Por que é bom ser criança? com Irene Reis

Irene Reis, an educator and neuroscience specialist, talks with ISA about why curiosity and creativity matter so much in childhood and how schools often kill them off. She explores what young people face today and why staying curious as an adult matters.
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O que você quer ser quando crescer? Quantas vezes a gente ouve essa frase, quantas vezes a gente fala, faz essa pergunta para as crianças? Agora, o problema é quando a gente cresce, que aí dá a impressão que a gente não precisa mais repensar essa pergunta. Por isso que nós estamos aqui com a educadora, especialista em neurociência e comportamento, Irene Reis. Irene, seja bem-vinda à Interiorisa.
Muito obrigada, Isa. É um prazer, uma honra estar aqui com você. Muito obrigada por essa oportunidade.
Muito feliz em te encontrar. A Irene, ela é autora de alguns livros, um deles é esse aqui, Mano Linda. O que você quer ser quando crescer? E nessa jornada, a Manu passa por várias experiências.
Exato. Toda criança gosta e curte tudo que vê, se a gente não tolher esse encantamento e essa vontade da descoberta. Portanto, a gente nunca devia perder esse eu perguntador. A gente devia alimentar cada vez mais. Só que quando você fica num automatismo, numa educação que te põe contendo este corpo e passivamente recebendo transmissão de conhecimento, esse eu perguntador vai morrendo. O interessante é que você coloca essa criança na escola e você contém esse corpo e dá uma educação transmissiva que faz com que ela não faça perguntas, com que ela memorize datas e fatos e vomite na prova aquilo e o resultado da prova diz que ela tem sucesso ou não tem sucesso, você já mede alta performance na escola, né? Só que depois você chega no corporativo e aí você percebe que essas pessoas não são criativas. Aí você tem que pagar milhões de reais para dar formação para as pessoas do corporativo se tornarem criativas. Justamente aquilo que você já era por natureza, que te colocaram numa caixa para você deixar de ser, agora faz falta. Então percebe porque a gente precisa circular entre a educação escolar e a educação corporativa constantemente, para a gente sair da caixa, desbloquear para sempre essa criatividade, para que a gente não deixe nunca de fazer pergunta e desenvolver pensamento crítico com a leveza do lúdico, que não é o brinquedinho só, também é o brinquedinho, mas o lúdico é a sua capacidade imagética, a sua capacidade de imaginar cenários e mundos possíveis a partir das perguntas que você faz.
Atenção, aviso de programa... que vai fazer você repensar algumas coisas, tomara, que ao fim desse programa você tome mais iniciativa para desaprender para aprender. Nós estamos fazendo esse programa especial para o dia das crianças, 12 de outubro, mas 12 de agosto foi o dia da juventude. Como que estão essas duas jornadas, da infância até a adolescência e o quanto a falta de educação, de um pensamento mais complexo nesta formação, o quanto a falta disso pode produzir adultos disfuncionais.
A disfunção vem principalmente pelas questões que envolvem a saúde integral do sujeito. O que é essa saúde integral? A gente separa desde sempre mente e corpo. como se pudesse haver saúde mental e saúde física. Quando essa criança não é vista, claro que ela vai adoecer. Nós somos adultos sequelados e adoecidos necessariamente, e eu não tenho medo de falar sobre isso. Por quê? Veja bem, quando a gente fala de criança, a gente precisa começar pela definição do que é criança. Tem uma definição que eu gosto muito, que é a criança é a mensagem viva que enviamos ao futuro. Quem falou a um futuro é um tempo no qual não estaremos. A criança é a mensagem viva que enviamos a um tempo no qual não estaremos. Essa definição não é minha, é do Neil Postman, que é um teórico muito importante. E ele faz a gente pensar justamente o quê? O que a Angelina vai manifestar no mundo a partir de quem somos nós hoje? Ela necessariamente é essa manifestação.
Quando a gente tá falando desse jovem, nós estamos falando de que faixa etária?
De 15 a 29 anos de idade. É uma faixa etária altamente produtiva, A gente contava com essa faixa etária altamente produtiva, até porque a nossa pirâmide etária está assustando, a gente está ficando velhinho. Portanto, a gente está saindo daquele lugar de mão de obra produtiva, como o mercado enxerga a gente. E a mão de obra mais produtiva, que é essa de 15 a 29 anos de idade, nem estuda, nem trabalha. Mas ela é resultado dessa mensagem que nós enviamos a um momento em que não estávamos. O que os pais e avós imputaram ali naquele cerebrinho para que esse jovem chegue hoje com essa pouca, digamos, vontade de entrar nesse mundo corporativo ou nesse mundo acadêmico. Existem muitos estudos mostrando estresse e ansiedade do mundo acadêmico que exige alta performance. Se você não publicar não sei quantos artigos acadêmicos, você tá fora. E no mundo corporativo igual. Então essas crianças, se vêm de uma classe média alta, por exemplo, eram pobres crianças ricas que não conviveram com seus pais. Então por que eu vou repetir essa mesma vida que os meus pais tiveram de ausências? Eu trabalhei em muitas escolas internacionais de elite de São Paulo e a gente às vezes pensava que o motorista da criança era o pai da criança. E a gente tinha que ser esclarecido de que não é o pai, é o motorista. Mas é o motorista que ia à reunião de pais, era o motorista que estava falando com a gente sobre a nota baixa, era o motorista que falava com a gente sobre a merenda, percebe? Então você diz, puxa, de fato essa criança está terceirizada. A gente tem essa juventude que está sofrendo de ansiedade. A gente tem um aumento, Isa, de 136% de casos de ansiedade, depressão, e de ação suicida e até suicídio consumado, cada vez com menos idade, 12, 13 anos de idade, acontecendo independentemente da classe social. Só a semana passada a gente teve, a gente tem anúncios, não da semana passada, mês passado, ano passado, o tempo todo a gente tem anúncios de jovens que atentaram contra a sua própria vida. Agora você vê, quando Eu penso em jovem, se eu te falo assim, pensa numa cadeira, pensa numa mesa, pensa num sofá, você tem imagens mentais. Pensa num jovem, você tem uma imagem mental. A minha imagem, na minha tela mental, vem alguém cheio de energia, abriguento, contestador, perguntador, ativo, produtivo. Não vem essa pessoa desamparada, sozinha, apática, sem energia, que de repente atenta contra a sua própria vida porque não se sente pertencente.
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O processo de reconhecer limites, mesmo quando a vida parece exigir sempre mais.

Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








