Programa Direção Espiritual com Padre Fábio de Melo na TV Canção Nova

Padre Fábio de Melo and journalist Isabela Camargo discuss burnout, anxiety, and how modern life affects mental health. They share personal experiences and examine why stress and well-being have become central concerns in society today.
Chapters
Tudo da Canção Nova em um só lugar. Canção Nova Play.
Só quem já provou a dor Quem sofreu se amargurou Viu a cruz e a vida em tons reais Quem no certo procurou Mas no errado se perdeu Precisou saber recomeçar. Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar. Porque aprendeu na derrota algum motivo pra lutar. E assim Viu no outono a primavera Descobri que é no conflito Que a vida faz crescer Que o verso tem reverso Que o direito tem um avesso Que o de graça tem seu preço Que a vida tem contrários E a saudade é um lugar Que só chega quem amou E o ódio é uma forma tão estranha de amar Que o perto tem distâncias E o esquerdo tem direito E a resposta tem pergunta E o problema a solução E que o amor começa aqui No contrário que há em mim E a sombra só existe quando brilha alguma luz Só quem soube duvidar Pude enfim acreditar Deus sem ver e amor sem aprisionar Quem no pouco se encontrou aprendeu multiplicar Descobriu o dom de eternizar Só quem perdoou na vida sabe o que é amar Porque aprendeu Que o amor só é amor se já provou alguma dor E assim... Viu grandeza na miséria Descobriu que é no limite Que a vida faz crescer Que o verso tem reverso Que o direito tem o avesso Que o de graça tem seu preço Que a vida tem contrários E a saudade é um lugar Que só chega quem amou E o ódio é uma forma tão estranha de amar Que o perto tem distâncias E o esquerdo tem direito Que a resposta tem pergunta E o problema a solução E que o amor começa aqui No contrário que há em mim E a sombra só existe quando brilha alguma luz. Só quem já provou a dor, Quem sofreu se amargurou, Viu a cruz e a vida em tons.
Muito boa noite com muita alegria que nós começamos mais um programa direção espiritual a vida é constante aprendizado todos os dias nós estamos passando pela experiência de viver e se tivermos sensibilidade e sabedoria olhar para aquilo que vivemos e já aprender não precisamos esperar o tempo.
É.
Claro que há muitas coisas que nós só vamos compreender a partir do movimento do tempo, mas é bom a gente extrair o ensinamento nosso de cada dia. É muito bom a gente ter a sensibilidade de fazer com que o meu olhar, o seu olhar, sobre aquilo que vivemos hoje já nos dê a oportunidade de fazer as alterações para amanhã. Porque nós justamente vamos adoecendo à medida em que nós protelamos as mudanças que nos são benéficas. E hoje o nosso programa vai falar disso. Trouxemos uma pessoa que está se tornando especialista no assunto, porque é uma estudiosa, é uma curiosa por natureza, por isso que se tornou jornalista. Eu a conheci no auge da minha crise. Eu estava passando pela fase, por aquilo que já foi tantas vezes partilhado aqui no nosso programa, a minha crise de síndrome do pânico, que me deixou extremamente desajustado. Ela me procurou como jornalista. Na época, estava escrevendo um livro sobre as ansiedades e o tempo que são tão próprios no nosso dia. Como é que nós lidamos com o tempo? Qual a experiência que nós fazemos com o tempo? E hoje, já com o trabalho quase publicado, nós vamos ter a oportunidade. Isabela Camargo, seja bem-vinda. Muito obrigado pela sua presença.
Um privilégio estar aqui. Um privilégio estar aqui, conhecendo sua equipe. Boa noite pra todos.
Hoje nós estamos em São Paulo.
Não é?
Tornando possível a sua presença entre nós, mas ela já tinha prometido que iria a Cachoeira também. Sim, porque... Nosso encontro já era pra ter acontecido há mais tempo.
Há mais tempo, e ele só não tinha acontecido porque eu trabalhava num horário em que eu já deveria estar dormindo.
Só para as pessoas saberem, que horas mesmo você acordava?
Bom, eu passei seis anos e meio da minha vida acordando. Meia-noite, uma ou duas da manhã.
Misericórdia, Senhor.
E aí quando eu falo sobre isso.
Padre Fábio... Ia dormir que horas, Isabela?
Então, deveria cinco, seis da tarde. Mas como a gente não tem um botão para apertar, né, e dizer dormindo.
A partir de agora... Você entrava no ar que horas?
5 da manhã.
No primeiro...
No Hora 1.
Hora 1.
E que depois passou a ser às 4. Hoje o Hora 1 tem duas horas, passou a entrar até mais cedo. Depois eu ia para o Bom Dia Brasil. E no final agora dos últimos meses em que eu trabalhei na TV Globo, eu fazia ainda o intermediário que era o da Globo News, que era o Globo News em ponto. Mas era um produto fantástico em que eu podia interagir A gente tinha uma troca de altíssimo nível, eu e o Burnier, então eram oportunidades muito importantes para passar uma informação para quem estava em casa, porque as informações da previsão do tempo, Padre Fábio, elas interferem em muitas decisões. Não só se vai chover, vai fazer sol para as nossas... Não é só para isso. Os agricultores tomam decisões de plantio ou de colheita a partir da previsão do tempo. E eu falo isso porque a minha família é de agricultores, ainda mora no sítio. E eu vi, por exemplo, uma... Como é que eu posso dizer? Uma lavoura inteira de feijão que foi colhida no momento inadequado, choveu depois e tudo foi perdido. Então, eu sempre tratava a previsão do tempo com muito, muito respeito, muito carinho, pensando nas decisões que as pessoas iam tomar. Então eu chegava muito cedo na TV e entrevistava um metrologista todos os dias.
Você tinha esse contato antes de entrar no ar.
