Participação especial na Live da INEXH.OFICIAL sobre autocuidado com a Viviane Lauren

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Chapters
Olá!
Olá.
Isabela já está entrando. Boa noite! Sejam todos bem-vindos. Oi! Como você está, Isabela?
Tudo bem, Vivi? Muito melhor agora, com o início da nossa conversa, que eu sei que vai ser ótima.
Nossa, nem fala. Tô aqui super empolgada. O pessoal tá entrando aqui. Aliás, já vou pedir pra todo mundo mandar aviãozinho aí pra convidar o máximo de pessoas, porque temos bastante coisas importantes pra falar, né, Isabela?
Com certeza.
É um tema muito importante. Uma responsabilidade minha, né? Eu te entrevistar?
Que delícia! Que delícia, eu adorei o convite, obrigada.
É muita responsabilidade. Eu sei que o tema é importantíssimo, a gente fala muito sobre autoconhecimento, sobre autocuidado, e você tem falado demais sobre isso, da importância, por tudo que você passou, por tudo que a gente tem conversado, da importância da pessoa olhar pra dentro e procurar respostas e principalmente procurar saber seus limites. saber o que é importante, qual é o seu limite, o que é importante, o que é prioridade. Então eu queria muito que a gente, lógico, esperando o pessoal já entrar, mas dizer que hoje é importantíssimo a gente poder trazer esse tema para o pessoal, porque ainda mais na situação que a gente está passando, Isabela, muita gente aí começa a entrar em estresse, em desespero, e isso mexe muito com a saúde mental, que é o que a gente tem que vai conversar bastante. Bom, aqui o pessoal já está entrando, já tem bastante gente, vai entrar mais ainda, e eu quero muito que você possa começar a conversar comigo.
Vamos sim, Vivi. Alguém aqui comentou que não está nos ouvindo, então quem estiver agora entrando, só confirma se está tudo bem com o som, né, Vivi? Eu fico muito feliz com o seu convite. E eu preciso, antes de começar, contar uma história. Porque pode ser que depois que eu começar a falar, eu já queria que essa introdução já estivesse assim, já registrada. Outro dia eu entrevistei um monge. E ele estava conduzindo uma meditação. E aí, depois disso, eu perguntei assim, Sati, você fica estressado? Ele, claro! Falei, sério? Ele, sim. Fico estressado, não fico satisfeito em alguns momentos. Eu falei, nossa, eu nunca imaginei ouvir isso de um monge.
Sim.
Aí, conversei outro dia com um terapeuta também, conduzindo uma meditação. Eu perguntei, fiz a mesma pergunta. Falei, você se estressa? E ele disse, sim. Então, onde eu quero chegar com essa história? Quando eu falo sobre autocuidado, e depois a gente pode se aprofundar mais, dá a impressão que eu também não passo pelos desafios da falta de tempo, da falta de pausa, da falta de reunião consigo. Eu vou repetir o que o monge e o terapeuta me disseram. Quando você já tem consciência das consequências desses sentimentos, você reduz o tempo da oscilação. Então o gradiente fica menor. Eu posso, em alguns momentos, se ausentar de mim? Sim. Mas eu não faço mais isso por longos períodos. Essa é a grande diferença.
É o que o autoconhecimento faz, né? Eu falo assim, a gente sofre. Não é porque a gente tem autoconhecimento que a gente não vai passar mais por emoções. Só que a gente consegue lidar melhor com elas e dar um tempo, um prazo. Eu vou sofrer? Vou sofrer por um tempo e daí o que? Não adianta ficar sofrendo o resto da vida. Eu vou ter que arrumar um mecanismo de defesa e resolver aquele problema, né? E ir pra solução. E quanto mais autoconhecimento a gente tem, mais a gente consegue fazer isso.
Vivi, e o autoconhecimento é engraçado, né? Os autos. Você se conhecendo melhor, você se cuida melhor. Aí você se valoriza, ganha autovalorização. E aí tem outros autos que nós poderíamos mencionar aqui, mas eu acho que esses três, eles formam um tripé muito importante para o que a gente está vivendo e para o que a gente ainda vai viver. Então, se eu permito olhar para dentro e mesmo olhar para aquilo que eu não quero, para aquilo que eu fugi, E se eu entender o que eu tô precisando guardar, jogar fora, revisar, né, com desapego, que senão a gente acha que não, né, que você não é capaz de mudar nada e somos sim. Então, a partir do momento em que eu me permito olhar pra dentro, aí eu já sei, opa, entre o autocuidado. Eu já me conheço a ponto de saber que se eu não dormir a quantidade de horas necessárias, por exemplo, eu posso desenvolver um monte de problema.
Sem dúvida.
E aí depois disso, então, eu sabendo da necessidade do meu sono, o que que vai acontecer depois de uma noite bem dormida. Eu vou pensar melhor, eu vou agir melhor, eu vou conseguir ter criatividade e aí, consequentemente, eu fico mais seguro. Pronto, me valorizo.
Perfeito, é isso mesmo. É bem por aí mesmo, com certeza. E a gente vê que as pessoas acabam ligando um piloto automático e vai vivendo sem olhar pra dentro e fazendo as coisas. Eu acredito muito que tudo que está acontecendo está fazendo as pessoas acabarem parando para refletir, coisas que as pessoas não têm hábito de fazer.
Nem todas, né, Vivi? Eu acho que nós teremos, como sempre, alguns que já despertam, outros que podem demorar um pouquinho mais. Mas eu concordo com você que o momento, ele é muito propício para a fazer isso.
Gente Ele é muito propício para fazer isso, muito propício. A gente tem que ver o que a gente pode tirar de bom, de tudo que está acontecendo, o que dá para a gente melhorar, aperfeiçoar, para que a gente possa ter resultados fantásticos, sem dúvida. Eu lembro que numa entrevista com você eu falei assim que eu tinha muita dificuldade de dizer não e eu acredito que até hoje ainda, pelo meu pai amoroso alto, acabo tendo dificuldade. Eu falei assim que não, eu não sei dizer, mas agora não, agora não. Ainda...
Agora não.
Agora não, quer dizer, posso te fazer isso, agora não. E isso vem ajudando muito.
Por enquanto, não.
Por enquanto, não. Nesse momento, não. Então, pra quem tem dificuldade de dizer não, é importante a gente poder agora aprender a fazer isso. Já tá no tempo da gente fazer isso. Porque se a gente absorver tudo do mundo ou querer resolver tudo ao mesmo tempo ou fazer as coisas E você disse, com muita propriedade, eu parei pra pensar muito no que você falou, que só tem burn out quem ama o que faz, porque você começa a fazer o que ama e não para, né?
