da paternidade é a oportunidade que você tem todos os dias de ser uma pessoa melhor, de se tornar uma versão muito melhor. Repeti pra cá, né?
Isso, repete pra quem tá aqui, ó, bem fechadinho em você.
Olha, eu vejo que a coisa mais incrível da paternidade é a chance que a gente tem, a oportunidade que a gente tem de todos os dias se tornar uma pessoa melhor, ser uma versão melhor do que a gente era antes. É uma renovação, é uma oportunidade de você ser uma outra pessoa, uma outra coisa que é muito melhor do que você era antes, porque tem uma pessoa, uma pessoinha que está te olhando, que está vendo você, que está te admirando, que te ama e que precisa de você. Então você precisa estar lá, você precisa ser essa pessoa que vai estar ali para ela e essa sua pessoa que está aí para ela já não é a mesma pessoa de quando você não tinha ela. Então você é uma nova pessoa. E essa acho que é o maior presente que a paternidade me deu.
Muito bem. Agora vou inverter a pergunta. O que você não gosta sendo pai?
O que eu não gosto sendo pai?
O que ainda te incomoda, né? Por exemplo, a birra, quando a gente não consegue, quando a gente não tem repertório para lidar. Isso te incomoda?
Isso é a coisa da gente achar que vai ter controle. E acho que o grande aprendizado é esse, né? A gente não tem controle. A gente tem como aprender muito nesse processo para criar um filho, mas a gente tá em 2024, né? Eu vejo muitos pais falando assim, umas pessoas que têm uma visão mais antiga e ficam querendo colocar: ah, mas o meu pai me criou assim, o meu avô criou meu pai assim, cara. O mundo é outro. A criança de hoje, ela não é a mesma criança dos anos 80, dos anos 70, dos anos 60. A criança de hoje, ela tem muito mais informação, ela tem muito mais conhecimento. Nos anos 60, um pai autoritário conseguia ser autoritário porque a criança não tinha repertório, ela não tinha visão de mundo, não tinha acesso. Hoje, um pai autoritário só vai criar um filho com medo. Não com amor. Essa criança vai te respeitar? Não, ela vai te temer. E ela vai fazer o que você fala, o que você manda, porque você é um autoritário. Assim que ela começar a crescer, ela vai se rebelar contra você. Pode anotar o que eu estou te falando. Se você é um pai autoritário, reveja isso, porque se funcionou isso antigamente, é porque o mundo era outro. Antigamente a gente se submetia a um chefe autoritário, abusivo. Hoje em dia, só as empresas porcaria que tem gente abusiva, porque empresa boa Empresa que está olhando para o futuro tem líderes, não tem o chefe, o autoritário, o abusador. Esse cara não fica numa empresa boa, numa empresa de alto nível. E vai ser só assim cada vez mais. As pessoas não aceitam mais estar no emprego e serem abusadas. Elas não aceitam comando e controle. Isso é do mundo antigo. Infelizmente ainda existe, porque tem muita gente atrasada ainda aqui. Mas esse não é o mundo novo. E da mesma maneira vai acontecer com as famílias. As crianças não estão aceitando autoridade. Não é autoridade que você conquista, é com amor primeiro de tudo, é o mais importante. A criança precisa de segurança e de se sentir amada e com compreensão. Isso não é ser permissivo, tá? Só pra ficar muito claro aqui. Não é você deixar seu filho fazer tudo que ele quer, mas é sim você dar pra ele o respeito e a condição para que ele possa ter minimamente um campo de escolha, um campo de sentir que ele está sendo respeitado ali dentro daquela família.
É o que a gente está tentando fazer, é o que a gente está olhando outras famílias fazendo e obviamente não é uma receita mágica que tudo vai dar certo, mas acredito Ô Thi, como o programa tá acabando, queria só que você mostrasse pra nós o seu amuleto com o livro que está indo já pra terceira edição, vai sair, né?
Já tá na terceira edição, tá indo pra quarta. Essa aqui já é a terceira edição.
O programa acaba, mas você pode continuar acompanhando o Thiago na rede @papaifinanceiro, o livro Emoções Financeiras, o amuleto que a gente...
Como é que faz pra ganhar esse amuleto, Thiago? Entre em contato com a gente.
Por onde?
Pelo Instagram. Manda mensagem no Instagram, tem link na bio lá. Tem telefone também, tem lá WhatsApp pra você entrar em contato com a gente pra querer o amuleto, o livro se você quiser autografado, se você quiser palestra, mentoria, tá tudo lá, é só mandar mensagem pra gente.
Porque aqui no Interioriza são só 30 minutos, 40 minutos de assuntos que já passaram da hora da gente interiorizar.
Interiorizar, né? Sabe uma coisa também que eu queria mencionar aqui, já que é Dia dos Pais? Não sei no Brasil, tá? Tem que olhar esse dado. Mas eu sei que nos Estados Unidos, e no Brasil deve ser a mesma coisa, nos Estados Unidos o Dia dos Pais é o vigésimo feriado mais importante. Hã? É o vigésimo feriado mais importante. O primeiro feriado é o Natal, o segundo é o Dia das Mães. O Dia dos Pais não é o terceiro, não é o quarto, não é o quinto, não é o sexto...