Sim, porque como a gente acaba improvisando muito, você tem que ter esse conteúdo. A gente só pode falar de improviso daquilo que a gente sabe bem. E eu não fiz a faculdade de meteorologia. Eu sou uma jornalista que, por seis anos e meio, falei boa parte do tempo, sobre a previsão do tempo. E aí, esse trabalho exigia que eu chegasse na TV bem antes do jornal começar. Porque aquilo que a gente vê aqui na TV é uma partezinha minúscula de um trabalho que já foi feito por muitas pessoas por muitas horas antes. Muitas pessoas acabam pensando que a pessoa chega, ela faz maquiagem e pronto. Não, mudou muito. Hoje o apresentador, ele não só apresenta, mas ele se prepara para tudo aquilo que vai acontecer durante o dia. Nós temos uma grande amiga em comum, que é a Ana Paula.
Ana Paula Araújo. Que também levanta muito cedo.
Super cedo. E o que acontece, Padre, que é bom a gente comentar, que assim, cada hora que você dorme a menos do que o seu corpo precisa, ou cada hora que você acorda antes do que você deveria, vai causar um sintoma no seu corpo. Eu me lembro que na época quando eu lhe entrevistei, eu tinha entrevistado também uma médica especialista do Instituto do Sono, a Dalva Poiares, e ela me disse que mulheres que trabalham em turnos invertidos têm 84 doenças já na frente do que outra que não tem. E dessas 84, cinco doenças muito graves podem ser desenvolvidas. Naquele momento, padre, eu comecei a chorar quando ela disse isso, porque das cinco mais graves, eu já tinha tido três.
Você está fazendo uma leitura da sua vida.
Eu estava fazendo uma pesquisa, uma entrevista, que é para esse livro, que a gente já dá mais detalhes. Mas quando ela falou aquilo, eu falei, poxa, mas eu não posso ter a quarta e a quinta. Eu já tive três. Aquilo me chamou mais atenção ainda. E aí eu fui pedir para a minha chefia mudança de horário. E eu não tive a mudança de horário. Então, você vai fazendo o que você pode. Você vai em vários médicos, vai tomando vários tipos de remédio, lidando com muitas patologias como se tudo fosse normal. E não é normal. O normal é você trabalhar com qualidade de vida, tendo tempo para dormir, tendo tempo para descansar, tendo tempo para se alimentar. Isso eu fui aprendendo a trancos e barrancos. Por isso que agora, quando eu falo sobre a Síndrome de Burnout, eu tenho estudado muito sobre o assunto, padre. porque muitas pessoas estão em sofrimento mental no Brasil. Sofrimento mental é tudo aquilo que deixa a pessoa fora de um funcionamento normal. A Organização Mundial da Saúde me dá três números que vale a pena a gente reforçar. O Brasil é o país número um em ansiosos do mundo.
Osciosos.
Ansiosos.
Ansiosos.
Ansiosos do mundo. O segundo lugar em depressivos só perde para os Estados Unidos. E o segundo lugar em estressados só perde para o Japão.
Os japoneses são estressados?
Sim, sim. Porque existe uma cobrança por resultado muito acirrada, especialmente depois da recuperação da Segunda Guerra.
Interessante que essa semana eu vi uma informação de que há um grande número de suicídios entre jovens japoneses.
Padre, isso é um problema gravíssimo. E quando as pessoas...
Aliás, eu quero só fazer uma introdução para as pessoas entenderem que hoje eu estava voltando, vindo para São Paulo, e eu estava ouvindo uma notícia na rádio Jovem Pan, dizendo que a ponte que liga Vila Velha à Vitória estava sendo o palco de situações muito tristes, que eram de suicídios muito recorrentes ali. quase que toda semana uma incidência de suicídio lá na ponte. Ontem nós tivemos aquele episódio no shopping, um rapaz se julgou. Isso é apenas um retrato de uma situação que acontece muito, que está crescendo. E quando eu falei com a minha produtora hoje, assim, Bia, queria muito levar a Isabela para falar comigo sobre esse assunto, porque eu a conheci neste momento. A Isabela se tornou, estava escrevendo um livro sobre o tempo, ela era a jornalista responsável pelo tempo na Globo, ali naquele horário que ela trabalhava, e ela quis desdobrar o conceito de tempo, como as pessoas lidavam com o tempo e como essa lida estava provocando ansiedade, por isso que ela chegou até mim.
Também, padre. Você sabe que eu sempre ouvia as pessoas me perguntando, o tempo tá passando mais rápido?
Não é possível.
Todo mundo fala isso. E aí esta provocação me fez... Me.
Fez querer escrever o livro.
Exatamente. Então o livro antes ele tinha um nome, De Tempo ao Tempo. O tempo tá passando mais rápido ou nós estamos passando mais rápido pelo tempo. Mas aí o nosso Deus é tão maravilhoso que ele me deu agora a minha própria história. Porque antes, eu fui falar com o Padre Fábio...
Quando você me conheceu, eu estava doente, né?
Você estava, Padre, talvez no momento de muita fragilidade, porque a gente não consegue entender Como nós não percebemos tudo aquilo antes?
Antes, justamente.
E você me disse uma frase que eu repito sempre. Padre Fábio me disse assim, Isabela, vai chegar uma hora que a fatura chega, e às vezes a fatura é impagável. E aí, quando você fala do Japão, só para fechar a história lá dos estressados, nós estamos falando sobre burnout, falamos sobre ansiedade, falamos sobre depressão. O burnout, gente, é uma síndrome ocupacional. Síndrome é um conjunto de sinais e sintomas. O que seria pior que o burnout? Karoshi. Karoshi é a morte súbita por excesso de trabalho que acontece no Japão desde a década de 80. O governo, inclusive, padre, paga indenizações para as famílias com vítimas de karoshi. Então, enquanto no Brasil, enquanto a gente ouve a Organização Mundial da Saúde, nessa segunda-feira, ratificando a Síndrome de Burnout como realmente um problema ocupacional, você já tem a morte súbita por excesso de trabalho no Japão desde a década de 80.
Isso é, a pessoa está trabalhando e, de repente, cai morta.
Cai morta, morte súbita por excesso de trabalho. Então, veja, tem algumas histórias que eu acabo me aproximando de pessoas, por exemplo, no Japão, que trabalhavam 100 horas por semana. 100 horas por semana é mais do que o dobro que nós estamos acostumados ou que é o mais adequado. Bom, o que isso significa, padre? Se lá no passado a minha curiosidade foi entender, se o tempo estava passando mais rápido ou se nós estávamos passando mais rápido pelo tempo, eu me lembro que a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, lá do Rio de Janeiro, linda, ela falava assim, Isabela, depressão é excesso de passado, estresse é excesso de presente e ansiedade é excesso de futuro.
