Programa 90 Minutos - Rádio Bandeirantes com Izabella Camargo

Izabella Camargo discusses burnout syndrome on this 2019 radio program, describing her own experience with night shifts, stomach problems, and on-air memory lapses. The conversation covers WHO's recent classification of burnout, employer responsibilities, and its impact on workplace mental health.
Chapters
10 horas e 33 minutos. Síndrome de burnout é o pico máximo do estresse profissional, é muito mais que estresse e não é uma doença dos tempos modernos. Já tomei um pito da nossa entrevistada aqui porque pelo jeito já existe faz tempo. Isabela Camargo, mais uma vez bem-vinda aqui de volta à Band e especificamente ao estúdio do No 90 Minutos.
Obrigada, Megali, Felipe. Obrigada a todos que estão nos acompanhando. Eu estava ansiosa para vir aqui conversar com vocês. Eu pensava, poxa vida, quando você fala assim, ah, Isabela entrevistada, sou até estranho, porque eu me considero tão família Band, né? Trabalhar no Grupo Band aí antes foi tão bacana, foi onde eu aprendi tanta coisa. E você, senhor Megali, eu lhe tenho como amigo, né? Então assim, eu entrevistada, é, sou até difícil de compreender, mas vamos lá.
Eu detesto ser entrevistado, mas você Você cai muito bem nesse papel, você vai muito bem, porque você fala sobre algo de que você entende muito. A notícia que a gente tem, antes de explicar assim detalhadamente o que que é síndrome de burnout para quem ainda não sabe, é que a OMS disse que essa síndrome deveria ser encarada como uma doença, isso na segunda-feira. Só que ontem um porta-voz da ONU foi lá e disse que não era bem assim. Explica para a gente o que que aconteceu exatamente.
Na verdade, a síndrome de burnout ela não é uma doença, porque ela é uma síndrome. Então é conjunto de doenças, tá? O que foi definido na segunda-feira pela OMS, e é uma excelente notícia, é que agora a síndrome de burnout ela é incluída numa caracterização apenas profissional, laboral. Ou seja, você adquire apenas no ambiente de trabalho. Porque antes dessa classificação, a síndrome de burnout ela poderia, dependendo da interpretação do empregador, da empresa, do médico, do perito, ser também relacionada a outras situações não sendo do trabalho.
Ah não, isso aí o cara trouxe de casa, ele tá com problemas com a família.
É depressão porque se separou. Não, nada disso. Então a excelente notícia da Organização Mundial da Saúde nessa assembleia em Genebra com 196 grupos, tá, vamos chamar delegações, aliás, 194 delegações que se reuniram na Suíça, estão o quê? Revisando estudos científicos, ou seja, estudos médicos atualizando a síndrome de burnout. Então, se a gente considerar que a nossa sociedade está evoluindo, estamos em mudanças constantes, as patologias também. Então, essa validação da OMS, ela é maravilhosa para milhares de brasileiros, milhares de pessoas pelo mundo que estão em sofrimento mental. O que é sofrimento mental? É tudo, é toda aquela dor invisível que gera muito preconceito e que te impede de fazer coisas que você sempre fez com naturalidade, com rapidez, mas momentaneamente. Então vamos lá, resgatando. Se deixar, eu falo disso o dia inteiro, porque eu tô pesquisando muito. A síndrome de burnout não é o fim, ela é apenas um freio. Ela não interfere na estrutura cerebral, ela interfere por alguns períodos em funções cerebrais. Então o que acontece? A pessoa, ela não consegue fazer como ela sempre fez coisas normais. Por exemplo, é como se você chegasse amanhã e não conseguisse operar aqui essa mesa cheia de botões. Isso significa que você nunca mais vai poder voltar a operar? Não, você vai voltar a operar depois que você fizer o tratamento. Nós já vamos falar de tratamento, mas vamos voltar para o MS.
Então, antes da gente ser mais genérico, vamos falar especificamente sobre o seu caso.
Mas você não quer saber por que que houve essa interpretação?
Eu acho que a gente vai entender melhor se a gente compreender o que a sua coisa, que aí a gente vai entender melhor a doença. Já tô chamando de doença. Como é que, como é que ela se refletiu em você?
Bom, você vai sentir vários sintomas e vai tratando tudo de forma individual. Problemas gastrointestinais, levanta a mão quem tem gastrite, tá? Levanta a mão quem tem problemas no intestino, ora preso, ora solto, né? Então isso tudo envolve problemas gastrointestinais. Lembra quando os médicos falam que o intestino é o segundo cérebro? Olha como nosso corpo é maravilhoso. Primeiro ele chama atenção pelo intestino, aí se você não faz o tratamento adequado, quando você não se afasta do ambiente estressor e acha que tudo aquilo é normal, Aí sim vai para o cérebro. Então o primeiro sintoma que eu senti, que foi gravíssimo, um problema gastrointestinal muito grave. Depois problemas cardiovasculares, problemas cardíacos sem ter histórico de problema cardíaco, ou seja, taquicardia numa situação absolutamente normal. Que situação é essa? Saindo da acupuntura. Se alguém vai ter taquicardia depois da acupuntura, isso é um sinal de que o seu corpo está entrando em colapso, colapso energético, porque o cérebro é o órgão que produz, que consome a maior quantidade de energia do nosso corpo. Olha que curioso! Aí, depois de taquicardia, falta de ar, uma irritação, Megali, tremenda. E você considerar uma irritação para uma pessoa que medita, né? No meu caso, eu sou espiritualizada, faço uma série de terapias. Aquilo era muito surreal. E mais, eu sempre gostei de fazer o que eu fazia. Eu amo o que eu faço. Minha missão é aprender para compartilhar. Então nunca foi um fardo levantar de madrugada, nunca foi um fardo a segunda-feira, Pelo contrário. Mas olha que curioso, isso é muito importante quem está nos ouvindo: por mais que você ame o que você faça, quando você coloca o seu corpo numa situação penosa com muita frequência, ele vai pedir ajuda. Então, no meu caso, por ter trabalhado muitos anos na madrugada, eu, Isabela, mulher, tá, hoje 38 anos, desenvolvi a síndrome de burnout por duas razões: por ter trabalhado por um longo período na madrugada. E madrugada, gente, acordar meia-noite, 1 ou 2 da manhã, não é acordar cedo 5 da manhã, como as pessoas falam, né?
