Precisamos falar sobre suicídio! - Live com o Major do Corpo de Bombeiros de SP Diogenes Munhoz

Isabela Camargo talks with Major Diogenes Munhoz from the São Paulo Fire Department about suicide prevention and how first responders handle mental health crises. The conversation covers what firefighters see on calls, why talking about suicide matters, and how to treat people in crisis with humanity instead of judgment.
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Olá, olá, boa noite, boa noite, oito e meia. Nós vamos começar mais uma live. Enquanto o nosso convidado não entra aqui, eu quero saber se vocês estão me ouvindo bem, se a luz tá boa, se tá tudo certo. A gente vai ter um assunto aqui muito importante, que faz muito tempo que eu já quero abordar. Entendo que esse é um momento muito importante para a gente falar sobre suicídio. É um assunto que a gente evita, né? Todo mundo olha assim, meio tocha-nariz, não quero falar sobre o assunto, mas nós precisamos sim falar sobre o assunto. Eu não sei vocês, mas todos os dias alguém me procura, ouço alguém me dizendo que conhece alguém ou que o marido ou a esposa desistiu. não encontrou alternativas. E aí eu vou ter o privilégio de dividir com vocês aqui o tempo do Diógenes Martins Munhoz. Ele é major do Corpo de Bombeiros aqui de São Paulo, uma pessoa incrível, inclusive ensina as pessoas, e eu acho que vai dar tempo dele falar sobre isso aqui, ele vai nos ensinar como nós podemos também agir diante de uma pessoa que está, né, é o tentante que ele chama. Nós vamos conversar então com ele para que esse tempo seja muito bem aproveitado. Enviem suas dúvidas, é um espaço super importante pra gente falar para promoção à vida. Recomendem para os seus amigos, enviem aqui o sininho e já já o Diógenes, o major do Corpo de Bombeiros de São Paulo, já vai dividir tela conosco. E agora que eu vi que eu tô com essa blusa, né, Life, não foi pensada. Olha que curioso, né? Foi uma grande coincidência. Diógenes, eu já dei um ok aqui, tá? Só estamos, então, aguardando você aceitar. A Cleide já tá dizendo, né, na minha cidade Itapira acontece muito. Então, Cleide, tem muita gente falando sobre o assunto, né? O Marcos tá perguntando, não tá rodando no YouTube? Já, já vai pro YouTube, Marcos. Porque pra gente poder fazer Instagram e YouTube tem uma dinâmica um pouco mais complexa e aí nem todo tempo a gente consegue fazer. Eu tô aguardando aqui o Diógenes. Se você tiver com algum problema, Diógenes me avisa. Estou aqui. Você pede de novo, então? Porque eu só consigo aceitar a sua solicitação. Instagram tem dessas também, né? Você envia de novo, Diógenes. Vou pedindo aqui a paciência e a compreensão de todos vocês. A gente tá no prime time, né, do Instagram. Então, às vezes, a gente tem umas paradas assim. Diógenes, se você quiser, eu encerro e aí começo de novo. Pronto, vamos lá. Martins, parabéns pelo sucesso na nova casa. É, eu não voltei pra onde eu já senti. Bem, Diógenes.
Tudo bom? Que prazer, que honra.
Honra é a minha e a nossa de ter o seu tempo agora, né, pra gente falar sobre isso. Você tá me ouvindo bem?
Tô bem, tá ótimo. Isabela, você tá me ouvindo?
Tô ouvindo, vendo e tô muito feliz.
Estamos com eu de amarelo e você com uma camiseta live. Está chique, hein?
A gente vai falar sobre vida, vamos falar sobre promoção da vida. Eu gostaria, Diógenes, antes de começar a pergunta, que você se apresentasse para todo mundo que está conosco e lembrando que esse conteúdo também depois vai para o YouTube. Então, vai ser muito importante as pessoas saberem quem é você.
Vamos lá. Então, eu sou o Diógenes Munhoz, sou major do Corpo de Bombeiros de São Paulo. Já trabalho no Corpo de Bombeiros, na verdade, no transcorrer da carreira toda, contando com a Polícia Militar há 29 anos. Estudo suicidologia há 15 anos. Durante 15 anos da minha vida eu acabei me inteirando e me especializando nessa área. E hoje estamos aí, estamos promovendo cursos, promovendo palestras, promovendo uma atenção especial a essas pessoas que estão tentando o suicídio, porque a gente tem um carinho muito importante e muito especial para todos.
Jorge Ness, eu estava aqui fixando o comentário, porque muitas pessoas acabam entrando no meio da nossa conversa. Jorge Ness, Alguém tá dizendo que o áudio tá ruim. Qual que está o áudio ruim do teórico? Desculpa.
Melhorou?
Eu tô te ouvindo muito bem.
Agora eu desconectei e conectei de novo. Vamos ver se melhorou.
Vamos ver. Senão você tenta fazer sem o fone.
Isso, isso. Perfeito.
Bom, você falou que estudou por 15 anos os suicídios. Antes, tem muita gente ainda falando sobre o som, que melhorou? Melhorou, pronto.
Melhorou, melhorou.
Legal. Se a mãe falou, então tá tudo certo, né? Boa noite pra todos que estão aqui conosco. Jorge, você estudou o suicídio por 15 anos e hoje você dá palestras para pessoas que por ventura, podem encontrar um tentante. Esse é o nome que a gente dá para quem está tentando suicídio?