Isso é maravilhoso. Vamos repetir para o nosso telespectador. Você sabe que tem muita gente que assiste o programa com o caderninho na mão.
Sim. Então vamos lá.
Gosta de anotar.
E depois eu compartilho contigo.
Ótimo. Depressão.
Depressão é excesso de passado.
A pessoa não está sabendo lidar com o passado, ele prevalece demais e ela se ocupa muito com ele.
Eu diria, Padre, pegando um ganchinho do que você falou logo na abertura, se você me permitir, que é quando a pessoa não vê o aprendizado naquela situação que ela ainda está sofrendo. Porque a gente sabe que, no fundo, tudo vai nos levar para uma evolução pessoal, vai trazer aprendizado.
Paciência, né?
Nossa, mas Isabela, você não sabe da minha dor. Sei sim, gente. A sua dor é a minha dor. É por isso que eu falo com muito otimismo que você vai se livrar dela, você vai se desapegar da dor se você olhar aquele problema por um outro ângulo. Você precisou sentar no chão e chorar pra perceber que tinha alguma coisa errada. Eu precisei ter um apagão no ar, eu tive desorientações físicas e mentais pra entender que aquele modelo de vida não estava fazendo bem pra minha saúde. Então veja, ou você olha isso como um problema, como uma coisa ruim, ou você olha pra isso como um aprendizado.
Melhor do que ter a morte súbita, né?
Pronto, né?
O corpo tá te dizendo alguma coisa enquanto dá tempo de fazer.
Sempre, o corpo sempre fala, né, Pabllo? Sempre fala. Então, a depressão é excesso de passado. O estresse é o excesso de presente. Quando a doutora falou isso pra mim, que eu também entrevistei ela pro livro, eu falei, é realmente, né, excesso de presente. Eu não tava me dando conta que eu também estava tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo. E aí o mais delicado disso, gente, é que nós ouvimos a vida inteira que você tem que fazer várias coisas ao mesmo tempo. Mas não dá, nós não somos máquinas. E até uma máquina, quando você abre muitas telas num computador, por exemplo, ela trava, sabe? Então, o excesso de estresse, o excesso de presente, que é o estresse, e a ansiedade, que é o excesso de futuro. Ansiedade, existem dois tipos de ansiedade. Ansiedade que te faz ficar atenta, querer buscar algumas respostas. E tem a ansiedade que causa a patologia das crises de ansiedade, que é quando a pessoa pensa no futuro, mas de maneira negativa. Uma coisa foi quando você me confirmou da nossa gravação, eu fiquei extremamente ansiosa, mas uma ansiedade boa, porque eu sabia que a nossa conversa seria muito agradável, muito acolhedora para quem está nos acompanhando.
Frutuosa, né, para quem escuta.
Agora, se eu tivesse pensado assim, meu Deus, O que o padre vai me perguntar? Mas eu não tô sabendo. E será que vai ser assim? Será que vai ser assado? Entenderam a diferença? Uma coisa é você pensar num compromisso, pensando o quê? Aquela oportunidade surgiu pra você participar da vida de outras pessoas, você pode contribuir pro crescimento delas, enfim, e por mais que aconteçam desafios, Jogo de cintura, bom humor, vamos em frente. E não pensar naquilo como uma situação desagradável, que vai te trazer sofrimento. Pronto, essa é a questão. Então, é muito importante a gente falar sobre isso, porque são dores invisíveis. E as dores invisíveis são muito mal interpretadas, padre Fábio. Porque nós também crescemos numa crença que doença é perna que quebra, é pele que sangra, é parte que está faltando.
Inflamada.
E não. E doença também são as dores invisíveis. Então hoje nós temos, por esses números que eu lhe disse, 10% da população brasileira em sofrimento mental. E sofrimento mental, os psiquiatras, os neurologistas, toda a turma da Organização Mundial da Saúde confirma, o sofrimento mental é uma situação que te deixa fora de sinc, fora do normal. Vamos entrar aqui no mérito do que é normal, do que é anormal.
Aquilo que cada um percebe de si mesmo. Eu sei exatamente quando eu tô fora do prumo. Você que nos assiste sabe exatamente quando é que alguma coisa não está harmoniosa. É aquele desconforto que às vezes a gente vai desconsiderando, né, Isabela?
Sim.
Vai protelando o que fazer com esse desconforto. Até mesmo em colocá-lo em questão.
Porque existe muito preconceito, não só do ambiente de trabalho, às vezes a nossa família. Não é por mal, tá, gente? O que a nossa mãe, o que o nosso pai, o que os nossos irmãos dizem é pro nosso bem. Porque quando você sente alguma dificuldade, E alguém da sua família fala, não, você tem que continuar, você não pode abandonar. Eles não estão falando isso por mal, porque eles também cresceram com essa crença que nós temos que dar conta de tudo, que você não pode mostrar vulnerabilidade, que você não tem limites. Mas nós temos limites, nós não somos máquinas. Eu adorava errar na televisão, para as pessoas entenderem que aquilo Que eu sou humana. É como o seu livro, né? O ser humano. Ah, Isabela tá com olheira. Sim, eu sou humana. Ninguém é perfeito. Então, muitas pessoas ficam em sofrimento buscando uma perfeição que não existe. E aí é um sofrimento que já gera outras patologias, tá? Os neurologistas confirmam que por mais que você sinta as doenças do pescoço pra baixo, elas começam aqui, do pescoço pra cima. Essa semana nós tivemos uma frase fantástica do cientista Miguel Nicolelles, brasileiro, que ele diz o seguinte, nas últimas quatro décadas nós vivemos a indústria do coração. E agora, nós estamos entrando na indústria do cérebro. O que isso significa? Nos últimos séculos, a força motora era muito exigida. E agora, qual é a força mais exigida, padre? Intelectual. O tempo inteiro, a gente está consumindo informação com o telefone, com outras mídias, e tudo isso consome os nossos neurônios. E vai dando a exaustão. E essa exaustão, essa condição penosa por muito tempo, no caso do burnout, vai te dar esse esgotamento. E aí eu tô aqui pra você que está, de repente, pensando que alguém pode estar com burnout ou não, ou você está vivendo essa situação, eu tô aqui pra te mostrar que não é o fim, tá? O burnout é apenas um freio que vai te colocar na rota que você estava querendo. Alguém consegue fazer uma viagem, padre? Quando você tava indo pra São Paulo, você só acelerou? Não. Não tem que dar umas freadas? Com certeza.
