PAPO DE CONSULTÓRIO COM IZABELLA CAMARGO

Izabella Camargo, jornalista e apresentadora, conversa com a psicóloga Milene Rosental sobre síndrome de burnout. Elas falam dos sintomas físicos e psicológicos, compartilham experiências pessoais e discutem tratamento com psicoterapia e mudanças de rotina.
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Olá, pessoal! Bem-vindos a mais um Papo de Consultório. E além do conteúdo para o Spotify e para o Apple Music, nós vamos estrear hoje o formato em vídeo com ninguém menos que a Isabela Camargo. É jornalista, apresentadora, locutora. Tudo bom, Isabela?
Tudo ótimo, obrigada, Ju. Olá, Mi.
Olá!
Estou muito feliz por estar estreando então essa nova plataforma de vocês. Me sinto animada por tudo que a gente vai poder compartilhar.
E também estamos aqui com a Milene Rosental, que é psicóloga especialista e cofundadora da Calavita. Tudo bom, Mi?
Tudo bem, Ju? Obrigado, Isabela, pela participação.
E hoje nós vamos falar sobre burnout, a síndrome de burnout, né? Então, para começar, eu queria dar uma introdução com a Milene, que é a nossa especialista e psicóloga, definindo o que é o burnout.
O burnout é um esgotamento físico e emocional que está muito ligado ao trabalho, né? Quando a pessoa tem uma pressão muito grande, metas que são às vezes não fáceis de atingir, uma carga de trabalho, um horário constante, então ela acaba tendo esse esgotamento. Então, burnout está relacionado sim ao trabalho e às vezes os sintomas é muito parecido com uma depressão, uma ansiedade.
Posso só fazer uma observação, Gabriela? Na verdade, gente, a síndrome de burnout, muitas pessoas recusam a existência dela mesmo vivendo aqueles episódios de "tô exausta", "eu tô me matando de trabalhar", "eu não tenho tempo pra nada". Tudo isso é um indício de burnout. Acontece que a gente vive numa sociedade em que você dizer que você não tem tempo pra nada é uma coisa legal. "Olha como ela tá produzindo, nossa, ela não tá parando." Tá subindo na vida, né? Exatamente. Tudo que vai excedendo o limite do seu corpo, e aí cada um tem o seu limite, pode te levar a esse esgotamento, como a Ami falou, esse esgotamento profissional, que é mental, físico e emocional.
Exatamente.
Como eu vivi o burnout?
Qual foi o ano que você viveu o burnout?
Em 2018. Em 2018, na verdade, eu tive o diagnóstico. Dia 14 de agosto de 2018 eu tive o maior apagão, falo maior apagão porque foi público e foi o que realmente me mostrou que tinha muita coisa errada, mas já tinha tido outros, né? Então ele foi diagnosticado no dia 14 de agosto, porém falando com a psicóloga que começou a me atender desde 2014, quando eu já comecei a apresentar os primeiros sintomas do excesso de madrugada, né, quando eu inverti o meu ciclo circadiano, ou seja, quando todas as glândulas ficaram desreguladas, nós já começamos a ver que a origem, ou seja, o start foi em 2014. Ou seja, os primeiros sintomas do burnout eu comecei a acumular em 2014.
Foram 4 anos desenvolvendo, né, sem perceber, porque vai te consumindo aos poucos.
Sem perceber que é um burnout, que vai tudo isoladamente.
Lógico, você tem alguns sintomas e você ainda não fala: não, é um esgotamento.
E quais foram os primeiros sintomas que você começou a ter, que você falou: tem alguma coisa errada aí.
São tantos, gente, que eu tinha que ter trazido minha lista aqui para poder lembrar deles. Mas, e hoje eu falo isso inclusive fazendo piada, justamente para mostrar que o burnout não é o fim e é apenas o freio, mas já já nós vamos falar disso. Mas eu comecei a sentir, sabe quando os médicos falam que o intestino é o segundo cérebro?
Mas é verdade.
Olha a mágica disso.
Isso, isso.