Então, Isabela, diferente de pessoas, do profissional psicólogo ou terapeuta, do psiquiatra, o bombeiro ou uma pessoa que trabalha no SAMU e somos centenas de milhares pelo Brasil, Nós labutamos no pior momento, ou seja, na crise, no momento em que aquela pessoa... Nós somos praticamente a última linha entre a vida e a morte. Digamos que nós somos a última área na esfera de uma coisa chamada prevenção de suicídio. Quando nós temos êxito em retomar uma pessoa, fazer com que essa pessoa desista da ideia de suicídio, essa pessoa volta para a área da prevenção de suicídio. Então, era uma questão lógica, a gente tinha que fazer isso, de humanizar esse atendimento. Os meus cabelos brancos não deixam mentir, sou um pouquinho mais antigo. Eu venho de uma época em que ir para uma ocorrência, uma crise suicida, era uma coisa que a gente não dava muito respeito. Acho que a palavra respeito é muito forte. mas a gente não dava muita atenção. Nós íamos para uma ocorrência ou para uma crise suicida com o intuito de distrair essas pessoas o mais rápido possível e removê-las dali, daquele local de risco. Isso independente de ser o Corpo de Bombeiros, o SAMU, médicos, enfermeiros que atendem esse tipo de ocorrência e outros profissionais também. Então a gente começou a humanizar esse atendimento. A gente não poderia simplesmente ir lá, distrair uma pessoa sendo que haveria o pós e o tratamento, porque essas pessoas tinham faces, elas tinham histórias, geralmente são histórias realmente complicadas. E aí eu não poderia ser mais um fator de risco. Eu não poderia ser um fator que agravasse a situação. Eu teria que minimamente respeitar e ouvir essas pessoas. E a gente teve que mudar um conceito todo, inclusive a própria nomenclatura desta pessoa, que até então era conhecida como suicida, e a gente passou a chamá-la de tentante, porque esta pessoa está tentando contra a própria vida naquele momento. Passada essa crise, e a gente tem que ter um pensamento positivo que ela irá ser superada, ela volta para a área da prevenção do suicídio. Passada essa crise, essa pessoa tem que ter o direito sagrado de continuar vivendo sob tratamento, sob respeito de seu tempo, de seu espaço, mas eu não posso carjá-la com o nome suicida e essa pessoa levar essa tarja para o resto da vida.
Uau, tenho várias perguntas, eu vou tentar aqui organizar minhas ideias Eu recebi muitos pedidos, inclusive, no meu direct pra gente falar sobre o perfil desses tentantes Que foi, inclusive, uma coisa que você me ensinou lá atrás E te perguntar o seguinte, vamos supor, vocês foram chamados para uma ocorrência em que nós temos um tentante E aí vocês conseguiram... conseguiram remover. Este tentante tem mais chances de voltar a repetir isso? Por exemplo, uma pessoa que a família vai ter sempre que ficar atenta, que pode tentar de novo?
Isso, então vamos lá. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 50% das pessoas que tentam suicídio, elas podem vir a tentar de novo. Quando essa pessoa tenta o suicídio pela segunda vez, Ela tem 70% de chance de tentar o suicídio de novo quando comparada a uma pessoa que nunca tentou. Quando eu vou para uma crise suicida, quando eu vou para uma crise de um tentante, quem está indo não é o Diógenes, quem vai não é a Isabela, quem vai é o Jaleco Branco, quem vai é a Farda, quem vai é o Macacão do Samu, ou quem vai é aquela casca que aquela pessoa representa. Quando aquela pessoa é distraída, ou eu converso com ela durante uma, duas, três horas, nós temos relatos, experiências de... Eu mesmo participei de uma ocorrência que durou seis horas em cima de uma torre de celular. E na primeira tentativa, ou na primeira distração, eu distraio essa pessoa e tiro ela dali, eu acabo de trair a confiança dela. Porque até então eu estava falando de respeito, eu estava falando que eu estava preocupado com o problema dela, que eu estava ali, e aí ela distraiu e eu peguei, eu acabei de trair. Quem traiu não foi o Diógenes, quem traiu não foi Isabela, quem traiu foi a casca. E quando esta pessoa vier a tentar de novo, se ela tem realmente 70% de chance de tentar de novo, se for pela segunda vez, com a Segunda Organização Mundial de Saúde, E esta mesma casca, vier a abordá-la, vier a presença dela, ou seja, o jaleco, a farda ou o macacão, aumenta-se muito o risco ou a possibilidade de se visualizar um suicídio. Então, para que você tenha uma ideia, quando eu comecei a fazer os estudos e os estudos estatísticos do mestrado que eu fiz, as pessoas falavam assim para mim, eu era capitão na época, falavam assim, mas eu só encostei a viatura e ele olhou a viatura e se jogou. Ele não se jogou por aquela ocorrência, ele se jogou pelas inúmeras ocorrências ou tentativas que ele fez antes e ele não foi respeitado, ele não teve um olhar humanizado. Então estava na hora das equipes que laburtam pelo Brasil na área de urgência e emergência ter um olhar simplesmente humanizado para essas pessoas.
Se eu estou vendo ou se eu estou sabendo de uma situação, da iminência desse tentante, o que eu preciso fazer primeiro?
Digamos que uma pessoa seja um profissional ligado à área de urgência, seja um bombeiro, um policial militar ou um enfermeiro, médico, A primeira coisa é tentar formar um vínculo com essa pessoa, tentar minimamente um canal de comunicação, porque por intermédio desse canal de comunicação, muitas coisas virão que vão me usar, vão me fazer ou eu vou ter de como ferramenta para gerar a desistência da ideia da morte. Por exemplo, quando eu converso com você, uma conversa, não é uma abordagem. Eu busco fatores de proteção, uma coisa tão comum, por exemplo, na área das terapias. Eu vou saber quem é você, eu vou saber do que você gosta, eu vou conhecer os seus fatores de risco, ou seja, o que é aquilo que você odeia, que você não gosta. E numa abordagem técnica, agora voltando para a parte da abordagem técnica, uma condição básica é você conhecer os fatores de proteção, conhecer os fatores de risco, eliminar esses fatores de risco. Você não fala, por exemplo, eu vou dar um exemplo às vezes meio que não tão incomum numa ocorrência. Uma pessoa que foi abusada e ela tem naquele abusador uma ideia de um fator de risco muito forte. Em nenhum momento durante aquela abordagem eu vou trazer esta conversa, eu vou trazer para esta abordagem a ideia ou a imagem daquele abusador, porque aquele abusador representa para aquela pessoa um fator de risco. Em contrapartida, eu vou sempre citar fatores de proteção. Isabela, eu já me deparei com fatores de proteção. Os mais comuns geralmente são mães, são pais, são filhos, mas eu tive fatores de proteção. Uma vez eu fui para uma ocorrência aqui no bairro da Moca que o fator de proteção da menina era o forró. Ela amava forró. E aí eu desenvolvi um trabalho inteiro, todo o meu conhecimento de forró, que era quase zero, sobre conversar sobre forró com ela. O que gerou outros assuntos, o que acabou gerando outras ferramentas, outros fatores de proteção e, por sua vez, com muita paciência, sem julgar, sem dar opiniões, respeitando espaço, respeitando o tempo, acabou gerando a desistência dessa pessoa da ideia da morte.