É. Você sabe, Vivi, que o treinar ou não, ele é fundamental nesse processo que a gente tá falando, né, do autocuidado, autoconhecimento, porque quanto mais você diz sim pra outras pessoas e compromissos, menos tempo você vai ter de agenda pra você. Então a gente não marca reunião com a gente, né? Eu marco reunião com todo mundo, me comprometo com todo mundo, só que na hora em que eu preciso me comprometer comigo, né, eu fujo. Então, é a mesma coisa do personal trainer, né? Não sei quem tá aqui nos acompanhando, se já fizeram exercício físico com personal trainer. Às vezes, aquilo que ele tá te passando, você sabe fazer. Você é comprometido, comprometida com alguém, se surgir a preguiça, se surgir tipo, ah, hoje não, você fala, não, tô comprometido. E se a gente se conhecer, se respeitar, você poupa dinheiro, porque aí você não vai precisar pagar uma pessoa pra te puxar praquilo que você sabe que você precisa fazer. Então, a história do treinar ou não, ela é muito importante. Queria já dizer aqui que não sintam culpa por não conseguirem, porque quanto mais você tentar e disser, mais seguro você vai ficar para dizer não os mais relevantes. Então começa treinando com pessoas próximas, com muita gentileza, com muita delicadeza, para quando você tiver que falar não para um chefe ou para uma pessoa que não é tão próxima, você não vai estar tão inseguro, Vivi. E é tão curioso isso, porque a gente entende que o não é só negativo. punitivo, né? E o não, ele é positivo, ele é instrutivo, ele é preventivo, mas a gente ouve não na infância, especialmente, assim, não faz isso, não faz aquilo, não põe a mão aí. E aí a gente cresce realmente dizendo muito mais sim do que não. E tem um outro detalhe. A gente vive numa cultura em que se eu disser não pra você, Vivi, Dá a impressão que eu tô... Me magoando. Te magoando. E aí eu posso não ser aceita. E... Por exemplo, quando você me convidou pra essa live, eu precisei te falar. Falei assim, Vivi, eu vou precisar fazer só numa semana X, porque agora eu não vou conseguir.
Sim.
Então, eu me senti ali muito responsável por me comprometer com você. Porque eu sabia que se eu dissesse sim naquele momento, Você ia comprometer. Eu poderia não conseguir cumprir.
Eu falo que o não muitas vezes é saudável para os dois lados, né? Porque você diz não e eu acredito muito, a cultura nossa, ela tem uma dificuldade em ser assertivo, né? A pessoa não consegue, ela não consegue ser assertiva ou ela acaba sendo passivo ou agressivo, quando já não dá mais explode. E a gente sabe que ter aquele termo de você ser assertivo, falar o que você pensa, dizer não na hora certa, explicar o porquê, sem mudar o seu estado interno, sem se afetar com isso, isso é muito importante.
E aí, olha só que lindo, né? Se eu dissesse sim pra você na semana passada, eu ia entrar num fuzoe que eu não poderia e que aí eu encheria a agenda demais.
Sem dúvida.
Volta para o que a gente estava falando. Então, treinar ou não. é fundamental para que você viva uma vida com mais tempo para você. Isso não significa que você está sendo rebelde com as pessoas, não. Você está sendo... você está se valorizando e fazendo o que é possível fazer, né Vivi? Porque às vezes tem coisas que não são possíveis.
Sem dúvida, sem dúvida. E falando em autocuidado, Isabela, Eu sei que você já tem entrevistado tantas pessoas por aí, já conversado muito sobre esse assunto, queria muito que você, pela sua experiência, você falasse o que que você conseguiu com tudo que você passou, fazer de modificação, de estratégia que você tem utilizado pra te... você já usou uma agora de explicar em relação à sua organização de agenda, mas quais estratégias que você fala assim, olha, isso eu mudei e funcionou? Porque tem muita gente que fica dentro do trabalho e fica em time, acaba esquecendo do mundo. Isso acontece muito e hoje muita gente é muito dentro dos seus pensamentos de como vai fazer para resolver toda a vida que vem pela frente. Quer dizer, alguma coisa sempre te coloca num tempo muito dentro de você agir daquela forma, de você pensar daquela forma. E absorto numa atividade que quando você vê, você fala assim, eu só fiz isso, eu não fiz mais nada. Tem gente que faz isso com trabalho, tem gente que faz isso com pensamentos negativos, a maioria das vezes negativos, que é uma pena. A pessoa entra, fica duas, três horas pensando em coisas muito negativas. e o que gera estresse, que a gente sabe. O que que você tem feito, o que que você pode dar de dica aí pro pessoal de falar assim, eu consegui mudar isso pra que eu possa ter um bem estar, uma qualidade de vida melhor?
Bom, primeiro, hoje eu luto pelas minhas horas de sono como se não houvesse amanhã. O Tiago, meu marido, até brinca. Ele fala, poxa, mas hoje é sexta-feira, você precisa dormir 11 horas. Amanhã a gente pode acordar mais tarde, por exemplo. Mas se eu já estou com sono, eu não forço mais a amizade, eu não forço mais a máquina.
Entendi.
Eu respeito muito. A primeira coisa que eu falaria é o meu sono. Hoje, nada nos meus comportamentos vem antes do sono. Então, sono em primeiro lugar. Segunda coisa, entender que a gente vive uma revolução cognitiva. Ao mesmo tempo em que a gente vive num mundo digital, o nosso cérebro continua analógico. Então eu preciso perceber aqueles alertas que meu corpo está mandando.
E manda, hein?
E que está alertando para um problema que pode ser maior e pior. Vamos supor, eu estava até escrevendo isso no capítulo do livro. Lembra do livro que eu ia lançar? Então, vai ser daqui a uns meses, porque eu tive que reescrever algumas partes. Hoje eu estava escrevendo sobre isso. Todo mundo aqui que dirige percebe que no painel do carro, quando tá pra acontecer alguma coisa séria, aparece um sinal no painel.
Um alerta.
Um alerta. Aí a gente, com pressa, né, ignora ou fala depois eu vejo, depois eu vejo. Pronto. Então, nisso que eu tô te dizendo sobre essa revolução cognitiva, se eu estou usando muito o digital, o meu corpo ele tá mandando um sinal pro painel do carro. Ele vai mandar. E se você não estiver ouvindo, limpa ouvido que tá falando. Então, além de dormir, segunda coisa, eu ouço, eu percebo as consequências no meu corpo a partir de certos comportamentos. Como assim? Gente, exemplo, se eu comer muito, o que vai acontecer depois? Eu vou me sentir mal. Se eu beber muito, depois eu vou me sentir mal. Se eu ficar muito tempo conectado à internet, eu me sinto mal. É um fato, é um fato. Pode me dar enxaqueca, pode me dar enjoo, que são inclusive sintomas que podem ter sido o burnout, mas agora não ignoro mais. Vivi, tem um livro muito interessante que chama Normose, a patologia do normal. E lá os três autores, eles falam que a gente tá vivendo um momento em que tudo é normal. Então você dormir pouco é normal, você ficar conectado o tempo inteiro é normal, Você estar estressado e irritado é normal. Não, isso não é normal. Então, hoje, uma outra estratégia que eu uso... Primeiro, ouço o que está acontecendo e eu já sei que se eu ignorar, vou ter problema lá na frente. À noite, por exemplo, de maneira bem prática aqui pra turma, Oi Lourdes, boa noite. A Lourdes é uma fofa, viu Vivi? Ela tá comigo aqui desde março, já fiz mais de 90 entrevistas, inclusive com você e com o professor Neiu.