É processual, né?
Então não é fraqueza. O burnout não é fraqueza, não é frescura. É uma defesa do seu corpo para você não ter algo pior. O que seria pior que o burnout, tirando o caroche? Um AVC, uma parada cardíaca. Então é um aviso que o seu corpo está te dando para você parar, como a gente falava, fazer uma pausa, reavaliar. Eu gosto muito de uma questão, padre, que é a atualização de identidade. Porque se nós dormimos diferente da forma como acordamos, imagina depois de um ano. Às vezes a gente está vivendo uma profissão que você sonhou lá atrás. Muitos médicos, 80% dos médicos têm burnout. Muitos médicos, eu ouço, que seguiram essa carreira porque os pais pediram. Então eles vivem num sofrimento muito prolongado. Isso eu chamo de atualização de identidade. Quando você perceber que aquilo que você está fazendo não faz sentido com a sua vida, não faz sentido para a sua qualidade de vida, vamos dizer assim, Se você não atualizar sua identidade e falar, pera lá, gente, pera lá, nós vamos botar ordem nessa casa. Porque a vida é uma só, e a vida, o normal é você trabalhar, mas com tempo para descansar, para se alimentar, para fazer uma atividade física. E aí, padre, eu me lembro de uma coisa muito delicada que você me disse naquele episódio da nossa entrevista, que quando você dá mais do que você tem, vai chegar uma hora que isso fique insustentável. E esse dar pode ser... Não fiquem só imaginando que, poxa vida, são pessoas que vivem ao lado de muitas, porque algumas pessoas se doam tanto, professores, familiares que querem ajudar todos os outros. Isso é um acúmulo de responsabilidade, um acúmulo de função. E aí vai chegar um momento que a pessoa vai ficar tão triste, porque ela está se dando mais do que ela tem para dar. Faz sentido.
Faz sentido, porque é como se a gente esgotasse os recursos que não pertencem aos outros. Eu sempre digo isso. Uma das coisas que tem me facilitado muito na minha lida com o meu quadro é justamente descobrir que eu preciso, em alguns momentos, ser só meu.
Perfeito.
Eu não me dou ao outro. E não significa egoísmo, porque em outros tempos eu me culparia. Antes da doença, eu poderia ter uma visão um pouco distorcida disso. Eu teria até medo de poder dizer isso em público. Eu até gostaria de me dar o direito de ser só meu. Mas ainda que eu fizesse, eu não teria coragem de contar. E hoje não. Hoje eu sistematizo, eu organizo a oportunidade de ser só meu, porque eu tenho consciência de que eu só terei condições de me doar com qualidade se eu viver essa experiência de resguardo.
Isso, perfeito.
E até falava sobre isso ontem numa palestra que eu dei aqui em São Paulo, que nós estamos num estilo de vida, Isabela, que dificulta cada vez mais essa intimidade. esse direito de ser só, e eu não estou falando de apartar-se dos outros, não, é de um cultivo, isso que você falou é muito interessante, a atualização da identidade, quando eu olho para mim e eu percebo com muita honestidade, e sou capaz de responder isso, se o lugar que hoje eu ocupo na vida, no mundo, é de fato o que eu quero. Eu tenho muito medo que, às vezes, por falta dessa pergunta, por falta de problematizar, inclusive é o tema do meu livro, desse meu livro novo, é um momento em que a pessoa tem coragem de problematizar, de fazer perguntas para ela que até então ela não se fazia. Quanto eu custo? Quanto que eu preciso trabalhar para dar conta da minha vida? Será que às vezes a gente não excede muito o tanto que a gente trabalha? Porque a gente custa bem menos, o resto é supérfluo.
Isso.
A gente gasta dinheiro de forma muito errada.
Isso.
Às vezes a gente constrói uma casa de dois mil metros quadrados para usar 34 metros que é a cozinha.
Perfeito. Aí entra aquela frase, né? A felicidade está no simples. E eu me lembro quando eu tinha um sonho, padre, olha só. Logo que eu vim para São Paulo, eu tinha 16 anos, então eu andava...
Você é natural de onde?
Do Paraná, norte do Paraná.
Ah, é você do Norte, do Paraná.
