Por que ansiosos e deprimidos? com Irene Reis

ISA and Irene Reis discuss why young people today struggle with anxiety and depression, pointing to the absence of stable adult figures in their lives. They argue that community and consistent adult support are essential for children's wellbeing.
Chapters
Essa geração neném é um reflexo de crianças que ficaram muito tolidas?
A gente pode ter um programa inteiro para falar só dessa geração neném. Sempre são multifatores, né? Mas existem correntes teóricas que mostram que a ausência do adulto gera também essa insegurança e esse medo do estar no mundo, que gera ansiedade. A ausência de figuras adultas que representem não ordem, não autoritarismo, mas amparo, acolhimento e amorosidade. E olha que eu não tô falando da ausência de pai e mãe, eu tô falando da ausência de adultos.
Adultos.
Percebe? E aí a gente volta na comunidade. É preciso toda uma comunidade para que essa criança floresça. Mas a gente precisa aprender a viver relações de comunidade, que é a nossa matéria pendente. A gente vive competindo. Poucas pessoas têm a abertura que você dá, por exemplo, para pessoas como nós, que também falamos de saúde mental, virem no seu programa. Há muita gente que olha para a gente e fala assim, não, eu já falo de saúde mental. Você vai falar de saúde mental? Está concorrendo comigo. As pessoas não têm essa mentalidade de que quanto mais... Comunidade. Comunidade. Quanto mais nós falemos sobre a mesma coisa, nunca o seu repertório vai ser igual ao meu, nem o contrário. Então, o importante é que mais gente fale sobre isso. Então, a Angelina chega num parque, eu tenho certeza que ela tá buscando um amiguinho pra brincar. E num instante, ela já vem. Mamãe, eu fiz um amiguinho. Como é o nome? Ela nem sabe. Não importa o nome. Ela tá brincando. se entregando, ficando comum, ficando igual a ele, percebe? E a gente tem essa pendência ainda. A gente se vê muito como rival, muito competitivamente, e a gente precisa entrar numa comunidade de pessoas que cooperam e florescem juntos.
Eu vou fazer uma frase e você completa, tá? Então, de tudo que eu aprendi aqui hoje com a Irene Reis, eu entendi que Crianças com ausência de figuras adultas têm mais chance de ficarem entre essa geração de 15 a 29, nem trabalha, nem estuda e, consequentemente, perdidas, sequeladas, doentes.
E, consequentemente, teremos no futuro uma sociedade morta, apática. A gente precisa desenvolver uma humanidade ainda, a gente precisa desenvolver humanos praticantes, como eu digo sempre. Eu construí esse termo pensando assim, Tem gente que é humano não praticante. Sabe o IBGE? Quando passa e pergunta assim, qual que é a sua religião? Sou católico, mas não praticante. Faz nenhum sentido isso. E tem gente que estende isso a ser humano não praticante. Então, humano não praticante é aquele que, tendo cara de gente, corpo de gente, gente não é. Ele não aproveita esse pequeno tempo, curto espaço de tempo que ele está aqui, para ser amor e ser acolhimento. Então, a nossa humanidade pode desaparecer. O nosso planeta não precisa do humano. Ele sobrevive melhor, inclusive, a pandemia mostrou isso, sem o humano. Mas é o humano que tem a consciência ou deveria desenvolver a consciência disso e preservar a sua própria espécie, todas as outras e o próprio planeta. Então, esse caminho é um caminho de destruição da espécie. Veja, licença-paternidade ainda hoje no corporativo é um tabu. A gente ainda fala de 5 a 20 dias de licença-paternidade.
E quando existe, os pais não tiram com medo do que os colegas vão dizer.
Exatamente. A gente tem essa juventude que está sofrendo de ansiedade. A gente tem um aumento, Isa, de 136% de casos de ansiedade, depressão. Ideação suicida e até suicídio consumado, cada vez com menos idade, 12, 13 anos de idade, acontecendo independentemente da classe social. A minha imagem, na minha tela mental, vem alguém cheio de energia, abriguento, contestador, perguntador. ativo, produtivo. Não vem essa pessoa desamparada, sozinha, apática, sem energia, que de repente atenta contra a sua própria vida porque não se sente pertencente. Se a gente dorme com esses dados, eu vou te dizer, eu não consigo.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








