Programa - Totalmente Excelente

Paulo Bonfá interviews journalist Isabela Camargo about her book on finding limits in a world without them. She discusses her 2018 burnout, FOMO, always-on culture, and practical strategies like micropausas and mindfulness to reclaim time and set boundaries.
Chapters
Se no chão, enfim, este é o Totalmente Excelente. Eu sou o Paulo Bonfá. Duas boas-vindas a você para uma conversa importante. É com a nossa colega Isabela Camargo, que está aqui, jornalista e escritora. Tudo bem?
Tudo ótimo, Paulo. Olá para todos que estão aqui conosco.
Eu falei jornalista, escritora, mas também palestrante, produtora de conteúdo nas redes sociais, enfim, você tem hoje múltiplas atividades aí de comunicação, como jornalista que é, mas você tem um livro, que eu acho que é o seu último lançamento, o seu mais recente lançamento, que é muito importante, talvez, para o momento que a gente está vivendo hoje. Vamos falar um pouquinho dele nesse início de conversa?
Claro, Paulo. Primeiro, obrigada pelo espaço e pelo tempo. O tempo que vocês estão me dando aqui e o tempo que quem está nos assistindo também está compartilhando conosco. O livro se chama Dá um Tempo, Como Encontrar Limite em um Mundo Sem Limites. É o meu primeiro filho literário, Paulo, mas eu comecei a escrevê-lo em 2017. Então foram quase quatro anos juntando informações para entender o que está acontecendo com o nosso tempo. Tudo partiu de uma insistência minha em querer buscar resposta para uma frase que eu sempre ouvia. Isabela, o tempo está passando muito rápido. O tempo está voando, alguma coisa está acontecendo de errado. E aí, para um jornalista, né, gente, quando a gente encafifa com algo, a gente vai atrás. E aí, Paula, eu fui buscar primeiro com físicos, astrônomos, cosmólogos, se o tempo da natureza estava alterado. E evidente que eu entendi ao longo de 150 histórias, inclusive. Então, eu comecei lá no Observatório Nacional com os físicos e fui até Fernanda Montenegro, maestra João Carlos Martins. O prefácio, inclusive, é do Mário Sérgio Portela. E eu trago outros filósofos, como o Karnal, o Clóvis Barros, Amon Jacó, enfim, uma turma que a gente respeita muito para entender, então, o que nós estamos fazendo com este tempo mecânico. O que nós estamos fazendo com o nosso calendário. Então, eu não vou dar aqui um spoiler, mas é evidente que o tempo da natureza continua igual. Então, o sol está nascendo e se pondo no mesmo ritmo, as fases da lua, as estações, inclusive a gente já está aí com a chegada da primavera. Então, esse tempo da natureza continua o mesmo, mas o nosso tempo Ele está totalmente diferente, por conta da tecnologia e pelo Zeitgeist desse nosso tempo.
É isso aí, vamos colocar o alemão em dia aqui nessa terça-feira, o Zeitgeist.
Zeitgeist, Paulo, é o espírito do tempo. É um conjunto de crenças que formam a cultura deste nosso momento, marcado por uma macro-tendência. E qual é a macro-tendência desse nosso Zeitgeist? O algoritmo. que foi desenvolvido com a tecnologia e com a internet que todos temos agora à disposição full time, o algoritmo é o que determina o zeitgeist deste nosso tempo. Só que aí, Paulo, eu passo a palavra para você para dizer o seguinte, nosso mundo é digital, mas o nosso cérebro ainda é analógico. Então, falar do tempo, pedir uma pausa voluntária para evitar uma pausa voluntária, é fundamental para estes novos tempos, porque o algoritmo, a internet, este excesso de acessos é ilimitado, mas a nossa saúde, os nossos limites precisam ser observados.
Ah, lógico, inclusive as pessoas estão padecendo mais intensamente desde o mês de março de uma intoxicação por excesso de informação, né? E é uma informação preocupante, né? Uma informação sobre como vai a saúde, o que vai acontecer com a economia, como vão ficar as escolas das crianças, quais são as últimas notícias, né? E uma ansiedade gerada. Eu quero até aproveitar, Isabela, e... relembrar o teu caso pessoal que você depois transformou, aliás, fez uma transformação pessoal da sua vida a partir de uma experiência que foi traumática, acredito eu, bastante de vivenciar na pele. A síndrome de burnout que foi um episódio marcante na tua trajetória. E isso é algo que afeta muitas pessoas, é um nome novo talvez, é uma referência nova para muita gente, mas que está ligada a hábitos de trabalho e de comportamento e de pressão e de administração do tempo. Enfim, várias questões que estão todas interligadas e que são um dilema dos homens e mulheres modernos. Não dá para fazer tudo. E o que eu vou fazer primeiro? E o que eu vou ficar sem fazer? E como eu vou viver com isso? Como que foi a tua descoberta?
