Perdão: Um sentimento ou uma escolha? - Ïnterior Iza EP 27

Therapist and Jungian analyst Cíntia Bedim talks with host BELA about whether forgiveness is a feeling or a choice. They cover family constellations, emotional housekeeping to neutralize painful memories, and Ho'oponopono meditation as practical tools for moving toward freedom and responsibility.
Chapters
Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo. São crianças como você.
Hã?
Você vai ver quando você crescer. Tô abrindo este episódio com a música Pais e Filhos, de Legião Urbana, pra fazer uma homenagem ao Legião, pra fazer uma homenagem a todos os pais, a todos os filhos que já se deram conta que quanto mais harmonioso for o nosso convívio com nossos pais, mais harmoniosa será a nossa vida. Não é, Cíntia Bedim? Bem-vinda!
Obrigada de novo, Bela.
Vocês sabem que a Cíntia foi a segunda convidada do início do Tayloriza e é Primeira convidada que está vindo pela segunda vez, de tanto que pediram. Qual tema, Cíntia?
Perdão.
Perdão.
A gente ficou devendo, né?
Ficamos. E eu entendi que esse momento em que estamos comemorando o Dia dos Pais seria fundamental falarmos de perdão, porque, Cíntia, assim como eu, eu já culpei demais o meu pai. E aí as coisas começaram a se organizar quando eu entendi que o mais importante meu pai me deu. Que foi a vida. Então, obrigada, tá, pai? De onde você estiver, obrigada.
Ao meu também. Aí já não sei para qual câmera. Essa é aquela. Obrigada, pai. Aqui achei meu pai.
Lindo. Sim, eu sempre gosto de falar dessa música Pais e Filhos porque assim, a gente culpa os nossos pais por tudo, mas no momento em que eles tomaram as decisões Eles fizeram o melhor que eles puderam. O que isso tem a ver com o nosso momento?
O que tem a ver, Bela, é que dentro do sistema familiar ninguém— eu costumo brincar e acho que você já me ouviu falar disso, que karma não é endereço. Então nós chegamos na família que precisamos, a antroposofia tem uma ideia assim, que nós buscamos os pais que vão nos dar exatamente o que a gente precisa para nossa evolução. Nem mais nem menos. Então a psicologia fala que pai e mãe, eles são suficientemente bons, portanto eles nos entregam tudo que eles têm e tudo que eles receberam. E a partir disso que a gente vai começar a criar nossa sopa psíquica para entender qual que é a nossa força, qual que é a nossa potência, nossa competência de ir para a vida, para as realizações. Mas é claro que até você chegar nessa realização, Existe uma porção de degraus para essa evolução e um deles é o perdão. Esse é um dos grandes degraus da nossa evolução.
A Cíntia, ela é terapeuta analista junguiana, terapeuta integrativa e mescla vários tipos de medicinas, eu posso falar?
Medicinas orientais com as terapias integrativas.
E por que que é importante, né, eu trazer aqui o repertório da Cíntia? Porque são ferramentas que você utiliza para o autoconhecimento. Então, de repente, uma terapia X vai fazer mais sentido para você e uma terapia Y para você. Por que eu estou trazendo tudo isso? Porque quando eu cheguei na Constelação Familiar e comecei a fazer as pazes com todo o meu sistema, e eu acho que fazer as pazes é a melhor frase que eu posso encontrar nesse contexto, Eu entendi muita angústia que eu sentia, não precisava mais estar ali. Acho que foi quando eu realmente comecei a fazer a faxina emocional da minha vida, foi quando eu te conheci e começamos a fazer, começamos a utilizar várias ferramentas para o meu autoconhecimento. Então, para quem está nos acompanhando e está tendo o privilégio de te ouvir aqui no Interioriza, para quem não quer dar parabéns para o pai, Domingo, vamos já direto ao ponto. Para quem está com trem na garganta, "Não, não gosto", porque ainda está naqueles pensamentos: "Meu pai fez isso, meu pai fez aquilo, meu pai abandonou minha mãe, meu pai..." X. Para esta pessoa que ainda está precisando perdoar o pai, o que você orientaria?