Do Norte, do Paraná, pé vermelho, de Cambira. É uma cidade muito pequena, que fica entre Londrina e Maringá. E, na verdade, eu sou meia Paranãense e meia Mineira, porque meu pai era de Minas e minha mãe era do Paraná. Eu me lembro, quando eu cheguei em São Paulo, olha só que curiosa essa história. Eu trabalhava no Fantasia, que era um programa infantil-juvenil, no final do século passado, lá no SBT. E aí, quando eu via algumas meninas no ônibus, usando uma bolsa cara, daquelas bem poderosas, eu olhava para aquilo e falava, nossa, que legal. Mas eu pensava, eu só vou comprar uma bolsa como essa quando eu tiver. estabilizada financeiramente, quando eu puder ter condições profissionais de ter aquilo. Bom, moral da história. Muitos anos se passaram, eu estudei muito, trabalhei bastante. Quando eu consegui guardar uma reserva, eu falei assim, vou me dar um presente. Vou comprar aquela bolsa que eu tinha visto lá atrás. E, nossa, vai ser um sucesso, padre. Comprei a bolsa. Dois dias depois, eu olhava assim pra ela e falava, nossa, que bobagem. Mas eu precisei passar por aquilo. Foi como você cantou na música, né? Você tem que viver a perda pra valorizar os ganhos. Então, eu, depois de tudo aquilo, eu falei, poxa vida, que bobagem. Então, hoje, eu... Assine embaixo o que você está dizendo sobre essa atualização de identidade, ela é necessária, essa pausa é necessária, e aí entram os novos tempos modernos. Então, aquilo que eu pesquisei durante dois anos, que eu devo lançar ainda esse ano, vai agora ter um outro nome, vai ter a minha história, porque a síndrome de burnout é a consequência dos novos tempos. Desses novos tempos que nos consomem, mas nós não somos obrigados a nada, somos nós que estamos fazendo tudo isso. E como é que eu posso dizer? Essas nossas atitudes, por exemplo, a dependência tecnológica, ela é como a dependência do álcool, do cigarro. Os médicos... Outro dia eu estava no congresso de neurociências para todos. E aí o pessoal lá do Instituto de Psiquiatria, do Hospital das Clínicas, da USP, dizendo da dependência, da diversão à dependência. E aí eles explicam as razões de nós estarmos tão viciados em tecnologia. Porque o nosso cérebro, em algum momento, nós mandamos para ele que aquilo é importante ou prazeroso. Como é quando você quer comer um chocolate, quando a pessoa quer fumar um cigarro, quer tomar uma bebida, porque ela já mandou, em algum momento, aquela informação que aquilo é importante. E se ela não fizer, se ela não se informar, se ela não entrar, se ela não publicar, se ela não gerar um conteúdo, aquilo pode ser negativo. Então tem muitos médicos estudando isso. E essa dependência, padre Fábio, é uma das distrações que não nos deixam fazer essas perguntas tão especiais.
Ficando cada vez mais embrutecidos.
Uma agenda muito cheia não permite que você faça reflexões, não permite que você faça pausas necessárias. Hoje mesmo, desde segunda-feira, eu estou numa maratona, maratona do bem, falando com várias emissoras de rádio e de TV sobre essa notícia da Organização Mundial da Saúde, que é uma das melhores notícias dos últimos tempos, que reconhece o ambiente de trabalho como um gerador da síndrome de burnout. Isso é muito importante porque existem situações em que você tem que olhar para o lado do empregador e para o lado do empregado. Tem o autocuidado da pessoa e também tem as responsabilidades da empresa. Eu tenho falado, inclusive, padre, que a saúde mental, ela interfere totalmente, diretamente, na saúde financeira, na produtividade. Então, nós não podemos aceitar, assim, de uma forma muito simples, que você vai fazer sempre o melhor que você pode e depois que você adoeceu, você vai ser substituído. Porque os talentos custam. Então, as empresas também perdem dinheiro quando um colaborador adoece, aí vai ser afastado, aí vai ser substituído, aí vai ter o tempo de treinar novamente. Ou seja, nós precisamos olhar com mais carinho para essas pessoas. Então, desde segunda-feira, eu venho nessa Maratona do Bem explicando qual foi essa determinação da Organização Mundial da Saúde, o que muda na legislação, plano de saúde, seguro e tal. Hoje, o que eu fiz entre um deslocamento e outro? Coloquei um fonezinho, fiz uma meditação de 20 minutos, entre uma situação e outra, ao invés de ficar consumindo, produzindo, olhando.
Querendo saber.
Porque uma coisa é o que eu preciso saber no meu dia, e a outra coisa é o que eu quero saber. E às vezes você está consumindo aí conteúdo, usando a sua energia cerebral, e depois ela vai faltar para coisas mais importantes.
Nós vamos fazer um rápido intervalo e a gente volta já já com o programa de direção espiritual. Estamos de volta com o programa Direção Espiritual, muito obrigado a você que nos acompanha, que nos divulga, hoje recebendo a nossa querida Isabela Camargo que está nos ajudando a refletir sobre, nós falamos agora há pouco, os novos tempos, as novas formas de viver e Os malefícios, claro, tem tantas vantagens nessa facilidade com que nos comunicamos. Mas você falou de uma coisa aí que eu me reconheci muito. Quando você estava dizendo que a nossa lida com o celular é uma demanda de energia. Não tem como. Em algum momento se esgota. E você sabe que às vezes, no final do dia, eu tenho um cansaço mental que eu consigo identificar que foi o excesso de celular.
Sabe padre, quando eu comecei a desenvolver o burnout eu sentia muito enjoo, muito enjoo.
Antes de você saber o que tinha?
Antes de saber, antes de reconhecer que todas aquelas patologias que eu tinha já era o burnout, já era o caminho pro burnout. Uma coisa que eu acho muito curiosa é que quando a gente adoece a gente quer a solução de um dia pro outro, mas a gente esquece quanto tempo você levou pra adquirir aquilo.
A gente levou pra construir o problema.
Eu sentia muito enjoo, e aí eu fui criando algumas estratégias. Então, por exemplo, Instagram, as redes sociais, tudo tem vantagem e desvantagem. Mas aí, para não fazer isso sentada, eu fazia o quê? Em pé, porque aí já começava a doer a perna, aí... Você parava. Eu parava. Mas isso não impede que às vezes eu tenha dias como esses últimos, em que eu fico produzindo mais conteúdo, mas agora com uma finalidade.
Entendi.