Seja bem-vindo, Lourdes.
Obrigada, Lourdes. Uma outra coisa muito prática, Vivi, é que assim, à noite, quem aqui não dá aquela revisada assim, né, nas redes sociais, WhatsApp e tal. Eu não deito com o telefone. Eu fico em pé, ao lado da cama, aqui, olhando pro meu telefone, Porque aí já é noite, eu já tô cansada. E aí eu percebo que depois de uns cinco minutos, minha perna já começa a doer. Sabe? Aí eu já... Opa! Já passei mais do que cinco minutos. Pronto. Já vi. E também tô fazendo uma escolha, assim. Tipo, isso aqui eu não preciso ver agora. Eu não preciso mexer nisso agora. Eu não preciso pensar nisso agora. Cada coisa no seu lugar. Então, de forma prática, sono. usar o telefone muito mais em pé do que sentada ou deitada, principalmente à noite. E todos os dias eu me pergunto o que eu poderia não ter feito pra ter sobrado mais tempo pra mim.
Ah, que legal. Estratégia diversa. Legal isso. Eu fiz isso e poderia ter deixado de fazer.
Eu ainda não consegui desacelerar da maneira que eu gostaria. Eu falo isso com a minha mãe sempre, com o Thiago sempre. Porque a gente vem de um modelo de muito trabalho, né Vivi? E a gente vive num mundo express. Então você tem entrega express, unha express, tudo express. E você precisa justamente ir contra a maré.
Sem dúvida.
Olha que curioso, né?
Sem dúvida.
Eu não estou dizendo aqui que nós vamos parar de trabalhar, que agora nós vamos sair da quinta marcha pro ponto morto, não. Mas eu preciso entender que nesse mundo express, pra você desacelerar, que é o que todos nós precisamos, você vai ter que tomar escolhas e às vezes muito radicais. Você vai ter que dizer não pra pessoas que às vezes você não quer e você vai arcar com as consequências. Porque tudo tem consequência, né Vivi?
Sim.
O sim e o não. E tem riscos. Sim.
É o que a gente fala, né? Tudo pode. Depende de alguma coisa ter uma consequência.
Tudo pode, mas vai ter. Pois é. Aliás, agradeço aqui publicamente a tudo que vocês me ensinaram lá no Pratician. Me aproximar da programação neurolinguística me trouxe tanta informação que eu uso quase todos os dias. Claro, eu ouço todos os dias. E trouxe a postilha, inclusive, aqui pro Paraná, onde eu tô já há dois meses, e direto eu ouço uma coisa, eu vejo uma coisa e eu falo, poxa, aqui eu preciso, posso aplicar a PNL, sabe? Ou de repente tô com uma discussão, sabe? Especialmente, por exemplo, com o meu marido. E aí eu falo, pera lá, volta a fita, Então volta meia hora antes dessa conversa, como é que nós estávamos? O que que aconteceu que mudou o estado interno dos dois? Tem dia que dá certo, tem dia que às vezes não, mas aí nós vamos em frente.
Sem dúvida. E acredito muito também que você ir sempre no fato, buscar o fato. O que está acontecendo nessa situação? Não o significado que eu estou dando, mas o fato em si. Isso muda muito a nossa percepção. E isso a gente só consegue através de autoconhecimento que gera essa visão que você está falando. Essa visão de você perceber o seu corpo, o limite dele, o tempo que você tá. Quando você tiver fazendo uma coisa, fazer só aquilo. Não começar a pensar em duas, três, quatro coisas ao mesmo tempo. É um treino, né? Porque a gente tá habituado a fazer uma coisa já pensando em outra. Mas quando você faz isso, você acaba se desgastando muito mais. Se a gente perceber que a gente pode... E lista de prioridades. O que que é importante pra mim? O que que eu tenho que... Você quer falar? Fala, aproveita.
Não, só pra gente não perder o gancho, eu tenho refletido muito e vi nessa lista de prioridades, como você falou, quantas coisas, e aí faz parte do autocuidado, tá? Quantas coisas importantes, pra mim, eu deixo pra depois, e aí se tornam urgências ou emergências? Quem aqui nunca passou mais de ano protelando os exames que precisam ser feitos, né? Mulheres que precisam ir ao ginecologista todo ano e outras pessoas que vão fazendo vários acompanhamentos. Quantos exames a gente vai deixando para depois? Vai deixando para depois até que chega uma hora, minha gente, que aí aquilo que era importante ficou urgente. Ou até emergente.
Sem dúvida.
Isso é muito importante. E aí teve um outro comentário aqui, deixa eu só ver se eu acho. O Henry, ele diz assim, independência é tudo, nada vale nossa liberdade. Eu posso fazer uma resposta aqui? Claro. Henry, isso também vai estar no meu livro, tá? Vivi, a gente passa a nossa adolescência toda querendo o quê?
Independência.
Independência, liberdade, né? Muitas pessoas acreditam que saindo da casa dos pais vão conseguir ganhar o mundo e fazer, né? Mas é claro que os pais, eles fazem o que fazem por nos amar. Mas como nós somos mais jovens, você quer experimentar. Aí o que acontece? Logo depois, você vende a sua liberdade por dinheiro em um trabalho, porque um trabalho é uma troca. Você doou seu talento, sua habilidade, você recebe o dinheiro de volta. Ninguém tá fazendo favor pra ninguém, é uma troca, certo? E nesta troca, se eu não estiver em um lugar em que eu seja valorizado, eu me sinta bem, Além de eu perder a minha liberdade, de eu perder a minha independência, eu perco a minha identidade.
Ah, sem dúvida.
Então, quando a gente ouve assim, ah, nada vale nossa liberdade, mas na prática, Henri, se a gente tá trabalhando, se a gente tá se dedicando tanto a um lugar, tem que ver mesmo se você tá com a liberdade ou não. Com essa tal liberdade que a gente tanto fala.
E faz todo sentido, principalmente a liberdade e a identidade, né? Porque se você perder a identidade... E.
Como a gente perde?
E se ferir valores importantes, você tá num lugar onde tá ferindo valores. Por isso que esse autoconhecimento, você olhar pra dentro e saber o que que é realmente importante pra mim. o que que eu não abro mão e você fazer a sua lista de prioridades, isso aqui eu não abro mão. E se eu ferir esse valor, eu vou depois ter consequências.
Que foi o que eu fiz com o meu sono.
Sem dúvida.
Nossa, eu viro uma onça. Eu viro uma onça.