O seu corpo vai dizer assim: "Vamos parar um pouquinho pelo intestino." Como? Intestino preso ou intestino muito solto. Ou gases, ou tudo que você come faz mal. É o seu corpo dizendo: "É melhor você parar." Só que aí você não para, porque é normal ter gastrite, né, gente? Todo mundo fala: "Ai, eu trabalho tanto, tenho gastrite, não tenho jeito." E aí, eu lembrando assim, olhando pelo retrovisor, os problemas gastrointestinais foram os primeiros. Depois foram os cardiovasculares, ou seja, comecei a ter mais varizes, eu comecei a ter muito mais inchaço nas pernas, muito mais mancha roxa pelo corpo. Aí depois dos gastrointestinais eu comecei a ter muito problema com sono. Lógico que estava relacionado ao meu problema da madrugada em que eu tinha que inverter o ciclo circadiano. Então esse problema do sono me deixava como? Irritada? Todo mundo que dorme menos do que precisa fica com mais irritação.
Com certeza.
Sabe aquela criança que você vê e fala: "Ah, ela tá chatinha, precisa dormir, dorme que passa." A gente também é assim. Sim, com certeza.
É, o cérebro não descansa, o corpo não descansa, né? Ele precisa dar pausa e o sono ele ajuda, né?
O sono, eu até faço agora um parênteses aqui, eu tenho ouvido muitos especialistas E eles dizem o seguinte: se você não dorme, você não registra sua experiência durante o dia.
Com certeza.
Você não recupera os seus neurônios e são eles que vão depois fazer você raciocinar melhor. Exatamente. Então vou voltar, né? Eu comecei a sentir então os problemas relacionados ao sono, eu tomava remédio para dormir porque eu tinha que estar dormindo 5, 6 horas da tarde e infelizmente a gente ainda não encontrou o meu botão de dizer assim: olha, dormindo. Então eu tinha que realmente Fazer o uso de várias coisas, até chegar nos remédios, fiz tudo que vocês podem imaginar. Chá de camomila, floral, floral no quarto, floral na língua, pedras, cristais. E aí tudo que me diziam assim: "Não, se você girar o pé pra tal lado 50 vezes, respira, mandinga", tudo eu fazia. Era desesperador você ter que dormir 6 horas da tarde no verão, por exemplo, aquele calor, barulho de rua.
Horário de verão.
Horário de verão, um exemplo, né? Eu morava no terceiro andar e eu ouvia o que as pessoas as pessoas falavam na rua. Aí eu mudei para um prédio que eu moro no 16º andar, mas o seu cérebro não desliga também. Eu também não achei o botão de desligar aqui. Então foi um longo caminho até eu entrar nos remédios, foi um longo caminho para eu ter o diagnóstico do burnout, foi um longo caminho acumulando com um monte de coisa.
E antes de ter o diagnóstico, você sabia o que que era burnout?
Sim, porque eu tava pesquisando Analisando um assunto para publicar um livro, inclusive será neste ano, em que eu estava analisando as percepções do tempo. Se o tempo está passando mais rápido ou se nós estamos passando mais rápido.
Ah, perfeito! Tem uma teoria que diz, né, que olha...
Olha o que aconteceu, amigo. Eu acredito muito em Deus, acredito muito numa força maior que reage tudo, né? Deus foi tão generoso comigo que depois de eu ter entrevistado 150 pessoas para este livro, O que que ele me deu? A patologia do presente. O burnout, gente, nada mais é que a consequência dos novos tempos. A consequência de uma rotina em que você vai maximizando o dia, com isso você vai dormindo menos, você vai comendo pior, você vai abrindo mão de coisas básicas. Exatamente. E aí, veja que eu tô juntando várias informações porque todas fazem parte desse mosaico chamado burnout. E eu nessas 150 entrevistas eu falei com 3 pessoas, 2 na minha opinião tem burnout, mas o diagnóstico foi síndrome do pânico e depressão. Um é o Padre Fábio, a outra foi o Boechat. Boechat teve um apagão no ar também, mas o médico dele interpretou como depressão profunda. Ok, não importa o diagnóstico, o que importa é como você vai sair daquela situação. Então quando eu recebo do psiquiatra: Isabela, você está com burnout? Eu não reconheci em mim aquilo que eu ouvi.
Claro.
Porque existe preconceito, porque a gente vai tratando tudo individual, né? Então dor de estômago é só dor de estômago, dor na perna é só dor na perna.
Quando a gente tá de fora é mais fácil, né?
Muito mais fácil.