A partir de 4:30 já é digno.
A cada hora que você subtrai, perdão, a cada hora que você subtrai do seu sono é uma consequência que você vai ter no seu corpo. E isso eu ouvi de vários especialistas. Bom, madrugada, isso no Hora 1, no Bom Dia Brasil, e depois na Globo News. Então isso aconteceu por muitos anos. Agora, é só o horário da madrugada que vai te gerar o burnout? De jeito nenhum. O que você faz nessas horas É que vai também te gerar o burnout. É a mesma coisa que te pedirem para apresentar dois jornais ao mesmo tempo. Então lá, como os jornais eram muito juntos um do outro, eu estava em um pensando e produzindo já o outro. Porque diferentemente do que as pessoas pensam, aquilo que aparece na televisão é um frame, é um pelinho de todo o trabalho que você teve. Eu chegava lá de madrugada e entrevistava todos os dias o meteorologista e buscava informações igual aqui vocês, João Pessoa, Manaus e tal. Os factuais, porque a previsão do tempo interfere nas decisões de muitos setores da economia. Então a minha responsabilidade em transmitir uma informação impecável era minha missão. Então por isso que eu acordava de madrugada e fazia com muita paixão. Vamos lá, tudo isso ao longo do tempo me fez tomar remédios para dormir, para acordar. Então eu tomava para conseguir dormir 5 da tarde. Você já acordou de madrugada, né? Além de ser triste, é muito difícil porque você interfere no ciclo circadiano. Pronto, agora Chegamos na questão que interfere demais no funcionamento do corpo, e aí seja de homens ou de mulheres, quando você inverte as funções do ciclo circadiano. O que é que é isso? Ciclo circadiano é o ritmo do seu corpo. A gente não pode esquecer, Megali, que até 150 anos atrás toda a humanidade vivia com a luz do sol. Em 1879, quando o senhor Thomas Edison inventou o filamento para comercializar a luz elétrica, como a gente conhece, aí sim você começou a ter movimento completamente inverso do seu corpo. Então hoje, por mais que as pessoas falem, ah, e eu respeito aliás muitos, os padeiros que acordam cedo para produzir o nosso pãozinho, os frentistas que trabalham de madrugada, os médicos, enfermeiros, os porteiros, toda essa turma que trabalha para nos proteger e tudo mais, colocam o seu ciclo circadiano em confusão total. E isso vai gerar a longo prazo muitos problemas de saúde, você entende? Então é uma série de fatores que vão te levar para síndrome de burnout. Não é um fator só, assim como o tratamento também é único, ele é composto por uma série de etapas. Agora, o mais importante de dizer, e eu tô fazendo isso com muito carinho, muitas pessoas têm me dito: ah, você tá militando. Falei: não, gente, eu tô continuando produzir, eu tô produzindo conteúdo. Durante 6 anos e meio eu falei de previsão do tempo, agora eu estou falando sobre a síndrome de burnout, que não é o fim, é apenas o freio profissional para você rever a sua rota. Porque muitas vezes a gente tá no caminho, você tá adoecendo, você tá sendo maltratado pelo seu chefe, você tá vivendo uma situação absolutamente infeliz e você acha que aquilo é normal.
Mas é bom, tudo bem, você teve os sintomas físicos ali, é um problema gástrico, aí veio o apagão no ar. Como é que isso aconteceu?
Eu não lembrava o nome da capital do meu estado, Curitiba, porque como a gente improvisa muito, eu já tinha tido outros apagões, mas eu esqueci um negócio, dava uma brincadeira, dava aquele improviso, aquele sambarilove, pronto, ninguém percebeu. Agora, quando você fala uma coisa que tá todo mundo já esperando você dizer, né, que é a capital, né? Quando eu falava lá das temperaturas, por exemplo.
Para quem não se lembra como é que foi, só para recapitular.
Eu tava no jornal entre o Hora 1 e o Bom Dia Brasil, que era da Globo News, né? O jornal maravilhoso que o Bruninho me deu oportunidade. A gente tinha 12 minutos para falar, né, sobre o assunto. E aí, na hora de falar as temperaturas, eu vindo lá de todas as capitais, quando eu chego no Paraná, que é meu estado, eu não lembrava Curitiba. Então eu só falava no Paraná no Paraná. E aí vem assim a desorientação mental: onde eu tô? Que que eu tô fazendo? E aí o burrinho falou: Curitiba. Eu falei: Curitiba? Ali eu percebi que a desorientação mental que eu tava tendo, desse esquecimento, desse apagão, não era tão normal assim. E aí o curioso é que, por estar entrevistando muitas pessoas para entender, né, os sintomas desses novos tempos modernos, tema do meu livro que ainda lança esse ano, Eu já tinha conversado com pessoas que tiveram burnout e não reconheci em mim os sintomas. E lhe digo mais, sabe o que o Boechat teve aqui?
Burnout.
Mas foi diagnosticado como uma depressão. O Padre Fábio de Mello, aliás, estarei hoje com ele também falando no programa de rádio dele, também é burnout, mas teve uma interpretação, ou seja, um diagnóstico dado por um médico com outro nome.
O Boechat chegou a descobrir isso antes de morrer?