Sem julgar e sem dar opiniões. Você poderia explicar, Jorge, fator de proteção e fator de risco e qual é o tipo de abordagem, qual é o tipo de pergunta, vamos ser mais diretos, qual é o tipo de pergunta que eu posso fazer, por quê? Eu posso estar vivendo uma situação com alguém que eu conheço ou com alguém que eu não conheço? Então, como é que eu posso abordar? Qual é a pergunta para descobrir? que é que pode gerar um sentimento positivo para ela lembrar de algo positivo ou não?
Isso. Então nós temos algumas ferramentas dentro da abordagem técnica para você chegar a esses fatores de proteção ou esses fatores de risco. A principal, quando você inicia o diálogo, e veja bem Isabela, a gente não chega numa ocorrência dessa em cima de uma ponte, numa sacada, no interior de um apartamento, a gente não chega conversando com a pessoa. Então existe toda uma neurolinguística, uma linguagem corporal que a gente programa para unicamente falar a primeira coisa que é a minha apresentação. Então meu nome é Isabela Camargo, eu sou jornalista e eu estou aqui para te ouvir. Pronto, essa é a minha apresentação. Mas até chegar nesta apresentação, Eu demoro um pouco. Eu demoro, eu faço com que essa pessoa, por exemplo, se acostume com a minha ideia, com a minha imagem aqui no ambiente. Um erro muito comum até então que a gente cometia era chegar e falar assim, mas Isabela, por que você está tentando se matar? Você tem tudo, você parece ser perfeita, tudo errado. Não dá para a gente começar, a pessoa não se acha perfeita, a pessoa não se acha digamos, com todas as condições positivas naquele momento. É o pior momento da vida dela. Então, para que eu chegue respondendo sua pergunta, para que eu chegue num fator de proteção, eu começo com uma pergunta simples. Exemplo. Você é casada? Sim ou não? É a resposta. Você mora aqui? Sim ou não? É a resposta. Ela não precisa pensar na resposta. É sim ou não. Você tem filhos? Sim. ou não. E eu programo, eu já vou para uma crise suicida com basicamente 20, 30 perguntas simples que ela não precise pensar. E durante essas 20, 30 perguntas simples pré-definidas, que servem para todas as pessoas, eu vou buscar fatores de proteção, exemplo. Ou fatores de risco. Você é casada? Não me fala desse e vai um palavrão. Pronto, eu sei que aquela pessoa é um fator de risco, eu não falo mais dele. Você tem filhos? Ai, a pessoa começa a chorar, eu tenho saudades dos meus filhos. Eu sei que os filhos geram nesse momento um fator de proteção. E com isso, eu começo a selecionar os fatores de risco e os fatores de proteção, elimino os fatores de risco e começo a massificar o diálogo, começam a massificar a abordagem em cima dos fatores de proteção. E aí, o transcorrer do diálogo fica cada vez mais forte.
Perfeito. Luana Lima é responsável por um conteúdo maravilhoso e que o título é Falar Curto. E ela diz aqui, não invalidar a dor do outro. Aí eu junto o comentário dela com outro comentário aqui, que já se perdeu Ah, aqui, eu não vou exatizar, mas o comentário é assim Para mim, tentadores querem chamar a atenção Eu não vou invalidar a dor do outro. Isso é pra tudo, né, gente? E eu não posso dizer que alguém está tentando chamar a atenção. Como é que você, Jorge, como major do Corpo de Bombeiros, explica, fala que um tentante está chamando a atenção, quem está chamando a atenção, quem não está, como é que a gente divide esses perfis?
Quem que falou que o tentante quer chamar a atenção? Você lembra o nome?
Pois é, Marcos.
Marcos, Marcos, você tem total razão em gênero, número, grau, pressão e temperatura, tudo. Todo tentante, presta atenção no que eu vou falar, todo tentante quer chamar a atenção, porque chamar a atenção basicamente e unicamente é um grito de socorro. Então chamar atenção é a principal ferramenta de um tentante. E cabe a todos nós, porque prevenção de suicídio não é papel do bombeiro. Prevenção de suicídio não é papel da policial. Prevenção de suicídio e abordagem técnica não é papel do psicólogo, do psiquiatra, do enfermeiro, do médico. Prevenção de suicídio é um papel da sociedade. E cabe a todos nós, nesse momento, ouvir esse grito que clama por atenção. Então, realmente, você tem total razão no que você fala. Porém, o prisma do chamar atenção é esse. Não é aquele prisma jocoso, assim, ah, ele só quer chamar atenção, ele não vai se matar. Não. Isto não existe. Eu não estou dentro daquela pessoa, eu não estou vivendo as dores daquela pessoa. Apenas o dono da dor sabe quanto dói. Minimamente uma pessoa não está em suas condições normais para subir numa ponte e atentar contra a própria vida apenas para chamar atenção. Existem outros canais hoje em dia para chamar atenção que não é tentar se matar. Eu posso chamar atenção pela internet criando um perfil, ponto final. Pronto, e gerar conteúdo. Eu já estou chamando atenção. Agora, tentar contra a própria vida não é nesse fator, não é nesse lado que eu vou chamar atenção. Agora, chamar atenção por esse prisma que eu acabei de citar, realmente está correto falar. Chamar atenção para um tentante é a maior ferramenta e a principal ferramenta que ele tem. É o grito de socorro.