Mas aí você vai dizer, tá, mas isso também tem que ter um limite. Pronto. Voltamos à palavra mágica. Impor limites. Reconhecer os limites. Aceitar que você tem limites. Para aceitar que você tem limites, você tem que aceitar que você é vulnerável. Que o padre Fábio, que faz um trabalho fabuloso na vida de milhares de pessoas, também é um ser humano. E nós não somos máquinas. Como nós estamos convivendo muito com máquinas, a gente está confundindo um pouco essa relação. Porque nós temos limitações físicas, muitas coisas vêm da nossa herança genética, outras são desenvolvidas no ambiente que a gente convive. Então uma pessoa pode ter uma predisposição para uma determinada situação, e naquele ambiente ela desenvolve. Ou não. É por isso que pessoas que trabalham estilo de vida, E também a sua genética. Muitas pessoas me comparavam e diziam assim, ah, mas você adoeceu, mas a sua colega não. Sim, nós temos estruturas físicas diferentes, a estrutura celular é outra. Então nós temos que tomar muito cuidado, padre, com uma coisa chamada julgamento. Eu costumo dizer que assim, ficar no raso, todo mundo fica. São poucas pessoas que têm coragem para se aprofundar no mar. Porque vai dar trabalho, tem que fazer um curso de mergulho, comprar uma roupa especial, um aparelho de respiração. Mas, se você fizer tudo isso, você vai ver belezas que poucas pessoas estão vendo. Então, quando a gente olha para uma situação com um pouquinho só de informação, ela vai te gerar uma interpretação às vezes muito equivocada. Então a gente tem que ter um olhar com mais acolhimento para quem está do nosso lado, precisando de ajuda, só que às vezes vai faltar um pouquinho da sua vontade de querer ajudar. E aí muitas pessoas me perguntam, tá, mas eu estou vendo a pessoa precisando de ajuda, como é que eu faço? Pergunta para ela, como eu posso te ajudar? como é uma palavra mágica, que transforma tudo. Sabe, padre, então reconhecer os limites, você reconheceu um limite no passado, que aquela sua agenda, que no primeiro momento era extremamente prazerosa, ela começou a te tirar alegria. E aí é muito curioso, porque você passa um momento e você fala, nossa, mas aquilo que eu queria tanto, agora eu tenho, não estou mais feliz. Mas é a quantidade. Então, a questão é essa, é a quantidade. Eu não estou falando para as pessoas abandonarem suas profissões e todo mundo morar numa casinha de sapê. Não, não é isso. O que eu estou dizendo é o seguinte, as relações comerciais, empresariais, tecnológicas, não vão mudar. É disso pra mais. Nós é que temos que saber quais são os nossos limites. Assim como no passado as pessoas falavam que a televisão roubava o nosso tempo, ninguém te amarrava na frente da TV. Assim como também ninguém te amarra no telefone. O Fábio Coelho, que é o presidente do Google do Brasil, ele me disse uma frase que vale a pena eu compartilhar com vocês. Quando eu perguntei para ele, Fábio, o que vai acontecer com o ser humano, com esse excesso de internet? Ele disse que vai acontecer um movimento muito parecido com o que aconteceu com a alimentação. Quando a gente tinha escassez de comida, era uma situação. Quando a agricultura começou a se desenvolver, uma oferta de alimentos maior, todo mundo começou a comer. Tudo o que tinha pela frente. É como se eu quisesse comer todo o bacon do mundo. Aí ele falou, aí vieram os problemas. Aí você tem os movimentos que voltam. Você tem os veganos, você tem as dietas restritivas. Por quê? porque você não precisa comer toda a comida de uma vez só. A mesma coisa com a internet. Não é porque eu tenho Wi-Fi o dia inteiro que eu vou ficar conectada na internet o dia inteiro. Por quê? À noite, você vai colocar o telefone para carregar. Mas se você dormir menos, se você tirar da sua vida coisas muito simples para a sua qualidade, O telefone de manhã vai estar carregado, mas você não. Você vai acordar cansado, vai acordar exausto, que é como muitas pessoas estão se sentindo. Os neurologistas têm explicado, têm estudado muito que essa caixa mágica chamada cérebro, ela é muito importante e a gente não está sabendo usá-la. Você está consumindo cérebro desnecessariamente com bobagem. Faz sentido, Paulo.
Faz demais. Me diga uma coisa. Para as pessoas que estão nos assistindo. Você disse que são... Que, na verdade, nós não podemos falar de um sintoma apenas. É um conjunto, porque é uma síndrome. Quais que seriam... Eles são muito semelhantes à síndrome do pânico, à depressão, ou você consegue identificar uma diferença naquilo que seria sintomático?
Ah sim padre, a depressão ela pode ser o caminho do burnout ou a consequência do burnout.
Tá, trabalha-se demais. Cria-se aquela indisposição?
É assim. A frase que ontem ouvi de um advogado, que é especialista em PHD na área autora, inclusive do livro Burnout, e as responsabilidades do empregador, ele diz o seguinte, o burnout só vai acontecer, a gente não pode banalizar também, após o trabalhador ficar muitos anos numa situação penosa, colocando o seu corpo numa situação de estresse drástica. Então é diferente você ter um episódio, por exemplo, um final de semana que você trabalhou demais. Isso é burnout?
Não.
Dormiu menos porque foi pra festa e tô exausto. Não é isso. No meu caso, eu fiquei seis anos e meio, trabalhando num horário em que eu colocava o meu corpo numa situação muito ruim, porque eu interfiria no ciclo circadiano. Ciclo circadiano é o ritmo que o seu corpo produz os hormônios, e aí se você não produz, interfere nas glândulas e todo o funcionamento do corpo.
E vai virando um peteco, né, como diz Leminas.
Sabe? E aí, padre, olha que curioso. Até 150 anos atrás, a gente acordava com o sol e dormia com a lua, tá? Por mais que a gente tivesse velas, lamparinas, era diferente, tá? Nós estamos falando de...
Diferente disso, né?
Totalmente. Então, se a gente pensar que só há 150 anos nós temos Esse aparato todo luminoso que nos faz maximizar a agenda do dia, dormir menos. Aí você começa a encontrar realmente sincronicidade no que todo mundo está falando. Agora é a hora do cérebro, agora é a hora da gente olhar com mais acolhimento para as dores invisíveis. porque nós estamos usando o cérebro de uma maneira diferente. O ciclo circadiano é totalmente bagunçado com isso que eu falei. Os horários que você dorme, os horários que você acorda. E aí, para finalizar com a resposta da sua última pergunta, os sintomas do burnout são vários, mas o que eu já consegui cruzar em muitas histórias. Problemas gastrointestinais. O que é um problema gastrointestinal? É aquela dor de estômago que não passa. Levanta a mão quem tem gastrite e que acha que é normal. Não. Ai, nossa, uma gastrite hoje é normal. Não é normal. E aí se a gente lembrar que os médicos falam que o intestino é o segundo cérebro, não é? Pois é. Aí vem Deus e te alerta pelo intestino. Aí você que acha que aquilo é normal, Continua trabalhando. Continua naquele ritmo, naquele ambiente estressante. Não parou pelo intestino? Aí vem o papai do céu e fala, pera lá então que eu vou te parar. Eu vou dar essa freada pra você rever o que você tá fazendo. Comigo foi assim. Então, problemas gastrointestinais, cardiovasculares, taquicardia, falta de ar, enjoo, transpiração, manchas na pele, queda de cabelo, tudo isso é um caminho para o burnout. Vamos lembrar que o burnout não afeta a estrutura do cérebro, ele afeta as funções momentâneas. Eu, quando tive os apagões no ar, que me fizeram procurar o psiquiatra, que aí eu me afastei para fazer o tratamento médico, saí dessa licença médica, Eu estava com tudo isso junto, mas não reconheci em mim os sintomas. Entendi. Acho que nunca vai acontecer nada com a gente. Cada dia é uma coisinha. Você vai tratando tudo como gavetinhas individuais sem lembrar que você é um armário inteiro. Isso mesmo. Então, o seu corpo vai avisando, mas a gente não presta atenção, porque a gente acha que nunca vai acontecer nada. E não. E o nosso corpo precisa de equilíbrio.