Não, nós falamos por telefone. Então, nós falamos por telefone Ele me deu inclusive entrevista para o livro falando sobre o nosso preconceito em torno da depressão, que nada mais é que um sofrimento mental, como eu falei, uma dor invisível. E aí existem 3 números muito importantes para a gente considerar. O Brasil é o país número 1 em número de ansiosos no mundo, o segundo em depressão, só perde para os Estados Unidos, e o segundo em estressados, só perde para o Japão. E aí tem um número que aí é meu, tá, Isabela, não é da Organização Mundial da Saúde, e também o primeiro em preconceituosos. Porque se você não considerar que uma pessoa que tem crises ansiosas, crises depressivas, isso por longos períodos, a gente não tá falando sobre um episódio, sobre um final de semana que você tá exausto, sabe, uma tristeza momentânea, você tá desconsiderando 10% da população brasileira que está em sofrimento mental. Então nós temos que ter um olhar mais cuidadoso, com mais acolhimento para síndrome de burnout e outras patologias adquiridas no ambiente de trabalho. Quando a OMS ontem revisa o comentário de segunda-feira sobre essa decisão dessa assembleia formada por 194 delegações que estão atualizando a síndrome de burnout, ele está dizendo o seguinte: que anteriormente a síndrome de burnout poderia ser diagnosticada ou interpretada por outros fatores, e agora não. Agora isso não muda, não muda. Ela é adquirida no ambiente profissional, laboral. Isso muda tudo. Questões jurídicas, legais, planos de saúde, seguradoras, tudo isso vai interferir a partir de agora. E não me venha com essa frase de que isso é frescura, de que isso é fraqueza, que é mimimi, porque não é. Como eu te disse, os números falam por si só. Não é o caso da Isabela. Aliás, eu não sou burnout, eu só falo sobre o burnout como especialista de economia.
Tem muito internauta aqui mandando mensagem, viu, Megali, falando assim: "Não, mas eu acho que muita gente deve se confundir, até para explicar para as empresas, enfim, falando que é depressão." Que é exatamente isso que ela falou do boi chá. E tem gente que citou aqui o boi chá falando também de burnout.
Então, mas a depressão ela pode ser o caminho para o burnout ou consequência do burnout. Por isso que a gente não pode rotular: "Ah, quem tem depressão vai ter burnout, quem trabalha de madrugada vai ter burnout, quem acumula função vai ter burnout." Você tem profissões com mais predisposição a descrever. E quem disse isso é uma médica, Cristina Maslach, que eu vou entrevistar inclusive em breve. Ela está em São Francisco. Em 1970, ela lançou um livro chamado The Cost of Caring, que é o custo de cuidar. E ela coloca os médicos, enfermeiros, naquela época, tá, década de 70, médicos, enfermeiros, policiais, que tinham mais predisposição a desenvolver síndrome de burnout. Porque a gente não pode errar. Hoje você tem nessa lista Jornalistas e outros profissionais da área de saúde. Porque o que acontece quando jornalista erra no ar, Megália, ou gagueja? Vira meme na hora. O médico, quando erra, a gente erra tanto. Eu também, agora, olha, muitos anos lá na TV, inclusive, quando a gente cometia algum engano, quando eu esquecia, eu tinha que falar assim: gente, pera lá, nós somos humanos. Já vou falar sobre isso. Então, quando o médico erra, o que acontece? Errou o médico, aquele fuzuê na sociedade. Então são profissões que não podem errar que vivem sobre uma pressão tremenda, provavelmente acumulam função. E outra coisa que eu estou aí é com banco de dados de mais de 1.100 pessoas que me procuraram para contar suas histórias, para pedir ajuda. Existe um elemento que eu encontrei em todas as histórias: infelicidade. Não tem burnout quem tá feliz. Então eu tô aqui com olheira, tô numa maratona em várias emissoras, graças a Deus, tendo Sendo muito acolhida por todos os meus amigos das emissoras para explicar que a síndrome de burnout não é o fim e que se você não prestar atenção no seu corpo, nos sinais que ele vai dando, aí sim ele vai parar. Sabe quando a chave, sabe quando o disjuntor cai? Você vai lá ter que, aí você vai mudar de novo a caixa elétrica. É isso.
Agora, a Globo te mandou embora.
Sim.
E você tava falando aqui fora do ar sobre as responsabilidades do empregador.
Isso, esse é o título de um livro do advogado Marcelo Valho, que é PHD no assunto, fez um doutorado sobre isso, para colocar a empresa—
Mas a Globo, quando te demitiu, ela falou: olha, você tá indo embora porque você esqueceu o nome de Curitiba?
Não, eles não falaram que foi porque eu esqueci o nome de Curitiba, mas eles disseram que eu não poderia voltar diante da constatação que eu tive uma doença ocupacional. Então existe muito preconceito. Eu acho que é isso, tá? Porque a gente só colhe o que planta, e eu sei que eu plantei coisas muito, muito bacanas na TV, sabe? O trabalho que eu desenvolvi com a equipe, com junto de muitas pessoas. Eu me lembro que eu gostava muito de enfatizar isso, né? Ninguém faz nada sozinho. Então a gente desenvolveu um bom trabalho. Eu falo a gente, a gente mesmo, eu, meteorologista, os meninos da das ilustrações. E fora quando eu tava apresentando, né, no lugar da Mona Lisa, do Trali, do Tramontina e tudo mais. Então foi uma surpresa ter sido dispensada, porque eu sabia que isso poderia acontecer, mas eu nunca imaginava que isso aconteceria. E ok, isso não é mimimi, isso não é exclusividade da Isabela, isso acontece em outras empresas, sabe? Então eu só estou mencionando ainda a minha história para as pessoas se identificarem com a situação e saber que isso pode acontecer. Todo mundo pode ser mandado embora a qualquer momento. Ponto. Agora, o que o Marcelo Vale fala no livro é que quando você adquire uma doença dentro do ambiente de trabalho, ou uma síndrome, tá, que é um conjunto de sinais e sintomas, você precisa ser amparado legalmente com plano de saúde. E isso não aconteceu, tá. Agora vou plantar uma sementinha na sua cabeça inteligente.