Tem uma frase de Bert Hellinger que eu gosto muito, que ele diz que o pai Ele é aquele que dá a sustentação para a vida. Mas quando esse pai não está presente ou por qualquer motivo existem mágoas no meio do caminho, tudo o que a gente precisa saber é que independente do que aconteceu no passado, todos temos o direito de recomeçar. Se eu pensar: "Eu consigo devolver aos meus pais o que eles me deram? Foi a vida. Consigo pagar de algum jeito?" Não. Então, tudo que eu tenho que fazer é dizer sim para a vida, porque um dia um homem e uma mulher se encontraram e um dizendo sim para o outro concebeu você. E quando você chega à vida, é tudo que você precisa, estar aqui para passar por essa experiência. Então, dentro de um projeto que eu faço com crianças acolhidas, vítimas de violência, que são retiradas das famílias, Essas crianças, quando elas se tornam adolescentes, elas entendem que eles não precisam ficar parados brigando, conflitando com esses pais dentro de si mesmas. Elas se liberam e são as pessoas mais amorosas que eu conheço.
Sério?
Porque quando ela se libera da dor, e isso é perdão, perdão de perdonare, né? Per vem de completo e donare de doar. Então entregar por completo. Só que eu só entrego por completo aquela experiência que eu mergulhei, que eu busquei entender. Então perdão não é colocar embaixo do tapete ou fingir que não existe, porque a gente entende que a gente tem que ser grandioso demais, amoroso demais, iluminado, um Cristo para perdoar. Só que perdão não é sentimento, perdão é escolha. Então eu escolho perdoar, não é um sentimento. Eu não preciso ter um sentimento profundo para perdoar. Eu preciso ter uma consciência, uma consciência de escolher se aquilo que aconteceu há 20 anos atrás vai continuar me ferindo hoje. Uau! Porque se eu entendo que aquilo que aconteceu no passado está no passado, eu lembro, tenho memória, mas eu neutralizei com aquela dor, eu escolho deixar a dor lá, eu não preciso carregá-la comigo. Então isso é perdão, é neutralizar. Porque a gente tem todo um contexto muito religioso em cima do perdão. E eu diria que o perdão cabe em toda e qualquer situação que a gente precise neutralizar memórias, neutralizar as dores. Então é se desprender. E quando eu me desprendo, eu me liberto, eu consigo seguir adiante.
Esse é um daqueles episódios que eu vou pedir para você ouvir algumas vezes. Até agora não foram nem 10 minutos e a Cíntia falou sobre neutralizar memórias, que não significa jogar debaixo do tapete ou fazer de conta que elas não existem.
Exato.
Eu queria que você falasse um pouco mais sobre isso, porque agora me pegou. Neutralizar memórias. Então, se eu tenho uma memória— Outro dia eu ouvi uma mãe que numa festa viveu lá uma circunstância e naquela relação sexual daquele dia engravidou e nunca mais falou com a pessoa. Mas eles disseram sim, como você falou, naquele momento um disse para o outro sim. O que aconteceu depois nós não podemos prever em falar. Mas para aqueles que ainda estão com essa dor, porque eu sei que se fosse fácil perdoar, nós não teríamos tantas pessoas em sofrimento. Então queria que você falasse um pouquinho mais sobre a neutralização das memórias.
Para esse caso em especial que você trouxe, esse filho, essa filha vai ter, claro, muita curiosidade em saber quem é o pai e tudo mais. E num primeiro momento ele vai ficar carregado do olhar da mãe, só que o olhar da mãe em relação a esse homem que momentaneamente foi namorado, marido, ou só um encontro essa história é deles. Então tem uma frase ainda na constelação que a gente diz para pai e mãe: eu respeito a sua escolha e o seu destino. Quer ver um exemplo legal? A minha mãe, ela é aquelas italianas, né, que fala bastante com as mãos e tudo mais. Conhece, né? E quando ela vem reclamar, né, do meu pai, eu falo assim: olha só, mãe, marido você podia ter 300, podia escolher um por ano. Mas pai, eu só tenho um. Então o meu olhar para ele é de filha. Eu não posso comprar o olhar da minha mãe sobre o meu pai. Porque essa história é deles. Eu sou fruto dos dois, eu tenho 50% de material celular de cada um. Então eu tenho que pegar essa massinha, ver o que eu trago de melhor, porque eu falo que dentro de casa a gente tem dois exemplos de como ser e como não ser. Então veja o que você quer ser, não precisa ser a mãe, ser o pai. Você precisa ser você, mas para isso você precisa integrar. Eu escolhi a psicologia analítica porque justamente o analítico significa integral. Então você busca entender as polaridades, você busca o simbólico, ou seria a psicologia simbólica, o simbólico aos símbolos que a vida vai trazendo. Símbolo significa inteiro. Você vê, ó, simbólico inteiro, diabólico pela metade. Então, quando a gente entende que eu posso ficar partida, eu posso ficar parada numa parte ofendida com algo que alguém me fez, ou eu posso simplesmente olhar, dar um passo para trás, olhar a integralidade da situação e perguntar: para que que eu precisei dessa experiência? Isso me ajuda no quê? Para onde isso me leva?