Não é verdade? Era um valor importante. de repente você negligenciou e o corpo respondeu, sem dúvida. Tem pergunta aqui, aliás eu já vou pedir pro pessoal, quem quiser fazer pergunta, clica aí no ponto de interrogação que a gente faz pergunta pra Isabela, tá bom?
Se eu souber responder, se eu não souber depois eu respondo no direct.
Vamos lá, vamos lá. O Cristiano Cortez pergunta se você gosta de ler livros.
Muito, muito. Inclusive, nessa minha dinâmica de olhar o telefone em pé ao lado da cama, eu tenho falado cada vez mais com o meu marido de voltar a ter a disciplina de ler pelo menos uma ou duas páginas antes de dormir, sabe? Eu gosto demais, e eu ainda sou old school, eu gosto do livro em papel.
Eu também.
Eu gosto do livro em papel. Mas eu confesso o seguinte, que eu, por conta das pesquisas que eu faço, às vezes eu tô lendo vários pedaços de vários livros. Tô sentindo, inclusive, saudade de pegar um do começo ao fim.
Eu tenho outra pergunta, peraí. O Cris pergunta assim, como reagir quando você diz o não para quem não tem maturidade para recebê-lo?
Cris, ótima pergunta. Isso vai acontecer sempre. Isso vai acontecer sempre porque, na minha opinião, é como a gente falou, né? Existe uma cultura que não valoriza essa pessoa que diz não. Então, nem sempre você vai dizer ou não e será bem recebido com esse não. Mas, eu digo o seguinte, Cris, se você tá em paz com o que você faz, então tá certo o que você faz. Porque só você sabe o custo de um sim e de um não. Só você sabe o custo de um sim e de um não. Quando eu entrevistei o padre Fábio para o livro, ele me disse que ele deu uma freada na agenda e ele até brinca, só eu sei quanto custa um compromisso na minha agenda.
Ah, sem dúvida.
Então, esse não, com certeza, Cris, nem todos vão aceitar. Mas a gente precisa pelo menos tentar.
Eu falei com você também na entrevista que o brasileiro não é nem passivo, E ele nem é agressivo, ele é passivo-agressivo. Na tua frente ele fala, aham, concorda com você, e por trás vai falar mal de você, vai reclamar, vai culpar, vai se defender, vai fazer tudo. O que é uma grande competência, eu gosto muito de coaching, é uma grande competência para desenvolver maturidade, que é o que o Chris está pedindo, É a assertividade, é você falar um não, explicar o porquê sem mudar o seu estado interno. Você respeitar o teu corpo, como você falou, o teu limite e principalmente os teus valores pra que você não depois se arrependa de ter feito ou não ter feito alguma coisa.
Vivi, deixa eu só complementar uma coisa que eu vivia muito disso quando eu tava na reportagem. Às vezes, com a preocupação do não, você quer explicar demais, por que não? E aí nisso também você perde muita energia e a gente precisa considerar que o que é importante pra mim pode não ser importante pra você. Ou aquilo que tem uma grande relevância pra mim pode ser que não tenha relevância pra você. Outro dia, por exemplo, eu fui marcar uma live com a Adriane Galisteu. E aí eu tinha sugerido um horário e ela falou assim, não Isa, nesse horário eu tô fazendo meu exercício físico. Eu achei o máximo. Eu achei o máximo. Falei, meu Deus, que evolução, né? Que ser iluminado, porque conseguiu, assim como eu, com sono, ela é com exercício físico. Então ela foi ali, ó, pá, meu exercício físico. Acabou.
Prioridades.
Acabou.
É o que a gente fala.
Aí, de repente, se eu tenho medo, né, de ser objetivo, aí você fica, ah, não, sabe o que que é? Não, aí pronto. Aí já perdeu muita energia.
Sem dúvida. Mas o afetivo, ele vai direto no ponto.
É pá, pum. Eu me lembro na nossa entrevista, quando você falou isso pra mim, foi assim, a palavra que eu mais comecei a repercutir nos dias seguintes. Sabe? Assertividade, assertividade, coerência. E às vezes, né Vivi, a gente repete, repete, repete. Eu às vezes até penso, será que eu tô chovendo no molhado? Mas, você saber de uma informação não significa que você vai colocar ela em ação. Não significa que você vai mudar o seu comportamento. Então, tem uma frase do Caibalion que eu gosto muito. Quando o ouvido tá pronto, a mensagem chega. Isso não significa que você ouviu a primeira vez, pronto, mudou. Não. A ficha às vezes demora pra cair. Às vezes você tem que ouvir a mesma coisa umas duzentas vezes. Você vai ter que treinar.
No começo você vai ter que se lembrar de fazer aquela ação. Você vai ter que... Ela tem que ser repetida até que ela possa entrar no seu inconsciente. Você tem que pôr o seu celular lá, marca o horário. Tem uma pessoa... O Túlio tá perguntando assim, que exercício você fez em relação à sua insônia? Como você conseguiu trabalhar a sua insônia?
É, na verdade é assim, Túlio. Eu não tinha insônia, aliás, eu não tinha o distúrbio do sono voluntário. Eu tinha o distúrbio do sono involuntário. Qual é a diferença? Até a Associação Brasileira do Sono acabou de atualizar esse número. Quando eu tenho uma insônia involuntária ou um distúrbio do sono, tá, deixa eu corrigir, um distúrbio do sono involuntário, Vivi, é quando você tem que participar de um trabalho em que foge do seu do seu normal. Qual é o normal da maior parte das pessoas? Dormir à noite e estado de vigília de dia. No meu caso, Túlio, eu tinha que acordar meia-noite. Então eu tinha que dormir de dia. Esse distúrbio do sono, ou seja, esse descompasso entre o tempo da natureza e o meu tempo, né, porque o nosso relógio é baseado no sol. O sol nasce e o sol se põe, acabou. E assim todos os seus ritmos, todos os seus ciclos vão se organizando. Com esta necessidade de trabalhar de madrugada, eu tentei no início tudo que era possível natural. chá de camuíla, floral, floral no ar, floral... tudo que você pode imaginar. Só que depois eu não conseguia mais ter os resultados que eu precisava. E aí eu fui pra melatonina, e aí eu fui pra outros indutores de sono. Só que a partir do momento, Túlio, em que eu não precisei mais acordar a minha noite, o meu corpo foi voltando ao estado normal. E foi muito mais fácil se adaptar, o que é bom, né? Porque o processo de adaptação para algo que te faz mal não deseja isso a ninguém. Então, no meu caso, o meu sono voltou a se normalizar depois que eu parei de tomar os indutores, depois que eu parei de ter aquela rotina. E uma outra coisa que a gente tem que tomar cuidado, Vivi, que com esse preenchimento louco de agenda, a gente toma muito estimulante durante o dia pra dar conta. E aí todas as pessoas especialistas em sono falam, né, se você ficar tomando muito café durante o dia, você vai chegar à noite, não vai rolar. Outra coisa, gente, ó, isso inclusive tá nas minhas entrevistas lá no YouTube, Isabela Camargo Real. Se você viver um dia extremamente estressada, Vivi, estressada, com problemas, aí vai chegar a noite... Acha que vai botar o pijama, deitar na cama e dormir?