Você lembra da década de 90?
Com a LER. O burnout é a nova LER. Vocês imaginam que se foi difícil na década de 90 para os bancários, se foi difícil, Megali, para os bancários terem o seu direito reconhecido, que aquele movimento estava provocando um problema, é profissional ou não?
Para quem não se lembra, LER é a lesão do esforço repetitivo. Acho que hoje em dia todo mundo sabe. Quem digita muito em computador acaba tendo um problema, sei lá, no pulso, né? E a pessoa trabalha digitando sem parar, fala: ó, isso aqui foi causado pelo meu trabalho, é reconhecido como um mal provocado pelo esforço repetitivo, como diz o próprio nome, no trabalho.
O burnout é a alergia do cérebro. Perfeito, tô dando essa manchete já faz meses.
Você levantou, eu só cortei.
Perfeito, tá vendo, gente? O Megali, olha que privilégio tá aqui com esse, com esse, não, é demais, demais. Você entendeu? Então, se foi difícil, Megali, na década de 90 as pessoas compreenderem, aceitarem, reconhecerem que aquele problema foi gerado no ambiente de trabalho e ele era visível, tá? Você imagina agora que nós estamos falando de uma dor invisível. Isso acontece só com burnout? Não. Fibromialgia, dores na coluna, são tantos problemas que você pode adquirir no seu ambiente de trabalho. Mas existe muito preconceito. Eu conversei recentemente, quando estava lá em Brasília, com Renato Vieira, o presidente do INSS. Eu fui lá bater um papo com ele, foi meu último dia de Brasília. Eu falei: Renato, vocês estão falando de reforma da Previdência, e a síndrome de burnout e as doenças ocupacionais. Porque se as empresas não perceberem que os talentos custam, a gente sabe que tem falta de mão de obra em todos os setores. Então assim, as empresas precisam ter esse olhar mais acolhedor para os seus humanos, porque se você substituir alguém, vai custar. Se você afastar alguém por uma doença ocupacional, isso vai custar dinheiro. Então eu, Isabela, hoje estou produzindo um conteúdo pró empresas, para que elas percebam que saúde mental tem tudo a ver com saúde financeira, tem a ver com produtividade. E aí volta para a questão lá que eu tô pesquisando há 2 anos para o meu livro. Nós estamos convivendo muito com máquinas, só que nós não somos máquinas. Outro dia eu vi uma foto muito interessante que era um robô, né, falando assim para o chefe, né, I'm not a robot. Na verdade não era um robô, era um humano com cara de robô, mas na verdade assim Nós não somos máquinas, então não adianta você querer trabalhar 12 horas em 2 empregos e achar que isso não vai ter nenhuma consequência no seu corpo. Vai. E a gente tem que falar sobre uma questão muito importante, que é atualização de identidade. Se você está fazendo coisas que o seu corpo está suportando com qualidade de vida, ou você tá passando o tempo— a nossa célula é diferente. Aí, hoje eu tô perto dos 40, minha vida é totalmente diferente quando eu tinha 20. Se eu dormia menos eu tinha uma consequência, se eu comia errado tinha uma consequência. Hoje não. Se eu durmo menos, que era o meu caso, por conta desse, dessa condição contrária ao ciclo circadiano, eu tenho uma consequência: eu acordo com ressaca sem ter bebido.
Mas deixa eu, sim, é verdade. Deixa eu te fazer uma pergunta: as pessoas vão ter que continuar trabalhando de madrugada, isso não vai mudar. O noticiário tem que estar pronto às 6 horas da manhã, e para isso o pessoal vai ter que passar a madrugada na redação, o frentista vai ter que trabalhar, o médico vai ter que ser chamado no PS, Acontece, sempre haverá vida de madrugada. A gente não vai voltar 150 anos no tempo. Então isso é um fato da vida. As empresas mais modernas hoje já não dão mais tanta importância para horas trabalhadas e investem muito no bem-estar do funcionário. Você vai numa startup, vai no Google, você vai ter um puf, vai ter uma mesa de ping-pong, a pessoa pode—
Vai ter um ambiente para tirar um cochilo.
A pessoa pode fazer o próprio horário. Benefícios de academia, etc. Etc., etc. É um bom começo, é por aí também.
Além das questões empresariais, existe o autocuidado, a autorresponsabilidade. E eu gosto muito de frisar isso porque eu não estou aqui contra empresas banalizando burnout, falando que tem que buscar, né, os seus direitos. Bom, buscar seus direitos, isso é evidente, isso pode, né, ser feito por qualquer pessoa. Entender quais são os direitos do trabalhador Bom, agora, perdão, é muito importante a gente encontrar limites nesse mundo sem limites. O que é isso? Como você disse, todo mundo vai continuar nesse ritmo, só que tem pessoas que reagem melhor acordando cedo, tem pessoas que reagem melhor acordando tarde. Quem já não ouviu: ah, eu não funciono de manhã? E aí, tudo bem, tá certo, essa pessoa então, se ela é colocada no ambiente é muito penoso, ela vai ter problemas de saúde, vai ter problemas de rendimento. Então o que que eu costumo dizer para os RHs, que eu tenho feito palestras inclusive nas empresas para falar sobre isso: perca ou invista 5 minutos conversando com esse funcionário para entender se esse talento ele tá no lugar certo, porque às vezes é um ajuste de horário, de posição, que vai facilitar. É a mesma coisa que você tá falando de futebol, né? Mesma coisa que colocar um goleiro Sei lá, uma outra posição que ele não executaria a função com a melhor maneira. Ele é um mau atleta? Não. Ele é um péssimo jogador? Não. Ele só tá na posição errada. Poxa, é difícil entender que isso no ambiente de trabalho vai trazer mais retorno financeiro para as empresas, entende? Então o movimento hoje do burnout, esse movimento sobre saúde mental, interfere totalmente na saúde financeira das empresas, produtividade. E a OMS ratificando validando que isso decorre do ambiente de trabalho, é a melhor notícia dos últimos tempos. E vou repetir, essa interpretação que ontem apareceu com um porta-voz, ela não muda nada. Ela só revisa o seguinte: não é uma doença, porque é um conjunto de doenças, é um conjunto de sinais e sintomas, por isso que chama síndrome. Então, como o texto veio em inglês e a gente sabe que uma tradução depois é replicada na internet 200 vezes, ninguém vai lá validar, Ah, então foi isso. Depois que alguém revisou, viu, opa, mas espera lá, é um fenômeno profissional, ponto, incontestável.