Excelente! Repete.
Então, eu posso olhar né, para toda experiência ficar parada numa parte. Pega um quebra-cabeça de mil peças, aí uma partinha ali que ficou faltando, você fica: "Ai, meu Deus, faltou, não tem, e agora, o que que eu faço? Eu posso dar um passo para trás?" Posso ir lá, dar um jeitinho, pintar de canetinha, qualquer coisa. Use sua criatividade. Mas dando esse passo para trás e olhando a totalidade da experiência, a gente consegue compreender o todo e não fica paralisado numa parte. Porque, por exemplo, ofensa. Ofensa significa ataque. Então me sinto atacado, quero atacar de volta. Só que às vezes faz 20 anos que você foi atacado numa situação lá.
E ainda está preso.
Está preso. A pessoa já morreu e está brigando com a pessoa ainda. Então, do ponto que você me traz: "Ah, mas e para quem não conheceu o pai?" Sinta o seu pai na vida que você tem. Sinta e pense: esse pai gostaria que eu fosse além de onde ele foi. Então busque caminhar para além. Isso é construção de consciência, isso é construção de propósito, isso é sair da cadeira da vítima e ir para a responsabilidade pela vida.
Quando você diz que perdão é escolha, para aqueles que estão nos assistindo e ainda precisam interiorizar, A grandiosidade do perdão. O que você vê na prática? Preciso pegar um lápis e papel. Eu adoro fazer lista, porque a gente precisa fazer lista até para ir no mercado, né, gente, para não esquecer coisas importantes para a gente comer. Imagina se a gente não precisa fazer lista sobre nós, quem somos. Esse seria um caminho? Lápis e papel? Por onde a gente começa o perdão?
O perdão começa na análise, na autoanálise, porque se eu não tenho consciência, se eu não tenho estrutura, Eu vou ficar parada lá na criança interna que ficou: "Eu quero assim, não tá do meu jeito" e fica brigando com aquilo. Então você pode fazer uma listinha, por exemplo. Então pega aí, pensa numa pessoa que você tem alguma coisa a perdoar. E aí, papel e caneta na mão, você escreve qualidades e defeitos. Eu gosto muito de levar isso pra terapia de casal, porque terapia de casal é espelhamento, né?
Ui!
Então assim, o relacionamento a dois é um palco de espelhamento. Então tudo aquilo que eu vejo, adivinha? É só um reflexo. Total. Só que às vezes não é um reflexo na totalidade. Então tem pessoas que falam pra mim: "Não, mas isso que eu disse sobre o outro não me pertence." Pertence em uma fração. A gente só tem que encontrar qual fração. Então olhando qualidades e defeitos, os defeitos que você vê no outro, busca em você. Busca entender onde, em que fração aquilo ressoa em você. Porque ressoa, então a gente só enxerga Aquilo que eu já conheço. Não posso te levar para um lugar que eu não sei o que tem. Eu só vou te levar para um lugar que eu já sei o que existe.
Isso é bom, hein, gente?
Não é? Então esse é um primeiro caminho. Um segundo caminho tem lá no meu canal do YouTube uma meditação chamada Ho'oponopono. É uma técnica havaiana e essa palavra significa ajustar, colocar ordem, organizar, rever. Quando a gente faz essa meditação, ela é um exercício que vai neutralizar, vai conversar direto com a memória. Ela tem 4 palavrinhas lá que diz: "Sinto muito, me perdoe, te amo e sou grata." Essas palavras não são para quem te ofendeu, elas são para a memória da dor. Porque quando você escolhe soltar a memória da dor, você solta a pessoa, porque às vezes você está carregando aquela pessoa "com você todos os dias, porque amor ou ódio faz emaranhamento energético." Nossa!