Todo tentante quer chamar a atenção, sim. Agora, ideias suicidas para um tentante tem bastante distância entre uma ideia suicida e um tentante.
Sim. Veja bem, existe até um estudo dos maiores psiquiatras, e eu acho que sabe o maior suicidólogo do Brasil, que é o doutor Neuri Bottega, que ele diz o seguinte, de 100 pessoas, o estudo que ele fez, inclusive foi alvo do livro dele Crise Suicida, de 100 pessoas, 17 já pensaram em suicídio. De 100 pessoas, esse estudo, salvo engano, não quero errar aqui, mas salvo engano ele é da macro região de Campinas, que ele fez esse estudo, 17 já pensaram em suicídio, 5 planejaram, 3 tentaram, e um foi socorrido em pronto-socorro ou em pronto-atendimento. Então assim, quando você pega um universo de 100 pessoas, 17 já pensaram em suicídio, não é uma coisa tão pequena assim. É uma coisa até considerável. Mas assim, o segundo passo que é o mais importante, Isabela, pensar em suicídio Ela é uma coisa facilmente, entre aspas o facilmente, por favor me entendam, revertido em controles terapêuticos, em controles psiquiátricos, ou seja, a pessoa pedindo ajuda, buscando ajuda, tendo respeito por sua dor, tendo respeito e tendo autocuidado. O problema é o segundo estágio, quando ela começa a planejar, aí já se acende, não digo nem um sinal amarelo, é o sinal vermelho que a gente tem que ter com esta pessoa. A gente não pode ter descaso, a gente não pode ter preconceito neste momento quando se pensa em suicídio.
Existe algum perfil desse suicida? Eu ouço muitos relatos de pessoas que Nunca falaram nada, nunca falaram nada, e desistiram da própria vida, até o fim. E ouço muitas pessoas dizendo que reclamam que isso ou aquilo, mas nunca levaram, de fato, até o fim. Isso é muita ingenuidade minha, achar que quem não fala, faz? Como que vocês veem isso?
Na verdade, existe a busca. As pessoas sempre querem ter uma resposta cartesiana. É isso, é esse ponto aqui que... Não, na verdade, quando a gente fala de suicidologia, a coisa é muito complexa. Porque para você buscar um fenômeno suicida, a explicação está ligada intimamente em fatores endógenos da pessoa. E fatores exógenos. Então, por exemplo, a perda de um ente querido é um fator exógeno. Uma doença, um transtorno de humor, um transtorno psiquiátrico é um fator endógeno. E muito se fala em relação a sinais, um perfil, sinais. Mas como que uma pessoa vai tentar o suicídio? Qual é a característica dessa pessoa? Como que eu posso ver? Não dá, infelizmente, a gente gostaria muito que fosse assim, porque aí eu uniria A mais B mais C, pronto, eu já tenho a fórmula, é isso, né? E outra coisa, Isabela, eu não posso falar basicamente assim, olha, poxa vida, aquela pessoa já dava sinais, como que eu não lia esses sinais? A cadeira, isso, a cadeira do da coautoria de um suicídio, ela deve estar sempre vazia. Sempre vazia. Não existe coautoria dentro de um fenômeno suicida. O fenômeno suicida gera responsabilidade para aquele apenas que se matou. Só para aquele que se matou. Para o entorno vai gerar dor, vai gerar luto, mas responsabilidade só para aquele que se matou. Então não dá pra falar assim, ah, ele pôs a música e eu não entendi aquilo, ele me falou tal coisa, como que eu não consegui ler esses sinais? Não leu porque não dá pra ler. Lógico, características principais, né? Poxa, uma pessoa que sempre foi muito extrovertida e ela passa a ser muito introvertida, ou o contrário, o antônimo disso também, né? Pessoa sempre foi muito introvertida e daqui a pouco ela tá gargalhando, ela tá desesperada, ela tá ansiosa. Poxa, então são sinais que chamam a atenção. E isso faz parte de uma coisa que chama-se autocuidado e também rede de proteção. A gente tem que ter uma rede de proteção pra ver que essa pessoa não está legal e cuidar, encaminhar, conversar, isso aí.
Essa é uma pergunta que já mostrou o julgamento que nós temos em querer colocar pessoas dentro de caixas e isso está totalmente errado. Que ponto... E corrigiu também já um monte de gente que acaba querendo botar todo mundo na mesma caixa A Gabi pergunta se você acredita, Gabi Concursos, se você acredita em influência genética na ideia suicida Não, não.
Eu não acredito não. A ciência não acredita. Veja bem, existe até um traço genético de alguns transtornos, como eu falei, transtornos de humor, transtornos de personalidade. É provado, científicamente, que existe um fator genético nisso. Agora, o suicídio é um fenômeno, não é uma doença. Existem doenças com traços genéticos e existem doenças sem traços genéticos. Suicídio não se caixa, ou vamos falar em caixa, você acabou de falar em caixinha. Suicídio não está na caixa de doenças, é um fenômeno. Graças a Deus, ou graças à natureza, ou graças ao que você acredita, o homem não é um ser suicida. O homem tende a querer, até por uma teoria freudiana, id, ego e superego, está lá no nosso id, é o instinto da sobrevivência. Sempre estará. Sempre estará. Tenha a certeza de uma coisa, minha querida. Para uma pessoa tentar o suicídio, ela lutou muito contra ela mesma durante muito tempo.
A Rita Almeida Psico, ela diz, a pessoa não quer acabar com a própria vida. Ela está liberada pela dor.
É isso aí. Perfeito.
Jorge Inês, relógio virando, meia hora já passou da nossa conversa.
Só eu falei, pô!
É você? Mas eu digo, como passa rápido, né? Quantas informações...
É, muito, muito.