Eu me lembro também que a gente conversou quando você ainda tava com o ministro Marcos Pontes, que a gente conversou em Israel, que a gente tá organizando uma entrevista e tudo mais. E você passou um curto período até no ministério, porque em razão também da doença você saiu do ministério?
Eu pedi exoneração para poder viver a minha vida com integridade, poder falar sobre esse assunto com mais oportunidades. Então isso inclusive faz eu te dar uma outra resposta. Muitas pessoas perguntam: quando você tem burnout, você pode voltar a trabalhar? Sim e não. Sim, é porque você pode voltar a trabalhar do jeito que você estava, se você quiser. Mas será que vai fazer sentido você voltar para aquele mesmo esquema que você estava?
De você já doer, seu saiu da Globo, você recebeu sim, por isso entrou no Ministério?
Não, eu, quando o Ministro Marcos Pontes ele me chamou para trabalhar, eu conheci entrevistando para o meu livro, foi assim uma das melhores validações de confiança, de chance. Eu tentei, tentei, só que eu saí de um furacão e entrei em outro furacão, porque o trabalho no Ministério ele é maravilhoso, ele gera muito conteúdo, entende? Só que Eu reconheci a minha vulnerabilidade em saber que agora eu não consigo neste momento fazer o que eu fazia no passado, trabalhar 12, 13 horas com a função de 3, 4 pessoas. Eu não posso acumular funções neste momento. Pode ser que no futuro eu volte a acumular funções, mas agora não. Reconhecer essa vulnerabilidade é um baita banho de consciência para você cuidar da sua vida com responsabilidade, porque se a gente só aceitar e— ah, porque hoje como é que muitas empresas fazem? Elas te remuneram com mais trabalho. Nossa, legal, parabéns, parabéns, agora vou te dar mais um trabalho, né? Muitas empresas a gente sabe que faz assim. E isso acaba criando uma ilusão na cabeça do sujeito, né, que ele se sente valorizado, sim, Só que isso vai ter um custo. Olha o que eu estou falando, sem interpretações equivocadas. Não estou indo contra nenhum comportamento, eu só estou dizendo que aquilo que parece ser muito positivo vai gerar um custo, vai gerar uma fatura. A fatura chega na forma de doença, tá? O que que o Boechat falou, nosso querido, amado Boechat falou quando ele voltou da licença médica? Preciso dar uma reduzida, precisa dar uma pisada no freio. Pronto, depois ele não voltou a fazer tudo que ele fazia? Então pronto, é isso. O burnout é um freio, não é o fim. Então você pode voltar a trabalhar? Pode. Muitas pessoas me perguntam: ah, você quer voltar para TV? Aí eu digo: eu nunca quis sair, eu nunca pedi para sair, eu só tive uma licença médica e voltei. Como o Nascimento aconteceu lá no SBT, aliás, uma postura impecável do Silvio de reconhecer, né, aquele problema de saúde, independente se é dentro ou fora, no caso dele, do Nascimento, Mas ele foi acolhido. Então, empresários que estão nos ouvindo, equipes de RH, seres humanos, todos nós somos seres humanos, todos nós merecemos um pouquinho de atenção para a gente poder executar o nosso talento da melhor maneira, sem adoecer.
Isabela, você fica mais um pouquinho com a gente? Eu preciso pagar um break agora, porque senão depois eu vou ter que fazer um camelo passar por um buraco de agulha.
E também precisamos ir a Madrid.
Ah, precisamos ir a Madrid? É isso, estamos chique aqui. Como diz o Vitor aqui, sem perca de tempo. Tempo, exatamente. 11 horas e 5 minutos, estamos recebendo a Isabela Camargo, minha colega Isabela Camargo, que se tornou uma porta-voz da síndrome de burnout. Como ela já disse, não é uma doença nova, não é doença dos tempos modernos, ela só ganhou uma nomeação.
E participem, que no YouTube aqui estamos demais com a participação, sabe?
Bullying aqui no canal. Como é que era na nossa época? Existia a palavra bullying? Gozação. Hoje é bullying. Então você vai falar que bullying é novo? Vai falar que bullying é novo? Não. O nome é novo para um problema velho. Burnout é a mesma coisa. Síndrome de burnout é o nome novo para um problema antigo. Nossas mães tiveram estafa e nossas bisavós tiveram neurastenia, termo definido pelo médico George Miller Bird em 1869 num livro chamado American Uma sociedade americana que estava entrando em colapso nervoso porque estava fazendo muita coisa. Sabe qual a ironia disso? Lembra que eu te falei do Thomas Edison, 1879? O termo neurostenia foi definido em 1869.