E você estava, inclusive, me prometendo um livro que fala justamente da síndrome entre os padres.
Muito. Burnout no sacerdócio. Uma pesquisa espanhola que uma médica, agora não vou lembrar o nome, ela fez um grande estudo e o número é como se fosse sete de cada dez padres estão sofrendo burnout Poucos sabem, porque o diagnóstico é muito mal interpretado. Eu tenho a impressão, padre, que pelos sintomas que você me disse, pelo caminho que você levou, Você também teve burnout. Só que, naquele momento, os médicos que te atenderam falaram...
Identificaram como pânico.
Identificaram como síndrome do pânico. E pode ser. Hoje nós temos uma dificuldade tremenda no diagnóstico real da síndrome de burnout, porque a gente está falando de várias coisas.
Inclusive, há pouco, quando eu estive com um psiquiatra amigo, ele falou que hoje é muito difícil você conseguir... São tantas doenças novas que ainda não deu tempo Nós estamos adoecendo e a ciência não está tendo tempo de dar nome a tudo isso.
Sabe o que está acontecendo?
Lá nas nossas férias, Sandra. O Filipe me disse isso. É.
Padre, Síndrome de Burnout é o nome novo pra doença velha. Porque as nossas mães tiveram estafa.
É verdade.
Nossa, os bisavós tiveram... Minha mãe usava.
Muita expressão, gente, tô com esgotamento nervoso. Esgotamento nervoso em Minas Gerais. É isso.
Pronto. Agora posso dizer uma coisa? As nossas bisavós tiveram neurastenia. Neurastenia foi um termo definido por um médico chamado George Miller Bird em 1869, num livro que chama American Nervoness, o esgotamento nervoso que a sua mãe falava.
Olha isso, gente.
Agora, o mais irônico de tudo isso é que é...
Eu acho que 79, não... 98% do povo tá tudo com bornálise também.
Mas tem cura, tá, gente? Tô aqui pra mostrar, não tá caindo nenhum parafuso, tô ótima, com o tratamento dá tudo certo.
Você...
Quanto tempo você levou pra ficar bem, pra sentir-se bem, desde que você começou o tratamento?
O tratamento, ele é multifatorial, assim como também a síndrome, ela vem também de vários fatores.
O que vai incluir mudança de vida também.
Estilo de vida.
Não adianta ficar tomando remédio.
Pronto.
O meu compromisso comigo foi esse, Isabela. Quando eu percebi que o remédio me deu uma estabilidade emocional, que eu consegui reagir, que eu saí daquela situação que eu estava, eu falei, pronto, agora é hora de tomar decisão.
Isso.
Porque não adianta nada eu continuar com a minha rotina exaustiva... Perfeito. ...de trabalho e... fazer com que o remédio dê conta disso, porque uma hora ele vai parar de dar conta. O que está me adoecendo é outra coisa.
Mas esse pensamento é de uma sabedoria tremenda, porque as pessoas terceirizam a cura. Todo mundo quer comprar o remédio na farmácia... Um remédio e pronúncia. E você me falou uma coisa que eu repito sempre, mas eu sempre dou crédito, tá, gente? Pelo amor de Deus. Eu falo assim, olha, quando alguém vem me comentar sobre a Síndrome de Burnout, mais de 1.100 pessoas me procuraram, padre, para contar suas histórias, para pedir ajuda, tá? Num ambiente, num e-mail formal que eu coloco disponível, realmente, uma pesquisa que nós estamos fazendo para um documentário.
Vamos colocar esse e-mail agora também para você receber mais 1.100?
Vamos embora. tratandoburnout.com tratandoburnout.com. Eu estou com mais três amigas... Vamos.
Soletrar burnout, que às vezes as pessoas não vão saber.
B-U-R-N-O-U-T, tratandoburnout, arroba gmail.com.
É muito importante falar... Tem informação no seu Instagram também?
Também, lá tem tudo. Meu Instagram é Isabela Camargo Real.
Isabela com Z. Z e dois Ls.
Muito metido. Camargo é... Camargo é real e é real de realidade, tá gente? Não é real de realeza, não. Real de verdadeira. Padre, essas 1.100 pessoas me procuraram e contar a história também é muito terapêutico, que cada pessoa ela adquiriu de uma maneira. Ou foi por um excesso de trabalho, ou foi excesso de acédio moral, foi excesso de tudo no ambiente de trabalho.
Tudo aquilo que diz respeito a um ambiente de trabalho.