Muito mais fácil.
Então, olha, foram muitos anos acumulando muitas dores e aí você me falou uma coisa que é linda, assim, o corpo fala, mas a gente não ouve. Até que vem um freio chamado burnout, ou um freio chamado infarto, ou um freio chamado AVC, ou um freio chamado karoshi, que é a morte por excesso de trabalho, que já é mencionado no Japão desde a década de 80. Karoshi é a morte pelo excesso de trabalho, morte súbita, sabe? Então tudo isso é um sinal que você está recebendo para você só rever se aquele estilo de vida está fazendo sentido.
E a Milene também sofreu burnout, né?
Sofri.
E como foi a sua experiência no burnout?
Bom, eu também não sentia que eu estava exagerando no trabalho, porque o meu trabalho era muito momento prazeroso, tava no momento descobrindo a psicologia online, tinha acabado de ganhar um prêmio nacional e pioneirismo, enfim. Então aquilo, aquela paixão, né? Só que meu corpo, né, tava já no desgaste, eu não tinha o equilíbrio entre vida pessoal, exercício físico, alimentação, e comecei sem perceber nem, né, não tomar muita água. Então acabei desidratando, foi quando eu desmaiei E parei no hospital e aí houve o diagnóstico na sequência do psiquiatra dizendo que era burnout, que não dava para seguir naquela forma.
E como você reagiu ao diagnóstico?
Sempre psicólogo. Sempre psicólogo, meu Deus, né? Então, como pode eu não ter percebido? Não foi algo negativo, eu tava gostando muito do trabalho. Então, caiu a ficha e a partir daquele momento eu falei: não, agora preciso buscar esse equilíbrio, né? Então psicoterapia, medicação no começo e deu tudo certo.
E como você buscou o seu tratamento, a sua, né? Como que você saiu desse, dessa crise, desse burnout que você teve em 2018 e que às vezes, como o burnout não tem cura, né?
Tem gatilhos, tem que ter manutenção porque a gente pode sempre dar uma derrapada, uma, né?
A manutenção é o seu estado de atenção em não encher a agenda E não sobrecarregar, sabe, o seu dia, a sua semana, o seu mês. Porque você exceder um dia não tem problema. O problema é quando você excede mais de um ano ou mais de 6 anos, como foi o meu caso. É igual bebida alcoólica. Você tomar a terceira caipirinha, né, dizendo pra mim que tomo duas, então a hora que eu tomo a terceira, eu já sei que no dia seguinte, ok, vou pagar um preço. Agora, tomar 3 caipirinhas todos os dias, eu sei que eu vou fazer um, vai chegar a fatura propagar. Ouvindo você falar, Mi, eu reconheço duas coisas que eu também acabei fazendo cruzamento de dados com a minha história e com mais de 1.700 pessoas que me procuraram desde que eu tive meu burnout. Só tem burnout quem ama o que faz. Como assim? Só tem burnout quem ama o que faz, porque quando você ama o que você faz, você faz bem feito e aí você entra numa situação que eu chamo de armadilha da competência. Isso é minha, tá, gente? Ninguém— eu não tô inventando, não, foi a partir desses estudos. Porque hoje nós vivemos numa sociedade em que todas as empresas, e eu não estou falando mal das empresas, estou reconhecendo apenas um fato, elas te dão mais trabalho em forma de reconhecimento. Então você faz um bom trabalho, vem alguém e te fala: "Nossa, que excelente tempo, vou te dar mais um trabalho." Aí pra você você não dá conta disso, você vai ter que tirar de algum lugar e sempre vai ser da sua vida. Então só tem burnout quem ama o que faz e só ganha um trabalho a mais quem faz um bom trabalho. Aquela pessoa que, sabe, que deixa tudo, ah, não tô nem aí, etc., ela não vai ficar sobrecarregada porque ela não vai assumir mais coisas, provavelmente ela não vai nem receber outros trabalhos. Outra coisa que você falou, só tem burnout quem ama o que faz, depois vão só falar, eu amava o que eu fazia, eu também amava o que eu fazia, "e mesmo assim eu adoeci". E eu acho que essa conclusão que a gente tira, ela é maravilhosa, porque geralmente as pessoas acham que quem tem burnout não gosta do que faz, pelo contrário, como eu disse. E aí quando você fala "eu era psicóloga", a gente tem que lembrar que na primeira literatura dos novos tempos, que foi na década de 80, a Christina Maslach, que é uma americana, que lançou o livro "The Cost of Caring", "O custo de cuidar", os psicólogos, médicos, enfermeiros, profissionais de saúde como um todo, policiais, professores eram os mais propensos a ter burnout, porque são pessoas que não podem errar. É como se você dissesse que num dentista não pode ter cárie. Oi? Mas a primeira coisa é se afastar do ambiente estressor. A segunda coisa pra mim foi admitir que eu precisava tomar um remédio. A gente tem muito preconceito com tomar remédio, né?