Calma, Megali, a gente vai ter que ir para Madrid agora.
Anos antes. Vai, vai falar.
Mas é o que você fala, é verdade. Ou a síndrome do pânico passou a existir recentemente? De jeito nenhum, sempre existiu, sempre existiu. Só que a pessoa internada num manicômio era higienista, era diagnosticada como histérica. Essa pessoa está histérica, né? Depressão, mesma coisa, a pessoa tá não sei o que lá, virava louco, era um termo genérico para alguém que tinha um problema cerebral ali, um problema na mente. Essas doenças da mente felizmente foram sendo catalogadas, descobertas, e os remédios foram chegando. Ou 100 anos atrás alguém sofresse do que é hoje um distúrbio do pânico, seria internada, porque não tem condição de viver.
Como nós fazíamos, né? A gente excluía, isolava para ninguém ver.
Mas tava aí, enfim, estamos andando para frente, é isso que importa. Corra lá até o YouTube, o Facebook da Rádio Bandeirantes. A Isabela está conosco aqui em loco no estúdio. Nós estamos aqui lendo, anotando, guardando, e faremos as suas perguntas. Antes, nós vamos viajar a Madri porque estamos a 3 dias da final da Champions. Garrafinha fica me enchendo os pacuá aqui para colocar a trilha da musiquinha lá.
Legal, sabe que só nós vamos transmitir, você tá sabendo disso, né?
Só nós, é nossa, exclusiva da Rádio Bandeirantes. Que horas são agora em Madrid? O Bernardo, bom dia para você, meu velho.
Bom dia para você, hein, Megália. Aqui 4 horas e 7 minutos já, portanto boa tarde. É o seguinte, eu tô num bar sim, mas eu vou ser mais chato ainda do que o Garrafa. Toca um Beatles aí, você vai entender o porquê. Vai, acha um Beatles aí.
Como você pensa, você podia pelo menos ter avisado antes, né? Vai falando aí, Bernardo. Você tá onde? No Caverna? Você foi até Liverpool?
Não, não fui até Liverpool, estou em Madrid, estou na Plaza Mayor. Olá, estou dentro de um bar aqui na Plaça Mayor de Madrid, na região central. Você vai falar: ué, mas existem milhares de bares aqui. É verdade, só que é o seguinte: achei um bar aqui, Megali, na região central de Madrid, onde há duas fotos históricas dos Beatles. Eu vou mostrar a primeira delas, que tá aqui, ó, para quem nos ouve no melhor dial do FM e no AM também do Brasil. É uma foto dos quatro Beatles, Ringo, John, Paul e George, caracterizados como no álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band de 1967. Para muitos, melhor Disco dos Beatles. Tudo bem, até aí tudo bem. Vários bares no mundo tem uma foto dos Beatles, só que essa foto particularmente tem um autógrafo do Ringo e do George. Melhor ainda, os dois frequentavam esse bar aqui com bastante, assim, várias vezes. Eles vinham muito aqui. Há uma foto ao fundo, tem uma foto do John Lennon com a Yoko, uma foto autografada pelo John Lennon, que também vinha aqui. Então é um bar histórico, um bar escondidinho, pequenininho, pequenininho, né? Você viu aqui, não deve ter mais do que 20 metros quadrados, mas histórico pela presença sempre marcante de 3 dos 4 Beatles: o John Lennon, o Ringo Starr e o George Harrison.
Daqui a pouquinho esse bar vai ser invadido, no mínimo, por torcedores ingleses, né? Beberrões ingleses. São quantos? 40 mil é a previsão de que viessem a Madrid?
Não, 100 mil. A previsão de 100 mil turistas, majoritariamente, claro, ingleses, né?
Bom trabalho para você então, Bernardo.
Se for beber, a bela música que você escolheu aí, My Life, do Robert Soul, né?
Um abraço para você, um abraço. Sabe, ela é muita gente aqui no, na nossa live elogiando você, a sua postura, sua coragem, mas há aqueles que fazem perguntas provocativas, né? Tem muito, muita gente dizendo: olha, mas se você trabalhou de madrugada Isso foi uma escolha sua? Você poderia não trabalhar de madrugada?
Não foi. Quando comecei a trabalhar na madrugada, foi uma excelente oportunidade, inclusive para— eu adoro dar bom dia. Isso é uma— eu gosto de começar o meu trabalho podendo deixar a vida do outro, o dia do outro, com mais informações, consequentemente mais agradável, sabe? Só isso é uma coisa minha.
Adoro também, sempre fui do dia. Adoro, eu gosto, eu gosto do noticiário matutino.
Quando eu trabalhava aqui no BandNews TV, eu saía 1 hora da manhã Aqui não era legal, mas eu amava também. Entende? Você vai se adaptando, com o tempo você vai mudando, né? Mas agora eu adorava fazer sim a madrugada, como eu disse, não havia problema nenhum acordar segunda-feira e vou trabalhar. Graças a Deus eu tenho, tinha trabalho. Bom, aí eu depois de alguns anos trabalhando na madrugada, eu fui sentindo que aquele esquema não me fazia bem, ponto. Quando percebi isso, fui adquirindo as patologias gastrointestinais, cardiovasculares, taquicardia, transpirações excessivas, né, desorientações físicas e tal, e mentais, é que eu percebi, falei: opa, esse horário para mim não funciona. Aí eu pedi ajuda do RH, da minha chefia, não tive essa mudança, e aí eu cheguei ao burnout. Então não é que eu trabalhei na hora da madrugada porque eu não quis, eu pedi muito para fazer uma pequena alteração momentânea, sei lá. Tanto que quando eu fazia às vezes alguns horários do dia, para mim não era trabalho, Era como se tivesse de férias. O fato de poder dormir às 10 da noite e acordar 5 da manhã era um tesão. Isso mostrava que eu só estava no horário errado, entende? Então não tem, não tem isso não, tá, gente. E aí entra aquela questão: naquela época eu me preocupava muito assim, eu vou pedir para sair, será que eu vou conseguir depois ser recolocada em outro lugar? Porque a gente vive também num país com 13 milhões de desempregados.