Paulo, vamos lá. Toda pausa violenta, ela é muito triste. O que eu chamo de pausa violenta? Uma demissão sem justa causa, a morte de alguém, o diagnóstico de uma doença, isso tudo eu chamo de pausa involuntária. E é por isso que eu insisto tanto, o mantra da Isa é pausa voluntária para evitar uma pausa involuntária. Essa pausa, Paulo e todos aqui que estão nos acompanhando, são micropausas durante o dia, para que entre uma tela e outra, para que entre um assunto e outro, você consiga assimilar essa informação e aí você vai gerar memória. Aquelas pessoas que chegam no final do dia e que não lembram nem o que comeram na hora do almoço, provavelmente tiveram um dia muito cheio, foram de tarefa em tarefa e não conseguiram juntar corpo, cérebro e alma. porque nós estamos correndo tanto que às vezes o corpo chega num lugar ou até numa reunião digital e vai com uma velocidade tamanha que o cérebro às vezes nem chega. Então essa micropausa que eu proponho é para evitar uma pausa involuntária. O que isso tem a ver com o burnout?
Eu vou até te interromper, Isabela, porque para ficar bem claro, pausa involuntária significa pifar, significa ter um problema, significa ter uma questão de saúde, significa ter que parar porque não dá conta mais de prosseguir. É isso que você se refere como uma pausa involuntária, né?
Exatamente. Como eu disse, isso pode ser o diagnóstico de uma doença, a morte de alguém, uma demissão. Isso é uma pausa involuntária. Isso tem tudo a ver com o burnout, isso tem tudo a ver com outros problemas de saúde relacionados ou não com o trabalho. O burnout, Paulo, já que você mencionou, é importante eu frisar, é um nome novo para um problema antigo. É como o bullying. Na minha época de escola, lá na década de 80, 90, bullying tinha outro nome. Bullying era zoeira, perseguição. E hoje ganha este novo nome para alguém que maltrata alguém. Burnout já teve outro nome, 1869 a literatura, o livro inclusive do próprio médico Jorge Miller, em 1869 escreveu um livro, Paulo pega essa, chamado American Nervony, de uma sociedade americana completamente nervosa e fora do eixo, por conta da moderna civilização. O curioso é que nós tivemos desenvolvimento da lâmpada elétrica por Thomas Edison só 10 anos depois. Então, o que isso tem a ver também com o burnout, com os novos tempos? Tudo. Antes da luz elétrica, como nós conhecemos hoje, que inclusive permite que toda a sua audiência nos acompanhe, antes de tudo isso, as pessoas já estavam reclamando da falta de tempo, já estavam muito nervosas. por esse excesso em que todos estavam vivendo. De lá pra cá, nós tivemos a maximização do dia e o encurtamento da noite. Porque antes, lembra que eu falei que o nosso cérebro é analógico? Nós dormíamos quando o sol ia se pôr e nós acordávamos quando o sol nascia. Agora não. Então, tudo isso interfere no nosso modo desoperante. Trazendo para o Bernal, hoje, no Brasil, nós temos 20 milhões de diagnósticos, de acordo com a última pesquisa da USP, realizada no início do ano. Esse número aumentou, ele é muito dinâmico. Nós ainda não temos esse número atualizado, mas, Paulo, eu já posso dizer com toda certeza que é muito maior do que 20 milhões, especialmente com os profissionais de saúde, que sempre fizeram parte do grupo mais sensível ao Bernal, esses profissionais de saúde, atrapalharam muito mais no então se colocaram muito mais em risco e viveram sob muita mais muito mais pressão. Então o Arnaldo, traduzindo para você em outra frase, perdão, pode falar.
Não, não, era só para relacionar com a tua primeira etapa, quer dizer, é um novo nome para algo que as pessoas chamavam só de estresse ou de estafa, talvez.