Libera a pessoa, gente. Libera a pessoa. Eu adoro o Ho'oponopono em vários momentos ao longo do dia que eu poderia arrancar os cabelos, aí eu começo o Ho'oponopono para já desviar minha atenção daquilo que está me incomodando e já já eu compreendo. Assim, em instantes eu já compreendo. Na hora eu posso ficar chateada, às vezes brava, às vezes irritada, você já me ouviu falar, eu já entrevistei a monja Coen 3 vezes e a monja se estressa, então todos vamos passar por situações que nós não teremos recursos. A diferença é se você vai fazer isso quantas vezes, já sabendo o que te incomoda e tal. Gostei muito quando você falou sobre qualidades e defeitos, o que é mais forte para você? Você quer continuar reclamando de alguma coisa que seu pai fez ou agradecendo que ele te deu a vida.
Inclusive porque ele vai te trazer situações que você vai absorver e que você vai descartar.
Por quê?
Porque tudo aqui é contraste. Tudo é contraste. Eu não vou saber o que é claro se eu não souber o que é escuro. Então se ele me traz algo que eu não quero, que bom, porque assim você busca o que você quer. Então nós somos livres. E essa condição de não perdão É o que nos aprisiona dentro das situações e que faz o entrave completo na nossa existência.
Pronto. E para aqueles que estão nos acompanhando em que as mamães provavelmente erraram a dose, como tempero, né? Se a gente coloca muito, fica ruim, pouco, fica ruim. E aí colocaram uma visão desse pai que fez o que fez porque era o melhor que ele podia fazer naquele momento, com as condições que ele tinha. E esse adulto que agora que agora está nos ouvindo, até está fazendo sentido. Opa, faz sentido. Como lidar então com essa mãe que ainda vê aquele homem que disse sim naquele momento como um algoz? Porque aí eu também acredito que muitas pessoas deixam de perdoar o pai por honrar a mãe. E aí? Estou complicando aqui, estou me aprofundando.
Está se aprofundando, mas vamos lá. O filho, ele vai estar conectado emocionalmente, inconscientemente, à mãe até 7 anos completos. A gente diria do 0 ao 6, na esfera materna. E depois disso ele vai aprender emocionalidade, conteúdo inconsciente, com esse pai. Então seria dos 7 até 15 completos. Só que a mãe precisa fazer a liberação, mesmo que seja de forma inconsciente. Ninguém nasce sabendo sobre essas coisas. Estudar, né? Mas quando a mãe não libera esse filho, esse filho fica ali na esfera materna e continua. Então eu preciso liberar o meu filho porque, olha só, a segurança da mãe é pele, né? É peito, é colo, é aconchego. Caiu? Vem aqui, eu passo uma pomadinha. A segurança do pai é aquele segundo momento: vai andar de bicicleta, vai brincar na água, joga a criança para cima, a mãe: ai, meu Deus, vai afogar meu filho. Então assim, a segunda parte da nossa vida é a está aprendendo segurança para ir para a vida. Bert Hellinger diz: o pai não é só aquele que leva a filha até o altar, mas é também aquele que leva os filhos em direção à vida em segurança. Então é a execução, a realização da vida. A primeira parte é elaboração: eu tô aprendendo, eu tô estruturando, eu tô organizando. Essa é a mãe dentro de nós. A segunda parte é o pai. Então esses dois têm que compor E aí, compondo feminino e masculino dentro de nós, eles dançam uma linda valsa. Mas para as mamães que não conseguem liberar, já começa a trabalhar aí o perdão. Por quê? Porque eu preciso liberar meu filho, senão eu ali na frente vou começar a cobrar porque ele não vai para a vida, porque ele não trabalha, porque ele não quer estudar, porque não sei o quê, justamente porque ele foi programado para ficar na esfera materna. Geralmente o filho que tem uma programação de esfera materna, mas consegue sair pra vida, ele sai, mas ele não consegue se conectar a nenhuma mulher. São os famosos Dom Juan. Então ele é um sedutor. Então ele começa a seduzir mulheres pra validar a sedução que ele tem com a mãe. Mas ele tá sempre em triangulação, ele não consegue se liberar pra viver uma vida a dois. Olha que interessante.