Só que aí eu não tinha esse autovalor. Só quem Só quem vive de herança consegue falar uma coisa dela: não tá feliz, saia. Como se a realidade do trabalhador fosse essa.
Sabe que quando aconteceu a minha saída, muita gente, né, achou que era isso, era aquilo, frescura. E aí vem a OMS e fala: não é frescura. Então por isso que eu te falo que é a melhor notícia dos últimos tempos. Muitas pessoas falaram assim: ah, mas você podia ter saído. Não, eu tinha responsabilidades financeiras. É o que você acabou de falar, só quem vive de herança, ou alguém que tá com algum cônjuge milionário. Não, gente, eu comecei a trabalhar aos 13 anos, sabe? Eu trabalho porque eu gosto, porque eu quero, porque eu preciso. Eu não tô aí de bunda lelê, sabe? Então eu sou muito responsável. E aí também um outro ponto em comum com as histórias que eu tenho acumulado aí nesse banco de dados, são mais de 1000, além da infelicidade, são pessoas que gostam de resolver problemas, são perfeccionistas e gostam do que "Mas eles fazem, é tudo que o empregador quer, uma pessoa que veste a camisa, que tá lá o tempo inteiro." E aí eu costumo dizer para os executivos nas palestras assim: aquele cara que te elogia por ter respondido um e-mail 3 horas da manhã não vai ser o cara que vai te visitar no hospital. Porque a hora que você adoece, você é abandonado por todas aquelas pessoas que você achava que estavam preocupados com você, que faziam parte do seu sistema e tal. Só que nessa época, Megali, aí que tá, por isso o tempo, né? Eu pesquisando bastante, hoje eu posso dizer, e com essa mensagem otimista para quem está passando por isso: calma, se valorize. Porque, como eu disse, a gente tem falta de mão de obra qualificada em vários setores. Não venha com esse assédio moral de que, ah, se você não quiser, tem uma fila querendo fazer. Que não, o talento custa. E como eu te falei, custa dinheiro você afastar, custa você ter que contratar uma outra pessoa, você treinar essa outra pessoa. Então nós estamos agora num excelente momento da sociedade para discutir os novos tempos, as novas formas de trabalho, Quando alguém me falar assim: "Ah, mas isso é frescura", vamos lembrar que nos últimos 150 anos a gente vem mudando a nossa forma de trabalho, sabe, com a Revolução Industrial, com a subtração das horas de sono para a gente dar conta de uma agenda cada vez mais cheia, porque a gente vive numa sociedade que você tem que fazer mais, ganhar mais, fazer, né? E aí eu venho com a mensagem: "Pera, você é humano, você precisa se cuidar, nós não precisamos mais de rótulos, tá? A gente não precisa mais de..." de mais conversinha fiada, mais desinformação. Não, o burnout é uma defesa do seu corpo para você não ter algo pior. Sabe o que é pior que o burnout? Karoshi.
O que que é karoshi?
Karoshi é a morte súbita por excesso de trabalho, que é um fenômeno muito comum no Japão. Desde a década de 80, o governo paga uma pensão para famílias com vítimas de karoshi. 1980, karoshi é a morte súbita por excesso de trabalho.
Então assim, Você tá trabalhando, daqui a pouco você parou.
Você tem milhares de casos, dá um caroncha aí para você ver na internet que você vai entender o quão profundo e importante essa conversa que a gente tá tendo. Porque o burnout é uma defesa do corpo para você não ter algo pior. O infarto é pior, AVC é pior, sabe? E outra coisa, bandeira amarela, os médicos estão analisando muito acidentes que acontecem no trajeto do trabalho. Pessoa, sabe, a pessoa que sai de madrugada e já tá exausta, não tem condições nenhuma de ter mais uma atividade, bate o carro na ida ou na volta do trabalho. Tudo isso é consequência.
Você sabe que a gente tava falando aqui fora do ar, e aí você tava comentando que tinha dificuldade para dormir. Que que você tentou fazer para conseguir dormir? E assim, a gente falou assim, não, você tomou alguns remédios, a gente falou assim, tu até o Rivotril. Eu, eu vou trazer uma experiência caseira aqui porque minha mãe teve depressão e acompanhei de perto esse processo dela. Que ela tomou esse remédio e quando eu fui pesquisar eu vi que era um remédio fortíssimo. Rivotril é um remédio fortíssimo. E você disse que o Rivotril não funcionava.
É porque eu tava colocando meu corpo numa situação estressante e penosa por muito tempo. Então eu tentei por muitos anos não chegar no remédio. Então o que que eu fazia? Chá de camomila, meditação, florais, pedras quentes, tudo que me diziam. Olha, bota um filtro dos sonhos no quarto.
Essa bobageada.
Não, é, algumas pessoas. Não é bobageada não. Ajudou bastante, mas não o suficiente para que eu não tomasse remédio. Aí, mas o mais engraçado de todas as coisas que eu fiz para dormir foi uma técnica que me disseram, que assim, olha, deita, gira o pé direito 40 vezes para o lado direito e o pé esquerdo 40 vezes para o lado esquerdo, que aí você vai se concentrar nesse movimento e o sono vem. O sono vem às 5 da tarde, com calor do verão de 40 graus, no barulho da cidade que continua vivendo.
Então, ou seja, não dormir, contar de 100 até 1, é contar, eu fiz de tudo, contar carneirinho, eu fiz tudo que eu pude, mas eu não conseguia.