Eu cruzei uma informação muito importante. Ninguém que está feliz tem burnout. Então a infelicidade está presente em cada e-mail que eu recebi. Por quê? Quando você se sente desvalorizado, quando você sente que você está se dando mais do que você deve, que você pode, mas você assumiu compromissos, aí você não pode, os compromissos financeiros e tudo mais, você não pode recuar, tudo isso vai te gerar uma infelicidade tremenda, que você vai pensar, o que eu estou fazendo? Então, esse meio eu coloquei porque eu estou com mais três amigas, nós estamos desenvolvendo um fórum sobre saúde mental, um documentário sobre burnout, porque é um assunto que precisa de mais acolhimento. E outra coisa, agora... Vamos ligar lé com cré. Cristina Maslach, uma psicóloga que mora em São Francisco, escreveu, na década de 70, um livro chamado The Cost of Caring, que é O Custo de Cuidar. Lá na década de 70, ela identificou um perfil muito possível de ter o burnout. Médicos, enfermeiros, assistentes de saúde e policiais. Por quê? Porque, na década de 70, essas pessoas estavam mais expostas a pressões, e elas não podiam errar. Hoje, eu coloco nessa lista os jornalistas, os padres, todas as pessoas que têm esse custo de cuidar do outro. Por quê? O que acontece quando um médico erra, padre? É um fuzuê, né? Um jornalista, quando gagueja, vira meme na hora. Então, você vive com uma pressão absoluta. O Thiago, meu marido, que está aqui, ele acompanhou hoje cedo eu fazendo uma nota de esclarecimento sobre uma interpretação equivocada da regra da OMS, que foi divulgada na segunda-feira. E ele viu por alguns minutos a minha preocupação na vírgula, porque a letra e tudo mais. Porque a gente sabe que se você publica alguma coisa errada, a gente tem responsabilidade no que a gente fala. com o que a gente fala, com o que a gente escreve. Então, tudo isso tira a sua energia também. Então, hoje, eu entendo que nós estamos vivendo um período de muitas mudanças. Essa aqui da tecnologia, desse excesso de acessos, é só mais uma. Teremos outras. Sabendo disso, Padre, o que nós vamos fazer? Reconhecer os nossos limites. Dizer não. Avisa a família o que está acontecendo com você. Se vocês não sabem do que está acontecendo, fale justamente. Olha, eu não sei o que está acontecendo, mas eu não estou bem. Eu percebo muito preconceito, muito julgamento, muito medo de expor uma dor invisível. Porque, realmente, até hoje eu ouço as pessoas me dizendo que é frescura, que é fraqueza, que é mimimi. Mas ainda bem que agora veio a Organização Mundial da Saúde dizendo que não é mimimi, e sim um problema causado pelo excesso de trabalho.
Pois é. Foi bom demais, não foi? Já acabou?
Já acabou, você acredita? Não é possível?
Pois é.
Uma fala, né? Uma fala, né, gente?
A gente agradece demais porque o programa Direção Espiritual, nós estamos no ar há quantos anos? Doze. Doze anos. Toda semana. 13 anos, a gente ninguém sabe mais, nós estamos todo mundo com síndrome de Down.
Faz mais de 10 anos.
E a gente sempre conciliou aqui, a gente sempre compreendeu que a vida espiritual compreende a vida A saúde física. Hoje eu tô lento, tô cansado. A saúde física é importante demais e nós não podemos separar a vida espiritual da nossa saúde física. Ainda hoje eu fazia uma reflexão no encontro dos padres lá em Taubaté e eu falava justamente disso, com muita simplicidade da necessidade que nós temos de primeiro acreditar no que nós compreendemos, na nossa fé, nós precisamos ser homens de fé, E depois a oportunidade também de sermos desconstruídos. É importante demais a gente saber se desconstruir. É aquilo que a Isabela falava, a atualização da nossa identidade, de você ser capaz de olhar para aquilo que você escolheu, qual é o seu ramo de trabalho. Onde é que você está gastando o seu tempo? Onde é que você está escolhendo ser você? Como, com quem você está escolhendo ser você? E nós compreendemos, Isabela, que essa vida espiritual, quando abraçando todas essas realidades, nós ficamos muito mais concretos e isso interfere de maneira muito positiva na nossa vida.
Sim, a espiritualidade é fundamental pra gente lembrar que nós somos humanos, que nós precisamos dessa pausa pra gente voltar pra dentro. Eu costumo dizer que a saída é pra dentro. E que bom que nós temos você, padre, com tanta verdade, com tanta honestidade, com tanta humanidade, mostrando que você é um orientador espiritual. Você também vai ter as situações que as pessoas que você orienta também. Ou seja, essa sua verdade é maravilhosa. É por isso que tem milhares de pessoas acompanhando os seus pensamentos, as suas publicações, as suas missas, os seus programas, os seus shows. Porque a sua decisão em contribuir para a educação espiritual do outro, ela é fundamental para a nossa sociedade ser mais humana. Então eu espero que o nosso Papai do Céu te cubra de muita saúde e de muita sabedoria para colocar limites, para saber dizer não para aquilo que está fora do seu sistema. Não tem ninguém mais importante nessa vida do que você. Não tem ninguém mais importante nessa vida do que você que está nos assistindo. A sua vida, a sua saúde, a sua tranquilidade, o seu lazer, o seu prazer, tudo isso é importante, sabe? Então, precisamos olhar pra dentro.
Mesmo somente depois que a gente cuida de nós é que nós podemos cuidar de outros, né?
Pronto.
A regra é tão simples. Muito obrigado, Daniel. por estar conosco aqui hoje. Obrigado a Canção Nova de São Paulo, que hoje nos recebe com tanto carinho. Obrigado, Isabela, mais uma vez.
Gratidão.
Que Deus te abençoe. Quando for lançar o livro, vamos fazer.
Mais um programa para falar dele. Claro, com aspas especiais do nosso querido padre Fábio. Gratidão.
Que Deus derrame sobre nós a sua bênção e nos conceda cada vez mais a sabedoria, o discernimento, para que a gente seja capaz de identificar o que que na nossa vida precisa ser modificado. e que a gente tenha coragem de mexer nas peças do tabuleiro da vida, porque não faz sentido a gente julgar sabendo, ou melhor, continuar perdendo sabendo que nós temos uma forma de modificar o jogo e passar a ganhar. Derrame sobre nós a bênção do Deus Todo-Poderoso, Ele que é Pai, Filho e Espírito Santo. Amém. Até a semana que vem, se Deus quiser. Tudo da Canção Nova em um só lugar. Canção Nova Play.
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Depois de tantas histórias, aprendizados e pausas necessárias, o @interior_iza está de volta