Eu quero dizer que eu estou aqui com o Major Palmeiro de São Paulo, Major Gugnoss, muito obrigada pelo seu tempo. Estamos falando de um vídeo que é um assunto que Não é bem-vindo nas conversas, mas desde que a pandemia começou, Major, eu ouço tantas dias sim, dias não sobre alguma história de suicídio. Eu ouço. É o marido, é a amiga, é o conhecido e tal. Vocês já têm algum número, alguma constatação do que vem acontecendo nos últimos meses? O número de suicídio aumentou ou não?
Como é bom fazer live com jornalista, porque as perguntas são muito bem direcionadas. Então, vamos lá. Eu tenho uma boa notícia. Na verdade, eu tenho, dentre todas as notícias, o espólio que nós temos de uma pandemia, nós temos, na parte da suicidologia, uma boa notícia. Quando isso começou, mas precisamente, Isabela, no dia 24 de março, quando o governador do estado de São Paulo decretou aqui o distanciamento social, me acendeu uma luz. Eu falei assim, poxa, a gente vai ter que começar a monitorar esses índices de tentativas de suicídio. E estão na nossa mão, ali dentro do Corpo de Bombeiros, o maior termômetro, que são os atendimentos a esse tipo de ocorrência. E a partir do dia 24 de março nós começamos a monitorar isso, porque muito se especulava, Isabela, com relação a ter uma explosão dos índices de suicídio, as pessoas vão se matar muito. Nossa senhora, era uma coisa... Eu cheguei a ver com uma certa tristeza porque eram algumas pessoas adoradores do caos mesmo. É uma coisa que é muito triste de se ver na minha área da suicidologia. E aí a gente começou a monitorar e fazer um trabalho de um artigo científico que está agora para ser publicado. Foi inclusive matéria de dois portais de notícia. O final de semana é retrasado. O que acontece? No dia 24 de março nós monitoramos durante 15 dias iniciais, depois 30 dias e depois 60 dias de março, abril e maio. E nós temos aí hoje uma diminuição nas tentativas de suicídio. Veja bem, nós temos uma diminuição no estado de São Paulo. Existe o princípio da territorialidade, isso pode mudar para o Rio de Janeiro, pode mudar para outros estados, mas hoje as tentativas de suicídio no estado de São Paulo estão em queda, uma queda leve, mas em queda, quando comparado ao mesmo período de 2017, 2018, 2019. Então eu fiz três anos de base do estudo e comparei a 2020 com o distanciamento social. E a gente tem uma ótima notícia, dentre todas as ruins, uma ótima notícia. Por quê? Isso aí vai minha opinião, agora não é um dado científico, não é um dado estatístico. Eu acho, Isabela, que as pessoas começaram a conversar mais, forçosamente, mesmo que forçosamente, mas começaram a conversar mais e começaram a procurar, foi disponibilizado por terapeutas, psicólogos, um serviço que já era muito bem feito, mas agora por um prisma profissional, já era muito bem feito pelo CVV, pelo seu telefone 188, um serviço de atendimento online. Então as pessoas começaram a não ter mais problema em conversar, mesmo que online. E eu acho que a gente vem provar que nós estamos reaprendendo a ser humanos, que conversar é a melhor saída para a dor.
Reaprendendo a ser humano. Mas, Jorge, Eu perguntei agora há pouco para você o que nós, todos, que não temos ainda o curso de como você pode ajudar um tentante, mas como é que nós podemos então chegar Você já disse que existem perguntas objetivas para identificar o que é risco e o que é proteção Essas perguntas estão em algum lugar para que a gente possa acessar.
Olha, é lógico, por exemplo, que o conteúdo do curso, o curso, diga-se de passagem, Isabela, ele não é um curso feito para bombeiros militares, ele é um curso feito para profissionais que labutam nesta área. Ele é um curso que faz parte de um calendário de cursos do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar. Mas, para que você tenha uma ideia, quem já fez esse treinamento, até assistentes sociais, bombeiros, Psicólogos, enfermeiros, médicos, um monte. Jornalistas já fizeram esse curso.
Quero muito fazer.
Nossa, vai ser uma honra pra gente. Então, esse conteúdo é uma questão de até um respeito com essas pessoas, que eu não posso passar um conteúdo desse aberto. Por quê? Porque se não, eu tô falando assim, olha, a gente faz isso, isso e isso E quando uma pessoa que tiver esse conhecimento tentar o suicídio, porque a gente não sabe quem tá do outro lado da telinha, né? Ele já vai saber que o fator de surpresa foi o espaço, virou fumaça, né? Tá certo Mas existe, desculpa te cortar, mas são 40 horas de aula, é uma semana de imersão tendo aulas só na parte de psicologia, psiquiatria, neurolinguísticas e, principalmente, esses cenários que são muito importantes da gente exercitar.
Perfeito. Então, se eu tenho ainda insegurança em como eu vou agir diante de uma situação dessa, eu ligo para quem primeiro?
O 93, o telefone do Corpo de Bombeiros. Hoje o órgão principal que atende esse tipo de ocorrência são os Corpos de Bombeiros de todo o Brasil. Os Corpos de Bombeiros de todo o Brasil, todos eles têm o mesmo telefone de emergência, o 93. Esqueceu o 93? O 90. Ambos os telefones, ou da Polícia Militar, que é o 90, ou do Corpo de Bombeiros, vão fazer o atendimento desse tipo de crise suicida. Mas eu citei agora há pouquinho um órgão que é uma ONG, que é um órgão não estatal, que eu tenho respeito absoluto, que é o CVV. Então assim, para chegar numa tentativa de suicídio é o último degrau que demonstra que houve várias, várias etapas que não foram não tiveram êxito, ou o tratamento que não teve êxito, ou a pessoa não teve atenção e respeito consigo mesma pra procurar ajuda. E a gente tem que ter essa sensibilidade de saber que nem sempre a gente está bem, nem sempre a gente está perfeito. Eu vi até isso de uma jornalista que palestrou uma vez comigo, que é você, que a gente tem que saber pedir para parar, né? A gente tem que saber esse momento, né? E foi muito bacana ouvir isso de você algumas vezes, né? Porque eu já participei da sua palestra. Então é isso, basicamente a gente tem que... tudo para não chegar lá, tem que evitar chegar lá.