Não vai! E a pior coisa que a pessoa faz é pensar no problema a hora que vai dormir. Aí, você tá com problema, quer uma dica? Coloca ele no papel, escreve ele lá e na hora que vai dormir esquece, porque senão você não vai dormir. Você vai ficar rolando e pensando naquilo o tempo inteiro, aí você não dorme.
Além disso, tá? Além dessa história do problema, né? Que é assim, tipo, não leve o problema pra cama. Não vai adiantar nada. Você não vai resolver dormir. Não vai resolver dormir. Você não vai resolver o dia.
Você não vai dormir, não vai resolver o problema.
Leva outras coisas pra cama, leva outros brinquedos, livros.
Sem dúvida.
O que eu quero dizer é assim, levar um problema pra cama não vai adiantar. Mas uma outra coisa, Vivi, que é assim, olha só, acabamos de falar sobre um mundo extremamente acelerado, um mundo express, né? Que entrega express, tudo express, unha express e tal. Aí vem uma pessoa e diz assim, de blusa cor-de-rosa e diz assim, então, você precisa desacelerar? Só que, como eu disse, não é de um dia pro outro que nós ficamos assim, então também não vai ser de um dia pro outro que você vai mudar todo o seu comportamento. Não se sintam culpados, sabe? Não se sintam incompetentes por não conseguirem, né, mudarem a rotina tão rápido. Bom, então vamos lá. Aí, Vivi, eu tô naquele ritmo. Tô na quinta marcha. Tô o dia inteiro no modo express. Aí quando chega a noite, eu vou deitar com o meu pijaminha e eu acredito em milagre. Porque eu não vou fechar o olho e vou dormir se eu tive um dia muito estressante, muito cheio, com muita falação. Ou seja, se eu não observar como é o meu dia, depois não vai adiantar reclamar como é a minha noite.
Sem dúvida.
Desculpa se eu estiver chovendo no molhado, mas é sério.
É, mas é por aí mesmo.
Se você sabe que se você beber, se eu vi inclusive eu falar isso lá no grupo Mulheres do Brasil, Vivi, se eu sei que o meu limite de trabalho é um, se eu exceder eu vou ter uma consequência. Se eu sei que o meu limite das caipirinhas, lembra que eu falei? É um, se eu exceder eu vou ter uma consequência, então é a mesma coisa. Se eu tiver um dia extremamente estressado, corrido, sabe, com discussões e tal, Evidente que eu vou ter uma consequência. E ela se apresenta primeiro nos distúrbios do sono. E aí quando isso fica crônico e por períodos longos, aí podem acontecer outros problemas. Porque a maior parte das nossas doenças acontecem quando você negligencia o seu sono.
É, até a forma de pensar, você acaba não realizando nada da forma adequada, porque a atenção é muito prejudicada com isso também, né? Fora o estresse que te dá, a irritação, e aí vem ele, né? Ele.
Sim, sim.
Tem um monte de pergunta aqui, posso?
Claro.
Então, vamos lá. Isabela, por que hoje em dia as pessoas não dão o direito de as outras terem sentimentos negativos? O Henri que pergunta.
Muito bem, Henri. Veja só. Deixa eu fechar aqui uma página.
Pronto.
Eu acho que não é só esse o problema. Acho que essa pergunta do Henri, ela tem a ver também, Vivi, com esse nosso modus operandi em que nós glamourizamos Uma agenda cheia, uma falta de tempo, né? Quem aqui não faz? Ah, não tenho tempo pra nada. Ah, não tiro férias faz um ano, né? Ah, não tiro férias faz um ano. Sério? Eu mesmo, né? Nas empresas de comunicação que eu trabalhei, eu vi apresentadores que não queriam tirar férias, né? Porque, nossa, eu tô batendo um bolão com a chefia, meu pai. Bom, aí, outra coisa. Quem aqui nunca ouviu A frase, disponibilidade integral, 24 por 7, 375 dias por semana. Pode me procurar a hora que você quiser que eu vou te atender. Então, aí outra coisa. Nós não temos educação financeira, temporal e nem emocional. E que são as três habilidades que você tem que conviver. Aliás, que você tem que ter a vida inteira, ninguém te ensinou. Quando tudo descamba. Né, Vivi? Nós somos contratados pelas nossas habilidades técnicas e demitidos pelos nossos comportamentos. E aí, quando entra a história do não podemos estar, não podemos mostrar que não estamos bem. Ou, deixa eu inverter, temos que sempre mostrar que estamos bem. Vem também daquela crença do tipo, você não pode levar os seus problemas pra dentro da empresa. Assim, olha agora que curioso, assim como você não pode levar trabalho pra casa. E o que que tá acontecendo agora? O trabalho está em casa. E eu não tenho como, eu vou deixar os problemas aonde? Se agora o trabalho tá em casa?
Sem dúvida.
Ou seja, isso que eu tô falando... A conta não fecha e vivia assim, olha, o mundo muda todos os dias, todos os dias. Agora com o coronavírus, ele mudou muito mais rápido em pouco tempo, né? A gente ficou séculos sem acontecer grandes, grandes mudanças e aí em semanas aconteceu tudo. Nós mudamos todos os dias. Não tem um dia igual ao outro em termos de temperatura, umidade do ar, pressão e tal. E por que que eu ainda continuo com ideias iguais? Por que que eu continuo ainda com crenças iguais? Por que que eu quero viver num mundo novo com características do mundo antigo? E aí, eu não tô fugindo da resposta do Henrique, eu só quero dizer, assim, que nós estamos vindo em um caminho de muitas mudanças e eu acredito que isso será reavaliado como as empresas vão fazer, como as pessoas vão fazer, eu não sei. Mas o que eu sugiro é que a gente pode começar conosco. E eu, por exemplo, inclusive aqui na minha casa, nesses últimos dois meses, o dia em que eu não estou bem, eu já falo assim, olha, aconteceu tal coisa, eu não estou bem, mas vai passar.
Pronto.