E a gente assume que é, mas no caso, né, quando você tem uma carga emocional muito grande, o cérebro ele funciona com os neurônios, né, que é pura química, e você desregula toda essa química. Então você precisa acertar, alinhar isso, senão não adianta só psicoterapia, por exemplo, né? O biológico ele precisa ser tratado, o cérebro é química pura e às vezes você tem uma defasagem de alguma substância, por isso a necessidade da medicação.
Então, primeiro, afastar do ambiente estressor. Segundo, reconhecer e aceitar que você desenvolveu um desequilíbrio dentro do ambiente profissional, ponto. E aí buscar ajuda, e essa ajuda ela pode vir de um psicólogo, de um psiquiatra, do pastor da igreja, de alguém. O mais importante é você não se fechar com a sua dor, com o seu problema, achando que você é o único, especialmente se você vive num ambiente em que todos os seus colegas te olham como se você fosse maluco, né? E não é. E no meu caso foi começar a tomar remédio. Que remédio? Depois eu descobri que amigas minhas tomam remédio há mais de 5 anos pra ansiedade, outros pra depressão. Por quê? Como você disse, química, os neurotransmissores precisam de uma ajuda. Além disso, exercício físico, Além disso, dormir no horário adequado, alimentação, respiração, ou seja, é muito mais simples do que a gente pensa.
E uma coisa muito importante: autoconhecimento. Buscar o autoconhecimento.
Até para buscar o seu gatilho, né?
Exatamente. O autoconhecimento, ele ajuda demais, né? A você entender a sua realidade, dar essa dimensão, a colocar limite, a entender qual é o seu equilíbrio, né? Então, em momentos que você vai ter alguma recaída, você fala: não, agora chega, parou, agora não. Então o autoconhecimento ele é fundamental, né, para ajudar nesse problema.
Isabela, você procurou alguma ajuda psicológica na época?
Sim, eu digo que a gente tem que ter um dentista de confiança, um ginecologista de confiança, um psicólogo de confiança. Sério? Tanto que a Rita Rita, que é uma psicóloga que me atende já há muito tempo, quando eu tive o burnout, e aí nós fizemos a nossa sessão pós-burnout, eu falei: Rita, vamos olhar os meus protocolos? Vamos olhar o meu histórico? Porque ali deve ter alguma informação que vai ser o fio condutor da história toda. Batata! Ela tinha informações. Teve um outro episódio quando eu me separei do meu primeiro marido, e aí a gente vive uma série de mudanças, e aí Você convive com um monte de gente que você vai vendo que não tem nada a ver, aí você fala: "Pera lá." Volto pra ela e falo: "Rita, o que eu falei mesmo do meu ex-marido? Por que mesmo que eu me separei? Por que eu não posso mais ficar?" Autoconhecimento. Então, pra mim, psicologia, psiquiatria precisam estar de mãos dadas assim como um professor, um médico, porque eles nos ajudam a organizar as ideias.
Sim, exatamente, exatamente.
E hoje você consegue identificar os seus gatilhos? Sim. Você acha que o autoconhecimento te fez ser uma— a Isabela de hoje é completamente diferente da Isabela de há 2 anos atrás?
Graças a Deus!
Evolução, né, Isabela?
Graças a Deus! Gente, a gente dorme diferente do que acorda. Imagina o que acontece depois de um mês, depois de um ano. Aí é uma outra coisa que eu tenho falado muito, que é atualização de identidade. Se você não atualizar a sua identidade, você vai viver coisas do passado, desejos que não fazem mais sentido, você vai consumir produtos que não fazem mais sentido.
Perdeu seu tempo com coisas que não vão te agregar valor.