Perfeito. Tem muitas pessoas aqui agradecendo a sua fala, muitas mesmo. O Fábio está dizendo sobre o curso que ele fez, as abordagens que ele fez foram calçadas nos protocolos, foram positivas devido ao aprendizado que ele teve com você. Agora, major, Depois da gente repetir que 190, 193, 188 Ou seja, vocês, bombeiros, são não os responsáveis, mas são os primeiros que são lembrados, chamados para uma situação como essa E eu já disse pessoalmente, vou repetir, meu respeito absoluto e admiração porque vocês se colocam em muito risco em muito risco para salvar a vida das pessoas. Me emociona só de falar. E uma vida que ficou em preto e branco, uma pessoa que ficou ausente de si por muito tempo, como você disse, não pediu ajuda e tal. Mas por mais que a gente fale com cuidado, com sensibilidade e tudo mais, Quando eu estava na mídia tradicional, antes agora da Rádio Bandeirantes, que eu voltei faz uma semana, mas lá no jornalismo tradicional, eu me lembro que existe muita resistência da divulgação de dados sobre suicídio ou de casos sobre suicídio que até estejam acontecendo ali naquele momento. Por que existe essa conduta? Quem é que não quer falar sobre o assunto? Por que a mídia tem tanto medo de a gente falar sobre o assunto? Opa, perdão, caiu aqui. É para não dar ideia. Tem alguma outra razão? O que acontece?
Bom, a gente conhece o fenômeno Véter. O fenômeno Véter basicamente é a divulgação de vídeos, de fotos, de um modo não positivo de ideias ou fatos ou ocorrências de suicídio, gerando uma onda não boa. Por exemplo, uma pessoa famosa que se mata e gera uma onda não muito boa de pessoas que já têm uma ideia de suicídio e falam que é essa a saída. Quem sabe galgado nisso, e galgado principalmente no preconceito que o brasileiro tem de saúde mental, a verdade é essa. Porque se eu perguntar para as cento e poucas pessoas que estão nos assistindo agora e falassem, ó, complete na sua cabeça a seguinte frase, psiquiatra é médico de... Eles vão falar, a maioria pensou em médico de louco, psiquiatra não é médico de louco, psiquiatra é médico de gente Eu tenho um respeito muito grande por quem nunca, infelizmente, não ouviu essa frase, né? Ah, dá um tanque de roupa que passa, ou senão vai carpir um terreno que passa, né? Infelizmente, galgado nesse preconceito, nessas frases. Outro dia eu ouvi uma coisa, aviso a Bela, foi perfeita. A geração Y e a geração Z tem que fazer terapia, porque a minha precisava e não fez. A minha geração teve tanto preconceito e passou esse preconceito de saúde mental, de autocuidado, de rede de proteção, porque parecia que eram coisas de pessoas fracas. E ao contrário, sempre foi o contrário. Pessoas fortes se fazem nesse momento do autoconhecimento. Você fez agora uma live com o Ramusha, inclusive, eu estava assistindo, muito bacana. Falando em resiliência. Resiliência é isso. Também é se autoconhecer. Então, basicamente, eu até acabei esquecendo a sua pergunta. Acabei me empolgando aqui.
Por que a mídia se recusa a falar?
Eu acho que é por isso. Sim, no geral. Eu acho que por medo do fenômeno Véter, primeiro por medo do fenômeno Véter de gerar uma onda negativa, E também por falta de conhecimento. A gente deve falar sobre suicídio. A gente já conversou inclusive a esse respeito uma vez na Assembleia, né Isabella? A gente deve falar sobre suicídio. Como que a gente vai resolver um problema que é um problema social? Não tem como a gente negar que o suicídio está aí se a gente não falar sobre ele. Isso é um absurdo. Então durante muitos anos a gente renegou isso daí. Não falamos disso. E o problema foi se evoluindo. Foi embora, foi embora, foi embora. E aí quando começou a bater índices alarmantes dentro do Brasil, a gente falou, meu Deus, mas e agora? O que a gente faz? Aí a sociedade começou a correr atrás do prejuízo. Mas ainda bem que hoje se abre um canal como esse, por exemplo, com uma jornalista renomada, para falar sobre um assunto que, como você começou a live, que realmente você muito bem disse, ninguém quer falar. Não é um assunto, eu brinco, eu brinco assim nas minhas palestras, que eu falo assim, pessoal, olhem em volta. E às vezes, não, não são palestras, não são mega palestras, você já foi em palestras minhas. Mas assim, são palestras para 200 pessoas, 200 e poucas pessoas. E aí eu falo assim, por que isso não está lotado? Por que eu não estou aqui para falar da importância da batata doce, de como malha abdômen, quadríceps, bíceps? Porque o brasileiro ainda tem um conceito muito grande do visual, mas o mental ainda é um pouquinho posto de plano de fundo. É isso mesmo. E a gente não pode fazer isso. Que bacana que a gente tem esse canal hoje em dia. Mas eu acho que é isso. A mídia não aborda, ou não abordava, porque agora eu vejo uma mudança muito grande nisso, por uma questão de medo. Não vamos falar sobre suicídio para não incentivar suicídio. E sim, a gente tem que falar sobre suicídio de uma forma respeitosa, de uma forma coerente, mas temos que falar sobre suicídio. Temos que abordar o problema.
Eu já lhe provoquei algumas vezes sobre isso, porque eu não posso falar sobre suicídio porque eu posso dar ideia, só que a hora que eu mostro um tipo de crime cometido por um tipo de gangue que depois é repetido, eu também estou dando ideia sobre isso.
Isso, lógico.
É muita hipocrisia. Eu me lembro de um momento lá do passado em que tinha a gangue da marcha ré, que os caras entravam de ré E depois eu me lembro que aquilo me chocou demais. Eu falei, gente, isso pode dar ideia. Pode dar ideia. Mas no caso do suicídio, eu faço uma analogia inversa. As palavras são sementes. Se o que nós estamos falando florescer no coração de uma pessoa, eu já estou feliz. Você me disse uma vez uma coisa que nos números de suicídio, uma pessoa já é muito.