Não estou bem, mas vai passar. As pessoas com quem eu trabalhava e eu tinha mais intimidade na última empresa, um dia em que eu não estava bem, eu já avisava. Olha, hoje eu não estou me sentindo bem. Pode ser que eu não haja como eu costumo agir, mas vai passar. Então, nós temos a dificuldade em transparecer o que estamos sentindo, porque isso sempre foi colocado como um fato negativo. Você não pode mostrar o que você sente. Você não pode levar os seus problemas pra dentro da empresa. Mas agora, Henrique, o trabalho tá dentro de casa. Então você vai ter que lidar com tudo isso ao mesmo tempo. E aí, como você disse que eu adoro sempre, Vivi, que é não mudar o estado interno. Mas ao mesmo tempo, assumir a sua vulnerabilidade quando for preciso e seja pra quem for. Pra esposa, pro marido, pra amiga, pro chefe. Com certeza. Você sabe uma coisa que eu, outro dia caiu minha ficha assim, eu falei, nossa senhora, se alguém aqui viver uma experiência ruim com o trabalho, que desenvolveu um problema de doença ocupacional, como foi o meu caso, pensem sempre o seguinte, você não é um profissional ruim. Você só está tendo um dia ruim ou você só está tendo um momento ruim. Eu vi essa frase de uma psicóloga numa das lives e eu chorei nela. Eu falei, nossa! Porque ela é uma líder jovem. Então perceba, aquelas pessoas mais conservadoras vão começar a remodelar os seus pensamentos porque os líderes mais jovens, eles já têm já essa ideia. Essa psicóloga, inclusive, que lidera uma turma gigante numa empresa incrível, ela falou, ela falou assim, olha, os líderes vão ter que entender, ó, atenção, breaking news, que se aquele funcionário, se aquela pessoa, ela é tão talentosa, ela só está tendo um momento ruim. Ela só está tendo um dia ruim, ela não é um funcionário ruim.
É, parar com essa generalização, né? A generalização que faz, né? É muito importante a gente pensar, assim, eu achei fantástico quando você falou isso, quando você falou que só tem burnout quem ama o que faz, pra mim é muito... Então a gente ama o que faz, só que a gente precisa colocar prioridades importantes, como a gente tem falado.
Vivi, você me permite corrigir essa frase? Outro dia eu publiquei ela, meu Deus, foi uma chuva de gente no direct me pedindo assim, por favor, reavalie. E eu insisti, dizendo não, mas é o que eu acho, é o que eu acho, é o que eu acho, né. Mas aí eu fui ouvindo outros depoimentos. Então, eu agora digo assim, Vivi, a maior parte das pessoas que tem burnout amam o que fazem. Por quê? Porque o burnout você pode ter por duas situações. Uma, pela armadilha da competência. que é aquilo, né, de eu faço uma coisa boa, aí o meu chefe fala parabéns Vivi, você fez um excelente trabalho, então agora eu vou te dar mais um trabalho e você acredita que aquilo, tipo, nossa, tô bem na fita, hein, né? E aí você acredita na meritocracia, você acredita num salário que pode aumentar. E aí, com o tempo, você vê que nada disso acontece, vem a insatisfação, vem a frustração, só que a sua saúde também já tá lá embaixo. Porque pra dar conta deste trabalho, você abriu mão de alguma coisa. E de alguém. Primeiro foi você. Das suas horas de sono, pra você dar conta daquele trabalho a mais. E o outro caminho que te leva ao burnout, Vivi, são aquelas pessoas que precisam ou vivem muito assédio moral, ou seja, elas não têm saída a não ser acumular mais trabalho. E às vezes não é com o que elas gostam. Olha só, faz sentido?
Entendi. Aí faz.
Então, a turma que veio assim, tipo, Isabela, você não pode falar isso porque eu vivi a experiência, né, de burnout e eu não tava feliz com o que eu tava fazendo. Eu não queria fazer aquilo que me deram pra fazer, sabe? Outro dia eu vi uma pessoa dizendo assim, eu não sou bom nisso, mas o meu chefe está pedindo pra fazer. E eu tenho que fazer.
Aí é mais triste ainda, né? Porque eu vejo, quando você fala essa frase, me fez sentido o seguinte, que quando a pessoa ama o que faz, ela fica tanto tempo fazendo aquilo que ela esquece de fazer qualquer outra coisa. Então ela acaba não priorizando outras coisas que são importantes. Por isso que a gente fala, se tiver um equilíbrio, se a gente conseguir olhar a nossa vida em cada aspecto, na vida pessoal, profissional, financeira, de relacionamento, social. Quer dizer, a gente entender que todas essas partes, elas compõem o que a gente é, o que faz parte de coisas importantes pra gente. A gente conseguir dividir isso, dando atenção em cada aspecto da vida, a gente consegue ter uma vida em mais equilíbrio. que gera o bem-estar, a saúde mental adequada. Sem dúvidas aí. Agora, quando a pessoa parte para um problema, como você está levantando agora, aí a pessoa precisa acender dois alertas, né? De falar, eu já não estou fazendo o que eu gosto, ainda estou tendo uma pressão exagerada.
Isso, isso.
Aí precisa tomar cuidado.
Os dois casos são perigosos. Os dois casos são perigosos.
Sem dúvida. Você perceber se você não tá extrapolando, se você não tá usando... E aí o corpo dá sinal mesmo e eu tava... ouvindo muito você falar, se você começa a perceber que mesmo fazendo o que você gosta, você não tá tendo alegria de viver, você tá não tendo tempo, quer dizer, você tá tendo reclamações, o teu corpo tá reclamando, ele tá pedindo um para e você não tá obedecendo, você tá fora do padrão, tá fora do normal e vai ter consequência.
Vai dar ruim. Lógico que vai dar ruim. Deixa eu te contar uma coisa. Muita gente me pergunta assim. Então, porque no meu caso, é porque eu amava o que eu fazia. E aí eu ia recebendo... Faz sentido.
Pra mim, porque eu fico... Eu falei pra analisar, às vezes eu fico muito... Eu amo o que eu faço, mas eu vejo que eu extrapolo também, entendeu? Quando você falou aqui, eu falei, meu, eu extrapolo também. Foi um alerta, entendeu?
Vivi, que bom que fez sentido pra você e antes de eu te propor aqui a leitura de 26 alertas que podem acontecer antes do esgotamento, olha só, mas tá fácil, tá? São 26 tópicos rápidos. Eu quero te dizer o seguinte, muitas pessoas me perguntam o que eu fazia pra dar conta daquele trabalho intenso. que não só era no horário inadequado, mas para mim, a biologia não dava certo, e para aquele número de trabalhos ao mesmo tempo em que eu fazia. E muitas pessoas me perguntam o que eu fazia para dar conta daquilo. Que aí muita gente fala assim, ah, se você tivesse feito ioga, se você tivesse feito... Eu fiz. Eu fiz tudo que eu pude. Desde os chás, até as anfetaminas recomendadas por médicos. Não é que eu fui lá no Mercado Negro e falei, me dá uma anfetamina aí, me dá uma anfetamina aí que eu preciso produzir e não tô conseguindo dar conta. Não, eu fui no médico, fui no endocrinologista com receitinha na mão, né? E todos os médicos que eu procurei, mesmo tendo todas aquelas peças do quebra-cabeça, né, sobre estresse, cortisol muito alto e tal, todos me diziam assim, não, mas tem como sair desse trabalho? Então nós vamos ter que aguentar. E pra aguentar vai ter que ser o que? Você começa pelos estimulantes naturais, depois você vai pra uma vitamina. Aí pra desacelerar, o que você faz? Vai pros relaxantes naturais, fazendo de camomila e tal, respira, vira o pé, muda de posição na cama, até os indutores de sono. Então, veja, a maior parte das pessoas que tem burnout amam o que fazem e provavelmente estão fazendo um monte de coisa pra não pifar. Então, eu ia dar acupuntura, enfim, fazia muita coisa. Agora, Vivi, eu acho que em um minuto eu consigo falar sobre os sinais que podem anteceder o burnout, mas que são sinais que podem acontecer antes de muitas coisas. Então, eu não colocaria isso só com o burnout, mas são aquelas situações, Vivi, que entram na história da normose. Ah, normal!