Perfeito. E aí o tempo, se você não usar o tempo a seu favor, você vai talvez tarde demais perceber que você tá fazendo escolhas erradas. Então a Isabela de hoje é totalmente da Isabela do passado. E eu dou graças a Deus a isso. É muito bom quando você assume que você pode mudar de ideia, que você pode mudar de opinião. Claro que sim!
E assumir que você também pode ter problemas e você procurar uma saída pra isso, né?
Super! Eu acho que uma coisa que eu gostaria de dizer é que se nós olhássemos para os psicólogos e para os psiquiatras com mais acolhimento, assim como pra quem tem as dores invisíveis, nós não estaríamos com os números tão horrorosos que nós temos. O Brasil, me ajuda, Ju.
O Brasil hoje é o país mais ansioso do mundo, né, e segundo mais depressivo, só perde para os Estados Unidos, e mais estressado.
Então o que isso significa? Poxa vida, se eu olhar para as questões emocionais, para as questões invisíveis com mais acolhimento, será que eu não posso mudar essa realidade? E aí tem uma coisa muito interessante, que a gente acredita em muita coisa invisível, porque as crenças são invisíveis, os preconceitos são invisíveis, e aí quando você fala em dores invisíveis você não acredita. "Não, não tenho nada." Cura invisível, sobre o autoconhecimento, que é uma autocura, "Não, isso eu não acredito." Por isso que falar de burnout é fundamental numa época em que nós estamos sobrecarregando esta máquina. A gente está convivendo muito com esta máquina, e acha que o cérebro é uma delas.
A tecnologia acelerou muitas informações, a nossa vida, né? Mas a dor a gente sente, né? De certa forma no corpo, angústia, né?
Mas a gente só procura ajuda quando impacta o corpo. A gente chega no médico e o médico vai falar: "Bom, acho que você... não sei o que você tem" ou dá um diagnóstico errado, né?
Vamos fazer uma pesquisa? Quantas pessoas vão no dentista sem ter dor de dente? Muito poucas.
Você quer fazer uma prevenção?
É igual psicologia, você tem que fazer uma manutenção.
Sim, né? Tratar quando já o problema já tá no limite, né? Quer dizer, não, olha, eu vim aqui para autoconhecimento porque não existe.
O Dr. Cristiano Labuco do Instituto de Psiquiatria da USP, adoro, ele fala assim, olha, meu consultório, na verdade o meu e dos meus colegas, eles estão cheios de gente para se tratar e não para prevenir. A gente pode prevenir, né? Então gatilho hoje, o que que acontece? Quando eu sinto enjoo depois de estar trabalhando muito. Interessante. Ai, obrigada, obrigada.
Só deixa o celular de lado.
Não, eu agradeço. Obrigada, Papai do Céu, por hoje deu. Momentos que antes eu ignorava, hoje eu presto muito mais atenção. Então o gatilho, ele é muito mais perceptível e eu consigo lidar melhor com ele. Outro dia eu sentei no meu sofá, gente. Sim, que esse aqui não é da minha casa não, tá? Essa sala aqui grande, bonita. Outro dia eu sentei assim no meu sofá "Ah, mas eu acho que eu vou tirar um cochilo." Perfeito. Eu tirei um cochilo num sábado à tarde, coisa que eu nunca tinha feito. Isso é simples. Então hoje, por mais que eu esteja trabalhando, envolvida com vários projetos, primeiro, são todos projetos que para mim fazem sentido. Segundo, tem um propósito em contribuir para que mais pessoas se reconheçam e não adoeçam. Só que quando chega 10 horas, Eu pego, paro tudo, vou para minha caminha e durmo e acordo às 6 da manhã. Simples assim. Hoje quem diz não sou eu, quem determina o trabalho sou eu.
É o que você diz, a sociedade tem que aprender a dizer não.
Nossa, a sociedade somos nós. Dizer não e receber um não sem culpa. Exatamente.
E bom, você tá cheio de projetos novos, incluindo a conscientização que a gente já mencionou aqui do burnout, burnout, né, pra gente prestar atenção na prevenção e não só quando tem a crise. Você vai lançar um livro, né, se você quiser falar um pouquinho mais sobre o seu livro e sobre os projetos e convidar o pessoal pra acompanhar os seus projetos, seu Instagram também.