Não existe essa proporção de números de suicídio. Quando uma mãe, quando um filho pede uma mãe para o suicídio, quando uma mãe pede um filho para o suicídio, ela não perdeu 5,8% do filho ou da mãe. Ela perdeu 100% da mãe e 100% do filho. Então assim, tudo vale por uma vida. Uma vez eu fui julgado, inclusive, por um grupo, porque eu falei que, se preciso, eu pararia uma cidade para salvar uma vida. Eu estancaria o trânsito de um viaduto que pararia avenidas que pararia uma cidade. Se não pusesse em risco outras vidas, eu pararia uma cidade. Porque quanto valeria aquela vida? para a mãe daquela pessoa ou para o filho daquela pessoa. Será que se eu perguntasse, posso parar a cidade? Ela falaria, pode parar ou não, pode parar. Então é isso, basicamente são números absolutos quando a gente fala em vida.
Nossa, eu por mim, assim, eu já faria de novo as mesmas perguntas porque esse é um assunto que a gente precisa falar sempre, e aí eu quero lhe pedir agora uma orientação. Como eu e todos que estão aqui, que convivemos com seres humanos, estamos todos passando por muitas adaptações, a gente viveu uma onda, Major, de muito medo, de pegar o coronavírus. Desde o início eu falava, tá, só que eu preciso cuidar da minha mente porque eu posso não pegar o coronavírus, mas eu posso desenvolver ansiedade, depressão. E eu entendo que tudo que estava desequilibrado desandou, os fumantes estão fumando mais, quem já bebia tá bebendo mais, quem já tinha traços violentos, o nosso número de violência contra a mulher aumentou mais, ou seja, as notícias que acompanham o Covid, elas são na sua maioria muito ruins. E aí eu quero então a sua orientação, como que eu e todos que estão aqui e também vão assistir depois lá no YouTube, como que nós podemos fazer com alguém que está do nosso lado e você sabe quando tem alguma coisa errada? A gente percebe que tem alguma coisa errada, aí é uma decisão minha, né? Faço uma abordagem ou não. Como é que eu posso? Claro que eu não vou chegar e eu vou dizer assim, você tá pensando em fazer tal coisa? Não, mas posso te ajudar de alguma maneira?
Perfeito. Isabela, eu tenho 56 abordagens a tentativas de suicídio no transcorrer da minha carreira. Durante 56 vezes eu vi o brilho opaco da morte do outro lado e ele não é bonito. E essas 56 pessoas, elas têm uma coisa em comum. apenas uma coisa em comum, em algum momento ou elas não fizeram ou elas pararam tratamentos, ou elas renegaram totalmente a saúde mental, ou elas não verificaram e conseguiram ter a sensibilidade de falar chega, para, agora é hora da pausa, como diz uma amiga minha, ou alguém acabou não dando sensibilidade para esse momento. Então, essas pessoas devem ser olhadas. E cair faz parte do jogo. Parar faz parte do jogo. Continuar faz parte do jogo. Chorar faz parte do jogo. Ser frágil faz parte do jogo. Tudo, já é o jogo. O que não pode, e aí vai respondendo a sua pergunta, é eu ter uma situação com agravamento do isolamento social ou com distanciamento social. Eu começar a renegar. Quando o novo normal vier, eu vejo isso, eu procuro isso, eu resolvo isso. Não, não, eu não estou falando. Eu não tô falando de uma coisa que dá pra ser adiada. Estou falando com uma coisa que tem que ser resolvida agora. Eu estou falando do você. Esse autocuidado não pode ser prorrogado. Esse autocuidado não pode. Não pode, não pode. Então você muito bem disse. Essas condições de você estar, às vezes, num isolamento social ou num distanciamento social, elas são agravadas. Quem fuma, fuma mais. Quem bebe, bebe mais. Quem bate, bate mais. E é a hora do chega, em todas as situações. Então assim, o encaminhar para o tratamento, o encaminhar para o cuidado, ele deve ser feito e redobrado muito mais hoje do que em condições normais de pressão e temperatura lá atrás. Então hoje, encaminhar uma pessoa para um tratamento, por exemplo, vou dar um exemplo, terapêutico, mesmo que online, É perfeito, porque se você não fala, a dor não vai embora. É simples assim.
Se você não fala, a dor não vai embora. Você me disse, agora há pouco, a responsabilidade do suicídio é da sociedade. Então, se eu estou vendo alguém que está indo por um caminho de melancolia, depressão e tudo mais, eu posso, então, falar com essa pessoa? Escuta, posso te ajudar de alguma maneira? Isso é uma invasão? Posso tentar?
Às vezes a gente deixa de falar porque não tem intimidade, a gente deixa de conversar porque não tem. Uma vez eu fui dar entrevista num canal de televisão, logo de manhãzinha, logo de manhãzinha, e aí eu vi uma moça que ela fazia previsão de tempo, essas moças previsão de tempo. E eu falei assim, meu Deus do céu, essa moça, isso há muitos anos atrás. Essa moça já tá maquiada a essa hora. Meu Deus, que horas que essa moça acorda? Pensei isso e anos depois eu fiquei sabendo que essa moça teve burnout. Essa moça se chama Isabela Camargo.
Faça chorar, não me faça chorar.