Ah, normal!
Ai, a Gisele de Paula, um beijo, Gisele de Paula, Gisele Paula, a Gi é uma grande pessoa, depois eu vou conectar você, Vivi. Deixa eu só avançar aqui, senão não vai dar tempo. Ó, é na dor que a gente se reconhece. Então, além do que eu vivi e na maior parte dos relatos, eu identifiquei alguns alertas do corpo, tá? Como eu te falei, como aqueles alertas do painel do carro que se a gente não para pra ver, meu Deus do céu. Então, dor de cabeça frequente até enxaqueca. São 120 tipos de enxaqueca. Azia, dor de estômago, intestino preso ou solto, até problemas mais graves gastrointestinais. Sabe aquela história da síndrome de intestino irritado? Uai, sua vida tá tão descompensada que até seu intestino tá irritado com você.
Ah, mente e corpo, tá ligado.
Enjoo, tontura, insônia, né, os distúrbios do sono, bruxismo, retração na gengiva, o cortisol, que é o hormônio do stress, e todos vocês podem, na hora de fazer o exame de sangue, pedir pro seu médico, inclui aí o cortisol, porque ele não tá no hemograma completo. O cortisol, ele é fundamental pra esse estado de vigília. Se você não tiver cortisol, inclusive, você fica prostrado. Mas em excesso é que é o problema, tá? Imunidade baixa, cortisol alto, imunidade baixa. Inclusive agora com a pandemia, vivi direto, eu tenho falado assim, olha, cuidado com o seu estado de estresse, medo, porque isso reduz a imunidade. Então não adianta nada você usar máscara, lavar a mão 200 vezes e tá no estado em que sua imunidade tá caindo.
É, perfeito.
Aí com a imunidade baixa vem alergias, gripes, infecções constantes, perda de libido, aumento ou redução de peso, tremedeira nos olhos, a diminuição na visão. Você fala, nossa, mas parece que meu grau mudou. Dificuldade de concentração, lápis de memória, inchaço nas pernas, transpiração excessiva, dor muscular, cansaço intenso, acne, manchas na pele, queda de cabelo, irritação e agressividade. Crises de ansiedade, choro frequente, isolamento, queda no rendimento do trabalho, abuso de álcool e drogas, que a gente sempre vai compensar, né? E baixa autoestima até pensamentos negativos. Esses são 26 que eu botei aqui pra não colocar mais, senão ia ser um livro só de problemas de saúde. Dá pra colocar um monte, mas veja, eu preferi colocar isso porque senão a gente não tá falando de algo visível. tangível, palpável, como quiserem, tá? Mas tudo isso são alertas em que o seu corpo está te enviando pra que nada pior aconteça.
Sem dúvida. Presta atenção que é o alerta do carro. É o alerta do carro. Um que eu vou te colocar aí, que eu vejo muito comum, é abuso em compras também. A pessoa com suspensa comprando, comprando alguma coisa que é pra se, inconscientemente, eu me satisfaço aqui com uma comprinha. Isso também é importante a gente alertar. Aliás, a lista poderia ser bem maior, mas você foi bem no físico, que eu acho fantástico. Se a pessoa começar a analisar o seu próprio corpo, ela já vai perceber que muito dá sinal, é só você prestar atenção.
Eu entrevistei um cardiologista em Maceió e ele me disse que ele só percebeu que ele estava com o burnout Depois de duas situações, agressividade, que ele estava muito agressivo com os pacientes, e o excesso de compras pela internet. E sobre esses sinais, Vivi, outro dia eu estava numa palestra e eu brinquei assim, né? Eu falei, ah, eu tô com uma dor de cabeça, quem tem um remedinho pra me dar? Aí uma mulherada começou a arrancar assim da bolsa aquelas necessaires, cada uma maior que a outra, aí eu comecei a fazer uma brincadeira, quem tinha necessaire maior que a outra. E aí eu brinquei, falei assim, olha como a gente glamoriza o tamanho da necessaire. Então, para tudo isso que eu falei, alguém sempre vai ter. Se você estiver reclamando de dor de cabeça, vai ter alguém lá com o remédio, com dor de estômago, para isso, para aquilo. Então, nós temos mais farmácias do que bibliotecas nas esquinas. Então, a gente está acostumado a jogar para debaixo do tapete o que a gente sente, como o Henry perguntou, porque a gente não poderia mostrar as nossas emoções. Mas isso está mudando. Os futuristas que eu entrevistei, todos dizem, como você também falou, né, Vi, as soft skills, as habilidades que a gente vai ter que desenvolver. Não vai ter mais espaço, não vai ter mais espaço. Pessoas só técnicas não terão só espaço, porque os empregos que não existirão mais ou vão ter muita redução são aqueles que exigem esforço, repetitivo, ou seja, força, cálculo, memória, tem mais alguma outra coisa? Ou seja, os trabalhos do futuro vão exigir mais humanidade.
Graças a Deus.
E aí somos humanos, erramos, não somos perfeitos e precisamos falar dos nossos sentimentos, sim.
Sim, eu acredito sim que a liderança já está respeitando um pouco mais em relação a isso, os funcionários, a equipe, os parceiros. Isso a gente, graças a Deus, está mudando demais, a pessoa perceber. E até a própria pandemia está fazendo a pessoa olhar mais para o outro, né? As pessoas estão conseguindo olhar mais para o outro e olhar mais para si. Valores, sem dúvida, não precisa nem falar o quanto a gente já percebeu. Quantos valores mudaram em nós, né? Nossa, eu achava isso importante, eu vi que não tem importância nenhuma. E nossa, tinha tanta coisa que eu não valorizava, que eu tô vendo que hoje é importante. Então fazer essa análise que você está falando, Isabela, você perceber essas minúcias que estão dentro da gente é importantíssimo para que a gente possa ter bem-estar, uma qualidade de vida melhor e qualidade de vida não é só relaxar. É você parar para fazer exercício diário de olhar para dentro de você e falar o que eu vou mudar para que eu possa ter uma vida adequada. Eu acho que é por aí.
Vivi, eu vou ter que mudar alguma coisa. Pronto, eu vou ter que mudar alguma coisa. Se do jeito que está eu não estou bem, eu vou ter que mudar alguma coisa. Geralmente, o que a gente quer mudar de chefe ou de emprego? E aí depois muda de chefe ou de emprego e continua com os mesmos problemas.
Muda até de país. E não é isso que tem que ser mudado.