Esse vai ser papo para o terceiro, tá? Preciso voltar aqui para o pai, preciso voltar para o pai, porque você vê, né, gente, a gente vai desatando os nós à medida que a gente vai se aprofundando e eu tenho certeza que em alguma parte de você está fazendo sentido o que a Cíntia está transmitindo para nós. A Cíntia também é um instrumento de todos que passaram antes de nós, não é, Cíntia? Nos ensinando e trazendo conhecimento. O que eu ganho em perdoar?
Liberdade. Você ganha sua liberdade. Porque você imagina, se eu te falasse assim, você vai falar para mim: "Ah, mas eu não posso perdoar fulano porque não tem aquelas coisas que quem perdoa é Deus." Não. Vamos supor que numa discussão alguém te chamou de incompetente. Eu não estou aqui tirando o direito de ninguém de ficar bravo, tá? Pode ficar bravo, pode reagir, não tem problema. O problema é o depois, o que você faz com isso depois. Porque você começa um diálogo interno e aí você fica: "Ah, porque fulano falou isso, porque..." Aí começa o ego, começa a doer, começa a doer e você sustenta. Então, o que é a mágoa? A mágoa é justamente aquele pontinho lá do seu ego que ficou muito bem estruturado para você confirmar que você não é incompetente. "E aí, você precisa disso?" Porque dentro de você... Resíduos, né?
Resíduos.
E continua brigando. E briga com isso anos. Então, mágoa, né? Eu gosto do nome. Má-água. Você tem 70% do corpo é água, então imagina a água parada, é água podre. E aí ali na frente, doença somatizada. Desde pneumonia até câncer, várias por aí.
Sim, a metafísica da saúde explica bastante isso, tá, gente?
Exato. Então, inclusive, estou montando um curso sobre isso.
É mesmo?
É mesmo.
Mentira! Eu doida para fazer!
Estou montando, já já está pronto, vai estar no forno.
Depois a gente divulga, tá, gente?
Então, quando você decide: "Peraí, eu preciso ficar nesse diálogo interno me provando que eu sou competente? Isso é verdade ou é mentira? Por que isso me afeta ainda?" Então, se te afeta, é porque um pedacinho de você concordou com aquela ofensa. Então, quando eu me estruturo emocionalmente, eu vou escolher se eu concordo, se eu não concordo, né? Porque sendo verdade ou não, se for verdade eu posso me trabalhar, se for mentira eu não preciso ficar dando atenção.
Perfeito. Gosto muito quando você— gostei muito quando você trouxe que perdão é escolha. E aí agora quero fazer uma pergunta para você que está nos acompanhando. Você prefere escolher continuar em um sentimento que não está te trazendo boas lembranças, vibrações, energias, ou prefere escolher ressignificar a sua memória e entender o quanto aquilo pode te trazer de aprendizado? É uma escolha. E não está no outro, está dentro de mim. O que o outro fez, o outro fez. Como eu vou reagir, sou eu que vou reagir. Vai depender muito do meu repertório também. E de repente pode ser que você não consiga fazer agora ou imediatamente quando alguém te ofende ou quando você é afetado por algo, mas é muito importante. Eu vou usar agora os resíduos emocionais trazendo tangibilizado como lixo, tá? Eu vejo na minha casa, quando eu vou deixando o lixo na lavanderia e tô sem tempo para levar, né, para o lugar adequado do dos recicláveis e tal, eu não estou vendo, está lá na lavanderia, mas vai começando a ficar um cheiro tão ruim. Acho que nós já falamos outra vez. Para mim essa metáfora é perfeita, porque aquilo que eu não vejo necessariamente não me afeta. E aí a casa começa a cheirar mal. E o que eu preciso fazer? Pegar o lixo e levar. E levar para o lugar adequado. No caso das emoções, eu acredito que todas podem ser recicladas, assim como o lixo pode ser reciclado? Nada se perde, tudo a gente pode reciclar. Posso fazer isso com os sentimentos? Reciclar?
Com certeza, até porque o sentimento ele é fruto de um primeiro impacto. Emoção é uma coisa, sentimento é outra. Então o sentimento você é responsável por gerar, nós somos criadores. Então eu posso escolher criar um sentimento produtivo ou improdutivo. Posso escolher ampliar aquela dor para entender e integrá-la à minha experiência, ou eu posso congelar no tempo e no espaço e ficar ali chorando porque algo me aconteceu.