Olha, pode ser que eu fale agora um monte de coisa que vai servir pra alguém, com certeza. Falar sobre burnout, falar sobre prevenção é falar sobre ressignificação. Tudo depende de como você vai olhar uma situação. Quando eu tive o burnout, foi um choque. Quando eu voltei da licença médica e fui demitida, foi outro choque. Quando eu lidei com o preconceito das pessoas que eu achei que eu teria acolhimento, foi outro choque. Meu Deus! É um choque atrás do outro, mas tô aqui viva, né?
Você vive com preconceito, né?
Muito! Com todas essas dores invisíveis. Fibromialgia, dor na coluna, você tá lá, a pessoa tá do seu lado e fala: "Mas não tô vendo nada." É mais fácil você já ir com o pé quebrado. Então temos que tomar muito cuidado com as estatísticas porque elas são números e número é impessoal. Então se existe uma estatística assim: "Ah, 90% das mulheres têm TPM." Eu sou mulher, vocês são mulheres. Todas nós temos TPM? Não. E aí se você tiver TPM eu vou dizer que é frescura? Por que que eu vou dizer que é frescura quando um "Esse parceiro meu de trabalho tá com uma necessidade diferente da minha." Então, esse parar, sabe, com essa mania de achar que você só precisa ver sangue pra achar que a pessoa tá com dor, gente, nós já, sabe, nós estamos entrando no 5G, que é uma tecnologia que vai permitir profissionais operarem em países diferentes, a gente ainda não parou pra pensar nisso.
É muita falta de empatia, né? Empatia é se colocar no lugar do outro, né? Tá faltando A gente vê muito isso na nossa sociedade.
Respeitar o individualismo, né? A individualidade, na verdade, né?
Respeitar a individualidade. Então, pra eu falar do meu livro, eu tenho que falar sobre uma ressignificação, assim como foi a do burnout. Então, tudo foi choque, choque, choque, choque, choque, choque. Quando eu descobri que o burnout não é o fim, é apenas um freio, aí eu já comecei a ver tudo como um aprendizado e tudo como uma oportunidade, tá? Em 2016, quando eu comecei a pesquisar o tema, me aprofundar sobre as percepções do tempo, eu tinha um nome de um livro: "De Tempo ao Tempo". Nossa, amei o nome, inclusive as 150 pessoas que assinaram a autorização também gostaram. E uma delas tanto gostou que lançou em junho um livro com esse nome. O que eu vou fazer com essa informação? Vou me jogar da ponte?
Não.
Eu vou lá na editora que inclusive me disse um não antes da editora que vai lançar o livro, eu vou falar: "Você está maluco?". Não, não posso. Então eu fiquei triste, fiquei chocada, mas ok, cai, levanta. Então pra mim falar sobre burnout, falar sobre agora as percepções do tempo, tem muito sobre isso. A gente recebe lições todos os dias, mas eu posso olhar como uma lição ou como um "nossa, que triste, que vítima". Não, gente, é tudo aprendizado. Juro por Deus, eu estou falando o que eu vivo, é apensado. Então esse livro, que eu não vou dizer o nome, não é porque eu tô com medo que alguém roube ele, é porque eu ainda não sei, porque isso foi muito recente.
Mas geralmente se coloca o nome do livro no final, né? Pois é, tá vendo? Quando você já conclui a obra, acho que é mais inspirador, né?
Olha a pessoa ansiosa, quer dar o nome antes, viu? Eu tenho que fazer o teatro disso, né, gente? Senão... Então esse livro vai sair esse ano, 150 histórias, mas como eu já disse, Deus foi muito generoso comigo e me deu a própria história. Antes eu busquei 150 profissionais como você pra trazer muita profundidade nesse assunto. E agora vem a minha própria história. Então esse livro vai ser lançado até o final do ano.
Puxa, que legal!
E eu falo então como nós chegamos até aqui e já vou já introduzir que não tá acontecendo nada de errado com o tempo, tá, gente?
O relógio continua com 24 horas.
Nós é que estamos diferentes. Olha que legal!
Pois é, o restante está no livro.
Outra coisa é que depois de cruzar com tantas pessoas generosas que compartilharam comigo suas histórias, eu e uma psicóloga chamada Edwige Sparra, nós estamos agora organizando o primeiro fórum sobre a hora do cérebro.
tá bom!