Neurastenia. Era neurastenia. 1869, médico mencionou o termo neurastenia na literatura para tratar das mesmas características que hoje o burnout trata, excesso de estresse por longos períodos no ambiente de trabalho. Então o burnout é um dos problemas de saúde relacionados ao trabalho, assim como nós temos fibromialgia, problemas na coluna, LER, DORT, é lesão por esforço repetitivo. Lenda? Lembra quando o seu talho era de 90? Inclusive brigaram muito pra ter isso direito. Pois é. Ali foi, ali era o que? Excesso de movimento, movimentos repetitivos, lesão por excesso de repetição. Hoje o que nós estamos fazendo, Paulo? Nós não estamos dando o tempo necessário para o nosso cérebro se recuperar, porque as micropausas foram extintas, elas não existem mais. Você se desloca no elevador olhando o telefone, quem é que não leva o telefone para o banheiro? Enfim, e outras situações que nós poderíamos falar. A gente pode levar esse assunto para o humor, porque a gente aprende até demais com o humor, você sabe disso. Mas no meu caso, o meu burnout foi em 2018, Foi uma experiência muito triste e eu te digo, Paulo, que na maior parte dos diagnósticos, uma pessoa só tem burnout porque ama muito o que faz. E por amar muito o que faz, se esquece de si mesmo, se negligencia, não se coloca na agenda. E para passar a palavra para você, Paulo, talvez seja uma informação bem interessante. Em 2017, a minha missão era responder para essas pessoas que me diziam que o tempo estava passando muito rápido, que elas estavam muito estressadas, morrendo muito e muito insatisfeita, a minha proposta era fazer essa resposta e prevenir as doenças do tempo, que são depressão, ansiedade, burnout, todas que te tiram de um tempo coerente, de um ritmo adequado. E aí, depois de dois anos pesquisando, eu tenho uma das coisas que eu queria prevenir na nossa sociedade. Então, agora, eu posso realmente dizer, Paulo, que a síndrome de burnout É um dos problemas, uma das consequências dos novos tempos. É uma das consequências deste nosso ritmo de vida que nos exige produtividade integral, disponibilidade integral, 24 horas, 7 dias por semana. Faz sentido o que eu estou dizendo?
Sim, você está falando sobre tudo aquilo que veio com a miniaturização, com a portabilidade, com a tecnologia Always On, sempre conectado, e aí você tem uma ansiedade de não ficar à margem das coisas que estão acontecendo, o que você não sabe, do que as pessoas estão fazendo e você não está. do que no seu trabalho você tem que realizar, porque outros estão realizando, senão você vai ficar para trás, né? É retroalimentado, né? Quanto mais você está nessa alda viva, talvez mais ela piore. A Isabela Camargo, minha convidada de hoje, falou sobre o livro que ela lançou, baseado em tempo. E eu me recordo aqui, já mencionei isso anteriormente, de um livro chamado O Valor do Amanhã. É um livro sobre juros, do economista Eduardo Gianetti da Fonseca, e ele fala sobre juros, porém sem usar matemática financeira, sem usar as equações e as fórmulas numéricas. Ele fala sobre escolhas, sobre o que significa o resultado de uma escolha hoje, no tempo futuro. Ou o que eu posso trazer a valor presente caso eu desista ou eu opte por uma coisa diferente na minha vida ali adiante. Exemplos toscos e simples. Eu como um doce agora e amanhã corro para a academia para fazer ginástica. Ou eu passo vontade, mas eu sei que eu continuo esbelto. Ou ainda, economizo dinheiro para minha aposentadoria, porque quando eu tiver 70 anos eu quero ir pescar. Mas e se amanhã eu ficar doente e pegar o coronavírus e morrer? O que aconteceu com todas as minhas economias? Então, são escolhas, né? Administração do tempo, pensamento sobre o tempo, e você está falando sobre pausas no dia a dia, né? Existem técnicas, existem pessoas orientando gente assim? Existem terapeutas para preparar ou ajudar as pessoas a lidarem com isso, independente da profissão, do nível social, do lugar onde elas estão?
Sim, Paulo. Antes, eu preciso só dar um passo para trás. Você estava comentando sobre esse nosso medo de não acompanhar tudo e não saber tudo. Existe um termo chamado FOMO, Fear of Missing Out, que é o medo de estar por fora. Eu menciono isso no livro. E o Eduardo Janetti, ele também faz parte do livro, eu entrevistei. Muito interessante você mencionar agora os juros, porque juros é o preço que você paga pela impaciência ou pela paciência. Juros na função credora, é o seu planejamento, é quando você ainda não sabe que você vai usar o seu dinheiro, então você guarda, você investe. Juros na posição devedora é quando você quer algo agora, mas só pode pagar depois. Isso é muito curioso. Essas escolhas que você comentou, Paulo, são fundamentais para viver um tempo de qualidade, para que eu viva uma vida que vale a pena ser vivida. É na prática. No livro, eu não trago teorias como o buraco da minhoca, aquelas coisas todas. Não, eu estou falando, Paula, aqui, de calendário. Eu estou falando de relógio, estou falando de exames médicos, daquilo que é essencial e, às vezes, nós deixamos para lá. A gente negligencia achando que nunca vai acontecer nada para a gente. Então, veja, voltando agora para a sua pergunta, as pausas voluntárias são fundamentais. Eu posso buscar ajuda, mas antes disso, eu preciso tentar encontrar os meus momentos de pausa. Vou pedir um exercício pra você, Paulo. Vem comigo e pra todos que estão aqui conosco. Você topa?