Continua. Uma coisa que resume muito o que você falou, aliás, colocou brilhantemente, é a atualização de identidade. É você reconhecer o que você faz bem hoje. E não ficar sofrendo com aquelas falas assim, ah, porque quando eu tinha 20 anos eu dormia pouco e produzia igual no dia seguinte. Agora não dá mais, né? Ah, porque quando eu tinha tal idade eu fazia isso e acontecia aquilo. Então, a atualização de identidade precisa acontecer. Pra mim, eu tenho feito isso acho que a cada mês ou a cada bimestre, porque Vivi, como a gente falou, a gente muda muito. Então pode ser que aquilo que eu gostava, eu não gosto mais. Nossa, eu era louca por brigadeiro. Nossa, sabe que agora eu vejo brigadeiro e não fico tão maluca? O nosso paladar muda, o nosso cheiro muda, os nossos gostos mudam. Então a gente precisa fazer essa atualização de identidade pra entender. Hoje, Isabela precisa dormir. Se antes eu podia abrir mão disso, hoje eu não posso. Então, a atualização de identidade é saber quem é você hoje, o que você gosta hoje, o que você não gosta mais, o que você tolera, o que você não tolera. Isso é fundamental pra viver uma vida. que vale a pena ser vivida. Se não, a gente está lá. O rolo compressor.
Perfeito. É isso mesmo, Isabela. Eu adoro conversar com você. Você sabe que a gente gosta muito da mesma coisa que é autoconhecimento e autocuidado. E você fala assim, eu posso ser melhor, eu posso fazer coisas de uma forma melhor, com resultados melhores, sem tanto desgaste. Quanto mais a gente puder se conhecer nesse sentido e respeitar o nosso corpo... Sem atrito. sem atrito, realmente alinhado, né? Alinhado aos teus valores. É o que a gente tá falando desse alinhamento de identidade, de atualizar a identidade através de um alinhamento dos nossos valores, né?
Isso, exatamente.
O que é importante hoje, pra mim, sem dúvida.
Isso. Quais são meus valores hoje. O Túlio, ele escreve aqui, né? As pessoas em geral precisam mudar. Túlio, nós somos as pessoas. Eu faço parte das pessoas, você faz parte das pessoas. Então, eu me lembro de sempre prestar atenção assim, Vivi, não sei aqui se você também já viu isso, eu preciso escolher uma profissão, fazer uma faculdade, ter um emprego, especialmente aqueles que davam estabilidade, né? Todo mundo queria um emprego que fosse estável, que tivesse estabilidade e tal. E vou conhecer uma pessoa, vou amar, casar e pronto, viveram-se felizes para sempre. Essas histórias deixaram a nossa consciência muito romantizada, porque viveram felizes para sempre é aí que começa a vida, é aí que vai começar. E hoje eu vejo o seguinte, não, você não precisa fazer só uma faculdade, você pode fazer quantas você quiser, você pode mudar de emprego. Você pode realmente ser muito grato àquela pessoa que ficou na sua vida por anos, mas que depois vocês não estão mais na mesma sintonia e ok. Então eu acho que esse medo da mudança, ele vem muito também viver por essas crenças do passado em que diziam que você não podia. Não, você não pode sair desse emprego, você não pode mudar de ideia, você não pode fazer outra faculdade. E pode. A gente precisa.
Pode e merece.
A gente precisa pra viver em um mundo, a gente precisa fazer essas mudanças pra acompanhar todas as outras mudanças. Mudança interna com as mudanças externas.
E só vai conseguir fazer isso se conseguir olhar pra dentro e saber o que exatamente é importante pra mim, o que que eu quero viver, o que que é importante, o que que hoje eu valorizo demais, que eu não abro mão, que é o que você tá falando o tempo inteiro. Tem coisas que eu posso abrir mão, tem coisas que não dá. E quando a gente sabe fazer isso, quando a gente consegue ter essa visão de falar, não, isso aqui eu posso, isso aqui dá pra eu deixar de lado, isso aqui não dá, isso aqui é meu tempo, isso aqui é meu espaço, dá diferença enorme. Pena que a gente tem pouco tempo, eu quero muito que você possa deixar suas palavras e sinais, porque eu quero terminar essa live com a sua voz, porque jamais eu não ia aproveitar da sua voz pra gente deixar isso aqui.
Eu tô doida pra contar uma novidade, mas eu não vou poder contar ainda.
Ah não, não me faz isso que eu sou curiosa.
Não, eu te confio que eu faço um direct, mas assim, eu inclusive vou poder usar isso pra mostrar pras pessoas que por mais profunda que seja a queda, se você se cuidar, se você não ficar lá tanto tempo caída, né, porque a gente cai e levanta, evidentemente, Você volta pro jogo, sabe? Você volta a desempenhar aquilo que você ama. Ainda não posso falar. Só de eu começar a falar eu já choro, mas depois eu te falo, tá? Vivi, eu adorei o que você falou sobre o que eu posso abrir mão. Eu acho que hoje a gente precisa entender de qual estatística eu quero fazer parte. Sabe? Especialmente quando tudo isso acabar. De qual estatística eu quero fazer parte? das pessoas que desenvolveram ansiedade, entraram em depressão profunda ou não fizeram nada e saíram muito bem. Porque nós podemos estar limitados fisicamente, mas a nossa mente tá livre pra pensar o que a gente quiser. E saber que briga que eu vou comprar. Aonde eu vou colocar essa energia nesse momento e saber em que briga eu vou brigar por conta de uma coisa ou de outra, não sei. Mas a gente vai ter que escolher de qual estatística a gente quer fazer parte e que briga que nós vamos querer encontrar. E repito, se neste caminho de volta, nesse caminho pra dentro, pra você olhar pra sua agenda e se colocar mais como prioridade não for tão simples assim, não. esmoreça, não desista. Porque tudo que a gente começa a fazer tem que treinar. O Bernardinho dizia, se tá difícil é porque precisa treinar mais.
Ah, com certeza. Eu quero muito aqui te agradecer, Isabela, pela tua disponibilidade de bater um papo com a gente hoje. Foi enriquecedor.
Adorei.
Você trouxe dicas importantes para que a pessoa possa ter uma qualidade de vida adequada, para que a pessoa possa viver a vida que ela merece ter. Então, muito obrigada. Depois eu quero conversar com você em off. Saber de todas as novidades. Eu quero agradecer a todos que estiveram aqui com a gente. Muita gente aqui querida. Não deu tempo de falar de todo mundo. Porque a gente entrou num papo e dizer que a gente se encontra em breve. Você sabe disso, pessoalmente. Hoje é dia do abraço. Eu te mando um virtual. É mesmo? Ai, que delícia! Então eu quero te mandar um virtual hoje e logo, logo a gente vai estar dando esse abraço em você e todos que estão aqui pessoalmente, tá bom, minha querida?
Obrigada, Vivi. Um bom tempo pra todos nós. Tchau, tchau.
Maravilha. Tchau, querida. Tchau, gente.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