Tá me ocorrendo aqui para a gente falar um pouquinho mais sobre emoção e sentimento. Eu vou trazer a minha visão, você traz a sua e a gente se complementa. Emoção é quando você reage diante de uma situação, então é o imediato. E sentimento é construção. Então, se eu sinto algo diante de uma situação, é imediato. Se eu vou ficar pensando naquilo, vai ser um sentimento que eu vou construir. É mais do que "ai, mas isso é sentimento, isso é emoção". Você sabe o que eu estou dizendo. Quando você reage diante de uma situação com muita alegria ou com muita tristeza. Agora, sentir Tristeza por algo que está lá atrás, de repente você está preso a algo que já foi. Olha só, a fita já rodou, a Terra já está girando em torno do Sol outra vez e você está lá preso. Mas não é fácil, não é?
Fácil não é, mas quando a gente escolhe o caminho da construção, o caminho da consciência, a gente começa a se responsabilizar, porque tudo, todo o resto é construção nossa. Inclusive a responsabilidade, né? A gente é 100% responsável por aquilo que a gente atrai, por aquilo que a gente vive. Então existe um meio que a gente está conectado. Agora, se eu estou conectado a essa mágoa, vai acontecer o quê? Eu vou criar uma crença em cima disso, vou entender que só existe isso, e aí eu vou ficar repetindo com outras pessoas, porque a minha crença já validou aquele lugar, já validou que a minha tela de realidade só comporta aquele pedacinho.
Exato. Já disse Saint-Exupéry no Pequeno Príncipe, um dos livros mais lidos em todo o mundo: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Na prática, só você pode atrair as coisas para você. E isso é tão transformador quando a gente assimila isso, porque você entende quem são os professores, quem está passando na sua vida para apenas passar ou quem está passando para ficar.
"O Pequeno Príncipe" é ótima leitura.
Nossa!
É incrível, até porque o Pequeno Príncipe faz toda uma jornada, né? Ele conhece vários planetas, vários personagens, em busca de entender o outro. Sabe que as pessoas julgam muito o termo príncipe e princesa, mas eu, como boionguiana, príncipe significa principiante, aquele que inicia, aquele que aceita a jornada da vida. O Pequeno Príncipe faz justamente isso, ele é o principiante que vai buscando entender e recolher coisas para o crescimento dele. Então, a gente tem que se colocar como aprendiz da vida todos os dias.
Repete.
Nós temos que nos colocar como aprendiz da vida todos os dias.
Eu não vou falar para você repetir de novo, porque vai ficar deselegante, mas tínhamos uma rádio aqui que a pessoa falava: "Ora, repita, repita." Eu tenho que fazer piada para que você que está nos ouvindo, chacoalha e mexa o que está ainda preso. Vou repetir uma frase que vai fazer muito sentido: só você pode atrair o que você precisa. E a gente só pensa que a gente só pode atrair coisa boa, ou que não vai atrair também situações desafiadoras para a gente aprender. Eu me dei conta disso quando eu fui assaltada. Antes de eu ser assaltada na porta da minha casa, à mão armada, Eu tinha acabado de fazer uma cirurgia, essa é uma história pública, então não tenho por que esconder. Depois que eu agacho no chão chorando, daquele trauma, vejo meu carro indo e eu com a perna toda... Me veio assim à cabeça: "O que eu fiz antes disso aqui?" Eu devia ter ficado umas 3 horas me colocando como vítima numa situação X. É como se o universo me dissesse assim: "Espera lá, que agora você vai entender." o que é ser vítima de algo. Então, só nós somos capazes de atrair o que precisamos para evoluir. Isso não necessariamente vai ser um bônus, uma festa, que a gente só coloca a nossa felicidade nesses momentos que padronizaram como adequados, como bons, e nem sempre. Eu aprendi a aprender É ter vigilância constante. A espiritualidade fala muito isso, vigilância constante. E fico me treinando, observando. Ah, não consegui fazer 100% aqui, então na próxima eu coloco mais atenção para não repetir essa situação.
É, nossa sociedade, você usou a palavra felicidade, né? Nossa sociedade vende felicidade como se fosse algo possível, comprável, possível por 24 horas ou 27 horas por dia. Mas olha só, a raiz da palavra felicidade vem de félix, fruto. Fruto, então é o nosso fruto, é o que eu estou produzindo para a vida, o que eu estou servindo à vida é que vai voltar como aquilo que eu fiz e aquilo que me deixa feliz.