Bom, eu topo. Eu tô aqui quinta-feira, desculpe, terça-feira. Estamos aqui.
Não dá trabalho. Vou pedir pra você inspirar profundamente. Mais uma vez, todos que estão conosco, inspirem profundamente. O intervalo entre a inspiração e a expiração é o que a gente chama de tempo. O dia que a gente inspirar e não inspirar mais é o que a gente chama de morte. Nossa, mas Isabela, você vai falar de morte agora? Sim, para falar de tempo, eu preciso falar de vida e eu preciso lembrar que o nosso tempo é finito dentro de um tempo infinito. Então, eu preciso lembrar que eu não posso não ter consciência das minhas consequências. Eu preciso, pelo menos, considerar a hipótese de incluir micropausas, de me incluir na agenda, Paulo, para viver um tempo de qualidade. Porque, senão, não vai adiantar depois o diagnóstico de uma doença. Se dizer assim, poxa, eu devia ter descansado mais, aí vai tocar aquela música dos Titãs. Então, a gente pode escolher a nossa música. Então, sim, existem instrutores. Então, antes do mindfulness, Paulo, posso só fazer uma observação? Muitas pessoas me perguntam, o que eu faço? Entro numa yoga, entro numa meditação? Primeiro, vamos excluir algo da agenda para você pensar em colocar algo mais. Segundo, antes de procurar uma técnica de meditação, preste atenção na sua respiração. Paulo, é impressionante quando alguém quer fazer um exercício físico sem fazer atividade física. Então, como é que eu quero ser uma pessoa que se exercita se eu não consigo ser ativa dentro da minha própria casa? Como é que eu quero buscar no Mindfulness a resposta para a minha angústia, para o meu excesso de acessos, para o meu excesso de trabalho, que eu ainda não tenho a humildade em aceitar que eu preciso prestar atenção na minha respiração? É simples, só que a gente sabe que o simples incomoda muito, né, Paula? Então, existem técnicas, todos podem procurar muitos recursos fora, mas eu ainda recomendo para que você dê um tempo dentro. Para que você pare um pouquinho e realmente faça sua atualização de identidade, Paulo, que acho que pode ficar até para uma próxima conversa, porque não vai dar tempo de falar sobre isso hoje.
É, não, essa talvez não caiba, mas assim, para você, pessoalmente, que tem suas atividades, não está longe de estar isolada no mundo, numa caverna ali, só para administrar aí um tempo. ocioso, ou calmo, ou tranquilo, ou pausado, o que seria irreal. Como é que você adotou para você mesmo essa nova forma de administrar a agenda, como você disse? Eu tenho lá muitos compromissos no dia, mas quais são os compromissos que eu tenho comigo mesmo para que eu consiga chegar ao dia seguinte de forma integral?
Bom, hoje eu trabalho na Rádio Bandeirantes, passo primeira hora junto com o nosso amigo Nelson Gomes aqui do Band News TV, então eu tenho um compromisso diário externo, das sete às oito, eu estou ao vivo na Rádio Bandeirantes. O que eu vou fazer no restante das horas vai depender apenas de mim e da minha consciência. Então, se hoje eu estou com o dia intenso, com a agenda cheia, eu já tenho a consciência que amanhã eu preciso aliviar. Para aquelas pessoas que acham que não podem parar ou que não tem tempo para parar, eu vou dizer uma coisa, que eu tenho um capítulo no livro que eu falo só sobre música, o instrumento do tempo. Até as músicas mais agitadas têm os seus momentos de pausa. Aliás, se eu não tiver um momento de pausa, a melodia e o ritmo não existem. Paulo, só mais um exemplo. Por que numa estrada de alta velocidade, 120 km por hora, eu tenho um radar? Eu preciso parar um pouquinho? Porque se eu exceder o meu limite, se eu exceder a velocidade ideal, eu me coloco em risco e coloco outras pessoas em risco. É por isso que no subtítulo do meu livro, Como Encontrar Limite em Um Mundo Sem Limites, eu gosto de trazer esse exemplo do carro, porque eu preciso parar um pouquinho para poder continuar. Em nenhum momento eu estou dizendo para você parar de trabalhar, parar de fazer as coisas que você ama. Pelo contrário, eu estou te dando elementos, Paulo, para que você continue produzindo de forma saudável. Porque todos nós que amamos o que fazemos, nós queremos continuar. Voltando ao burnout, eu preciso dizer, então, que o burnout é um freio, não é o fim. Eu continuo produzindo, estou com o meu primeiro livro aqui, volto já já para viver, se Deus quiser, mas muito mais consciente das consequências dos meus atos. E isso que eu estou falando, Paulo, é a coisa mais objetiva e essencial que nós temos hoje. Não adianta eu programar cursos, viagens, não adianta pensar no futuro, eu não considerar as condições que eu tenho no presente. Simples assim. E se o tempo está parecendo maior ou menor para alguém, aí é o tempo de cada um. É o que nós estamos fazendo ou não. a nossa.