O neurocientista Miguel Nicolelis, que é um brasileiro que muito nos orgulha, ele deu uma frase recentemente que eu acho que resume tudo o que nós estamos falando. Nas últimas 4 décadas nós vivemos a indústria do coração. E agora nós estamos entrando na era da indústria do cérebro. Gente, se nós antes de toda essa tecnologia usávamos os braços, né, a força motora muscular para trabalhar, é claro que a ortopedia se desenvolveu mais. Agora que a gente está usando mais esta caixa, será que então é tão difícil entender porque a gente tem que cuidar melhor do cérebro? Então esses dois projetos, eles já estão em curso naturalmente, porque eu descobri recentemente que a nossa pineal é como se fosse um wi-fi, e esse roteador ele capta aquilo que você manda. E a partir do momento que eu comecei a me colocar no caminho das pessoas que querem evidentemente se curar, as pessoas também começaram a chegar até mim, inúmeros começaram a chegar até mim. Então o Ministério Público do Trabalho de Campinas me dá informações que eu cruzo com o INSS, cruzo com as pessoas e a gente mostra que falar sobre saúde mental é falar sobre saúde emocional, saúde financeira, ou seja, somos um todo. Tudo, né?
Tudo tá ligado.
E bom, pra finalizar, você tá levantando muito a bandeira da saúde mental, O que você gostaria de dizer para o público, seja a pessoa que tá sentindo todos esses sintomas, também se quiser ler nos artigos quais são os sintomas de burnout, também tem o vídeo da Milena explicando. O que você diria para essas pessoas, tanto as que ainda não sentem ou que talvez nunca vão sentir, e tanto aquelas que estão sentindo tudo que você mencionou?
Ju, obrigada por essa pergunta, porque quem não não tem burnout vai conviver com alguém que tem.
Exatamente.
Isso eu não tenho dúvida.
E precisa saber lidar com essa pessoa.
Precisa primeiro reconhecer, aceitar e aí depois se quiser lidar é só se colocar no lugar dessa pessoa, entra na empatia.
Empatia é fundamental.
Eu não sei qual é a idade de vocês, não sei qual é a idade de vocês, a profissão de vocês, os sonhos de vocês. Mas se vocês estão nos ouvindo, todos temos um cérebro, e se temos um cérebro, todos temos neurônios e que estão sendo massacrados por uma overdose de informações, uma overdose de acessos, de excessos. Então não importa para mim saber onde você quer chegar, o que importa para mim é que você pare apenas para fazer uma atualização de identidade, ver quem realmente você se você está bem, se você está acumulando patologias, quantos remédios você tem tomado. Se forem mais do que um, tá considerando, não sei, que um vai ser o quê, uma vitamina C? Lembra de uma vitamina C de remédio? Pode ser que a cura não esteja nesses tratamentos. A cura está em outro lugar, de repente vai estar na origem do que desencadeou todos os problemas. E aí eu digo não só do burnout, mas de outras dores invisíveis. Então, a gente tem que olhar com mais apreendimento, não é?
Sim, total. E você, Milênio, o que você gostaria de dizer para essas pessoas?
Bom, eu insisto no autoconhecimento, né? Acho fundamental. Conhecimento a gente já tem, né? Agora, esse século e o próximo, ele é caracterizado mesmo pelo autoconhecimento. O grande diferencial das pessoas hoje é saber se relacionar, saber se entender, entender a questão da identidade, Então essa é a minha dica e com certeza a pessoa será mais feliz se conhecendo, ela faz boas escolhas, são melhores caminhos e ela consegue ter uma satisfação maior.
Bom, gente, então muito obrigada, muito obrigada, Isabel.
Obrigada, Isabel, obrigada, viu? Ah, a gente fez uma pausa muito mais longe, mas obrigada pela saúde mental.
Muito obrigada. E é isso, gente, esse foi o nosso primeiro Papo de Consultório em vídeo. Vocês podem acessar tanto no Facebook, no YouTube, Spotify e Apple Music, e também nosso Instagram. A gente vai deixar também o Instagram da Isabela aqui para vocês conferirem todo o conteúdo que ela posta. E é isso, muito obrigada, gente. Até mais.
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