Ok, fragilidade, vulnerabilidade, não conseguia dormir 5 horas da tarde no barulho da cidade. Aí eu entrei no remédio.
Tanta gente, você entrou no remédio, eu conheço tanta gente que entra na birita se evita. Sim, o cara precisa dormir às 5, começa a beber às 2, a 1, às 4, o cara tá mamado.
Pronto.
Agora calcula um cara que tem que fazer isso todo dia, acorda de ressaca, vai trabalhar. Imagina esse ciclo negativo que você tá criando no seu corpo.
E aí não é só acordar, é acordar com raciocínio genial. Você tem que produzir intensamente. Eu digo que eu ia do estado dormindo ao produzindo em uma hora. Então, dependendo da função que eu tinha, ou na previsão do tempo ou na apresentação, né, do jornal integral, eu tinha que ter uma rotina. Então, ou acordava meia-noite, ou 1 ou 2 da manhã. Para cada posição que eu atuava, igual goleiro, para goleiro, para atacante, é uma posição que você vai, né, uma conduta que você vai ter. Eu tinha uma rotina. Olha, é um assunto que, diga lá, Garrafinha, tem pergunta aí?
Tem pergunta que é legal até a participação do nosso internauta, do nosso ouvinte também pelo WhatsApp. E aí tem o Miguel Alfonso, ele fala que ele é colombiano, não sei se ele tá na Colômbia, aqui no Brasil, mas tá acompanhando pela internet. Então isso não impossibilita em nada. Ele diz o seguinte: síndrome de burnout pode levar até PTSD, que é o pós-traumático stress disorder.
Isso tem nome em português, é estresse pós-traumático, que é aquilo de que sofrem os soldados que vão para guerra lá nos Estados Unidos, e alguém passou por uma experiência estranha?
Eu não teria essa resposta, porque aí nós teríamos que consultar um médico, né? Eu tenho pesquisado, mas eu também não tenho todas as respostas. Mas, como eu falei, episódios estressantes por longos períodos são fatores preponderantes para você desenvolver o burnout.
Ô, Isabela, a gente precisa terminar, mas você tá legal agora?
Caiu algum parafuso?
Não, mas—
Eu fiz algumas coisas aqui—
Mas os seus sempre foram meio soltos, Eu nunca vi nenhum caindo. Então, querido, obrigada pela oportunidade.
Porque eu fiz o tratamento adequado, eu estou muito atenta aos gatilhos. Quais são os gatilhos? Aqueles que eu tive em Brasília. Eu tava trabalhando demais, fazendo funções, acumulando funções. E aí eu falei, não, pera lá, eu tenho muita coisa bacana para fazer. Eu tenho um livro para terminar de escrever, eu tenho um documentário sobre o assunto para fazer, eu tenho um fórum de saúde agora no final do manhã para falar sobre saúde mental.
Ah, só para encerrar, você não tá caindo no mesmo erro de se entulhar de trabalho e daqui a pouco você não tá, enfim, você entendeu o meu raciocínio aqui?
O Edgar lá da Jovem Pan, ele falou para isso para mim lá no Morning Show. Não, e vou explicar por quê. Lembra que eu te falei sobre a infelicidade? Uma coisa é você estar trabalhando sabendo dos seus gatilhos e reconhecendo. Hoje quem faz a minha agenda sou eu. Então eu tô numa maratona de trabalho desde segunda-feira, só que amanhã já é outra história. Então eu sei hoje quais são os meus limites, por mais que eu tenha episódios de muito trabalho, depois eu já vou ter episódios de descanso, coisa que eu não tinha, porque eu não é que eu só trabalhava de segunda a sexta de madrugada, eu também tinha um sábado de 13 horas fazendo 5 jornais. Então por isso que a gente não pode analisar só um aspecto. E aí quando eu vejo pessoas pedindo ajuda me agradecendo por essas informações, isso me dá muita alegria de continuar. Eu não estou aqui porque eu preciso estar aqui, estou aqui porque eu quero informar as pessoas sobre esse assunto que é visto com tanto preconceito há tanto tempo. Como eu te falei, há 150 anos já tem literatura específica disso, só que o nome mudou.
Já dá pra fazer propaganda aqui do livro, do documentário, ou a gente vai ter que trazer você de novo?
Vocês podem me trazer de novo, mas São assuntos incríveis e eu sim, eu tomei essa decisão em sair do ministério para poder cuidar desses assuntos que, na minha opinião, eu tenho agora condições de falar com bastante propriedade.
Muito prazer tê-la, Isabela. Obrigado. Isabela Camargo, jornalista. Vai voltar.
A quantidade de mensagens, só para dizer que eu não estou mentindo, é só acessar o YouTube da Rádio Bandeirantes, é impressionante. Inclusive o Zé Paulo de Andrade mandou uma mensagem aqui parabenizando e falando que queria falar com você, pediu para passar o celular dele para você.
As ordens, qualificadíssimo.
Você sabe que agora eu só tenho andado de táxi, né, gente? Uber, táxi é vida. Nossa Senhora, quando eu tô atrasado, já vou no táxi, vai na faixa. Quando a condição financeira não tá muito boa, vamos no Uber. Enfim, e aí direto eu entrando nos carros, né? Tá sempre ligado na Rádio Bandeirantes.
E quando não tá, tem que dar esporro, tem que falar assim, ó, bota aí nos 94.
E o outro repórter aqui que eu acabei de cumprimentar, queridos, uma discussão incrível. Eu falei, olha, "Olha, que bacana!" Sabe? Então é muito bacana ouvir aquela rádio, aquele produto que você participou, sendo muito respeitado por pessoas que você nem conhece.
Foi um prazer tê-las agora. Um beijo para vocês.
Obrigada.
Vamos lá, 11 horas e 21 minutos.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