Atrás, você estudou, você conversou, você vivenciou e isso te motivou a uma grande mudança e uma percepção e você também está difundindo isso, trocando esse conhecimento, repassando isso a outras pessoas de uma forma positiva. Mas existem as pessoas que pressionadas pelas obrigações, pelas responsabilidades do dia a dia, familiares eventualmente, que que se torna uma armadilha também, eu imagino, você consegue ver um tipo de abordagem de prevenção, de repensar, porque se eu estou decidindo é uma coisa, mas se eu sinto que eu não tenho condição de decidir, ou seja, eu só estou sendo levado pelos fatos, de que maneira eu vou tentar fazer um freio voluntário?
Muito obrigada por essa pergunta. Paulo, você disse agora há pouco, só tem duas maneiras de eu aproveitar o meu tempo sem adoecer. Eu saber quem eu sou para fazer boas escolhas. Veja, essa resposta, ela pode ajudar muitas pessoas. Por isso que a atualização de identidade é fundamental. Se eu não reconhecer quais são as minhas necessidades hoje, eu vou querer fazer uma agenda olhando para o passado, com as características de saúde que eu tinha no passado e que eventualmente eu não tenho mais. O que eu estou querendo dizer com isso? Com as horas de sono. Então, Paulo, se eu tenho que cumprir uma agenda muito extensa, se eu tenho que ter dois empregos para sustentar a minha família, se eu preciso dizer sim para mais trabalho, se eu não tenho condições, se eu ainda tenho medo de dizer não, eu também tive tudo isso, eu preciso, no mínimo, me colocar na agenda para um número de horas de sono suficiente. E aí entra numa outra história, que são os ladrões de tempo. Então, por mais que eu tenha uma agenda intensa, por mais que eu esteja trabalhando mais do que eu gostaria, eu preciso, então, olhar para mim, eu preciso saber quem eu sou hoje para, no mínimo, dormir as horas de sono suficientes. Como eu disse, isso parece muito simples, mas eu sei que incomoda bastante. No livro, Paulo, eu fui atrás, Associação Brasileira do Sono, Instituto do Sono, e ali eu trago informações muito chocantes, daquelas informações que causam tremor de 5 pontos na escala Richter, Porque quem dorme menos de seis horas por noite tem quatro vezes mais chances de morte. Isso a médio e longo prazo pode provocar uma pausa involuntária. Então vai ser uma questão de escolha. Eu aprender a dizer não para alguns ladrões e alocadores de tempo e me colocar na agenda para o meu cuidado. Porque senão eu viro uma cumpridora de tarefas, uma cumpridora de agendas. E para aqueles que ainda estão achando que esse assunto não é necessário, Vejam, a gente fala de tempo o tempo inteiro, o tempo da entrevista, o tempo do intervalo, o tempo do banho, o tempo do sexo, o tempo da alimentação, mas dificilmente a gente para para pensar no que estamos fazendo com o nosso tempo. Então, para aqueles que estão com uma agenda muito apertada, eu sugiro um minutinho, vejam o que pode ser excluído para que você possa ser incluído. E aí sim, tudo o que você está fazendo pode fazer sentido.
Legal, Isabela. Então, quando você tiver mais novidades, você conta primeiro aqui, enfim, o que for, televisão, próximo livro, eventos online, etc, etc. Vamos falar com o tempo sobre o assunto do tempo, tá? Obrigado pela entrevista de hoje.
Eu que agradeço, Paulo. Obrigada pela sua confiança, pelo tempo de quem está nos acompanhando. Eu desejo, então, que todos tenham tempo para colocar mais vida no próprio tempo.
Valeu, boa noite. E agora as pessoas podem dormir, dando valor ao tempo que terão descansando. Amanhã, quarta-feira, estaremos de volta, 11h30 da noite, aqui no Canal Band News. Tchau, tchau!
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