Uma aula, né, gente? Vou pedir para você repetir de novo, que é só agora você voltar o conteúdo. Cintia, antes da gente Quero te convidar para a cerimônia das areias. Todo convidado que vem, eu deixo aqui um pouquinho de uma areia de cada cor. Espero que você escolha uma para que você coloque aqui nesse garrafão não só a sua areia escolhida, mas suas intenções. Porque o estado da arte nós podemos viver todos os dias, né? Quanto mais beleza nós criarmos ao nosso redor, mais fluida ficar a nossa vida. E aí sim a gente vai poder atrair, né, coisas e pessoas e conteúdos e oportunidades que a gente está precisando de fato. Assim como você me trouxe aqui informações maravilhosas, eu já não sou a mesma do início desse podcast. Não dá mais para a gente se separar, né? Então eu gostaria que você escolhesse uma areia, porque cada convidado vem Já já isso aqui vai estar uma arte linda. Eu quero ter vários garrafões desse assim, sabe, para entrevistar muita gente com excelentes intenções, para a gente ir fazendo a nossa arte. E aí, ao escolher, você vai desejando, tá, alguma coisa para quem tá nos acompanhando.
Bom, eu escolho a rosa.
Que linda!
Coraçãozinho rosa aqui, porque eu acredito que apesar do perdeu não ser um sentimento, ele é escolhido? Ele só pode ser escolhido como um dos tijolinhos que vai fazer parte de um sentimento maior, que eu acredito que é o maior sentimento do planeta, é o amor. Então a gente não consegue chegar a lugar nenhum se a gente não escolher o amor próprio, o amor pela vida e o amor pelo outro, o amor pelo papai e pela mamãe que nos trouxeram até aqui para que a gente vivesse essa experiência incrível. E quem não acha a vida uma experiência incrível é porque não olhou direito. Então eu deixo a minha parcela de amor e consciência.
Amor e consciência. Você falou agora quem não olhou para a vida de forma—
Quem não viu como a vida é incrível é porque não olhou direito. Tem que olhar de novo.
Você sabe o que eu vou te pedir, né? Ouve de novo. A gente vai encerrar aqui esse episódio muito especial para mim, porque eu aprendi a perdoar o meu pai com você. E essa experiência foi tão transformadora na minha vida que eu gostaria que todos que estivessem conosco pudessem, pelo menos pensar na possibilidade de perdoar Não só seu pai, mas quem quer que seja. Vai ficar mais leve continuar. Você vai conseguir se encontrar de verdade debaixo de resíduos, de mágoas e rancores que não vão te levar mais a lugar nenhum. Nenhum. Então foi uma aula, foi um privilégio ter você aqui. E domingo, eu não tenho mais o meu pai, né? Meu pai, ele partiu já faz Faz mais de 20 anos. Então, para você que não tem o seu pai pertinho, eu sugiro que você pare um pouquinho e agradeça o quanto ele foi importante para você estar aqui. E aí eu gostaria assim, tipo, para encerrar, que você então dissesse para quem está nos acompanhando, para quem tem o pai pertinho, o que que a gente pode fazer esse domingo?
Faça diferente. Faça melhor do que você recebeu. Eu aprendi a dizer "eu te amo" com os meus filhos. Ensinei meus pais. Então faça isso. Mesmo perto, longe, não deixa de dizer para os seus pais. Se você não sentir amor, tudo bem. Mas se você sentir que eles merecem a sua gratidão, diga: gratidão, porque graças a você eu tenho a minha vida e eu posso realizá-la. Em nome de todos aqueles que não conseguiram antes de mim.
Então, ó, que você possa abraçar o seu pai onde quer que ele esteja e agradecer, assim como eu agradeço também pelo seu tempo, confiança, por ter ficado aqui conosco. Cíntia, quem quer ouvir as suas meditações ou quer acompanhar o seu conteúdo, quais são os canais?
Instagram, Terapeuta Cíntia Bedim. YouTube. Lá no Instagram tem o Linktree, né? Então a pessoa entra ali já Vai ser direcionada para o YouTube, que é Eu Sou o Caminho da Consciência.
Assim que é o caminho da consciência, gente. Obrigada, minha querida. Volte sempre, tá? Até breve.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