Não, mas que bom que você fez da sua dor, que bom que você fez. Hoje você ajuda e você tem essa consciência, eu já falei isso pra você, você ajuda centenas de milhares de pessoas pelos seus vídeos, pelos seus canais. Que bom que a sua experiência salva pessoas hoje. Você não precisa estar em cima de uma ponte para salvar pessoas. Às vezes com uma câmera você salva pessoas. Então, basicamente, essa coisa de você parar, de você se cuidar, de você saber o tempo de parar, ela evita muito de você chegar às 56 pessoas que eu abordei. Porque essas 56 pessoas não souberam a hora de parar, não souberam a hora de pedir ajuda. Isabela, o ser humano só é integral em três esferas, não dá pra mudar. Ou, na física, Porque a gente tem que cuidar de índices de glicemia, de colesterol, cuidar da hipertensão, faz parte do jogo. Cuidar do corpo faz parte do jogo. Do espiritual, e eu não falei religioso, eu falei espiritual, independente da entidade ou até para ser ateu tem que ter muita fé na sua crença ateia. E no que comanda tudo isso? No mental. Se você não estiver íntegro, se você não estiver íntegro nos três, não dá. Não dá pra ser feliz, não dá pra ter equilíbrio, não dá. Não sou eu que falo isso, não é você que fala isso. Isto é cósmico. Então, basicamente, é isso daí.
Esse estudo que vocês fizeram lá nos primeiros 15 dias, vocês pretendem ou estenderam ele?
Sim, sim. Ele continua. É que nós publicamos os primeiros 30 dias, 15 dias, depois 30 dias, vamos publicar os 60, vamos até o final e tudo isso vai passar. Eu tenho trabalhado 12 horas por dia no Corpo de Bombeiros. A gente está trabalhando com um otimismo muito grande de que isso vai passar. E vai. Não é uma questão de otimismo, é uma questão de realismo. Vai passar. E eu acho que o espólio da pandemia, o espólio do Covid, pelo menos na parte de tentativas de suicídio, ele vai ser positivo na parte de tentativas de suicídio. O depois a gente não sabe. O depois a gente não pode prever. E depois a gente não pode se preocupar. Porque, como disse, eu ouvi também você falando numa palestra... Ansiedade é o excesso do futuro, é o excesso do amanhã e isso marcou muito. Então vamos esperar, vamos esperar o tempo, ele virá.
Ótimo, eu quero te levar, então, para a Rádio Bandeirantes, agora que estou fazendo lá o Primeira Hora, né? Então precisamos repercutir isso e promover a vida, né?
Isso, perfeito.
Estamos fazendo isso para a gente promover a vida. Então, nesses cinco minutos, Major, eu vou voltar aqui aos comentários. Eu queria que as pessoas vissem melhor a sua imagem. Eu volto aqui agora para os comentários. Se alguém quiser fazer algum comentário, algum agradecimento, aproveita essa hora. Mas esses últimos cinco minutos, Major, como é que nós podemos promover a vida diante de tudo que está acontecendo? Para você que é chamado para milhares de situações e consegue reverter aquele caminho que parece ser em volta.
Isabela, o excesso é falta de algo. Todo excesso é falta de alguma coisa. Então assim, quando você se atira muito no isolamento, no trabalho, tudo mata por excesso, até água, até arte, você intervente lá. Quem sou eu para dar conselhos? Mas assim, para deixar uma mensagem, eu acho que é melhor assim, olhem-se, olhem-se, cuidem-se. Saibam a hora de parar. Saibam a hora de pedir ajuda. Porque pedir ajuda, como eu disse anteriormente, faz parte disso tudo. Faz parte desse joguinho chamado vida. A gente tem que saber a hora de cair de joelhos também, porque é isso. Chega uma hora que não dá. Não dá para resolver por si só. Pedir ajuda também faz parte do processo. Não tenham preconceito com saúde mental, por favor. Por favor, não queiram me ver ou ver qualquer um de nós em cima de um viaduto, porque não é legal. Porque a gente vai para um jogo de chances de dar certo e de não dar certo. E eu não estou falando de uma coisa hipotética, eu estou falando da sua vida. Não dar certo quer dizer que a sua vida se finda ali. Todos, como eu disse também anteriormente, o homem não é um ser suicida. Nós temos na nossa mão todas as ferramentas possíveis pra fazer dar certo. Olhem-se. Procurem terapeutas, procurem psiquiatras, procurem amigos, procurem o CVV, procurem quem você quiser procurar, mas falem. Gritem, chorem, desabafem.
Major, pra mim, Pedir ajuda é o ato de maior coragem.
É isso aí. É isso aí, parceiro.
Enquanto a gente não pede ajuda, ó, me emociono de novo. Antes que eu borre minha maquiagem, então, respeitando o tempo, né? Eu quero agradecer a todos que estiveram conosco. Vai ficar salvo lá no YouTube, Isabela Camargo Real. Quero agradecer, Diógenes, o seu tempo, as suas informações. Espero estar contigo lá na Rádio Bandeirantes em breve. E o canal aqui está aberto sempre que você quiser compartilhar qualquer coisa, tá? Boa, não boa, enfim. A minha missão é essa. Eu podia conversar com você pelo Zap, Major, e aí... Não. Na hora certa, acho que essa foi a hora certa da gente trazer esse assunto. É claro que vão ter pessoas que ainda vão achar que isso é uma bobagem, mas precisamos não perder tempo com as resistências, e sim esperando quem já está alinhado conosco. Então, Jorge, muito obrigada. Teve alguma coisa... Aliás, antes, teve alguma coisa que eu esqueci, que eu não perguntei?
Não, perfeito. Foi cirúrgico.
Foi? Então pronto.
Parabéns.
Obrigada mais uma vez e vamos juntos.
Gratidão, querida. Gratidão. Conte comigo.
Até breve.
Tudo de bom.
Gente, o Major Diógenes é uma das pessoas mais incríveis que eu conheci nesses últimos tempos e se a experiência que eu tive com o Burnout me trouxe pessoas incríveis, o Major é uma delas e eu tive o privilégio Conversar com ele, dividindo com vocês, então, tantas informações importantes E nós podemos, sim, promover a vida todos os dias Como ele disse, com um vídeo, com uma mensagem, com afeto, sim, nós podemos Obrigada, então, pelo tempo de vocês E amanhã eu volto pra falar de solidão Amanhã vocês tenho certeza que vão gostar também da abordagem que eu vou fazer com o Celso Gringo Boa noite pra vocês, se cuidem, se cuidem e até breve.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