Gente, quais são essas datas aí?
Há um monte de feriado aí. Residência, namorados.
Uau!
O vigésimo feriado.
O que isso significa pra nós?
Significa que o pai tá em vigésimo lugar, a mãe tá em segundo, Jesus tá em primeiro.
E você acha que a responsabilidade desse ranking é de quem?
A responsabilidade é dos pais. É dos pais de serem mais presentes, de serem mais participativos, de estarem com os filhos. Pai não é o cara que paga a conta e prover. Pai é o cara que tá com os filhos, que tá em casa, que está interessado na educação dos filhos, que vai na reunião de pais na escola, por isso que chama reunião de pais, não é reunião de mães. A gente vai em reunião de pais, hoje em dia tem 3 pais, antigamente era zero.
Mas na reunião de pais só tem mãe.
Outro dia eu falei isso, veio um monte de pai revoltado. Aí eu vou, tudo bem meu amigo, se você vai, parabéns, Mas eu tenho certeza que você não é a maioria. Veio um pai ainda falar mentira, falou que na escola dele só vai pai. Ainda sei quem que é, mentira, porque a escola dele então, tenho certeza que só vai mãe. E pais precisam estar presentes, precisam participar, precisam estar dentro da família e cuidar dos filhos assim como as mães cuidam dos filhos. Não é essa, essa é uma visão muito antiga, né? "Ah, o pai tá fora trabalhando e a mãe tá em casa cuidando." Gente, não é assim que a gente está ensinando para nossa filha, não. Angelina vai estudar, se ela quiser, né, claro. Pelo menos faculdade ela vai ter que fazer, a gente vai dar um jeito dela fazer. Mas ela vai buscar uma profissão, né, a gente quer que ela busque uma profissão.
E não é para ganhar dinheiro, porque o dinheiro é consequência.
É para ter um papel, que é a retribuição, né. É retribuição, a gente precisa retribuir a vida que a gente tem aqui, contribuir com a sociedade. Servir. Servir, ter um caminho. E ficar dependendo de outra pessoa é muito ruim, né? Eu vejo muitas vezes mulheres que chegam até mim que se divorciaram, receberam lá um valor do divórcio, mas não sabem lidar com a vida financeira e pior ainda, não tem uma profissão. E aí, como é que vão fazer? Sem profissão, aos 40 e tantos anos de idade.
Ai, mas será que essas mulheres também não foram proibidas pelos maridos de trabalhar?
Muitas foram proibidas, muitas foram coagidas de alguma maneira, do tipo: olha, não temos condições. E realmente assim, vamos lá, a realidade do Brasil tem muitas famílias que realmente não conseguem ter uma rede de apoio para nada, e aí a mulher vai de fato ter que cuidar dos filhos, né? Então não é uma questão muitas vezes de escolha, tá? Para ficar bem claro, depende muito da renda dessa família. Mas na média, se a mulher puder buscar uma profissão, puder buscar um desenvolvimento, puder ter uma carreira, isso vai ser bom pra segurança dela, né, como um indivíduo que pode ser que não consiga depender de uma pessoa pro resto da vida, né. Essa pessoa pode faltar de alguma maneira.
Viu como esse programa não é só pros pais? É pra todos que se importam com uma família, que querem ter de fato uma riqueza em que o patrimônio de fato seja a família. Te amei, nossa entrevista. Acho que vai ser a primeira vez que eu vou poder me despedir, né, do entrevistado dando uma bitoquinha. Olha, a gente precisa compartilhar mais essas imagens reais de casais que sim podem se formar, podem existir, Eu sei que essa não foi a realidade de muitas mulheres, não foi uma realidade em que eu vivi, conheço muitas mulheres que não tiveram essa realidade e que depois tiveram que levar tudo ao perfil feminino ou masculino, engraçado que a gente está de yin e yang aqui, a gente não tinha combinado, mas se você puder, compartilhe a sua vida ao lado de uma pessoa que com certeza Você vai crescer. Você vai se desenvolver. O Dia dos Pais é um dia muito triste pra muita gente. Já foi um dia muito triste pra mim por muito tempo. E que bom poder estar comemorando esse Dia dos Pais agora com o papai financeiro, pai da Angelina. Moral da história: você pode fazer diferente do que aconteceu com você. Você gostou desse episódio? Pode fazer o quê?
Eu gostei. Como fala nossa filha? Eu gostei.
A Angelina não vai aparecer aqui de surpresa, tá? A gente já tinha combinado isso antes. Me dizem que eu preciso lembrar, né, você de fazer isso: apertar no sininho, apertar não, clicar no sininho, deixar um comentário e compartilhar com quem você quer bem. Que o seu dia seja muito especial e que o seu pai, não importa onde ele esteja, com certeza ele pode estar se orgulhando muito de você nesse momento. Até mais!
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








